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Bióloga destaca papel da educação ambiental na foz do Amazonas

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O oceano na região da foz do Amazonas é marcado por relações com o rio, complexidade logística e lacuna de dados científicos, o que torna a pesquisa na região mais desafiadora. Foto: Suzane Biapino

Bióloga, professora da Universidade do Estado do Amapá (UEAP) e doutora em Ecologia, Janaína Freitas Calado atua há mais de uma década com educação ambiental na Amazônia. Nascida em Macapá, viveu por muitos anos no Rio Grande do Norte e hoje pesquisa a relação entre comunidades tradicionais e ecossistemas costeiros e oceânicos com foco na foz do Amazonas.

Integrante das ações brasileiras da Década do Oceano, iniciativa das Nações Unidas para implementação de iniciativas sustentáveis até 2030, Calado trabalha com o conceito de cultura oceânica, que busca fortalecer a compreensão do papel do oceano na regulação climática, na biodiversidade, na cultura e na economia — abordagem que passou a integrar o currículo escolar brasileiro a partir de 2025.

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Nesta entrevista, ela fala sobre seu trabalho e comenta percepção das populações ao início das atividades da Petrobras para prospecção de petróleo a poucos quilômetros do Amapá.

Como você construiu sua trajetória de pesquisa e como você começou a trabalhar com oceano na Amazônia?

Janaína Freitas Calado: Minha formação toda foi com ecologia de ambientes recifais. Na UEAP, atuo na área de educação ambiental, que é essencialmente interdisciplinar. Em 2016, com a publicação na Nature da descrição dos recifes da Amazônia, todo mundo aqui no Amapá falava sobre isso, pois já se tinha o pedido de licença para prospecção de petróleo de dois blocos de exploração no Amapá. T

ínhamos muita desinformação, com grupo político dizendo que os recifes da Amazônia não existiam, enquanto os pesquisadores mostravam que sim, existiam. Temos uma costa amazônica gigante, mas desconhecida. Então fui tentar entender as percepções das pessoas sobre os recifes da Amazônia no contexto da exploração de petróleo. Hoje procuro compreender a relação que o povo do Amapá tem com oceano e busco, através de metodologias participativas, promover a cultura oceânica amazônica.

Você está em uma região de muita sociobiodiversidade, perto da floresta e perto do oceano. Como você pensa a educação ambiental a partir das particularidades locais?

Janaína Freitas Calado: Redescobri o Amapá quando vim morar aqui de vez. Tem região alagada, floresta de terra firme, cerrado, rios, lagos, manguezais, a foz e essa parte recifal. Então há uma diversidade de ambientes em um espaço relativamente pequeno, o que se reflete diretamente na diversidade cultural e de uso e ocupação desses locais. Mas, apesar dessa diversidade de modos de vida, as populações tradicionais têm a relação dede interdependência com a natureza como uma característica semelhante.

Trabalhamos com comunidades que muitas vezes não estão no mapa e nem tem acesso às políticas públicas – as chamadas “comunidades invisíveis”. E por pressões do neoliberalismo, exploração da terra, conflitos ou pelas mudanças climáticas, elas podem até deixar de existir. Se os sinais da natureza começam a ficar confusos, as comunidades perdem os seus marcadores do tempo e não sabem mais quando é época de plantar ou de colher. Então, a vulnerabilidade dessas comunidades aumenta.

A pessoa vende a terra por um preço barato e vai embora. Isso transforma as comunidades tradicionais em populações pobres nas cidades, como cita a Eliane Brum. No nosso trabalho, a pesquisa deve estar na retaguarda das comunidades, buscando ferramentas de fortalecimento.

Foto: Suzane Biapino

Leia também: A dualidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial: o que é e como afeta a Amazônia?

E quais são as principais dificuldades desse trabalho de pesquisa com as comunidades tradicionais no Amapá?

Janaína Freitas Calado: Existe o que se chama de fator amazônico, que são dificuldades logísticas e operacionais para trabalhar aqui. Se você trabalha com mergulho ou com pesca, já é tudo muito caro. Agora, na Amazônia, o custo das nossas saídas de campo é ainda maior. Eu preciso contratar barco, levar gasolina, e muitas das comunidades não têm mercado para comprar comida, então temos que levar nossos insumos. Para completar, a foz do rio Amazonas tem correnteza, tem maré. A profundidade costuma ser rasa, mas é uma região dinâmica, e isso pode mudar rápido – o que exige preparação extra.

Você tem acompanhado a percepção das comunidades da região sobre o início da prospecção de petróleo na Margem Equatorial. Qual a expectativa para a atividade da Petrobras na região?

Janaína Freitas Calado: De uma maneira geral, o que eu percebo é que populações tradicionais que dependem diretamente do meio ambiente discutem mais as problemáticas do petróleo, têm mais medo do que pode vir acontecer porque sabem que a vida depende daquilo. Populações que vivem na cidadeenxergam uma grande possibilidade de mudança de vida. A narrativa de que o petróleo vai chegar e melhorar tudo vem sendo construída há anos.

E há uma falta de comunicação com as comunidades tradicionais– pescadores, indígenas, extrativistas. As pessoas ficam sabendo do que acontece pela imprensa, de políticos festejando a aprovação da licença de prospecção ao acidente com o vazamento do fluido de perfuração. Sobre o petróleo, penso que é muito importante ter um sistema de monitoramento internacional.

A pluma do rio Amazonas alcança o Caribe. Grande parte de algum possível vazamento vai parar lá também, não fica só aqui no Brasil. Então, precisamos começar a dialogar sobre os cenários possíveis, formar parcerias internacionais e realizar pesquisas para entender as consequências – incorporando os conhecimentos tradicionais nesse processo. Além disso, o diálogo direto e transparência com as organizações da sociedade é fundamental.

Você atua construindo pontes entre o conhecimento científico e o conhecimento tradicional. O que tem aprendido nessa trajetória?

Foto: Janaina Calado/Acervo pessoal

Janaína Freitas Calado: Quem trabalha com educação ambiental é um mediador. Não levamos respostas prontas, mas construímos diálogos que conectam sociedade e natureza. Se você chega em uma comunidade tradicional trazendo o conhecimento de fora, já está errado. Uma coisa que sempre falo nas minhas aulas é que não trabalhamos com objeto de pesquisa, trabalhamos com sujeitos.

E com isso, não existe a possibilidade de eu não me envolver com esse sujeito. Porque eu tenho que explicar meu trabalho para a comunidade, que estou trazendo conhecimento científico e que eles estão trazendo conhecimento tradicional. O mais difícil costuma ser explicar para meus pares da universidade e para o revisor da revista que isso é ciência.

Você trabalha com o conceito de cultura oceânica. Como isso se aplica aos ambientes amazônicos e quais as perspectivas futuras de atuação?

Janaína Freitas Calado: Me aproximei do termo quando começamos a discussão global sobre a Década do Oceano em 2020. Faço parte do Grupo de Apoio e Mobilização da Década do Oceano na região Norte, representando o Amapá junto com a Valdenira Santos e outros pesquisadores daqui. Sou do comitê gestor do Observatório Popular do Mar, que desenvolve um projeto de ciência cidadã com pessoas na foz do Amazonas para coletar dados locais.

Todo ano desde 2021 fazemos a Semana da Década do Oceano no Amapá em junho. E outro projeto que iniciou em 2024 foi o Ecoa – Experiências e Vivências em Cultura Oceânica Amazônica. Formamos universitários de comunidades tradicionais para que retornem a essas comunidades com oficinas sobre o tema. Isso é importante porque a percepção sobre oceano ainda é muito estereotipada.

Aqui no Amapá temos poucas praias e o mar é marrom, não é azul ou verde, então parece algo distante da realidade das pessoas. Vou em muita comunidade tradicional onde as pessoas acham que todo o rio tem maré, mas isso é algo característico de rios que tem proximidade com o oceano.

Em 2025, foi aprovada a inserção da cultura oceânica na Base Nacional Comum Curricular, então, as escolas da Amazônia vão precisar de ideias de como abordá-la nos seus currículos, e queremos superar o histórico de replicar o conteúdo do Sudeste. Construímos redes de colaboração com projetos e pesquisadores de todo o Brasil, mas sempre com o protagonismo de quem está aqui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Destinos turísticos de cinco estados da Amazônia Legal são destaque em índice nacional

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Parintins (AM). Foto: Lucas Silva/Amazonastur

A plataforma Brasil em Mapas, que reúne dados do Brasil em mapas visuais, lançou em fevereiro um índice com os ‘50 Lugares para Viajar no Brasil em 2026‘ e, entre eles, dez locais estão na Amazônia Legal. Segundo a plataforma, o índice foi elaborado a partir de “dados nacionais e internacionais, tendências de mídia, conectividade e fluxo turístico”.

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Com crescimento simultâneo do turismo nacional e internacional, alguns locais despontaram no mapa como os mais propícios para receber os visitantes que tem buscado por experiências. Assim, o Índice de Visibilidade Turística 2026 ranqueou os locais e destaca que as “portas de entrada” são grandes as metrópoles, mas os destinos vão além.

turismo em alter do chão, no pará (amazônia)
Alter do Chão (PA). Foto: Reprodução/Prefeitura de Santarém

Ranking da Amazônia Legal

Nos estados que compõem a Amazônia Legal, entraram para o ranking (por classificação):

  • 5° Manaus (AM)
  • 8° Lençóis Maranhenses (MA)
  • 20° Alter do Chão (PA)
  • 21° Belém (PA)
  • 23° Parintins (AM)
  • 25° Jalapão (TO)
  • 39° Chapada dos Guimarães (MT)
  • 43° Cuiabá (MT)
  • 45° Palmas (TO)

A publicação cita o crescimento de Manaus (AM) como um “hub único, exótico e estratégico da Amazônia”. O Caribe amazônico, como é conhecido Alter do Chão (PA); e a disputa dos bois Caprichoso e Garantido no Festival Folclórico de Parintins (AM), também ganharam destaque.

Leia também: Manaus é destaque em pesquisa global sobre tendências de viagem para 2026

“O índice mostra que o turismo brasileiro vive um momento de maturidade e diversificação. Poucos destinos concentram o papel de hub, mas dezenas se consolidam como experiências únicas, capazes de atrair públicos distintos — do mochileiro internacional ao turista doméstico de fim de semana”, afirma a plataforma.

Manaus segue como a capital com maior crescimento em área de favelas no Brasil, aponta MapBiomas

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O bairro Cidade de Deus/Alfredo Nascimento é a 4ª maior favela em moradores de Manaus. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

Manaus (AM) é a cidade brasileira onde as áreas de favelas mais cresceram em extensão territorial no país, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (4) pelo MapBiomas. O levantamento mostra que a capital amazonense ocupa a primeira posição desde 1985 e manteve a liderança em 2024, com crescimento de 2,6 vezes no período.

Os dados analisam a expansão anual da área urbanizada dentro dos perímetros de favelas e comunidades urbanas, conforme a delimitação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em todo o Brasil, essas áreas passaram de 53,7 mil hectares em 1985 para 146 mil hectares em 2024 — um aumento de mais de 2,75 vezes, acima do ritmo de expansão das áreas urbanizadas em geral no país (2,5 vezes).

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De acordo com o estudo, as capitais das regiões Norte e Nordeste concentram as maiores áreas urbanizadas em favelas. Em 1985, sete das dez cidades com maior extensão estavam nessas regiões. Em 2024, são oito, com a entrada de Teresina na 10ª posição.

Embora outras capitais também tenham registrado crescimento, Manaus se manteve no topo. O Rio de Janeiro, que era o segundo colocado em 1985, com 3,6 mil hectares, caiu para a quinta posição em 2024, com 5,3 mil hectares. Já São Paulo subiu da quarta para a terceira colocação, passando de 3,1 mil para 6 mil hectares no mesmo período.

O levantamento aponta ainda que as favelas são um fenômeno tipicamente metropolitano. Em 2024, as regiões metropolitanas concentravam 82% de toda a área urbanizada em favelas no Brasil. Em 1985, apenas 13% dessas áreas estavam fora de regiões metropolitanas.

Em 2024, a região metropolitana de Manaus reúne a segunda maior área urbanizada em favelas do país, com 11,4 mil hectares, atrás apenas da região metropolitana de São Paulo, com 11,8 mil hectares. No caso de Manaus, essa área representa mais de um terço de toda a área urbanizada do município.

Leia também: Amazônia Negra: CUFA Amazonas celebra a força ancestral que resiste e transforma o território

favela em manaus
Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

Avanço em Manaus foi refletido no Censo 2022

O crescimento das favelas na capital amazonense também foi apontado pelo Censo 2022 do IBGE. O bairro Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, na Zona Norte, ocupa a quarta posição entre as maiores favelas do Brasil em número de moradores, com mais de 55 mil pessoas.

Ainda segundo o IBGE, o Amazonas reúne 398 favelas, e 60% delas estão em Manaus. As comunidades com maior número de domicílios na capital, em 2022, eram:

  • São Lucas: 17.821 domicílios;
  • Cidade de Deus/Alfredo Nascimento: 17.632;
  • Zumbi dos Palmares/Nova Luz: 11.273.

O maior número de moradores foi registrado na Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, na comunidade São Lucas e no Zumbi dos Palmares, reforçando a concentração populacional nas áreas de ocupação urbana da capital.

*Com informações da Rede Amazônica AM e MapBiomas

Moscas da Amazônia: insetos essenciais para a floresta podem desaparecer antes mesmo de serem descritos pela ciência

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Mosca sarcosaprófaga. Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Apesar de abrigar a maior floresta tropical do planeta, a Amazônia ainda tem sua biodiversidade pouco conhecida do ponto de vista científico, especialmente em suas áreas mais remotas. Um novo estudo publicado na Proceedings of the Royal Society B mostra como essa lacuna de conhecimento afeta grupos de animais menos visíveis e igualmente essenciais.

A pesquisa identifica onde estão e quais fatores direcionam as lacunas sobre o conhecimento das moscas sarcosaprófagas, insetos que utilizam à matéria orgânica animal e que são essenciais para o funcionamento dos ecossistemas.

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Moscas: insetos pequenos, mas imprescindíveis

As moscas sarcosaprófagas são insetos importantes para a decomposição da matéria orgânica, para a saúde pública e para a ciência forense. Embora importantes do ponto de vista da saúde e da natureza, o conhecimento sobre essas moscas ainda é muito limitado, principalmente na Amazônia.

Quando se fala em Amazônia, a imagem mais comum é a de um tapete de árvores gigantes, de áreas intocadas e de animais carismáticos. De fato, isso tudo ainda existe em algumas regiões, porém a biodiversidade amazônica é composta majoritariamente por organismos pequenos e menos conhecidos, mas igualmente essenciais, que exercem papéis fundamentais para os ecossistemas e para as pessoas.

O estudo revela que o esforço científico dedicado às moscas sarcosaprófagas é desigual no território amazônico, concentrando-se principalmente em áreas mais acessíveis, próximas aos grandes rios da região. Regiões remotas, muitas delas com alto valor de conservação, ainda permanecem pouco estudadas.

No estudo, intitulado “Accessibility drives research efforts on Amazonian sarcosaprophagous flies”, os pesquisadores compilaram e analisaram mais de 8 mil registros de ocorrência de moscas decompositoras das famílias CalliphoridaeMesembrinellidae e Sarcophagidae em toda a Amazônia brasileira.

Essas moscas respondem rapidamente às mudanças ambientais e prestam serviços ecossistêmicos essenciais, como a decomposição da matéria orgânica. Ignorá-las significa perder informações valiosas sobre a saúde das nossas florestas.

Sem acessibilidade, sem pesquisa

A pesquisa investigou como o conhecimento sobre esses insetos está distribuído no espaço e quais fatores explicam os vieses de coleta observados. Para isso, os autores comparam os dados reais com um modelo nulo, que simula uma “Amazônia idealmente amostrada”, na qual todas as áreas teriam a mesma probabilidade de serem estudadas.

Parece complexo, mas é simples: o estudo criou um modelo matemático idealizado (conhecido como modelo nulo), que trata a Amazônia como se fosse igualmente estudada. Esse modelo idealizado foi usado como base de comparação para os dados reais de conhecimento das moscas decompositoras.

Os resultados revelam um padrão preocupante: cerca de 40% das áreas florestais apresentam probabilidade de conhecimento científico inferior a 10%. Em contraste, regiões mais acessíveis, muitas vezes já impactadas por ações humanas, concentram a maior parte dos registros disponíveis.

O estudo indica que a acessibilidade é um dos principais fatores que orientam o esforço de pesquisa na Amazônia. Estradas, rios, cidades e a proximidade de centros de pesquisa, onde estão concentrados os especialistas de diferentes grupos, facilitam a coleta de dados.

Mosca sarcosaprófaga.
Foto: Raul Borges Guimarães

Em contraste, regiões isoladas, mesmo quando altamente preservadas, permanecem praticamente desconhecidas para a ciência. Isso indica que a ciência não apenas deixa de alcançar essas áreas, mas também investe de forma desproporcional onde já é mais fácil de chegar e realizar as coletas de biodiversidade.

Territórios quilombolas, assim como áreas remotas, essenciais para a conservação da região, apesar de estarem entre as áreas mais preservadas da Amazônia, figuram entre as menos amostradas. Esse cenário cria um paradoxo preocupante: sabemos mais sobre a biodiversidade de áreas já alteradas do que sobre regiões ainda intactas.

Isso aumenta o risco de perda de espécies antes mesmo que elas sejam conhecidas ou descritas pela ciência, além de comprometer oportunidades futuras ligadas à conservação e à manutenção do funcionamento dos ecossistemas.

Esse viés científico pode levar a decisões equivocadas em políticas de conservação, ao oferecer uma visão incompleta da biodiversidade amazônica. Embora pouco carismáticas, as moscas sarcosaprófagas desempenham papéis-chave nos ecossistemas e funcionam como importantes indicadoras de impacto ambiental.

Leia também: ​Pesquisadores descobrem nova espécie de mosca no Maranhão

Pesquisa em rede

O estudo reforça que não basta intensificar o esforço de pesquisa nos mesmos locais. Para reduzir efetivamente as lacunas de conhecimento, é fundamental investir em expedições direcionadas a áreas distantes e historicamente negligenciadas, aliadas a parcerias sólidas com comunidades locais e tradicionais, que conhecem profundamente o território, seus ciclos naturais e suas transformações. É preciso fazer ciência com e para as pessoas que vivem na Amazônia.

Nessas regiões distantes e ainda pouco conhecidas, grande parte da biodiversidade permanece invisível para a ciência. Daí a importância de redes de pesquisa, projetos de larga escala, financiamento contínuo e compartilhamento de dados como pilares fundamentais para o avanço do conhecimento sobre a biodiversidade amazônica. Diante dos altos custos logísticos e operacionais da pesquisa na região, unir esforços não é uma opção, mas uma necessidade.

Todos nós, autores do estudo, integramos redes científicas como o INCT-SinBiAm, o CAPACREAM, e a Rede Amazônia Oriental (AmOr), iniciativas que integram diferentes projetos, instituições e setores da sociedade para a produção e integração de dados, formação de pesquisadores e geração de conhecimentos para informar a recuperação e conservação da Amazônia.

Essas redes são fundamentais para transformar desafios logísticos e científicos em oportunidades de cooperação, permitindo que diferentes instituições, pesquisadores e comunidades atuem de forma integrada em uma região marcada por grandes distâncias e limitações de acesso. Sem parcerias locais, é impossível avançar de forma ética e eficiente na Amazônia.

Ao evidenciar onde estão as maiores lacunas de conhecimento da biodiversidade de moscas decompositoras, o estudo oferece subsídios fundamentais para orientar futuras pesquisas, políticas públicas e estratégias de conservação. Afinal, conhecer essa biodiversidade — inclusive os seus organismos menos visíveis e negligenciados, mas ecologicamente indispensáveis, como os insetos — é um passo fundamental para proteger a floresta e as populações que dependem dela.

Autores

Bruna Façanha, Pesquisadora, Universidade Federal do Pará (UFPA)Filipe Machado França, UKRI Future Leaders Fellow / SeniorLecturer, University of BristolJose Roberto Sousa, Professor do Departamento de Zootecnia, Universidade Estadual do MaranhãoLeandro Juen, Professor Associado III de Ciências Biológicas, Universidade Federal do Pará (UFPA)Maria C. Esposito, Professora Titular, Universidade Federal do Pará (UFPA)Raquel Carvalho, Professora do Departamento de Zoologia, Universidade de São Paulo (USP) e Rony Almeida, Professor do Departamento de Biociências, Universidade Federal de Sergipe

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation sob a licença Creative Commons. Leia o original AQUI

The Conversation

Pesquisa com biocarvão impulsiona cultivo de melancia em comunidade indígena de Roraima

Técnica com biocarvão impulsionou o plantio de melancia, gerando frutos doces de seis a oito quilos, vendidos no mercado local. Foto: Wéllida Campos/Rede Amazônica RR

O uso de biocarvão tem ajudado a comunidade indígena Mauixi, a 80 quilômetros de Boa Vista (RR), a superar os desafios do solo do lavrado e a gerar renda. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a prática impulsiona o cultivo de melancia na região e já apresentou resultados positivos.

O primeiro plantio ocorreu em uma área de 3 mil metros quadrados e chama a atenção pelo tamanho e qualidade dos frutos. As melancias pesam entre seis e oito quilos, são doces e já começam a ser vendidas no mercado local.

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A iniciativa surgiu do desejo dos moradores de fortalecer a produção agrícola na própria comunidade, como explica o tuxaua Alexandre da Silva.

“A gente tinha um interesse de cultivar a melancia na comunidade da região e a gente não tinha oportunidade e aí veio a oportunidade junto com a universidade. Fizemos uma assembleia e ele contou do projeto na teoria e tive uma curiosidade de colocar em prática”, relatou o líder indígena.

A partir desse contato, o Centro de Ciências Agrárias da UFRR passou a acompanhar as etapas do processo, desde a análise do solo até o plantio.

Biocarvão e os desafios do solo do lavrado

O lavrado, ecossistema predominante em Roraima, tem características naturais que dificultam a agricultura. O professor e agrônomo responsável pela pesquisa, Valdinar Melo, explicou que a análise confirmou a baixa fertilidade da área.

“Os solos em Roraima têm, por natureza, baixa fertilidade. São ácidos e têm teores de fósforo e cálcio muito baixos. Percebemos que esse produto [biocarvão] é muito rico nesses nutrientes. Fizemos a análise do solo, comprovamos a necessidade e instalamos o experimento”, esclareceu Valdinar.

Leia também: Conheça as vegetações não florestais do bioma Amazônia

biocarvao melancia
Foto: Luiz de Matos/Rede Amazônica RR

Para contornar o problema, os pesquisadores usaram o biocarvão. Ele é feito a partir da queima controlada de galhos, espinhas de peixe, caroços de açaí e outros restos orgânicos.

O adubo é colocado direto na cova na hora do plantio. Além da melancia, a técnica já foi testada e teve sucesso no cultivo de milho.

Com a colheita considerada satisfatória, a Comunidade Mauixi agora negocia a venda da produção e avalia a possibilidade de ampliar o plantio nas próximas safras. Para os moradores, mais do que uma experiência agrícola, o projeto representa um passo importante rumo à autonomia e à segurança alimentar no lavrado roraimense.

*Por Wéllida Campos, da Rede Amazônica RR

Encontrada em casa, mas de volta à floresta: conheça a cobra caninana

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Foto: Reprodução/Youtube-Ticksman

Anfíbios, répteis, mamíferos, vários animais aparecem constantemente nas áreas urbanas aqui do Norte do Brasil. E, claro, dentro dos répteis temos as cobras, que está entre os animais mais comuns que vão aparecendo nessa região. Nós vamos ter de jiboias, sucuris, cobras d’água, cobras venenosas e até mesmo a caninana. Esta última é o destaque desta coluna.

Com a presença do biólogo, pesquisador e doutor em Herpetologia, Saymon de Albuquerque, devolvemos uma cobra caninana (Spilotes pullatus), linda e saudável, que havia aparecido em uma residência, foi resgatada com segurança e agora está voltando para o seu habitat natural.

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Como achamos a caninana?

Quando a população aciona, geralmente no final de semana, bombeiro, Ibama, polícia ambiental, às vezes não tem um carro de plantão para fazer o resgate. E para não matar o animal, às vezes a população acaba chamando algum biólogo. Como eu trabalho com pesquisa e tenho autorização do Ibama para fazer captura e manejo desses animais, eu vou até o local, faço essa contenção, verifico se o animal está bem de saúde.

E dessa vez foi uma caninana de mais ou menos dois metros e meio, que foi devolvida em uma área de floresta próxima à capital de Rondônia, Porto Velho. Ele é uma cobra não peçonhenta, mas é agressiva e rápida.

Leia também: Caninana, a cobra mais rápida do Brasil

cobra caninana
Foto: Leandro Avelar

Nas cores amarelo e preto, ela se destaca facilmente por onde passa e é uma serpente semi-arborícola, ou seja, pode ser encontrada tanto no solo quanto nas árvores e pode se alimentar de roedores, de pássaros e de uma diversidade bem grande de outros vertebrados.

Para preservá-la a orientação é que não matem caso encontrem essas cobras porque elas são importantes, uma vez que se alimentam de animais que transmitem doenças para o ser humano.

Durante o manejo, observamos que ela estava com carrapatos e aproveitamos para conversar sobre:

  • 🐍 A biologia da caninana
  • ⚠️ Os cuidados necessários no manejo
  • 🌿 A importância das serpentes para o equilíbrio da natureza

Cobras não são vilãs! Assista:

Leia também: Por pouco! Encontrei uma jararaca na trilha e quase sofri um acidente

Sobre o autor

Ticksman é o Flávio Aparecido Terassini, biólogo, professor universitário desde 2006, mestre em Ciências pela USP e doutorando pelo Bionorte.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Chuvas aumentam doenças em pets no Norte; especialista alerta para riscos

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Foto: Divulgação/Afya

Com o período chuvoso na região Norte, aumenta a incidência de doenças que afetam cães e gatos, especialmente aquelas relacionadas à umidade, ao calor intenso e à maior circulação de parasitas. Segundo o coordenador do curso de Medicina Veterinária da Afya Ji-Paraná, em Rondônia, professor Bruno Porto de Lima, o clima cria condições ideais para o agravamento de enfermidades dermatológicas, respiratórias e parasitárias.

“As chuvas intensificam problemas como dermatites, proliferação de carrapatos e quadros respiratórios como a Tosse dos Canis (traqueobronquite infecciosa canina). A umidade favorece fungos e bactérias, e os tutores precisam redobrar a atenção”, explica o docente.

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Doenças mais comuns no período de chuvas

De acordo com o professor, as enfermidades que mais acometem pets nesta época são:

  • Tosse dos canis
  • Dermatites úmidas e outras infecções de pele agravadas pela umidade
  • Doenças transmitidas por carrapatos, como erliquiose e babesiose

Entre os principais sinais de alerta estão coceiras persistentes, feridas que não cicatrizam, presença de carrapatos e mudanças no comportamento. “Se o tutor percebe que o animal está apático, recusando alimento ou apresentando feridas úmidas que se ampliam, é fundamental procurar atendimento rapidamente”, orienta.

A falta de prevenção aumenta a vulnerabilidade dos animais durante o período chuvoso. A vacinação contra tosse dos canis é especialmente importante nesse período.

“A vacina é uma aliada fundamental, sobretudo porque muitas doenças dessa época têm origem viral ou são facilmente transmissíveis”, reforça Bruno.

Além disso, cuidados simples fazem diferença na rotina:

  • Manter o ambiente limpo e seco
  • Fornecer ração de qualidade
  • Evitar que o animal durma em locais frios ou úmidos
  • Higienizar o espaço regularmente
  • Doenças zoonóticas também crescem

A combinação de chuvas e alagamentos aumenta a circulação de agentes infecciosos, como a leptospirose, transmitida por urina de ratos em áreas inundadas. A população deve evitar o contato com água contaminada e proteger feridas expostas.

“Em regiões alagadas, o risco de transmissão é maior. O ideal é evitar essas áreas e manter a imunidade dos animais e das pessoas sempre em dia”, alerta.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a esporotricose?

doenças em pets
Foto: Reprodução/Pixabay

Quando procurar atendimento veterinário?

A recomendação é buscar ajuda imediatamente quando o animal apresentar:

  • Apatia, recusa alimentar ou fraqueza
  • Feridas que aumentam de tamanho ou não cicatrizam
  • Sinais de parasitas, especialmente carrapatos
  • Dificuldade respiratória ou tosse persistente

A Clínica Escola de Medicina Veterinária da Afya Ji-Paraná disponibiliza uma estrutura completa para cuidados preventivos e curativos, com serviços gratuitos para tutores cadastrados no CadÚnico, como: consultas clínicas, castrações de cães e gatos e cirurgias eletivas.

Horários e agendamento

  • Segunda a sexta-feira, das 14h às 18h
  • Agendamento presencial no mesmo horário
  • Moradores do 2º distrito podem buscar encaminhamento pela SEMPBA
  • Atendimento via WhatsApp: (69) 99920-3700

Documentos necessários: RG/CPF, comprovante de residência e comprovante atualizado do CadÚnico.

Saiba quais capitais da Amazônia possuem mais ciclovias e ciclofaixas

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Foto: Reprodução/Aliança Bike

Nas capitais da Amazônia Legal, a infraestrutura cicloviária, estruturas criadas para garantir mais segurança e conforto de ciclistas e de quem utiliza outros meios de mobilidade individual em vias urbanas, avança de forma lenta.

De acordo com dados da Associação Brasileiras do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), levantados a partir da extração e análise de dados geoespaciais atualizados do Open Street Map, entre julho de 2024 e julho de 2025, a presença de ciclovias e ciclofaixas na região ainda é pequena em comparação com outras capitais brasileiras. 

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Segundo o levantamento, somando 150,58 quilômetros de vias destinadas aos ciclistas, Belém (PA) é a única cidade da região que aparece entre as dez melhores do país em extensão de ciclovias e ciclofaixas. O número coloca a capital paraense na 8ª posição do ranking nacional e como a mais bem colocada entre as capitais amazônicas.

Além dos quilômetros totais, a capital paraense também está entre as cidades com melhor proporção de ciclovias em relação à malha viária, com 4,89% de ruas com estrutura cicloviária acima da média nacional. 

Leia também: #Série – Atividades ao ar livre: 7 lugares para fazer atividade física em Belém

capitais com mais ciclovias e ciclofaixas
Ciclovia em Belém. Foto: Reprodução/Prefeitura de Belém

Com cerca de 93 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, a cidade de Palmas (TO) é outro destaque em relação à malha viária, possuindo um dos maiores índices por habitante do país: 30,72 quilômetros para cada 100 mil moradores. 

Na sequência, aparecem Rio Branco (AC), com 74,5 km; Cuiabá (MT), com 69,40 km; e Boa Vista (RR), com 47,55 km, que apesar dos números, ainda se encontram abaixo da média nacional, de 158 quilômetros de malha cicloviária por capital.

Embora não estejam entre as primeiras posições do ranking nacional, essas cidades superam outras capitais amazônicas e apresentam redes mais consolidadas. 

Piores índices 

As cidades de Macapá (AP), Manaus (AM) e Porto Velho (RO) possuem os menores índices:

  • Manaus soma 28,1 quilômetros;
  • Macapá soma 18 km;
  • e Porto Velho 22,37 km.

Além disso, Manaus e Porto Velho têm menos de 0,5% das ruas com infraestrutura voltada para bicicletas, um dos menores percentuais entre todas as capitais brasileiras. 

Crescimento lento

De acordo com o estudo da Aliança Bike, houve aumento de cerca de 5% na extensão das ciclovias nas capitais brasileiras em um ano, mas o ritmo de expansão ainda é insuficiente para provocar mudanças significativas na mobilidade urbana. 

Leia também: Veículo sustentável: o incentivo ao uso da bicicleta nas cidades da Amazônia

Ciclovia Boulevard, em Manaus. Foto: Divulgação/Implurb

Atualmente, as ciclovias representam apenas 2,77% de toda a malha viária das capitais, o que evidencia o desafio de ampliar o uso da bicicleta como meio de transporte. 

Desafio para a mobilidade

Os dados mostram que, embora haja avanços pontuais, as capitais amazônicas ainda precisam investir na ampliação e integração das redes cicloviárias.

A expansão desse tipo de infraestrutura é estratégica para melhorar a mobilidade urbana, reduzir a emissão de poluentes e garantir mais segurança para ciclistas.

Diferenças entre ciclovias e ciclofaixas

A sinalização cicloviária tem a função de organizar a circulação, dar prioridade aos ciclistas e prever espaços como rotas específicas e locais de estacionamento.

De acordo com o Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, a ciclovia é uma pista exclusiva para bicicletas e outros ciclos, totalmente separada do tráfego de veículos por elementos físicos, como canteiros, blocos de concreto, grades ou até diferença de nível em relação à pista.

Já a ciclofaixa é uma faixa destinada ao uso exclusivo de ciclistas dentro da própria pista, sendo delimitada apenas por pintura no asfalto e por dispositivos de sinalização, como tachões, balizadores e placas.

Em ambas as estruturas podem circular bicicletas, bicicletas elétricas, ciclos e equipamentos de mobilidade individual.

A principal diferença entre elas está no nível de separação em relação aos carros e motos, já que enquanto a ciclovia oferece isolamento físico e maior proteção, a ciclofaixa compartilha o espaço da via, contando com a sinalização para garantir a prioridade dos ciclistas.

Três em cada 10 quilos de açaí na Amazônia Legal são de extrativistas sem acesso à eletricidade, aponta IEMA

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Açaí é fonte de renda para os amazônidas. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica AM

Segundo dados divulgados pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), cerca de 30% do açaí produzido na Amazônia Legal têm origem em estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica de fornecimento público. Nos casos do óleo de copaíba, da carnaúba e da fibra de piaçava, o volume anual extraído nessas condições supera os 80%.

Na crescente sociobioeconomia da região, as unidades de produção não eletrificadas são uma ampla maioria em Roraima (74%) e no Amazonas (66%), e representam quase a metade do total contabilizado no Pará (45%), que detém a liderança em números absolutos.

O resultado é um modelo de produção ineficiente, de acordo com o IEMA, em que refrigeradores para estoques perecíveis são uma impossibilidade prática e as frutas têm de ser vendidas in natura por falta de máquinas para extração de sua polpa. Sem margem de manobra, quem produz fica à mercê dos atravessadores.

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Muito além do açaí

Os números e as consequências deste cenário de exclusão elétrica constam de um mapeamento produzido pelo IEMA, a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre 49 produtos do extrativismo vegetal amazônico. 

O trabalho, que resultou em um relatório lançado no final de 2025, agora está disponível para consulta por meio do site interativo ‘Plataforma Mapeamento da Sociobioeconomia’.

“O diferencial da ferramenta é a possibilidade de obter e correlacionar dados em um nível de detalhamento que antes não era possível”, diz o pesquisador Fabio Galdino dos Santos, um dos coordenadores da iniciativa.

alguns extrativistas não possuem energia elétrica para extrair açaí
Foto: Rafael Rocha/Embrapa

“O que está na plataforma e não está no relatório é justamente esse nível bem desagregado da informação. O que o relatório resume e agrega, a plataforma distribui”, explica.

O volume de informações é expressivo. A partir de uma combinação de filtros, pode-se extrair dados sobre a produção extrativista em cada distrito dos mais de 770 municípios da Amazônia Legal, bem como seu nível de acesso à infraestrutura elétrica. E isso para qualquer um dos 49 produtos monitorados.

Distritos da Amazônia com problemas de energia elétrica

É possível constatar, por exemplo, que o distrito de São Felipe, o maior do município de São Gabriel da Cachoeira (AM), tem a maior parte de sua produção de açaí (81%) e bacabá (75%) oriundas de estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica. Os dados podem ser depois exportados para aplicativos de planilhas.

Santos conta que os dados segmentados por subdistritos não eram disponibilizados para consulta ao público geral pelo IBGE. “Tivemos que formalizar uma solicitação especial para conseguir mensurar o extrativismo vegetal na Amazônia até esse nível de detalhe, o que é algo inédito”, diz.

Açaí tornou-se fruto nacional. Foto: Divulgação

Outro recurso são as camadas de informações geográficas que podem ser incorporadas ao mapa, como a localização de linhas de transmissão de energia, hidrovias, rodovias e ferrovias federais próximas aos principais pólos de produção.

Para o pesquisador Vinícius Oliveira da Silva, também coordenador da iniciativa, o relatório e a plataforma buscam não apenas disponibilizar informações, mas também contribuir para a eficiência das políticas públicas de universalização do acesso à energia.  

“A grande fronteira do acesso à energia está na Amazônia, mas historicamente existe uma deficiência do Estado em saber onde estão, quem são e o que produzem essas pessoas hoje excluídas. Nosso trabalho busca suprir esta lacuna.”

Segundo ele, as distâncias e a diversidade do contexto amazônico exigem soluções adaptadas à essas diferentes realidades.

“Não basta a política existir. Ela precisa ser baseada em dados reais do território e executada com respeito às particularidades culturais e locais para que realmente promova o desenvolvimento e a qualidade de vida dos povos e comunidades que vivem e mantêm a floresta em pé”.

*Com informações do Instituto de Energia e Meio Ambiente

Amazon Sat transmite duelo entre RPE Parintins x Princesa do Solimões pelo Barezão 2026

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Foto: Mateus Moreira/Acervo FAF

O canal Amazon Sat transmite, nesta quarta-feira (04/03), o confronto entre RPE Parintins e Princesa do Solimões, válido pelo playoff das quartas de final do segundo turno do Campeonato Amazonense Sicredi 2026, o Barezão. A partida será realizada às 15h30, no estádio Francisco Garcia, no Rio Preto da Eva (AM), e vale vaga na semifinal da competição.

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O RPE Parintins, que terminou a fase de grupos na segunda colocação do grupo A, entra em campo com a vantagem do empate, além do mando de campo. Já a equipe do Princesa do Solimões, que terminou em terceiro colocado do grupo B, precisa vencer para seguir na disputa.

Leia também: Barezão: sete curiosidades sobre o Campeonato Amazonense de Futebol

Quem vencer o duelo vai encarar a equipe do Manaus FC, que ficou em primeiro no grupo A e avançou direto, na semifinal do returno do campeonato. 

Amazon Sat transmite duelo entre RPE Parintins e Princesa do Solimões
Estádio Francisco Garcia. Foto: André Tobias/ Amazonas FC

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Transmissão no Amazon Sat 

A cobertura do Amazon Sat contará com a narração de Silva Júnior, comentários de Dudu Monteiro de Paula e reportagens de Dayson Valente.

O supervisor multimídia do Amazon Sat, Victor Costa, destacou o momento vivido pela emissora com o retorno das transmissões esportivas.

“Eu estou muito feliz de fazer parte deste momento em que a transmissão de eventos esportivos começa a retornar ao Amazon Sat, principalmente tendo ao nosso lado um dos grandes nomes do jornalismo esportivo aqui da região, o Dudu Monteiro de Paula. Toda a equipe do Amazon Sat e da Rede Amazônica está mobilizada para fazer a melhor transmissão possível e tenho certeza de que este é só o início de uma nova fase do Amazon Sat participando não só do Barezão, como também de outros campeonatos da região Norte”, declarou.

Com um clima de decisão, a expectativa é de um confronto intenso na briga por uma vaga na semifinal do segundo turno do Barezão 2026.

Foto: Chicão Marques/RPE Parintins

Canais

O duelo será transmitido em todos os cinco estados que o Amazon Sat abrange, nos seguintes canais: 

Manaus/AM: 44.1
Porto Velho/RO: 22.1
Rio Branco/AC: 31.1
Macapá/AP: 29.1
Boa Vista/RR: 23.1
Parintins/AM: 46.1

A transmissão também acontece online no Amazon Sat e no portalamazonia.com.