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Carnaval com boi-bumbá: os bois Caprichoso e Garantido mantém vivo o Carnaboi

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Foto: Reprodução/Festival de Parintins

Quem disse que Carnaval é movido apenas a samba e marchinhas? Em Manaus (AM), além dos desfiles das escolas de samba e dos blocos carnavalescos, outro evento se destaca na celebração momesca: o Carnaboi. No Amazonas, a festa de toadas se tornou uma tradição que une o ritmo do boi-bumbá ao espírito carnavalesco.

Com 29 anos de atuação no cenário cultural, o produtor artístico e cultural Rivaldo Pereira tem participação ativa no Carnaval de Manaus. Além disso, ele é diretor de eventos do Boi Garantido na capital e do Movimento Amigos do Garantido (MAG). Para ele, o Carnaval brasileiro é plural e importante para a valorização de todas as manifestações culturais.

“O Carnaboi em Manaus e também na Ilha de Parintins prova que a diversidade cultural é essencial para nós. O ritmo do boi-bumbá se mistura perfeitamente com a festa de Carnaval. O importante é termos consciência de que isso faz parte da nossa identidade”, afirmou.

Divisão dos bois

O Festival Folclórico de Parintins é um dos mais tradicionais do país. Também recebeu herança nordestina, do bumba-meu-boi, uma manifestação cultural conhecida no Estado do Maranhão que surgiu na região Nordeste no século XVIII e se tornou popular durante as festividades juninas.

O Festival, realizado na “ilha da magia”, o município de Parintins, no Amazonas, é tão grande que a cidade é literalmente dividida pelas cores dos bois: azul e vermelho. Mas o encantamento excede fronteiras e, em Manaus, os bois também são tradição. O Carnaboi é um dos exemplos.

Do lado vermelho

Foto: Marcely Gomes/SEC-AM

Durante anos, o evento foi realizado no Sambódromo de Manaus, onde cantores e itens oficiais dos bumbás Caprichoso e Garantido se apresentavam em trios elétricos. Esse formato ainda se mantém no Boi Manaus, festa que celebra o aniversário da cidade. No entanto, mudanças foram necessárias ao longo do tempo.

Rivaldo explicou que o Carnaboi sempre funcionou como um “esquenta” para o Carnaval e que nunca concorreu com os desfiles das escolas de samba. “Com o tempo, tivemos que adaptar a festa para outro local, no caso, o Studio 5. A mudança ocorreu devido ao período chuvoso da região amazônica. No Sambódromo, as pessoas ficavam à mercê do clima e não conseguiam se divertir plenamente”, destacou.

Para a edição de 2025, Rivaldo acredita que o público será tomado pela emoção. O Boi Garantido promete uma apresentação que une nostalgia e tradição. “Espero que os torcedores do Garantido aproveitem cada momento do evento. Nossos itens estão se preparando para levar ao Carnaboi a mesma qualidade artística do Festival de Parintins”, revelou.

Do lado azul

Não existe Garantido sem Caprichoso e vice-versa. Edwan Oliveira, membro do Conselho de Arte e Diretor de Arena do Caprichoso, também acredita que o Carnaboi valoriza a cultura regional. “A gente sabe que é uma festa muito importante para a cultura, que acabou se tornando essencial no calendário carnavalesco de Manaus”, disse.

Embora o Carnaboi não faça parte do calendário oficial do bumbá Caprichoso, Edwan explica que o evento funciona como um pré-ensaio para a temporada bovina, que culmina em junho com o Festival Folclórico de Parintins.

“Após o carnaval, iniciamos a abertura dos currais (ensaios técnicos do Caprichoso) e, dessa forma, damos o pontapé inicial na temporada de 2025”, contou.

Para Edwan, os bumbás de Parintins já se tornaram ícones da cultura amazonense. Além do Carnaboi, Caprichoso e Garantido também são personagens essenciais do Boi Manaus. Os bois azul e vermelho se destacam em eventos de alcance nacional e internacional.

“Há muitos anos, os bois já viajam para participar de eventos, tanto no Brasil quanto no exterior. Isso é o resultado de tudo o que acontece ao longo do ano para que o festival cresça a cada edição e traga mais visitantes para Parintins. O Caprichoso, por exemplo, participa de diversos eventos e sabe da importância disso para a cultura local”, explicou.

Os bonecos

Os bonecos dos bois Caprichoso e Garantido são estrelas do espetáculo durante as três noites de Festival. E é do tripa, nome dado ao homem responsável pelo movimento do boi durante a apresentação no bumbódromo, a missão de colocar em movimento a magia dessa festa.

Eles são o item 10 no Festival, julgados por sua evolução e encenação, leveza, coreografia e movimentos de um boi real.

Foto: Marcely Gomes/SEC-AM

Os homens que trazem vida a esse item tão querido pelas galeras são Alexandre Azevedo, tripa do boi Caprichoso, e Batista Silva, tripa do boi Garantindo.

Do lado azul, o boi é feito de materiais como isopor, esponja, fibra de vidro e veludo. Além disso, um dos efeitos especiais é soltar fumaça pelo nariz por meio de um sistema com tubos. Do lado vermelho, além de fibra de vidro e espoja, um detalhe simples faz diferença na confecção do rabo do item: a juta. 

E você imagina quando pesa cada boi? Entre 13 a 15 kg cada, sendo carregados por cerca de 2 horas e 30 minutos em cada dia do festival.

Outros bois?

E não são apenas os bumbás de Parintins que brilham no Carnaboi. O evento também abre espaço para os bois de Manaus, como o Boi Corre Campo, Boi Clamor de um Povo, Boi Brilhante, Boi Galante, Boi Tira Prosa e Boi Garanhão.

Confira a série completa. Clique no banner:

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Artistas do Boi Caprichoso são campeões nos carnavais do Brasil

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Kennedy Prata, campeão no Carnaval do Rio com a Beija-Flor. Foto: Michel Amazonas

Os talentos formados pela Escola de Arte Irmão Miguel de Pascale, do Boi Caprichoso, estão conquistando cada vez mais espaço nos grandes carnavais do Brasil. Com um legado de criatividade e dedicação, esses artistas transcendem os limites de Parintins e se tornam referências em grandes escolas de samba do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais.

Kennedy Prata: de Parintins ao título no Rio de Janeiro na Beija Flor

Kennedy Prata, que iniciou sua trajetória na escolinha de arte do Caprichoso, acumula 21 anos de dedicação ao Boi Negro da Amazônia. Referência na estética do boi azul e branco, ele também deixou sua marca no Carnaval carioca, passando por escolas como Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense, Unidos da Tijuca e Beija-Flor de Nilópolis. Trabalhando há 18 anos na Beija-Flor, Kennedy foi campeão neste ano, em homenagem ao icônico carnavalesco Laíla de quem também era amigo pessoal.

“Hoje é um dia muito especial para mim. Fico feliz porque Laíla foi um dos primeiros a me dar oportunidade na escola. Tive a honra de conquistar quatro títulos ao lado dele e, agora, homenageá-lo com esse desfile vencedor é uma emoção única”, celebra Kennedy.

O artista destaca a importância da Escola de Arte na formação de profissionais talentosos. “A vitrine que é o Caprichoso abriu portas para que eu e outros colegas pudéssemos brilhar no Rio e carregar o nome da nossa cidade com orgulho”, reforça.

Foto: Divulgação

Euler Alfaia: campeão com a Rosas de Ouro no Carnaval de São Paulo

Euler Alfaia, campeão em São Paulo com a Rosas de Ouro Foto: Michel Amazonas

O artista Euler Alfaia começou no Mini Caprichoso, passando pelo QG do Boi Caprichoso, até ser convidado a integrar o Carnaval de São Paulo. Trabalhou por cinco anos na Mocidade Alegre, depois na X-9 Paulistana e, desde 2018, está na Rosas de Ouro. Em 2024, ajudou a escola a conquistar o título com um desfile grandioso.

“Comecei na infância, brincando no Mini Caprichoso, e hoje tenho orgulho de ser parte da construção do Carnaval paulistano. A função que exerço aqui abrange desde a confecção dos carros até a finalização dos detalhes”, explica. Euler, que leva uma equipe de Parintins para trabalhar durante a temporada carnavalesca.

O artista também destaca a influência de Márcio Gonçalves e Emerson Brasil em sua trajetória. “Foi no Galpão do Caprichoso que Márcio Gonçalves me deu a primeira oportunidade. Depois, com Emerson Brasil, aprendi muito sobre alegorias e fui crescendo no meio. Eles foram fundamentais para que eu pudesse me destacar no Carnaval de São Paulo”, afirmou o artista. Hoje Euler compõe a equipe de Kennedy Prata, no Boi Caprichoso.

Euler Alfaia e equipe. Foto: Divulgação

Alex Salvador: reconhecimento no Prêmio Plumas e Paetês

Escultor e artesão da Imperatriz Leopoldinense, Alex Salvador foi vencedor no renomado Prêmio Plumas e Paetês, que celebra os profissionais que atuam nos bastidores do Carnaval. Criado na Escola de Arte, ele tem uma trajetória de 15 anos no Galpão do Boi Caprichoso e passou por escolas como Portela, Mocidade, Grande Rio, Beija-Flor, Tijuca e Vila Isabel.

“Quero agradecer pelo reconhecimento dos profissionais do Carnaval. Ninguém faz nada sozinho, e minha equipe foi fundamental para essa conquista”, declarou Alex.

Alex Salvador, vencedor do prêmio Plumas e Paetês. Foto: Michel Amazonas

Conselheiros de Arte do Caprichoso campeões no Carnaval de Manaus

O talento Caprichoso também esteve presente no Carnaval de Manaus. A campeã Reino Unido da Liberdade contou com a expertise de conselheiros de arte, como o carnavalesco Adan Silva, o diretor cênico Márcio Braz e Rainer Canto, contribuindo na concepção e desenhos para um desfile memorável.

Adan Silva, Márcio Braz e Rainer Canto, campeões em Manaus pela Reino Unido da Liberdade. Foto: Divulgação

Parintinenses brilham no Carnaval de Santos

No Carnaval de Santos, as escolas X-9, União Imperial e Unidos dos Morros empataram, e no critério de desempate, a X-9 sagrou-se campeã. A União Imperial contou com o talento do artista Leonam Pimentel, enquanto a Unidos dos Morros teve a contribuição de Preto Pimentel, ambos oriundos da tradição artística de Parintins.

Outros artistas parintinenses também se destacam no cenário carnavalesco, como Jucelino Ribeiro, Márcio Gonçalves, Nildo Costa (Naruna), Rayner Pereira, Braz Lira, Marlúcio Pereira, Eddy Dude e Nei Meireles, reforçando a presença e a influência dos talentos de Parintins no Carnaval brasileiro.

O reconhecimento dos artistas formados pelo Boi Caprichoso e por Parintins no cenário carnavalesco nacional mostra a força da cultura amazônica. Mais do que criar espetáculos visuais, esses profissionais levam a essência do festival parintinense para os grandes palcos do Brasil, consolidando o talento da região como referência em arte e inovação.

Do Acre para o Peru: guia ajuda a planejar viagem segura de carro até o país vizinho

Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC

Natureza exuberante com cachoeiras, rios, lagos, morros, montanhas rochosas, lhamas e toda a imponência da Cordilheira dos Andes. Não à toa, o Peru é um dos destinos mais buscados pelos acreanos para passar férias ou a virada de ano.

Somado a toda beleza e riqueza cultural, o Peru fica aqui do lado, fazendo fronteira com o Brasil na cidade acreana de Assis Brasil.

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Dados repassados ao Grupo Rede Amazônica, indicam que o posto de controle da Polícia Federal (PF) na fronteira de Assis Brasil registrou, entre 2024 e o início de 2025, mais de 117,1 mil atendimentos relativos à entrada e saída de turistas.

Desses, 60.615 correspondem à entrada no Brasil e 56.438 à saída. Entre os viajantes, destacam-se 45.184 brasileiros, 34.283 peruanos, 25.761 bolivianos e 5.958 venezuelanos, além de outras nacionalidades.

Para quem pensa em fazer essa viagem pela estrada do Pacífico, ou rodovia Interoceânica, como é conhecida, é importante se planejar para não passar perrengue.

O Grupo Rede Amazônica pegou a estrada e percorreu os mais de 1 mil quilômetros de Rio Branco até Cusco, antiga capital do império Inca, e preparou um guia com os pontos mais importantes.

Leia também: Descubra a riqueza natural do Peru em 4 reservas nacionais

Imigração e documentação do carro

Antes de mais nada, é preciso passar pelo controle de fronteira dos dois países: informar a saída do Brasil no posto da Polícia Federal em Assis Brasil e a entrada no Peru, no posto de imigração de Iñapari. (Fique atento: a falta de registro migratório no Peru pode resultar em multa altíssima).

Para quem vai de carro, o governo peruano exige a contratação do Seguro Obrigatório contra Acidentes de Trânsito (Soat). Ele pode ser contratado em um ponto de venda ao lado da Superintendência Nacional de Administração Tributária (Sunat), que fica na mesma rua do posto de imigração, na fronteira, e o custo depende do modelo do carro.

Outros documentos necessários:

  • Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV) impresso.
  • CNH dentro da validade.
  • Se o proprietário do carro não estiver presente, é preciso uma procuração autenticada em cartório, autorizando outra pessoa a conduzir o veículo.

Para todos:

  • RG com validade de até dez anos ou passaporte dentro do prazo de validade.
  • O novo RG (que agora leva o número do CPF) é aceito para entrar no Peru, mas é possível que na imigração solicitem o documento antigo para provar a entrada anterior no país. (Fique esperto!).
  • Vacinas: não é exigido comprovante de nenhuma vacina para entrar no Peru.
 Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC

Seguro Viagem

Não é obrigatório, mas pode ser importante para garantir assistência médica em outro país. A maioria cobre despesas médicas, hospitalares, odontológicas, morte acidental, cancelamento de viagem e outros imprevistos. Eles custam em torno de R$ 150 por pessoa.

Casas de câmbio

Na fronteira em Iñapari também é possível fazer a conversão do real para o novo sol peruano ou para o dólar. Há várias casas de câmbio ao longo da rua. O uso do dinheiro físico pode ser necessário em várias situações.

Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC

Do Acre para Cusco

É importante sair cedo de Rio Branco até a cidade de Assis Brasil, pela BR-317. Esse trajeto tem duração de cerca de quatro horas (a estrada do lado brasileiro tem trechos com buracos e mal conservados). De Assis Brasil até Puerto Maldonado, capital do departamento Madre de Dios, são mais quatro horas de viagem. Do lado peruano, a estrada tem ótimas condições e boa sinalização.

Como a viagem até a cidade de Cusco é longa e cansativa, o ideal é fazer o trajeto em dois dias, pernoitando em Porto Maldonado. A viagem de Porto Maldonado até Cusco (469 km) tem duração média de dez horas.

Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC

O tempo vai mudando drasticamente na estrada, saindo do forte calor de quase 40ºC para temperaturas de até 4ºC, dependendo da época do ano. Por isso, é importante levar roupas leves, casacos e meias para trocar no carro.

Um dos momentos mais emocionantes da viagem pela estrada é chegar ao Pico Abra Pirhuayani, que fica a 4725 metros de altitude, e é o ponto máximo da Cordilheira dos Andes. Com sorte, é possível pegar neve na pista em janeiro. Os meses mais frios do ano no Peru são julho e agosto.

Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC

Mal de altitude e perigos na estrada

Após a cidade peruana de Mazuco, a paisagem começa a se transformar e a estrada vai ficando íngreme, sinuosa e estreita, com muitas curvas fechadas. Por isso, é fundamental que o carro esteja com a revisão em dia, pneus em boas condições e o condutor descansado.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o soroche?

Na subida, é comum que os viajantes sintam o ‘mal de altitude’, com náuseas, tontura, dor de cabeça e até falta de ar. Para aliviar os sintomas, é possível encontrar medicamentos para o desconforto em farmácias peruanas e oxigênio, em caso de necessidade. Os mais experientes indicam também beber o chá de coca ou mascar a folha, facilmente encontrada em mercados locais peruanos.

Na estrada é preciso ficar atento ainda aos riscos de deslizamento de pedras, o que pode obrigar uma parada inesperada para a limpeza da estrada. Além disso, há a possibilidade de animais, como cães, bois e ovelhas, atravessarem a via.

Próximo à Cordilheira dos Andes, uma densa neblina pode cobrir a estrada, comprometendo a visibilidade e exigindo ainda mais cautela.

Foto: Geisy Negreiros/Rede Amazônica AC

Pedágios

Há três pedágios ao longo da rodovia. O primeiro entre Iñapari e Porto Maldonado, outro após Porto Maldonado – que cobram em média 8,80 soles cada – e o terceiro após Mazuco, sem cobrança.

Dirigir em Cusco? Melhor não!

Dirigir pelas ruas de Cusco pode ser uma verdadeira aventura. O trânsito é perigoso e caótico, as ruas são estreitas e os condutores peruanos buzinam sem parar. Além disso, quase não há locais para estacionar nas ruas.

Para não passar por esse transtorno, o recomendável é reservar uma hospedagem perto da Plaza de Armas e caminhar pelas belas ‘calles’ de Cusco ou pegar um carro por aplicativo ou mesmo um táxi. Os valores para pequenas distâncias custam em torno de 7 a 12 soles.

Em Cusco, também não é fácil encontrar hospedagens com estacionamento privativo, mas há garagens onde é possível deixar o carro pagando por hora ou diária.

De Cusco a Lima

É possível seguir de carro de Cusco para a Lima, capital do Peru. Mas também dá para deixar o carro em um estacionamento privativo em Cusco e seguir até Lima de avião. A viagem dura pouco mais de 1h.

Para deixar o carro no aeroporto Internacional de Cusco, a diária custa 25 soles (última atualização feita em 16 de janeiro).

De ônibus para Cusco/Lima

A empresa Trans Acreana opera a maior rota de ônibus do mundo. A linha percorre 6.200 km saindo do Rio de Janeiro e cruza os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia e Acre, chega a Cusco e segue até Lima.

De Rio Branco o ônibus sai em direção a Cusco aos domingos, a partir das 8h e a passagem custa R$ 600. A empresa também faz o trajeto até Lima pelo mesmo valor.

*Por Geisy Negreiros, da Rede Amazônica AC

Estudo revela que manguezais do Amapá abrigam 312 milhões de toneladas de carbono azul

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Ponta do Mosquito no Cabo Orange, no Amapá. Foto: Divulgação/ICMBIo

Um estudo divulgado pela plataforma Cazul revelou que o estado do Amapá concentra o terceiro maior estoque de carbono azul do país, com 312 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) armazenadas em seus manguezais. A pesquisa também identificou que, apesar da importância, as áreas de mangue enfrentam ameaças como desmatamento e poluição.

Leia também: Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo

Segundo o levantamento, o potencial encontrado no Amapá pode gerar pelo menos R$ 8,067 bilhões em créditos de carbono no mercado voluntário. Os cálculos fazem parte do estudo “Oceano sem Mistérios: Carbono azul dos manguezais”, conduzido pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e pelo projeto Cazul.

De acordo com o pesquisador Alexander Turra, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), professor titular do Instituto Oceanográfico da USP e responsável pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, para garantir a manutenção desse estoque, por estar associado a ambientes marinhos, os estados precisam proteger seus manguezais, mantendo-os saudáveis.

“Dessa forma, é possível assegurar todos os benefícios que esses ecossistemas oferecem, como a proteção da linha de costa, reduzindo a força e o alcance das ondas, a manutenção da produção pesqueira, a conservação da biodiversidade, entre muitos outros. Além disso, os créditos de carbono representam uma estratégia adicional para financiar a conservação dessas áreas”, descreveu o pesquisador.

O Brasil possui a segunda maior extensão de manguezais do planeta, ficando atrás apenas da Indonésia. O estudo “Oceano sem Mistérios: Carbono azul dos manguezais” identificou a presença de 1.390.664 hectares de manguezais ao longo da costa brasileira – área equivalente a nove cidades de São Paulo ou 11 cidades do Rio de Janeiro.

Eles estão presentes em 300 municípios brasileiros – principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Em relação aos biomas, 75% estão conectados com a Amazônia, 18% com a Mata Atlântica, 5% com o Cerrado e 2% com a Caatinga.

Estima-se que o Brasil já tenha perdido cerca de 25% da vegetação original de seus manguezais. As principais ameaças a esse ecossistema incluem:

  • a conversão de áreas para a produção de commodities na aquicultura e na agricultura, especialmente para o cultivo de camarões, peixes, arroz e palma;
  • o desmatamento para extração de carvão vegetal e madeira;
  • a ocupação desordenada devido ao crescimento urbano;
  • práticas predatórias de pesca, como a pesca de arrasto e a captura de espécies fora do período de defeso;
  • além da poluição causada por resíduos químicos (que incluem agrotóxicos e derramamento de óleo, por exemplo), além de lixo e esgoto.

Efeitos das mudanças climáticas, como o aumento do nível do mar e a erosão costeira, também intensificam os riscos para esses ambientes.

Manguezais da costa Amazônica

A costa Amazônica brasileira, que inclui o estado do Amapá, abriga a maior faixa contínua de manguezais do mundo. Esse ecossistema conectado à Amazônia ocupa 75% do território brasileiro, numa extensão de 1,043 milhão de hectares em 68 municípios da Amazônia Legal. Veja a distribuição:

  • 29 no Pará
  • 4 no Amapá
  • 35 no Maranhão

Segundo a pesquisa, no total, os manguezais da Amazônia armazenam 1,3 bilhão de toneladas de CO₂, com um potencial de geração de até R$ 35,4 bilhões em créditos no mercado voluntário, com potencial de chegar a R$ 770,3 bilhões em um mercado regulamentado numa economia de baixo carbono.

Créditos de carbono

O mercado de créditos de carbono ganha força com as metas ambientais de cada país para frear o aquecimento global, tornando necessária a descarbonização de diversos setores da economia. Nesse cenário, o crédito de carbono é um mecanismo que permite que empresas e países compensem suas emissões de CO₂, comercializando créditos e investindo em projetos que reduzam ou capturem gases do efeito estufa, como a conservação de florestas e manguezais.

Parcela significativa das emissões vem de ações humanas, como o uso de combustíveis fósseis, o desmatamento, a agropecuária e processos industriais. Parte desse carbono é capturada pela vegetação, mas também por outros organismos fotossintetizantes, como as algas, e armazenada em troncos, galhos, raízes, folhas e, especialmente no manguezal, no solo, auxiliando no equilíbrio atmosférico e minimizando o aquecimento global e seus eventos extremos. Cada crédito equivale a uma tonelada de CO₂ que deixou de ser emitida ou foi absorvida da atmosfera.

*Com informações da Rede Amazônica AP

Produtor de mandiocultura no interior do Maranhão triplica produção após assistência técnica

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Foto: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

No interior de Humberto de Campos, no Maranhão, a produção de mandioca tem melhorado tanto em quantidade quanto em qualidade. Os produtores da região, desde a chegada de Assistência do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), tem compreendido melhor sobre como gerir seus negócios e técnicas novas de plantio.

O produtor José Maria da Silva relatou sobre os inúmeros benefícios alcançados após receber a assistência do Senar, tanto nos serviços mais simples, quanto nos mais complexos que, para ele, era a gestão da produção.

“Antes eu não tinha planejamento e nem sabia cultivar direito. Com a chegada do Senar as coisa mudaram, comecei a me organizar melhor, aumentei de 50% a 100% a produção, me apaixonei pela atividade e quero aumentar ainda mais. Antes eu quase não tinha para consumo agora consigo até estocar”, contou.

Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

A equipe técnica do Senar lista uma série de ações tomadas inicialmente em propriedades como a de José, destacando-se:

  • Diagnóstico e Planejamento Estratégico – Identificação dos principais desafios da propriedade e elaboração de um plano de ação com soluções viáveis.
  • Adequação Tecnológica – Introdução de boas práticas agrícolas, melhoramento genético de variedades, mecanização da área, e manejo adequado do solo.
  • Correção e Manejo do Solo – Recomendações para correção da acidez com calcário e gesso, adubação equilibrada e melhoria da fertilidade do solo.
  • Capacitações Profissionais – Realização de treinamentos específicos para produtores e trabalhadores, abordando temas como preparo do solo, plantio, tratos culturais e colheita.
  • Monitoramento e Avaliação Contínua – Acompanhamento técnico periódico, coleta e análise de indicadores de desempenho para ajustes no planejamento.
  • Gestão da Produção e Comercialização – Introdução de ferramentas gerenciais para controle de custos, análise de rentabilidade e planejamento da comercialização.
Foto: Reprodução/ YouTube – Amazon Sat

Ao longo de um ano de atendimento, os indicadores produtivos e econômicos são comparados com os dados iniciais do diagnóstico, permitindo avaliar os impactos das ações implementadas.

Quanto a gestão, os técnicos relatam algumas práticas administrativas realizadas em propriedades que estão iniciando a produção. A gestão, segundo a equipe técnica, começa com a implantação de práticas administrativas simples, mas essenciais para a organização e tomada de decisões.

O processo conduzido inclui os seguintes passos:

1- Registro de Informações Financeiras e Produtivas – O produtor deve anotar todas as receitas, vendas de produtos e despesas, insumos, mão de obra, maquinário, entre outros, garantindo um controle financeiro eficiente.

2- Uso do SISATEG (Sistema de Acompanhamento da ATeG) – Os dados coletados pelo produtor são repassados mensalmente aos técnicos do Senar, que inserem as informações no sistema para análise e acompanhamento.

3- Análise de Custos e Rentabilidade – Com base nos registros financeiros, são calculados indicadores como custo operacional efetivo, custo operacional total, custo total, margem bruta e líquida, e rentabilidade da atividade.

4- Planejamento Financeiro e Estratégico – Definição de metas e estratégias para melhorar a eficiência produtiva e a rentabilidade do negócio.

5- Capacitação em Gestão Rural – Treinamentos para o produtor e sua família sobre temas como administração rural, precificação, comercialização e acesso a mercados.

6- Acompanhamento e Ajustes – Com o passar do tempo, os dados são analisados para identificar pontos de melhoria e ajustes na gestão da propriedade.

Esse modelo de gestão permite que o produtor tenha maior previsibilidade sobre os custos, tome decisões mais assertivas e aumente a sustentabilidade econômica da propriedade ao longo do tempo.

Anistia política: extremistas ontem a favor, hoje contra

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Ato pela anistia na Praça da Sé, em São Paulo. Foto: Ennco Beanns/Arquivo Público do Estado de São Paulo

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Avolumaram-se defensores do movimento “sem anistia”, refrão entoado e estampado por alguns foliões do carnaval deste ano. A malta intransigente, dogmática, fanática e radical assim agem provavelmente por desconhecer a história republicana durante a qual em diversos momentos “anistias” têm sido concedidas a adversários no Brasil. Basicamente, a anistia expressa sobretudo em um “goodwill”, um ato de boa vontade, um vamos começar de novo, unindo antagonistas e atuais detentores do poder em busca da construção de um país econômica, social e politicamente justo e progressista. Única condição, assim comprova a história da humanidade, para sustentação e êxito do desenvolvimento de uma nação, seja ela de que origem for. A China moderna e o Vietnã, penso eu, são os exemplos mais contundentes da premissa segundo a qual, inimigos a parte, acima de tudo o bem estar da sociedade.

Como nos dias correntes, a Lei da Anistia do regime militar também provocou controvérsias ao conceder perdão todos os envolvidos em “crimes políticos ou conexos”, incluindo agentes da repressão que cometeram torturas, assassinatos e desaparecimentos de presos políticos até 1979, ou de terroristas que assaltaram bancos, sequestraram embaixadores, assassinaram companheiros e “inimigos” da ditadura do proletariado que, apoiados pela União Soviética pretendiam impor ao povo brasileiro. No afã de formar, ao lado de Cuba a grande frente de transformação da América Latina num quintal do regime comunista, mesmo que já claudicante nas suas origens, tanto na China de Mao Tse-tung quanto na URSS. A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, que existiu de 1922 a 1991 período em que vigorou a Revolução bolchevique de 1917, e transformou a monarquia da Rússia em uma república socialista.

A anistia de 1979

Em síntese, necessário se torna, nesse momento conturbado em que o país perde o rumo por ausência de lideranças políticas autênticas e responsáveis refletir sobre os 46 anos da Lei da Anistia (Lei 6.683, de 1979) – ampla, geral e irrestrita -, sua importância na história recente do Brasil e o papel que ainda desempenha no processo de construção democrática. Discuti-la abertamente e sem reserva foi a proposta de audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos (CDH) na terça-feira, 27 de agosto de 2024. O debate foi requerido pelo presidente do colegiado, senador Paulo Paim (PT-RS), a partir de sugestão de entidades de classe, sindicatos e organizações da sociedade civil que cobram a apuração dos crimes cometidos pelo regime militar contra opositores políticos, assim como a responsabilização de quem os cometeu.

A Lei da Anistia, promulgada em plena ditadura militar, em 1979, teve como objetivo principal conceder perdão aos perseguidos políticos durante o regime autoritário. Com sua aprovação, foram libertados mais de 100 presos políticos, e cerca de 2 mil exilados puderam voltar para o Brasil — explicou Paim. Entre os beneficiados, destacou o senador, estavam personalidades de grande relevância para a história e a cultura brasileira, como o sociólogo Herbert José de Souza, o Betinho; o jornalista Fernando Gabeira, os intelectuais Darcy Ribeiro e Paulo Freire, os governadores Leonel Brizola e Miguel Arraes, o ex-vereador Antônio Losada.

A anistia de Vargas (1945)

A Anistia de 1979, não foi a única concedida no Brasil. A história assim o comprova. Um pouco antes desse período havia beneficiado inimigos abertos da ditadura Vargas, restabelecendo o regime republicano e a democracia no país. No dia 18 de abril de 1945, o decreto-lei da anistia assinado por Getúlio Vargas permitiu a libertação dos últimos 600 presos políticos da ditadura do Estado Novo. A decisão garantia anistia geral para todos os condenados por crimes políticos praticados a partir de 16 de julho de 1934, data da promulgação da Constituição de 1934. Isso implicou na libertação tanto de comunistas, presos desde a Intentona Comunista de 1935, quanto dos camisas verde, encarcerados desde 1938 por conta do Levante Integralista. Entre os libertados, estavam os comunistas que se elegeriam parlamentares, como o senador Luiz Carlos Prestes, os deputados federais Carlos Marighella e Gregório Bezerra e o vereador Agildo Barata, pai do ex-humorista Agildo Ribeiro. Presos há quase dez anos, com exceção de Marighella, detido em 1939. A anistia de 1945 também foi resultado das manifestações democráticas e populares inspiradas na luta contra o autoritarismo.

Getúlio já era presidente quando, com o apoio do comando das Forças Armadas, conduziu o golpe de Estado em novembro de 1937. Com a medida, cancelou as eleições presidenciais, fechou o Congresso, aumentou a repressão, censurou a imprensa e perseguiu a oposição. O ano de 1945 apontava para mudanças. Mas Getúlio Vargas resistia. Nesse contexto, a abertura política era necessária. Assim, o presidente tomou a frente, estabelecendo relações com a União Soviética; pôs fim à censura à imprensa e convocou eleições para dezembro de 1945.

Por seu turno, os “camisas verdes”, constituidos por membros movimento Integralismo Brasileiro, foi uma ideologia política de extrema-direita de caráter nacionalista e fascista, desenvolvida pelo escritor brasileiro Plínio Salgado no início da década de 1930 e que se agregou, a princípio, na Sociedade de Estudos Políticos, e, a partir da publicação do Manifesto de Outubro de 1932, na Ação Integralista Brasileira (AIB). Em seus quase cem anos de história, o Integralismo atravessou diversas fases e ciclos, refletindo as transformações políticas, sociais e culturais do Brasil.

Fundado em 1932 por Plínio Salgado, o movimento inspirou-se nas ideologias fascistas da Europa, adaptando-as ao contexto brasileiro. Durante a década de 1930, o Integralismo ganhou considerável influência, alcançando seu auge em 1937. O movimento adotava como símbolo a letra grega Sigma (Σ), em uma bandeira de fundo azul, e defendia pautas como o nacionalismo, o patriotismo, o espiritualismo, a democracia orgânica corporativista e da civilização cristã.

O Pacto de Moncloa, o acordo que tirou a Espanha da miséria

O Brasil vive um momento crucial de sua história. Infelizmente as notícias não são boas. São muito ruins, na verdade. Fundamentalmente em relação à conjuntura social, política e econômica. Sociólogos e cientistas políticos descrevem este momento marcado por acentuado divisionismo interno, estado de clivagem social, termo empregado nas Ciências Sociais para se referir ao processo de fragmentação ou divisão das classes sociais existentes. Processo que leva a confrontos motivados especialmente por dissensões religiosas, ideológicas, étnicas, sociais, econômicas e culturais.

Independentemente do sentido, o Brasil está de forma tão radicalmente dividido que só uma agenda política de governabilidade, no padrão do espanhol Pacto de Moncloa, poderá aliviar as tensões. E com efeito resolver os mais diversificados e graves problemas que sufocam o país, como a ilegitimidade de alguns setores dos poderes da República, a corrupção desenfreada, o baixo crescimento da economia, a insegurança institucional, o alto índice de desemprego, a violência extremada, a queda no padrão educacional, da saúde pública, da segurança, do transporte, do saneamento básico.

O Pacto de Moncloa (originário do Palácio de la Moncloa, sede do governo espanhol, em Madri, onde foi assinado), refere-se a um marco da redemocratização da Espanha. Pôs fim a um dos mais difíceis momentos da história política nacional que se seguiu à morte do ditador fascista Francisco Franco, em 1975. Integrante do golpe de Estado de julho de 1936 contra o governo da Segunda República, o qual deu início à Guerra Civil Espanhola (1936-1939, Franco, com apoio do nazismo alemão de Hitler e do fascismo italiano de Mussolini, governou com “puños de hierro” o país ibérico entre 1938 e 1973.

A Espanha de então se encontrava com sua economia combalida e tão dividida quanto o Brasil contemporâneo. O pacto de governabilidade, após duras negociações e ameaças de golpe de Estado, foi assinado em 25 de outubro de 1977. Tinha três grandes objetivos: político, o mais importante, econômico e social. Participaram das negociações o governo, todos os partidos políticos criados ou autorizados pelo plebiscito e pela nova constituição, os sindicatos influenciados por comunistas (organizações obreras) e socialistas (a União Geral dos Trabalhadores, a UGT) e a poderosa associação de empresários do país: Confederação Espanhola das Organizações Empresariais, a CEOE. Restaurada a Monarquia parlamentarista e fortalecida a democracia, a Espanha de hoje, com uma renda per capita em torno de US$ 34 mil, é uma das economias mais prósperas da Europa e do mundo, enquanto no Brasil se arrasta ao nível de US$ 2,10 mil.

Indicador que, no lugar de inócuos slogans populistas, deveria estar prioritariamente ocupando a mente dos brasileiros. Não é ocioso lembrar que nosso país, com visão patriótica, boa vontade, discernimento e honestidade política também poderá chegar a tal nível de entendimento e desempenho econômico. Basta, sobretudo, superar o divisionismo, o ódio, a intolerância, permitindo o início de novos tempos de paz, justiça social, equilíbrio fiscal, progresso e crescimento econômico.

O caso Rubens Paiva

Segundo fontes da Agência Senado, corria o ano de 1969 quando Rubens Paiva, deputado federal pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em 1962, cassado em 1964 pelo primeiro Ato Institucional, se autoexilou. Ao retornar ao Brasil, voltou a exercer a engenharia e cuidar de negócios, mas, na mesma linha de Frei Betto, manteve contato com exilados, na verdade atuavam como pombos correios levando e trazendo mensagens ou sacos de dinheiro para o movimento. Depois de uma visita a Santiago, para ajudar a exilada Helena Bocayuva Cunha, filha de seu amigo Bocayuva Cunha (também deputado cassado após o golpe), que fora implicada no sequestro do embaixador Charles Burke Elbrick. Algum tempo depois, pessoas que traziam uma carta de Helena endereçada a Rubens foram presas pelos órgãos da repressão política. Os agentes descobriram por meio de informantes que Rubens Paiva, assim como Frei Betto, como relata em seu livro “Batismo de Sangue” e outros frades dominicanos eram na verdade contatos de “Adriano”, codinome de Carlos Alberto Muniz, militante do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8) e de Carlos Lamarca, na época o homem mais procurado do país.

Entre o dia de sua prisão (20 de janeiro de 1971,) e o seguinte, Rubens Paiva foi transferido da III Zona Aérea para o Destacamento de Operações Internas (DOI-CODI), no quartel da Polícia do Exército, onde teria sido novamente torturado. No caminho reclamava que não conseguia respirar, mas chegou consciente ao quartel.Foi interrogado e à noite outros prisioneiros ouviram-no pedir água a um carcereiro. De madrugada, o médico do DOI-CODI, Amílcar Lobo, foi chamado ao quartel e encontrou o prisioneiro nu, deitado numa cela no fundo do corredor com os olhos fechados, corpo marcado de pancadas e sinais de hemorragia interna.O médico aconselhou que levassem-no ao hospital, mas o major que lhe acompanhava achou melhor retê-lo. Segundo testemunho de Lobo, Paiva morreu por causa dos ferimentos sofridos em sessões de tortura.

Rubens como tantos outros que partiram para o confronto direto, a guerrilha, pagam o preço dos conflitos armados entre grupos organizados, como estados, governos, sociedades ou grupos paramilitares. Em tais circunstâncias, sem exceção: um lado vence, outro perde; uns morrem, outros sobrevivem.

Fonte dos dados: Agência Senado (2025) e a “História do Brasil”, de Boris Fausto.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Carnaboi 2025: Veja as atrações do segundo dia da festa em Manaus

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Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

O Carnaboi 2025 será realizado nos dias 7 e 8 de março no Studio 5 Centro de Convenções, na Zona Sul de Manaus, com entrada gratuita. E, com uma programação recheada de sucessos dos bois-bumbás, diversas atrações foram confirmadas.

Confira as que marcarão presença e horários das apresentações do dia 8 de março:

2ª noite – ‘Exaltação indígena: Viva os Povos da Floresta

19h – Boi Brilhante / Boi Garanhão / Boi Corre Campo
19h45 – Márcia Novo & Curumins da Baixa
20h30 – Luanita Rangel & Jardel Bentes
21h15 – Márcia Siqueira & Mara Lima
22h – Edilson Santana & Paulinho Viana
22h45 – Tony Medeiros & P.A Chaves
23h40 – Carnaboi 2025 – É Festa de Boi-Bumbá
01h10 – Patrick Araújo & Arlindo Neto
01h50 – David Assayag & Helen Veras
02h30 – Gean Figueira & Adriano Aguiar

Veja também: Carnaboi 2025: Veja as atrações do primeiro dia da festa em Manaus

Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.

Biomassa do cavaco de acácia vira alternativa energética em Roraima

Cavacos de acácia recolhidos para a extração de energia na região da Serra da Lua, em Bonfim, Norte de Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Fora do Sistema Integrado Nacional (SIN) de energia, Roraima tem, predominantemente, o fornecimento feito por termelétricas. Em meio a esta realidade, energias de biomassa surgem como alternativa para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e garantir maior segurança energética ao estado.

Usinas utilizam os chamados cavacos de acácia como biocombustível e já responde por 25% da geração de eletricidade em Roraima.

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As quatro usinas que extraem energia das árvores de acácia são da empresa OXE Energia, presente em Roraima desde 2022. Sete usinas ao todo extraem energia de biocombustível no estado a partir de óleos vegetais e resíduos do óleo de palma, extraído da planta do dendê, e do cavaco.

O que são cavacos? São resíduos de madeira resultante da trituração de toras, galhos ou sobras de troncos. São uma fonte de energia renovável, limpa e econômica.

O Grupo Rede Amazônica visitou duas usinas de biomassa do grupo OXE no dia 21 de fevereiro – a usina Bonfim e a Cantá. As duas ficam localizadas em um polo (chamado de cluster) localizado na região da Serra da Lua, no município do Bonfim, Norte de Roraima para entender como funciona o processo.

Cada usina tem uma capacidade de 10 megawatts. Outro cluster fica em Boa Vista, chamado de Jacitara, também conta com duas usinas, Santa Luz e Pau Rainha. Ao todo, a OXE envia 40 megawatts por dia aos 15 municípios de Roraima.

“Nosso projeto foi desenvolvido para transformar a matriz energética do estado, que antes dependia do óleo combustível e da energia vinda da Venezuela. Agora, oferecemos uma alternativa segura”, explicou Marcos Caldas, diretor industrial da OXE Energia.

Energia limpa

A OXE é proprietária de uma área de 2,8 milhões de metros cúbicos de acácia da espécie mangium – usada para a extração do cavaco. O processo envolve a queima de cavacos de madeira, produção de vapor, e operação de turbinas, com um ciclo fechado de água e reaproveitamento de cinzas.

Leonardo Centenaro, gerente de unidade do cluster Serra da Lua, explica que cada etapa é feita em seis partes: processamento da matéria-prima, classificação, armazenamento, combustão, geração de vapor e, por fim a geração de energia. Ao todo, são cerca de 400 funcionários que trabalham em cada etapa.

“Nossa matéria-prima é processada no campo e transportada até a usina. Ao chegar, passa por uma peneira classificadora que separa os materiais adequados para a queima. O cavaco é então armazenado em silos, garantindo segurança operacional e controle de umidade para uma queima eficiente nas caldeiras”, explicou Leonardo.

Usina de extração de energia por cavaco de acácia no município de Bonfim, Norte de Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Toda a biomassa utilizada vem de áreas de reflorestamento próximas às usinas, localizadas a 15 quilômetros do cluster. A madeira é picada no campo e transportada continuamente para “garantir o suprimento das caldeiras 24 horas por dia”.

“O ciclo de geração é altamente sustentável. Utilizamos água subterrânea de poços semiartesianos, e o sistema de vapor opera em um ciclo fechado, reduzindo significativamente o consumo de água. Além disso, as cinzas resultantes do processo são reaproveitadas como adubo nos próprios plantios, garantindo que nada seja desperdiçado”, detalha Leonardo.

OXE em Roraima

A empresa chegou no estado por conta da “ambiente propício para a plantação de acácia”. Essas madeiras foram plantadas entre 1996 e 2006 por outra empresa e foi adquirida pela OXE em 2022.

“A localização na região amazônica também foi um ponto decisivo para os acionistas, considerando a viabilidade da operação e manutenção de forma sustentável”, destacou Marcos Caldas sobre a escolha de Roraima.

A OXE Energia gera aproximadamente 400 empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia local. A empresa possui um contrato de 15 anos com a distribuidora local, estando no terceiro ano de vigência, com possibilidade de renovação por mais 15 anos.

“Nossa geração de energia é 100% limpa, com emissões significativamente menores do que as fontes anteriores, como o óleo combustível pesado. Isso representa um avanço ambiental importante para Roraima”.

Há um acordo firmado entre as usinas de produção de biocombustível e a Roraima Energia. A energia produzida por biomassa é entregue à companhia, que distribui para os consumidores em um contrato firmado com o Governo Federal.

A bioenergia de Roraima é fornecida pelas seguintes usinas termelétricas:

  • Usina Bonfim, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada no município de Bonfim, Norte de Roraima;
  • Usina Pau Rainha, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada em Boa Vista;
  • Usina Santa Luz, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada em Boa Vista;
  • Usina Cantá, que produz biomassa por resíduos florestais (cavaco), localizada no município de Cantá, Norte de Roraima
  • Usina BBF Baliza, que produz biocombustível por resíduos de óleos de palma, localizada no município de São João da Baliza, Sul de Roraima;
  • Usina BBF Forte São Joaquim, que produz biocombustível por meio de óleos vegetais, localizada em Boa Vista
  • Usina Palmaplan, que produz biocombustível por meio de óleos vegetais, localizada em Rorainópolis, Sul de Roraima.

Para seguir com a extração de energia por cavacos, a OXE iniciou o plantio de eucalipto e a previsão é que as árvores estejam prontas para a extração de energia em 2040.

Rede Amazônica visita usinas

O CEO do Grupo Rede Amazônica Phelippe Daou Jr visitou as usinas da OXE na Serra da Lua para conhecer os processos. Para ele, o crescimento da matriz renovável também abre caminho para novos investimentos no estado e esse avanço cria um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico.

“Empreendimentos como esse garantem segurança energética e impulsionam novos negócios. Roraima tem um grande potencial de crescimento, principalmente com a expansão da energia limpa”, afirma o CEO.

CEO do Grupo Rede Amazônia, Phelippe Daou Jr visitou a usina da OXE em Bonfim, Norte de Roraima. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Ele destaca a importância de valorizar fontes de energia renováveis para garantir a sustentabilidade a longo prazo e reduzir a dependência de combustíveis fósseis, que além de caros, impactam negativamente o meio ambiente.

“Fiquei impressionado com o trabalho da OXE Energia em Roraima. Visitar as usinas nos permitiu entender melhor essa operação, que, apesar de parecer simples, é extremamente bem executada”.

Isolamento energético

Roraima é o único estado do país que não é ligado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e, durante anos, dependeu da energia fornecida pela Venezuela. No entanto, o país parou de enviar energia ao estado em março de 2019 e, desde então, o trabalho é feito por quatro termelétricas da Roraima Energia.

O parque térmico do estado é formado pelas usinas termelétricas de Monte Cristo, na zona Rural de Boa Vista, Jardim Floresta e Distrito, ambas na zona Oeste, e Novo Paraíso, em Caracaraí, região Sul do estado.

Atualmente, duas turbinas da Usina Termoelétrica Jaguatirica II já estão em operação e ajudam a reduzir o consumo da usina termelétrica do Monte Cristo, que funciona a óleo diesel.

Os 715 km do Linhão de Tucuruí são apontados como o fim do isolamento elétrico e dos constantes blecautes. O início da obra foi foco de um impasse por 11 anos, já que 122 km de torres vão atravessar a reserva Waimiri Atroari.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Linhão de Tucuruí?

Sem a energia importada, o custo para fornecimento elétrico estado é de R$ 8 bilhões por ano — conta que é dividida entre todos os consumidores de energia elétrica do país. E, para reverter esta situação, a solução é construção do Linhão de Tucuruí.

*Por Caíque Rodrigues, da Rede Amazônica RR

Propostas de redução das unidades de conservação brasileiras ameaçam compromisso com desmatamento zero

Parque Estadual do Cristalino II (MT) é uma das áreas sob pressão mapeadas pelo trabalho. Foto: Aline Gama Baptista/Wikimedia Commons

As unidades de conservação são fundamentais para a manutenção da biodiversidade, a regulação dos ecossistemas e a redução dos impactos das mudanças climáticas. Também são cruciais para que o Brasil cumpra o compromisso de atingir o desmatamento zero até 2030.

No entanto, as políticas públicas brasileiras não têm sido exitosas em proteger e ampliar esses territórios. É o que constata artigo publicado no dia 24 de fevereiro na revista científica ‘Perspectives in Ecology and Conservation‘ por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e parceiros de outras instituições brasileiras.

O estudo alerta para os riscos associados à tendência de propor redução, rebaixamento ou extinção do status de proteção de unidades de conservação brasileiras. Os autores apresentam o caso do Parque Estadual Cristalino II, criado em 2000 e localizado no estado do Mato Grosso, na parte sul da Amazônia – região conhecida como “arco do desmatamento”.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a nova fronteira do desmatamento?

Em abril de 2024, o Tribunal de Justiça do estado (TJMT) decidiu a favor da extinção do parque a partir de ação movida por empresa privada. No final de 2024, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que a ação fosse analisada pela Justiça Federal alegando que a manutenção do parque é fundamental para a proteção da Amazônia.

Os cientistas também mencionam projetos de lei que buscam diminuir o nível de proteção dos parques nacionais da Serra do Divisor, no Acre, e do Iguaçu, no Paraná. A ameaça é resultado de uma pressão política e econômica que favorece os interesses de grandes proprietários de terras e do agronegócio, avalia o pesquisador do INPA Philip Fearnside, um dos autores do artigo. “É uma coisa evidente no Brasil. O parque Cristalino é um problema urgente, imediato, mas o alerta não é só sobre ele, mas sobre todas as áreas que precisam ser preservadas no país”.

Segundo os autores, o Congresso Nacional tem dado suporte a políticas que enfraquecem as leis ambientais e as agências de fiscalização, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Essa situação cria um cenário de desmonte da proteção ambiental, com redução de multas e embargos por crimes ambientais, e a noção de que a proteção ambiental impede o desenvolvimento econômico, avaliam.

Para Fearnside, a conservação da Amazônia deve ser uma questão constante na COP30, que acontece em novembro de 2025 em Belém (PA). Segundo ele, a conservação das áreas protegidas precisa ser vista como uma prioridade estratégica para o Brasil, não apenas para o cumprimento de acordos internacionais, mas para a garantia do bem-estar social e econômico do país. Por isso, os cientistas seguirão acompanhando as políticas públicas de proteção ambiental diante da necessidade de combate ao desmatamento e à degradação ambiental.

DOI: https://doi.org/10.1016/j.pecon.2025.01.001

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Égua com corpo de mulher? Saiba de qual bloco de Manaus essa boneca é símbolo do Carnaval

Foto: Paulinho Tavares/Acervo pessoal

No Carnaval tudo é possível, mas você já ouviu falar da banda que tem como mascote uma boneca com corpo de mulher e cara de égua? Para dizer no mínimo que é algo inusitado, essa é uma das surpresas divertidas do Carnaval em Manaus (AM).

Com mais de 30 anos de história e tradição nas festividades carnavalescas de Manaus, a Bhanda da Bhaixa da Hégua faz a alegria dos foliões do Bairro Educandos, na Zona Sul de Manaus, com uma presença ilustre. 

O nome é o mesmo desde sua criação, escolhido na época pelos fundadores Wagner ‘Vavá’, Paulo Tavares, João Branco, Coronel Benfica, Renato Freitas e demais amigos. O uso de ‘Hs’ extras no nome vem da expressão “isso é H”, ou seja, isso é mentira, uma expressão típica da região. Muito utilizada quando uma pessoa diz que vai fazer algo, quando se sabe que ela não vai.

Foto: Paulinho Tavares/Acervo pessoal

E a presença de um mascote tão diferente é explicada pelo presidente da banda, Paulo Tavares, o ‘Paulinho’. Afinal, como surgiu a ideia de representar o famoso bloco manauara com uma boneca tão diferente? 

“A origem se deu em razão de uma famosa rua do bairro Educandos que tem uma baixada, a rua Inácio Guimarães. O nome se deu porque na baixada da rua existiam duas éguas, que viviam lá, na década de 50. As éguas eram usadas para transportar água para os tanques das casas pelas ruas do bairro. Já a forma como se escreve, se deu em razão de na década de 90, surgir um jargão popular com a letra H, em que diziam ‘você só tem H’, para alguém que estivesse mentindo”.

Vira, mexe e então surgiu a Hégua: a boneca que, segundo Paulinho, foi criada com o intuito de valorizar as curvas da mulher brasileira, mas com o rosto da égua, representando o bairro. O curioso é que a personagem foi baseada em uma mulher real: a ex-primeira dama do Brasil, Roseane Collor, esposa do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Segundo ele, foi enviada uma carta para o gabinete do presidente pedindo autorização para seguir com a ideia. “Eles acharam o maior barato e responderam que sim, que podiam fazer a boneca da primeira dama. Infelizmente, a carta presidencial desapareceu e até hoje ninguém sabe quem levou”, conta.

A boneca foi usada pela primeira vez em 1991, sendo esta a data de fundação e legalização da documentação da banda. Porém, segundo Paulinho, a banda existe de fato, historicamente, desde 1986, sendo uma das mais antigas de Manaus.

Paulo Tavares conta também que, no início, a forma como a boneca se apresentava em público era diferente, além de ter sido reestruturada várias vezes durante a sua história. 

Foto: Paulinho Tavares/Acervo pessoal

Não tem tripa

Tradicionalmente, no Amazonas, os manipuladores de grandes bonecos como os bois de Parintins são conhecidos como ‘tripas’. No entanto, a Hégua não é desse jeito. Em forma de charge, a grande boneca é levada pelos foliões ganhando destaque por onde passa.

“A boneca já foi remodelada várias vezes, passando por algumas mudanças. Antigamente era só a cabeça e embaixo ficava uma pessoa dançando. Mas hoje não existe mais essa pessoa, somente a boneca”, revelou o fundador. 

Versão da Hégua em 2017. Foto Reprodução/Rede Amazônica AM

“A manutenção da tradição do verdadeiro Carnaval de rua que se mantém vivo até hoje, sem cobrança de taxa, ingresso ou qualquer tipo de valor, essa é a diferença da Hégua para as demais bandas”, declara o presidente sobre a função social e cultural da banda, de permanecer acessível e incentivar não só a alegria, mas também o comércio local.

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Carnaval Amazônico

O Carnaval Amazônico é um projeto realizado pela Fundação Rede Amazônica, correalizado pelo Grupo Rede Amazônica, com o apoio da Associação Amazonense de Desenvolvimento Cultural (AADC), Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas, Governo do Amazonas e Prefeitura de Parintins.

O projeto visa resgatar a importância histórica das tradicionais bandas e blocos de Carnaval de Manaus, unindo tradição, cultura e entretenimento, levando a Amazônia para o público de toda a Região Norte. Campanhas educativas e socioambientais também fazem parte do projeto.