A bordo da Fragata “Amazonas”, o Almirante Barroso liderou o bloqueio naval no Rio Paraná. Foto: Reprodução/Marinha do Brasil
Surpreendidos em uma emboscada durante uma operação de bloqueio no Rio Paraná, nove navios da Esquadra brasileira, entre eles a Fragata “Amazonas”, não apenas resistiram aos ataques da Marinha paraguaia. Eles protagonizaram um dos principais combates da Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870). Vencida naquele 11 de junho de 1865, a Batalha Naval do Riachuelo definiria os rumos do maior conflito armado da história da América do Sul.
Sob o comando do Chefe da Segunda Divisão Naval em Operações de Guerra, Almirante Barroso, a Fragata “Amazonas”, as Corvetas “Parnaíba”, “Beberibe”, “Jequitinhonha” e “Belmonte” e as Canhoneiras “Iguatemi”, “Araguari”, “Mearim” e “Ipiranga” ocupavam o Rio Paraná, próximo à região que pertencia à Argentina. A intenção era impedir o emprego das vias fluviais para abastecer as tropas paraguaias, que tentavam invadir o Brasil pelo estado do Rio Grande do Sul.
A Marinha paraguaia contava com oito navios a vapor e seis chatas – espécie de balsa, equipada com peças de artilharia pesada –, quando empreendeu o ataque. Ela pretendia surpreender a Esquadra brasileira antes do amanhecer, para que não tivesse tempo de reação. Porém, uma avaria em um de seus navios atrasou a investida e permitiu que fossem avistados pelos brasileiros, que tiveram tempo hábil de se defender e inutilizar a força naval inimiga.
Entre a frota que defendia o Brasil, estava o navio-capitânia da Segunda Divisão Naval em Operações de Guerra, chefiada pelo Almirante Francisco Manoel Barroso da Silva. A Fragata “Amazonas” transportava 163 militares da Armada e 313 do 9º Batalhão de Infantaria da Polícia do Rio de Janeiro, quando subiu o Rio Paraná para comandar o bloqueio naval às forças inimigas. Possuía casco de madeira, era movida a vapor e armada com seis canhões.
A Fragata Amazonas recebeu esse nome em homenagem ao Rio Amazonas e à recém-criada Província do Amazonas (atual estado). O “batismo” oficial ocorreu em 21 de agosto de 1851, mesma data em que a Fragata Amazonas foi incorporada à armada.
O Comandante do navio, Capitão de Fragata Theotonio Raymundo de Brito, descreveu à época o ataque à “Amazonas” e a reação bem-sucedida ordenada por Barroso: “O navio suspendeu imediatamente, e seguimos rio abaixo (…): fomos recebidos, quando passávamos o Riachuelo, por um fogo horrível de baterias colocadas em terra, das chatas, dos vapores e de mais de mil homens colocados sobre o barranco, armados de fuzil (…). Subi o rio acima e fomos abalroando os vapores inimigos, conseguindo inutilizar três e meter a pique uma das chatas.”
Relatos da batalha do Riachuelo
Capa do Jornal do Commercio de 1º de julho de 1865 trazia disposição das esquadras brasileira e paraguaia no teatro de guerra — Imagem: Biblioteca Nacional
Os relatos dos Comandantes de cada navio, escritos nos dias subsequentes à Batalha Naval do Riachuelo, foram extraídos da Revista Marítima Brasileira, publicada em 1883. A experiência mostrou a necessidade de o País dispor de uma Esquadra vultosa e moderna para fazer frente a ameaças externas e resultou em mais investimentos no setor naval. Até o fim da Guerra, a MB já se tornara uma das mais poderosas do mundo, com mais de 80 navios armados.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Marinha de Notícias do Brasil, escrito por Capitão-Tenente (RM2-T) Daniela Meireles. Leia completo AQUI.
O avanço das novas tecnologias, o crescimento do uso da inteligência artificial e os desafios relacionados à desinformação têm ampliado os debates sobre participação cidadã, confiança nas instituições e o futuro da democracia. Em um cenário de rápidas transformações digitais, especialistas destacam a importância de fortalecer os mecanismos democráticos e promover o uso responsável das plataformas digitais.
Esses foram os temas do painel “Democracia na Era Digital e a Consolidação das Instituições Democráticas no Ambiente de Transformação Digital”, realizado pela Fundação Rede Amazônica nesta terça-feira (16), no Auditório do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, como parte da programação do projeto Amazônia Que Eu Quero.
A mediação foi conduzida pela jornalista Ana Paula Galvão. Durante o encontro, especialistas discutiram os impactos das transformações tecnológicas sobre a democracia, a responsabilidade dos cidadãos no ambiente digital, o combate à desinformação e os caminhos para fortalecer as instituições democráticas em um cenário de constantes mudanças.
Cerca de 90 pessoas participaram do painel realizado no Auditório do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, reforçando o interesse da sociedade pelos debates sobre democracia, tecnologia e combate à desinformação.
O painel reuniu o cientista político e professor João Paulo Viana, o desembargador e presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO), Raduan Miguel Filho, e o procurador regional eleitoral Leonardo Trevizani Caberlon.
João Paulo Viana destacou a importância de ampliar o debate sobre os impactos das redes sociais no ambiente democrático e na participação política da sociedade.
“A internet tem um papel fundamental na sociedade atual, mas também apresenta desafios importantes. As redes sociais ampliaram a participação cidadã, mas também contribuíram para um cenário de polarização que exige reflexão e diálogo permanente”, afirmou.
O procurador regional eleitoral Leonardo Trevizani Caberlon chamou atenção para os riscos da desinformação e para o uso das plataformas digitais na tentativa de influenciar o comportamento dos eleitores.
“Grande parte dos ilícitos eleitorais migrou para o ambiente digital. A desinformação se tornou um dos principais desafios para a democracia e reforça a necessidade de promover informação confiável e fortalecer a consciência crítica da população”, destacou.
Já o desembargador e presidente do TRE-RO, Raduan Miguel Filho, ressaltou a importância de os cidadãos estarem atentos aos mecanismos que podem influenciar decisões e comportamentos no ambiente digital.
“Somos expostos diariamente a informações e estímulos que podem influenciar nossas escolhas. O combate à desinformação e o fortalecimento da participação cidadã são alguns dos principais desafios enfrentados atualmente pela Justiça Eleitoral”, explicou.
Além do debate, os participantes puderam visitar uma exposição sobre o processo eleitoral brasileiro e acompanhar uma apresentação cultural do grupo musical Minhas Raízes.
“A tecnologia amplia o acesso à informação e à participação cidadã, mas também traz desafios como a desinformação. Por isso, debates sobre democracia digital são fundamentais para fortalecer a cidadania e a confiança nas instituições”, destacou Dênis Carvalho, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica.
O encontro foi gratuito e integra a programação do Amazônia Que Eu Quero, iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que percorre os estados da Amazônia Legal promovendo o diálogo entre especialistas, instituições e sociedade para discutir soluções voltadas ao desenvolvimento sustentável da região. A próxima edição do painel acontece nesta quinta-feira (18), em Rio Branco, no Acre.
Pesquisador da Fiocruz Felipe Gomes Naveca é virologista. Foto: Reprodução/Arquivo Fiocruz Amazônia
O virologista e pesquisador da Fiocruz, Felipe Gomes Naveca, fez a defesa do aumento da cobertura vacinal no Brasil, sob o risco de estarmos permitindo o retorno da ameaça de surtos e epidemias de doenças causadas por patógenos imunopreviníveis, como sarampo, influenza, febre amarela, poliomielite, entre outras.
O alerta foi feito durante encontro remoto com jornalistas promovido no início de junho pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS) – entidade sem fins lucrativos criada com o objetivo de colaborar para o desenvolvimento de um sistema de vigilância epidemiológica e ajudar o País a se preparar para o enfrentamento de futuros surtos. O encontro teve como tema “Monitoramento global de vírus e as arboviroses no Brasil (dengue, Zika, chikungunya)” e reuniu diversos especialistas da área da Saúde.
Ao ser questionado sobre o impacto da iniciativa do Ministério da Saúde de suspensão das vacinas contra dengue, Naveca destacou a eficácia da medida como forma de garantir a transparência e a segurança da população até que sejam confirmadas as causas das reações e óbitos suspeitos de terem sido decorrentes da vacina contra a dengue do Instituto Butantã.
“Foram 42 casos de eventos supostamente adversos à vacinação num cenário de 500 mil pessoas vacinadas, sendo três casos graves com dois óbitos. Ficamos tristes com o ocorrido, mas não podemos deixar, de modo algum, que isso afete a credibilidade e a confiança da população, nem deixar que percamos pessoas por conta de doenças imunopreveníveis. Isso é muito grave”, salientou.
O virologista ressaltou a importância das redes de monitoramento global e nacional dos vírus de importância na missão de evitar surtos, epidemias e pandemias.
“Temos hoje várias redes em atuação no Mundo e, em especial no Brasil, com um papel fundamental no monitoramento do cenário epidemiológico atual, permitindo verificar como os vírus evoluem, por meio de mutações, bem como a descoberta de novos patógenos, determinante para se desvendar o futuro das epidemias de arbovírus em um mundo mais quente e urbanizado”, afirmou Naveca, citando como exemplo a Rede de Laboratórios de Referência para Vírus Respiratórios, responsável pela identificação de subtipos do vírus Influenza, por meio da análises de amostras de várias partes do Mundo.
Outra importante rede de monitoramento citada pelo pesquisador é a de Laboratórios de Diagnóstico das Arboviroses, criada em 2008 para fortalecer a capacidade de diagnósticos, estabelecer protocolos, definir agendas regionais de pesquisa para determinadas arboviroses, gestão de qualidade e capacitação de profissionais. Ele destaca também a Rede Genômica Fiocruz, criada durante a pandemia de Covid-19, de grande relevância na identificação genômica das diferentes linhagens do SARS-CoV-2, além de fornecer informações importantes no site da instituição.
“Vigilância não é só diagnóstico. Hoje, integra informações laboratoriais e genômicas. É uma ferramenta que adiciona novas camadas de informações para se entender melhor o que está acontecendo”, comentou.
Por fim, Naveca mencionou o Painel de Monitoramento das Arboviroses do Ministério da Saúde, com abas específicas para cada tipo de vírus. “No Painel, é possível observar os números da dengue, casos prováveis por semana epidemiológica para comparação de dados, além de observar a ocorrência de picos de casos por região do País e o número de óbitos. Além de Dengue, o painel também traz informações sobre os vírus do Oropouche, Zika, Febre Amarela e Chikungunya”, detalhou.
Farofa de camarão especial é uma das receitas ensinadas no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs amazônidas e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.
A chef Fran Santos, de Manaus (AM), é uma das convidadas que mostrou que a gastronomia pode ser muito mais que apenas um sonho. A paixão pela culinária acompanha a chef desde a infância, já que antes mesmo de pensar em transformar a cozinha em profissão, ela já experimentava receitas em casa e descobria, aos poucos, o prazer de criar sabores.
Foi ainda na adolescência que Fran decidiu seguir esse caminho e, aos 14 anos, iniciou a trajetória profissional trabalhando com confeitaria e panificação. No entanto, foi na gastronomia de modo geral que ela encontrou a sua verdadeira vocação.
“A minha trajetória na culinária começou desde bem jovem. Acho que, acredito, nos meus 12 anos eu já tinha vontade, eu já cozinhava em casa, eu criava receitas. Comecei trabalhando, iniciei em confeitaria, panificação, depois eu parti para a gastronomia, que a gastronomia sempre foi a minha paixão”, declarou a chef.
Os primeiros anos foram dedicados ao aprendizado em restaurantes de comida caseira. Com dedicação e obtendo experiência, Fran conquistou espaço em estabelecimentos mais conhecidos e continuou aprimorando suas técnicas.
Chef Fran Santos no programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Fran continuou se aperfeiçoando até decidir fazer uma pausa para se dedicar à criação das filhas. Quando retornou ao mercado, optou por um novo desafio e decidiu empreender.
“Quando eu retornei, já foi para trabalhar por conta própria, foi iniciando mesmo com as minhas próprias pernas. Comecei na minha casa, na cozinha de casa. Eu comecei com bolo, salgado, tortas, fazendo encomenda”.
De acordo com a chef, os clientes gostavam tanto que indicavam para outras pessoas e foi dessa forma que ela começou a fazer buffets, entregas e eventos de datas comemorativas. O crescimento da demanda levou à abertura do primeiro restaurante físico, instalado em uma praça de alimentação, e apesar da experiência positiva, Fran sentia falta do contato direto com os clientes.
‘Ficamos por dois anos nessa praça de alimentação, só que não era o que eu queria, eu não me sentia à vontade, a gente não tinha muito contato direto com o nosso público, com o nosso cliente, que é o nosso carro-chefe”, declarou Fran Santos.
A solução foi voltar às origens, e o restaurante passou a funcionar em um espaço mais acolhedor, montado na própria casa da família. Com o sucesso do empreendimento, surgiu o sonho de ampliar a estrutura e criar um ambiente ainda mais confortável para receber o público.
“E de lá a gente sentiu a necessidade, a sentir uma necessidade não, era um sonho, de ampliar o nosso espaço e hoje nós estamos aqui no nosso novo espaço, graças a Deus”, esclareceu.
Chef Fran Santos no programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Atualmente, a chef celebra a conquista e a consolidação de um cardápio inspirado nos sabores da região Norte. Embora muitos clientes acreditem que ela seja paraense, Fran faz questão de destacar suas raízes amazonenses.
“A primeira pergunta que as pessoas me fazem é: você é paraense de onde? Aí eu sempre respondo que não, eu não sou paraense, eu sou manauense. Eu tenho orgulho como manauara, o meu marido como paraense, a gente tem orgulho de fazer o nosso trabalho com excelência, de dar o nosso melhor”, destacou a chef.
Uma receita que surpreende
A receita do episódio é a farofa de camarão especial. A receita está entre os pratos mais pedidos do restaurante e é uma criação que nasceu a partir dos pedidos dos próprios clientes.
Segundo Fran, a ideia era oferecer uma alternativa às versões mais comuns encontradas na região, geralmente preparadas com camarão salgado ou com casca.
“O nome dela é especial porque ela é feita com camarão fresco, diferente do camarão salgado, camarão regional, camarão com casquinha. Essa farofa aqui, eu criei porque os meus clientes sempre pediam uma farofa diferente, já que em todo canto que as pessoas comem é a farofa de camarão com casca, é a farofa do camarão salgado, e essa aqui não. Ela fica molinha, suculenta, com o sabor do camarão”, explicou.
Farofa de camarão especial. Foto: Reprodução/Amazon Sat
O prato se tornou um dos carros-chefes da casa e já participou de concursos gastronômicos. Além disso, dependendo da preferência do cliente, também pode ser servido acompanhado de banana, combinação bastante apreciada na culinária amazônica.
Confira a receita da farofa:
Ingredientes
200 g de camarão cinza fresco;
100 g de farinha de ovo;
Alho a gosto;
Cebola a gosto;
Pimentão a gosto;
Pimenta-de-cheiro a gosto;
Coentro a gosto;
Azeite, alho ou manteiga;
Sal a gosto.
Modo de preparo
Aqueça uma panela e adicione um fio de óleo. Refogue o alho até começar a dourar.
Em seguida, acrescente o camarão fresco e mexa até que ele comece a mudar de cor. Quando estiver levemente avermelhado, adicione a cebola, o pimentão, a pimenta-de-cheiro e o sal.
Misture bem e deixe que o camarão libere seu caldo natural, responsável por deixar a farofa úmida e saborosa. Acrescente algumas gotas de limão para realçar os sabores e, logo depois, adicione a farinha de ovo aos poucos, mexendo constantemente.
Quando a mistura estiver homogênea, desligue o fogo e finalize com coentro picado. Se desejar, acrescente também cebolinha ou salsa.
Chef Fran Santos e a farofa de camarão especial no programa Sabores da Amazônia, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Para harmonizar o sabor, a chef indica o uso do ajinomoto, mas quem não gosta não precisa pôr.
“É uma receita fácil, rápida, gostosa, 10 minutos e tá pronta. Viu só como é simples? Agora é só servir essa farofa especial e deixar todo mundo com água na boca”, finalizou a chef.
Cerimônia que beneficiou o Pará contou com a presença de Geraldo Alckmin. Foto: Diego Herculano/ Ministério do Turismo
Em cerimônia com a presença do vice-presidente da República Geraldo Alckmin, o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, assinou no dia 11 de junho, no Palácio do Planalto, um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a mineradora Vale para viabilizar um investimento de R$ 2,8 milhões, que tem o objetivo de tornar o Parque Nacional dos Campos Ferruginosos, no interior do Pará, em um importante atrativo turístico.
Localizado entre os municípios de Parauapebas e Canaã dos Carajás, o projeto visa preparar o parque para receber visitantes e transformar sua riqueza ambiental em um instrumento de desenvolvimento econômico sustentável para a região.
O investimento será custeado integralmente pela empresa, que opera na região um dos maiores polos de mineração de ferro e cobre do mundo.
“Esse projeto do Parque Nacional dos Campos Ferruginosos é fruto de uma boa parceria entre Ministério do Turismo, a Vale e o ICMBIO, fazendo com que o local possa atrair turistas, gerar emprego e renda, promover a educação ambiental e preservar o meio ambiente”, afirmou Alckmin.
A proposta busca conciliar preservação ambiental e geração de oportunidades econômicas, aproveitando o crescente interesse dos brasileiros por destinos ligados à natureza.
Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o acordo representa um modelo de desenvolvimento capaz de equilibrar conservação e crescimento econômico.
“Vamos transformar o potencial dessa região, estruturando o uso público do parque com inteligência e responsabilidade. A intenção é que o visitante não apenas faça um passeio, mas compreenda e respeite a riqueza da natureza da região”, afirmou.
O projeto está estruturado em três frentes principais. A primeira prevê ações de planejamento e gestão do uso público, incluindo estudos e diretrizes para a recepção de visitantes. A segunda aposta no turismo de aventura, com destaque para o potencial do turismo em cavernas. Já a terceira frente será dedicada à capacitação e qualificação de profissionais e comunidades locais, buscando inserir a população da região na cadeia produtiva do turismo.
O objetivo é criar as condições técnicas e a infraestrutura necessárias para que o parque possa receber turistas de forma organizada e segura, garantindo a proteção dos recursos naturais e culturais presentes na área.
“O turismo é uma das atividades econômicas mais capazes de transformar paisagens preservadas em oportunidades sustentáveis. Ele demonstra que conservar não significa impedir o desenvolvimento, significa promover um desenvolvimento mais inteligente, mais duradouro e mais inclusivo”, acrescentou Gustavo Feliciano.
A aposta ocorre em um momento de forte expansão do turismo de natureza no país. Em 2025, os parques nacionais brasileiros registraram mais de 11,8 milhões de visitantes, o maior número da série histórica e quase um milhão acima do registrado em 2024, quando 10,9 milhões de pessoas visitaram essas áreas protegidas.
Além dos benefícios ambientais e sociais, os números reforçam o potencial econômico das unidades de conservação. Estudo apresentado pelo Programa Natureza com as Pessoas, desenvolvido pelo ICMBio, em parceria com o Ministério do Turismo, aponta que cada R$ 1 investido nas unidades de conservação federais gera um retorno de R$ 15,60 para a economia. Somente em 2025, os visitantes dessas áreas movimentaram R$ 40,7 bilhões em todo o país.
Com paisagens únicas formadas por campos ferruginosos, cavernas e ecossistemas raros da Amazônia, o parque paraense surge como uma nova alternativa para ampliar a oferta de destinos de natureza no Brasil. A expectativa é que a futura estruturação da unidade atraia visitantes, fortaleça a economia local e consolide a região de Carajás como referência em turismo sustentável.
Sobre o parque
O Parque Nacional dos Campos Ferruginosos apresenta uma paisagem singular, formada, ao longo de milhões de anos, por processos pretéritos, decorrentes de diversos elementos, tais como clima, relevo, rios e cursos d’água e seus desdobramentos, que resultaram na existência de um tipo raro de ecossistema associado a formações rochosas ricos em ferro.
Foto: Reprodução/EntreParques
Esse ambiente abriga amostras de vegetação de canga ou campos rupestres ferruginosos, com ocorrência de espécies da fauna e flora endêmicas e ameaçadas de extinção, além de ambientes aquáticos e cavernas.
O local possui cerca de 377 cavernas catalogadas, que abrigam uma fauna especializada e registros arqueológicos das primeiras ocupações humanas na região amazônica.
No parque, estima-se a ocorrência de cerca de 943 espécies de vertebrados na região envolvente e interior do complexo da Floresta Nacional de Carajás (mosaico ao qual o parque pertence), excluindo a ictiofauna (peixes).
O Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE) identificou 73 espécies sob risco de extinção, com potencial ocorrência ou já registradas na área do Parque (entre mamíferos, aves, anfíbios e invertebrados terrestres).
Números apresentados pelo presidente Lula são do Deter, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Dados divulgados pelo Governo Federal no dia 11 de junho apontam queda de 60% no desmatamento na Amazônia e de 12% no Cerrado em maio de 2026, na comparação com maio de 2025. Os números são do Deter, o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real.
Na apresentação dos dados, em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a transparência e o trabalho do governo no combate à devastação dos biomas. Lula também criticou o ‘tarifaço’ dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que utiliza o desmatamento no Brasil como um dos argumentos para a medida.
Presidente Lula, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
“Nós vamos ter que pegar esses dados, mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos, que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior, e vamos comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos Estados Unidos. Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50% dizendo que tinha déficit comercial e agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento. Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a desmatamento zero até 2030”, explicou o presidente.
Lula, no entanto, voltou a criticar o presidente Donald Trump sobre a maneira que o chefe da Casa Branca negocia questões diplomáticas.
“Quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, com alguém que não se comporta de forma civilizada para negociar, a gente vai ter que fazer comparação. Já falei para o presidente Trump três vezes, não adianta falar para mim que você tem o navio maior do mundo, que você tem os aviões mais rápidos do mundo, eu não quero guerra com você, a minha guerra é narrativa”, ponderou o presidente, que completou:
“A minha guerra é provar que nós estamos certos e que vocês estão errados. A minha tese é provar que você foi eleito para ser presidente dos Estados Unidos e eu respeito o voto do povo americano, mas que você não foi eleito para ser imperador do mundo, onde você pode dizer tudo o que você quer e as pessoas ficarem inquietas. Com o Brasil não é assim”, afirmou o presidente.
As críticas públicas aos Estados Unidos pela alegação de desmatamento se tornaram praxe desde o anúncio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) da penalidade ao Brasil, no início de junho. A investigação aponta deficiências crônicas na fiscalização, como fraudes nos Cadastros Ambientais Rurais (CAR) sem auditoria adequada por satélite, extração ilegal de madeira, conversão da terra para pastagem de gado e degradação do pasto.
A investigação também aponta que madeireiros e pecuaristas supostamente subornam agentes públicos para lavar a produção (esquentamento de notas), apontando que, entre 2023 e 2024, que 91% do desmatamento na Amazônia e 51% no Cerrado ocorreram na ilegalidade.
Em comparação ao ano passado, desmatamento aponta redução de 60% na devastação do bioma. Foto: Reprodução/Greenpeace
Na Amazônia, entre agosto de 2025 e maio de 2026, houve queda de 37,5% no desmatamento em relação ao período de agosto de 2024 a maio de 2025. O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, classificou como injusta a acusação norte-americana de que o Brasil não combate o problema.
Capobianco afirma que a redução registrada é histórica. “61,4 % que é desmatamento em relação a maio do ano passado é algo realmente histórico. Esse número é o menor número da história e nós estamos trabalhando para termos o menor número final quando fecharmos os dados no dia 31 de julho da série dos 12 meses. O menor número da história da Amazônia”, afirmou.
Já no Cerrado, no acumulado de agosto de 2025 a maio de 2026, houve queda de 8,2% em relação ao mesmo período anterior. O índice chega a quase 30% quando comparado a 2024.
Rua Santa Isabel, no bairro Praça 14, zona Sul de Manaus (AM), é conhecida como uma das “Ruas da Copa”. Foto: Divulgação/ Prefeitura de Manaus
Quando uma Copa do Mundo de Futebol se aproxima, algumas ruas da região Norte do Brasil ganham novas cores. Bandeiras, murais, luzes e desenhos tomam conta de ruas e deixam bairros inteiros no clima de esperança pela conquista do título de Hexa para a Seleção brasileira. Mais do que uma decoração, as chamadas “Ruas da Copa” representam o espírito de comunidade e a paixão pelo futebol, mobilizando moradores de diferentes gerações.
Em Manaus (AM), por exemplo, a tradição das ruas enfeitadas foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do município e já ganhou destaque nacional e internacional, chegando a ser citada pela própria Federação Internacional de Futebol (Fifa) e pela imprensa estrangeira. Em outras capitais amazônicas, moradores também mantêm o costume de pintar ruas e criar espaços para assistir aos jogos da Seleção. A tradição segue viva e ajuda a fortalecer o sentimento de pertencimento nos bairros.
Confira algumas das ruas que entraram no clima da Copa 2026 na Região Norte:
Manaus(Amazonas)
Rua 3 da Copa, no bairro Alvorada, na Zona Centro-Oeste
Conhecida em todo o país, a rua possui mais de 200 metros de extensão decorados com bandeirinhas e pinturas temáticas. É um dos principais símbolos das “Ruas da Copa” em Manaus e já recebeu destaque da Fifa e de veículos internacionais.
Imagem aérea mostra bandeiras formadas a partir de fitas coloridas de enfeites. Foto: Carlos Oliveira/Secom – Governo do Amazonas
Rua Santa Isabel, no bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul
Tradicional ponto de encontro durante os Mundiais em Manaus, mistura a paixão pelo futebol com referências à cultura amazonense, incluindo o samba já que o bairro tem uma das mais tradicionais escolas de samba de Manaus: Grêmio Recreativo Escola de Samba Vitória Régia.
Rua Santa Isabel, na Praça 14. Foto: Divulgação/Prefeitura de Manaus
Belém (Pará)
Travessa 3 de Maio, no bairro Cremação, na Zona Sul
No bairro Cremação, zona Sul de Belém, moradores tradicionalmente se unem para amarrar bandeiras verdes e amarelas e realizar as pinturas no chão. Até o comum “Cachorro Caramelo”, como é apelidado os cachorros vira-latas no Brasil, recebeu uma “homenagem”.
Cachorro “Caramelo” como são conhecidos os cachorros vira-latas de pelo amarelo, muito comuns no Brasil, recebeu uma pintura com óculos de sol. Foto: Reprodução/TikTok – Curte com Dani
Passagem Stelio Maroja, no Centro
Localizada no bairro do Barreiro, um dos mais populosos e mais tradicionais espaços da capital paraense, no Centro, a via que é repleta de comércios e moradias já está no clima de Copa, com destaque também para as pinturas no asfalto. O espaço inclusive já está ficando conhecido como “Vila do Hexa”.
Foto: Reprodução/ Tik Tok – Estradas e Memórias
Macapá (Amapá)
Avenida Ana Nery, no Laguinho, no Centro
Em Macapá a tradição das ruas decoradas para a Copa do Mundo é mantida desde 1994 pelos próprios moradores da Avenida Ana Nery, localizada no tradicional bairro do Laguinho. Com trabalho voluntário e esforço coletivo, a comunidade transforma o local com enfeites e esculturas produzidas pelos residentes, tornando a via um dos principais símbolos do clima de Mundial na cidade.
A Avenida Ana Nery, inclusive, ganhou um concurso local recente como a melhor “Rua da Copa” de Macapá. Os moradores fizeram atpe campanha pedindo votos. Confira:
Avenida dos Tupis, na Vila dos Oliveiras, na Zona Sul
Inaugurada em 2024, a Vila dos Oliveiras na zona Sul de Macapá se produziu para a sua primeira Copa. A energia contagiante do espaço onde foram instaladas moradias populares para pessoas que não tinham casa própria em Macapá mostrou união, festa e muita fé no Hexa durante o primeiro jogo do Brasil na competição. As bandeirinhas e pinturas no chão foram feitas pelos próprios moradores.
Crianças assistindo jogo do Brasil x Marrocos na Vila dos Oliveiras, na zona Sul de Macapá. Foto: Aog Rocha/Governo do Amapá
Rio Branco (Acre)
Rua Valdemar Maciel, no bairro Calafate, na Zona Oeste
Na Rua Waldemar Maciel, no bairro Calafate, as bandeiras da Copa chamam a atenção de quem passa pelo local. Moradores se mobilizaram este ano para decorar a via e demonstrar apoio ao Brasil, mantendo uma tradição de anos.
Rua João Edimar, no bairro João Eduardo II, na Zona Oeste
A rua João Edimar, também conhecida como Rua do Fuxico, no bairro João Eduardo II, zona Oeste de Rio Branco, recebeu o apoio dos moradores para pinturas ao longo da via. Entre as pinturas, destaque para o brasão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) com as cinco estrelas que simbolizam os cinco títulos mundiais da seleção brasileira masculina de futebol.
Rua João Edimar sendo pintada em maio de 2026 por moradores. Foto: Cedida pelos moradores para a Rede Amazônica
Boa Vista (Roraima)
Rua Juvêncio Jaricuna de Albuquerque, no bairro Asa Branca, na Zona Oeste
O “arraiá do hexa” da Rua Juvêncio Jaricuna de Albuquerque, no bairro Asa Branca, foi enfeitada para a Copa do Mundo e também para as festas juninas. A rua inclusive venceu um concurso de decoração feito por uma empresa local. A decoração conta com figuras de papelão dos jogadores da Seleção Brasileira e bolas penduradas e enfeitadas com os característicos chapéus de palha.
Rua Juvêncio Jaricuna de Albuquerque, no bairro Asa Branca, teve figuras de jogadores como o Neymar de chapéu de palha. Foto: Reprodução/Parima
Rua Professor Macedo, bairro Buritis, na Zona Oeste
Com cerca de 32 mil bandeirinhas, a Rua Professor Macedo, no bairro Buritis, em Boa Vista, resgatou a tradição das decorações de Copa do Mundo e renovou a esperança pelo tão sonhado hexacampeonato brasileiro. Para transformar a via em um cenário verde e amarelo, mais de 20 moradores da região se revezaram em um trabalho coletivo, unindo esforços para celebrar a paixão pelo futebol e pela Seleção Brasileira.
Foto: Reprodução/ Instagram – Aline Silva Fotos
Porto Velho (Rondônia)
Rua Tenreiro Aranha, bairro Olaria, no Centro
Em Porto Velho, a tradicional rua Tenreiro Aranha, no Centro, está entre os endereços que mais se destacam quando o assunto é Copa do Mundo. Em edições anteriores do Mundial, moradores se uniram para cobrir a via com bandeirinhas em verde e amarelo e criar uma ornamentação que chamou a atenção de visitantes e esse ano não foi diferente. Em 2026 o trabalho da comunidade transformou a rua em ponto de fotografias e encontros entre torcedores.
Pinturas na rua Tenreiro Aranha mostra o “canarinho pistola”, mascote da CBF ao lado de mascotes do três países da Copa de 2026. Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho
“Rua do Hexa”, Cruzamento das avenidas 7 de Setembro e Farquhar – no Centro
Este ano a Prefeitura de Porto Velho também decidiu investir em um projeto pensado pra Copa, intitulado “Rua do Hexa”, para criar um ponto em comum para os moradores acompanharem os jogos da Seleção. O espaço contou com decoração inspirada nas cores da Seleção Brasileira, áreas para fotos e um telão para quem quiser acompanhar os jogos da canarinho.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Velho
Palmas (Tocantins)
Rua Aureny III, no bairro Taquaralto, na Zona Sul
Uma rua com várias pinturas no asfalto e bom humor. Rumo ao “Equiça”, escrita equivocada da palavra Hexa, está viralizando nas redes sociais. A ornamentação contou com a ajuda de vários moradores do bairro Taquaralto, chamando a atenção dos olhares daqueles que passam pelo local.
O senador da República pelo estado do Acre, Sérgio Petecão (PSD), em conversa com o jornalista Welliton Lopes no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat, criticou o alto valor de passagens aéreas nos voos entre cidades da Amazônia. A comentário do parlamentar foi relacionado à discussão sobre uma série de projetos de lei com o intuito de diminuir os preços das passagens aéreas na região e democratizar o acesso aos voos para a população que vive na região.
Petecão classificou o preço praticado por empresas de transporte aéreo como uma “situação gravíssima”. Para o parlamentar, não se justifica um valor alto em passagens aéreas entre cidades no mesmo estado.
“Estamos diante de uma situação gravíssima lá na Amazônia e eu posso falar pelo Acre. Pagamos hoje uma passagem de Rio Branco para Cruzeiro do Sul, que dura quarenta minutos de voo, mais de três mil reais. E nós estamos aqui do lado de cidades importantes, uma das cidades mais visitadas do mundo, que é Cusco, no Peru, que está ali a cerca de 30 minutos de voo. Porque que esse avião não poderia sair de Cusco, fazer uma escala ali pra Rio Branco e ir pra Brasília”, questiononou o parlamentar.
Sérgio Petecão é um dos convidados do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Sérgio Petecão critica empresas
Sérgio Petecão afirmou ainda durante entrevista que as empresas que fornecem passagens aéreas na Amazônia estão fazendo um trabalho de “lobby” (termo em inglês utilizado para influenciar a opinião pública e assim influenciar decisões do poder público, como leis e políticas públicas, em favor de interesses específicos). O parlamentar reclamou ainda sobre a quantidade pequena de voos oferecidas pelas empresas aéreas .
“O problema é que existe um lobby pesado das empresas de aviação aérea, porque não tem interesse de abrir concorrência e nós vamos continuar na luta. Isso aí para nós que estamos no Acre virou uma questão de honra. Isso é uma afronta, ter um voo para poder viajar e de madrugada. Os caras que dizem o horário que a gente tem que viajar?”, criticou Petecão. Assista:
A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
Representantes da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) se reuniram nessa segunda-feira (15) para avaliar os resultados do projeto Rede Educa e alinhar as próximas etapas da iniciativa, que promove conteúdos educativos sobre ESG (Ambiental, Social e Governança) voltados à realidade do Polo Industrial de Manaus (PIM).
Durante o encontro, as instituições fizeram um balanço das ações desenvolvidas ao longo do projeto e discutiram estratégias para ampliar o alcance dos conteúdos produzidos. A reunião também reforçou o compromisso conjunto com a disseminação de conhecimento relacionado à sustentabilidade, responsabilidade social e governança corporativa.
Criado pela Fundação Rede Amazônica em parceria com o CIEAM, o Rede Educa tem como objetivo aproximar conceitos e práticas de ESG da realidade das empresas amazonenses. Por meio de uma série de videoaulas, a iniciativa busca contribuir para a formação de profissionais e organizações cada vez mais preparados para os desafios e oportunidades relacionados à sustentabilidade.
“O tema ESG é muito falado, mas ainda existe pouco conhecimento sobre sua aplicação prática. Por isso, iniciativas como o Rede Educa são importantes para aproximar esses conceitos da realidade das empresas e estimular mudanças positivas por meio da informação e da educação”, destacou Cláudia Daou, diretora-presidente da Fundação Rede Amazônica.
O projeto prevê a produção de 12 videoaulas sobre ESG, exibidas mensalmente no Amazon Sat e disponibilizadas gratuitamente nas plataformas digitais da Fundação Rede Amazônica. Até o momento, 11 aulas já foram produzidas e veiculadas, abordando temas relacionados à inovação industrial, sustentabilidade estratégica, indicadores ESG, gestão de resíduos, responsabilidade social, compliance, segurança jurídica e governança corporativa.
Para a diretora da IMPRAM, conselheira do CIEAM e coordenadora da Comissão ESG da entidade, Régia Moreira Leite, a iniciativa contribui para aproximar o setor produtivo das discussões sobre sustentabilidade e boas práticas corporativas.
“O Rede Educa tem um papel importante na construção de conhecimento sobre ESG. Estamos falando de temas que impactam diretamente a competitividade das empresas e que envolvem questões ambientais, sociais e de governança cada vez mais presentes no ambiente corporativo”, afirmou Régia Moreira Leite, diretora da IMPRAM, conselheira do CIEAM e coordenadora da Comissão ESG do CIEAM.
As videoaulas contam com a participação de especialistas convidados e foram desenvolvidas para dialogar diretamente com os desafios e oportunidades do ambiente industrial amazônico, traduzindo conceitos técnicos em conteúdos acessíveis e aplicáveis à realidade das organizações.
Durante a reunião, Fundação Rede Amazônica e CIEAM também discutiram formas de ampliar a divulgação dos conteúdos e fortalecer a cultura da sustentabilidade entre empresas, profissionais e estudantes da região. Entre as novidades anunciadas está a ampliação dos canais de distribuição das videoaulas, que passarão a ficar disponíveis também no G1 Amazonas, ampliando o alcance da iniciativa e o acesso do público aos conteúdos sobre ESG.
Para o presidente executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais de Oliveira, o projeto representa uma importante ferramenta de qualificação e disseminação de conhecimento para o setor produtivo.
“A agenda ESG faz parte da realidade do setor produtivo e representa um importante diferencial para a competitividade das empresas. Projetos como o Rede Educa ajudam a ampliar esse debate e a aproximar conhecimento qualificado dos profissionais e organizações da nossa região”, afirmou Lúcio Flávio Morais de Oliveira, presidente executivo do CIEAM.
Além da qualificação profissional, a iniciativa busca estimular a adoção de práticas que contribuam para o desenvolvimento econômico, social e ambiental da Amazônia, fortalecendo uma visão estratégica de crescimento sustentável.
“A ideia é que, de fato, possamos ampliar o acesso ao conhecimento e contribuir para a construção de uma cultura mais sustentável. Quando promovemos debates sobre ESG e reunimos especialistas para discutir esses temas, estamos ajudando a construir soluções e oportunidades para a nossa região”, ressaltou Mariane Cavalcante, diretora-executiva da Fundação Rede Amazônica.
Ao longo de sua execução, o Rede Educa ampliou o acesso ao conhecimento sobre ESG e fortaleceu o debate sobre sustentabilidade, responsabilidade social e governança entre empresas, profissionais e estudantes da região.
A 12ª videoaula da série será exibida em julho no Amazon Sat. Após a transmissão, os conteúdos continuarão disponíveis gratuitamente nas plataformas digitais da Fundação Rede Amazônica e também passarão a ser disponibilizados no G1 Amazonas, ampliando ainda mais o alcance da iniciativa e o acesso do público aos conteúdos sobre sustentabilidade, responsabilidade social e governança.
Expansão da Trilha Amazônia Atlântica para o Maranhão. Foto: Divulgação/UFMA
Durante a Semana do Meio Ambiente, celebrada na primeira semana de junho, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o Decreto nº 15.180/2025, que institui o Sistema Nacional de Trilhas (Sintrilhas), transformando tais áreas de visitação em política pública permanente.
Com a medida, que entrou em vigor no dia 10 de junho, a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas) agora terá diretrizes, instrumentos de gestão e mecanismos de governança para integrar conservação ambiental, uso público e turismo sustentável nas Unidades de Conservação (UCs).
Resultado da articulação entre o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério do Turismo (MTur), a iniciativa responde à crescente demanda por visitação nas áreas protegidas federais, que receberam 28,5 milhões de visitas em 2025. O objetivo é estruturar e fortalecer a rede de trilhas brasileiras, ampliar a segurança dos usuários e robustece o Brasil como destino internacional de turismo de natureza.
Atualmente, o país conta com cerca de 205 trilhas planejadas, somando mais de 41 mil quilômetros, dos quais mais de 16 mil já estão implementados. Dessas, 22 são oficialmente reconhecidas pelo MMA, conectando centenas de municípios, áreas protegidas e comunidades locais em todos os biomas brasileiros.
Entre as trilhas reconhecidas que atravessam UCs federais destacam-se a Trilha Caminhos da Ibiapaba (Ceará e Piauí), a Caminho dos Veadeiros (Goiás), a Trilha Transcarioca (Rio de Janeiro) e a Trilha Amazônia Atlântica, que conecta áreas protegidas de seis estados brasileiros — Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.
Diversas trilhas oficialmente reconhecidas atravessam unidades de conservação federais – Foto: Diego Herculano/MMA
“Temos a obrigação de preservar nossas riquezas naturais e fazer com que elas tenham utilidade para o povo brasileiro. Precisamos valorizar nossas áreas protegidas, atrair visitantes e mostrar ao mundo a riqueza que o Brasil possui”, afirmou Lula.
O ministro do MMA, João Paulo Capobianco, ressaltou que conservação ambiental e desenvolvimento econômico caminham juntos e destacou o papel das trilhas na valorização dos territórios, na proteção da biodiversidade e na geração de oportunidades para as comunidades locais.
Para a coordenadora-geral de Uso Público e Serviços Ambientais (CGEUP/DIMAN) do ICMBio, Carla Guaitanele, a criação do Sintrilhas representa um marco para o país.
“Transformamos o esforço voluntário em política nacional, garantindo conectividade ecológica, turismo sustentável e cidadania ativa. Este decreto é um marco para a conservação e para o bem-estar da sociedade”, afirmou.
Oportunidades para os territórios
Experiência conecta população com a natureza. Foto: Divulgação/Agência Pará
Ao conectar paisagens naturais, áreas protegidas, comunidades e atrativos turísticos, o Sintrilhas fortalece economias locais e amplia oportunidades para atividades ligadas à hospedagem, alimentação, artesanato, produção local e turismo de base comunitária.
A política também estimula a circulação de visitantes por regiões que costumam ficar fora dos grandes circuitos turísticos, ampliando a distribuição dos benefícios econômicos do setor entre diferentes municípios brasileiros.
Experiências internacionais demonstram que grandes redes de trilhas figuram entre os principais ativos turísticos de diversos países. No Brasil, o potencial é ainda mais expressivo diante da diversidade de biomas, paisagens e culturas existentes.
Criada em 2018, a RedeTrilhas passa agora a contar com uma estrutura nacional permanente voltada ao planejamento, implantação, gestão, monitoramento e promoção das trilhas.
O decreto institui instrumentos para fortalecer a governança do setor, entre eles a Estratégia Nacional, o Cadastro Nacional e o Comitê Nacional. A medida também amplia a participação integrada de estados, municípios, comunidades tradicionais, organizações da sociedade civil e iniciativa privada.
A Estratégia Nacional deverá ser elaborada em até 180 dias após a instalação do comitê responsável por definir as metas prioritárias para o desenvolvimento do segmento.
Uma política construída junto a sociedade
Construída ao longo de mais de sete anos por voluntários, montanhistas, ciclistas, gestores públicos, comunidades locais, empreendedores e organizações da sociedade civil, a Rede consolidou-se como um dos maiores movimentos de mobilização socioambiental do país.
O novo decreto, coordenado pelo MMA, MTur e ICMBio, ao transformar essa construção coletiva em política pública nacional, confere maior segurança jurídica, capacidade de planejamento e integração entre iniciativas distribuídas por todo o território nacional. O processo contou ainda com a participação do Fórum de Gestores do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Turismo.
Pegadas amarelas e pretas
A trilha Sucupira é a maior trilha entre as quatro da Floresta Nacional de Brasília. Foto: Divulgação/MMA
Um dos elementos mais reconhecidos da Rede Brasileira de Trilhas — agora incorporado ao Sintrilhas — é o sistema de sinalização baseado nas pegadas amarelas e pretas. Além de orientar os usuários, o símbolo identifica percursos integrados à rede nacional e reforça a identidade visual do sistema.
A padronização da sinalização contribui para ampliar a segurança dos visitantes, facilitar a navegação em campo e fortalecer a imagem do Brasil como destino de excelência para o turismo de natureza e aventura.
Benefícios das trilhas
Além dos benefícios ambientais e econômicos, o Sintrilhas reconhece o papel das trilhas como infraestrutura pública de bem-estar.
Em um contexto de crescente urbanização e aumento dos desafios relacionados à saúde física e mental, o acesso a ambientes naturais tem sido cada vez mais valorizado como instrumento de promoção da saúde, recreação, educação ambiental e fortalecimento dos vínculos comunitários.
Caminhar, pedalar ou remar por trilhas de longo curso permite que milhões de brasileiros tenham acesso a formas de lazer, atividade física e contato com a natureza. Esses espaços também contribuem para ampliar a conscientização sobre a conservação ambiental e estimular o engajamento da sociedade na proteção do patrimônio natural.
Trilhas no Parque Nacional de Brasília de 5km a 28km. Foto Luciano Malanski
Reconhecimento internacional e protagonismo brasileiro
Em 2025, durante o Congresso Mundial da Natureza da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), foi aprovada a Moção 4, que reconhece formalmente as trilhas como instrumentos de conservação da biodiversidade, conectividade ecológica e engajamento social. Assim, o Sintrilhas posiciona o Brasil na vanguarda de uma agenda global.
Em sintonia com esse movimento, a Convenção sobre Espécies Migratórias (CMS) reforçou, em sua mais recente resolução, a importância de iniciativas como as trilhas, capazes de reduzir a fragmentação de habitats e promover a integração de paisagens em larga escala.
Entre as diversas assinaturas durante a cerimônia, o decreto que regulamenta a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (PNPSA), consolidando o pagamento como instrumento permanente da política ambiental brasileira, poderá beneficiar povos e comunidades tradicionais que vivem em UCs federais e em seus territórios de influência, contribuindo para a valorização de práticas associadas à conservação dos ecossistemas.
Também foi instituído o Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PDPCT), instrumento que busca fortalecer direitos, promover inclusão social e ampliar a participação de segmentos tradicionais, muitos deles historicamente vinculados às áreas protegidas e geridas pelo ICMBio.
Por fim, foram anunciados novos avanços para o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e para as políticas voltadas aos povos e comunidades tradicionais. O Governo Federal confirmou a captação de R$ 370 milhões em doações internacionais para o programa ARPA Comunidades, iniciativa que prevê ações em 60 Unidades de Conservação de Uso Sustentável na Amazônia e contribuirá para a proteção de cerca de 23 milhões de hectares de floresta.
O anúncio ocorre em um momento de resultados expressivos para o programa, cuja execução pelo ICMBio alcançou mais de 90% do Plano Operativo Anual (POA) 2024/2025, com investimentos de R$ 81,5 milhões em 74 UCs.