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Momentos de tensão: sogro e genro ficam perdidos na mata por dois dias ao saírem para caçar no interior do Acre

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Sogro e genro(os dois de camisa azul ao centro) foram resgatados por bombeiros, com ajuda de mateiros da região — Foto: Asscom/CBMAC

O senhor Manoel Sebastião Gomes, 50 anos, e o genro Gilvan Moura da Costa, 35 anos, viveram momentos de tensão até serem resgatados pelo Corpo de Bombeiros do Acre, no dia 11 de abril. Isso porque os dois saíram na última no dia 9 para caçar e acabaram se perdendo na mata densa da região da comunidade Havre no Baixo Rio Gregório, no interior do Acre.

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Os dois saíram no período da manhã e ao passar dois dias e não retornarem, os familiares decidiram acionar os bombeiros para procurá-los. Os militares do 7º Batalhão de Educação, Proteção e Combate a Incêndio Florestal (BEPCIF), do Juruá, montaram uma equipe e iniciaram as buscas logo quando souberam do caso.

Os bombeiros receberam ajuda de mateiros [pessoa que, por sua grande vivência em matas fechadas, trabalha como guia para outras pessoas] da região e após horas de navegação no rio e longa caminhada em região de mata densa, os caçadores foram encontrados.

O sargento do CBMAC, José Hangell Farrapo, que participou do resgate, explicou que a localidade era de difícil acesso e foi necessário percorrer uma estrada, depois navegar pelo rio para poder chegar na floresta. “A maior dificuldade foi a caminhada por grandes quantidades de terras altas até local onde foram encontrados”, disse.

Por Hellen Monteiro, g1 AC — Rio Branco

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Agricultora indígena cultiva melancias gigantes debaixo de ‘sombra e água fresca’ em Roraima

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Melancia gigante, ainda em desenvolvimento. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Comprida ou redonda como uma bola, verde por fora, vermelha por dentro, suculenta e “graúda”. Assim são as melancias cultivadas pela agricultora indígena Kátia Maria Pinho da Silva, de 49 anos, no município de Normandia, no interior de Roraima. Cultivados na sombra e com água fresca, em “casinhas” de madeira e palha, os frutos colhidos são gigantes, com pesos de mais de 40 kg — quase três vezes mais pesadas que a maioria deles, que costumam ter 15 kg.

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Os frutos são cultivados no sítio Fonte Formosa, localizado na comunidade indígena de mesmo nome, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima. A lavoura de melancia é uma das principais fonte de renda da família de Kátia, do povo Macuxi, que vive da agricultura e pecuária há 32 anos.

Fruta do verão, que se desenvolve quando o tempo está quente e seco, a melancia é uma das mais consumidas pelos brasileiros: no café da manhã, almoço, lanche da tarde e até no jantar. Composta por 90% de água, a fruta ajuda a manter a hidratação do corpo em dias de calor e tem ação diurética.

O plantio das melancias produzidas pela agricultora indígena começa com a preparação do solo, onde as covas — espaço do plantio — são abertas. Com isso, as sementes são plantadas, adubadas com esterco de carneiro e irrigadas até o dia da colheita, o que acontece diariamente na lavoura dela. Os pés de melancia dividem espaço com outras frutas, como maracujá, macaxeira e açaí.

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Melancias gigantes são cultivados debaixo de ‘casinhas’ no município de Normandia, em Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Para se desenvolverem bem, as frutas também precisam do sol. No entanto, ao atingirem um tamanho já considerado grande para os padrões da fruta e perto da fase de colheita, as melancias ganham uma casa feita com pedaços de madeira e coberta por telhas e outras plantas. A “cama” delas é uma ripa, que evita que o fruto fique em contato direto com um solo quente.

“As casinhas são para proteger do sol! Eu tenho que proteger com as casinha e deixar as ramas em cima, é uma sombra para elas ficarem mais à vontade e onde elas conseguem se desenvolver mais. No solo, [a madeira usada] é devido ao fungo também porque a gente não usa um remédio para combater, os cuidados tudo vem com adubo natural mesmo”, explicou ela.

Roberto Dantas de Medeiros, engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia e pesquisador da Embrapa Roraima explica que a proteção com as casinhas são principalmente um fator estético na hora da comercialização, para evitar manchas, já que a fruta precisa de calor para crescer.

Agricultora indígena Kátia Maria Pinho da Silva, de 49 anos, com uma das melancias ainda em desenvolvimento. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

“O excedente do sol realmente interfere negativamente. No entanto, a melancia precisa de bastante de calor, de um calor em torno de de 30 graus mais ou menos diariamente. Isso realmente ajuda, é favorável a melancia, [para] ter boa qualidade. Ele [calor] favorece a melancia fazendo que tenha um crescimento superior àquelas plantas que realmente são plantadas numa época de menos de insolação”, explicou.

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‘A agricultura familiar é a nossa vida’

A plantação tem melancias da espécie Jubilee, que tem um formato mais alongado e uma casca com listras verde escuras. Além de uma variedade mais redonda, resultado de um cruzamento natural de sementes dentro do próprio plantio por meio da polinização — o processo de transferência de grãos de pólen de uma planta para outra —, de acordo com a agricultora.

O cultivo delas dura cerca de 65 dias e guarda um segredo de plantação que Kátia Maria não revela para ninguém. O fato é: tudo é administrado por ela.

O trabalho é feito por toda a família: o marido Erronias de Jesus da Silva, de 59 anos, os filhos, as noras e os netos, que ainda são crianças mas já ajudam com as atividades. Eles dividem os cuidados com a lavoura de melancia, que envolve o preparo braçal da terra, atenção a temperatura, irrigação diária e a proteção contra as pragas, que eles combatem sem o uso de agrotóxico.

“É tudo manual, tudo é na enxada. No momento que a gente vem para a roça, a gente convoca toda família e aí vem os filhos, vem os netos, vem o esposo, todo mundo vai para a enxada, faz os berços [local de plantação], faz a correção do solo e coloca o material. E daí a gente vai fazer a plantação e eu acredito que está o resultado do nosso trabalho, os frutos na roça”, afirmou a agricultora.

Melancias redondas são cultivadas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, ao Norte de Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

“A agricultura familiar é a nossa vida, é no que nós acreditamos e onde colhemos bom frutos”, completou Kátia Maria.

Para o secretário de agricultura de Normandia, João Menezes da Silva Neto, as melancias cultivadas por Kátia são resultado de um conhecimento prático, passado de geração em geração, combinado com uma área propícia para o cultivo de frutas e um clima favorável para o desenvolvimento delas.

“Nós estamos numa área de lavrado e há muito tempo se tinha como paradigma que no lavrado não se produzia nada, [isso] foi quebrado e é provado que no lavrado se produz de tudo. Então, aqui nada é infértil, todos os solos podem se tornar altamente férteis e é o que acontece com essas áreas. Corrigindo a parte química do solo a gente consegue bons resultados”, disse.

Ainda de acordo com o secretário, o brix da melancia de Normandia – indicador do grau de doçura do fruto é mais alto em comparações a outras regiões. “Aqui nós conseguimos chegar até 14,16 [grau brix]. Está altíssimo”.

Segundo o pesquisador do Embrapa, o caso de Normandia é uma exceção no estado. “O normal é na faixa de entre 10 e 12 graus, no caso da melancia dessa produção aí, que realmente de um modo geral realmente é um pouquinho mais mais maior do que em produções daqui do Sul de Boa Vista, por exemplo”, disse.

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Competição anual

Apesar dos frutos gigantes, nem todas as melancias cultivadas pela família roraimense atingem pesos e tamanhos fora do comum. As grandes e, principalmente, as de tamanho normal são comercializadas pela família.

Anualmente, eles colhem cerca de 30 toneladas do fruto, que são enviados para compradores de outros municípios do estado e de diversos estados do Brasil. As frutas também são enviadas para programas do governo federal e estadual, que compram frutas de agricultores familiares e organizações.

“[Ela] vai para os programas do governo federal, do governo do estado, vai para o PA, vai para Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Com o benefício, a gente já investe em um novo trabalho, na roça”, contou a agricultora.

Melancia redonda, colhida em Roraima. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Todo o ano, uma parte das gigantes melancias já tem um destino definido: o Festival da Melancia, tradicional evento de Normandia, município conhecido como o maior produtor da fruta em Roraima. Na festa, as frutas são expostas em várias competições, entre elas a de melancia mais pesada e a mais doce.

Kátia participa da competição de fruto mais pesado há cerca de 16 anos e garante que sempre ocupa um lugar do pódio. Em 2025, ela ficou nele sozinha e venceu por WO — do termo “walkover”, que significa “vitória fácil, pois não haviam competidores com melancias grandes o suficiente para disputar com as dela. Uma das frutas pesou mais de 43 kg.

Com o prêmio desse ano, ela planejar investir na plantação das melancias e outros frutos da roça para “garantir a qualidade” das frutas da Fonte Formosa.

Por Yara Ramalho, g1 RR — Normandia

Inteligência artificial reduz ação de fungo causador de toxinas na castanha-da-amazônia

Castanha-da-amazônia sofre ação de fungos em contato com o solo ou no transporte que compromete qualidade do fruto. Foto: Robervaldo Rocha/CBA

Pesquisadores do Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), com apoio da Finep, estão utilizando inteligência artificial para combater a contaminação por Aspergillus flavus, fungo causador de aflatoxinas na castanha-da-amazônia. A iniciativa visa tornar o produto mais seguro e competitivo, reduzindo os riscos à saúde e perdas econômicas na cadeia produtiva.

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A tecnologia envolve processos de inativação de microrganismos e validação com luz UV, em parceria com a startup Getter S.A e a agroindústria Abufari. O Amazonas, maior produtor nacional, é referência na qualidade das sementes, e o projeto busca beneficiar as comunidades extrativistas com inovação e rastreabilidade do produto.

O Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em parceria com a Finep, está conduzindo um projeto inovador que utiliza inteligência artificial para identificar e combater o fungo Aspergillus flavus, responsável pela produção de aflatoxinas – toxinas com efeitos cancerígenos que afetam a qualidade da castanha-do-brasil. O problema, que compromete diretamente a segurança alimentar, também causa prejuízos econômicos significativos a todos os envolvidos na cadeia produtiva, desde extrativistas até processadores e exportadores.

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A coleta da castanha-da-amazônia. Foto: Maurício de Paiva

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A contaminação ocorre frequentemente logo após a queda do ouriço, quando as amêndoas entram em contato com o solo úmido, favorecendo a proliferação do fungo. Mercados nacionais e internacionais possuem regulamentações rigorosas quanto aos limites de aflatoxinas permitidos nos alimentos, o que inviabiliza a comercialização de lotes contaminados e afeta a renda de pequenos produtores e outros atores da cadeia.

Para enfrentar esse desafio, o CBA está desenvolvendo uma solução tecnológica que vai além da detecção de amêndoas contaminadas. Os estudos buscam não apenas identificar a presença do fungo de forma rápida e precisa, mas também reduzir os níveis de toxinas em sementes contaminadas por meio de métodos de inativação de microrganismos ou de quebra molecular para neutralizar as aflatoxinas. Essa abordagem promete salvar parte da produção que seria descartada, ampliando a segurança alimentar e o potencial de mercado do produto.

A iniciativa conta com o apoio da startup Getter S.A., que atua na aplicação de inteligência artificial para gestão de processos e controle de qualidade. Esta é a primeira experiência da Getter no setor de bioeconomia, marcando sua contribuição para o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis. A empresa destaca que a tecnologia pode ser uma aliada importante na redução de perdas e na melhoria dos processos logísticos e de armazenamento, áreas críticas para a qualidade final da castanha.

Leia também: Produção de frutos de castanha-do-pará sofre diminuição por conta de mudanças climáticas

A iniciativa reflete o propósito do novo CBA de agregar valor e fortalecer a cadeia produtiva das castanha, fomentando a geração de bionegócios e promovendo a bioeconomia na Amazônia Foto: CBA

Leia também: Cientistas recomendam medidas de adaptação para a castanha-da-amazônia

Os pesquisadores envolvidos no projeto acreditam que essa solução inovadora poderá transformar a realidade da cadeia produtiva da castanha-do-brasil, beneficiando diretamente as comunidades extrativistas. Ao mesmo tempo, a tecnologia reforça o papel da ciência e da inovação na promoção da sustentabilidade econômica e ambiental da Amazônia, aumentando a competitividade da castanha em mercados globais e garantindo melhores condições de vida para os povos da floresta.

Atualmente, o projeto está na fase 1 em que os pesquisadores estão atuando na caracterização do produto, ajuste das metodologias e na construção do equipamento que vai auxiliar na redução da atuação do fungo.

*Informações extraídas no site da Finep:

‘Bizarrices’ no mundo animal: relembre casos de animais geneticamente modificados na Amazônia; o último vai te surpreender (vídeo)

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Na cultura amazônica, existem vários seres e animais místicos e de aparência inusitada que são vistos como monstros ou até protetores da Floresta.

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Em alguns estados da Amazônia, existem registros de casos reais – e documentados – de animais, no mínimo, peculiares. Os fenômeno podem ser explicados por anomalias genéticas, que ocorrem devido a erros na formação, herança genética ou até exposição a fatores ambientais.

Confira três casos “bizarros” no mundo animal na região amazônica:

Galinhola

No município de Jaru, zona rural de Rondônia, uma família se surpreendeu com o nascimento de uma ave com traços de galinha (Gallus-gallus) e galinha d’angola (Numida-meleagris). No início, os donos acreditavam ser uma galinha mas, com o passar do tempo, o animal foi se modificando e mudando a penugem, com características únicas.

Segundo pesquisadores, o cruzamento entre as aves não é possível do ponto de vista genético, tornando o desenvolvimento inviável. Portanto, não se trata de um cruzamento entre diferentes espécies, mas sim de aves de diferentes raças.

Saiba mais: ‘Fenômeno genético?’: Galinha com características de duas espécies nasce em sítio de Rondônia

Galinhola’: animal com aparência incomum e acredita ser resultado de cruzamento entre galinha e galinha-d’angola em RO — Foto: Reprodução/redes sociais.

Boi com três chifres

Na mitologia grega, o Cérbero é um cão monstruoso com três cabeças que atua como um guarda. Na Amazônia, um boi com três chifres chama a atenção de visitantes da Fazenda Piracema, em Rio Branco, no Acre. O local funciona como um complexo de diversão.

Com três chifres simétricos – um do lado esquerdo, um do direito e um no meio – o animal batizado de Meia Noite representa um caso raro de mutação genética. Por ser identificado com essa anomalia, ele não é destinado para reprodução e se tornou uma atração para o público que passa no local.

Saiba mais: Boi com três chifres vira atração em fazenda no Acre; caso é raríssimo

Animal com três chifres. Foto: G1 Acre/Reprodução

Cobra com duas cabeças 

Em 2018, moradores da comunidade rural Bonito do Apurema, no município de Tartarugalzinho, no Amapá, se depararam com um animal um tanto quanto inusitado: uma cobra com duas cabeças. O ineditismo foi tão grande que o animal foi levado para a capital para ser estudado pelo Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá.

Saiba mais: Cobra com duas cabeças assusta moradores no Amapá

Comunidade indígena Beija-Flor, em Rio Preto da Eva, recebe Plano de Ordenamento Turístico

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Comunidade indígena Beija-Flor. Foto: Valéria Saturnino/Amazonastur

Aldeia Beija-Flor, no município de Rio Preto da Eva (a 57 quilômetros de Manaus) pretende integrar o Plano de Ordenamento Turístico (POT), implementado pela Amazonastur para estruturar e organizar a atividade turística em comunidades tradicionais do estado.

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De acordo com a chefa do Departamento de Produtos e Projetos da Amazonastur, Raíssa Tavares, a iniciativa busca contribuir com o desenvolvimento do turismo de forma responsável e participativa.

“Nosso objetivo é estimular a criação de experiências que valorizem a cultura local, promovam a geração de renda e respeitem o modo de vida das comunidades. O turismo de base comunitária permite que os próprios moradores conduzam a atividade turística, o que garante mais autenticidade aos roteiros e fortalece a autonomia das comunidades”, afirmou a gestora.

Rio Preto da Eva. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Durante uma oficina com os moradores da comunidade, foram trabalhados modelos de roteiros turísticos sustentáveis e autênticos, elaborados com a participação da comunidade. As propostas foram desenvolvidas com base nas características locais, nos saberes tradicionais e no modo de vida da aldeia.

Presente na atividade, a cacica Solange Moreira Colares, da Aldeia Beija-Flor 4, ressaltou que a ação contribui para o fortalecimento das tradições e a preparação da comunidade para o turismo.

“Estamos muito felizes com a presença da Amazonastur. Essa iniciativa vai nos ajudar a receber melhor os turistas, apresentando nossos costumes, danças, comidas típicas e a natureza que nos cerca. Queremos que os visitantes conheçam de verdade a nossa cultura e valorizem a vida nas comunidades indígenas”, disse a cacica.

Leia também: Rio Preto da Eva: um novo destino turístico no Amazonas

Plano de Ordenamento Turístico

O POT inclui ações voltadas para a formação do produto turístico, sensibilização ambiental e qualificação aplicada ao turismo. O projeto piloto começou a ser executado em 2022, nas comunidades indígenas Cipiá e Tatuyo, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga da Conquista, e em Tuyuka e Diakuru, na RDS do Tupé.

Rio Preto da Eva. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

Na Aldeia Beija-Flor, a primeira visita foi realizada em 2024, com objetivo de elaborar um diagnóstico turístico. Na ocasião, foram realizadas duas oficinas, uma para levantamento das potencialidades da comunidade e outra para mapeamento do território local. A ação desta quinta, representou a devolutiva do diagnóstico, com orientações técnicas e a realização de oficinas para construção de experiências turísticas.

O próximo passo será a realização de uma nova visita técnica para validar as experiências criadas em conjunto com a comunidade. Com a validação da Amazonastur, será possível mensurar se os roteiros estão prontos para serem inseridos no mercado turístico. Esta etapa também prevê a realização de qualificações e mentorias para o aperfeiçoamento do produto turístico.

*Com informações da AmazonAS Tur

Projeto implanta tecnologia social que garante água potável em comunidades amazônicas

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Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

Mais de cinco mil famílias de comunidades tradicionais estão tendo suas vidas transformadas pelo projeto “Sanear Amazônia”. Por meio de tecnologias sociais e capacitações junto aos comunitários, a iniciativa promove abastecimento de água, saneamento básico e bem-estar para populações locais.

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Coordenado pelo Memorial Chico Mendes (MCM), desde 2014, o programa promove o acesso à água para consumo e para a produção em comunidades extrativistas e de baixa renda na zona rural, especialmente nas regiões afetadas pela seca ou pela falta de fornecimento regular de água. A principal estratégia é a implementação de sistemas pluviais multiusos, que possibilitam o armazenamento de água da chuva e captação de outras fontes como rios, açudes e igarapés, entre outros, oferecendo uma solução sustentável para a escassez hídrica.

O programa é financiado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e atualmente é executado em parceria com a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), Instituto Vitória Régia, Instituto Desenvolver e a Associação de Mulheres do Baixo Cajari (AMBAC). 

Há dois modelos de sistema. O primeiro é o Familiar Autônomo, no qual cada família tem um reservatório individual elevado de mil litros e um reservatório adicional de cinco mil litros. A água é captada do telhado e passa por um dispositivo de descarte da primeira água da chuva. Este sistema fornece três pontos de água no banheiro e uma pia de cozinha externa, beneficiando diretamente cada lar.

Leia também: Tecnologia social implantada no Maranhão pode se tornar referência para combate à fome e produção alimentar comunitária

Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

O segundo é o Sistema Comunitário, que usa fontes de água adicionais, como rios ou poços artesianos, com tratamento simplificado e um reservatório comunitário de 15 mil litros, além de reservatórios familiares de mil litros que captam água da chuva. A rede de distribuição leva água às residências, que também recebem pontos de uso no banheiro e na cozinha. 

Willians Santos, engenheiro civil do MCM e coordenador do projeto, reitera a importância da iniciativa. “O programa contribui para um aumento na capacidade de armazenamento de água, garantindo recursos hídricos durante períodos de escassez pluviométrica. Com isso, os beneficiários se tornam mais conscientes sobre a gestão da água, não apenas favorecendo o consumo seguro, mas também adotando práticas de conservação e uso eficiente desse recurso. Esse aumento de consciência é resultado dos processos formativos implementados no programa, que incluem treinamentos e capacitações em gestão da água”, declara. 

Segundo ele, essas ações formativas são parte essencial da implementação, promovendo o entendimento das comunidades sobre a importância da preservação hídrica e as melhores formas de gerenciar esse recurso de maneira sustentável, contribuindo para a melhoria contínua da qualidade de vida e do meio ambiente.

Em outubro do ano passado, em meio à severa estiagem dos rios no Amazonas, o projeto implementou 25 tecnologias sociais, distribuídas em sistemas autônomos e comunitários, nas comunidades São Raimundo e Igarapé Grande, localizadas no município de Manicoré (a 390 quilômetros da capital).

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Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

Uma das beneficiadas é Suely de Oliveira Trindade, moradora da comunidade Igarapé Grande. “Íamos buscar água de noite lá no rio. Era perigoso. Teve uma vez aqui em casa que eu ri, mas depois chorei, porque a água só pingava na caixa. Dormíamos sem tomar banho e só tínhamos um pouquinho para beber. Já pensou? Pouca água para tanta gente”, compartilha.

Sônia Santos, beneficiária da comunidade São Raimundo, também celebra a conquista. “A tecnologia contribui muito, oferecendo a comodidade de utilizá-la em casa, o que beneficia o bem-estar e a saúde”, pontua.

Em janeiro deste ano, mais 166 tecnologias sociais foram implementadas na Reserva Extrativista (RESEX) Auati-Paraná, situada na cidade de Fonte Boa (a 602 km de Manaus), beneficiando comunidades como São Raimundo, Monte das Oliveiras, Nova Esperança, Boa Vista do Pema, Barreirinha de Cima, Murizal, Miriti e Barreirinha de Baixo.

Além das tecnologias, o “Sanear Amazônia” promove ações educativas sobre higiene, manejo de resíduos e a importância do saneamento, incentivando mudanças sustentáveis no comportamento das famílias atendidas. Também realiza capacitações em gestão da água e saúde ambiental, além de treinamentos técnicos para manutenção das tecnologias implantadas.

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Projeto garante água potável em comunidades amazônicas. Foto: divulgação

O Sanear Amazônia

O programa tem o objetivo de promover acesso à água para o consumo humano em comunidades extrativistas da Amazônia, por meio da disponibilidade das tecnologias sociais “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Comunitário” e “Sistema de Acesso à Água Pluvial Multiuso Autônomo”.

É uma proposta que assegura o abastecimento de água potável para famílias extrativistas de forma direta. O impacto indireto é reverberado por meio da replicação das melhores práticas adotadas para a totalidade da população nas áreas consideradas.

A implantação da tecnologia social no Projeto Sanear Amazônia segue um processo estruturado que envolve diversas etapas. A primeira fase é de mobilização, seleção e cadastramento das famílias beneficiadas, feita por meio de assembleias, reuniões e visitas.

Em seguida, os beneficiários passam por uma etapa de capacitação em duas áreas fundamentais. Na área de saneamento e saúde ambiental, eles aprendem sobre o uso adequado da tecnologia social, a gestão da água, cuidados com o meio ambiente e práticas de saúde que serão impactadas positivamente pelo novo sistema. 

Já na área de construção dos componentes físicos da tecnologia social, as equipes responsáveis pelas obras recebem instruções sobre a construção de placas e pilares pré-moldados, montagem de banheiros, fossas e a instalação do sistema hidráulico, além de orientações sobre a manutenção da tecnologia para garantir sua durabilidade.

A última etapa envolve a construção dos componentes físicos e a instalação do sistema. Nesse momento, é feita a instalação da caixa d’água sobre um tablado de madeira elevado, a construção do banheiro e seus acessórios, e a construção da fossa sanitária e dos sistemas de distribuição de água.

Em ações recentes, o programa realizou entregas importantes em duas Reservas Extrativistas localizadas no estado do Amazonas: a Resex Auatí-Paraná, no município de Fonte Boa, e a Resex Capanã Grande, no município de Manicoré. Na Resex Auatí-Paraná, foram consideradas aptas 128 tecnologias sociais, distribuídas entre os modelos comunitário, autônomo de várzea e comunitário de várzea, respeitando as especificidades de cada contexto local. Já na Resex Capanã Grande, foram identificadas 184 tecnologias sociais aptas, contemplando os modelos comunitário, autônomo, autônomo de várzea e comunitário de várzea

Solo perde mais carbono virando monocultura do que pegando fogo

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Monoculturas submetidas a práticas insustentáveis armazenam menos carbono do solo do que florestas queimadas periodicamente. É o que mostra pesquisa publicada na revista científica Catena, com colaboração de pesquisadores do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

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Realizado na Estação de Pesquisa Tanguro, o estudo mostra que solos usados para plantio de uma única cultura por mais de uma década perdem 38% dos seus estoques de carbono. Nas florestas, há 16% de perda em solos queimados anualmente e 19% de perda em solos que sofreram incêndios a cada três anos. Ou seja, o solo perde o dobro de carbono quando é transformado em monocultura em comparação a florestas que sofrem queimadas recorrentes. Ao comparar com o carbono presente no solo de florestas conservadas, a concentração é três vezes menor.

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“A perda de carbono em sistemas agrícolas varia conforme as práticas de manejo e o tipo de cultivo. Agroflorestas, que integram árvores e produção agropecuária, geralmente aumentam ou mantêm os estoques de carbono devido à capacidade das árvores de sequestrar carbono e melhorar a qualidade do solo. Já as monoculturas, mesmo sem queimadas, podem perder carbono por outros fatores, tais como erosão do solo e uso intensivo de maquinário”, explica Maracahipes-Santos.

O pesquisador aponta ainda que a inserção de práticas da agricultura regenerativa em monoculturas reduz a perda de carbono do solo, diminuindo, consequentemente, as emissões de gás carbônico e mitigando a emergência climática. Entre essas práticas estão a cobertura vegetal, a restauração de florestas ao redor de lavouras e o plantio direto.

“A Amazônia tem enfrentado queimadas florestais frequentes e conversão de floresta para agricultura. Grande parte das pesquisas focaram em quantificar os impactos desses usos sobre a biomassa acima do solo. Nosso estudo mostra o legado e a magnitude de queimas frequentes e conversão de floresta para agricultura sobre a matéria orgânica do solo e outros atributos de saúde do solo no Arco do Desmatamento Amazônico”, indica Mário Medeiros-Naval, pesquisador da USP (Universidade de São Paulo) e primeiro autor do artigo.

Leia também: Indígenas Parintintin, no Amazonas, querem vender seus créditos de carbono sem intermediários

Saúde do solo

As análises também identificaram uma correlação entre o aumento de estoque de carbono e a maior fertilidade do solo. Isso indica que adotar práticas mais sustentáveis em monoculturas, que favoreçam o acúmulo de carbono, pode gerar solos mais férteis e reduzir a necessidade de fertilizantes.

A pesquisa atesta que a saúde do solo em monoculturas é pior do que em florestas queimadas anualmente. O solo presente nas lavouras é mais compactado, com menor teor de nitrogênio e matéria orgânica, o que reduz a capacidade de armazenar nutrientes e dificulta o crescimento de plantas, aumentando a dependência de fertilizantes.

A área de monocultura estudada já adotava o plantio direto e aplicação de calcário, práticas mais sustentáveis, desde 2008, o que reduziu a acidez do solo e aumentou a disponibilidade de alguns nutrientes. No entanto, a redução de matéria orgânica levou a características incompatíveis com solos saudáveis.

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Como a pesquisa foi feita

Para determinar o nível de carbono e saúde do solo, os pesquisadores selecionaram quatro áreas na mesma região: uma floresta queimada experimentalmente anualmente, uma queimada a cada três anos e uma área de floresta intacta.

Amostras de solo foram coletadas em 11 pontos em cada área, foram analisadas tanto partes mais superficiais do solo (10 a 20 centímetros), quanto mais profundas (20 a 30 centímetros).

Os pesquisadores avaliaram, em laboratório, a presença de carbono, nitrogênio, matéria orgânica, densidade e outros nutrientes. Permitindo determinar a qualidade dos solos examinados.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM. Escrito por Karina Custódio.

Haru Kuntanawa: filho de um povo sobrevivente que exige reparação

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Idealizador de três álbuns, quatro festivais indígenas e um campeonato de futebol, Haru Kuntanawa é líder mundial do seu povo e se apresenta antes de tudo como um sobrevivente.

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Haru Kuntanawa. foto: acervo pessoal

Ele lembra que seu povo, nativo da fronteira entre o Brasil e o Peru, no Estado do Acre, sofreu um genocídio em 1911. Durante o primeiro ciclo da borracha, [1877 a 1910], as dezenas de aldeias do povo Kuntanawa foram reduzidas a somente uma em processo de captura, escravização e extermínio, relata.

Haru é neto de anciões que testemunharam a violência. Ele conta que por muito tempo seu povo não foi sequer reconhecido como indígena e só saiu do domínio dos seringalistas cerca de 80 anos depois do genocídio, com a criação da Reserva Extrativista do Juruá. Mas o sonho de resgatar sua língua e cultura ainda enfrenta um empecilho: a falta de demarcação do território indígena.

Sem sua terra demarcada, o povo Kuntanawa não tem acesso à educação e nem saúde diferenciada, o que dificulta o resgate da língua e expõe à discriminação: Crianças e adolescentes indígenas já relataram situações de preconceito no ambiente escolar, vindo de professores e colegas.

Haru narra que a luta pelo território já ocorre há 25 anos. Mesmo após decisão do MPF (Ministério do Público Federal) determinando a demarcação, em 2018, o processo não foi concluído.

Leia também: Origem da vida: no que acreditam os povos indígenas?

Mais que território: reparação

Por meio da ASCAK (Associação Sócio Cultural e Ambiental) e da OPIRJ (Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá) as comunidades Kuntanawa procuram não só demarcar seu território, mas também conseguir reparação pela violência sofrida no genocídio.

Lideradas por Haru, as organizações estão estruturando uma comissão de justiça que registre e diagnostique os danos causados pelo genocídio e epistemicídio.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre os termos índio, indígena e indigenista?

“Queremos envolver todo o Estado brasileiro, para que possamos medir todos os impactos da violência, transformar isso em um relatório e demandar uma reparação que consiga recompor nossas comunidades. Eu acredito que esse processo vai ser um marco no Brasil, na política brasileira, porque queremos mais do que o nosso território de volta, a gente quer toda a cultura que nos foi retirada”, enfatiza Haru.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM. Escrito por Karina Custódio.

Exploração ilegal de madeira dispara e ameaça florestas e comunidades na Bacia do Xingu

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Caminhão carregado de madeira na Aldeia Nasepotiti, na Terra Indígena Panará, Pará, em registro de abril de 2024. Foto: Loiro Cunha

A exploração ilegal de madeira se consolidou como uma das principais ameaças à integridade socioambiental da Bacia do Xingu, especialmente nas Terras Indígenas e Unidades de Conservação que compõem o Corredor de Áreas Protegidas, revela relatório Desafios de Proteção na Bacia do Xingu – panorama 2025, da Rede Xingu+. Elaborado pelo Observatório De Olho no Xingu, o estudo analisa os dois primeiros anos do atual governo federal.

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Somente em 2024, mais de 620 km de estradas clandestinas foram abertos para escoar toras de alto valor comercial como ipê, jatobá e cedro, facilitando também a entrada de outros crimes ambientais como o garimpo e a grilagem. O impacto é devastador: florestas empobrecidas, igarapés represados, peixes mortos e comunidades ameaçadas.

Os dados levantados têm como base o Sistema Remoto de Alerta de Desmatamento (Sirad X), da Rede Xingu+, o Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o projeto MapBiomas.

Os dados levantados têm como base o Sistema Remoto de Alerta de Desmatamento (Sirad X), da Rede Xingu+, o Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e o projeto MapBiomas.

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O documento detalha os efeitos do roubo de madeira nos territórios mais afetados — como o Território Indígena do Xingu (TIX), a Terra Indígena Baú e a Resex Riozinho do Anfrísio — e avalia as ações de combate e fiscalização nos dois primeiros anos do atual governo federal.

Segundo o relatório, as atividades criminosas têm causado impactos na prestação de serviços públicos essenciais de saúde e educação, prejudicando o combate ao fogo e contribuindo para a entrada de armamentos pesados nos territórios indígenas.

A Bacia do Rio Xingu possui cerca de 51 milhões de hectares, entre os estados do Pará e Mato Grosso, numa área composta por florestas densas, várzeas amazônicas e de Cerrado. Nela, está localizado o Corredor de Áreas Protegidas do Xingu, com 26,7 milhões de hectares, e que abriga 26 povos indígenas e centenas de comunidades ribeirinhas que desempenham um papel crucial na conservação da Amazônia e na regulação do clima global.

De acordo com a Rede Xingu+, articulação de 53 organizações, sendo 43 indígenas, 5 ribeirinhas e 5 da sociedade civil, o território vem sofrendo nos últimos anos com o desmatamento provocado por roubo de madeira, incêndios florestais, grilagem de terras e garimpo.

O documento também traz os avanços no combate a esses crimes nos últimos dois anos, graças à retomada de políticas como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e operações de fiscalização, que resultaram na queda de 30,6% no desmatamento na Amazônia Legal e, sobretudo, na Bacia do Xingu, com uma redução de 46% em relação ao período anterior — o menor índice registrado na última década. 

Também houve avanços na queda do desmatamento ocasionado pela grilagem de terras, entre 2022 e 2024, por causa do processo de desintrusão das Terras Indígenas Apyterewa e Trincheira Bacajá, em 2023. Outro dado positivo foi a queda de 40% no desmatamento causado pelo garimpo nas Áreas Protegidas.

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Onde acontece o roubo de madeira?

O TIX, formado por quatro Terras Indígenas e lar de 16 povos, é o epicentro do problema de roubo de madeira na Bacia do Xingu. As denúncias, formalizadas desde 2019 por associações indígenas e organizações socioambientais, alertam para a gravidade da situação. Entre 2023 e 2024, foram abertos 404 km de ramais ilegais — 68% do total dos últimos cinco anos.

Já a Resex Riozinho do Anfrísio, criada em 2004, enfrenta grave pressão do roubo de madeira, especialmente por grupos do Assentamento Areia, em Trairão (PA). Desde 2017, mais de 1.500 km de ramais ilegais foram abertos na área, afetando comunidades como Boi Morreu e Paulo Afonso. A atividade causa conflitos sociais, com intimidação e coação por parte dos criminosos.

A TI Baú do povo Kayapó, localizada no sudoeste do município de Altamira, é outro alvo prioritário dos criminosos em busca de madeira, que invadem o território, abrem estradas, derrubam árvores e promovem um cenário de destruição e conflito.

A estratégia dos madeireiros se repete com a abertura de ramais ilegais para o roubo e escoamento das madeiras. De acordo com o monitoramento da Rede Xingu +, em sete anos foram abertas 544 km de estradas ilegais para facilitar a exploração da madeira na TI Baú. Esse escoamento geralmente é feito pelo distrito de Castelo dos Sonhos, através de uma ponte sobre o rio Curuá, construída irregularmente. 

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Problema antigo: Transporte de desmatamento ilegal na estrada que liga Uruará ao porto Maribel, no rio Iriri (PA), muito utilizada para escoamento de madeira retirada ilegalmente, especialmente da Terra Indígena Cachoeira Seca do Iriri, em registro de 2017. Foto: Lilo Clareto/ISA

O que pode ser feito?

De acordo com o documento, as ações coordenadas entre órgãos governamentais, a sociedade civil e as comunidades locais podem desarticular as redes que legalizam a madeira extraída ilegalmente. As fiscalizações precisam ser mais frequentes e urgentes, pois mesmo após operações do IBAMA, a extração de madeira persiste. Além disso, a instalação de bases de fiscalização no território e a continuidade dos inquéritos policiais são cruciais para identificar e responsabilizar os grupos criminosos que atuam na região. 

Simultaneamente, o fomento às atividades extrativistas como a coleta de castanha, borracha e óleo de copaíba é uma medida importante para combater o aliciamento das populações locais e garantir a subsistência das comunidades tradicionais. 

Garimpo ilegal

A exploração garimpeira ilegal também tem se intensificado nos últimos anos na Amazônia brasileira. De acordo com dados do MapBiomas, até 2023, a área de exploração garimpeira atingiu 283,8 mil hectares, com cerca de 90% dessa atividade no bioma amazônico. No ano passado, 1.643 hectares de floresta foram derrubadas para dar espaço à atividade garimpeira.

De acordo com o sistema de monitoramento Sirad X, entre 2018 e 2023, houve uma perda de mais de 9,9 mil hectares de floresta dentro das Áreas Protegidas da Bacia do Xingu devido ao garimpo ilegal. Desse montante, 85% somente na Terra Indígena Kayapó, o equivalente a 8,4 mil hectares, e que vem ocupando o primeiro lugar no ranking de área invadida por garimpo na região.

Incêndios florestais 

Em tempos de mudanças climáticas, o fogo é outro grande desafio no Corredor do Xingu e que vem causando a destruição de florestas, a perda de biodiversidade, a emissão de gases de efeito estufa e a deterioração da qualidade do ar, segundo o monitoramento realizado entre 2010 e 2024. 

Somente no ano passado, foram queimados 2.8 milhões de hectares, representando uma média mensal de 215.302 ha, conforme o registro do Mapbiomas Fire Monitor. Essa extensão corresponde a quase a mesma área queimada em 14 anos de monitoramento, de 2010 a 2023, que foi de 2,7 milhões de hectares. 

O novo cenário surge como um desafio para as práticas ancestrais de muitas comunidades indígenas do Xingu, já que o fogo sempre foi considerado como um elemento cultural e utilizado para a limpeza de roças, caça e rituais. Com o clima mais seco, o fogo que antes era controlado pode escapar com facilidade e invadir grandes áreas de florestas. Uma das soluções apresentadas e que busca conciliar o conhecimento tradicional com as práticas ancestrais é o desenvolvimento de estratégias de manejo do fogo, por exemplo.

Zonas econômicas especiais como instrumento do desenvolvimento

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Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

De acordo com estudo da Câmara dos Deputados sobre “Zonas de Livre Comércio no Mundo”, Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), em inglês SEZ – Special Economic Zone são áreas geográficas delimitadas (enclaves) dentro das fronteiras nacionais de um país nas quais as regras aplicadas às atividades econômicas – em termos de investimentos, comércio exterior, tributação e regulação – são diferentes das vigentes no restante do território, de modo a permitir um ambiente de negócios mais liberal e uma perspectiva administrativa mais eficiente. As ZEEs configuram, assim, uma categoria geral à qual pertencem várias modalidades específicas, com diferentes objetivos e particularidades de funcionamento.

A definição de uma ZEE, assim como padrões e diretrizes sugeridas para elas, encontram-se na Convenção de Quioto Revista da Organização Aduaneira Mundial (WCO, na sigla em inglês). O Anexo D da Convenção Internacional sobre a Harmonização e a Simplificação das Aduanas, revista em 1999, define uma Zona Livre como “parte do território de uma Parte Contratante onde todos os bens internalizados são geralmente considerados como estando fora do território aduaneiro, no que se refere a tarifas e impostos de importação (…) e não sujeitos ao controle aduaneiro normal”. O mesmo Anexo D inclui recomendações para o tratamento das importações e das exportações efetuadas, compreendendo presença de limites territoriais, burocracia tão reduzida quanto possível e o papel das legislações nacionais.

ZEEs são basicamente planejadas para funcionar como um instrumento de comércio exterior, de investimento e de política industrial, com os objetivos de atrair investimentos, criar empregos e facilitar a manifestação de efeitos positivos dinâmicos, superando, assim, obstáculos ao crescimento da economia como um todo.Especificamente, a maior parte das ZEEs oferece aos investidores três vantagens principais: (i) um regime aduaneiro especial, com acesso a insumos importados – bens básicos, intermediários e, em muitos casos, de capital – livres de tributação; (ii) infraestrutura mais confiável que a do restante do país; e (iii) incentivos fiscais, compreendendo a isenção e redução de impostos.

O documento observa que esses territórios remontam à antiguidade, desde os fenícios. Mais recentemente, entrepostos e as chamadas “cidades livres” – a exemplo de Gibraltar (a partir de 1704), Cingapura (1819), Hong Kong (1848), Hamburgo (1888) e Copenhague (1891) – garantiam armazenamento e mercados ao longo de rotas comerciais. A primeira ZEE industrial moderna foi implantada no Aeroporto de Shannon, na Irlanda, em 1959. Presentemente, encontram-se na capital Dublin, e nas cidades de Cork, Limerick e Galway, onde se localizam as principais companhias internacionais e, certamente, um número maior de oportunidades de emprego. Ao longo do tempo, atravessaram fronteiras e estão disseminadas, principalmente, pelo Leste da Ásia e América Latina. Sem exceção, com o objetivo de atrair investimentos de empresas multinacionais em indústrias intensivas em mão de obra.

As ZEEs tornaram-se a pedra de toque das políticas comerciais e de investimentos dos países que procuravam afastar-se das estratégias de substituição de importações e integrar-se aos mercados globais mediante políticas de crescimento baseadas nas exportações. Seu grande impulso ocorreu na década de 80, após serem adotadas pela China no Governo Deng Xiaoping (1982-1987). São consideradas como o principal marco da transição chinesa do comunismo para o “capitalismo de Economia de Mercado”, sendo seus principais objetivos alavancar a produção industrial do país – que se encontrava em crise desde a década de 1960 – e fortalecer o volume das exportações. Tais metas foram cumpridas com elevado sucesso e podem ser consideradas um dos principais meios pelos quais o modelo chinês alcançou grande sucesso em termos econômicos, tornando o Produto Interno Bruto (PIB) do país o segundo maior do planeta.

As primeiras quatro ZEEs chinesas (Shenzhen, Zhuhai, Shantou e Xiamen) foram instaladas em áreas costeiras, escolhidas por sua proximidade com Hong Kong, Macau e Taiwan, visando a atração de investimento estrangeiro e exportações. Shenzhen, em particular, foi uma das mais bem-sucedidas, transformando uma pequena vila em um dos maiores centros financeiros e industriais do mundo. A transformação da aldeia de pescadores em uma cidade de 14 milhões de habitantes passou a ser conhecida como o “Milagre de Shenzhen”.

Em 1988, Hainan se tornou a quinta ZEE; em 1990, o distrito de Pudong em Xangai a sexta ZEE e em 2009, o distrito de Binhai em Tianjin tornou-se a sétima ZEE.

Hoje, as ZEE são cada vez mais populares no mundo todo. Em 2008, estimava-se que elas empregavam 68 milhões de pessoas e geraram mais de US$200 bilhões em exportações. Seu número saltou de 176 zonas em 49 países, em 1986, para cerca de 4.300 ZEE atualmente no mundo. Três quartos dos países têm pelo menos uma dessas áreas. Não obstante sua disseminação, os postos de trabalho e o volume de exportações estão relativamente concentrados na China, na América Latina, na Europa Central, na Europa Oriental e na Ásia Central. A maior parte dos empreendimentos estabelecidos em ZEE dedica-se a atividades de montagem, intensivas em mão de obra, como as indústrias de vestuário, têxtil e eletroeletrônica.

Conquanto até a década de 80 quase todas as zonas econômicas especiais fossem empreendimentos públicos, a partir dos anos 90 aumentou substancialmente a parcela das ZEE implantadas e operadas pelo setor privado. Por sua vez, parcerias público-privadas (PPP) têm-se tornado mais frequentes, empregando diversos arranjos: (i) Provisão pública de infraestrutura no entorno da ZEE; (ii) Arranjos dos tipos build-operate-transfer2 e build-ownoperate3 para as instalações e a infraestrutura, tanto no entorno quanto no interior da ZEE, com garantias ou apoio financeiro do governo; (iii) Contratação de administradoras privadas para ZEE públicas; ou (iv) Administração privada de ZEE pública, com opção de compra vinculada a metas de desempenho.

Na Coreia do Sul as ZEEs concentram importantes indústrias, como têxtil, aço, automobilística, construção naval e eletrônica. O país hoje é o maior produtor mundial de semicondutores. O Vietnã tem 18 zonas econômicas costeiras, que incluem 325 parques industriais. A partir dessa infraestrutura o país vem atraindo importantes investimentos estrangeiros de empresas de vários países, como China, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos, destacando-se a planta da Intel Products Vietnam (IPV), a maior fábrica de montagem e teste da rede de fabricação do grupo líder em tecnologia do setor. Com mais de 2,8 mil funcionários e um investimento total de US$1,5 bilhão, é o maior investimento de alta tecnologia dos EUA no Vietnã.De acordo com artigo do economista Paulo Yokota, o Japão implantou sete ZEEs ajustadas às vocações econômicas e tecnológicas de cada região beneficiada. A de Hokkaido, no extremo norte do Japão, visa atrair complexos relacionados com alimentos, pesquisas voltadas para a sua segurança. Na região da cidade científica de Tsukuba, na província de Ibaraki, o objetivo é a produção e comercialização de tecnologias de ponta no tratamento do câncer, utilizando robôs. A de Tóquio, incluindo a área litorânea de Kanagawa, Yokohama e
Kawasaki, tem como centro motor a indústria farmacêutica e de equipamentos médicos. Em Aiichi, Gifu e Nagoya, o foco é a produção de componentes. A região de Kansai, incluindo Osaka, Kyoto e Hyogo, tem como eixo a indústria farmacêutica, de equipamentos médicos e tecnologias de ponta na área médica. A região de Fukuoka e Kitakyushu, as ZEEs locais visam o desenvolvimento de células de combustíveis, reciclagem de materiais destinados aos mercados asiáticos

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista