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Castanha em pó: bioeconomia amazônica “reinventa” frutos

Já imaginou consumir frutas amazônicas em pó, em pães ou sobremesas? Essa inovação já é realidade e une biodiversidade e tecnologia para transformar o futuro da alimentação. Foto: Fabíola Abess/Idesam

A castanha, o cupuaçu, o açaí e o tucumã são frutos da Amazônia já aparecem em versões em . O tucumã, famoso no X-Caboquinho, surge em lascas — também liofilizadas, processo que garante a qualidade e a segurança alimentar destes alimentos. A inovação amplia o uso desses ingredientes e abre oportunidades de renda para povos amazônidas.

Técnicas como a liofilização dos frutos têm ampliado o potencial da biodiversidade regional ao permitir que alimentos típicos da Amazônia sejam desidratados sem perder suas principais características. O resultado: são produtos mais fáceis de transportar, armazenar e aplicar em diferentes preparações e o mais importante: além de ao ampliar a vida útil e cria possibilidades de comercialização.

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Essas soluções vêm sendo desenvolvidas no âmbito do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), uma agenda de pesquisa, desenvolvimento e inovação vinculada à Suframa/MDIC e coordenada pelo Idesam. A iniciativa vem consolidando a bioeconomia como um vetor estratégico de desenvolvimento sustentável na região, conectando ciência, tecnologia e mercado.

Os resultados já mostram a dimensão desse movimento: com investimentos que somam cerca de R$ 196 milhões, o programa conecta empresas, 19 Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs), startups e comunidades locais para fortalecer cadeias produtivas da sociobiodiversidade em estados da Amazônia Ocidental e no Amapá. Atualmente, reúne 51 negócios incentivados e já apoiou o desenvolvimento de mais de 240 soluções inovadoras, entre produtos, processos e serviços, além de contribuir para a geração de mais de 800 empregos.

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Frutos da floresta para a cozinha

Um dos destaques desse movimento é a liofilização, técnica que remove a água dos alimentos por meio de congelamento seguido de desidratação a frio. Diferente de métodos convencionais, o processo não utiliza altas temperaturas, o que ajuda a preservar nutrientes e características sensoriais como sabor, cor e aroma.

Na prática, isso significa que frutos como buriti, tucumã e cupuaçu podem ser transformados em pós versáteis ou em lascas como o buriti, forma tradicional como é consumido, que, ao serem reidratados, recuperam textura e propriedades muito próximas às do alimento in natura. Além disso, a técnica dispensa o uso de conservantes químicos, alinhando inovação tecnológica a uma proposta de alimentação mais natural.

Entre os destaques, preparações como pão de buriti, biscoito de cupuaçu e creme de macaxeira com tucumã mostraram como os ingredientes com esses frutos podem ser incorporados ao cotidiano, agregando valor à produção local e ampliando o uso da biodiversidade regional.

Castanha em pó Bioeconomia amazônica reinventa frutos amazônicos em alimentos inovadores
Frutos mostram versatilidade. Foto: Fabíola Abess/Idesam

A aplicação vai além da cozinha regional: os produtos também têm potencial para mercados como alimentação saudável, panificação e até a alta gastronomia, abrindo novas oportunidades de negócios para a Amazônia.

“A ideia foi mostrar, na prática, como esses ingredientes podem fazer parte do dia a dia, de forma simples e inovadora”, explica Expedito Moura, do Idesam, que participou da organização da atividade.

Para quem quiser experimentar na prática, algumas receitas já estão disponíveis nos sites das startups Amazônia Smartfood e Terramazônia. As sugestões utilizam ingredientes da região liofilizados, em pó ou em lascas.

Sugestões de receitas com ingredientes amazônicos liofilizados

Durante a Expopim 4.0, realizada em março, em Manaus (AM), o público pôde conhecer, na prática, aplicações de frutos amazônicos liofilizados em diferentes preparações.

As receitas evidenciam a versatilidade de frutos como buriti, tucumã, cupuaçu e castanha-da-Amazônia no dia a dia e na gastronomia regional.

Os pratos foram preparados pela chef Renata Peixe-boi. Contato: cozinhabocadamata@gmail.com, telefone (92) 98136-3123.

Crepioca de buriti com creme de castanha-da-Amazônia e salada fresca

O buriti liofilizado em pó confere cor e identidade à massa, enquanto o creme de castanha equilibra a preparação com suavidade. A salada com tomate-cereja, alface e ora-pro-nóbis adiciona frescor. 

Pãozinho de buriti com queijo coalho

O pão apresenta coloração dourada e leve dulçor do buriti liofilizado, em contraste com o sabor marcante do queijo coalho. 

Biscoitinho de cupuaçu e buriti

A receita combina o sabor levemente ácido do cupuaçu com a doçura do buriti, resultando em um produto aromático e crocante. 

Creme de macaxeira com tucumã e chips crocantes

O creme de macaxeira ganha profundidade de sabor com o tucumã liofilizado em lascas, enquanto os chips agregam textura à preparação. 

Iogurte de macaxeira com proteína de castanha, geleia de araçá-boi e nibs de cacau

A preparação reúne diferentes camadas de sabor: a proteína de castanha-da-Amazônia confere leve acidez, a geleia de araçá-boi acrescenta frescor e os nibs de cacau finalizam com textura. 

*Com informações do Idesam

Mulheres Awajún lideram projeto de piscicultura sustentável em Santa María de Nieva

Os participantes do projeto Awajún recebem treinamento técnico em alimentação, reprodução e saúde de espécies nativas da Amazônia. Foto: IIAP/Divulgação.

Quinze mães da comunidade Awajún de Santa María de Nieva, na região do Peru chamada de Amazonas, são as protagonistas do projeto “Fortalecimento da piscicultura para a segurança alimentar com mulheres Awajún”, uma iniciativa que busca melhorar a nutrição das famílias da comunidade e gerar renda econômica sustentável.

Para isso, os participantes recebem treinamento técnico em alimentação, reprodução e saúde de espécies nativas da Amazônia. Eles também são preparados para assumir papéis de liderança que lhes permitirão replicar a piscicultura em suas próprias comunidades.

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Mulheres da comunidade mostram trabalho de piscicultura na região através de uma pequena mostra em recipiente plástico. Foto: IIAP/ Divulgação

O projeto é coordenado pelo Instituto de Pesquisas Amazônicas do Peru (IIAP), filial do Amazonas, Conselho de Mulheres Awajún Wampis Umukai Yawi, Serviço Agrícola de Pesquisa e Promoção Econômica e Pastoral Social do Vicariato.

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Transferência de conhecimento Awajún

Foto: IIAP/ Divulgação

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O IIAP, entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, desempenha um papel central na transferência de conhecimento e no apoio técnico ao projeto, informou o Ministério do Meio Ambiente em um comunicado à imprensa. 

“A participação delas também visa ao empoderamento das mulheres Awajún e ao desenvolvimento da aquicultura sustentável no departamento do Amazonas”, afirmou o setor.

*Com informações da Agência Andina

Copa da Floresta: 5 curiosidades sobre a maior competição de futebol amador da Amazônia

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Quarta edição da Copa da Floresta terá 51 seleções municipais participantes. Foto: Reprodução/FAF

Quem ama futebol tem que se preparar para a bola rolar na maior competição não profissional da região Norte do Brasil! Nesta quarta-feira (6), o município amazonense de Nhamundá será palco do jogo de abertura da Copa da Floresta 2026. A partir das 19h30, a seleção local encara Barreirinha no duelo inaugural do torneio, no estádio municipal João Batista da Costa, o Batistão.

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Você sabia que a competição conta com mais de 50 times na disputa pelo título? Confira essa e outras curiosidades sobre a Copa da Floresta:

Nhamundá, a sede de abertura em 2026

Localizada a cerca de 375 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas, Nhamundá foi a cidade escolhida para sediar o jogo de abertura da Copa da Floresta 2026. Com mais de 20 mil habitantes, a cidade que fica à margem esquerda do Rio Amazonas será o primeiro cenário de mais uma edição do torneio de futebol que fortalece a identidade regional, valoriza o interiorano e promove a integração entre municípios através do futebol.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Nhamundá

Mais de 50 municípios participantes

Para a edição de 2026, a Copa da Floresta terá a participação de 51 seleções municipais, equivalente a 82% dos municípios do Amazonas. Serão mais de 80 jogos entre as equipes, que acontecerão entre os meses de maio e junho, com final prevista para 20/06.

As seleções estão distribuídas em oito regiões definidas por critérios geográficos, de acordo com a quantidade de equipes e a logística local. A tabela completa dos jogos pode ser conferida aqui.

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copa da floresta
Foto: Divulgação/FAF

Três campeões visitantes

Realizada desde 2023, a Copa da Floresta foi conquistada por três seleções municipais diferentes: Tefé, Silves e Fonte Boa.

Detalhe: as equipes campeãs levantaram seus respectivos títulos fora de casa. Na primeira edição, em Urucurituba, a seleção tefeense venceu os donos de casa por 3 a 0 e se sagrou campeã daquele ano.

Tefé campeã da Copa da Floresta 2023. Foto: Deborah Melo/FAF

No ano seguinte, Fonte Boa e Silves disputaram a decisão e, mais uma vez, o time visitante ficou com o título: vitória por 5 a 4 nos pênaltis, após empate em 2 a 2 no tempo normal.

Seleção de Silves – Campeão da Copa da Floresta 2024. Foto: Laiza Balieiro

Já em 2025, São Sebastião do Uatumã e Fonte Boa duelaram pelo título da 3ª Copa da Floresta. E novamente, o time visitante se deu bem: a seleção fonteboense superou a equipe uatumense nos pênaltis e conquistou o inédito troféu da competição.

Fonte Boa campeã da Copa da Floresta 2025. Foto: Laiza Balieiro/FAF

Arbitragem de peso na Floresta

Pelo quarto ano seguido, a Copa da Floresta terá grandes nomes da arbitragem brasileira na competição. Mas desta vez, o homem do apito já pode ser considerado “da casa”: Anderson Daronco será figura presente na jogo de abertura deste ano, entre as seleções de Nhamundá e Barreirinha.

Anderson Daronco participará da Copa da Floresta pela terceira vez. Foto: Laiza Balieiro/FAF

Um dos mais experientes do país e com participações em grandes competições como Copa Libertadores e eliminatórias para Copa do Mundo, Daronco atuará pela terceira vez consecutiva na competição regional.

Em 2024 e 2025, o árbitro apitou as partidas das finais da competição, em que, nas ocasiões, mobilizou multidões, atraiu os olhares do público e rendeu várias horas de fotos com os comunitários. Além de Daronco, Edina Alves Batista e Raphael Claus também já trabalharam na competição.

Premiação em dinheiro

Para este ano, a Copa da Floresta distribuirá mais de R$ 120 mil em dinheiro como premiação aos vencedores da competição. Além do troféu e medalhas, a seleção campeã ganhará R$ 60 mil, enquanto a vice ficará com R$ 25 mil, mais troféu e medalhas. Já a terceira e a quarta colocada da competição R$ 20 mil e R$ 15 mil, respectivamente.

Foto: Deborah Melo/FAF

Transmissão

A partida terá transmissão do Grupo Rede Amazônica: na TV aberta, o canal Amazon Sat exibirá o duelo para cinco estados da região Norte. Nos canais:

  • Manaus/AM: 44.1
  • Porto Velho/RO: 22.1
  • Rio Branco/AC: 31.1
  • Macapá/AP: 29.1
  • Boa Vista/RR: 23.1
  • Parintins/AM: 46.1

A transmissão também acontece online para todo do Brasil, através do portalamazonia.com e Globo Esporte Amazonas. A cobertura contará com a narração de Kassio Junio, comentários de Dudu Monteiro de Paula e reportagens de Dayson Valente.

Arte indígena Karipuna do Amapá é usada por Anitta em novos clipes musicais

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Acessórios foram feitos pelo grupo Papiõ Botã do povo Karipuna, do município de Oiapoque, no Amapá. Foto: Divulgação

O Amapá tem se tornado referência no cenário nacional de moda, com destaques com diversos artistas. Dessa vez foi a vez dos brincos de Maracá, do grupo de artesãs indigenas do povo Karipuna da aldeia Manga, em Oiapoque, Papiõ Botã (Borboletas do Verão no grafismo), aparecerem nos novos clipes ‘Choka Choka’ e ‘Mandinga’ da cantora Anitta.

A cantora adquiriu os brincos após as artesãs realizarem uma parceria com a marca Dhy Moraes. O grupo enviou pra São Paulo algumas peças para desfilar no evento Brasil Fashion Week, logo depois Anitta adquiriu os itens.

Leia também: Estilista do Amapá assina figurinos usados por Anitta em novos clipes

O Diemisom, que é cofundador do grupo e professor de artes, desenvolve um trabalho com artesanato, moda, teatro e literatura com a comunidade. O professor contou que ver a artista usando os brincos foi de grande emoção.

“Ter visto a Anitta usando nossas peças, foi uma grande emoção, saber que uma artista nacional e internacional escolheu essas nossas peças para abrilhantar seu trabalho. Isso só fortalece nossa luta e resistência, dando visibilidade para nosso trabalho tão exclusivo e ainda mais representando nosso estado e município de Oiapoque, principalmente nossas iniciativas indígenas de empreendedorismo comunitário que ainda precisa muito de apoio para ganhar o mundo”, disse Diemisom.

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Grupo de artesãs indígenas de Oiapoque, no amapá  Foto Divulgação
Artesãs são do Oiapoque, no Amapá. Foto: Divulgação

Grupo de artesãs do Amapá

A atividade surgiu com a iniciativa de uma família da região que teve como referência suas raízes e saberes através da arte Karipuna. A ideia é fomentar o empreendedorismo dentro do território amapaense usando as matérias primas encontradas na região.

“O grupo surgiu com a iniciativa de uma família (SFAIR) do povo karipuna que teve sempre como referência suas raízes e saberes através da arte karipuna, em busca de melhorias para gerar rendas no território através de suas artes, como forma de garantir e fomentar o empreendedorismo dentro e fora do território. A ideia é Transformar as diversas matérias primas naturais encontradas na região em belas obras de arte… como as minicuias, cabaças, sementes, fibras de buriti e outros”, disse Diemisom.

Os brincos usados por Anitta são feitos com mini cuias (uma parte do fruto da cuieira, uma árvore nativa da região amazônica), que normalmente são usados pra chocalhos Maracás.

Agora o grupo está construindo um espaço no território pra mostrar o trabalho das artesãs do Papiõ Botã, realizar a venda de artesanatos e fazer exposições. Além disso, a ideia é continuar com as oficinas e montar o primeiro ateliê na aldeia do Manga.

O nome do grupo faz referência ao dia a dia das mulheres do povo Karipuna do passado, quando elas lavavam roupas na beira do rio e as borboletas vinham pousar nas roupas, nas areias e pedras na beira do rio.

Segundo Diemisom o grupo de artesãs do Amapá tem uma forte ligação com a força natural e resistência da mulher indígena Karipuna e sua presença nos rios.

*Por Luan Coutinho, da Rede Amazônica AP

Memória Iconográfica do Grupo Rede Amazônica no estado de Rondônia

O então governador Humberto Guedes inaugurou a TV Vilhena, em Rondônia. Foto: João Vilhena/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A velocidade de transformação das cidades da Amazônia é narrada por um longo período por Silvino Santos. Sua obra iconográfica se destaca não só pela experiência da nova síntese de período glamoroso, mas pelo congelamento futurista que, somada a colagem de fragmentos, visões rápidas e múltiplas de nosso cotidiano urbano, aparenta hoje uma vida moderna da época em se instalavam o período do látex.

É nesse ambiente de efervescência cultural, econômica e política, de significados e alterações no espaço urbano e do cotidiano interiorano é que devemos inserir e entender a lente que documentou todo o momento com fotografias e filmes.

Silvino Santos, um imigrante português que tem uma importância diferenciada na história iconográfica da Amazônia, como também temos que considerá-lo como um dos pioneiros, juntamente, com o alemão Huebner, na tentativa de documentar e organizar a memória iconográfica da Amazônica e todo seu entorno.

Exímio fotógrafo e cineasta, como nenhum outro, soube retratar a atmosfera das cidades da Amazônia e seu cotidiano interiorano nas primeiras décadas do século XX. Sua produção retrata tudo aquilo que ele via, ao mesmo tempo, com as novidades que adentravam no espaço urbano, pouco se mostra do seu trabalho e atuação em estúdios, com retratos e crayon, produções praticamente pequena diante da exuberância de sua fotografia documental urbana. Isso é bastante raro na história da fotografia universal, já que, no período foram poucas as fotografias que conseguiram escapar da tradição do ateliê.

Silvino Santos mergulhou na arte de fotografar, documentarista, cronista, que deu relevância à fotografia como informação na história das representações visuais e foram muitas. A velocidade de transformação de todas as cidades da Amazônia foram narradas por um longo período, por dois fotógrafos: George Huebner que iniciou fotografar a Amazônia, em 1894 e Silvino Santos no início do século passado a partir de 1910.

É nessa particularidade que fotógrafos comuns tentam recuperar para a história momentos importantes de acontecimentos diversos, que marcam para eternidade com qualidade excepcional para a época o fato registrado. Na verdade este fato que enriquece não apenas o patrimônio e imagético da Amazônia, mas a própria cultura fotográfica de uma empresa em particular e de um período não muito distante, porém, histórico.

Este fotógrafo que se encontrava no momento exato, nos dá a oportunidade de ampliarmos a investigação e a pesquisa tanto no campo da fotografia quanto da história, do cotidiano urbano e da paisagem humana. Tudo isso garante o acesso irrestrito para pesquisadores, estudantes de fotografia, fotógrafos amadores e profissionais ou interessados neste segmento.

Não podemos esquecer de um período de ampliadores, câmeras, obturadores, lentes e tripés, balanças, bacias, prensas, lanternas e cortadores, químicas, filmes e chapas de vidro, papéis e fórmulas especiais, álbum, cartões-postais, pass-partouts, produtos para acabamento e apresentação dos trabalhos de um período que ficou para trás. Todas essas variedades de materiais e marcas foi a época a consolidação desse importante mercado, tanto profissional quanto o amador da época conheceram, hoje já estamos na era digital.

A bem da verdade as obras de George Huebner e de Silvino Santos se destacaram não só pela experiência de uma nova síntese de um período glamouroso, mas pelo congelamento futurista que, somada pela colagem de fragmentos visões rápidas e múltiplas da arte de fotografar o nosso cotidiano urbano retrataram uma vida moderna daquela época.

Foto: Aluísio Daou/Acervo pessoal
A fotografia acima foi tirada com esta câmera por Aluísio Daou. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

É nesse ambiente de oportunidade de significado importante que o senhor Aluísio Daou, no dia 8 de junho de 1973, documentou o ato de assinatura da homologação do canal da TV Rondônia, pertencente ao Grupo Rede Amazônica, no gabinete do Ministro em Brasília.

Estavam presentes, o Diretor Técnico da Embratel doutor Rubens Bussaco; o Diretor presidente do Grupo Rede Amazônica, Jornalista e Empresário das Comunicações Phelippe Daou; Senador Raimundo Parente; Senador José Lindoso; e Deputado Federal Ney Oscar de Lima Rayol. Aluísio Daou conseguiu inserir através da lente de sua máquina fotográfica Olimpus Trip 35 documentando esse importante momento, que usando da sensibilidade soube retratar para posteridade a atmosfera desse acontecimento histórico. O Senhor Aluísio Daou, naquela oportunidade encarnava os espíritos dos dois maiores fotógrafos da Amazônia, George Huebner e Silvino Santos, documentando este fato histórico.

Trata-se de um fato histórico importante, documentado com a exuberância de sua fotografia. Todo esse fragmento histórico documentou o tempo, as pessoas, com registro do antes e a possibilidade de estudo, depois, com recorte através dos vestígios da imagem iconográfica daquele período.

A matéria de que se alimenta esta memória lembra, principalmente, a luta desigual, as portas que se fecharam e, naturalmente, outras tantas que, se abriram, as conversas em gabinetes como fios que se entrelaçaram encadeados em cores e sonhos, muitas vezes difíceis de serem atingidos, mas certamente encantadores, pois hoje são reais.

João Vilhena (4/3/1935 a 28/10/2024), primeiro diretor da TV Ji-Paraná, em Rondônia. Foto: João Vilhena/Acervo pessoal

A linha divisória das realidades e das idealidades é sempre diluída pelo sonho de fazer realizar, sem se importar com os sofrimentos em nome de uma boa causa.

Porto Velho era a meta. A Amazônia era o alvo de conquista. A crise econômica, o obstáculo. A grande maioria da população, entretanto, parecia respirar sonhos com a realidade.

A Amazônia foi revelada pelo olhar dos viajantes missionários e naturalistas e mostrada para o país a partir da chegada da Rádio TV do Amazonas. Esta chegada criou o fascínio da nossa tela, o que também, se enredou nas teias sedutoras das novelas e minisséries, embora não tenha mudado o curso das águas do velho Madeira, criou um novo olhar de outro horizonte, além da preservação assumida, de forma muito própria, não permitindo a descaracterização da nossa região, motivo de preocupação, até hoje, por parte de toda a diretoria da Rádio TV do Amazonas.

Pensar o regional foi fazer o globalismo tornar-se um desafio constante no decifrar da região. Este fato nos permitiu a conquistas da realidade. Tudo isso, buscado através da motivação que marca a longa e brilhante existência das nossas cores em toda região amazônica.

A partir daí, deu-se o início de uma nova era. O então território de Rondônia contava com um aliado, a Rádio TV do Amazonas e, um aliado forte que, juntos, seguiram lado a lado, com um único objetivo, trabalhar. Trabalhar pelo engrandecimento de Rondônia. Para homenagear o território, a emissora receberia o nome de TV Rondônia. Uma justa homenagem para uma Rede de Televisão que estava apenas começando.

O Ministério das Comunicações, através do Departamento de Telecomunicações, de acordo com Edital n.º 10/72, abre concorrência pública para a concessão de um canal de rádio e televisão na cidade de Porto Velho, como segue o demonstrativo do Diário Oficial da União, do dia 4 de julho de 1972.

Depoimento publicado no Portal A Mídia Eletrônica em Rondônia – Lúcio Albuquerque

Rede Amazônica chega a Rondônia e instala repetidoras no interior

No dia 12 de setembro de 1974 a TV Cultura canal 11, encerrou suas atividades iniciadas no mês de junho, mas no dia seguinte, um dos programas do calendário comemorativo dos 31 anos de criação do Território foi a inauguração em Porto Velho da TV Rondônia, a primeira filial da Rede Amazônica de Televisão pelo empresário Phelippe Daou, Presidente da Rede, tendo como seu primeiro diretor o jornalista Murilo Aguiar.

O funcionamento da TV Rondônia foi facilitado porque o canal 11 serviu de “laboratório” como lembrou o jornalista João Dalmo lembrando que quase toda equipe da TV Cultura foi chamada para compor a nova emissora, “e o fato de nós termos já conhecimento desde a parte técnica até a prodição e apresentação de programas certamente reduziu muito o custo da implantação”, lembrou Dalmo, que chefiava a equipe do Esporte do Canal 11 imigrou para o 4.

A programação praticamente vinha toda de Manaus, gravada em fitas Vhs envidas como era anteriormente e, várias vezes, não chagava a tempo “ou com defeito, o que obrigava informar ao telespectador que programa era repetido – teve fita que passou mais dez vezes”, dizia, entre risadas, o jornalista Osmar Vilhena.

Em 1975 um programa que atraia muito público foi implantado pelo jornalista Vladimir de Carvalho, A Hora do Povo, feito ao vivo nos domingos à noite. Vladimir Vilhena, tinha dado seus primeiros passos em TV na pioneira “Cultura” do território.

As TVs em Guajará-Mirim Vila Rondônia, depois Ji-Paraná inaugurado em 1978 e Vilhena em novembro de 1977, funcionaram no mesmo sistema de Vts enviados agora pela emissora mãe, a TV Rondônia de Porto Velho. Em 1978 a TV Porto-velhense iniciou a transmissão ao vivo de seus programas.

*Texto enviado pelo CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior.

Fonte: A MÍDIA ELETRÔNICA EM RO (IX)
Lúcio Albuquerque (69) 99910 8325

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Cooperação institucional recebe reforço internacional com foco na Amazônia

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Da esquerda para a direita: Bruno Chagas, Nilson Gabas Júnior, Hanspeter Mock e João Meirelles após assinar renovação de parceria. Foto: Woltaire Masaki/MPEG

Em evento recente o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a Embaixada da Suíça no Brasil, o Governo do Pará e o Instituto Peabiru reforçaram a cooperação institucional com foco no fomento à ciência, à tecnologia, à inovação, à educação e à cultura na Amazônia. Representantes das instituições renovaram a parceria para a continuidade de tratativas e esforços para a restauração e uso da “Casa Goeldi”, que faz parte do conjunto de prédios históricos pertencentes ao Parque Zoobotânico (PZB).

Também no encontro, o diretor da instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia assinou portaria que designa simbolicamente os espaços institucionais do MPEG como “terra indígena” para fins de interesses socioculturais dos povos tradicionais.

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Os entendimentos foram firmados pelo diretor do Museu Goeldi (instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI), Nilson Gabas Júnior; pelo  embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock; pelo coordenador de Relações Internacionais da Representação do Governo do Pará em Brasília (DF), Unaldo Vieira de Souza; e pelo secretário de Cultura do Pará, Bruno Chagas.

Antes do evento – que aconteceu no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no PZB, localizado no bairro de São Brás, em Belém – eles realizaram uma reunião de trabalho que teve como um dos assuntos as comemorações dos 160 anos do Museu Goeldi, previstas para outubro.

Nilson Gabas Júnior deu as boas-vindas à mesa e ao público que assistiu ao evento. Ele relembrou a participação do Museu Goeldi na COP30, quando sediou mais de 200 eventos em suas duas bases na capital – o Parque e o Campus de Pesquisa, já no esteio da parceria firmada com as instituições representadas ali, especialmente à Embaixada Suíça que teve um envolvimento direto nessa programação.

Gabas falou sobre a importância do PZB, que é completamente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e ressaltou o cuidado do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Dphac), em nível estadual, introduzindo a necessidade de conservação e reestruturação dos seus prédios históricos, entre os quais a casa onde morou Emílio Goeldi, naturalista que dá nome à instituição.   

Cooperação e captação de recursos

O diretor do Museu disse que a instituição conseguiu um recurso junto à Finep para reforma dos prédios do PZB (que deve ocorrer este ano), mas que não inclui a Casa Goeldi. Por isso, fez a provocação ao embaixador Hanspeter Mock, dando início à cooperação para captação de recursos para essa restauração.

“Graças ao aceite da Embaixada, nós (representantes das instituições) nos envolvemos nessa iniciativa e com esse apoio estamos conseguindo levantar recursos, inicialmente para o projeto arquitetônico e planejamento da reforma. Pretendemos que o imóvel tenha um uso compartilhado e voltado às necessidades e às demandas das comunidades tradicionais, sobretudo as indígenas, que promova a identidade, o bem-estar, o desenvolvimento e a manifestação cultural”, disse.

O embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, agradeceu a oportunidade do encontro e mencionou a alegria de voltar ao Museu Goeldi, onde esteve durante a COP30, entre outras agendas.

“É um prazer especial tomar a palavra neste dia de celebração, porque demonstra a força e a continuidade das relações entre a Suíça e o Brasil, mais particularmente entre a Suíça e o Estado do Pará. E esses laços não são recentes, pelo contrário, se baseiam em uma cooperação sólida e duradoura, orientada para o futuro, e fundada em valores compartilhados, especialmente nas áreas da ciência, da cultura e da sustentabilidade”, salientou, relembrando a assinatura do Memorando de Entendimento, pela embaixada, o Museu Goeldi e o Instituto Peabiru em 2024, renovada nesta sexta-feira.

Leia também: Pesquisa realizada no Pará alerta sobre riscos do uso de fones de ouvido

Ele mencionou a conclusão do termo de fomento para a cooperação, no último mês de março, que permitiu o repasse de recursos do governo do Estado para o projeto. “Todos esses instrumentos refletem uma vontade compartilhada de construir parcerias duradoras e eficazes à serviço da sociedade. Hoje temos a oportunidade de dar nova vida a esse espaço histórico, fazendo dele um local de encontros, de trocas e de produção de pesquisas sobre os saberes tradicionais e científicos da região amazônica, levando esses saberes tradicionais a desenvolver um marco avançado no progresso da ciência moderna”, acrescentou o embaixador, que celebrou ainda o legado do naturalista Emílio Goeldi na Amazônia.

Parcerias duradouras

Coordenador de Relações Institucionais da Representação do Governo do Pará em Brasília, o diplomata Unaldo Vieira de Souza relembrou a história da migração suíça no Brasil e afirmou que as duas nações seguem construindo produtivas relações diplomáticas, sendo a parceria para a restauração da Casa Goeldi um exemplo.

“O Brasil é o principal parceiro econômico da Suíça na América Latina e a Suíça é o sétimo maior investidor direto no Brasil, com mais de 600 empresas instaladas no país”, disse ele, saudando o futuro das parcerias. “Os paraenses, os amazônidas, os brasileiros e os suíços irmanaram-se em fazer o bem para a humanidade. Que essa celebração simbolize a cooperação permanente e frutífera, no domínio da ciência e na defesa perene do humanismo”, acrescentou.

Presidente do Instituto Peabiru, João Meirelles está à frente da captação de recursos para o projeto da Casa Goeldi. Ele relembrou alguns marcos dos vinte anos de parceria com o MPEG, como a restauração do aquário Jacques Huber, no Parque Zoobotânico, e mencionou a importância da iniciativa privada, no Brasil e na Suíça, nos recursos já arrecadados para o projeto.

João explicou que será necessário atrair novos investidores, sendo a Lei Rouanet um dos instrumentos que deverão ser mobilizados em parceria com o Instituto Pedra. “Somos um facilitador, um executor, um gestor, até para que o poder público possa trabalhar em cogestão com instituições sem fins lucrativos em projetos como esse da Casa Goeldi. Isso facilita para que o Estado se dedique a outras agendas prioritárias”.

O secretário de Estado da Cultura, Bruno Chagas, encerrou as falas representando o governo do Pará, que disponibilizou R$ 1 milhão para a restauração da Casa Goeldi.

“A declaração de que a Casa Goeldi será um espaço a serviço das comunidades tradicionais é importantíssima. Para nós, governo do Estado, as iniciativas voltadas para a preservação da nossa cultura são uma prioridade. Estou muito satisfeito com essa parceria. Estamos, mais uma vez, renovando a nossa disposição em continuar apoiando este projeto com tudo o que foi necessário”, afirmou o secretário, que falou em nome da governadora Hana Tuma.

encontro e cooperação sobre mudanças do clima acontece em belem no museu goeldi
Museu Goeldi. Foto: Divulgação/Acervo Museu Goeldi

Portaria: “Museu Goeldi Terra Indígena”

Desde 2023, o Parque Zoobotânico é considerado território indígena, a partir de uma declaração simbólica institucional, durante evento de abertura da 17ª Primavera dos Museus. No entanto, a partir de agora, essa declaração se torna oficial e extensiva a toda a instituição, incluindo suas três bases (o Parque e o Campus, em Belém; e a Estação Científica, em Caxiuanã). A partir da Portaria 503/2026, publicada neste mês de abril, o Museu Goeldi recebeu a designação institucional simbólica de “Terra Indígena”.  O reconhecimento tem fins exclusivamente memoriais, educativos, museológicos, científicos, culturais e comunicacionais. 

De acordo com o documento, a declaração abrange espaços físicos, expositivos, educativos, de pesquisa, de memória, de comunicação e de visitação vinculados ao Museu, incluindo suas bases e unidades institucionais; materiais editoriais, peças de comunicação, campanhas institucionais, exposições, programações educativas, interpretações internas, ambientes digitais e demais meios de expressão institucional do Museu. 

A portaria também destaca que a expressão “terra indígena” é simbólica, sem vinculação e efeito jurídico e constitucional, não se confundido com qualquer afetação real, destinação, demarcação, homologação ou registro territorial que envolva alteração de posse de imóvel público, sendo uma forma de “fortalecer, no âmbito institucional, práticas de respeito à diversidade étnica, cultural e epistêmica da Amazônia”, entre outros fins. 

Compromissos firmados

Durante o evento, foram assinados dois documentos. No primeiro, os representantes das quatro instituições parceiras renovam, por meio de um aditivo a um memorando de entendimento firmado em junho de 2024, as intenções de colaboração em ações conjuntas, em levantamento de fundos e outras iniciativas voltadas à ciência, à cultura e à tecnologia em prol da Amazônia. Esse novo documento tem vigência de dois anos. 

O segundo momento foi a assinatura pelo diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, da declaração institucional de uso e ocupação prevista da Casa Goeldi.

No documento, o prédio, depois de reformado, será destinado à instalação e operação de um espaço de uso institucional e cultural qualificado, apto a abrigar atividades, como: recepção de visitantes, pesquisadores, comunidades, convidados e parceiros; reuniões institucionais, encontros técnicos e agendas de representação; palestras, conferências, rodas de conversa, pequenos eventos e ações de difusão científica e cultural; iniciativas de educação patrimonial, interpretação do patrimônio e valorização da memória institucional; além de atividades expositivas, curatoriais, educativas e protocolares. 

*por Andréa Batista e Carla Serqueira, da assessoria de comunicação do Museu Goeldi

MMA atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas e reforça regras de proteção no Brasil

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Entre os peixes encontrados na Amazônia, o acari zebra (Hypancistrus zebra) é considerado Criticamente em Perigo (CR) de acordo com a portaria de 27 de abril. Foto: Diogo Lagroteria/CEPAM/ICMBio

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou uma atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção voltada a peixes e invertebrados aquáticos. O documento, divulgado no fim de abril, traz um panorama atualizado sobre o risco de extinção dessas espécies no Brasil e define regras mais claras para proteção, uso sustentável e recuperação populacional.

A medida é baseada em análises técnicas conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelo monitoramento contínuo da fauna brasileira. O levantamento consolida dados científicos produzidos ao longo de anos e envolve a participação de pesquisadores, instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil e órgãos públicos.

De acordo com o presidente do ICMBio, Mauro Pires, o trabalho vai além de um ato administrativo.

“Esse resultado nasce de um trabalho técnico rigoroso, desenvolvido ao longo de anos por servidores do Instituto, especialmente dos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação, em cooperação com centenas de cientistas, especialistas, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e órgãos públicos. Não se trata de um mero ato administrativo, mas da tradução institucional de um esforço coletivo para compreender o estado da fauna brasileira”, afirmou.

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A nova lista substitui a anterior, publicada em 2014 e atualizada em 2022, incorporando avanços no diagnóstico técnico-científico obtidos entre 2022 e 2024. A versão final foi discutida e aprovada em 2025 junto à Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).

Espécies avaliadas e avanços na conservação

O levantamento analisou centenas de espécies, incluindo peixes continentais e marinhos, além de tubarões, raias e diversos invertebrados aquáticos. Esses organismos foram classificados em categorias de risco como Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR), seguindo critérios internacionais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Entre os exemplos citados está o tubarão-limão (Negaprion brevirostris), classificado como “Em Perigo”. Já espécies como a raia Gymnura altavela e o tubarão Carcharhinus plumbeus aparecem na categoria “Criticamente em Perigo”.

Apesar da inclusão ou reclassificação de cerca de 100 novas espécies, outras 100 foram retiradas da lista em comparação à atualização anterior. Segundo o MMA, esse resultado reflete avanços em pesquisas e ações de conservação. Espécies ornamentais da Amazônia, como o acari-vampiro e o cascudo-onça, apresentaram melhora no estado de conservação após a implementação de medidas específicas.

Leia tammbém: Ideflor-Bio monitora e faz salvamento de espécies aquáticas em Monte Alegre, no Pará

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou a importância desse processo.

“A adição e reclassificação de espécies pela Lista Nacional de Espécies Ameaçadas é resultado de robusta análise técnica que identifica a efetiva situação da fauna brasileira, num esforço realizado conjuntamente por governos, academia, sociedade civil e setor econômico. É um trabalho conduzido ao longo de anos que evidencia os avanços da ciência brasileira. O objetivo, a partir desta iniciativa, é mobilizar ações para que as espécies atualmente pressionadas tenham suas populações recuperadas”, afirmou.

espécies aquáticas em risco de extinção: lista atualizada pelo MMA e ICMBio - na foto peixe joaninha-da-pedra
Foto: Vassil, CC0, via Wikimedia Commons

Instrumento estratégico para políticas ambientais

A lista é considerada um dos principais instrumentos de gestão ambiental do país. Além de indicar o grau de ameaça das espécies, ela orienta políticas públicas, direciona recursos e apoia a criação de iniciativas como Planos de Ação Nacionais (PAN), Planos de Redução de Impactos à Biodiversidade (PRIM) e novas Unidades de Conservação.

Atualmente, o Brasil conduz uma das maiores avaliações de biodiversidade do mundo, abrangendo cerca de 15 mil espécies de fauna. Destas, mais de 1,2 mil estão classificadas como ameaçadas de extinção.

Segundo Mauro Pires, os resultados mostram que políticas contínuas trazem impactos positivos. “A retirada de 100 espécies em relação à atualização de 2022 demonstra que a conservação produz resultados quando há continuidade, cooperação e base científica. Cabe ao ICMBio transformar esse conhecimento em ação pública, coordenando e fortalecendo instrumentos como os Planos de Ação Nacionais para Espécies Ameaçadas”, destacou.

Regras mais rígidas e uso sustentável

Além da atualização da lista, o MMA publicou uma segunda portaria que estabelece regras específicas para as espécies ameaçadas. De forma geral, ficam proibidos a captura, o transporte, o armazenamento e a comercialização desses animais.

No entanto, a legislação prevê exceções para pesquisa científica e para espécies que tenham Planos de Recuperação ativos, permitindo o uso sustentável sob controle rigoroso. Para espécies incluídas pela primeira vez na lista, as restrições passarão a valer após 180 dias, garantindo tempo de adaptação aos setores produtivos.

Os Planos de Recuperação, coordenados pelo MMA, são considerados essenciais para conciliar conservação ambiental e atividades econômicas, especialmente a pesca. Até o momento, dez planos já foram desenvolvidos, com foco em espécies de relevância socioeconômica.

Monitoramento contínuo de espécies aquáticas

As informações sobre as espécies avaliadas são atualizadas periodicamente na plataforma Salve, sistema do ICMBio voltado ao acompanhamento do risco de extinção da biodiversidade.

A expectativa do governo é que a nova lista fortaleça a proteção da fauna aquática brasileira e amplie a integração entre ciência, políticas públicas e sociedade. O desafio, segundo especialistas, é manter a continuidade das ações e garantir que os dados gerados se transformem em medidas efetivas de conservação.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade

Anfíbio semelhante à minhoca é encontrado pela primeira vez no Peru

Foto: Juan C. Cusi Martinez

Uma equipe internacional de pesquisadores confirmou o primeiro registro no Peru de Caecilia crassisquama, espécie de anfíbio sem pernas, semelhante a uma minhoca ou pequena cobra, encontrada no Santuário Nacional Tabaconas-Namballe, localizado na província de San Ignacio, região de Cajamarca.

A descoberta foi publicada na revista científica Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi – Ciências Naturais, destacou o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp) no Peru.

Leia também: O curioso caso do animal que parece cobra, tem nome de cobra, mas não é cobra

O serviço nacional afirmou que essa descoberta representa um avanço significativo para a biodiversidade peruana, elevando para sete o número de espécies do gênero Caecilia registradas no país. Até então, Caecilia crassisquama havia sido relatada apenas no Equador.

O Sernanp indicou que a espécie, também conhecida como cecília-da-Normanda, foi encontrada em uma floresta localizada a uma altitude de 1.990 metros, no setor El Sauce, dentro do Santuário Nacional Tabaconas-Namballe. “Este ecossistema faz parte do páramo andino, um habitat raro no Peru e considerado estratégico para a regulação hídrica”, observaram.

A pesquisa foi desenvolvida por Juan C. Cusi Martínez, Francis I. Vargas, Víctor J. Vargas, Pedro Peloso e Adriano O. Maciel, com a participação de especialistas do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos, do Serviço Nacional de Florestas e Silvicultura, do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado e de entidades acadêmicas do Brasil e dos Estados Unidos.

Este contenido puede reproducirse citando a la Agencia Andina ©️ Editora Perú Descoberta científica: um anfíbio semelhante a uma minhoca é descoberto pela primeira vez no Peru. Lea más en: https://andina.pe/agencia/noticia-hallazgo-cientifico-descubren-primera-vez-peru-un-anfibio-similar-a-una-lombriz-1073159.aspx
Anfíbio não possui membros. Foto: Pedro Peloso

Cecílias, os anfíbios sem membros

Os especialistas explicaram que as cecílias são anfíbios sem membros, com corpos alongados, adaptados à vida subterrânea, o que dificulta sua observação e estudo na natureza. Portanto, essa descoberta destaca a importância dos inventários biológicos em áreas pouco exploradas.

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A este respeito, o presidente executivo da Sernanp, José Carlos Nieto, destacou a necessidade de reforçar a investigação no Santuário Nacional Tabaconas-Namballe, considerando que este protege espécies com distribuição restrita e ecossistemas essenciais face aos atuais desafios ambientais.

Por fim, ele enfatizou que essa descoberta reafirma o valor das áreas naturais protegidas do Peru como refúgios de biodiversidade única, ainda pouco conhecida pela ciência.

*Com informações da Agência Andina

Expedição percorre comunidades do Pará com protagonismo feminino e turismo de base comunitária​

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Foto: Divulgação

O projeto ‘Quase Nativa – Expedição Amazônia Paraense’ é uma iniciativa de turismo de base comunitária e de experiência que articula uma rede de comunidades locais majoritariamente lideradas por mulheres nas ilhas, quilombos e praias da Amazônia paraense.

Com presença em Soure, Pesqueiro, Quilombo de Mangueiras, Cotijuba e Algodoal, o projeto une preservação ambiental, geração de renda para mulheres negras, ribeirinhas e periféricas e troca cultural horizontalizada.

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A proposta é clara: turismo como ferramenta de preservação, não de exploração. A iniciativa enxerga na articulação comunitária uma estratégia concreta para um turismo mais consciente: quem chega se hospeda na casa de moradores do próprio território, aprende com quem sabe e respeita o que encontra.

Expedição percorre comunidades tradicionais do Pará
Foto: Divulgação

Há quatro anos, o projeto Quase Nativa percorre os caminhos não convencionais dos rios da Amazônia paraense, resistindo à lógica do turismo massivo e construindo um trajeto comunitário. Ao longo desse tempo, foram se articulando em rede com comunidades locais, apostando na cooperação e no turismo regenerativo, não extrativista: uma prática que devolve ao território mais do que retira, que fortalece modos de vida em vez de consumi-los.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

A primeira expedição já tem data e roteiro confirmados. De 9 a 14 de novembro, o grupo percorrerá a Ilha do Marajó, com passagens por Belém e a Ilha de Cotijuba. Serão seis dias vivenciando um pedaço da Amazônia paraense com quem é de lá e compartilha sua cultura. A programação inclui, entre muitas experiências locais, o carimbó, tacacá, banho de cheiro, plantio de mudas, troca de saberes e rodas de conversa ao redor da fogueira. As vagas são limitadas.

Mulheres amazônicas anfitriãs de vivências

A força motriz do projeto são as mulheres que habitam e guardam esses territórios. Elas são anfitriãs, instrutoras, lideranças e protagonistas econômicas. Para Júlia Leão Monteiro, viajante, mulher preta e uma das idealizadoras do projeto, explica a origem e o propósito da expedição:

“A Expedição Amazônia Paraense surge dessas vivências de viagem — dentro do Pará, fora do Pará, viagens internacionais — muito mochilando e conhecendo outras mulheres viajando. A gente foi se especializando nessa área, de forma mais profissional, mas sem perder a diversão que também faz parte. O objetivo é entender esse território e trabalhar o turismo de uma forma que respeite as identidades, as raízes, as histórias de quem está aqui. A gente também percebeu que havia muitos homens como protagonistas dentro do turismo e poucas mulheres. Então ocupar esse espaço é fundamental, é importante. E girar essa renda entre mulheres negras, entre mulheres periféricas”​.

Foto: Divulgação

Fabrícia Marques, instrutora de carimbó e lundu marajoara e anfitriã da rede em Soure, fala sobre o impacto concreto do projeto em sua vida: 

“Me dando oportunidade de trabalho, de renda e de poder mostrar para as pessoas que venham conhecer os lugares, a cultura e vivências que só o Marajó tem. Assim posso ajudar minha mãe e ter condições de comprar minhas coisas, sem ficar dependente de alguém”.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é etnoturismo? 

Noemi Barbosa, liderança do movimento quilombola da Comunidade Quilombola de Mangueiras, município de Salvaterra, no Marajó, resume o princípio fundamental da rede:

“O mais importante é que as pessoas que venham visitar o nosso território respeitem a nossa história, nossas lendas, nossos contos. A gente conta o que nossos antepassados contaram, e é através dessa oralidade que vai passando de geração em geração. Muitas vezes quem vem não acredita em lendas. Mas quem não acredita, que não critique. O respeito é o que não pode faltar: respeito à nossa cultura, à nossa vida, ao nosso modo de vida.”

Parceria e potencialização 

Foto: Divulgação

O projeto Quase Nativa – Expedição Amazônia Paraense está sendo potencializado por meio de uma parceria com o SER, por meio da Chamada Pública Aipê — Aliança pela Inclusão Produtiva. A iniciativa conta com o apoio de parceiros fundadores: BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Instituto Humanize, Instituto HEINEKEN, Instituto Votorantim e Santander. ​ ​

Os apoios institucionais são essenciais para garantir a viabilidade do projeto. Além de viabilizar a realização das expedições, os parceiros oferecem às anfitriãs e equipes formações em turismo e inglês, ampliando as possibilidades de atuação profissional das mulheres da rede. Sob solicitação das próprias comunidades, também é possível a aquisição de coletes salva-vidas, reforçando a segurança nos passeios de canoa pelos rios e igarapés da região.

Sobre o projeto 

Quase Nativa — Expedição Amazônia Paraense é um projeto de turismo de base comunitária e de experiência que atua em rede com comunidades tradicionais da Amazônia paraense. Com foco no protagonismo feminino, na valorização dos saberes tradicionais como tecnologia de futuro e no turismo regenerativo como ferramenta de preservação ambiental e cultural, a iniciativa trabalha com lideranças locais para o mapeamento de iniciativas, o desenvolvimento de roteiros e a realização de expedições que colocam as comunidades no centro.

Acordo entre União Europeia e Mercosul pode transformar economia da Amazônia, avalia embaixadora

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Bioeconomia deve ser diretamente impactada. Foto: Marcos Amend/MMA

Entrou em vigor, nesta sexta-feira (1º), o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), considerado um dos mais amplos tratados comerciais negociados pelos dois blocos. Além de ampliar o acesso a mercados, ainda que de forma gradual, o pacto deve impactar diretamente a Amazônia ao incentivar atividades econômicas sustentáveis e aumentar a pressão internacional por preservação ambiental, avalia a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.

O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a diferença entre economia verde e bioeconomia?

Em entrevista à Rede Amazônica, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que o acordo pode transformar a inserção da Amazônia no comércio internacional, hoje ainda concentrada em poucos produtos.

Segundo ela, o tratado abre caminho para a ampliação de exportações ligadas à sociobiodiversidade, com maior valor agregado, como frutas amazônicas, cacau, pescado e itens da bioeconomia, produtos que encontram demanda crescente no mercado europeu, especialmente por atenderem critérios de sustentabilidade e rastreabilidade.

“O acordo representa uma oportunidade de diversificar e sofisticar a inserção da Amazônia no comércio internacional. Isso inclui desde alimentos diferenciados, como frutas amazônicas, cacau e pescado, até produtos da bioeconomia. O mercado europeu tem forte demanda por bens sustentáveis, rastreáveis e de qualidade, o que cria oportunidades concretas para produtores locais acessarem nichos mais valorizados”, afirmou.

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A embaixadora destaca que a redução de barreiras regulatórias deve facilitar o acesso desses produtos à Europa, com impacto direto sobre micro, pequenas e médias empresas, além de cooperativas e produtores locais.

Acordo pode movimentar economia

O acordo também tende a estimular investimentos na região, especialmente em atividades que agreguem valor à produção. A expectativa é de avanço em áreas como transformação industrial, pesquisa e inovação, reduzindo a dependência da exportação de produtos primários.

Além do impacto econômico, o tratado pode gerar efeitos sociais relevantes. O fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis amplia oportunidades para comunidades tradicionais e mulheres empreendedoras, além de favorecer a inserção internacional de produtos com identidade cultural, como o artesanato.

Para a União Europeia, o acordo tem ainda um papel estratégico na preservação ambiental da Amazônia, ao criar incentivos econômicos para a conservação.

“No caso da floresta amazônica, a relevância do acordo é sobretudo estratégica: ele contribui para criar incentivos econômicos que valorizam a conservação. Ao ampliar a demanda por produtos sustentáveis da região, reforça a lógica de que manter a floresta em pé pode ser mais vantajoso do que atividades associadas ao desmatamento. A União Europeia privilegia padrões elevados de sustentabilidade, o que significa que cadeias produtivas que respeitam critérios ambientais e sociais tendem a ser recompensadas”, disse.

Acordo entre União Europeia e Mercosul pode transformar economia da Amazônia, avalia embaixadora
Embaixadora da União Europeia no Brasil Marian Schuegraf. Foto: Luara Baggi/MCTI

Esse eixo está alinhado a compromissos internacionais como o Acordo de Paris, que estabelece metas para redução de emissões e combate às mudanças climáticas. A bioeconomia aparece como um dos principais vetores de desenvolvimento nesse cenário. O tratado pode impulsionar cadeias ligadas à biodiversidade, como ingredientes naturais, cosméticos, alimentos e soluções biotecnológicas, que dependem diretamente da preservação da floresta.

Além disso, o acordo prevê cooperação entre Mercosul e União Europeia em temas como combate ao desmatamento e uso sustentável dos recursos naturais, o que pode resultar em iniciativas conjuntas de apoio às populações locais. A implementação do tratado também deve ampliar as exigências por rastreabilidade e conformidade ambiental, aumentando a pressão sobre o Brasil para fortalecer políticas de controle do desmatamento.

“A União Europeia é um mercado que privilegia padrões elevados de sustentabilidade, o que significa que cadeias produtivas que respeitam critérios ambientais e sociais tendem a ser recompensadas. Isso estimula práticas como o manejo sustentável, a rastreabilidade e a produção livre de desmatamento, alinhando produção e conservação”, conclui.

*Por Matheus Santos, da Rede Amazônica AM