O litoral do Brasil e a foz do rio Amazonas, em registro realizado pela NASA de 27 de novembro de 2020. Foto: Reprodução/NASA
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Dia 22 de abril, o Dia da Terra, celebrado, pela primeira vez, em 1970, nos Estados Unidos. Em 2026 os festejos abrem espaço no mundo inteiro na busca de tentar discutir, de forma prática e acessível, como a agenda ambiental poderia estar ainda mais conectada à economia real. Mais do que um debate institucional, o tema hoje conversa com eficiência operacional: cadeia produtiva, inovação, investimentos e hábitos de consumo.
A data foi institucionalizada levando em conta:
- a) protestos contra a degradação ambiental, a poluição atmosférica, contaminação de rios e derramamentos de óleo;
- b) criar um fórum educacional para despertar a população sobre a necessidade de proteger o planeta;
- c) incentivar mudanças de comportamento e a adoção de práticas sustentáveis para preservar o meio ambiente para gerações futuras.
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Hoje, a data é celebrada mundialmente como um alerta contra as mudanças climáticas no qual engajam-se, conforme estimativa do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) mais de um bilhão de pessoas. Em 2009, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução reconhecendo formalmente o Dia Internacional da Mãe Terra.
Em 2016, por meio do Acordo de Paris, a Organização articulou compromisso das nações em limitar o aumento da temperatura global em até 2ºC em relação aos níveis pré-industriais e fortalecer sua capacidade de mitigar os impactos negativos das mudanças climáticas. Na verdade, inoperante até os dias atuais, muito embora renovado COPs após COPs, inclusive na última, a famosa COP30, a COP dos incêndios e dos tumultos, realizada em novembro de 2025 em Belém (PA), que gerou o “Pacote de Belém”, aprovado por 195 países.
O acordo, mais uma vez, focou em ampliar o financiamento climático (triplicar os recursos, jamais liberados), criar o (ficcional) Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFF), para remunerar florestas em pé e reconhecer direitos de comunidades tradicionais, que não saiu do papel. De igual maneira, aprovado no Acordo de Paris (2015), nações desenvolvidas concordaram em mobilizar US$ 100 bilhões anuais para apoiar ações climáticas em países em desenvolvimento, posteriormente ampliado para 300 bilhões de dólares anuais até 2035. Não se tem notícia sobre projetos mobilizados na África, nos países pobres da Ásia ou da América Latina onde esses recursos estariam sendo aplicados. Nesse sentido, as COPs não passam de eventos imaginários.
Com os próximos 50 anos em perspectiva, e em preparação para o Dia Mundial do Meio Ambiente, o PNUMA compartilhará informações sobre ações que podem ser tomadas para proteger a biodiversidade, contribuir com o reflorestamento de paisagens degradadas e se comprometer com a gestão sustentável de recursos naturais.
Em relação ao Brasil, em que grau o país evoluiu na agenda ambiental conciliada às idiossincrasias geopolíticas, às particularidades socioeconômicas de suas regiões. Como diferenciar preservação dos biomas com ausência de políticas públicas norteadoras de atividades produtivas? Afinal, preservar é tão importante quanto produzir.
Exemplos contundentes, e vergonhosos: A rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, como a Ferrogrão (EF-170), de 933 km, conectando Sinop (MT) ao Porto de Miritituba (PA) para escoar soja e milho vem sendo obstruídas por ações de ONGs inimigas de nosso desenvolvimento, toleradas pelo próprio governo federal.
Vale salientar, por oportuno que, uma constatação inexorável: se houvesse Ibama, ONGs ou Marina da Silva nos anos 1950, 1960 ou 1970 o Brasil não teria construído a rodovia Belém-Brasília, a Ponte Rio-Niterói, as hidrelétricas de Paulo Afonso ou Itaipu, a BR-174, que interliga Manaus a Boa Vista, RR, ou a própria BR-101, que conecta Touros, no Rio Grande do Norte, a São José do Norte, no Rio Grande do Sul. Com aproximadamente 4.700 km de extensão, ela margeia o litoral brasileiro, passando por 12 estados e conectando o Nordeste ao Sul do país. A BR-174 cruza a Reserva Yanomami, sem qualquer incidente, a não ser o escancaramento da condição de extrema pobreza em que aquele povo continua sendo mantido.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
