Reduzir o desperdício. Incentivar cadeias produtivas sustentáveis. Educação ambiental. Ensinar sobre o consumo eficiente de recursos. Atualmente esses tópicos tem sido cada vez mais enfatizados mundo à fora em função da busca pelo consumo consciente e responsável como objetivo de preservar o planeta criando um ambiente propício para as próximas gerações.
Um exemplo é o uso dos “3 R’s” para incentivar essa consciência:
Reutilizar o que for possível,
Recusar o que for desnecessário
e Reduzir para evitar desperdícios.
Para saber usar essas propostas, pense antes de qualquer decisão: “Eu realmente preciso disso?”. A sustentabilidade, que tanto se busca e cobra, parte de cada indivíduo, que deve aprender e considerar os impactos de suas escolhas tanto no meio ambiente quanto na sociedade como um todo. Por isso essa pergunta possui um peso tão relevante.
Assim, priorizar necessidades ao invés dos desejos, aprender a reutilizar e reciclar o que for possível, além de escolher empresas éticas para promover a sustentabilidade, o bem-estar social e a economia de recursos, são atos básicos de consumo consciente.
O Projeto Consciência Limpa busca mudar hábitos na Amazônia por meio de educação, ações práticas e comunicação. Realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), o objetivo é reforçar o compromisso com a sustentabilidade e com a melhoria da qualidade de vida da população.
Em 2026, o projeto retorna ao Acre, com uma agenda extensa de atividades e disponibiliza serviços como imunização, negociação de dívidas e emissão de documentos, além de coleta de resíduos eletrônicos e óleo de cozinha com o apoio de parceiros no estado.
As ações do Consciência Limpa em Rio Branco (AC) ocorrem no sábado (28) no Lago do Amor, localizado na Rodovia BR 364 AC, n° 4464, no Jardim Primavera, a partir das 15h até as 19h.
Serviços de saúde, jurídicos, negociação de dívidas, imunização, Cadastro Ambiental Rural (CAR), atividades recreativas e emissão de documentos também estão na lista de serviços que serão disponibilizados aos visitantes. Mais de 20 expositores estarão presentes na ação de conscientização.
Entre os parceiros estão a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), que irá fazer a troca de mil mudas pelo descarte correto dos resíduos eletrônicos e de óleo de cozinha’; e a OCA Móvel, com dezenas de serviços voltados à cidadania. Confira alguns dos serviços:
Atendimento jurídico (cível e previdenciário) com a OAB-AC;
Emissão de documentos e serviços sociais (Cadastro Único, alistamento militar, entre outros) com a OCA;
Atendimento ao público, negociações e orientações de segurança elétrica com a Energisa;
Testes rápidos, clínico geral e vacinação com apoio de unidades parceiras;
Atividades recreativas e educativas para públicos de todas as idades;
Espaços de orientação e capacitação sobre temas relacionados à sustentabilidade e ao consumo responsável;
Serviços do INSS;
Título Eleitor;
Cadastro de Microempreendedor Individual (MEI);
Agendamentos para retirar passaportes, para Receita Federal e Previdência Social;
Carteira Interestadual;
Atendimento no Procon-AC;
Serviço do Instituto de Identificação
Atendimento a estrangeiros com autorização de residência;
O projeto Consciência Limpa, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), que atua há mais de 20 anos na Região Norte, promove educação ambiental, sustentabilidade e a participação da comunidade em práticas responsáveis para a preservação dos recursos naturais.
No Acre, o projeto chega pela segunda vez com estratégias educativas e ações práticas para transformar conhecimento em atitudes sustentáveis.
A destinação correta de resíduos, economia circular e consumo consciente são bases para promover o entendimento na população sobre seu papel, tanto individual quanto em conjunto.
No entanto, apesar do termo ‘sustentabilidade’ ser comum atualmente e representar um propósito para o futuro, é preciso retornar à sua origem em alguns momentos para compreender a profundidade e abrangência de seu significado.
Como surgiu? Ainda segue a ideia original? Algumas perguntas geraram dez pontos de curiosidade sobre a evolução da sustentabilidade não só na Amazônia, mas de modo global.
Confira algumas informações sobre a sustentabilidade:
Exibição gratuita acontece às 18h30 com pipoca, refrigerante e homenagem à atriz Rosa Malagueta. Foto: Divulgação
A Vila de Paricatuba, no Amazonas, recebe neste sábado (28), mais uma edição do projeto Cine Paricá. A sessão acontecerá na Quadra Poliesportiva Francisco Barbosa de Souza, ao lado do campo de futebol, com entrada gratuita e distribuição de pipoca e refrigerante para o público. A exibição começa a partir das 18h30.
O destaque da noite é a estreia do longa-metragem ‘O Velho Fantástico’, produção da Branca3 Filmes, com roteiro e direção de Augustto Gomes. O filme, que possui classificação indicativa livre e duração de 90 minutos, foi gravado na própria Vila de Paricatuba e conta com a participação de moradores da comunidade.
A trama acompanha Ivan, um menino da cidade grande que, devido à grave doença da mãe, passa a morar com a avó em uma pequena vila no interior do Amazonas. No novo ambiente, ele faz amizades e é incentivado a buscar a cura da mãe por meio de um ser mítico que habita o coração da selva. Movido pela fé e pela esperança, o garoto inicia uma jornada pela floresta, enfrentando desafios e vivendo grandes aventuras.
O elenco reúne nomes como José Gomes, Rosa Malagueta, Francy Junior, Liliane Machado e Fioravante Almeida, além de diversos talentos locais. Nesta edição do Cine Paricá, Rosa Malagueta será a atriz homenageada da noite, em reconhecimento à sua contribuição artística e participação no filme.
De acordo com o produtor executivo da obra, Jorgemar Monteiro, a experiência de filmar na vila foi determinante para a autenticidade da produção.
“O Velho Fantástico nasce do desejo de contar histórias da Amazônia com a própria Amazônia. Filmar em Paricatuba foi especial porque encontramos cenários naturais incríveis e, principalmente, pessoas talentosas e comprometidas. Trabalhar com moradores da vila trouxe verdade e emoção ao filme. Exibir essa produção aqui é devolver à comunidade uma história que também é dela”, destacou.
Para a líder comunitária Jacqueline Lins, o projeto representa mais do que entretenimento. “O Cine Paricá é muito importante porque traz cultura gratuita para as famílias da vila. É uma oportunidade para crianças, jovens e idosos viverem uma experiência diferente, se verem na tela e se sentirem valorizados. Isso fortalece nossa identidade e mostra que Paricatuba é rica em talento e cultura”, afirmou.
Idealizador e gestor do Cine Paricá, Anderson Mendes ressalta que a proposta do projeto é democratizar o acesso ao cinema e valorizar produções regionais.
“O Cine Paricá nasceu do sonho de levar cinema gratuito para nossa comunidade e fortalecer as histórias da Amazônia. Estrear um filme gravado aqui na vila é motivo de orgulho coletivo. Convidamos todos os moradores e também os turistas que visitam Paricatuba a participarem dessa noite especial, trazendo suas famílias para viver essa experiência de cinema sob as estrelas”, convidou.
Foto: Divulgação
De acordo com os realizadores, o Cine Paricá transforma espaços públicos da vila em salas de cinema ao ar livre, promovendo encontros comunitários e ampliando o acesso à produção audiovisual amazônica. A iniciativa integra as ações de fomento cultural realizadas no estado.
O Projeto Cine Paricá é realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, CONEC – Conselho Estadual de Cultura do Amazonas, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Governo do Amazonas, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Conta ainda com o apoio institucional de Viva Paricatuba, Centro Social de Paricatuba, Fundação Rede Amazônica, Ykamiabas Produções, MK Produções, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – DANDARA, Branca3 Filmes e Feitoza Mídias.
Novo cardápio traz mais variedade e novas preparações à merenda escolar, fortalecendo a alimentação diária dos estudantes. Foto: Francisco Sena/PMBV
A merenda escolar da Rede Municipal de Ensino de Boa Vista está ainda mais diversificada em 2026. O cardápio passou por reformulação e ganhou novas preparações que já integram a rotina das unidades, ampliando a variedade das refeições oferecidas diariamente aos estudantes.
Entre as novidades estão pratos como feijoadinha com arroz brasileirinho, arroz de horta, salpicão de frango, cuscuz nordestino e feijão tropeiro. As receitas foram planejadas para unir valor nutricional, identidade cultural e aceitação do público infantil.
A reformulação foi elaborada pela equipe de nutricionistas do município, seguindo as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Uma das responsáveis pelo planejamento, a nutricionista Letícia Bueno, explica que a inovação veio acompanhada de critérios técnicos rigorosos.
Feijoadinha é uma das novidades do novo cardápio da Rede Municipal de Ensino, preparado com cuidado pela equipe de nutricionistas do município. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
“Em 2026 a gente quis inovar no cardápio. Fizemos uma grande modificação, mas sempre baseados nas normativas do PNAE. Nosso cardápio é elaborado pela equipe de nutricionistas e leva em consideração a faixa etária de cada criança, os hábitos alimentares e a questão cultural”, destacou.
Segundo ela, cada preparação é calculada com base nas necessidades específicas dos alunos. “A alimentação escolar é fundamental para o desenvolvimento cognitivo e motor. Uma criança bem nutrida consegue aprender melhor e ter um desenvolvimento adequado. No cálculo do cardápio, consideramos macro e micronutrientes de acordo com a faixa etária, modalidade escolar e hábitos alimentares”, explicou.
Em 2025, a Prefeitura de Boa Vista distribuiu 1.548.906 quilos de alimentos às escolas da rede municipal. Desse total, mais de 52% foram hortifrútis frescos, adquiridos por meio de sete cooperativas locais, fortalecendo a economia da zona rural e garantindo alimentos de maior valor nutricional para os estudantes.
Em 2025, a Prefeitura de Boa Vista distribuiu mais de 1,5 milhão de quilos de alimentos às escolas, com 52% de hortifrútis frescos da agricultura local. Foto: Francisco Sena/PMBV
Aprovação no refeitório
Na Escola Municipal Francisco Pedrosa, uma das unidades entregues recentemente, o feijão tropeiro foi servido no almoço e rapidamente virou assunto entre os pequenos. A novidade agradou.
Thomas Oliveira, de 5 anos, experimentou e aprovou. Disse que gostou muito e que estava “bem gostoso”.
Kauê Lima Mendes, também de 5 anos, repetiu o prato e contou, animado, que adorou e achou “delicioso”.
Já Alexa Rafaella elogiou não só a refeição, mas o ambiente escolar. Para ela, ficou “muito gostoso” — e a escola também está sendo motivo de alegria.
Na Escola Municipal Francisco Pedrosa, o feijão tropeiro conquistou os alunos: teve repeteco, elogios e muitos sorrisos no horário do almoço. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Referência nacional
O cuidado com a alimentação escolar já colocou Boa Vista em evidência no cenário nacional. Em janeiro deste ano, o Instituto Veritá divulgou pesquisa que avaliou a qualidade dos serviços públicos nas capitais brasileiras. Entre os destaques a merenda foi reconhecida como referência em qualidade e nutrição.
O trabalho resultará no primeiro sistema de benchmarking da castanha-da-amazônia.Foto: Ronaldo Rosa
A Embrapa Rondônia (RO) coordenará o desenvolvimento do primeiro sistema de benchmarking — metodologia de análise de mercado com base na comparação entre empresas concorrentes — da castanha-da-amazônia.. O trabalho deve preencher uma lacuna crítica na bioeconomia amazônica ao criar um sistema padronizado de indicadores de eficiência industrial no beneficiamento da castanha.
O projeto de pesquisa foi um dos apenas seis selecionados no edital Projetos de Pesquisa em Economia Sustentável na Amazônia, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) em parceria com o Bezos Earth Fund. Ao edital concorreram 221 propostas apresentadas por instituições científicas da região.
“O benchmarking permitirá comparar o desempenho de diferentes beneficiadoras e propor melhorias técnicas e de gestão baseadas em evidências. Entre os indicadores a serem desenvolvidos estão: taxa de corte da matéria-prima, rendimento de produção e percentual de amêndoas quebradas — métricas que ajudarão as empresas a identificar gargalos e aprimorar seus processos”, explica a pesquisadora Lucia Wadt, líder do projeto e Chefe-Geral da Embrapa Rondônia.
A iniciativa começa com seis beneficiadoras parceiras dos estados do Pará, Amazonas, Rondônia e Mato Grosso, que aceitaram compartilhar dados sob sigilo e proteção da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Cada participante receberá análises individualizadas e planos de melhoria específicos. Os dados agregados, processados e anonimizados servirão de base para recomendações setoriais e políticas públicas.
Além do foco técnico, o projeto busca articular políticas públicas e atores institucionais — como Finep, Senai, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e Embrapii — para integrar o benchmarking ao planejamento da bioeconomia nacional. A expectativa é que as evidências produzidas influenciem programas de financiamento, inovação e capacitação técnica, fortalecendo a competitividade das empresas e o valor econômico da floresta em pé.
O benchmarking é uma metodologia consagrada no setor produtivo global, criada na década de 1980 na Xerox Corporation e usada por empresas líderes para comparar desempenhos e adotar melhores práticas. No entanto, nenhum setor da bioeconomia amazônica ainda dispõe de infraestrutura semelhante — o que, segundo os pesquisadores, explica parte da baixa competitividade regional.
A ausência de padrões confiáveis de comparação impede que as beneficiadoras aprimorem sua produtividade e qualidade; reforçando portanto um modelo de concorrência baseado em preço, que desvaloriza o produto e o trabalho local.
De acordo com os coordenadores, a adoção do benchmarking no setor castanheiro representa um salto estrutural para a economia da floresta. A equipe do projeto considera que, com base em dados reais e comparáveis, será possível melhorar processos industriais, aumentar o valor agregado e criar incentivos econômicos para manter as castanheiras em pé.
Formação de jovens pesquisadores
“O projeto inclui um programa de formação de jovens pesquisadores em métodos de análise industrial e bioeconomia. As bolsas serão voltadas a estudantes de graduação e pós-graduação da Amazônia, com o objetivo de consolidar competências locais e garantir a replicação da metodologia em outras cadeias produtivas da sociobiodiversidade, como açaí, cupuaçu e andiroba”, destaca Maria Fernanda Berlingieri Durigan, pesquisadora da Embrapa Instrumentação(SP).
A equipe aplicará metodologias avançadas, como o Método de Análise Hierárquica (Analytic Hierarchy Process – AHP), para selecionar e validar indicadores de desempenho adicionais, que incorporarão dimensões de sustentabilidade ambiental, custos de produção e qualidade da castanha. Os dados coletados serão processados e validados em ambiente estatístico e utilizados para construir uma plataforma de análise comparativa, acessível apenas às instituições parceiras.
O projeto divide-se em três eixos complementares: eficiência operacional, com coleta e análise de dados industriais padronizados; políticas públicas e governança, mapeando marcos regulatórios e oportunidades de investimento; e formação de competências locais, com treinamento técnico e bolsas de pesquisa.
Segundo os pesquisadores, a economia sustentável amazônica depende de informação confiável e comparável para crescer. “Com o benchmarking, o setor da castanha-da-amazônia poderá orientar suas estratégias com base em evidências, atrair investimentos e conquistar novos mercados”, destaca Patricia da Costa, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (SP).
Projeto de pesquisa foca em castanhas. Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa
Rede multi-institucional
O projeto será executado por uma rede multi-institucional que reúne a Embrapa Rondônia (líder), Embrapa Instrumentação, Embrapa Meio Ambiente, Embrapa Acre, Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Universidade de Nova Iorque (NYU), Centro de Empreendedorismo da Amazônia (CEA), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) e organizações da base produtiva da castanha-da-amazônia.
Cada parceiro contribuirá com competências suplementares: as unidades da Embrapa asseguram rigor técnico e inovação metodológica, as universidades formam novos pesquisadores, e o CEA e a ApexBrasil fortalecem a inserção empresarial e internacional do setor.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Consumir de forma consciente se torna essencial diante dos desafios ambientais e sociais enfrentados atualmente. Por isso, adotar práticas sustentáveis no dia a dia não significa apenas reduzir gastos, mas também contribuir diretamente para a preservação dos recursos naturais, para a diminuição da geração de resíduos e para a construção de um futuro mais equilibrado.
De acordo com o Serviço de Sustentabilidade da Câmara dos Deputados, o Ecocâmara, para consumir de forma consciente é preciso repensar hábitos e considerar os impactos positivos e negativos que as escolhas provocam no meio ambiente, na economia e na sociedade.
O consumo consciente é uma das principais bandeiras do Projeto Consciência Limpa, da Fundação Rede Amazônica (FRAM). A iniciativa reforça a importância de analisar os impactos dos hábitos no dia a dia para reduzir prejuízos ambientais e promover um futuro mais sustentável. Com esse objetivo, o projeto destaca algumas dicas simples e práticas para ajudar a consumir de forma mais responsável.
Como consumir de forma consciente ?
O consumo consciente é muito importante na hora de fazer compras de modo geral. De acordo com o Instituto de Proteção e Defesa do Consumidor do Acre, evitar compras impulsivas é fundamental para manter o equilíbrio financeiro e reduzir o desperdício.
Planejar as compras por meio de listas, estabelecer um orçamento, esperar alguns dias antes de adquirir um produto e evitar decisões motivadas por emoções são estratégias que ajudam a consumir de forma mais responsável. Essa mudança de comportamento beneficia também o meio ambiente, pois o consumo excessivo aumenta a exploração de recursos naturais e a produção de resíduos.
Segundo o Ecocâmara, é essencial priorizar produtos duráveis, com embalagens recicláveis ou reutilizáveis e de procedência sustentável, além de dar preferência a alimentos frescos e produzidos localmente.
As empresas também têm um papel importante nesse processo. De acordo com a Duque Sustentabilidade, uma empresa eco friendly é aquela organização que tem em sua cultura organizacional uma preocupação com o meio ambiente, ou seja, em seus processos, iniciativas e ações colocam a sustentabilidade como uma de suas prioridades principais.
Isso inclui o descarte correto de resíduos, a redução do desperdício, o uso eficiente de recursos naturais e o incentivo à reciclagem. O projeto orienta que estabelecimentos comerciais podem adotar iluminação em LED, reduzir o uso de papel, evitar o desperdício de água e priorizar fornecedores locais, diminuindo o impacto ambiental causado pelo transporte de mercadorias.
Consumir de forma consciente é essencial diante dos desafios ambientais e sociais enfrentados atualmente. Foto: Reprodução/Freepik
Outro ponto fundamental do consumo consciente é o descarte adequado dos resíduos. Segundo o Ecocâmara, essa prática prolonga a vida útil dos aterros sanitários e impacta diretamente a renda dos catadores, que podem ter seus ganhos ampliados com a correta separação dos materiais recicláveis.
O descarte correto do óleo de cozinha usado aparece como uma das ações mais simples e eficientes para evitar danos ambientais. Segundo o Duque Sustentabilidade, o óleo de fritura não deve ser jogado na pia, no vaso sanitário, no solo ou em sacolas plásticas.
Reutilizar o óleo de cozinha é consumir de forma consciente. Foto: Ude Valentine /Comunicação Mirante
O projeto orienta que o ideal é armazená-lo em garrafas PET ou recipientes adequados e encaminhá-lo para empresas especializadas na coleta e reciclagem do material, como forma de evitar a contaminação dos rios, dos lagos e do solo, além de contribuir para a economia circular.
O óleo deve ser guardado somente após esfriar, utilizando um funil para evitar vazamentos. Além disso, não é necessário filtrar o óleo antes de armazenar, e quando um volume significativo for acumulado, basta encaminhá-lo para a coleta especializada.
Descarte de eletrônicos
Outro tipo de produto descartado que precisa de atenção é o eletrônico. O Instituto Descarte Correto, que atua como centro de recondicionamento de computadores, recebe o descarte de cabos e carregadores, computadores e monitores, tvs e rádios, celulares e tablets, impressoras e teclados, e eletrodomésticos em geral.
Esses materiais também são prejudiciais para o meio ambiente se são forem descartados corretamente, em função dos seus componentes e tempo de decomposição, poluentes que podem ser evitados.
De acordo com o instituto, ensinar sobre descarte correto, consumo responsável e sustentabilidade “é plantar hoje as sementes de um futuro mais justo, equilibrado e possível para todos”.
Por isso, somando pequenas atitudes, como armazenar corretamente o óleo de cozinha usado, evitar compras por impulso, escolher produtos com menos embalagens e apoiar empresas comprometidas com o meio ambiente, fazem uma grande diferença quando praticadas de forma contínua.
E o que o descarte incorreto pode gerar?
O óleo mal descartado é um exemplo de que as consequência não são mínimas como se pode pensar. Quando descartado de forma inadequada, o óleo pode causar uma série de impactos ambientais e, segundo a Duque Sustentabilidade, um dos principais problemas é a poluição do solo, comprometendo a qualidade e prejudicando o cultivo de plantas.
Outro impacto significativo é a poluição da água, já que ao chegar aos rios e lagos, o óleo forma uma película na superfície que impede a passagem de luz solar e reduz a oxigenação da água, afetando diretamente peixes e outros organismos aquáticos.
Além dos danos ambientais, o descarte inadequado do óleo pode causar também problemas estruturais nas cidades, já que o resíduo pode se solidificar nas tubulações de esgoto e provocar enchentes.
Consumir de forma consciente ajuda o meio ambiente. Foto: Repordução/Freepik
O impacto sobre a fauna também é preocupante, uma vez que aves aquáticas e peixes podem ter o corpo coberto pelo óleo, o que compromete a respiração e a mobilidade desses animais.
Por isso, o descarte correto do resíduo é considerado uma das medidas mais importantes para reduzir os danos ambientais causados pelas atividades domésticas e comerciais.
Consumir de forma consciente é um dos pilares da sustentabilidade, pois ao adotar práticas responsáveis, consumidores e empresas contribuem para a preservação dos recursos naturais para as próximas gerações.
Uma estratégia simples, acessível e movida a energia solar mostrou-se eficaz na redução de ataques de morcego-vampiro (Desmodus rotundus), principal transmissor da raiva para humanos e animais de criação. Este é o principal resultado de um estudo realizado entre 2023 e 2024 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã e na Floresta Nacional de Tefé, no estado do Amazonas, por pesquisadores do Instituto Mamirauá.
A pesquisa investigou se a iluminação noturna com lanternas solares poderia diminuir a ocorrência de mordidas de morcego-vampiro, única espécie que costuma se alimentar do sangue de seres humanos e é vetor da raiva, uma doença viral grave transmitida pela saliva de mamíferos infectados. Uma vez que os sintomas neurológicos se manifestam, a doença é quase sempre fatal, tornando a prevenção fundamental.
O estudo foi realizado através de entrevistas com 53 famílias, totalizando 224 pessoas, sobre a ocorrência de mordidas nos últimos seis meses. Dos entrevistados, constatou-se que 30% já haviam sido mordidos ao longo da vida, sendo que 19% haviam sido mordidos nos últimos seis meses.
Em seguida, a equipe do estudo distribuiu lanternas movidas a energia solar e orientou os entrevistados a utilizá-las durante a noite para iluminar o entorno das casas. Concomitantemente, foram capturados morcegos próximos às comunidades para testar a presença do vírus da raiva.
A coleta de material constatou que, felizmente, nenhum indivíduo estava infectado. Após seis meses, os pesquisadores retornaram para avaliar o impacto da intervenção.
As mordidas relatadas pelos moradores locais diminuíram significativamente, de 19% para apenas 3%, após a adoção das lanternas. Observou-se também que a adesão ao método proposto foi essencial: os indivíduos que usaram a lanterna todas as noites e a noite inteira foram menos mordidos.
De acordo com Isadora Lobato, pesquisadora do Instituto Mamirauá responsável pelo estudo, “nossos resultados evidenciam como garantir o acesso à educação e à energia, direitos básicos, pode se traduzir em uma forma de promoção da saúde e prevenção de doenças em comunidades ribeirinhas da Amazônia”.
“A elevada subnotificação de casos de mordidas por morcegos-vampiros observada no estudo representa um grande desafio para o planejamento de ações de saúde pública adequadas à realidade das populações ribeirinhas, destacando a relevância de pesquisas voltadas a esse tema”, conclui.
Com base nas descobertas, os pesquisadores reforçam um conjunto de recomendações para reduzir o risco de mordidas por morcegos e contaminação por raiva. Para proteger as pessoas e animais de criação, é essencial usar iluminação noturna próximo ao local onde se dorme, como as lanternas solares testadas.
Além disso, utilizar mosquiteiros ao dormir e manter portas e janelas bem fechadas ao anoitecer também reduzem a probabilidade de ser mordido. Para a proteção dos animais de criação, as medidas incluem instalar telas em currais e abrigos, certificar-se de que a vacinação dos animais está em dia e abrigá-los à noite em locais fechados sempre que possível.
“Esses resultados e as medidas propostas podem ajudar a orientar futuras ações integradas de vigilância epidemiológica, que incluam educação em saúde e acesso à energia em áreas de difícil acesso da Amazônia”, argumenta Isadora. “Esperamos contribuir para a saúde pública e o bem-estar dessas comunidades”.
Os resultados da pesquisa, as medidas para prevenir mordidas de morcegos, além de fatos sobre morcegos e sobre a raiva estão contidos em uma cartilha de divulgação científica produzida pela equipe de pesquisadores. Essa cartilha será impressa e distribuída em comunidades das áreas de estudo com o intuito de trazer informações relevantes que possam ser acessadas pelo público geral, ajudando na prevenção de acidentes com morcegos.
Este projeto foi possível graças à doação das lanternas solares pela empresa Schneider Electric. As lanternas também foram doadas para parteiras tradicionais do Amazonas, para auxiliar nos trabalhos de parto e acompanhamento em regiões com pouco acesso à energia elétrica.
O Instituto Mamirauá é uma Organização Social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação que atua por meio de programas de pesquisa, manejo de recursos naturais e desenvolvimento social na Amazônia, tendo como linhas de ação principais a aplicação da ciência, tecnologia e inovação na conservação e uso sustentável da biodiversidade amazônica, bem como a construção e consolidação de tecnologias sociais e programas de manejo em parceria com comunidades tradicionais.
Para cuidar do meio ambiente é preciso ter conhecimento e responsabilidade. Na Amazônia, maior bioma do Brasil, os cuidados são ainda maiores para quem habita. Cada ação reflete em um consequência e cuidar do lixo, da água, e do consumo geral no dia a dia é imprescindível para a manutenção do meio ambiente, garantindo acesso às próximas gerações.
Como parte das ações de conscientização, livros também ajudam a conhecer mais sobre o meio ambiente, contribuindo para uma educação ambiental atenta e segura. O jornalista e especialista em jornalismo ambiental Gabriel Ferreira afirma que, além da educação básica sobre os cuidados com o meio ambiente, faz-se necessário valorizar os saberes tradicionais e fazer uma autoanálise sobre o consumo diário e como ele impacta na sociedade.
“A visão cosmológica dos povos indígenas nos ensina muita coisa importante que perdemos ao longo do tempo: o encantamento pelo mundo. Pra isso, eu vejo que olhar para o meio ambiente como parte nossa, seja espiritual, filosófica existencial e corpórea, é primordial e um passo importante se a gente for pensar em educação ambiental. Nós aprendemos o básico quando criança como não jogar o lixo na rua, e ao longo do tempo vamos ficando indiferentes. Então vale uma auto reflexão e o entendimento de o quanto é importante nos reeducarmos. De olhar por meio ambiente como nossa casa comum. Se destruir, não tem pra onde ir”, reflete Ferreira.
Confira quatro livros que contribuem para essas reflexões:
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‘Educação Ambiental – Princípios e Práticas’, de Genebaldo Freire Dias (2010)
Este livro reúne as informações básicas conceituais sobre a Educação Ambiental. É recomendado para quem não possui muito entendimento na área e está buscando conhecimento.
A obra faz um histórico de suas atividades pelo mundo, sugere mais de cem atividades para sua prática, fornece subsídios para a ampliação dos conhecimentos sobre o conhecimento ambiental e expõe as diferentes formas legais de ação individual e comunitária que possibilitam um exercício de cidadania, visando uma melhor qualidade de vida.
No livro, se encontra normas e possíveis responsabilidades a serem tomadas para melhorar a convivência com a natureza.
‘A queda do céu’, de Davi Kopenawa e Bruce Albert(2010)
Escrita pelo antropólogo francês Bruce Albert e o xamã indígena Yanomami, Davi Kopenawa, essa obra combina filosofia, cosmologia e crítica à destruição ambiental.
Apresenta o entendimento dos povos indígenas sobre o mundo e a floresta. A obra faz uma analogia a destruição da floresta, pois também é a destruição do mundo espiritual e humano.
Trata-se de um livro que traz uma reflexão de que o ser humano está ligado ao meio ambiente em corpo e espírito.
‘Ideias para adiar o fim do mundo’, de Ailton Krenak (2019)
Se você procura por livros que trazem reflexões filosóficas e lições de como preservar a natureza, essa obra é ideal.
‘Ideias para Adiar o Fim do Mundo’ é um ensaio filosófico e crítico que questiona a forma como a sociedade atual se relaciona com a natureza, com o progresso e com a própria ideia de humanidade.
A obra é baseada em uma palestra do pensador indígena Ailton Krenak, realizada em uma universidade em Portugal, e apresenta uma reflexão profunda a partir da perspectiva indígena.
Krenak faz uma análise política na obra, que separa o ser humano da natureza e trata o planeta como um recurso a ser explorado. Ele escreve em sua obra que é preciso haver um ‘reencantamento’ do mundo. Do Homem entender que sua relação com a natureza precisa ser harmoniosa, de bem viver e com isso, pode adiar o fim do mundo.
‘Reflexões e Práticas em Educação Ambiental – discutindo consumo e geração de resíduos’, de Juscelino Dourado e Fernanda Belizário (2012)
‘Reflexão e Práticas em Educação Ambiental’ discute questões atuais envolvendo ensino e meio ambiente, abordando também a questão de consumo de bens, geração e descarte de resíduos, políticas públicas e pedagogia.
Além de ser um manual instrutivo sobre boas ações para o meio ambiente, esta obra busca o despertar da sensibilização ambiental por meio de diálogos, reflexões e práticas capazes de potencializar o engajamento e fortalecer os discursos sobre as questões ambientais.
A cerca de cinco minutos de lancha, trajeto também faz parte da experiência. Foto: Divulgação
Os empreendimentos sobre as águas do Igarapé-Açu consolidam-se como atrativos que tem sido mais procurados por visitantes em Santarém (PA). Na região, um restaurante tem chamado atenção por conta de uma vitória-régia cenográfica que virou ponto disputado para fotos.
O administrador da atração é Argemiro Ferreira Pimentel, conhecido como ‘Seu Jacaré’, que desde 2021 aposta na valorização hospitalidade ribeirinha no Jacaré Bar e Restaurante. O local busca reunir gastronomia regional, bebidas autorais, como o Drink de Mari, e a experiência com a vitória-régia.
“O turismo é tudo para mim. Não é apenas uma fonte de renda, mas um refúgio que proporciona qualidade de vida. Em cinco minutos de lancha chego à cidade, resolvo o que preciso e retorno para casa, onde desfruto da calmaria e do contato com a natureza. Muitos visitantes vêm com esse mesmo propósito, desacelerar. Aqui eles contemplam a paisagem, relaxam e fazem novas amizades. Não tem coisa melhor”, destaca.
Foto: Divulgação
Além da culinária, o anfitrião preserva a tradição oral ao narrar lendas e histórias de visagens, elementos que despertam curiosidade e enriquecem a vivência cultural de quem chega.
O percurso até o local já integra o passeio. A saída ocorre do Terminal da Praça Tiradentes e o trajeto de lancha, com cerca de cinco minutos, revela o encontro das águas dos rios Amazonas e Tapajós, além da presença de garças, minguás, botos e outras espécies típicas da várzea.
A construção, com teto de palha, harmoniza-se com a paisagem. Casas de joão-de-barro espalham-se pelo entorno, que é decorado com pinturas, cestos artesanais e plantas regionais. A estrutura também utiliza energia proveniente de placas solares, reforçando o compromisso com práticas sustentáveis.
Entre as opções do cardápio estão tambaqui assado, caldeirada, filé de pirarucu, tucunaré ao molho especial e galinha caipira, além de bebidas preparadas com ingredientes da Amazônia.
Acesso à vitória-régia
No jardim, a vitória-régia cenográfica produzida em fibra e polietileno tornou-se um dos pontos mais fotografados. Disponível aos fins de semana, o acesso ao cenário custa R$ 10 por pessoa.
O funcionamento ocorre aos sábados, domingos e feriados, mediante agendamento prévio. O transporte de ida e volta custa R$ 30 por visitante. Menores de 10 anos não pagam a travessia. As reservas podem ser feitas pelo telefone (93) 99151-0013 ou pelo Instagram @casadojacarestm, onde também estão disponíveis informações sobre horários e cardápio bilíngue.
Entre março e julho, no período de cheia, o cenário se transforma e amplia ainda mais a experiência de quem escolhe conhecer o destino.
O secretário municipal de Turismo, Emanuel Júlio Leite, destaca a localização estratégica do atrativo como um dos principais diferenciais.
“É uma experiência incrível, porque o Igarapé-Açu fica muito próximo do centro urbano. Essa facilidade de acesso estimula as pessoas a fazerem a travessia e vivenciarem um estilo de vida ribeirinho, com um modo de morar e de viver diferente da dinâmica das cidades. É um passeio que sempre recomendamos para quem visita Santarém, inclusive para conhecer um dos três restaurantes existentes na área, entre eles o Jacaré Bar e Restaurante”.