Durante quatro dias, o público que estiver na Ilha da Magia poderá desfrutar de música, gastronomia e conforto em perfeita harmonia no Kwati Club durante o Festival Folclórico. Foto: Divulgação
Com uma proposta diferente do que vem apresentando desde sua estreia, em 2018, o Kwati Club abre suas portas, em 2026, dando espaço ao ‘descanso’, mas em perfeita harmonia com a diversão sob medida, reunindo gastronomia, música e uma infraestrutura especial. Entre os dias 25 e 28 de junho, das 11h às 19h, no espaço localizado às margens do Lago Macurany, no bairro Santa Rita, em Parintins (AM), o público poderá desfrutar das belezas naturais que o local oferece no melhor estilo day use, adquirindo lounges para duas e quatro pessoas ou bangalôs para até 15 pessoas.
De acordo com Egreen Baranda, uma das organizadoras do evento, o Kwati precisava passar por essa reformulação levando em consideração uma tendência mundial que é a junção da diversão, mas aliada a uma estrutura que também proporcione tranquilidade.
“Hoje, muito se fala do universo wellness, né, e nós entendemos que esse movimento também se tornou uma realidade para nós. Curtir as três noites do Bumbódromo exige muita energia, e nada melhor do que repor essa energia, ouvindo uma música boa, comendo pratos saborosos, tomando aquele drinque geladinho e com muito conforto”, detalha ela.
Por isso, uma das novidades deste ano, por exemplo, é a reativação da piscina, que servirá para relaxar e apreciar o pôr do sol deslumbrante. Outro destaque são os espaços reservados divididos em duas categorias: lounge para duas ou quatro pessoas e o bangalô para até 15 pessoas. O Lounge Deck, que abriga quatro pessoas, conta com mesa de apoio, sofá, puffs e guarda-sol, além de 40% do valor investido revertido em consumação.
Já o Lounge Piscina, que abriga duas pessoas, conta com atendimento personalizado e localização estratégica, além dos 40% do valor investido revertido em consumação. E o Bangalô, que pode abrigar até 15 pessoas, conta com piscina privativa, área de descanso, serviço diferenciado e com 40% do valor investido revertido em consumação.
Foto: Divulgação
“É bom salientar que todos esses espaços podem ser comprados por dia ou então para todos os dias de Kwati Club, mas dependendo da necessidade de cada grupo, é muito melhor adquirir os pacotes para os quatro dias, pois a economia é maior do que comprar separadamente”, comenta Egreen, lembrando ainda que o Day Use também pode ser adquirido por dia ou em pacote, mas não conta com consumação como os demais espaços reservados.
Entre as atrações já anunciadas para a temporada 2026 do Kwati Club estão: Cateto da Toada (dia 25), Normandinho e Kboclos (dia 26), Pontifexx e Uendel Pinheiro (dia 27), e Cat Dealers e Aya da Amazônia (dia 28).
“E para quem chegar antes na Ilha da Magia, o Kwati também terá uma área especial para conferir os jogos da Copa do Mundo que irão acontecer nos dias 13, 19 e 26 de junho”, finaliza Egreen Baranda.
Mais informações podem ser obtidas via Instagram (@kwaticlub) ou no WhatsApp (92) 99331-6007.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio da superintendência do Iphan em Tocantins, realizou no dia 1° de junho, na Praça Leopoldo de Bulhões, em Natividade (TO), a cerimônia oficial de entrega do título de Patrimônio Cultural do Brasil aos detentores da Ourivesaria de Natividade, bem cultural inscrito no Livro de Registro dos Saberes.
A solenidade estava incluída na programação comemorativa do aniversário do município, celebrado também em 1º de junho, e representa um momento histórico para Natividade, para o Tocantins e para o patrimônio cultural brasileiro.
O reconhecimento nacional consagra uma tradição transmitida entre gerações de artesãos que mantêm vivos conhecimentos, técnicas e práticas associadas à produção artesanal de joias em ouro e prata, reconhecidas por sua singularidade, beleza e profundo vínculo com a identidade cultural da região.
O título foi entregue coletivamente, em reconhecimento a todos que detêm ou estão diretamente vinculados à produção e transmissão desse saber tradicional.
Iphan entrega título de patrimônio cultural do Brasil à ourivesaria de Natividade, no Tocantins. Foto: Reprodução/ Dossiê de registro do Bem Cultural
A inscrição da Ourivesaria de Natividade como Patrimônio Cultural do Brasil foi aprovada pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Ipha em novembro de 2025, após processo de pesquisa e documentação desenvolvido em articulação com a comunidade detentora, pesquisadores, instituições de ensino e parceiros locais. O reconhecimento reafirma a relevância da tradição ourivesareira nativitana como referência cultural de alcance nacional.
“A entrega deste reconhecimento nacional é, sobretudo, uma homenagem aos mestres, às famílias e à comunidade que mantiveram viva essa tradição ao longo das gerações. Convidamos toda a população de Natividade, da região sudeste do Tocantins e demais interessados a participarem deste momento histórico de valorização de um patrimônio cultural tocantinense reconhecido pelo Brasil”, afirma o superintendente do Iphan no Tocantins, Danilo Curado.
Iphan entrega título de patrimônio cultural do Brasil à ourivesaria de Natividade, no Tocantins. Foto: Reprodução/Iphan
O reconhecimento da Ourivesaria de Natividade como Patrimônio Cultural do Brasil inaugura uma nova etapa voltada ao fortalecimento das ações de salvaguarda do patrimônio cultural.
Ourivesaria é Patrimônio Cultural
Foto: Reprodução/Iphan
Reconhecida como patrimônio cultural brasileiro em novembro de 2025, a ourivesaria de Natividade (TO) é um bem cultural definido pela produção e uso de um conjunto de joias artesanais, feitas com ouro e prata extraídos da própria região, como crucifixos, colares, cordões, gargantilhas, brincos, pingentes, pulseiras e anéis.
A ourivesaria da cidade tocantinense emerge como um bem cultural que vai além da simples confecção de joias de ouro e prata. Seu valor reside na sua capacidade de sintetizar técnicas artesanais, história e identidade local, refletindo as complexas relações entre tradição, fé, arte e memória elaboradas historicamente em território tocantinense.
As joias nativitanas, em especial aquelas com inspiração nas formas e símbolos da natureza brasileira (como a flor do maracujá) e nas manifestações religiosas (como os corações nativos e os diversos símbolos cristãos) são peças carregadas de significados, não apenas no plano material, mas também no simbólico e no social. Elas permeiam o cotidiano e as festividades religiosas, sendo um dos pilares da identidade cultural da comunidade nativitana e de outros municípios do sudeste tocantinense.
A inovação como vetor de transformação industrial e desenvolvimento sustentável foi o tema central da décima videoaula do projeto Rede Educa, realizada pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM). Com o tema “Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade Industrial”, o episódio promoveu uma reflexão sobre como soluções tecnológicas e práticas sustentáveis vêm redefinindo processos produtivos, ampliando a eficiência operacional e fortalecendo a competitividade da indústria amazônica.
A aula foi ministrada por Juliana Teixeira, doutora em Conservação da Biodiversidade e gerente de operações da Ecodots, que apresentou perspectivas sobre o papel estratégico da inovação na construção de modelos produtivos mais inteligentes, sustentáveis e alinhados às novas exigências do mercado global.
Durante o encontro, foram discutidas soluções voltadas à gestão eficiente de recursos, rastreabilidade, monitoramento ambiental, economia circular e otimização de processos industriais, evidenciando como a integração entre tecnologia e sustentabilidade se tornou essencial para o fortalecimento das cadeias produtivas e para a consolidação de práticas empresariais mais responsáveis.
Inovação e sustentabilidade como diferenciais competitivos
Ao longo da videoaula, Juliana Teixeira destacou que inovação e sustentabilidade deixaram de ocupar posições paralelas dentro das estratégias corporativas e passaram a atuar como pilares complementares para o desenvolvimento industrial contemporâneo. Segundo ela, a adoção de tecnologias aplicadas à gestão ambiental e à eficiência produtiva representa não apenas um compromisso socioambiental, mas também uma oportunidade de geração de valor e competitividade.
“A inovação aplicada à sustentabilidade permite que a indústria avance em produtividade, eficiência e competitividade sem perder de vista a responsabilidade ambiental. Hoje, tecnologias voltadas à rastreabilidade, gestão inteligente de recursos e monitoramento de impactos são fundamentais para construir soluções compatíveis com os desafios e potencialidades da Amazônia”, destacou Juliana Teixeira.
A discussão também reforçou a importância da formação técnica e da disseminação de conhecimento qualificado para preparar estudantes e profissionais diante das novas demandas do setor industrial, especialmente em áreas relacionadas à ESG, transformação tecnológica e desenvolvimento sustentável.
Formação conectada às demandas da indústria
O projeto Rede Educa segue promovendo conteúdos voltados à qualificação profissional e à formação cidadã, aproximando estudantes, especialistas e profissionais de debates estratégicos para o desenvolvimento econômico e social da região amazônica. A iniciativa busca ampliar o acesso ao conhecimento técnico e fortalecer a conexão entre educação, inovação e indústria.
A videoaula completa está disponível nas plataformas digitais da Fundação Rede Amazônica. Assista:
O Rede Educa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).
Lago de Serpa, Itacoatiara, Amazonas. Foto: Rogério Marinho
Desde 2025, o projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia” desenvolve oficinas e ações de monitoramento ambiental e climático, aliadas à construção de soluções socioambientais para comunidades de cinco lagos da Amazônia brasileira impactados por eventos extremos climáticos registrados nos últimos anos. Entre eles está o Lago de Tefé, que ganhou repercussão internacional ao se tornar o epicentro da mortandade de botos decorrente da seca extrema de 2023.
Além das oficinas realizadas com moradores dos cinco territórios, o projeto instalou quatro estações meteorológicas no Amazonas e uma no Pará. A iniciativa também implantou sensores para monitoramento do nível da água, oxigênio dissolvido e temperatura nos cinco lagos, além de realizar o acompanhamento contínuo da qualidade da água.
Estação meteorológica no Lago de Tefé. Foto: Maria Vicenza
Ao todo, 69 pesquisadores e 200 comunitários participam das atividades do projeto, que realiza oficinas e ações socioambientais e monitoramento ambiental em quatro lagos do Amazonas e um do Pará: Lago de Tefé, em Tefé; Lago de Coari, em Coari; Lago de Janauacá, em Manaquiri; Lago de Serpa, em Itacoatiara; e Lago Grande de Monte Alegre, em Monte Alegre (PA).
Viabilizado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, o projeto tem como principais apoiadores o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de reunir 15 instituições nacionais e internacionais parceiras.
Oficinas fortalecem participação comunitária e ampliam alcance do projeto
Entre outubro de 2025 e março de 2026, o projeto realizou oficinas de diagnóstico participativo nos cinco lagos monitorados, reunindo representantes de 52 comunidades ribeirinhas, quilombolas e tradicionais. As atividades foram coordenadas por pesquisadores do Instituto Mamirauá, da Universidade Federal do Amazonas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia e da Universidade Federal do Oeste do Pará.
As oficinas colaborativas tiveram como principal objetivo envolver os moradores para um diagnóstico socioambiental a partir das próprias percepções das comunidades. Por meio de rodas de conversa, escuta ativa e construção coletiva do conhecimento, comunitários e pesquisadores compartilharam experiências relacionadas ao saneamento, saúde, mudanças climáticas, governança local e monitoramento ambiental.
Segundo Heloísa Pereira, pesquisadora do Instituto Mamirauá e coordenadora das oficinas, a proposta é aproximar a pesquisa científica da realidade vivida pelas populações amazônicas. “A meta principal foi identificar percepções sobre mudanças ambientais, desafios relacionados ao saneamento, uso da água, recursos naturais e condições de vida, além de fortalecer o engajamento comunitário nas etapas iniciais do projeto Lagos Sentinelas da Amazônia”, afirmou.
Participantes reconhecendo a região de toda extensão de um dos lagos, durante uma das oficinas. Foto: Milena Barbosa
Os encontros também evidenciaram os impactos das mudanças climáticas no cotidiano das comunidades. Moradores relataram dificuldades enfrentadas durante as secas extremas dos últimos anos, como escassez de água, mortalidade de peixes e dificuldades no transporte e na produção local.
Durante as oficinas, os comunitários desenvolveram um documento de diagnóstico socioambiental. Mediado pelo projeto, o material reúne demandas, propostas de soluções e melhorias voltadas à construção de novas políticas públicas para seus territórios.
No Lago de Tefé, o morador Sr. Ediney, da comunidade São Raimundo de Cima, relembrou os impactos da estiagem extrema registrada em 2024. “Esses anos que morei aqui, o lago seca, mas nunca tinha ficado como ficou no ano passado. Então isso pra mim não foi motivo nem de alegria, foi de tristeza de ver tantos peixes morrendo”, contou. O comunitário também destacou as dificuldades enfrentadas pelas famílias para manter a produção e o deslocamento na região durante a seca.
Para os pesquisadores envolvidos, um dos principais resultados das oficinas foi a construção conjunta entre ciência e conhecimento tradicional.
“As oficinas tiveram um forte envolvimento dos comunitários. A preocupação das lideranças comunitárias do Lago de Tefé sobre a crise ambiental atual é bastante clara, e ressalta a relevância do nosso projeto em construir junto a eles propostas de soluções concretas para os desafios vigentes”, destacou o pesquisador do Instituto Mamirauá e coordenador do projeto, Ayan Fleischmann.
Além de elaborar documentos específicos para cada lago, o material produzido durante as oficinas deverá orientar futuras ações do projeto e fortalecer a capacidade das comunidades de reivindicar políticas públicas adequadas às realidades locais.
Sentinelas das mudanças climáticas: unindo conhecimento científico local e acadêmico
A realização das oficinas busca aproximar os ribeirinhos das estratégias do projeto para que, posteriormente, passem a integrar o monitoramento ao lado dos pesquisadores parceiros. A proposta é transformá-los em “sentinelas”, vigilantes dos lagos, por meio de treinamentos previstos para ocorrer ainda em 2026. A atuação operacional deve começar em 2027, com acompanhamento contínuo dos pesquisadores.
Entre fevereiro e maio de 2026, cinco estações meteorológicas foram instaladas no Amazonas e no Pará: na comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, no Lago de Tefé; na comunidade São Thomé do Patoá, no Lago de Coari; na comunidade Trilheiro, em Manaquiri, no Lago de Janauacá; e na comunidade Sagrado Coração de Jesus, no Lago de Serpa. No Pará, a instalação ocorreu no Lago Grande de Monte Alegre, na comunidade Aldeia, em abril de 2026.
As estações irão coletar dados essenciais para a compreensão das condições climáticas em cada lago, como temperatura e umidade do ar, direção e velocidade do vento, radiação solar e volume de chuvas. A iniciativa deve transformar os grandes lagos monitorados em importantes “termômetros” dos efeitos das mudanças climáticas na Amazônia.
Alguns participantes do projeto no Lago de Serpa, no município de Itacoatiara (AM). Foto: Milena Barbosa
Desde o início do ano, os pesquisadores do projeto já monitoram os níveis dos cinco lagos por meio de sensores e realizam coletas de água para verificar a qualidade e a temperatura em cada um deles.
Sobre o projeto Lagos Sentinelas da Amazônia
O projeto “Lagos Sentinelas da Amazônia: Centro Transdisciplinar para Compreensão das Dinâmicas Socioambientais e das Águas Amazônicas sob Mudanças Climáticas” é uma iniciativa que reúne pesquisadores, gestores públicos e comunidades ribeirinhas com o objetivo de compreender e monitorar, de forma colaborativa, os impactos das mudanças climáticas nos lagos da Amazônia Central e possíveis soluções, especialmente para comunidades que vivem no entorno.
A iniciativa teve início diante dos cenários alarmantes enfrentados pela população e pelos ecossistemas amazônicos nos últimos anos. Lagos da região se mostraram particularmente sensíveis às mudanças climáticas, sendo impactados por secas extremas que ocasionaram a morte de diversas espécies, entre elas centenas de botos nos lagos de Tefé e Coari, no Amazonas, além de afetar a população que vive nessas regiões. Nesse contexto, devido ao fato de os lagos estarem em posições mais baixas na paisagem, eles funcionam como “sentinelas” porque recebem, abrigam, acumulam e refletem tudo o que está em seu entorno.
O projeto é coordenado pelo pesquisador do Instituto Mamirauá, Ayan Fleischmann e é financiado pela chamada CNPq/MCTI/FNDCT nº 19/2024 – Pró-Amazônia, voltada à criação de Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. O projeto também conta com apoio da Fundação Gordon e Betty Moore e WCS por meio da parceria com a Aliança Águas Amazônicas, da Fapeam, Sedecti e Governo do Amazonas, além da participação de 15 instituições nacionais e internacionais.
Entre as instituições parceiras do projeto, estão: Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de Brasília (UnB), Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), Instituto Cary e Universidade Bangor e Universidade da Califórnia em Santa Bárbara (UCSB).
A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) inicia a temporada de concertos de 2026 na próxima quarta-feira (3/6), às 20h, no Teatro ICBEU, em Manaus (AM). A apresentação terá entrada gratuita e reunirá obras de compositores consagrados da música clássica internacional, além de um representante da música contemporânea brasileira, sob a regência do maestro Rubens Cláudio, idealizador e fundador da OSA.
A programação marca o início de uma nova fase da OSA, que busca fortalecer a produção musical amazônica sem deixar de lado referências históricas da música erudita. Segundo o diretor executivo da Orquestra Sinfônica da Amazônia, Nikolay Sapoundjiev, a proposta da instituição é unir tradição e identidade regional.
“Estamos pretendendo desenvolver uma orquestra genuinamente brasileira e amazônica e, é claro, sem deixar de lado a grande história da música que contém este organismo sinfônico […] Então, por isso, o nosso primeiro concerto da temporada será mais clássico neste sentido”, afirmou.
Nikolay Sapoundjiev enfatizou ainda que grande parte da apresentação será dedicada a compositores clássicos, mas também contará com música contemporânea brasileira.
Foto: Divulgação/Acervo OSA
Programação reúne clássicos e música brasileira
A abertura da noite será com “Abertura Brasil 2012”, do compositor, pianista e regente brasileiro Dimitri Cervo, professor titular de Composição Musical da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O artista ganhou projeção internacional após ser indicado ao Grammy Latino de Melhor Composição Clássica Contemporânea, em 2022.
Na sequência, o público acompanhará o solo da violinista Paola Archila, que interpretará “Introdução e Rondo Caprichoso”, de Camille Saint-Saëns, um dos principais nomes da Era Romântica francesa. Segundo a musicista, a apresentação da obra tem um significado especial.
“É uma peça que tem um significado especial para mim, pois fez parte do meu recital de formatura em 2017. Retomá-la agora tem sido uma nova experiência, com um olhar mais maduro, que me permite aprofundar aspectos musicais e técnicos […] Sou muito grata ao maestro Rubens Cláudio pela oportunidade e espero conseguir transmitir ao público toda a energia, sensibilidade e intensidade que essa obra carrega”, contou.
O repertório será encerrado com a Sinfonia nº 3 ‘Renana’, de Robert Schumann, compositor alemão reconhecido pela influência na música romântica e pelo incentivo a jovens talentos da época.
Parcerias fortalecem projeto cultural
Foto: Divulgação/Acervo OSA
Desde sua fundação, a Orquestra Sinfônica da Amazônia é a orquestra residente do ICBEU Manaus, instituição que incentiva iniciativas voltadas à formação artística e à valorização de talentos locais. Para o diretor do Teatro ICBEU, Baldoino Leite, a parceria fortalece a democratização da cultura em Manaus.
“Manter a Orquestra Sinfônica da Amazônia como residente do Teatro ICBEU é um privilégio. A orquestra vem realizando um trabalho brilhante, dando espaço à educação e fortalecendo o nosso ecossistema cultural. Essa parceria democratiza o acesso à música de concerto, à música erudita e à música como um todo, além de consolidar o ICBEU como referência cultural em Manaus”, disse.
O maestro Rubens Cláudio destacou a importância das novas parcerias para ampliar a visibilidade da orquestra na capital amazonense.
“A orquestra tem avançado nesse quesito de parcerias e isso prova o quanto o projeto tem sido aceito pela sociedade e pelo empresariado de Manaus”, ressaltou.
A temporada 2026 da Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) conta com patrocínio Amazônia da Manaus Airport, patrocínio Rio Solimões da Bemol e patrocínio Rio Negro da Samel. A OSA conta também com o apoio cultural do Sistema Encontro das Águas, Fundação Rede Amazônica, deputado estadual Dan Câmara, Caua e Hotel Casa dos Frades, reforçando o compromisso de instituições públicas e privadas com o fortalecimento da cultura e da música de concerto na região amazônica.
História da OSA
A Orquestra Sinfônica da Amazônia (OSA) nasceu em janeiro de 2024. Seu primeiro concerto oficial ocorreu em 5 de maio de 2024, no palco histórico do Teatro Amazonas, em Manaus.
O espetáculo de estreia teve entrada gratuita e foi regido pelo maestro Rubens Cláudio, idealizador e fundador da orquestra. Desde então, a OSA vem consolidando sua atuação como um dos principais projetos sinfônicos da região Norte, promovendo a democratização do acesso à música de concerto e valorizando talentos locais.
A diretora administrativa da OSA, Jessilda Furtado, acredita que a Orquestra Sinfônica da Amazônia representa uma rede viva de afetos, oportunidades e cooperação, na qual as conexões humanas possuem mais força do que interesses particulares.
“Construir uma orquestra verdadeiramente inclusiva significa, antes de tudo, acolher profundamente as pessoas, reconhecer seus talentos e criar oportunidades para que todos possam fazer parte dessa grande jornada de transformação cultural e social”, concluiu a diretora.
Biodiversidade amazônica, bioeconomia, segurança alimentar, tecnologias espaciais e transformação digital estão entre os temas centrais do memorando de entendimento assinado no dia 28 de maio entre o Brasil e o Suriname para ampliar a cooperação bilateral em ciência, tecnologia e inovação.
O acordo foi firmado durante a visita oficial da presidente da República do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, ao Brasil, em cerimônia no Palácio do Planalto com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos.
A assinatura do documento estabelece uma base institucional para ações conjuntas entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério de Assuntos Econômicos, Empreendedorismo e Inovação Tecnológica do Suriname em áreas estratégicas para os dois países, especialmente no contexto da integração amazônica e do desenvolvimento sustentável.
A ministra Luciana Santos destacou o papel da cooperação científica e tecnológica para o fortalecimento das relações bilaterais e para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.
“Nosso memorando dará institucionalidade à colaboração em pesquisa e inovação em setores prioritários para os dois países, por meio de projetos conjuntos, mobilidade de pesquisadores, missões científicas e participação em redes de pesquisa”, afirmou a ministra.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Cooperação Brasil-Suriname
A titular da pasta também ressaltou o potencial de cooperação em monitoramento ambiental e tecnologias espaciais, com o compartilhamento de dados gerados pelos satélites brasileiros CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1, que já cobrem o território surinamês.
“O bioma amazônico é de grande relevância para nossos países. Vamos aliar ciência, tecnologia e inovação aos conhecimentos tradicionais para desenvolver soluções que impactem positivamente comunidades locais, indígenas, quilombolas e ribeirinhas”, acrescentou.
Para o presidente Lula, Brasil e Suriname são parceiros diplomáticos naturais.
“Os dois são países amazônicos, democracias que acreditam na cooperação, no multilateralismo. Nesta visita, assinamos 13 acordos em temas como infraestrutura, defesa, segurança, ciência e tecnologia, políticas sociais e desenvolvimento sustentável”, comemorou.
Segundo a presidente surinamesa, a parceria entre os países representa oportunidades de crescimento e avanço tecnológico para ambos os países. “Buscamos, em conjunto com o Brasil, soluções e cooperações que transformem nossas sociedades, que aumentem a nossa efetividade e que garantam um futuro melhor”, afirmou Jennifer Geerlings-Simons.
A assinatura do acordo reforça o compromisso brasileiro com a integração regional e com o fortalecimento da cooperação científica na Amazônia, incluindo iniciativas multilaterais desenvolvidas no âmbito da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) e da Rede Bioamazônia.
O memorando tem caráter não vinculante e prevê que cada país seja responsável pelo custeio de suas próprias atividades e grupos de pesquisa. O documento terá vigência inicial de 5 anos, com renovação automática.
*Com informações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
cuíca-de-cauda-peluda é um dos animais mais difíceis de registrar. Foto: Fernando Trujillo/ Inpa
O pesquisador-bolsista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) Alexander Arévalo Sandi publicou o artigo sobre a cuíca-de-cauda-peluda ‘The most elusive amazonian mammal? Distribution, survey, ecology and conservation of the bushy-tailed opossum Glironia venusta‘ (O mamífero amazônico mais esquivo? Distribuição, levantamento, ecologia e conservação do cuíca-de-cauda-peluda – Glironia venusta), na revista Mammal Review, um dos periódicos de maior relevância mundial em estudos de mamíferos e conservação.
O estudo reuniu 72 localidades confirmadas da espécie, ampliando em cerca de 77% a distribuição espacial reconhecida pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A partir de armadilhas fotográficas, revisão de literatura e dados de ciência cidadã, a pesquisa confirmou que Glironia venusta tem atividade estritamente noturna e avaliou sua sobreposição temporal com outros mamíferos arborícolas.
Trabalho colaborativo é a maior compilação já feita sobre a cuíca-de-cauda-peluda, um marsupial arborícola raro e pouco registrado em toda a bacia amazônica.
Pela primeira vez, armadilhas fotográficas registraram a espécie em comportamento compatível com consumo de gomas vegetais, o chamado “gum-feeding”. O artigo também foi subsidiado por dados do MapBiomas para analisar mudanças quanto ao habitat natural da espécie e às transformações do solo, o que apontou a pressão humana como fator relevante para a conservação.
cuíca-de-cauda-peluda. Foto: Fernando Trujillo/ Inpa
“Apesar de décadas de pesquisas na Amazônia, Glironia venusta continua sendo um dos mamíferos menos conhecidos do mundo. Nosso estudo reúne informações sobre sua distribuição, ecologia e conservação, contribuindo para reduzir parte dessa lacuna de conhecimento”, explica Sandi.
O interesse pela espécie começou durante seu doutorado, com registros obtidos na Reserva do Alto Cuieiras, base de estudos do Inpa (80 km ao norte de Manaus). “A partir desses registros surgiu a ideia de reunir informações dispersas sobre sua ocorrência em toda a Amazônia”, completa.
O trabalho teve a colaboração de Fernando Ferreira de Pinho, Andressa Bárbara Scabin, Fernando Trujillo, Maria Nazareth Ferreira da Silva, Wilson Roberto Spironello e destaca a importância da conservação das florestas amazônicas para espécies raras e pouco conhecidas, especialmente mamíferos arborícolas de difícil monitoramento em ambientes naturais.
Apoio
O autor destaca que o Inpa deu suporte logístico fundamental e que a bolsa do doutorado e do Programa de Capacitação Institucional (PCI), além do apoio da Capes e CNPq, viabilizaram o trabalho e possibilitaram as descobertas descritas no artigo.
“A gente ampliou essa distribuição para a Amazônia toda. Com armadilhas fotográficas do nosso Grupo de Pesquisa, mostramos um comportamento raro, que é o bicho pegando gomas de uma planta, e confirmamos que é completamente noturna. Também avaliamos como o ambiente nas localidades de registro pode estar sendo modificado pela presença humana”. Atualmente, Sandi é bolsista PCI da Coordenação de Biodiversidade (COBIO), no Inpa.
O artigo foi publicado pela Wiley em parceria com a Mammal Society, a Mammal Review, na categoria “Practice Insights”, voltada a pesquisas com aplicação prática para monitoramento e conservação da biodiversidade.
“Me sinto honrado por ter passado essa etapa, porque é uma revista de alto impacto, uma das melhores quanto ao estudo de mamíferos. Estou muito grato pelo apoio recebido ao longo da pesquisa, incluindo colegas, colaboradores e todas as pessoas envolvidas que contribuíram de diferentes formas para que esse estudo fosse possível”, conclui Sandi.
O Instituto Soka Amazônia lançou o primeiro Guia de Aves da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Dr. Daisaku Ikeda durante o Avistar 2026, considerado o principal encontro de observação de natureza da América Latina. O evento ocorreu em maio, no Jardim Botânico de São Paulo, reunindo pesquisadores, observadores de aves, educadores ambientais e instituições ligadas à conservação da biodiversidade.
A publicação é resultado de uma parceria entre o Instituto Soka Amazônia e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do projeto de extensão acadêmica ‘Vem Passarinhar Manaus’. A iniciativa tem como objetivo incentivar a ciência cidadã, ampliar o conhecimento sobre a avifauna amazônica e estimular a participação da população em atividades de observação e monitoramento de espécies.
Nesta primeira edição, o guia reúne informações sobre as 30 espécies de aves mais frequentemente registradas na RPPN Dr. Daisaku Ikeda, área de conservação localizada em Manaus. Além de fotografias e descrições das espécies, o material busca facilitar a identificação das aves por pesquisadores, estudantes, observadores iniciantes e visitantes interessados na biodiversidade regional.
RPPN Dr. Daisaku Ikeda contará com outras catalogações
Segundo os organizadores, a publicação é apenas o primeiro passo de um projeto mais amplo de catalogação da fauna local. A expectativa é que, até o final de 2026, o guia seja atualizado com cerca de 130 novas espécies registradas na reserva, ampliando significativamente o levantamento da diversidade de aves presentes na área protegida.
O lançamento também destacou a importância da ciência cidadã para a produção de conhecimento científico e para a conservação ambiental. A proposta é envolver cada vez mais pessoas na observação e no registro de espécies, contribuindo para a geração de dados que podem apoiar pesquisas e ações de preservação.
RPPN Dr. Daisaku Ikeda, Instituto Soka Amazônia. Foto: Vitor T. K. Raposo
Durante o Avistar 2026, o Instituto Soka Amazônia foi representado pela educadora ambiental Rebeca Soares Braga. Em palestra apresentada durante o encontro, ela detalhou o processo de criação do guia, incluindo as etapas de coleta, organização e curadoria das informações utilizadas na publicação.
Disponibilizado gratuitamente ao público, o guia busca ampliar o acesso ao conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e fortalecer iniciativas voltadas à educação ambiental e à conservação das aves da região.
Caiaques na orla do Educandos, em Manaus. Remadores do Clube do Remo, 1961, registro de Marcel Gautherot. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Antes de descrevermos o nosso objeto de pesquisa – Luso Sporting Club – abordaremos um pouco sobre o nascimento da atividade esportiva no Brasil, para que possamos entender o contexto da atividade desportiva no período da construção do Luso.
Não se pode estudar o fenômeno desportivo alheio ao movimento e organização social presente. O desporto é um fenômeno cultural complexo e de grande importância para uma sociedade, capaz de anunciar e denunciar inúmeras manifestações latentes nos diversos grupos sociais.
Garcia descreveu o desporto como:
[…] um processo evolutivo e de modernização das praticas físicas milenares que sempre existiam nas diferentes sociedades. O homem, desde o mais primitivo até, sempre jogou ou correu. Estas mesmas atividades foram depois regulamentadas, dando assim origem ao moderno desporto.²¹
Segundo Garcia, o esporte é um dos fenômenos mais importantes do nosso tempo. Ninguém fica indiferente a essa atividade humana. De acordo com o autor, observamos que o desporto, tal como agora conhecemos, é um fenômeno relativamente recente. Tem pouco mais de um século, sendo originário dos países ricos do norte, especialmente da Inglaterra, França e Estados Unidos. Com efeito, foi principalmente nestes países que as diferentes modalidades desportivas (o futebol), basquete, o atletismo, etc.) apareceram, tendo se espelhado rapidamente por todo o mundo.
O esporte contemporâneo nasceu, cresceu e tem se desenvolvido no seio da sociedade urbana e industrial es tá sujeito as adaptações particulares da vida politica, econômica e social moderna. Surge pela primeira vez na Inglaterra, no mesmo momento em que se iniciava a Revolução Industrial.
Um dos fatores que estimulavam a prática desportiva em meados do século XIX era sua ligação com a questão da saúde, segundo Foucault:
[…] corresponde a consciência que a burguesia adquiriu ao longo do século XIX da necessidade de controlar as populações para assegurar sua produtividade. O amontoamento de corpos que ocorria nas fábricas e nas cidades, a duração da jornada de trabalho, a poluição, as enfermidades e a falta de saneamento urbano e as condições de moradia foram sendo percebidos como focos de perigo para a saúde da população ou para a saúde da nação. Entretanto, a extrema preocupação com a saúde da população dissimulava outras intenções.²²
Equipe de ciclismo. Henrique, Antonio Rocha, Manoel Reis, Faustiniano Fonseca, João Lemos e Miguel Martins. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Mas, não era apenas a saúde da população trabalhadora que preocupava as autoridades e demandava ações-soluçoes. Era preciso atuar também sobre a saúde dos jovens filhos da burguesia e principalmente, devolver bons hábitos de disciplina e de liderança.
Pois como afirma Sant’Anna:
[…] Como se após seculos de civilizações, o corpo tivesse conquistado uma importância inédita tendo sido totalmente liberados das coações religiosas e moral de um passado recente, para se reconstruído ao saber da moda e dos investimentos nos campos da cosmética, da dietética, das atividades físicas e terapêuticas […]²³
Segundo a autora, dessa forma, não podemos apenas entender a prática esportiva no século XX como apenas uma atividade de disputa ou brincadeira, tão pouco podemos apenas relacioná-la como uma atividade para a aproximação de um grupo, mas a busca pelo embelezamento do próprio corpo através da estética corporal.
A crescente transformação da educação das classes ascendentes, realizada ao longo do século XIX, chamou atenção sobre a necessidade de reforma dessas instituições. O esporte surgiu como estratégia de controle do tempo livre dos adolescentes das classes dominantes, num período curto, converteu-se num elemento central no conteúdo formativo dos currículos dessas escolas. Em pouco tempo campos e quadras foram convertidos em importantes meios educativos ganhando importância sobre disciplinas, como línguas ou cultura clássica.
O esporte foi defendido como argumento na formação de caráter dos futuros dirigentes sociais.²4
No Brasil, segundo Costa:
O turfe foi o primeiro esporte (no sentido moderno) a realmente se estabelece no Brasil, sendo também o que apresentou primeiramente uma organização mais estruturada e uma forte inserção social, manifesta inclusive em sua presença na imprensa da época, na influência de grande publico aos hipódromos (desde os mais populares até a família real e depois presidencial) e no impacto que tinha nas estruturas cotidianas da cidade. O turfe foi a primeiro esporte estabelecido ate mesmo por ser mais aceito devido a seu caráter aristocrático e social.²5
O remo também foi um dos esportes de primeiro momento no Rio de Janeiro do século XIX, mas segundo Betti, somente se estabeleceu realmente a partir de uma outra forte mudança nos padrões culturais da cidade, seguida de mudanças em torno do esporte.²6 Segundo o autor o remo passou a ser aceito quando o padrão de estética e saúde mudam, passando a permitir diversão para os homens, praticamente nus para época. Teve relação com os primeiros ventos de preocupações higiênicas e de saneamento.
Nos leva ao entendimento segundo o autor que, o campo esportivo ainda demoraria a se estabelecer efetivamente, pois necessitava de condições mais adequadas na estrutura de produção, social e cultural em construção, principalmente com o surgimento e ascensão de uma classe media brasileira. Nos primeiros momento uma série de atividades foram realizadas, buscando copiar as atividades europeias, chamadas de sport. Primeiro tipo seriam as manifestações esportivas bem desenvolvidas e organizadas. Nesse grupo destacariam o turfe e posteriormente as regatas (remo).
Outra prática que começava a se estabelecer no campo esportivo foi as corridas de velocípedes marcariam os primeiros momentos do ciclismo. As chamadas corridas atléticas ou corridas a pé davam origem ao atletismo brasileiro. A natação dava passos ainda tímidos. O futebol era desconhecido na cidade, embora algumas escolas já estivessem a estimular sua prática.
Time de futebol de 1918. Jacob Levy, Alcides de Mello, Gentil de Souza Ramos, Adelino Santos, Sophocles Oliveira, Felipe de Castro, Luiz Augusto Santos, Tácio Moura (capitão geral), Leopoldo Mello (capitão do time), Deusdet (Dedé), Orlando Maia e Oswaldo Santos. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Algumas das praticas segundo o autor ainda existem como em outros países, mas não mais no Brasil, como as touradas.
No modo de entender, ainda não constituindo efetivamente um campo, o uso do termo sport, denuncia um campo em formação, de alguma forma estabelece limites de participação para a população. Para que o campo esportivo viesse a realmente se estabelecer em terras brasileiras, os organizadores teriam que promover significativas mudanças de rotas em seus planos originais. Se o campo esportivo era sinal de distinção e negócios, ele somente seria se conseguisse manter as portas abertas. Este aspecto financeiro tornou-se obstáculo no início e determinou o fim de muitos clubes.
Precisaria de público para consumir o espetáculo. Assim não houve alternativa: os clubes deveriam ser abertos ao grande público. Mais do que isso o grande publico deveria entender o mínimo do que estava sendo realizado. Isso é conhecer algo, mas só o suficiente para consumir o espetáculo. E como afirma Bourdieu:
[…] sem dúvida é pela separação estabelecida entre os profissionais, virtuosos de uma técnica esotérica e os leigos reduzidos ao papel de simples consumidores e que tendem a se tornar uma estrutura profunda de consciência coletiva que ele o esporte exerce seus defeitos mais decisivos: não é apenas no domínio do esporte que os homens comuns são reduzidos aos papéis de torcedores […] dedicados a uma participação imaginaria […]²9
Assim, um publico maior passa a ter acesso aos esportes, a linguagem e aos termos. Como os individuais não são passivos perante os processos sociais, começam a elaborar desdobramentos dessa linguagem.
Enfim, o que nos mostra o autor é que ser sócio dos clubes significava prestigio social e abriria inúmeras portas para o status.
Normalmente os atletas eram escolhidos entre as camadas populares da sociedade assim como hoje. Como o atleta ocupara lugar de algum destaque na sociedade, os organizadores defendiam que era uma forma dos meninos pobres terem acesso a condições melhores, como mostra uma publicação do Jornal Esporte: Um joquey é considerado personagem de certa importância, com os grandes ordenados que recebe, depois de 10 ou 12 anos de trabalho, retirar-se a vida privada com uma fortuna.³²
Equipe de Remo do Luso Sport Club. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Segundo o autor, esses personagens somente tinham acesso aos esportes se demonstrassem algum tipo de talento esportivo, como os jóqueis negros e pobres. Desde as origens, então, o esporte brasileiros também é marcado pelo divórcio entre pratica e consumo.
Também porque os aspectos ligados a estética, os aspectos higiênicos ligados a saúde, a necessidade de distinção e a possibilidade de realizar negócios no interior do campo, não faziam parte dos parâmetros e da realidade das camadas populares. Por fim lhes faltava tempo livre necessário.
Logo, segundo Costa para as camadas populares, as praticas esportivas eram fundamentalmente uma forma de diversão em uma cidade tão carente dessas possibilidades em disseminar um determinado sentido para o esporte.
No meu entender, isso pode ser observado no que se refere ao esporte no final do século XIX. Alguns clubes naquele período vieram a falir, muito em função das restrições impostas pelos nobres da cidade. Esses clubes mais populares organizados por pequenos comerciantes e militares de baixa patente, começaram a rivalizar com os grandes clubes, devido aos preços mais baixos de entradas e apostas.³5
Podemos perceber como um determinado objeto social o esporte tem sentido diferenciado e diferentes representações entre diversos grupos no interior de uma sociedade.
No caso do esporte no século XIX, existe a representação social geral que perpassa todos os grupos: era encarado como forma de diversão. Mas, os diversos grupos adendos a esse, um caráter diferenciado. Para os organizadores, mais do que diversão, era uma forma de status, distinção e de negócios diretos e indiretos. Já para a imprensa interessava mais o negócio do que o sinal de status e distinção. Para as mulheres, estava ligado as suas possibilidades de emancipação, enquanto para os negros pouco significava, a não ser para os mais habilidosos, usados como jóqueis e gozando de um status relativo. Já as camadas populares o encaravam como forma de diversão e distração.
Se a atividade esportiva nasceu para a sociabilidade e cuidado físico da elite, aos poucos esta atividade se popularizou. E dentre elas o futebol foi e é o mais popular dos esportes. Característica tal, foi que motivou a fundação do Luso Sporting Club.
Fontes
²¹ Garcia, Rui. A Amazônia entre o desporto e a cultura. Manaus: Valer, 2002.
²² FOCAULT, M. Microfisica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1993, p. 78.
²³ SANT’ANNA, Denise Bermuzede, Corpo, História e Cidadania. In: Anais do XIX Simposio Nacional da ANPUH: História e Cidadania, Vol, São Paulo: Humanites/FFLCH – USP, ANPUH, 1998, p.172.
²4 Esse assunto poder ser melhor analisado em: BORDIEU, Mário Gonzalez. Desporto e classes sociais. Material de Sociologia do Esporte. Curitiba: Editora Vida Turfista, 1961, p.108.
²5 COSTA, Cássio. O futebol de outrora. Rio de Janeiro: Editora Vida Turfista, 1961, p. 108.
²9 BORDIEU, Mário Gonzalez. Desporto e classes sociais. Material de Sociologia do Esporte. Curitiba: Editora La Piqueta, 1993, p.124.
³² JORNAL O Esporte de 28 de março de 1895. p. 1. Acervo particular.
³5 Informações retiradas do Jornal Diário do Rio de Janeiro de 17 de setembro de 1876.
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
O pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, afirmou que a Amazônia possui potencial para ampliar significativamente a geração de energia elétrica no Brasil por meio de hidrelétricas. A declaração foi dada durante conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.
Ao comentar o tema, Aldo Rebelo criticou a paralisação de projetos energéticos na região e afirmou que o país impõe obstáculos ao próprio desenvolvimento enquanto outras nações seguem investindo em grandes obras de infraestrutura.
“Segundo a Eletrobras, a Amazônia pode dobrar a geração de energia elétrica do Brasil por meio das hidrelétricas. Mas está tudo paralisado, enquanto a China constrói a maior hidrelétrica do mundo em rios que nem se comparam aos rios da Amazônia”, declarou.
Durante a entrevista, Aldo Rebelo defendeu que o Brasil adote uma política que combine desenvolvimento econômico e proteção ambiental, sem impedir o aproveitamento das riquezas naturais da região.
“Tem que remover esses obstáculos e criar uma via rápida para o desenvolvimento, com controle ambiental, como o mundo inteiro faz. Nenhum país sacrificou o próprio desenvolvimento em nome do meio ambiente. O que fizeram foi combinar desenvolvimento com preservação ambiental”, afirmou.
Aldo Rebelo é um dos convidados do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/ Amazon Sat
Geração de riqueza pode fortalecer meio ambiente, segundo Aldo Rebelo
Segundo o ex-ministro, a geração de riqueza pode fortalecer as ações de proteção ambiental e melhorar a qualidade de vida da população amazônica.
“Quando você gera recursos, consegue proteger melhor o meio ambiente, fiscalizar mais, contratar guardas e investir em saneamento básico. A riqueza gerada pelo desenvolvimento pode ajudar a preservar a Amazônia”, concluiu. Assista:
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).