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Região Norte sai de seca histórica para enchentes em menos de 6 meses

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Rodovia 425, em Rondônia, coberta por água. Foto: Reprodução/Governo de Rondônia

Em menos de 6 meses, o rio Madeira saiu do menor nível da história, quando chegou a 19 centímetros de profundidade em Porto Velho (RO), em outubro do ano passado, e subiu para 16,67 metros no dia 4 de abril. A mudança brusca de cenário, que já afeta quase 9 mil pessoas, é resultado do Inverno Amazônico, quando as chuvas se intensificam em toda a região Norte.

Mas o que é o Inverno Amazônico? É mais ou menos quando começa o verão no Hemisfério Sul, no final do ano, que as chuvas ganham força na região Norte – e duram até maio. O fenômeno é causado pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), uma faixa de nuvens que se forma na região equatorial do planeta a partir dos ventos alísios, que sopram dos hemisférios Norte e Sul. Quanto mais intenso for esse sistema meteorológico, maior é o volume de chuva.

É comum que os rios da região enfrentem cheias durante esse período, já que a quantidade de chuva que cai nas bacias é o que determina o quanto o rio vai subir ou descer. O que tem preocupado os especialistas, no entanto, é que essas oscilações vêm se tornando cada vez mais extremas e frequentes.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funcionam os processos de enchente e vazante dos rios?

“Essas variações extremas, embora já tenham ocorrido no passado, sugerem uma aceleração do ciclo hidrológico na região”, aponta o engenheiro hidrólogo do Serviço Geológico do Brasil, Marcos Suassuna.

Além do rio Madeira, o rio Machado também teve o cenário alterado em poucos meses, saindo do menor nível já registrado, 6,04 metros, para 11,34 metros entre o final de 2024 e o início de 2025. A maior marca já registrada no rio Machado foi 18,85 metros, em 2019. Em Santa Luzia D’Oeste (RO), as aulas foram suspensas por tempo indeterminado porque os alunos da zona rural não conseguem chegar na escola.

Cenário crítico

O cenário também é crítico em outros estados da Amazônia. Na capital do Acre, em Rio Branco, o Parque de Exposições Wildy Viana virou abrigo para famílias que tiveram que deixar suas casas por causa da cheia do rio Acre, que transbordou no início de março ao atingir 14 metros e afetou mais de 31 mil pessoas. O nível do rio começou a baixar na última semana, e as primeiras famílias já começaram a voltar paras suas casas.

Cheia do Rio Purus alaga casas em Boca do Acre. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

No Pará, o rio Xingu também transbordou, levando o governo federal a reconhecer situação de emergência na cidade de São Félix do Xingu. A chuva também fez transbordar os rios Tocantins e Itacaiúnas, deixando comunidades isoladas nas cidades de Marabá e Oeiras do Pará.

Já no Amazonas, cinco rios atingiram níveis acima dos registrados no mesmo período do ano passado, deixando em alerta 23 dos 62 municípios do estado. Apesar dos alagamentos, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) prevê que as cheias não vão atingir marcas históricas neste ano.

Famílias ribeirinhas na gangorra dos rios

Quem vive às margens dos rios na Amazônia e depende deles para sobreviver percebe com mais intensidade as mudanças bruscas no sobe-e-desce do nível das águas. Mesmo acostumados com os períodos de seca e de cheia, os ribeirinhos dizem que os reflexos têm mais fortes.

Emanuele Rodrigues, moradora de São Félix do Xingu, no Pará, contou que a inundação deixou muitas famílias isoladas, que precisaram de barcos para conseguir sair das áreas alagadas.

“Algumas pessoas estão mais isoladas, sem conseguir sair da comunidade. Mas com ajuda de canoas, jangadas improvisadas, as pessoas saem para ir atrás de mantimentos”, disse Emanuele.

Leia Garcia contou que os alagamentos estão prejudicando os estudos dos filhos. “Na maioria das vezes, eles faltam [às aulas] por conta da chuva. É bem difícil o acesso devido aos buracos e lama”.

Uma situação bem diferente da que enfrentou Maria de Fátima, moradora da comunidade Terra Firme, em Porto Velho, quando o rio Madeira secou no ano passado.

“Nós passamos por uma situação difícil, principalmente por questões da falta de peixes para quem vive do extrativismo da pesca, nossa produção não se desenvolveu. Agora, muitos ribeirinhos estão passando dificuldades porque estão vendo sua produção se perdendo nas águas do rio”, relatou.

De acordo com a Defesa Civil Municipal de Porto Velho, 29 comunidades são diretamente afetadas pela cheia do rio Madeira. Além disso, outras 36 comunidades estão em alerta. Na BR-425, já não é possível mais distinguir asfalto do rio.

Além dos impactos sociais, essa oscilação dos rios amazônicos causa sérios impactos ambientais, especialmente para as comunidades ribeirinhas.

“As cheias repentinas podem causar dificuldades de navegação, prejuízos à agricultura, problemas de saneamento e o aumento de ‘terras caídas’, eventos com grande potencial destrutivo. Além disso, há um risco elevado de incêndios florestais, que também impactam as comunidades locais”, explicou o engenheiro hidrólogo do Serviço Geológico do Brasil, Marcus Suassuna.

Leia também: ‘Barrancas de terras caídas’: conheça o processo de erosão que acontece nas margens dos rios da Amazônia

Reflexos da ação humana

A região Norte do Brasil não tem estações do ano como no restante do país. Existem apenas dois períodos: chuvas e cheias (inverno amazônico) e estiagem e secas (verão amazônico). Roraima é diferente porque está no hemisfério norte e tem um comportamento oposto ao restante da região.

José Abreu Sousa, meteorologista do Inmet na região Norte, afirmou que os rios da Amazônia, como o rio Madeira, o rio Purus e o rio Solimões são influenciados diretamente pela chuva na bacia amazônica. A quantidade de chuva define a intensidade das cheias e secas, mas eventos climáticos nos oceanos também influenciam as grandes secas e cheias.

“As secas registradas nos anos anteriores podem ser relacionas aos eventos de aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico (evento El Niño), porém no final de 2024 e início de 2025 surgiu um evento de águas mais frias (La Niña) que favoreceu a formação de nuvens e chuvas em nossa região, elevando rapidamente os níveis de grandes rios”, disse Renato Senna.

Além dos fenômenos naturais, a ação humana também afeta as mudanças climáticas, tornando o clima mais instável e imprevisível, segundo a etnoclimatologista Alba Rodrigues.

“A ação humana no ambiente natural gera impactos ambientais, alguns irreversíveis. As queimadas na Amazônia, em 2024, nos alerta para uma questão muito séria, que é a alteração na capacidade da floresta em pé de captar emissões de carbono, e que isso já se modificou. É alarmante, pois está emitindo mais gases de efeito estufa do que pode absorver”, alertou.

Leia também: 2025 inicia com registro de aumento de 68% no desmatamento da Amazônia

Segundo a especialista, o desmatamento é um fator que influencia diretamente nas mudanças no regime de chuvas da região Norte.

“A floresta, além de ser geradora de umidade e micro partículas de água, que forma as nuvens para precipitação em chuvas, também tem o papel de reguladora do sistema e regime das águas”, disse Alba Rodrigues.

Quando esse sistema está desregulado, quem sofre com o vaivém das águas é a população. “Se a água não baixar, nós vamos continuar na casa dos outros. O risco é perder tudo na nossa casa”, lamentou o carpinteiro Raimundo Freitas do Nascimento.

*Por Jaíne Quele Cruz, Agaminon Sales e Cau Rodrigues, da Rede Amazônica RO

Seminário discute regionalização do turismo em Roraima

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Foto: Reprodução/Secult RR

A Secretaria de Cultura e Turismo de Roraima (Secult) realiza o Seminário Estadual de Turismo Regional, nos dias 7 e 8 de abril, como parte do Programa de Regionalização do Turismo promovido pelo Ministério do Turismo. O evento acontece no Auditório do Sesclin, localizado na Avenida Major Williams, 2084, bairro São Francisco.

Com a participação de gestores das três regiões turísticas de Roraima, o seminário visa promover um diálogo sobre o desenvolvimento sustentável do turismo no estado e discutir estratégias para garantir a inclusão e permanência dos municípios locais no Mapa do Turismo Brasileiro.

O Mapa do Turismo Brasileiro é uma ferramenta importante que reúne municípios com potencial turístico e aqueles impactados pelo setor. Ele serve como um instrumento de ordenamento e apoia a formulação de políticas públicas voltadas ao turismo, tanto pelo Governo Federal quanto pelos Estados.

Foto: Reprodução/Secult RR

Atualizado a cada dois anos, o Mapa é composto por municípios indicados pelos órgãos estaduais de turismo, conforme critérios definidos por lei. Os municípios podem se inscrever a qualquer momento, desde que atendam aos requisitos estabelecidos. Essa categorização é essencial para avaliar o desempenho econômico do setor em diferentes localidades, com base em uma análise de cluster que utiliza cinco variáveis.

Na abertura do evento, será apresentada uma performance do Grupo Teatral de Mucajaí, além de palestras sobre a atualização do Plano Estadual de Turismo, conduzidas pelo Interlocutor Estadual do Programa de Regionalização do Turismo de Roraima e representantes do Ministério do Turismo, com temas a serem definidos. À tarde, haverá uma reunião com a equipe técnica da Secult para alinhar os detalhes de uma oficina a ser realizada no dia 8.

O segundo dia será dedicado a um escritório prático focado na elaboração de documentos e na apresentação das plataformas e procedimentos para o cadastro de municípios e regiões turísticas no Mapa. À tarde, serão oferecidos atendimentos técnicos individualizados, com orientações sobre o processo de cadastro no Sismapa.

De acordo com Bruno Muniz de Brito, diretor do Departamento de Turismo, o evento contará com a presença de uma equipe do Ministério do Turismo, que está realizando uma itinerância por todos os estados desde 2025 para compartilhar informações essenciais sobre o programa com os gestores municipais.

“O seminário reunirá gestores municipais de turismo que assumiram suas funções em 2024, com o objetivo de unir esforços com o Governo de Roraima para implementar políticas que promovam o turismo municipal e impulsionem o desenvolvimento a partir das vocações locais”, destacou Bruno.

*Com informações do Governo de Roraima

Suco de cacau é um anti-inflamatório natural que combate o envelhecimento precoce

Foto: Irene Mendes/Secom RO

Que o cacau é um fruto muito popular entre os brasileiros por causa do chocolate, todo mundo já sabe. Mas você sabia que, além do doce delicioso, essa iguaria também pode ser aproveitada de outras formas? Uma delas é o suco de cacau.

Leia também: Origem amazônica do cacau é comprovada por meio de DNA e revela forte rede de comércio pré-colombiana

Rico em antioxidantes, bebida feita com fruto típico da Amazônia fortalece o sistema imunológico e pode ajudar a prevenir o envelhecimento precoce.

Nativo da região amazônica, o cacau é uma fonte natural de compostos antioxidantes e anti-inflamatórios. O Grupo Rede Amazônica conversou com o nutricionista Roberto Rocha, especialista em emagrecimento e reeducação alimentar, que explicou por que essa bebida pode ser uma aliada da saúde no dia a dia.

“O fruto é rico em antioxidantes, flavonoides e nutrientes essenciais. Podemos incorporá-lo na dieta, preferencialmente sem adição excessiva de açúcares. É uma estratégia saborosa e natural para cuidar da saúde”, afirma o especialista.

Veja alguns dos principais benefícios do suco de cacau:

Ação antioxidante e anti-inflamatória:

Os flavonoides presentes no cacau combatem os radicais livres e ajudam a reduzir o estresse oxidativo e processos inflamatórios. Esses mecanismos são fundamentais na prevenção do envelhecimento precoce e de doenças crônicas.

Proteção cardiovascular

Os compostos bioativos do cacau contribuem para uma melhor circulação sanguínea e estimulam a produção de óxido nítrico — substância que dilata os vasos sanguíneos e reduz o risco de formação de coágulos. Isso favorece a saúde do coração.

Benefícios para o cérebro

Segundo o nutricionista, os flavonoides também têm impacto positivo no fluxo sanguíneo cerebral, o que pode melhorar funções cognitivas como atenção, memória e raciocínio.

Como preparar o suco de cacau?

O suco é feito a partir da polpa do cacau fresco, que envolve as sementes (amêndoas) da fruta. Veja o passo a passo:

Ingredientes:

Amêndoas (sementes frescas do cacau com polpa)
Água
Açúcar ou adoçante natural (opcional)

Modo de preparo:

Abra o cacau e retire as sementes com a polpa.
Bata no liquidificador com água.
Adoce, se desejar, com açúcar ou adoçante natural.
Coe antes de servir.

Pronto! A bebida é refrescante, nutritiva e uma alternativa saudável para quem busca mais equilíbrio na alimentação.

*Por Gabriely Tavares, da Rede Amazônica RO

Miranda Corrêa: uma história que marcou época

Da esquerda para a direita: governador Ephigênio Salles e primeira dama senhora Alice no casamento de sua filha Arlete de Miranda Corrêa, oficializado por Dom Basílio e seu monsenhor-secretário Oliveira. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Hoje, indagando a esquina das lembranças da minha cidade, voltei a pensar na fábrica de cerveja lá no final do antigo Bairro dos Tocos, hoje Aparecida, em Manaus. Imagina com seria tomar um suco de fruta tropical sem que a água estivesse gelada. Pois era exatamente assim que nós amazonenses tomávamos sucos.

Tudo mudou a partir do surgimento fábrica de Gelo Cristal em 1903, que trouxe não somente a novidade do gelo para os amazonenses como também inaugurou um período de prosperidade econômica para a região através do pioneirismo da Família Miranda Corrêa. Os ventos sopravam favoráveis para aquela família que imigrava do vizinho Estado do Pará, mais precisamente de Santarém, e assim era dado o pontapé inicial para que o Amazonas entrassem no circuito da era industrial.

Altino Flávio de Miranda Corrêa. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Essas e outras tantas curiosidades históricas fazem parte do meu livro ‘Miranda Corrêa – Histórias e Memórias‘, uma história que não se perdeu no tempo. A família Miranda Corrêa que participou do processo de desenvolvimento socioeconômico de Manaus com a implantação da indústria no Amazonas, logo amplia seus negócios com a fábrica de cerveja. Esta importante família de empresários oriunda de Santarém, transferiu-se para Manaus com seu clã.

A empresa Miranda Corrêa & Cia iniciou seu empreendimento com 1600 contos de reis, naturalmente uma importância expressiva na época, com a inauguração da fábrica de Gelo Cristal e logo em seguida a Cervejaria Miranda Corrêa, inaugurada em 1910. Além da primeira fábrica de gelo no Amazonas, a família Miranda Corrêa abre a primeira fábrica de cerveja no Norte do país, a famosa XPTO, cuja produção abastecia nos navios estrangeiros que aportavam em Manaus com retorno para Europa.

A família Miranda Corrêa é tradicionalmente uma família ilustre do Pará. Foram seus irmãos os engenheiros Antônio Miranda Corrêa e Altino Corrêa da Costa Miranda, todos industriais progressistas que deram muitas provas em sua terra natal e no Amazonas. Tiveram sérios problemas depois das duas grandes guerras mundiais, pois financeiramente se abateram.

Deoclécio C. de Miranda Corrêa. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Formada de intelectuais, a família viveu um período importante da vida econômica da cidade de Manaus. Acostumados ao luxo e à pompa, dos bem-sucedidos empresários do início do século em nossa cidade, eram atração da intelectualidade da cidade, vivendo em seu belo palacete na esquina da Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua Monsenhor Coutinho.

Aficionados por sarau, festas de Carnaval, os Miranda Corrêa promoveram verdadeiros desfiles de carros alegóricos quando este evento era realizado na Avenida Eduardo Ribeiro, fato este que não passava despercebido da população manauara que se aglomerava nas calçadas da avenida ou nas esquinas para observar a folia do momo.

Outro fato interessante era o estudo e o interesse do empresário Luiz Maximino de Miranda Corrêa na pesquisa da cultura e reprodução do bicho-da-seda que poderia proporcionar a criação de uma indústria de tecido o que possibilitaria forte elevação da economia do estado.

Antonino C. de Miranda Corrêa. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Maximino Corrêa deixou escrito o seu artigo ‘A Cultura do Bicho da Seda no Amazonas’, cujo trabalho comprova por argumentação científica a produção do bicho-da-seda mostrando o desenvolvimento das árvores de amora e o desenvolvimento do bicho-da-seda, pois nosso clima era extremamente favorável.

Maximino de Miranda Corrêa era um homem de larga visão econômica, tendo tentado inclusive estabelecer em terras nas proximidades de Manaus uma usina de açúcar, pois o produto faltava com frequência. Precisava de um empréstimo relativamente pequeno, fornecido pelo governo do estado, sob a responsabilidade de pagamento da Cervejaria Miranda Corrêa, cujo prédio valia a época pelo menos cinquenta vezes mais que o empréstimo solicitado.

Referente a este assunto, o Procurador-Geral do Estado, Dr. Marcionilo Lessa, foi quem deu parecer que o erário somente deveria ser atendido no caso do estado reservar o direito de regular a tabela de preço do açúcar. Diante do exposto, a família Miranda Corrêa desistiu do empréstimo.

Luiz Maximino era um visionário, tinha sua formação como engenheiro e possuía uma variada cultura, inclusive o domínio das artes. Apesar de um tanto atingido pela surdez, tocava excelentemente bem piano interpretando os grandes clássicos. Entre os grandes serviços prestados ao Amazonas, pois o mesmo era generoso, destaca-se o acabamento das obras do Grupo Escolar Ribeiro da Cunha, quando presidia o Governo do Estado, o Dr. Alfredo Sá, no ano de 1925.

Luiz Maximino de Miranda Corrêa. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

ZPEs poderão destinar ao mercado interno parte do que produzem

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Foto: Reprodução/Porto de Manaus

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Por meio da lei Nº 14184, de 14/07/2021, o governo brasileiro estabeleceu os meios e condições para modernização do marco legal das Zonas de Processamento de Exportação (ZPE), sujeitas a regime jurídico instituído com “a finalidade de desenvolver a cultura exportadora, de fortalecer o balanço de pagamentos e de promover a difusão tecnológica, a redução de desequilíbrios regionais e o desenvolvimento econômico e social do País”. As ZPEs são áreas industriais controladas alfandegariamente, criadas para potencializar as exportações brasileiras.

Conforme a lei 11.508/2007, o Poder Executivo foi autorizado a criar, em regiões menos desenvolvidas, ZPEs com a finalidade de reduzir desequilíbrios regionais, bem como fortalecer o balanço de pagamentos, promover a difusão tecnológica e o desenvolvimento econômico e social do país. Basicamente, a ferramenta constitui atrativos à instalação de empresas voltadas para a produção de bens a serem comercializados worldwide, sendo que as empresas que se instalam em tais espaços têm recebem tratamentos tributário, cambiais e administrativos específicos tendo em vista garantir maior competitividade de seus produtos.

Caracterizam-se como áreas de livre comércio instalações específicas destinadas à instalação de empresas direcionadas à produção de bens e à prestação de serviços vinculados à industrialização das mercadorias destinadas ao mercado externo. Idêntico tratamento fiscal se aplicaria às vendas das ZPEs ao mercado interno, só que de forma mais restrita. As empresas instaladas em ZPEs têm tratamento tributário diferenciado por meio da suspensão de impostos e contribuições federais para bens de capital e insumos e visam atrair investimentos e dinamizar a economia.

A ZPE permite ganhos em logística, redução de custos e prazos aduaneiros. No caso das importações, as mercadorias são transferidas, sob controle aduaneiro, dos portos e aeroportos brasileiros para o interior da ZPE, onde são armazenados em recinto alfandegado e despachadas com agilidade para o consumo das companhias ali instaladas. Quanto às exportações, os bens processados chegam aos portos em regime alfandegado, prontos para o despacho final, reduzindo-se, desta forma, o tempo de espera face à desburocratização das diligências portuárias. Graças ao aumento do emprego, aos estímulos à produção local, à qualificação da força de trabalho e à difusão de tecnologia moderna, as ZPEs configuram instrumentos geradores de benefícios para o renascimento econômico.

Instaladas no Norte e no Nordeste há pelo menos 30 anos, certamente essas áreas, independentemente de inócuos artifícios politicamente populistas, poderiam hoje ter alcançado status de região sócio econômica desenvolvida. As ZPEs, além do mais, proporcionam notável efeito indireto no plano nacional, destacando-se a redução expressiva (no longo prazo até mesmo a reversão) de fluxos migratórios para o Centro-Sul e para a Zona Franca de Manaus (ZFM). A população da capital amazonense explodiu desde 1967, alcançando, segundo o IBGE, 2,27 milhões de habitantes em 2024. Há no Brasil 10 ZPEs: ZPE de Aracruz (ES), ZPE do Açú (RJ), ZPE de Araguaína (TO), ZPE de Bataguassú (MS), ZPE de Cáceres (MT), ZPE de Imbituba (SC), ZPE de Parnaíba (PI), ZPE de Pecém (CE), ZPE de Suape (PE) e a ZPE de Senador Guiomard (AC).

Na Ásia verifica-se uma proliferação extraordinária de Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), uma forma mais avançada e específica de ZPE, do Japão à China, da Índia, Coreia do Sul ao Vietnã. Essas zonas foram criadas para oferecer um ambiente favorável aos negócios, contando com regulamentações comerciais simplificadas e incentivos fiscais. O processo de abertura e operação de empresas nessas áreas é facilitado por meio de políticas de apoio, infraestrutura moderna e conectividade eficiente. Na Índia, por exemplo, em 2024 as ZEEs movimentaram mercadorias exportadas que geraram divisas ao país da ordem de 63 bilhões de dólares.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Ouça os álbuns de 2025 dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido

Fotos: Boi Caprichoso e Arthur Castro/Secom-AM

A temporada bovina amazonense começou e para quem quer se preparar para o Festival Folclórico de Parintins, agora já pode começar aprendendo as toadas dos álbuns de 2025.

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O boi Caprichoso lançou o álbum ‘É Tempo de Retomada‘ no dia 30 de março, em Parintins. A apresentação, marcada por uma estrutura cinematográfica, contou com a participação de diversos grupos e itens da agremiação, como CDC, Troup, Marujada de Guerra, Raça Azul, entre outros. Confira:

Já o boi Garantido lançou o álbum ‘Boi do Povo, Boi do Povão‘ no dia 4 de abril. O bumbá também lançou o clipe oficial do álbum, dirigido por Gandhi Tabosa, membro da Comissão de Artes do Garantido. O vídeo, produzido pela Pixel Films e editado por Augusto Ferreira, reúne participações especiais de Yará Sateré, David Assayag, Batista Silva, Batucada, torcida Comando Garantido, além dos grupos Garantido Show e Gandhicats. Confira:

Fitoterapia: médico descreve prática ancestral de cura com ervas da Amazônia em livro

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Erva Cidreira. Foto: Divulgação

O conhecimento medicinal dos povos da floresta é a base do livro ‘Plantas Medicinais e Fitoterápicos: uma abordagem tradicional em fitoterapia na Amazônia‘, do escritor e clínico geral, doutor Jarbas Ataíde. A obra foi lançada em Macapá (AP) no dia 3 de abril.

O livro valoriza a prática ancestral de buscar tratamentos alternativos com ervas disponíveis na Amazônia. A ideia é entender como as plantas usadas impactam na vida dos pacientes e quais são os benefícios de cada uma delas.

Leia também: Conheça quais plantas são mais utilizadas na fitoterapia e como remédios naturais

O método de tratamento é reconhecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2006. Os profissionais buscam associar os medicamentos naturais aos industrializados já conhecidos no mercado farmacêutico.

O escritor destaca que muitas dessas ervas utilizadas na medicina natural estão disponíveis nos quintais das casas, o que aproxima os pacientes dessa prática de cura.

“O livro é um resgate da fisioterapia tradicional da Amazônia. Ele apresenta uma breve história da fisioterapia clínica e prescrição fitoterápica […] Em nossa cultura, a população tem a primeira vocacional ao adoecer: buscar um atendimento mais natural, seja no seu quintal, na sua horta, lá estão presentes as plantas medicinais da Amazônia”, disse Jarbas.

Foto: Dr. Jarbas Ataíde/Arquivo pessoal

A medicina inspirada nos costumes dos povos tradicionais é comum principalmente no Norte do país, onde há abundância dessas ervas. Alguma delas são: Capim-marinho, Alfavacão, Erva Cidreira e Hortelanzinho.

Os princípios ativos dos fitoterápicos podem ser extraídos das raízes, flores, folhas, caule e sementes das plantas. Veja alguns benefícios da Fitoterapia apontado no livro:

Auxilia, trata, previne, recupera e nutre, agindo nas causas e com pouco efeitos colaterais;
Prática terapêutica integrativa e holística, que atua no corpo, mente e emoções;
Terapia complementar que pode ser associada aos tratamentos convencionais, em todas as idades.

Foto: Dr. Jarbas Ataíde/Arquivo pessoal

Conheça o autor do livro

Jarbas Ataíde é médico, escritor e poeta, graduado há 39 anos pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Além disso, Ataide tem qualificação em epidemiologia pela Universidade Federal do Amapá (Unifap) e plantas medicinais pela Universidade Federal de Lavras (Ufla-MG).

O médico é um dos pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa).

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônia AP

Região Norte é retratada em mapeamento de locais históricos da ditadura militar no Brasil

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Casa Azul em situação de abandono em 2018. Foto: Eugênia Augusta Gonzaga

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) divulgou a publicação ‘Lugares de Memória da Ditadura Militar‘, que reúne e documenta espaços marcados pela repressão e pela resistência durante a ditadura no Brasil. A iniciativa faz parte da nova seção, ‘Memória e Verdade’, do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH), plataforma do MDHC que reúne indicadores e evidências sobre direitos humanos no país.

A publicação mapeou, até o momento, 49 locais históricos da ditadura militar em diferentes regiões do Brasil, destacando sua relevância no processo de preservação da memória e da democracia. O levantamento apresenta ampla distribuição geográfica desses espaços, com:

  • 17 locais no Sudeste,
  • 15 no Nordeste,
  • 7 no Sul,
  • 6 no Norte
  • e 4 no Centro-Oeste.

Entre os estados, São Paulo concentra o maior número de locais mapeados (7), seguido por Pernambuco (6) e Rio de Janeiro (5).

Os espaços identificados incluem quartéis, cemitérios, prisões, hospitais, parques e universidades, além de outros locais associados à repressão política e à resistência democrática. O levantamento faz parte do projeto “Lugares pela Memória”, que a Assessoria de Defesa da Democracia, Memória e Verdade (ADMV) realiza por meio de sua coordenação-geral de Políticas de Memória e Verdade.

Lugares de memória da ditadura

No Norte, a Casa Azul, em Marabá (PA), é um dos locais documentados. A casa funcionou como centro de detenção e tortura de militantes do movimento camponês e da Guerrilha do Araguaia, enquanto, em Tocantins e Amazonas, bases militares e delegacias serviram à repressão e perseguição política.

A Casa Azul foi utilizada como centro clandestino de tortura e desaparecimento, na época da ditadura militar, localizada próxima à Rodovia Transamazônica. Muitos guerrilheiros que atuaram na região do Araguaia, além de camponeses residentes na região, foram direcionados ao local. À época dos fatos, funcionava no local o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Atualmente, é a sede do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT)”, descreve o projeto. 

Acesse AQUI o mapa no ObservaDH.

Memória e democracia

A coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade do MDHC, Paula Franco, ressalta a importância desses espaços para a construção da memória coletiva e para o fortalecimento da democracia. “São locais que guardam memórias sensíveis, de feitos traumáticos e violentos, mas também de experiências resistentes”, ressalta.

Ainda segundo Paula Franco, memórias materiais são fundamentais para evocar aprendizados e ganhos sociais em relação à valorização da democracia e dos direitos humanos.

“É uma lógica de conhecer o passado e conhecer a própria história e, a partir desse conhecimento, elaborar ideias de futuro”, finaliza.

*Com informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

Peixes cascudinhos são descobertos por meio de financiamento coletivo na bacia do rio Tapajós

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Hoplisoma noxium, uma das espécies de cascudinhos descrita em novo estudo. Foto: Hans Evers

Uma recente expedição realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) à bacia do rio Tapajós, na Amazônia brasileira, resultou na descoberta e descrição formal de duas novas espécies do gênero Hoplisoma, um tipo de cascudo. Os peixes, batizados de Hoplisoma noxium e Hoplisoma tenebrosum, tiveram sua descrição taxonômica detalhada em estudo publicado no dia 4 de abril na revista Neotropical Ichthyology.

O artigo também apresenta uma ampla discussão sobre a relação entre a anatomia do mesetimoide, um osso da cabeça, e o formato do focinho dentro da subfamília Corydoradinae, pequenos cascudos predadores de invertebrados. Segundo os pesquisadores, as modificações relacionadas ao focinho têm um impacto direto na interação dos peixes com o ambiente, especialmente em relação à alimentação. 

A pesquisa revelou que o formato do focinho, por si só, não é tão informativo quanto se pensava, com diferentes tipos de focinho ocorrendo independentemente nos diversos gêneros, indicando convergência adaptativa, o que ocorre quando espécies que não são estreitamente relacionadas evoluem independentemente características semelhantes como resultado de terem se adaptado a ambientes ou nichos ecológicos (funções) semelhantes. 

Outro achado durante a expedição foi a constatação, através do conhecimento dos “piabeiros” — ribeirinhos coletores de peixes ornamentais —, que as duas novas espécies têm uma toxina extremamente forte, muito mais potente do que a de outras espécies de Corydoradinae conhecidas.

Segundo os nativos da região, ser “espetado” por esses peixes causa dor intensa, inchaço e vermelhidão, e eles podem rapidamente matar outros peixes no mesmo recipiente de transporte, tornando a água leitosa e espumosa. Esse conhecimento tradicional dos ribeirinhos se mostrou crucial para a compreensão das características únicas dessas novas espécies.

O financiamento do projeto foi viabilizado por uma iniciativa de crowdfunding realizada por aquaristas de todo o mundo. Essa colaboração entre ciência e hobby permitiu a coleta de amostras no rio Tapajós, nas proximidades de Jacareacanga (PA) e Maués (AM).

“Para minha sorte, os peixes que eu estudo têm um apelo muito grande na aquariofilia mundial, e a minha relação com esse público sempre foi muito benéfica e produtiva. Esta oportunidade ímpar me ajudou a realizar essas expedições mais longas e em locais distantes, o que aumenta consideravelmente seus custos”, explica Luiz Fernando Caserta Tencatt, um dos autores do artigo.

DOI: https://doi.org/10.1590/1982-0224-2024-0100

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Seca nas reservas de água doce do Brasil ameaça cultura e identidade de crianças de comunidades tradicionais  

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Foto: Nilmar Lage/Greenpeace

Um levantamento alarmante do MapBiomas revelou que, em um ano, os rios, lagos e lagoas do Brasil encolheram 400 mil hectares, uma área equivalente a quase três vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Para as comunidades que dependem diretamente dessas fontes de água doce, como as quilombolas e ribeirinhas da Amazônia, a escassez de água não é apenas uma questão de sobrevivência, mas também de preservação cultural. 

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Esse cenário coloca em evidência a pesquisa “A importância do convívio com as águas para as crianças quilombolas do Pará”, vencedora do Prêmio Ciência pela Primeira Infância, promovido pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI). O estudo, coordenado por Eliana Campos Pojo Toutonge, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), explora como os rios e cursos d’água são fundamentais na formação das crianças da comunidade quilombola do rio Tauerá-Açú, localizada em Abaetetuba, no Pará. 

Com uma abordagem etnográfica, a pesquisa traz reflexões sobre o impacto das águas na vida das crianças. A coexistência com os rios desde a primeira infância (0 a 6 anos) oferece alívio emocional – especialmente em situações adversas como calor extremo ou conflitos familiares – e são fundamentais para a formação da identidade quilombola bem como molda vivências e valores. 

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Nadar não é apenas uma habilidade essencial para a sobrevivência, mas um caminho para as relações sociais. As crianças brincam nos rios e vivenciam suas histórias. Além disso, se o rio seca, a criança não consegue ir para a escola, a mãe não leva o filho ao posto de saúde, e assim por diante. É uma relação totalmente intrínseca”, explica Eliana Pojo. 

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Apesar da riqueza cultural proporcionada pelo convívio com as águas, a comunidade quilombola de Tauerá-Açú enfrenta sérios desafios estruturais. A falta de creches e a precariedade dos serviços públicos entre outros aspectos. No município de Abaetetuba, apenas 24,9% das crianças estão matriculadas em creches, um índice abaixo da média nacional de 37,75% (2023). Além disso, das 128 escolas de educação infantil do município, apenas uma é específica para a etapa de Educação Infantil, mas não acolhe crianças quilombolas. 

Para Eliana Pojo, o estudo reforça, ainda, a necessidade urgente de políticas públicas que garantam a preservação da identidade cultural dessas comunidades, bem como do meio ambiente e dos rios, especialmente em um cenário de escassez crescente de água doce. 

Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

“A agenda ambiental e educacional deve ser uma prioridade atrelada a políticas que visem o fortalecimento cultural dos quilombolas e demais grupos étnicos de comunidades tradicionais. Um exemplo de ação prática nesse sentido é a produção de cartilhas educativas com os saberes e a convivência das crianças com os rios, destinada a capacitação de profissionais em escolas quilombolas locais e vizinhas”, explica. 

Promover a formação continuada de educadores sobre a relevância dos territórios quilombolas e das águas na identidade amazônica e incluir as questões étnico-raciais e a primeira infância quilombola nos fóruns municipais de educação, nas escolas e nas coordenações de Educação Infantil, também são sugestões de políticas públicas que endereçam o assunto. 

Criado em 2022, o Prêmio Ciência pela Primeira Infância visa reconhecer estudos que abordam a diversidade e pluralidade das experiências infantis no Brasil e sejam capazes de identificar e propor soluções para mitigar as disparidades enfrentadas por crianças de até 6 anos.

Sobre o Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) 

Criado em 2011, o NCPI é uma coalizão que produz e dissemina conteúdo científico sobre o desenvolvimento na primeira infância. Seu objetivo é sensibilizar, mobilizar e capacitar lideranças para fortalecer e qualificar programas e políticas públicas direcionadas ao enfrentamento das desigualdades que afetam crianças brasileiras de até 6 anos. O NCPI é composto, atualmente, por quatro organizações: Fundação Van Leer, David Rockefeller Center for Latin American Studies da Universidade de Harvard, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e Insper.