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Artesanato de Parintins transforma cultura em negócio e gera renda para dezenas de famílias

Artesanato de Parintins. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Muito além do espetáculo apresentado no Bumbódromo, o Festival Folclórico de Parintins também impulsiona o trabalho dos artesãos que, durante o ano inteiro, transformam elementos da natureza em peças que representam a identidade amazônica. Feitas com sementes, madeira, fibras, raízes, tecidos e outros materiais naturais, biojoias, esculturas, adereços e miniaturas dos bois Caprichoso e Garantido conquistam turistas e ajudam a movimentar a economia criativa da ilha amazonense.

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Um dos principais espaços para conhecer essa produção é o Centro de Artesanato Soarte, onde artesãos expõem trabalhos que carregam a cultura e a tradição do município. É ali que atua a artesã Ciomar de Oliveira, que há 26 anos faz parte da associação responsável pelo espaço.

Um trabalho que atravessa gerações

Para Ciomar o Festival de Parintins é o principal motor do artesanato local:

“O Festival de Parintins é uma bênção para nós. Assim que termina, a gente já vai procurando trabalho e alternativas para se preparar para o próximo ano”.

Leia também: Um pedaço de Parintins na bagagem: artesão que produz ‘boizinhos’ abre loja própria após 34 anos de trabalho

Ciomar Oliveira. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Ela explica que o festival beneficia não apenas os artesãos, mas toda a população da cidade, que encontra na cultura uma importante fonte de renda. Ao longo de décadas dedicadas ao artesanato, Ciomar viu a atividade transformar vidas, inclusive a dela.

“O artesanato é de grande importância para mim. Criei meus filhos e estou ajudando a criar meus netos através dele. É uma bênção na nossa vida”, destaca.

Atualmente, o espaço reúne 24 artesãos organizados em uma associação, divididos em grupos para garantir a organização e o funcionamento do local.

Artesanato de Parintins. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Arte feita com elementos da natureza

Entre os expositores do ‘Turistodrómo’, um dos principais espaços para conhecer o artesanato durante o Festival de Parintins, está a artesã Lissiane, que representa o trabalho desenvolvido pelo marido, responsável pela produção das esculturas comercializadas no espaço, que montado na frente da Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Ela explica que cada peça é feita manualmente, utilizando matérias-primas retiradas da natureza:

“Tudo vem da natureza. Tem raiz, ouriço de castanha e outros elementos naturais. Não usamos formas. É tudo feito à mão. Peça por peça. Bico, asa, rabo… tudo é feito manualmente”.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Mostra de Artesanato e Economia Solidária movimenta R$ 2,85 milhões durante o Festival de Parintins

Apesar do trabalho artesanal, a experiência permite uma produção significativa. Um dos modelos mais procurados pelos turistas pode chegar a cerca de 500 unidades produzidas em uma semana.

Lembranças que levam Parintins para o mundo

Durante o Festival Folclórico, os souvenirs inspirados nos bois Caprichoso e Garantido lideram as vendas. Miniaturas confeccionadas com sementes e materiais naturais são as preferidas dos visitantes, que procuram levar uma recordação da cidade para amigos e familiares.

“Nosso carro-chefe são essas lembrancinhas do Garantido e do Caprichoso. As pessoas levam para quem não teve oportunidade de vir para o festival. Aí, para quem não quer nem Garantido, nem Caprichoso, tem a arara azul, a arara vermelho e o tucano”, destaca a artesã.

Entre as peças de maior destaque estão pequenas casas decorativas que unem elementos da arquitetura regional aos símbolos do festival.

Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Festival impulsiona as vendas

O período do Festival de Parintins representa o momento mais importante do ano para quem vive do artesanato. Segundo Lissiane, o aumento no número de visitantes reflete diretamente nas vendas.

“O festival trouxe bastante movimento para a gente. Muitas pessoas chegam porque receberam indicação de quem já comprou aqui”, explica.

Mais do que lembranças de viagem, cada escultura, biojoia ou miniatura carrega um pouco da cultura amazônica e contribui para fortalecer a economia criativa do município. Durante o Festival Folclórico, esse trabalho ganha ainda mais visibilidade, mas continua ao longo de todo o ano, garantindo renda para dezenas de famílias e preservando saberes transmitidos entre gerações.

Para conhecer mais sobre a produção dos artesãos e acompanhar essa visita aos espaços de artesanato de Parintins, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat: 

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Tricicleiros transformam tradição de Parintins em negócio e ajudam a contar a história da ilha aos turistas

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Muito mais do que um meio de transporte, os triciclos se tornaram um dos símbolos da Ilha Tupinambarana e uma das primeiras experiências de quem chega para acompanhar o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas. Coloridos, personalizados e conduzidos por moradores que conhecem cada canto da cidade: esses são os tricicleiros, aqueles que ajudam a preservar uma tradição que atravessa gerações e também movimenta a economia local.

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Reconhecidos como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas, os tricicleiros fazem parte da história de Parintins desde o início da década de 1980. No começo, transportavam mercadorias e produtos agrícolas, mas com o fortalecimento do Festival Folclórico de Parintins ao longo dos anos, passaram a ter uma nova função: levar moradores e, principalmente, os milhares de turistas que visitam a cidade para acompanhar a disputa entre os bois Caprichoso e Garantido nos meses de junho e julho.

Hoje, além de facilitar a mobilidade, os tricicleiros também apresentam aos visitantes a história, a cultura e os principais pontos turísticos da ilha, transformando cada passeio em uma experiência cultural.

Organização fortalece a atividade

Atualmente, o serviço é organizado pela Associação dos Tricicleiros de Turismo de Parintins, responsável por regulamentar a atividade e garantir mais segurança tanto para os profissionais quanto para os passageiros. O presidente da associação, Rafael Gonçalves, explica que o reconhecimento como patrimônio fortaleceu ainda mais a categoria.

“Hoje os tricicleiros de Parintins são considerados patrimônio cultural e imaterial do Estado do Amazonas. O turista vem para Parintins e quer andar de triciclo, quer conhecer os pontos da cidade. Hoje somos mais de 350 tricicleiros atendendo a população local e os turistas”, conta.

Leia também: Roteiro dos Tricicleiros: um jeito diferente de conhecer a ilha tupinambarana e sua história

Imagem colorida mostra duas pessoas em triciclo de Parintins fotografando pontos da cidade de Parintins
Foto: Clóvis Miranda/ AmazonasTur

Segundo Rafael, a associação trabalha em parceria com órgãos públicos e empresas para organizar o serviço durante o ano, principalmente no período do festival, quando o fluxo de visitantes aumenta significativamente.

Nos últimos anos, uma das principais mudanças foi a regulamentação da atividade. Hoje, todos os tricicleiros associados seguem um padrão de identificação, facilitando o reconhecimento pelos turistas.

“Hoje nossos tricicleiros estão padronizados. Os veículos são pintados de forma padrão, têm lona, uniforme, emplacamento e identificação. Isso passa mais segurança para os turistas nacionais e internacionais. Outra vantagem é que o preço das corridas também é tabelado”, destaca Rafael.

A padronização contribui para a organização do trânsito durante o festival e oferece mais confiança aos visitantes que utilizam o serviço para circular pela cidade.

Preparação para receber os turistas

O trabalho dos tricicleiros vai além da condução dos passageiros, já que todos os anos, antes do Festival de Parintins, os profissionais participam de capacitações voltadas ao atendimento turístico. De acordo com Rafael Gonçalves, os cursos acontecem em parceria com instituições como o Senac e o Governo do Amazonas.

“No mês de maio realizamos workshops e cursos sobre atendimento ao cliente e relações humanas. A ideia é preparar os tricicleiros para oferecer um serviço de qualidade e excelência aos turistas que visitam nossa ilha”, assegura.

Leia também: Triciclos de Parintins: os populares veículos que encantam os turistas

Roteiro dos Tricicleiros: um jeito diferente de conhecer a ilha tupinambarana e sua história
Tricicleiros de Parintins. Foto: Rafael Gonçalves/Acervo pessoal

A iniciativa busca qualificar o atendimento e reforçar o papel dos tricicleiros como verdadeiros anfitriões da cidade. Durante o festival, além do transporte convencional, muitos profissionais oferecem um city tour pelos principais atrativos turísticos da cidade.

O roteiro inclui locais como o Bumbódromo, a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, a orla, o Mercado Municipal e outros espaços que ajudam a contar a história e as tradições de Parintins.

Cada passeio é conduzido pelos próprios tricicleiros, que compartilham curiosidades e informações sobre a cultura local ao longo do percurso.

Festival representa aumento na renda

Há 14 anos trabalhando como tricicleiro, Alzemiro Picanço afirma que o período do Festival Folclórico é o momento mais importante do ano para quem vive da atividade. Segundo ele, a procura pelos passeios aumenta significativamente durante os dias do evento, o que otimiza a renda dos tricicleiros nesta época do ano.

Foto: Reprodução/Amazon Sat

Isso porque, com o aumento da demanda, o número de corridas diárias também cresce. De acordo com Alzemiro, durante o período do festival ele consegue fazer cerca de 50 passeios por dia.

Para ele, o Festival de Parintins representa muito mais do que um grande evento cultural: “O festival é a nossa diversão, mas também é o momento de ganhar o nosso dinheiro. É dele que vem a renda de muitas famílias”.

Identidade própria

Assim como os bois Caprichoso e Garantido possuem cores e símbolos que representam sua história, muitos tricicleiros também personalizam seus veículos, decorando-os com elementos inspirados na festa. Há triciclos predominantemente azuis, outros vermelhos e também aqueles que preferem destacar apenas a cultura amazônica, refletindo o orgulho que cada profissional tem pela cidade.

Todos os condutores associados possuem documentação e seguem as normas estabelecidas pela entidade. Segundo Alzemiro, a regularização é feita pela associação, que orienta os profissionais e acompanha toda a documentação necessária para exercer a atividade.

Assim, durante o Festival Folclórico, eles se transformam em verdadeiros guias culturais, conduzindo turistas por ruas, histórias e cenários que ajudam a explicar a história de Parintins.

Para conhecer mais sobre o trabalho dos tricicleiros, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat: 

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Q’Boi transforma paixão pelo Festival de Parintins em negócio e mantém viva a cultura dos bois durante o ano inteiro

Q’Boi. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Muito além dos três dias de festival no Bumbódromo, Parintins vive a cultura dos bois o ano inteiro. E quem ajuda a manter essa tradição viva é a Q’Boi, uma marca parintinense que, há 30 anos, transforma a paixão por Caprichoso e Garantido em roupas, acessórios e souvenirs que conquistam moradores e turistas. 

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Fundada em 1996 pelo casal Ester Almeida e Joaquim Lima, a loja nasceu de uma necessidade percebida durante as viagens em busca de patrocinadores para o festival.

“Eu percebi que durante o ano as pessoas vinham e não tinham produtos para serem vendidos. Quando meu marido fazia parte da diretoria do boi Caprichoso e precisava buscar patrocínio, eles não tinham o que oferecer. Foi aí que eu dei a ideia de fazer algum produto com a marca do boi, e eu já estava doida pra vender camisa”, conta Ester.

Leia também: Portal Amazônia responde: é possível usar a marca dos bois-bumbás de Parintins?

Q'Boi transforma a paixão pelo Festival de Parintins em negócio e mantém viva a cultura dos bois durante o ano inteiro
Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Ester preparou uma cesta personalizada para que o marido presenteasse possíveis patrocinadores durante uma viagem. De acordo com ela, a receptividade foi tão positiva que a proposta foi levada ao Conselho do boi Caprichoso, dando início à criação das primeiras camisas oficiais.

“Criaram a logomarca, fizeram o registro no INPI e, a partir daí, foram feitas as primeiras camisas por mim. Depois o Garantido também criou a sua marca, fez o registro e as primeiras camisas oficiais também foram feitas pela Q’Boi”, afirma a empresária. 

Marca construída com trabalho e persistência

Os primeiros anos da empresa foram marcados por desafios, já que na época, Parintins ainda não possuía estrutura para produzir as peças, obrigando Ester a buscar fornecedores em Manaus. Ela explica que contou com a ajuda dos irmãos, que também eram comerciantes, para aprender os caminhos do empreendedorismo.

“Eu tive que ir em Manaus comprar as camisas prontas. Meus irmãos me orientaram sobre onde comprar. Levava as artes para Manaus, fazia as estampas e trazia tudo para Parintins”, pontua. 

Ester Almeida. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Leia também: Saiba quais marcas já adaptaram suas cores por conta do Festival Folclórico de Parintins

Com o crescimento da marca, a empresária passou a trabalhar em parceria com artistas locais, que criavam ilustrações exclusivas para as coleções. Mesmo assim, ela faz questão de destacar que a empresa nunca deixou de ser um pequeno ateliê:

“A Q’Boi não é indústria. Eu considero a Q’Boi uma formiguinha. Nós temos um pequeno ateliê, com poucas pessoas, e passamos o ano inteiro trabalhando para que, quando chegue o festival, tenhamos uma quantidade de material pronta”. 

Leia também: Empreendedores surfam na onda do Festival de Parintins para impulsionar seus negócios

A pandemia e a força para recomeçar

Entre os momentos mais difíceis da trajetória da empresa, a pandemia de Covid-19 tem destaque. Além das dificuldades financeiras provocadas pela paralisação das atividades, Ester enfrentou a perda do marido, companheiro de vida e de trabalho.

Ela conta que precisou fechar a loja física justamente quando a empresa vivia um momento de crescimento: “A Q’Boi estava em ascensão, conseguimos um ponto próprio, estava ali um sonho. Aí a pandemia vem, me faz parar e leva o grande amor da minha vida. E com isso eu tive que fechar a loja e parar o meu sonho”.

Apesar da dor, a empresária decidiu seguir em frente. De acordo com ela, a inspiração veio de um projeto antigo que estava guardado: a criação dos chamados ‘Baby Bois’, pequenos bois de pelúcia inspirados nos dois rivais do festival.

“Esse boizinho veio com a missão de me ajudar a não desistir, acreditar em mim, acreditar nas pessoas que trabalhavam comigo e ajudar as famílias que dependiam da Q’Boi. E a Q’Boi é assim, aqui na Q’Boi você é a nossa estrela e nós o atendemos de coração”, destaca Ester.

O produto rapidamente conquistou o público e se tornou um dos símbolos da retomada da empresa.

Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

Criatividade inspirada em Parintins

Boa parte da identidade visual da Q’Boi passa pelas mãos de Joel Almeida, filho de Ester e Joaquim, responsável pela direção criativa da marca há 18 anos. Natural de Parintins, ele conta que sua ligação com a arte começou ainda na infância, quando estudou na Escolinha de Arte do irmão Miguel de Pascale e teve contato com o desenho e, posteriormente, com a ilustração digital.

“Desde criança, quem nasce em Parintins é estimulado a lidar com a parte artística. Desde adolescente comecei a fazer os desenhos da Q’Boi, sempre conversando com a minha mãe e buscando trazer a essência de Parintins para as estampas”, explica. 

As coleções misturam elementos tradicionais do festival com referências contemporâneas. Entre os destaques está uma camisa inspirada no estilo blueprint, normalmente utilizado em desenhos industriais.

“A ideia foi fazer uma imersão no interior do boi, valorizando a figura do tripa, as estruturas internas feitas de fibra e tecido. O boi também é formado de sonhos e tudo isso está representado nessa camiseta”, detalha Joel.

Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia

As coleções também acompanham tendências da moda, como as camisetas oversized em algodão mais encorpado e peças produzidas em serigrafia, além de modelos com detalhes refletivos e estampas integrais.

Para quem prefere celebrar a cultura da cidade sem escolher um lado na rivalidade entre Caprichoso e Garantido, a marca também desenvolveu uma linha neutra inspirada em Parintins e na floresta amazônica.

Cultura que gera oportunidades

Depois de quase 30 anos de história, a Q’Boi tornou-se mais do que uma loja de produtos temáticos. A marca representa a força do empreendedorismo criativo na Amazônia e demonstra como a cultura pode se transformar em oportunidade de negócios, geração de renda e valorização da identidade regional.

Para conhecer mais dessa história e do trabalho da marca, assista à entrevista completa no programa Negócios da Amazônia, do canal Amazon Sat: 

Vamos Brincar de Boi

O “Vamos Brincar de Boi” é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, da Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC) e do Governo do Amazonas.

A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.

Estudantes bolivianos desenvolvem alimentos e bebidas funcionais com potencial para melhorar a saúde

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Três projetos demonstram como o aprendizado vai além da sala de aula, por meio de soluções inovadoras com impacto social. Foto: Reprodução/Unifranz

A ciência universitária vem demonstrando que pode se tornar uma ferramenta poderosa para responder às necessidades reais da população. Na Universidade Privada Franz Tamayo (Unifranz), na Bolívia, estudantes do curso de Bioquímica e Farmácia desenvolveram três protótipos de alimentos e bebidas funcionais com potencial para contribuir para o bem-estar de diferentes grupos populacionais: YoguFlex, Biofranz Energy e Curcuyog.

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Os projetos nasceram da pesquisa aplicada e do interesse em transformar conhecimentos científicos em soluções acessíveis para problemas cotidianos relacionados à saúde, à nutrição e ao desempenho físico. Um dos projetos de maior destaque é o YoguFlex, um iogurte enriquecido com colágeno, voltado principalmente para pessoas idosas com desconfortos articulares.

Leia também: Bebida reidratante que melhora o desempenho físico e mental é criada por estudantes na Bolívia

Estudantes desenvolvem alimentos e bebidas funcionais com potencial para melhorar a saúde
Yuguflex desenvolvido pelos estudantes. Foto: Reprodução/Unifranz

Jhoset Coaquira, estudante de Bioquímica e Farmácia da Unifranz, explica:

“Nosso projeto chama-se YoguFlex e é voltado principalmente para pessoas idosas que apresentam dores articulares. Seu consumo pode ajudar a reduzir esse tipo de desconforto e, além disso, pode ser utilizado de forma preventiva por pessoas com menos de 50 anos”.

O projeto utiliza colágeno obtido por meio de processos de pesquisa e validação realizados pelas estudantes. Esse componente é amplamente reconhecido por sua importância para a saúde das articulações, dos ossos, da pele e dos tecidos conjuntivos.

“Entre seus benefícios, contribui para os cuidados com a pele, ajuda a reduzir dores articulares e favorece o crescimento dos cabelos e das unhas, promovendo o bem-estar geral de quem o consome”, acrescenta Jhoset.

Além disso, a iniciativa incorpora uma perspectiva sustentável ao reaproveitar subprodutos de origem animal para a obtenção desse ingrediente.

Leia também: Iogurte funcional com curcumina para pessoas com diabetes é criado por estudantes na Bolívia

Bebida reidratante fortalece o desempenho físico e mental

Outra proposta inovadora é o Biofranz Energy, uma bebida desenvolvida para favorecer a hidratação e a reposição de minerais essenciais em estudantes e atletas.

“Nosso projeto chama-se Biofranz Energy. Trata-se de uma solução oral reidratante. Nossa bebida foi formulada com eletrólitos, como cloreto de potássio, cloreto de magnésio e cloreto de sódio, que contribuem para o funcionamento adequado do sistema nervoso e muscular. O projeto é voltado para beneficiar estudantes e atletas”, afirma Nayely Apaza, integrante da equipe.

Biofranz Energy, desenvolvido pelos estudantes. Foto: Reprodução/Unifranz

Os eletrólitos desempenham funções fundamentais no organismo, pois participam da transmissão dos impulsos nervosos, da contração muscular e da manutenção do equilíbrio hídrico. Uma hidratação adequada também favorece a concentração, a memória e o desempenho físico, aspectos essenciais tanto para atividades acadêmicas quanto esportivas.

Pesquisa universitária impulsiona soluções para o diabetes

O terceiro protótipo é o Curcuyog, um iogurte funcional elaborado com curcumina, composto ativo presente na cúrcuma e amplamente estudado por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Esther Quispe, estudante de Bioquímica e Farmácia da Unifranz, destaca:

“Nosso projeto consiste na elaboração de um iogurte, ao qual demos o nome de Curcuyog, destinado a pessoas com diabetes”.

Curcuyog, desenvolvido pelos estudantes. Foto: Reprodução/Unifranz

Ela acrescenta que os benefícios do Curcuyog concentram-se no auxílio às pessoas com diabetes.

“Trata-se de um iogurte funcional que, graças às propriedades da cúrcuma, pode contribuir para reduzir os níveis de glicose no sangue e favorecer o aproveitamento da insulina pelo organismo”.

Além disso, a equipe responsável destaca que, por ser um alimento lácteo, o produto também fornece proteínas, probióticos e nutrientes que contribuem para o bom funcionamento do sistema digestivo e promovem o bem-estar geral.

É importante ressaltar que os protótipos, produtos e desenvolvimentos da Unifranz fazem parte de projetos acadêmicos e de pesquisa com finalidade exclusivamente educacional. Por esse motivo, não possuem as autorizações, os registros sanitários nem as licenças exigidos pela legislação vigente para sua produção, distribuição ou comercialização no país.

Ainda assim, esses três projetos demonstram como a formação universitária pode ir além das salas de aula, impulsionando soluções inovadoras capazes de responder a necessidades reais e gerar impacto positivo na sociedade.

*Com informações da Unifranz

Inventário do Iphan aponta Igrejas neopentecostais e madeireiros como principais ameaças para línguas indígenas

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Foto: Divulgação/Iphan

Segundo informações obtidas no Inventário Nacional da Diversidade Linguística (INDL), realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a maior ameaça para as línguas indígenas são madeireiros, por meio da corrupção de indígenas a partir do uso de drogas e da divisão das comunidades; igrejas evangélicas pentecostais e organizações cristãs não vinculadas a igrejas, através da catequização, do desencorajamento de festas tradicionais em detrimento de atividades sociais cristãs; e da interferência na educação escolar das comunidades indígenas por meio de cartilhas de alfabetização. 

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Foram analisados dados de 23 línguas cujos inventários sociolinguísticos estão presentes em uma plataforma inédita lançada pelo Iphan e verificou-se que duas estão desaparecendo (Kawahiba do povo Karipuna, e Oro Win de Rondônia) e sete possuem grau severo de ameaça de extinção (Sakurabiat, Kawahiba do povo Amondawa, Salamãi, Latundê, Kwazá e Aikanã de Rondônia, e Asuriní do Trocará do Pará).

Além disso, duas estão ameaçadas (Wari’, de Rondônia e Yorùbá, Rio de Janeiro), sete estão vulneráveis (Talian, de diferentes estados das regiões Sudeste e Sul, Kalapalo, Nahukwa, Kuikuro, Karo, Karitiana e Matipu, faladas em Rondônia e no Alto Xingu) e quatro possuem grau forte de vitalidade (Paiter, do Alto Xingu, Guarani Mbya e Hunsrückisch, de diferentes estados das regiões Sudeste e Sul, e Libras, de todos os estados brasileiros).

A avaliação de vitalidade da língua indígena Kawahiba do povo Uru-Eu-Wau-Wau, de Rondônia, ainda não foi disponibilizada no site. Do conjunto, apenas a LIBRAS, o Talian e o Hunsrückisch não são originárias.

A plataforma do INDL foi lançada na última semana como forma de promover engajamento comunitário e incentivar pesquisas sociolinguísticas sobre as dinâmicas de uso e preservação das línguas faladas no Brasil. Instituído pelo Decreto Nº 7.387, de 9 de dezembro de 2010, o INDL é o instrumento oficial de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas faladas pelos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.

Os inventários são elaborados em conjunto com lideranças dos respectivos povos falantes de cada idioma. O Iphan estima que mais de 250 línguas diferentes sejam faladas no Brasil.

A plataformização do inventário é uma maneira de aproximar as comunidades de suas próprias culturas linguísticas, “contribuindo para seu fortalecimento enquanto gestoras do seu próprio patrimônio cultural”. Além de dados históricos, culturais e geográficos de cada língua, a plataforma também aponta o grau de vitalidade e as principais ameaças aos falantes.

Madeireiros e casamentos com não-indígenas

Os madeireiros da região de Bandeirantes e Buriti, em Rondônia, são o principal grupo que ameaça a vitalidade da língua Kawahiba, do povo Karipuna, através da extração ilegal de madeira da T.I de Karipuna, ameaçando a tranquilidade e a sobrevivência dos Karipuna. A pesquisa sociolinguística identificou que os Karipuna possuem apenas 10 falantes da língua, cuja transmissão está interrompida e o grau de vitalidade é de desaparecimento.

“Nenhuma criança aprendeu [a língua], e os jovens de até 23 anos já não a praticam constantemente devido ao seu maior contato com os não indígenas. A cultura verbal, em geral, como cantos, danças etc. já não tem sua manutenção realizada”, diz o relatório.

A pesquisa identificou que a união conjugal do povo Karipuna com não-indígenas “tem sido um fator preponderante na obsolescência da língua dos Karipuna. Os filhos gerados dessas uniões não aprendem a língua dos pais ou mães Karipuna, mas tão somente o Português”. 

Leia também: Com 391 etnias e 295 línguas indígenas, saiba quais possuem maior abrangência na Amazônia Legal

Inventário do Iphan aponta Igrejas neopentecostais e madeireiros como principais ameaças para línguas indígenas
Aldeia Mbyá-Guarani em São Paulo. Foto: Divulgação/Iphan

Madeireiros não identificados ameaçam a língua Salamãi, de Rondônia, à medida que “pagam um pouco de dinheiro para extração ilegal de madeira, mas estragam a floresta, trazem bebidas alcoólicas e drogas, corrompem os indígenas, dividem as comunidades”. O relatório sociolinguístico da língua aponta que a língua é lembrada por apenas duas falantes já idosas, “Dona Peridalva na T.I. Tubarão-Latundê e Dona Maria na cidade de Porto Velho. Essas senhoras não mais têm usado a língua desde sua mocidade, aos 15 anos, aproximadamente”. 

Questões culturais, como a ausência de instrumentos e políticas para incentivar a presença da língua na comunidade frente ao avanço do Português, também estão presentes na plataforma. A língua Kawahiba do povo Amondawa, de Rondônia, está classificada como severamente ameaçada, devido à baixa presença de falantes. 

“Como mostra o diagnóstico de proficiência dos falantes, dos 126 Amondawa, 45 não falam a língua, o que representa 35,71% da comunidade linguística. Também é de se notar a predominância do português na escola. A dificuldade é ainda maior para os professores indígenas, pois não há material didático na língua, diferentemente do português, que tem vários livros didáticos à disposição e que sempre chegam à escola a cada ano”, diz a publicação. 

A avaliação de vitalidade da língua Wari’, de Rondônia, explica que o principal fator negativo na vitalidade da língua “é a expansão do uso do português nas aldeias, tanto em novos contextos (escola, saúde, internet) quanto em situações de casamentos interétnicos, que, devido à maior integração dos povos indígenas de diferentes etnias da região em situações educativas e político-sociais, está crescente em muitas aldeias. Também se observa pouco espaço social para o uso da língua em situações urbanas”. 

A respeito da língua Oro Win, Rondônia, a principal razão para o seu desaparecimento é “o rompimento da transmissão da língua na época do seringal e as ações subsequentes do governo em relação aos Oro Win, especialmente a falta de apoio na expulsão imediata dos seringueiros de seu território e o restabelecimento de comunidades indígenas Oro Win no seu território tradicional”. 

Atuação das igrejas e organizações missionárias

A igreja que mais incide no INDL como ameaça apontada noinventário é a Igreja Universal do Reino de Deus, através do grupo Jovens com Uma Missão. Povos Matipu residentes de Canarana e Gaúcha do Norte, no Mato Grosso, frequentam cultos religiosos da igreja ou de outras igrejas pentecostais presentes no território. O grau de vitalidade da língua é vulnerável. Segundo sua avaliação, o contato cada vez mais intenso da língua com missionários evangélicos é um dos fatores para o seu enfraquecimento.

Segundo as pesquisas do inventário da língua Matipu, do Alto Xingu, a missão evangélica da igreja Universal atua nessas cidades ‘recebendo e remunerando indígenas com a finalidade de traduzir a bíblia e textos evangélicos para a língua indígena’. Segundo o INDL, a instituição também envolve professores indígenas na produção de cartilhas de alfabetização para interferir na educação escolar indígena junto à Secretaria Municipal de Educação do município de Gaúcha do Norte.  Além da língua Matipu, os dados apontam que a Igreja Universal do Reino de Deus também ameaça as línguas indígenas Kalapalo, Nahukwa e Kuikuro, do Parque Indígena do Xingu, todas em estado de vulnerabilidade. 

Leia também: Resgatar e preservar: línguas indígenas são repositórios de saberes ancestrais

Aldeia Latundê. Foto: Divulgação/Iphan

As organizações missionárias não vinculadas a igrejas específicas que ameaçam línguas indígenas são a Summer Institute of Linguistics (SIL), integrante de um grupo missionário dos Estados Unidos que no fim do século passado foi responsável por 80% dos programas de tradução bíblica para línguas não-européias, e a organização Missão Novas Tribos do Brasil, agência missionária evangélica norte-americana que também atua na tradução da bíblia e na construção de igrejas em comunidades indígenas isoladas e de difícil acesso. 

A língua indígena Paiter, do povo Paiter que originalmente residia no Mato Grosso, é o principal alvo da SIL, segundo o inventário. O INDL aponta a existência de várias igrejas nas aldeias e cantos cristãos na língua Paiter de autoria indígena. O inventário sociolinguístico da língua também indica que “houve mudança na transcrição da língua, criando certa confusão”. 

Atualmente, festas cristãs ocorrem no território Paiter, ocupando o espaço de festas tradicionais entre tribos vizinhas, como a Gavião, a Zoró e a própria Paiter. Embora a SIL não esteja mais presente no território, ainda impacta nas tradições e na cultura indígena a partir de sua tradução bíblica. A Missão Novas Tribos trabalha numa tradução do Novo Testamento para a língua. 

Apesar do contexto, a língua possui grau de vitalidade forte. Isso ocorre porque os Paiter que residem na Terra Indígena (T.I) Sete de Setembro (território entre Mato Grosso e Rondônia, habitado por cerca de 1.200 indígenas Suruí) “continuam a comunicar-se em Paiter em todas as situações da vida diária, estando o português restrito a contatos com não-indígenas ou pelo menos não-Paiter”. As crianças criadas dentro da T.I adotam o Paiter como língua mãe.

Fora a língua Paiter, a Missão Novas Tribos também atua em comunidades onde as línguas indígenas Wari’ e Oro Win são faladas, em Rondônia. Como ações prejudiciais à língua, o INDL cita cultos e pregação evangélica dentro das comunidades, gerando desprestígio das tradições e cultura local. 

O que é o INDL

Segundo o Iphan, o inventário “é resultado de uma intensa mobilização de setores da sociedade civil e governamentais interessados em mudar esse cenário. Ele é o instrumento oficial de identificação, documentação, reconhecimento e valorização das línguas faladas pelos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira”.

O INDL agrupa as línguas faladas no Brasil em cinco eixos diferentes: línguas indígenas, de imigração, de sinais, afro-brasileiras e línguas crioulas. Toda as línguas presentes na plataforma estão inventariadas, mas aguardam os trâmites necessários para sua efetiva inclusão no INDL e seu reconhecimento como Referência Cultural Brasileira.

O processo depende da avaliação de um colegiado deliberativo, atualmente em estado de constituição. Segundo informações obtidas pelo Nonada, o colegiado se tornará o futuro Conselho Nacional de Políticas para a Diversidade Linguística.

Leia também: Conheça cinco línguas indígenas extintas na Amazônia

Arte: Reprodução/Iphan

Desde o surgimento do INDL, em 2010, 7 línguas que corriam risco de extinção foram incluídas no Inventário e reconhecidas como Referência Cultural Brasileira. As  demais, a exemplo da língua indígena Wari’, da língua afro-brasileira Yourùbá e da língua de sinais Libras aguardam a inclusão no inventário. 

Até o momento, o Iphan já disponibilizou na plataforma o inventário sociolinguístico de 23 línguas. Além das línguas que constam no site, foram inventariadas outras seis línguas indígenas da família yanomami. Também foram inventariadas as línguas indígenas Wapichana, de Roraima, Hatxa Kui, do Acre, e a língua de imigração Pomerana, de comunidades do Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rondônia e Minas Gerais. Essas línguas aguardam anuência das comunidades linguísticas envolvidas nos processos de pesquisa para constarem na plataforma. 

Estão em fase de desenvolvimento inventários das línguas Kheuól Karipuna, Kheuól Galibi-Marworno, Parikwaki e Kali’na, da Região do Oiapoque, no Amapá; da Língua Medzeniako, dos povos Baniwa-Koripako, do Amazonas; da Língua A’uwẽ uptabi, do povo Xavante, do Mato Grosso; da Língua Polonesa/Polaca (do RS, SC, PR e ES); das Línguas Karib do Tumucumaque, do Pará e do Amapá; e o Inventário de Falares Afro-brasileiros de origem bantu, que traz os cânticos do Vissungo, de Minas Gerais. 

Cada uma das línguas presentes no site do INDL contém informações sobre a identificação da pesquisa, sua caracterização territorial, comunidade linguística, diagnóstico linguístico e avaliação de vitalidade, que mede o grau de ameaça sofrida pelas línguas e lista ações de revitalização e promoção das mesmas. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Alexandre Briozo Filho

Descoberta na Amazônia peruana: pesquisa revela quatro novos grupos genéticos de cacau

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Foto: Divulgação/Agência Andina

Quatro novos grupos genéticos de cacau nativo foram identificados no Peru, a partir de pesquisas patrocinadas pela Universidade Nacional Toribio Rodríguez de Mendoza do Amazonas.

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O trabalho, desenvolvido pelo Instituto Ceja de Selva para a Investigação do Desenvolvimento Sustentável, foi publicado na revista científica ‘Plos One’.

A organização enfatizou que essa descoberta amplia o conhecimento sobre a diversidade genética do cacau, criando novas oportunidades para o desenvolvimento de variedades com maior qualidade, produtividade e resistência a doenças.

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Durante a pesquisa foram analisados os DNAs de 390 cacaueiros do Amazonas, Ayacucho, Cajamarca, Cusco, Madre de Dios, Piura, San Martín e Ucayali.

Imagem colorida mostra agricultora colhendo cacau de área verde
Foto: Pedro Guerreiro/ Agência Pará

Para isso, foram utilizadas ferramentas de genética molecular de alta precisão, identificando assim novos grupos genéticos, denominados Awajún, Porcelana, Chuncho 1 e Chuncho 2.

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Composição genética nativa do cacau

O estudo também confirmou que cada uma das regiões avaliadas mantém sua própria composição genética, o que consolida o Peru como um dos principais reservatórios de diversidade genética do cacau em todo o mundo, conforme indicado.

O estudo também indica que a variedade CCN-51, amplamente utilizada na produção comercial do fruto, possui 45% de ancestralidade genética do grupo Awajún. Isso demonstra a contribuição do germoplasma peruano para os programas internacionais de melhoramento genético.

Os resultados da pesquisa contribuirão para o fortalecimento dos bancos de germoplasma, promoverão o desenvolvimento de novas variedades e incentivarão a produção.

*Com informações da Agência Andina

Professor critica PL que busca abrir mercado de voos na Amazônia para mais empresas de fora do que da região

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O professor de sistemas de transporte da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Augusto César Barreto Rocha, em sua participação no programa ‘Entrevistas, do canal Amazon Sat, criticou o objetivo do projeto de lei que tramita no Congresso Nacional que busca diminuir o preço das passagens aéreas de voos na Amazônia entre cidades na região.

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Para César Rocha, o projeto de lei não protege pequenas empresas que já atuam na Amazônia de grandes empresas e, ao seu ver, isso pode ser ruim para o mercado regional no serviço de transporte aéreo.

“Nós temos tido algumas histórias de sucesso de empresas regionais e essas empresas precisam ter um ambiente que proteja elas daqueles que entram nessas operações. Precisa ter um ambiente que proteja esse mercado das grandes empresas nacionais. A gente tem uma história relativa de sucesso de algumas empresas regionais, como por exemplo a Rico Táxi Aéreo, que atuou aqui no estado do Amazonas no passado. Foi uma empresa que começou a crescer muito ao operar com dois boeings no interior e na região e naquele momento eles ganharam de vários concorrentes nacionais de grande porte”, afirmou o professor.

Augusto César Barreto Rocha afirmou ainda que outras empresas que não são da região acabam se interessando apenas por voos mais longos, entre cidades de regiões diferentes, para economizar dinheiro com os custos do voo, como querosene e mão de obra.

Segundo o professor, abrir esse mercado para outras empresas, incluindo as internacionais como projeta o texto que tramita no Congresso Nacional, pode gerar ainda mais prejuízos para as pessoas que utilizam voos na Amazônia.

“Hoje nós somos servidos muito pouco de empresas regionais e do ponto de vista de atratividade de negócios para grandes empresas nacionais como Latam, Azul e Gol, elas terminam só se interessando pelos voos de longa distância, portanto das capitais da Amazônia para as capitais do Sudeste, Sul, Centro do Brasil e do Nordeste. Não há voos em grande quantidade dentro do tamanho da oportunidade que temos, pro território da própria Amazônia”, disse.

“Ou seja, é uma oportunidade não para grandes empresas e sim para empresas pequenas e médias que podem se desenvolver em cada um desses estados. Essas empresas poderiam ser desenvolvidas por meio de políticas públicas que privilegiassem por exemplo aeronaves de menor porte, que aliás é uma das especialidades da Embraer, que é um dos grandes produtores de aviões a nível global, concorrendo com a Airbus e com a Boeing”, completou. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

136 anos: Seis lugares para conhecer ou revisitar em Boa Vista

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Boa Vista foi elevada à categoria de município em 9 de julho de 1890. Foto: Reprodução/Prefeitura de Boa Vista

Boa Vista, capital de Roraima, é assim: pela manhã, chuva. À tarde, o calor ultrapassa os 30°C. Para acompanhar essas mudanças de tempo, a cidade, que completa 136 anos nesta quinta-feira (9), tem espaços para todos os gostos e climas.

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Do Mirante Edileusa Lóz à praça Germano Augusto Sampaio, opções não faltam para aproveitar a cidade ou para passeios em um dia comum. Faça chuva, faça sol — ou até os dois ao mesmo tempo —, o que não vale é ficar em casa.

O historiador Davy Batista, que produz conteúdo sobre a história da cidade e de Roraima nas redes sociais, esses espaços são além de pontos turísticos. E

Leia também: O que fazer em Boa Vista em um dia?

les são patrimônios que ajudam a preservar a memória da cidade e contam a história do povo que construiu Boa Vista desde a fundação, em 1890.

“É o povo que faz o espaço urbano. Esses locais são representantes dessa ideia de povo”, destacou.

Para celebrar os 136 anos de Boa Vista, confira seis lugares para conhecer ou revisitar na capital:

Praça Germano Augusto Sampaio

Para quem gosta de andar de bicicleta ou aproveitar eventos ao ar livre, o parque Municipal Germano Augusto Sampaio, conhecido como Praça do Pintolândia, é uma opção de passeio na zona Oeste de Boa Vista.

A praça tem áreas de lazer com quadras de vôlei e futebol, pistas de bicicross e skate, áreas com árvores, lagoa, lanchonetes, calçadão e estacionamento.

Inaugurado em 2004, o parque foi criado para ampliar as opções de lazer fora da região central da capital. O espaço recebeu o nome de Germano Augusto Sampaio em homenagem ao filho do ex-prefeito Iradilson Sampaio, que morreu aos 14 anos.

Além de receber visitantes diariamente, o parque é palco de eventos tradicionais da cidade, como o Natal da Paz, que reúne famílias em apresentações e espetáculos ao ar livre durante as celebrações de fim de ano.

Onde fica: a praça fica na rua Carmelo, no bairro Doutor Sílvio Botelho (também conhecido como região do Pintolândia). A área fica no entorno das avenidas Nazaré Filgueiras e a Laura Pinheiro Maia.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Boa Vista

Complexo Ayrton Senna

Seu “rolê” é correr ao ar livre e praticar esportes? O Complexo Ayrton Senna é uma das opções em Boa Vista. Só vale o aviso: por volta das 18h, o movimento costuma ser intenso. Lá, tem pista de skate, quadra de vôlei e tênis, além de fontes de água para as crianças se divertirem.

O complexo se estende por cerca de 2 Km ao longo da avenida Capitão Ene Garcez. O percurso começa na praça das Águas, passa pela praça Fábio Marques Paracat e segue até a praça do Triângulo, antes de chegar no aeroporto internacional de Boa Vista.

O espaço oferece opções para quem gosta de lazer, esportes, ciclismo, caminhadas e atividades físicas nas academias ao ar livre.

Inaugurado na década de 1990, entre 1994 e 1996, o espaço surgiu a partir de uma transformação urbana na capital. O local recebeu o nome de Ayrton Senna, em homenagem ao piloto brasileiro que marcou a história do automobilismo e morreu em 1994. 

Onde fica: avenida Capitão Ene Garcez, s/n, no Centro.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Boa Vista

Praça das Águas

Um dos cartões-postais mais conhecidos de Boa Vista, a praça das Águas é um dos espaços que reúne lazer, história e um dos símbolos da capital: o Portal do Milênio.

Inaugurado em 2000 pela prefeitura, o Portal foi construído para marcar a chegada do século 21. O monumento simboliza a passagem de Boa Vista para a nova era e se tornou um dos cartões-postais e pontos turísticos mais visitados da capital.

A praça das Águas reúne chafarizes, cascatas e fontes luminosas que, à noite, apresentam um espetáculo sincronizado de água, luzes e sons.

A área tem o nome oficial de praça das Águas Salomão Hatem, em homenagem ao comerciante que marcou a história do comércio roraimense. 

Onde fica: avenida Capitão Ene Garcez, s/n, Centro.

Imagem colorida mostra Praça das Águas Salomão Hatem em Boa Vista
Foto: Divulgação/ Prefeitura de Boa Vista

Praça do Mirandinha

Se você procura um lugar para estender uma toalha no gramado, fazer um piquenique ou comemorar um aniversário ao ar livre, a Praça do Mirandinha é uma opção.

Localizado no bairro Caçari, o espaço tem área arborizada e abriga uma escultura de uma iguana gigante, criada para representar a fauna de Roraima e que se tornou um dos símbolos da praça.

Conhecida pelos moradores como Praça do Mirandinha, o espaço tem como nome oficial Praça George Manoel da Silva. O apelido faz referência ao igarapé Mirandinha, que corta a área e compõe a paisagem do local.

Onde fica: rua da Tangerineira, s/n, bairro Caçari.

Foto: Diane Sampaio/PMBV

Bosque dos Papagaios

Nem todo passeio precisa ter grandes estruturas: no Bosque dos Papagaios, a atração principal é a natureza. O espaço foi criado para preservar espécies da fauna e flora sem sair da cidade.

No espaço há animais silvestres, como araras, papagaios, tucanos, raposa, capivara, anta, veados-campeiros e mais de 90 jabutis.

Localizado no bairro Paraviana, o Bosque funciona de terça a sexta-feira, das 8h às 18h em dias úteis. Aos sábados e domingos, o horário de funcionamento é das 14h às 18h.

Lá não abre nos dias de feriados. Além disso, é proibido entrar com animais domésticos, alimentar os animais, entrar com bebida alcoólica, consumir alimentos nas trilhas, fumar e descartar resíduos de forma irregular. Além disso, há dez bicicletas podem ser usadas de forma gratuita. 

Onde fica: rua Moisés de Souza Cruz, s/n, Paraviana.

Foto: Diane Sampaio/PMBV

Igreja Matriz, Orla Taumanan e Mirante Edileusa Lóz

A poucos metros uns dos outros, a Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo, a Orla Taumanan e o Mirante Edileusa Lóz podem ser visitados no mesmo passeio, em um roteiro que reúne história, cultura e uma das vistas mais conhecidas da capital.

A Matriz Nossa Senhora do Carmo foi a primeira igreja construída em Roraima e representa a presença da igreja Católica. Em 1920, o templo foi reconstruído pelos padres beneditinos com características da arquitetura germânica e se tornou única na Amazônia.

Leia também: Igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo: um marco histórico em Boa Vista

No interior da igreja, brasões de ordens religiosas e obras de um artista indígena macuxi ajudam a contar parte dessa história. 

Onde fica: rua Bento Brasil, 1140, Centro.

Foto: Reprodução/brasil-reddit

A Orla Taumanan, às margens do Rio Branco, também guarda a memória da formação de Boa Vista. Antes da estrutura atual, o local abrigava o Porto do Cimento, por onde chegavam pessoas e mercadorias à cidade. 

Onde fica: rua Floriano Peixoto, s/n, no Centro Histórico.

Foto: Katarine Almeida/PMBV

Inaugurado em 2020, o Mirante Edileusa Lóz é um dos atrativos turísticos mais recentes de Boa Vista. Com cerca de 120 metros de altura e vista panorâmica de 360 graus, o espaço permite contemplar o Rio Branco e a paisagem da capital.

A parte superior do mirante possui 250 m². O local funciona de quarta a domingo, das 15h às 21h. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados por meio do site. 

Onde fica: travessa presidente Castelo Branco, 205, Centro.

Foto: Richard Messias/PMBV

*Por Nalu Cardoso, da Rede Amazônica RR

Pesquisadora do Inpa ganha prêmio internacional por estudo com “samburá” de abelha amazônica sem ferrão

Foto: Reprodução/Arquivo Agência Amazonas

A pesquisadora Kemilla Sarmento Rebelo, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), foi a vencedora do prêmio ‘MZ Mustafa for Young Researcher in Meliponitherapy‘, concedido pela International Bee Research Association – IBRA. O reconhecimento veio pela publicação do artigo “Suplementação com o samburá reduz a glicose de jejum e modula a microbiota intestinal em modelo animal de obesidade induzida” e pela avaliação da sua produção científica por uma comissão composta por um pesquisador representante de cada continente.

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A cerimônia ocorreu no dia 18 de junho, durante o encerramento do ISSB IBRA 2026 – International Symposium on Stingless Bees, realizado online, na Grécia. O prêmio é concedido a jovens pesquisadores que se destacam pela excelência científica no estudo dos produtos das abelhas sem ferrão.

Além do reconhecimento, Kemilla recebeu o livro “Stingless bee therapeutic biomaterials: Novel anti-antimicrobial-resistant agents – Springer Nature”, 2026 e a assinatura eletrônica de um ano do Journal of Apicultural Research, da Taylor & Francis, em nome da IBRA.

Samburá regula glicemia e microbiota intestinal

O estudo pré-clínico é o primeiro a demonstrar que o samburá – o “pólen das abelhas sem ferrão” produzido por uma espécie de abelha amazônica – reduz a glicemia de jejum e modula bactérias específicas do intestino em modelo animal de obesidade.

“A modificação da microbiota intestinal foi associada à melhoria do metabolismo sistêmico da glicose, indicando grande potencial do samburá para uso por pessoas com diabetes”, explica Kemilla.

Para a pesquisadora, que atua como docente e orientadora no Programa de Pós-Graduação em Agricultura no Trópico Úmido do Inpa, o prêmio é um incentivo para ampliar os estudos sobre produtos de abelhas sem ferrão, ainda pouco explorados no Brasil e no mundo.

Leia também: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

pesquisadora kemilla rebelo - abelhas sem ferrão da amazônia - samburá
Foto: Érico Xavier/Fapeam

“Não tem muitas pesquisas sobre o samburá, embora a gente tenha mais de 500 espécies de abelhas sem ferrão no mundo todo. O potencial é enorme aqui na Amazônia! O Amazonas é o estado com a maior diversidade de abelhas sem ferrão, então ainda há muito a conhecer sobre o samburá de cada espécie. Me sinto muito feliz e honrada em receber esse prêmio”, comemorou.

O Inpa mantém uma coleção viva de abelhas sem ferrão e uma linha de pesquisa sobre produtos de abelhas nativas, com foco em nutrição, saúde e bioeconomia.

Trajetória da pesquisadora

A pesquisadora Kemilla Rebelo ingressou no Inpa há cerca de um ano, trazendo uma carreira acadêmica consolidada como docente da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A pesquisa que resultou em sua premiação é fruto de sua trajetória e foi desenvolvida ao longo de sua formação doutoral na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), período em que realizou parte dos estudos na Universidade de Copenhague, na Dinamarca.

Sua trajetória contou com o apoio de reconhecidas instituições de ciência e tecnologia, incluindo a concessão de bolsa pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Confira detalhes sobre a pesquisa de Kemilla com as abelhas amazônicas no programa Igarapod, uma parceria do Portal Amazônia com o canal Amazon Sat:

*Com informações do INPA

Aves silvestres voltam à natureza após reabilitação em projeto realizado em parceria com o Ibama em Manaus

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Aves silvestres foram reintroduzidas à natureza durante a primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem. Foto: Divulgação/Grupo Atem

Um grupo de aves silvestres foi reintroduzido à natureza durante a primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem, do Grupo Atem, em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no dia 2 de julho em uma área verde próxima ao rio Negro, na Zona Sul de Manaus (AM).

O grupo era formado por duas araras, um tucano-de-papo-branco, um papagaio-da-várzea e uma curiquinha-verde, resgatadas pelo Ibama, e que estavam abrigadas na Área de Soltura de Animais Silvestres (ASAS) construída pelo Grupo Atem – a única autorizada pelo instituto na capital amazonense.

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O Projeto ASAS Atem recebe animais oriundos de apreensões relacionadas ao tráfico de animais silvestres, resgates em situações de maus-tratos, acidentes e entregas voluntárias, para dar continuidade ao processo de reabilitação em um ambiente cercado pela fauna e flora amazônicas. Nesse período, os animais recuperam comportamentos silvestres encaminhados pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), essenciais para que possam ser devolvidos à natureza segurança.

O coordenador do ASAS Atem, Igor Andrade, explica que a iniciativa, desenvolvida pelo Grupo Atem e com acompanhamento técnico do Ibama, foi estruturada ao longo de dois anos. Da escolha da área à construção da estrutura e ao processo de licenciamento, todas as etapas seguiram os critérios técnicos estabelecidos pelo órgão ambiental.

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A estrutura foi implantada em um local cercada pela floresta amazônica, às margens do Rio Negro. O espaço conta com um recinto de adaptação de aproximadamente 14 metros de altura, projetado para permitir que as aves recuperem gradualmente a capacidade de voo, além de uma área de apoio destinada ao preparo e armazenamento da alimentação.

Segundo Igor, a proposta vai muito além da construção de um recinto: “Mais do que recuperar o voo, queremos que os animais recuperem seus instintos. Aqui eles voltam a ouvir os sons da floresta, sentir o vento, reconhecer os alimentos naturais, reaprender a se orientar e readquirir os comportamentos necessários para sobreviver em liberdade”.

Da recuperação das aves ao retorno à natureza

Antes de chegarem à ASAS Atem, os animais passam por um criterioso processo de recuperação no Ibama. As aves normalmente chegam debilitadas, lesionadas ou com a capacidade de voo comprometida. Durante a reabilitação, passam por avaliações clínicas, sanitárias e comportamentais, recebem acompanhamento veterinário e recuperam gradualmente a musculatura necessária para voltar a voar.

Todos os animais também recebem identificação individual por meio de anilhas, permitindo ao Ibama acompanhar seu histórico e monitorar as espécies.

Aves silvestres voltam à natureza após reabilitação em projeto realizado em parceria com o Ibama em Manaus

Aves silvestres foram reintroduzidas à natureza durante a primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem. Foto: Divulgação/Grupo Atem

Na ASAS Atem, a reabilitação continua em um ambiente preparado para reproduzir as condições naturais. Durante aproximadamente dois meses, o contato com pessoas é reduzido e a alimentação passa a ser composta pelos mesmos alimentos encontrados na floresta, como castanhas, açaí, banana, buriti, pupunha e tucumã. O objetivo é estimular a retomada dos hábitos naturais e preparar os animais para viverem de forma independente após a soltura.

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A primeira soltura realizada pelo Projeto ASAS Atem representa a conclusão do processo de reabilitação das aves encaminhadas para a área de adaptação antes do retorno à natureza. A iniciativa fortalece as ações de conservação da fauna amazônica ao proporcionar condições para que os animais recuperem comportamentos essenciais à sobrevivência em liberdade, como voo, alimentação e interação com o ambiente natural. Para Igor, o projeto demonstra como a iniciativa reforça um compromisso ambiental.

“É um investimento que envolve infraestrutura, manutenção da área, segurança, equipe especializada e diversos outros recursos. É um grande exemplo de como uma empresa pode contribuir efetivamente para a conservação ambiental”, afirma.

A expectativa é que novas aves encaminhadas pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) passem pela área de adaptação antes de retornarem ao habitat natural, ampliando a capacidade de conservação da fauna amazônica e fortalecendo a rede de proteção à biodiversidade na região.

*Com informações da assessoria