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Fundo Amazônia apoia Inpe no uso de IA para monitoramento rápido e antecipação de riscos ambientais

Fundo Amazônia ampliou sua atuação na prevenção e no combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas, com R$ 521 milhões contratados para ações em 14 estados e três biomas. Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace

O Fundo Amazônia vai destinar R$ 147,6 milhões ao projeto Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), que vai desenvolver uma nova geração de ferramentas capazes de tornar o monitoramento da vegetação nativa brasileira mais rápido, detalhado e capaz de antecipar riscos. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (16), durante a apresentação dos novos dados de desmatamento produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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Na Amazônia, o desmatamento caiu 41,8%, passando de 5.731 km² para 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, a menor taxa da série histórica iniciada em 1988. No Cerrado, a redução foi de 23,8%, de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², também o menor resultado da série histórica do bioma, iniciada em 2001.

O projeto SIM-Biomas foi aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo Amazônia, em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). A iniciativa prevê o uso de inteligência artificial e aprendizado de máquina para aprimorar a identificação de desmatamento, degradação e recuperação da vegetação, ampliar o monitoramento das áreas atingidas pelo fogo e criar indicadores capazes de apontar áreas com maior risco ambiental no curto prazo.

A proposta é fortalecer a capacidade do país de enxergar melhor, enxergar mais rápido e antecipar riscos, produzindo informações para apoiar ações de fiscalização, prevenção e controle ambiental.

“O Fundo Amazônia vai ajudar o INPE a aperfeiçoar uma estrutura de monitoramento que é estratégica para o país. Com mais precisão, velocidade e capacidade de antecipar riscos, será possível produzir informações ainda mais qualificadas para apoiar a prevenção e o controle do desmatamento, da degradação e dos incêndios florestais”, afirma o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

O projeto será executado pela Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate), com execução técnica a cargo do Inpe. O apoio é não reembolsável e o prazo de execução previsto é de 60 meses.

Integração

Uma das principais entregas será a integração das ferramentas Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (Prodes) e Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). O Prodes é utilizado para produzir as taxas de perda de vegetação nativa, enquanto o Deter gera alertas em tempo quase real para apoiar as ações de fiscalização e controle do desmatamento e da degradação.

Com a automação da análise das imagens e o uso de inteligência artificial, o projeto pretende combinar a precisão espacial do Prodes com a rapidez do Deter. Também está prevista a automação da detecção de alertas e o desenvolvimento de um sistema integrado que permita aumentar a frequência de geração das informações do Prodes, inclusive com produção de dados intra-anuais.

“A aprovação do Projeto SIM-Biomas é uma grande notícia para as políticas públicas ambientais e climáticas brasileiras e para o Inpe em particular. O novo projeto significa avanços técnico-científicos e metodológicos disruptivos nos sistemas e plataformas do Inpe, produtos singulares e referências nacional e internacional, associados à produção do melhor e mais qualificado dado e informação de desmatamento, queimada e uso e cobertura, que serão produzidos em menor tempo e com qualidade superior”, diz o diretor do Inpe, Antônio Miguel Vieira Monteiro.

“O projeto permitirá continuar a oferecer as melhores tecnologias e metodologias para monitoramento de florestas tropicais do mundo. E com licenças de software, métodos e metodologias abertas, replicáveis e verificáveis”, acrescenta.

O projeto prevê ainda a expansão do Deter para os biomas Caatinga, Mata Atlântica e Pampa. Atualmente, o Inpe realiza monitoramento diário das atividades de supressão e degradação ambiental nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal.

Na prática, o objetivo é encurtar a distância entre a identificação de uma alteração na vegetação e a produção da informação necessária para orientar a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização e pelo controle ambiental.

Sede do Inpe Amazônia em Belém (PA).
Sede do Inpe Amazônia, em Belém (PA). Foto: Reprodução/PCT Guamá

Detalhamento

Outro avanço previsto é o aumento da precisão do mapeamento das áreas efetivamente atingidas pelo fogo. Atualmente, com exceção do Bioma Cerrado, o monitoramento nacional de áreas queimadas realizado pelo Inpe opera com resolução espacial de 1 quilômetro. A nova metodologia deverá permitir o mapeamento das cicatrizes de queimadas com resolução de 30 metros em todos os biomas brasileiros, também com utilização de inteligência artificial.

Com muito mais detalhe, será possível identificar com maior precisão onde o fogo passou e qual foi a extensão da área atingida, gerando informações que poderão apoiar o planejamento de ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. O projeto prevê ainda a produção sistemática de mapas de áreas queimadas e de séries históricas com a nova metodologia.

“O apoio do Fundo Amazônia ao SIM-Biomas fortalece uma capacidade essencial para a política ambiental brasileira: produzir informação de qualidade em tempo cada vez menor. Ao combinar inteligência artificial, maior precisão e indicadores de risco, o projeto vai permitir ao Inpe aperfeiçoar o monitoramento dos biomas e apoiar de forma mais efetiva as ações de prevenção, fiscalização e controle”, afirma a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello.

Leia também: Fundo Amazônia: R$ 50,5 milhões são destinados para gestão territorial e ambiental quilombola na Amazônia Legal

Antecipação de riscos

O projeto também prevê a criação de um Subsistema de Inteligência Territorial. A ferramenta combinará informações sobre desmatamento, degradação e recuperação da vegetação com dados fundiários, socioeconômicos e climáticos e utilizará técnicas de machine learning e deep learning para produzir indicadores de risco de curto prazo de desmatamento e degradação.

A proposta é avançar de um monitoramento voltado principalmente para registrar o que já ocorreu para um sistema que também ajude a indicar onde os riscos são maiores. As informações poderão apoiar o planejamento de ações de fiscalização, controle e adaptação por instituições federais, estaduais e municipais.

As análises poderão ser organizadas por diferentes recortes territoriais, como bacias hidrográficas e terras indígenas. Também serão desenvolvidas ferramentas para construção de cenários de longo prazo, capazes de simular possíveis trajetórias de desmatamento, degradação e recuperação da vegetação diante de diferentes condições econômicas, climáticas e de políticas públicas.

Medição de gases

Outra frente do projeto buscará aperfeiçoar a medição das emissões de gases de efeito estufa na Amazônia. Estão previstos sobrevoos na região, com coleta de amostras da atmosfera para medir as concentrações de dióxido de carbono (CO₂), metano (CH₄), óxido nitroso (N₂O) e monóxido de carbono (CO).

Os dados obtidos diretamente na atmosfera serão comparados com as estimativas calculadas a partir de mudanças observadas na vegetação, como desmatamento, degradação e regeneração. A comparação deverá reduzir incertezas e permitir o aprimoramento das metodologias utilizadas para calcular o balanço de emissões de gases de efeito estufa da Amazônia.

O projeto prevê ainda a geração de estimativas intra-anuais e anuais de emissões, de cenários de longo prazo de emissões e remoções e de mapas atualizados de biomassa e carbono para a Amazônia e o Cerrado. As informações também contribuirão para os inventários brasileiros de emissões e para os relatórios apresentados pelo país no âmbito do Acordo de Paris.

Pesquisa avalia impacto das mudanças climáticas na mortalidade de árvores e emissão de carbono.
Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

TerraBrasilis++

Os dados produzidos pelas diferentes frentes do projeto serão reunidos em uma nova plataforma pública, denominada TerraBrasilis++. O ambiente permitirá visualizar de forma integrada mapas, gráficos, indicadores, alertas e outras informações produzidas pelos sistemas de monitoramento.

A plataforma contará com uma sala de situação ampliada, voltada ao acompanhamento de indicadores, alertas e riscos, e uma nova sala de cenários, destinada à visualização e análise de diferentes projeções para os biomas brasileiros. O projeto inclui também a ampliação da infraestrutura computacional do INPE para armazenamento e processamento de grandes volumes de imagens e dados geográficos, atualização das coleções de imagens, mosaicos e cubos de dados e aprimoramento das tecnologias do Brazil Data Cube.

Com essas entregas, a iniciativa busca fortalecer o monitoramento por satélite como instrumento de prevenção e controle do desmatamento, da degradação da vegetação e dos incêndios florestais, combinando maior precisão, maior velocidade na produção das informações e capacidade de antecipar riscos.

Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia ampliou a atuação na prevenção e no combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas, com R$ 521 milhões contratados para ações em 14 estados e três biomas — Amazônia, Cerrado e Pantanal. O apoio do Fundo combina o fortalecimento dos Corpos de Bombeiros, brigadas florestais, Força Nacional de Segurança Pública e estruturas de monitoramento e resposta em campo. A carteira prevê 500 veículos, 33,8 mil equipamentos de uso individual, capacitação de 5 mil pessoas e 30 bases operacionais, além de sistemas, drones e equipamentos especializados para prevenção, monitoramento e combate direto ao fogo.

Do total aprovado, R$ 371 milhões foram destinados a nove projetos de apoio aos Corpos de Bombeiros dos estados da Amazônia Legal. Os recursos financiam veículos especializados, equipamentos de proteção individual, materiais de combate a incêndios, estruturação de bases operacionais, capacitação e ações de prevenção junto a comunidades, agricultores e agentes locais.

Outro eixo central nessa atuação do Fundo Amazônia é o apoio de R$ 150 milhões ao projeto Manejo Integrado do Fogo: Cerrado e Pantanal, aprovado em julho de 2025.  O projeto, executado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), fortalece a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF) e amplia a capacidade de prevenção, monitoramento e combate a incêndios florestais e queimadas não autorizadas em cinco estados — Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Bahia e Piauí — além do Distrito Federal.

O Fundo Amazônia soma R$ 5,3 bilhões em doações e 159 projetos aprovados ao longo de 18 anos de atuação, com presença em três de quatro municípios da Amazônia Legal – são mais de 500 municípios, em uma carteira de projetos baseados na proteção das florestas e na melhoria da vida de quem vive nela.

As iniciativas apoiadas beneficiam mais de 650 organizações em 75% dos municípios da Amazônia Legal; 167 Terras Indígenas; Corpos de Bombeiros de todos os nove estados da Amazônia Legal; e, também, dos seis estados que compõem o Cerrado e o Pantanal (MS, GO, MG, PI, BA e DF; 192 Unidades de Conservação; e cerca de 260 mil pessoas; além das forças de segurança pública da Amazonia Legal e da Força Nacional.

O Fundo Amazônia tem atualmente nove doadores internacionais (Noruega, Alemanha, Reino Unido, União Europeia, Estados Unidos, Suíça, Dinamarca, Irlanda e Japão).

Informações detalhadas sobre governança, carteira, doações e cada um dos projetos apoiados estão disponíveis no site do Fundo Amazônia.

*Com informações do Agência BNDES de Notícias

Moradores e biólogos mapeiam animais no Amapá para proteção de unidade de conservação

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Moradores e biólogos se unem para proteger e mapear animais em reserva no Amapá. Foto: Reprodução/Arquivo Sema AP

Animais como borboletas frutívoras, aves terrestres, primatas, roedores e tatus foram mapeados durante a segunda expedição de monitoramento de biodiversidade de 2026 na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru (RDSI), no Amapá. Os dados foram apresentados no dia 13 de outubro. O levantamento integra o Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora) e dá sequência ao estudo iniciado em agosto.

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O trabalho em campo reuniu biólogos e moradores das comunidades vizinhas, que atuam como monitores locais com suporte do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e coordenação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).

Para estudar as borboletas que se alimentam de frutas, os pesquisadores espalharam 48 armadilhas ao longo de três trilhas da reserva. Para os mamíferos e aves, foram feitas caminhadas padronizadas em áreas delimitadas da floresta.

“Cada expedição dá continuidade a um trabalho que precisa ser realizado de forma sistemática. Quando repetimos as coletas nas mesmas estações amostrais, conseguimos comparar os registros e compreender melhor a ocorrência das espécies na reserva”, explica Maíra Lopes, chefe da Unidade de Conservação e analista de meio ambiente.

Leia também: Memória da flora: herbário reúne mais de 10 mil plantas em universidade no Amapá

A gestora ressalta ainda o papel dos moradores da região no projeto. “A participação dos monitores das comunidades também é fundamental, porque contribui para o trabalho de campo e fortalece o envolvimento local na conservação da biodiversidade do Rio Iratapuru”, disse.

Trabalho comunitário e próximas etapas para proteção dos animais

A repetição do monitoramento nos mesmos locais permite comparar os dados ao longo do tempo e mapear as transformações na floresta.

Moradores e biólogos mapeiam animais no Amapá para proteção de unidade de conservação
Mapeamento de animais conta com ajuda de comunitários. Foto: Reprodução/Arquivo Sema AP

A próxima etapa do estudo está agendada para ocorrer entre 18 de novembro e 5 de dezembro. O novo grupo focará na contagem de dos animais – mamíferos e aves – completando cinco anos de acompanhamento contínuo da fauna na reserva.

“Investir no monitoramento da biodiversidade é fortalecer a capacidade de conhecer e proteger nossas riquezas naturais. A coleta contínua de dados permite acompanhar mudanças ao longo dos anos e produzir informações que contribuem para decisões mais seguras na gestão das unidades de conservação. É um trabalho de longo prazo, essencial para preservar a floresta e sua biodiversidade para as próximas gerações”, afirma Taísa Mendonça, secretária de Estado do Meio Ambiente.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Queda de 41,8%: Inpe detalha menor taxa de desmatamento da série histórica na Amazônia

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Amazônia registra queda no desmatamento de 41,8% e Cerrado de 23,8% em relação ao período anterior, segundo monitoramento do INPE. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

O governo federal divulgou nesta sexta-feira (16) as taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado em 2026, a partir dos dados do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros – BiomasBR, realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Na Amazônia, o desmatamento foi de 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, redução de 41,8% em relação ao período anterior, quando foram registrados 5.731 km². É a menor taxa da série histórica, iniciada em 1988.

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O valor de 5.731 km² é a taxa consolidada pelo INPE para o período de agosto de 2024 a julho de 2025. O menor valor anterior da série havia sido registrado em 2012, com 4.571 km².

As maiores áreas desmatadas foram registradas no Pará, com 1.130 km²; em Mato Grosso, com 849 km²; e no Amazonas, com 525 km².

Estado2024/2025 (km²)2025/2026 (km²)Variação
Pará2.0641.130−45,3%
Mato Grosso1.593849−46,7%
Amazonas979525−46,4%
Roraima285286+0,4%
Acre324252−22,2%
Rondônia229149−34,9%
Maranhão210128−39,0%
Amapá178−52,9%
Tocantins308−73,3%
Total5.7313.335−41,8%

Coordenação das ações federais

A estratégia federal de prevenção e controle do desmatamento combina monitoramento por satélite, fiscalização, ordenamento territorial e fomento a atividades produtivas sustentáveis, com instrumentos normativos e econômicos voltados à conservação e ao uso sustentável da vegetação nativa.

As ações estão organizadas pelo Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e pelo Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Bioma Cerrado (PPCerrado), ambos restabelecidos em 2023, e são executadas por órgãos federais em cooperação com estados e municípios.

Fiscalização ambiental

Entre 2023 e 2026, o Ibama realizou no país 76.095 ações de fiscalização e lavrou 25.101 autos de infração contra a flora, com R$ 11,8 bilhões em multas. No mesmo período, embargou 18.630 km², lavrou 15.306 termos de apreensão, com valor de R$ 2,6 bilhões, e 4.088 termos de destruição, com valor de R$ 1,26 bilhão.

Entre 2023 e 2026, o ICMBio lavrou 11,9 mil autos de infração em unidades de conservação federais, com R$ 2,4 bilhões em multas, e mais de 5 mil termos de embargo, que somam mais de 5 mil km² de área embargada.

O projeto Fortalecimento da Fiscalização Ambiental para o Controle do Desmatamento Ilegal na Amazônia (FortFisc), do Ibama, foi aprovado pelo Fundo Amazônia com R$ 825,7 milhões. O apoio se destina a fiscalização remota, sistemas, equipamentos, meios aéreos e gestão. Em setembro de 2025, o Ibama nomeou 460 novos servidores, 330 deles analistas ambientais.

Amazonas registra menor número de alertas de desmatamento em oito anos
Foto: Divulgação/Acervo Embrapa

Cooperação federativa e ordenamento territorial

Na Amazônia Legal, o programa União com Municípios articula capacidade local de monitoramento e gestão ambiental, regularização ambiental e fundiária e assistência técnica. O programa tem R$ 780 milhões em execução nos 80 municípios que aderiram desde 2023, dos quais 70 já receberam escritórios de governança. Foram mais de 2 mil itens financiados, entre veículos, barcos, drones e computadores, mais de 500 pessoas capacitadas e cerca de 4 mil agricultores familiares com pagamento por serviços ambientais.

O ordenamento territorial integra a prevenção do desmatamento, com medidas de proteção de territórios, combate à grilagem e destinação de florestas públicas. Desde janeiro de 2023, foram criadas no país 18 unidades de conservação federais e ampliadas outras 8, que somam cerca de 25 mil km². No mesmo período, foram homologadas no país 20 terras indígenas, com cerca de 32 mil km². Cerca de 150 mil km² de glebas públicas federais estão em processo de destinação. Em maio de 2026, foi aprovado o Plano Estratégico de Ações Integradas para a BR-319.

Incentivos à conservação e à produção sustentável

A estratégia econômica de combate ao desmatamento combina incentivos à conservação da vegetação nativa, financiamento de atividades sustentáveis e condicionantes ambientais para o acesso ao crédito rural.

No Plano Safra 2026/2027, foram incluídos incentivos ambientais nas operações de custeio. Produtores com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo e regular, em regularização ambiental com adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) ou sem passivo ambiental, têm redução de 0,5 ponto percentual na taxa de juros. A adoção de práticas agropecuárias sustentáveis garante redução adicional de 0,5 ponto percentual, até o limite de 1 ponto percentual.

O Bolsa Verde associa apoio financeiro à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais por famílias de baixa renda em áreas abrangidas pelo programa. Desde 2023, atende 86.635 famílias em 139 municípios, com R$ 420 milhões transferidos, e abrange 327 mil km² de floresta na Amazônia.

O projeto Floresta+ Amazônia realiza pagamentos por serviços ambientais a agricultores familiares e outros beneficiários elegíveis que conservam vegetação nativa. O projeto tem mais de R$ 500 milhões aprovados para sua implementação, valor que inclui os pagamentos e outras atividades. Em 2026, o Decreto nº 13.018 regulamentou a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais.

O Fundo Amazônia financia prevenção e controle do desmatamento, gestão territorial e atividades produtivas sustentáveis. Em outubro de 2026, somava 160 projetos aprovados e R$ 7,8 bilhões comprometidos, em valores corrigidos pelo IPCA, com projetos em 75% dos municípios da Amazônia Legal. Desde 2023, o fundo destinou mais de R$ 550 milhões aos corpos de bombeiros da Amazônia Legal, do Cerrado e do Pantanal, e o Arco da Restauração conta com R$ 450 milhões.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

O BNDES, gestor do Fundo Amazônia, aprovou em coordenação com o MMA R$ 147,6 milhões para o Sistema Integrado para Monitoramento da Vegetação Natural dos Biomas Brasileiros (SIM-Biomas), anunciado nesta sexta-feira. O apoio é não reembolsável, com prazo de 60 meses, execução da Fundação de Ciência, Aplicações e Tecnologia Espaciais (Funcate) e execução técnica do INPE.

O projeto vai usar inteligência artificial para integrar o Prodes e o Deter e produzir dados do Prodes ao longo do ano. O Deter passará a cobrir a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pampa, e o mapeamento de áreas queimadas, hoje com resolução de 1 quilômetro fora do Cerrado, deverá passar a 30 metros em todos os biomas. O SIM-Biomas prevê ainda indicadores de risco de curto prazo para desmatamento e degradação.

O Fundo Clima teve orçamento reembolsável de R$ 14 bilhões em 2025 e conta com R$ 27 bilhões em 2026, com metas de destinar 25% dos recursos ao Norte e ao Nordeste e 20% à adaptação. O Eco Invest Brasil, iniciativa do Ministério da Fazenda com o MMA, mobilizou R$ 190 bilhões em diferentes estágios para a transformação ecológica, em áreas como bioeconomia, restauração florestal, turismo sustentável, infraestrutura, agropecuária sustentável e inovação tecnológica, com compromisso de desmatamento zero.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Inpe. Leia o material completo AQUI.

Tambaqui, tucumã e açaí: alimentos amazônicos podem contribuir para prevenir a obesidade

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Nutricionista do HUGV-Ufam orienta sobre escolhas por alimentos mais saudáveis, redução dos ultraprocessados e formação de hábitos desde a infância. Foto:

Um refrigerante no almoço, um biscoito recheado no lanche e uma refeição pronta no jantar. Quando se tornam frequentes, escolhas como essas podem favorecer o ganho excessivo de peso e aumentar o risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão. O alerta é da nutricionista Luciana Santana, do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à HU Brasil.

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A obesidade envolve fatores genéticos, metabólicos, comportamentais, sociais e ambientais. Entre os hábitos que favorecem o ganho excessivo de peso estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e a baixa prática de atividades físicas.

“O grande vilão hoje em dia é o consumo exagerado de alimentos ultraprocessados, aqueles cheios de açúcar, gordura e aditivos, somado ao sedentarismo. Aqui em Manaus, a gente vê muito isso: produtos de pacote, baratos e hipercalóricos, foram ocupando o lugar dos nossos alimentos tradicionais do dia a dia”, explica Luciana.

A obesidade está associada ao aumento do risco de diversas doenças, entre elas diabetes tipo 2, hipertensão arterial, infarto, acidente vascular cerebral (AVC), apneia do sono, problemas articulares e alguns tipos de câncer.

Leia também: Durante onda de calor na Amazônia, nutricionista dá dicas de como evitar desidratação

Alimentos que são substituições saudáveis no dia a dia

Para melhorar a qualidade da alimentação, a orientação da nutricionista é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados. “A regra básica é simples: descascar mais e desembalar menos!”, resume a profissional.

No café da manhã, por exemplo, tapioca com ovo mexido, macaxeira ou cará cozidos são opções que podem compor uma refeição equilibrada.

“Nos lanches, frutas da estação, castanha-da-Amazônia e iogurte natural com aveia são alternativas aos biscoitos recheados e salgadinhos industrializados. Já nas bebidas, a recomendação é priorizar a água e reduzir o consumo de refrigerantes, sucos de caixa e outras bebidas açucaradas”, orienta.

A nutricionista destaca, ainda, que a culinária amazônica oferece diferentes possibilidades para compor refeições nutritivas. Peixes como tambaqui e tucunaré são fontes de proteínas e podem fornecer gorduras benéficas à saúde, dependendo da espécie e do preparo.

O tucumã, por sua vez, contém carotenoides precursores da vitamina A e gorduras, enquanto o açaí, preferencialmente sem adição excessiva de açúcar ou xaropes, fornece fibras e compostos antioxidantes. “A nossa biodiversidade é um verdadeiro tesouro para a saúde”, ressalta Luciana.

tucumã está entre alimentos saudáveis da Amazônia
Tucumã. Foto: Ruth Jucá/ADS

Prevenção começa na infância

A formação dos hábitos alimentares começa nos primeiros anos de vida. A oferta de alimentos variados, a redução do consumo de ultraprocessados e o incentivo às refeições em família contribuem para o desenvolvimento de uma relação saudável com a alimentação, segundo a especialista.

Entre os comportamentos que merecem atenção, a nutricionista aponta a oferta precoce de alimentos açucarados, o uso de doces como recompensa e o hábito de obrigar a criança a comer tudo o que está no prato. “Dizer ‘se comer o legume, ganha sobremesa’ faz a criança achar que o legume é uma punição e o doce é o prêmio”, exemplifica.

A nutricionista também recomenda evitar o uso de celulares e televisão durante as refeições, envolver as crianças na escolha e no preparo dos alimentos e apresentar, desde cedo, frutas e preparações regionais.

“Leve os filhos à feira, apresente as frutas da nossa região e chame para ajudar no preparo de receitas simples”, orienta.

Leia também: O que acontece se uma pessoa tomar açaí durante 30 dias? Nutricionista explica os efeitos

açaí
Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Além da alimentação

Embora as escolhas alimentares tenham papel importante na prevenção da obesidade, outros fatores também influenciam o peso corporal, como a predisposição genética, a qualidade do sono, o estresse, a atividade física e as condições de vida.

De acordo com Luciana, dormir pouco pode alterar mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade, enquanto o estresse pode influenciar o comportamento alimentar. A prática regular de atividades físicas, por outro lado, ajuda a preservar a massa muscular e a melhorar a sensibilidade à insulina, além de oferecer benefícios à saúde física e mental. 

A nutricionista lembra que o acompanhamento profissional não deve ser procurado apenas quando há necessidade de perda de peso. Alterações nos níveis de glicose e colesterol, dificuldades na relação com a comida e necessidades nutricionais específicas, como as da infância, da gestação e da terceira idade, também justificam uma avaliação. 

*Com informações do HUGV-Ufam

Curso ensina como criação de abelha sem ferrão contribui para produção sustentável de açaí no Pará

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Foto: Reprodução/Arquivo Agência Amazonas

A integração entre a criação de abelhas nativas sem ferrão (meliponicultura) e o manejo de açaizais nativos pode contribuir para a produção agroextrativista e ampliar a renda de comunidades ribeirinhas da Amazônia. Essa relação foi o foco do curso realizado em outubro, na comunidade Serraria Pequena, em Afuá (PA), apoiado pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).

Saiba mais: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

As abelhas nativas sem ferrão polinizam diversas espécies vegetais, incluindo os açaizeiros. A intensificação da polinização pode contribuir para aumentar a produção de frutos, com potencial de incremento de até 40%. Ainda, a meliponicultura gera produtos com alto valor agregado como a produção do chamado “mel de açaí”, própolis e cera.

Durante o curso, foram compartilhadas informações e resultados de pesquisas sobre as duas atividades, além da troca de conhecimentos entre agroextrativistas, técnicos, pesquisadores e moradores das comunidades. A programação incluiu teoria e atividades práticas, com a instalação de uma Unidade de Referência Tecnológica (URT) de manejo de açaizais com a meliponicultura.

Participaram da formação os produtores do projeto de Reposição Florestal da Resex (Reserva Extrativista) Cajari, no Amapá. A iniciativa é executada pelo IPAM no estado e participantes tiveram sua ida financiada pelo Grupo Energisa.

“A junção das duas práticas [manejo de açaizal e meliponicultura] aumenta a produção de açaí e gera uma segunda renda com a produção e venda do mel. Com o intercâmbio, os produtores retornam para suas comunidades com inovações que podem ser implementadas nas suas áreas de trabalho”, comenta Anderson Firmino, pesquisador do IPAM no Amapá.

açaí
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O curso buscou contribuir para a valorização da biodiversidade amazônica e para o fortalecimento das atividades agroextrativistas, além de abrir espaço para discutir os desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelos processos de transformação da floresta de várzea, incentivando práticas que conciliam produção, conservação ambiental e valorização dos conhecimentos locais.

“Vejo com muita esperança o desenvolvimento das técnicas que aprendemos neste curso sobre as abelhas nativas em nossa área. Foi muito importante entender que a diversidade de árvores no plantio ajuda a produção a crescer”, afirmou Regivone Souza, produtora da comunidade Sororoca, da Resex Cajari, em Mazagão, no Amapá.

Açaização 

O açaí é uma das principais produções não madeireiras da região amazônica, beneficiando-se da biodiversidade regional para a reprodução. No entanto, a atividade vem sendo impactada por um processo chamado ”açaização”, que consiste na predominância da monocultura nos açaizais e, por consequência, na perda de polinizadores, reduzindo a produção.

Leia também: Portal Amazônia responde: O que é a “açaização” da Amazônia?

O processo está associado à intensificação da produção de açaí em áreas manejadas, o que causa perda da diversidade de plantas, diminuição da ciclagem de nutrientes e empobrecimento do solo, alterando a estrutura e a dinâmica desses ambientes. Portanto, o manejo nativo do açaí deve considerar não só a produção de frutos, mas a regeneração da floresta e a manutenção da biodiversidade que sustenta esse sistema produtivo.

Nesse contexto, a formação também promoveu reflexões sobre os riscos da “açaização” e seus possíveis impactos sobre as florestas de várzea, especialmente diante das mudanças climáticas. A proposta é discutir práticas de manejo que conciliam a produção de açaí com a conservação da diversidade vegetal e dos polinizadores.

O curso foi uma realização da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), e faz parte do Projeto Incógnitos, com apoio da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC) e do IPAM.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM, escrito por Alice Pataxó (estagiária de Comunicação do IPAM)

Família cria fábrica de sorvetes artesanais em meio a onda de calor em Roraima

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Valdick Ribeiro e Harison Cristhian criaram uma fábrica de sorvetes regionais em Boa Vista. O negócio familiar atende à alta demanda provocada pelas altas temperaturas em Roraima. Foto: Divulgação

Valdick Ribeiro e o filho, Harison Cristhian, construíram juntos uma fábrica de sorvetes regionais no bairro Tancredo Neves, zona Oeste de Boa Vista (RR). O negócio iniciou há quatro anos e aposta na produção de sabores como taperebá, murici, jaca, tamarindo, açaí e milho para atender à demanda provocada pelas altas temperaturas em Roraima.

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A família já havia trabalhado em uma fábrica de sorvetes da capital. Depois de adquirir experiência na área, Harison decidiu investir no próprio negócio, desenvolver produtos com identidade própria e colocar o pai como gerente-geral.

“Eu era motorista de profissão, depois me formei em outra área de trabalho, onde exerci até um tempo desse. Mas a paixão pelo sorvete fala mais alto. É uma área apaixonante, onde, a cada dia, a gente vê que era isso realmente que queria”, contou Valdick.

A Sorveteria Amazônia começou a funcionar em abril de 2022. Segundo Harison, apesar das dificuldades para empreender em Roraima, o negócio segue em expansão.

“Acreditamos que é um mercado muito promissor. Hoje, o negócio é a principal fonte de renda da nossa família”, afirmou o empresário.

Além dos sabores regionais, a sorveteria também oferece opções tradicionais, como chocolate, morango, flocos e chiclete. O estabelecimento vende desde picolés até caixas de sorvete de cinco litros e baldes de 12 litros, além de produtos como totó e sundae.

Os picolés custam de R$ 1,75 a R$ 2. Os preços dos sorvetes variam conforme o tamanho e o sabor. Os potes de 200 ml custam R$ 5, enquanto os baldes de 12 litros chegam a R$ 115 nas opções especiais.

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Foto: Reprodução/Instagram –amazonia_____

Calor aumenta procura por sorvetes

As altas temperaturas em Roraima favorecem a procura por produtos gelados. A assistente executiva Lyzandra Karolina, cliente da sorveteria, afirma que também considera a origem dos produtos na hora da compra.

“Por conta desse calor de Roraima. E sempre procuro adquirir produtos locais e, aqui, pelo fato de ser uma fábrica local, de Boa Vista, sempre opto por aqui”, disse.

De acordo com Valdick, a demanda por sorvetes aumenta nesta época do ano, o que exige preparação para atender aos consumidores.

“Essa época do ano, a demanda aumenta bastante. No inverno, as vendas desse segmento gelado caem em um percentual bem significativo. Por isso, a gente precisa se preparar realmente para essa época, porque a demanda aumenta consideravelmente”, explicou.

O período também coincide com a estiagem em Roraima. Uma nota técnica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) aponta que o El Niño de 2026 e 2027 favorece temperaturas elevadas e períodos prolongados de seca na Região Norte. Em Roraima, a falta de chuvas começou de forma antecipada, em julho, e deve se estender até março de 2027.

El Niño em Roraima

O estado enfrenta uma alta expressiva nos incêndios. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 174 focos de calor apenas nas duas primeiras semanas de outubro. O número é 248% maior que o registrado no mesmo período do ano passado. Roraima já acumula 2.149 focos de calor em 2026.

Rorainópolis, Pacaraima e Caracaraí lideram os registros de queimadas neste mês. A combinação de fogo e estiagem prolongada preocupa as autoridades e agrava os danos ambientais.

Leia também: Seca provocada pelo El Niño reduz safra agrícola de Roraima em até 50%, diz Embrapa

A seca, intensificada pelo fenômeno El Niño, também afeta a economia local. A Associação dos Produtores de Soja de Roraima (Aprosoja) projeta uma perda de 50% na produtividade da atual safra de grãos. O estado está em situação de emergência desde setembro.

*Por Lucas Almeida, da Rede Amazônica RR

Baby Gym: rede nacional de desenvolvimento infantil para crianças de 2 meses a 6 anos chega em Manaus

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Foto: Reprodução/Baby Gym

Manaus (AM) passa a contar, a partir deste sábado, 17 de outubro, com uma unidade da Baby Gym, uma das maiores redes de desenvolvimento infantil do país. A unidade fica na Rua Sulamita, 150, em Adrianópolis, e atende bebês e crianças de 2 meses a 6 anos em aulas organizadas por faixa etária.

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A proposta é estimular o desenvolvimento da criança justamente na fase em que ele é mais intenso: os primeiros anos de vida. As aulas trabalham coordenação motora, equilíbrio, percepção sensorial, linguagem, autonomia e convivência com outras crianças, por meio de circuitos, brincadeiras e atividades lúdicas conduzidas por profissionais.

Os pais participam da aula

O principal diferencial é a participação da família. Pais, mães ou responsáveis fazem as atividades junto com a criança, o que fortalece o vínculo e ensina, na prática, como continuar estimulando o filho em casa.

Em Manaus, nenhum outro espaço reúne aulas estruturadas de estimulação com participação dos pais em toda a faixa da primeira infância, dos 2 meses aos 6 anos.

Leia também: Saiba o que fazer para proteger crianças do calor, fumaça e estiagem em Manaus

Por que isso importa para as famílias?

Menos tela, mais movimento: uma alternativa concreta ao uso excessivo de celular e tablet, cada vez mais comum entre crianças pequenas.

  • Tempo de qualidade em família: uma hora por semana dedicada só à criança, sem distrações.
  • Ambiente seguro e climatizado: opção de atividade física e social independente do calor e da chuva de Manaus.
  • Socialização desde cedo: convivência com outras crianças da mesma idade, inclusive antes da fase escolar.
  • Rede entre famílias: os pais trocam experiências com outras famílias na mesma fase de vida.
  • Horário pensado para quem trabalha: segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábados, das 7h às 12h.

Método com base científica

A metodologia da rede foi desenvolvida por fisioterapeuta em conjunto com pediatras, com programas específicos para cada etapa do desenvolvimento. A Baby Gym foi fundada em 2014, atua no franchising desde 2018 e soma mais de 70 unidades no Brasil.

“Manaus tem muitas famílias jovens procurando atividades de qualidade para os filhos pequenos, mas faltava um espaço que colocasse os pais dentro da aula. A Baby Gym chega para ocupar esse lugar: desenvolvimento infantil com método, segurança e a família participando de verdade”, comenta Youri Comte, proprietário da Baby Gym Manaus.

Foto: Reprodução/Baby Gym
Foto: Reprodução/Baby Gym

Inauguração Baby Gym Manaus

A unidade abre as portas no sábado, 17 de outubro, das 8h às 15h, com aulas experimentais para as famílias conhecerem o método na prática. Para garantir a vaga, basta enviar pelo WhatsApp (92) 99165-2728 o nome e a data de nascimento da criança; a equipe reserva o horário da turma adequada à idade.

Endereço: Rua Sulamita, 150 – Adrianópolis, Manaus – AM
Aula experimental: com agendamento pelo WhatsApp (92) 99165-2728
Funcionamento: Seg. a sex., 7h às 19h · Sáb., 7h às 12h

Conheça único projeto do Norte finalista do Solve for Tomorrow Brasil 2026

Foto: Divulgação

A Samsung anunciou, nesta sexta-feira (16), os dez projetos finalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, programa de Cidadania Corporativa com coordenação geral do Cenpec, instituição que desenvolve projetos com foco na melhoria da qualidade na educação pública. Nesta edição, os dez finalistas foram selecionados entre 30 equipes semifinalistas, número recorde para essa etapa do programa. Dos 30, sete eram da região Norte e somente um foi classificado para a final.

Saiba mais: De estufa de baixo custo a maquete tátil: 7 projetos da região Norte são semifinalistas do 13° Solve for Tomorrow Brasil

A iniciativa da companhia de tecnologia incentiva estudantes e professores de escolas públicas a desenvolverem soluções inovadoras para desafios reais de suas comunidades, utilizando a abordagem STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

Os projetos refletem a diversidade de desafios identificados pelos estudantes em seus territórios e demonstram como a ciência e a tecnologia podem ser aplicadas na busca por soluções com potencial positivo de impacto social e ambiental.

Entre os principais temas abordados pelas equipes estão sustentabilidade, saúde e segurança, com propostas relacionadas ao tratamento e monitoramento da qualidade da água, pesca sustentável, saneamento, combate ao mosquito Aedes aegypti, localização em tempo real e preservação do patrimônio histórico.

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A chegada à etapa final representa mais um passo no processo de desenvolvimento das equipes. Nesta fase, os estudantes participam de atividades de preparação e apresentam suas soluções ao público por meio de conteúdos que detalham os desafios identificados, as tecnologias utilizadas e os resultados alcançados até o momento.

Já no dia 23 de novembro, o Solve for Tomorrow abre a votação de júri popular, dando ao público geral a oportunidade de votar em seus projetos favoritos no site oficial do programa.

Para Helvio Kanamaru, diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, conhecer os finalistas do Solve for Tomorrow é acompanhar de perto o potencial dos jovens quando têm a oportunidade de investigar problemas reais e buscar soluções por meio da ciência e da tecnologia.

“Cada projeto representa o empenho de estudantes e professores em transformar o conhecimento em iniciativas conectadas às necessidades de suas comunidades”, afirma.

Projeto do Norte: biofiltro

Os estudantes da Escola Estadual Angelina Palheta Mendes, em Barcelos (AM), representam a região Norte entre os finalistas. A equipe desenvolveu o ‘Biofiltro de Torneira com Biochar de Açaí e Piaçava para Comunidades Amazônicas’, composto por um filtro de torneira produzido com materiais de baixo custo e disponíveis localmente, como piaçava, areia e biochar feito a partir do caroço de açaí.

Segundo Francielly Alves Lourenço, professora e orientadora do grupo, o projeto surgiu enquanto os alunos estudavam o ciclo da água em uma aula de ciências. A partir disso, eles observaram um problema presente no cotidiano da comunidade: a qualidade da água utilizada na cidade. Isso os motivou na busca por uma solução acessível.

“A água que chega às residências não passa por qualquer etapa de tratamento. Muitas vezes, apresenta cheiro e coloração incomum, com um aspecto turvo. Imaginamos que o processo de filtração poderia melhorar essas características, mas estamos em uma região onde o acesso a filtros comerciais pode ser limitado. Por isso, escolhemos materiais que já estão disponíveis na região”, explica.

Estudantes da rede pública de Barcelos (AM) estão na semifinal do Solve for Tomorrow Brasil com projeto de filtro de água de baixo custo
Arte: Divulgação

“O projeto desenvolvido pelos estudantes de Barcelos mostra como a ciência pode surgir de uma necessidade concreta da comunidade e, a partir da criatividade e do conhecimento dos próprios alunos, buscar caminhos para transformar essa realidade. É justamente esse olhar que queremos estimular por meio do Solve for Tomorrow: jovens que reconhecem os desafios ao seu redor, experimentam, aprendem com o processo e desenvolvem soluções que podem fazer a diferença em seus territórios”, afirma Helvio Kanamaru, Diretor de ESG e Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina.

“Uma educação comprometida com a equidade precisa considerar os diferentes contextos em que os estudantes vivem e criar oportunidades para que eles produzam conhecimento a partir de suas próprias realidades. O projeto de Barcelos evidencia isso ao transformar materiais presentes no território em elementos de uma solução construída pelos próprios estudantes para um desafio de sua comunidade. É também uma forma de mostrar que fazer ciência depende de perguntas, investigação, conhecimento e oportunidades para que os jovens possam experimentar e criar”, afirma Beatriz Cortese, diretora executiva do Cenpec.

A experiência também transformou a maneira como os estudantes vivenciam o aprendizado de ciências. Para Francielly, o projeto mostrou que a falta de uma estrutura laboratorial completa não precisa impedir a realização de atividades científicas:

“Um grande desafio enquanto professor é trazer a ciência para a realidade do aluno. Então o projeto acabou proporcionando, para mim, uma maneira de trazer na prática tudo o que eles aprendem em sala de aula. Estamos em um programa, que teve milhares de inscritos, fazendo ciência e fazendo a diferença na realidade da nossa comunidade”.

Para Lanna Letícia, aluna da 3ª série do ensino médio, essa experiência prática fez grande diferença em sua jornada. “Nosso aprendizado era muito focado no conceito, mas a gente não via, não aplicava nada. E é legal vivenciar a experiência de fazer ciência”, conclui.

Atualmente, o grupo aguarda os resultados das análises das amostras de água e continua trabalhando no aperfeiçoamento do protótipo. A participação no Solve for Tomorrow também oferece aos estudantes acesso a mentorias e apoio para aprimorar a solução. A expectativa é que os próximos testes ajudem a validar o funcionamento do filtro e indiquem novos caminhos para seu desenvolvimento.

Confira os 10 projetos finalistas da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil

O que é o Solve for Tomorrow Brasil? 

O Solve for Tomorrow Brasil é o programa global de Cidadania Corporativa da Samsung que incentiva estudantes do Ensino Médio de escolas públicas a desenvolver soluções inovadoras para desafios reais, com base na abordagem STEM. Entre os destaques da iniciativa estão: 

  • Educação com impacto real: estudantes desenvolvem soluções para desafios identificados em suas comunidades 
  • Abordagem STEM: integração de ciência, tecnologia, engenharia e matemática na prática 
  • Aprendizagem Baseada em Projetos (PBL): foco em protagonismo, criatividade e trabalho em equipe 
  • Mentorias e capacitação: apoio de especialistas ao longo de toda a jornada 

O Solve for Tomorrow Brasil chega a 13ª edição com crescimento de 7,7% no número de projetos inscritos em comparação ao 2025. Além do aumento no volume de propostas, a edição de 2026 apresentou avanços significativos no que diz respeito à diversidade dos participantes, com aumento de 11% na participação feminina (considerando estudantes mulheres), além da ampliação de 3% no número de escolas quilombolas e instituições localizadas em áreas rurais. 

Calendário Solve for Tomorrow Brasil 2026

  • 23 de novembro: abertura da votação pelo Júri Popular
  • 8 de dezembro: anúncio dos vencedores da 13ª edição

111 espécies de pequenos crustáceos no plâncton amazônico são identificadas em estudo na UFRA

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Fotografia de uma amostra de zooplâncton com diferentes organismos identificados por números. O número 2 corresponde a Temora stylifera, espécie de crustáceo citada no estudo. Foto: Adriana Zingone, Domenico D’Alelio, Maria Grazia Mazzocchi, Marina Montresor, Diana Sarno, LTER-MC team, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons

Um levantamento de pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), no Pará, e parceiros mostra diferenças na composição do plâncton entre ambientes costeiros, de transição e mais oceânicos da Plataforma Continental Amazônica. Uma análise dos copépodes, pequenos crustáceos que formam o grupo mais abundante nas amostras estudadas, revela que algumas características ecológicas predominantes são compartilhadas entre os ambientes, como onivoria, alimentação mista e captura de presas por emboscada.

A diversidade dessas características, por sua vez, varia entre as comunidades analisadas. As constatações estão em artigo publicado na revista Brazilian Journal of Biology.

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Essenciais para a sustentabilidade da vida aquática, esses pequenos crustáceos, os copépodes, vivem à deriva na água e têm a função essencial de levar carbono e energia dos microrganismos e das algas para animais maiores. Esses pequenos animais, que costumam ter de 1 a 5 milímetros de comprimento, servem de alimento para larvas de peixes e ajudam a manter os ciclos de nutrientes do planeta.

O trabalho analisou amostras dos crustáceos coletadas em 2001, durante três campanhas oceanográficas, em 51 pontos da Plataforma Continental Amazônica e de águas oceânicas próximas, ao largo de Maranhão, Pará e Amapá. As redes percorreram a coluna de água desde a superfície até profundidades máximas entre 12 e 200 metros, conforme o ponto de coleta. Os pesquisadores identificaram 197 grupos de organismos, incluindo 111 espécies de copépodes. Desses grupos, 64 foram registrados nas três campanhas.

Praia do Atalaia, no pará. 




111 espécies de pequenos crustáceos no plâncton amazônico são identificadas em estudo na UFRA
O trabalho analisou amostras de pequenos crustáceos em 51 pontos da Plataforma Continental Amazônica e de águas oceânicas próximas, ao largo de Maranhão, Pará e Amapá. Na foto, Praia do Atalaia, no Pará. Foto: Alex Ribeiro/Arquivo Agência Pará

Além da identificação dos organismos, a equipe analisou características ecológicas de 101 espécies de copépodes, para as quais havia informações disponíveis. Foram avaliadas suas estratégias de alimentação e reprodução, os tipos de alimento consumidos, os ambientes que ocupam e sua distribuição na coluna de água, organizando essas informações em 29 categorias.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a extensão da costa amazônica?

Crustáceos representam conhecimento

Os dados foram obtidos há mais de duas décadas no âmbito do programa REVIZEE — Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A base permanece relevante por fornecer uma linha de base histórica indispensável para a avaliação da biodiversidade em um ecossistema tropical onde registros biológicos contínuos são escassos.

“Estas amostras representam um patrimônio científico que continua produzindo conhecimento. Conhecer a diversidade dos copépodes contribui para compreender as relações alimentares que sustentam a vida marinha e pode orientar pesquisas e ações de acompanhamento ambiental”, explica o professor Nuno Melo, da UFRA, autor líder do artigo, que também conta cientistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Universidade de Aveiro, em Portugal.

Segundo o autor, os resultados do trabalho dialogam diretamente com as recomendações do Plankton Manifesto, iniciativa vinculada ao Pacto Global da ONU criada para conscientizar a sociedade e orientar decisões de conservação sobre a vida planctônica.

O manifesto internacional pede investimentos contínuos e redes permanentes de observação dos oceanos para acompanhar as mudanças ecológicas ao longo do tempo. Ao mostrar a importância dos pequenos crustáceos para a cadeia alimentar na costa brasileira, o estudo reforça que a proteção dos oceanos também deve incluir os organismos microscópicos, muitas vezes ignorados.

Dando continuidade às pesquisas, os pesquisadores desenvolvem atualmente o Projeto PLUMA, financiado pela Petrobras e executado pela UFRA com apoio da FADESP. Nesta nova fase, os pesquisadores analisam a composição química da água, acompanham o zooplâncton e os organismos que vivem na superfície e reúnem dados históricos sobre a pesca na Bacia da Foz do Rio Amazonas.

As expedições e coletas em alto-mar ampliarão o conhecimento atual da região e poderão apoiar comparações com os registros históricos do REVIZEE, respeitando as diferenças entre os levantamentos, completa Melo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Brigadas de Apuí e Careiro Castanho recebem reforço para prevenção e combate a incêndios florestais 

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Brigadas de Apuí e Careiro Castanho recebem reforço para prevenção e combate a incêndios florestais. Foto: Lincon Barbosa e Divulgação Casa do Rio

Brigadas comunitárias que atuam na prevenção e no combate a incêndios florestais em Apuí e Careiro Castanho, no interior do Amazonas, estão sendo reforçadas com equipamentos de proteção, ferramentas e insumos para atuação em campo. A iniciativa, apoiada pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), em parceria com a Casa do Rio, busca melhorar as condições de trabalho dos brigadistas e fortalecer a proteção das comunidades em áreas ameaçadas pelo fogo.  

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Para apoiar o combate aos incêndios no Careiro foram entregues materiais para a Brigada Caboca nesta quarta-feira (14), na Casa do Rio. Os itens destinados à brigada incluem capacetes, balaclavas, óculos de proteção, máscaras, luvas e lanternas, além de ciscadores, enxadas, abafadores, equipamentos costais, roçadeiras, equipamentos motorizados e combustível. 

Foto: Reprodução/Idesam

Leia também: Ministro do Meio Ambiente classifica cenário no Amazonas como mais grave do que imaginava

Já o apoio de Apuí contemplará a Brigada Aripuanã-Guariba. A iniciativa está sendo realizada junto a Amazônia Agroflorestal e consistirá na aquisição e entrega de seis sopradores, três motobombas, três bombas costais para apoiar as atividades dos brigadistas. 

A ação ocorre em um período de agravamento das queimadas no estado. Segundo dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Amazonas registrou 7.865 focos de calor entre 1º de janeiro e 13 de outubro de 2026, um aumento de aproximadamente 116% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados 3.639 registros.

Para a secretária municipal de Proteção e Defesa Civil de Careiro Castanho, Tatiane Menezes, o reforço chega em um momento importante para as equipes que atuam no município, especialmente diante do desgaste dos materiais utilizados nas operações anteriores. 

“Esse apoio é fundamental para melhorar as nossas ações em campo, pois enfrentávamos dificuldades devido ao desgaste dos equipamentos anteriores. Com a chegada desse novo material, poderemos atuar com muito mais êxito”, afirmou Tatiane.  

Secretária municipal de Proteção e Defesa Civil de Careiro Castanho, Tatiane Menezes. Foto: Lincon Barbosa

Além de contribuir para a resposta aos incêndios, os equipamentos ajudam a dar mais segurança às equipes que trabalham em condições de risco, muitas vezes em áreas de difícil acesso. O reforço também amplia as condições para a realização de ações preventivas, fundamentais para evitar que pequenos focos de incêndio se espalhem.  

Prevenção começa antes do fogo

Na comunidade do Projeto de Assentamento Panelão, em Careiro Castanho, a Brigada Caboca, iniciativa da Casa do Rio, atua na proteção do território e no enfrentamento às queimadas. Para os brigadistas, o acesso a equipamentos adequados e à capacitação representa mais segurança e melhores condições para realizar o trabalho.  

O brigadista Altemir Vasconcelos destaca que a preparação das equipes é indispensável para enfrentar os incêndios florestais, sobretudo em comunidades onde a resposta inicial depende da mobilização local.  

“Os equipamentos doados pelo Idesam nos ajudam bastante, pois facilitam a estratégia de combate, garantem a nossa segurança de ir e voltar para casa e permitem realizar um trabalho com muito mais rapidez”, ressaltou Altemir.  

Brigadistas em treinamento com sopradores durante treinamento. Foto: Casa do Rio

A atuação das brigadas vai além do combate direto às chamas. Antes dos períodos de maior risco, as equipes também podem trabalhar na abertura e manutenção de aceiros, no monitoramento de áreas vulneráveis e na preparação das comunidades para reduzir os impactos do fogo.  

Para Adriane Formigosa, da área de Governança Territorial do Idesam, o fortalecimento das brigadas comunitárias também depende da articulação entre organizações locais e poder público, especialmente para que a prevenção seja uma atividade permanente nos territórios.  

“Conservar a natureza também é cuidar das pessoas e do bem-estar das comunidades. O fogo ameaça diretamente seus territórios, por isso é fundamental fortalecer a atuação conjunta entre brigadas, comunidades e governos, não apenas no combate aos incêndios, mas principalmente na prevenção e preparação para reduzir seus impactos”, destaca Adriane. 

Restauração de áreas degradadas complementa ações de prevenção

Além do apoio às brigadas, o Idesam desenvolve iniciativas de restauração ambiental em diferentes territórios do Amazonas, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e o fortalecimento de paisagens produtivas.  

Somente em 2026, o Programa Carbono Neutro Idesam contabiliza 41.548 árvores plantadas e 178,17 hectares em processo de restauração, com potencial estimado de sequestro de mais de 11 mil toneladas de CO₂ equivalente.  

Os plantios estão distribuídos em áreas como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, o Projeto de Assentamento Tarumã-Mirim, a RDS do Tupé e a Área de Proteção Ambiental Sauim-de-Manaus. As ações buscam recuperar a cobertura vegetal e, em diferentes contextos, associar a restauração ambiental à geração de renda e ao fortalecimento das comunidades locais.  

Como denunciar queimadas e incêndios florestais

A população também pode contribuir com a prevenção e o combate aos incêndios comunicando ocorrências aos órgãos responsáveis.  

No Amazonas, denúncias de irregularidades ambientais podem ser encaminhadas ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O contato pode ser iniciado pelo WhatsApp (92) 98557-9454 ou pelo e-mail denuncia@ipaam.am.gov.br, com orientação para formalização pelos canais oficiais do órgão.  

Também é possível registrar denúncias ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio da Linha Verde, no telefone gratuito 0800 061 8080, ou pela plataforma Fala.BR. O atendimento telefônico funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.  

Em casos de incêndio em andamento ou risco imediato, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou uma brigada local capacitada.  

Ao comunicar uma ocorrência, é importante informar o município, a localização aproximada, os pontos de referência e, quando possível e seguro, disponibilizar registros que ajudem as equipes a identificar a área atingida. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Idesam, escrito por Fabíola Abess