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#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Peru

Ao redor do mundo, os Patrimônios Mundiais reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) representam locais considerados de Valor Universal Excepcional por sua importância cultural, natural ou pela combinação de ambas. 

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O Peru, país da América do Sul, que compõe a Amazônia Internacional, possui 13 patrimônios mundiais reconhecidos pela Unesco. No entanto, apenas três ficam localizados na região amazônica: o Santuário Histórico de Machu Picchu, o Parque Nacional Manú e o Parque Nacional do Rio Abiseo.

Além disso, um desses patrimônios integra ainda a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo, uma medida que sinaliza locais culturais ou naturais ameaçados por graves riscos.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico e de conservação.

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Patrimônios Mundiais na Amazônia 

  • Santuário Histórico de Machu Picchu

A cidade inca construída no século XV, Machu Picchu, está localizada no encontro entre a Cordilheira dos Andes e a Bacia Amazônica, onde a floresta tropical de montanha abriga uma rica biodiversidade de fauna e flora. De acordo com a Unesco, o lugar é reconhecido como patrimônio misto, reunindo valores culturais e naturais em uma área de mais de 32 mil hectares.

Com cerca de 200 estruturas distribuídas entre áreas agrícolas, residenciais e cerimoniais, o entorno de Machu Picchu também protege ecossistemas fundamentais para a conservação de espécies endêmicas. Segundo a Unesco, a integração entre a engenharia inca e a paisagem amazônica faz do local um dos patrimônios mais emblemáticos do mundo. 

O Santuário Histórico de Machu Picchu foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 1983. 

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Santuário Histórico de Machu Picchu, Patrimônio Mundial do Peru
Foto: Arturo Bullard Gonzales
  • Parque Nacional Manú

O Parque Nacional Manú protege mais de 1,7 milhão de hectares na transição entre os Andes e a Amazônia peruana. De acordo com a Unesco, a área abriga diferentes ecossistemas, desde campos andinos até a floresta amazônica de planície, formando um dos mais completos corredores ecológicos da América do Sul.

O parque é habitat de centenas de espécies de aves, mamíferos como a onça-pintada, a lontra-gigante e o tatu-canastra, além de abrigar povos indígenas que vivem na região, incluindo comunidades em isolamento voluntário. Além disso, segundo a Unesco, como uma vasta bacia hidrográfica isolada geográfica e economicamente, a propriedade, ainda sem estradas, foi poupada da maior parte dos impactos humanos e permanece de difícil acesso até hoje.

Apesar disso, por conta das ruínas e petróglifos incas e pré-incas presentes na região, há uma longa história de ocupação indígena. De acordo com a Unesco, a lenda local de Paititi, atrai pesquisadores e aventureiros, mas atualmente, os povos indígenas são os únicos habitantes permanentes.

O Parque Nacional do Manú foi reconhecido como patrimônio mundial pela Unesco no ano de 1987, mas antes disso, a área já havia sido designada como reserva da biosfera em 1977.   

Foto: Reprodução/Manu National Park Tours
  • Parque Nacional do Rio Abiseo

O Parque Nacional do Rio Abiseo, criado em 1983, é um dos poucos patrimônios da Unesco reconhecidos simultaneamente por seus valores naturais e culturais. Localizado na encosta oriental dos Andes, na área de influência da Bacia Amazônica, protege mais de 274 mil hectares de florestas, campos andinos e importantes nascentes de rios que alimentam o sistema amazônico.

De acordo com a Unesco, a região também guarda um dos mais importantes conjuntos arqueológicos do Peru, com dezenas de sítios pré-incas descobertos desde a década de 1980, e pesquisas realizadas desde 1985 já revelaram 36 sítios arqueológicos até então desconhecidos. Entre as espécies protegidas está o raro macaco-aranha-de-cauda-amarela, encontrado praticamente apenas nessa região. 

O Parque Nacional do Rio Abiseo foi declarado Patrimônio Mundial da Unesco em 1990 como local cultural, e depois em 1992 como patrimônio misto (natural e cultural).

Foto: Reprodução/CuscoPeru.com

Leia também: Teatro Amazonas e Theatro da Paz entram para lista de Patrimônio Mundial da Unesco

Outros Patrimônios Mundiais do Peru

  • Cidade de Cuzco 

Situada nos Andes peruanos, a cidade de Cuzco, desenvolveu-se  sob o domínio do governante inca Pachacuti. De acordo com a Unesco, a cidade forma um conjunto urbano que exibe uma tecnologia de construção em pedra, como o Templo do Sol ou Qoricancha, o Aqllahuasi, o Sunturcancha, o Kusicancha e uma série de edifícios que compõem o complexo inca.

A cidade de Cuzco foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1983.

Foto: Wilfredo Carazas-Aedo
  • Sítio Arqueológico de Chavín

O sítio arqueológico de Chavín é um centro religioso e cerimonial da antiga cultura Chavín, desenvolvido entre aproximadamente 1500 e 300 a.C. De acordo com a Unesco, o local é considerado um dos principais marcos das civilizações pré-colombianas nos Andes, e abriga um complexo de terraços e praças, cercado por estruturas de pedra talhada, e  ornamentação predominantemente zoomórfica.

O Sítio Arqueológico de Chavín foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1985. 

Foto: Reprodução/CuscoPeru.com
  • Parque Nacional Huascarán

O Parque Nacional Huascarán fica localizado na Cordilheira Branca e protege a cadeia montanhosa tropical mais alta do mundo, reunindo geleiras, lagos glaciais e espécies como o condor-andino e o urso-de-óculos. 

O Parque Nacional Huascarán foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1985. 

Foto: Reprodução/CuscoPeru.com
  • Zona Arqueológica de Chan Chan- lista do Patrimônio em Perigo

A Zona Arqueológica de Chan Chan, maior cidade de adobe, técnica de bioconstrução com tijolos de terra crua, das Américas, foi a capital do Reino Chimú antes da conquista inca. De acordo com a Unesco, O valor universal excepcional de Chan reside nos extensos vestígios hierarquicamente planejados, incluindo remanescentes dos sistemas industriais, agrícolas e de gestão de água que a sustentavam.

Atualmente integra também a Lista do Patrimônio Mundial em Perigo devido aos riscos de degradação. A Zona Arqueológica de Chan Chan foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco em 1986, sendo incluída no mesmo ano na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo.

Foto: Reprodução/CuscoPeru.com
  • Centro Histórico de Lima

O Centro Histórico de Lima foi fundado em 1535, e reúne importantes construções do período colonial espanhol. De acordo com a Unesco, o lugar foi um dos principais centros políticos e administrativos da América do Sul durante o Vice-Reino do Peru. 

O lugar foi declarado Patrimônio Mundial pela Unesco inicialmente em 1988, com uma importante ampliação de sua área protegida oficial em 1991.

Foto: Gabriela F/ Tripadvisor
  • Linhas e Geoglifos de Nasca e Palpa

As Linhas e Geoglifos de Nasca e Palpa, localizados na árida planície costeira peruana, a cerca de 400 km ao sul de Lima, reúne milhares de figuras traçadas no deserto peruano entre 500 a.C. e 500 d.C., associadas a práticas rituais e astronômicas. De acordo com a Unesco, elas representam um dos maiores enigmas arqueológicos do mundo. 

As Linhas e Geoglifos de Nazca e Palpa foram reconhecidas como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 1994. 

Foto: Reprodução/Tripadvisor
  • Centro Histórico de Arequipa

O Centro Histórico de Arequipa, localizado na província de Arequipa, aos pés de três vulcões cobertos de neve, destaca-se pela arquitetura construída em pedra vulcânica, conhecida como sillar, resultado da integração entre técnicas europeias e tradições indígenas. De acordo com a Unesco, a combinação de influências é ilustrada pelas muralhas, arcos e abóbadas, pátios e espaços abertos da cidade, e pela intrincada decoração barroca de suas fachadas.

O Centro Histórico de Arequipa foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2000.

Foto: Reprodução/CuscoPeru.com
  • Cidade Sagrada de Caral-Supe

A Cidade Sagrada de Caral-Supe, considerada a civilização mais antiga das Américas, possui cerca de cinco mil anos e impressiona pelas pirâmides monumentais e pelo planejamento urbano desenvolvido muito antes dos incas. 

A Cidade Sagrada de Caral-Supe foi reconhecida como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2009.

Foto: Efmella/Tripadvisor

Qhapaq Ñan – Sistema Rodoviário Andino

O Sistema Rodoviário Andino é uma extensa rede de estradas construída pelos incas para conectar cidades, centros administrativos, locais religiosos e áreas produtivas. De acordo com a Unesco, o sistema possui mais de 30 mil quilômetros distribuídos por seis países sul-americanos (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru), e demonstra o conhecimento de engenharia desenvolvido pelas populações andinas.

O Qhapaq Ñan, Sistema Rodoviário Andino, foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco no ano de 2014. 

Foto: Laura R/Tripadvisor
  • Complexo Arqueoastronômico de Chankillo 

O Complexo Arqueoastronômico de Chankillo, localizado na costa centro-norte do Peru, no Vale do Casma, é um sítio arqueológico que funcionava como um observatório solar há mais de dois mil anos. De acordo com a Unesco, o sítio inclui um complexo no topo de uma colina com três muralhas, conhecido como Templo Fortificado, dois complexos de edifícios chamados Observatório e Centro Administrativo, uma fileira de 13 torres cuboides que se estende ao longo da crista de uma colina e o Cerro Mucho Malo, que complementa as Treze Torres como um marco natural.  

O Complexo Arqueoastronômico de Chankillo foi reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco em 2021.

Foto: Reprodução/Fundo Mundial de Monumentos

Relatório da OTCA registra menor área queimada na Amazônia brasileira em 41 anos

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Dados sobre queimadas foram divulgados na segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, lançado em Brasília pelo MapBiomas Fogo, no último dia 21 de julho. Foto: Reprodução/Greenpeace

A Amazônia brasileira registrou, em 2025, a menor área queimada desde o início da série histórica do MapBiomas Fogo, em 1985. Foram 3,1 milhões de hectares atingidos, uma redução de 80% em relação a 2024, quando o bioma alcançou o recorde de 15,8 milhões de hectares queimados.

Os dados fazem parte da segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, lançado pelo MapBiomas na terça-feira (21), na sede da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), em Brasília. O documento apresenta informações sobre a ocorrência e a dinâmica do fogo no território brasileiro entre 1985 e 2025.

O evento reuniu representantes da OTCA, do MapBiomas, de instituições governamentais, corpos de bombeiros e organizações que atuam no monitoramento, na prevenção e no manejo integrado do fogo.

Para a diretora-executiva da OTCA, Vanessa Grazziotin, enfrentamento do fogo na região amazônica exige articulação entre os oito Países Membros da Organização e deve estar associado à promoção de melhores condições de vida para as populações amazônicas. “Nosso esforço é transformar a Amazônia em uma região que garanta não apenas a sobrevivência, mas uma vida digna para toda a sua população, por meio do manejo sustentável das riquezas naturais, das florestas e dos demais recursos do bioma e isso inclui o enfrentamento ao fogo”, afirmou Grazziotin.

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Evento reuniu representantes da OTCA, do MapBiomas, de instituições governamentais, corpos de bombeiros e organizações que atuam no monitoramento, na prevenção e no manejo integrado do fogo. Foto: Reprodução- Maycon Castro/Mapbiomas

Durante o lançamento, Grazziotin também destacou a criação da Rede Amazônica de Manejo Integrado do Fogo (RAMIF) e os avanços na construção de um entendimento operativo para apoiar respostas coordenadas dos países diante de eventos extremos.

Bioma contribuiu para redução nacional das queimadas

Em todo o Brasil, 12,7 milhões de hectares foram atingidos pelo fogo em 2025. A área foi 58% inferior à registrada em 2024 e ficou 31% abaixo da média histórica anual, estimada em 18,4 milhões de hectares.

Área queimada da Amazônia Brasileira.
Em 2025, a Amazônia brasileira registrou 3,1 milhões de hectares queimados, equivalentes a 25% do total nacional. A área foi 56% inferior à média histórica e 80% menor que em 2024. Fonte: RAFR-2026, MapBiomas.


A queda observada na Amazônia contribuiu de maneira decisiva para o resultado nacional. O bioma respondeu por 24,7% da área queimada no país em 2025. O Cerrado permaneceu como o mais afetado, com 8,7 milhões de hectares, equivalentes a 68,6% do total brasileiro. Juntos, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 93% da área queimada no ano

Embora 2025 tenha apresentado uma redução expressiva, a análise de longo prazo mostra a dimensão do desafio amazônico. Entre 1985 e 2025, cerca de 88,6 milhões de hectares do bioma queimaram pelo menos uma vez. Essa extensão corresponde a 21% da Amazônia brasileira e a 42,5% de toda a área queimada acumulada no país.

A recorrência também preocupa. Aproximadamente 68% das áreas atingidas na Amazônia queimaram duas ou mais vezes durante os 41 anos analisados. Entre as áreas com recorrência, 31,6% voltaram a queimar em intervalos de até dois anos, reduzindo o tempo disponível para a recuperação da vegetação.

Leia também: Amazônia se recupera de queimadas, mas estudo aponta que efeitos perduram

O levantamento mostra ainda que 52% da área queimada anualmente no bioma ocorreu em áreas de uso antrópico, especialmente pastagens. Os 48% restantes atingiram vegetação nativa, incluindo formações florestais, campestres e áreas alagadas.

Para o coordenador técnico do Observatório Regional Amazônico (ORA), Gonzalo Llosa, séries históricas dessa abrangência são importantes para apoiar medidas de prevenção e respostas coordenadas.

“Embora os dados apresentados se refiram ao Brasil, a dinâmica do fogo atravessa fronteiras. Para o ORA, integrar séries nacionais e regionais é essencial para antecipar riscos, fortalecer sistemas de alerta e apoiar respostas coordenadas entre os países amazônicos”, afirmou Llosa. “Para isso, também é necessário conhecer as capacidades instaladas das instituições chamadas à intervir e, se for preciso, fortalecê-las para um melhor desempenho na luta contra essa ameaça”, complementou o coordenador.

Gonzalo Llosa, coordenador técnico do ORA, destacou a importância de integrar dados nacionais e regionais para antecipar riscos e apoiar respostas coordenadas ao fogo entre os países amazônicos. Foto: Reprodução-Maycon Castro/MapBiomas

Dados públicos para orientar decisões

Produzido pela iniciativa MapBiomas Fogo, o relatório utiliza imagens dos satélites Landsat, com resolução espacial de 30 metros, e técnicas de aprendizado de máquina para identificar as cicatrizes deixadas pelo fogo.

A Coleção 5 incorpora dois novos produtos. O primeiro estima a severidade potencial das queimadas, com base nas alterações observadas na vegetação e no solo antes e depois do fogo. O segundo calcula o intervalo entre ocorrências sucessivas em uma mesma área. Os dados também podem ser consultados por bioma, estado, município, tipo de cobertura e uso da terra e categoria fundiária.

Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas, destacou a importância de produzir dados acessíveis, atualizados e cientificamente robustos. “Quem gera impacto é quem utiliza os dados”, afirmou Azevedo. Para Ane Alencar, coordenadora do MapBiomas Fogo, informações sobre recorrência, severidade e intervalo de retorno do fogo ajudam a compreender as mudanças nas queimadas e a orientar ações preventivas e a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo no Brasil.

Considerando todo o território brasileiro, 208 milhões de hectares queimaram pelo menos uma vez entre 1985 e 2025. A extensão equivale a aproximadamente 24% do país, ou um em cada quatro hectares. Em 64% das áreas atingidas, o fogo ocorreu mais de uma vez.

O Relatório Anual do Fogo no Brasil, os mapas e os dados da Coleção 5 do MapBiomas Fogo estão disponíveis gratuitamente. A transmissão do lançamento também pode ser acessada on-line.

*Com informações da OTCA

Pesquisadora amazonense é citada em lista de 101 brasileiros moldando o futuro

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Com mais de 30 anos de carreira, pesquisadora Ane Alencar figura entre os 101 brasileiros que moldam o futuro. Foto: Reprodução/IPAM

Uma das maiores pesquisadoras do Brasil sobre fogo e desmatamento na Amazônia e no Cerrado, a diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Ane Alencar, integra a lista dos 101 brasileiros moldando o futuro, divulgada pelo O Globo no último dia 27 de julho. A iniciativa marca os 101 anos do jornal.

Com mais de 30 anos de carreira, Ane é um dos principais nomes da pesquisa ambiental na área, atuando na conexão dos impactos da destruição da natureza com os efeitos das mudanças climáticas, bem como a retroalimentação nociva que surge desse cenário. Para ela, a menção na lista de O Globo é mais um reconhecimento por sua referência na ciência brasileira e na busca de respostas para o enfrentamento à emergência no clima e para possibilidades de vida em harmonia com o planeta.

“Fico muito grata ao jornal O Globo por esse reconhecimento, resultado de anos de trabalho dedicados principalmente ao tema do fogo”, ela comenta. “Os incêndios florestais no Brasil são um tema crucial para o sucesso das políticas climáticas. Sem controle do fogo, não é possível avançar em medidas necessárias para a saúde das pessoas e da natureza, colocando em prática o desenvolvimento sustentável do qual tanto falamos”, agradece Alencar.

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pesquisadora Ane Alencar
Página do jornal O Globo mostra pesquisadora Ane Alencar entre os 101 brasileiros moldando o futuro. Foto: Reprodução

Pesquisadora inquieta

Alencar começou sua carreira no IPAM como estagiária – quando a instituição sequer tinha nome – e hoje lidera uma equipe de mais de 60 cientistas, em diversas partes do Brasil e do mundo, especializados em diferentes temas.

“Os desafios nunca foram tão grandes, mas também nunca produzimos tanto conhecimento, tecnologias e experiências bem-sucedidas para enfrentá-los. Por isso, me considero uma otimista inquieta. O problema já não é falta de soluções, mas de velocidade e de prioridade política para colocá-las em prática. Ainda há tempo para mudar essa trajetória, mas a janela de oportunidade está se fechando rapidamente”, diz.

Natural de Belém, Alencar é graduada em Geografia pela UFPA (Universidade Federal do Pará), tem mestrado em Sensoriamento Remoto e Sistema de Informação Geográfica pela Universidade de Boston e doutorado em Recursos Florestais e Conservação pela Universidade da Flórida, ambas nos Estados Unidos.

Em 1996, em um de seus primeiros trabalhos, Alencar criou o conceito de “cicatrizes do fogo” ao definir áreas queimadas por incêndios florestais na Amazônia nas imagens de satélite impressas. A descoberta levou ao desenvolvimento de iniciativas como o MapBiomas Fogo, uma rede de organizações, coordenada por ela, que produz um mapeamento anual das cicatrizes do fogo em todo o território nacional.

Leia também: Estudos sobre uacaris na Amazônia rende prêmio internacional para pesquisador do Instituto Mamirauá

Ane Alencar durante o trabalho com as cicatrizes do fogo, em 1996. Foto: Acervo IPAM

A diretora já recebeu reconhecimentos internacionais ligados ao tema do fogo e ao uso da tecnologia na ciência de uso da terra. Foi a primeira pesquisadora da América Latina a integrar a lista das Mulheres Líderes em Aprendizado de Máquina para Observação da Terra, em 2022. Já em 2018, foi citada pela revista científica Fire como uma das líderes mundiais na ciência sobre o fogo.

“Meu maior sonho é contribuir para que os incêndios florestais deixem de ser uma ameaça às florestas tropicais. Sonho em ver a prevenção e o manejo integrado do fogo se consolidarem como políticas públicas permanentes, permitindo que possamos proteger essas florestas, as pessoas que vivem nelas e o papel fundamental que desempenham na estabilidade do clima do planeta”, conclui.

*Com informações da jornalista Bibiana Alcântara, do IPAM.

Referência em PANCs no Brasil, Valdely Kinupp afirma que “alimento conecta biodiversidade, cultura e conservação”

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Valdely Kinupp, pesquisador brasileiro das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs). Foto: Reprodução/Amazon Sat

Em 1946, o botânico Frederico Carlos Hoehne publicou o livro Frutas Indígenas, que reúne dezenas de espécies nativas nacionais, destacando um patrimônio alimentar ainda pouco conhecido pela população. A meta foi mostrar que a riqueza vegetal do Brasil poderia ir muito além das florestas conservadas, com potencial para ocupar lavouras, mercados e a mesa dos brasileiros

Décadas depois, a realidade mudou menos do que se poderia imaginar. Apesar dos avanços da ciência e do Brasil ser um dos maiores abrigos da biodiversidade global, boa parte dessas espécies permanece distante da alimentação cotidiana. Para Valdely Kinupp, uma das maiores referências do Brasil em PANCs (plantas alimentícias não convencionais), essa lacuna representa uma oportunidade desperdiçada de fortalecer a segurança alimentar, gerar renda, valorizar a sociobiodiversidade e aumentar a resiliência dos sistemas produtivos diante dos efeitos extremos das mudanças climáticas.

Plantas Comestíveis Não Convencionais – PANC. Foto: divulgação

Diversificar os alimentos produzidos e consumidos significa reduzir riscos, fortalecer agricultores e construir sistemas agrícolas mais preparados para um clima cada vez mais instável. A solução, segundo Valdely, não passa por buscar novas espécies em outros lugares, mas por reconhecer o potencial daquelas que sempre estiveram presentes.

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“O alimento conecta biodiversidade, cultura, economia e conservação. Quando uma planta passa a alimentar pessoas, ganha valor social e econômico e também ganha mais motivos para continuar existindo. Conservar e usar a biodiversidade de forma sustentável são caminhos que precisam caminhar juntos”, afirmou.

Autor da tese que consolidou o conceito de PANC no Brasil e pesquisador da flora alimentícia brasileira há mais de duas décadas, Kinupp acredita que a resposta para alguns dos maiores desafios do século XXI pode estar justamente nas espécies ‘negligenciadas’. Ampliar o consumo da sociobiodiversidade, para o pesquisador, é uma estratégia capaz de fortalecer a segurança e a soberania alimentar.

Estimativas de Valdely indicam que o Brasil reúne cerca de 10 mil espécies de plantas alimentícias não convencionais. O número, segundo o pesquisador, pode ser ainda maior à medida que novas espécies sejam identificadas e estudadas.

“O Brasil é um país megadiverso, mas nossa alimentação continua extremamente concentrada. Temos milhares de espécies com potencial alimentício, enquanto seguimos dependendo de um número muito pequeno de plantas para produzir e consumir. Isso nos torna mais vulneráveis e faz com que uma riqueza enorme da biodiversidade brasileira permaneça invisível”, disse.

Amante das PANCs

Muito antes de o termo PANC ganhar espaço no debate público, Valdely já se dedicava ao estudo de plantas que, embora utilizadas por diferentes comunidades, permaneciam à margem dos sistemas convencionais de produção e consumo. O interesse pela Botânica o levou ao doutorado, quando cunhou a expressão que, anos depois, se tornaria conhecida em todo o país.

Valdely com uma espécie de taioba no sítio PANC. Foto: Reprodução/Arquivo IPAM
Valdely com uma espécie de taioba no sítio PANC. Foto: Reprodução/Arquivo IPAM

Seu trabalho ganhou projeção nacional com a publicação do livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil, em parceria com o botânico Harri Lorenzi. A obra, com edição mais recente publicada em 2021, reúne o resultado de décadas de pesquisa e apresenta 351 espécies (entre nativas e exóticas, espontâneas e cultivadas no país) consumidas em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Hoje, é considerada referência para pesquisadores, agricultores, chefs e interessados na biodiversidade alimentar brasileira.

“O termo PANC cumpriu um papel importante porque chamou atenção para um problema que sempre existiu. Mas o objetivo nunca foi criar um grupo de plantas. O objetivo era fazer as pessoas perceberem a enorme diversidade de espécies alimentícias que nós ignoramos”, explicou.

Leia também: Conheça as PANC, plantas alimentícias não convencionais da Amazônia

Biodiversidade que alimenta

Para Kinupp, conservar a biodiversidade depende de um passo essencial: fazer com que ela integre a alimentação das pessoas. Na prática, é transformar espécies nativas em alimentos presentes nas feiras, nos mercados, na merenda escolar, nos restaurantes e na rotina familiar. Quando uma planta passa a gerar alimento, renda e oportunidades econômicas, segundo o pesquisador, também ganha valor social e motivos para ser conservada.

De acordo com Kinupp, essa lógica torna-se ainda mais fundamental diante da crise climática. “Se o Brasil quer ter soberania alimentar diante do caos climático, precisa voltar os olhos para essas plantas. Cada bioma brasileiro possui espécies naturalmente adaptadas às suas condições ambientais. São plantas que já convivem com seca, calor, solos específicos e outras condições que tendem a se intensificar com as mudanças climáticas. Ignorar esse patrimônio é desperdiçar uma vantagem que poucos países possuem”, reforçou.

*Com informações de Mayara Subtil, do IPAM Amazônia

Do Bumbódromo para o mundo virtual: jovens recriam Festival de Parintins no Roblox e atraem espectadores

Festival Folclórico ganhou versão virtual na plataforma de jogos online Roblox e alcançou mais de mil espectadores por edição. Foto: Reprodução/Youtube-ARUBlox

A paixão pelo Festival Folclórico de Parintins ultrapassou as arquibancadas do Bumbódromo e encontrou um novo palco: o universo virtual do Roblox. Em Manaus, um projeto criado em 2022 por um grupo de adolescentes recria o espetáculo dos bois Caprichoso e Garantido dentro da plataforma de jogos, com apresentações inspiradas no festival original, alegorias, itens e personagens desenvolvidos pelos próprios participantes.

Neste ano, o festival virtual aconteceu no último sábado, 1º, e teve transmissão do Youtube. Mais de mil pessoas acompanharam as apresentações pela plataforma. Pelo segundo ano consecutivo, o Boi Caprichoso foi campeão da festa virtual.

O Roblox é uma plataforma de jogos online em que usuários podem criar e participar de experiências virtuais. Foi nesse ambiente que jovens apaixonados pelo festival encontraram uma forma de manter viva a tradição durante todo o ano.

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Segundo um dos fundadores do festival virtual, Rafael Oliveira, a ideia nasceu da saudade que fica após o encerramento do Festival em Parintins.

“O surgimento do Festival de Parintins no Roblox vem daquela depressão pós-festival, quando a gente fica com saudade das apresentações. Eu e mais dois amigos criamos o festival com essa saudade do festival na vida real. Hoje em dia trabalham um contingente de 92 pessoas para manter o festival em pé. Eles criam tudo do zero”, frisou.

Brincadeira rendeu milhares de espectadores na plataforma de jogos online Roblox. Foto: Reprodução/Youtube-ARUBlox

Cultura do real para o ambiente virtual

Além do trabalho de recriar o espetáculo, os organizadores também lidam com desafios próprios do universo digital. Para os criadores, o projeto também representa uma forma de valorizar a cultura brasileira em um ambiente originalmente estrangeiro.

“O desafio que a gente enfrenta é realmente a questão da idade. Trabalhar com jovens e crianças, um público mais vulnerável. Então a gente não pode colocar muitas coisas da vida real no mundo virtual”, explicou.

“A energia da força da floresta que a gente leva para o ambiente virtual faz com que cada vez mais pessoas participem do festival, pelas nossas toadas, a paixão pelo boi, a arte. Nós pegamos um jogo americano e abrasileiramos esse jogo, com nossos itens e do nosso jeito, todos criados por jovens. Isso mostra a paixão dos jovens pelo Festival de Parintins”, afirma.

Leia também: Você sabe qual a origem do Festival Folclórico de Parintins?

Intuito da brincadeira é manter a grande festa da Magia para o mundo virtual. Foto: Reprodução/Youtube-ARUBlox

Roblox reúne dezenas de participantes

Assim como no festival realizado em Parintins, cada boi possui equipes responsáveis pela criação e organização dos espetáculos. Organizador do Boi Garantido Roblox, Guilherme Fernandes, explica que o projeto conta atualmente com mais de 16 colaboradores fixos. Segundo ele, somente para colocar um espetáculo na arena virtual, mais de 20 pessoas trabalham diretamente na produção.

“Mais de 20 pessoas estiveram diretamente envolvidas na produção, sem contar os responsáveis pela criação de itens, cenários, animações, programação, efeitos especiais e demais áreas que tornam a experiência ainda mais completa e imersiva. É um trabalho coletivo que exige organização, criatividade e muito comprometimento”, disse Guilherme.

Jovens se inspiram em itens reais do Festival de Parintins para fazer versão virtual. — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Para Miguel Henrique, que joga Roblox desde 2017 e hoje atua como apresentador do Garantido no festival virtual, conquistar um item era um objetivo desde que entrou para o projeto. O jovem afirma que busca inspiração nos apresentadores do festival oficial, principalmente em Israel Paulain, apresentador do Garantido.

“É como um sonho realizado para mim. Desde que eu entrei no Boi Garantido Roblox, meu objetivo era alcançar a meta de ser um item. Eu sinto uma emoção de realização, por ter esse papel importante tanto para o boi quanto para o festival em minhas mãos”, afirmou.

Jovens se inspiram em itens reais do Festival de Parintins para fazer versão virtual. — Foto: Reprodução/Redes Sociais


Já Diogo Pinheiro interpreta a Rainha do Folclore do Caprichoso. Ele conta que o papel permitiu conhecer mais profundamente a cultura do festival e desenvolver a criatividade na criação dos figurinos.

“Para mim, é uma experiência única. Além de conhecer mais sobre a cultura do Festival de Parintins, também é um espaço onde posso explorar minha criatividade, principalmente na criação de figurinos. Acho muito bonito ver essa tradição chegando às novas gerações por meio do Roblox.”

Diogo diz que representar um dos itens mais tradicionais do festival também traz responsabilidade. “Representar a Rainha do Folclore é uma grande responsabilidade e uma honra. Sempre admirei a Rainha do Folclore do Caprichoso, Cleise Simas, e isso torna essa experiência ainda mais especial para mim”, finalizou.

*Com informações de Karla Melo, do G1 AM

Terras Indígenas do Vale do Javari estão cercadas pelo crime organizado, aponta levantamento

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Território está cercado de atividades ilícitas ligadas ao crime organizado. Foto: Reprodução/ Acervo Coordenação Regional da FUNAI – Vale do Javari

O Vale do Javari, segunda maior terra indígena do Brasil, enfrenta ameaças crescentes do crime organizado, que impulsiona atividades ilegais como garimpo, caça e pesca predatórias. É o que aponta um levantamento conduzido por diferentes instituições científicas, incluindo os pesquisadores Paulo Moutinho e Lívia Laureto, do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Segundo o estudo, publicado no último dia 28 de julho, o desmatamento ao redor do território, que abriga a maior concentração de povos isolados e de recente contato do país, tem aumentado gradativamente desde 2008 e ameaçado a conservação e os indígenas da região. Diferentemente de outras terras indígenas, onde a principal pressão está relacionada ao avanço do desmatamento em larga escala, no Vale do Javari as atividades ilegais estão fortemente associadas ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.

Localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, o território também demanda cooperação internacional para conter a atuação do crime organizado, destacam os pesquisadores.

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“A localização do Vale do Javari e a ação de vigilância dos povos indígenas que lá vivem permitiram que a região permanecesse amplamente conservada ao longo dos anos e que sua densa floresta desempenhasse um papel preponderante na manutenção dos ‘rios voadores’. No entanto, é uma das áreas mais sensíveis do continente, pois enfrenta a convergência entre o crime organizado e os crimes ambientais. Essa associação aumenta significativamente os riscos para os povos indígenas e as comunidades tradicionais residentes e exige uma cooperação internacional robusta para enfrentá-la”, alerta Paulo Moutinho, pesquisador sênior do IPAM e um dos autores do artigo.

Jornalista inglês Dom Phillips e indigenista Bruno Pereira foram assassinados no Vale do Javari.
Jornalista inglês Dom Phillips e indigenista Bruno Pereira foram assassinados no Vale do Javari. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Em junho de 2022, o indigenista da FUNAI (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips foram assassinados no Vale do Javari. As investigações apontaram o envolvimento de pessoas ligadas à pesca ilegal no local.

O caso teve repercussão internacional ao expor a violência enfrentada por defensores dos direitos indígenas e do meio ambiente, evidenciando a atuação de redes criminosas ligadas à pesca ilegal, ao garimpo e à extração ilegal de madeira na terra indígena. Mesmo após a conclusão das investigações, indígenas Marubo continuaram denunciando a escalada da violência e o fortalecimento de organizações criminosas na região.

Além dos pesquisadores do IPAM, o estudo contou com a participação de pesquisadores indígenas do Vale do Javari, universidades e laboratórios de pesquisa do Brasil e dos Estados Unidos, também empresas e institutos públicos brasileiros.

Vale do Javari: Importância para a sua conservação

Com uma extensa rede de rios e alta biodiversidade, a Terra Indígena Vale do Javari está localizada na fronteira com o Peru e ocupa cerca de 8,54 milhões de hectares de floresta amazônica. Homologada em 2001, depois de mais de duas décadas de mobilização, é hoje a principal área de um mosaico de territórios protegidos no oeste amazônico, uma das regiões mais conservadas do bioma.

Entre 2017 e 2022, a terra indígena registrou um pico de desmatamento em seu entorno. Dados do PRODES (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite), corroborados por indígenas da região, mostram que em 2022 o desmatamento num raio de 200km ao redor da terra indígena foi 187 vezes maior do que o registrado na TI, o que destaca sua importância para a conservação e sua vulnerabilidade crescente.

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Evolução da área desmatada ao redor da Terra Indígena do Vale do Javari, localizada ao norte do Rio Juruá. Perda de vegetação nativa se acelerou nos últimos anos, especialmente nas áreas próximas às cidades de Cruzeiro do Sul, no Acre, e Ipixuna, no Amazonas. (Fonte: MapBiomas)
Evolução da área desmatada ao redor da Terra Indígena do Vale do Javari, localizada ao norte do Rio Juruá. Perda de vegetação nativa se acelerou nos últimos anos, especialmente nas áreas próximas às cidades de Cruzeiro do Sul, no Acre, e Ipixuna, no Amazonas. Fonte: MapBiomas

A perda de vegetação nativa no entorno do Vale do Javari também está relacionada ao uso irregular do CAR (Cadastro Ambiental Rural). Criado como uma ferramenta autodeclaratória para facilitar a implementação do Código Florestal, o cadastro tem sido utilizado por grileiros para legitimar desmatamentos e a apropriação indevida de terras e recursos naturais.

Um levantamento publicado em 2023, baseado em dados do PRODES, já mostrava que 64% de todo o desmatamento registrado em um raio de 200 quilômetros do Vale do Javari ocorreu em áreas com registros no CAR, totalizando cerca de 154 mil hectares de vegetação derrubada.

“O CAR vem sendo utilizado como um falso comprovante de terras públicas no entorno do Vale do Javari, que concentra áreas de Florestas Públicas Não Destinadas. Grande parte dessas áreas públicas já estão ocupadas por CARs irregulares e passaram a sofrer mais com fogo e desmatamento nos últimos anos por conta dessa grilagem. É por isso que a região precisa de ações rápidas de cancelamento desse cadastros e fiscalização constante para reduzir o uso ilegal do instrumento”, explica Lívia Laureto, pesquisadora do IPAM e uma das autoras do estudo.

O estudo também aponta que o entorno da terra indígena concentra 4,8 milhões de hectares de FPNDs (Florestas Públicas Não Destinadas). Essas áreas, que deveriam ser destinadas por lei a uma categoria fundiária específica, permanecem sem definição legal, tornando-se mais suscetíveis ao desmatamento, à grilagem e a outras atividades ilegais.

Os pesquisadores destacam que, diferentemente das unidades de conservação, as terras indígenas não contam com zonas de amortecimento reconhecidas legalmente. Essas áreas, criadas para reduzir os impactos da degradação ambiental e da grilagem de terras nas bordas de unidades de conservação, estabelecem limites para atividades econômicas e para o grau de exploração permitido no entorno dos territórios protegidos.

Proteção indígena

O Vale do Javari abriga cinco povos indígenas de contato recente: Marubo, Mayoruna, Matis, Kanamari e Kulina. O território também é habitado pelos povos Korubo e Tsohom-Djapá, além de abrigar pelo menos 14 grupos em isolamento voluntário, a maior concentração desse tipo de população no mundo.

Devido à localização geográfica, muitas comunidades dependem exclusivamente da caça, da pesca e do cultivo tradicionais, atividades diretamente relacionadas à integridade ecológica do território. Para os povos isolados, essa dependência torna a sobrevivência ainda mais vulnerável às mudanças climáticas e às invasões promovidas pelo crime organizado.

Povo indígena Kulina faz parte do território do Vale do Javari. Foto: Reprodução/CIMI

“Quando as comunidades são ameaçadas e sofrem danos, seus próprios esforços para proteger seus territórios podem ser comprometidos, permitindo mais invasões, a degradação associada das florestas e das bacias hidrográficas, a maior exposição a incêndios que podem avançar sobre a floresta amazônica durante períodos de seca agravados pelas mudanças climáticas e outras dinâmicas negativas. Essa espiral de destruição também começou a sair do controle em outras terras indígenas”, escrevem os pesquisadores.

Os autores ressaltam ainda que a extensão territorial e a dificuldade de acesso ao Vale do Javari tornam ainda mais importante o fortalecimento do monitoramento realizado pelos próprios indígenas, das brigadas de combate a incêndios e das iniciativas de fortalecimento comunitário. Em muitos casos, são os moradores da região os únicos capazes de identificar rapidamente queimadas, invasões e outras ameaças, desempenhando um papel fundamental na proteção do território e de seus habitantes.

Destinação de terras e COP

Segundo os pesquisadores, acelerar a demarcação de terras indígenas e a destinação de florestas públicas é uma das principais estratégias para proteger os povos indígenas e conter a degradação da Amazônia. A medida também está alinhada aos compromissos assumidos pelo Brasil durante a COP30, em Belém, quando o governo prometeu fortalecer os direitos territoriais dos povos indígenas e avançar na demarcação de novos territórios.

Apesar disso, o artigo alerta que “os esforços de monitoramento em terras indígenas são frequentemente inexistentes ou contam com recursos insuficientes”. Após o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips, representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos viajaram ao Vale do Javari para avaliar as condições de proteção de lideranças indígenas e defensores ambientais. A comissão concluiu que, apesar da repercussão internacional do caso, pouco havia mudado na proteção da região.

*Com informações de Lucas Guaraldo, do IPAM Amazônia

Secas na Amazônia deixam de ser exceção e desafiam infraestrutura logística do País

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Logística no Amazonas foi afetado pelos efeitos do El Niño de 2023. Foto: Arquivo/ Cieeam

As secas extremas na Amazônia deixaram de ser eventos ocasionais para se tornarem uma realidade cada vez mais frequente. O alerta foi feito por especialistas durante o webinar “Diálogos Amazônicos – Seca nos rios Amazônicos: Clima e Economia”, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), que reuniu na última segunda-feira, 27 representantes da academia, do governo federal e do setor produtivo para discutir os impactos das mudanças climáticas sobre a logística, a economia e o desenvolvimento da região.

Segundo os participantes, a intensificação dos eventos climáticos extremos exige uma mudança na forma como o Brasil planeja sua infraestrutura logística, especialmente na Amazônia, onde milhões de pessoas e centenas de indústrias dependem diretamente da navegação fluvial.

Seca e crise hídrica em rios da Amazônia, em 2024. Foto: Jacqueline Lisboa/WWF-Brasil

Dados apresentados durante o encontro mostram que, somente nos últimos 25 anos, a região registrou cinco grandes secas e quatro grandes cheias, fenômenos que passaram a ocorrer com maior frequência e intensidade. Em 2024, o Rio Negro atingiu o menor nível já registrado em mais de um século de medições, evidenciando a crescente vulnerabilidade da maior bacia hidrográfica do planeta.

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Para o presidente-executivo do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Lúcio Flávio Morais de Oliveira, a discussão reforça que os impactos das mudanças climáticas extrapolam a questão ambiental e já representam um desafio estratégico para a economia brasileira.

“Quando a logística da Amazônia é comprometida, os impactos ultrapassam as fronteiras da região. O Polo Industrial de Manaus integra cadeias produtivas nacionais e depende dos rios para receber insumos e distribuir produtos para todo o País. Adaptar a infraestrutura logística à nova realidade climática deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica para garantir competitividade, abastecimento e desenvolvimento econômico”, destaca.

Seca na Amazônia.
Seca na Amazônia. Foto: Cadu Gomes/vpr

Durante o webinar, o professor Francis Wagner, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), explicou que a alternância entre secas e cheias extremas passou a ocorrer em intervalos muito menores do que no passado, indicando uma nova dinâmica climática para a região amazônica. O pesquisador destacou que a seca histórica registrada em 2024 e a previsão de fortalecimento do fenômeno El Niño reforçam a importância do monitoramento permanente dos rios e do desenvolvimento de modelos capazes de antecipar cenários críticos.

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Outro ponto destacado foi o avanço da inteligência climática aplicada à logística. Modelos desenvolvidos pela UEA já permitem projetar, com meses de antecedência, o comportamento dos principais rios amazônicos, estimando níveis de navegabilidade, profundidade dos canais e restrições ao tráfego de embarcações. As informações vêm sendo utilizadas por empresas e órgãos públicos para apoiar decisões operacionais e reduzir riscos durante os períodos de estiagem.

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Otton Luís Bulhões da Silveira Filho, ressaltou que o Brasil precisa superar o histórico de baixa utilização de seu potencial hidroviário e ampliar o planejamento preventivo diante da maior frequência dos eventos climáticos extremos. Segundo ele, o fortalecimento das hidrovias e a integração entre governo, universidades e iniciativa privada são fundamentais para aumentar a resiliência logística do País.

Foto: divulgação

Na avaliação do CIEAM, o debate evidencia que investir em infraestrutura, monitoramento climático e planejamento logístico tornou-se uma agenda prioritária para preservar a competitividade da indústria instalada na Amazônia e garantir o funcionamento de cadeias produtivas estratégicas para a economia nacional.

Sobre o Diálogos Amazônicos

A série “Diálogos Amazônicos” tem o patrocínio do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Bic da Amazônia; Coimpa; Honda; Copag; Mondial; UCB da Amazônia; Visteon; Sinaees; Águas de Manaus; Super Terminais; Midea Carrier; Abraciclo; Simmmem; Impressora Amazonense; Fieam; Caloi; Tutiplast Indústria; Recorfama Indústria; GBR Componentes; Embalagem Placibras; Atem; Vinci; Bemol e Fundação Rede Amazônica.

*Com informações da assessoria do Cieam

Denis Minev defende na ACA investimentos em modernização no setor comercial para fazer à frente concorrência asiática

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CEO do setor varejista participou do café tradicional da entidade comercial. Foto: Reprodução/ACA

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A Associação Comercial do Amazonas (ACA), liderada por seu presidente Bruno Loureiro, recebeu na quarta-feira, 29, o empresário Denis Minev, para o tradicional café da manhã que a entidade mantém reunindo convidados especiais e associados para discussões e trocas de ideias sobre a dinâmica do setor comércio e serviços amazonense. Na oportunidade foram abordadas questões da mais alta relevância compreendendo as transformações tecnológicas, logísticas de transporte, e-commerce, suporte financeiro, formação de novos quadros de pessoal especializado.

Ênfase especial foi conferida à expansão do comércio para o interior do Estado, tanto no que diz respeito a lojas físicas como a compras on-line, que, surpreendentemente, vêm alcançando níveis bastante expressivos em várias sedes municipais, algumas das quais ainda não atendidas por lojas. Minev é CEO da Bemol, cadeia de lojas de departamentos de maior expressividade da região Norte do país, com 37 lojas físicas, uma rede de 48 farmácias e R$ 4 bilhões em vendas anuais. O complexo empresarial mantém fortes investimentos em logística, telecomunicações e serviços financeiros, além de fundos e startups com foco em empreendedorismo sustentável na região.

Sob o tema “Cenários, Amazonas e Mundo”, argumenta ser preciso investir em ciência e tecnologia para a geração de emprego e renda e fazer face ao adverso quadro conjuntural enfrentado pelo setor comercial brasileiro, que vem enfrentando mares turbulentos, sobretudo devido ao elevado endividamento das famílias, grande parte correndo riscos de falência. Pressionadas pelo custo de vida, juros altos e pelo uso do cartão de crédito, em maio de 2026 o índice de endividamento nacional chegou a 81,6% dos lares, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

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Evento da ACA reúne convidados especiais e representantes do setor do comércio e varejo amazonense
Evento reúne convidados especiais e representantes do setor do comércio e varejo amazonense. Foto: Reprodução/ACA

O Cartão de crédito responde por 84,6% das dívidas das famílias, com taxas no rotativo que chegam a 428,3% ao ano. O quadro se agrava com o avanço das apostas online (bets), que vem consumindo boa parte dos orçamentos domésticos, desviando bilhões de reais de despesas essenciais, causando inadimplências e pressionando o brasileiro, inclusive os beneficiários do programa Bolsa Família, a consumir menos dada a facilidade de acesso às apostas via Pix e influenciados por agressivas estratégias de marketing.

Vítima citada por Minev, a fabricante sueca Electrolux iniciou uma das maiores reorganizações recentes de sua operação global em meio à pressão por queda nas vendas, aumento de custos e avanço da concorrência internacional. O varejo brasileiro, por outro lado, frustrou expectativas de que a Copa do Mundo e as festas juninas pudessem impulsionar o comércio com mais força. Contrariamente, dados do ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado) revelam que o segmento registrou o pior mês de junho desde 2020, auge da pandemia.

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Em junho, as vendas caíram 2,8% em termos reais comparativamente ao mesmo período de 2025. Em maio, o indicador já havia apresentado contração de 3,4%, também o pior desempenho para o mês desde 2020. Denis Minev salientou que, em decorrência de pesados investimentos realizados pela Bemol em modernização tecnológica, formação de pessoal, participação em eventos sobretudo nos Estados Unidos e na China, além da diversificação da operação abrangendo ramos de farmácias, telecomunicações e negócios financeiros a empresa vem sustentando importantes níveis de crescimento por ganhos de produtividade.

O quadro nacional, todavia, se torna ameaçador quando se considera o tsunami China presente nos mais diversos setores da economia por meio de todo e qualquer tipo de mercadorias vendidas mundo afora a preços sem competição, em cujo cenário se pode adquirir um liquidificador por US$ 4,00 (quatro dólares), um tênis genérico por US$ 8,00, uma dúzia de canetas de uso comum a US 1,00 ou Itens de bazar em atacarejos por US$ 0,20 ou R$ 1,15.

CEO do varejo amazonense recebeu homenagem da ACA. Foto: Reprodução/ACA

Comparativamente, ao que enfatizou Minev, o mundo defronta-se com situações tipo a) Apps de entrega e e-commerce aceleram carteiras de FIDCs e superam US$ 25 bi em concessões de crédito; 2) FIDCs ligadas à Shopee crescem 222% e acirram disputa com Mercado Livre no crédito; 3. Grupo Casas Bahia anuncia parceria com a Amazon para vendas de produtos no Brasil. Além do mais, com “El Niño Godzilla” no radar, a prevenção tem que ser prioridade.

Nesse sentido, o governo do Amazonas alerta que o El Niño pode provocar seca igual à que afetou o Estado em 2023 e, desta forma, trabalha planos para enfrentar o fenômeno previsto para se repetir em 2026. O comércio deve estar atento à necessidade de antecipar estoques para evitar prejuízos durante o período, afirmou. Não se cogitou, entretanto, sobre o custo de antecipação do conjunto de mercadorias, matérias-primas ou produtos disponíveis para o enfrentamento da estiagem e quem vai bancá-los ao lado do setor comercial.

Encontro reúne segmentos do setor do comércio local

O presidente da ACA, Bruno Loureiro, ao entregar Certificado Homenagem pela sua participação a Denis Minev, informou que o projeto “Café da Manhã na ACA” às quartas-feiras é sucesso absoluto; de tal sorte que a agenda de convidados para os próximos eventos está tomada até o fim de dezembro do ano em curso. Ele salientou ter sido este o meio trabalhado pela atual diretoria de interagir com a classe e demonstrar o grau de comprometimento da Associação sobre questões de maior relevância no que respeita à dinâmica do setor
comercial no Amazonas e no país.

Há de se considerar, adicionalmente, salientou Loureiro, que o setor de comércio, segundo dados da Secretaria de Fazenda do Estado (SEFAZ) de 2025, é o setor mais representativo da força de nossa economia, respondendo por cerca de 53% do recolhimento de ICMS; 43,84 do PIB estadual, à frente da indústria, com 36,84%, e 68,4% dos empregos diretos gerados no Estado (25,3% do setor industrial).

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Cinco dicas de frutas que ajudam a reforçar a hidratação durante o verão amazônico

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Frutas que ajudam a reforçar a hidratação. Foto: Divulgação

As altas temperaturas e a umidade características do verão amazônico exigem atenção redobrada com a hidratação. Além do consumo regular de água, uma boa estratégia é incluir frutas na alimentação para poder manter o organismo funcionando adequadamente, prevenindo sintomas como fadiga, dor de cabeça e queda no desempenho físico.

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O supermercado Pátio Gourmet, por meio da nutróloga Daniela Ward alerta que durante os dias mais quentes o corpo perde mais água e sais minerais por meio do suor, o que aumenta o risco de desidratação, muitas vezes de forma imperceptível.

“Durante o verão amazônico, as temperaturas elevadas e a alta umidade aumentam a perda de água e eletrólitos através do suor. Mesmo sem perceber, o organismo pode entrar em um estado leve de desidratação, comprometendo a disposição, a concentração, o desempenho físico e até a função cardiovascular. Por isso, além de beber água, é importante consumir alimentos naturalmente ricos em água”, explica.

Leia também: Série l Superfrutas da Amazônia: buriti, o fruto da “árvore da vida”

Frutas picadas em um copo
Foto: Divulgação

Entre as frutas mais indicadas para esse período, a especialista destaca cinco opções que combinam alto teor de água e nutrientes importantes para o equilíbrio do organismo.

A melancia lidera a lista por conter cerca de 92% de água, além de licopeno, antioxidante que ajuda a proteger as células. O melão também é uma excelente alternativa, por ser rico em água, potássio e vitamina C. Já o abacaxi, oferece boa quantidade de água, vitamina C e bromelina, enzima que auxilia na digestão.

Outra fruta recomendada é a laranja, fonte de água, vitamina C e potássio, nutrientes que contribuem para a reposição dos minerais perdidos pelo suor. A água de coco também merece destaque por fornecer eletrólitos naturais, especialmente o potássio, favorecendo a recuperação da hidratação após exposição prolongada ao calor.

Entre as frutas regionais, Daniela Ward ressalta o potencial do camu-camu, conhecido pelo elevado teor de vitamina C.

“Além da água, essas frutas oferecem potássio, magnésio, vitamina C, carotenoides, antioxidantes naturais e fibras, nutrientes que ajudam no equilíbrio dos líquidos corporais, na saúde muscular, na proteção das células e no funcionamento adequado do intestino”, afirma.

Apesar dos benefícios, a especialista reforça que as frutas não substituem o consumo diário de água. “Aproximadamente 20% da água ingerida ao longo do dia pode vir dos alimentos, especialmente frutas e verduras. No entanto, a maior parte da hidratação ainda deve ser garantida pela ingestão de água”, orienta.

Foto: Divulgação

Ela também explica que, embora os sucos naturais tenham efeito hidratante, a fruta consumida in natura continua sendo a melhor opção.

Atenção aos sinais de desidratação – Sede intensa, boca seca, urina escura e em pequena quantidade, dor de cabeça, fadiga, tontura, câimbras e dificuldade de concentração estão entre os principais sinais de desidratação. Em crianças e idosos, o quadro pode evoluir rapidamente, exigindo cuidados ainda maiores.

Para quem pratica atividades físicas ao ar livre, a nutróloga recomenda reforçar o consumo dessas frutas antes e depois dos exercícios. “Melancia e melão são excelentes opções após o treino. A banana e a laranja podem ser consumidas antes da atividade física, enquanto a água de coco auxilia na reposição de líquidos e eletrólitos após exercícios prolongados. As saladas de frutas também são ótimas alternativas para os lanches durante os dias mais quentes”, reforça.

*Com informações da Assessoria Pátio Goumert.

Carne de jacaré avança para nova etapa de reconhecimento geográfico

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Construção da Indicação Geográfica de carne de jacaré será realizada de 1º a 6 de setembro, na Resex Lago do Cuniã, após diagnóstico concluído em 2025. Foto: Herlan Lopes/ Secom Porto Velho

O processo para a obtenção da Indicação Geográfica (IG) da carne de jacaré avançará para uma nova etapa entre os dias 1º e 6 de setembro. Nesse período, será iniciado o trabalho de construção da IG, dando continuidade ao diagnóstico realizado em 2025.

As atividades acontecerão na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho, onde é realizado o manejo sustentável de crocodilianos para controle populacional. A prática ocorre de forma regulamentada e contribui para o equilíbrio ambiental, além de gerar trabalho e renda para as comunidades tradicionais.

A iniciativa é desenvolvida por meio da cooperação entre a Prefeitura de Porto Velho, através da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Semagric), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Sebrae.

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Imagem colorida mostra pessoas tirando carne de jacaré em abatedouro
Carne de jacaré avança para nova etapa de reconhecimento geográfico. Foto: Herlan Lopes/ Semcom Porto Velho

O prefeito Léo Moraes destacou que a valorização dos produtos da sociobiodiversidade fortalece a economia local e incentiva o desenvolvimento sustentável da região.

“Estamos trabalhando para que Porto Velho seja reconhecida não apenas pela riqueza da Amazônia, mas também pela capacidade de transformar seus recursos naturais em oportunidades para quem vive e produz aqui, sempre com responsabilidade ambiental. A Indicação Geográfica representa mais valor ao produto, mais renda para as comunidades e mais visibilidade para o nosso município”. 

Entre as atribuições do Ibama estão a emissão da Guia de Transporte, por meio do Sistema Nacional de Gestão da Fauna Silvestre (SisFauna), documento utilizado para regularizar o transporte dos couros provenientes do manejo, e o licenciamento do abatedouro onde ocorre o processamento dos animais.

Para o secretário da Semagric, Douglas Bener, o avanço representa uma oportunidade para fortalecer a cadeia produtiva. “A construção da Indicação Geográfica é um passo importante para valorizar um produto genuinamente amazônico, incentivar a produção sustentável e ampliar as oportunidades para produtores e comunidades tradicionais”.

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Carne de jacaré avança para nova etapa de reconhecimento geográfico. Foto: Herlan Lopes/ Secom Porto Velho

O diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural e Técnicas Agrícolas da Semagric, Herlan Alves Lopes, ressaltou que o processo é realizado em etapas. “O diagnóstico foi realizado no ano passado e, agora, avançaremos na construção da Indicação Geográfica. É um trabalho técnico e conjunto para reconhecer a origem, a identidade e as características da carne de jacaré”.

A expectativa é que o reconhecimento agregue valor ao produto, fortaleça o manejo sustentável para controle populacional e abra novos mercados. A iniciativa também busca consolidar Porto Velho e Rondônia como referências na produção sustentável e na valorização dos produtos da sociobiodiversidade amazônica.

*Por Jean Carla Costa/ Secom Porto Velho