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Justiça Federal suspende abate de búfalos em reservas da Amazônia

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Búfalos são considerados invasores. Foto: Reprodução/Acervo NGI Cautário-Guaporé

A Justiça Federal determinou que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) suspenda imediatamente o abate experimental de búfalos invasores que vivem em reservas ambientais de Rondônia. Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 100 mil.

O projeto foi iniciado na segunda-feira (16). O objetivo é abater 10% da população de búfalos, atualmente estimada em 5 mil cabeças, para elaborar um plano de erradicação da espécie invasora.

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No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma petição na Justiça Federal, em um processo que já está em andamento, pedindo a suspensão das atividades. 

O órgão alega que a área abrangida pela operação se sobrepõe a territórios de ocupação tradicional de povos indígenas e comunidades quilombolas e que esses povos não foram consultados sobre a ação.

Leia também: MPF pede à Justiça suspenção do abate de búfalos invasores em reservas na Amazônia

Entenda o caso

Em 2025, o MPF moveu uma Ação Civil Pública para obrigar o ICMBio e o Estado de Rondônia a implementar medidas urgentes de controle do búfalo asiático. O órgão pede também uma indenização de R$ 20 milhões por danos morais coletivos, a ser destinada a ações de reflorestamento nas unidades de conservação estaduais e federais em Rondônia. O processo tramita na 2ª Vara Federal Cível e Criminal Seção Judiciária de Ji-Paraná (RO).

Na decisão, o juiz Frank Eugênio Zakalhuk aponta que já havia uma decisão anterior que permitia apenas elaborar o plano de controle, não o abate

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O ICMBio defende que não há como elaborar um plano de erradicação sem uma pesquisa de campo como a que estava em andamento. Segundo o Instituto, a iniciativa cumpre determinação da Justiça Federal para a adoção de medidas imediatas para controle e erradicação dos búfalos.

Além de determinar a suspensão do abate, a Justiça Federal ordenou que:

  • seja fixada uma multa diária de R$ 100 mil em desfavor do ICMBio e do Estado de Rondônia, solidariamente, em caso de descumprimento da determinação de suspensão imediata das operações;
  • o ICMBio apresente, no prazo de cinco dias, cópia integral do projeto piloto de controle e erradicação da espécie invasora Bubalus bubalis que fundamenta as operações em curso;
  • a Funai se manifeste, em até cinco dias, sobre a situação territorial das comunidades indígenas afetadas, os impactos das operações e a necessidade de realização de consulta prévia.

O Grupo Rede Amazônica entrou em contato com o ICMBio, o Estado de Rondônia e a Funai pedindo posicionamento sobre a decisão recente, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Por que os búfalos estão sendo abatidos?

Como não são nativos do Brasil, os búfalos não possuem predadores naturais. Soltos e se reproduzindo sem controle, eles provocam graves impactos, como a extinção de espécies da fauna e da flora nativas e alteração no curso dos campos naturalmente alagados, que fazem parte da biodiversidade local.

Imagem colorida mostra homem com espingarda mirando em búfalo em Rondônia para fazer abate
Foto: Vinicius Assis/ Rede Amazônica RO

De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, o abate é, no momento, a única alternativa viável para resolver a questão. Como a região é isolada e de difícil acesso, não existe logística possível para retirar os animais vivos ou mortos. Além disso, como se desenvolveram sem controle sanitário, a carne não pode ser aproveitada.

Atualmente, os animais vivem entre a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, no oeste de Rondônia, uma região de encontro entre três biomas: a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado.

As reservas biológicas são a categoria de proteção ambiental mais restritiva em Rondônia. As únicas atividades permitidas nessas áreas são a educação ambiental e pesquisas científicas. No entanto, algumas famílias ainda vivem nesses locais, pois já residiam ali antes da criação das unidades de conservação.

“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas [nativas] e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas. Algumas espécies que a gente só tem registros aqui, sejam elas residentes ou migratórias”, explica o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido.

*Por Jaíne Quele Cruz e Vinicius Assis, da Rede Amazônica RO

Em navio, profissionais de saúde devem atender até 20 mil moradores de comunidades isoladas no Acre

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Ação está na 26ª operação pelo estado com uma equipe multiprofissional que tem como objetivo levar saúde as comunidades isoladas, através do chamado ‘Navio Esperança’. Foto: Reprodução/Acervo Marinha do Brasil

Com consultas médicas, odontológicas e até pequenas cirurgias gratuitas, o Navio de Assistência Hospitalar (NAsH) Doutor Montenegro, da Marinha do Brasil, começou os atendimentos nesta terça-feira (24) em Mâncio Lima, interior do Acre.

Ao todo, seis municípios do Vale do Juruá devem receber os atendimentos durante a Operação Ícaro, que iniciou 9 de fevereiro em Cruzeiro do Sul. A expectativa é de que sejam atendidos mais de mil moradores apenas durante a operação.

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À Rede Amazônica Acre, o comandante do navio, Marcelo Camerino da Silva de Souza, contou que a ação está na 26ª operação pelo estado com uma equipe multiprofissional que tem como objetivo levar saúde as comunidades isoladas, através do chamado ‘Navio Esperança’.

“O navio de assistência hospitalar lançou a Operação Ícaro levando saúde a quem mais precisa. Com isso, profissionais de saúde do navio estão sendo deslocados por caminhonete, lancha e aeronave, garantindo atendimento mesmo nas áreas mais remotas da região”, disse.

Os atendimentos começam a partir de 8h por ordem de chegada. Conforme o comandante, a expectativa é que, assim como em 2024, sejam feitos cerca 1.080 atendimentos na missão até o mês abril. Ao longo da missão, conforme o comandante, os atendimentos devem ficar entre 15 mil a 20 mil na região.

O comandante disse ainda que essa é a primeira vez da ação em Jordão, uma das cidades isoladas do Acre. Segundo ele, parte da equipe ficará na base montada de Cruzeiro do Sul para continuar atendendo as mulheres que queiram fazer o exame de mamografia ou precisem de pequenas cirurgias que devem ser feitas no Hospital da Mulher do Juruá.

Leia também: Projeto leva internet para comunidades isoladas na Amazônia

No primeiro mês foram atendidos 1.313 ribeirinhos de comunidades isoladas e mais de 56.132 medicamentos distribuídos. A ação ocorre em parceria com o Ministério da Saúde, tendo na equipe médicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

“Além dos atendimentos médicos, temos o mais importante, o paciente recebe o remédio para continuar fazendo o seu tratamento. Além de poder fazer raio-X, ser vacinado e as mulheres fazerem a mamografia”, concluiu o comandante.

Veja como será a agenda dos serviços do navio:

  • Terça, 24 de março – Mâncio Lima;
  • Quarta, 25 de março – Rodrigues Alves;
  • Quinta a sábado, 26 a 28 de março – Porto Walter;
  • Segunda e terça, 30 e 31 de março – Miritizal (à margem do Rio Juruá);
  • 1 a 3 de abril – Marechal Thaumaturgo;
  • 4 de abril – Jordão.

*Por Walace Gomes e Carla Carvalho, da Rede Amazônica AC

FRAM entrega caderno de soluções e amplia diálogo com prefeitura de Boa Vista e Governo de Roraima

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Foto: Divulgação

A diretoria da Fundação Rede Amazônica (FRAM) realizou, em Roraima, a entrega do caderno de soluções do projeto Amazônia Que Eu Quero ao Governo do Estado e à Prefeitura de Boa Vista, fortalecendo o diálogo com o poder público e a construção de propostas voltadas ao desenvolvimento sustentável da região.

Durante a agenda institucional, a Fundação foi recebida pelo governador de Roraima, Antonio Denarium (PP), e pelo prefeito de Boa Vista, Arthur Henrique (MDB), em encontros que tiveram como foco a apresentação das propostas e o alinhamento de iniciativas estratégicas para o estado.

Participaram da agenda a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a diretora-presidente, Dra. Cláudia Daou Paixão e Silva, e o diretor-executivo da Rede Amazônica em Roraima, Joel Cristian Gomes.

Caderno reúne propostas para políticas públicas

O caderno de soluções do Amazônia Que Eu Quero consolida contribuições construídas a partir da escuta da sociedade e de especialistas, reunindo cerca de 80 propostas voltadas à solução de desafios relacionados à sustentabilidade, à conscientização ambiental e à gestão dos recursos hídricos.

Foto: Divulgação

O material funciona como instrumento de apoio à formulação de políticas públicas, conectando conhecimento técnico às realidades locais e contribuindo para a construção de ações práticas nos estados da região.

Segundo a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a agenda em Roraima também permitiu aprofundar o entendimento sobre as demandas locais.

“A visita a Boa Vista foi uma oportunidade importante de ouvir de perto as demandas da população e compreender melhor as realidades locais. Identificamos um cenário com potencial para o desenvolvimento de iniciativas em educação, sustentabilidade e inclusão, sempre com foco em gerar impacto direto na vida das pessoas e em parceria com instituições locais”.

AMQQ fortalece conexão entre sociedade e gestão pública

O projeto Amazônia Que Eu Quero se consolida como uma iniciativa de escuta e construção coletiva, reunindo contribuições de diferentes setores da sociedade para apoiar decisões estratégicas na região.

A entrega do caderno às lideranças públicas reforça o papel do projeto como ponte entre sociedade e gestão pública, ampliando o potencial de transformação das propostas em políticas públicas e ações efetivas.

“O Caderno de Soluções reúne os anseios de quem vive entre rios e florestas e chama a Amazônia de lar. Ele consolida contribuições debatidas com especialistas que também são moradores da região, unindo conhecimento técnico às experiências do dia a dia. Por isso, é um material diverso e coletivo. Nosso objetivo é que o caderno sirva como base para a formulação de políticas públicas e projetos de lei, para que as propostas apresentadas retornem de forma efetiva à população, em ações concretas e transformadoras”. – Ruthiene Bindá, coordenadora do projeto Amazônia Que Eu Quero

Sobre a Fundação Rede Amazônica

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) é o braço institucional do Grupo Rede Amazônica e atua na promoção do desenvolvimento sustentável da região por meio de iniciativas nas áreas de educação, cultura, inovação, empreendedorismo e sustentabilidade. A instituição articula parcerias e mobiliza a sociedade em torno de ações que contribuem para a preservação ambiental, a formação cidadã e o fortalecimento das comunidades amazônicas.

O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.

Amazonas Óleo, Gás e Energia 2026: exposição e conferência foca em desenvolvimento energético

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Foto: Wellington Mamud

O Amazonas deu início, nesta segunda-feira (23), à terceira edição do Amazonas Óleo, Gás & Energia – Expo & Conferência 2026, consolidando o evento como o principal fórum do setor na Região Norte e um dos primeiros do calendário nacional da área energética neste ano. Com o tema “Amazonas e o Arco Norte do Desenvolvimento Energético”, a abertura reuniu representantes do poder público, iniciativa privada, universidade e delegações internacionais, reforçando o papel estratégico do estado no novo cenário de energia.

A cerimônia de abertura contou com a presença do vice-governador do Amazonas, Tadeu de Souza; do secretário de Estado de Energia, Mineração e Gás, Ronney Peixoto; da diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho Normando Pessôa;do deputado estadual Sinésio Campos, presidente da Comissão de Geodiversidade, Recursos Hídricos, Minas, Gás, Energia e Saneamento da Assembleia Legislativa do Amazonas; do prefeito de Presidente Figueiredo, Fernando Vieira; além de representantes do Ministério de Minas e Energia, Petrobras, Eneva, Cigás, Transpetro, BBX do Brasil, Mineração Taboca, Potássio do Brasil, IBP, ANP, Fapeam e autoridades internacionais, como o ministro de Serviços Públicos e Aviação da Guiana, Deodat Indar.

Ao declarar aberto o evento, o vice-governador destacou o protagonismo do Amazonas no cenário energético e a importância da integração regional. Segundo ele, o Arco Norte representa um novo eixo de desenvolvimento que conecta o estado a países como Guiana e Suriname, ampliando a competitividade e a cooperação internacional. “O que antes parecia distante já é realidade em construção, e o Amazonas está no centro dela”, afirmou.

Na mesma linha, o secretário Ronney Peixoto ressaltou que o estado já vive um novo ciclo econômico impulsionado pelos setores de energia, mineração e tecnologia. De acordo com ele, os investimentos previstos devem gerar impactos significativos nos próximos anos, com estimativa de até R$ 30 bilhões no PIB e a criação de cerca de 30 mil empregos até 2030.

O deputado estadual Sinésio Campos também destacou o avanço do setor no estado, atribuindo o crescimento a decisões estratégicas que permitiram a exploração responsável dos recursos naturais. Segundo ele, o desenvolvimento energético tem ampliado a geração de emprego e renda, além de impulsionar novas cadeias produtivas no Amazonas.

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A diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho, destacou o papel do evento como plataforma de conexão e geração de oportunidades. 

“Estamos reunindo, em um só espaço, grandes empresas, pequenos negócios, centros de pesquisa e o poder público para discutir o futuro da energia e, principalmente, gerar oportunidades reais de mercado”, afirmou.

Ela também ressaltou que a expectativa é que a edição de 2026 supere R$ 55 milhões em negócios gerados ao longo dos três dias de programação.

Ananda enfatizou ainda o papel do Sebrae na preparação dos pequenos negócios para o setor, destacando que, ao longo de 21 anos de atuação, a instituição já qualificou mais de 500 empresas e acumulou mais de 40 mil horas de consultorias. 

“Nosso objetivo é garantir que esses empreendedores estejam aptos a atender às exigências da indústria e aproveitar as oportunidades que surgem com a expansão do setor energético”, completou.

Amazonas Óleo, Gás e Energia 2026: exposição e conferência foca em desenvolvimento energético
Foto: Wellington Mamud

Gás natural e transição energética em destaque

Durante a abertura, o diretor do Departamento de Gás Natural do Ministério de Minas e Energia, Marcello Weidt, destacou que o Amazonas já ocupa a posição de segundo maior produtor de gás natural do país, com cerca de 7% da produção nacional. Segundo ele, projetos como Urucu, Azulão e novas áreas exploratórias reforçam o potencial de expansão do estado, contribuindo para a segurança energética e a descarbonização da indústria brasileira.

A presença internacional também reforçou o caráter estratégico do evento. O ministro da Guiana, Deodat Indar, destacou o interesse do país em ampliar parcerias com o Brasil, especialmente na área de gás natural, e trocar experiências sobre produção, transporte e uso energético, dentro de uma agenda alinhada ao desenvolvimento de baixo carbono.

Investimentos, tecnologia e geração de empregos no Amazonas

Representando a Petrobras, o gerente executivo Stênio Jayme destacou a retomada das atividades onshore no Amazonas e os novos investimentos em exploração e produção. A companhia já iniciou a perfuração de novos poços e segue ampliando sua atuação no estado, com foco em geração de valor, eficiência operacional e transição energética.

Segundo dados apresentados, a Petrobras mantém operações relevantes no Amazonas, com milhares de empregos diretos e indiretos, além de forte contribuição tributária. A empresa também reforçou seu compromisso com metas ambientais, redução de emissões e desenvolvimento de soluções de baixo carbono.

Leia também: Entenda a diferença entre os tipos de fontes de energia na Amazônia

Ambiente para negócios e inovação

Com 52 estandes e participação de empresas, startups, instituições de pesquisa e órgãos públicos, a área de exposição já movimentou o primeiro dia do evento, conectando diferentes atores do setor. Um dos destaques é o espaço dedicado à inovação, com projetos apoiados pela Fapeam e iniciativas com potencial de transformação em novos negócios.

A programação também incorpora práticas sustentáveis, como iniciativas de descarbonização do evento e gestão de resíduos com foco em lixo zero, reforçando o alinhamento com a agenda ESG.

Nos próximos dias, o evento avança para as rodadas de negócios, consideradas um dos momentos mais estratégicos da programação e simpósios técnicos. A expectativa é reunir nove empresas âncoras e cerca de 50 fornecedores, em mais de 100 reuniões, conectando empreendedores de estados como Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Pará, Alagoas e Bahia.

Além disso, a programação segue com painéis técnicos, debates sobre transição energética, logística na Amazônia, inovação e integração regional, reunindo especialistas e lideranças para discutir os caminhos do setor.

Estudantes de Geofísica da Ufopa localizam embarcações naufragadas no Rio Tapajós

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Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Divulgação/Acervo Ufopa

Como prática do curso de Geofísica da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), foi realizada uma atividade de campo no Rio Tapajós, no trecho entre Santarém e Belterra, com foco principal na região belterrense.

Durante a ação, realizada no período de 9 a 13 de março, foram coletados dados geofísicos com a operação de equipamentos como o sistema de Sísmica de Alta Resolução Monocanal, cedido pela Universidade de Brasília (UnB), e o sistema integrado de Batimetria Multifeixe e Sonar de Varredura Lateral, fornecido pela RuralTech.

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Durante a atividade, com 8 horas diárias de navegação, foram coletados dados batimétricos, relacionados às medições de profundidade que mapeiam o relevo submerso do rio, e dados sonográficos, a partir de informações geoacústicas, que permitirão elaborar um modelo 3D da área de estudo e perfis sísmicos, como representações gráficas do subsolo.

A análise preliminar dos dados batimétricos já apontou a presença de depressões, possivelmente associadas com presença de gás, afloramentos de rochas e dois naufrágios.

A análise prévia dos dados identificou que os dois naufrágios correspondem à balsa Rainha Ester e seu empurrador, que naufragaram em 4 de novembro de 2024, após um forte vendaval, ocasionando a morte de duas pessoas.

As imagens geradas pelos métodos geofísicos permitiram determinar com precisão a localização das embarcações. O empurrador foi identificado a, aproximadamente, 4 km da praia do Cajutuba, enquanto a balsa, com cerca de 45 metros de comprimento, foi localizada na região da praia do Pindobal.

Relevância da Geofísica Aquática

A identificação dessas estruturas demonstra a relevância da Geofísica Aquática não apenas para estudos geológicos, mas também para aplicações práticas, como mapeamento de riscos à navegação, monitoramento ambiental e investigações de estruturas submersas.

A atividade de campo foi realizada com o objetivo de oferecer formação completar aos estudantes sobre métodos de Geofísica Aquática aplicados a estudos ambientais, geotécnicos e geológicos.

Além da didática, o levantamento também visou complementar os dados coletados durante uma campanha realizada em 2023, no âmbito de uma colaboração entre a Ufopa, UnB e i IFREMER, da França.

Leia também: Livro lançado em Santarém conta histórias de naufrágios na Amazônia

Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso
Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso

A expedição ocorreu a bordo da embarcação de médio porte Jorge Olinto e contou com a participação de dez estudantes do curso de Geofísica e uma discente do curso de Geologia. A equipe foi acompanhada pelos docentes e pesquisadores Cintia Rocha da Trindade, da Ufopa, e Marco Ianniruberto, da Universidade de Brasília, além do apoio técnico de Perícles Macedo e de quatro tripulantes.

Professor Marco Ianniruberto considerou a campanha um sucesso em duas vertentes. Do ponto de vista da didática, proporcionou aos estudantes a oportunidade de operar equipamentos geofísicos tecnologicamente avançados e vivenciar na prática os métodos de levantamento em ambiente aquático. Do ponto de vista científico, permitiu coletar dados que serão extremamente úteis para o entendimento da evolução da bacia hidrográfica.

De acordo com a docente Cintia Rocha da Trindade, atividades de campo como essa são fundamentais para a formação prática na graduação.

“As experiências adquiridas permitem que os estudantes desenvolvam habilidades técnicas e operacionais essenciais, especialmente em uma área como Geofísica Aquática que emprega cerca de 50% dos geofísicos formados”, disse a professora.

Leia também: Afundamento dos navios Jaguaribe e Andirá: um confronto com ribeirinhos em Óbidos

Registros da atividade de Geofísica no Rio Tapajós. Fotos: Acervo do curso

Ela também destacou que atividades como essa envolvem custos elevados e só são viabilizadas por meio de parcerias institucionais, incluindo a colaboração entre universidades, apoio de proprietários de embarcação e empresas parceiras.

A expectativa do curso de Geofísica da Ufopa é que iniciativas desse tipo se tornem cada vez mais frequentes, consolidando a Geofísica como uma ferramenta estratégica para a investigação e compreensão de ambientes complexos como o Rio Tapajós.

*Com informações da Universidade Federal do Oeste do Pará

De barco, confeiteiro navega por rio para entregar bolos em comunidades no Acre

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Chef acreano ganha destaque nas redes por entregar bolos em barcos. Foto: Reprodução/Instagram-@chef_charlesfigueredo

Equilíbrio, criatividade e um pouco de aventura fazem parte da rotina do confeiteiro acreano Charles Figueiredo, de 37 anos. Para atender os clientes que vivem em áreas de difícil acesso no Acre, Charles encontrou nos barcos e canoas o transporte ideal para levar os bolos decorados.

Natural de Sena Madureira, ele une a vivência ribeirinha com a técnica aprendida em Rio Branco para manter o negócio funcionando entre um município e outro.

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Foto: Reprodução/Instagram-@chef_charlesfigueredo

Charles é confeiteiro há 15 anos, mas o interesse pela área veio ainda na juventude. Aos 17 anos, ele deu os primeiros passos no ramo ao trabalhar com panificação ainda no interior onde começou em funções inicais e, em pouco tempo, se destacou até assumir a gerência de uma padaria, onde permaneceu por oito anos.

A virada para a confeitaria veio em 2017, quando decidiu mudar de área e passou a trabalhar em uma doceria em Rio Branco.

“Minha primeira experiência começou em 2017. Eu trabalhava em supermercado e conheci uma doceria aqui na capital. Minha paixão começou a partir daí”, relembra.

Relembre: Confeiteiro viraliza ao decorar bolos em lugares inusitados enquanto viaja pelo Pará

Difícil acesso

Porém, o diferencial veio com o tempo. Filho de uma família do interior e acostumado à rotina às margens do Rio Purus, Charles decidiu levar suas receitas para a comunidade onde os pais vivem, no Seringal Pacatuba, também conhecido como Comunidade Santa Amélia, em Sena Madureira.

O jovem conta que viveu no local até os 16 anos e que, inclusive, nasceu de sete meses dentro de uma canoa, história que ajuda a explicar sua forte ligação com a região.

confeiteiro acreano Charles Figueiredo. Foto: Reprodução/Instagram-@chef_charlesfigueiredo

Por lá, onde o acesso é limitado, as entregas precisaram se adaptar à realidade e ganharam um formato incomum.

“Eu nasci no interior de Sena Madureira e sempre vou lá nas férias. Como eu já fazia bolos, tive a ideia de levar para lá também. E o único transporte é a canoa ou o barco. Sempre que vou levo meu material, daí consigo montar esses bolos. É uma aventura bem à parte”, conta.

Entre idas e vindas pelo rio, ele transporta ingredientes, utensílios e encomendas prontas. O trajeto exige cuidado redobrado, mas não diminui a demanda.

Segundo ele, os bolos de aniversário são os que lideram os pedidos, principalmente em celebrações familiares. “São os mais procurados. Eu foco muito nos ingredientes regionais”, explica.

Sabor regional encontrado nos bolos

Essa escolha aparece também nas combinações. Um dos sabores mais marcantes de seus bolos leva cupuaçu e castanha-do-Brasil, que são dois produtos típicos da região acreana.

chef leva seus produtos de barco para comunidades do Acre
Doçuras do Chef Charles. Foto: Instagram @chef_charlesfigueredo

O preparo começa com uma geleia simples, feita apenas com polpa da fruta, água e açúcar, levada ao fogo baixo até atingir consistência mais encorpada. “O ponto é quando começa a soltar do fundo da panela”, detalha.

Na montagem, a massa recebe uma calda para garantir umidade, antes de ganhar camadas de creme de cupuaçu, geleia e castanha.

Para evitar que o recheio escorra, ele cria uma espécie de barreira com o próprio creme. Depois de montado, o bolo precisa descansar por horas na geladeira antes da finalização.

A cobertura leva merengue suíço, preparado com claras e açúcar aquecidos e depois batidos até formar picos firmes. O acabamento ganha um toque especial com o maçarico e detalhes com a própria geleia.

Entre uma encomenda e outra, o confeiteiro cruza o rio e leva uma história que mistura origem, adaptação e empreendedorismo em meio à realidade ribeirinha em que cresceu. Mais do que vender apenas bolos, Charles aposta na valorização dos sabores acreanos.

“Eu tento trazer algo da nossa região. Uso cupuaçu, castanha, são ingredientes principais nos doces”, completou.

*Por Jhenyfer de Souza e Amanda de Oliveira, da Rede Amazônica AC

‘Terras caídas’: moradores se unem para deslocar casas em Careiro da Várzea, no Amazonas

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Fenômeno ‘terras caídas’ avança no interior do Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Com a cheia dos rios no Amazonas, a força da água volta a provocar um fenômeno temido por quem vive às margens: as chamadas “terras caídas”. O desmoronamento de barrancos leva pedaços inteiros das encostas, muda o curso das margens e coloca em risco casas e plantações.

Na zona rural do município de Careiro da Várzea, ribeirinhos convivem com o problema todos os anos. Mesmo diante do perigo, muitos não cogitam deixar o local onde construíram suas vidas. Em vez disso, adaptam-se: mudam as casas de lugar.

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Na comunidade da praia da Justina, o avanço do Rio Amazonas já apagou parte da história de famílias inteiras. O agricultor José Guedes conta que, desde 1954, quando seus parentes chegaram à região, cerca de 500 metros do terreno foram levados pela água.

“É difícil. Só pra quem tem coragem. Se for perto de igarapé, é arriscado. Na cheia, a correnteza leva a casa”, relatou.

Segundo a geóloga Iris Celeste Nascimento Bandeira, o fenômeno é inevitável em muitos trechos do rio.

“O Rio Amazonas é o maior do mundo em termos de vazão e velocidade. Ele é altamente potente. Pode ter a vegetação que for, ele vai destruir”, explicou.

Leia também: ‘Barrancas de terras caídas’: conheça o processo de erosão que acontece nas margens dos rios da Amazônia

Casas de madeira e soluções improvisadas

A mudança das casas com o fenômeno das terras caídas é realizada com apoio das comunidades. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Na comunidade, praticamente todas as casas são de madeira — o que permite que sejam desmontadas ou até arrastadas inteiras para locais mais seguros.

Diante do avanço do rio, e a possibilidade da ocorrência das terras caídas, os moradores adotam duas estratégias: desmontar e reconstruir as moradias longe da margem ou deslocá-las completas, com a ajuda de trilhos improvisados.

O carpinteiro e pescador Janderson França Guedes, um dos filhos de José, escolheu a segunda opção. Ele passou semanas preparando a estrutura para mover a própria casa.

“A gente fixa os tocos e alinha as madeiras. Geralmente, são cerca de 100 metros de trilho, que levam uma semana pra fazer e a gente puxa em um dia”, contou.

Ele aprendeu a técnica na prática. “A melhor escola que tem é a vida. A primeira casa que eu movi foi a minha, em 2021. De lá pra cá, sigo fazendo isso”, disse.

Trabalho coletivo e tensão causada pelas terras caídas

Desde 2022, esta é a terceira vez que a casa da família é deslocada. Desta vez, a ideia é levá-la cerca de 200 metros para dentro do terreno, longe do alcance do rio. O processo precisa ser feito em etapas, por falta de madeira suficiente.

No dia da mudança, a dona de casa Maria do Carmo Rodrigues, matriarca da família, não escondia a apreensão. “Dormi mais ou menos. A gente fica nervosa, com medo de não dar certo”, disse, emocionada.

A dúvida era se haveria ajuda suficiente. Mas, aos poucos, vizinhos começaram a chegar. “Aqui é uma comunidade unida. Ninguém trabalha por dinheiro, é por amizade”, afirmou o pescador Sebastião Duarte Guedes.

União para vencer a força da natureza

Com quase 30 pessoas, os moradores iniciaram o deslocamento da casa. Para facilitar o movimento, usaram sabão e óleo queimado nos trilhos de madeira.

O terreno irregular, com areia, desníveis e áreas alagadas, dificultou o trabalho. Ainda assim, mulheres e crianças permaneceram dentro da casa durante o trajeto.

“É uma sensação estranha. Parece que a gente está caindo, mas tem que manter a cabeça no lugar”, contou a cabeleireira Maria Luzia.

O deslocamento durou cerca de três horas, com pausas, esforço coletivo e até momentos de descontração, com música e refeições compartilhadas entre os participantes.

Para os moradores, a experiência reforça o espírito comunitário. “Aqui todo mundo se ajuda. A união faz a força”, resumiu o pescador Raimundo José Nunes Guimarães.

*Por Vinicius Assis, da Rede Amazônica AM

Papa Leão XIV responde carta de família amazonense: “Vocês reencontrarão a alegria”

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Família enviou carta ao Papa em busca de conforto. Foto: Divulgação

Num gesto de conforto e solidariedade, o Papa Leão XIV respondeu uma carta enviada por uma família amazonense ao líder da Igreja Católica. A mensagem foi um resposta à Joyce Xavier, mãe do menino Benício, de apenas 6 anos, que morreu após suposto erro médico durante atendimento numa unidade hospitalar. O caso aconteceu em 23 de novembro (2025) e segue na Justiça.

Leia também: HABEMUS PAPAM: Robert Francis Prevost, o Papa Leão XIV, é cidadão do Peru

Ao Grupo Rede Amazônica, Joyce contou que escreveu a carta após iniciativa de uma amiga. Em meio às lágrimas, a mãe relatou no texto a dor da família pelo falecimento de Benício e pediu uma palavra de conforto ao Papa.

“Nosso filho tinha 6 anos de idade, uma criança pura, amorosa, inteligente e saudável. Nos ensine a lidar com essa dor imensurável. Nos dê alguma palavra de participação, de conseguir seguir”.

Resposta do Papa à carta

Em resposta à carta, o Papa Leão XIV expressou solidariedade e proximidade diante da dor da família:

“Estejam certos de sua proximidade e de sua ternura. Ele não está distante do que vocês estão vivendo, pelo contrário, compartilha e carrega isso com vocês. Com Maria, vocês saberão esperar com paz. Hoje há sofrimento, mas com a certeza da fé, um novo dia surgirá e vocês reencontrarão a alegria”.

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O caso

Benício morreu em 23 de novembro de 2025, após receber adrenalina diretamente na veia durante atendimento hospitalar. Segundo a investigação, tanto a dosagem quanto a forma de aplicação não eram indicadas para o paciente. Após o procedimento, ele sofreu seis paradas cardíacas e não resistiu.

Menino Benício - Líder da Igreja Católica responde carta enviada pelos pais do menino Benício, que morreu após suposto erro médico, num gesto de conforto e solidariedade.
Benício, de apenas 6 anos, morreu após suposto erro médico. Foto: Divulgação

A médica Juliana Brasil Santos, responsável pela prescrição, e a técnica de enfermagem Raiza Bentes foram indiciadas por homicídio doloso. A Polícia Civil aguarda laudos para concluir o inquérito.

Em depoimento, a médica reconheceu que errou ao prescrever adrenalina por via intravenosa e afirmou que a medicação deveria ter sido administrada por outra via. Ela disse ter se surpreendido por a equipe de enfermagem não questionar a prescrição.

A defesa da médica alega que o erro ocorreu por falha no sistema de prescrição do Hospital Santa Júlia, que teria alterado automaticamente a via do medicamento durante instabilidades no dia do atendimento.

A técnica de enfermagem afirmou que apenas seguiu a prescrição médica ao aplicar a adrenalina, sem diluição, e que informou a mãe da criança sobre o procedimento. Segundo ela, após a aplicação, Benício apresentou palidez, dor no peito e dificuldade para respirar.

*Com informações da matéria de Karla Melo, da Rede Amazônica AM

‘Condomínio das Corujas’: moradores criam abrigo inusitado em calçada em Ji-Paraná

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‘Condomínio das Corujas’. Foto: Líllyan Gonzaga

Uma iniciativa de moradores transformou uma calçada do bairro Primavera no segundo distrito de Ji-Paraná (RO) em um ‘Condomínio das Corujas‘, após a comunidade construir pequenas casinhas para proteger uma família de corujas que vive no espaço.

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A ideia surgiu durante um mutirão para reconstruir o calçamento em frente à igreja Santa Maria Goretti. Segundo o presidente da Associação de Moradores do bairro, Welder Filgueira, durante a obra, os moradores encontraram um ninho com filhotes de coruja no local onde estavam colocando entulho.

Mas, antes que o buraco fosse fechado, a aposentada Maria José Lima, que mora no bairro há cerca de 30 anos, chamou a atenção dos trabalhadores.

“Eu falei para eles tomarem cuidado com as minhas corujas, para não tampar o buraquinho delas. As bichinhas estavam lá dentro com os filhotinhos”, contou.

Segundo ela, a família de corujas vive na região há cerca de três anos. No início, a moradora diz que tinha medo das aves, mas com o tempo passou a observar o comportamento delas e se acostumou com a presença dos animais.

“Um dia eu vi elas sentadas ali e depois descobri o buraquinho no chão. Quando fui olhar, estavam lá dentro”, lembrou.

condomínio de corujas em ji-paraná, rondônia
Foto: Líllyan Gonzaga

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Proteção para as corujas

Depois do alerta de Maria José, os moradores decidiram preservar o espaço. A partir daí, surgiu a ideia de construir pequenas estruturas para proteger os animais da chuva e evitar que o ninho fosse destruído. Com o tempo, as casinhas deram origem ao chamado Condomínio das Corujas, nome que acabou sendo pintado no local.

Agora, cerca de oito meses após a criação do espaço, seis corujas vivem na área: um casal e quatro filhotes, e um novo ninho já começou a ser formado. A iniciativa também chamou a atenção de moradores de outras regiões e de pessoas que passam pelo local para ver as aves de perto.

Para Welder Filgueira, iniciativas como essa também ajudam a mudar a imagem do bairro Primavera, que por muitos anos foi associado à violência.

“Nosso objetivo é mostrar que aqui também tem união e gente trabalhando para melhorar o bairro”, disse.

Dessa forma, o “Condomínio das Corujas” é visto pelos moradores como um pequeno patrimônio da comunidade. Eles também pedem que visitantes ajudem a preservar o espaço, evitando jogar lixo ou danificar as estruturas construídas para abrigar as aves.

*Por Líllyan Gonzaga, da Rede Amazônica RO

“A Amazônia periférica também é Brasil real”, afirma fundador da CUFA no Amazonas

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Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

Manaus (AM) foi palco do lançamento do livro ‘Humanos’, do fundador da Central Única das Favelas (CUFA), Celso Athayde. Realizado pela CUFA Amazonas, o evento reuniu cerca de 60 pessoas na Livraria Valer, entre autoridades políticas, empresários e lideranças comunitárias, consolidando um importante espaço de diálogo sobre desigualdade, oportunidades e transformação social a partir das periferias amazônicas.

“Dado sozinho não muda nada. O que muda é quando ele vira decisão. O Data Favela rompe com a lógica da política feita de cima pra baixo e começa ouvindo quem vive a realidade”, complementa Celso Athayde.

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A obra, escrita em parceria com Marcus Vinicius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da CUFA Global, apresenta dados de uma ampla pesquisa realizada em 23 estados brasileiros, ouvindo quase 4 mil pessoas.

Reconhecido internacionalmente quando o assunto é favela, empreendedorismo e impacto social, Celso Athayde compartilhará sua trajetória, a atuação da CUFA no Brasil e no mundo, e os bastidores da construção do livro.

“Ao mesmo tempo em que enfrentamos os desafios sociais, também precisamos enxergar a região amazônica como uma potência global. A Amazônia não pode ser vista apenas pelos seus problemas, mas, sobretudo, pela sua capacidade de gerar formas de vida sustentáveis para quem já vive nesses territórios”, pontua Celso.

Livro Humanos foi escrito por Celso Athayde, em parceria com o filho Marcus Vinicius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da CUFA Global. Foto: Divulgação//CUFA Amazonas

”É nosso papel dar visibilidade a essa potência para quem está fora da região, mostrando a força, a criatividade e as soluções que nascem dentro das periferias e comunidades amazônicas. Temos exemplos concretos de projetos que já acontecem na Amazônia e nas favelas, mas também realizamos ações de grande impacto. Um marco importante foi a construção do Hospital para o povo indígena Yanomami, em Roraima, essa iniciativa que demonstra nosso compromisso com o desenvolvimento da região”, destaca Marcus Vinícius Athayde, presidente da CUFA Global.

O livro propõe um olhar mais humano sobre realidades marcadas pela desigualdade social. A pesquisa revela que a maioria dos entrevistados é jovem, preta e possui família. Metade tem até 26 anos e 80% até 36. Quase metade aponta a falta de dinheiro com principal motivo para o ingresso no crime. Quando questionados sobre o que fariam diferente, a resposta mais recorrente foi ter investido nos estudos. Além disso, 84% afirmam que não desejam que seus filhos sigam o mesmo caminho.

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“Trazer esse lançamento para Manaus é reconhecer que a favela não tem um CEP único no Brasil. Aqui ela é ribeirinha, é palafita, é marcada pelo rio e pelo abandono histórico. Mas a essência é a mesma: gente que sobrevive, cria, empreende e sonha mesmo quando tudo é contra”, afirma Celso Athayde.

O encontro reafirmou o compromisso da CUFA Amazonas em articular conhecimento, pesquisa e mobilização social como ferramentas para impulsionar políticas públicas eficazes, atrair investimentos e ampliar oportunidades reais para a juventude periférica do estado.

Evento de lançamento reuniu cerca de 60 pessoas, entre autoridades políticas, empresários e lideranças comunitárias. Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

“É muito importante quando olham para a favela com mais humanidade. Nossa realidade é difícil, falta oportunidade, mas também tem trabalho, fé e sonho. A gente quer ser visto além dos problemas,” afirma Maria Cristina Pereira, moradora da favela Cidade de Deus.

CUFA Amazonas

A Central Única das Favelas (CUFA) é uma organização social reconhecida nacional e internacionalmente por sua atuação em favelas e comunidades, promovendo inclusão social por meio da cultura, educação, esporte e empreendedorismo.

No Amazonas, a CUFA atua em diversos territórios, fortalecendo a identidade negra e periférica e promovendo iniciativas que conectam ancestralidade e inovação.