Home Blog Page 5

Povo Puyanawa celebra 26 anos da demarcação do seu território em maio

0

Foto: Diego Silva/Secom Acre

O Centro Cultural Baytewawa, na Aldeia Puyanawa, em Mâncio Lima, no Acre, recebeu visitantes de toda a região do Vale do Juruá no dia 17 de maio para comemorar a demarcação de suas terras pelo governo federal, ocorrida no ano 2000.

Na abertura oficial do encontro, foram relembradas as “antigas” lideranças da etnia que enfrentaram muitas adversidades e lutaram para reconhecimento do direito sobre o território ancestral reconhecido pelas autoridades brasileiras. Sobretudo, o trabalho do ex-cacique Mário Puyanawa, falecido em 2021, foi exaltado por ser ele o articulador das ações que culminaram com a criação da Terra Indígena Puyanawa.

Após os pronunciamentos iniciais, a celebração evocou a espiritualidade tradicional por meio de cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Esses “rezos” ancestrais foram retomados pelo povo Puyanawa graças à liberdade conquistada com a demarcação territorial que proporcionou um forte processo de valorização dos costumes, tradições e saberes indígenas dessa nação.

Leia também: Indígenas Puyanawa resgatam cultura e reforçam vínculos na Amazônia

Foto: Diego Silva/Secom AC

O atual cacique Joel, filho de Mário Puyanawa, ressaltou a importância da demarcação territorial para o seu povo:

“Essa é a data histórica mais importante para nós. Celebramos o passado, o presente e o futuro. Muitas pessoas que participaram da luta pela demarcação que já partiram. A minha felicidade é poder dar continuidade à nossa história. Por meio dos nossos cantos e danças recordamos a luta dos nossos antepassados incentivando os nossos jovens a valorizarem nossa cultura e tradições”.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp 

Segundo o cacique Joel Puyanawa, a demarcação de uma terra indígena representa liberdade e a possibilidade de uma reafirmação cultural, garantindo a continuidade histórica de um povo.

Comemoração com cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Foto: Diego Silva/Secom AC

“Trabalhamos essa terra com consciência, preservando tudo o que temos e respeitando a natureza. Isso significa garantir um futuro promissor para as novas gerações do nosso povo. Nesse território estão nossa história e nossos valores tradicionais, e precisamos seguir nesse caminho aprendendo cada vez mais para mostrar ao mundo que é possível trabalhar e produzir sem devastar o meio ambiente”, afirmou Joel.

Um dos mateiros que atuou no processo de demarcação e ajudou a instalar os marcos da Terra Indígena Puyanawa foi José Lima, atualmente com 82 anos de idade. Ele lembra ainda das lutas para garantir o direito às terras do seu povo.

“Antes da demarcação a gente tinha uma vida de sofrimento. Trabalhávamos para os patrões sem ter direito a nada. Mas depois da demarcação nós passamos a ter liberdade para trabalhar no que é nosso”, explicou o indígena José Lima.

Leia também: Entenda as etapas de demarcação de terras indígenas

“Naquela época, os latifundiários dessa região eram contrários à demarcação e tentaram retomar a terra à força. Mas nossas mulheres formavam um muro vivo nas estradas para impedir a entrada deles no território. Até que, um dia, desistiram e nós passamos a cuidar daquilo que é nosso desde o tempo dos nossos ancestrais”, complementou Lima.

Inspiração para as novas gerações

A professora da Escola Indígena Estadual Ixubay Rabui Puyanawa, Valéria Xinã Yruya revela que a história do seu povo é trabalhada nas salas de aula como forma de fortalecer a identidade cultural dos alunos.

Comemoração com cantos pedindo proteção e prosperidade no idioma da etnia e danças inspiradas nos seres da floresta. Foto: Diego Silva/Secom AC

“A escola não é separada da comunidade. Todo o nosso planejamento educacional reflete a nossa realidade. Nesta data, não celebramos somente a demarcação, mas também quem somos. Festejamos, com alegria, os ensinamentos dos nossos antepassados, que seguem presentes em cada um de nós sempre do nosso lado encarnados em cada um de nós, mantendo vivas as suas histórias e saberes aqui na terra”, revela Xinã.

O domínio territorial do povo Puyanawa é constantemente fortalecido por meio de expedições realizadas até os marcos que delimitam o território em meio à vasta floresta.

“Todos os anos fazemos uma caminhada aos limites do nosso território para reencontrarmos a força da natureza, que é a base da nossa cultura Puyanawa. Alguns professores e professoras também participam dessas expedições para levarem aos alunos os ensinamentos  e os valores do nosso povo,” finalizou a professora Indígena Valéria Xinã Yruya.

*Com informações da Agência Acre

TranspoAmazônia 2026: confira a programação e saiba como se inscrever na maior feira de logística do Norte

0

Feira terá três dias de uma programação voltada para o debate, visando o fortalecimento da cadeia logística e o desenvolvimento do transporte na Amazônia. Foto: Divulgação/TranspoAmazônia

Manaus (AM) sediará, entre os dias 27 e 29 de maio, um dos maiores eventos de logística do Brasil: a TranspoAmazônia 2026 – Feira e Congresso Internacional de Transporte e Logística. O encontro reunirá, em sua terceira edição, empresários, especialistas, investidores e representantes do setor de transporte para discutir desafios e soluções para a logística na região Norte.

A programação da TranspoAmazônia 2026 terá palestras, painéis, lançamento de livros, exposições e rodadas de debates sobre logística, navegação, indústria naval, e-commerce e reforma tributária, num espaço estratégico para a promoção e fortalecimento da cadeia logística e ao desenvolvimento do transporte na Amazônia. Para esta edição, são esperados mais de 350 expositores e um público de 15 mil visitantes, além da expectativa de R$ 900 milhões gerados em negócios e cerca de 800 empregos diretos.

Para participar da feira, os interessados devem realizar a inscrição através da plataforma Sympla neste LINK.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Transpoamazônia
Evento é considerado o maior encontro do setor logístico da região Norte do Brasil e um dos mais importantes do país. Foto: Divulgação/Assessoria

Programação TranspoAmazônia 2026

1º Dia – 27 de maio

  • 14h – Início do credenciamento e abertura oficial da TranspoAmazônia 2026
  • 15h – Cerimônia Oficial de abertura
  • 16h10 – Lançamento do livro “A História do Transporte na Amazônia”, com Antônio Leite, presidente da Fundação Memória do Transporte (Fumtran)
  • 16h30 – Painel: Os desafios da logística na Amazônia, com representantes da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e setor comercial.
  • 17h40 – Palestra “A importância da cabotagem para a região amazônica – números e fatos”, com Luis Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).
  • 18h20 – Painel “Cenários futuros e desafios para construção naval na Amazônia”, com representantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Bertolini e Juruá Estaleiros.
  • 21h – Encerramento da feira.

2º Dia – 28 de maio

  • 14h – Início do credenciamento e abertura dos pavilhões da feira.
  • 14h15 – Painel “O e-commerce na região Norte do Brasil”, com representantes da Bemol, TV Lar e Associação Comercial do Amazonas (ACA).
  • 15h15 – Palestra “Segurança das operações de transporte aquaviário”, com Cássio Guimarães, gerente-geral da Transpetro
  • 16h – Palestra “Como usar tecnologia a favor da lucratividade – soluções básicas de empresário para empresário”, com executivos do Urbano Bank e Grupo Braspress.
  • 17h15 – Painel “A multimodalidade e seus impactos no Polo Industrial de Manaus (PIM)”, com representantes do Grupo Chibatão, Sindarma, Braspress e Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam).
  • 21h – Encerramento do segundo dia

3º dia – 29 de maio

  • 14h – Início do credenciamento e abertura dos pavilhões da feira.
  • 14h05 – Lançamento do livro “Os Imigrantes, o Metal e a Indústria”, com Paulo Vicente Caleffi e Irani Bertolini.
  • 14h15 – Palestra “Rotas Bioceânicas”, com Paulo Vicente Caleffi, secretário-geral da Câmara Internacional da Indústria de Transporte (CIT).
  • 15h20 – Palestra “Reforma tributária voltada para as categorias econômicas do transporte e indústria”, com Dr. Diogo Thaler, advogado e contador especialista em tributos e estratégias empresariais.
  • 16h30 – Palestra “A atuação do 9º Distrito Natal para a segurança da navegação na Amazônia Ocidental”, com vice-almirante André Luiz de Andrade Felix, Comandante do 9º Distrito Naval da Marinha do Brasil
  • 17h15 – Palestra “A geopolítica e seus efeitos econômicos no Brasil”, com Luiz Almeida Marins, Antropólogo, professor e consultor de empresas
  • 18h30 – Cerimônia de encerramento da III TranspoAmazônia, com Sr. Irani Bertolini e apresentação musical dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso.
  • 21h – Encerramento da feira

Leia também: TranspoAmazônia 2026 projeta R$ 900 milhões em negócios e Manaus vira centro do mapa logístico das Américas

Sobre a TranspoAmazônia

A TranspoAmazônia é um espaço estratégico para exposição de produtos e serviços para promover negócios, estabelecer conexões, discutir desafios e apresentar inovações, reunindo a cadeia multimodal do transporte, logística, agenciamento de cargas e construção naval, conectando a região amazônica ao Brasil e ao mundo.

A realização da TranspoAmazônia 2026 é essencial para viabilizar soluções dos desafios logísticos na Amazônia, impulsionar investimentos e gerar negócios para a região Norte do país. Mais informações sobre o evento, podem ser obtidas AQUI.

*Com informações da assessoria

Aldo Rebelo questiona situação do saneamento básico na Amazônia

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O pré-candidato à Presidência da República pelo Democracia Cristã (DC), Aldo Rebelo, comentou sobre os desafios do saneamento básico na Amazônia durante conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa ‘Entrevistas‘, do canal Amazon Sat.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ao comentar o tema, Aldo Rebelo afirmou que a falta de investimentos em infraestrutura compromete diretamente a qualidade de vida da população amazônida. Segundo ele, milhões de pessoas ainda convivem sem acesso adequado à água tratada, coleta de esgoto e serviços básicos de saúde pública.

Durante a entrevista, defendeu que a Amazônia precisa receber mais atenção do poder público, com políticas voltadas para desenvolvimento urbano e criticou o não uso para isso dos recursos do Fundo Amazônia, assim também como criticou o papel da Organizações Não-Governamentais (ONGs) nas cidades da Amazônia.

“Os piores indicadores de saneamento básico do Brasil estão na Amazônia. Essas ONG’s ficam dizendo que protegem os índios e boa parte das cidades da Amazônia não tem sequer aterro sanitário. Jogam seus lixos dentro dos rios. E por que o Fundo Amazônia não financia aterro sanitário? Por que o Fundo Amazônia não financia o saneamento básico das cidades da Amazônia? Porque não é pra essa finalidade, eles não estão preocupados com o meio ambiente. Eles estão preocupados em fazer da Amazônia uma fonte de riqueza. Então nós temos que ter prioridade”, afirmou.

Leia também: “Fundo Amazônia foi criado para interditar a Amazônia”, afirma Aldo Rebelo

Aldo Rebelo questiona situação do saneamento básico na Amazônia
Foto: Reprodução/ Amazon Sat

Aldo defende investimento do Fundo Amazônia no Saneamento Básico

No programa, o pré-candidato à Presidência da República afirmou que os recursos do Fundo Amazônia deveriam ser direcionados para investimentos em saneamento básico na região. Segundo ele, a medida ajudaria a proteger o meio ambiente, melhorar a saúde da população e preservar os rios amazônicos.

“Por exemplo, seria uma boa medida dedicar todos os recursos do Fundo Amazônia para o Saneamento Básico. Uma parte vai para o Governo do estado e outro para as prefeituras, para que o saneamento básico na Amazônia proteja o meio ambiente, proteja a saúde da população e proteja os rios”. Assista:

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:

quartas, às 9h;
quintas, às 13h30;
sextas, às 17h30;
sábados, às 9h30;
domingos, às 15h45;
e segundas, às 19h30.

Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Nova tecnologia fortalece estudos sobre contaminação por mercúrio no Amazonas

Barco-laboratório utilizado nas expedições do ProQAS/AM foi construído e doado pelo Grupo Atem. Foto:

O monitoramento ambiental na Amazônia ganhou um reforço com a implantação da maior plataforma de monitoramento de espécies de mercúrio da Região Norte. A nova estrutura passa a integrar as atividades do Programa de Monitoramento de Água, Ar e Solos do Estado do Amazonas (ProQAS/AM) e foi instalada na Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA). 

As expedições científicas do programa são realizadas a bordo do barco-laboratório Roberto dos Santos Vieira, construído e doado pelo Grupo Atem para apoiar as pesquisas ambientais desenvolvidas na região amazônica.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O novo laboratório permitirá que análises de alta complexidade passem a ser realizadas integralmente no Amazonas, reduzindo a dependência de instituições de outros estados e do exterior.

Equipamento agiliza monitoramento de mercúrio na região

O avanço representa um ganho importante para a autonomia científica regional, além de acelerar significativamente o processamento dos dados obtidos durante as expedições ambientais realizadas pelo programa.

Até recentemente, parte das análises relacionadas à contaminação precisava ser enviada à Universidade Harvard, nos Estados Unidos, parceira científica do projeto desde 2023. Com os novos equipamentos instalados na UEA, a expectativa é reduzir o prazo de entrega dos resultados de até três meses para menos de 30 dias.

Leia também: Impactos do mercúrio mobilizam discussões sobre saúde na Amazônia

nova tecnologia ajuda no monitoramento de mercúrio no amazonas
Foto: Divulgação

Os equipamentos serão utilizados pelo Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia (GP-QAT), responsável pelos estudos sobre a presença e o comportamento do mercúrio em espécies da Amazônia. O trabalho acompanha três formas do metal: mercúrio metálico, mercúrio iônico e metilmercúrio — considerado o mais tóxico devido ao seu potencial de bioacumulação e aos impactos sobre o sistema nervoso humano.

Além de identificar as diferentes espécies de mercúrio presentes nas amostras, a nova plataforma permitirá análises isotópicas capazes de rastrear a origem da contaminação nos rios da região.

*Com informações da assessoria

Perda do habitat das abelhas em Belterra gera alerta no Pará

Foto: Marcelo Casimiro Cavalcante/Rebipp

O Dia Mundial das Abelhas, celebrado em 20 de maio, é uma forma de lembrar a importância das abelhas para a conservação. O programa Viva Maria, da Rádio Agência Nacional, recebeu João do Mel, transformando sua poesia e testemunho em um alerta sobre os impactos do uso de agrotóxicos sobre os polinizadores na Amazônia.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

João do Mel vive em uma área cercada por lavouras de soja e relata mudanças ambientais observadas ao longo das últimas duas décadas. Segundo ele, a produção de mel caiu drasticamente após a expansão agrícola em Belterra, no Pará.

“Há 20 anos, uma abelha produzia de seis a sete quilos de mel. Hoje não produz meio quilo. O veneno atinge o pasto baixo e o pasto alto. Vem pelo vento e pela chuva”, afirma.

Além dos agrotóxicos utilizados nas plantações, o desmatamento e as queimadas são fatores que também contribuem para a perda de habitat das abelhas e de outros polinizadores.

Leia também: Mel de abelha: saiba 8 propriedades do alimento

Viva Maria alerta para perda do habitat das abelhas em Belterra, no Pará
Abelhas produzindo mel. Foto: Divulgação

Falta de abelhas pode gerar desequilíbrio ambiental

João do Mel também alertou para o desequilíbrio ambiental causado pela redução das populações de abelhas. Segundo ele, pesquisadores já apontam que a extinção desses insetos comprometeria diretamente a sobrevivência humana.

“Se as abelhas forem extintas de cima da terra, o ser humano também vai, vai haver um desequilíbrio muito cruel. Porque você sabe o que é o ecossistema. Uma coisa equilibra a outra. Então, a abelha, eu a comparo com o sal, ela dá o tempero na natureza e ninguém vê”, disse no programa Viva Maria.

João do Mel destaca a importância das abelhas com e sem ferrão, além dos polinizadores solitários, para a manutenção da biodiversidade e da produção agrícola. Segundo ele, muitas espécies desempenham funções específicas na polinização de flores e culturas alimentares.

“O mel da abelha sem ferrão tem mais umidade do que o mel da abelha melífera. O mel da abelha sem ferrão chega de 27% a 28% de umidade. E o mel da abelha com ferrão chega de 16% a 17%. Então, o mel da abelha sem ferrão há possibilidade mais de estragar, a fermentar, do que o mel da abelha melífera”, explicou.

Leia também: Meliponicultura: Entenda o universo das abelhas sem ferrão na Amazônia

abelhas produção de mel
Foto: Emersom Martins/Sepror AM

O criador afirma que chegou a manter mais de mil caixas de abelhas e que parte da produção era reservada para alimentar as colmeias durante o período de inverno. João critica a falta de fiscalização sobre o uso de agrotóxicos e relaciona o problema ao aumento de doenças entre os moradores de Belterra:

“Sempre falava que o índice de câncer em Belterra aumentou 50%. Quando eu era pequeno não existia esse negócio de virose. Hoje os hospitais estão cheios”.

Outros moradores de Belterra denunciam os impactos da pulverização de venenos e da devastação ambiental, como Lucival do Pimentel, conhecido como ‘seu Lúcio’, e José Batista Ferreira, chamado de ‘Pastor Natalino’.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil

Gelateria La Dolce Vita aposta em experiência afetiva em Manaus

0

La Dolce Vita aposta em experiência afetiva e transforma gelato artesanal em memória em Manaus. Fotos: Reprodução/Instagram-ladolcevitagelataria

Em um mercado cada vez mais acelerado e dominado pela padronização, a La Dolce Vita Gelateria escolheu seguir um caminho diferente em Manaus: transformar o simples ato de tomar um gelato em uma experiência completa de convivência, acolhimento e memória afetiva.

Mais do que uma gelateria, a marca nasceu com a proposta de unir gastronomia artesanal, experiência estética e permanência em um único espaço. Inspirada na tradição italiana do gelato, a operação aposta em produção em pequenos lotes, ingredientes reais e frescor como pilares da experiência.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A proposta foge da lógica industrial que domina grande parte do mercado brasileiro. Em vez de priorizar volume e padronização extrema, a La Dolce Vita investe em processos artesanais, reformulações constantes e escolhas cuidadosas de matéria-prima, adaptando técnicas clássicas às particularidades do clima amazônico e aos desafios logísticos da região.

Essa construção aparece não apenas no produto, mas em toda a atmosfera da gelateria. O espaço foi pensado para estimular encontros, pausas e experiências sensoriais, com detalhes que reforçam a identidade da marca: cafés premium Nespresso Vertuo, drinks clássicos e autorais, forneados servidos quentes, jogos de mesa e elementos voltados para convivência em grupo.

A experiência também se estende à linguagem do cardápio, aos boxes culturais explicativos e à estética do ambiente, em uma tentativa constante de transformar consumo em experiência significativa.

Leia também: Em Manaus, gelateria artesanal aposta em sabor, permanência e afeto

Em Manaus, gelateria artesanal aposta em sabor, permanência e afeto la dolce vita gelateria
Fachada La Dolce Vita Gelateria. Foto: Divulgação

Segundo a proposta conceitual da empresa, cada escolha parte de uma pergunta simples: “Como fazer alguém se sentir bem aqui dentro?”

A resposta está na iluminação, no atendimento, no tempo de permanência e na sensação de acolhimento sofisticado que a gelateria busca transmitir ao público.

Diferente de espaços que tentam “performar luxo”, a La Dolce Vita aposta em autenticidade, cuidado e intenção como elementos centrais da marca. O resultado é uma experiência construída de forma gradual, quase curatorial, onde cada detalhe contribui para criar conexões afetivas.

A essência da empresa também aparece em sua frase institucional: “Sejam bem-vindos a um lugar de experiências gustativas significativas. Um convite para transformar cada momento em memórias afetivas, com sabor de vivência.”

Em Manaus, a La Dolce Vita consolida sua identidade como uma gelateria artesanal autoral onde o gelato é apenas o começo da experiência.

Manaus Airport celebra 50 anos de história com exposição itinerante

0

Foto: Reprodução/Manaus Airport

O Manaus Airport lançou, no dia 22 de maio de 2025, uma exposição especial em comemoração aos 50 anos de história. Batizada de ‘Manaus Airport – 50 anos: nossa história em movimento’, a mostra reúne registros históricos, marcos institucionais, curiosidades e elementos visuais que retratam as cinco décadas de conexão, desenvolvimento e transformação da Amazônia por meio da aviação. Administrado pela Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, o aeroporto é membro da rede VINCI Airports, desde 2022.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A cerimônia de lançamento ocorreu no saguão de check-in do terminal, conduzida pelo CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, Kleyton Mendes.

A exposição, que ocorrerá de forma itinerante, contará com espaços cenográficos e totens com conteúdos visuais e textuais distribuídos de forma fluida e imersiva, com uma linha do tempo com a história do aeroporto, reunindo momentos marcantes da trajetória. 

Leia também: De Manaus para o Vietnã: engenheiro amazonense lidera projeto aeroportuário multibilionário na Ásia

Manaus Airport lança exposição para celebrar 50 anos de história
Manaus Airport lança exposição para celebrar 50 anos de história. Foto: Três Comunicação e Marketing

A estrutura ficará em cartaz também no Shopping Ponta Negra (15 a 30 de junho) e no Mirante Lúcia Almeida (2 a 17 de julho). Ao todo, serão 50 dias de exposição, simbolizando o cinquentenário do aeroporto.

O CEO da Concessionária dos Aeroportos da Amazônia, Kleyton Mendes, ressalta:

“Desde que foi construído, o aeroporto desempenha um papel essencial para a economia e cultura da região. Poder resgatar, de alguma forma, essa trajetória tão admirável e ter a oportunidade de continuar escrevendo essa história, para nós é motivo de muito orgulho. Estamos focados em construir um futuro com mais conectividade, transformação, desenvolvimento e sustentabilidade”. 

Uma história em movimento

Considerado o maior terminal aeroportuário da Amazônia brasileira, o Manaus Airport, atualmente, conecta o Amazonas a 27 destinos nacionais e internacionais e abriga o terceiro maior terminal de cargas do Brasil.

Com o início da administração pela VINCI Airports, o terminal passou por um amplo processo de modernização, como parte de um pacote de investimentos superior a R$1,4 bilhão voltado para obras de ampliação, melhoria da infraestrutura e aquisição de novos equipamentos.

Leia também: A história da origem do Aeroclube do Amazonas: do ponto de partida à tradição regional

Manaus Airport lança exposição para celebrar 50 anos de história. Foto: Três Comunicação e Marketing

Inaugurado em 1976 e batizado oficialmente como Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, o terminal desempenha papel fundamental na logística de passageiros e cargas da Amazônia, sendo considerado um hub estratégico para integração regional e operações ligadas à Zona Franca de Manaus (ZFM).

Para a empresária Cely Rezende, o aeroporto representa muito mais que um local de trabalho: “Atuo há mais de 40 anos no aeroporto e me sinto muito lisonjeada em fazer parte dessa história. Acompanhei muitas transformações, recebemos gente do mundo todo. Posso dizer que amadureci junto com o aeroporto. Temos outras lojas, mas esta é a minha queridinha por fazer parte da minha vida”.

*Com informações da assessoria

Ciência e saberes tradicionais são reunidos em cartilha interativa produzida no Pará

0

Imagem: Divulgação

A Jornada de Maré‘, do projeto ‘Oca Social: monitoramento contínuo e participativo dos recursos pesqueiros da costa do Pará e do Maranhão’, trata-se de uma cartilha estilo livro-jogo educativa. Produzida por meio do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Pará (IG/UFPA), está disponível nas versões digital e impressa.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O projeto é vinculado à Faculdade de Oceanografia da UFPA, coordenado pela professora Sury Monteiro e financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). A iniciativa tem como foco realizar o monitoramento e levantamento de dados sobre os recursos pesqueiros de reservas extrativistas (Resex) da região costeira do Pará e Maranhão.

A partir das informações obtidas, o projeto busca unir ciência e saberes tradicionais em uma única missão: promover a troca de conhecimentos por meio de uma linguagem acessível e envolvente para a sociedade. E, a partir desse objetivo, que se deu origem à cartilha e ao formato do material com jogos e desenhos.

“O objetivo é apresentar o cotidiano de uma Resex sob a perspectiva infantil, abordando direitos e deveres dos chamados “guardiões da natureza” (os residentes dessas áreas). Além disso, a publicação trata da conservação dos recursos naturais e da promoção de boas práticas de pesca”, esclarece Maria Clara Pinheiro, supervisora de educação ambiental do projeto Meros, parceiro do Oca.

Leia também: Cartilha une Lenda da Boiuna e a Educação Intergeracional na Amazônia

Projeto da UFPA une ciência e saberes tradicionais em cartilha interativa
Imagem: Divulgação

Cartilha incentiva educação ambiental

A cartilha foi ilustrada por desenhos de crianças moradoras de cinco Resex do Pará e do Maranhão, realizados durante as atividades de educação ambiental.

Com jogos e linguagem simples e próxima do cotidiano dos moradores, a proposta do material é que, ao se identificar com a personagem ‘Maré’, as crianças tomem decisões, por meio do jogo interativo, que preservem e busquem equilibrar o meio ambiente.

“Nós conseguimos estabelecer as atividades em cinco reservas extrativistas, sendo duas no Pará e três no Maranhão. Em cada Resex, fizemos atividades com os pescadores, mas também fizemos ações de educação ambiental nas escolas para envolver as crianças nessas atividades da ciência cidadã e engajá-las nesse monitoramento participativo. Um dos resultados mais interessantes foi o conhecimento que essas crianças têm sobre os recursos pesqueiros e sobre as artes de pesca. Então utilizamos esse conhecimento para construção dessas cartilhas”, explica Sury Monteiro.

A versão impressa está disponível na Biblioteca Central da UFPA. Confira a versão digital AQUI.

Em Manaus, gelateria artesanal aposta em sabor, permanência e afeto

0

Fachada La Dolce Vita Gelateria. Foto: Divulgação

Quando se fala em gastronomia artesanal no Brasil, é comum imaginar grandes capitais do Sul e Sudeste, bairros históricos europeus ou destinos turísticos sofisticados. Mas, discretamente, em meio ao calor, à umidade e aos desafios logísticos da Amazônia, uma gelateria em Manaus vem construindo algo raro: uma experiência que vai muito além da sobremesa.

A La Dolce Vita Gelateria nasceu da ideia de que um bom gelato não deveria ser apenas consumido e sim vivido. Mais do que reproduzir fórmulas industriais ou simplesmente “italianizar” uma estética, a proposta da casa sempre pareceu ser outra: reinterpretar a tradição clássica da gelateria artesanal sob a realidade amazônica, preservando autenticidade, frescor e experiência humana.

E isso exigiu escolhas difíceis.

Enquanto grande parte do mercado busca padronização extrema, estoques longos e processos altamente industrializados, a La Dolce Vita seguiu por um caminho mais trabalhoso: produção em pequenos lotes semanais, ingredientes reais, reformulações constantes e uma busca quase obsessiva por textura, estabilidade e profundidade sensorial.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Ali, frutas continuam sendo frutas. Creme continua sendo creme. Leite continua sendo leite. Pode parecer simples. Mas, no atual cenário da alimentação industrializada, talvez isso seja justamente o mais raro.

A proposta da casa nunca se limitou ao gelato em si. Desde cedo, ficou claro que o objetivo era construir um ambiente capaz de transformar pequenos momentos cotidianos em experiências afetivas memoráveis.

Essa intenção aparece em tudo:

  • No cuidado com a atmosfera;
  • Na linguagem do cardápio;
  • Nos boxes culturais explicando curiosidades sobre gelato e gastronomia;
  • Nos cafés premium;
  • Nos drinks clássicos e autorais preparados diante do cliente;
  • Nos forneados servidos quentes;
  • Nos jogos de mesa espalhados pelo ambiente; e
  • Nos detalhes pensados tanto para encontros entre amigos quanto para famílias com crianças.

Existe algo particularmente interessante na identidade da La Dolce Vita: ela não parece interessada em ‘performar’ luxo de maneira caricatural.

  • Não há excesso.
  • Não há ostentação forçada.
  • Não há tentativa artificial de parecer inacessível.

O que existe é uma sofisticação construída por atmosfera, cuidado e intenção.

Talvez seja exatamente isso que faça o ambiente parecer tão acolhedor.

A sensação é menos a de entrar em um estabelecimento comercial tradicional e mais a de entrar em um espaço pensado para permanência — um lugar onde conversar, desacelerar, tomar um café, dividir um brownie quente ou simplesmente observar o movimento da noite faz parte da experiência tanto quanto escolher o sabor do gelato.

Em Manaus, gelateria artesanal aposta em sabor, permanência e afeto la dolce vita gelateria
La Dolce Vita aposta em experiência afetiva e transforma gelato artesanal em memória em Manaus. Foto: Divulgação

E, curiosamente, essa filosofia parece ter moldado a própria operação da empresa.

Produzir menos para preservar frescor.

Recomeçar processos constantemente.

Aceitar variáveis naturais.

Respeitar sazonalidade.

Adaptar métodos clássicos europeus às condições climáticas amazônicas sem sacrificar identidade.

Nada disso é o caminho mais fácil.

Mas talvez seja justamente por isso que a experiência pareça tão genuína.

Existe personalidade ali.

Existe autoria.

Existe presença humana.

Em uma época em que muitos estabelecimentos acabam se tornando visualmente parecidos, conceitualmente genéricos e operacionalmente automatizados, a La Dolce Vita parece seguir na direção oposta: construir memória afetiva através da gastronomia.

E talvez seja essa a melhor definição para a casa.

Uma gelateria artesanal autoral, no coração da Amazônia, criada para transformar consumo em experiência, permanência em encontro e sabor em lembrança.

Exemplar de percevejo raro é descoberto na Amazônia e se torna 1° registro do gênero na América do Sul

0

O inseto pertence à mesma família dos barbeiros, denominada Reduviidae. Foto: Jader de Oliveira/Acervo pessoal

Com um único exemplar conhecido no mundo, o inseto do gênero Bagriella ficou por mais de 100 anos esquecido pela ciência. Coletado na América Central, em 1923, e depositado no Museu Nacional de História Natural, em Washington, nos EUA, o pequeno percevejo voltou a aparecer nos registros científicos graças ao trabalho de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, em Araraquara. Imersos em uma das regiões mais remotas da Amazônia, os cientistas capturaram não apenas o primeiro registro do gênero na América do Sul, mas identificaram uma espécie inteiramente nova para a ciência. 

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Batizada de Bagriella meneguettii, a descoberta representa um avanço significativo para a taxonomia dos Reduviidae, família dos percevejos predadores, e reforça o quanto a biodiversidade amazônica ainda é pouco conhecida.

“O troféu do taxonomista é quando encontra algo novo. E esse bicho ficou 103 anos esperando por alguém que o reconhecesse”, afirma Jader de Oliveira, pós-doutorando da FCF e co-autor do estudo. 

Como a descoberta aconteceu

O achado, publicado em abril de 2026 no Journal of the International Heteropterists’ Society (JHIS), foi resultado da iniciativa Amazonia+10, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que reúne especialistas de diferentes estados.

Originalmente, os cientistas buscavam avaliar a presença e o comportamento dos triatomíneos, popularmente chamados “barbeiros”, vetores da doença de Chagas,  focando na biodiversidade dos estados do Acre e Rondônia. Mas a instalação de dez armadilhas luminosas espalhadas em pontos estratégicos na floresta da Serra do Divisor, no Acre, acabou por capturar mais de dez mil insetos de grupos variados.  “Dentro dessa miscelânea de insetos, havia uma espécie que me chamou atenção. Desconfiei que poderia ser um Bagriella”, conta Jader.

Saiba mais: Doença de chagas: especialista responde principais dúvidas

O pesquisador da FCF recorreu então ao professor Hélcio Reinaldo Gil Santana, um dos dois únicos especialistas brasileiros na família Reduviidae, que reconheceu a raridade do achado. Juntos, os especialistas procuraram o curador do Museu em Washington, que fotografou o material de 1923 e enviou para confirmação. “Nós olhamos o bicho e eu falei: “O que a gente tem em mãos é uma espécie nova, ele não bate com a descrição da Bagriella ornata”, lembra Jader.

Assim como a ornata, a meneguettii tem um corpo delgado e repleto de espinhos. A diferença morfológica, entretanto, ocorre nas pernas, descritas como raptoriais, e também nas asas. “As características das asas foram fundamentais, porque não “batiam” com a descrição da Bagriella ornata, permitindo a confirmação de que se tratava de uma espécie inédita”, revela Jader.

A escolha do nome

Na taxonomia, é tradição nomear novas espécies em homenagem a pesquisadores que contribuíram para o estudo do grupo ou que exercem papel relevante no campo de pesquisa. Neste caso, a escolha foi um consenso imediato entre os autores. Para eles, o professor Dionatas Ulises de Oliveira Meneguetti, da Universidade Federal do Acre (UFAC), foi peça central na viabilização da pesquisa na região.

Especialista com atuação consolidada no estado, ele foi responsável por criar as pontes que permitiram a equipe de São Paulo trabalhar em uma das áreas mais remotas da Amazônia.

“Sem ele, dificilmente chegaríamos até lá. Ele abriu as portas, conhecia a região, tinha alunos daquela área. Isso facilita tudo, desde o contato com as comunidades locais até o conhecimento do território”, ressalta Jader.

De acordo com os autores, o interesse em realizar a expedição no Parque Nacional da Serra do Divisor ocorreu justamente pela sua localização, na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia. “A gente queria entender o que circula nessas áreas de fronteira. Os insetos vetores não reconhecem barreiras geográficas”, explica o pós-doc.

Leia também: Como reconhecer a picada de insetos e animais peçonhentos na Amazônia? 

Armadilhas luminosas utilizadas na floresta atraíram milhares de insetos durante as expedições na Serra do Divisor. Foto: Jader de Oliveira/Acervo pessoal

O achado revela ainda que a biodiversidade da Amazônia precisa ser melhor explorada, ainda mais levando em conta que este bioma vem sofrendo maior pressão econômica, que resulta em sua rápida degradação. 

“O ambiente vem sendo tão destruído, que a gente não vai conseguir mensurar o que existia ali de fato. Alguns tipos de fauna, principalmente esses grupos bem pequenos, são endêmicos, ou seja, são encontrados somente naquela região”, reflete o pesquisador da FCF.

Depois da publicação do achado, os cientistas agora planejam utilizar técnicas de DNA no estômago da Bagriella meneguettii para descobrir do que esses percevejos se alimentam, ajudando a montar o “quebra-cabeça” de sua ecologia.

Além disso, eles reforçam a necessidade de realizar amostragens em outros biomas e áreas de transição da Amazônia para confirmar se a espécie é endêmica da Serra do Divisor ou se possui uma distribuição mais ampla. O grupo também espera encontrar um macho da Bagriella, pois tanto a espécie encontrada no Brasil quanto a identificada na América Central são fêmeas. “Isso nos ajudaria a entender melhor a biologia completa desse inseto”, diz Jader.

A nova espécie foi encontrada durante expedição no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre
A nova espécie foi encontrada durante expedição no Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre. Foto: Pedro Devani/Secom AC

Uma expedição no limite do mapa

Para chegar à Serra do Divisor, a equipe liderada pelo  professor João Aristeu, coordenador da pesquisa “Amazônia+10 no contexto das doenças negligenciadas: caracterização entomoepidemiológica da doença de Chagas em regiões amazônicas de fronteira (Brasil-Bolívia e Brasil-Peru)”, vinculada ao projeto da Amazônia+10, precisou de muita disposição.

Saindo de São Paulo, pegaram um voo que durou 5 horas até Rio Branco. De lá, enfrentaram mais dez horas de carro até a cidade de Mâncio Lima, para então se aventurarem por mais de seis horas de barco subindo pelo Rio Moa. 

A base de operações foi estabelecida em cabanas construídas por um ribeirinho local especificamente para receber grupos de pesquisa. À noite, a equipe embarcou novamente e percorria mais 40 minutos de rio para instalar e monitorar as armadilhas luminosas. A região abriga onças, jacarés, serpentes peçonhentas e, como a equipe descobriu ao cruzar com agentes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) durante o trajeto, populações indígenas ainda em processo de primeiro contato com o mundo exterior.

“Foi uma experiência muito gratificante, que nos permitiu sair da bolha acadêmica e conhecer um outro Brasil”, afirma. 

Mas o que mais marcou, segundo Jader, foi a oportunidade de estar em campo ao lado do professor João Aristeu, seu mentor e coordenador do projeto. “A gente aprende muito na bancada do laboratório, mas o campo é outro universo. Poder viver essa experiência com o professor Aristeu, dentro da Amazônia, foi o mais gratificante de tudo”, conclui. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Unesp, escrito por Gabriele Maciel