Ser avô: uma palavra que representa um coração apaixonado

Eu, junto com minha parceira, sentimos o desenrolar da vida em um "serzinho", resultado de um amor, sabendo ser parte de duas pessoas, mas diferente. 

Imagem gerada por IA

Por Dudu Monteiro de Paula

Seravô. Criei esta palavra fruto de um coração apaixonado. Costumo falar coisas assim. Sentado a beira de um barranco alto, olhando a inércia da dinâmica da natureza, os meus olhos não são capazes de perceber a explosão do que ocorre cada segundo. Na minha frente dois do maiores rios do mundo – os rios Negro e Solimões -, nos meus mortais olhos, os únicos movimentos que percebo são o movimento das águas e uma brisa que me contorna.

Sim. Só assim que sabemos que o tempo passa. Mas, naquele microssegundo, bilhões de transformações ocorrem: árvores morrem com milhões de seres vivos e árvores nascem com milhões de seres vivos; milhares de peixes morrem e milhares nascem; dentro da selva animais morrem e nascem; basta que nós, ditos “civilizados”, não façamos nada. Basta admirar e aí está a lição da vida.

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Nos meus 76 anos de vida foi mais ou menos assim. Nascido em um lugar, criado e desenvolvido em outro, trago comigo o cheiro da terra amazônica e nas veias a força dos rios de nossa Amazônia. Uma vida, como toda ela é, uma aventura. 

Vindo de uma família maravilhosa que construiu de um nada, tudo! Em especial, fui lenta e gradativamente construindo a mim como filho, profissional, cidadão. Conheci milhares de pessoas, poucas me relacionei profundamente a ponto de criarmos uma história com personagens chamado de filhos (três meninas e um menino, com idades bem diferentes que deram a oportunidade de vivê-los dentro de um mundo próprio, ou seja um em cada tempo).

Eu, junto com minha parceira, sentimos o desenrolar da vida em um “serzinho”, resultado de um amor, sabendo ser parte de duas pessoas, mas diferente. O primeiro passo é a saúde e então começa o maior desafio: como moldar alguém para ser alguém?

Não existe um manual, uma regra geral. Pode ou não dar certo. Todos temos esta dúvida. Os filhos crescem e estão sempre segurando a sua mão até começarem a construir o próprio mundo.

Esperamos que achem nos próprios erros o caminho e saibam que sempre estaremos juntos. Sejam o que quiserem! Cabe a nós apoiá-los e orientá-los.

Que achem o parceiro certo para o outro passo e surgir outro “serzinho”… Meu Deus do céu!!! Não importa – menino ou menina – pois é uma sensação extraordinária! 

Quero guardar, ficar comigo, abrir espaço na minha vida para tê-los  sempre, mas como fiquei um dia sentado num barranco parado vendo a fotossíntese acontecer, é o mesmo agora. Meus netos alimentam o meu mundo com pessoas que amo e que criei. Eles me devolvem esta força do amor. MEUS NETOS!!!

‘Seravô’ (ser avô) é esta alegria imensurável! 

Leia também: O primeiro Natal

Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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