O Plano Nacional de Mineração 2030 (PNM − 2030), lançado em maio de 2011 pelo Ministério de Minas e Energia (MME), tem por objetivo “servir como referência para o planejamento do setor mineral nos próximos 20 anos, integrado às políticas ambientais e industriais, com o objetivo comum de promover o desenvolvimento sustentável do Brasil”. Em síntese, representa mais uma etapa das atribuições do governo brasileiro voltadas à formulação de políticas e planejamento dos setores energético e mineral. Nesse sentido, o PNM-2030 apresenta diretrizes gerais para as áreas de geologia, recursos minerais, mineração e transformação mineral, inclusive metalurgia.
Segundo o Plano, os bens minerais formam a base do padrão de consumo e da qualidade de vida da sociedade moderna. O Brasil, salienta, é um importante produtor mundial de minérios; contudo, seu consumo per capita encontra-se entre 15% e 30% dos países que já lograram atingir níveis mais elevados de desenvolvimento. A assimetria, salienta o documento, se reproduz internamente devido à baixa demanda das regiões Norte e Nordeste. Assim, o Plano prevê “elevar o consumo interno per capita de produtos de base mineral tendo em vista aproximar-se da média mundial, até 2015, e triplicar no horizonte 2030, atingindo um patamar próximo ao de países desenvolvidos, com o país alcançando um PIB per capita superior a US$ 20 mil, associado a uma melhor distribuição de renda”.
O setor mineral, compreendido pelas etapas geologia, mineração e transformação mineral, é base para diversas cadeias produtivas. O Brasil destaca-se internacionalmente como produtor de nióbio, minério de ferro, bauxita, manganês e vários outros bens minerais. No processo de elaboração de cenários e definição de visão de futuro, o PNM 2030 atém-se a uma perspectiva integrada do setor mineral, destacando-se a importância da agregação de valor e uma melhor distribuição dos benefícios que as cadeias produtivas do setor possibilitam. Além do mais, o Plano sustenta-se na pressuposição segundo a qual “a inserção regional dos grandes empreendimentos ganha agenda pública, favorecendo a costura de novos pactos de atuação do setor levando em conta o que a sociedade pensa a respeito e quais as perspectivas de estados e municípios sobre o futuro do setor”.
No tocante aos investimentos previstos no PNM-2030 sobre pesquisa mineral, mineração e transformação mineral (metalurgia e não-metálicos), quase todos oriundos da iniciativa privada, deverão totalizar US$350 bilhões, considerando, adicionalmente, os gastos com infraestrutura e logística. Em decorrência do aumento da produção, avalia o MME, “o número de empregos também crescerá, multiplicando-se por três vezes nas próximas duas décadas. Cabe notar que a transformação mineral é a que gera o maior quantitativo de empregos”.
Dentre os objetivos básicos do Plano Nacional de Mineração − 2030 destacam-se dois por sua essencialidade: a) governança pública para a consolidação do novo marco regulatório do setor mineral, com a criação do Conselho Nacional de Política Mineral, mudanças no modelo de outorga e a criação da Agência Nacional de Mineração (ANM), além de revisão da política para a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (os royalties da mineração), e b) ampliação do conhecimento geológico, com metas e escalas diferentes, 100% do território nacional deverá estar mapeado.
Quanto aos investimentos, deverão contemplar atividades relacionadas aos segmentos de geofísica, geoquímica, geodiversidade e recursos hídricos. O grande problema está no distanciamento da coleta de resultados do setor, hoje em níveis muito distantes do padrão mundial. Presentemente, o governo Federal atribuiu-se metas de curtíssimo prazo circunscritas basicamente à destruição de balsas e equipamentos de mineração na Amazônia. Medidas objetivas para o crescimento do setor ainda aguardam a chuva passar.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Bem mais além do que mero meio de comunicação, o rádio em todo país e muito especialmente no Amazonas, possibilitou a consolidação de gêneros musicais e teve importante participação na formação política do Brasil no decorrer da primeira metade do século XX, cuja, participação, crescimento e difusão das ondas radiofônicas foram importantes nas décadas de 1920 e 1930.
“… A primeira transmissão do rádio ocorreu em 7 de setembro de 1922, como parte das comemorações que celebravam o centenário da Independência do Brasil. A transmissão teve como destaque um discurso do então presidente da República Epitácio Pessoa. Também foram espalhadas nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Petrópolis, aproximadamente oitenta receptores que captavam áreas encenadas no teatro municipal de São Paulo d’O Guarani, de Carlos Gomes. A primeira transmissão por rádio já prenunciava, de alguma maneira, o futuro ligado às manifestações nacionalistas que seriam recorrentes durante o governo Vargas, época de maior expansão das ondas radiofônicas”. ¹
Jornalista Josué Cláudio de Souza, sócio honorário. Manaus, 10 de junho de 1972. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Ainda na década de 1920, dois episódios marcaram inicio da era do rádio no Brasil, de acordo com Sérgio Cabral:
“… A fundação da Rádio Sociedade, por Roquette Pinto e Henrique Morize, em 1923 e a fundação da Rádio Clube no Brasil no ano seguinte. Tais rádios funcionavam por poucas horas e em dias alternados, o que há no entanto, no estudo de Sérgio Cabral, que nos chama atenção é a sua tese de que o Rádio retira a música popular do terreno do amadorismo e a situa, em um processo paulatino, como também, uma forma de profissionalização: isso viria a ocorrer de modo mais acentuado na década de 1930”.
¹CABRAL, Sérgio. AMPB na era do rádio. São Paulo: Editora Moderna. 1996.
A profissionalização dos cantores do rádio tanto no Brasil quanto no Amazonas veio junto de um repertório, por isso, não foi ao acaso que a partir de 1930 o samba ganha cada vez mais relevância no cenário cultural brasileiro, se torna mais comercial e alia a figura do cantor às ondas radiofônicas, a venda de discos e ao gênero musical, em um circuito que nos permite visualizar uma lógica mercadológica sobre as canções. No entanto, foi a partir deste momento que passam a serem ouvidas com destaque as composições de Ismael Silva, Wilson Batista, Noel Rosa e outros. Como também, surgia grandes interpretes como Mário Reis e Francisco Alves e as interpretes Araci de Almeida, Carmem Miranda e Dalva de Oliveira.
“… Como destaca o autor Francisco Weffort, o Governo de Vargas pode ser compreendido pela chave do populismo: um fenômeno político de bastante recorrência na América Latina que tem por objetivo ser paternalista, desenvolvimentista e patriótico. Getúlio operou mudanças significativas na vida do povo brasileiro. Ele tratou de criar um aparelho estatal nas rádios brasileiras, a exemplo do que fez também outro presidente sul-americano Juan Domingo Perón na Argentina. Desse modo a Rádio Nacional que quando criada em 1936, tinha um caráter de empresa privada, tornou-se em 1940, uma empresa pertencente ao Governo Brasileiro. Seu modo de operar por meio de ondas curtas fez com que todo território brasileiro fosse preenchido pelas ondas da emissora. O Estado Novo, mais precisamente o Departamento de Imprensa e Propaganda criou um modelo de programação onde e jornalismo e entretenimento caminhava lado a lado na Rádio Nacional desse período datam o surgimento da Ora do Brasil, dedicada as notícias do executivo brasileiro, o Repórter Esso, jornalismo de plantão que informava os fatos emergenciais, e programas humorísticos que consagraram artistas brasileiros, como a Balança mais não cai e PRK-8, onde atuavam grandes nomes como: Paulo Gracindo, Valter D’Ávila e Brandão Filho e, mais tarde dar-se inicio as radionovelas”. ²
² WEFFORT, Francisco. O populismo na política brasileira. São Paulo: Editora Paz e Terra. 1989.
André Limonge (Rádio Difusora) e Clovis Carvalho (Rádio Difusora). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Por este caminho, cada vez mais focaliza-se a figura do artista e sua representatividade na sociedade, esse processo se transforma com o tempo, mas é o embrião da figura do ídolo que ficou conhecido a época e que não foi diferente em Manaus nos anos 50 na Rádio Difurosa e Rádio Baré, fosse por meio dos concursos das rainhas do rádio na década de 1950 que, a nível nacional imortalizaram Dalva de Oliveira, Ângela Maria e Emilinha Borba ou pelo fenômeno que se tornou Cauby Peixoto, Orlando Silva e Nelson Gonçalves.
“… O paradigma musical consolidado pelo rádio na primeira década do século 20 no Brasil trouxe a tona muitos nomes da musicalidade, tinha-se um entendimento de que a canção necessitava de ampla orquestra e grande potência vocal e, desse modo está inscrita no imaginário brasileiro”.³
³ NAVES, Santuza Cambraia. Canção popular no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. 2010.
Roque de Souza (Rádio Baré) e Fred, locutor esportivo (Rário Baré). Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
De acordo com as autoras Ierecê Barbosa Monteiro e Edilene Mafra, contam a história do rádio na capital do Amazonas:
“… Nos anos de 1920, o Amazonas amargava dias difíceis na economia. Após o fim do apogeu da borracha, a produção amazônica respondia por apenas 5% do consumo mundial de borracha. Mário de Andrade um dos lideres do movimento modernista brasileiro, em visita a Manaus no ano de 1927 afirmou que a capital amazonense de “virgem de luxo” estava se transformando em “mulher fecunda”, metáfora que ilustra a decadência da outrora Paris dos trópicos. Foi nesse cenário de estagnação econômica pós primeiro ciclo da borracha que antecederam as primeiras transmissões de rádio no Amazonas. Segundo a doutora em educação Ierecê Barbosa Monteiro, autora de o livro Favor Transmitir ao Destinatário: uma análise semiológica dos avisos de rádio no Amazonas, obra que se transformou em um clássico e faz parte das bibliografias básicas de várias disciplinas de cursos superiores, o rádio surge no Amazonas em 1927”. 4
A Professora Doutora Edilene Mafra acrescenta ainda que, diferentemente da maior parte do Brasil, onde surgiu como no Amazonas o rádio foi introduzido como veículo estatal.
“… A primeira emissora instalada no Amazonas, em abril de 1927 foi a voz de Manáos, que atendia aos interesses comerciais e políticos dos barões da borracha, transmitindo diariamente as cotações do látex no mercado internacional, a situação econômica do país anunciando a chegada e saída dos navios, os feitos do governo e notícias de interesse público. Tinha a prioridade semanal de três dias, entrava no ar nas segundas, quartas e sextas-feiras a noite de 21h às 22h. Afirma ainda, a professora Ierecê Barbosa que após este primeiro impulso de radiófilos aumentou consideravelmente, o que levou ao investimento de receptores de alta qualidade e sofisticação para época, todos importados. No entanto, impactado pela crise de 1929 que afetou a economia de todo planeta, a emissora pioneira sofreu vários cortes dos governantes e quebrou. Na sequência o Amazonas amargou um período de quase uma década sem rádio. Depois vieram a voz da Baricéa, em 1938, a Rádio Baré em 1939, a Rádio Difusora em 1948 e a Rádio Rio Mar em 1954″. 5
“… A Manaus dos primeiros tempos da Difusora era uma cidade de pouco mais de 100 mil habitantes, que almoçava em casa, fazia a sesta, passeava de bonde, lia jornal e ouvia rádio.
O rádio fazia parte da vida do povo, que formava dois times apaixonados e adversários, o da Difusora e o da Baré. A rivalidade entre as duas emissoras começou no dia da inauguração da Difusora. Em quanto Orlando Silva cantava no auditório da Rua Joaquim Sarmento n. 100, a Baré apresentava Jorge Veiga e Ademilde Fonseca no Cine Teatro Politheama.
Nesse clima de disputa, a difusora diversificava a sua programação de auditório. O Bonde da Alegria era a grande atração do carnaval de 49, com desfiles da escola de samba Tem Batucada no Morro e apresentação do valoroso Cast-S8, cantando os grandes sucessos carnavalescos do ano, Chiquita Bacana, Jacaré Paguá e Pedreiro Valdemar. O Programa tem gato na tuba, distribuía prêmios para o auditório, gongando sem piedade os calouros desafinados e revelando alguns dos muitos talentos que ajudaram a fazer a história do rádio no Amazonas. Semana a semana, as duas emissoras proporcionavam aos seus torcedores inesquecíveis espetáculos com os ídolos do rádio brasileiro. Em resposta ao aparecimento da Maloca dos Barés, a Difusora instalava a Festa da Mocidade. Os fãs de Dalva de Oliveira que torciam pela Difusora perdiam a oportunidade de vê-la cantar com o Trio de Ouro na Maloca dos Barés, porque se recusavam a pisar em território inimigo, motivando Josué a contratar a grande estrela para uma temporada exclusiva na Festa da Mocidade.
Os fanáticos torcedores invariavelmente se defrontavam em acirradas discussões, nas escolas, nos bares, nas calçadas da vizinhança, defendendo o som da sua emissora preferida. Mas, os índices de audiência da época diziam que a Difusora era mesmo a mais querida.
A magia do rádio incorporou o marketing dos patrocinadores à vida desta cidade, que por muito tempo falou no Juca, o louco da rua dos barés 150 e, cantarolou o jingle da Sapataria Salvador”. 6
6 GARCIA, Etelvina. Rádio Difusora 50 anos no coração do povo. Editora Norma Cor. Manaus, 1998.
No traçar desta evolução histórica do rádio e seus cantores, apresentadores, destacamos esse período rico desta fase do rádio no Amazonas. Foram muitos aqueles que escreveram seus nomes na história do nosso rádio, cuja contribuição singular e preciosa foi artífices deste período.
Todas as vezes que surge a oportunidade de se resgatar um pedaço da história especialmente quando trata-se de um assunto pouco explorado ganha o “BROADCASTING” valiosos argumentos de decisão na certeza de que embora fragmentos vale a pena publicar. Aliás, existem circunstâncias efetivamente interessante a ser mostrado.
Nomes como:
Maria de Lourdes – Rádio Baré, Roque de Souza – Rádio Baré, Belmiro Vianez – Locutor – Rádio Baré, Dantas de Mesquita – Locutor, Jayme Rebello – Locutor, Corrêa de Araújo – Locutor – Rádio Baré, Josaphat Pires – Locutor, Produtor – Rádio Ator – Rádio Baré, Sylvia Lene – Cantora, Neuza Inês – Cantora – Rádio Baré, Grace Moema – Cantora – Rádio Difusora, Tânia Regina – Rádio Atriz – Rádio Baré, Nice de Alcântara – Rádio – Atriz Rádio Baré, Carolina Lander – Rádio Atriz – Rádio Baré, Denizar Menezes – Locutor – Rádio Difusora, mais tarde foi da Rádio Globo, André Limonge – Locutor Rádio Difusora, Índio do Brasil – Locutor Rádio do Brasil, Ayrton Pinheiro Rádio – Ator – Rádio Baré, Maria Eneida – Cantora – Rádio Baré, Ray Fernandes – Cantora – Rádio Baré, Carmen Morais – Cantora – Rádio Baré, Ângelo Amorim – Cantor – Rádio Baré, Wilson Dantas – Cantor – Rádio Difusora, Clóvis Carvalho – Cantor – Rádio Difusora, Raymundo Sena – Cantor – Rádio Difusora, Tarub e Seu Joaquim – Humoristas – Rádio Baré, Jokeide Barbosa – Cantor – Rádio Baré, Sérgio Roberto – Cantor – Rádio Baré, Corrêa Lima – Cantor – Rádio Baré, Alfredo Fernandes – Diretor Artístico, Produtor e Radio Ator – Rádio Baré, Amélia Vitória – Pianista – Rádio Baré, Príncipes da Melodia – Conjunto Vocal – Rádio Baré, Ponce de Leão – Controle Rádio Baré, Raymundo Mendes – Controle – Rádio Baré, Waldison Gondin – Controle e Chefe – Rádio Baré, Hélio Trigueiro – Sanfoneiro – Rádio Baré, Tânea e Mara (Guiomar Cunha e Lúcia Maria) Vocalistas – Rádio Difusora, Reginaldo Xavier – Rádio Ator – Rádio Baré, Danilo Silva – Contrarregra e Rádio Baré, Chiquinho – Contrabaixo – Rádio Baré, Fred (Flaviano Limonge) Rádio Baré, Rômulo Gomes – Diretor Artístico, Produtor e Rádio Ator – Rádio Difusora, entrega de prêmios pelo doutor Coqueiro Mendes a Cantora Maria de Lourdes – Rádio Baré, Almir Silva – Cantor Rádio Baré, Jorge Araújo – Cantor – Radio – Baré, Conjuntos Vocais – Rádio Difusora, Rosângela Fuentes – Cantora e Rádio Atriz – Rádio Baré, Lélia de Souza – Cantora – Rádio Baré, Los Caribes – Rádio Baré, Marivá Neide – Cantora – Rádio – Difusora, Maria Medina – Violinista – Rádio Difusora, José Eduardo – Locutor – Rádio Difusora e Genésio Bentes – Rádio – Ator e Rádio Baré. 7
7 Tapiri Radiofônico. Gráfica do Jornal do Brasil. Rio de Janeiro: Junho de 1952.
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Pela primeira vez, os bois-bumbás de Parintins, Caprichoso e Garantido, participam do ‘Festival de São João da Thay‘, na cidade de São Luís, capital do Maranhão. O evento reúne grupos da cultura popular maranhense, nos dias 7 e 8 de junho, no Espaço Reserva, e tem o propósito de valorizar as raízes folclóricas da região. É neste cenário de celebração à cultura popular que o Touro Negro da Francesa e o Boi da Baixa do São José se apresentam na noite do dia 8 de junho, interagindo com Bumbá Meu Boi de Morros.
O secretário de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz, enfatiza a participação da cultura do Amazonas no festival que valoriza as tradições folclóricas e a diversidade. “Dar notoriedade aos bois de Parintins em palco nacional é de grande representatividade aos amazonenses, aos povos originários, aos nossos artistaso”, afirma o secretário.
“É o momento de mostrar o quão empolgante são os espetáculos dos bois e aproveitar para convidar o público de outros estados a conhecer o Festival de Parintins, nos dias 28, 29 e 30 de junho, promovido pelo Governo do Amazonas”, completa Apolo.
O evento, idealizado pela comunicadora Thay OG, chega à sua sexta edição, sendo a primeira com o formato de festival em dois dias de programação, e com a presença inédita dos bois de Parintins. “É uma honra ver que o São João da Thay será palco desse inédito grande encontro de histórias que se interligam. Nossas regiões são plurais, nossa cultura é rica. Nosso bumba meu boi com o boi-bumbá de Garantido e Caprichoso será, sem dúvida, um momento inesquecível.. Vai ser lindo!”, comemora Thay.
Popularmente conhecido por reunir música, manifestações culturais e dança, o São João da Thay também promove a solidariedade: lucro com a venda de ingressos é revertido às instituições sociais do Maranhão.
No palco maranhense, ao lado da cantora Fafá de Belém, os bois vão protagonizar seus espetáculos que encantam as galeras e ganham força no cenário nacional. Para dar nome ao Festival de Parintins, músicos e ritmistas, vão entoar os repertórios azulados e encarnados para apresentação dos itens oficiais.
Do lado do Caprichoso, Patrick Araujo (levantador), Marciele Albuquerque (cunhã-poranga), Marcela Marialva (porta-estandarte), Alexandre Azevedo (tripa). E do Garantido, estão confirmados David Assayag (levantador), Isabelle Nogueira (cunhã-poranga), Livia Christina (porta-estandarte) e Arnaldo Barbosa (tripa).
*Com informações da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas
Invasores desmataram uma área equivalente a 1,1 mil campos de futebol dentro da Terra Indígena Igarapé Lage, localizada entre Nova Mamoré (RO) e Guajará-Mirim (RO), na fronteira com a Bolívia. Um corredor de 20 km foi criado dentro da TI para escoar a madeira ilegal e facilitar o acesso à área invadida.
Uma operação foi realizada entre os dias 16 e 17 de maio para retirar os invasores do local. Polícia Federal, Exército Brasileiro, Fundação Nacional dos Povos Indígena (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) participaram da ação.
Dentro da Terra Indígena, foram encontrados diversos pontos de extração ilegal de madeira totalizando uma área de aproximadamente 840 hectares. Os invasores também construíram habitações no local.
Além de abrir um “corredor” de ponta a ponta na TI, foram construídas pontes para facilitar o trajeto até o interior da área. Uma dessas pontes já tinha sido destruída pela polícia em março de 2024, mas foi reconstruída. A estrutura possuía mais de 100 metros de extensão.
As estruturas ilegais encontradas dentro da TI foram destruídas e a madeira ilegal foi apreendida durante a Operação Retomada.
Com o objetivo de prevenir e mitigar os impactos das adversidades climáticas na bacia Amazônica, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) recebeu, no final da primeira quinzena de maio, o Estudo de Dragagem e das Passagens Críticas do Rio Tapajós.
O documento foi elaborado e entregue à Diretoria de Infraestrutura Aquaviária (DAQ) pela Associação dos Terminais Portuários e Estações de Transbordo de Cargas da Bacia Amazônica (AMPORT) em colaboração com a Universidade Federal do Pará (UFPA) .
O Rio Tapajós desempenha um papel vital na economia e na logística da Região Amazônica, sendo um dos principais afluentes do Rio Amazonas. Suas águas servem como via de transporte crucial para o escoamento de produtos e mercadorias, conectando áreas remotas da Amazônia ao restante do país.
O Porto de Miritituba, situado às margens do Rio Tapajós, é um dos principais terminais portuários da região. A localização estratégica o torna um ponto de convergência para o transporte de grãos, minérios e outros produtos da Região Centro-Oeste do Brasil. Além disso, o porto serve como elo fundamental entre a produção agrícola do país e os mercados globais, contribuindo significativamente para a economia nacional.
O estudo representa um avanço importante na compreensão e na gestão dos desafios enfrentados pela logística na Amazônia, especialmente durante períodos de estiagem. Ao analisar as passagens críticas do Rio Tapajós e propor medidas de dragagem, o documento oferece subsídios para a tomada de decisões relacionadas a investimentos em infraestrutura que visam garantir a continuidade e a eficiência do transporte fluvial na região.
O professor Paulo Pacheco Júnior, do curso de engenharia florestal da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) foi o vencedor do Prêmio Fotografia – Ciência e Arte. O resultado foi divulgado no dia 23 de maio pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
O pesquisador fez o registro de uma colônia de formigas na Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú, zona rural de Macapá no dia 10 de outubro de 2021. O título da fotografia foi ‘O início de um império no coração da Floresta Amazônica’.
Ele ficou em primeiro lugar na categoria ‘Imagens produzidas por câmeras fotográficas: ambiente natural e antrópico’. Pacheco Júnior concorreu com 432 pesquisadores de todo o país.
Foto: Leiliana Rocha/Ueap
“Ganhar este prêmio é como ver o trabalho de uma vida ganhar asas e voar! Desde criança, sempre amei imagens de animais. Acho que foi isso que me levou para a biologia. Ficava deslumbrado com as imagens de fotógrafos famosos e isso inspirou minha carreira”, descreveu o pesquisador.
O pesquisador dissecou as domácias de plântulas, revelando a estrutura interna e a composição da colônia. Ele explicou que a estrutura colonial dessas formigas é a colônia fundada por uma única rainha.
Na fotografia, além da rainha, podem ser vistas três operárias, três pupas, 14 larvas, cerca de nove ovos e duas cochonilhas do gênero Catenococcus.
A imagem também revela a rainha e uma operária cuidando de um ovo recém-depositado, exemplificando o comportamento cooperativo entre os insetos.
Ele descreveu que o prêmio é fundamental para dar visibilidade ao trabalho dos pesquisadores.
“Essa visibilidade inspira futuras gerações e fortalece a conexão entre ciência e sociedade. A pesquisa vai além dos gráficos e números – ela é cheia de histórias visuais que cativam e educam o público”, disse Paulo Junior.
Prêmio Fotografia – Ciência e Arte
A 13ª edição do Prêmio de Fotografia – Ciência e Arte recebeu 432 inscrições e premiou seis trabalhos nas categorias: Imagens produzidas por câmeras fotográficas e imagens produzidas por instrumentos especiais (como microscópios e telescópios).
Os critérios de avaliação incluíram impacto visual, originalidade, técnica, relevância para a pesquisa e contribuição para a divulgação científica.
O prêmio foi lançado em 2011 e incentiva a divulgação científica no Brasil.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) fez uma série de anúncios no dia dia 22 de maio, data em que se comemora o Dia Internacional da Biodiversidade. Junto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a pasta divulgou o resultado do edital Restaura Amazônia, que selecionou três entidades para projetos de restauração da floresta, com recursos de R$ 450 milhões do Fundo Amazônia.
“Estamos vivendo a década da restauração dos ecossistemas. Nunca houve uma necessidade tão grande de restaurar ecossistemas degradados como agora. O nosso desafio é enorme. E só teremos sucesso se formos capazes de unir todos os esforços, o setor público, o setor privado, a sociedade civil, a comunidade científica”, Marina Silva Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
As entidades selecionadas foram o Instituto Brasileiro de Administração Municipal (Ibam), que vai atuar nos estados do Acre, Amazonas e Rondônia; Fundação Brasileiro Para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), que atuará no Tocantins e em Mato Grosso; e Conservação Internacional (CI/Brasil), que trabalhará no Pará e no Maranhão.
Com o resultado, essas três entidades passam a ser parceiras gestoras do BNDES na execução, seguindo as orientações do Banco e do MMA no suporte para seleção dos projetos nos territórios. Entre as atribuições do parceiro, estão: contratar os executores selecionados nos territórios (os parceiros não executam) e acompanhar a prestação de contas da execução dos projetos, incluindo visitas presenciais aos territórios.
Serão apoiados projetos de restauração ecológica voltados a Unidades de Conservação, Terras Indígenas e territórios de povos e comunidades tradicionais, áreas públicas não destinadas e Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (RL) de assentamentos ou pequenas propriedades (até 4 módulos fiscais).
“Estamos vivendo a década da restauração dos ecossistemas. Nunca houve uma necessidade tão grande de restaurar ecossistemas degradados como agora. O nosso desafio é enorme. E só teremos sucesso se formos capazes de unir todos os esforços, o setor público, o setor privado, a sociedade civil, a comunidade científica”, destacou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.
A ministra afirmou ainda que a pasta tem trabalhado para garantir a redução do desmatamento, recuperação de áreas degradadas e criação de incentivos econômicos para a conservação e restauração.
“Estamos focados em políticas públicas para o setor de recuperação da vegetação nativa, estabelecendo arranjos de implementação associados à construção de uma economia de recuperação da vegetação nativa que concilia meio ambiente, desenvolvimento socioeconômico e a questão relevante ao plano de recuperação de vegetação em fase final de atualização”, disse.
Arco da restauração
No total, estão previstos investimentos de aproximadamente R$ 200 bilhões nas próximas décadas. Na primeira fase do Arco da Restauração na Amazônia, os recursos do Fundo Clima irão se somar a outras fontes de apoio para investimentos de até R$ 51 bilhões. “Nós vamos começar sozinhos, mas precisaremos de apoio internacional”, disse o presidente Mercadante.
A iniciativa Restaura Amazônia é voltada para o financiamento não reembolsável de atividades de restauração ecológica com espécies nativas e/ou sistemas agroflorestais (SAFs). No total, estão previstos investimentos de aproximadamente R$ 200 bilhões nas próximas décadas. Na primeira fase do Arco da Restauração na Amazônia, os recursos do Fundo Clima irão se somar a outras fontes de apoio para investimentos de até R$ 51 bilhões.
O objetivo é restaurar 6 milhões de hectares de áreas prioritárias e capturar 1,65 bilhão de toneladas de carbono da atmosfera até 2030. Já a segunda etapa prevê investimentos de até R$ 153 bilhões, com participação de recursos do Fundo Clima para restaurar outros 18 milhões de hectares até 2050. A previsão é de que o Arco da Restauração poderá gerar até 10 milhões de empregos na Amazônia.
“O desafio não é só reduzir emissões, nós temos que começar a capturar carbono. A única garantia que temos de capturar carbono com a escala que a urgência climática exige é com restauro florestal. Além da captura de carbono, vamos preservar a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos, gerar emprego e renda e construir uma barreira de contenção do avanço do desmatamento”, disse a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.
Turismo sustentável
Durante a cerimônia, foi assinado contrato para prestação dos serviços de apoio à visitação no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso.
Elaborado pelo BNDES, dentro da carteira de estruturação de projetos do Banco, o projeto tem a previsão de investimentos da ordem de R$ 18 milhões em infraestrutura e mais de R$ 200 milhões em operação, além da geração de emprego e renda para a população envolvida.
“Enfrentamos diversos obstáculos, mas é com muita alegria que anunciamos que a ParqueTur é a instituição que ganhou”, disse Mauro Pires, presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
RPPN
Um dos anúncios feitos durante a cerimônia na última quarta 22 de maio, foi a criação de mais quatro Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN). A medida foi publicada hoje no Diário Oficial da União.
“Todos os estudos apontam que as áreas protegidas, que as unidades de conservação, são a melhor estratégia para conservação, a melhor estratégia para reduzir o desmatamento”, destacou Pires.
As RPPN são unidades de conservação (UC) de domínio privado, gravadas com perpetuidade na matrícula do imóvel, com o objetivo de conservar a diversidade biológica. Os locais contribuem para a ampliação das áreas protegidas no país, apresentam índices altamente positivos para a conservação, principalmente se considerada a relação custo e benefício, são facilmente criadas em relação às outras categorias de UC, possibilitam a participação da iniciativa privada no esforço nacional de conservação e contribuem para a proteção da biodiversidade dos biomas brasileiros.
Inventário florestal
Às vésperas do Dia Internacional da Biodiversidade, houve ainda o lançamento dos dados abertos do Inventário Florestal Nacional (IFN). A iniciativa foi promovida pelo MMA e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB). A disponibilização 100% digital dos dados visa facilitar o acesso da sociedade às informações, considerando que quase 60% do território nacional é coberto por florestas, contribuindo significativamente para a biodiversidade do país.
Os dados estarão disponíveis no Sistema Nacional de Informações Florestais (SNIF) por meio de painéis interativos e de planilhas digitais. O Inventário Florestal Nacional também inclui informações sobre as comunidades que vivem nas proximidades das florestas.
Cooperação técnica
O Ministério do Meio Ambiente firmou também acordo de cooperação técnica com o Conselho Nacional de Justiça e com o Operador Nacional do Sistema de Registro Eletrônico de Imóveis (ONR), para dar acesso a informações sobre os imóveis situados em áreas rurais dos municípios mais afetados pelo desmatamento na Amazônia Legal, como documentos e dados espaciais dos registros públicos. Isso vai facilitar ações de prevenção, monitoramento, controle e redução de desmatamentos e degradação florestal na região.
O acordo, com vigência de 24 meses, envolve ações conjuntas para acessar e estruturar informações relevantes dos registros de imóveis. O foco é detectar a regularidade ou não dos dados de imóveis em municípios prioritários, por meio de digitação, digitalização, sistematização e estruturação de um repositório com as informações dos registros cartoriais. As informações servirão de base para elaboração de políticas de enfrentamento ao desmatamento e à degradação florestal.
Fundo Amazônia
Criado em 2008, o Fundo já apoiou 106 projetos, em um investimento total de R$ 1,8 bilhão. As ações apoiadas, segundo avaliações de efetividade do Fundo, já beneficiaram aproximadamente 241 mil pessoas com atividades produtivas sustentáveis, além de 101 Terras Indígenas na Amazônia e 196 unidades de conservação.
*Com informações Secretaria de Comunicação Socialda Presidência da República
No meio do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, no Centro de Manaus (AM), é possível encontrar adereços, cestas com traços indígenas, joias e artesanato local. São produtos únicos e personalizados.
Eles fazem parte de uma cadeia produtiva que transforma a rotina de quem colhe a matéria-prima, de quem produz o artesanato e também de quem vende os produtos.
A empreendedora Débora Cruz trabalha no meio do Adolpho Lisboa. Ela vende e também confecciona cordões e pulseiras com sementes de açaí. Juntando peça por peça ela compara a produção de uma pulseira, com a colaboração de cada segmento necessário para sua loja. É que com os pequenos negócios, cada etapa de produção impacta.
“Tenho uma rede de colaboradores. Alguns itens vêm do município de São Gabriel da Cachoeira, Parque das Tribos, a maior parte de povos indígenas. São mais de dez etnias”, explicou Débora.
Trabalhos interligados
O trabalho que a empreendedora Débora faz no Mercado Municipal mudou a vida de Leidmar Pereira, na Zona Leste de Manaus. Ela saiu da comunidade indígena em que vivia, no Alto Solimões e hoje com a venda de produtos por encomenda, sustenta a família.
São histórias diferentes que estão interligadas por um mesmo produto.
“Eu vim para Manaus para melhorar a minha vida, da minha família, pra ajudar minha mãe. Tô aqui pra fazer artesanato e mudar minha história”, contou Leidmar.
Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Impactos
Os pequenos negócios correspondem a 95% dos empreendimentos formais no Brasil. No Amazonas são cerca de 163 mil microempreendedores individuais.
Para a economista Michele Aracaty, são oportunidades que geram independência.
“Esses pequenos empreendimentos contribuem para fomentar a geração de emprego e renda local. Além de reduzir a dependência dessas comunidades de recursos externos”, explica.
Até os grafismos tradicionais indígenas, ensinados desde os primeiros anos nas comunidades, podem ser usados no empreendedorismo. O Amadeu Apurinã faz parte de um coletivo que é capacitado a fazer grafismo corporal.
Ele entrega em cada venda, um pouco de tradição e significados indígenas.
“São indígenas que buscaram saber sua linhagem e hoje sabem como representar seu povo através de suas vendas”, frisou.
A aplicação da dose adequada de ozônio (O3) é uma alternativa eficaz para a conservação de bananas no pós-colheita, que reduz a contaminação provocada por microrganismos e pode aumentar o potencial antioxidante dos frutos, produzindo agentes de defesa contra os radicais livres.
Foi o que constatou um estudo desenvolvido com o apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) – via Programa de Infraestrutura para Jovens Pesquisadores – Programa Primeiros Projetos (PPP).
A coordenadora da pesquisa, doutora em Fisiologia Vegetal e professora na Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Aline Ellen Duarte de Sousa, destaca que a plantação de banana está entre as principais atividades agrícolas do Amazonas, porém grande parte do fruto colhido é perdido e ocorre, principalmente, em decorrência do manuseio inadequado após a colheita e de ferimentos associados ao amadurecimento das bananas, que favorecem o desenvolvimento de doenças pós-colheita, como a antracnose (doença provocada por organismos patogênicos e fitopatogênicos).
De acordo com a pesquisadora, durante o processo de testes, foi possível observar a redução da antracnose, a partir da concentração de 1,5 mg/L de ozônio na forma gasosa, com efeito comparável ao do fungicida comercial. Além disso, a produção de compostos bioativos poderá ser desencadeada com a aplicação do ozônio, enriquecendo nutricionalmente os frutos de banana e trazendo benefícios à saúde dos consumidores que buscam por alimentos nutritivos e seguros.
Os testes constataram que o ozônio aumentou o tempo de prateleira das bananas de 7 para 14 dias, em temperatura ambiente, dois dias a mais do tempo superior ao fungicida comercial, que é de 7 para 12 dias.
“Os resultados mostraram que o ozônio é eficiente em reduzir a antracnose podendo ser comparado ao fungicida comercial, sem alterar a qualidade das variedades de banana, um dos frutos mais consumidos no estado, além de ser uma alternativa ecologicamente segura para substituição dos agrotóxicos no pós-colheita de frutas”,
acrescentou a pesquisadora.
Foto: Nathalie Brasil/Secom AM
Dessa forma, o avanço do conhecimento sobre as aplicações do ozônio contribuirá para o desenvolvimento de tecnologia moderna para o controle de Doenças Transmitidas por Alimentos (DTAs) e podridões da fruta no pós-colheita, com a vantagem de não deixar resíduos químicos sintéticos, além de melhorar a qualidade e estender a vida útil das variedades de bananas, inovando o processo produtivo dessas frutas no Amazonas, como disse a coordenadora.
Aline Ellen ressalta que um possível impacto negativo inicialmente será o aumento do custo para obter o ozonizador, pois se trata de uma tecnologia mais cara do que o uso do cloro, contudo os benefícios trazidos e o aumento da confiança no produto por parte dos consumidores deverão suplantar o problema.
A coordenadora defende que os estudos efetuados na pesquisa poderão apontar para a inovação tecnológica, pois estão imbuídos das principais diretrizes e tendências para a comercialização e consumo seguro de frutas. Segundo ela, alguns produtores contatados demonstraram interesse na tecnologia, devido ao potencial inovador do uso do ozônio, uma vez que as soluções sanitizantes, atualmente mais empregadas à base de cloro, não vêm satisfazendo as exigências de eficácia e são passíveis de serem legalmente proibidas no futuro, devido aos resíduos tóxicos carcinogênicos, ou potencialmente carcinogênicos.
Os produtores devem adquirir um ozonizador adequado a sua necessidade, de acordo com sua estrutura de armazenamento, que é baseado na quantidade de frutos colhidos.
“O ozônio vem sendo usado cada vez mais em diversas áreas, assim, hoje, é possível adquirir com facilidade e com valor acessível ozonizadores de diferentes tipos e tamanhos, sendo possível até para uso doméstico”,
frisou a pesquisadora.
Mais resultados
O estudo também resultou em uma dissertação de mestrado no Programa de Pós-Graduação em Agronomia Tropical (PPGATR/Ufam), com resultados já divulgados em artigo científico, além do treinamento de pelo menos um estudante de iniciação científica, o que irá refletir na formação de profissionais treinados e capacitados para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas à pós-colheita de frutas, a serem aplicadas no desenvolvimento científico e tecnológico regional.
Foto: Aline Ellen/Secom AM
A pesquisa é continuação de estudos anteriores com o mamão, no qual o ozônio também reduziu a severidade da antracnose tornando-se efetivo tanto quanto o fungicida comercial. O ozônio aumentou em sete dias a vida útil e manteve a qualidade pós-colheita dos frutos de mamão.
O auditório do Parque Estadual do Utinga ‘Camillo Vianna’ em Belém (PA) foi palco, no dia 22 de maio, do lançamento do livro ‘Árvores, Arbustos, Cipós e Palmeiras do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas’.
A obra é fruto do trabalho de sete pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), da Embrapa Amazônia Oriental e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.
“Com a contribuição de renomados pesquisadores, a obra promete ser uma fonte valiosa de informações para estudiosos, ambientalistas e apaixonados pela natureza, reafirmando a importância da conservação dos ecossistemas naturais para as futuras gerações”, enfatizou o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, o qual afirmou que a obra literária representa um marco na divulgação e no conhecimento da biodiversidade da região paraense.
Foto: Divulgação/Agência Pará
O livro se debruça sobre a vasta biodiversidade do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas, uma Unidade de Conservação (UC) de Proteção Integral localizada no município de São Geraldo do Araguaia, na região sudeste paraense. Criado em 1996, o local abrange uma área de 24.897 hectares. O local tem despertado o interesse de pesquisadores de diversas instituições devido à sua rica biodiversidade e importância histórica.
A região, que já foi ocupada por populações ameríndias, guarda vestígios arqueológicos e paisagens que encantam. Desde a década de 1980, equipes de instituições como Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e da Universidade Federal do Pará (UFPA), têm se dedicado a estudar a flora e fauna do Parque e da Área de Proteção Ambiental (APA) Araguaia, revelando a complexidade e a importância desses ecossistemas para a ciência e a preservação ambiental.
Foto: Vinícius Leal/Ascom Ideflor-Bio
Com um clima caracterizado por precipitação média anual de 1.500 milímetros e temperaturas amenas, a região do Parque apresenta uma vegetação diversificada, que se encontra em uma zona de transição entre os biomas Cerrado e Amazônia. A topografia variada, que vai de planícies de inundação a serras, influencia diretamente na distribuição das espécies arbóreas, resultando em paisagens únicas e habitats diversos.
Além da riqueza botânica, o livro também aborda as atividades econômicas da região, como a pecuária extensiva, a agricultura e o extrativismo de produtos florestais não madeireiros. Essas práticas, por vezes, impactam negativamente a vegetação local, tornando ainda mais importante o estudo e a preservação das espécies presentes no Parque Estadual da Serra dos Martírios-Andorinhas.
Referência – Para o pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental, Sebastião Júnior, há uma diversidade muito grande de trabalhos que vêm sendo desenvolvidos e não podem ficar de fora, como por exemplo, relacionados à biodiversidade.
“Atualmente, há uma vertente que trabalha muito isso, com bioculturalidade, que é a simbologia das plantas. Além disso, é importante frisar que o movimento que possibilitou o lançamento desse livro, também faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especificamente o de número 17, que trata sobre parcerias e meios de implementação, até porque na Amazônia, sem parceria, você não consegue fazer pesquisa científica”, destacou.
Durante o lançamento do livro, os autores destacaram a importância da conservação dessas áreas e o papel fundamental da pesquisa científica na preservação da biodiversidade. O diretor de Gestão da Biodiversidade, Crisomar Lobato, que também contribuiu para a efetividade do exemplar, disse que a obra literária é uma contribuição significativa para o conhecimento sobre a flora do sudeste paraense e uma ferramenta essencial para gestores e conservacionistas.
A gerente da Região Administrativa do Araguaia, Laís Mercedes, ressaltou a coincidência da data de lançamento do livro, com o dia em que se celebra a biodiversidade.
Foto: Vinícius Leal – Ascom-Ideflor-Bio.
“Para nós é uma felicidade receber essa obra literária que aborda a rica flora do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas. Ele irá nos nortear e identificar as espécies já existentes da nossa rica biodiversidade, o que por si só é algo de grande importância”, frisou.