Home Blog Page 411

5 impactos positivos do ecoturismo que mostram como viajar pode preservar o planeta

0

Atividade ao ar livre, subido ao Monte Roraima. Foto: Reprodução/Governo de Roraima

Com práticas de baixo impacto e forte engajamento comunitário, o ecoturismo se consolida como uma alternativa concreta diante da crise ambiental global. Em um cenário marcado pelo consumo excessivo e pela degradação dos recursos naturais, é urgente repensar as formas de viajar.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Segundo dados de 2023 do Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC), o setor é responsável por cerca de 8% das emissões globais de gases do efeito estufa. No entanto, quando planejadas com responsabilidade, as atividades turísticas podem se tornar aliadas da preservação. É nesse contexto que as experiências sustentáveis em áreas naturais ganham protagonismo.

Leia também: 9 destinos para curtir a natureza na Amazônia Legal

impactos positivos do ecoturismo

“O ecoturismo, quando feito com responsabilidade e com envolvimento das comunidades locais, pode gerar renda sem destruir os ecossistemas. Ele transforma visitantes em aliados da conservação”, afirma Lucas Ribeiro, fundador do PlanetaEXO, plataforma global voltada à valorização do turismo consciente.

Confira abaixo cinco impactos positivos do ecoturismo:

Leia também: Ecoturismo na Amazônia: conheça lugares para se conectar à natureza

1. Conservação da biodiversidade:

impactos positivos do ecoturismo
Rio Croa. Foto: Agência Acre/divulgação

O ecoturismo estimula a preservação de áreas naturais ao gerar valor econômico associado à conservação. Destinos que antes enfrentavam desmatamento, caça e mineração ilegal passam a ver na proteção da biodiversidade uma fonte de renda contínua e legítima.

Leia também: Pesquisa destaca potencial das libélulas para impulsionar ecoturismo de base comunitária na Amazônia

2. Fortalecimento das comunidades locais:

impactos positivos do ecoturismo
Produção de panela de barro, confeccionada na Comunidade Raposa I. Foto: Cadu de Castro

Ao empregar guias, artesãos, pequenos produtores e donos de hospedagens familiares, o ecoturismo distribui renda de forma descentralizada. “Esse modelo ajuda a manter as pessoas no território, com dignidade e protagonismo”, explica Lucas Ribeiro.

Leia também: Cacica transforma aldeia no Baixo Tapajós, no Pará, com iniciativa de ecoturismo

3. Educação ambiental:

Viagens de ecoturismo proporcionam experiências de aprendizado direto com a natureza e com os saberes locais. Visitantes conhecem de perto os desafios ambientais de cada região e voltam para casa mais conscientes do seu papel como cidadãos.

4. Estímulo à economia circular:

A lógica do “consumir local” é central no ecoturismo. Alimentação, transporte e produtos típicos são priorizados, fortalecendo cadeias curtas de produção e reduzindo a pegada de carbono associada à viagem.

5. Reconexão com o planeta:

Mais do que um estilo de viagem, o ecoturismo convida a uma mudança de mentalidade: sair do modo consumo e entrar em um ritmo mais atento, mais sensível aos ritmos da terra. Em tempos de urgência ambiental, essa atitude se torna um gesto político.

impactos positivos do ecoturismo
Parque dos Igarapés — Foto: Redes Sociais

Em biomas sob forte pressão, como a Amazônia e o Pantanal, essas abordagens têm se mostrado uma alternativa concreta frente ao avanço de atividades predatórias como o desmatamento, a mineração e o turismo desordenado. Mais do que um passeio em meio à natureza, esse tipo de turismo convida à reconexão: com o ambiente, com os modos de vida tradicionais e, sobretudo, com os limites do planeta. “Em tempos de emergência climática, escassez hídrica e degradação acelerada dos ecossistemas, essa reconexão deixou de ser uma escolha individual. É uma necessidade coletiva, urgente e inadiável”, finaliza Lucas.

Leia também: Conheça primeira agência de etnoturismo do Brasil criada e coordenada por povos indígenas

Mas o que é ecoturismo?

Ecoturismo é um segmento da atividade turística que utiliza, de forma sustentável, o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista por meio da interpretação do ambiente, promovendo o bem-estar das populações.

Leia também: Ecoturismo: cinco lugares de Belém para se conectar à natureza

O turismo ecológico ou ecoturismo une natureza, preservação e turismo. O método agrada quem gosta de estar em sintonia com a floresta e seus recursos naturais.

*Com informações do PlanetaEXO


Como as parteiras tradicionais da Amazônia protegem saberes milenares?

0

Foto: Pilar Olivares

Na Amazônia, parteiras tradicionais são guardiãs de saberes milenares. Em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas, essas mulheres — e também alguns homens — não apenas realizam partos, mas integram a rede de cuidados de suas comunidades, transmitindo conhecimentos por gerações. Em áreas remotas da Amazônia, essa atividade é essencial.

Leia também: Ofício, saberes e práticas das parteiras tradicionais são declarados Patrimônio brasileiro

Reconhecidas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde, as parteiras tradicionais são parte fundamental da saúde comunitária, embora ainda enfrentem desafios para serem plenamente valorizadas e integradas ao Sistema Único de Saúde (SUS), com remuneração e o devido reconhecimento de sua atividade.

ua atuação vai além dos partos: inclui a promoção da saúde, encaminhamento a serviços de referência em casos de risco e o apoio afetivo e espiritual às gestantes. Em 2024, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu a prática das parteiras como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil.

Maria Cecília Gomes, coordenadora do Programa de Qualidade de Vida do Instituto Mamirauá, chama a atenção para os desafios da atividade:

“São mais de 1.000 mulheres somente no Amazonas realizando um trabalho essencial de saúde pública, complexo e exaustivo, em áreas remotas, sem ganhar remuneração”.

Leia também: “Partejar”: prática milenar ajuda mulheres em locais de difícil acesso na Amazônia

Foto: Pilar Olivares

Há mais de 20 anos, o Instituto Mamirauá atua para fortalecer essa tradição vital no Médio Solimões. Somente no Amazonas, mais de 1.100 parteiras tradicionais já foram identificadas e cadastradas.

Em parceria com a Associação de Parteiras Tradicionais do Estado do Amazonas – Algodão Roxo (APTAM) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), o Instituto desenvolve ações de educação não formal, associativismo, pesquisa científica e valorização.

Entre as iniciativas, estão a realização de oficinas de capacitação, a articulação com agentes comunitários de saúde e a distribuição de lanternas movidas a energia solar (doação da Fundação Schneider Electric), facilitando o trabalho das parteiras em regiões sem acesso à energia elétrica. No contexto das políticas públicas, o Instituto Mamirauá apoia no fortalecimento da representação política da Associação.

Em 2019, uma pesquisa do Instituto Mamirauá com a colaboração de parteiras identificou 53 espécies de plantas medicinais usadas por estas profissionais, entre elas o algodão-roxo — planta símbolo da APTAM —, reconhecida por suas propriedades no combate a infecções e hemorragias pós-parto.

Leia também: Planta anti-inflamatória, algodão roxo se adapta na Amazônia e ajuda parteiras

Neste ano, a comemoração do Dia das Parteiras se estende: no próximo 16 de maio, uma roda de conversa reunirá parteiras tradicionais, a Prefeitura, outros parceiros e o Instituto Mamirauá em Tefé, promovendo atividades de troca de saberes, vacinação e práticas integrativas de saúde. Celebrar o Dia das Parteiras é também reafirmar o compromisso com o reconhecimento, a valorização e o fortalecimento dos saberes que sustentam a vida na Amazônia.

Para saber mais, acesse as seguintes publicações:

*Com informações do Instituto Mamirauá

Maior felino das Américas, ótima nadadora e de família? Descubra 6 curiosidades sobre a onça-pintada

0

Foto: Rogério Cunha/ICMBio

Ela é conhecida por muitos nomes: jaguar, onça-preta, jaguaretê, yaguareté. Mas, independentemente do título, a onça-pintada (Panthera onca) é um ícone da biodiversidade sul-americana e uma das grandes representantes da fauna brasileira. Presente na Amazônia, ela também habita outros biomas como o Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga.

Leia também: Onças pintadas são diferentes na Amazônia e no Pantanal

Para entender mais sobre esse felino enigmático, o Portal Amazônia conversou com o biólogo Rogério Fonseca, que revelou curiosidades surpreendentes sobre a vida e os hábitos dessa verdadeira diva da floresta.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Onde vive a onça-pintada?

Segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), cerca de 50% da população mundial de onças-pintadas vive no Brasil. No entanto, a destruição do habitat e a caça ilegal colocam a espécie em risco. “Ela é encontrada em diversos biomas brasileiros, mas está especialmente ameaçada na Mata Atlântica e na Caatinga”, explica Rogério.

Na Amazônia, seu habitat mais preservado, a onça-pintada desempenha um papel fundamental no equilíbrio ecológico, atuando como predador de topo na cadeia alimentar.

Foto: Divulgação/ICMBIO

Topo do pódio animal

A onça-pintada é o maior carnívoro da América do Sul e o terceiro maior felino do mundo, atrás apenas do tigre e do leão. Ela é também o único representante do gênero Panthera nas Américas — o mesmo dos leões, leopardos e tigres.

Desde os tempos pré-colombianos, a onça é símbolo de força e poder para diversas culturas indígenas. “Ela exerce uma função ecológica importantíssima, controlando populações de outras espécies e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas”, destaca o biólogo.

Leia também: Onça-pintada: Um animal que dispensa apresentações!

Mãe dedicada

Apesar da fama de solitária, a onça-pintada possui vínculos sociais, especialmente entre mães e filhotes. “A fêmea cuida intensamente da cria por até dois anos. Durante esse tempo, ensina o filhote a caçar, reconhecer o território e identificar ameaças — como machos dominantes que podem representar perigo”, explica Rogério.

A ninhada geralmente tem um ou dois filhotes, e a reprodução pode ocorrer ao longo de todo o ano, desde que as condições ambientais e hormonais da fêmea estejam favoráveis.

Leia também: Portal Amazônia responde: como as onças ensinam seus filhotes a sobreviver?

A onça-pintada possui vínculos sociais, especialmente entre mães e filhotes. Foto: Rubens Fraulini/Divulgação/Refúgio Bela Vista

Mordida imbatível

A onça-pintada possui a mordida mais forte entre todos os felinos do planeta. Essa força extraordinária permite que ela perfure o crânio de suas presas — como os jacarés, comuns na Amazônia. “Ela ataca a parte de trás do pescoço e faz uma compressão cervical poderosa. Isso permite quebrar a base do crânio ou a espinha dorsal da presa com um único golpe”, explica o especialista.

Essa técnica de caça mostra como a onça é altamente adaptada a seu ambiente e às presas disponíveis.

https://www.youtube.com/watch?v=D1PicodlH0o

Nadadora de elite

Se o apelido de “diva” não bastasse, a onça-pintada também poderia ser chamada de “Michael Phelps da Amazônia”. Isso porque é uma exímia nadadora, sendo frequentemente avistada atravessando rios, igarapés e áreas alagadas. Essa habilidade ajuda na caça, na locomoção e até na regulação da temperatura corporal.

Caçadora da noite

A onça-pintada é predominantemente noturna, com maior atividade ao entardecer e à noite. No entanto, pode mudar seu comportamento de acordo com o padrão das presas. Entre seus alvos principais estão queixadas, catetos, antas e capivaras.

Portal Amazônia responde: a onça-pintada mia?

0

Onça-pintada, o maior felino das Américas. Foto: Divulgação/Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS)

Considerada o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca) desempenha um papel ecológico fundamental nos biomas que habita. No Brasil, está presente em diversos biomas, como a Amazônia e o Pantanal.

Leia também: Onças pintadas são diferentes na Amazônia e no Pantanal

Entre tantas características únicas desse animal, uma dúvida que surge é se, por ser um felino, ela mia como os gatos domésticos.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Explicação

A resposta rápida é: não. Embora seja da mesma família dos gatos domésticos (Felis catus), a onça-pintada não emite miados. Suas vocalizações são diferentes, adaptadas ao seu porte, comportamento e ambiente.

O som mais característico da onça é o “esturro”, uma vocalização grave, rítmica e pulsada, semelhante a uma série de roncos. Esse som é usado principalmente para comunicação territorial e reprodutiva, e pode ser ouvido a longas distâncias.

No artigo Panthera onca, publicado na revista Mammalian Species, Kevin L. Seymour explica que a estrutura do aparelho vocal da onça é adaptada para produzir sons profundos, graças a um osso hióide parcialmente ossificado, o que a aproxima de outros grandes felinos, como o leão e o tigre — embora a onça não emita rugidos tão estrondosos quanto esses animais.

Como funciona a vocalização da onça?

Na floresta amazônica, o comportamento vocal da onça apresenta algumas particularidades. O ambiente de vegetação densa interfere diretamente na forma como o som se propaga. No estudo ‘Uso do espaço e movimento de um predador neotropical de topo: a onça-pintada ameaçada de extinção’, publicado na PLOS One, um grupo de cientistas brasileiros acompanhou onças-pintadas usando coleiras com GPS e observou que os animais vocalizam com menos frequência e com menor intensidade sonora na Amazônia.

O motivo está nas condições acústicas da floresta: o som grave, emitido em volumes moderados, consegue se propagar melhor entre as árvores e obstáculos naturais. Além disso, a menor densidade de indivíduos em áreas preservadas da Amazônia reduz a necessidade de vocalizações constantes para evitar encontros entre onças.

Além do esturro, a onça emite grunhidos, sopros, bufos e ronronados, usados em situações como o cuidado com filhotes ou encontros entre indivíduos. Contudo, vale ressaltar que nenhum desses sons se assemelha ao miado de um gato doméstico.

Leia também: Conheça como diferentes formas de comunicação são utilizadas por alguns grupos de animais amazônicos

Diferenças em relação à onça do Cerrado

Em comparação das onças-pintadas da Amazônia com as que vivem no Cerrado — um bioma mais aberto e seco — vocalizam com mais frequência e volume. Esse comportamento é adaptativo: em áreas de savana, as vocalizações ajudam a manter distâncias entre indivíduos e evitar conflitos.

O ambiente menos denso facilita a propagação do som, permitindo que vocalizações mais potentes cubram áreas maiores. Assim, a comunicação vocal no Cerrado é mais ativa do que na Amazônia.

Curiosidades na vocalização da onça

  • O esturro é individual: estudos indicam que cada onça-pintada possui variações únicas em seu esturro, o que pode permitir o reconhecimento entre indivíduos.
  • Uso em pesquisas: Uma pesquisa mostrou que gravações das vocalizações têm sido usadas para monitorar populações de onças na floresta amazônica de forma não invasiva
  • Conservação e vocalização: alterações no habitat, como o desmatamento, podem afetar a comunicação entre indivíduos, com impactos diretos na reprodução e sobrevivência da espécie.

‘Fenômeno genético?’: Galinha com características de duas espécies nasce em sítio de Rondônia

0

‘Galinhola’: Ave com aparência incomum e acredita ser resultado de cruzamento entre galinha e galinha-d’angola em RO — Foto: Reprodução/redes sociais

Uma família da zona rural de Jaru (RO) se surpreendeu ao presenciar o nascimento de uma ave com traços de galinha e galinha-d’angola. O animal, apelidado de “galinhola”, chamou a atenção por sua aparência incomum.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Apesar da semelhança entre as aves, pesquisadores afirmam que não se trata de um cruzamento entre diferentes espécies, mas sim de aves de diferentes raças.

A professora aposentada Terezinha Barbosa, dona da propriedade, contou que a galinhola se parecia com uma galinha no início, mas, com o passar do tempo, foi se modificando e mudando a penugem, tornando-se uma ave única. O animal tem cerca de seis meses.

Leia também: Cobra com duas cabeças assusta moradores no Amapá

‘Galinhola’: Ave com aparência incomum e acredita ser resultado de cruzamento entre galinha e galinha-d’angola em RO — Foto: Reprodução/redes sociais

Genética permite cruzamento?

Para entender se seria possível uma ave gerada a partir do cruzamento entre uma galinha (Gallus-gallus) e uma e uma galinha-d’angola (Numida-meleagris), o professor e pesquisador da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Elvino Ferreira, analisou as imagens do animal.

Segundo o especialista, o cruzamento entre as aves não é possível do ponto de vista genético:

“As duas aves possuem quantidades diferentes de cromossomos — a galinha tem 78 e a galinha-d’angola, 76. Essa diferença impede o pareamento correto durante a formação do embrião, tornando o desenvolvimento inviável”, explicou Elvino.

Leia também: O curioso caso do animal que parece cobra, tem nome de cobra, mas não é cobra

Arte explicativa sobre genética da galinha e galinha-dangola — Foto: Reprodução/redes sociais

Além da diferença genética, o professor destacou que o comportamento reprodutivo e o tamanho das aves também dificultam o acasalamento.

“Aspectos comportamentais também devem ser considerados, especialmente no tocante à corte, ou seja, ao comportamento reprodutivo entre essas espécies”, afirma a análise.

Leia também: Sapo com chifres? Anfíbio com característica inusitada se camufla entre em folhas

Outras possibilidades

De acordo com Elvino, a aparência incomum da “galinhola” pode ser resultado de cruzamentos entre diferentes raças de galinhas caipiras, como:

  • Rhode Island Red
  • Welsummer
  • Indio Gigante (linhagens Asil ou Shano)

Essas raças possuem o mesmo número de cromossomos e apresentam grande variedade de tamanhos, formas e colorações, podendo gerar animais com características únicas, mas geneticamente compatíveis.

Outra possibilidade considerada pelo pesquisador é o cruzamento entre a galinha comum e aves nativas, como os jacus. Algumas espécies como Penelope obscura, Penelope purpurascens e Ortalis canicollis também têm 78 cromossomos, o que torna o cruzamento possível do ponto de vista genético, embora bastante raro.

*Por Mateus Santos, g1 RO

Balneário no Acre se transforma em atração turística “dupla” ao se tornar ponto de pesca

0

Foto: Carla Carvalho/Rede Amazônica AC

O balneário Igarapé Preto, conhecido ponto turístico de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, é um dos destinos favoritos de quem busca lazer, contato com a natureza e se refrescar do calor da cidade. O local é um dos mais visitados no município e os banhistas estão aproveitando o momento no espaço para pescar peixes e já preparar o tira-gosto.

O balneário fortalece o turismo ecológico e a economia local no Vale do Juruá, nos feriados e fins de semana, e recebe, além dos moradores da cidade, turistas de várias regiões que aproveitam a tranquilidade das águas escuras. Nos últimos dias, o que tem chamado atenção é um hábito que vem ganhando força entre os frequentadores: pescar o próprio peixe, assar e saborear ali mesmo.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O pedreiro Gevaldo Andrade comentou que quando sai de casa já vai levando sua tarrafa, que é uma rede circular utilizada para capturar peixes. “É almoço aí, tem que dar uma pescadazinha. O pessoal fala que está dando uma piabazinha, viemos tomar um banho e já trouxemos a tarrafa também” (sic), explicou.

A dona de casa Rosane Nascimento também confirmou que não vai ao Igarapé Preto apenas para tomar banho.

“Não é só tomar sol não. É pescar piaba e comer. A gente não estraga não, nós tratamos tudinho, eu e as minhas vizinhas, aí a gente frita e come lá na beira da rua. Tô tirando o gosto com a cervejinha”, confessou.

Foto: Carla Carvalho/Rede Amazônica AC

O eletricista Francisco Bonfim atestou que o peixe como tira-gosto com uma cerveja é o que ele busca ao frequentar o ponto turístico.

“Um banhozinho legal, uma cervejinha que é de lei né, pra refrescar. Um dos pontos que eu mais gosto é pescar, pescando pra mim tá bom demais e pegando melhor ainda”, disse.

Leia também: 9 locais imperdíveis para conhecer em Cruzeiro do Sul

Os métodos para pescar são os mais variados. Não importa se é com anzol ou tarrafa, cada pescador escolhe a forma que mais se identifica. Alguns, inclusive, já estão aderindo à uma nova modalidade: a pesca usando apenas uma garrafa plástica.

A autônoma Ednarlene Silva vai principalmente ao balneário para pescar. “A maioria pega na tarrafa. Eu pesco de caniço [cana fina e comprida usada para pescar]. Pesco de linhazinha, de litro, pegando no litro”, alegou ela.

*Por Carla Carvalho, da Rede Amazônica AC

Há 160 anos nascia Rondon

0

Cândido Rondon, militar pacifista indicado três vezes ao Prêmio Nobel. Foto: Arquivo Nacional

Em 5 de maio de 1865, há exatos 160 anos, nasceu Cândido Mariano da Silva Rondon, um homem que não se contentou em desenhar mapas, mas em reinventar destinos. Com passos firmes, atravessou selvas, conectou vozes e ofereceu ao Brasil não apenas território, mas identidade.

Não era um conquistador, era um semeador. Ele fez brotar diálogo em um Brasil cujos governadores contratavam “bugreiros” para limpar áreas. Cada fio telegráfico que estendeu não foi apenas um avanço técnico—foi um elo entre mundos, uma ponte sobre o abismo da incompreensão. Sob sua liderança, cientistas penetraram a imensidão amazônica e revelaram segredos ocultos em suas entranhas: etnografia, mineralogia, ciências naturais… Cada descoberta era um novo alicerce da civilização.

Inspirado pelo positivismo do filosófico francês Auguste Comte (1798-1857), Rondon acreditava que o progresso verdadeiro era aquele que respeitava e incluía.

“Viver para os outros é não somente a lei do dever, mas também a lei da felicidade”, disse Comte—e Rondon, em sua trajetória, tornou este preceito um caminho concreto. No início do século XX, enquanto revoluções se impunham pela força, ele ergueu uma civilização pelas mãos da ciência e pela alma da humanidade.

Rondônia carrega seu nome, mas seu legado pulsa muito além de qualquer fronteira. Ele não apenas desbravou terras—desbravou consciências. Trouxe aos povos originários a dignidade da comunicação, aos estudiosos o convite à investigação, ao Brasil a lição de que um país se faz não apenas com ferro e fogo, mas com conhecimento e respeito.

Rondon não foi apenas um construtor de estradas, mas de sonhos. Traçou caminhos sem apagar rastros, uniu sem subjugar, avançou sem ferir. E hoje, ao olharmos para a vastidão amazônica, vemos nele mais do que um nome inscrito em um estado—vemos o testemunho de que a verdadeira grandeza não está em tomar, mas em oferecer.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Agricultores e povos indígenas conservam 70 mil hectares de florestas amazônicas

Foto: Divulgação/Agência Andina

Nos últimos seis anos, mais de 4 mil produtores agrícolas e comunidades indígenas impediram o desmatamento em aproximadamente 70.000 hectares de florestas amazônicas em Huánuco e Ucayali, no Peru, relatou Raquel Soto, vice-ministra de Desenvolvimento Estratégico de Recursos Naturais.

Este esforço destaca a implementação do projeto ‘Paisagens Produtivas Sustentáveis ​​na Amazônia Peruana’, liderado pelo Ministério do Meio Ambiente (MINAM), com apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Esta intervenção promove a gestão integral do território, em coordenação com atores públicos e privados; organizações de produtores e federações indígenas das regiões citadas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Nessa iniciativa, produtores agrícolas e povos indígenas adotaram práticas ambientais como o manejo integrado do solo, o uso de fertilizantes orgânicos, a proteção de fontes de água, a restauração florestal e a incorporação de sistemas agroflorestais e silvipastoris. “Essas medidas contribuem para a restauração dos serviços ecossistêmicos e o desenvolvimento sustentável das unidades produtivas”, afirmou.

Durante a visita à área de intervenção do projeto (29 e 30 de abril), a vice-ministra Raquel Soto e o representante do PNUD, Xavier Hernández, conversaram com produtores de cacau, óleo de palma e pecuária, que compartilharam os avanços alcançados por meio desta iniciativa para alcançar uma produção em equilíbrio com a natureza.

Nesse contexto, destacaram os avanços nos modelos de governança territorial, na capacidade técnica e nos mecanismos financeiros implementados pelas comunidades indígenas e pelos pequenos e médios produtores de ambos os departamentos. Também foram mostrados os resultados da produção sustentável de cacau e da pecuária; e foi dada ênfase à necessidade de replicar essas boas práticas.

O representante do PNUD, Xavier Hernández, expressou a disposição de sua instituição em continuar apoiando iniciativas que protejam a biodiversidade e as florestas, promovendo meios de subsistência sustentáveis ​​para o bem-estar das pessoas.

“Esta experiência demonstrou resultados de alto impacto com potencial transformador para fortalecer ainda mais a atividade produtiva em harmonia com a gestão sustentável dos ecossistemas da Amazônia peruana”, enfatizou.

Paisagens produtivas sustentáveis

O projeto (iniciado em 2018) demonstra que é possível desenvolver a produção em harmonia com a conservação dos recursos naturais. Seu objetivo é contribuir para a redução do desmatamento e a restauração florestal na província de Puerto Inca (Huánuco), bem como na província de Padre Abad e no distrito de Nueva Requena (Ucayali).

Cerca de 1.900 produtores de cacau, mais de 1.500 pequenos produtores de palma e 590 pecuaristas foram beneficiados. Todos eles realizam seu trabalho com padrões ambientais.

*Com informações da Agência Andina

Dia Mundial da Gaia, a mãe terra, nosso planeta

0

Foto: Reprodução/NOAA – NASA

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O 22 de abril (também data do descobrimento do Brasil) foi instituído como o Dia Internacional da Mãe Terra, visando gerar uma consciência universal sobre os problemas que afetam a qualidade de vida e sobre a importância da conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais vinculadas à proteção da Gaia, a Mãe Terra. A data foi criada pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, no dia 22 de abril de 1970. Em 2025 a data tem como tema: O Nosso Poder, O Nosso Planeta. Efetivamente, mais do que uma oportunidade para conscientização ambiental, evidencia a oportunidade estratégica de repensar como o setor produtivo em todo o mundo – especialmente o agroindustrial – vem gerenciando os recursos naturais que sustentam suas operações. A propósito, em um ano em que o Brasil sediará a COP30, com foco na Amazônia — um dos territórios mais estratégicos do país e do planeta — é fundamental lembrar que a preservação do planeta começa com uma gestão eficiente da água, que ocupa papel-chave quando empreende estratégicas ações de liderança dessas transformações.

No conjunto do Universo (tudo o que existe, o espaço, o tempo, a matéria e a energia, incluindo astros como estrelas, planetas, galáxias e outros componentes), a água, particularmente, é o elemento essencial da produção agrícola. Cerca de 70% da água doce disponível no mundo é utilizada na agricultura. Ônus que a necessidade de produzir alimentos, inelutavelmente, impõe. No Brasil, esse percentual é ainda maior. Segundo estudos da Embrapa, já foram desenvolvidas tecnologias e modelos de negócio capazes de reverter o desperdício, aumentar a produtividade e, ainda, gerar valor ambiental mensurável. Entretanto, sem uma ação coordenada, continuaremos enfrentando riscos que podem comprometer a segurança alimentar e a estabilidade econômica do setor. De fato, ao que afiança artigo publicado no site Notícias Agrícolas, “a agricultura regenerativa, a digitalização da irrigação e o uso de ferramentas baseadas em dados estão se consolidando como vantagens competitivas”.

Esses elementos ajudam a construir cadeias de suprimentos mais resilientes e transparentes, reduzindo custos, elevando a produtividade, a previsibilidade e fortalecendo o vínculo com consumidores cada vez mais exigentes. Em outras palavras, “cuidar da água já não é apenas uma responsabilidade socioambiental: é inteligência empresarial”. Para atingir os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), uma coleção de 17 metas globais estabelecidas pela ONU em 2015, estão sendo estimuladas iniciativas sobre divulgação de compromissos ambientais nas redes sociais, organização e participação em eventos locais, inclusão de conteúdos sobre sustentabilidade nos programas educativos e apoio financeiro a projetos ambientais. A história tem demonstrado que ações coletivas geram mudanças significativas. Com o planeta a enfrentar desafios como as alterações climáticas e a perda de biodiversidade, a mobilização de indivíduos, empresas e governos torna-se essencial. A “Earth Day Network” enfatiza que a preservação do ambiente depende do esforço conjunto de toda a sociedade.

De acordo com estudo publicado no site Notícias Agrícolas, face à proximidade da COP30, a se realizar em Belém do Pará, “o Brasil tem uma vitrine única para mostrar ao mundo que é possível produzir com responsabilidade. A agenda climática não avançará apenas com tratados e declarações, mas com ações concretas nos territórios — e muitos agricultores brasileiros já estão dando passos reais nessa direção. Com o apoio adequado, podem acelerar transformações fundamentais. Ao celebrar o Dia da Terra, o convite é claro: é hora de transformar o zelo com a água em uma vantagem competitiva. A sustentabilidade já não é um custo, é motor de inovação, reputação e crescimento. E quem entender isso primeiro, estará um passo à frente na construção de um futuro próspero — para os negócios e para o planeta”.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

3 coisas que você só encontra da Estação das Docas, em Belém

0

Foto: Reprodução/Estação das Docas

A Estação das Docas é um símbolos turísticos de Belém (PA). É um complexo que reúne símbolos da cultura da região amazônica, unindo gastronomia, moda e diversos eventos ao longo do ano. Foi inaugurada em 13 de maio de 2000 e, nos 500 metros de orla, do antigo porto de Belém, possui 32 mil metros quadrados divididos em três armazéns e um terminal de passageiros.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O Armazém 1 foi batizado de Boulevard das Artes, o Armazém 2 é da Gastronomia e o Armazém 3 é conhecido como o espaço para Feiras e Exposições. Os Boulevares são resultado do trabalho de restauração dos armazéns do local, que seria como porto. O complexo é administrado pela Organização Social Pará 2000.

Leia também: Seis lugares para desfrutar os encantos de Belém

De acordo com dados do site oficial, o local é um dos cartões postais mais visitados do Pará e “recebe em média um milhão e meio de visitantes ao ano”. Confira três coisas que você só encontra na Estação das Docas:

Boulevard das Artes

No Armazém 1, o que atrai os visitantes é uma exposição permanente que conta, através de peças, a história da navegação no Pará. O mesmo armazém possui lojas com produtos como biojoias, roupas e artesanato regional. A área também é um ponto de encontro para quem ama música, pois apresentações ocorrem regularmente, além dos projetos realizados nesta parte do complexo.

Foto: Reprodução/Estação das Docas

Boulevard da Gastronomia

Cairu. Essa palavra te lembra algo? A enciclopédia gastronômica TasteAtlas, responsável por elencar pratos e receitas de destaque em todo o mundo, inseriu, pela segunda vez, em 2024, o sorvete de açaí feito pela Cairu como um dos mais icônicos do mundo.

Foto: Geraldo Ramos/Estação das Docas

Presente na Estação das Docas, a sorveteria é apenas uma das atrações culinárias regionais que atraem apetites curiosos. O espaço conta com restaurantes e lanchonetes com cardápios que vão de pratos típicos e tradicionais à culinária internacional.

Leia também: Sorvete de açaí feito no Pará é eleito um dos mais icônicos do mundo pela segunda vez

Boulevard das Feiras e Exposições

Como bem designado, esta área, que tem como anexo o Teatro Maria Sylvia Nunes, é destinada a feiras, exposições, congressos, encontros, eventos sociais e variados, inclusive casamentos.

Foto: Reprodução/OCB PA

A orla do complexo é uma atração a parte, onde os visitantes podem apreciar a bela vista para a Baía do Guajará e aproveitar apresentações culturais gratuitas como os projetos Pôr do som e Cantando na Orla, além de diversas programações especiais.