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Estudo aponta características que demonstram presença contínua de populações e uso do território em municípios do Médio Amazonas

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Foto: Divulgação

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por meio do projeto Atlas ODS Amazônia e do Instituto Acariquara, identificou evidências de ocupação humana consolidada e da existência de atividades econômicas estruturadas há décadas em municípios do Médio Amazonas.

O levantamento analisou a região que compreende Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará e mapeou atividades produtivas, estruturas sociais, organizações comunitárias e características econômicas que demonstram a presença contínua de populações e o uso do território ao longo do tempo.

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Os resultados mostram que a região abriga atividades econômicas historicamente estabelecidas, incluindo agricultura familiar, pesca, extrativismo, produção de farinha, manejo florestal, pecuária e cadeias ligadas à sociobiodiversidade amazônica. O estudo também registra a presença de associações comunitárias, cooperativas, organizações de produtores e outras estruturas sociais que ajudam a compreender a dinâmica de ocupação e do desenvolvimento dos municípios. 

Segundo o coordenador do estudo, Danilo Egle Santos Barbosa, o levantamento permitiu ampliar a compreensão sobre a trajetória histórica da região a partir da combinação de dados oficiais, pesquisas de campo e escuta de moradores e lideranças locais.

“O estudo mostra que esses municípios possuem uma longa trajetória de ocupação e organização econômica e social. Ao reunir dados históricos e relatos das comunidades, foi possível entender como essas atividades se desenvolveram ao longo do tempo e continuam presentes na dinâmica econômica da região”, afirma.

Além de recuperar elementos da formação histórica dos municípios, o mapa identificou potencialidades já consolidadas em diferentes cadeias produtivas. Entre os destaques estão a produção de guaraná orgânico certificado em Urucará, a cadeia do tucumã e o manejo florestal em Itapiranga, a produção de farinha e iniciativas ligadas à bioeconomia em Silves e o fortalecimento de atividades associadas ao turismo de base comunitária e à sociobiodiversidade em São Sebastião do Uatumã. 

município de silves, no amazonas
Município de Silves, no Amazonas. Foto: Divulgação

Leia também: Ranking mostra quais municípios da Amazônia Legal tem melhor e pior desempenho de qualidade de vida

Potencialidades e desafios dos municípios

O levantamento também identificou oportunidades para o fortalecimento de atividades ligadas à bioeconomia, ao turismo de base comunitária, à agricultura familiar e ao empreendedorismo local. As vocações econômicas observadas nos quatro municípios revelam potencial para ampliar a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores destacam que a região ainda enfrenta desafios estruturais importantes. O estudo aponta gargalos relacionados ao saneamento básico, acesso ao crédito, logística e qualificação técnica, indicando a necessidade de políticas públicas e investimentos voltados para o fortalecimento das capacidades já existentes nos territórios.

Entre os exemplos identificados está Itapiranga, que apresenta taxa de escolarização de 98,45% entre crianças de 6 a 14 anos, mas ainda registra indicadores reduzidos de acesso a serviços de saneamento.

Integração regional

Outro resultado do estudo foi a identificação de características e vocações compartilhadas pelos quatro municípios, especialmente nas áreas de bioeconomia, turismo de base comunitária, agricultura familiar e organização comunitária.

A partir desse diagnóstico, os pesquisadores propõem a criação de um consórcio intermunicipal envolvendo Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará, com o objetivo de fortalecer iniciativas conjuntas nas áreas de educação, saúde, cultura, empreendedorismo e desenvolvimento econômico.

“Os municípios possuem desafios semelhantes e ativos e oportunidades muito convergentes. A cooperação regional pode contribuir para potencializar resultados e acelerar processos de desenvolvimento”, afirma o coordenador do estudo.

Sobre o estudo

O Mapa de Potencialidades Territoriais foi desenvolvido por pesquisadores do projeto Atlas ODS Amazônia (UFAM) e do Instituto Acariquara. O estudo analisou os municípios de Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará a partir do cruzamento de dados oficiais, levantamentos documentais e atividades de campo realizadas nos territórios.

Um dos diferenciais do trabalho foi a escuta ativa de comunidades, lideranças locais, produtores, representantes do poder público e organizações da sociedade civil, permitindo incorporar ao diagnóstico conhecimentos e experiências que nem sempre estão registrados nas bases estatísticas tradicionais.

Ao longo do estudo, foram realizados encontros, grupos focais, questionários e visitas de campo para identificar dinâmicas econômicas, sociais e culturais percebidas pelos próprios moradores. O estudo contou com apoio da Eneva e terá seus resultados consolidados em publicação prevista para os próximos meses.

*Com informações da assessoria

Casos de hanseníase no Amazonas caem 95% em 40 anos, mas diagnóstico entre crianças ainda é desafio

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A hanseníase diminuiu no Amazonas, mas a transmissão ainda persiste especialmente entre crianças. Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen), que causa a hanseníase. Imagem: Department of Pathology,Calicut Mecical College/Wikimedia Commons

O número de casos de hanseníase detectados no Amazonas caiu quase 96% em quatro décadas. De 1981 a 2024, os diagnósticos na região reduziram de 154 para 6,65 casos por 100 mil habitantes, e a classificação mudou de região hiperendêmica para endemicidade média, de acordo com artigo de revisão científica publicado nesta sexta-feira (24) na Revista Brasileira de Medicina Tropical.

Apesar disso, especialistas em saúde pública alertam que a doença ainda não está sob controle na região amazônica, que tem comunidades geograficamente isoladas e por isso é considerada uma das mais desafiadoras para o combate à doença.

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Segundo a análise, só em 2024 o estado notificou 326 casos de hanseníase, sendo que mais de 260 (80%) eram novos diagnósticos. A persistência de casos em crianças e em menores de 15 anos, que representaram 3,4% dos registros, indica que a transmissão continua ativa, especialmente em municípios de difícil acesso.

“A persistência de casos em crianças, o predomínio das formas multibacilares e a ocorrência de pacientes que já chegam ao diagnóstico com incapacidades físicas evidenciam que muitas pessoas continuam sendo diagnosticadas tardiamente”, afirma Carolina Talhari, uma das autoras do artigo e pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas e da Fundação Alfredo da Matta de Dermatologia, principal centro de referência regional.

Leia também: Hanseníase: descoberta do Mycobacterium lepromatosis revisa história da doença nas Américas

hanseníase no Amazonas
Hanseníase é estudada no Amazonas. Foto: Cláudio Salgado

Casos de hanseníase mostra necessidade de melhoria de políticas públicas

O artigo reforça o protagonismo do estado do Amazonas como produtor de conhecimento científico com impacto nacional e internacional.

“O estado contribuiu para importantes avanços em diversas áreas, com estudos sobre resistência aos medicamentos, desenvolvimento e avaliação de novos esquemas terapêuticos, diagnóstico molecular, genética da suscetibilidade à doença, coinfecção hanseníase-HIV e vigilância genômica da resistência antimicrobiana”, diz Talhari.

A hanseníase, que chegou a ser conhecida e estigmatizada como lepra, é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria  Mycobacterium leprae e transmitida pelas vias respiratórias. A doença afeta a pele e nervos e pode causar manchas, dormência e fraqueza muscular.

Em 2024, foram registrados mais de 170 mil casos no mundo, e o Brasil ocupou a segunda posição no ranking mundial de registros da doença, atrás da Índia — os dois países, somados à Indonésia, respondem por quase 80% dos casos globais.

Para Talhari, além de aumento em investimentos, é preciso atualizar políticas públicas que auxiliem na prevenção, na detecção precoce e no tratamento da doença.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Exposição no Museu de Zoologia explora grandiosidade da Amazônia a partir das pequenas espécies

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Paineis informativos da exposição no Museu de Zoologia. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O que você pensa quando o assunto é Amazônia? Talvez seja sobre ser o maior bioma do mundo que ocupa mais de 4 milhões de km2 de área, mais que a metade do território brasileiro, ou que lá fica o maior rio do mundo em volume de água. Foi pensando nas imensidões que o Museu de Zoologia da USP inaugurou a exposição temporária ‘Amazônia: Descobertas’, onde o público é convidado a enxergar essa grandeza de outra forma: através das pequenas espécies.

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A exposição foi aberta ao público no dia 3 de junho e pode ser visitada até maio de 2027. A entrada é gratuita, terça a domingo das 10h às 17h.

Segundo o diretor do museu, Luís Fábio Silveira, a ideia surgiu no ano passado, quando o tema estava em alta em razão da COP30, ocorrida no Pará. Descobrir a Amazônia foi o grande desafio, onde tudo é extenso e grande. A exposição inverte a lógica, os pequenos animais são os protagonistas: besouros, insetos, camarões, borboletas, anfíbios, mamíferos e aves.

Eles são responsáveis por formar a megabiodiversidade do bioma, onde, mesmo de forma discreta, formam interações complexas com outros seres.

Exposição no Museu de Zoologia explora a grandiosidade da Amazônia a partir das pequenas espécies
Paineis informativos da exposição no Museu de Zoologia. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Leia também: Inpa e Musa inauguram exposição e lançam livro sobre cogumelos da Amazônia

O diretor também destaca a importância de mostrar ao público, com a credibilidade de um museu, um território tão importante quanto a Amazônia brasileira.

“As narrativas falsas servem mais para confundir e amedrontar as pessoas do que para informá-las. Nesses momentos é que os museus se impõem e se tornam ainda mais relevantes. É nesses espaços que a população vem buscar o refúgio seguro para entender o mundo em que vive”, disse Silveira, que também é curador da exposição.

Por exemplo, a exposição apresenta os insetos como verdadeiros gigantes amazônicos, apesar de medirem apenas cerca de 3 centímetros. Entre eles estão os dípteros, um dos grupos mais diversos de animais, que reúne moscas e mosquitos. Esses organismos apresentam modos de vida variados: há espécies parasitas, predadoras e polinizadoras.

Além de desempenharem um papel essencial nas cadeias alimentares, também têm grande importância médica e econômica, já que incluem espécies como o mosquito-da-malária, o mosquito-da-dengue e o mosquito-palha, responsáveis pela transmissão de diferentes doenças.

A inclusão não é exclusiva para pessoas com deficiência, também foi pensada para facilitar o acesso de crianças. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O Brasil reúne a maior diversidade de espécies de aves do mundo. A exposição apresenta algumas delas, como a cabeça-de-prata, o frifrió e o galo-da-serra, entre outras. Ao todo, já foram registradas mais de 2 mil espécies de aves no território brasileiro, sendo mais de mil encontradas na Amazônia.

Espaços de interação

A acessibilidade é um dos destaques da exposição. Os itens estão posicionados em altura mais baixa para facilitar a visualização por pessoas em cadeiras de rodas ou crianças pequenas. O percurso ainda inclui recursos e atividades sensoriais e táteis que intensificam a experiência do público, como modelos ampliados e uma atividade educativa onde se pode tocar em uma espécie através de um buraco, sentindo texturas específicas da pele de animais que vivem na Amazônia, sem enxergar exatamente qual o tipo de animal.

Além disso, parte do conteúdo expositivo conta com placas explicativas em braile, permitindo que visitantes com deficiência visual tenham acesso às informações de forma mais autônoma e inclusiva. 

Leia também: Você sabia que o Museu de Taxidermia abriga espécies da Amazônia, Cerrado e outros países?

Repleta de interatividade, a exposição convida o público a participar das descobertas e deixar suas impressões. Fotos: Marcos Santos/USP Imagens

“Nós somos um museu que tem voz própria”, afirma a curadora e chefe da Divisão de Difusão Cultural, Maria Isabel Landim. O Museu de Zoologia da USP é uma instituição dedicada à pesquisa, ensino, conservação e divulgação do conhecimento sobre a biodiversidade. Atualmente, são mais de 12 milhões de animais em sua vasta coleção. E aproximadamente 2 mil  pessoas por dia frequentam o local, que mantém sua entrada gratuita como forma de incentivar a visitação ao museu.

A exposição ainda conta com um espaço que funciona como uma ‘rede social analógica’, onde os visitantes podem escrever em post-its as impressões que tiveram da mostra. “É um diferencial do Museu de Zoologia de valorizar os espaços de interação, pois ele é multidisciplinar”, afirma Maria Isabel.

Nova espécie de besouro

Uma das atrações da exposição é a descoberta de uma nova espécie de besouro-de-correnteza, resultado de uma parceria entre o pós-doutorando do museu Thiago Polizei e a pesquisadora Neusa Hamada, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O inseto pertence à família Elmidae e habita riachos e igarapés da Amazônia brasileira. Apesar da importância ecológica, esses besouros são minúsculos e medem entre 1 e 8 milímetros.

Na atividade Por trás dos nomes, os visitantes têm a oportunidade de participar da escolha do nome da nova espécie. São sugeridos três nomes: Heterelmis iacamiabas, Heterelmis waimiriatroari e Heterelmis kinja. Confira abaixo o significado de cada uma delas.

Modelo ampliado do besouro-de-correnteza. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Heterelmis iacamiabas

“Mulheres sem marido” é a designação genérica dada a uma lenda de indígenas que teriam formado uma nação de mulheres guerreiras. Essa lenda teria dado origem, no século 16, ao mito da presença das lendárias Amazonas na região Norte do Brasil.

Heterelmis waimiriatroari

Os termos Waimiri e Atroari referiam-se a dois grupos indígenas distintos que habitam a região de Presidente Figueiredo (AM), local onde a espécie foi encontrada.

No entanto, com o tempo, a forte semelhança linguística e cultural levou à união dos sobreviventes, formando um único povo, Waimiri-Atroari.

Heterelmis kinja

“Gente verdadeira”, forma como o povo Waimiri-Atroari, habitantes da região onde a nova espécie foi coletada, se autodenomina.

Segundo o diretor do museu, os votos do público deverão ser incorporados ao artigo científico que formalizará a descrição da nova espécie. Os participantes da atividade receberão uma cópia da publicação, acompanhando o resultado da escolha e tendo acesso direto ao material científico produzido pelos pesquisadores.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Daniela Gonçalves

‘Sabores e Saberes da Amazônia’: livro de receitas busca valorizar agricultura familiar e merenda escolar em São Félix do Xingu

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Livro de receitas surgiu a partir da experiência exitosa do concurso de merendeiras para valorizar a agricultura familiar. Foto: Reprodução/Imaflora

O município de São Félix do Xingu (PA) celebrou recentemente um marco para a educação a partir da alimentação escolar e produtos oriundos da agricultura familiar local com o lançamento do livro ‘Sabores e Saberes da Amazônia’. O projeto, fruto de uma cooperação técnica entre o Programa Florestas de Valor do Imaflora, a Fundação Carrefour e a Secretaria Municipal de Educação (Semed), visa fortalecer a cadeia da merenda escolar, conectando o produtor rural diretamente à mesa dos estudantes.

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Mais do que um livro de receitas, a publicação ‘Sabores e Saberes da Amazônia’ reúne histórias de vida, artigos, receitas e conhecimentos tradicionais que evidenciam a importância da alimentação escolar como instrumento de desenvolvimento local.

'Sabores e Saberes da Amazônia' livro de receitas busca valorizar agricultura familiar e merenda escolar em São Félix do Xingu
Equipe do Programa Florestas de Valor do Imaflora, agricultores e representantes do poder público municipal de São Félix do Xingu. Foto: Reprodução/Imaflora

Leia também: Sabores invisíveis? Saberes alimentares de Mosqueiro são reunidos em e-book

Segundo Celma de Oliveira, coordenadora do Programa Florestas de Valor do Imaflora, o objetivo central foi documentar as trajetórias dos sujeitos que compõem essa cadeia produtiva.

“O livro reúne as histórias, os aprendizados e as parcerias estabelecidas no projeto, contando um pouco das histórias do nosso município, desde o agricultor familiar que produz até o aluno na ponta final”, explicou Celma.

A iniciativa, que ganhou corpo a partir da publicação, reforça a importância da utilização de alimentos saudáveis e regionais na distribuição para a rede pública de ensino.

Valorização de receitas local: o papel das merendeiras

Para além da logística de abastecimento, o livro atua como um catálogo de saberes tradicionais. Um dos pontos altos do lançamento foi a inclusão de receitas elaboradas pelas próprias merendeiras das escolas municipais.

Jaqueline de Oliveira Silva, Secretária de Educação e a Elziane da Costa Silva, agente de alimentação vencedora do concurso de receitas promovido pelo programa Florestas de Valor. Foto: Reprodução/Imaflora

O evento de assinatura e lançamento contou com a presença de representantes do Conselho de Alimentação Escolar e da equipe pedagógica da Secretaria de Educação.

Para a secretária de Educação de São Félix do Xingu, Jaqueline de Oliveira Silva, “o livro não é apenas um material didático ou culinário, mas uma ferramenta de registro da identidade de São Félix do Xingu, com a expectativa de que novas edições sejam publicadas futuramente para expandir o alcance do programa”, ressaltou.

*Com informações do Imaflora

Marchas mobilizam Maranhão e Pará em defesa dos manguezais amazônicos

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Foto: Reprodução/Greenpeace

Duas grandes mobilizações chamam a atenção para a conservação de um dos ecossistemas mais importantes do planeta: os manguezais. A primeira, aconteceu nesta sexta-feira (24), no Maranhão, seguida pelo Dia Mundial de Proteção dos Manguezais, com mobilização no domingo, no Pará.

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O Brasil possui a segunda maior extensão de mangue do mundo. São 14 mil quilômetros quadrados ao longo da costa. 80% estão no bioma amazônico, entre Maranhão, Pará e Amapá. Eles são considerados “berçários” para vida marinha, já que são grandes reservatórios de carbono, em quantidades maiores que muitas florestas terrestres.

Mas, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, se não houver esforços de conservação, cerca da metade deles no planeta correm risco de colapso até 2050. 

manguezais da Amazônia
Foto: Reprodução/Greenpeace

Luta pelos manguezais

É por isso que nesta sexta aconteceu a ‘Primeira Marcha dos Manguezais Amazônicos Maranhenses’, na capital, São Luís. O Maranhão abriga a maior área individual deles, quase um terço do total do país, e faz parte da maior faixa contínua do planeta.

Já no domingo (26), data em que é celebrado o “Dia Mundial de Proteção dos Manguezais”, vai ser realizada a 3ª Marcha em prol do ecossistema, em Belém, no Pará. A programação na capital vai começar cedo, desde às 7 horas da manhã, com a Alvorada de Carimbó, na Escadinha do Cais do Porto; seguido pela caminhada em direção ao Mercado Ver-o-Peso.

Leia também: Novo mapeamento identifica 1,2 milhão de hectares de manguezal no Brasil

As duas mobilizações reúnem comunidades tradicionais, pesquisadores e sociedade civil, na defesa do ecossistema, que é a base da segurança alimentar, e de renda, de milhares de famílias de extrativistas, marisqueiras e pescadores, que trabalham há décadas na conservação desses territórios.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

“Plano BR-319 sustentável tem a cara do Governo Lula”, diz Guilherme Checco

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O secretário executivo adjunto do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Guilherme Checco, afirmou que o plano voltado à BR-319 representa a estratégia adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conciliar investimentos em infraestrutura com ações de proteção ambiental. A declaração foi feita durante conversa no programa ‘Entrevistas‘, exibido pelo canal Amazon Sat.

“O plano BR-319 Sustentável tem a cara do governo do presidente Lula. Desde o primeiro dia o presidente colocou a agenda ambiental como uma questão transversal, que perpassa todos os setores e todas as agendas. O que já executamos na região da BR-319 é exatamente isso”, declarou o secretário.

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Debate sobre a reconstrução da BR-319

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, o programa aborda neste episódio um dos principais temas relacionados à infraestrutura da Amazônia: a reconstrução da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e que há décadas está no centro do debate entre desenvolvimento regional e preservação ambiental.

entrevistas - ep4 br-319, com guilherme checco
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Durante a entrevista, Guilherme Checco explica como o MMA participa das discussões sobre a rodovia e detalha as medidas que o governo federal considera necessárias para que a recuperação da estrada ocorra aliada ao planejamento territorial e à conservação da floresta.

Segundo o secretário, a proposta do governo vai além da recuperação da via e prevê mecanismos voltados ao ordenamento da região.

“A ideia, e isso é uma das dimensões de todo esse planejamento, é criar, fortalecer e implementar nesses territórios uma perspectiva de um cinturão verde ao longo de toda a rodovia, que proteja a riqueza socioambiental e a biodiversidade daquela região”, afirmou.

A BR-319 é considerada estratégica para a integração entre Amazonas e Rondônia, além de ser apontada por setores produtivos como uma alternativa para melhorar o transporte de cargas e passageiros. Ao mesmo tempo, a reconstrução da rodovia é acompanhada por discussões sobre fiscalização ambiental, regularização fundiária e combate ao desmatamento, temas que seguem no centro das políticas públicas voltadas para a Amazônia.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Desmate da Amazônia corta chuvas no Paraná e ameaça produção de grãos do estado

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O desmatamento na Amazônia esvazia os rios voadores, cortando o suprimento de água para o Sul do país, com a perda de cobertura florestal atingindo picos de 2.095 km² em um único mês. Foto: Ivo Brasil/Pexels

As secas que castigam o Sul do país ameaçam diretamente uma região que concentra 60% da produção de grãos, 41% da energia hidrelétrica e 23% da pecuária do Paraná. Esse déficit hídrico está estatisticamente ligado à Amazônia: o aumento do desmatamento reduz a precipitação na bacia do rio Iguaçu. É o que indicou uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicada na revista científica Brazilian Journal of Biology, acendendo o alerta de que a perda florestal no Norte já afeta a segurança econômica e o abastecimento de água potável a milhares de quilômetros de distância.

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A floresta atua como uma gigantesca bomba d’água natural que alimenta os chamados Jatos de Baixos Níveis. Esse sistema de circulação atmosférica transporta corredores de umidade para o Sul do Brasil. O avanço das motosserras e do fogo sobre o bioma compromete essa engrenagem de forma severa, com as taxas de desmatamento atingindo a marca de 2.095 km² destruídos apenas no mês de julho de 2021.

“Com a remoção da vegetação amazônica, ocorre uma redução da quantidade de água liberada para a atmosfera pela floresta, diminuindo a disponibilidade de umidade que alimenta esses sistemas de transporte. A alteração no ciclo das chuvas representa um risco socioeconômico, afetando a produção de alimentos, a geração de energia e a estabilidade de atividades que dependem diretamente da água”, explica a pesquisadora Ana Carolina da Silva.

Leia também: Rios voadores, o fenômeno que fornece chuva para o Brasil e regula o clima do mundo

chuva amazônia
Desmatamento na Amazônia acende alerta em todo o país. Foto: Gerard Moss/Projeto Rios Voadores

Perda florestal da Amazônia impacta o clima

O impacto da intervenção humana na floresta mostra-se mais forte e rigoroso que os próprios ciclos climáticos naturais. A análise dos dados revela que a perda florestal disparou especialmente a partir de 2020, período que coincidiu em parte com a vigência do La Niña.

Em condições normais, o fenômeno concentra mais umidade sobre a bacia amazônica e atua como um freio contra o fogo. O levantamento constatou, no entanto, que a Amazônia registrou mais de 222 mil focos de incêndio em 2020, o que representa um aumento brutal de 120% em relação à média dos anos anteriores, atropelando a barreira climática natural.

“Fatores antrópicos tiveram papel determinante na dinâmica do desmatamento, demonstrando que o clima não impede a destruição provocada por atividades humanas. A pressão exercida e a redução da efetividade das ações de fiscalização e controle ambiental foram fatores mais relevantes para o aumento da perda florestal do que as condições climáticas favoráveis”, detalha a autora.

Garantir o funcionamento das usinas e a rentabilidade das colheitas no Paraná exige frear o desmatamento no Norte do país de imediato e integrar o planejamento estratégico energético e agrícola com a conservação ambiental. A manutenção da cobertura florestal da Amazônia se consolida como uma medida urgente de segurança hídrica, essencial para evitar o colapso nas matrizes econômicas das demais regiões brasileiras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Projeto SUS na Floresta fortalece atendimento de saúde em comunidades de difícil acesso no Amazonas

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Foto: Lucas Bonny/FAS

O acesso a serviços de saúde avançou em comunidades ribeirinhas de Eirunepé (localizado a 1.163 km de Manaus), no interior do Amazonas. Entre março e junho de 2026, o projeto SUS na Floresta, realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Vale, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico da Prefeitura de Eirunepé, Associação de Moradores Agroextrativistas da RESEX do Rio Gregório (Amarge) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) registrou 550 atendimentos assistenciais e 1.945 procedimentos de saúde no Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues”.

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Localizada na comunidade do Ubim, na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Gregório, a unidade atende moradores de uma região marcada por grandes distâncias e dificuldades de deslocamento. No período, as atividades alcançaram 28 comunidades da área de abrangência do Ponto de Atendimento.

“Este Ponto de Atendimento à Saúde é muito simbólico porque está localizado em uma região de difícil acesso. Esses investimentos fazem parte da nossa visão de cuidar de quem cuida da floresta. Associadas às ações de saúde, também desenvolvemos iniciativas nas áreas de educação e geração de renda, em uma região com grande potencial para a produção de açaí, jarina, banana e outros produtos da sociobiodiversidade”, afirma Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS.

Leia também: SUS na Amazônia: ponto de atendimento à saúde é inaugurado onde uma consulta podia exigir até 3 dias de viagem de barco

Dos 550 atendimentos assistenciais realizados, 305 foram atendimentos presenciais médicos e de enfermagem, 89 ocorreram por meio de teleatendimentos médicos e de enfermagem, e 156 foram atendimentos odontológicos.

A integração entre atendimentos presenciais e remotos permite ampliar o acompanhamento da população e fortalecer a Atenção Primária à Saúde em comunidades de difícil acesso.

Para Ana Francisca, moradora da comunidade do Ubim, a presença da unidade tornou mais simples o acesso aos serviços e medicamentos.

“Agora temos a unidade, os medicamentos e a equipe de enfermagem. Quando a gente precisa, o atendimento está perto. Vamos até lá e conseguimos o medicamento com mais facilidade. Antes era muito difícil, mas agora está melhorando bastante”, relata.

Imagem colorida mostra atendimento médico pelo Sus na comunidade Ubim no Amazonas
SUS na Floresta realiza atendimentos no interior do Amazonas. Foto: Lucas Bonny/FAS

A equipe também realizou procedimentos como aferições de pressão arterial, peso, altura e temperatura, vacinação, testes rápidos, administração de medicamentos, curativos e coletas de exame preventivo.

Entre os principais registros estão 377 aferições de pressão arterial, 377 aferições de peso, 377 mensurações de altura, 377 verificações de temperatura, 125 doses de vacina aplicadas, 96 testes rápidos e 73 administrações de medicamentos.

As atividades do SUS na Floresta atenderam ou alcançaram moradores de comunidades como Ubim, Atalaia, Restauração, Extrema, Santo Amaro, Bacuri, São Francisco, Nova Esperança, Maravilha, Progresso e Prainha, além de outras localidades ribeirinhas da região.

SUS na Floresta reforça cuidados

Para Mickela Souza, gerente do Programa Saúde na Floresta (PSF) da FAS, a iniciativa representa uma mudança na forma de promover o cuidado nos territórios.

“A nossa expectativa é que, a partir de agora, a gente trabalhe efetivamente com a saúde, e não apenas com o Sistema Único de Saúde atuando sobre a doença. Para a FAS, essa é uma oportunidade ímpar. Como a gente costuma dizer, se conseguimos fazer no Rio Gregório, conseguimos fazer em qualquer outra região”, afirma.

No mesmo período, foram realizadas 11 ações coletivas de educação em saúde, com atividades voltadas à orientação da população, à prevenção de doenças e à promoção de práticas de cuidado.

Os dados de satisfação disponíveis até junho de 2026 também apontam uma avaliação positiva dos serviços. O índice de satisfação com os atendimentos presenciais chegou a 98,1%, enquanto os teleatendimentos e as teleorientações alcançaram 90%. A infraestrutura física do Ponto de Atendimento recebeu 96,6% de aprovação entre as pessoas consultadas.

Com assistência médica, de enfermagem e odontológica, vacinação, ações preventivas bem como teleatendimentos desenvolvidos pela SEMSA Eirunepé; e ações de educação permanente em saúde aos profissionais e assessoramento nas rotinas de trabalho promovidas pela FAS , o Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues” amplia a oferta de cuidados às comunidades ribeirinhas da Resex do Rio Gregório.

Sobre o SUS na Floresta

O projeto SUS na Floresta é realizado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Vale, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico da Prefeitura de Eirunepé, Associação de Moradores Agroextrativistas da

RESEX do Rio Gregório (Amarge) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Ele tem como objetivo fortalecer e apoiar a Atenção Primária à Saúde (APS) em comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas por meio da estruturação de um sistema de telessaúde integrado ao SUS, ampliando a assistência nessas regiões.

*Com informações da FAS

Prêmio Fundação Bunge reconhece trajetória de pesquisadora dedicada à agricultura familiar e indígena

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Sonia Sena Alfaia. Foto: Érico Xavier

Há mais de quatro décadas, a pesquisadora Sonia Sena Alfaia trabalha para responder a um dos grandes desafios da Amazônia: como gerar renda, fortalecer a agricultura familiar e melhorar a qualidade de vida das populações locais, garantindo, também, a conservação da floresta. É por essa trajetória que a pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) é a laureada do Prêmio Fundação Bunge 2026, na categoria ‘Vida e Obra’ do tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”.

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Reconhecida por sua atuação em agricultura familiar, agricultura indígena, sistemas agroflorestais e manejo sustentável dos solos amazônicos, Sonia dedicou sua carreira à construção de soluções desenvolvidas em conjunto com agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais da região.

Sua atuação também inclui a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia e à valorização dos conhecimentos tradicionais.

“Receber o prêmio foi uma surpresa muito grande. Eu realmente não esperava. É um prêmio que dá visibilidade ao trabalho que fazemos e nos incentiva a continuar atuando em uma área tão importante para a Amazônia”, afirma a pesquisadora.

Ciência construída junto às comunidades

Natural de Codajás (AM), município localizado às margens do Rio Solimões, Sonia cresceu em uma família que sempre enxergou a educação como ferramenta de transformação. Filha de um produtor rural, vivenciou desde cedo a realidade da agricultura amazônica e aprendeu a importância da terra para a subsistência e a geração de renda das famílias da região.

Também viu no próprio pai um exemplo de valorização da educação. “Ele sempre teve a visão de que a educação era fundamental para o nosso futuro”, lembra. Foi essa valorização dos estudos que levou a família a se mudar para Manaus quando Sonia ainda era criança.

Formada em Agronomia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com mestrado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutorado em Ciências Agronômicas no Institut National Polytechnique de Lorraine, na França, retornou à Amazônia para desenvolver uma trajetória dedicada à agricultura familiar, à agricultura indígena e ao uso sustentável dos recursos naturais da região. Ao longo de mais de quatro décadas no INPA, tornou-se uma das principais referências brasileiras na área.

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Agricultura indígena e políticas públicas

Um dos principais marcos de sua trajetória ocorreu durante sua passagem pela Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror), onde atuou entre 2010 e 2014 como Secretária Executiva Adjunta de Planejamento e Projetos. “Foi quando fui para o olho do furacão. Era o momento em que os produtores chegavam até nós para apresentar seus problemas e demandas”, recorda.

A experiência permitiu que ela conhecesse de perto as diferentes realidades do interior do estado e resultou na criação do Programa de Agricultura Indígena da Sepror, iniciativa voltada ao fortalecimento da produção agrícola dos povos originários do Amazonas por meio de ações de capacitação, assistência técnica, organização produtiva e acesso a mercados.

Atualmente, o programa atua junto às comunidades por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena), contribuindo para a geração de renda, a segurança alimentar e a valorização dos modos de vida indígenas.

Prêmio Fundação Bunge reconhece trajetória de pesquisadora dedicada à agricultura familiar e indígena
Foto: Érico Xavier

Produzir e conservar

Grande parte das pesquisas coordenadas por Sonia busca demonstrar que é possível ampliar a produção agrícola sem desmatamento. “A agricultura aqui precisa se aproximar mais da floresta, e não se afastar dela”, afirma. Essa visão orienta trabalhos voltados a sistemas agroflorestais e a cadeias produtivas consideradas estratégicas para a bioeconomia amazônica, como açaí, castanha, pupunha, guaraná e abacaxi.

Entre os projetos que considera mais emblemáticos está a parceria desenvolvida com o povo indígena Sateré-Mawé, reconhecido historicamente por sua relação com o guaraná. O trabalho envolve a recuperação de antigos guaranazais por meio de práticas agroecológicas e o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis que geram renda para as comunidades, como o cultivo sustentável do pau-rosa, espécie amazônica de alto valor econômico para a indústria de cosmético.

Segundo a pesquisadora, o sucesso dessas iniciativas depende da construção conjunta de soluções. “Temos muito respeito pelos conhecimentos e pela cultura dessas comunidades. O nosso papel é construir soluções junto com elas”, destaca.

Legado para as futuras gerações

Além da atuação científica e da contribuição para políticas públicas, Sonia também se dedica à formação de novos pesquisadores. Professora dos programas de pós-graduação do INPA, participou da formação de mestres e doutores que hoje atuam em diferentes áreas relacionadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Nos últimos anos, ela passou a incentivar pesquisadores mais jovens a assumir a liderança de projetos e ampliar a capacidade científica da região. “Estou passando o bastão porque eles são o futuro da pesquisa na Amazônia”.

Para Sonia, o reconhecimento do Prêmio Fundação Bunge simboliza o esforço coletivo de pesquisadores, estudantes, agricultores familiares, comunidades indígenas e instituições que contribuíram para a construção de sua trajetória. “É o trabalho de uma vida inteira. Fazer pesquisa na Amazônia não é fácil, mas é muito gratificante quando vemos que aquilo que construímos ajuda, de fato, a melhorar a vida das pessoas”, finaliza.

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Mais de 70 anos de reconhecimento à ciência brasileira

Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o Prêmio Fundação Bunge reconhece pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico nacional e para a busca de soluções para desafios estratégicos do Brasil. Ao longo de sua história, mais de 200 personalidades já foram homenageadas pela premiação. Os pesquisadores agraciados são indicados por representantes das principais universidades e instituições científicas do país, e têm suas trajetórias avaliadas por comissões independentes formadas por especialistas.

Na edição de 2026, o prêmio homenageia quatro pesquisadores brasileiros cujos trabalhos têm contribuído para o fortalecimento da agricultura tropical sustentável e da inovação no campo. Na categoria Vida e Obra, dentro do tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico”, Alexandre Lima Nepomuceno, Chefe-Geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja), será reconhecido por sua trajetória de estudos sobre fisiologia vegetal, biologia molecular e tolerância à seca. Paulo Eduardo Teodoro, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), será condecorado na categoria Juventude reconhecido por suas contribuições no uso de tecnologias na agricultura sustentável e Fenotipagem de Alto Rendimento.

Já no tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”, além de Sonia, estudante Raul Victor Magalhães Sousa, de 16 anos, bolsista de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) do CNPq, com orientação da Universidade Federal do Ceará (UFC), será reconhecido na categoria Juventude pelo desenvolvimento de um sistema que utiliza inteligência artificial associada aos saberes tradicionais para prever chuvas no semiárido cearense.

Fundação Bunge

A Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, há 70 anos atua para gerar impactos positivos na sociedade em territórios e setores estratégicos para a Bunge, fomentando a diversidade com promoção dos direitos humanos por meio da inclusão produtiva e do estímulo à economia de baixo carbono, estimulando a ciência e a preservação da memória. A Fundação é o pilar social da Bunge, líder mundial no processamento de sementes oleaginosas e na produção e fornecimento de óleos e gorduras vegetais especiais, que tem como propósito conectar agricultores a consumidores para fornecer alimentos, nutrição animal e combustíveis essenciais para o mundo. Site: fundacaobunge.org.br

*Com informações da Fundação Bunge

Infovia do programa Norte Conectado começa a ser implantada no Rio Madeira

A rede da Infovia deve atender órgãos públicos, como hospitais, escolas, unidades do Judiciário e das Forças Armadas, além de permitir que provedores privados ampliem a oferta de internet à população da região. Foto: Jadson Lima/Rede Amazônica AM

Mais de 700 mil pessoas em nove municípios do Amazonas e de Rondônia poderão ser beneficiadas com a implantação da Infovia 5, rede de fibra óptica subaquática que começou a ser instalada no Rio Madeira esta semana. A estrutura faz parte do programa Norte Conectado e vai ligar Autazes (AM) a Porto Velho (RO) por meio de 1.116 quilômetros de cabos instalados no leito do rio e outros 210 quilômetros de rede terrestre.

Segundo o Ministério das Comunicações, a infraestrutura da Infovia foi planejada para ampliar a conectividade em regiões da Amazônia onde o acesso à internet ainda é limitado. A rede deverá atender órgãos públicos, como hospitais, escolas, unidades do Judiciário e das Forças Armadas, além de permitir que provedores privados ampliem a oferta de internet à população. A internet não será gratuita, mas operada por um consórcio de empresas.

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O coordenador-geral de Projetos de Infraestrutura do Ministério das Comunicações, Ângelo Lorenzo explicou que as empresas interessadas em integrar o consórcio participarão de um chamamento público.

“Um projeto dessa magnitude não funciona se a gente não tiver uma estrutura bem pensada para operação e manutenção. Forma-se um consórcio que vai operar essas infovias. É um chamamento público. As empresas interessadas se cadastram nesse chamamento e formam um consórcio que vai ter entre três e 12 empresas. Esse consórcio terá um líder, que será a principal ponte de comunicação para garantir a operação e manutenção em nome do consórcio”, afirmou.

Segundo o representante do Ministério das Comunicações, metade da capacidade da rede da Infovia será destinada ao atendimento de órgãos públicos, enquanto a outra metade ficará disponível para exploração comercial pelos provedores.

“Essa infraestrutura foi desenhada para que metade da capacidade dela seja utilizada pelo consórcio, para exploração comercial, e a outra metade seja utilizada pelo poder público, para interligar escolas, hospitais, Forças Armadas e outros órgãos públicos”, disse.

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Implantação

A primeira etapa do lançamento de cabos da Infovia 5 ocorre entre Autazes e Manicoré e deve durar entre 19 e 20 dias. O lançamento dos cabos é feito por uma balsa-plataforma adaptada para a operação, após estudos técnicos que definiram o trajeto da fibra óptica no fundo do rio.

De acordo com a Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela execução do projeto, o percurso foi definido com base em levantamentos sobre profundidade, tipo de solo, presença de formações rochosas e áreas sujeitas à seca, para reduzir o risco de danos à infraestrutura.

A CEO da EAF, Gina Marques, informou que o investimento na Infovia 5 está estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, e que deve beneficiar em torno de 700 mil pessoas. Segundo ela, os cabos possuem 24 pares de fibras ópticas, mas apenas um será utilizado inicialmente, permitindo futuras ampliações da capacidade da rede.

Navegação e garimpo

No Rio Madeira, um dos principais desafios é a intensa movimentação de embarcações e as dragagens realizadas para manter a hidrovia navegável. Além disso, segundo o diretor de Operações da EAF, Geraldo Segatto, a presença de garimpos ilegais na região também representa um fator de risco para a operação.

“O Rio Madeira é um rio muito diferenciado e um dos mais complexos de todas as infovias que a gente está fazendo pelo nível de navegação intensa. E outra preocupação nossa é que isso é bem complexo porque não dá para a gente prever”, afirmou.

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No última dia 21 de julho, equipe esteve em área do Rio Madeira para instalação de tubulações subaquáticas para implementar a Infovia 5. Foto: Jadson Lima/ Rede Amazônica AM

Para reduzir esse risco, a EAF informou que, no trecho entre Manicoré e Porto Velho, os cabos serão enterrados em pontos considerados mais críticos, aumentando a proteção contra futuras dragagens e outras intervenções no leito do rio. No trecho entre Autazes e Manicoré, o cabo será apenas acomodado sobre o fundo do rio.

Segatto afirmou, ainda, que todo o trajeto dos cabos lançados no rio é georreferenciado e compartilhado com a Marinha e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para que eventuais obras de dragagem em períodos de estiagem sejam planejadas sem comprometer a rede.

“Tem uma outra complexidade porque o rio na época da seca, diante do grande trânsito de embarcações, baixa muito e é necessário fazer dragagem para garantir que a hidrovia seja mantida. Atuamos junto à Marinha e DNIT . Após o lançamento dos cabos, compartilhamos informações com esses órgãos, disse.

Após a conclusão do lançamento dos cabos, serão instalados os Centros Móveis de Alta Disponibilidade (CMADs), estruturas que concentram os equipamentos responsáveis pelo funcionamento da rede. Os módulos utilizam energia solar e baterias para manter o serviço em funcionamento em caso de interrupção no fornecimento de energia elétrica.

*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica AM