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Carnaval Amazônico: saiba como foi a primeira noite do Carnaboi 2025

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

O Carnaboi 2025 começou! Parte do projeto Carnaval Amazônico, a festa une a temporada carnavalesca com a temporada bovina no Amazonas. Este ano, a festividade acontece nos dias 7 (sexta-feira) e 8 (sábado) de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus. A entrada é gratuita. 

“É o segundo ano que a Fundação Rede Amazônica realiza o projeto Carnaval Amazônico. E hoje a gente está realizando em parceria com a Secretaria de Cultura, o Carnaboi no Studio 5. O objetivo é promover a nossa cultura, com o Carnaboi, que une o Carnaval com o boi-bumbá”, comenta o especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM) Matheus Aquino.

O local, que começou a receber as galeras dos bois Caprichoso e Garantido por volta das 18h, foi escolhido para garantir segurança e conforto ao público e aos artistas. “A gente está mais uma vez aqui no Studio 5 Centro de Convenções, que é um espaço especial, coberto, climatizado, agradável, com estacionamento amplo e seguro”, destaca Aquino.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Além das atrações musicais dos bois-bumbás parintinenses, ações educativas e socioambientais fazem parte do projeto. Matheus Aquino convida o público a participar de jogos com a temática ambiental – com direito à brindes. “E a gente também tem um totem fotográfico, onde a pessoa pode participar e ter a foto impressa na hora, para levar de recordação”, conta.

Mas para quem não conseguir comparecer, a festa pode ser acompanhada em transmissões ao vivo realizadas pelo Grupo Rede Amazônica. 

Leia também: Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

Atrações à parte

É claro que a feira de artesanato não poderia faltar. Com diversos itens de ambos bois, artesãos aproveitaram para dar uma amostra do que vai para o Festival de Parintins.

É o caso da artesã Cleo Nascimento, representando o boi Caprichoso. “Já tenho vinte e poucos anos de artesã e participo de várias feiras. A expectativa para hoje é que as pessoas venham, prestigiem, gostem dos nossos produtos, e a gente venda bastante”.

E do lado do boi Garantido estava a também artesã Maísa Fagundes. “É a primeira vez que a gente participa do Carnaboi e está sendo muito emocionante pra gente porque é o primeiro evento de boi oficial que a gente participa. Estou com a expectativa alta, que venha muita gente e que as pessoas gostem do nosso trabalho. Acredito que vai ser um sucesso”, comentou.

Mas a festa não seria a mesma sem o público apaixonado pelos bois. No lado da galera vermelha, Sara Seabra e Neuda Seabra contaram que não perdem o Carnaboi. “A gente frequenta todo ano o Carnaboi. Está muito bom aqui no Studio 5, bem amplo. Quem está vendo, pode vir pra cá que a festa é muito boa!”, afirma Sara.

No lado da galera azul estava a estudante Rosana Sevalho, que foi pela primeira vez em uma edição do Carnaboi. “A experiência tá sendo ótima. Eu adorei! Até porque quando chove não dá pra curtir nada, mas aqui tá sendo ótimo, tá bem climatizado, dá pra curtir e até ganhei brindes sustentáveis”, declarou.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Curso visa valorização da agricultura familiar indígena em Roraima

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A Comunidade Indígena do Jabuti, no município de Bonfim, em Roraima, tem ganhado notoriedade pela valorização da agricultura familiar indígena.

Um dos grandes incentivadores da causa é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que proporciona mudança de atitude do produtor e do trabalhador rural.

O principal objetivo é ampliar a capacidade produtiva das famílias indígenas para aumentar a produção de alimentos e geração de renda, através do treinamento de formação profissional Rural da Comunidade Indígena do Jabuti. A comunidade aprendeu a aproveitar o que mais tem facilidade em produzir: a pimenta. 

Angélica Souza foi uma das alunas que aprenderam, durante o curso, a produzir molhos, compotas e geleias de pimentas que são cultivadas na comunidade.

“Sobre o curso de beneficiamento da pimenta aprendi a fazer várias receitas. A gente planta o pé de pimenta, colhe a frutinha dela e, aqui com o Senar, aprendemos a aproveitar os frutos”, disse a indígena.    

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Segundo a equipe técnica do Senar, com esses cursos a comunidade aprende a agregar valor aos produtos locais, implementam uma visão empreendedora para vender além da matéria-prima, agregando conhecimentos técnicos de boas práticas de manipulação de alimentos. 

Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

Ao todo, foram ensinadas nove tipos de receitas com pimentas que já estavam plantadas na comunidade. As pimentas mais cultivadas na localidade são a malagueta, dedo de moça e olho de peixe.

Reprodução: YouTube- Amazon Sat.

Eunice Paiva: advogada representada em ‘Ainda Estou Aqui’ contribuiu na luta dos direitos indígenas de Rondônia

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Foto: Reprodução/TV Globo

Quem assistiu ‘Ainda Estou Aqui’, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, conhece a história de Eunice Paiva, uma mãe que enfrentou o desaparecimento do marido durante a ditadura militar. Além de lidar com a dor e as consequências do regime autoritário, Eunice se tornou uma figura fundamental na luta pela defesa dos direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.

Leia também: ‘Ainda estou aqui’: como advogada, Eunice Paiva deixou legado para o direito indígena

Em Rondônia, o trabalho da advogada ajudou a construir um legado importante no campo socioambiental na região. 

Mesmo sem ter atuado diretamente em Rondônia, Eunice contribuiu para a luta pela proteção territorial e o fortalecimento das comunidades tradicionais no estado, por meio de parcerias e articulações com entidades e pesquisadores que atuavam na região.

“Eunice Paiva, uma mulher que transformou sua dor em força e dedicou sua vida a causas extraordinárias”, conta Marcelo Ferronato, diretor do Ecoporé, uma organização referência na conservação e restauração ecológica e na implementação de iniciativas voltadas à preservação da biodiversidade amazônica.

A entidade, sediada em Porto Velho (RO), utilizou suas redes sociais para relembrar e compartilhar a história de Eunice Paiva.

“Em 1987, Eunice, ao lado de parceiros como Mauro Leonel e Betty Midley, fundou o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (IAMA), que atuou até 2001 na defesa e promoção da autonomia dos povos indígenas. A Ecoporé-RO, fundada em 1988, contou com o apoio do IAMA, uma parceria fundamental para a proteção territorial em Rondônia”, diz no texto.

O diretor da Ecoporé destaca que a demarcação de terras indígenas na região é uma das conquistas mais relevantes alcançadas pela entidade, através do IAMA, em parceria com outras entidades dedicadas à mesma causa.

Eunice nunca esteve no estado, mas suas ações refletiram diretamente na luta pelos direitos indígenas e ambientais da região. Entre os principais nomes que atuaram diretamente em Rondônia, estão os cofundadores do IAMA, Mauro Leonel e Betty Mindlin. Ambos tiveram papel fundamental na criação da Terra Indígena Rio Branco e da Terra Indígena Massaco.

Mauro Leonel, professor e pesquisador da Associação Brasileira de Antropologia, é autor do livro Etnodiceia Uru-Eu-Wau-Wau, obra que aborda as discussões em torno da demarcação territorial no Parque Nacional Pacaás Novos, localizado no interior de Rondônia. O livro é considerado uma peça-chave para garantir a demarcação dessas terras.

Já Betty Mindlin, também parceira de Eunice, trabalhou diretamente com o povo Paiter Suruí. Seu trabalho resultou na obra Nós Paiter, que retrata o processo de contato entre os Paiter Suruí e os não indígenas, trazendo um importante registro histórico e antropológico sobre esse encontro.

“Apoiávamos a desintrusão da Reserva Biológica do Guaporé e desempenhamos um papel ativo nos estudos para a demarcação das Terras Indígenas Rio Branco, Mequéns e Massaco. Juntas, essas terras protegidas abrangem atualmente mais de 1 milhão de hectares, garantindo a sobrevivência de centenas de famílias indígenas em seus territórios tradicionais e ancestrais”, diz o diretor da Ecoporé.

Os frutos da atuação de Eunice e sua equipe permanecem até os dias de hoje. Além da demarcação de terras indígenas no estado, os trabalhos também fomentaram a criação de reservas extrativistas e a formação de associações que valorizam o trabalho das comunidades tradicionais e dos seringueiros da região.

Mesmo nunca tendo vindo a Rondônia, Marcelo afirma que a IAMA deixou um legado valioso, que contribuiu com a justiça social e ambiental.

“Temos imenso orgulho dessa parceria, cujo impacto ecoa na luta pela conservação e pelos direitos dos povos da Amazônia”, finaliza o texto.

*Por Agaminon Sales, da Rede Amazônica RO

Coco babaçu é usado para criar alimento similar a hambúrguer no Maranhão

Foto: Flavia Bessa

A união entre conhecimentos científicos e tradicionais na Amazônia Maranhense resultou em dois novos produtos à base de plantas, que, além de aliarem nutrição, saúde e sustentabilidade, atendem a nichos de mercados crescentes por produtos naturais e ricos em proteína no Brasil. O análogo de hambúrguer de babaçu e a farinha de amêndoas abarcam ainda a marca da inovação tecnológica e social porque foram desenvolvidos em parceria entre cientistas e quebradeiras de coco da região. Essa sinergia de sucesso já havia dado origem a novas formulações de biscoito e de gelado, uma bebida tipo leite e a um análogo do queijo, todos oriundos do coco babaçu.

Leia também: Farinha de babaçu é principal ingrediente para uma ‘revolução gastronômica’ no Maranhão

Para o desenvolvimento desses coprodutos, participaram as mulheres da Cooperativa Mista da Agricultura Familiar e do Extrativismo do Babaçu – Coomavi, em Itapecuru-Mirim, da Associação Clube de Mães Quilombolas Lar de Maria, da comunidade Pedrinhas Clube de Mães em Anajatuba, e ainda da Associação de Quebradeiras de Coco de Chapadinha do Assentamento Canto do Ferreira, em Chapadinha. Como representantes da ciência, fizeram parte dos estudos pesquisadores da Embrapa Maranhão (MA), Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Rede ILPF e financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) no Brasil.

Foto: Flavia Bessa

O objetivo foi a valorização do trabalho das quebradeiras de coco e do babaçu como produto da sociobiodiversidade brasileira com a diversificação dos coprodutos da palmeira para atender nichos de mercado. Para tal, o bagaço da amêndoa – até então resíduo da extração do óleo da amêndoa – foi transformada em farinha da amêndoa, matéria-prima para outros produtos, como o análogo do hambúrguer, e incluída em formulações de biscoitos, pães, bolos, mingaus e sorvetes, resultando em mais economia e satisfação dos consumidores.

A pesquisadora Guilhermina Cayres, líder do projeto de pesquisa, diz que os novos alimentos foram desenvolvidos considerando as condições específicas das agroindústrias comunitárias e as práticas tradicionais das quebradeiras de coco, integrando melhorias e padronizações – incluindo as boas práticas de processamento e segurança alimentar – e levando em conta também a aceitação sensorial do produto, agregação de valor às amêndoas quebradas e diversificação de produção.

“Promovemos a interação de conhecimentos técnicos e tradicionais para aumentar o valor agregado da produção artesanal e ocupar nichos de mercado específicos, como os de produtos associados à identidade sociocultural e os voltados para dietas com restrição de consumo de glúten e lactose. Sabemos que os alimentos oriundos do babaçu são elementos potenciais para criar sistemas alimentares que valorizam a identidade sociocultural de povos e comunidades tradicionais do Maranhão, gerando inclusão produtiva e riqueza com baixo impacto ambiental e inserindo o estado como referência na bioeconomia e no uso sustentável de produtos da sociobiodiversidade”, destaca a pesquisadora.

Saberes tradicionais e científicos embasaram o desenvolvimento dos produtos

Foto: Flavia Bessa

O professor Harvey Villa, do Departamento de Engenharia Química da UFMA, explica como foi o processo para se chegar ao alimento tipo hambúrguer.

“Utilizamos metodologia inversa. Em vez de irmos primeiramente ao laboratório e depois levar o produto para a comunidade, partimos de uma avaliação das condições locais e do potencial das matérias-primas que elas têm, inclusive dos próprios resíduos, o que é muito importante porque a amêndoa do coco babaçu inicialmente é empregada para extração de óleo a frio e a quente. Essa torta, fruto do processo de prensagem, normalmente era usada como ração para animais e sabíamos que ainda tinha bastante conteúdo de lipídios, carboidratos, podendo ser utilizada como um tipo de farinha por meio de bom tratamento e processamento. A ideia era reaproveitar 100% do produto e obtivemos êxito. A farinha que está sendo utilizada para o hambúrguer não é a do mesocarpo, é da amêndoa, antes resíduo e agora, matéria-prima. Assim, adaptamos o processamento às condições reais das quebradeiras, sempre com o cuidado de atender às exigências delas, e facilitamos que a elaboração desses produtos seja de forma simples, mas microbiologicamente correta do ponto de vista higiênico-sanitário”, relata.

Do ponto de vista físico-químico, a farinha da amêndoa – em comparação à do mesocarpo – tem uma boa proposta para a carne de hambúrguer, pois utiliza casca da banana como agente estruturante junto com a amêndoa para dar sabor e maciez ao fritar, e mais a farinha de arroz para dar a liga junto com os temperos, o que garante boa validade do ponto de vista de vida útil e qualidade nutricional para dieta vegana.

Além disso, atingiu um percentual de proteína de 13,17% por 100g de produto, valor adequado para o tipo de alimento. O produto não tem conservantes e dura até seis meses congelado. Foram feitas quatro formulações e chegou-se a duas: uma com casca de banana e outra com polpa de jaca. Devido à maior disponibilidade e regularidade da banana ao longo do ano, o hambúrguer à base de amêndoa de babaçu e casca de banana foi a opção priorizada entre as quebradeiras de coco e a equipe técnica para prosseguir com os testes e análises.

Foto: Flavia Bessa

Segundo a professora da UFMA Yuko Ono, nutricionista e membro da equipe técnica, uma das características funcionais da casca de banana é a presença de inúmeros sítios ativos responsáveis pela absorção de metais, entre os quais se destaca o cobre, presente em muitos processos industriais, mas nocivo à saúde humana quando em alta concentração. “Além disso, a casca da banana apresenta também teores de nutrientes maiores do que a polpa, como fibras, vitaminas, minerais e é rica em pectina. As fibras atuam na melhoria do trato gastrointestinal e no controle e prevenção de certas doenças crônico-degenerativas”, acrescenta Ono.

Leia também: Estudo desenvolve bebida e queijo feitos a partir da castanha de babaçu

Jefferson Marinho, bolsista do projeto, se envolveu diretamente na produção do hambúrguer e relembra o processo. “Partimos do zero, queríamos que o produto tivesse as características organolépticas mais similares possíveis às da carne, além de ingredientes específicos, como a farinha da amêndoa do babaçu, que é bastante rica nutricionalmente e energeticamente”, diz. Para isso, os pesquisadores envolvidos uniram os conhecimentos científicos aos saberes tradicionais das quebradeiras para definir a forma de preparo e os ingredientes.

Rosângela Lica, da Coomavi, detalha a descoberta da farinha da amêndoa obtida a partir do resíduo da prensa do óleo. “Nós não fazíamos farinha do bagaço do óleo, usávamos como ração animal. O costume era fazer farinha do mesocarpo. Aprendemos a assar e torrar o bagaço no forno para atingir o ponto certo e transformá-lo em farinha da amêndoa, um produto que substitui o coco ralado em todas as formulações, dá muito mais crocância e tem melhor aceitação pelos consumidores, pois os produtos são 100% feitos com o babaçu”, ressalta.

Para Alana Licar, também da Coomavi, “os impactos foram positivos, pois agregam mais sabor e qualidade, evitam desperdícios e garantem um produto benéfico, oriundo de uma matéria-prima encontrada em abundância”. Antonia Vieira, da comunidade quilombola Pedrinhas Clube de Mães, fala da presença das mulheres quebradeiras desde o início da pesquisa. “Somos parte desse processo, muito rico para nós e para os pesquisadores. É uma troca maravilhosa”, celebra.

Consumidores aprovam novos produtos

Os novos produtos atendem diferentes exigências do mercado de alimentos – nutrição, saúde, boas práticas de qualidade, segurança alimentar, padronização e valorização de produtos da culinária e cultura regionais e comercialização – e passaram por testes de análise sensorial. A qualidade dos alimentos compreende, basicamente, três aspectos fundamentais: o microbiológico, o nutricional e o sensorial.

Foto: Flavia Bessa

O aspecto sensorial é o que mais atrai o consumidor na hora de escolher um produto alimentício. Por isso, deve apresentar características sensoriais agradáveis, próprias do produto, tais como cor e aparência, consistência e textura, aroma e sabor característicos e desejáveis.

Segundo a engenheira de alimentos Glória Bandeira, professora da UFMA, essa etapa da pesquisa é importante em diversas situações. Entre elas, o desenvolvimento de novos produtos, melhoria de um produto existente, comparação com um produto concorrente já estabelecido no mercado, mudança na formulação, melhoramento genético e mudança de equipamento ou processo.

“A análise sensorial é fundamental para analisar as características de um produto com base nos sentidos humanos e fornecer dados confiáveis para a tomada de decisão. No caso dos alimentos do babaçu, fizemos análise físico-química, microbiológica e nutricional e também estudo de vida de prateleira dos produtos. Convidamos os alunos dos cursos do IEMA Gastronomia para degustar e avaliar dos produtos, que foram aprovados em todas as etapas e liberados para comercialização”, observa.

Para o professor Paulo Sousa, da UFC, parceiro para coordenação da avaliação sensorial, a análise tem o objetivo de avaliar a aceitação de potenciais consumidores, além de fornecer uma caracterização qualitativa do produto em relação ao aroma, sabor e textura. “Buscou-se aferir o percentual de aceitação, e também a possibilidade de ajustes do produto antes que o mesmo entre no mercado consumidor”, acrescenta.

Foto: Flavia Bessa

Inovação social contínua

Para multiplicar os conhecimentos gerados no processo de inovação social, as mulheres receberam treinamentos, dialogaram com os parceiros da pesquisa, exercitaram os novos conhecimentos, ajustaram práticas de acordo com seu conhecimento tradicional com formulação de alimentos e treinaram outros grupos de mulheres para a produção dos novos alimentos oriundos da amêndoa do babaçu para promover o empreendedorismo e a autonomia de mais mulheres.

Samara Bontempo, bolsista do projeto, entende que participar das pesquisas com alimentos à base de babaçu em diferentes comunidades agroextrativistas tem sido fundamental para sua formação e a de outros jovens cientistas que valorizam o conhecimento tradicional e o potencial da sociobiodiversidade.

Foto: Flavia Bessa

“Pra mim, fazer parte da equipe de pesquisa amplia a visão dos pontos de vista sociohistórico, geográfico e ambiental. Temos o objetivo de tornar essas organizações autossuficientes, atores dos seus processos de decisão, inovação, sustentabilidade e mercado, mostrando uma nova perspectiva do babaçu como elemento âncora de um sistema alimentar com a identidade cultural do Maranhão”, ressalta.

Transformando vidas pela ressignificação do extrativismo do babaçu

Foto: Flavia Bessa

O Maranhão se destaca pela produção de coco babaçu. São mais de 300 mil maranhenses, conhecidas por quebradeiras de coco, que vivem dessa atividade e, ao longo do tempo, foram colocadas à margem do processo de desenvolvimento. Por isso, o foco da pesquisa vai além do produto e abrange o desenvolvimento das quebradeiras de coco para que possam fortalecer suas organizações e usufruir dos benefícios da ciência, com produtos de preço justo e agregação de valor e renda aos seus negócios.

É unânime entre as quebradeiras de coco que os novos produtos e formulações alimentícias já impactam a qualidade de vida das famílias das comunidades tradicionais. “Nosso esforço está sendo recompensado. Os consumidores veganos estão adorando e os não veganos também. Estamos muito felizes com os resultados do tipo hambúrguer e da farinha da amêndoa. Nas feiras de São Luís, os produtos são sucesso junto aos consumidores”, diz Rosângela Licar, da Coomavi. Maria Domingas, da Comunidade Pedrinhas Clube de Mães, reforça que “o babaçu não é um simples coco, é um trabalho enorme que gera renda, qualidade de vida e cidadania”.  

O professor Harvey Villa avalia os resultados colhidos com a pesquisa em parceria com as quebradeiras de coco babaçu. “Mostrar aos alunos que existe um mercado de trabalho com foco no desenvolvimento socioeconômico de uma região abre perspectivas de trabalho e opções laborais. Trabalhar em parceria com as mulheres do babaçu foi muito gratificante. O hambúrguer é muito gostoso, é um hambúrguer espetacular. Nosso objetivo foi cumprido. Elas vendem o produto a um preço bem competitivo e os consumidores estão apreciando bastante. Não sobra nada”, comenta

Westphalen Nunes, representante da Agência GIZ no Brasil, resume os efeitos da valorização da cadeia do babaçu. “Estamos felizes em colaborar para que o babaçu possa explorar suas potencialidades, gerando mais renda e qualidade de vida às quebradeiras, mais opções de produtos de qualidade para o mercado consumidor e mais riqueza com desenvolvimento sustentável para o Maranhão”.

Hambúrguer é premiado

Como reconhecimento pelo desenvolvimento do alimento tipo hambúrguer, a equipe técnica liderada pela pesquisadora Guilhermina Cayres foi uma das finalistas do prêmio Con X Tech Prize: Amazônia, uma competição global que busca inovações científicas e tecnológicas de vanguarda para transformar as atuais economias destrutivas e extrativistas da Amazônia em economias modernas e regenerativas.

Um dos requisitos é que as soluções devem proteger a integridade dos ecossistemas, respeitar os povos indígenas e as comunidades locais, bem como seu conhecimento tradicional, e apoiar a distribuição justa dos benefícios gerados pela comercialização de produtos e serviços florestais.

Foto: Flavia Bessa

Parceiros e recursos

A iniciativa teve a coordenação da Embrapa Maranhão, com financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) no Brasil e gestão financeira da Rede ILPF, em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Embrapa Agroindústria Tropical, Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciativa privada, organizações não governamentais e outros agentes das cadeias de valor. Esse projeto está vinculado à parceria da Embrapa com o The Good Food Institute (GFI) e com o Conservation X Labs (CXTP), sob gestão financeira da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe).

*Com informações da Embrapa Maranhão

Veja como foi o ensaio técnico do Carnaboi 2025 e detalhes do que vem por aí

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Veja como foi o ensaio técnico:

Saiba mais: Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Potencial de produtos amazônicos da bioeconomia é analisado em estudo realizado no Amazonas

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Foto: Reprodução/Idam

Fomentar a bioeconomia inclusiva e sustentável na Amazônia, priorizando o bem-estar humano e a conservação da biodiversidade foi o objetivo do estudo ‘Cadeias produtivas com base na biodiversidade para geração de emprego e renda nos Estados do Amazonas e São Paulo’.

O estudo foi apoiado pelo Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no âmbito da Chamada Pública nº 01/2020 – Fapesp-Fapeam, e coordenado pelo doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Leia também: Adalberto Val: pesquisador revela origem de seu fascínio pelos peixes da Amazônia

O estudo abordou a importância de ações relacionadas ao campo da bioeconomia e investigou o potencial de produtos florestais não-madeireiros da Amazônia. Foram considerados aspectos que envolvem o desenvolvimento sustentável da região como a redução do desmatamento, o combate das mudanças climáticas, a competitividade econômica global, a conservação da biodiversidade, a preservação da cultura e dos conhecimentos tradicionais e a geração de renda para as comunidades locais.

Governança Experimentalista

O projeto reuniu diferentes pesquisadores para o aprofundamento da análise das cadeias da sociobioediversidade e da governança da política pública em bioeconomia no estado do Amazonas.

Um dos estudos buscou entender se (e como) o sistema de governança da emergente política pública em bioeconomia no estado do Amazonas está integrado aos esforços de implementação em nível local.

A pesquisa gerou o artigo ‘Experimentalist governance in bioeconomy: Insights from the Brazilian Amazon‘, escrito por Vanessa Cuzziol Pinsky, Jacques Marcovitch e Adalberto Luis Val, que foi publicado na Revista de Administração Contemporânea (RAC).

Segundo a pesquisadora Vanessa Pinsky, pós-doutora em administração, especialista em negócios sustentáveis, e uma das coautoras do estudo, a Governança Experimentalista tem diferentes níveis de implementação, e permite uma abordagem mais flexível, envolvendo a participação de profissionais do setor público e privado, e podendo ajudar a garantir que uma política pública em nível nacional tenha práticas e resultados também em nível local, beneficiando não só o desenvolvimento socioeconômico, mas também a conservação ambiental dos territórios.

“As lições aprendidas com esse processo mais flexível de governança podem melhorar a elaboração de regras e metas, considerando os desafios e as experiências bem-sucedidas da implementação no nível local”, pontuou.

Vanessa Pinsky explica ainda que diferentes arranjos institucionais são necessários para operacionalizar esse sistema flexível de governança experimentalista, com monitoramento contínuo e métodos sustentáveis.

“Melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade, atrelado ao uso sustentável da floresta e à geração de emprego e renda, são bases estruturantes que devem ser consideradas na formulação de políticas de desenvolvimento regional na Amazônia”, completou.

De acordo com Adalberto Val, uma abordagem experimentalista pode ter impacto significativo na bioeconomia amazônica, promovendo novas oportunidades de negócios, geração de empregos e renda, e a garantia da segurança alimentar. Ele avalia que a tecnologia foi um elemento essencial na realização do estudo, auxiliando na execução de práticas e na formulação de políticas públicas.

*Com informações da Fapeam

Carnaboi: o início da temporada bovina no Amazonas

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Manaus, a capital do Estado do Amazonas, é conhecida tanto por seus atrativos turísticos quando por sua rica diversidade cultural. É nesse ambiente diverso que muitas “misturas” acontecem, gerando inclusive festivais que são a cara da região. 

Entre as festividades que revelam essa identidade única, destaca-se o Carnaboi, uma festa popular que mescla a alegria do Carnaval com o ritmo típico do Festival Folclórico de Parintins:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Rainha da Amazônia: amostra de água vista com microscópio tem a forma de uma coroa

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Imagem: Leonardo Rocha/UFPA e Hilton Tulio Costi/MPE

A coroa na imagem apareceu quando o biólogo Leonardo Rocha examinava, ao microscópio eletrônico de varredura, uma amostra de água dos arredores da ilha de Cotijuba, na Região Metropolitana de Belém (PA).

Leia também: A história por trás das ruínas de Cotijuba, a Alcatraz de Belém

Foi o primeiro registro dessa diatomácea Polymyxus coronalis, um tipo de microalga com largura de cerca de 60 micrômetros, usando a tecnologia. A espécie é típica da baía do Guajará e funciona como indicador de qualidade ambiental.

Para as biólogas Ana Paula Linhares e Pryscilla Almeida, orientadoras do estudo, é um argumento a favor da candidatura da região como Área de Proteção Ambiental. O registro foi premiado em dezembro de 2024, no I Encontro Brasileiro de Diatomologia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Veja detalhes do ensaio técnico do Carnaboi 2025; FOTOS

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Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Nesta quinta-feira (6) foi realizado o ensaio técnico. Veja o que vem por aí:

Saiba mais: Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Grupo Rede Amazônica transmite o Carnaboi 2025; saiba onde assistir

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Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

O Carnaboi, parte do projeto Carnaval Amazônico, une a temporada carnavalesca com a temporada bovina no Amazonas. Após o sucesso em 2024, a segunda edição conta com a transmissão ao vivo do Grupo Rede Amazônica.

Este ano, a festividade acontece nos dias 7 (sexta-feira) e 8 (sábado) de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus. A entrada para o Carnaboi é gratuita. Mas para quem não conseguir comparecer, a festa pode ser acompanhada em transmissões ao vivo. 

“O Carnaval Amazônico 2025 é um projeto da Fundação Rede Amazônica que resgata a tradição e a história dos blocos, bandas de Carnaval e do Carnaboi em Manaus e em Parintins, promovendo cultura, sustentabilidade e ações sociais”, informa a equipe da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do projeto.

De acordo com o coordenador de conteúdo e programação do canal Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, a transmissão do canal temático vai apresentar para os telespectadores a prévia da festa, com bastidores e mostra dos projetos ligados ao Carnaval Amazônico, além da festa.

“Temos como missão transmitir uma das festas mais populares do Brasil de uma forma alegre e leve, representando o Carnaval Amazônico e como o Amazonas é, dentro da nossa programação”, afirmou o coordenador. 

Onde assistir

A transmissão no Amazon Sat e também no Portal Amazônia, começa a partir das 20h na primeira noite de evento (hora de Manaus), com o programa especial do Carnaval Amazônico e segue para o Carnaboi. Já no segundo dia, a programação começa a partir das 21h. Saiba onde assistir AQUI.

A transmissão da Rede Amazônica, no g1 Amazonas e CBN Amazônia começa a partir das 22h15 no dia 7 e a partir das 23h40 no dia 8. A transmissão acontece logo após a exibição do reality ‘Big Brother Brasil (BBB)’, da Rede Globo, na sexta, e no sábado após o Altas Horas.

A Rede Amazônica também preparou uma cobertura especial para os telespectadores que estão fora da região. A transmissão será feita ao vivo também para os estados do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Além disso, haverá ampla cobertura através de suas plataformas digitais e GloboPlay, ampliando o alcance e a visibilidade do evento.

Confira a programação do primeiro dia AQUI.

Confira a programação do segundo dia AQUI.

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.