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Âmbar é a nova distribuidora de energia no Amazonas

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Foto: Divulgação/Âmbar Energia

A Âmbar Energia assumiu oficialmente, em 10 de abril, a distribuição de energia elétrica no Amazonas. Com a nova gestão, a empresa afirma que irá concentrar investimentos em três frentes estratégicas: modernização da rede de distribuição, aumento da eficiência operacional e reequilíbrio econômico-financeiro da concessionária.

A proposta é melhorar a qualidade dos serviços prestados à população e garantir maior estabilidade no fornecimento de energia em Manaus e nos municípios do interior.

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Presente há mais de dez anos no setor elétrico brasileiro, a Âmbar Energia está entre as maiores geradoras de eletricidade do país. Atualmente, a companhia opera 59 usinas, sendo 12 delas localizadas no Amazonas.

Foto: Divulgação/Âmbar Energia

A empresa faz parte da J&F, um dos maiores conglomerados industriais do mundo, que é organizada em unidades de negócios nos segmentos de alimentos, mineração, celulose, higiene e cosméticos, com presença em mais de 20 países e mais de 300 mil colaboradores ao redor do mundo.

Segundo o presidente da Âmbar Energia, João Pilla, a experiência adquirida pelo grupo na administração de operações complexas será aplicada na nova fase da distribuidora.

“Vamos atuar com respeito à população amazonense e trabalhar continuamente para melhorar a qualidade do serviço, tanto na capital quanto no interior do estado”, declarou.

Arquiteto Vilanova Artigas deixou três marcas permanentes na paisagem urbana do Amapá 

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Foto: Divulgação

Pouca gente sabe, mas um dos maiores nomes da arquitetura brasileira do século XX, o arquiteto João Batista Vilanova Artigas, referência do modernismo e do brutalismo arquitetônico, deixou sua assinatura em três importantes prédios públicos do Amapá. Militante do Partido Comunista Brasileiro, perseguido pela Ditadura Militar e afastado da docência em 1969, Artigas foi responsável pelos projetos do atual prédio do Comando da Polícia Militar, da Secretaria de Estado da Infraestrutura (Seinf) e da Escola Estadual Tiradentes.

A história ganha contornos ainda mais curiosos porque esses projetos foram adquiridos durante o governo do general Ivanhoé Gonçalves Martins, militar identificado com a linha dura do regime. O encontro entre um governador conservador e um arquiteto comunista revela uma das muitas contradições da história brasileira.

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Segundo o livro ‘As histórias da História do Amapá’, foi como “como se o general, cujo cerne ideológico o colocava como adversário institucional do comunismo, tivesse reconhecido a urgência humanista de uma causa maior: a construção de um Estado que pudesse acolher seus cidadãos”.

Leia também: Projeto apresenta perspectivas sustentáveis para a arquitetura amazônica

Projetos do arquiteto são patrimônio coletivo

Arquiteto Vilanova Artigas deixou três marcas permanentes na paisagem urbana do Amapá 

As três edificações permanecem como importantes exemplares da arquitetura moderna na Amazônia. O prédio da Polícia Militar é considerado o mais preservado, enquanto a Escola Tiradentes sofreu alterações ao longo do tempo, com a substituição de elementos previstos no projeto original. Já a sede da Seinf ainda conserva boa parte de suas características arquitetônicas, embora pouco reconhecida como patrimônio cultural.

A obra destaca ainda que pesquisas acadêmicas apontam a necessidade de valorização desse legado. Mais do que construções em concreto, ferro e vidro, os edifícios representam um encontro improvável entre visões políticas opostas e demonstram que a arquitetura pode ultrapassar disputas ideológicas para se transformar em patrimônio coletivo.

Essa e muitas outras curiosidades estão reunidas em As histórias da História do Amapá, obra que busca recuperar episódios esquecidos e personagens que ficaram à margem da historiografia tradicional.

Como destaca o senador Randolfe Rodrigues no prefácio, trata-se de um livro que “reconstitui a memória coletiva de um povo a partir daquilo que a história oficial deixou à margem”.

A proposta dialoga com a própria apresentação da obra ao leitor. Na orelha do livro, o autor é apresentado como um pesquisador dedicado à preservação da memória histórica e cultural do estado, reunindo relatos, personagens e acontecimentos que ajudam a compreender a formação social, política e cultural do Amapá.

*Com informações da assessoria

Amazon On 2026 realiza discussões sobre tecnologia e desenvolvimento sustentável da Amazônia; inscrições abertas

Foto: Reprodução/ Amazon On

Já estão abertas as inscrições para o Amazon On 2026, evento que se consolidou como um dos principais palcos de debate sobre o futuro da região amazônica. Nos dias 5 e 6 de agosto, o Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus (AM), será o ponto de encontro para especialistas, empresas e a sociedade discutirem inovação, conectividade, transição energética e bioeconomia. As inscrições são 100% gratuitas e podem ser feitas pelo site oficial.

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Em sua terceira edição, o Amazon On reúne os principais players dos setores de tecnologia, telecomunicações, energia e sustentabilidade. O objetivo é discutir o cenário atual e apresentar soluções práticas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, com foco na inclusão digital e na preservação da biodiversidade regional.

Programação de alto impacto

A agenda deste ano contará com oito painéis temáticos desenhados para abordar os desafios urgentes e as oportunidades de mercado para a floresta. Entre os destaques, estão debates sobre soberania, infraestrutura e as vozes locais.

Leia também: Amazon On 2026 debaterá conectividade, transição energética e políticas públicas em Manaus

Confira a lista completa de painéis do Amazon On:

  • Transição energética na Amazônia: descarbonização, Energias da Floresta e outros cases;
  • Tecnologia & inovação a serviço da floresta;
  • Expansão da conectividade do lado da demanda: percepções, ações e subsídios eficazes;
  • Soberania e sustentabilidade na Amazônia a partir da infraestrutura de telecomunicações e energia;
  • Estratégia para Expansão da Conectividade Digital na Amazônia;
  • Da Amazônia para o Mundo;
  • Transição energética da Amazônia;
  • Vozes da Amazônia: necessidades, barreiras, soluções e transformações.

*Com informações da assessoria

Projeto Kunhã_Eté lança mentoria para fortalecer protagonismo de mulheres indígenas no cinema amazônico

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Foto: Vicent Carelli

A valorização das narrativas indígenas produzidas por mulheres ganha um novo impulso com o projeto Kunhã_Eté, idealizado pela pesquisadora, produtora cultural e doutoranda em Estudos Culturais, Fabienne Priscila. A iniciativa promove o lançamento da Mentoria para Mulheres Indígenas Produtoras de Cinema, neste 22 de junho, às 18h30, no Palácio da Justiça, em Manaus (AM), reunindo profissionais do audiovisual e pesquisadoras para debater os desafios e as oportunidades da presença feminina indígena na produção cinematográfica.

A programação de lançamento contará com a palestra “Mulheres Amazônicas na Produção Audiovisual”, com participação das convidadas Bitta Catão e Jocê Mendes. O evento marca o início de uma ação formativa gratuita voltada especialmente para jovens, produtoras iniciantes e mulheres oriundas de povos e comunidades tradicionais.

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O projeto nasce a partir das reflexões desenvolvidas por Fabienne Priscila em sua pesquisa de doutorado pela Universidade de Aveiro, em Portugal. A tese investiga as representações das mulheres indígenas, desde os mitos de origem e ritos de passagem até as formas contemporâneas de empoderamento feminino e protagonismo no cinema.

Segundo a pesquisadora, o estudo busca ampliar a visibilidade das mulheres indígenas e contribuir para a construção de narrativas mais plurais e inclusivas no audiovisual.

“Historicamente, as representações das mulheres indígenas foram construídas a partir de olhares externos. Nossa pesquisa procura compreender como essas mulheres estão ressignificando suas identidades e ocupando espaços de protagonismo por meio da produção audiovisual. O cinema tem se mostrado uma ferramenta importante de visibilidade, resistência e afirmação cultural”, destaca Fabienne.

Projeto Kunhã_Eté lança mentoria para fortalecer protagonismo de mulheres indígenas no cinema amazônico
A pesquisador Fabiene Priscila conduz o projeto. Foto: Arquivo

Leia também: Saiba quem foi Roberto Kahane, referência do cinema amazonense

Projeto aposta em formação para fortalecimento

Além da pesquisa acadêmica, o Kunhã_Eté aposta na formação como estratégia de fortalecimento da presença feminina indígena no setor audiovisual. A mentoria será realizada em formato online, com carga horária total de 12 horas, distribuídas em quatro encontros ao longo do mês de julho.

As atividades serão conduzidas por Fabienne Priscila, Ana Lígia Pimentel e Flávia Abtibol, profissionais com atuação na produção cultural e audiovisual amazônico.

Entre os temas abordados estão a produção audiovisual independente, estratégias de distribuição e circulação de obras, captação de recursos por meio de editais culturais e uma introdução ao cinema indígena e feminino, contemplando aspectos históricos, estéticos e de representatividade.

Além da mentoria, o projeto prevê, ainda, um mapeamento inédito da produção audiovisual de cineastas indígenas da Amazônia brasileira. O levantamento resultará na publicação de um catálogo impresso e digital reunindo obras, trajetórias e contribuições dessas realizadoras para a cultura contemporânea.

De acordo com a pesquisadora, a expectativa é que os resultados do projeto contribuam não apenas para o fortalecimento das mulheres indígenas no campo artístico, mas também para subsidiar políticas públicas e iniciativas voltadas à promoção da diversidade cultural e da igualdade de gênero.

*Com informações da assessoria

Pesquisa identifica fatores climáticos e sociais associados aos acidentes ofídicos no Pará

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Jorge Emanuel Cordeiro Rocha (ao centro), primeiro autor do artigo, ao lado dos professores Ana Carla Gomes e Joacir Stolarz-de-Oliveira (à direita), durante sua defesa de mestrado no PPGRNA. Foto: Divulgação/ FVS-RCP Amazonas

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) foi publicada na revista científica Tropical Medicine & International Health, uma das principais publicações internacionais da área de medicina tropical e saúde global. A pesquisa investigou como fatores climáticos e sociais influenciam a incidência de acidentes ofídicos no estado do Pará, que registra o maior número absoluto de casos desse tipo de agravo no Brasil.

Intitulado “Climatic and Social Drivers of Snakebite Incidence in Pará State, Brazilian Amazon”, o artigo analisou dados epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos referentes ao período de 2007 a 2023. O objetivo foi compreender de que forma variáveis como precipitação, níveis dos rios, fenômenos climáticos de grande escala e indicadores sociais estão relacionadas à distribuição temporal e espacial dos acidentes com serpentes na Amazônia.

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O primeiro autor do trabalho é o pesquisador Jorge Emanuel Cordeiro Rocha, egresso do Programa de Pós-Graduação em Recursos Naturais da Amazônia (PPGRNA), do Instituto de Engenharia e Geociências (IEG) da Ufopa.

O estudo foi realizado sob orientação da professora doutora Ana Carla dos Santos Gomes, do IEG, e coorientação do professor doutor Joacir Stolarz-de-Oliveira, do Instituto de Ciências da Educação (Iced). Também assina a publicação o pesquisador Samuel Campos Gomides, do Campus Oriximiná da Ufopa.

Leia também: Portal Amazônia responde: cobras e serpentes são diferentes?

Principais resultados da pesquisa

Jorge Emanuel Cordeiro Rocha (ao centro), primeiro autor do artigo, ao lado dos professores Ana Carla Gomes e Joacir Stolarz-de-Oliveira (à direita), durante sua defesa de mestrado no PPGRNA. Foto: Divulgação

A pesquisa identificou que os acidentes ofídicos estão fortemente associados a indicadores de vulnerabilidade social, sendo mais frequentes em municípios com maior percentual de população rural, maiores taxas de analfabetismo e menores condições de saneamento básico. Os resultados também evidenciaram a influência de fatores ambientais, especialmente os regimes de chuva e as variações dos níveis dos rios, sobre a dinâmica dos acidentes.

Ao todo, foram analisados mais de 87 mil casos registrados no estado do Pará ao longo de 17 anos. O estudo revelou ainda que os acidentes apresentam um padrão sazonal bem definido, com maior incidência durante o primeiro semestre do ano, período que coincide com a estação mais chuvosa em grande parte da Amazônia.

Segundo a professora Ana Carla Gomes, os resultados do estudo oferecem subsídios importantes para o planejamento de ações de prevenção e vigilância em saúde, especialmente em municípios com alta incidência de acidentes.

“A pesquisa contribui para aprimorar a distribuição de soros antiofídicos, fortalecer ações de educação em saúde e qualificar a assistência às populações mais vulneráveis da Amazônia. Além disso, evidencia a importância de considerar fatores ambientais e sociais na formulação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento desse problema de saúde pública”, afirma.

Para a docente, a publicação também representa mais uma contribuição do PPGRNA e do IEG para a produção de conhecimento científico voltado aos desafios socioambientais da Amazônia: “O trabalho evidencia o papel da pós-graduação da Ufopa na formação de pesquisadores capazes de desenvolver estudos de relevância regional e internacional, fortalecendo a inserção da universidade em redes globais de pesquisa”.

Fonte

*Com informações da Ufopa

Chef Edielson Sousa ensina receita de arroz paraense

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Arroz paraense do chef Edielson Souza no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.

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O chef Edielson Sousa é um dos convidados que encontrou na cozinha não apenas uma profissão, mas um propósito. Natural de Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso, ele chegou ainda bebê a Roraima e foi lá que construiu sua trajetória.

Antes de vestir o avental profissionalmente, o chef trabalhou como garçom e motorista. No entanto, o interesse pela cozinha surgiu muito antes, dentro de casa, ao lado da avó, que foi uma das primeiras pessoas a reconhecer seu talento.

“Minha avó já era uma senhora de idade, e hoje já não está mais entre nós. Mas ela sempre pedia pra que eu fizesse comida para ela e ela sempre falava assim: ‘ah, vai fazer curso, faz culinária, que você tem a mão boa, você tem um tempero muito bom, um tempero muito legal, gostoso’”, comentou o chef. 

Leia também: Chef Débora Valente ensina receita de pirarucu uarini ao limonete de maxixe

Chef Edielson Sousa ensina receita de arroz paraense
Chef Edielson Sousa no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Durante a adolescência, o contato com a cozinha acontecia nos encontros com amigos, nos churrascos e nas refeições que preparava. O caminho profissional começou a tomar forma quando uma amiga o incentivou a se inscrever em um curso de auxiliar de cozinha.

“Tinha uma amiga que trabalhava numa instituição e ela sabia, né? O que acontecia, os cursos e tudo mais. E aí nessa época eu trabalhava de motorista. É surreal. A história é muito louca. Daí ela pegou e me mandou uma mensagem: ‘ó, não quer se inscrever aqui no curso de auxiliar de cozinha que vai ter e tal?’. Eu, pô, quero toda hora. O que precisa?”, contou o chef.

A oportunidade abriu portas para uma sequência de capacitações e, mesmo enfrentando dificuldades financeiras, Edielson não desistiu. ”Tinha dia que eu não tinha nem como ir pro curso. Eu ia caminhando, era até um pouco longe de casa, mas consegui concluir todos os cursos”. 

Chef Edielson Sousa no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat

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Foi nesse período que ele decidiu se aprofundar na gastronomia. Hoje, o chef define a profissão como uma extensão da própria vida.

“É o que eu amo fazer. É de onde tiro meu sustento, mas não sinto que estou trabalhando. Isso significa que eu não trabalho. Significa que eu faço as minhas coisas com amor”, declarou o chef.

A receita apresentada por Edielson é ‘Arroz paraense’. De acordo com o chef, o prato é exótico, cheio de aromas amazônicos e perfeito para reunir a família. Confira: 

Ingredientes do arroz paraense

  • 2 xícaras de arroz;
  • 1/2 xícara de camarão seco salgado (dessalgado);
  • 2 dentes de alho;
  • 1/2 cebola picada;
  • 1 xícara de jambú higienizado;
  • 2 xícaras de tucupi;
  • Sal a gosto;
  • Castanha-do-pará;
  • 2 colheres de sopa de azeite

Modo de preparo do arroz paraense

Comece picando a cebola e amassando os dentes de alho. O chef utiliza uma técnica diferente para o alho, pressionando-o com as costas da faca até obter uma textura mais triturada.

Em uma panela, aqueça um fio de azeite e refogue a cebola, o alho e metade do jambu. Em seguida, acrescente o tucupi e misture bem.

Chef Edielson Souza e o arroz paraense no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Adicione o arroz e parte do camarão seco para que o sabor seja incorporado durante o cozimento. Complete com água suficiente para cozinhar o arroz e deixe em fogo médio por cerca de dez minutos, com a panela tampada.

Quando o arroz estiver cozido, retire do fogo e acrescente o restante do camarão e algumas folhas de jambu para finalizar.

“Eu chamei de arroz paraense porque leva castanha-do-pará, camarão e jambu. Como tenho muitos clientes do Pará, acabou virando uma receita muito ligada a essa identidade”, afirmou o chef.

Apresentação do arroz paraense

De acordo com Edielson, um prato saboroso também precisa ser visualmente atraente. Por isso, a finalização recebe atenção especial.

Arroz paraense do chef Edielson Souza no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Utilizando um cortador como moldante, o chef molda o arroz e acrescenta camarões inteiros, castanha-do-pará laminada e uma pimenta dedo-de-moça para decorar. “Eu gosto de pratos bonitos, bem montados. A comida primeiro conquista pelos olhos”.

Bioeconomia, passado-presente da economia amazonense

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Bioeconomia envolve produção sustentável amazônica. Foto: Ronaldo Rosa/VALE

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Bioeconomia, a palavra mágica que vem mexendo com a cabeça de muita gente. Não apenas de leigos, iniciantes, estranhos ao meio, mas de técnicos e setores empresariais que não conseguem entender exatamente do que se trata. Afinal, o que é mesmo bioeconomia? A palavra, usualmente é associada à uma nova economia capaz de desenvolver e introduzir nos processos produtivos nova lógica interligando uso dos recursos naturais e conhecimento na exploração dos recursos da biodiversidade. Muito além do apelo comercial, a pesquisa reforça o potencial da biodiversidade brasileira na descoberta de novas moléculas com aplicações farmacêuticas e no desenvolvimento de terapias para doenças virais.

De acordo com o Global Bioeconomy Summit 2018, bioeconomia é “a produção, utilização e conservação de recursos biológicos, incluindo conhecimentos, ciência, tecnologia e inovação relacionados, para fornecer informações, produtos, processos e serviços em todos os setores econômicos, visando a uma economia sustentável”. Hoje, vários países do mundo têm incorporado a bioeconomia em suas estratégias de desenvolvimento dado seu potencial econômico sustentável. Trabalho publicado pela OCDE indica que até 2030, a contribuição global da biotecnologia alcançará mais de US$ 1 trilhão distribuídos entre os setores de saúde, produção primária e industrial.

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Ingredientes amazônicos usados em cosméticos mostram como bioeconomia, tecnologia e conhecimento local transformam sementes, resinas e frutos em produtos de alto valor agregado. Antes de chegar às prateleiras dos grandes centros urbanos em forma de cremes, shampoos ou perfumes, muitos cosméticos começam sua trajetória na Floresta Amazônica. Nos últimos anos, a busca por ativos naturais e cadeias produtivas mais sustentáveis ampliou o interesse por ingredientes amazônicos usados em cosméticos, como andiroba, copaíba e murumuru, hoje presentes em formulações para pele, cabelo e cuidados corporais.

Estudos da Embrapa e das mais importantes escolas agrícolas do Brasil concluem não haver dúvidas de que um dos maiores desafios da humanidade no século XXI consiste em compatibilizar a oferta de alimentos e energia destinada à população planetária com preservação dos recursos naturais. Nesse intrincado desafio, cabe ao agronegócio, sedimentado na bioeconomia, posição de destaque.

Dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), concluem que até 2050, quando a população global ultrapassará 9,3 bilhões de pessoas, a produção de alimentos deverá aumentar em mais de 50%. Para o USDA, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, fundado por Abraham Lincoln em 1862, o Brasil, onde a produção do agronegócio vem se expandindo de forma mais consistente, deverá responder por 41% desse esforço mundial.

Estudos especializados indicam também ser possível o alcance da meta levando em conta três pilares principais: tecnologia, disponibilidade de terra e pessoal capacitado em todos os elos das cadeias produtivas. O primeiro tem a ver com a tecnologia tropical sustentável de nossos órgãos de pesquisa e desenvolvimento, liderados pela Embrapa, Inpa, a universidade, instituições públicas e privadas, muito distanciadas entre si e dos interesses da região. Aqui no Amazonas, a exemplo da Epamig, em Minas, Iapar, no Paraná, do centenário Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e outros disseminados por todos estados brasileiros.

Visando promover revolução no setor agropecuário do Amazonas, este esforço deve fundamentar-se na criação de um instituto comprometido com a governança do setor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) objetivando tornar-se o principal instrumento de transferência de resultados de pesquisas locais, nacionais e internacionais relacionadas direta e indiretamente ao setor produtivo privado, priorizando segmentos estratégicos como produção de alimentos, de madeiras via manejo florestal sustentável, de mineração e o turismo ecológico.

Leia também: Amazonas/ZFM, baixos IDH-M evidenciam fortes gargalos ao desenvolvimento econômico e social

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Pesquisa mostra que sedimentos da costa do Maranhão registram alterações bruscas no transporte de calor do Atlântico

Cristiano Chiessi colhe amostra de coluna de sedimento marinho. Foto: Dana Pittauerova

O principal sistema que transporta calor de uma ponta a outra do oceano Atlântico pode sofrer alterações bruscas de intensidade, motivadas por mudanças climáticas semelhantes às que estamos vivenciando agora – inclusive quando já enfraquecida –, segundo um novo estudo liderado por pesquisadores do Brasil e da Alemanha.

A Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico, mais conhecida pela sigla em inglês AMOC (Atlantic Meridional Overturning Circulation), é um enorme sistema de correntes oceânicas que funciona como uma esteira transportadora de calor pelo oceano Atlântico. Ao levar águas quentes das regiões equatoriais e tropicais para altas latitudes do Atlântico Norte, ela ajuda a regular o clima em ambos os hemisférios, amenizando temperaturas na Europa e em partes da América do Norte, além de influenciar os regimes de chuva nas regiões intertropicais da África e da América do Sul.

O aquecimento global vem enfraquecendo gradualmente a AMOC, mas pesquisadores alertam há décadas para o risco de a circulação atingir um limiar crítico que desencadearia uma desaceleração abrupta, alterando radicalmente o clima em várias regiões do planeta. Até agora, as pesquisas indicavam que a circulação poderia permanecer nesse estado enfraquecido e relativamente estável por milhares de anos. Um novo estudo, porém, mostra que a AMOC pode ser muito mais dinâmica do que se imaginava e que a sociedade precisa se preparar não apenas para uma mudança climática abrupta, mas para uma série delas.

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Liderado pelos pesquisadores Cristiano Mazur Chiessi, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), e Stefan Mulitza, da Universidade de Bremen, Alemanha, o estudo encontrou sinais de dois episódios de grande intensificação da AMOC entre 17,8 e 14,8 mil anos atrás.

Durante esse intervalo, conhecido como “Heinrich Stadial 1”, a circulação era, na maior parte do tempo, muito mais fraca do que atualmente. No entanto, a análise de sedimentos marinhos da equipe alemã-brasileira concluiu que a AMOC teve dois pulsos abruptos de fortalecimento ao longo do período: um entre 16,5 e 15,8 mil anos atrás, e outro, mais curto, com cerca de cem anos de duração, em torno de 15,4 mil anos atrás. Durante o último episódio, a circulação chegou a superar sua intensidade atual.

Esses resultados foram publicados em maio na revista Nature Communications.

“É a primeira vez que se mostra que a AMOC pode sofrer pulsos de fortalecimento em períodos em que está enfraquecida”, afirma Chiessi, especialista em paleoceanografia e paleoclimatologia (ciências que estudam o passado do oceano e do clima). “Como escreveu um dos revisores do artigo, isso muda completamente a forma como compreendemos a Célula de Revolvimento Meridional do Atlântico.”

O principal motor da AMOC é o afundamento de águas frias e salinas nas proximidades da Groenlândia. Essas águas profundas seguem para o sul e voltam à superfície principalmente no oceano Circumpolar Antártico, onde fortes ventos favorecem sua ressurgência. Correntes superficiais transportam então parte dessa água de volta para o norte, fechando o circuito.

Leia também: Saiba quantos e quais municípios do Maranhão compõem a Amazônia Legal

Atualmente, o aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa está enfraquecendo essa circulação. O derretimento das geleiras da Groenlândia, o aquecimento do oceano Ártico e o aumento das chuvas na região estão reduzindo a salinidade e a densidade das águas superficiais, dificultando seu afundamento.

Apesar de preverem que esse processo pode levar a um grande enfraquecimento súbito da AMOC, os pesquisadores ainda não sabem quando e com que intensidade isso poderá ocorrer. Até pouco tempo atrás, mesmo os melhores modelos climáticos avaliados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas não conseguiam prever a evolução da AMOC com precisão suficiente.

Em abril deste ano, porém, uma equipe de pesquisadores da Universidade de Bordeaux, na França, publicou na revista Science Advances uma versão melhorada dessas previsões, baseada em novos dados observacionais. De acordo com eles, a AMOC pode enfraquecer entre 43% e 59% até 2100, mesmo que todos os países cumpram seus compromissos de redução de emissões de gases de efeito estufa.

Um enfraquecimento da AMOC dessa magnitude não acontece desde o final da última Era do Gelo. Durante o último máximo glacial (o período mais frio da última Era do Gelo), entre 23 mil e 19 mil anos atrás, grande parte da Eurásia e da América do Norte estava coberta por gigantescas geleiras com mais de 3 mil metros de altura, que alcançavam a latitude da cidade de Chicago, nos Estados Unidos. O enorme volume de água retido em gelo fez o nível do mar descer 120 metros abaixo do atual. Mesmo durante esse período, a AMOC tinha uma força semelhante à de hoje.

Mas um longo período de deglaciação começou quando mudanças climáticas, desencadeadas por uma variação natural na órbita da Terra, aumentaram a temperatura global. Após cerca de mil anos de derretimento das geleiras, a AMOC sofreu uma queda abrupta de intensidade, da qual só voltaria a se recuperar 3 mil anos depois, no final do evento Heinrich Stadial 1 (HS1).

Chiessi ressalta que o fato de a AMOC ter demorado mil anos para enfraquecer subitamente no passado não significa que ela demorará o mesmo tempo agora. “As condições climáticas eram totalmente distintas”, explica. “Nesse período, a concentração de gás carbônico na atmosfera era mais baixa do que a da era humana pré-industrial. Podemos aprender com os eventos do passado, mas eles não são análogos perfeitos.”

Pesquisa mostra que sedimentos da costa do Maranhão registram alterações bruscas no transporte de calor do Atlântico
Conchas de foraminíferos vistas ao microscópio. Diferenças de idade entre bentônicos (à esquerda) e planctônicos (direita) revelaram mudanças na AMOC. Imagem: Cristiano Chiessi

Pesquisa revela reconstrução do passado

O estudo analisou uma coluna de sedimentos marinhos coletada no Atlântico equatorial, a uma profundidade de 1.367 metros, a cerca de 189 quilômetros da costa do Maranhão, durante um cruzeiro do navio oceanográfico alemão RV Maria S. Merian, em 2012. Durante o evento HS1, assim como em outros períodos de AMOC enfraquecida, a precipitação no Nordeste brasileiro aumentou muito, enquanto diminuiu drasticamente no norte da Amazônia e em outras regiões mais ao norte.

“A taxa de sedimentação onde coletamos foi alta, porque choveu, erodiu e depositou muito lá”, explica Chiessi. “Isso nos permitiu fazer muitas análises. É como ter um filme com muitos quadros por segundo, de altíssima resolução.”

Para estimar a força de correntes oceânicas do passado, a equipe de Chiessi e Mulitza decidiu utilizar um método sofisticado e custoso, mas muito preciso, chamado de datação de ventilação por radiocarbono. A técnica calcula há quanto tempo a água profunda do oceano está isolada da atmosfera, permitindo medir a velocidade das correntes.

Em cada camada de sedimento, os pesquisadores identificaram e dataram conchas de dois tipos de microrganismos (ambos denominados foraminíferos) usando carbono 14 (radiocarbono). Como esse isótopo é produzido na atmosfera e absorvido por microalgas apenas na superfície do mar, a “idade” aparente dessas conchas reflete a profundidade em que se formaram.

As conchas de foraminíferos planctônicos (nativos da superfície) apresentam uma idade mais recente do que as de foraminíferos bentônicos (que vivem no fundo do oceano). Essa diferença de idade ocorre porque o carbono 14 só chega às profundezas transportado pelas águas superficiais que afundam na região da Groenlândia.

Atualmente, o tempo que essa água leva para circular – a chamada “idade de ventilação” da AMOC – é de 350 anos no Atlântico equatorial. Por isso, como conclui Chiessi: “A diferença de idade entre a concha formada na superfície e a formada no fundo é um indicador direto de quão intensa é a AMOC”.

As análises realizadas pelos pesquisadores Partha Sarathi Jena, durante seu pós-doutorado na EACH-USP, e Ines Beese, em seu pós-doutorado na Universidade de Bremen, concluíram que, logo antes do evento HS1, a diferença de idade aparente entre foraminíferos planctônicos e bentônicos era de 325 anos. Durante a maior parte do evento, a diferença aumentou para 960 anos, em função do enfraquecimento da AMOC. No primeiro episódio de intensificação, porém, ela diminuiu para 450 anos; e no segundo, para 200 anos.

A equipe comparou seus resultados com os de outros estudos paleoclimáticos, especialmente com as estimativas de precipitação durante o HS1, obtidas pela análise de estalagmites coletadas na Caverna Jaraguá, em Bonito, Mato Grosso do Sul, e na Gruta da Paixão, em Andaraí, na Bahia. Os dois picos de intensificação da AMOC encontrados coincidem com dois períodos em que chuvas intensas deram lugar a um clima mais seco no continente, reduzindo o volume de água doce que chegava ao oceano.

Os picos também coincidem com aumentos na concentração de gás carbônico na atmosfera, registrados por estudos de bolhas de ar presas no gelo da Antártica durante o HS1. Chiessi e seus colegas sugerem que as duas intensificações da AMOC podem ter transportado para o oceano Circumpolar Antártico águas profundas ricas em gás carbônico, que se encontravam relativamente paradas no Atlântico quando a AMOC estava fraca. Uma vez lá, o gás carbônico foi liberado para a atmosfera.

Chiessi espera que seu trabalho ajude a melhorar as previsões sobre a AMOC, com o objetivo de desenvolver sistemas de identificação de sinais do clima que antecipem mudanças abruptas, permitindo que a sociedade consiga tomar medidas precoces de adaptação.

“Precisaremos de muita resiliência, mas ainda podemos evitar que o pior aconteça se atuarmos na redução maciça das emissões de gases estufa”, considera.

O trabalho foi conduzido no âmbito do Centro de Pesquisa em Resiliência a Crises e Desastres Climáticos (CLIMARES), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP. Também recebeu apoio por meio de outros três projetos financiados pela Fundação (18/15123-423/00355-5 e 25/05117-0).

O artigo Centennial-scale intensifications of the Atlantic Meridional Overturning Circulation during Heinrich Stadial 1 pode ser lido em: nature.com/articles/s41467-026-73364-x.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Igor Zolnerkevic  

Inpa e Musa inauguram exposição e lançam livro sobre cogumelos da Amazônia

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Foto: Reprodução/Inpa

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e o Museu da Amazônia (Musa) abriram a exposição Cogumelos da Amazônia: Sob as Lentes de Michael Dantas” e lançaram o livro Série Mycelia: Álbum de cogumelos para Micoturismo – Volume 7 – Museu da Amazônia”. A programação foi realizada neste domingo (21), no Musa, em Manaus (AM).

A iniciativa integra ciência, arte e educação ambiental para aproximar o público da micodiversidade amazônica. A exposição traz registros fotográficos do biólogo e fotógrafo Michael Dantas, com curadoria científica do Grupo de Pesquisa Cogumelos da Amazônia – GP-CA/Inpa. As imagens revelam formas, cores e texturas de fungos que costumam passar despercebidos nas trilhas.

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Para o diretor do Inpa, Henrique Pereira, a iniciativa revela “uma nova forma de olhar para a Amazônia”. Ele ressalta o papel dos fungos como pilares dos ecossistemas florestais, responsáveis pela decomposição e reciclagem de nutrientes, e celebra a trajetória do Grupo de Pesquisa Cogumelos da Amazônia, liderado pela pesquisadora do Inpa, Noemia Ishikawa, o trabalho da pesquisadora Ruby Vargas-Isla e do fotógrafo Michael Dantas. 

Pereira destaca, ainda, que, para o Inpa, a exposição e o livro são instrumentos estratégicos de educação, conservação e micoturismo, construídos de forma colaborativa com pesquisadores, estudantes, comunidades e parceiros.

“Ninguém protege aquilo que não conhece. E ninguém valoriza aquilo que permanece invisível. Que cada visitante à exposição saia com um novo olhar sobre a floresta e compreenda que, muitas vezes, os maiores tesouros da Amazônia estão justamente naquilo que quase nunca vemos”, observa o diretor.

musa floresta cogumelos
MUSA, em Manaus. Foto: Divulgação

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Livro reúne observações de cogumelos

Em paralelo, será lançado pela Editora Inpa o Volume 7 da Série Mycelia, organizado pela micóloga e gestora do projeto CNPq, Ruby Vargas-Isla, e colaboradores. O livro reúne registros feitos nas trilhas do Musa e foi elaborado como um convite ao micoturismo – turismo voltado à observação de cogumelos.

“A Série Mycelia nasceu do desejo de revelar, em imagens, a diversidade de cogumelos da Amazônia. O volume 7 é um agradecimento ao professor Ennio Candotti e apresenta a micologia que se encontra nas trilhas do Musa e no Fungário, espaço criado para os fungos no museu”, diz Vargas-Isla.

Para o Inpa e o Musa, a programação reforça o compromisso com a divulgação científica e a valorização da biodiversidade amazônica, conectando pesquisa, arte e educação ambiental. A exposição está prevista para permanecer por vários meses no Musa, sem data de encerramento divulgada até o momento.

*Com informações do Inpa

Quais lendas inspiraram as toadas dos bois no Festival de Parintins 2026?

Lendas do curupira e pindova’úmi’ga serão retratadas por Caprichoso e Garantido no Festival de Parintins 2026. Arte: Bruna Azevedo/Rede Amazônica AM

O Bumbódromo de Parintins (AM) será palco de um mergulho profundo nas raízes místicas e na ancestralidade da Amazônia. Isso porque os bois Caprichoso e Garantido prometem levar, para as três noites do Festival Folclórico de Parintins, duas narrativas que serão destaque absoluto nas toadas deste ano: no lado azul, a lenda do Curupira, guardião supremo da floresta, e pelo lado vermelho, a odisseia de Pindova’úmi’ga, a saga mitológica do xamã e guerreiro ancestral do povo indígena Parintintin.

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Além do espetáculo visual, as composições deste ano se apoiam em densas pesquisas antropológicas e históricas, transformando o folclore em um manifesto de preservação ambiental e exaltação aos povos originários.

Confira a história das lendas:

Boi Caprichoso – Trilha do Curupira

Lenda do curupira
Lenda do Curupira será apresentada pelo Caprichoso durante o Festival de Parintins 2026. Arte: Bruna Azevedo/Rede Amazônica AM

“Teus pés em remoinho formarão a assombração, assombração, assombração”. A nova toada do Boi Caprichoso constrói uma narrativa envolvente que mistura suspense e crítica social, ambientada nas profundezas da Floresta Amazônica. A inspiração é lenda do Curupira.

Descrito como um menino de cabelos vermelhos e pés virados para trás, o Curupira é considerado o guardião das florestas e dos animais. Segundo a lenda, os pés invertidos servem para confundir caçadores e invasores, deixando rastros que indicam a direção oposta à que ele realmente segue.

De acordo com a tradição popular, o Curupira protege a natureza castigando quem caça por diversão, derruba árvores de forma ilegal ou desrespeita a floresta. Embora no imaginário popular o Curupira seja frequentemente reduzido a uma “história para assustar crianças”, a antropologia e a história enxergam a narrativa sob outra perspectiva.

A primeira menção escrita à entidade foi feita pelo padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na época, sob o olhar colonizador e católico, os jesuítas o descreviam como um “demônio” que aterrorizava os indígenas. A toada é repleta de versos que fazem referência direta ao personagem clássico do folclore brasileiro, como no trecho “De onde vem o assovio?”, que se refere à tática do Curupira para confundir caçadores e invasores com sons agudos e imprevisíveis. O refrão explosivo “Fogo de Curupira! Bota pra correr!” marca a obra como um grito de resistência.

A composição do Boi Caprichoso reinterpreta o guardião da mata por meio de símbolos da cosmologia indígena. Os pés invertidos, descritos no verso “Teus pés em remoinho formarão a assombração”, representam o poder de despistar quem tenta seguir seus rastros. Na segunda metade, a toada se transforma em um manifesto ecológico. O trecho “Rasga a mata viva o monstro correntão” denuncia o uso da corrente de aço arrastada por tratores — uma das práticas mais destrutivas do desmatamento ilegal.

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Boi Garantido – Pindova’úmi’ga

Odisséia de Pindova’úmi’ga será apresentada pelo Garantido durante o Festival de Parintins 2026. Arte: Bruna Azevedo/Rede Amazônica AM

“No segundo céu, se tornará Yvá’gan’ga… o povo que veio do céu é Parintintin”. A nova toada do Boi Garantido mergulha nas origens místicas da Amazônia e celebra a espiritualidade indígena. Na crença dos indígenas Parintintin, Pindova’úmi’ga é um grande chefe xamã.

A lenda conta que o guerreiro indígena viajou entre o céu e as profundezas das águas para criar os Yvága’nga, o povo do céu, que se manifestam através da fumaça, caminham pelas águas, transformam-se em animais sagrados como a onça-pintada e atuam como protetores das matas e das águas da Amazônia.

Segundo o Instituto Socioambiental (ISA) a lenda foi difundida em povos originários dos rios Madeira, Maicí e Ipixuna, no Amazonas. A toda mergulha na jornada xamânica do guerreiro que atravessa os três mundos — o céu, o rio subterrâneo e a terra — em busca do local ideal para erguer sua okara, a praça central que simboliza o coração da aldeia.

A narrativa poética descreve suas metamorfoses espirituais: revestido de uma armadura feita de pele de arraia e escamas afiadas, o herói mergulha nas águas amazônicas para desvendar os segredos dos peixes encantados. Ao retornar à superfície, transforma-se em onça-pintada, enfrentando visagens e espíritos da floresta.

Mas, como lembra a letra, “em todos os cantos da terra já tinham donos e guardiões”, e o pajé precisa buscar outro destino. Guiado por Kawnadu, a harpia divina, ele atravessa a barreira entre mundos, alcança o “segundo céu”, onde ergue sua aldeia.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM