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Extrato de laranja moro apresenta potencial contra úlcera gástrica, segundo estudo paraense

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Extrato de laranja moro. Foto: Alexandre de Moraes

Queimação na boca do estômago, piora ao ficar em jejum, vômitos com ou sem sangue, náuseas e azia: esses são alguns dos sintomas comuns em pessoas com úlcera gástrica, uma lesão que atinge a mucosa do trato digestivo. A doença pode se manifestar em três formas principais: gástrica (no estômago), duodenal (no início do intestino delgado) e esofágica (no esôfago).

Embora existam medicamentos eficazes no tratamento das úlceras, muitos pacientes enfrentam efeitos colaterais indesejáveis, como dor de cabeça, erupções na pele, tontura e sintomas gastrointestinais, incluindo náuseas, dores abdominais, gases, constipação e diarreia. Diante desse cenário, um estudo realizado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal do Pará (UFPA) trouxe uma alternativa promissora: o extrato da laranja moro demonstrou potencial gastroprotetor e cicatrizante, podendo ser usado como complemento no tratamento da úlcera gástrica.

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Originária da Itália, a laranja moro tem coloração avermelhada por conter antocianinas, pigmentos com forte ação antioxidante que não são encontrados em outras frutas cítricas.

Já conhecida por seu uso na perda de peso, controle do colesterol e fortalecimento do sistema imunológico, a fruta chamou a atenção da pesquisadora Allane Patrícia Santos da Paz, que aprofundou seus estudos na dissertação ‘Efeito gastroprotetor e cicatrizante do extrato padronizado de Citrus sinensis (L.) Osbeck (Morosil®)‘, orientada pela professora Vanessa Jóia de Mello.

Laranja moro atua contra úlcera gástrica
Laranja moro. Foto: Reprodução/Instagram-@armazemdaservasdefranca

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A pesquisa foi conduzida em etapas, com uma metodologia já consolidada. O primeiro passo foi o ensaio in vitro, utilizando células epiteliais de rim de macaco verde africano para analisar o potencial cicatrizante do extrato. Essa fase respeitou o princípio dos 3Rs, que orienta redução, substituição e refinamento do uso de animais em experimentos científicos.

Com os resultados iniciais promissores, os testes seguiram para a fase in vivo, em que úlceras gástricas foram induzidas em ratos, por três métodos diferentes:

  • com etanol, simulando lesões causadas por estresse oxidativo ou consumo excessivo de álcool;
  • com indometacina, representando o uso crônico de anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs);
  • e com ácido acético, para provocar lesões crônicas e profundas.

As substâncias foram aplicadas com precisão, por meio de uma cânula específica que conduzia o composto diretamente ao estômago dos animais, com a dosagem ajustada ao seu peso corporal.

Uma alternativa menos agressiva para uma doença comum

Uma das principais motivações da pesquisa foi encontrar uma alternativa que já estivesse disponível no mercado e que pudesse complementar o tratamento das úlceras gástricas de forma menos agressiva ao organismo. Em vez de utilizar a fruta in natura, a equipe optou pelo extrato padronizado da laranja moro, o Morosil®, já comercializado como suplemento para perda de peso.

“A escolha do extrato dessa laranja foi por ser um produto já comercializado. O Morosil® (nome comercial) já é usado para perda de peso. Seu potencial biológico, em especial suas características antioxidantes, nos fez apostar nessa outra aplicação”, explica Allane Paz.

Foto: Reprodução/Mercado Livre

Para garantir a padronização e a segurança da pesquisa, o extrato em pó foi adquirido por meio de uma distribuidora oficial.

O interesse em investigar novas alternativas para pacientes com úlcera se justifica pelo uso de remédios que, apesar de eficazes, frequentemente causam efeitos colaterais, como dores de cabeça, tontura e desconfortos gastrointestinais. A pesquisa teve, portanto, o objetivo de desenvolver uma estratégia complementar, que não substituísse os tratamentos convencionais, mas apresentasse menor possibilidade de efeitos adversos.

Entender como a úlcera se forma ajuda a compreender a proposta do estudo. A doença surge quando há um desequilíbrio entre os fatores que agridem o estômago, como álcool, medicamentos, estresse ou infecções, e os mecanismos naturais de proteção da mucosa gástrica, como a produção de muco. Quando as defesas do organismo falham, a mucosa se torna vulnerável e podem surgir lesões, gastrites e úlceras. Por isso compostos com ação antioxidante e cicatrizante, como os presentes no extrato da laranja moro, são considerados promissores.

Durante os experimentos, os pesquisadores observaram que o efeito do extrato foi dose-dependente, ou seja, variou conforme a quantidade administrada. Essa característica foi essencial para definir quais concentrações promoviam melhores resultados terapêuticos, permitindo um controle mais preciso da ação do composto.

Os resultados obtidos foram positivos: o Morosil® demonstrou eficácia semelhante à de medicamentos amplamente utilizados no tratamento das úlceras.

“No caso da úlcera crônica, induzida com ácido acético, comparamos com o omeprazol, e os resultados foram tão bons quanto. E na úlcera aguda, causada por etanol ou anti-inflamatórios, usamos o sucralfato como controle, e o efeito também foi positivo”, relata a pesquisadora.

Foto: Reprodução/Drogasil

Diante disso, o uso de compostos naturais, como o extrato da laranja moro, apresenta-se como uma alternativa acessível e potencialmente eficaz, especialmente em contextos de saúde pública, como o Sistema Único de Saúde (SUS), ou em regiões com menor acesso a medicamentos industrializados. De acordo com a pesquisadora, futuramente, uma nova frente de investigação analisará a associação do extrato com medicamentos convencionais, como o omeprazol.

“A gente testou o extrato sozinho, mas também seria interessante estudar o uso combinado. Será que, tomando junto com esse suplemento, o omeprazol teria seu efeito potencializado? Isso também ajudaria a reduzir os efeitos colaterais e, consequentemente, o abandono do tratamento”, conclui Allane Paz.

Sobre a pesquisa

A dissertação Efeito gastroprotetor e cicatrizante do extrato padronizado de Citrus sinensis (L.) Osbeck (Morosil®) foi defendida por Allane Patrícia Santos da Paz, em 2024, no Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas (PPGCF), da Universidade Federal do Pará, com orientação da professora Vanessa Jóia de Mello.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 177, escrito por Evelyn Ludovina

Desmatamento recua 52,9% no Amapá em ano de menor destruição histórica na Amazônia, aponta Inpe

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Desmatamento despenca 52,9% no Amapá em ano de menor destruição histórica na Amazônia. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

O Amapá registrou uma retração expressiva de 52,9% no desmatamento entre agosto de 2025 e julho de 2026, com a área derrubada caindo de 17 quilômetros quadrados para apenas 8 quilômetros quadrados. Os dados foram divulgados no dia 16 de outubro pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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O desempenho no estado acompanha o recuo generalizado na Região Norte e contribuiu para que a Amazônia Legal alcançasse a menor taxa de destruição de toda a sua série histórica, iniciada em 1988.

No acumulado geral do bioma, a queda foi de 41,8 por cento, fazendo a área total desmatada cair de 5.731 quilômetros quadrados para 3.335 quilômetros quadrados.

Saiba mais: Queda de 41,8%: Inpe detalha menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia

Desmatamento recua 52,9% no AP em ano de menor destruição histórica na Amazônia, aponta Inpe
Foto: Divulgação/Dema AP

Cenário nos estados da Região Norte

Na Região Norte, a maioria dos estados apresentou reduções acentuadas na área suprimida de vegetação nativa:

  • Tocantins: recuo de 73,3%, caindo de 30 para 8 quilômetros quadrados;
  • Amapá: recuo de 52,9%, caindo de 17 para 8 quilômetros quadrados;
  • Amazonas: recuo de 46,4%, caindo de 979 para 525 quilômetros quadrados;
  • Pará: recuo de 45,3%, caindo de 2.064 para 1.130 quilômetros quadrados;
  • Rondônia: recuo de 34,9%, caindo de 229 para 149 quilômetros quadrados;
  • Acre: recuo de 22,2%%, caindo de 324 para 252 quilômetros quadrados;
  • Roraima: variação estável de alta de 0,4% passando de 285 para 286 quilômetros quadrados.
Foto: Divulgação/Ibama

Entenda os dados oficiais do Inpe

Desmatamento versus incêndios: o monitoramento mede a supressão total da cobertura vegetal nativa ao longo do ano. Focos de calor e queimadas não entram automaticamente na contabilidade de desmatamento, a menos que destruam definitivamente a estrutura da floresta.

Deter versus Prodes: o sistema de alertas rápidos orienta a fiscalização diária, enquanto o sistema anual consolida o levantamento oficial definitivo.

Apuração de legalidade: o mapeamento identifica a retirada de vegetação, mas a verificação sobre a existência de autorização legal cabe aos órgãos competentes de controle.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica Amapá.

FIINSA: imersões mostram, na prática, como uma nova economia tem sido construída na Amazônia 

Imersões ajudam a entender a prática. Foto: Reprodução/Idesam

Conhecer de perto quem está transformando a sociobiodiversidade, conhecimento, tecnologia e cultura em soluções é a proposta do 4º Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA). No dia 3 de novembro, antes dos debates, oficinas e conexões, os participantes poderão escolher entre oito imersões em Manaus (AM) e arredores para conhecer iniciativas diretamente nos territórios onde estão acontecendo.

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A proposta tem o objetivo de aproximar o público das experiências que já estão colocando em prática diferentes caminhos para uma economia mais conectada aos territórios amazônicos. Em vez de apenas discutir inovação, conservação, sociobiodiversidade e desenvolvimento comunitário, os participantes conhecerão projetos, conversarão com seus protagonistas e observarão como essas iniciativas funcionam na prática.

“Quando a gente fala em uma nova economia para a Amazônia, é importante mostrar que ela já está acontecendo em diferentes lugares e de diferentes formas. A imersão permite que as pessoas conheçam essas experiências de perto, entendam seus desafios e percebam as possibilidades que existem para gerar valor a partir dos territórios”, afirma Gabriela Souza, gestora de operações da AMAZ e líder de Novos Negócios do Idesam.

Entre as opções está o Sítio PANC, localizado na região na zona rural de Manaus, para conhecer o trabalho do professor Valdely Kinupp com Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), agrofloresta e biodiversidade, além de participar de uma experiência gastronômica com espécies da floresta. Outra vivência será na Remata, iniciativa voltada à restauração produtiva e aos sistemas agroflorestais, que visa conciliar recuperação ambiental, produção e geração de renda.

Para quem se interessa por tecnologia e inovação, a programação inclui o Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (CIDE) e o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), que representam diferentes iniciativas relacionadas ao desenvolvimento tecnológico e à criação de soluções para a região.

Imersões mostram, na prática, como uma nova economia está sendo construída na Amazônia 
Imersões mostram, na prática, como uma nova economia está sendo construída na Amazônia. Foto: Reprodução/Idesam

A Vila de Paricatuba, em Iranduba, também integra a programação. Localizada a aproximadamente 40 minutos de Manaus, o território reúne patrimônio histórico, Turismo de Base Comunitária (TBC), cultura e novas oportunidades de geração de renda. A experiência inclui a Rota Turística de Paricatuba, as ruínas de um casarão centenário, a Sala-Museu e outros atrativos da vila.

Leia também: Memória amazonense: ruínas centenárias de Paricatuba ganham nova rota turística

Na área de conservação e ciência, a imersão no Museu da Amazônia (MUSA) permitirá percorrer a floresta de terra firme da Reserva Florestal Adolpho Ducke, subir na famosa torre de observação que tem 42 metros de altura e permite uma vista privilegiada da copa da floresta e conhecer iniciativas de educação ambiental, pesquisa e divulgação da biodiversidade amazônica.

A programação das imersões também contempla experiências relacionadas ao desenvolvimento comunitário urbano. No Instituto Soul do Monte, na zona norte de Manaus, será apresentado um trabalho que articula educação, cultura, esporte, formação e oportunidades para os moradores.

Já a criatividade e a cultura amazônica ganham destaque na oficina “Os sons da biodiversidade”, conduzida pelo músico e poeta Celdo Braga e por João Paulo Ribeiro, que desenvolvem bioinstrumentos a partir de elementos e materiais associados à floresta. Tem o objetivo de mostrar como sons, saberes e referências da Amazônia também podem se transformar em expressão cultural e novas possibilidades para a economia criativa.

A oitava experiência de imersões será realizada na sede do Impact Hub Manaus e propõe uma vivência voltada ao bem-estar e à conexão com elementos da cultura, yoga, ação com cacau cerimonial e banho de cheiro. 

Imersões serão realizadas em diversas alternativas. Foto: Reprodução/Idesam

“O primeiro dia das imersões cumpre dois papéis fundamentais. O primeiro é proporcionar um entendimento aprofundado do território antes dos dois dias de evento: os participantes escolhem suas jornadas de acordo com as trilhas temáticas e vivenciam na prática, em diálogo direto com empreendedores, o que são inovação e empreendedorismo na região. O segundo objetivo é a conexão, permitindo que as pessoas criem vínculos relevantes desde o início e cheguem aos dias seguintes já integradas e com uma visão clara da realidade e do contexto local”, destaca Juliana Teles, cofundadora do Impact Hub Manaus e do festival.

As imersões integram a programação especial do primeiro dia do FIINSA, que tem como tema “O futuro aponta para o Norte”. Ainda neste dia, à noite, a programação continua com um coquetel especial de abertura, às 18h30, no Centro Cultural Casarão de Ideias, situado no Centro Histórico de Manaus.

Já nos dias 4 e 5 de novembro, o festival acontece no Manaus Plaza Centro de Convenções, reunindo empreendedores, investidores, pesquisadores, lideranças comunitárias, organizações e representantes dos setores público e privado para debates, oficinas, rodadas de negócios, pitches, networking, apresentações culturais e outras atividades.

A participação nas imersões é exclusiva para quem adquirir o ingresso completo, na modalidade Raiz, e está sujeita à disponibilidade de vagas. Após a inscrição, o participante poderá indicar três experiências de sua preferência, e a organização fará a distribuição conforme a disponibilidade e informará posteriormente os detalhes de cada roteiro.

Realizado pelo Idesam e pelo Impact Hub Manaus, o FIINSA promoverá uma ampla agenda de atividades para aproximar pessoas, negócios, investimentos e conhecimentos, além de fortalecer iniciativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável da região amazônica.

*Com informações da assessoria

Estudantes criam sabonete esfoliante sustentável a partir de caroços de açaí, no Amapá

Estudantes criaram um sabonete esfoliante sustentável a partir de caroços de açaí. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica AP

Estudantes de Macapá (AP) desenvolveram o projeto ‘EcoAçaí‘, uma iniciativa sustentável que reutiliza caroços de açaí para criar sabonetes esfoliantes. A proposta reaproveita os resíduos gerados por batedeiras de açaí em Macapá e Santana, transformando o impacto ambiental do descarte incorreto em uma opção de cosmético natural.

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Estudantes do Amapá criam sabonete esfoliante sustentável a partir de caroços de açaí
Estudantes do Amapá criam sabonete esfoliante sustentável a partir de caroços de açaí. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica AP

Leia também: Estudantes de Barreirinha, no Amazonas, criam jogo didático com conceitos de termoquímica

Do descarte à fórmula

O processo de fabricação começa com a coleta do material nas batedeiras e passa por lavagem e secagem ao sol por sete dias. As etapas seguintes envolvem separação da fibra, trituração e peneiragem, até a mistura com a base glicerinada, óleo e extrato de coco.

A estudante Ana Clara Coelho, de 16 anos, explica a dinâmica para chegar ao produto final:

“Nós começamos primeiramente com a coleta dos caroços de açaí, tanto nas batedeiras de Santana quanto de Macapá. Após isso, nós lavamos os caroços e levamos para o processo de secagem, que é durante sete dias no sol. As três peneiras são para a gente garantir que aquele pó que chegou no sabonete não seja algo tão agressivo”.

Ana Clara Coelho, estudante que desenvolve o projeto do sabonete esfoliante no Amapá. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica AP

Ajustes na textura e proteção à pele

Durante os primeiros testes, a equipe enfrentou desafios com a textura do caroço e a reação na pele. A aluna Evelyn Miranda, de 17 anos, relembrou os ajustes necessários para garantir a segurança do sabonete:

“Nos protótipos iniciais, a gente decidiu entrar em contato com a pele e causava algumas alterações. Percebemos que o caroço tem uma parte muito amolada dentro e, na trituração, ela ficava ainda mais amolada. Por esse motivo, decidimos separar esse resíduo e pegar somente a casca que envolve a parte de dentro do caroço”.

Evelyn Miranda, estudante que desenvolve o projeto do sabonete esfoliante. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica AP

Evelyn acrescentou ainda que a escolha do ingrediente se deu pela abundância do fruto na Região Amazônica.

“O açaí é um produto muito regional da Amazônia. Foi um resíduo muito fácil de encontrar nas batedeiras do município de Macapá e Santana. Decidimos trabalhar com ele justamente para pegar um descarte abundante na região e transformar em um cosmético de valor”, afirmou.

Planos de expansão e foco comunitário

Além do formato em barra, os estudantes já planejam expandir o projeto para versões líquidas e testes com outras matérias-primas regionais.

Eric Maurício desenvolve o projeto do sabonete esfoliante no Amapá. Foto: Jeferson Gonçalves/Rede Amazônica

Para o aluno Eric Maurício, de 16 anos, a iniciativa vai além da sala de aula. “Nosso objetivo final é ajudar comunidades locais a reutilizar esses resíduos que estavam sendo descartados de forma inadequada no meio ambiente. Acho que tem muito potencial para ajudar não só o meio ambiente, como nós mesmos”, concluiu.

*Por Isadora Pereira e Mayra Carvalho, da Rede Amazônica Amapá.

Amazonense desfila no Victoria’s Secret Fashion Show e se torna 1ª modelo do estado a participar do evento mundial

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A modelo amazonense Luíza Perote estreou na passarela do Victoria’s Secret Fashion Show 2026 no último domingo (18), em Los Angeles (EUA). Foto: Reprodução/Instagram-luizaperotee

O Amazonas desfilou resiliência, superação e beleza na passarela do Victoria’s Secret Fashion Show 2026. Na noite deste domingo (18), a amazonense Luíza Perote participou do famoso desfile de moda promovido pela tradicional grife norte-americana em Los Angeles, nos Estados Unidos. Natural de Humaitá, a modelo de 21 anos se tornou a primeira nascida no território amazonense a participar do evento que faz parte do circuito internacional da moda.

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Na ocasião, Luíza desfilou vestida com um conjunto de lingerie azul-marinho com franjas de pedrarias e cristais no sutiã, calcinha de tiras duplas, espartilho acoplado a meias 7/8 pretas e sapatos de salto alto. Nas redes sociais, a amazonense agradeceu a oportunidade de estrear num dos principais desfiles de moda no mundo.

“Gente, eu finalmente sou um anjo!!! Sem palavras para descrever o quanto estou feliz por estar vivendo esse sonho, obrigado obrigado”, postou a amazonense, em seu perfil no Instagram.

Modelo amazonense Luiza Perote
Luiza Perote é natural de Humaitá, município localizado no interior do Amazonas. Foto: Reprodução/Instagram-luizaperotee

Modelo saiu do interior do Amazonas para o mundo

Luíza iniciou o contato com a moda aos 13 anos, quando venceu um concurso de modelos em Manaus. No entanto, em seus primeiros passos na área enfrentou episódios de bullying, principalmente no ambiente escolar, em razão da altura e do seu porte físico magro.

Mesmo assim, a humaitaense superou as intimidações, apegou-se ao sonho de infância e começou a ganhar mais visibilidade durante a pandemia da Covid-19, quando começou a gravar vídeos simulando desfiles nos corredores da casa que morava com a família e publicar nas redes sociais.

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A partir de então, Luíza começou a ser vista por agências de moda, personalidades e famosos, até ganhar sua primeira grande notícia: assinar seu primeiro contrato, aos 17 anos, com a EVOL MGMT.

Já no mercado profissional, a modelo amazonense viu sua carreira decolar na moda. Antes de estrear no Victoria’s Secret Fashion Show 2026, Luíza já acumulava desfiles para outras marcas famosas como Chanel, Gucci, Prada, Versace, Schiaparelli e Balenciaga.

Em 2025, ela recebeu o prêmio de Modelo do Ano no FFW Brasil Fashion Awards. Hoje, Luíza Perote integra a lista Top 50 do Models.com, portal especializado da moda.

Aos 21 anos, modelo amazonense Luiza Perote estreou no desfile da Victoria’s Secret Fashion Show 2026. Foto: Reprodução/Instagram-luizaperotee

‘Tereza de Benguela: Rainha do Guaporé’ resgata líder negra que desafiou a Coroa no coração da Amazônia

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“Tereza de Benguela: Rainha do Guaporé” resgata líder negra que desafiou a Coroa no coração da Amazônia. Foto: Divulgação

Durante duas décadas, Tereza de Benguela governou um reino livre no Vale do Guaporé. Transformou o Quilombo Grande, o Quariterê, em nação autônoma, com forjas, roças e um conselho de deputados que desafiava a Coroa Portuguesa. Capturada em 1770, morreu na cadeia de Vila Bela da Santíssima Trindade. Seu povo resistiu por mais 25 anos.

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É essa trajetória, quase apagada dos livros oficiais, que o jornalista, escritor e membro da Academia Rondoniense de Letras, Júlio Olivar, resgata no livreto ‘Tereza de Benguela: Rainha do Guaporé’, lançado pelo selo Amazônia Livros.

Com base nos Anais de Vila Bela — única fonte primária sobre o quilombo, hoje preservada na Newberry Library, nos EUA — e na história oral colhida de Elísio Ferreira de Souza, o primeiro a pesquisar Tereza nos anos 1940, Olivar constrói uma obra enxuta, mas densa.

O diferencial do livreto está no olhar interdisciplinar. Além da biografia da líder que deu origem ao Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra (Lei nº 12.987/2014), o autor traz uma contribuição original sobre linguística.

Defende que a Língua Caipiresa — falada no universo que vai de São Paulo a Mato Grosso e Rondônia — é um elo entre o tupi antigo, o português de Camões e elementos africanos, e lança a hipótese de que o próprio nome do quilombo do Quariterê tenha origem no nheengatu normatizado pelos jesuítas.

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Tereza de Benguela
Foto: A pintura a óleo “Mulher Negra Sentada de Frente”, criada em 1911 pelo artista plástico suíço Félix Edouard Vallotton (1865- 1925), foi adotada pelos movimentos negros brasileiros para representar Tereza de Benguela, homenageando-a como uma rainha quilombola. Imagem: Reprodução/Domínio público

Legado de Tereza de Benguela

Olivar também costura o passado ao presente. Lembra que Vila Bela ainda é 72% preta e parda e, segundo a pesquisadora Silviane Ramos, “é uma pequena África em Mato Grosso”. Mostra os nove quilombos que resistem hoje em Rondônia e os quase 12 mil quilombolas de Mato Grosso, 2,6 mil deles em Vila Bela. E critica a forma como a história oficial apaga a mão de obra negra, como nos mais de 360 escravizados que ergueram o Forte Príncipe da Beira.

Leia também: Real Forte Príncipe Da Beira, a maior edificação militar portuguesa construída fora da Europa

A obra traz ainda curiosidades pouco lembradas, como a homenagem feita pela Escola de Samba Viradouro (RJ) em 1994, quando três supostas descendentes de Tereza — Tereza, Vitória (irmãs de Vila Bela) e Inês (de Cáceres) — desfilaram no abre-alas na Marquês de Sapucaí, pesquisadas pelo carnavalesco Joãosinho Trinta, e a confusão criada ao chamá-la de “Rainha do Pantanal” por conta do sucesso da novela da Manchete.

Com fotos atuais de Vila Bela feitas pelo próprio autor, gravuras de Rugendas e imagens de arquivo, o livreto é, segundo o autor, “um gesto de idealismo”.

“Uma leitura necessária para academia, professores, estudantes e para quem quer entender que Vila Bela ainda é, e Tereza vive”.

O livreto é distribuído gratuitamente em formato PDF, com patrocínio do próprio autor, que não teve recursos para a impressão:

Escassez de peixes e ameaças aos territórios preocupam comunidades pesqueiras do Maicá e Ituqui, no Pará

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Foto: Rivail Araújo/Pascom São Raimundo

A escassez de peixes, a contaminação das águas e o avanço de atividades econômicas sobre os territórios pesqueiros estão entre os principais desafios enfrentados pelas comunidades das regiões do Maicá e do Ituqui, em Santarém (PA). A realidade foi identificada no levantamento que fundamenta a cartilha “Pesca Artesanal e Soberania Alimentar nas Regiões do Maicá e Ituqui”, lançada no dia 10 de outubro pelo Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP) da Arquidiocese de Santarém, em evento realizado no Centro Porão Cultural.

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Segundo Valdeci Oliveira, coordenadora do CPP, a preocupação com a diminuição do pescado motivou a realização do levantamento, que buscou demonstrar o potencial da pesca artesanal para as comunidades e para a economia das famílias.

“O impulso maior foi exatamente mostrar a importância que esses dois grandes rios, tanto o Ituqui quanto o Maicá, têm para a sociedade de Santarém, de uma forma geral, mas também, em especial, para as comunidades que compõem essas duas regiões”, explica Valdeci.

A pesquisa também evidenciou a relação direta entre a pesca artesanal e a soberania alimentar. Conforme a coordenadora, o pescado é uma proteína essencial para as famílias que dependem dos recursos disponíveis em seus territórios.

Valdeci Oliveira, coordenadora do CPP. Foto: Rivail Araújo/Pascom São Raimundo

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“A gente percebe a forte relação entre a pesca artesanal e a soberania alimentar das comunidades, seja por meio do pescado ou por outras produções, como a agricultura familiar. O pescado é uma proteína essencial para essas comunidades”, destaca.

Entre os principais desafios identificados estão o avanço de atividades portuárias, tanto clandestinas quanto legalizadas, a pecuária em larga escala, a poluição e a contaminação das águas, além da pesca predatória. Valdeci também chama a atenção para a insuficiência de políticas públicas voltadas à produção pesqueira (pesca artesanal) e à fiscalização ambiental.

“Dentre os principais desafios aos modos de vida dessas comunidades, tem a ameaça ao avanço das atividades portuárias, clandestinas, mas também as legalizadas, que estão nas comunidades, nos territórios pesqueiros. A pecuária em larga escala, a poluição e a contaminação das águas e a omissão do Estado, no sentido de trazer políticas públicas referentes à produção pesqueira e à própria fiscalização desses ambientes”, afirma.

A coordenadora acrescenta que outros fatores também comprometem a continuidade da atividade pesqueira. “Não podemos deixar de falar na pesca predatória, na cooptação de lideranças, de processos comunitários e nas mudanças climáticas, que vêm afetando essas comunidades e acabam sendo também uma ameaça à pesca artesanal”, ressalta.

Escassez de peixes e ameaças aos territórios preocupam comunidades pesqueiras do Maicá e Ituqui
Cartilha tem distribuição gratuita. Foto: Rivail Araújo/Pascom São Raimundo

O peixe como pão de cada dia

A importância do pescado para a alimentação das famílias é confirmada por João Paulo Costa dos Santos, pescador da Aldeia São Francisco da Cavada, na região do Planalto, e participante do CPP. Para ele, a pesca é a principal fonte de sustento das populações que vivem às margens dos rios.

“Nós vivemos mesmo da pesca. O peixe é o pão de cada dia, tanto para mim quanto para as famílias que moram na beirada. É o nosso alimento”, afirma João Paulo.

A realidade relatada pelo pescador também aparece no levantamento apresentado por Valdeci. Segundo ela, há famílias que consomem peixe cinco vezes por semana, o que demonstra a dependência direta dos estoques pesqueiros para a manutenção da alimentação cotidiana.

“Tem famílias que comem peixe cinco vezes por semana. É praticamente quase toda semana, exceto no sábado ou no domingo, quando deixam de fazer uso do pescado”, relata a coordenadora.

Diante desse cenário, a redução da quantidade de peixes nos rios pode comprometer a alimentação das comunidades, que dependem dos recursos encontrados nas proximidades de suas casas. Valdeci alerta para as consequências de uma diminuição significativa dos estoques pesqueiros, especialmente em períodos de seca extrema e de alterações ambientais.

Pescador João Paulo Costa dos Santos. Foto: Rivail Araújo – Pascom São Raimundo

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“Se tivermos uma seca extrema ou outra situação que faça com que o pescado tenha uma diminuição dos seus estoques, certamente teremos tempos muito difíceis, porque as famílias vão ter dificuldade de vir até a cidade. Elas fazem uso do pescado que está próximo de suas residências, de suas comunidades”, explica Valdeci.

Para a coordenadora, as próprias populações pesqueiras contribuem diretamente para a garantia de uma alimentação saudável. “A gente vem falando muito hoje sobre soberania alimentar como algo para o qual as próprias comunidades contribuem e ajudam, como, por exemplo, os processos organizativos de acordos de pesca comunitária. São elas que fazem com que a alimentação saudável esteja na mesa de suas famílias”, acrescenta.

Cartilha fortalece a luta das comunidades

Além de apresentar os resultados do levantamento, a publicação busca ampliar a visibilidade das reivindicações das comunidades e fortalecer a articulação em defesa dos territórios pesqueiros. Para João Paulo, a cartilha representa um apoio à mobilização que os moradores do Maicá vêm realizando há anos.

“Temos lutado há muito tempo pela defesa do nosso território, o Maicá. E essa cartilha publicada é uma maravilha para nós, porque o trabalho foi gerado na própria comunidade e vai permitir que Santarém tenha acesso a essas informações”, destaca o pescador.

Escassez de peixes e ameaças aos territórios preocupam comunidades pesqueiras do Maicá e Ituqui. Foto: Rivail Araújo/Pascom São Raimundo

João Paulo também considera importante que o material chegue às comunidades do Maicá e do Ituqui, contribuindo para que as informações sejam compartilhadas e fortaleçam a luta coletiva. “A gente vem lutando há muito tempo e, agora, graças a Deus, saiu essa cartilha que queríamos publicar para o povo. Vamos levar para o nosso território e também para o Ituqui”, afirma o pescador.

A proposta do CPP é ampliar o alcance da publicação, disponibilizando exemplares para organizações sociais e instituições públicas.

“Pretendemos encaminhar a cartilha não só para a Secretaria Municipal de Pesca, mas também para a Câmara Municipal, para a Prefeitura e para os órgãos ambientais, para que eles tenham esse instrumento e possam nos ajudar a cuidar desses territórios”, explica Valdeci Oliveira.

Apresentações nas comunidades

Como parte do processo de compartilhamento dos resultados, o CPP realizará novas apresentações da cartilha nos territórios envolvidos. No dia 17 de outubro, o material será apresentado na Aldeia São Francisco da Cavada, na região do Planalto, e, no dia 20 de outubro, na Comunidade Aracampina. As duas atividades estão previstas para as 9h.

A proposta é compartilhar com as comunidades os resultados de um trabalho construído com sua participação e ampliar o acesso às informações sobre a pesca artesanal, fortalecendo a mobilização em defesa dos territórios, dos rios e da soberania alimentar.

*Por Aritana Aguiar e Rivail Araújo, da Arquidiocese de Santarém

Escala 5×2, aprovada a toque de caixa, traz mais incertezas do que benefícios para a economia brasileira

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ZFM. Foto: Reprodução/Arquivo/Secom AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A PEC 221/19, que alterou o art. 7º da Constituição Federal, reduz a escala máxima semanal do trabalho e determina dois dias de repouso semanal remunerado, sem qualquer redução salarial, foi aprovada em dois turnos pelo Senado na quarta-feira, 14, por 75 votos, dos 83 da Casa, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais. Na implantação do sistema 5×2, a primeira mudança ocorrerá dois meses após a publicação da Emenda Constitucional, a ser promulgada pelo Congresso Nacional sem a necessidade de sanção presidencial.

Pelo novo regime, a jornada máxima cairá de 44 para 42 horas semanais e os trabalhadores passarão a ter direito à segunda folga; um ano depois, o limite reduz-se a 40 horas. A escala 5×2, que substitui a 6×1 vigente, pode permitir aos trabalhadores brasileiros mais tempo para descansar sem perder renda, contudo, para as empresas, independentemente do porte, interpõem-se desafios, no momento, praticamente intransponíveis.

Dentre estes, como reorganizar as equipes ou contratar funcionários para cobrir os horários que ficarão descobertos, como harmonizar os cálculos das horas extras, os acordos coletivos em vigor e a organização das escalas de trabalho. Máquinas mais eficientes, tecnologia, treinamento ou uma organização melhor das equipes passam a se tornar elementos essenciais à promoção desses ajustes.

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“No pain, no gain“, máxima que expressa a realidade subjacente a qualquer regime político em que se viva. A começar pelas abissais dificuldades de elevar a produtividade do sistema produtivo, a medida da eficiência com que os recursos (tempo, trabalho, capital, máquinas e materiais) são convertidos em bens ou serviços. O Brasil ocupa a 94ª posição no ranking que indica a produtividade do trabalho em 184 países.

O indicador, calculado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), é obtido dividindo o Produto Interno Bruto (PIB) em dólar pelo total de horas trabalhadas pela população economicamente ativa de cada país. Com US$ 21,2, o País fica abaixo de Uruguai (US$ 38), Chile (US$ 34,4), Argentina (US$ 33,8) e até Cuba (US$ 22,6). Considerando o grupo dos sete países mais desenvolvidos do mundo (G7), a média é de US$ 74,6, com os Estados Unidos na liderança (US$ 81,8, 13ª posição) e o Japão em último (US$ 52,7, 40º), mais que o dobro da produtividade brasileira.

Ainda segundo a OIT, os brasileiros trabalham em média 38,9 horas por semana, valor inferior ao de 97 países e territórios integrantes do ranking. Em nações que crescem em ritmo acelerado, como a China (46,1 h), a Índia (45,7 h) e até o México (42,2 h), as pessoas trabalham uma média de horas maior do que a do brasileiro.

Depreende-se dessas avaliações que as incertezas sobre ganhos para a classe trabalhadora e a economia nacional são bem maiores que as certezas. De acordo com análises da revista Forbes, o tamanho do impacto do novo sistema estende-se ao cálculo de quanto precisará investir para manter o funcionamento dos negócios.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a mudança pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) em 0,7%, o equivalente a R$ 76,9 bilhões. Para a FGV Ibre uma queda de até 2,9% no PIB caso as empresas não consigam compensar a redução das horas trabalhadas com ganhos de eficiência ou outros ajustes.

escala pode mudar forma de produção no polo industrial de manaus PIM
Foto: Reprodução/Honda

De acordo com o presidente Lúcio Flávio Oliveira, do CIEAM – Centro das Indústrias do Amazonas, em nota enviada à coluna, o setor produtivo amazonense acompanhou com atenção a tramitação da PEC e entende que merecia debate qualificado, considerando os impactos sobre a competitividade, o emprego formal e a sustentabilidade econômica das diferentes regiões do país.

No caso da Zona Franca de Manaus, qualquer alteração estrutural na jornada de trabalho precisa ser analisada à luz das condições específicas de produção na Amazônia. A indústria local opera com custos logísticos superiores, maior complexidade de suprimentos e necessidade permanente de equilíbrio regulatório para manter sua inserção competitiva no mercado nacional e internacional.

Para Lúcio Oliveira, mudanças que elevem custo unitário da produção sem ganho equivalente de produtividade podem comprometer investimentos, reduzir margens operacionais e afetar a geração de empregos formais na região. O setor industrial espera que na implantação da 5×2 negociações coletivas continuem sendo o instrumento mais adequado para ajustar jornadas às realidades setoriais, permitindo avanços nas condições de trabalho sem comprometer a sustentabilidade das empresas e dos empregos gerados.

A previsibilidade jurídica e a estabilidade regulatória são elementos essenciais para manter investimentos, preservar empregos e sustentar o papel estratégico da indústria na economia amazonense. O Brasil pode evoluir nas relações de trabalho, mas essa evolução precisa ser construída com responsabilidade, técnica e respeito às especificidades regionais que estruturam o desenvolvimento nacional, conclui.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Biblioteca virtual reúne mais de 300 zines gratuitos e amplia acesso à produção independente no Amapá

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Plataforma está disponivel para android e IOS. Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

Com mais de 300 publicações disponíveis gratuitamente, a Biblioteca de Zines foi criada para ampliar o acesso à produção independente e incentivar a leitura. A plataforma reúne obras de diferentes autores e permite que os leitores explorem histórias, ilustrações e quadrinhos que misturam elementos da cultura regional com a linguagem das HQs.

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Atualmente, a plataforma tem cerca de mil inscritos na newsletter e mantém um clube mensal de zines, que busca aproximar o público da produção cultural independente.

Como funciona a plataforma?

Uma das principais características da Biblioteca de Zines é ser uma plataforma de código aberto. Isso significa que qualquer pessoa pode acessar a estrutura do projeto, criar iniciativas semelhantes ou contribuir com melhorias e atualizações.

Autores interessados em divulgar seus trabalhos podem enviar as obras pelo site. Depois disso, o material passa por uma avaliação da equipe responsável pela plataforma.

Durante a análise, a equipe verifica o conteúdo da publicação, suas informações técnicas e se os arquivos estão funcionando corretamente. Após a aprovação, a obra é catalogada e disponibilizada para leitura.

A Biblioteca de Zines foi criada pela designer e artista Luana Góes, de 22 anos, com a ajuda da irmã. Segundo Luana, o projeto surgiu do interesse em explorar temas ligados à cultura, à memória e à identidade por meio da produção artística independente.

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Biblioteca virtual reúne mais de 300 zines gratuitos e amplia acesso à produção independente no AP
Foto: Reprodução/Instagram-@luana.g.m

Para Luana, os zines representam uma ferramenta importante de democratização da informação.

“O zine é uma forma de publicação independente. Você não depende de editora nem de um grande investimento para produzir e distribuir seu material. Por isso, é uma fonte muito importante de informação”, afirmou.

O que são zines?

Zines são publicações independentes, geralmente produzidas de forma artesanal e distribuídas em pequenas tiragens. O formato surgiu como uma alternativa para compartilhar ideias, histórias, ilustrações e opiniões sem depender de editoras ou grandes veículos de comunicação.

Entre as principais características dos zines estão:

  • ✂️ Produção independente no estilo “faça você mesmo”;
  • 📄 Formatos simples, que podem ser impressos ou digitais;
  • 🎨Liberdade criativa para abordar diferentes temas;
  • 🗣️Espaço para expressão pessoal e comunitária;
  • 📚 Baixo custo de produção e distribuição.
Foto: Reprodução/Instagram-@luana.g.m

Projeto recebeu reconhecimento nacional

O trabalho desenvolvido por Luana também recebeu reconhecimento nacional. A artista venceu o 3º Prêmio Mapinguari de Quadrinhos, na categoria Melhor Subproduto ou Adaptação de HQ.

Segundo a criadora da plataforma, a premiação reforça a importância do projeto e mostra que a iniciativa tem alcançado públicos além da região Norte.

Prêmio Mapinguari de Quadrinhos, na categoria Melhor Subproduto ou Adaptação de HQ. Foto: Reprodução/Instagram-@luana.g.m

Para Luana, a premiação representa um reconhecimento importante para artistas da região Norte.

“É muito difícil para nós, nortistas, recebermos esse tipo de reconhecimento. A premiação mostra que estamos no caminho certo. A cena dos zines é muito concentrada no Sudeste, então ficamos muito felizes por receber esse prêmio”, destacou.

*Por Mariana Ferreira e Raylana Dantas, Rede Amazônica AP

Estudo revela que regeneração natural de floresta ajuda a conter avanço de espécies invasoras

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Uma paineira (Ceiba speciosa), espécie nativa, floresce cercada da invasora leucena (Leucaena leucocephala) em floresta secundária de Piracicaba (SP). Foto: Paulo Guilherme Molin/UFSCar

A presença de árvores não nativas é frequentemente vista como um obstáculo para a recuperação de florestas tropicais que voltam a crescer em áreas antes desmatadas. Com o objetivo de entender como essas plantas se comportam ao longo dos anos em matas úmidas e secas, pesquisadores de aproximadamente 60 instituições analisaram dados de mais de 1,5 mil áreas em regeneração nas Américas. Os resultados, publicados na revista Nature Plants, indicam que o domínio inicial das espécies exóticas é passageiro. Elas se multiplicam com facilidade nos primeiros 10 a 20 anos, aproveitando o sol abundante dos terrenos abertos, mas entram em declínio conforme as árvores nativas crescem e passam a sombrear a floresta.

Segundo Angelica Faria de Resende, primeira autora do artigo, a preocupação inicial com essas plantas se justifica porque, “ao substituir o papel de uma ou mais espécies nativas e alterar processos naturais, as invasoras podem modificar as redes tróficas e a diversidade funcional, estrutural e biológica na floresta”.

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O estudo foi realizado durante seu pós-doutorado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), com bolsa da FAPESP e período de estágio na Universidade de Stirling, na Escócia. Os dados levantados pela equipe mostram que essa interferência é mais expressiva nas matas úmidas – onde, nas duas primeiras décadas, as árvores exóticas chegaram a representar 28% dos troncos e 22% do total de espécies – do que nas florestas secas, onde atingiram 9% em ambos os indicadores.

Na avaliação da pesquisadora, o impacto tende a ser parcial ou temporário. “Chamou nossa atenção que tanto a diversidade de espécies quanto a quantidade de indivíduos caíram consideravelmente logo após esse pico inicial”, afirma Resende, ressaltando que, embora algumas árvores não nativas permaneçam na fase adulta da mata, sua presença se torna reduzida à medida que a floresta amadurece.

Esse recuo ocorre porque as árvores exóticas encontradas nessas áreas costumam ter características semelhantes às das espécies nativas chamadas “pioneiras”: têm crescimento rápido e precisam de luz abundante para se desenvolver, como a que existe em pastagens recém-abandonadas. No início da regeneração, ambas disputam espaço, mas acabam cedendo lugar às árvores nativas de crescimento lento, que germinam na sombra e gradualmente assumem o domínio da paisagem.

“As não nativas são oportunistas e se aproveitam quando as condições são favoráveis”, resume Resende. Segundo a pesquisadora, à medida que a mata se fecha e o ambiente deixa de ser propício para espécies que dependem de sol pleno, elas passam a se manter apenas em baixas densidades.

Parte das áreas monitoradas no trabalho integra o projeto “Compreendendo florestas restauradas para o benefício das pessoas e da natureza – NewFor”, apoiado pela FAPESP por meio do Programa BIOTA e pela Organização Neerlandesa para a Pesquisa Científica (NWO).

Invasora ou não, eis a questão

Das 3.735 espécies amostradas, 131 eram consideradas não nativas/não invasoras, 14 não nativas/potencialmente invasoras (reportadas como invasoras em outro país) e 11 não nativas/invasoras. Nas florestas secas, as não nativas estavam presentes em 18% das parcelas estudadas, e nas úmidas, em 41%.

Para entender a diferença entre não nativa/invasora e não nativa/não invasora, dois exemplos no Brasil são ilustrativos. O pinus (Pinus elliottii) é originário do hemisfério Norte e usado no Brasil por conta da madeira e da resina. Como dispersa sementes pelo ar e brota sem necessidade de interferência humana, dominando paisagens, é considerado uma espécie invasora. Já o eucalipto (Eucalyptus spp.) é um exemplo de espécie não nativa e não invasora. Apesar de ser originária da Oceania, por aqui não se espalha sozinha, ocorrendo apenas onde é plantada, normalmente para produção de madeira, papel e celulose.

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Foto: Reprodução/Ipam

“Em alguns países, o critério científico nem sempre é suficiente, e a decisão de classificar como invasora ou não acaba sendo política, uma vez que órgãos governamentais são responsáveis por expedir listas oficiais de espécies invasoras. Algumas espécies são amplamente utilizadas na agricultura e são percebidas como vantajosas para a economia e, portanto, não são consideradas invasoras”, conta Resende.

Regeneração natural de florestas ajuda a conter o avanço de espécies invasoras
Estudo internacional revela que o próprio amadurecimento das matas secundárias atua como uma solução natural para reduzir a densidade de árvores não nativas e recuperar ecossistemas
Estudo foi feito por cientistas de 60 instituições. Foto: Reprodução/Agência Fapesp

No estudo, muitas espécies listadas como não nativas/não invasoras contabilizaram mais de 25% dos troncos amostrados em algumas áreas, como a Croton glabellus e a leucena (Leucaena leucocephala) na Colômbia, a Piper colonense na Costa Rica, o cajueiro-japonês (Hovenia dulcis) no Brasil e a resedá-gigante (Lagerstroemia speciosa) no Panamá.

Pesquisa analisou áreas florestais de dez países

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores analisaram dados de 1.561 trechos representativos de florestas secundárias localizados em dez países neotropicais – Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Guiana Francesa, México, Panamá, Peru, Porto Rico e Venezuela.

Para contornar o fato de que uma floresta leva décadas para crescer, os pesquisadores usaram a seguinte estratégia: em vez de acompanhar a mesma área por anos, analisaram trechos com idades diferentes em uma mesma região (de recém-abandonadas a mais maduras). Nessas parcelas amostrais, todas as árvores a partir de um diâmetro mínimo foram identificadas e medidas, permitindo reconstruir como a vegetação evolui ao longo do tempo.

Entre as descobertas, os pesquisadores observaram que a riqueza de espécies não nativas aumenta à medida que sobe o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Por outro lado, densidade e riqueza diminuem à medida que aumentam a cobertura florestal do entorno, a proximidade com áreas de agricultura e a precipitação.

“Nossos achados sugerem que a regeneração natural de florestas e a manutenção de paisagens relativamente intactas provêm uma solução baseada na natureza para controlar espécies não nativas, ao mesmo tempo em que protegem a biodiversidade natural, a integridade do ecossistema e os modos de vida locais”, encerra a pesquisadora.

O trabalho também recebeu financiamento da FAPESP por meio de Bolsa de Pós-Doutorado para Fabio Matos na Esalq-USP, que atualmente realiza estágio na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por André Julião