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Cobertura vegetal amazônica em Rondônia cai de 90% para 62% em 34 anos, aponta estudo

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Foto: Vinícius Mendonça/Ibama/Wikimedia Commons

Um estudo inédito aponta que a cobertura vegetal amazônica total no estado de Rondônia ao longo de 34 anos passou de 90% para 62%. O trabalho demonstra que, de maneira geral, houve uma explosão no número de fragmentos florestais em Rondônia, que estão sendo progressivamente reduzidos, degradados e isolados, principalmente em relação a grandes remanescentes de vegetação e a áreas protegidas.

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As descobertas estão em artigo publicado na revista científica Environmental Conservation na quarta (7) por pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e de parceiros de instituições brasileiras e estrangeiras. 

O estudo baseia-se em dados do MapBiomas, com imagens de satélite de alta resolução de oito recortes temporais de 1986 a 2020, combinados com métricas da ecologia da paisagem.

A vegetação natural do estado, que inclui floresta e outras formações, como savanas e áreas campestres, caiu de 91% para 62,7%. A perda total chega a quase 7 milhões de hectares. Já a vegetação florestal, que se refere exclusivamente a áreas de floresta, teve redução de um terço – de 85,3% para 57,1%.

A pesquisa identificou aumento nos fragmentos de vegetação ao longo do tempo. O total em 2020 era de aproximadamente 100 mil fragmentos de vegetação natural, sendo 78 mil deles apenas de floresta. Essas mudanças afetam diretamente a conservação da biodiversidade. Mais da metade dos fragmentos está a pelo menos um quilômetro da borda da floresta mais próxima, o que reduz a qualidade do habitat para as espécies da região.

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Apesar da importância das áreas protegidas, a pesquisa comprovou que, em 2020, apenas 20,4% da área de floresta e 21,8% da vegetação natural estavam em unidades de conservação. Terras indígenas somavam 33,6% e 32,2% dessas áreas, respectivamente. Já a maior parte da cobertura vegetal fora de terras indígenas ou unidades de conservação ficava a mais de 10 km da área conservada mais próxima.

Na visão dos pesquisadores, todas as terras indígenas e unidades de conservação, estaduais e federais, devem ser mantidas no estado de Rondônia. Por conta da pressão política sobre essas áreas, é importante também ampliar a fiscalização e responsabilizar quem pratica atividades ilegais, como a grilagem.

“Enquanto em fragmentos desprotegidos a biodiversidade tem sido reduzida, as unidades de conservação e terras indígenas são os principais refúgios”, afirma Luan Goebel, primeiro autor do estudo, doutor pela UNEMAT e atualmente pesquisador de pós-doutorado. Os autores defendem a criação de corredores ecológicos para conectar remanescentes e reduzir os impactos da fragmentação.

O trabalho é parte de um esforço maior para entender os impactos da fragmentação na fauna local. Um segundo estudo, já concluído, analisou como aves e mamíferos bioindicadores são afetados pela perda de habitat. Os resultados indicaram que o estado de Rondônia sofre com um rápido declínio de biodiversidade, especialmente de mamíferos de médio e grande porte, como queixadas, veados, onças-pintadas e lontras.

“O próximo passo será integrar dados ecológicos e biológicos para elaborar uma lista de espécies ameaçadas de extinção em Rondônia”, adianta o biólogo Philip M. Fearnside, pesquisador do Inpa e orientador do estudo.

DOI: https://doi.org/10.1017/S0376892925000086

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

‘Ópera nas Escolas’ leva arte e encantamento a estudantes da rede pública em Manaus

Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

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A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.

Leia também: 7 fatos que somente o Festival Amazonas de Ópera poderia proporcionar para a cultura no estado

Ópera nas Escolas
Ópera nas Escolas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

A quadra poliesportiva da escola foi transformada para receber a programação, enquanto na área externa, os estudantes puderam conhecer figurinos utilizados no Festival Amazonas de Ópera (FAO) e aproveitar espaços interativos e “instagramáveis”.

“É a primeira vez”, revelou Liane Mota, aluna do segundo ano do ensino médio. “Eu espero que seja incrível, porque nunca vi. A minha expectativa é muito alta”.

A reação positiva também veio da estudante Sarah Lima, que demonstrou entusiasmo ao final da apresentação: “Fiquei impressionada, entendi a história. Achei os cantores incríveis, foi maravilhoso. É um dom lindo cantar ópera”.

Dos palcos para a escola

Os alunos foram surpreendidos por um espetáculo repleto de música. O cantor Marden Guedes falou sobre a experiência de sair dos palcos e cantar em uma escola.

“É incrível, porque comecei lá no Cláudio Santoro, integrando o Coral Juvenil. Aos poucos, fui tendo aulas de canto, até chegar à Universidade Estadual do Amazonas (UEA). E hoje estamos aqui, apresentando esse trabalho para essas crianças e retomando todo aquele processo que começou lá no Cláudio Santoro”, destacou o artista.

Para Guedes, o ‘Ópera nas Escolas’ pode despertar novos talentos e aguçar a curiosidade dos alunos para novos estilos de arte. Mas ele alerta, aqueles que desejam entrar para o cenário da ópera é necessário esforço e dedicação. “Estamos realizando um sonho, depois de muito esforço e meses de preparação, entendendo o que é realmente cantar aquele repertório. Compreender o personagem, aprender a cantar em alemão, em italiano… Isso é algo riquíssimo. E, principalmente, poder levar isso às crianças é maravilhoso”, afirmou.

Ópera nas Escolas
Ópera nas Escolas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Democratização da cultura

Segundo a diretora-presidente da Fundação Rede Amazônica, Claudia Daou Paixão, o objetivo central do projeto é democratizar o acesso à cultura.

“É emocionante ver essas crianças e adolescentes entrando em contato com essa arte. Muitos deles nunca foram ao Teatro Amazonas. A gente traz a ópera para dentro das escolas e desperta o interesse e o talento que já existem nesses jovens”, afirmou.

Já para a diretora da Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, Gessiana Paiva Costa, a experiência foi única. “É um evento rico, pois está proporcionando aos nossos alunos o contato com um amplo repertório artístico. Com certeza, as demais escolas conseguirão compreender, neste momento, a grande emoção que estamos sentindo por oferecer uma vivência tão única e especial na vida dos nossos estudantes. Eles merecem”, destacou.

Ópera nas Escolas
Ópera nas Escolas. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

O projeto ‘Ópera em Rede’ está em sua segunda edição, tendo sido lançado em 2023, quando o Festival Amazonas de Ópera completou 25 anos. Em 2025, o projeto retorna junto à 26ª edição do festival, com ações tanto em escolas quanto dentro do próprio Teatro Amazonas.

De acordo com Matheus Aquino, especialista em projetos da FRAM, também estão previstas transmissões ao vivo de espetáculos e atividades socioambientais, como o plantio de mudas e oficinas educativas sobre sustentabilidade.

Saiba mais: Veja a galeria com alguns dos momentos marcantes da ação AQUI.

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

Amapá publica leis que tornam Zimba e Festa de São Benedito patrimônios culturais imateriais

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Foto: João Ataíde/Arquivo pessoal

O Governo do Amapá publicou no Diário Oficial do Estado (DOE) duas legislações que valorizam a cultura e as tradições da comunidade de Cunani, vila história localizada em Calçoene. A Lei 3.217 declara Patrimônio Cultural de natureza imaterial a dança do Zimba, identidade cultural pertencente à região; já a Lei 3.212, declara patrimônio imaterial a Festa de São Benedito, realizada no mês de dezembro.

Leia também: Entenda a importância histórica da Vila Cunani para o Amapá

Com a transformação em patrimônio imaterial, ambas as manifestações culturais são reconhecidas oficialmente por suas importâncias como expressões culturais e contribuição para a formação da identidade e pertencimento da comunidade onde estão inseridas. Além da proteção, valorização e divulgação, com as leis fica autorizado o Poder Público a celebrar convênios com entidades ligadas à cultura, ao turismo e ao lazer, com a finalidade de assegurar a história e de fomentar o conhecimento e a apreciação das manifestações.

O Zimba é a manifestação cultural mais marcante da vila do Cunani. Dança folclórica de origem africana presente unicamente naquela comunidade, é dançada em honra aos santos da Igreja Católica, em especial São Benedito e Santa Maria. Em coro e com instrumentos diferenciados, os zimbeiros respondem aos “jogados” dos cantores, enquanto volteiam entre si ou ao redor dos tambores e pandeiros em sentido anti-horário e constitui uma das manifestações da cultura afro-amapaense.

Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo/GEA

Já a Festa de São Benedito acontece na região há pelo menos 200 anos, reunindo festeiros, moradores e promesseiros, no período de 12 a 26 de dezembro. É realizada com uma extensa programação, que inicia com o levantamento do mastro, além de cortejos e celebrações religiosas.

“Com esse reconhecimento, o Governo do Estado passa a reforçar as políticas de apoio e fortalecimento para a cultura e identidade da vila do Cunani, tanto para o Zimba quanto para a Festa de São Benedito. Celebramos essa conquista junto com a comunidade”, destaca a diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos.

Leia também: Saiba qual vila histórica amapaense tentou “virar país” três vezes no século 19

Já a representante do grupo Zimba e líder comunitária em Cunani, Rosimeire Ramos, reforça a necessidade de manter tradições vivas.

“São as nossas principais manifestações religiosa e cultural e também marcas da cultura e do legado deixados pelos nossos antepassados. Hoje, a comunidade luta para manter viva essas tradições e esse reconhecimento vem para oficializar e reconhecer nossa identidade, cultura, pertencimento e resistência”, diz Rosimere.

*Com informações do Governo do Amapá

Galeria: ‘Ópera em Rede’ chega à centenas de jovens em escola de Manaus

A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, foi palco da primeira ação do projeto Ópera em Rede. Fotos: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Aproximar crianças e jovens do universo da ópera, com apresentações culturais e atividades educativas voltadas à valorização da arte, da cultura e da sustentabilidade, é um dos objetivos do projeto ‘Ópera em Rede’, realizado da Fundação Rede Amazônica (FRAM).

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A Escola de Tempo Integral Zilda Arns Neumann, localizada em Manaus (AM), foi palco da primeira ação do projeto. Com pocket shows de trechos de óperas famosas e minipalestras explicativas sobre esse estilo musical, os alunos ficaram encantados, muitos dos quais nunca haviam tido contato com esse tipo de espetáculo.

Confira alguns dos momentos marcantes da ação:

Ópera em Rede
Ópera em Rede

Ópera em Rede

O Ópera em Rede é um projeto que tem como objetivos democratizar o acesso à música lírica e a valorização da cultura amazônica, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), com o apoio de: Agência Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM), Governo do Amazonas e Amazônica Net.

‘Mazagão é única’: livro de autor amapaense explora lendas e histórias do município

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Foto: Divulgação/Ivan Carlo e Rafael Senra

Uma obra que conta diferentes histórias sobre Mazagão será lançada no dia 9 de maio no Senac Amapá, em Macapá. O livro conta com 11 histórias isoladas, que juntas formam uma só, em um romance. A obra tem como autor o professor de jornalismo da Universidade Federal do Amapá (Unifap) Ivan Carlo Andrade com o pseudônimo Gian Danton.

O livro reúne momentos histórico e lendas de Mazagão brasileira e também da africana. Ele destacou que o local possuí uma riqueza histórica e cultural única.

“É o único caso de uma cidade que foi transportada de um continente para outro. São séculos de histórias e fatos e até lendas que exploro no meu livro”, disse Gian.

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O autor contou que no final do livro, as 11 obras se conectam, mas fica a critério do leitor descobrir o fator que as reúne: “O livro é um desafio para o leitor: descobrir o que une as várias histórias, algo que só revelo no último capítulo, nas últimas páginas”.

A obra conta com ilustrações de desenhistas de Macapá (AP), Manaus (AM) e Curitiba (PR), que dão formato às histórias.

Ilustrações dão vida à história contada por Gian. Imagem: Divulgação/Ivan Carlo, Natália Muniz

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Sobre o autor

Ivan Carlo Andrade, que atende pelo pseudônimo Gian Danton é roteirista de quadrinhos desde 1989 e tem mais três romances intrigantes, entre eles: O uivo da górgona, Galeão e Cabanagem.

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Além disso, Ivan é autor de inúmeros livros na área da comunicação e integrante da Academia Amapaense de Letras.

Gian Danton, autor de livros no Amapá. Foto: Gian Danton/Divulgação

*Por Isadora Pereira, Rede Amazônica AP

Zimba (dança)

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Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo/GEA

O Zimba é a manifestação cultural mais marcante da vila do Cunani, vila história localizada em Calçoene (AP). Dança folclórica de origem africana presente unicamente naquela comunidade, é dançada em honra aos santos da Igreja Católica, em especial São Benedito e Santa Maria.

Em coro e com instrumentos diferenciados, os zimbeiros respondem aos “jogados” dos cantores, enquanto volteiam entre si ou ao redor dos tambores e pandeiros em sentido anti-horário e constitui uma das manifestações da cultura afro-amapaense. A Lei 3.217 declarou Patrimônio Cultural de natureza imaterial a dança do Zimba, em 2025.

*Com informações do Governo do Amapá

Pesquisador da Fiocruz Amazônia alerta para precarização sanitária da região no Atlas da Amazônia

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Foto: Michell Mello/Fiocruz Amazônia

Lançado em abril, o Atlas da Amazônia Brasileira já está disponível na versão digital e deve se tornar leitura obrigatória para quem deseja se aprofundar no tema Amazônia, no ano em que os olhares do mundo se voltam para a região em função da COP 30, que ocorrerá em novembro, na cidade de Belém (PA).

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Com um total de 32 artigos assinados por estudiosos, pesquisadores e especialistas de diferentes correntes, a publicação traz, entre seus trabalhos, o artigo assinado pelo epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana, do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (LEGEPI), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

No capítulo Saúde e Medicinas, ele alerta para a ameaça de precarização sanitária da Amazônia, como resultado do avanço de atividades predatórias, como o desmatamento e a exploração mineral. O Atlas pode ser acessado, gratuitamente, pelo site da Fundação Heinrich Böll, nos formatos impresso e digital. 

Portal Amazônia: Portal Amazônia responde: o que é a COP 30?

Fiocruz Amazônia alerta
Foto: Michell Mello/Fiocruz Amazônia

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Segundo Orellana, o avanço de atividades predatórias tem impactos sanitários, sobretudo numa região onde o acesso à saúde pública é dificultado por peculiaridades territoriais e saneamento básico precário. Promover acesso à saúde e valorizar conhecimentos tradicionais é importante para combater esse quadro, conforme explica o autor.

“Devido a sua extensão territorial, diversidade sociocultural e peculiaridades do clima, vegetação e relevo, os desafios sanitários na Amazônia são historicamente complexos e contrastantes, não apenas ao se confrontar cenários entre populações urbanas e rurais, acesso a serviços de saúde em municípios de menor e maior porte populacional, condições de vida e saúde entre indígenas e não-indígenas, mas ao se comparar indicadores de saúde da população geral da região Norte àqueles da sudeste e sul do país”, pontua.

O pesquisador ressalta que, nas últimas quatro décadas e em contexto de extremas mudanças climáticas, o bioma amazônico tem sido criticamente ameaçado pelo avanço predatório do agronegócio e da pesca industrial, da extração ilegal de madeira e de ouro, bem como pelas devastadoras queimadas de extensas áreas florestais.

“Essas intervenções, em maior ou menor intensidade, têm impactado negativamente a saúde humana, seja mediante resíduos potencialmente tóxicos no ar, água e solo ou mesmo alterando a relação entre humanos e diferentes seres vivos, a exemplo do que ocorre com doenças endêmicas, dentro e fora de centros urbanos”, afirma.

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Fiocruz Amazônia alerta
Epidemiologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia Jesem Orellana. Foto: Ingrid Anne/Fiocruz Amazônia

Na região Norte, segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento de 2017 do IBGE, a porcentagem para os volumes diários de esgoto gerado e tratado foi de apenas 16,4%, a menor entre as regiões do Brasil.

“Os dados são condizentes com a elevada ocorrência de Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). Não é coincidência que, em 2021, o número de internações hospitalares por dengue no Norte aumentou 27%, em comparação a 2020, contrariando o padrão nacional de queda. Em geral, este padrão se repete para internações por leptospiroses ou diarreia e gastroenterite com origem infecciosa presumível. Nesse precário cenário de saneamento, há um leque de doenças infecciosas e negligenciadas, endêmicas em regiões de baixo desenvolvimento humano e social, associadas a incapacidades, adoecimento e mortes evitáveis”, destaca Orellana, no artigo.

O pesquisador explica que, entre os exemplos mais impactantes, em termos de carga de doença, estão a malária, a tuberculose, o HIV/AIDS e a febre amarela. “O mosaico sanitário amazônico, ainda conta com o trágico desenvolvimento de epidemias de doenças emergentes e reemergentes, como a febre oropouche em 2024, com inéditos 5.644 casos confirmados até 03 de setembro ou 71,2% do total nacional.

A pandemia de Covid-19, além do seu indiscutível impacto sobre a mortalidade, sobretudo em Manaus, ao protagonizar chocantes colapsos funerários, hospitalares e ambulatoriais, parece ter ampliado vulnerabilidades assistenciais e socioeconômicas, fertilizando o cenário à deflagração de mais efeitos residuais pandêmicos”, revela.

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Fiocruz Amazônia alerta

O epidemiologista chama a atenção também para o excesso de suicídios, entre março de 2020 e fevereiro de 2022, em mulheres com 30-59 anos (27%), bem como os cerca de 70% de mortes maternas excedentes no norte amazônico, entre março de 2020 e fevereiro de 2022.

“Esses dados refletem bem a gravidade da crise sindêmica, dado o claro comprometimento de indicadores de Saúde e Bem Estar que o Brasil havia se comprometido a melhorar no âmbito dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Outra grave ameaça é a recusa vacinal, sobretudo em crianças com um ano ou mais. No fim de 2022, as coberturas vacinais da tetra viral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela), da tríplice bacteriano (difteria, tétano e pertussis) e da hepatite A, se situaram abaixo de 7%, 55% e 60%, respectivamente. Abaixo das coberturas de outras regiões do Brasil e longe dos 95% esperado”, evidencia.

Medicina indígena

Na publicação, Jesem Orellana divide espaço com o líder indígena, ativista e educador amazonense Gersem Baniwa, que aborda a questão da Medicina Indígena. Para ele, assim como na Medicina, a arte de cuidado de saúde e cura dos povos indígenas é balizada pelas teorias, fundamentos e concepções que constituem um conjunto de elementos concretos e “abstratos” (elementos fitoquímicos e metafísicos), e praticados de forma especializada pelas pessoas que passaram por formação para exercer tal ofício. “Cada povo tem suas próprias instituições de formação de seus especialistas. Assim, os especialistas indígenas são pessoas que passaram por uma rigorosa formação e treinamentos, sob orientação de especialista formador. As noções de doença e saúde não se restringem ao aspecto biológico”, descreve.

De acordo com Baniwa, esse é o ponto central que diferencia a medicina indígena do modelo biomédico de cuidado de saúde, que intervém sobre o corpo a partir da noção do meramente biológico. “Os estudos entre os povos indígenas do Alto Rio Negro, mostram que as tecnologias de cuidado de saúde e cura são fundamentalmente: Bahsesse (benzimentos), fórmulas metaquímicas e metafísicas evocadas pelos especialistas para proteção, tratamento e curar de doenças, além de plantas medicinais”, explica.

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Sobre o Atlas

O Atlas da Amazônia Brasileira é uma iniciativa da Fundação Heinrich Böll, da Alemanha. O Atlas busca desconstruir estereótipos da região. “Trata-se de um conteúdo que visa contribuir para uma urgente mudança de perspectiva, para que pessoas do Brasil e do mundo possam conhecer a Amazônia novamente, desta vez sob a perspectiva dos diversos habitantes da região”, explica o conselho editorial, citando a gama de artigos produzidos por uma maioria de autores originários de diferentes partes da Amazônia, considerando também uma diversidade racial, étnica e de gênero.

Rede Amazônica é reconhecida por lei como patrimônio histórico e cultural no Macapá

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Foi aprovado pela Câmara Municipal de Macapá o projeto de lei que reconhece a Rede Amazônica, afiliada da TV Globo, como patrimônio histórico, cultural, social e jornalístico de Macapá, nesta terça-feira (6).

O projeto é de autoria do presidente da câmara, o vereador Pedro DaLua, registrado como ‘Lei Jornalista Phelippe Daou‘, em homenagem ao fundador da Rede Amazônica e leva em consideração a contribuição história da afiliada para a formação da população macapaense.

Leia também: Phelippe Daou, o jornalista

“Valorizar a Rede Amazônica é valorizar a história de Macapá, a identidade amazônica e a liberdade de expressão responsável”, disse o vereador.

Foi aprovado também pelo vereador o Projeto de Decreto Legislativo, que outorga homenagem aos 60 anos da TV Globo, completados no dia 26 de abril de 2025 e pelos relevantes serviços da emissora voltados à comunicação, cultura e formação do povo brasileiro.

A afiliada foi contemplada também pela promoção das tradições e identidades amazônicas, incentivo à preservação da memória comunicacional e difusão de informações de interesse público.

Phelippe Daou durante inauguração da primeira sede da TV Amapá, em 1975. Foto: Reprodução/Arquivo Museu da Rede Amazônica

Além disso, a proposta contemplou a importância da afiliada que fez história como TV Amapá e se tornou Rede Amazônica. Que esteve ativamente presente no cotidiano da população desde 1975 e buscou expandir sua forma de comunicação por rádio, internet, acervos, instalações e atividades jornalísticas, culturais e educativas desenvolvidas pela emissora no âmbito municipal.

Durante a aprovação do PL, foi destacado que a Rede Amazônica se tornou a protagonista na cobertura de eventos históricos, sociais, culturais e políticos, que marcaram a capital como um todo, levando estes acontecimentos aos lares de milhares de famílias.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Jovem cronista descreveu a dura realidade de uma zona de degredo no Vale do Rio Madeira

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Benigno, espanhol de 17 anos. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Os espanhóis eram numerosos na região do Vale do Rio Madeira e estavam presentes desde os tempos dos jesuítas, no século XIX. A área do atual estado de Rondônia, segundo o Tratado de Tordesilhas de 1498, era originalmente um domínio espanhol, status que só foi alterado em 1750 com o Tratado de Madri. Avançando no tempo para o século XX, o contexto era o do Brasil República, com suas fronteiras definidas – o Acre foi o último território incorporado em 1903, retirado da Bolívia, colonizada pelos espanhóis.

Durante a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, vivia na região um adolescente espanhol da Galícia chamado Benigno Cortizo Bouzas. Ele morava com seu irmão Anselmo, falecido em janeiro de 1908 e enterrado no Cemitério de Santo Antônio, e seu primo Bernardo, falecido na Bahia em 1933.

Em 1911, com apenas 17 anos, Benigno vivia na vila de Santo Antônio, nas barrancas do Alto Madeira, a sete quilômetros de onde fica a cidade de Porto Velho. Algo o marcou profundamente naquele ano: a chegada do navio de passageiros Satélite, trazendo degredados do Rio de Janeiro, então capital da República.

Benigno, espanhol de 17 anos. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Na embarcação do Loide Brasileiro vieram para o futuro território de Rondônia remanescentes da Revolta da Chibata, desordeiros sociais, cafetões, mendigos, velhos, crianças, prostitutas e pessoas pobres e sem rumo, vítimas do Governo Federal, que tentava fazia uma assepsia na Cidade Maravilhosa. Totalizavam 444 indivíduos conduzidos por 50 praças desde o Rio. Entre eles, partícipes da Revolta que combatia a aplicação dos castigos físicos impostos a marinheiros., ocorrida a 22 de novembro de 1910, na Baía de Guanabara, liderada por João Cândido, o “Almirante Negro” – um filho de escravizados que não veio para o degredo na Amazônia, ficou preso no cárcere na Ilha das Cobras, no RJ.

Benigno testemunhou toda a movimentação às margens do Rio Madeira, atônito, registrando a chegada dessa carga humana destinada a trabalhar na Comissão Rondon e nos seringais. Vinte e uma prostitutas foram acolhidas pela linha telegráfica, enquanto outras 23 foram abandonadas à própria sorte. Algumas foram estupradas durante a viagem, feridas e gravemente agredidas; outras, envelhecidas, apanharam muito.

Após a triste travessia, os homens foram submetidos a trabalho árduo, muitos deles despojados de qualquer direito, entregues aos vícios e à escravidão. Afirmou o deputado Irineu Machado, na tribuna da Câmara Federal: “O intuito [do presidente da República, Hermes da Fonseca] foi o de lançá-los à miséria e ao desespero (…), desterrá-los sem abrigos e em condições insalubres, pantanosas, e sem recursos”.

Os mortos por determinação do Estado eram negros. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Um aristocrata quase degredado

Por muito pouco, o boêmio Agenor Novais, um carnavalesco incorrigível do início do século XX, não chegou às barrancas do Rio Madeira para ser despojado de todos os benefícios que poderia ter desfrutado como legítimo “sangue azul”. Ele era filho do Barão de Novais (Elias Dias Novais) e foi preso no Satélite a mando do próprio pai; o nobre não o queria por perto, por desagregar a família com seus hábitos libertinos. O degredo seria um castigo.

No entanto, o advogado Peixoto de Castro, amigo do jovem, conseguiu um habeas-corpus para Agenor, que era visto como intelectual e poeta. Por conta da decisão judicial, ele conseguiu desembarcar do Satélite em Belém e retornar ao Rio de Janeiro, onde continuou sua vida gozando da liberdade, para o desespero de sua família.

Agenor foi aluno do poeta Carlos de Laet no Colégio Diocesano entre 1900 e 1903, e com ele adquiriu o amor à literatura e ao jornalismo. O rapaz havia escrito um diário durante sua viagem até o degredo, mas este lhe foi surrupiado pelo Exército. Ele morreu solteiro e sem filhos, em 1938, levando consigo suas impressões sobre aquela fatídica aventura no bárbaro Satélite.

Trecho do diário de bordo escrito pelo comandante Storry. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

O poeta circulava entre nomes como Olavo Bilac, trabalhou no jornal “A Época”, escreveu para “O Malho” e, em 1913, editou a revista “O Turf”, especializada em corridas de cavalo. Além disso, participou de diversas atividades culturais e esportivas, dirigindo o Sport Club e compondo a diretoria da Liga Municipal de Futebol, na capital da República. Foi também rábula. Em 1915, Agenor esteve presente no velório do poeta Aníbal Teófilo – um dos pioneiros na prática da literatura na região de Porto Velho.

Assassinados durante a viagem em pleno 1° de janeiro

O delegado de polícia – e político nascido no Rio Grande do Sul – Flores da Cunha retirou os presos da Casa de Detenção e listou quem deveria ser fuzilado durante a viagem. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Os ladrões e assassinos tinham sido retirados da cadeia pelo delegado de polícia José Antônio Flores da Cunha da Casa de Detenção do Rio e atirados no porão do navio. Sessenta e seis marinheiros, recolhidos de uma prisão do Quartel do Exército, receberam ordens de embarque, mesmo estando anistiados pelo presidente Hermes da Fonseca. Do Quartel do 1º Regimento de Infantaria saíram outros, os marinheiros. Seus nomes estavam marcados de vermelho, na lista entregue ao comandante por Flores da Cunha. Sinal de que deveriam ser assassinados.

Foram infiltrados agentes da polícia para simularem um levante e isso justificar a morte dos degradados. Tudo planejado com a anuência dos tenentes Francisco Mello e João da Silva Leal, este que, mais tarde, tornou-se deputado pela UDN do Ceará. Os tenentes teriam comandado os fuzilamentos. O jornal “A Época”, do Rio de Janeiro, comparou o Navio Satélite aos antigos navios negreiros, da época da escravização de africanos no Brasil. “Os dois momentos históricos são irmãos”.

O cearense Tenente Silva Leal, que comandou o fuzilamento em alto mar. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Os assassinatos ocorreram em pleno 1º de janeiro, nas proximidades da Bahia, no porão da embarcação, a mando do Estado. Antes de chegarem a Rondônia, destino da carga, já estavam mortos: Aristides Pereira da Silva (“Chaminé”) – o mais odiado porque teria urinado sobre o cadáver de Baptista das Neves, oficial morto numa luta de espada durante a Revolta da Chibata, em novembro –, Ricardo Benedito, Nilo Ludgero Bruno, Manuel Elísio de Araújo, Hernani Pereira dos Santos (“Sete”), Isaías Marques de Oliveira, José Alexandrino dos Santos, Vitalino José Ferreira, Argemiro Rodrigues de Oliveira – anteriormente, na década de 1890, este foi soldado na 15º Batalhão de Infantaria da Bahia e trabalhou como zelador, até migrar para o Rio de Janeiro e conseguir vaga na Marinha.

“Eu me salvei de ir ao degredo [em Porto Velho] porque fiquei muito popular, e os jornais gritavam muito. Tive que ser poupado naquele momento, mas sofri muito”, afirmou o Almirante Negro em entrevista ao jornal “Mundo Ilustrado”, em 1956.

Manchete do “Jornal do Brasil”. Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

O experiente capitão Carlos Brandão Storry, comandante do Satélite, era descrito como um bonachão “do tipo inglês”, e quem, de fato, mandava na tripulação era o Tenente Melo. De qualquer forma, coube a Storry elaborar o relatório da travessia, realizada entre 25 de dezembro de 1910 e 4 de março de 1911.

Na viagem iniciada na noite de natal, nove foram assassinados em alto mar e dois homens cometeram suicídio, jogando-se na água com os pés em mãos amarrados. É o que deixou assinalado o comandante Storry em seu diário de bordo, em 1º de janeiro: “Eu me afastei da costa para serem fuzilados seis homens, o que fizeram às duas da manhã (no dia seguinte foram mais três). Ao todo, foram mortos nove dos bandidos que conduzimos. Esta medida extrema foi a única possível nas condições que nos achávamos”.

Segundo a fajuta versão oficial relatada pelo Capitão Storry, os marinheiros assassinados representaram um risco à vida da tripulação. Os sete marinheiros teriam embarcado “livremente” com destino ao porto do Pará. No primeiro dia de viagem, eles teriam se amotinado. Vitalino José Ferreira e Hernani “Sete”, de acordo com o relatório, passaram armas e munições para seus camaradas presos. Todos acabaram rendidos, amarrados e assassinados “por questão de segurança” dos demais passageiros.

No Centro de Documentação Histórica do Poder Judiciário de Rondônia, constata-se, por amostragem, que era grande o número de degredados envolvidos na teia social que os empurrava aos delitos e à violência. Na Estrada de Ferro, foram escorraçados a tiros antes mesmo de o paquete Saltélite tentar ancorar na cidade-empresa. Sem emprego e sem destino, precisavam sobreviver, a qualquer custo.

O livro de Benigno

Mais tarde, o jovem Benigno – que foi o único que anotou tudo com o olhar de quem não estava contaminado pelo governo opressor e nem era parte diretamente daquele cadeia de horror – voltou à Europa, onde residiu entre 1921-1923, casando-se e tendo o filho primogênito, Sócrates. Depois, instalou-se em Pernambuco e escreveu, na década de 1930, um livro de memórias intitulado “De la Amazonia al Infinito – una vida, apuntes, nueva teoría”, publicado em 1950 pela editora Diário da Manhã, de Recife, contendo 148 páginas e 29 ilustrações. São anotações que ele conservava desde 1908, presenciando e trabalhando nas obras da ferrovia e a chegada do sombrio Navio Satélite.

No livro, há também histórias do cotidiano regional. Alguns casos narrados por Benigno sugerem um cenário de filme de faroeste, como esta: “Don Carlos Frias, peruano, e Don Júlio Vilagut, espanhol, de Barcelona, eram sócios. Frias subia e descia o Rio Madeira levando mercadorias variadas e trazendo borracha; Vilagut residia em Santo Antônio.

Foto: Acervo público/Divulgação/Domínio Público

Certa tarde, se encontravam jogando uma partida de bilhar e, repentinamente, Don Julio acusou severamente Don Carlos: – Me disseram, Frias, que tu estás namorando minha mulher. – Homem, namorando não, mas dormindo com ela sim, respondeu Frias.

Sacaram seus revólveres e fizeram vários disparos, sendo que um deles fez em pedaços uma garrafa de conhaque que eu tinha na mão. Um circunstante, que nada tinha a ver com a pendência, morreu de um balaço no fígado. Os dois contendores saíram ilesos, mas o negócio Frias e Vilagut veio abaixo com elevadas perdas para as praças de Manaus, Belém do Pará e Liverpool.'”

O destemido espanhol com têmpera e vocação de escritor contribuiu significativamente para a história ao documentar o caso do paquete Satélite e tantas outras experiências na grande aventura humana na região do Alto Madeira. Morreu em 1º de janeiro de 1953, atuando como comerciante, residindo à Rua Ulhoa Cintra, 122, em Recife (PE). Deixou esposa, Rosa Moreira Vidal, e oito filhos.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Com quase 90% de áreas impactadas, Acre lidera desmatamento ao redor de sítios arqueológicos

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Cresce o desmatamento ao redor de sítios arqueológicos no Acre. Foto: Divulgação/Iphan

Dados do projeto MapBiomas, que disponibilizou, de forma inédita, informações dos quase 28 mil sítios arqueológicos cadastrados e georreferenciados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mostram que o Acre lidera o desmatamento ao redor de sítios arqueológicos, com quase 90% de áreas impactadas.

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Uma análise das mudanças na cobertura e uso da terra nas últimas décadas no entorno de sítios arqueológicos do país mostra perdas significativas das áreas de vegetação nativa em todo o país. Nesse cenário, o Acre é o estado com maior percentual de áreas impactadas pela mudança do uso da terra ao redor dos sítios, seguido por Rio de Janeiro e Espírito Santo, com mais de 75%.

O cenário local mostra ainda que a área de vegetação nativa diminuiu de 70% para 10% no intervalo durante os quase 40 anos de análise, de acordo com o levantamento do MapBiomas.

A Amazônia apresentou o maior aumento proporcional de áreas com perda de vegetação nativa no entorno, passando de 19% para 47,5% no mesmo período.

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Em 1985, mais da metade da área no entorno de 100 metros dos sítios eram de florestas, savanas e campos naturais, e 41,7% sofreram alterações na vegetação original.

Quase 40 anos depois, em 2023, o cenário se inverteu: apenas 41,5% continuam rodeados por áreas de vegetação nativa e quase 50% se encontram em áreas já desmatadas e ocupadas, por exemplo, por pastagens, agricultura e áreas urbanas.

Riscos

Eduardo Neves, arqueólogo da Universidade de São Paulo (USP), que colaborou com os dados divulgados pelo projeto MapBiomas, afirma que o desmatamento das áreas no entorno desses sítios coloca em risco a preservação desses locais.

“Isso quer dizer que os sítios que eram recobertos por florestas anteriormente, hoje em dia são em áreas desmatadas. Esse desmatamento, dependendo da escala, da mudança de uso da terra, pode trazer consequências muito ruins para os sítios. Pode levar até à destruição desses sítios. E a destruição do Patrimônio Arqueológico é irreversível”, explicou ele.

O arqueólogo ainda disse que se o sítio for destruído, não é possível que seja reconstruído. “É um patrimônio que é o único. Por isso que a gente tem que tomar bastante cuidado para entender a dimensão desses impactos”, frisou.

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Segundo Eduardo, essas mudanças no Acre se devem à transformação das áreas de floresta em áreas de pastagem e de agricultura para plantio de soja.

“Esses sítios arqueológicos no Acre são sítios muito interessantes, porque são estruturas geométricas, de geoglifos. As escavadas na terra é um patrimônio único que a gente encontra nessa parte da Amazônia e que tem sido muito impactado pela conversão do uso da terra para agropecuária, inicialmente para plantio de pastagem, de pasto, e agora da soja também”, disse.

Leia também: A construção dos ‘deuses geométricos’: os geoglifos da Amazônia

Ainda de acordo com o pesquisador da USP, os problemas atingem outros biomas, além da Amazônia. “Os estados que tiveram mais alerta de desmatamentos em sítios foram no Rio Grande do Norte e o Paraná. A gente percebe então que esse problema não está restrito apenas a Amazônia. Até o Rio Grande do Norte que tem uma vegetação de Caatinga esse tipo de impacto está acontecendo”, complementou.

Abertura para pastagem

Em outubro de 2024, um levantamento inédito do MapBiomas apontou que a abertura de áreas de pastagem foi a principal causa do desmatamento da Amazônia entre 1985 e 2023.

Imagens de satélite analisadas pela rede mostram que, nesse período, a área de pastagem cresceu mais de 363%, passando de 12,7 milhões de hectares para 59 milhões.

Isso representa uma expansão de 46,3 milhões de hectares em menos de quatro décadas. Com isso, somente em 2023, os pastos ocupavam 14% da Amazônia.

Mesmo com Acre entre estados de maior vegetação urbana, Rio Branco foi a capital que mais perdeu área verde em 20 anos. A conclusão é de um levantamento do MapBiomas, divulgado no dia 8 de novembro de 2024.

De acordo com o MapBiomas, o estado tinha 43,3% da zona urbana coberta por vegetação em 2003. Em 2023, a abrangência de vegetação na área urbana caiu para 32,8% no Acre.

*Com informações da Rede Amazônica AC