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Pesquisa aponta dificuldades de cineastas indígenas no Brasil; financiamento é o maior desafio

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Foto: Divulgação/Aldeia Kwaruja

Filmes indígenas estão nas salas de cinema, mostras, festivais e nas plataformas de streaming. Ganham prêmios e reconhecimento. Mas para acessar esses espaços é preciso superar barreiras. Uma delas é a do financiamento.

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Pesquisa da Rede Katahirine com 60 cineastas de 40 povos indígenas mostra que indígenas têm dificuldade de concorrer a editais de fomento. Enquanto 81,7% das cineastas indígenas já apresentaram filmes em mostras ou festivais, o que demonstra o reconhecimento de suas obras, 71,7% delas relatam que já desistiram de concorrer a um edital.

Os principais motivos são a burocracia (70%), o não atendimento aos requisitos de participação (43%) e a linguagem técnica dos concursos (41%).

Cineastas indígenas durante filmagens.
Cinema indígena sofre com barreiras para gravação de filmagens. Foto: Vicent Carelli

Mari Corrêa, idealizadora da rede Katahirine, explica que os editais costumam exigir documentos e que os profissionais têm dificuldade para fornecer, especialmente as que moram nos territórios.

“Alguns editais exigem que o proponente tenha uma empresa, uma produtora, por exemplo. Não pode concorrer como pessoa física. Isso praticamente elimina a possibilidade de concorrerem ao financiamento”, conta Corrêa.

É o caso de Larissa Tukano. Ela é cineasta e artista visual, mas diz que não procura editais porque acha a linguagem difícil. “Pedem também uma experiência que não podemos comprovar. E a gente sente que esses concursos não nos contemplam”, diz.

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“Traz outro olhar”, defende cineasta

Larissa defende o modo de fazer cinema indígena. Ela diz que ao filmar a própria comunidade, eles têm um olhar diferente, um respeito pelo tempo das pessoas que estão sendo filmadas.

“Podemos conversas na nossa própria lingua e isso torna a conversa mais íntima. Também sabemos o que pode e o que não pode ser filmado”, explica.

Mari Corrêa também destaca que o cinema indígena segue a própria lógica de produção. “Os roteiros não são feitos da forma ocidental de entender um roteiro. A presença do coletivo é muito forte e as decisões são tomadas de modo menos hierarquizado, dentro da comunidade”, conclui a idealizadora.

*Com informações da Agência Brasil

Verão Amazônico: Rede Amazônica promove dia de serviços, projetos sociais, música, lazer e solidariedade em Manaus

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O Verão Amazônico é um evento gratuito e acontece no dia 27 de setembro com ações de saúde, esporte, bem-estar, entretenimento e cidadania na zona sul da capital. Foto: Divulgação/Studio 5 Shopping e Convenções

Com o aumento das temperaturas e os desafios provocados pelas condições climáticas na região Norte, a Rede Amazônica promove, no dia 27 de setembro, mais uma edição do Verão Amazônico, projeto que busca transformar o período de verão em uma oportunidade de cuidado, acolhimento, diversão e conexão com a população.

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O evento será realizado no estacionamento do Studio 5, na zona Sul de Manaus, com programação gratuita das 8h às 19h. Durante todo o dia, o público poderá participar de atividades voltadas à saúde, esporte, bem-estar, lazer, educação e cidadania, além de aproveitar atrações musicais e experiências preparadas especialmente para o evento.

Entre as atrações musicais estão Dj Marcelo Cretina e Márcia Novo com participação Vanessa Alfaia e os Tripinhas mirins do boi Caprichoso e Garantido, além de uma programação de atividades físicas e de bem-estar, com aulas de dança, zumba e yoga.

“Um projeto que aproxima a Rede Amazônica da população”, afirma Elaine Simão, realizadora do evento.

O Verão Amazônico teve início em 2023 e passou a integrar o calendário de ações da Rede Amazônica, também como parte das comemorações pelo aniversário da emissora, que completou 54 anos em setembro.

A iniciativa reforça o compromisso da Rede Amazônica em estar cada vez mais próxima da população amazônida, promovendo experiências que unem informação, entretenimento, responsabilidade social e prestação de serviços.

Leia também: Confira como foi a edição de 2025 do Verão Amazônico em Manaus; vídeo

verão amazônico rede amazônica 2025
Foto: Diego Oliveira/Acervo Portal Amazônia

Verão Amazônico 2026

Nesta edição, o público poderá contar com mais de 10 atividades e serviços, realizados em parceria com instituições e empresas que se unem ao projeto para oferecer uma programação diversificada e gratuita.

O evento também contará com ativações de marcas e empresas parceiras, ampliando as opções de entretenimento e experiências para o público. Confira:

  • Info Store – Carrinho de Gelato;
  • Amazon Bowling – Mesa Ping Pong e pebolim;
  • Bemol – Carrinho de picolé;
  • Ótica Avenida Fácil – Exposição de óculos, distribuição de vouchers, limpeza ultrassônica e distribuição de 200 algodão doce;
  • Maratona Kids – Muay Thai kids e funcional kids;
  • Águas de Manaus – Distribuição de copos de água e espaço para banho com mangueira;
  • Assaí – Espaço inflável com escorregador;
  • Cia Athletica – Aulas de dança, zumba e yoga;
  • Programa Mania de Ler MovCeu – Experiência interativa para o público.

Programação do palco

08h – Aula de Yoga (Camila Magrm)
09h – Power Jump (Cleu Moura)
10h – Mat Pilates (Fábio ferreira)
11h – Fit Dance (Fábio Ferreira)
12h – Intervalo
16h às 17h – Dj Marcelo Cretina
17h20 às 19h00 –
Márcia Novo com participação Vanessa Alfaia e os Tripinhas mirins do Boi Caprichoso e Boi Garantido.

Estudo detalha evolução gradual das defesas químicas em rãs venenosas

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Dendrobates tinctorius, uma das rãs-de-veneno analisadas no estudo: a espécie não apenas sequestra alcaloides dos insetos que ingere, como os modifica antes para que não sejam degradados pelo organismo. Foto: Taran Grant/IB-USP

A capacidade das rãs venenosas de acumular toxinas a partir dos pequenos invertebrados que ingerem não surgiu de forma repentina na história evolutiva, mas sim por meio de um processo de adaptação gradual e contínuo. É o que demonstra um estudo publicado em março na revista Proceedings of the Royal Society B.

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Ao administrar dietas controladas a diferentes espécies de anfíbios, os cientistas comprovaram a existência de “estágios intermediários” na natureza, ou seja, espécies que conseguem reter apenas traços de alcaloides – toxinas de origem natural presentes em insetos e aracnídeos – sem sofrer intoxicação.

O achado ajuda a desvendar de que maneira a evolução moldou uma das estratégias de sobrevivência mais fascinantes do mundo animal, revelando como esses anfíbios deixaram de apenas tolerar o veneno na digestão para transformá-lo em uma verdadeira arma de defesa.

Há tempos, a biologia tenta entender como essas pequenas rãs coloridas da família Dendrobatidae adquiriram esse “superpoder”. Na natureza, elas se alimentam de formigas e ácaros repletos de alcaloides, que seriam letais para a maioria dos animais. Para transformar a própria refeição em um escudo contra predadores, a rã precisa de um mecanismo biológico triplo: ingerir o veneno sem adoecer, transportá-lo intacto do sistema digestivo para a pele e, por fim, armazená-lo em suas glândulas.

“A grande pergunta do nosso trabalho foi como essa capacidade evoluiu. Para sequestrar os alcaloides é preciso um mecanismo de resistência para ingerir sem se intoxicar. Além disso, são necessários mecanismos de transporte, para levar as toxinas do sistema digestório para a pele. E ainda algum mecanismo para não degradar os alcaloides, mantê-los intactos na pele”, conta Adriana Jeckel, primeira autora do artigo. “Deve ter havido vários passos para a evolução de um fenótipo que não sequestra para o que sequestra e mesmo modifica os alcaloides”.

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Para mapear como essa engenharia fisiológica se formou, os pesquisadores levaram o cardápio tóxico para o laboratório. Eles forneceram doses controladas de alcaloides sintéticos para diferentes espécies de rãs – desde aquelas conhecidas por sua toxicidade letal até parentes mais distantes que não possuem essa defesa. O objetivo era rastrear qual seria o destino das toxinas no fígado, na pele e nas fezes dos animais após semanas de testes.

A investigação foi conduzida durante o doutorado de Jeckel no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) com bolsa da FAPESP. O trabalho integra dois outros projetos (12/10000-5 e 18/15425-0) apoiados pela Fundação e coordenados por Taran Grant, professor do IB-USP que também assina o trabalho. Também participaram cientistas do Instituto Butantan e de universidades dos Estados Unidos e do Japão.

As rãs-de-veneno, como a Adelphobates galactonotus, possuem cores vivas que sinalizam para seus predadores sua toxicidade. No entanto, outras espécies menos chamativas também podem conter quantidades menores de alcaloides armazenados. Foto: Taran Grant/IB-USP
As rãs-de-veneno, como a Adelphobates galactonotus, possuem cores vivas que sinalizam para seus predadores sua toxicidade. No entanto, outras espécies menos chamativas também podem conter quantidades menores de alcaloides armazenados. Foto: Taran Grant/IB-USP

Engenheiras químicas da natureza

Os resultados revelaram que a evolução dessas defesas ocorreu em pelo menos quatro grandes etapas. O primeiro estágio é o de animais como a rã Dryophytes cinereus, que não acumula toxinas. O organismo dessa espécie atua como um excelente filtro: ele metaboliza e elimina o veneno de forma tão eficiente que quase nenhum traço da substância chega a ser retido na pele.

Em seguida, surge o estágio intermediário, ilustrado pela rã Allobates femoralis. Essa espécie consegue ingerir os alcaloides em segurança e chega a armazenar uma quantidade mínima na pele, embora ainda degrade ativamente a maior parte do composto ingerido. A ausência de toxinas intactas nas fezes ou nos órgãos internos comprova que o organismo dessas rãs consegue neutralizar a ameaça.

“A ausência de alcaloides nos tecidos de Allobates e nas fezes de todas as espécies mostra que, de alguma forma, elas estão metabolizando essas toxinas. Mesmo quando não acumulam, possuem mecanismos muito eficientes do ponto de vista evolutivo para não se intoxicar”, diz Jeckel.

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O grande salto biológico acontece com as verdadeiras rãs-de-veneno, como as espécies Adelphobates galactonotus e Dendrobates tinctorius. Elas representam o terceiro estágio evolutivo (o fenótipo sequestrador). Em vez de apenas se protegerem do veneno, elas o capturam, acumulando na pele de 10 a 100 vezes mais alcaloides do que as espécies dos grupos anteriores.

Mas o requinte da natureza vai ainda mais longe. O estudo comprovou que algumas espécies, como Dendrobates auratus e Ranitomeya ventrimaculata, não apenas sequestram as toxinas, mas atuam como verdadeiras engenheiras químicas. Classificadas no quarto estágio evolutivo (fenótipo sequestrador e modificador), elas alteram a estrutura molecular dos alcaloides ingeridos – por meio de reações como hidroxilação e metilação. Essa “reciclagem” bioquímica pode tornar as substâncias ainda mais ativas ou facilitar seu armazenamento seguro nas glândulas da pele.

“Essas modificações podem ser necessárias para que acumulem os alcaloides. Do contrário, as substâncias originais ingeridas poderiam ser tóxicas ou se degradar no organismo”, diz Grant.

Essas descobertas trazem uma nova perspectiva para a biologia evolutiva. Elas indicam que o sequestro de veneno não foi fruto de um “salto evolutivo” acidental. Aos poucos, a evolução reescreveu a fisiologia metabólica das rãs, transformando um mecanismo básico de desintoxicação em uma das estratégias de sobrevivência mais sofisticadas das florestas tropicais.

O artigo Experimental evidence supports gradual evolution of alkaloid sequestration in poison frogs pode ser lido em: royalsocietypublishing.org/rspb/article/293/2067/20253144/480951/.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por André Julião  

Tribunal Regional Federal da 1ª Região mantém decisão que protege área da Terra Indígena Kayapó, no Pará

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Terra Indígena Kayapó. Foto: Reprodução/Polícia Federal

Seguindo entendimento do Ministério Público Federal (MPF), o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve a delimitação da Terra Indígena Kayapó, no Pará. Por unanimidade, a 12ª Turma do Tribunal confirmou a extinção de ação proposta por particulares que reivindicavam a posse de aproximadamente 992 hectares no interior da terra indígena.

Os autores alegavam ser proprietários de dois imóveis rurais em Ourilândia do Norte (PA) e sustentavam que a cartografia elaborada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) teria ampliado a Terra Indígena Kayapó em cerca de 991,85 hectares, em comparação com os limites fixados pelo Decreto nº 316/1991. Segundo eles, essa diferença avançaria sobre suas terras. Na ação, pediram a correção da delimitação territorial e a confirmação jurídica da posse da área.

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No entanto, segundo o MPF, a Terra Indígena Kayapó corresponde à área de ocupação tradicional e permanente do povo Kayapó, cujos grupos de origem habitam a região desde tempos imemoriais. Os limites do território foram declarados pelo Decreto nº 91.244/1985 e homologados pelo Decreto nº 316/1991, com registro em cartório e na Secretaria de Patrimônio da União (SPU).

Decisão do TRF1 que mantém proteção de área da Terra Indígena Kayapó no Pará segue entedimento do MPF. Foto: Divulgação/TRF1

Defesa do território Kayapó

Na primeira instância, a Justiça determinou que os autores apresentassem os títulos de propriedade dos imóveis, documentos necessários ao processamento da ação, que dependia da análise do domínio alegado e da definição dos limites entre as propriedades e a terra indígena.

Eles não apresentaram os documentos e pediram, em vez disso, que a ação fosse recebida como possessória. O pedido foi negado porque não havia compatibilidade entre a natureza da ação e a alteração pretendida.

Indígenas da etnia Kayapó no Pará
Indígenas da etnia Kayapó no Pará. Foto: Mário Vilela/Funai

Dessa forma, a ação foi negada e o processo extinto sem resolução do mérito. Os particulares apresentaram recurso contra essa decisão, insistindo que a ação tinha natureza possessória, o que dispensaria a apresentação dos títulos de propriedade. Porém, em parecer, o MPF argumentou que a demanda tinha natureza demarcatória, pois dependia do reconhecimento do domínio e da definição dos limites entre os imóveis e a terra indígena.

Na manifestação enviada ao TRF1, o MPF opinou pelo não provimento do recurso. O órgão argumentou que os autores não atenderam à determinação de apresentar os títulos de propriedade, o que justificaria o indeferimento da ação. O TRF1 concordou com os argumentos apresentados pelo MPF e manteve a sentença de primeira instância.

Leia também: Amazônia de A à Z – Kayapó (etnia indígena)

No parecer, o MPF também apontou a ocorrência de prescrição do pedido dos autores. A ação foi ajuizada mais de 30 anos após o decreto que declarou os limites da Terra Indígena Kayapó e quase três décadas depois da homologação da área. Para o órgão, o longo período transcorrido impedia a reabertura da discussão sobre a delimitação territorial.

Além disso, o MPF apontou que os imóveis reivindicados pelos particulares estão integralmente sobrepostos à Terra Indígena Kayapó. Assim, eventuais títulos de propriedade sobre a área são nulos, conforme o artigo 231, parágrafo 6º, da Constituição Federal.

Por fim, esclareceu que a diferença apontada entre a área prevista no Decreto nº 316/1991 e a cartografia da Funai decorre exclusivamente da evolução das técnicas de medição cartográfica, sem qualquer alteração dos limites originais da terra indígena. Esse entendimento também foi defendido pela União e pela Funai em suas contrarrazões ao recurso.

*Com informações do MPF

Mudanças climáticas, minerais críticos e crime organizado: conferência internacional debate desafios de segurança e soberania do Brasil

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Foto: Ricardo Stucker/PR

As mudanças climáticas já não podem ser tratadas apenas como uma questão ambiental. Eventos extremos, insegurança energética e hídrica, pressão sobre recursos naturais, transição para uma economia de baixo carbono e avanço de atividades ilícitas sobre territórios estão criando novos desafios para a segurança dos países e colocando a Amazônia no centro de disputas econômicas e geopolíticas.

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É nesse contexto que Brasília recebe, nos dias 4 e 5 de novembro de 2026, a 2ª Conferência Internacional sobre Soberania e Clima, com o tema “Segurança, Clima e Meio Ambiente: uma convergência estratégica”. O evento será realizado em formato híbrido, no auditório da Escola Superior de Defesa (ESD), em Brasília, com participação gratuita, mediante inscrição prévia pelo site do evento e transmissão on-line.

Promovida pelo Centro Soberania e Clima, a conferência reunirá autoridades civis e militares, pesquisadores, especialistas e representantes de instituições públicas e da sociedade civil para discutir como o Brasil pode responder, de forma integrada, a agendas que cada vez menos se enquadram em uma única área de atuação. A proposta do encontro parte de uma constatação: os riscos contemporâneos estão se tornando mais interdependentes.

Leia também: Mudanças climáticas e saúde: doenças que aumentam com temperaturas extremas e ameaçam milhões de pessoas

Mudanças climáticas, minerais críticos e crime organizado: conferência internacional debaterá desafios para a segurança e a soberania do Brasil
Foto: Silas Laurentino

A transição energética é um exemplo dessa convergência. O Brasil possui reservas de quase todos os 24 minerais considerados críticos e estratégicos em sua lista oficial, muitos deles utilizados em tecnologias associadas à economia de baixo carbono. Com o aumento da demanda global, cresce também a pressão pela exploração desses recursos, ampliando a importância geopolítica dos territórios onde estão localizados.

Para além do potencial econômico, a exploração mineral envolve questões relacionadas à proteção ambiental, aos direitos humanos e aos impactos sobre as comunidades e regiões produtoras.

Desmatamento, contaminação de rios, perda de biodiversidade e conflitos territoriais estão entre os riscos associados à expansão da atividade. Na Amazônia, essa pressão se soma a questões estruturais relacionadas à presença do Estado, aos ilícitos transnacionais e à garantia da soberania sobre áreas extensas e de difícil acesso.

Ao mesmo tempo, a mudança do clima amplia riscos para infraestrutura, populações e atividades econômicas, exigindo novas ações de adaptação, prevenção e resiliência. Para o Centro Soberania e Clima, compreender essas conexões é fundamental para que o Brasil possa formular políticas públicas capazes de responder a esse cenário de forma integrada.

“A 1ª Conferência mostrou que é possível reunir, em diálogo franco, plural e democrático, civis e militares, academia e sociedade civil para tratar de temas de soberania e clima que raramente são debatidos em conjunto, e a convergência que identificamos ali mudou o patamar de incidência do Centro. Esta segunda edição parte dessa base para aprofundar um debate crítico e plural, capaz de se transformar em recomendações concretas para as políticas públicas do país”, destaca Mariana Nascimento Plum, diretora executiva do Centro Soberania e Clima.

Quatro eixos de debates sobre os desafios estratégicos do Brasil

Ao longo dos dois dias, a programação será organizada em quatro painéis que abordam diferentes dimensões da relação entre segurança, clima e meio ambiente.

O primeiro painel discutirá defesa e mudança do clima, com foco em riscos, adaptação e resiliência. O segundo tratará da transição energética, dos minerais críticos e da segurança internacional, tema que ganhou centralidade diante da crescente disputa global por tais recursos.

Foto: Reprodução/Soberania e Clima

A relação entre soberania, meio ambiente e as transformações geopolíticas no entorno estratégico brasileiro será o foco do terceiro painel. Já o quarto discutirá o avanço do crime organizado transnacional e da degradação ambiental na Amazônia, aproximando duas agendas que tradicionalmente são tratadas de maneira separada.

A programação inclui ainda a conversa “Conexões para Convergir”, reunindo convidados da academia e de instituições públicas, civis e militares. O objetivo é ampliar o diálogo entre diferentes áreas de conhecimento e setores envolvidos na formulação e implementação de políticas públicas.

Diálogo internacional

Um dos destaques da abertura será a conferência magna, realizada em formato virtual, com Sherri Goodman, presidente da Diretoria do Council on Strategic Risks e primeira secretária adjunta de Defesa para a Segurança Ambiental dos Estados Unidos, entre 1993 e 2011.

Com o tema “O Clima como Multiplicador de Ameaças: Segurança, Energia e o Futuro da Defesa”, a participação de Goodman amplia o debate para uma perspectiva internacional sobre os impactos da mudança do clima nas agendas de segurança, energia e defesa.

Entre os demais nomes já confirmados estão Izabella Teixeira, conselheira emérita do CEBRI e ex-ministra do Meio Ambiente; Erin Sikorsky, diretora do Center for Climate and Security; Vanessa Grazziotin, diretora executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA); Marcelo Furtado, head de Sustentabilidade da Itaúsa; e David Marques, gerente de Programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, além de representantes de instituições públicas, civis e militares.

Uma agenda que busca aproximar áreas tradicionalmente separadas

A conferência dá continuidade à agenda de pesquisa e articulação desenvolvida pelo Centro Soberania e Clima nos últimos quatro anos, voltada à convergência entre soberania, segurança, defesa, meio ambiente, mudança climática e desenvolvimento sustentável.

Entre as iniciativas do Centro estão projetos dedicados à cooperação regional na Amazônia, integrando defesa, segurança, desenvolvimento e sustentabilidade, e à compreensão da Amazônia como infraestrutura crítica para a segurança climática, a soberania, o desenvolvimento sustentável e a resiliência nacional.

Foto: Divulgação

A conferência, que está na sua segunda edição, busca avançar nessa agenda, identificando conexões para a construção de recomendações capazes de contribuir para políticas públicas integradas. Mais do que aproximar especialistas de diferentes áreas, a intenção é criar um espaço de diálogo capaz de transformar conhecimento e debate em recomendações para os desafios estratégicos que o Brasil enfrentará nas próximas décadas.

Sobre o Centro Soberania e Clima

O Centro Soberania e Clima é um think tank independente que atua há quatro anos na convergência entre soberania, segurança, defesa, meio ambiente, mudança climática e desenvolvimento sustentável, com foco na produção de conhecimento baseado em evidências e na criação de espaços de diálogo qualificado.

*Com informações da assessoria

El Niño ganha intensidade e reforça necessidade de preparação das redes de ensino para eventos extremos

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Foto: UNICEF/UNI705224/Piojo

O novo episódio do El Niño, que deve persistir até pelo menos o início de 2027, pode ganhar intensidade nos próximos meses, com impactos diferentes entre as regiões brasileiras. A terceira edição do Painel El Niño, referente a agosto, aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro, apresenta informações atualizadas sobre monitoramento, previsões e possíveis impactos associados ao fenômeno no Brasil e busca subsidiar ações de prevenção, preparação e gestão de riscos. 

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A recomendação de prevenção é detalhada em uma nota técnica elaborada por pesquisadores do Cemaden — unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) — e do Instituto Alana, que orienta as redes de ensino a incorporarem a preparação para riscos climáticos ao planejamento das escolas. 

A Nota Técnica nº 987/2026, intitulada El Niño 2026-2027: Orientações para a Preparação das Redes de Ensino Brasileiras, ganha importância diante da dimensão da rede educacional brasileira. O documento estima que existam cerca de 150 mil escolas públicas no País e aponta que mais de 40 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a riscos como inundações, escassez hídrica e calor extremo. Além disso, destaca que mais de 370 mil crianças estudam em escolas localizadas em áreas de risco nas capitais. 

Prevenção deve fazer parte da gestão escolar 

Elaborada para gestores públicos da Educação e profissionais responsáveis pelo planejamento e implementação de políticas educacionais, a nota técnica propõe que a gestão de riscos e a adaptação às mudanças climáticas não sejam tratadas apenas como medidas emergenciais. Para os pesquisadores, a preparação precisa fazer parte de forma permanente do planejamento educacional, em articulação com as características de cada território. 

Isso porque, segundo os pesquisadores, o El Niño não determina, por si só, a ocorrência de um desastre. O fenômeno altera a probabilidade de determinados eventos extremos, enquanto a dimensão dos impactos depende também das condições sociais, ambientais e territoriais, incluindo exposição, vulnerabilidades e capacidades locais. 

Para o período de 2026/2027, a nota técnica considera entre os principais riscos as temperaturas elevadas, alterações no regime de chuvas, ondas de calor, secas e incêndios florestais, além de eventos associados ao excesso de chuva no Sul. 

Leia também: De La Niña a um possível El Niño muito forte: veja a evolução das projeções em 2026

Recomendações 

Entre as medidas sugeridas estão a aproximação das Secretarias de Educação com órgãos da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Saúde, Assistência Social, Planejamento Urbano e Meio Ambiente; a criação de estruturas de governança para emergências; a definição prévia dos fluxos de comunicação com as escolas; e o acompanhamento dos alertas emitidos pelos órgãos oficiais. 

O documento também recomenda que as redes façam um diagnóstico das unidades escolares para identificar áreas de risco e estudantes em situação de maior vulnerabilidade socioambiental. Esse levantamento deve considerar localização, condições físicas das edificações, mobilidade e acessibilidade, infraestrutura urbana, exposição a riscos e características da comunidade escolar. A partir desse diagnóstico, os recursos destinados à adaptação podem ser direcionados prioritariamente às escolas e comunidades mais expostas. 

Prefeitura inicia campanha para manter praias limpas durante estiagem em Boa Vista. El niño 2026
Foto: Andrezza Mariot/PMBV

A preparação com relação aos efeitos do El Niño envolve ainda medidas diretamente relacionadas ao cotidiano das escolas. A nota técnica recomenda formações periódicas das equipes, definição de protocolos para diferentes ameaças, reorganização de espaços, horários e fluxos em períodos críticos e realização de simulados pelo menos uma vez por ano. As redes também são orientadas a estabelecer previamente estratégias para garantir a continuidade das atividades educacionais em caso de suspensão das aulas presenciais. 

Para os pesquisadores, a adaptação também passa pela infraestrutura. Medidas como melhoria da ventilação, manutenção das instalações, aumento da cobertura vegetal e criação de áreas verdes podem contribuir para o conforto térmico e para o manejo da água nas escolas, considerando acessibilidade, características bioclimáticas, condições sociais e especificidades culturais de cada território. 

A Educação para Redução de Riscos de Desastres é apresentada como parte desse processo. A abordagem busca desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes para que a comunidade escolar participe da prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação diante de situações de risco.  

Painel El Niño 

O novo boletim atualiza um cenário que já vinha sendo acompanhado desde junho. Na edição de julho, o Painel apontava alta probabilidade de que o fenômeno alcançasse intensidade muito forte e 100% de probabilidade de permanência até pelo menos o início de 2027, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). Nesse cenário, as anomalias de temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico equatorial poderão superar 2,0 °C entre a primavera e o verão de 2026. 

A edição de agosto mantém essa perspectiva e aponta probabilidade superior a 90% de ocorrência de um evento muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro. Além disso, o boletim registra que as anomalias de temperatura do Pacífico equatorial chegaram a 1,8°C na região do Niño 3.4 nas últimas semanas. 

A previsão climática para setembro-outubro-novembro de 2026 indica chuvas acima da média na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, e em parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul. No centro-norte do País, a tendência é de chuvas abaixo da média, com destaque para áreas das regiões Norte e Nordeste e para Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo. 

As temperaturas devem ficar acima da média em praticamente todo o Brasil, embora massas de ar frio possam provocar quedas bruscas, especialmente em setembro. 

A combinação de calor e chuvas abaixo da média nas regiões central e norte pode ampliar o déficit hídrico e o risco de incêndios florestais, sobretudo se houver atraso no início da estação chuvosa. Na Amazônia Legal e no Pantanal, o trimestre marca normalmente a transição do período seco para o chuvoso. Um El Niño mais intenso e prolongado pode atrasar essa transição, prolongando a estiagem e deixando solo e vegetação mais suscetíveis ao fogo. 

Diante desse cenário, as instituições participantes reforçam a importância do acompanhamento das condições meteorológicas, hidrológicas e geológicas e das previsões, avisos e alertas dos órgãos oficiais. 

O documento é elaborado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) — unidade de pesquisa vinculada ao MCTI —, em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Cemaden, o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). 

*Com informações do MCTI

Garimpo na Amazônia avança 562% e deixa Terras Indígenas mais expostas aos impactos do El Niño, revela IPAM

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Garimpo ilegal em terras indígenas na Amazônia cresceu mais de 500%. Foto: Nacho Doce/Agência Brasil

Uma nota técnica divulgada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) revelou que áreas ocupadas pelo garimpo em Terras Indígenas (TIs) na Amazônia cresceu 562% entre 2016 e 2024 e que esse avanço tem tornado esses territórios mais vulneráveis pela mineração ilegal. Enquanto isso, as populações que vivem nesses locais estão cada vez mais expostas a eventos climáticos extremos, especialmente durante o fenômeno El Niño, quando grandes secas e ondas de calor se intensificam.

De acordo com o documento “Entre conquistas e riscos compostos: por que o futuro ancestral da Amazônia está ameaçado”, divulgado no dia 15 de setembro, o avanço do garimpo somado ao crítico cenário climático, segundo os pesquisadores, agravam os riscos aos territórios, à saúde e aos modos de vida indígenas.

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Segundo a nota, entre 1985 e 2024, por exemplo, a área garimpada aumentou 20 vezes na Amazônia Legal e 24 vezes dentro das terras indígenas. Ou seja, durante o período analisado, a área de garimpo nesses territórios passou de cerca de 1,5 mil para mais de 36 mil hectares.

O impacto, porém, ultrapassa os limites das áreas diretamente exploradas. Embora 19 terras indígenas tenham garimpo em seu interior, 147 TIs, o equivalente a 37% do total na Amazônia, estão inseridas em bacias hidrográficas impactadas pela atividade. Além disso, cerca de 40% dos garimpos localizados fora desses territórios estão a menos de 50 quilômetros de seus limites.

Garimpo ilegal em território indígena
Foto: Divulgação/Polícia Federal

Como grande parte da mineração ocorre ao longo dos cursos d’água, a contaminação por mercúrio pode alcançar comunidades mesmo onde não há garimpo dentro do território, afetando rios utilizados para abastecimento, pesca, alimentação e práticas culturais. Os contaminantes podem permanecer nos ecossistemas por anos, prolongando os impactos sobre diferentes gerações.

“O garimpo não precisa estar dentro de uma terra indígena para ameaçar quem vive nela. A contaminação se desloca pelas bacias hidrográficas e se soma a extremos de secas, incêndios e enchentes que já comprometem água, alimentação, saúde e modos de vida. É essa combinação de ameaças que transforma impactos isolados em riscos compostos”, afirma Patrícia Pinho, diretora adjunta de Ciência do IPAM e uma das autoras da nota técnica.

Leia também: A mineração ilegal em terras indígenas da Amazônia

Garimpo e desastres climáticos se sobrepõem

As TIs Kayapó, Munduruku e Yanomami concentram cerca de 89% de toda a área garimpada dentro de terras indígenas, sendo 52%, 23% e 13%, respectivamente. Em paralelo, os municípios associados a esses três territórios registraram, juntos, 188 desastres climáticos entre 2000 e 2024. Foram 71 relacionados à TI Kayapó, 43 à Munduruku e 74 à Yanomami. Considerando as 19 TIs com garimpo, os municípios onde elas estão localizadas registraram entre 15 e 132 eventos no período analisado.

A sobreposição caracteriza o que os pesquisadores chamam de riscos compostos, quando diferentes ameaças interagem e ampliam seus efeitos. Enquanto secas extremas reduzem a navegabilidade dos rios e dificultam o acesso à água, alimentos e serviços de saúde, o garimpo amplia a contaminação por mercúrio e a degradação dos ecossistemas aquáticos. Juntos, esses processos reduzem a capacidade de recuperação das comunidades e aumentam a possibilidade de perdas irreversíveis.

“Quando garimpo e extremos climáticos atingem os mesmos territórios, seus impactos se potencializam. Uma seca já compromete a mobilidade, o acesso à água e a produção de alimentos. Se esse mesmo sistema hídrico também está pressionado pelo garimpo, a combinação destes fatores influencia a capacidade de resposta das comunidades. Por isso, essas ameaças precisam ser enfrentadas de forma integrada”, disse Ray Pinheiro, pesquisador do IPAM e também um dos autores da publicação.

Saiba mais: Garimpo abriu área equivalente a quatro campos de futebol por dia em 2023 nos territórios Yanomami, Kayapó e Munduruku

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Operação da Polícia Federal contra o garimpo ilegal em Terras Indígenas no Pará. Foto: Reprodução/Polícia Federal

Proteção territorial e adaptação climática

Os pesquisadores alertam que a demarcação das terras indígenas é indispensável, mas não suficiente para enfrentar os riscos compostos. A proteção territorial precisa ser acompanhada por medidas permanentes de adaptação às mudanças climáticas e combate às atividades ilegais.

A nota técnica apresenta seis recomendações prioritárias. Os pesquisadores defendem consolidar e acelerar a proteção territorial e fortalecer a fiscalização e a rastreabilidade do ouro, inclusive na agenda internacional. Também recomendam implementar Planos de Adaptação Indígenas e financiar sistemas de monitoramento comunitário de água, mercúrio, fogo e saúde. As outras medidas são reconhecer perdas e danos materiais e não materiais nas políticas públicas e priorizar municípios altamente vulneráveis que interseccionam terras indígenas.

A publicação destaca ainda que os impactos atingem dimensões que não podem ser medidas apenas economicamente, como conhecimentos e ciências tradicionais, práticas culturais, relações espirituais com o território e a permanência das novas gerações nas aldeias. Proteger os povos indígenas e seus territórios, segundo a nota, significa também proteger sistemas de conhecimento, formas de governança e práticas de manejo fundamentais para a resiliência climática da Amazônia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Mayara Subtil

Prefeitura executa obras de recapeamento em 45 trechos no bairro Mecejana

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A Prefeitura de Boa Vista também mantém serviços de recapeamento em trechos dos bairros Alvorada, Mecejana, Nova Canaã e Pintolândia. Foto: Francisco Sena/PMBV

A Prefeitura de Boa Vista está avançando com as obras de recuperação da malha viária no bairro Mecejana, onde 45 trechos de vias estão sendo contemplados com recapeamento asfáltico. Os serviços estão sendo executados pela Secretaria Municipal de Obras (SMO) e busca melhorar as condições de trafegabilidade e a infraestrutura das ruas que possuíam paralelepípedos.

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Ao todo, a obra contempla mais de 8 km de pavimentação, além da implantação de 2,4 km de meio-fio e sarjeta. Os investimentos são provenientes de recursos próprios do município e do Ministério da Defesa, por meio do Programa Calha Norte.

Os serviços de recapeamento já foram iniciados nas ruas Bráz de Aguiar, Capitão Felipe Sturm, Alferes José Agostinho e Cristóvão Coelho. Os serviços integram o cronograma permanente de recuperação e melhoria da malha viária de Boa Vista.

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Prefeitura de boa vista executa obras de recapeamento em 45 trechos no bairro Mecejana
No bairro Mecejana, a obra contempla mais de 8 km de pavimentação, além da implantação de 2,4 km de meio-fio e sarjeta. Foto: Francisco Sena/PMBV

Prefeitura mantém frentes de recapeamento em outros bairros

Além do Mecejana, a Prefeitura de Boa Vista também mantém serviços de recapeamento em trechos dos bairros Alvorada, Nova Canaã e Pintolândia. No Alvorada, os serviços contemplam a Rua Milton Maduro e a Avenida dos Corretores de Imóveis.

Já no Nova Canaã, as equipes atuam nas ruas Antônio Hilário da Silva, Sete de Setembro e Papa João Paulo II, além da Travessa Canaã e da Travessa Francisco Sales Vieira. No bairro Pintolândia, os trabalhos são executados nas ruas Vereador Waldemir Gomes, Genésio Alcimiro Lopes, Margarida Caland de Paiva e Sião.

“Para a minha surpresa, após o feriado, vejo o asfalto passando na frente da minha casa. Esse serviço da Prefeitura é de primeira, pois o novo asfalto é essencial e nos traz mais segurança quando saio com as crianças”, afirmou Sulamita de Almeida.

“Esse serviço da Prefeitura é de primeira, pois o novo asfalto é essencial e nos traz mais segurança”, disse Sulamita. Foto: Francisco Sena/PMBV

Investimentos ampliam infraestrutura da capital

A Prefeitura de Boa Vista vem ampliando cada vez mais os investimentos em infraestrutura urbana, com obras de pavimentação, recapeamento e urbanização em diferentes regiões da capital.

Desde 2021, já são 78,7 km de pavimentação implantados em 271 trechos e 121 km de recapeamento executados em 275 trechos. Na área de urbanização, já foram implantados 168 km de calçadas em 324 trechos, além de 239,44 km de sarjetas e meio-fio em 414 trechos.

Campanha ‘Sociobio nas Urnas’ leva propostas de povos indígenas para candidatos nas eleições 2026

Indígena do povo Asurini colhe alimentos em sua roça, na aldeia Ita´Aka, Terra do Meio (PA). Foto: Fellipe Abreu/ISA

Cerca de 40 organizações da sociobioeconomia estão mobilizadas na campanha “Sociobio nas Urnas”, reunindo demandas dos povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Com o lema “Deixa a sociobio crescer!”, a campanha é coordenada pelo Observatório das Economias da Sociobiodiversidade (ÓSocioBio) e apresenta às candidaturas da Eleição 2026 uma carta com 46 propostas de políticas públicas organizadas em oito eixos temáticos.

O documento visa apresentar aos candidatos e candidatas a oportunidade de assumirem um compromisso público de criar ou adequar políticas públicas para que a economia da sociobiodiversidade tenha acesso às mesmas condições de crédito, infraestrutura, políticas de fomento, regras sanitárias que os modelos produtivos convencionais já têm garantidos há décadas.

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“A sociobioeconomia gera renda, trabalho e conserva os territórios, mas ainda enfrenta barreiras que limitam seu potencial. O que estamos propondo é que ela deixe de ser tratada como exceção e passe a ocupar o lugar que merece nas políticas de desenvolvimento do Brasil. Queremos que os candidatos reconheçam essa economia como estratégica e assumam compromissos concretos para fazê-la crescer”, diz a secretária-executiva do ÓSocioBio, Laura Souza.

Políticas públicas devem estar adequadas aos territórios tradicionais de forma a fortalecer a sociobioeconomia. Foto: Fellipe Abreu/ISA
Políticas públicas devem estar adequadas a quem vive nos territórios tradicionais. Foto: Fellipe Abreu/ISA

Secretário-geral do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Dione Torquato reforça que a garantia do território é essencial para o avanço do tema. “Nessas eleições, o que está em jogo é garantir que os povos e comunidades tradicionais e os agricultores e agricultoras familiares continuem vivendo e produzindo em seus territórios”, diz.

Um exemplo da disparidade vem do crédito rural. Entre 2013 e 2025, 91,6% do crédito rural foi destinado a médios e grandes produtores, e só 8,4% para a agricultura familiar. No Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que é destinado justamente para os pequenos, R$151,7 bilhões foram para produção de commodities versus R$3,26 bilhões para sociobio entre 2020 e 2024 — uma diferença de 46,5 vezes.

“Há uma assimetria histórica nas políticas públicas, nos incentivos e nos recursos destinados aos diferentes modelos de uso da terra, e precisamos corrigi-la”, afirma Fabíola Zerbini, Diretora Executiva da Conexsus.

As Economias da Sociobiodiversidade são promovidas por povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, estando baseadas na diversidade, no conhecimento tradicional e na inovação, nos sistemas socioprodutivos locais e nos produtos e serviços gerados a partir de recursos da biodiversidade — conectados aos modos de vida, às práticas e saberes desses povos, e à melhoria da qualidade de vida e bem viver das comunidades em seus territórios e maretórios.

Hoje, os territórios de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais cobrem cerca de ¼ do Brasil e mais da metade da Amazônia; é sobre essa base, e sobre os biomas que ela mantém, que o setor se sustenta. Segundo estimativas, essa economia movimenta hoje R$17,4 bilhões e 525 mil postos de trabalho.

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Alimentos produzidos pelas comunidades ribeirinhas da Rede de Cantinas da Terra do Meio. Foto: Carol Quintanilha/ISA
Alimentos produzidos pelas comunidades ribeirinhas da Rede de Cantinas da Terra do Meio. Foto: Carol Quintanilha/ISA

Mas os benefícios não ficam restritos a quem vive dela. Ela contribui para enfrentar o desmatamento, a mudança do clima e a desigualdade social, gerando emprego e renda, conservando e restaurando territórios e distribuindo riqueza.

Como destaca o documento, a sociobio funciona, essencialmente, como a infraestrutura natural da economia brasileira: sustenta o regime de chuvas, a regulação climática, a fertilidade do solo e a polinização dos quais dependem setores inteiros, do agronegócio à energia hidrelétrica. Mais de 95% da área agrícola e 99% das pastagens do Brasil dependem da chuva regulada pela floresta, conforme dados da WRI.

As organizações vão levar o documento às candidaturas ao longo da campanha eleitoral, coletando compromissos públicos que servirão de base para cobrança de mandato após a eleição. O lançamento aconteceu, em agosto, de forma online pelo site, onde é possível ler a carta na íntegra, além das redes sociais das organizações que compõem o ÓSócioBio.

Candidatos podem assinar o compromisso público com a carta pelo link e pessoas físicas podem apoiar assinando o abaixo-assinado aqui.

Sobre ‘Sociobio nas Urnas 2026’

É uma campanha suprapartidária do ÓSócioBio, rede composta por mais 40 organizações das economias da sociobiodiversidade. Com o lema “Deixa a sociobio crescer!”, a campanha pede compromisso das candidatas e candidatos deste ciclo eleitoral com destravar e adequar as políticas públicas para que os agentes possam aprimorar cada vez mais seu modelo de desenvolvimento que distribui renda entre muitos enquanto conserva as riquezas naturais do nosso país.

*Conteúdo foi publicado originalmente pelo Instituto Socio Ambiental – ISA.

Oficina sobre sistemas agroflorestais fortalece agricultura familiar e conservação ambiental em Oriximiná

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Foto: Divulgação/Imaflora

A Comunidade Bacabal, localizada no território da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos da Área Trombetas (ACORQAT), em Oriximiná (PA), recebeu a oficina “Sistemas Agroflorestais: produção sustentável e recuperação ambiental”. Promovida pelo Programa Florestas de Valor, a atividade reuniu participantes de seis comunidades quilombolas, entre 11 mulheres, 12 homens e cinco jovens, em uma agenda dedicada à troca de conhecimentos e ao fortalecimento da agricultura familiar.

Realizada nos dias 25 e 26 de agosto, a oficina foi conduzida pela engenheira florestal Maria Soliane Sousa Costa e teve como foco ampliar a autonomia produtiva das comunidades a partir da integração entre saberes tradicionais e princípios da agroecologia.

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Ao longo dos dois dias, os participantes conheceram conceitos e estratégias para planejamento e implantação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), seleção de espécies e consórcios produtivos, além de práticas de manejo sustentável do solo e da água e dos benefícios econômicos e ambientais desses sistemas.

Sistemas agroflorestais: da teoria à prática

A formação também saiu da sala de aula e foi para o campo. Os participantes visitaram um Sistema Agroflorestal já implantado na própria comunidade e receberam orientações práticas sobre manejo, adubação e cuidados com as espécies cultivadas. Na atividade, os próprios agricultores puderam colocar o conhecimento em prática. Um experimento demonstrativo também mostrou, de forma concreta, a importância da cobertura do solo para conservar a umidade, reduzir a erosão e melhorar sua fertilidade.

Mais do que ensinar técnicas de cultivo, iniciativas como essa contribuem para criar alternativas de produção capazes de conciliar geração de renda, segurança alimentar e conservação ambiental. Ao fortalecer a capacidade das comunidades de manejar seus territórios de forma sustentável, os Sistemas Agroflorestais podem contribuir para recuperar áreas, diversificar a produção e valorizar o conhecimento local, criando condições para que o desenvolvimento econômico aconteça sem abrir mão da floresta.

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Oficina promoveu uma troca de conhecimento sobre os sistemas agroflorestais
Oficina promoveu uma troca de conhecimento sobre os sistemas agroflorestais. Foto: Divulgação/Imaflora

Esse equilíbrio é especialmente importante na Amazônia, onde a conservação dos territórios está diretamente relacionada às condições de vida das populações que neles vivem. Fortalecer agricultores familiares e comunidades quilombolas significa também fortalecer seus conhecimentos, sua autonomia e sua capacidade de produzir mantendo a floresta em pé.

A participação de cinco jovens na oficina reforça, ainda, outro aspecto estratégico: a continuidade desses conhecimentos entre as novas gerações. Ao aproximar juventude, agricultura familiar, conhecimento tradicional e práticas agroecológicas, atividades de formação como essa ajudam a construir perspectivas de futuro para os territórios e para quem vive neles.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imaflora.