Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus indicam que o polo mantém mais de 129 mil empregos diretos no início de 2026, refletindo a dimensão da atividade industrial no estado. Foto: Divulgação
No Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, o engenheiro de qualidade Gabriel Siza representa a rotina de milhares de profissionais que ajudam a movimentar o Polo Industrial de Manaus (PIM). Há cerca de oito anos na indústria, ele contou em entrevista ao Grupo Rede Amazônica que construiu a carreira passando por diferentes empresas e acompanhando de perto a dinâmica do setor no Amazonas.
Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus indicam que o polo mantém mais de 129 mil empregos diretos no início de 2026, refletindo a dimensão da atividade industrial no estado.
“São pessoas de áreas diferentes, com perfis diferentes, mas todas unidas pelo mesmo objetivo. Seja produzir celulares, motos ou outros produtos, todo mundo ali faz parte do mesmo resultado”, afirmou Gabriel.
A experiência no Polo Industrial de Manaus (PIM), segundo Gabriel, vai além do ambiente de trabalho. Gabriel destaca o senso de comunidade criado dentro do Distrito Industrial, onde profissionais de diferentes empresas e áreas convivem diariamente.
“É comum encontrar pessoas que já trabalharam juntas em outras empresas. Existe essa troca, essa convivência. No fim do expediente, todo mundo se encontra, conversa. Isso fortalece muito o ambiente profissional”, diz.
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Cultura e diversidade no PIM
Atualmente atuando em uma empresa do setor de tecnologia, Gabriel também destacou a presença de companhias internacionais no polo e a convivência entre diferentes culturas.
“Tem empresas chinesas, japonesas, europeias, e todas acabam se adaptando ao nosso jeito. A gente mostra nossa cultura, nosso jeito de trabalhar, e isso é muito valorizado”, afirma.
Para ele, o reconhecimento da mão de obra local é um dos pontos que sustentam o modelo do PIM ao longo dos anos.
“Nosso trabalho ele muitas vezes é escolhido por pessoas do outro lado do mundo que vem aqui no nosso estado escolhem os nossos profissionais, os nossos engenheiros, os nossos operadores porque sabe que a gente vai entregar com qualidade. A gente vem sempre ano após ano entregando melhores resultados, melhores produtos com mais qualidade. Então, no dia do trabalhador a gente tem sempre que ressaltar a força do trabalhador do polo industrial de Manaus”, finalizou.

Mais de 129 mil trabalhadores movimentam Zona Franca
Dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus apontam que o modelo do PIM segue com mais de 129 mil trabalhadores diretos em atividade no início de 2026.
De acordo com o balanço do primeiro bimestre do ano, o PIM fechou fevereiro com 128.985 trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados. A média mensal de empregos diretos nos dois primeiros meses do ano foi de 129.254 postos, indicando estabilidade em relação ao mesmo período de 2025.
O desempenho ocorre em um cenário de manutenção da atividade industrial. Entre janeiro e fevereiro, o polo faturou R$ 37,04 bilhões, praticamente estável frente aos R$ 37,37 bilhões registrados no ano anterior. Em dólar, o faturamento chegou a US$ 6,73 bilhões.
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Apesar da estabilidade na receita, o setor apresentou avanço nas exportações. No acumulado do bimestre, as vendas externas somaram US$ 125,29 milhões, crescimento de 27,28% na comparação com 2025.
Segundo o superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, os números refletem um momento de equilíbrio do modelo.
“Manter uma média de mais de 129 mil trabalhadores ativos demonstra a força estrutural do polo. Além disso, o salto de mais de 27% nas exportações acumuladas prova que as indústrias da Zona Franca de Manaus continuam competitivas no cenário internacional”, afirmou Montenegro.
PIM apresenta recorde recente de empregos
O atual patamar de empregos se mantém próximo do maior já registrado na história do polo. Em 2025, o PIM atingiu recorde de 131.446 trabalhadores em abril, consolidando o melhor resultado desde a criação do modelo.
O número representou crescimento tanto em relação ao mês anterior quanto na comparação anual, reforçando a recuperação da indústria e a ampliação da mão de obra no estado.
Setores que mais empregam e produzem
No início de 2026, os segmentos que mais contribuíram para o faturamento do polo foram:
- Duas rodas (20,82%)
- Bens de informática (18,85%)
- Eletroeletrônico (15,91%)
- Químico (12,16%)
- Termoplástico (9,14%)
- Metalúrgico (8,87%)
- Mecânico (8,59%)
Entre os destaques do período no PIM, o setor de bebidas teve alta de 43,64% no faturamento. Já na produção, os celulares lideraram em volume, com mais de 1,8 milhão de unidades fabricadas, enquanto o segmento de duas rodas produziu 379 mil motocicletas.
O que é a Zona Franca de Manaus
Criada em 1967, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento baseado em incentivos fiscais para atrair indústrias à Amazônia. A iniciativa permite a redução ou isenção de impostos para empresas do Brasil e estrangeiras que produzem na região, estimulando a economia local.
Atualmente, o polo reúne mais de 500 empresas e é responsável pela fabricação de itens presentes no dia a dia dos brasileiros, como televisores, celulares, motocicletas, computadores e eletrodomésticos.
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Com validade garantida até 2073 e respaldo na Constituição Federal, a Zona Franca segue como um dos principais pilares econômicos do Amazonas, combinando geração de empregos com desenvolvimento industrial em plena região amazônica.
O modelo, inclusive, é garantido pela Constituição Federal de 1988 e também está no Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, um documento que contém regras de transição do texto constitucional antigo para o atual.
*Por Patrick Marques, da Rede Amazônica AM
