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Equidade étnico-racial: municípios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amazônia

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Equidade étnico-racial: municípios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amazônia. Foto: Vicente de Souza

Entre 2021 e 2023, 15.101 adolescentes e jovens foram vítimas de violência letal no Brasil. Desse total, 83,6% eram negros, segundo o Panorama de Violência Letal e Sexual, produzido pelo UNICEF e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em 2024, das 87.545 vítimas de estupro e estupro de vulnerável registradas no país, 76,8% eram menores de idade e 55,6% eram negras. Os números mostram uma das dimensões das desigualdades étnico-raciais que atravessam a vida de crianças e adolescentes no Brasil.

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Além disso, racismo também aparece em espaços cotidianos, como escolas, serviços públicos e locais de convivência, afetando o acesso a direitos desde os primeiros anos de vida. Um levantamento da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, citado pelo UNICEF, aponta que 54% dos responsáveis por crianças de 0 a 6 anos relataram episódios de racismo vivenciados por elas em creches ou pré-escolas.

As desigualdades não aparecem apenas nos indicadores de violência. Elas também estão presentes no acesso a direitos básicos, como educação, água e saneamento. Dados do UNICEF também mostram que, em 2024, 79,1% dos adolescentes indígenas de 15 a 17 anos estavam matriculados no ensino médio, enquanto entre adolescentes brancos o percentual era de 86,9%.

No acesso à água, 25% das crianças e adolescentes indígenas não tinham abastecimento adequado, contra 2,2% das crianças brancas. Entre a população quilombola, 90% enfrentavam algum tipo de insegurança no acesso à água ou ao esgotamento sanitário.

Equidade étnico-racial: municípios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amazônia. Foto: Elmano Pantoja

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Esses indicadores ajudam a explicar por que o enfrentamento das desigualdades étnico-raciais também precisa fazer parte das políticas públicas. Falar em equidade étnico-racial significa reconhecer que crianças e adolescentes não vivem nas mesmas condições e que diferentes grupos podem enfrentar barreiras para acessar seus direitos. Essa discussão envolve a população negra, os povos indígenas, as comunidades quilombolas, ribeirinhas, de terreiro e diversas outras, considerando suas diferentes identidades, culturas, formas de organização e territórios.

Por isso, promover equidade não significa oferecer exatamente a mesma resposta para todas as pessoas, mas considerar as desigualdades existentes para que as políticas públicas consigam garantir direitos de forma mais efetiva. Na Amazônia, essa agenda ganha características próprias diante da presença de populações indígenas e quilombolas e da diversidade dos territórios.

Considerar essas diferenças também significa observar como as próprias instituições funcionam. É nesse ponto que aparece o conceito de racismo institucional, relacionado às desigualdades que podem ser reproduzidas pelas instituições por meio da forma como políticas, serviços e atendimentos são planejados e executados.

Para Adriano do Egito, mobilizador de adolescentes e ponto focal do Resultado Sistêmico 6 do Instituto Peabiru, enfrentar esse tipo de desigualdade exige que a discussão faça parte da gestão pública e não fique restrita a ações pontuais. 

“Quando a gente fala de equidade étnico-racial, a gente está falando de reconhecer que existem diferentes realidades dentro dos municípios e que essas diferenças precisam ser consideradas pelas políticas públicas. No contexto amazônico, isso significa olhar para a população negra, para os povos indígenas e para as comunidades quilombolas, entendendo quais são as barreiras que essas populações enfrentam para acessar seus direitos. O nosso papel é justamente apoiar os municípios para que eles consigam identificar essas desigualdades e pensar em ações que façam parte da própria gestão”, destaca Adriano.

Equidade étnico-racial e gestão pública

É nesse processo que entra o Selo UNICEF, iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) voltada ao fortalecimento das políticas públicas para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes. No Pará, Amapá, Mato Grosso e Tocantins, a iniciativa é implementada pelo Instituto Peabiru e mobiliza os municípios para qualificar suas políticas e desenvolver ações relacionadas a áreas estratégicas para a infância e a adolescência.

Nos quatro estados, a discussão sobre equidade étnico-racial também envolve uma parcela significativa da população indígena e quilombola. Segundo o Censo 2022 do IBGE, Amapá, Mato Grosso e Tocantins possuem, respectivamente, 5.095, 28.274 e 9.172 crianças e adolescentes indígenas de 0 a 17 anos. No Pará, são 29.378 crianças e adolescentes indígenas e 36.842 quilombolas na faixa de 0 a 14 anos. Entre crianças e adolescentes quilombolas de 0 a 17 anos, são 4.611 no Amapá, 3.123 no Mato Grosso e 4.116 no Tocantins. 

Na edição 2025–2028, a equidade étnico-racial passou a integrar pela primeira vez a metodologia do Selo UNICEF. A temática está presente de forma transversal nos Resultados Sistêmicos, que reúnem ações que orientam os municípios em áreas consideradas estratégicas para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes. Nesta edição, há também um resultado específico, o Resultado Sistêmico 6, voltado ao fortalecimento da capacidade dos municípios de enfrentar o racismo institucional.

O Selo UNICEF é uma ferramenta que deve fortalecer as políticas públicas nos municípios . A proposta é apoiar e qualificar a atuação das gestões municipais para que a perspectiva étnico-racial seja incorporada às políticas existentes e às ações desenvolvidas nos territórios.

Equidade étnico-racial: municípios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amazônia
Equidade étnico-racial: municípios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amazônia. Foto: Chico Atanásio

O Selo UNICEF é uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) que visa fortalecer as políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes nos municípios brasileiros, especialmente nas regiões do Semiárido e da Amazônia Legal. Nos ciclos do projeto, os municípios participantes assumem compromissos que devem ser cumpridos por meio da realização de atividades-chave, com foco em educação, saúde, proteção e participação social.

Para Mariana Machado Rocha, chefe do UNICEF para os estados do Pará, Amapá, Tocantins e Mato Grosso, incorporar a equidade étnico-racial à metodologia do Selo significa fortalecer essa agenda dentro da gestão municipal. 

“O racismo e as desigualdades  sociais têm impactos concretos na vida de crianças e adolescentes em todo o Brasil. O Selo UNICEF 2025-2028 incorpora essa agenda pela primeira vez à sua metodologia, entendendo que ela não pode ser tratada como uma ação isolada. A proposta é apoiar os municípios para que o enfrentamento ao racismo institucional esteja presente nas diferentes áreas da gestão e para que as políticas públicas considerem as características e as necessidades específicas das populações dos seus territórios.”, explica Mariana. 

Formação para levar a discussão aos territórios

Uma das estratégias para fortalecer essa agenda é o 4º Ciclo de Formação de Equidade Étnico-Racial da edição 2025–2028 do Selo UNICEF reúne gestoras e gestores, equipes técnicas, mobilizadores e adolescentes para discutir como as desigualdades étnico-raciais aparecem nos territórios e como podem ser consideradas na formulação e implementação das políticas públicas.

Ao todo, os encontros reuniram mais de 800 participantes de 308 municípios dos quatro estados. As formações foram realizadas em oito polos: Macapá (AP), Belém, Santarém e Parauapebas (PA), Cuiabá e Sinop (MT), Palmas e Araguaína (TO). Durante as formações, os participantes discutem o enfrentamento ao racismo nos territórios, acompanham apresentações culturais e participam de momentos de escuta dos adolescentes dos Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs). A programação também incluiu estudos de caso sobre situações de desigualdade étnico-racial nas políticas públicas e atividades relacionadas à implementação do Resultado Sistêmico 6.

Entre os temas trabalhados estão o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR) e a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), que integram o conjunto de estratégias relacionadas ao RS6.

Higor Hebert, coordenador nacional do Selo UNICEF, explica como a agenda de equidade étnico-racial será trabalhada pelos municípios ao longo da edição 2025–2028. 

“Então, nessa nova edição do Selo UNICEF, os municípios precisarão realizar quatro ações obrigatórias para que até 2028 nós possamos fortalecer essas políticas públicas para meninos e meninas indígenas, negras e quilombolas. Entre elas, a adesão ao SINAPIR e à PNGATI, a revisão do Plano Municipal da Primeira Infância, agora com uma abordagem de equidade étnico-racial, e também ciclos formativos sobre letramento racial, principalmente no setor público, para que nós tenhamos políticas públicas e principalmente aqueles que entregam os serviços e direitos para crianças e adolescentes com letramento racial”.

Para Higor, a formação de quem atua nos serviços públicos é parte fundamental desse processo, já que é na ponta que as políticas chegam às crianças e aos adolescentes. 

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Concórdia do Pará

Em Concórdia do Pará, a experiência mostra como a participação da sociedade civil pode contribuir para transformar a discussão sobre equidade étnico-racial em uma estrutura dentro da gestão pública. Segundo Dilani Cavalcante, articuladora do Selo UNICEF no município, o processo começou a partir da mobilização de organizações comunitárias e quilombolas. O reconhecimento da atuação dessas organizações levou à discussão sobre a necessidade de criar uma estrutura municipal voltada à promoção da igualdade racial.

O município criou, por meio de decreto municipal, um conselho com participação da sociedade civil e do Executivo, vinculado à Coordenadoria Municipal de Políticas de Igualdade Racial. A estrutura funciona como um espaço de diálogo entre diferentes setores para discutir e acompanhar políticas públicas relacionadas à igualdade racial.

“Não se faz política sem ouvir a população. Não se faz política, principalmente de igualdade étnico-racial, se não ouvir a diversidade do seu município, se não ouvir a diversidade e os coletivos distintos que existem”, afirma Dilani.

Equidade étnico-racial: municípios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amazônia. Foto: Kledson Ferreira

Para a articuladora, ouvir os diferentes grupos que vivem no território é fundamental porque comunidades que compartilham uma identidade étnico-racial também podem apresentar necessidades distintas. “Apesar de termos várias comunidades quilombolas, cada uma tem a sua especificidade e é importante ouvir, porque cada uma tem a sua organização, cada uma tem o seu meio de vida, cada uma tem as suas produções agrícolas, de acordo com a realidade de vida desse povo”, explica.

No município, o Selo UNICEF entra como apoio a uma estrutura que já existe. De acordo com Dilani, a iniciativa pode contribuir para fortalecer a articulação entre as diferentes secretarias e direcionar esse trabalho também para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes a partir da perspectiva da equidade étnico-racial.

“Hoje Concórdia do Pará já tem uma secretaria municipal, que já se atravessam outras secretarias com política pública, e o Selo UNICEF vem exatamente com as atividades para ajudar nessas articulações e intensificar o que já acontece no município de Concórdia, que são as intersetorialidades dentro das secretarias e agora com o viés direcionado para a equidade étnico-racial da criança e adolescente no município”, explica.

A experiência de Concórdia mostra que a agenda pode assumir diferentes formas de acordo com a realidade de cada município. O ponto comum é a necessidade de reconhecer as desigualdades existentes no território, ouvir os grupos diretamente envolvidos e transformar essa escuta em ações dentro das políticas públicas.

O 4º Ciclo de Formação representa uma etapa desse processo. A partir das discussões realizadas nos encontros, o desafio é levar a perspectiva étnico-racial para o planejamento, a execução e o acompanhamento das políticas públicas de educação, saúde, assistência social e proteção de direitos. A iniciativa Selo UNICEF seguirá apoiando os municípios participantes na elaboração, qualificação e implementação de políticas públicas equitativas em todo território Amazônico.

Sobre o Selo UNICEF

O Selo UNICEF é uma das maiores iniciativas de fortalecimento de políticas públicas do País. Na última edição (2021-2024), 933 municípios dos 2.023 que foram mobilizados pelo programa receberam a certificação. Isso representa a melhoria de indicadores-chave relacionados à infância e adolescência nestas localidades, como imunização, permanência de crianças na escola e prevenção de violências. 

A edição atual, que segue até 2028, já atingiu número recorde de adesões, com 2.277 cidades de 18 estados participando da iniciativa: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais (norte do estado), Mato Grosso, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins. A iniciativa reconhece o esforço dos municípios na promoção, realização e garantia dos direitos de crianças e adolescentes. 

Para o Selo UNICEF, o UNICEF Brasil conta com a parceria estratégica de Equatorial Energia e Rumo Logística, com a parceria de RD Saúde, por meio das marcas Raia e Drogasil, e com o apoio da Energisa. Além disso, o UNICEF tem XBRI Pneus como parceira estratégica para toda sua atuação no Brasil

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Peabiru, escrito por Maria Vitória.

Rede Amazônica participa da Feira Norte do Estudante com palestra sobre credibilidade no jornalismo

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Foto: Divulgação

A Rede Amazônica participa da 13ª edição da Feira Norte do Estudante (FNE) 2026 no dia 25 de setembro, às 17h30, na Sala Grandes Ideias, em Manaus (AM). Os jornalistas Eduardo Monteiro de Paula, Lane Gusmão e Nicole Gomes vão discutir o tema “O Poder da Credibilidade no Jornalismo para a Construção de um Sociedade”.

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O evento acontece de 23 a 25 de setembro, das 9h às 21h, no Manaus Plaza Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus. A entrada para a feira norte é gratuita.

O evento terá palestras, oficinas e experiências voltadas à orientação profissional, empregabilidade e preparação de jovens para os primeiros passos no mercado de trabalho.

O público também poderá participar de simulações de entrevistas e visitar estandes de universidades, escolas de idiomas e empresas.

Rede Amazônica participa da Feira Norte do Estudante com palestra sobre credibilidade no jornalismo
Rede Amazônica participa da Feira Norte do Estudante com palestra sobre credibilidade no jornalismo. Foto: Divulgação

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Para a apresentadora na Rede Amazônica Lane Gusmão, a participação será uma oportunidade para os jovens entenderem o papel do jornalismo diante de grandes questões da sociedade atual.

“Falamos diariamente com centenas de pessoas, mas eles não percebem a real dimensão que o jornalismo exerce na sociedade. Principalmente para os jovens que desejam seguir a carreira na nossa profissão essa é uma oportunidade de ouro poder fazer essa troca com outros profissionais brilhantes da casa e de diferentes gerações, como o Dudu, que é de Esportes, e a Nicole, da CBN”, destacou.

Lab Carreiras

Outra novidade desta edição da Feira Norte será o Lab Carreiras, espaço criado para aproximar o estudante da realidade de um processo seletivo. A proposta é que o participante não apenas escute orientações sobre carreira com especialistas, mas vivencie situações que poderá encontrar ao disputar uma vaga de emprego.

“Queremos que o jovem saia da feira com algo concreto. Não apenas com informações sobre qual profissão escolher, mas entendendo melhor como se preparar para o mercado, como se apresentar em uma entrevista e quais pontos ainda precisa desenvolver. O Lab Carreiras nasce justamente dessa necessidade de transformar orientação em experiência prática”, destaca a idealizadora e coordenadora da FNE, Inês Daou.

Ao entrar no circuito, o jovem recebe um Passaporte da Carreira, que o acompanha durante a experiência. A partir daí, passa por diferentes etapas envolvendo preparação profissional, currículo, entrevista e avaliação de competências.

Entre as atividades previstas está a elaboração ou revisão do currículo com auxílio de consultores. O participante poderá sair da experiência com o documento pronto para utilização e também receber orientações relacionadas ao LinkedIn.

Rede Amazônica participa da Feira Norte do Estudante com palestra sobre credibilidade no jornalismo. Foto: Divulgação

Outra etapa reproduz uma entrevista de emprego. Durante aproximadamente oito minutos, o jovem responde a perguntas semelhantes às utilizadas em processos seletivos, abordando temas como trabalho em equipe, desafios, trajetória e objetivos profissionais. Ao final, recebe um retorno sobre o próprio desempenho.

O circuito inclui ainda uma sessão de foto profissional, destinada ao uso em currículo e redes sociais, além de uma etapa de feedback sobre características como comunicação, organização, segurança, trabalho em equipe e pontualidade.

Inteligência Artificial

Além da preparação para o primeiro emprego, a Inteligência Artificial ocupará espaço importante nas discussões da FNE 2026. A proposta é levar os estudantes a refletirem não apenas sobre profissões que podem ser transformadas pela tecnologia, mas também sobre as novas possibilidades profissionais que surgem à medida que o mercado de trabalho se modifica.

No primeiro dia, por exemplo, a programação da Feira Norte prevê o tema “A sua profissão não existe… ainda”. No segundo, o público poderá acompanhar “O futuro (e o presente) do trabalho com a IA”. Já no último dia, a discussão continua com “Importância das soft skills na era da IA” e “Habilidades do profissional de sucesso para os próximos quatro anos”.

“A Inteligência Artificial já faz parte da realidade profissional e não faz sentido discutir o futuro das carreiras sem incluir esse tema. Mais do que dizer aos jovens quais profissões podem mudar, queremos ajudá-los a perceber que novas oportunidades também estão surgindo e que competências humanas, como comunicação, criatividade, capacidade de adaptação e relacionamento, continuarão fazendo diferença. A escolha profissional hoje exige esse olhar para um mercado que está em constante transformação”, afirma Inês Daou.

Rede Amazônica participa da Feira Norte do Estudante com palestra sobre credibilidade no jornalismo. Foto: Divulgação

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Ao longo dos três dias, a Feira Norte também terá conteúdos relacionados às Engenharias, Saúde, Direito, Psicologia, Arquitetura e Urbanismo, Turismo, Educação, Ciências, Relações Internacionais, Comércio Exterior e profissões ligadas à realidade amazônica.

A programação abre espaço ainda para questões que extrapolam a escolha de um curso superior. Temas como empreendedorismo e renda paralela, educação financeira, comunicação no ambiente de trabalho, networking, intercâmbio, saúde mental e reposicionamento de carreira também fazem parte das atividades.

No próprio Lab Carreiras, haverá uma sequência de palestras rápidas, com assuntos como como conseguir o primeiro emprego, o que um recrutador procura, como montar um currículo, erros mais comuns em entrevistas e como se comportar no ambiente profissional. O formato complementa as experiências práticas realizadas nas diferentes etapas do circuito.

Acesso às oportunidades

Outra iniciativa ligada à Feira Norte deste ano é o Carona pro Futuro, projeto que busca ampliar o acesso de estudantes da rede pública à feira por meio de parcerias para viabilizar o transporte até o local do evento. A iniciativa surgiu a partir da percepção de que a distância e o deslocamento ainda podem impedir parte dos estudantes de participar da programação.

Com três dias de atividades, a FNE 2026 reforça uma proposta que vai além da apresentação de cursos e instituições de ensino. A programação procura colocar o estudante em contato com diferentes possibilidades de formação, carreira e geração de renda, ao mesmo tempo em que oferece ferramentas práticas para quem está próximo de ingressar no mercado de trabalho.

Rede Amazônica participa da Feira Norte do Estudante com palestra sobre credibilidade no jornalismo. Foto: Divulgação

A Feira Norte do Estudante 2026 acontece de 23 a 25 de setembro, das 9h às 21h, no Manaus Plaza Shopping, com entrada gratuita. As inscrições individuais e de grupos podem ser feitas por meio do site oficial da feira: feiranortedoestudante.com.br .

O evento contará com diferentes ambientes, como a Arena FNE, salas de palestras e oficinas, feira de criatividade e o espaço de podcast “Papo de Futuro”.

*Com informações da Rede Amazônica Amazonas

Região amazônica registra menos chuva e forte aumento dos focos de calor em agosto

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Foto: Reprodução/OTCA

A Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (OTCA) divulgou a segunda edição do Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia, elaborado com o apoio técnico do Observatório Regional da Amazônia (ORA).

A publicação apresenta um panorama das condições ambientais em toda a região em agosto de 2026, com base em indicadores de precipitação, temperatura, pontos críticos e áreas queimadas.

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Região amazônica registra menos chuva e forte aumento dos focos de calor em agosto
Região amazônica registra menos chuva e forte aumento dos focos de calor em agosto. Foto: Reprodução/Boletim de Monitoramento Ambiental da Amazônia

Conclusões em agosto na Bacia Amazônica

Entre as principais conclusões, o monitoramento mostra uma expansão das condições de seca em toda a Bacia Amazônica. Das 32 sub-bacias analisadas, 18 apresentaram condições de seca em agosto, em comparação com seis em julho. A precipitação média caiu de aproximadamente 90 mm para 55 mm entre os dois meses, enquanto a temperatura média ficou 1,36 °C acima da média climatológica.

Os focos de incêndio na região amazônica também aumentaram significativamente, passando de 2.757 em julho para 12.123 em agosto. O boletim também monitora a ocorrência de incêndios e as áreas queimadas em territórios indígenas e áreas protegidas, contribuindo para uma visão integrada das mudanças nas condições ambientais em toda a Amazônia.

*Com informações da Organização do Tratado de Cooperação da Amazônia (OTCA)

Áreas de risco são mapeadas em Rio Brando e programa busca retirar 30 toneladas de lixo por dia de igarapés

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Igarapés São Francisco e Batista concentram mais de 5 mil pessoas expostas a riscos. Foto: Walace Gomes/Rede Amazônica Acre

O descarte irregular de lixo nos igarapés é um dos problemas que agravam os riscos de alagamentos e enchentes em Rio Branco (AC). Para tentar reduzir os impactos durante o período chuvoso, uma operação de limpeza às margens do Igarapé Batista, no Bairro da Paz, em Rio Branco, começou no dia 15 de setembro.

A previsão é retirar cerca de 30 toneladas de resíduos por dia durante os trabalhos do Programa Cuidar Rio Branco, lançado prefeitura da capital. A ação pretende alcançar oito quilômetros de extensão e seguir pelos igarapés até o Rio Acre.

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Conforme a Prefeitura de Rio Branco, entre os materiais encontrados em ações anteriores estão móveis, pneus e até a carcaça de um veículo descartada dentro de um igarapé em Rio Branco. Um levantamento da Defesa Civil Municipal identificou os pontos considerados mais críticos na capital.

Ao todo, oito mananciais serão monitorados: São Francisco, na parte alta, Igarapé Judia, no Segundo Distrito, os igarapés Almoço, Batista, Dias Martins, Liberdade, Sobral e o Rio Acre, na região das Estações de Tratamento de Água (ETAs).

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Ainda de acordo com a administração municipal, os igarapés São Francisco e Batista concentram mais de 5 mil pessoas potencialmente expostas a riscos, segundo o levantamento. Nas proximidades do Igarapé São Francisco, que corta a zona urbana e vários bairros da capital antes de desaguar no Rio Acre, são:

  • 695 imóveis potencialmente expostos;
  • 2.780 pessoas em áreas de risco.

Já no Igarapé Batista, que passa por regiões da capital acreana como o Bairro da Paz, Parque das Palmeiras e o Conjunto dos Engenheiros, antes de desaguar no igarapé São Francisco até alcançar o Rio Acre, são:

  • 613 imóveis potencialmente expostos;
  • 2.452 pessoas em áreas de risco.

Além da retirada da limpeza dos igarapés, o programa vai desenvolver ações em escolas para tentar reduzir o descarte irregular de lixo. A primeira atividade está marcada para ocorrer das 8h às 14h desta quarta-feira (16), na Escola Francisca Aragão Silva, Bairro Geraldo Fleming.

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Lixo nos igarapés é um dos problemas que agravam os riscos de alagamentos. Igarapé São Francisco. Foto: Val Fernandes/Acervo Assecom

Riscos atingem mil famílias

O problema voltou a ganhar dimensão no fim de 2025. Em fevereiro do ano passado, à época, as famílias foram retiradas pela Defesa Civil em barcos e levadas para abrigos devido ao transbordamento do Igarapé Batista que atingiu cerca de mil famílias em 17 bairros de Rio Branco.

O episódio mais recente faz parte de um histórico de enchentes e enxurradas que atingem diferentes regiões da capital acreana. Em janeiro, auge do inverno amazônico, período com maior incidência de chuvas, a cheia do Rio Acre afetou mais de 2 mil pessoas e 27 bairros na capital.

Na ocasião, a Defesa Civil informou que a previsão de chuvas para janeiro era de 287,5 milímetros, contudo, apenas nos primeiros 15 dias daquele mês foram registrados 372,2 milímetros, o que representava cerca de 129,5% acima do volume esperado.

Já em agosto deste ano, um levantamento inédito do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Rio Branco, identificou 87 áreas de risco geológico e hidrológico na capital acreana, onde vivem, aproximadamente, 44 mil pessoas.

*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC

Conheça os Carros de Promessa, veículos que acompanham a procissão do Círio de Nazaré

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Foto: Reprodução/DFN

Considerada a maior festa católica do Brasil, o tradicional Círio de Nazaré é uma manifestação religiosa que acontece há mais de dois séculos em Belém, no Pará, e reúne anualmente milhares de devotos de Nossa Senhora de Nazaré, um dos nomes da mãe de Jesus Cristo no Catolicismo. Entre as ações que compõem a tradição paraense estão os carros de promessa.

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Um dos símbolos da fé e devoção, os carros de promessas são estruturas usadas para receber objetos de cera (chamados de ex-votos) levados pelos fiéis como uma forma de agradecimento por graças alcançadas ou para representar pedidos feitos à Nossa Senhora de Nazaré.

Os veículos acompanham a procissão levando objetos entregues por fiéis como velas normais, miniaturas de barcos e casas, fotografias, cartas, representações de partes do corpo (relacionados a pedidos envolvendo a saúde) e demais itens.

De acordo com a Diretoria da Festa na Basílica Santuário de Nazaré, da Arquidiocese de Belém, “o primeiro carro de promessas introduzido no Círio foi o Carro Dom Fuas, que remete ao milagre ocorrido em 1182 com o fidalgo português Dom Fuas Roupinho. Ele foi salvo de cair em um abismo após clamar por Nossa Senhora de Nazaré. Em 1805, por ordem da Rainha Dona Maria I, esse carro passou a integrar oficialmente a procissão”.

Leia também: O caminho da fé: saiba quais são as procissões que integram o Círio de Nazaré

Assim, além da Berlinda, que é o veículo que conduz a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré durante a Trasladação e o Círio, outros carros fazem parte da tradição.

Conheça os Carros de Promessa

Berlinda

Foi incorporada ao Círio em 1855, substituindo o antigo palanquim puxado por animais. O modelo atual, o quinto da história, foi confeccionado em 1964 pelo escultor João Pinto. A Berlinda é colocada sobre um carro com pneus e puxada pela corda conduzida pelos devotos.

berlinda carro cirio de nazare
Foto: Rosana Pinto/Ascom DFN

Carro Dom Fuas

É o primeiro carro de promessa inserido no Círio de Nazaré, em 1805. Foi incorporado após o milagre vivido pelo fidalgo Dom Fuas Roupinho, que caiu com seu cavalo dentro de um abismo, no ano de 1182 em Portugal e foi salvo após invocar Nossa Senhora de Nazaré.

Carro de Plácido

Representa o caboclo Plácido José de Souza, que encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré no igarapé Murutucu. O carro foi doado pela Prefeitura de Ananindeua em 2000, com projeto do arquiteto Fernando Pessoa.

Carro da Saúde

Criado em 2021 como homenagem ao padre Santo Antônio Maria Zaccaria, médico e religioso. A inserção do carro, após dois anos sem procissão presencial devido à pandemia, homenageia os profissionais de saúde. O santo segura uma cruz na mão direita e a imagem de Nossa Senhora da Saúde na esquerda.

Carro da Sagrada Família

Adicionado em 2017 por decisão do Pároco de Nazaré, Padre Giovanni Incampo, representa a união familiar através de Jesus, Maria e José.

Barca Portuguesa

É uma Xavega tradicional portuguesa, enviada da cidade de Aveiros em 1971.

Barca da Guarda Mirim

Inserida em 1990 pelos Escoteiros do Mar.

Barca com Remos / Barca Nova / Barca com Velas

Cada uma representa a barca como instrumento de evangelização. A Barca com Velas foi doada em 1982 por Chico Fonseca (JONASA).

Carro Dom Fuas Roupinho

Além de Dom Fuas, representa também o milagre do escaler do Brigue São João Batista. Introduzido em 1805 por ordem da Rainha Dona Maria.

Carros dos Anjos

Comportam cerca de 50 crianças cada, totalizando 200 crianças. As inscrições ocorrem em setembro, no corredor lateral da Basílica. Crianças de 4 a 9 anos podem participar. O grupo foi criado em 1972 para garantir a segurança das crianças durante a procissão.

Cesto de Promessas

Funciona como um “depósito de fé” onde os romeiros colocam seus pedidos e agradecimentos. Após o Círio, os papéis são abençoados e queimados em cerimônia especial.

Este ano, após o Traslado dos Carros, dia 7 de outubro, a primeira procissão oficial da festividade, os carros ficarão abrigados e em exposição no Complexo Porto Futuro.

O Círio de Nazaré 2026

O Círio de Nazaré é realizado pela Arquidiocese de Belém, Basílica Santuário de Nazaré e Diretoria da Festa de Nazaré, e é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Estudo monitora reprodução do caranguejo-uçá para avaliar período de defeso no Amapá

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Pesquisadores registram a maior andada reprodutiva do caranguejo-uçá em 2026. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

A maior andada reprodutiva do caranguejo-uçá em 2026 ocorreu fora do período de defeso, na Estação Ecológica Maracá-Jipioca (Esec), localizada no município de Amapá. Pesquisadores do projeto Costamar registraram o fenômeno no mês de agosto.

A descoberta indica que o calendário atual não protege toda a fase reprodutiva da espécie. O estudo reúne dados que podem contribuir para a revisão e a definição de uma nova política adequada ao ciclo reprodutivo do caranguejo-uçá no estado.

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De acordo com Jonas Rosa, supervisor regional do Projeto Costamar, ainda não há explicação para as andadas fora do período previsto.

“A andada é o período em que machos e fêmeas saem para procurar um parceiro sexual. Nós identificamos essa andada fora do defeso, e a captura durante esse período pode prejudicar a reprodução, os estoques e a comercialização do animal”, disse.

Pesquisadores do projeto realizam monitoramentos a cada 15 dias na estação ecológica. Uma das hipóteses considera que fatores ambientais do estado, como o clima e os manguezais, influenciam o período das andadas.

Caranguejo-uçá,  conhecido como catanhão, caranguejo-verdadeiro e uçaúna, teve ciclo reprodutivo registrado fora do período de defeso — Foto: Divulgação
Caranguejo-uçá também é conhecido como catanhão, caranguejo-verdadeiro e uçaúna. Foto: Divulgação

O comportamento dos animais também muda de um ano para o outro. A pesquisa deve durar três anos para ampliar os dados e identificar um padrão de reprodução no Amapá.

Em outros estados, o estudo já foi realizado, e os resultados contribuíram para a definição de novos períodos de defeso.

Leia também: Você sabe o que é a “andada” dos caranguejos?

Entenda o que é o período de defeso

O período de defeso protege determinadas espécies durante fases importantes do ciclo reprodutivo. Nesse intervalo, a legislação estabelece restrições à pesca e à comercialização para permitir a reprodução dos animais e contribuir para a renovação dos estoques. As regras de defeso variam conforme a espécie e a região.

Proteção ambiental: o defeso pode proibir ou restringir a captura, o transporte e a comercialização de determinadas espécies durante o período de reprodução.
Exceções: a legislação pode permitir a pesca de subsistência para comunidades tradicionais e ribeirinhas, dentro de limites específicos de quantidade e equipamentos.
Seguro-Defeso: pescadores profissionais artesanais que atendem aos requisitos legais podem receber um benefício financeiro durante o período em que ficam impedidos de exercer a atividade.
Penalidades: quem descumpre as regras do defeso pode cometer crime ambiental e ter equipamentos e produtos apreendidos, além de receber multas.

Caranguejo-Uçá

O caranguejo, conhecido como caranguejo-uçá, é um dos mais importantes constituintes da fauna do ecossistema de manguezal. A espécie apresenta distribuição com maior abundância nos manguezais do Amapá.

Evento reúne pesquisadores para debate sobre novas tecnologias para estudo de terras raras em Roraima

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Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade de São Paulo (USP) que estudam a ocorrência de terras raras no Sul de Roraima participam, no dia 18 de setembro, de um evento sobre os minerais e as tecnologias usadas para analisá-los. A programação ocorre na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), em Boa Vista, e reúne especialistas em Química, Geologia, Geociências, Geoquímica e Ciência do Solo.

O encontro terá palestras sobre nanotecnologia, análise de minerais por técnicas de raio-X e prospecção de áreas com potencial dos minerais. Um dos temas será a exploração de depósitos por adsorção iônica, tipo de formação em que os elementos ficam presos às partículas de argila do solo.

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As atividades começam às 8h, com abertura feita pelo empresário Lucergio Barreira, proprietário e pesquisador do Complexo Barreira, área onde foram identificadas as terras raras, localizada em Caracaraí, no Sul de Roraima, onde os estudos da UFRR e USP são realizados. Às 9h10, o professor titular da USP Henrique Eisi Toma apresenta a palestra “A nanotecnologia das terras raras”. Toma integra a equipe que analisa cerca de 100 amostras de argila coletadas na região.

O estudo da USP começou em janeiro de 2026 e busca identificar quais elementos de terras raras estão presentes nas amostras, medir a concentração deles e desenvolver formas de separá-los. Nas áreas analisadas até agora, as concentrações variam de aproximadamente 0,3% a 0,6%, segundo os pesquisadores. Os índices citados para depósitos desse tipo costumam ficar entre 0,01% e 0,3%.

Tecnologia para separar os minerais

Depois da etapa de análise química, os pesquisadores da USP pretendem aplicar uma tecnologia desenvolvida pela universidade para a separação das terras raras.

A técnica utiliza nanopartículas projetadas para reconhecer os elementos, permitindo extraí-los e separá-los. O tema será apresentado por Toma durante o evento.

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos e equipamentos de alta tecnologia, como baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, elas não são necessariamente escassas. Um dos principais desafios é separar os elementos, que possuem propriedades químicas semelhantes.

Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. Foto: Reprodução/Yara Ramalho-G1 RR

Pesquisas sobre terras raras em Roraima

As amostras analisadas pela USP foram coletadas na mesma região onde pesquisadores da UFRR identificaram, em estudos anteriores, concentrações consideradas anômalas de terras raras.

Pesquisadores da UFRR encontraram rochas e argilas com alta concentração de terras raras no Complexo Barreira em 2025. Entre os elementos identificados estava o ítrio, que apresentou concentração de 296 partes por milhão (ppm), considerada acima do normal pelos pesquisadores.

Na época, os pesquisadores explicaram que ainda era necessário verificar se as concentrações se mantinham ao longo da área e em diferentes profundidades para determinar o tamanho e o potencial econômico da ocorrência.

Trincheira na pesquisa de terras raras no interior de Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

A área pesquisada tem mais de 120 mil hectares e fica entre as serras do Baraúna e do Anauá. No local, foram abertas mais de 50 trincheiras em diferentes pontos, e terras raras foram identificadas em todas as áreas analisadas, inclusive em profundidades de até 15 metros.

A pesquisa ainda está em fase de análise e prospecção — etapa me que pesquisadores investigam a concentração, a distribuição e a profundidade das terras raras para avaliar a extensão e o potencial econômico da ocorrência. Os estudos também buscam determinar se há quantidade e concentração suficientes dos minerais para caracterizar uma jazida com potencial de exploração econômica.

Leia também: Pesquisadores identificam alta concentração de terras raras no interior de Roraima

Programação

  • 8h – abertura, com Lucergio Barreira, pesquisador e proprietário do Complexo Barreira.
  • 9h10 – palestra com Henrique Eisi Toma, professor titular da USP. Tema: “A nanotecnologia das terras raras”
  • 10h – Perguntas e respostas
  • 10h20 – coffee break
  • 10h50 – palestra com Kalil Cristhian Figueiredo Toledo, professor doutor em Química. Tema: “Desvendando os minerais por técnicas de raio-X”
  • 11h30 – Perguntas e respostas
  • 11h50 – Almoço
  • 14h – palestra com Nilson Francisquini Botelho, professor doutor em Geologia. Tema: “Desafios na prospecção e exploração de depósitos de terras raras do tipo adsorção iônica: exemplos brasileiros”
  • 14h40 – Perguntas e respostas
  • 15h – Mesa-redonda. Participam: Lucergio Barreira; Henrique Eisi Toma; Kalil Cristhian Figueiredo Toledo; Nilson Francisquini Botelho; José Frutuoso do Vale Júnior, doutor em Ciência do Solo; Vladimir de Souza, doutor em Geociências; Carlos Eduardo Lucas Vieira, doutor em Geociências; Lorena Malta Feitoza, doutoranda em Geoquímica.
  • 16h – Encerramento

Amazonas fica entre os três estados com mais vencedores em prêmio nacional de artesanato

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Fruteira Tucano, de Mateus Pereira (Parintins) – Material molongó. Foto: Divulgação/Sebrae

O Amazonas ficou em terceiro lugar entre os estados com mais representantes premiados na 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato. O resultado foi divulgado pelo Sebrae e reconheceu 10 unidades produtivas do estado entre as 100 melhores do país.

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Os vencedores são dos municípios de Barcelos, Careiro, Iranduba, Manaus, Maraã, Parintins e São Gabriel da Cachoeira. As iniciativas trabalham com diferentes técnicas e materiais da região, valorizando a cultura amazônica e os saberes tradicionais.

Nesta edição, o Amazonas teve 64 inscrições. Desse total, 21 unidades avançaram para a etapa nacional e 10 foram selecionadas entre as vencedoras. No ranking nacional, Minas Gerais liderou com 21 premiados. Alagoas e Piauí ficaram em segundo lugar, com 11 vencedores cada. O Amazonas apareceu na terceira posição, à frente de Bahia, Goiás e Pernambuco, que tiveram seis representantes premiados.

Foto: Reprodução/Sebrae

Entre os vencedores amazonenses estão:

  • Casa da Arte (São Gabriel da Cachoeira);
  • Teçume da Amazônia (Maraã);
  • Alva Tuyuca Artesanatos (Barcelos);
  • Celdo Braga Bioinstrumentos Amazônicos (Manaus);
  • Mateus Pereira (Parintins);
  • Associação de Artesãos Teçume da Floresta (Careiro);
  • Associação de Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI SGC);
  • Bonecaria da Amazônia (Iranduba);
  • Dina Piaçasuiwara (Barcelos);
  • Cooperativa de Trabalho de Artesanato Amazonense (Copamart), de Manaus.

O resultado mantém o Amazonas entre os destaques da premiação. Na edição anterior, o estado teve 13 vencedores e ficou em segundo lugar no ranking nacional. Neste ano, apesar da redução no número de selecionados, continuou entre os estados com maior presença na lista.

Leia também: Moda que vem da floresta: conheça marcas autorais com criações inspiradas na Amazônia

Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato

artesanato - premio sebrae
Foto: Reprodução/Sebrae

O Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato reconhece unidades produtivas de todo o país. Além da qualidade das peças, a seleção considera critérios como inovação, acabamento, identidade cultural, gestão do negócio, sustentabilidade e capacidade de comercialização.

Segundo o Sebrae, a escolha dos vencedores ocorre em três etapas e avalia tanto os produtos quanto a organização e o potencial de mercado dos empreendimentos.

Entre os premiados do Amazonas, duas iniciativas repetiram o resultado alcançado na edição anterior: a Associação de Artesãos Teçume da Floresta e a Associação de Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira.

A Teçume da Floresta produz peças feitas com cipó ambé. Já a ASSAI reúne artesãos indígenas que utilizam fibras tradicionais, como tucum e arumã, em seus trabalhos.

Entre os estreantes estão o artesão Mateus Pereira, de Parintins, além da Bonecaria da Amazônia e da Celdo Braga Bioinstrumentos Amazônicos.

Leia também: Bolsa feita por artesão acreano com técnica de marchetaria recebe prêmio da Unesco

Premiação e oportunidades de negócios

Foto: Reprodução/Sebrae

A cerimônia de premiação está prevista para 11 de novembro, no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro. Além do reconhecimento nacional, os vencedores participarão de um encontro de negócios nos dias 12 e 13 de novembro, com compradores e lojistas.

Os selecionados também poderão utilizar por três anos o selo do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato e terão produtos divulgados no catálogo oficial da premiação.

Criado em 2006, o prêmio reconhece unidades produtivas consideradas referência no artesanato brasileiro. Nesta sexta edição, foram registradas 1.647 inscrições, com 100 vencedores de 22 estados.

3ª edição da Expo Favela Innovation Amazonas reúne cultura, inovação e empreendedorismo periférico em Manaus

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Foto: Divulgação

A Expo Favela Innovation Amazonas 2026 acontece nos dias 19 e 20 de setembro, o Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, e será palco de uma programação que reúne cultura, criatividade, empreendedorismo e inovação, com atrações para todos os públicos e espaço para valorizar os talentos das periferias amazônicas.

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Com uma proposta que conecta ideias, negócios e expressões culturais, a Expo promete dois dias de muita troca, conhecimento e entretenimento. A programação inclui palestras sobre arte amazônica, arte urbana, mídia e sociedade na periferia, design sustentável, mudanças climáticas, inovação cultural, criatividade, sustentabilidade e economia criativa.

”Nesta terceira edição, queremos que cada empreendedor se sinta valorizado e perceba que seu trabalho pode alcançar novos mercados. É um espaço de visibilidade, aprendizado e, principalmente, de oportunidades reais”, destaca Fabiana Carioca.

Entre os nomes confirmados nos painéis estão René Silva, especialista em comunicação comunitária; Clara Monek atriz da rede Globo; Orsine Júnior, empresário e produtor cultural; Loredana Kotínski, consultora em sustentabilidade; Régia Moreira, empresária e presidente da Comissão ESG do CIEAM; além de outros convidados que contribuem para ampliar o debate sobre cultura, comunicação, meio ambiente e desenvolvimento na Amazônia.

Leia também: CUFA Amazonas lança Taça das Favelas e Expo Favela Innovation 2026 em Manaus

O público poderá acompanhar apresentações da DJ Rafa Militão, Forró Vibe, Companhia de Hip-Hop DDtanks, Companhia de Jazz da CUFA-AM, Maracatu Pedra Encantada, Dacota MC e Casal do Norte. A agenda ainda contará com grafite ao vivo, batalha de MCs, batalha de breaking e batalha de K-pop, reunindo diferentes linguagens artísticas e expressões da juventude.

”É um evento que já se consolidou no calendário de Manaus e que, a cada edição, amplia sua capacidade de conectar talentos, gerar oportunidades e mostrar a potência das periferias amazônicas. Nossa expectativa é que os dois dias sejam marcados por muita troca, conhecimento e experiências que deixem um legado para quem participar”, destaca Alexey Ribeiro, presidente da CUFA.

CUFA Amazonas - Expo Favela Innovation
Foto: Divulgação/CUFA Amazonas

Educação e saúde também fazem parte da Expo Favela

Outro destaque será o campeonato de capoeira, com mais de 200 atletas, que promete movimentar o evento e celebrar a força, a disciplina e a tradição dessa manifestação cultural.

A Expo Favela Innovation Amazonas 2026 reforça a importância de criar espaços para que artistas, empreendedores e produtores culturais possam apresentar seus trabalhos, ampliar conexões e transformar criatividade em oportunidades. Mais do que um evento, a iniciativa celebra a potência de quem faz acontecer na Amazônia.

Inova Amazônia Summit 2026 discute novos caminhos para a economia sustentável

Edição deste ano do Inova Amazônia Summit terá o dobro de participantes em relação ao ano passado. Foto: Anthonny Nascimento/Sebrae AP

Com entrada gratuita, o Inova Amazônia Summit 2026 começa nesta quinta-feira (17), em Rio Branco (AC), com três dias de programação no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (UFAC). Realizado pelo Sebrae, o principal encontro de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal reúne, nesta edição, quase o dobro de palestrantes da edição anterior.

São 141 nomes confirmados, entre eles a cantora paraense Fafá de Belém, o escritor, educador e ambientalista Kaká Werá, a jornalista, produtora rural e apresentadora de TV Paula Varejão, o enviado especial da COP30 e coordenador do Fórum de Governança Climática da FGV-SP, Marcelo Behar, e o gestor e especialista em inovação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico Wilson Poit.

“O Inova Amazônia Summit parte da premissa que a Amazônia não é apenas território de biodiversidade, mas também território de inovação, ciência, tecnologia, empreendedorismo, cultura e negócios”, explica Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.

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As palestras magnas e os painéis do Inova Amazônia Summit 2026 estão distribuídos, ao longo dos três dias, em cinco trilhas de conteúdo: Juventude Amazônica, Sustentabilidade, Bioeconomia e Negócios, Territórios e Saberes, Inovação e Conexões. A programação começa a partir das 14h, em diferentes ambientes do evento.

A solenidade de abertura será realizada no dia 17 de setembro, às 19h, no espaço Teatro Povos da Floresta. Na ocasião, será lançado o edital do Inova Amazônia Global Edition, iniciativa do Sebrae em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para levar a mercados globais negócios que têm a Amazônia como origem e propósito.

Inova Amazonia summit
Foto: Divulgação

Mais conexão e acesso a mercado

Nesta edição, o Summit amplia as oportunidades de conexão e geração de negócios com a participação de 90 pequenos negócios de bioeconomia dos nove estados da Amazônia Legal, além de 20 representantes de Indicações Geográficas (IGs), que reúnem produtos reconhecidos por características, reputação ou qualidade associadas à sua origem.

A programação também terá rodadas de negócios nacionais e internacionais, aproximando empresas amazônicas de compradores, parceiros e potenciais clientes do Brasil e do exterior. As rodadas de investimento completam a agenda de conexões, com oportunidades de acesso a capital para startups e negócios inovadores.

Na edição do ano passado, realizada em Macapá (AP), o Inova Amazônia Summit registrou mais de R$ 2,1 milhões em vendas realizadas durante o evento, R$ 5 milhões gerados nas rodadas de investimentos e R$ 825 mil nas rodadas de negócios.

“O resultado esperado é fortalecer a capacidade da Amazônia de gerar valor a partir de sua biodiversidade, criando oportunidades econômicas sustentáveis e contribuindo para melhorar a qualidade de vida de quem vive, trabalha e empreende na região”, afirmou Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.

Leia também: Inova Amazônia Summit 2026 destaca soluções sustentáveis e oportunidades de negócios na bioeconomia

Valorização da identidade amazônica

Além dos negócios e das conexões, o Summit também celebra a identidade amazônica com atividades culturais e experiências que aproximam o público dos sabores e saberes da região. No Cozinha Show, realizado no Palco Origens, chefs convidados vão preparar pratos e bebidas com ingredientes, temperos e sabores da Amazônia.

Em paralelo ao Inova Amazônia Summit, acontece pela primeira vez o Festival Gastronômico – Amazônia no Prato 2026, entre os dias 16 e 18 de setembro. Restaurantes parceiros vão apresentar pratos autorais inspirados na cultura e nos sabores da floresta.

Sob o conceito “Onde a floresta ecoa em memória e sabor”, cada criação valoriza ingredientes com Indicação Geográfica (IG) de cinco estados amazônicos, como a Farinha de Cruzeiro do Sul, o Açaí de Feijó, o Guaraná de Maués, o Cacau de Tomé-Açu e o Tambaqui de Rondônia.

A lista dos restaurantes participantes está disponível no site oficial. Entre os estabelecimentos já confirmados estão Jannu’s Bistrô, Natto Bistrô e Café, restaurante Flutuante Malveira, hamburgueria Vai de Soberanos, Insano Lanches; restaurante DuSol; Divino Fogão; Estância Churrascaria e Pizzaria; Cantina do Baba; restaurante La Cave e restaurante Manto Verde.

A área externa do evento será palco da programação cultural, com apresentações de sete artistas que passeiam pelo hip hop, rock autoral, ritmos latinos e manifestações tradicionais da floresta.

Os nomes são o rapper acreano Kaemizê, Mestra Zenaide Pereira, a liderança espiritual e musicista Mapu Huni Kuin, o grupo acreano Caldo de Piaba, a banda peruana Cheguere, a artista rondoniense Marcela Bonfim e a banda acreana Os Descordantes.

Inova Amazônia Summit 2026

O Inova Amazônia Summit 2026 é o principal encontro de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal. Durante três dias, empreendedores, startups, pesquisadores, investidores, lideranças empresariais, representantes do setor público e especialistas do Brasil e do mundo se conectam para transformar o potencial da biodiversidade amazônica em negócios sustentáveis, soluções inovadoras e desenvolvimento econômico com impacto positivo para a floresta e para as pessoas.