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Projeto une forças para proteger a natureza em Madre de Dios, na Amazônia peruana

Acordo foca na preservação e saúde de comunidade indígena em Madre de Dios. Foto: Divulgação/IIAP

O Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP), entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente no Peru, e a comunidade indígena Bélgica assinaram um acordo-quadro de cooperação para a execução de projetos conjuntos de pesquisa científica, inovação e transferência de tecnologia em Madre de Dios.

A cerimônia de ativação do acordo ocorreu no auditório do IIAP, sede em Madre de Dios, com a presença do engenheiro Ronald Corvera Gomringer, diretor regional da instituição, e do Sr. Ilzon López Añez, presidente da comunidade Bélgica.

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Para Corvera, este acordo representa um marco na colaboração com as comunidades indígenas.

“O nosso objetivo é abordar os aspetos técnicos e desenvolver novas tecnologias em conjunto com as comunidades, para que tudo isto se traduza em desenvolvimento social, econômico e produtivo real em Madre de Dios”, afirmou.

O acordo, que tem validade de dois anos, prioriza três áreas de trabalho:

  • A primeira é o monitoramento participativo da qualidade da água e do crescimento das espécies de peixes. 
  • A segunda abrange ações de coleta de sementes, propagação e restauração de florestas andino-amazônicas.
  • A terceira inclui oficinas, estágios e apoio técnico direto para membros da comunidade.

Leia também: Madre de Dios, a ‘Capital da Biodiversidade’ do Peru

Apoio técnico para piscicultores em Madre de Dios

A bióloga Anaí Gonzales Flores , da equipe técnica do IIAP, explicou a importância desse acordo para os habitantes da região:

“Queremos que nossos piscicultores aprimorem suas habilidades e concentrem seus cultivos para melhorar sua qualidade de vida. Este acordo é um passo fundamental para que a comunidade sinta que tem profissionais à sua disposição”.

Foto: Divulgação/IIAP

Um dos aspectos relevantes dessa aliança é o apoio técnico a um projeto que busca validar a produção do peixe piracatinga (Calophysus macropterus) livre de mercúrio, uma iniciativa vital para a saúde dos habitantes da Amazônia. 

Especificamente, a área de Tahuamanu – onde se localiza a comunidade indígena de Bélgica – é uma das mais afetadas pela contaminação por mercúrio resultante da mineração informal.

Leia também: Mineração ilegal ameaça atividades sustentáveis de famílias na região Madre de Dios, na Amazônia peruana

Tecnologia moderna, conhecimento ancestral

Foto: Divulgação/IIAP

Nessa linha, Corvera lembrou que a missão do IIAP é gerar conhecimento que integre a tecnologia moderna com a sabedoria ancestral a serviço das sociedades amazônicas. 

Por sua vez, o representante da comunidade expressou o interesse de seu povo em cuidar do território em conjunto e garantir o uso sustentável de seus recursos.

Com este acordo, o IIAP e a comunidade indígena iniciam uma nova fase de trabalho colaborativo, respeitando a cultura local e a livre vontade da comunidade. “Este é um passo concreto rumo a uma Amazônia mais saudável, melhor aproveitada por seus habitantes”, afirmou a instituição.

*Com informações da Agência Andina

Desafios e soluções da mobilidade urbana na Amazônia são debatidos na TranspoAmazônia 2026

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Mobilidade urbana na região Norte ainda apresenta desafios logísticos. Foto: Robervaldo Rocha/CMM

O transporte de passageiros no Amazonas e em toda Região Norte ainda enfrenta diversos desafios logísticos singulares que impactam diretamente na circulação de pessoas e mercadorias. No intuito de discutir soluções para o melhoramento da mobilidade urbana na região, o assunto é um dos temas da TranspoAmazônia 2026, a Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística que chega a terceira edição entre os 27 a 29 de maio no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus (AM).

A pauta da mobilidade urbana visa colocar lideranças empresariais, personalidades políticas e representantes para o diálogo de novas abordagens e reposicionamento dentro dos projetos e ações futuras acerca mobilidade urbana na Amazônia.

Leia também: TranspoAmazônia 2026 projeta R$ 900 milhões em negócios e Manaus vira centro do mapa logístico das Américas

Foto: Divulgação/Seinfra

É o que conta o presidente da Federação das Empresas de Transportes Rodoviários da Região Norte (Fetranorte) e do Conselho Regional do SEST SENAT, Francisco Bezerra Júnior.

De acordo com o dirigente, a Amazônia Legal concentra 60% do território brasileiro e enfrenta desafios logísticos singulares, com impacto direto na circulação de pessoas e mercadorias. Ele ressalta, ainda, que o Brasil é fortemente dependente do modal rodoviário, responsável por 65% das cargas e 90% dos deslocamentos de passageiros no país.

“A logística se preocupa com toda a cadeia de movimentação de carga. Mas essa carga é produzida por pessoas que precisam ir para as fábricas, vendida por pessoas que têm que chegar ao comércio e consumida por pessoas que precisam se deslocar a esse comércio. Por isso, as dificuldades logísticas e o transporte de passageiros precisam ser discutidos como um todo, especialmente na Amazônia, onde, na região, temos rodovias em um número menor que os rios”, afirmou o especialista em transporte e mobilidade urbana da região Norte.

BR-319, a solução da mobilidade urbana terrestre

Principal ligação terrestre do Amazonas com Rondônia e o restante do país, a BR-319 é vista, segundo Bezerra, como a principal solução para desafogar a mobilidade urbana dos estados e que sua pavimentação, conciliada com a preservação ambiental deverão integrar os debates na TranspoAmazônia.

“Isso só muda com melhoria do transporte coletivo, com equipamentos mais modernos, mais segurança e melhor mobilidade. Mas isso exige investimento em infraestrutura. Nós vamos ter na TranspoAmazônia, a conversa logística de um modo amplo. Logística de carga e logística de pessoas, daí a importância essencial de uma feira como essa que, além de um ambiente físico de discussões, proporciona encontros e negócios”, ressaltou.

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Rodovia é vista como uma das principais soluções da mobilidade urbana na Amazônia
BR-319 é a principal ligação terrestre do Amazonas com Roraima e o restante do país. Foto: Divulgação/DNIT

TranspoAmazônia 2026

A TranspoAmazônia 2026 acontece entre os dias 27 a 29 de maio, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus (AM), reunindo lideranças empresariais, autoridades públicas e especialistas para discutir soluções voltadas à infraestrutura, inovação e sustentabilidade.

Com expectativa de movimentar mais de R$ 900 milhões em negócios, o evento se consolida como o maior da Região Norte e um dos principais do setor no País e será promovido pela Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz).

A presença de representantes de mais de 60 países foi confirmada, além de importantes players nacionais e internacionais, como a Câmara Interamericana de Transportes (CIT), a Confederação Nacional do Transporte (CNT) e a Associação Nacional de Transporte e Logística (NTC&Logística), além do Congresso Internacional de Transporte e Logística, que acontece paralelamente à feira.

*Com informações da assessoria

Sistema de fertirrigação de baixo custo para pequenos produtores é apresentado em Tocantins

Trabalho de acadêmicos da Unitins foi apresentado durante Vitrine Agrotecnológica. Foto: Divulgação/Unitins

Estudantes do 5° período de Tecnologia em Gestão do Agronegócio da Universidade Estadual de Tocantins (Unitins) apresentaram, durante a Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins 2026), um sistema de fertirrigação artesanal de baixo custo voltado para pequenos produtores.

Sistema alternativo de fertirrigação. Foto: Reprodução/Unitins

O trabalho, realizado por acadêmicos do polo de Campos Lindos, é coordenado pela professora mestra, Sílvia Ferreira de Sá, do projeto TO Graduado. A docente afirmou que a inovação alternativa pode ser replicado para a agricultura familiar de pequenos produtores.

“Nesse ano nós trouxemos um sistema de fertilização para hortaliças. O que seria esse sistema? Sistema de fertilização usa o fertilizante com método de irrigação. Onde você vai agregar, pois ao utilizar a água na irrigação, a água já vai estar com adubo. É uma vantagem para o pequeno produtor, para a agricultura familiar. É um sistema barato para o pequeno produtor e de grande interesse. É para ele agregar bastante no seu dia a dia”, explica Sílvia.

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Para o acadêmico do 5° período de Gestão do Agronegócio, Cleuson Gomes, o sistema de fertirrigação traz simplicidade para as atividades dos agricultores em campo.

“O objetivo aqui é para mostrar principalmente para a agricultura familiar, o quanto é simples e fácil montar um sistema desse de fertirrigação para melhorar as atividades no campo. E através do injetor de abertura, é possível a gente injetar diretamente na produção, por meio de gotejamento ou com os aspersores”, explicou o estudante.

A pequena agricultura Iraci de Araújo Ribeiro assistiu atentamente a demonstração do sistema de fertirrigação artesanal e afirmou categoricamente que vai replicar o sistema.

“Eu achei nota 10. É realmente muito interessante e eu vou tentar fazer lá na minha chacrinha, localizada no município de Miracema. Eu moro aqui em Palmas mas, como eu já vou me aposentar, eu quero ir pra lá, morar lá. Eu vou guardar esse folheto com as instruções para eu fazer esse sistema”, finalizou.

Leia também: Nova técnica que quebra partículas da água e melhora a irrigação do café é desenvolvida em Cacoal

O que é fertirrigação?

Fertirrigação
Exemplo da técnica de Fertirrigação. Foto: Aegro

Fertirrigação é uma técnica de aplicação simultânea de fertilizantes e água, através de um sistema de irrigação.

É uma das maneiras mais eficientes e econômicas de aplicar fertilizante às plantas, principalmente em regiões de climas árido e semi-árido, pois aplicando-se os fertilizantes em menor quantidade por vez, mas com maior frequência, é possível manter um teor uniforme de nutrientes no solo durante o ciclo da cultura.

Dessa forma, aumentará a eficiência do uso de nutrientes pelas plantas e, consequentemente, a produtividade.

*Com informações da Unitins

MPF pede retirada de animais criados ilegalmente em reserva no Amapá

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Animais estão sendo criados ilegalmente na região do Lago Piratuba, no Leste do Amapá. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

O Ministério Público Federal (MPF) acionou quatro pecuaristas para retirar bois e búfalos criados ilegalmente na Reserva Biológica do Lago Piratuba, na área Leste do Amapá, e no leito do Rio Araguari. A medida foi tomada após os criadores recusarem acordos para desocupar a área de forma voluntária.

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A reserva é alvo de discussões e fiscalizações há anos. Segundo o MPF, os animais ocupam a área de forma irregular, que pertence à União, e comprometem a preservação ambiental. Especialistas ambientais ouvidos pelo MPF também defendem a retirada.

O MPF informou que a ação foi movida após tentativas extrajudiciais. Dos 16 criadores identificados, nove assinaram Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) e se comprometeram a retirar mais de 8 mil animais. Outros três casos seguem em análise.

Leia também: Mais de 300 búfalos invasores são abatidos em teste na Amazônia

Reserva Biológica do Lago Piratuba
Região tem 392 mil hectares e abrange os municípios de Amapá, Tartarugalzinho e Pracuúba, na Região dos Lagos. Foto: Rafael Aleixo/arquivo Rede Amazônica AP

O órgão também pede indenizações e a recuperação das áreas degradadas. Os pecuaristas que rejeitaram os acordos podem ser condenados judicialmente. Um deles mantém mais de 6 mil animais na reserva.

Em dezembro de 2023, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro) suspendesse a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA) para entrada e saída de animais. A medida tinha como objetivo impedir a chegada de novos animais na área. Desde então, a Diagro informou que só emite a guia de saída.

“A Diagro mantém cadastro agropecuário dessas propriedades e autoriza apenas a saída de búfalos por meio da emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA). Não há entrada de animais nas áreas de reserva nem na região assoreada do rio Araguari, que fica ao redor da reserva”, explicou Kelly Gonçalves, diretora de defesa agropecuária do Amapá.

Impacto ambiental na reserva

A criação de búfalos é considerada de médio a alto impacto. Os animais pesados e soltos impedem a regeneração da vegetação nativa e degradam o ecossistema. Os búfalos invadem áreas de floresta e manguezal, destruindo a vegetação e comprometendo o equilíbrio ambiental.

O pisoteio causa erosão das margens e assoreamento dos igarapés, afetando a qualidade da água e ameaçando espécies que vivem no lago. O problema também coloca em risco comunidades ribeirinhas que dependem da pesca e da preservação da reserva para sobreviver.

Em 2023, região teve mais de 8 hectares atingidos por incêndio. Foto: Divulgação/Rebio do Lago Piratuba

Leia também: Mais de 8 mil hectares de Reserva Biológica no Amapá já foram consumidos por incêndios em novembro

A Reserva Biológica do Lago Piratuba tem 392 mil hectares e abrange os municípios de Amapá, Tartarugalzinho e Pracuúba, na Região dos Lagos. Durante a estiagem, a região também sofre com incêndios. Em 2023, 8 mil hectares da região foram atingidos, caso acompanhado pela Polícia Civil.

As denúncias incluem crimes como dano direto à unidade de conservação, impedimento da regeneração da flora e poluição que destrói a vegetação. Se condenados, os pecuaristas podem pegar reclusão, detenção e pagar multas.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Cheias e secas extremas ficaram mais intensas no Amazonas a partir de 2005, aponta estudo

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Seca do Rio Amazonas no município de Itacoatiara. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Um estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters apontou que o Amazonas vive uma intensificação sem precedentes no ciclo hidrológico do rio Amazonas. A pesquisa analisou dados entre 1970 e 2023 e concluiu que, desde 2005, as cheias e secas passaram a ocorrer de forma mais extrema, aumentando os impactos nas várzeas e nas comunidades ribeirinhas do estado.

O levantamento foi realizado por pesquisadores do Brasil, França e Reino Unido. Para chegar aos resultados, os cientistas combinaram medições históricas do nível e da vazão do rio com imagens de satélite e modelos computacionais que simulam o comportamento da água ao longo de um trecho de 1,1 mil quilômetros do rio Amazonas.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

Diferente de estudos anteriores, a pesquisa focou no fluxo de água que entra em grandes áreas de várzea, que são regiões alagadas durante o período de cheia. Foram analisadas quatro áreas entre Amazonas e Pará: Jatuarana, em Manaus; Parintins; Curuai, em Santarém; e Monte Alegre.

Confira a conclusão do estudo sobre cada município

Imagem colorida mostra Mercado Municipal de Parintins
Foto: Yuri Pinheiro/ Secom Parintins

Parintins

Em Parintins, os pesquisadores identificaram que as cheias de 2009 e 2021 bateram recordes históricos. Segundo o estudo, a quantidade de água que passou pelas várzeas durante esses eventos foi comparável à vazão de alguns dos maiores rios do mundo.

As enchentes atingiram comunidades ribeirinhas e causaram impactos em casas, plantações e áreas urbanas. O estudo alerta que o aumento da velocidade da água nas várzeas pode acelerar processos de erosão e transporte de sedimentos, provocando mudanças duradouras na região.

Manaus

Na capital amazonense, os dados da estação fluviométrica do Porto de Manaus, que monitora o rio desde 1902, mostram um aumento na diferença entre os níveis mínimos e máximos do rio ao longo do ano.

Segundo os pesquisadores, isso indica que as secas e cheias estão ficando mais severas. O estudo aponta um aumento de 18% nessa variação em comparação com o século passado.

“Dados da estação de Porto de Manaus revelam um aumento de 18% na diferença entre o nível mínimo e máximo do Amazonas em relação ao século anterior”, afirmou o professor Rodrigo de Paiva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), coautor da pesquisa.

rio negro no porto de manaus
Foto: Reprodução/Porto de Manaus

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) participou das análises sobre os efeitos das mudanças no ciclo dos rios. Segundo o ecólogo Jochen Schöngart, pesquisadores também utilizam anéis de crescimento de árvores da floresta para identificar mudanças históricas nos períodos de cheia e seca.

O estudo destaca ainda a importância da vegetação das várzeas para reduzir os impactos das enchentes. Árvores, gramíneas e plantas aquáticas ajudam a diminuir a força das correntezas e protegem as margens dos rios.

Tefé

Em Tefé, os pesquisadores relacionaram os efeitos da seca histórica de 2023 ao aumento da temperatura da água no lago Tefé, que chegou a 41°C. O fenômeno provocou a morte de mais de 200 botos vermelhos e tucuxis.

Segundo estudos citados na pesquisa, a estiagem também reduziu em até 8% a superfície coberta por água na Amazônia Central, enquanto alguns lagos perderam até 80% da área alagada.

Tefé - seca de 2024 - amazonas amazônia
Foto: Ayan Fleischman

O município abriga o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que participou de pesquisas sobre os impactos das secas e cheias na biodiversidade amazônica.

Preservação da vegetação

Os pesquisadores alertam que poucas áreas de várzea estão protegidas por unidades de conservação. Por isso, defendem medidas de preservação dessas regiões diante do avanço das mudanças climáticas.

“Vamos fornecer informações relevantes para políticas públicas voltadas à conservação da várzea”, afirmou Schöngart.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Não é piranha, é candiru-açu! Um dos peixes amazônicos mais temidos é flagrado devorando frango inteiro

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Candiru-açu devora frango inteiro em menos de dois minutos em Rondônia. Foto: Reprodução/Instagram-flavioterassini

Um experimento realizado pelo biólogo Flávio Terassini durante uma expedição na última semana ganhou as redes sociais: ele joga um frango cru no rio, amarrado em uma corda, e em menos de dois minutos os temidos candirus (dezenas deles) destroçam a “isca gigante”.

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Existem várias espécies de candiru. O que aparece no vídeo é o candiru-açu, um tipo que se alimenta de carne. Ele é diferente dos candirus hematófagos, que se alimentam de sangue e ficaram “famosos” por entrar na uretra de humanos.

No vídeo registrado por Flávio Terassini, é possível ver que os animais agem de forma voraz e em cardume. Em determinado momento, eles chegam a cortar a corda que segurava o alimento e continuam se alimentando quando o frango é devolvido ao rio.

Leia também: Saiba quais são as diferenças entre os tipos de candirus que vivem na Bacia Amazônica

Apesar da voracidade, o ataque do candiru-açu em humanos vivos é considerado raro.

“Eles se alimentam de qualquer animal morto ou ferido no rio. Pode ser um peixe, um boto ou até um animal de grande porte, como um cavalo. Infelizmente, isso inclui também seres humanos em casos de mortes na água”, disse

O que é o candiru-açu?

O pesquisador e especialista em diversidade e biogeografia de peixes de água doce, Fernando Dagosta, explicou as características da espécie. Segundo ele, o candiru-açu é um tipo de bagre carniceiro, diferente do candiru hematófago, considerados “verdadeiros”.

“O candiru-açu tem dentes bem desenvolvidos, usados para cortar e arrancar pedaços de carne”, afirmou.

Leia também: Candiru: especialista desmitifica ataques do ‘peixe-vampiro’ na Amazônia

Não é piranha, é candiru-açu: peixe amazônico temido devora frango inteiro em menos de dois minutos
Candiru-açu. Foto: Reprodução/Aquatic Republic

O peixe vive principalmente em rios de águas escuras, como o Madeira e seus afluentes. De acordo com o especialista, a espécie forma grandes cardumes e tem o olfato altamente desenvolvido, o que facilita localizar alimento mesmo em ambientes com pouca visibilidade.

“Eles se orientam muito mais pelo cheiro do que pela visão. Por isso conseguem encontrar rapidamente animais mortos ou em decomposição”, explicou.

Embora as piranhas sejam frequentemente associadas à remoção de partes de corpos em rios amazônicos, o especialista afirma que, em muitos casos, o candiru-açu está entre os primeiros a chegar.

*Por Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO

Livro sobre controle natural de pragas é lançado no Tocantins com foco em agricultores familiares

E-book gratuito reúne receitas práticas com extratos naturais utilizados no controle de pragas agrícolas, voltadas especialmente aos agricultores familiares. Foto: Ana Raquel Santana/Governo do Tocantins 

O lançamento do livro Controle Natural de Pragas: Manual Prático de Extratos Botânicos fez parte da 4ª edição do Pavilhão Ciência, Tecnologia e Inovação no Agro (CT&I no Agro), durante a Feira de Tecnologia Agropecuária do Tocantins (Agrotins 2026).

A obra, lançada no dia 13 de maio, é resultado de pesquisa desenvolvida por meio do projeto ‘Controle de insetos em sementes armazenadas de feijão-caupi por extratos de plantas’, apoiado pelo Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), no âmbito do edital Fapt/Seagro – Pesquisa Agropecuária Agrotins.

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Praga Caruncho do feijão caupi. Foto: Ater+digital

O livro reúne receitas práticas com extratos naturais utilizados no controle de pragas agrícolas, voltadas especialmente aos agricultores familiares. A publicação é assinada pela pesquisadora Roberta Zani da Silva, juntamente com Eduardo Ribeiro dos Santos, Cibelle Christine Brito Ferreira, Maria Eduarda Coelho Amaral e Myria Katharinne Viana de Oliveira. O livro pode ser acessado de forma gratuita.

Segundo a pesquisadora Roberta Zani da Silva, o projeto surgiu da necessidade de auxiliar agricultores familiares no combate ao caruncho do feijão-caupi, cultura amplamente utilizada para subsistência e comercialização em feiras locais.

“O projeto vem ao encontro das necessidades dos agricultores familiares. O feijão-caupi é uma cultura de subsistência e muitos produtores armazenam os grãos em garrafas PET para venda nas feiras. Então surgiu o primeiro edital de apoio à pesquisa agropecuária do Estado do Tocantins, pela Fapt em parceria com a Seagro, e resolvemos submeter o projeto, que foi aprovado”, destacou.

Alternativas naturais no controle do caruncho

Livro sobre controle natural de pragas é lançado durante Agrotins 2026
Capa do Ebook. Foto: Reprodução/editora Camaleão

Durante os dois anos de pesquisa, foram testados diferentes extratos botânicos e óleos naturais, como barbatimão, angico, copaíba, gergelim e mata-cachorro, buscando alternativas sustentáveis para o controle do inseto Callosobruchus maculatus, conhecido como caruncho do feijão-caupi.

De acordo com Roberta, os resultados mostraram que principalmente o barbatimão e o angico foram eficientes na postura dos insetos. “O adulto desse inseto vive cerca de cinco dias, mas cada fêmea pode colocar aproximadamente 30 ovos. Então o controle da postura é essencial. O barbatimão foi muito eficiente nesse processo”, explicou.

Um dos principais produtos gerados pela pesquisa foi justamente o lançamento do e-book, desenvolvido para orientar produtores rurais sobre o preparo e utilização dos extratos naturais no controle de pragas.

Leia também: Não parece, mas é: conheça 5 pragas que ocorrem na Amazônia

Livro reúne resultados de anos de estudos

A engenheira agrônoma e doutora em Produção Vegetal, Cibelle Ferreira, uma das autoras da obra, ressaltou que o material também representa o resultado de anos de pesquisas desenvolvidas com apoio da Fapt e participação de estudantes bolsistas.

“Esse é o lançamento do nosso livro de receitas de produtos à base de extratos naturais para controle de pragas, resultado de pesquisas desenvolvidas durante a graduação dos nossos alunos, utilizando bolsas de pesquisa fornecidas pela Fapt”, afirmou.

Segundo Cibelle, além dos estudos voltados ao controle de insetos em sementes armazenadas, outras pesquisas paralelas desenvolvidas ao longo dos anos também contribuíram para a construção do material.


Livro é resultado de pesquisa desenvolvida por meio do projeto apoiado pelo Governo do Tocantins. Foto: Ana Raquel Santana/Governo do Tocantins

Leia também: Dicas para evitar as pragas mais comuns do inverno amazônico

“Também tivemos pesquisas com extratos naturais para controles fúngicos, que vão dar base para trabalhos futuros, novos livros e informações que complementam esse uso, expandindo essa fonte natural de controle em substituição ou complementação aos químicos no controle de pragas, plantas daninhas, insetos e doenças”, explicou.

A pesquisadora destacou ainda que o trabalho busca ampliar alternativas sustentáveis para a produção agrícola, especialmente para agricultores familiares. “Essas pesquisas trazem uma viabilidade maior de sustentabilidade na produtividade agrícola, principalmente em suporte ao agricultor familiar”, completou.

O projeto integra as ações de incentivo à inovação e ao fortalecimento da pesquisa agropecuária promovidas pela Fapt, em parceria com a Secretaria da Agricultura e Pecuária (Seagro), contribuindo para o desenvolvimento de soluções acessíveis, sustentáveis e voltadas à realidade do agricultor familiar tocantinense.

*Com informações do Governo do Tocantins

Mais de 300 búfalos invasores são abatidos em teste na Amazônia

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Búfalos são abatidos em projeto piloto do ICMBio em Rondônia. Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica RO

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e parceiros concluíram a primeira campanha de abate experimental dos búfalos invasores que vivem em áreas protegidas de Rondônia. Ao todo, mais de 300 animais foram mortos.

A ação é uma forma do ICMBio testar os métodos mais eficientes e seguros de abate, além de avaliar os possíveis impactos ambientais. Os resultados servirão de base para a elaboração de um plano de erradicação. Até o fim do ano, a previsão é eliminar pelo menos 500 animais, o que corresponde a cerca de 10% do rebanho total.

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O projeto foi divido em duas fases, seguindo o cronograma de chuvas. Nesta primeira etapa, período de cheia, os campos da Rebio Guaporé, por exemplo, estão alagados. As lagoas se formam nas áreas mais baixas a partir da água da chuva ou dos rios que atravessam a reserva: uma característica da biodiversidade local.

Analista do ICMBio mostra onde deveria estar o solo compactado por búfalos em Rondônia. Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica
Analista do ICMBio mostra onde deveria estar o solo compactado por búfalos em Rondônia. Foto: Vinicius Assis/Rede Amazônica

Leia também: A vida com os búfalos: a relação dos moradores de Soure e Cachoeira do Arari com o símbolo marajoara

A operação foi conduzida de três maneiras: terrestre, aquática e aérea, cada uma utilizada para testar diferentes estratégias de controle. A erradicação é feita por controladores de fauna, especializados armados com rifles.

As primeiras etapas ocorreram em março, antes de a Justiça Federal determinar a suspensão das atividades. A operação foi retomada em 18 de maio, após nova análise do caso, quando o juiz reconheceu que o projeto piloto possui caráter científico e é essencial para responder a questões técnicas que subsidiarão a elaboração de um plano consistente de erradicação.

Atualmente vivem mais de 4 mil búfalos selvagens na região do Vale do Guaporé. Foto: Reprodução/Acervo NGI Cautário-Guaporé

Atualmente, os animais vivem entre a Reserva Biológica (Rebio) Guaporé, a Reserva Extrativista (Resex) Pedras Negras e a Reserva de Fauna (Refau) Pau D’Óleo, no oeste de Rondônia, uma região de encontro entre três biomas: a Floresta Amazônica, o Pantanal e o Cerrado. As reservas biológicas são a categoria de proteção ambiental mais restritiva em Rondônia.

Segundo o ICMBio, a segunda campanha da pesquisa deve ser realizada no período de seca, entre os meses de agosto e setembro.

Embate judicial

O rebanho de búfalos selvagens invasores está no centro de uma ação judicial milionária. Em uma Ação Civil Pública na Justiça, o Ministério Público Federal (MPF) pede que o governo de Rondônia e o ICMBio garantam a erradicação e o controle desses animais na região.

Para elaborar o plano de erradicação, o instituto desenvolveu uma pesquisa que envolve três frentes:

  • o próprio instituto como gestores da área e responsáveis pela logística;
  • a Universidade Federal de Rondônia com os pesquisadores que vão analisar a sanidade dos animais abatidos;
  • e uma empresa especializada que se voluntariou para fazer o abate.

Os pesquisadores e demais pessoas envolvidas pretendem avaliar a capacidade diária de abate de animais, observar o comportamento dos búfalos e as condições ambientais que interferem na operação e mapear desafios logísticos e operacionais.

Por que os búfalos estão sendo abatidos?

Como não são nativos do Brasil, os búfalos não possuem predadores naturais. Soltos e se reproduzindo sem controle, eles provocam graves impactos ambientais, como a extinção de espécies da fauna e da flora nativas e alteração no curso dos campos naturalmente alagados, que fazem parte da biodiversidade local.

De acordo com o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido, o abate é, no momento, a única alternativa viável para resolver a questão. Como a região é isolada e de difícil acesso, não existe logística possível para retirar os animais vivos ou mortos. Além disso, como se desenvolveram sem controle sanitário, a carne não pode ser aproveitada.

“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas [nativas] e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas. Algumas espécies que a gente só tem registros aqui, sejam elas residentes ou migratórias”, explica o biólogo e analista ambiental do ICMBio, Wilhan Cândido.

*Por Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Pavonia neuropetala: flor rara sobreviveu à queimadas em Mato Grosso

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A Pavonia neuropetala foi categorizada como ‘criticamente em perigo’, já que vive em uma área que teve mais de 50% de seu total atingido por incêndios em 2024. Foto: Marcos Rondon, Ana Kelly e Thales Coutinho

A identificação de uma nova espécie de flor considerada uma das mais raras da flora brasileira foi realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) durante uma expedição científica em uma área de transição entre biomas no estado. A planta, denominada Pavonia neuropetala, foi encontrada na Estação Ecológica da Serra das Araras, localizada entre os municípios de Porto Estrela e Cáceres, região que apresenta influência tanto do Cerrado quanto da Amazônia.

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Embora o registro da espécie tenha ocorrido em 2024, a divulgação científica foi feita somente após a publicação do estudo na revista internacional Phytotaxa, em março de 2025, responsável pela validação e reconhecimento formal da nova espécie no meio acadêmico.

Descoberta e processo de identificação

A identificação da Pavonia neuropetala começou durante atividades de campo voltadas ao mapeamento da biodiversidade local. O exemplar foi localizado em uma área que havia sido atingida por queimadas, em meio à vegetação parcialmente degradada. Após a coleta realizada pelos pesquisadores Marcos Rondon, Ana Kelly e Thales Coutinho, a planta passou pelo processo de herborização, técnica utilizada para conservação e estudo de espécies botânicas.

O material foi encaminhado ao Herbário da UFMT, em Cuiabá, onde foram realizados estudos detalhados de comparação com outras espécies já catalogadas. A análise envolveu consulta a bibliografias especializadas, bancos de dados nacionais e internacionais e avaliação de características morfológicas.

A partir desse processo, os pesquisadores concluíram que se tratava de uma espécie ainda não descrita pela ciência. O nome Pavonia neuropetala foi atribuído em referência às nervuras marcantes presentes nas pétalas, característica que diferencia a planta de outras espécies do mesmo gênero.

Leia também: Acre: Pesquisadores reencontram planta rara registrada pela primeira vez há mais de 100 anos

A Estação Ecológica da Serra das Araras, onde ocorreu a descoberta, é uma unidade de conservação de grande relevância ambiental localizado no sudoeste do estado do Mato Grosso, estado que faz parte da Amazônia Legal. A área abriga espécies endêmicas e funciona como um importante corredor ecológico, além de ser utilizada para pesquisas científicas voltadas à conservação da biodiversidade.

Os pesquisadores Marcos Rondon, Ana Kelly e Thales Coutinho durante expedição na Serra das Araras quando descobriram a Pavonia neuropetala. Foto: Reprodução

Características e importância científica

A Pavonia neuropetala pertence à família Malvaceae, a mesma do hibisco. O reconhecimento científico contribui diretamente para a atualização de catálogos florísticos e amplia o conhecimento sobre a biodiversidade existente em áreas de transição entre biomas.

A região da Serra das Araras é considerada estratégica para esse tipo de estudo por reunir características ambientais distintas que favorecem a ocorrência de espécies únicas.

Além disso, a descoberta reforça a importância das unidades de conservação como espaços essenciais para pesquisa e preservação ambiental, especialmente em áreas sujeitas a impactos naturais e antrópicos.

Impactos ambientais e risco de extinção

A nova espécie já foi classificada como criticamente ameaçada, devido à limitação de registros e às condições ambientais da área onde foi encontrada. Dados apontam que uma parte significativa da Estação Ecológica da Serra das Araras foi afetada por incêndios florestais, o que comprometeu o habitat natural de diversas espécies.

Com apenas um registro conhecido até o momento, a Pavonia neuropetala passa a integrar a lista de espécies ameaçadas que demandam ações de monitoramento e conservação.

O grupo de pesquisadores segue realizando estudos na região com o objetivo de identificar novas populações da planta e compreender melhor suas condições de sobrevivência.

*Com informações do artigo publicado no Phytotaxa

O que podemos aprender com a Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas?

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Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

Por Jan Santos – jan.fne@gmail.com

Quando pensamos em biblioteca, certeza que ainda nos vem à mente aquele lugar silencioso, perdido entre estantes de livros bem antigos, cuja existência sempre parece ameaçada graças à facilidade proporcionada pela internet. Afinal, é um lugar apenas para pesquisas, certo? Apenas para encontrar informações que hoje estão a uma tecla de distância, certo?

Errado.

Com o crescimento do mundo digital e sua presença em nossas vidas, as bibliotecas também evoluem para cumprir seu objetivo maior: garantir o acesso democrático à informação. É natural que sua função seja questionada em um mundo altamente conectado e, supostamente, com acesso irrestrito à informação, mas se tem algo que nossa imersão constante no mundo digital nos ensinou é que quantidade realmente não implica em qualidade.

Isso vale tanto para as informações quanto para nossa competência para transformar essas informações em conhecimento.

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Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas
O que podemos aprender com a Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas? Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

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Eis aí a função máxima de uma instituição como a biblioteca e de seus principais agentes, os bibliotecários: atuarem na mediação entre o público e a informação. No Amazonas, a Biblioteca Pública estadual, localizada na rua Barroso, no Centro de Manaus, é referência nesse quesito.

Em si mesma um ponto histórico e cultural do Estado, a Biblioteca é um daqueles prédios mitológicos que a maioria das pessoas já ouviu falar, até já passaram pela frente, mas que poucas assumiram a aventura de explorá-la. Quem o faz, vai por mim, fica longe de se arrepender.

Um dos motivos para isso é justamente a Feira de Troca de Livros e Gibis, uma ação coordenada pelo bibliotecário David Carvalho e desenvolvida graças ao esforço da equipe do Biblioteca, que se reúne no último domingo de cada bimestre para garantir que leitores de todas as idades tenham uma programação cultural de qualidade durante esses fins de semana pontuais. Em 2026, a iniciativa completou 10 anos de existência, comemorada recentemente durante a Jornada Literária do Amazonas.

A ideia é bem simples: convidar leitores que desejem manter seu acervo pessoal de livros sempre renovado para trocar suas obras favoritas pelos títulos favoritos de outras pessoas, garantindo assim que suas estantes nunca fiquem empoeiradas. A força da iniciativa está justamente nessa simplicidade.

A palavra-chave aqui é movimento: a iniciativa mobiliza uma média de 150 leitores a  cada edição – no total, já houve mais de 50 edições, o que coloca a Feira como uma ação de destaque no calendário cultural da capital. E falo por experiência própria quando digo que a menor das contribuições da Feira são os livros novos que podemos adquirir de forma gratuita.

O que podemos aprender com a Feira de Troca de Livros e Gibis do Amazonas? Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

Além de consolidar o papel da Biblioteca como um centro cultural de impacto expressivo na capital, a Feira permite a criação de uma verdadeira comunidade de leitores da cidade de Manaus. Por meio do contato com livros, pais passam tempo de qualidade com seus filhos, crianças desenvolvem desde cedo o senso crítico necessário para escolher as obras que desejam trocar, leitores conhecem leitores e, mais importante, as pessoas deixam de lado uma ideia completamente errada que, por vezes, paira sobre nossa cidade: de que não há programação cultural de qualidade disponível ao público.

O que há, de fato, é pouca articulação para que iniciativas como a Feira de Troca de Livros e Gibis tenha seu alcance potencializado, não apenas para fora do Centro de Manaus como para os municípios do interior do Amazonas. Inclusive, a Feira já contou com edições especiais em Iranduba e Autazes, mas depende de logística considerável para que possa estender suas ações para outras localidades.

Pensar sobre a Feira de Troca é pensar também sobre as políticas de acesso à Cultura que permitem à Literatura atuar como a força de transformação que é. Afinal, toda arte é política, e desvincular a atuação (ou não) dos poderes públicos do sucesso dessas iniciativas é impossível.

Desde 2016 – com a pontual interrupção da pandemia -, a Feira de Troca de Livros e Gibis se estabelece como uma das ações mais importantes da Biblioteca Pública do Amazonas, uma vez que se torna uma oportunidade não só para que livros sejam trocados, mas para que crianças explorem seus espaços de leitura e o público em geral aproveite visitas guiadas que discutem a história de um dos marcos físicos da cultura do Estado.

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Foto: Acervo da Biblioteca Pública do Amazonas

Gosto de ver o prédio da Biblioteca como um espaço seguro de encontro e de partilha, uma vez que eu e outros agentes da Cultura do Estado somos frequentemente convidados para realizar ações que contribuam para o acesso à arte e à informação em suas mais variadas linguagens. A Feira de Troca é apenas a ponta do iceberg para aqueles que desejam, verdadeiramente, acompanhar o circuito cultural do Estado.

Para que possamos exigir maior compromisso de nossos governantes com as políticas culturais, precisamos primeiro prestigiar as que já existem, conhecendo-as e entendendo de que forma podemos potencializar a sua atuação.

Então, enquanto aguardamos a próxima edição, que tal separar aqueles livros que já te encantaram no passado para que encontrem novos olhos? Que tal se preparar para conhecer novas obras e leitores que amam os mesmos livros que você? Que tal descobrir que, no Amazonas, a Literatura também constrói laços?

Sobre o autor

Jan Santos é autor de contos e novelas, especialmente do gênero Fantasia. Mestre em Literatura pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e com graduações em Língua Portuguesa e Inglesa, é um dos membros fundadores do Coletivo Visagem de Escritores e Ilustradores de Fantasia e Ficção Científica, além de vencedor de duas edições dos prêmios Manaus de Conexões Culturais (2017-2019) e Edital Thiago de Mello (2022).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista