Cúpula dos Povos exige soluções reais e alerta para risco de injustiça climática em Belém

O diagnóstico elaborado pela Cúpula dos povos é enfático: a crise climática é, antes de tudo, uma crise de injustiça: racial, social, de gênero e colonial

Visão panorâmica do Rio Guamá, que recebeu a barqueata da Cúpula dos Povos. Foto: Zé Netto/Cúpula dos Povos

Enquanto o Palácio das Nações Unidas se prepara para receber chefes de Estado e negociadores da COP30, movimentos sociais e comunidades de base do Brasil e do mundo se articulam de forma autônoma na Cúpula dos Povos Rumo à COP 30.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula do Clima? 

Realizado em Belém, o encontro se consolida como a voz de quem está na linha de frente da crise climática, confrontando uma agenda oficial que, historicamente, privilegia o mercado e interesses corporativos em detrimento da vida e dos territórios.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Barqueata, manifestação que abriu a Cúpula dos Povos.
Foto tirada durante a Barqueata, manifestação que abriu a Cúpula dos Povos. Foto: Ewerton Gomes

Leia também: Barqueata reúne movimentos sociais em Belém durante a COP30

O diagnóstico elaborado pela Cúpula é enfático: a crise climática é, antes de tudo, uma crise de injustiça: racial, social, de gênero e colonial. Para os movimentos, se a COP30 não incorporar a agenda popular, correrá o risco de se tornar mais uma arena de validação de “falsas soluções”.

O alerta recai especialmente sobre o foco em mecanismos de mercado, como a financeirização da natureza, e sobre a ausência de responsabilização pela dívida ecológica acumulada pelos países do Norte Global e pelas grandes corporações. Sem mudanças profundas, afirmam, a Amazônia e demais biomas seguirão submetidos ao avanço do racismo ambiental e à impunidade corporativa.

Imagem registrada na Barqueata, realizada no dia 12 de novembro, durante o manifestação que abriu a Cúpula dos Povos. Foto: Divulgação / Cúpula dos Povos

O enfrentamento passa por romper com o extrativismo insustentável e garantir uma transição energética realmente justa, inclusiva e popular.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Seis eixos estratégicos

• Territórios e Maretórios Vivos: Defesa da demarcação de terras, da soberania alimentar e do reconhecimento da Natureza como sujeito de direitos.

• Reparação Histórica: Enfrentamento ao racismo ambiental, às falsas soluções e exigência de que a Dívida Ecológica seja paga.

• Transição Justa, Popular e Inclusiva: Superação da era dos combustíveis fósseis e construção de uma democracia energética pautada por saberes populares.

• Contra as Opressões: Articulação em defesa da democracia, do internacionalismo dos povos e contra a extrema-direita e os fundamentalismos.

• Cidades Justas e Periferias Urbanas Vivas: Combate ao racismo ambiental urbano e defesa da democratização do acesso a saneamento e energia.

• Feminismo Popular: Centralidade das mulheres nos territórios e defesa inegociável dos direitos sexuais e reprodutivos.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula dos Povos?

Carta Final

O ápice da mobilização será a construção da Carta Final da Cúpula dos Povos, documento que não se limita ao caráter protocolar. A carta nasce como uma ferramenta popular de pressão política internacional, reunindo denúncias, propostas e exigências dos movimentos sociais globais.

Imagem registrada na Barqueata, realizada no dia 12 de novembro, durante o manifestação que abriu a Cúpula dos Povos. Foto: Divulgação / Cúpula dos Povos

Forjado nas lutas e nos debates dos territórios, o texto funcionará como um mandato popular destinado a pressionar governos, corporações e a própria Organização das Nações Unidas (ONU) a romper com negociações climáticas formais e avançar rumo à Justiça Climática e ao Bem Viver.

A mensagem é direta: as soluções para a crise não nascerão das salas fechadas das COPs, mas do poder e da articulação dos povos.

No encerramento da Cúpula, em 16 de novembro, a Carta de Declaração dos Povos, construída por integrantes de mais de 1.100 entidades e movimentos de 62 países, será entregue ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30. Há expectativa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteja presente na ocasião.

*Com informação da Ascom Operativo Nacional da Cúpula

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Tribunal Regional Federal da 1ª Região mantém decisão que protege área da Terra Indígena Kayapó, no Pará

Por unanimidade, TRF1 decidiu pela manutenção de área que delimita aproximadamente 992 hectares da Terra Indígena Kayapó.

Leia também

Publicidade