A Comunidade Indígena do Jabuti, no município de Bonfim, em Roraima, tem ganhado notoriedade pela valorização da agricultura familiar indígena.
Um dos grandes incentivadores da causa é o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que proporciona mudança de atitude do produtor e do trabalhador rural.
O principal objetivo é ampliar a capacidade produtiva das famílias indígenas para aumentar a produção de alimentos e geração de renda, através do treinamento de formação profissional Rural da Comunidade Indígena do Jabuti. A comunidade aprendeu a aproveitar o que mais tem facilidade em produzir: a pimenta.
Angélica Souza foi uma das alunas que aprenderam, durante o curso, a produzir molhos, compotas e geleias de pimentas que são cultivadas na comunidade.
“Sobre o curso de beneficiamento da pimenta aprendi a fazer várias receitas. A gente planta o pé de pimenta, colhe a frutinha dela e, aqui com o Senar, aprendemos a aproveitar os frutos”, disse a indígena.
Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat
Segundo a equipe técnica do Senar, com esses cursos a comunidade aprende a agregar valor aos produtos locais, implementam uma visão empreendedora para vender além da matéria-prima, agregando conhecimentos técnicos de boas práticas de manipulação de alimentos.
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Ao todo, foram ensinadas nove tipos de receitas com pimentas que já estavam plantadas na comunidade. As pimentas mais cultivadas na localidade são a malagueta, dedo de moça e olho de peixe.
Quem assistiu ‘Ainda Estou Aqui’, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, conhece a história de Eunice Paiva, uma mãe que enfrentou o desaparecimento do marido durante a ditadura militar. Além de lidar com a dor e as consequências do regime autoritário, Eunice se tornou uma figura fundamental na luta pela defesa dos direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.
Em Rondônia, o trabalho da advogada ajudou a construir um legado importante no campo socioambiental na região.
Mesmo sem ter atuado diretamente em Rondônia, Eunice contribuiu para a luta pela proteção territorial e o fortalecimento das comunidades tradicionais no estado, por meio de parcerias e articulações com entidades e pesquisadores que atuavam na região.
“Eunice Paiva, uma mulher que transformou sua dor em força e dedicou sua vida a causas extraordinárias”, conta Marcelo Ferronato, diretor do Ecoporé, uma organização referência na conservação e restauração ecológica e na implementação de iniciativas voltadas à preservação da biodiversidade amazônica.
A entidade, sediada em Porto Velho (RO), utilizou suas redes sociais para relembrar e compartilhar a história de Eunice Paiva.
“Em 1987, Eunice, ao lado de parceiros como Mauro Leonel e Betty Midley, fundou o Instituto de Antropologia e Meio Ambiente (IAMA), que atuou até 2001 na defesa e promoção da autonomia dos povos indígenas. A Ecoporé-RO, fundada em 1988, contou com o apoio do IAMA, uma parceria fundamental para a proteção territorial em Rondônia”, diz no texto.
O diretor da Ecoporé destaca que a demarcação de terras indígenas na região é uma das conquistas mais relevantes alcançadas pela entidade, através do IAMA, em parceria com outras entidades dedicadas à mesma causa.
Eunice nunca esteve no estado, mas suas ações refletiram diretamente na luta pelos direitos indígenas e ambientais da região. Entre os principais nomes que atuaram diretamente em Rondônia, estão os cofundadores do IAMA, Mauro Leonel e Betty Mindlin. Ambos tiveram papel fundamental na criação da Terra Indígena Rio Branco e da Terra Indígena Massaco.
Mauro Leonel, professor e pesquisador da Associação Brasileira de Antropologia, é autor do livro Etnodiceia Uru-Eu-Wau-Wau, obra que aborda as discussões em torno da demarcação territorial no Parque Nacional Pacaás Novos, localizado no interior de Rondônia. O livro é considerado uma peça-chave para garantir a demarcação dessas terras.
Já Betty Mindlin, também parceira de Eunice, trabalhou diretamente com o povo Paiter Suruí. Seu trabalho resultou na obra Nós Paiter, que retrata o processo de contato entre os Paiter Suruí e os não indígenas, trazendo um importante registro histórico e antropológico sobre esse encontro.
“Apoiávamos a desintrusão da Reserva Biológica do Guaporé e desempenhamos um papel ativo nos estudos para a demarcação das Terras Indígenas Rio Branco, Mequéns e Massaco. Juntas, essas terras protegidas abrangem atualmente mais de 1 milhão de hectares, garantindo a sobrevivência de centenas de famílias indígenas em seus territórios tradicionais e ancestrais”, diz o diretor da Ecoporé.
Os frutos da atuação de Eunice e sua equipe permanecem até os dias de hoje. Além da demarcação de terras indígenas no estado, os trabalhos também fomentaram a criação de reservas extrativistas e a formação de associações que valorizam o trabalho das comunidades tradicionais e dos seringueiros da região.
Mesmo nunca tendo vindo a Rondônia, Marcelo afirma que a IAMA deixou um legado valioso, que contribuiu com a justiça social e ambiental.
“Temos imenso orgulho dessa parceria, cujo impacto ecoa na luta pela conservação e pelos direitos dos povos da Amazônia”, finaliza o texto.
A união entre conhecimentos científicos e tradicionais na Amazônia Maranhense resultou em dois novos produtos à base de plantas, que, além de aliarem nutrição, saúde e sustentabilidade, atendem a nichos de mercados crescentes por produtos naturais e ricos em proteína no Brasil. O análogo de hambúrguer de babaçu e a farinha de amêndoas abarcam ainda a marca da inovação tecnológica e social porque foram desenvolvidos em parceria entre cientistas e quebradeiras de coco da região. Essa sinergia de sucesso já havia dado origem a novas formulações de biscoito e de gelado, uma bebida tipo leite e a um análogo do queijo, todos oriundos do coco babaçu.
Para o desenvolvimento desses coprodutos, participaram as mulheres da Cooperativa Mista da Agricultura Familiar e do Extrativismo do Babaçu – Coomavi, em Itapecuru-Mirim, da Associação Clube de Mães Quilombolas Lar de Maria, da comunidade Pedrinhas Clube de Mães em Anajatuba, e ainda da Associação de Quebradeiras de Coco de Chapadinha do Assentamento Canto do Ferreira, em Chapadinha. Como representantes da ciência, fizeram parte dos estudos pesquisadores da Embrapa Maranhão (MA), Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Rede ILPF e financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) no Brasil.
Foto: Flavia Bessa
O objetivo foi a valorização do trabalho das quebradeiras de coco e do babaçu como produto da sociobiodiversidade brasileira com a diversificação dos coprodutos da palmeira para atender nichos de mercado. Para tal, o bagaço da amêndoa – até então resíduo da extração do óleo da amêndoa – foi transformada em farinha da amêndoa, matéria-prima para outros produtos, como o análogo do hambúrguer, e incluída em formulações de biscoitos, pães, bolos, mingaus e sorvetes, resultando em mais economia e satisfação dos consumidores.
A pesquisadora Guilhermina Cayres, líder do projeto de pesquisa, diz que os novos alimentos foram desenvolvidos considerando as condições específicas das agroindústrias comunitárias e as práticas tradicionais das quebradeiras de coco, integrando melhorias e padronizações – incluindo as boas práticas de processamento e segurança alimentar – e levando em conta também a aceitação sensorial do produto, agregação de valor às amêndoas quebradas e diversificação de produção.
“Promovemos a interação de conhecimentos técnicos e tradicionais para aumentar o valor agregado da produção artesanal e ocupar nichos de mercado específicos, como os de produtos associados à identidade sociocultural e os voltados para dietas com restrição de consumo de glúten e lactose. Sabemos que os alimentos oriundos do babaçu são elementos potenciais para criar sistemas alimentares que valorizam a identidade sociocultural de povos e comunidades tradicionais do Maranhão, gerando inclusão produtiva e riqueza com baixo impacto ambiental e inserindo o estado como referência na bioeconomia e no uso sustentável de produtos da sociobiodiversidade”, destaca a pesquisadora.
Saberes tradicionais e científicos embasaram o desenvolvimento dos produtos
Foto: Flavia Bessa
O professor Harvey Villa, do Departamento de Engenharia Química da UFMA, explica como foi o processo para se chegar ao alimento tipo hambúrguer.
“Utilizamos metodologia inversa. Em vez de irmos primeiramente ao laboratório e depois levar o produto para a comunidade, partimos de uma avaliação das condições locais e do potencial das matérias-primas que elas têm, inclusive dos próprios resíduos, o que é muito importante porque a amêndoa do coco babaçu inicialmente é empregada para extração de óleo a frio e a quente. Essa torta, fruto do processo de prensagem, normalmente era usada como ração para animais e sabíamos que ainda tinha bastante conteúdo de lipídios, carboidratos, podendo ser utilizada como um tipo de farinha por meio de bom tratamento e processamento. A ideia era reaproveitar 100% do produto e obtivemos êxito. A farinha que está sendo utilizada para o hambúrguer não é a do mesocarpo, é da amêndoa, antes resíduo e agora, matéria-prima. Assim, adaptamos o processamento às condições reais das quebradeiras, sempre com o cuidado de atender às exigências delas, e facilitamos que a elaboração desses produtos seja de forma simples, mas microbiologicamente correta do ponto de vista higiênico-sanitário”, relata.
Do ponto de vista físico-químico, a farinha da amêndoa – em comparação à do mesocarpo – tem uma boa proposta para a carne de hambúrguer, pois utiliza casca da banana como agente estruturante junto com a amêndoa para dar sabor e maciez ao fritar, e mais a farinha de arroz para dar a liga junto com os temperos, o que garante boa validade do ponto de vista de vida útil e qualidade nutricional para dieta vegana.
Além disso, atingiu um percentual de proteína de 13,17% por 100g de produto, valor adequado para o tipo de alimento. O produto não tem conservantes e dura até seis meses congelado. Foram feitas quatro formulações e chegou-se a duas: uma com casca de banana e outra com polpa de jaca. Devido à maior disponibilidade e regularidade da banana ao longo do ano, o hambúrguer à base de amêndoa de babaçu e casca de banana foi a opção priorizada entre as quebradeiras de coco e a equipe técnica para prosseguir com os testes e análises.
Foto: Flavia Bessa
Segundo a professora da UFMA Yuko Ono, nutricionista e membro da equipe técnica, uma das características funcionais da casca de banana é a presença de inúmeros sítios ativos responsáveis pela absorção de metais, entre os quais se destaca o cobre, presente em muitos processos industriais, mas nocivo à saúde humana quando em alta concentração. “Além disso, a casca da banana apresenta também teores de nutrientes maiores do que a polpa, como fibras, vitaminas, minerais e é rica em pectina. As fibras atuam na melhoria do trato gastrointestinal e no controle e prevenção de certas doenças crônico-degenerativas”, acrescenta Ono.
Jefferson Marinho, bolsista do projeto, se envolveu diretamente na produção do hambúrguer e relembra o processo. “Partimos do zero, queríamos que o produto tivesse as características organolépticas mais similares possíveis às da carne, além de ingredientes específicos, como a farinha da amêndoa do babaçu, que é bastante rica nutricionalmente e energeticamente”, diz. Para isso, os pesquisadores envolvidos uniram os conhecimentos científicos aos saberes tradicionais das quebradeiras para definir a forma de preparo e os ingredientes.
Rosângela Lica, da Coomavi, detalha a descoberta da farinha da amêndoa obtida a partir do resíduo da prensa do óleo. “Nós não fazíamos farinha do bagaço do óleo, usávamos como ração animal. O costume era fazer farinha do mesocarpo. Aprendemos a assar e torrar o bagaço no forno para atingir o ponto certo e transformá-lo em farinha da amêndoa, um produto que substitui o coco ralado em todas as formulações, dá muito mais crocância e tem melhor aceitação pelos consumidores, pois os produtos são 100% feitos com o babaçu”, ressalta.
Para Alana Licar, também da Coomavi, “os impactos foram positivos, pois agregam mais sabor e qualidade, evitam desperdícios e garantem um produto benéfico, oriundo de uma matéria-prima encontrada em abundância”. Antonia Vieira, da comunidade quilombola Pedrinhas Clube de Mães, fala da presença das mulheres quebradeiras desde o início da pesquisa. “Somos parte desse processo, muito rico para nós e para os pesquisadores. É uma troca maravilhosa”, celebra.
Consumidores aprovam novos produtos
Os novos produtos atendem diferentes exigências do mercado de alimentos – nutrição, saúde, boas práticas de qualidade, segurança alimentar, padronização e valorização de produtos da culinária e cultura regionais e comercialização – e passaram por testes de análise sensorial. A qualidade dos alimentos compreende, basicamente, três aspectos fundamentais: o microbiológico, o nutricional e o sensorial.
Foto: Flavia Bessa
O aspecto sensorial é o que mais atrai o consumidor na hora de escolher um produto alimentício. Por isso, deve apresentar características sensoriais agradáveis, próprias do produto, tais como cor e aparência, consistência e textura, aroma e sabor característicos e desejáveis.
Segundo a engenheira de alimentos Glória Bandeira, professora da UFMA, essa etapa da pesquisa é importante em diversas situações. Entre elas, o desenvolvimento de novos produtos, melhoria de um produto existente, comparação com um produto concorrente já estabelecido no mercado, mudança na formulação, melhoramento genético e mudança de equipamento ou processo.
“A análise sensorial é fundamental para analisar as características de um produto com base nos sentidos humanos e fornecer dados confiáveis para a tomada de decisão. No caso dos alimentos do babaçu, fizemos análise físico-química, microbiológica e nutricional e também estudo de vida de prateleira dos produtos. Convidamos os alunos dos cursos do IEMA Gastronomia para degustar e avaliar dos produtos, que foram aprovados em todas as etapas e liberados para comercialização”, observa.
Para o professor Paulo Sousa, da UFC, parceiro para coordenação da avaliação sensorial, a análise tem o objetivo de avaliar a aceitação de potenciais consumidores, além de fornecer uma caracterização qualitativa do produto em relação ao aroma, sabor e textura. “Buscou-se aferir o percentual de aceitação, e também a possibilidade de ajustes do produto antes que o mesmo entre no mercado consumidor”, acrescenta.
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Inovação social contínua
Para multiplicar os conhecimentos gerados no processo de inovação social, as mulheres receberam treinamentos, dialogaram com os parceiros da pesquisa, exercitaram os novos conhecimentos, ajustaram práticas de acordo com seu conhecimento tradicional com formulação de alimentos e treinaram outros grupos de mulheres para a produção dos novos alimentos oriundos da amêndoa do babaçu para promover o empreendedorismo e a autonomia de mais mulheres.
Samara Bontempo, bolsista do projeto, entende que participar das pesquisas com alimentos à base de babaçu em diferentes comunidades agroextrativistas tem sido fundamental para sua formação e a de outros jovens cientistas que valorizam o conhecimento tradicional e o potencial da sociobiodiversidade.
Foto: Flavia Bessa
“Pra mim, fazer parte da equipe de pesquisa amplia a visão dos pontos de vista sociohistórico, geográfico e ambiental. Temos o objetivo de tornar essas organizações autossuficientes, atores dos seus processos de decisão, inovação, sustentabilidade e mercado, mostrando uma nova perspectiva do babaçu como elemento âncora de um sistema alimentar com a identidade cultural do Maranhão”, ressalta.
Transformando vidas pela ressignificação do extrativismo do babaçu
Foto: Flavia Bessa
O Maranhão se destaca pela produção de coco babaçu. São mais de 300 mil maranhenses, conhecidas por quebradeiras de coco, que vivem dessa atividade e, ao longo do tempo, foram colocadas à margem do processo de desenvolvimento. Por isso, o foco da pesquisa vai além do produto e abrange o desenvolvimento das quebradeiras de coco para que possam fortalecer suas organizações e usufruir dos benefícios da ciência, com produtos de preço justo e agregação de valor e renda aos seus negócios.
É unânime entre as quebradeiras de coco que os novos produtos e formulações alimentícias já impactam a qualidade de vida das famílias das comunidades tradicionais. “Nosso esforço está sendo recompensado. Os consumidores veganos estão adorando e os não veganos também. Estamos muito felizes com os resultados do tipo hambúrguer e da farinha da amêndoa. Nas feiras de São Luís, os produtos são sucesso junto aos consumidores”, diz Rosângela Licar, da Coomavi. Maria Domingas, da Comunidade Pedrinhas Clube de Mães, reforça que “o babaçu não é um simples coco, é um trabalho enorme que gera renda, qualidade de vida e cidadania”.
O professor Harvey Villa avalia os resultados colhidos com a pesquisa em parceria com as quebradeiras de coco babaçu. “Mostrar aos alunos que existe um mercado de trabalho com foco no desenvolvimento socioeconômico de uma região abre perspectivas de trabalho e opções laborais. Trabalhar em parceria com as mulheres do babaçu foi muito gratificante. O hambúrguer é muito gostoso, é um hambúrguer espetacular. Nosso objetivo foi cumprido. Elas vendem o produto a um preço bem competitivo e os consumidores estão apreciando bastante. Não sobra nada”, comenta
Westphalen Nunes, representante da Agência GIZ no Brasil, resume os efeitos da valorização da cadeia do babaçu. “Estamos felizes em colaborar para que o babaçu possa explorar suas potencialidades, gerando mais renda e qualidade de vida às quebradeiras, mais opções de produtos de qualidade para o mercado consumidor e mais riqueza com desenvolvimento sustentável para o Maranhão”.
Hambúrguer é premiado
Como reconhecimento pelo desenvolvimento do alimento tipo hambúrguer, a equipe técnica liderada pela pesquisadora Guilhermina Cayres foi uma das finalistas do prêmio Con X Tech Prize: Amazônia, uma competição global que busca inovações científicas e tecnológicas de vanguarda para transformar as atuais economias destrutivas e extrativistas da Amazônia em economias modernas e regenerativas.
Um dos requisitos é que as soluções devem proteger a integridade dos ecossistemas, respeitar os povos indígenas e as comunidades locais, bem como seu conhecimento tradicional, e apoiar a distribuição justa dos benefícios gerados pela comercialização de produtos e serviços florestais.
Foto: Flavia Bessa
Parceiros e recursos
A iniciativa teve a coordenação da Embrapa Maranhão, com financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) no Brasil e gestão financeira da Rede ILPF, em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Embrapa Agroindústria Tropical, Universidade Federal do Ceará (UFC), iniciativa privada, organizações não governamentais e outros agentes das cadeias de valor. Esse projeto está vinculado à parceria da Embrapa com o The Good Food Institute (GFI) e com o Conservation X Labs (CXTP), sob gestão financeira da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe).
Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
Fomentar a bioeconomia inclusiva e sustentável na Amazônia, priorizando o bem-estar humano e a conservação da biodiversidade foi o objetivo do estudo ‘Cadeias produtivas com base na biodiversidade para geração de emprego e renda nos Estados do Amazonas e São Paulo’.
O estudo foi apoiado pelo Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no âmbito da Chamada Pública nº 01/2020 – Fapesp-Fapeam, e coordenado pelo doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, Adalberto Val, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
O estudo abordou a importância de ações relacionadas ao campo da bioeconomia e investigou o potencial de produtos florestais não-madeireiros da Amazônia. Foram considerados aspectos que envolvem o desenvolvimento sustentável da região como a redução do desmatamento, o combate das mudanças climáticas, a competitividade econômica global, a conservação da biodiversidade, a preservação da cultura e dos conhecimentos tradicionais e a geração de renda para as comunidades locais.
Governança Experimentalista
O projeto reuniu diferentes pesquisadores para o aprofundamento da análise das cadeias da sociobioediversidade e da governança da política pública em bioeconomia no estado do Amazonas.
Um dos estudos buscou entender se (e como) o sistema de governança da emergente política pública em bioeconomia no estado do Amazonas está integrado aos esforços de implementação em nível local.
A pesquisa gerou o artigo ‘Experimentalist governance in bioeconomy: Insights from the Brazilian Amazon‘, escrito por Vanessa Cuzziol Pinsky, Jacques Marcovitch e Adalberto Luis Val, que foi publicado na Revista de Administração Contemporânea (RAC).
Segundo a pesquisadora Vanessa Pinsky, pós-doutora em administração, especialista em negócios sustentáveis, e uma das coautoras do estudo, a Governança Experimentalista tem diferentes níveis de implementação, e permite uma abordagem mais flexível, envolvendo a participação de profissionais do setor público e privado, e podendo ajudar a garantir que uma política pública em nível nacional tenha práticas e resultados também em nível local, beneficiando não só o desenvolvimento socioeconômico, mas também a conservação ambiental dos territórios.
“As lições aprendidas com esse processo mais flexível de governança podem melhorar a elaboração de regras e metas, considerando os desafios e as experiências bem-sucedidas da implementação no nível local”, pontuou.
Vanessa Pinsky explica ainda que diferentes arranjos institucionais são necessários para operacionalizar esse sistema flexível de governança experimentalista, com monitoramento contínuo e métodos sustentáveis.
“Melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos da sociobiodiversidade, atrelado ao uso sustentável da floresta e à geração de emprego e renda, são bases estruturantes que devem ser consideradas na formulação de políticas de desenvolvimento regional na Amazônia”, completou.
De acordo com Adalberto Val, uma abordagem experimentalista pode ter impacto significativo na bioeconomia amazônica, promovendo novas oportunidades de negócios, geração de empregos e renda, e a garantia da segurança alimentar. Ele avalia que a tecnologia foi um elemento essencial na realização do estudo, auxiliando na execução de práticas e na formulação de políticas públicas.
Manaus, a capital do Estado do Amazonas, é conhecida tanto por seus atrativos turísticos quando por sua rica diversidade cultural. É nesse ambiente diverso que muitas “misturas” acontecem, gerando inclusive festivais que são a cara da região.
Entre as festividades que revelam essa identidade única, destaca-se o Carnaboi, uma festa popular que mescla a alegria do Carnaval com o ritmo típico do Festival Folclórico de Parintins:
Carnaval Amazônico
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
Imagem: Leonardo Rocha/UFPA e Hilton Tulio Costi/MPE
A coroa na imagem apareceu quando o biólogo Leonardo Rocha examinava, ao microscópio eletrônico de varredura, uma amostra de água dos arredores da ilha de Cotijuba, na Região Metropolitana de Belém (PA).
Foi o primeiro registro dessa diatomácea Polymyxus coronalis, um tipo de microalga com largura de cerca de 60 micrômetros, usando a tecnologia. A espécie é típica da baía do Guajará e funciona como indicador de qualidade ambiental.
Para as biólogas Ana Paula Linhares e Pryscilla Almeida, orientadoras do estudo, é um argumento a favor da candidatura da região como Área de Proteção Ambiental. O registro foi premiado em dezembro de 2024, no I Encontro Brasileiro de Diatomologia.
Faltam poucas horas para um dos maiores eventos culturais de Manaus: o Carnaboi. A festa que encerra o período carnavalesco e inicia a temporada bovina, como uma preparação para o Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul da capital amazonense. A entrada é gratuita.
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
O Carnaboi, parte do projeto Carnaval Amazônico, une a temporada carnavalesca com a temporada bovina no Amazonas. Após o sucesso em 2024, a segunda edição conta com a transmissão ao vivo do Grupo Rede Amazônica.
Este ano, a festividade acontece nos dias 7 (sexta-feira) e 8 (sábado) de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus. A entrada para o Carnaboi é gratuita. Mas para quem não conseguir comparecer, a festa pode ser acompanhada em transmissões ao vivo.
“O Carnaval Amazônico 2025 é um projeto da Fundação Rede Amazônica que resgata a tradição e a história dos blocos, bandas de Carnaval e do Carnaboi em Manaus e em Parintins, promovendo cultura, sustentabilidade e ações sociais”, informa a equipe da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do projeto.
De acordo com o coordenador de conteúdo e programação do canal Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, a transmissão do canal temático vai apresentar para os telespectadores a prévia da festa, com bastidores e mostra dos projetos ligados ao Carnaval Amazônico, além da festa.
“Temos como missão transmitir uma das festas mais populares do Brasil de uma forma alegre e leve, representando o Carnaval Amazônico e como o Amazonas é, dentro da nossa programação”, afirmou o coordenador.
Onde assistir
A transmissão no Amazon Sat e também no Portal Amazônia, começa a partir das 20h na primeira noite de evento (hora de Manaus), com o programa especial do Carnaval Amazônico e segue para o Carnaboi. Já no segundo dia, a programação começa a partir das 21h. Saiba onde assistir AQUI.
A transmissão da Rede Amazônica, no g1 Amazonas e CBN Amazônia começa a partir das 22h15 no dia 7 e a partir das 23h40 no dia 8. A transmissão acontece logo após a exibição do reality ‘Big Brother Brasil (BBB)’, da Rede Globo, na sexta, e no sábado após o Altas Horas.
A Rede Amazônica também preparou uma cobertura especial para os telespectadores que estão fora da região. A transmissão será feita ao vivo também para os estados do Acre, Amapá, Rondônia e Roraima. Além disso, haverá ampla cobertura através de suas plataformas digitais e GloboPlay, ampliando o alcance e a visibilidade do evento.
O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.
O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.
Usina de Belo Monte. Foto: Divulgação/Norte Energia
O Ministério Público Federal (MPF) pediu, no dia 27 de fevereiro, a suspensão imediata de decisão da Justiça Federal favorável à empresa Norte Energia (Nesa), dona da hidrelétrica de Belo Monte (PA), em processo em que a empresa requer autorização para reduzir drasticamente o fluxo de água liberada para o curso natural do rio Xingu.
O fluxo de água foi aumentado após a vazão da usina hidrelétrica ter sido reduzida, em 22 de janeiro, devido à queda de cinco torres de transmissão de energia. A redução da vazão ocasionou inundação inesperada, dando origem a centenas de berçários com ovas de milhares de peixes. Caso a decisão judicial seja mantida, a reprodução dos peixes será afetada, assim como o sustento de indígenas e comunidades tradicionais da área.
Para o MPF, há uma contradição na decisão, que afirma querer manter a integridade do meio ambiente ao mesmo tempo em que autoriza a redução do fluxo de água pela hidrelétrica. Além disso, a Justiça invalidou a determinação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), emitida em 14 de fevereiro, para que a Nesa mantivesse os níveis altos de fluxo de água até o final do período de defeso, que se encerra em 15 de março, o que garantiria a reprodução dos peixes.
A decisão considerou que o Ibama teria tentado fazer uma revisão do hidrograma, o plano que define o quanto de água vai para a usina e o quanto sobra para o Trecho de Vazão Reduzida (TVR) da Volta Grande do Xingu. Entretanto, a vazão não foi reduzida e segue aumentando até hoje, de forma que, no último dia 23, a Nesa emitiu comunicado informando que o nível do rio subiria aos poucos e diariamente pelas próximas duas semanas, relata o MPF no recurso.
O MPF também destaca que, tendo em vista que o aumento da vazão foi causado por um fato inesperado, a decisão do Ibama, de determinar a manutenção dos níveis da vazão para o Xingu, foi uma medida excepcional, não prevista na outorga.
“A medida de precaução adotada pelo Ibama manifesta exercício de seu regular poder de política ambiental, enquanto licenciador, e teve como único objetivo evitar grave dano socioambiental, o que virá a se consumar caso a Nesa retome as vazões previstas no hidrograma de Belo Monte”, alerta o MPF.
A Nesa entrou na Justiça, em 17 de fevereiro, com pedido de suspensão da determinação do Ibama. Dois dias depois, a Justiça Federal concedeu à empresa uma decisão favorável, que agora está sendo contestada pelo MPF. “No presente momento, a única forma de garantir a proteção ao meio ambiente, em total consonância com o princípio da precaução – como propõe a decisão judicial – é reconhecer o fato atual, determinando a manutenção da vazão do TVR, mantendo-se os efeitos do ato administrativo do Ibama”, frisam os membros do MPF no recurso.
Vida ou morte
Em sua manifestação à Justiça Federal, o MPF cita nota técnica em que especialistas aprofundam a análise acerca do risco de dano ambiental a ecossistema já fragilizado e analisam os argumentos econômico-energéticos da Nesa.
A nota ressalta que a vazão extra deste ano no rio Xingu já possibilitou o alagamento de áreas importantes para a reprodução dos peixes, que são chamadas de piracemas, e que uma redução abrupta, neste momento, comprometeria o desenvolvimento de ovas e embriões, com efeitos nocivos para a fauna, a pesca e a segurança alimentar das comunidades ribeirinhas e indígenas da Volta Grande.
Sobre as alegações da Nesa de que a manutenção de maior vazão para a TVR significaria a necessidade de acionamento de termelétricas, as pesquisadoras e pesquisadores lembram que o Sistema Interligado Nacional (SIN) tem outras opções de fontes e que cabe ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decidir qual será usada, e não à Nesa.
E, mesmo que fosse necessário o acionamento de termelétrica, os dados sobre emissões de gases de efeito estufa, apresentados pela empresa, correspondem a apenas 0,2% das emissões brasileiras anuais. Isso não justifica as perdas dos ecossistemas aquáticos, que podem ser evitadas pela alteração excepcional no hidrograma, com duração de apenas dois meses e meio, observam os autores do estudo.
“Corroboramos a preocupação do órgão ambiental com o impacto imensurável que a descida abrupta do nível da água e o rebaixamento do nível pode continuar causando nas áreas de reprodução da ictiofauna na região da Volta Grande, e que podem gerar reflexos negativos de médio prazo (nos próximos três anos ou mais) na pesca e na segurança e soberania alimentar das populações tradicionais da Volta Grande do Xingu”, concluem especialistas da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), do MPF e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).