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Estudo comprova efeito neuroprotetor do açaí em cérebros adolescentes

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Foto: Miguel Monteiro/ Instituto Mamirauá

Euterpe oleracea, popularmente conhecida como açaí, é uma fruta amazônica amplamente consumida pelas populações locais do estado do Pará. Em razão do seu alto teor de compostos bioativos, o açaí tem ganhado atenção nacional e internacional como alimento funcional e nutracêutico.

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Isso porque a ciência tem comprovado diversas das propriedades tradicionalmente relatadas pelos povos da Amazônia: o açaí possui atividade anti-inflamatória, antioxidante, anticancerígena, cardioprotetora e neuroprotetora. 

Esses benefícios estão diretamente ligados aos compostos fenólicos presentes na fruta, especialmente as antocianinas (cianina-3-glucosídeo e cianidina-3-rutinosídeo), responsáveis pela cor roxa do açaí.

Leia também: Pesquisa indica informações técnicas e econômicas sobre o cultivo do açaí no Amazonas

Estudo comprova efeito neuroprotetor do açaí em cérebros adolescentes
Foto: Alexandre Ruiz/Envato

Nas comunidades ribeirinhas, o consumo de açaí é comumente praticado desde os primeiros anos de vida e é associado a uma sensação de ‘relaxamento’.

A curiosidade sobre esse efeito amplamente conhecido pela população local deu luz a uma parceria científica que tem mostrado como o fruto pode atuar como um importante neuroprotetor, com ação contra ansiedade e depressão em adolescentes.

Da Bélgica ao Pará

Esse fruto tão saboroso e único encantou o professor Hervé Rogez, um cientista belga que reside há 32 anos no Pará. Atualmente, ele coordena o Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA), na Universidade Federal do Pará (UFPA). Motivado a conhecer melhor as propriedades do açaí, o professor Hervé e seus alunos percorrem as áreas de várzea das ilhas ribeirinhas que cercam Belém (PA) para coletar frutos de açaí.

A ideia era tentar entender se essa sensação de relaxamento estaria também ligada aos compostos fenólicos do fruto. Ele então me procurou, por minha expertise em avaliação neurocomportamental associada ao uso de substâncias psicoativas, como coordenadora da área de comportamento do Laboratório de Farmacologia da Inflamação e do Comportamento (LAFICO).

Imagem colorida mostra açaí brotando em árvora
Estudo comprova efeito neuroprotetor do açaí em cérebros adolescentes. Foto: Divulgação/ Idam

Leia também: Pesquisadores da UFPA indicam que o açaí pode proteger a retina de diabéticos

O professor Hervé liderou o desenvolvimento do suco de açaí clarificado, um produto biotecnológico obtido através da centrifugação e microfiltração da polpa do açaí, representando uma fração aquosa, rica em polifenóis e sem fibras, proteínas, carboidratos e lipídios. Desta forma, qualquer resultado apontado em pesquisa pode ser associado aos compostos fenólicos, e não aos demais constituintes do açaí.

E esse suco de açaí clarificado foi então avaliado num projeto liderado pela doutoranda Taiana Simas, orientada pelo professor Hervé e por mim e que também assina esse texto, como um possível fator neuroprotetor contra ansiedade e depressão.

A pesquisa

A adolescência é marcada por um período de vasta maturação cerebral, onde se tem o refinamento das sinapses, intensa remodelação estrutural e funcional, reorganização de circuitos neurais e elevada plasticidade sináptica. Por conta disso, o cérebro adolescente tem maior sensibilidade a fatores ambientais e estressores — como, por exemplo, o uso de drogas ou álcool.

Por isso, nos interessava investigar como esse suco de açaí clarificado poderia proteger cérebros adolescentes em desenvolvimento. E, como em todas as pesquisas científicas dessa natureza, começamos com os testes preliminares. Investigamos, assim, a ação do suco em ratos do sexo masculino, com idades equivalentes ao início da adolescência humana (aproximadamente 10-18 anos).

Um estudo anterior do professor Hervé constatou que as comunidades do entorno de Belém consomem por volta de 500mL de açaí por dia e que o teor de antocianinas na polpa do açaí está em torno de 865mg/L. Para mimetizar o consumo da população ribeirinha da Amazônia, calculamos a dose para os animais: 5,85mL de suco clarificado de açaí.

Estudo comprova efeito neuroprotetor do açaí em cérebros adolescentes; Foto: Reprodução/Acervo/Rede Amazônica AP

Leia também: Minidocumentário mostra como o açaí se tornou identidade de ribeirinhos no Pará

Os ratos recebiam o suco através de pequenos bebedouros posicionados nas gaiolas, e podiam tomar livremente o açaí clarificado durante um período de 12 horas por dia, entre 18h e 6h.

Após 10 dias de ingestão do suco de açaí clarificado, os animais foram submetidos a uma bateria de testes comportamentais a fim de investigar os comportamentos do tipo ansioso, depressivo, além de efeitos sobre a cognição.

Foram realizados os seguintes testes nos animais:

  • Teste do campo aberto: os animais são colocados numa arena de livre locomoção. Em geral, animais apresentam uma clara aversão ao centro do equipamento, visto que as paredes são consideradas locais seguros para os ratos. Assim, foram avaliados o quanto os animais deambularam nos espaços do aparato, e o aumento de locomoção na área central reflete um comportamento menos ansiogênico do animal.
  • Teste do labirinto em cruz elevado: tem-se um aparato em formato de cruz, com duas extremidades opostas fechada e duas opostas abertas, em que se avalia a emocionalidade relacionada a um comportamento ansioso do animal, analisando o conflito entre a tendência natural de roedores de explorar novos ambientes e a aversão às áreas abertas. É considerado um teste padrão-ouro para esse tipo de comportamento.
  • Teste do labirinto em Y: num equipamento constituído por três braços idênticos, um dos braços é fechado durante a fase de treinamento e posteriormente aberto para investigação. Com isso, analisa-se o índice de novidade versus familiaridade do animal, que está relacionado à capacidade do animal de reconhecer um espaço anteriormente já visitado, e assim, é considerado um teste para avaliação de memória.
  • Teste do nado forçado: em um cilindro com água à profundidade de 40cm, avalia-se o tempo de imobilidade do animal. Esse teste é utilizado como um indicador do comportamento do tipo depressivo.

O estudo mostrou que a introdução do suco clarificado do açaí na rotina alimentar dos animais não promoveu nenhuma alteração em sua locomoção. Por outro lado, induziu um comportamento ansiolítico, demonstrado pela maior exploração da área central do campo aberto pelos animais que consumiram o açaí.

O efeito de redução do comportamento do tipo ansioso foi confirmado pelo teste do labirinto em cruz elevado, cujos resultados mostraram aumento da porcentagem de entrada e tempo nos braços abertos, além da diminuição do índice de ansiedade e da porcentagem de tempo no braço fechado, indicando um comportamento ansiolítico nos animais que consumiram a bebida.

Diminuição de estresse oxidativo

Outro importante resultado comportamental foi o efeito do tipo antidepressivo, observado através da diminuição do tempo de imobilidade no teste do nado e aumento do tempo de escalada dos animais que consumiram o suco clarificado.

O estudo também realizou a avaliação de possíveis benefícios na diminuição do estresse oxidativo ocasionados pela suplementação da bebida clarificada. O açaí exibiu uma resposta antioxidante através do aumento da glutationa peroxidase (uma enzima antioxidante que protege as células contra o estresse oxidativo) no córtex pré-frontal, que é uma área cerebral importante para a emocionalidade e tomada de decisão.

O aumento da glutationa peroxidase significa o menor acúmulo de espécies reativas de oxigênio, menor dano oxidativo a lipídios, proteínas e DNA, além de maior proteção celular e manutenção da função neuronal.

Leia também: Conheça o processo de produção do açaí até ficar pronto para consumo

Da floresta ao mercado: desafios e oportunidades para os sistemas produtivos locais na Amazônia
Estudo comprova efeito neuroprotetor do açaí em cérebros adolescentes. Foto: Reprodução/ Unicamp

Em outra região importante do Sistema Nervoso Central para os comportamentos emocionais — a amígdala —, o açaí apresentou uma redução do dano oxidativo, que parece ter contribuído para os efeitos comportamentais observados.

Na região do hipocampo, outra importante região encefálica para o comportamento, o açaí aumentou a atividade enzimática da catalase, o que reforça a regulação das defesas antioxidantes centrais.

O estudo, portanto, demonstrou que, por ser rica em antocianinas, a suplementação de açaí clarificado atua modulando a capacidade neuroprotetora, promovendo efeitos do tipo ansiolítico e antidepressivo em animais adolescentes, ou seja, em fase de neurodesenvolvimento.

Claro que o estudo possui limitações: ainda estamos na fase dos testes em animais e precisamos de mais pesquisas para elucidarmos completamente as vias relacionadas aos efeitos ansiolíticos e antidepressivos do açaí. Mas nossos resultados se mostram promissores rumo a mais uma comprovação científica de benefícios do açaí há tempos conhecidos das comunidades ribeirinhas.


*Este artigo é fruto de uma nova parceria do The Conversation Brasil com o Amazônia Vox

Autores

  1. Cristiane do Socorro Ferraz Maia– Professora Titular do Instituto de Ciências da Saúde, Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Pará (UFPA)
  2. Eneas de Andrade Fontes Junior– Professor Associado II do Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Federal do Pará (UFPA)
  3. Hervé Rogez – Professor titular, Universidade Federal do Pará (UFPA)
  4. Jofre Jacob da Silva Freitas – Professor titular de Histologia, Universidade do Estado do Pará (UEPA)
  5. Marta Eduarda Oliveira Barbosa – Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas, Universidade Federal do Pará (UFPA)
  6. Taiana Cristina Vilhena Carvalheiro-Simas – Doutoranda em Farmacologia e Bioquímica, Universidade Federal do Pará (UFPA)

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation sob a licença Creative Commons, com a colaboração de seis pesquisadores. Leia o original AQUI.

The Conversation

Música, poesia e sons da Amazônia aproximam estudantes da criação artística em Manacapuru

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Foto: Pedro Carrilho

A cidade de Manacapuru (AM) recebeu mais uma etapa do ‘Amazônia das Palavras – Quarta Edição’, projeto que percorre municípios do interior do Amazonas promovendo oficinas literárias, atividades culturais e ações de incentivo à leitura e à arte em escolas públicas. A programação aconteceu na Escola Estadual José Seffair, reunindo estudantes, educadores e comunidade escolar em torno da literatura, da música e da formação humana.

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Conhecida como a “Princesinha do Solimões”, Manacapuru é um dos municípios mais populosos do Amazonas, com cerca de 100 mil habitantes. Localizada às margens do Rio Solimões e ligada a Manaus pela Rodovia Manuel Urbano, a cidade carrega forte tradição cultural, marcada especialmente pelo Festival de Cirandas, além da relação cotidiana com os rios, a floresta e os sons característicos da vida amazônica.

Durante a programação do projeto, estudantes participaram de oficinas de produção literária, slam, cinema, animação, moda, música e outras linguagens artísticas. Entre elas, ganhou destaque a oficina “Música e Literatura”, conduzida pelo compositor, cantador e educador Thiago Thiago de Mello.

A arte como descoberta

Criado no interior da Amazônia, na cidade de Barreirinha, Thiago desenvolve projetos artísticos e pedagógicos guiados pela relação entre palavra, memória, música e território amazônico. Em sua oficina, os estudantes foram convidados a criar composições a partir de sons da natureza, objetos do cotidiano e experiências vividas na própria região.

A proposta partiu da ideia de que a arte pode funcionar como instrumento de descoberta pessoal e expressão criativa.

“Quando a gente fala sobre educação, a origem da palavra remete a ‘tirar de dentro’. Não é colocar algo de fora, mas fazer com que os alunos percebam aquilo que já existe neles”, afirma o oficineiro.

Música, poesia e sons da Amazônia aproximam estudantes da criação artística em Manacapuru
Foto: Divulgação

Segundo ele, o principal objetivo da atividade foi despertar nos estudantes o sentimento de autoria e pertencimento artístico. “Muita gente pergunta quais autores eu trabalho nas oficinas. E eu sempre respondo: se eu conseguir, não vou trabalhar com nenhum, porque os autores e autoras estão sentados na minha frente. São os próprios alunos”, destaca.

Leia também: Amazônia das Palavras: quarta edição realiza programação cultural e educativa em Coari

Ao longo da oficina, os participantes utilizaram sons produzidos por objetos simples, referências da natureza amazônica e memórias auditivas do cotidiano para construir narrativas musicais e poéticas.

Para Thiago, a arte também ocupa um papel importante na formação emocional e humana dos estudantes. “A escola é um lugar de aprendizagem em muitas áreas, mas também precisa ser um espaço para falar da importância da arte, da poesia e da música como formas de expressão e transformação”, completa.

Música como forma de expressão

Entre os estudantes, a oficina despertou identificação imediata com a música e com o processo criativo. A aluna Isabel Miranda Conceição destacou o envolvimento da turma durante as atividades. “Estou aprendendo coisas novas sobre música e sobre composição. O professor é muito intuitivo, diverte a gente e faz com que a gente participe mais. A música ajuda muito a expressar aquilo que às vezes a gente não consegue falar”, relata.

A estudante também comentou sobre a relação afetiva que possui com a música no cotidiano. “Eu gosto muito das letras, das melodias, dos poemas. Muitas vezes a música fala por mim”, afirma.

Representando a direção da Escola Estadual José Seffair, a professora e pedagoga Sandra Mara Acioles destacou o impacto da programação dentro do ambiente escolar e a importância do acesso dos estudantes a diferentes experiências culturais.

“Projetos como o Amazônia das Palavras ampliam o olhar dos estudantes e mostram que a educação também acontece através da arte, da música e da literatura. É uma oportunidade de despertar talentos, fortalecer a criatividade e incentivar os alunos a enxergarem novas possibilidades para o próprio futuro”, afirma, em nome da diretora da escola, Meiriane Ferreira Vieira.

Além das oficinas realizadas ao longo do dia, o projeto promoveu programação cultural gratuita aberta ao público durante a noite, com apresentações artísticas, exibição audiovisual, homenagens literárias e espetáculo circense com o Palhaço Xuxu.

Foto: Divulgação

Percurso segue pelo Amazonas

Após a passagem por Manacapuru, o Amazônia das Palavras segue para os municípios de Iranduba e Manaus, mantendo a proposta de levar literatura, arte e formação cultural a diferentes regiões do estado.

O Amazônia das Palavras – Quarta Edição é patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; apoio da Cigás; promoção da Fundação Rede Amazônica. Realização da Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Startup de Rondônia é habilitada pelo Ministério da Saúde para integrar o Laboratório InovaSUS Digital

Foto: Divulgação/UNIR

A startup Ecotech Amazônia, criada na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), foi recentemente habilitada pelo Ministério da Saúde (MS) para integrar o Laboratório InovaSUS Digital. Com o resultado final da seleção de parceiros digitais divulgado no fim de abril (acesse aqui), a iniciativa reforça o protagonismo da Amazônia no desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

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A startup Ecotech Amazônia foi selecionada por meio de um chamamento público coordenado pela Secretaria de Informação e Saúde Digital do MS, passando a compor um banco estratégico de instituições aptas a desenvolverem projetos voltados ao SUS Digital e ao programa Agora Tem Especialistas.

Inovação desenvolvida a partir da realidade amazônica

Um dos principais diferenciais da startup está justamente na forma como enfrentou desafios reais da vigilância em saúde. A principal solução apresentada, a plataforma EGGSCAN-AI, voltada ao monitoramento do Aedes aegypti, surgiu a partir de um problema prático: a baixa qualidade das amostras de palhetas das ovitrampas coletadas em campo.

Coletadas em ambiente externo, as amostras frequentemente apresentam sujeira, presença de outros insetos e variações que dificultam a identificação dos ovos do mosquito, que são extremamente pequenos.

Leia também: Ovitrampas: nova estratégia vai monitorar o Aedes aegypti em Manaus para combater a dengue

Startup de Rondônia é habilitada pelo Ministério da Saúde para integrar o Laboratório InovaSUS Digital
Foto: Divulgação/UNIR

Segundo o coordenador do programa, Ilton Alves, o desenvolvimento da plataforma enfrentou obstáculos importantes relacionados à qualidade das amostras coletadas em campo.

“Os principais desafios técnicos foram encontrar um padrão nas palhetas, que vêm com muita sujeira e insetos por serem coletadas em campo. Nenhum algoritmo convencional funcionou por causa da dificuldade em identificar os ovos do Aedes aegypti, que são muito pequenos. A solução foi usar scanners de impressoras para gerar imagens de alta qualidade em ambiente controlado e viabilizar o treinamento da inteligência artificial”.

Após cerca de dois anos de testes sem sucesso com métodos convencionais, a equipe da startup encontrou uma solução criativa: utilizar scanners de impressoras comuns para capturar imagens em alta resolução e em ambiente controlado. A estratégia permitiu gerar grandes volumes de imagens com qualidade suficiente para treinar os modelos de inteligência artificial, superando um dos principais gargalos do projeto.

Tecnologia acessível e eficiente

Outro ponto que diferencia a EGGSCAN-AI é sua acessibilidade. Ao contrário de outras soluções que exigem microscópios ou equipamentos de alto custo, a plataforma foi desenvolvida para funcionar com um scanner doméstico e em ambiente web, sem necessidade de infraestrutura avançada.

O sistema utiliza redes neurais especializadas em visão computacional, mas foi otimizado para operar sem uso intensivo da Unidade de Processamento Gráfico (GPU), o que permite sua adoção por municípios e equipes com recursos limitados.

Leia também: SUS na Amazônia: ponto de atendimento à saúde é inaugurado onde uma consulta podia exigir até 3 dias de viagem de barco

Além disso, a tecnologia foi pensada especificamente para o substrato oficial utilizado pelo Ministério da Saúde, a palheta de fibra de madeira, o que facilita sua integração com os protocolos já existentes no país.

Testada em 130 palhetas reais coletadas em campo, a solução alcançou cerca de 98% de precisão em comparação com a contagem manual feita por especialistas. Na prática, isso significa reduzir significativamente o tempo de análise e ampliar a capacidade de monitoramento sem necessidade de ampliar equipes.

Startup integra ensino, ciência e tecnologia

O desenvolvimento da plataforma também evidencia o papel da formação acadêmica na inovação. Três estudantes participaram diretamente do projeto, integrando diferentes áreas do conhecimento.

O pesquisador William Cardoso Barbosa iniciou sua trajetória ainda na graduação, na UNIR, e atualmente integra o programa de pós-graduação em Ciências de Computação e Matemática Computacional da Universidade de São Paulo (USP). Atuando no desenvolvimento técnico da solução, ele foi responsável pela modelagem da inteligência artificial, processamento das imagens e construção da plataforma web.

Já os estudantes Matheus de Araújo Paz e Mirilene Mendes Martins, vinculados ao programa de Biologia Experimental da Fiocruz em parceria com a UNIR, atuaram na parte entomológica do projeto. Eles foram responsáveis pela instalação das ovitrampas, pela coleta das amostras em Porto Velho e pela contagem manual dos ovos em microscópio, etapa essencial para treinar e validar o sistema.

A colaboração entre computação e biologia foi determinante para o sucesso da iniciativa, unindo conhecimento técnico e experiência de campo.

Próximos passos 

Com a habilitação no InovaSUS Digital, a Ecotech Amazônia passa a integrar um seleto grupo de instituições aptas a colaborar com o Ministério da Saúde em projetos estratégicos. Embora não haja contratação imediata, a startup poderá ser acionada para futuras demandas dentro do SUS.

A expectativa agora é avançar para novas etapas de validação e expansão da tecnologia, ampliando seu uso em diferentes regiões do país e contribuindo para o enfrentamento de arboviroses que seguem como um dos principais desafios da saúde pública brasileira.

*Com informações da UNIR

Formigas ajudam a recuperar florestas, mas falta de dados reduz seu uso na restauração

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A interação das formigas funciona como uma engenharia invisível. Foto:

Quando as sementes caem muito perto da planta-mãe, as novas mudas acabam competindo com a própria “família” por luz, água e nutrientes. A proximidade derruba as chances de sobrevivência. Para resolver o problema, a natureza usa dispersores que levam as sementes para novos territórios. Em áreas degradadas, onde vertebrados frugívoros — como mamíferos e aves de maior porte — já desapareceram devido à caça excessiva e ao desmatamento, as formigas assumem o protagonismo e atuam como pequenas engenheiras na reconstrução dos ambientes naturais.

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Um novo estudo brasileiro, recém-publicado na revista Brazilian Journal of Biology, revela um grave apagão de dados sobre como as formigas atuam na dispersão de sementes em biomas ameaçados, como a Amazônia, o Pantanal e o Pampa. A pesquisa foi conduzida por especialistas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em parceria com a Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e a Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

A equipe analisou dez anos de literatura científica global e descobriu que a maioria das pesquisas nacionais prioriza apenas a mata atlântica e o cerrado. O dado é ainda mais paradoxal quando se considera que o Brasil foi o país com o maior número absoluto de publicações sobre o tema no período analisado, com 27 artigos — 17,9% de toda a produção mundial

Formigas ajudam a recuperar florestas
Foto: Ayrton Lopes/Fapeam

Mesmo liderando globalmente, a ciência brasileira concentra esse esforço em apenas dois biomas, deixando vastas regiões sem qualquer informação empírica. A ausência de informações nos outros ecossistemas acontece exatamente durante o avanço acelerado do desmatamento e das queimadas, o que bloqueia a compreensão real sobre o funcionamento dessas áreas.

“Na prática, isso cria um ‘apagão de informação’: justamente onde mais precisamos de conhecimento ecológico, sabemos menos. E isso pode levar a estratégias de conservação menos eficientes ou até equivocadas, porque estamos tomando decisões sem conhecer bem os processos naturais que sustentam esses ecossistemas”, alerta Ricardo Vicente, pesquisador da UFAM e um dos autores do estudo.

Formigas tem parceria pouco explorada

Na natureza, essa parceria recebe o nome de mirmecocoria e opera à base de recompensa. As plantas desenvolvem uma parte nutritiva acoplada à semente. Os insetos levam a estrutura até o ninho, consomem apenas a parte de interesse e descartam a semente intacta em um local rico em matéria orgânica, favorecendo a germinação.

O artigo aponta uma falha comum na ciência mundial: apenas 17,9% dos estudos analisados verificaram explicitamente se as sementes foram de fato dispersas ou simplesmente consumidas pelas formigas, e somente 16,6% realizaram testes para avaliar se as sementes permaneciam viáveis após o manuseio pelos insetos.

“O problema é que muitos estudos registram apenas que a formiga ‘removeu’ a semente, mas não acompanham o que acontece depois. No campo, isso costuma ser interpretado como algo negativo, como se a formiga estivesse apenas consumindo ou destruindo a semente”, explica o cientista.

Leia também: A vida secreta das formigas: estudo revela diferenças entre formigas terrestres e arborícolas da Amazônia

Esse erro de método acaba gerando confusão entre a dispersão verdadeira e a predação (quando o inseto de fato destrói a semente). Sem provas claras, gestores ambientais costumam encarar todas as formigas como vilãs devido ao histórico de pragas das cortadeiras. Na prática, o medo leva ao uso desnecessário de inseticidas em áreas de plantio florestal.

“Sem esse entendimento sobre a ‘remoção de sementes’, existe o risco de tomar decisões baseadas em percepção e não em evidência, como eliminar indiscriminadamente formigas que poderiam estar ajudando na recuperação da área”, destaca Vicente.

Os autores defendem agora a adoção de metodologias padronizadas que exijam o acompanhamento do destino final das sementes nos trabalhos de campo. Ao mapear as melhores parcerias ecológicas, os formuladores de políticas públicas terão a chance de aproveitar o trabalho silencioso dos insetos para baratear e turbinar a restauração das florestas brasileiras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Isabelle Nogueira recebe Medalha de Ouro Rodolpho Valle na CMM

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Foto: Lucas Macedo/Rede Amazônica AM

Em uma sessão com muita música e dança, a Câmara Municipal de Manaus (CMM) concedeu, nesta sexta-feira (15) a Medalha de Ouro Rodolpho Valle à cunhã-poranga do Boi Garantido, Isabelle Nogueira. A homenagem ocorreu no plenário da Casa Legislativa e reuniu vereadores, convidados e representantes do meio cultural.

A Medalha de Ouro Rodolpho Valle é uma das mais altas e importantes condecorações concedidas pelo parlamento municipal. A honraria é estritamente destinada a cidadãos e personalidades que, por meio de suas trajetórias, prestaram serviços de relevância pública e impacto notável à cultura e à sociedade manauara.

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A proposta partiu do vereador João Paulo “Janjão” (Agir) e teve a aprovação de todos os vereadores da casa. No início do seu discurso, Isabelle Nogueira agradeceu não somente ao parlamentar que fez a proposta, mas a todos os servidores do legislativo municipal.

“Deus seja louvado por eu estar aqui. Eu quero aqui poder fazer o meu agradecimentos a todos dessa augusta casa, desde os serviços gerais, aos seguranças, prestadores de serviços, todos os funcionários, que mantém de forma feliz, justa e digna, esta casa de pé. Também quero estender meus cumprimentos a mesa diretora, a todos que estão aqui, meus colegas, as autoridades presentes, vereadores, e gostaria de agradecer ao Joõa Paulo, mais uma vez, por todo o carinho”, destacou Isabelle Nogueira.

Trajetória de Isabelle Nogueira até a medalha de ouro Rodolpho Valle

A trajetória de Isabelle Nogueira até a entrega da Medalha de Ouro Rodolpho Valle, nesta sexta-feira (15), em Manaus, é marcada pela construção de uma imagem pública ligada à valorização da cultura amazônica.

Natural da capital amazonense, ela iniciou sua vida profissional ainda jovem e chegou a atuar como professora, antes de ganhar projeção no cenário cultural como item oficial do Boi Garantido no Festival Folclórico de Parintins.

Ao longo dos anos, consolidou-se como uma das principais representantes da figura da cunhã-poranga, o item 9, papel de destaque na festa folclórica, tornando-se também referência na defesa e difusão das tradições regionais através de suas falas e seus vídeos.

Essa explicação foi dada pelo vereador que propôs a medalha, durante fala após a concessão de entrega da honraria.

“Estou muito feliz Isabelle, de poder participar deste momento contigo. Você é uma pessoa especial, que ilumina onde está e merece só coisas boas. Essa é uma honraria da Câmara Municipal de Manaus, feita não só por mim mas por todos os vereadores também”, explicou João Paulo “Janjão”.

Leia também: Marciele Albuquerque recebe Título de Cidadã Amazonense na Aleam

CMM homenageia Isabelle Nogueira
Foto: Eder França/Dicom

Durante o pronunciamento, Isabelle Nogueira relembrou as dificuldades financeiras vividas na infância e destacou a história da mãe, que engravidou ainda na adolescência. Segundo ela, a realidade dentro de casa exigiu amadurecimento precoce e divisão de responsabilidades desde cedo. Enquanto a mãe trabalhava para sustentar a família, Isabelle ajudava a cuidar do irmão e também auxiliava a avó na feira da Grande Circular, em Manaus, onde participava da venda de roupas aos fins de semana.

A influenciadora também mencionou sua trajetória em escolas públicas de Manaus, marcada por desafios e superação quando lecionava o idioma espanhol.

Ao abordar sua caminhada, Isabelle Nogueira enfatizou o papel transformador da cultura em sua vida:

“Minha infância foi cercada por dificuldades, inseguranças e muitas limitações. Cresci vendo minha mãe lutar diariamente para sustentar a nossa família e, desde muito cedo, entendi que também precisava ajudar. Entre a escola, os trabalhos na feira e as responsabilidades em casa, parecia que tudo estava contra mim, mas foi justamente nesse cenário que a cultura apareceu como uma oportunidade. Foi nos grupos folclóricos, nos ensaios e nas apresentações que eu encontrei acolhimento, propósito e uma nova perspectiva de vida. A cultura me deu direção, me deu voz e me mostrou que era possível sonhar e construir um futuro diferente”, declarou.

Cemitério de Manaus é escolhido como palco de estreia de documentário sobre ‘Santa Etelvina’

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O documentário ‘Etelvina – A Ressignificação da Tragédia’ será exibido nesta sexta-feira (15), às 20h, no Cemitério São João Batista. Foto: Divulgação

O documentário Etelvina – A Ressignificação da Tragédia‘ será exibido nesta sexta-feira (15), às 20h, no Cemitério São João Batista, no bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul de Manaus (AM). A obra revisita a história de Etelvina de Alencar, assassinada há 125 anos na capital amazonense e transformada, ao longo do tempo, em símbolo de fé popular.

Cemitério São João Batista, em Manaus, é palco de estreia de documentário sobre santa etelvina
Foto: Divulgação

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Produzido ao longo de dois anos, o documentário reúne relatos de pessoas que frequentam o túmulo de Etelvina e dizem ter alcançado graças atribuídas à mulher conhecida como “Santa Etelvina”. As gravações foram feitas nos Dias de Finados de 2024 e 2025, quando a equipe ouviu mais de 60 pessoas no cemitério.

Etelvina foi assassinada em 1901 pelo ex-namorado, em um caso que também terminou com a morte de outras quatro pessoas.

Saiba mais: Santa Etelvina: Relembre a história da ”santa” dos estudantes

Documentário amplia discussões

De acordo com os realizadores, o filme busca ir além do resgate histórico e provocar reflexões sobre violência contra a mulher, memória e fé.

“O filme reconhece dor e fé como dimensões que muitas vezes caminham juntas. A dor da tragédia é o ponto de partida. É a partir dela que surge a fé, como forma de busca por sentido diante do que escapa à compreensão humana”, afirmou o diretor Cleinaldo Marinho.

Ao Grupo Rede Amazônica, Marinho disse que recuperar histórias como a de Etelvina também ajuda a reconstruir identidade e pertencimento. Para ele, o caso evidencia uma violência estrutural contra a mulher, marcada pelo controle, pela posse e pela dominação.

“A memória, na arte, não fala apenas sobre o passado. Ela é uma ferramenta do presente para criar sentido e resistência. Etelvina sobreviveu porque é lembrada”, declarou.

A atriz Rosana Neves interpreta Etelvina nas cenas ficcionais do documentário. Segundo ela, o trabalho foi marcado por descoberta e responsabilidade. “O que fica para mim é a força dessa mulher, que agora também faz parte da minha história como atriz”, disse.

O diretor afirmou ainda que a obra não pretende encerrar o debate sobre a história de Etelvina, mas ampliar discussões sobre memória, violência, fé e construção social de narrativas.

O documentário foi contemplado pelo Edital de Audiovisual da Lei Paulo Gustavo, por meio do Conselho Municipal de Cultura (Concultura), com recursos do Governo Federal.

*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica AM

MPF ajuíza ação para impedir mineração na Floresta Nacional do Amapá

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Flona do Amapá. Foto: Divulgação/INCT

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública, com pedido de decisão urgente, para impedir a autorização de atividades de mineração na Floresta Nacional (Flona) do Amapá. A ação foi proposta contra a Agência Nacional de Mineração (ANM) e requer a suspensão imediata da análise de pedidos de pesquisa, lavra garimpeira e outorga de concessão minerária na unidade de conservação federal, assim como das autorizações já concedidas.

Também foi solicitado o bloqueio nos sistemas, como o Sistema de Informações Geográficas da Mineração (Sigmine), para que a área fique indisponível para novos pedidos.

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A ação baseia-se em procedimento administrativo instaurado pelo MPF para acompanhar requerimentos minerários incidentes sobre a Flona do Amapá. A apuração identificou títulos minerários concedidos para áreas sobrepostas à unidade de conservação, inclusive em favor da Cooperativa de Garimpeiros do Vale do Capivara (Cogaca) e da empresa Sumitomo Metal Mining do Brasil Ltda.

O MPF aponta que, embora o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) tenha se manifestado contra os pedidos, a ANM manteve os processos administrativos. A ação sustenta que a exploração mineral é incompatível com os objetivos da Flona, previstos na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) e no plano de manejo da unidade, aprovado em 2014, que proíbe expressamente a pesquisa para lavra mineral no interior da área protegida.

Para o procurador da República João Pedro Becker Santos, autor da ação, permitir o avanço de processos minerários em local onde a atividade é vedada gera insegurança jurídica, ameaça ao patrimônio ambiental protegido e cria expectativa indevida de direito a empreendedores interessados na exploração mineral da área.

Leia também: Pesquisa em floresta do Amapá fornecerá dados sobre mudanças climáticas para a Nasa

Recomendação do MPF

O MPF já havia expedido, em 2024, recomendação à ANM para que não autorizasse pesquisa ou lavra na unidade de conservação. A própria Procuradoria Federal Especializada junto à agência manifestou entendimento favorável, reconhecendo que a vedação prevista no plano de manejo da Flona impede a exploração mineral.

Após a recomendação, a Gerência Regional da ANM no Amapá suspendeu os processos relacionados à Cogaca e à Sumitomo, mas informou não possuir competência para impedir, de forma definitiva, a apresentação de novos requerimentos sobre a área. Segundo a autarquia, a adoção dessa medida depende de deliberação da Diretoria Colegiada da agência, em Brasília.

MPF ajuíza ação para impedir mineração na Floresta Nacional do Amapá
Foto: Reprodução/ICMBio

Pedidos 

Ao final do processo, o MPF pede que a Justiça determine à ANM que não autorize qualquer novo requerimento ou conceda título minerário em área localizada nos limites da Flona do Amapá.

Além disso, requer que a agência seja condenada a indeferir todos os requerimentos de autorização de pesquisa mineral, permissão de lavra garimpeira e concessão de lavra na unidade, ainda em trâmite, no prazo de 30 dias, sob pena de multa.

Também foi pedido o aperfeiçoamento dos sistemas eletrônicos, como o Sigmine, para bloquear automaticamente requerimentos em áreas sobrepostas à Flona. Por fim, foi solicitado que a ANM seja obrigada a não deflagrar o procedimento de disponibilidade sobre a área de antigo interesse da Cogaca e a declarar a nulidade do procedimento referente à Sumitomo.

Áreas sobrepostas

Segundo o MPF, o sistema Sigmine atualmente já aplica restrição total para unidades de conservação de proteção integral, mas a Flona do Amapá permanece cadastrada apenas com restrição parcial, apesar da vedação expressa à mineração prevista em seu plano de manejo. Para o órgão, a alteração do sistema evitaria a tramitação de pedidos incompatíveis com a legislação ambiental e reduziria gastos públicos desnecessários.

De acordo com a ANM, existem ao menos 50 processos minerários incidentes sobre a Flona do Amapá. A ação ressalta que a mineração na região pode causar danos ambientais irreversíveis, especialmente em razão da supressão florestal e dos impactos sobre os ecossistemas protegidos.

Ação Civil Pública nº 1007680-55.2026.4.01.3100: Consulta Processual

*Com informações do MPF

Roraima participa de programa nacional de combate ao crime organizado

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Representantes de Roraima participaram do lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Foto: Divulgação/PCRR

Representantes da Secretaria da Segurança Pública (Sesp) e das forças de segurança de Roraima participaram no dia 12 de maio, em Brasília, do lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, iniciativa do Governo Federal que prevê investimento superior a R$ 11 bilhões no enfrentamento às facções criminosas, milícias, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e demais estruturas ligadas ao crime organizado no país.

Lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, o programa estabelece uma resposta integrada entre União, estados e municípios, com foco em quatro pilares: asfixia financeira das organizações criminosas, fortalecimento do sistema prisional, qualificação das investigações de homicídios e combate ao tráfico de armas, munições e explosivos.

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Representando Roraima, participaram do lançamento a delegada-geral da Polícia Civil de Roraima (PCRR) Simone Arruda; o diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), Herbert de Amorim Cardoso; a secretária de Segurança Pública, Eliane Gonçalves; a comandante da Polícia Militar de Roraima (PMRR), coronel Valdeane Alves de Oliveira; e a major Valdirene Vieira.

Roraima participa de programa nacional de combate ao crime organizado
Autoridades de Roraima prestigiaram lançamento do Programa Brasil Contra o Crime Organizado. Foto: Divulgação/PCRR

“A adesão ao programa representa um importante avanço para o fortalecimento das ações de segurança pública em Roraima, uma vez que ela amplia a integração entre os órgãos Estaduais e Federais, fortalece o combate às organizações criminosas e contribui diretamente para o enfrentamento qualificado dos crimes transfronteiriços, garantindo mais eficiência nas operações e segurança para a população”, afirmou a secretária da Sesp, Eliane Gonçalves.

Luta contra o crime em Roraima

Durante a solenidade, o presidente destacou que o programa representa uma ofensiva direta contra a estrutura econômica e operacional das facções criminosas, com o objetivo de devolver territórios dominados pelo crime à população brasileira.

“Para Roraima, a participação no programa amplia perspectivas de acesso a investimentos em tecnologia, equipamentos especializados, fortalecimento da perícia criminal, inteligência policial, aparelhamento das forças de segurança e operações conjuntas de alta complexidade”, disse.

De acordo com Simone Arruda, a presença da cúpula da segurança pública de Roraima reforça o compromisso do Estado com o fortalecimento das ações integradas e com a modernização dos instrumentos de inteligência, repressão qualificada e investigação criminal, especialmente em uma região estratégica de fronteira.

A delegada-geral observou ainda que a atuação conjunta entre forças estaduais e Governo Federal posiciona Roraima dentro de uma política nacional de segurança pública mais robusta, com foco na desarticulação das bases financeiras e logísticas do crime organizado.

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“A participação da comitiva roraimense evidencia o alinhamento institucional do estado com as novas diretrizes nacionais e reforça o compromisso das forças de segurança locais na proteção da população e no combate firme às organizações criminosas”, disse.

Entre as medidas previstas no programa estão o fortalecimento da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), expansão de sistemas de investigação financeira, reforço do controle penitenciário, aquisição de equipamentos periciais, além de ações estratégicas voltadas à repressão ao tráfico internacional de armas e drogas, áreas consideradas sensíveis para estados de fronteira como Roraima.

*Com informações da Secom RR

Cientistas batizam nova espécie de mariposa em homenagem ao Papa Leão XIV

A nova espécie de mariposa foi batizada de Pyralis papaleonei, a “mariposa Papa Leão”. Foto: Agência Andina/Editora Perú

Um grupo de cientistas europeus batizou uma nova espécie de mariposa de Pyralis papaleonei, ou “mariposa Papa Leão“, em homenagem ao chefe da Igreja Católica que completou recentemente um ano como Sumo Pontífice.

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“A nova espécie é dedicada ao líder da Igreja Católica, o Papa Leão XIV . O pontífice é um defensor ferrenho da proteção climática e ambiental, e esperamos que sua voz sirva de exemplo para a humanidade”, escreveram os autores Peter Huemer, Lauri Kaila e Andreas H. Segerer em um artigo científico sobre a espécie.  

A informação foi destacada pela agência de notícias ACI Prensa, que acrescentou que, na revista científica Nota Lepidopterologica, entomologistas observaram que a espécie foi descoberta na ilha mediterrânea de Creta. Trata-se de uma espécie de porte médio, com envergadura de aproximadamente 2 centímetros, manchas douradas e faixas brancas proeminentes.

“Além disso, devido à sua coloração e aparência geral distintas, a nova espécie pertence a um grupo de Pyralidae cujos nomes se referem a altas posições seculares ou eclesiásticas, incluindo Pyralis regalis, Pyralis imperialis, Pyralis princeps e Pyralis cardinalis”, explicaram.

Cientistas batizam nova espécie de mariposa em homenagem ao Papa Leão XIV
Foto: Agência Andina/Editora Perú

Nomes de mariposas vão além do Papa

Segundo um comunicado do Tiroler Landesmuseum Ferdinandeum — o Museu Estadual do Tirol, localizado em Innsbruck, Áustria — as borboletas e mariposas frequentemente recebem nomes inspirados em suas características externas, localizações geográficas ou em homenagem a pessoas ilustres.

No entanto, uma tradição diferente surgiu dentro do gênero Pyralis. Já em 1775, os naturalistas e jesuítas austríacos Michael Denis e Ignaz Schiffermüller descreveram a primeira espécie do grupo como Pyralis regalis (“real”), devido à sua coloração.

Isso posteriormente deu origem a nomes semelhantes, como Pyralis princeps e Pyralis cardinalis, pertencentes à superfamília Pyraloidea, que inclui cerca de 16.000 espécies descritas em todo o mundo.

Segundo Huemer, chefe de estudos do Museu Estadual do Tirol, o processo de nomear espécies é mais do que um ato científico: é também um gesto simbólico. No caso da mariposa Papa Leão, representa um apelo ao líder da Igreja Católica para que enfatize a responsabilidade fundamental da humanidade na preservação da criação.

“Estamos enfrentando uma crise global de biodiversidade e, no entanto, apenas uma fração das espécies do mundo foi documentada cientificamente. A conservação eficaz da biodiversidade exige, antes de tudo, que as espécies sejam reconhecidas, descritas e nomeadas”, afirmou Huemer.  

*Com informações da Agência Andina

Reprodução de mais de 99% das espécies de árvores amazônicas é dependente da ação de animais

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Foto: Reprodução/MPF

A importância dos animais polinizadores já é bem conhecida pelos cientistas. Ao transferirem grãos de pólen de uma flor para outra, atuam como um elo essencial na reprodução das plantas e na formação de frutos e sementes. Esse papel se mantém mesmo em atividades que envolvem o manejo humano dos ambientes naturais, como a agricultura. Agora, um novo estudo  está olhando em detalhes a contribuição deles para a manutenção do bioma mais biodiverso do planeta: a floresta amazônica.

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A floresta amazônica é a maior floresta tropical do mundo, guardando ainda um dos ecossistemas mais biodiversos do planeta. Ela é considerada um sumidouro de carbono, armazenando cerca de 123 bilhões de toneladas de CO₂ em seu solo e vegetação. No entanto, queimadas, desmatamento e a própria defaunação podem colocar em risco a atuação da Amazônia na regulação climática.

Segundo a nova pesquisa, liderada por um cientista da Universidade de Utrecht, na Holanda, aproximadamente 80% das espécies de árvores amazônicas dependem de animais tanto para a atividades de polinização quanto para a dispersão de sementes.

Em contrapartida, em menos de 1% das espécies arbóreas essas etapas cruciais do ciclo de vida não envolvem a participação de animais. Essa relação de dependência torna imprescindível a interrupção da defaunação na floresta.

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Reprodução de mais de 99% das espécies de árvores amazônicas é dependente da ação de animais. na foto vista aérea da floresta na amazônia
Floresta Amazônica. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Biociências da Unesp, câmpus de Botucatu, Caio Simões Ballarin, é um dos colaboradores da pesquisa e coautor do artigo. Ballarin explica que o levantamento foi possível graças ao engajamento de cientistas de diversas instituições, o que permitiu cruzar grandes quantidades de dados e alcançar resultados robustos.

Além dos dois já citados, a iniciativa reúne especialistas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, do Instituto Tecnológico Vale, da Universidad de los Andes (Colômbia), da Universidade de Turku (Finlândia) e do instituto de pesquisa neozelandês Landcare Research.

Estudo abrangeu 94% das espécies árvores que habitam a Amazônia

No total, foram obtidos dados de visitação floral relativos a 5.201 espécies de árvores amazônicas. Esse número correspondente a 50% de todas as espécies de árvores conhecidas, e 94% de todos as espécies que se estima habitarem a Amazônia.

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Apesar da dimensão e importância da floresta amazônica, havia ainda poucos dados sobre polinização na região em comparação a outros biomas como o Cerrado e a Mata Atlântica. Uma das dificuldades, explica Ballarin, é a altura das árvores na Amazônia.

“As flores e frutos das árvores da Amazônia encontram-se, normalmente, no topo, quase no céu”, diz ele, “enquanto o Cerrado, por exemplo, é um sistema campestre e savânico, facilitando a observação das espécies.

A Mata Atlântica também se caracteriza por florestas fechadas e grandes árvores. Porém, avalia o pesquisador da Unesp, o fato de que o bioma se situa em estados onde há grande concentração de universidades, como Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina, pode ser outro fator facilitador que explica a grande quantidade de estudos que já tematizaram a Mata Atlântica.

Inferindo o comportamento dos animais

Na primeira etapa da pesquisa, os cientistas coletaram via literatura certos dados essenciais,  como os nomes das espécies vegetais e dos animais que costumam visitá-las. No caso das espécies para as quais não havia informações documentadas foram realizadas inferências. Isso significa que os pesquisadores observaram quais recursos eram produzidos a fim de estimar quais espécies animais seriam capazes de polinizar ou fazer a dispersão de sementes daquele espécime vegetal.

“se encontrássemos uma espécie de planta que só produzia pólen, inferíamos que o visitante floral seria, majoritariamente, a abelha, porque ela é um dos únicos animais que consome pólen com frequência. Se o fruto fosse carnoso, inferíamos que mamíferos ou aves consumiam esse fruto, porque o fruto carnoso é um atrativo para esses dispersores”, exemplifica Ballarin.

Fonte: Ter Steege et al. Arte: Equipe de arte ACI

Ao final, os cientistas concluíram que as abelhas atuam como os principais agentes polinizadores das espécies da floresta amazônica (59,1%). Em seguida vem os chamados visitantes florais generalistas (39,1%) – animais que visitam diversas espécies de plantas para obter néctar e pólen, sem depender de uma única fonte. Borboletas, morcegos, besouros, entre outros, completam essa lista.

Poucos gêneros são extremamente importantes

O estudo concluiu que apenas 16 dos mais de 750 gêneros de árvores analisados respondem por metade das interações bióticas. Isso torna a defesa destes gêneros algo imprescindível para assegurar a manutenção do ciclo de vida das plantas, e também dos animais.

“Dezesseis é um número baixo. Se um destes gêneros se extinguir por completo, seja por ações humanas ou eplas mudanças climáticas, o impacto vai ser enorme”, alerta Ballarin.

Cada gênero engloba diversas espécies. O gênero Inga, por exemplo, têm entre 300 e 400 espécies, enquanto o gênero Miconia soma mais de 2 mil espécies. Segundo o artigo, quando se analisa os gêneros mais envolvidos em interações, o Inga e o Miconia se destacam, chegando a responder por mais de 2% de todas as interações.

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Foto: Reprodução/ Mudas Nativas e Ornamentais

Quando se avalia sob o prisma das populações de árvores na Amazônia envolvidas nas interações, os destaques ficam por conta dos gêneros Protium, EschweileraPouteriaOcoteaVirola e novamente o Inga. Eles estão envolvidos em mais de 2% de todas as interações.

Em contrapartida, menos de 1% das espécies arbóreas amazônicas não dependem de animais para garantir a polinização e dispersão de sementes. Nestes casos, os grãos de pólen e sementes aladas se espalham com auxílio do vento, que sopra nas árvores e carrega o material para longe da planta mãe.

Estudo é ponto de partida

O pesquisador reforça que o estudo foi feito em escala ampla, o que pode interferir na resolução dos resultados. Embora o estudo se baseie em evidências científicas e resultados já publicados anteriormente, a pesquisa inovou ao possibilitar inferências sobre o trabalho dos animais polinizadores e dispersores em espécies da floresta tropical. O estudo representa uma espécie de pontapé inicial, diz Balladin.

“São necessários estudos na Amazônia que olhem a escala local”, diz.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unesp, escrito por Carolina Fioratti