Os alunos poderão conhecer o acervo e também as novidades, como o modelo animado em três dimensões (3D) do peixe Pirarucu e o protótipo do jornal mural Resenha, destinado aos estudantes da Educação Básica da região. Além dos monitores que tradicionalmente recebem os visitantes, alguns dos curadores estarão presentes para apresentar as coleções diretamente aos calouros, respondendo dúvidas e explicando as peças.
MuHNA faz 7 anos e integra circuito de ciência estadual com a Seciteci. Foto: Acervo MuHNA
Por meio de uma parceria do MuHNA com Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECITECI). A partir deste ano, o museu passa a integrar o Circuito Itinerante da Ciência de Mato Grosso (MT Ciências), desenvolvido pelo Governo do Estado, ampliando o acesso ao conhecimento em diferentes municípios da região leste mato-grossense.
Desde a inauguração, o MuHNA desenvolve ações de extensão e divulgação científica, especialmente com a realização da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do Araguaia (SNCT-Araguaia). Com abrangência estadual, o museu leva oficinas, visitas monitoradas e ações itinerantes para estudantes da região.
Museu de História Natural do Araguaia. Foto: Acervo MuHNA
Em 2024, ano em que o museu foi reaberto, após uma reforma estrutural, e inauguração da exposição Biodiversidade: passado, presente e futuro da vida no planeta, as ações do MuHNA atingiram 32 mil pessoas de todo o estado.
A diretora do museu Márcia Pascotto avalia positivamente os avanços no período e aposta em novas conquistas para o futuro.
“Estamos buscando fortalecer cada vez mais o museu em outros espaços de popularização da ciência, como Praça da ComCiência que já está em andamento e a aprovação do Museu de Ciência Itinerante pela Finep”, afirma. A gestora ressalta que projetos como estes fortalecem os grupos de pesquisa, os programas de pós-graduação e levam a popularização da ciência para fora de Barra do Garças.
Em paralelo às atividades propostas pela universidade, grupos de alunos visitaram o museu. A visita ao MuHNA proporcionou aos estudantes um momento de integração, descoberta e encantamento. “Foi um momento incrível. Hoje comecei a ver tudo que tem aqui no nosso Mato Grosso”, comentou Sara Verônica, caloura do curso de Enfermagem. Ela diz que se encantou com as borboletas e plantas do acervo.
Museu de História Natural do Araguaia. Foto: Acervo MuHNA
Natural de Diadema (SP), o calouro de Jornalismo Francisco Lucídio se surpreendeu com o acervo. “A última vez que visitei um museu foi a Pinacoteca, em São Paulo. Aqui no MuHNA vi animais que eu nem sabia que existiam no Brasil. Gostei muito da quantidade de espécies expostas. Me chamou a atenção também a parte das rochas, porque gosto de Geologia”, elogia.
Gabriel Batista, aluno do curso de Engenharia de Alimentos, conta que já visitou outro museu, mas que o MuHNA foi a instituição com mais diversidade. “Tem muitos bichos, muitos insetos. Gosto bastante dos invertebrados, principalmente os aracnídeos”, comenta. O estudante também destacou a experiência com realidade virtual. “Foi a primeira vez que usei e gostei muito, principalmente por mostrar o nosso Cerrado”, diz. As visitações contam com a mediação de bolsistas do museu e devem se repetir ao longo da semana.
Número de evangélicos cresce no Acre e estado tem maior proporção entre os estados do Brasil, diz IBGE — Foto: Felipe Freire/Secom
Os dados do Censo Demográfico 2022 sobre religião, divulgados no dia 6 de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam que o Acre é o estado com a maior proporção de evangélicos do país,representando 44,38% da população com 10 anos ou mais — o equivalente a 303.599 pessoas.
O estudo constatou que o estado acreano passou por uma significativa mudança no perfil religioso da população. Pela primeira vez, inclusive, os evangélicos aparecem como maioria no estado.
Nº de evangélicos cresce no AC e estado tem maior proporção entre os estados do Brasil, diz IBGE — Foto: Marcos Vicentti/Secom
No Censo 2010, o número era de 187.094 praticantes da religião evangélica dentro da faixa etária de 10 anos ou mais. O aumento foi de 62%. Já dentre toda a população, sem exclusão de nenhuma faixa etária, o número era ainda maior: mais de 239 mil.
Já o de católicoscom 10 anos ou mais, no Censo 2010 era de 298.270. No novo estudo do IBGE,caiu 10%, totalizando agora 266.329 pessoas em 2022.
O Acre, portanto, segue atendência nacional de redução da adesão ao catolicismo, embora em patamar ainda mais acentuado, já que a média nacional de católicos é de 56,75%, enquanto na região Norte é de 50,48%.
Dentre os 44,38% da população que é evangélica, a maior presença fica entre mulheres (23,71%) do que entre homens (20,67%), com predominância entre pessoas pardas (30,34%), seguido por brancas (9,02%).
O grupo etário com maior número de fiéis evangélicos está entre 30 e 39 anos (mais de 57 mil pessoas), seguido por quem tem 40 a 49 anos (mais de 49 mil) e 50 a 59 anos (mais de 31 mil). A população idosa (60 anos ou mais) evangélica soma mais de 30 mil pessoas.
Nº de evangélicos cresce no AC e estado tem maior proporção entre os estados do Brasil, diz IBGE — Foto: Felipe Freire/Secom
Entre os católicos, o maior público também está na faixa de 30 a 39 anos, com mais de 45 mil pessoas, seguido de 40 a 49 anos (mais de 42 mil) e 10 a 14 anos (mais de 36 mil).
Entre os idosos com 60 anos ou mais, os católicos ainda são maioria frente a outros grupos religiosos — única faixa etária onde isso ocorre. O quantitativo é de mais de 40 mil.
Do total de católicos, 20,14% são homens e 18,79% mulheres. A maioria é parda (26,02%), com menores percentuais entre brancos (8,08%), pretos (3,56%), indígenas (1,17%) e amarelos (0,11%).
Católicos representam 38,93% da população, diz IBGE — Foto: Renato Menezes/g1
Espíritas representam apenas 0,55% (3.791 pessoas) no estado;
Umbandistas somam 0,24% (1.626 pessoas);
As tradições indígenas, apesar da relevância cultural na região, foram declaradas por apenas 0,47% (3.188 pessoas), sendo quase todas de pessoas que se autodeclaram indígenas (0,44%);
Outras religiões reúnem 4,09% da população (28.004 pessoas).
O número de pessoas que não professam nenhuma religião também cresceu no Acre, atingindo 11,2% da população (76.608 pessoas) — acima da média nacional, que é de 9,28%. Em 2010, o número ultrapassava as 67 mil pessoas, um aumento de 13%.
Além disso, 96 pessoas (0,01%) disseram não saber qual sua religião e 871 (0,13%) preferiram não declarar.
Jovens Yanomami participaram da oficina na Terra Indígena Tabalascada, no Cantá — Foto: Samantha Rufino/g1 RR
Mapear e ajudar na fiscalização da maior terra indígena do Brasil, a Terra Yanomami. Esta é a nova missão de seis jovens indígenas do povo Yanomami e Y’ekwana que participaram do curso de operação de drones, na Terra Indígena Tabalascada, no Cantá, interior de Roraima.
Os jovens indígenas têm apostado na tecnologia como uma das alternativas para atuar no monitoramento e proteção do território, ameaçado, principalmente, pelo garimpo ilegal.
A formação foi uma iniciativa da Hutukara Associação Yanomami (HAY), a mais representativa deste povo, que tem como presidente Davi Kopenawa, líder indígena reconhecido nacionalmente pela luta em defesa dos povos e do meio ambiente.
As etapas do curso incluem aulas práticas e teóricas. Para participar, os seis jovens saíram das suas comunidades, em Roraima e no Amazonas. Uma delas foi a jovem Tais Mainaa, da região do Missão Catrimani, em Roraima. Foi a primeira vez que ela saiu da terra indígena, onde nasceu.
Jovens mulheres Yanomami operam drone durante curso — Foto: Samantha Rufino/g1 RR
“Aprendi a fazer isso, mas quero aprender mais sobre o drone. Estou iniciando agora, mas estou gostando muito de aprender”, disse a jovem, na língua Yanomami.
Esta é a segunda turma a se formar pelo curso. A formação foi realizada pela HAY, com o apoio financeiro da agência oficial de ajuda humanitária da Igreja Católica na Inglaterra e no País de Gales (CAFOD) e a Size of Wales, uma organização de caridade que visa proteger florestas tropicais e conscientizar sobre a importância da proteção do ambiente natural.
Os jovens realizam o monitoramento com fotos georreferenciadas, que incluem dados de localização geográfica, e vídeos. Cidiclei Palimitheli, de 26 anos, da comunidade Palimiú, em Roraima, foi monitor da turma. Ele se formou no primeiro curso e agora auxilia os novos alunos.
Tais Mainaa saiu pela primeira vez da Terra Yanomami para aprender a pilotar drone — Foto: Samantha Rufino
Cidiclei é de uma das comunidades mais afetadas por invasores. Em 2021, a região foiatacada a tirospor garimpeiros. O rio Uraricoera, que banha a comunidade, era usado pelos invasores para acessar as áreas de garimpo ilegal.
O cenário mudou após a instalação de um cabo de aço de uma ponta a outra no rio, em fevereiro de 2023, para impedir a entrada dos invasores. Agora, Cidiclei usa o drone para ajudar a fortalecer a vigilância.
“Eu aprendi para pensar no futuro, poder fazer denúncias e mandar para organizações [indígenas]. Aprendi a monitorar com drone e tirar foto, fazer vídeo para poder denunciar os invasores que estão entrando dentro do nosso território”, disse.
Cidicley Yanomami foi monitor na turma de operadores de drone — Foto: Samantha Rufino/g1 RR
Gestão do território
Além de possíveis ameaças, os drones também podem ser usados para controle das roças das comunidades e mapeamento de áreas de difícil acesso. A Terra Yanomami é formada por vegetação de floresta e por serras.
O engenheiro agrônomo Giofan Erasmo Mandulão é quem ministra as aulas. Além de ensiná-los, o professor cadastra os alunos Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), obrigatório para operar drones no Brasil.
“O uso dessa tecnologia é para eles enxergarem de uma forma diferente, ter um contato diferente com a tecnologia e ver a terra indígena do alto, ter maiores áreas para cobrir de forma que eles consigam enxergar a áreas antes que eles não conseguiam acessar. Eles podem usar essa ferramenta para fazer o monitoramento territorial”, explicou.
Alunos durante oficina de drones — Foto: Ronny Alcântara/Rede Amazônica
As aulas foram ministradas na Terra Indígena Tabalascada, pois a vegetação se assemelha com a encontrada na Terra Yanomami, segundo ele. Mandulão também formou a primeira turma dos operadores.
Para Guilherme Kepropeteri Dias Yanomami, de 36 anos, da Região Ajuricaba no Amazonas, a ferramenta vai auxiliar a comunidade. Ele pretende repassar o que aprendeu para outros indígenas.
“Quando eu subi ele [drone] bem alto, eu consegui ver as margens de tudo que está aqui por perto, a estrada, as serras e o igarapé. A gente consegue localizar a distância das aldeias, podemos registrar, tirar foto. Isso eu vou passar para os parentes, para lideranças e para os jovens que atuam nas escolas”.
Ênio Yanomami, tesoureiro da Hutukara, enxerga as oficinas de drones como uma possibilidade de manter a vigilância do território, independente da presença de forças de segurança no território. A ideia é que futuramente os jovens operadores levem os drones e os mantenham nas comunidades.
Drones usados na oficina — Foto: Samantha Rufino/g1 RR
“Os não-indígenas chegam na comunidade, ajuda um pouquinho, depois vai embora. Então, o nosso objetivo era formar os jovens porque eles são permanentes. Muita gente não confia [nas denúncias] essas imagem são comprovantes para poder denunciar qualquer invasor. Sem essas tecnologias, como que a gente pode mostrar com prova?”.
O curso foi realizado entre os dias 26 a 30 de maio, em Boa Vista e no Cantá.
Terra Yanomami
Com 9,6 milhões de hectares, a Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil em extensão territorial. Localizado no Amazonas e em Roraima, o território abriga 31 mil indígenas, que vivem em 370 comunidades. O povo Yanomami é considerado de recente contato com a população não indígena e se divide em seis subgrupos de línguas da mesma família, designados como: Yanomam, Yanomamɨ, Sanöma, Ninam, Ỹaroamë e Yãnoma.
O território stá em emergência de saúde desde janeiro de 2023, quando o governo federal, a partir da posse de Lula (PT), começou a criar ações para atender os indígenas, como o envio de profissionais de saúde e cestas básicas. Além de enviar forças de segurança a região para frear a atuação de garimpeiros.
Oliveira Santos de Souza, de 50 anos, é amante do arraial e de um dos alimentos mais tradicionais do festejo, o milho. Desde o começo deste ano, ele tem a própria plantação no quintal de casa — Foto: JG Grana/g1 RR
Quando chega a época da festa junina não podem faltar duas coisas: as tradicionais danças de quadrilha e o milho. Movido pela paixão por arraial e pelo alimento protagonista das comidas típicas do período que o professor de química Oliveira Santos de Souza, de 50 anos, decidiu fazer um milharal no quintal de casa, no bairro Aeroporto, zona Norte de Boa Vista.
Oliveira é professor de química na rede estadual de ensino, mas, recentemente, tem se dedicado à agricultura nas horas vagas como forma de aliviar a rotina puxada das aulas. Apaixonado por tudo que o período junino representa, ele, que também é ex-dançarino de quadrilha, decidiu plantar milho no quintal de casa.
A ideia é colher até o dia 28 de junho, quando acontece o tradicional arraial da rua onde mora, reunindo os vizinhos para celebrar a data. Eles se reúnem desde 2021 na festa junina.
Plantar milho se tornou a atividade favorita de Oliveira, ele fala que é como uma terapia — Foto: JG Grana/g1 RR
No ano passado, a ideia de produzir o próprio milho começou a ser “semeada”. Tudo iniciou quando ele ganhou alguns pés de milho de um sobrinho para ajudar na decoração do tradicional arraial da rua. Aos poucos, a ideia foi maturando e germinando — até que um vizinho começou a vender sementes e adubos para plantio. Foi então que, finalmente, a ideia pôde florescer.
Ele conta que usou os conhecimentos de química para fazer o plantio. Escolheu com cuidado a qualidade das sementes, os adubos e o método de cultivo. Depois, preparou o terreno e, no início de abril, plantou as sementes. Além do milho, também está cultivando macaxeira e feijão, e diz que a horta tem sido uma terapia.
“Essa foi a primeira experiência e estou gostando do resultado. É como uma terapia para mim. Se a patroa [esposa] deixar, quero usar o todo o terreno. Tenho planos de plantar também abóbora e batata doce. Porém o milho sempre vai ser o foco”, disse, orgulhoso das espigas que começaram a brotar.
Tudo começou com um pequeno ornamento na frente de casa, agora é uma plantação no quintal de casa — Foto 1: JG Grana/g1 RR
Alimento versátil, o milho pode virar pamonha, cuscuz, canjica, pode apenas ser cozido e, dependendo da espécie, até virar pipoca. E são essas várias possibilidades que encantam o professor.
“O milho é fascinante pela diversidade de coisas que dá para fazer, a utilidade é enorme. Eu amo o milho por causa disso, além de ser uma comida típica do arraial, que eu também amo”, destacou.
Animado com o resultado, ele planeja ampliar a plantação futuramente. “Não quero fazer isso para vendas, quero estar aqui plantando e comendo com meus colegas. Quem quiser e pedir sementes, milho e macaxeira pode vir, não tenho problema em dar. A única coisa que quero é plantar.”
Segundo Oliveira, as espigas de milho já tem 60 dias plantadas, com cerca de 75 dias a 90 já podem ser colhidas — Foto: JG Grana/g1 RR
Ex-quadrilheiro, o professor disse que foi um dos fundadores da quadrilha “Explosão Caipira”. Segundo ele, com mais cinco amigos eles começaram fazendo quadrilhas em festas de igreja e em 2003 fundaram o grupo.
Nos anos de 2007 e 2008, o professor participava ativamente do Boa Vista Junina, mas depois que a filha nasceu em 2009 passou a prestigiar somente por meio das arquibancadas.
Fortaleza de São José. Foto: Max Renê/Prefeitura de Macapá
A Embratur apresentou, no dia 5 de junho, os detalhes do Programa Novas Rotas, que deverá ser implementado no Amapá nos próximos meses. A proposta tem como objetivo promover o estado, colocando-o na rota do turismo internacional por meio de articulação institucional, capacitação técnica e promoção de experiências turísticas.
Em formato virtual, o encontro teve a participação das secretarias de Turismo e de Cultura do estado do Amapá. Dezesseis municípios amapaenses também foram representados na reunião preparatória para a execução do Novas Rotas.
O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, destacou que “o Amapá é um tesouro ainda pouco conhecido pelos turistas estrangeiros e isso precisa mudar. A ideia é desenvolver o turismo com um olhar atento à valorização cultural, à conservação ambiental e ao fortalecimento da economia local”, destacou.
O programa Novas Rotas foi criado pela Embratur como uma estratégia para descentralizar o turismo internacional no Brasil. A proposta é capacitar estados e municípios com potencial turístico ainda pouco explorado, oferecendo suporte técnico em três áreas estratégicas: sustentabilidade, inteligência de dados e inovação tecnológica.
Foto: Renato Vaz/Embratur
Capacitação
O programa prevê ainda uma capacitação presencial, conduzida por equipe técnica da Embratur, com foco em temas como comportamento dos turistas estrangeiros, práticas sustentáveis e análise de dados para identificar mercados emissores. Além disso, será lançada uma plataforma educacional online de ensino à distância, voltada a qualificação de empreendedores e gestores locais.
“Não se trata apenas de promover capitais. O programa foi pensado para incluir também municípios menores com vocação turística. Queremos prepará-los para receber visitantes com autenticidade e qualidade”, explicou Freixo.
Amapá na Sapucaí
Marcelo Freixo destacou ainda o momento de visibilidade que o Amapá viverá em 2026, com o enredo da Estação Primeira de Mangueira no Carnaval do Rio de Janeiro, que homenageará o amapaense Mestre Sacaca, símbolo da Amazônia Negra.
“O Carnaval é uma das grandes vitrines culturais do mundo. O estado será tema de ensaios, reportagens e debates durante meses. É uma chance única de mostrar ao planeta a verdadeira riqueza do Amapá que consiste em seu povo, sua floresta e sua cultura”, afirmou.
Dados
De janeiro a abril deste ano, o Amapá recebeu 16.882 turistas estrangeiros, um aumento de 54,5% em relação ao mesmo período de 2024. Os principais países emissores foram França, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Peru.
O encontro desta quinta-feira reuniu representantes do turismo amapaense. Esses gestores foram apontados como peças-chave para a implementação local do programa. Para Freixo, o sucesso do Novas Rotas depende, principalmente, do engajamento dos agentes locais.
“Nosso papel é oferecer ferramentas e suporte. Mas quem transforma o turismo de um território são as pessoas que vivem e conhecem esse lugar. O Amapá está pronto para o mundo, e o mundo precisa conhecer o Amapá”.
Lançado em abril deste ano, o Novas Rotas marca o início de uma série de ações em todo o país, incluindo capacitações em sustentabilidade, dados e inovação, voltadas para gestores públicos, empresários, operadores de turismo e demais atores do setor. “A ideia é mostrar ao mundo que o Brasil é muito mais do que seus cartões-postais tradicionais. Queremos revelar novas paisagens, culturas e experiências, de forma sustentável, inteligente e inovadora”, garante Marcelo Freixo.
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e a ECCON Soluções Ambientais, empresa brasileira de consultoria ambiental e climática, assinaram acordo para estudo de viabilidade de projetos de reflorestamento no estado de Roraima.
Financiado pelo fundo internacional Refugee Environmental Protection (REP), a iniciativa vai identificar projetos com potencial de implementação por meio do mercado de carbono que favoreçam comunidades locais e de refugiados em terras degradadas, promovendo benefícios ambientais e sociais de longo prazo.
Estado da Amazônia brasileira, Roraima registrou alta de mais de 120% do desmatamento entre 2021 e 2023, impactada por atividades de exploração insustentável da terra. Ao mesmo tempo, a região abriga uma população de mais de 12 mil refugiados e migrantes indígenas da Venezuela, incluindo os povos Warao, Pemon, Kariña, E’ñepa, Wayúu, muitos dos quais enfrentam barreiras para a inclusão econômica e integração local.
A parceria com a ECCON marca uma etapa decisiva para análise dessa iniciativa no Brasil, país posicionado para liderar o avanço de programas de soluções alinhadas com os marcos do Artigo 6.4 do Acordo de Paris, que estabelece um mecanismo internacional para fomentar projetos de redução de emissões com integridade ambiental e geração de créditos de carbono.
“O Brasil está em uma posição única para mostrar como projetos de carbono inclusivos e de alta integridade podem gerar resultados ambientais e sociais”, afirma Siddhartha Sinha, Chefe da Unidade de Financiamento Inovador do ACNUR. “Este estudo testará como a participação de refugiados e indígenas pode ser incorporada desde o início – e oferecerá um exemplo poderoso do tipo de solução climática que a liderança brasileira está reivindicando”, diz.
O estudo vai avaliar a viabilidade técnica, jurídica e social de iniciativas de reflorestamento baseadas em créditos de carbono em áreas que acolhem refugiados, com foco especial na integridade ambiental e nas salvaguardas comunitárias.
O trabalho incluirá o mapeamento de zonas degradadas, a identificação de metodologias viáveis e o engajamento direto com comunidades locais e indígenas para desenvolvimento de abordagens de repartição de benefícios que reflitam o uso tradicional da terra e as práticas culturais.
Yuri Rugai Marinho, sócio-diretor da ECCON Soluções Ambientais, destacou que a atuação com questões climáticas e projetos de carbono é complexa e exige atuação de profissionais e equipes experientes.
“Quando se adicionam os desafios únicos das populações de refugiados e áreas degradadas, a tarefa se torna ainda mais exigente. Não se trata apenas do potencial de carbono, mas de construir soluções que sejam ancoradas localmente, socialmente inclusivas e economicamente viáveis no longo prazo”, afirma Marinho.
Boa Vista, capital de Roraima. Foto: Reprodução/Prefeitura de Boa Vista
Como premissa do projeto, o enfrentamento aos desafios climáticos no Brasil exige analisar as fontes de degradação, as causas das emissões de gases de efeito estufa e os mecanismos disponíveis para promover a restauração e a conservação. O projeto vai além e busca ainda abordar um dos principais causadores do desmatamento: a falta de meios de subsistência sustentáveis.
“A restauração ambiental deve andar de mãos dadas com a inclusão social”, destaca Raquel Trabazo, Representante Adjunta do ACNUR no Brasil. Segundo ela, esta iniciativa abre a oportunidade de elaborar ações de reflorestamento que não apenas restaurem a Amazônia, mas também apoiem os direitos, os meios de subsistência e a dignidade de refugiados, povos indígenas e comunidades locais.
Em complemento, Marinho afirma que “regiões florestais normalmente não proporcionam uma renda digna para as populações locais, o que frequentemente leva ao desmatamento. O financiamento de carbono não é uma solução mágica, mas, se estruturado com integridade, pode mudar a lógica na prática”.
Para Maria Cecília Ferronato, gerente de Projetos da ECCON, essas iniciativas validam a importância do contexto local. “Além de analisar métodos viáveis para a geração de créditos de carbono, buscamos reconhecer e valorizar as realidades locais existentes, como as práticas de subsistência e o conhecimento tradicional e uso comunitário da terra. O objetivo é fortalecer e expandir essas práticas, gerando benefícios reais tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente”.
A assinatura do contrato entre ACNUR e ECCON ocorre no contexto de preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (Conferência das Partes – COP), a ser realizada em Belém (PA), em novembro deste ano.
A COP30 representa um dos principais instrumentos da ONU para promover o diálogo e a tomada de decisões dos países em relação a questões planetárias. Uma das metas centrais deste ano é encontrar maneiras de se garantir ao menos 1,3 trilhão de dólares por ano para questões climáticas.
“A presidência da COP30 busca soluções climáticas práticas. A colaboração entre ACNUR e ECCON é certamente um forte exemplo disso”, destaca Marinho.
Parque Amazônico da Guiana. Foto: Guillaume Feuillet/Parc amazonien de Guyane
A França faz fronteira com o Brasil e também é um país amazônico. Mas calma, isso acontece porque a Guiana Francesa é território da França na América do Sul e faz parte da Amazônia Internacional pois parte de sua área abriga o bioma amazônico.
O presidente francês Emmanuel Macron anunciou no dia 5 de junho o fim a obrigatoriedade do visto para entrada de brasileiros na Guiana Francesa. Além de uma oportunidade comercial, a isenção também proporciona o aumento no turismo.
Confira algumas opções para conhecer no país vizinho:
Centro Espacial de Kourou
O Centro Espacial de Kourou é um dos principais pontos turísticos do país vizinho. Trata-se de um importante centro de lançamentos da Agência Espacial Europeia na América do Sul. Se conseguir de planejar com antecedência é possível até mesmo assistir ao lançamento de um foguete. O local foi escolhido para ser centro espacial estrategicamente por sua localização. É possível acompanhar a agenda do local e se programar para uma visita.
Inselberg, traduzido literalmente como “montanha-ilha” do alemão, são formações geológicas que se destacam em paisagens planas, devido à sua resistência à erosão. Na Guiana Francesa um dos mais conhecidos é o Inselberg Savane Roche Virginie, de fácil acesso para quem busca caminhada sem muita dificuldade. É necessário contatar guias turísticos.
O Parque Amazônico da Guiana é delimitado por dois grandes rios: o Oiapoque (a leste) e o Maroni (a oeste). Ele abriga uma das áreas de maior biodiversidade do planeta, o que faz dela uma terra de descoberta tanto pela sua flora e fauna como pelas suas culturas indígenas.
Para os interessados em conhecer o parque é preciso ter atenção às regras para entrada, pois são bastante rígidas. É necessário entrar em contato com empresas especializadas em ecoturismo da região para desbravar as terras do parque.
A Amazônia Legal acaba de ganhar um centro inédito dedicado à recuperação de ecossistemas desmatados e degradados. Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazônia, batizado de Capoeira, reúne mais de 100 pesquisadores de 33 instituições do Brasil e do exterior, entre universidades, órgãos governamentais, ONGs, empresas privadas e coletivos locais.
O projeto foi aprovado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no âmbito do edital Centros Avançados em Áreas Estratégicas para o Desenvolvimento Sustentável da Região Amazônica, o Pró-Amazônia, e contará com investimento de R$ 14 milhões.
O Capoeira terá um hub na sede da Embrapa Amazônia Oriental, em Belém (PA), e deve atuar de forma virtual integrando instituições, laboratórios e grupos de pesquisa em estudos socioeconômicos, ecológicos e bioculturais na região.
“Atualmente, há grupos de pesquisa, redes colaborativas e comunidades locais empenhados na recuperação dos ecossistemas amazônicos. A proposta do Capoeira é ir além da produção de ciência de excelência, buscamos também articular e promover uma transformação positiva na região, substituindo a cultura da destruição pela da restauração”, pontua Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa e coordenadora do centro.
O nome Capoeira é uma referência à vegetação que cresce em uma área que foi anteriormente desmatada, chamada de vegetação secundária. A Amazônia já perdeu 18% (846.000 km²), de acordo com o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Essa área equivale a quase a totalidade do estado de Mato Grosso.
Além do desmatamento, a degradação também é uma ameaça às funções vitais da floresta e vetor das mudanças climáticas, de acordo com os cientistas do Centro. Uma área de pelo menos 370 mil km² da Floresta Amazônica (um pouco maior que a área total da Alemanha, por exemplo) já foi degradada por incêndios florestais, extração madeireira e fragmentação florestal (efeito de borda causado por atividades agropecuárias – foto à direita).
Esses distúrbios geram emissões massivas de gases de efeito estufa, perda de biodiversidade, alteração no regime de chuvas e aumento de doenças e conflitos socioambientais.
Fragmentos de floresta em plantações de soja no município de Belterra. Foto Marizilda Cruppe/Greenpeace
Os pesquisadores vão analisar dados de mais de 100 sítios de estudo em diferentes estados da Amazônia Legal. As áreas correspondem a iniciativas de restauração em locais com florestas secundárias, florestas primárias degradadas, áreas com Sistemas Agroflorestais e restauração de sistemas aquáticos.
Nesses locais, serão avaliados estoques ou incremento de carbono, recuperação da biodiversidade, resultantes do tipo de restauração aplicado. As iniciativas de restauração podem envolver regeneração natural da vegetação; regeneração natural assistida (quando se enriquece a área com plantios de espécies nativas e outras práticas de manejo); e regeneração por meio de plantio total ou semeadura direta, quando a cobertura do solo já é praticamente inexistente.
Outra estratégia são os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que buscam o aumento de árvores nas paisagens, inclusive nas áreas agrícolas, e conciliam as necessidades ecológicas e as demandas econômicas dos agricultores familiares e povos da floresta. Os SAFs, segundo estudos pontuais do grupo da pesquisadora, são as estratégias de recuperação mais estudadas na região (37,88%), seguida pela regeneração natural (30,35%) e plantios florestais (19,55%).
“A maioria desses estudos são pontuais e existem lacunas de conhecimento sobre a restauração em importantes aspectos, como as questões socioeconômicas e culturais. O Centro surge, portanto, como uma iniciativa que visa desenvolver estudos mais integrativos, abordando diferentes aspectos da restauração, sejam eles ecológicos, sociais, culturais, econômicos e outros”, explica Ferreira.
O Capoeira será também um polo de informações sobre cenários e riscos frente às mudanças climáticas, com a produção de mapas de ocorrência e recorrência de extremos de secas, temperaturas e mudanças climáticas, além de identificação de espécies de plantas e polinizadores mais resilientes.
Foto: Ronaldo Rosa
Diferença entre restauração e recuperação
A restauração ecológica é o processo de apoiar a recuperação dos ecossistemas visando retornar ao seu estado original, incluindo as espécies nativas e as funções ecológicas, com o objetivo de resiliência de longo prazo.
A recuperação, por sua vez, visa retornar as funções e processos ecossistêmicos, mesmo que a composição de espécies e a estrutura sejam diferentes da original.
“Laboratórios vivos”
Uma das principais estratégias de atuação do Centro será a criação de “laboratórios vivos” (living labs), que serão espaços de trocas de experiências e conhecimentos baseados no conceito de inovação aberta, nos quais as comunidades locais e pesquisadores conhecem, avaliam e validam experiências de restauração de forma coletiva.
Os laboratórios estão localizados em três territórios amazônicos:
1. região de Santarém, no Oeste do Pará, com destaque para a Floresta Nacional (Flona) do Tapajós, a Reserva Extrativista (Resex) Tapajós-Arapiuns e assentamentos rurais;
2. mosaico do Gurupi, região formada por Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas no Pará e Maranhão;
e 3. Nordeste Paraense, abrangendo municípios como Bragança, Capitão Poço, Irituia, Paragominas e Tomé-Açu, região de colonização mais antiga do estado.
Esses territórios são considerados importantes espaços de pesquisa e ação devido às intensas transformações socioambientais que ocorreram em suas paisagens ao longo de diferentes períodos, de acordo com os pesquisadores do Centro. “Neles já existem parcerias de longa duração com as comunidades locais, e serão espaços de escuta e co-construção, com foco em ações de recuperação florestal com abordagem biocultural”, acrescenta a pesquisadora Ima Vieira, do Museu Paraense Emílio Goeldi e integrante do Capoeira.
Área degradada. Foto: Ronaldo Rosa
Estratégia para mitigar as mudanças climáticas
A restauração dos ecossistemas amazônicos é considerada urgente, para os cientistas do Capoeira. Apesar dos esforços e compromissos assumidos pelo poder público local, nacional e internacional, iniciativa privada e cooperação da sociedade civil, a restauração dos ecossistemas precisa ganhar escala e integrar a diversidade de atores envolvidos no tema, afirma o grupo.
Para Danielle Celentano, do Instituto Socioambiental (ISA) e integrante do Centro, “a restauração de ecossistemas deve garantir diversidade e inclusão, integrando conhecimento tradicional, ciência e tecnologia — só assim construiremos soluções justas e duradouras”.
O Brasil assumiu o compromisso no Acordo de Paris de recuperar 12 milhões de hectares até 2030, dos quais cerca de 38% devem ocorrer na Amazônia. Essa meta está associada a compromissos internacionais que serão amplamente debatidos durante a Conferência das Nações Unidades sobre as Mudanças Climáticas 2025, que ocorrerá em novembro deste ano, em Belém, capital do Pará.
Os pesquisadores do Capoeira acreditam que a restauração florestal é uma estratégia fundamental para mitigar as mudanças climáticas e certamente será um tema de debate importante na COP 30 entre os países em desenvolvimento. “A maior parte das emissões brasileiras advém dos desmatamentos na Amazônia e mudanças de uso da terra, logo ações que revertam os efeitos dos desmatamentos são fundamentais”, afirma Joice Ferreira.
Cenário da restauração
Um levantamento realizado pela Aliança pela Restauração, consórcio de instituições públicas e privadas, em 2020, foram identificadas 2.773 iniciativas de restauração de paisagens florestais na Amazônia brasileira, somando 113,5 mil hectares.
O maior número de iniciativas na região corresponde a Sistemas Agroflorestais (SAFs) totalizando 1.643 (59%), seguido pelo plantio de mudas com 734 iniciativas (26%). A maioria das iniciativas (79%), segundo o levantamento, são de pequena escala (áreas menores que 5 hectares).
Ferreira ressalta ainda que instrumentos como a Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg), a Comissão Nacional (Conaveg) e o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e, no nível estadual, o Plano Regional de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN), são importantes para articular e promover ações de recuperação, “mas é preciso um esforço conjunto entre sociedade e poder público para dar escala à restauração”, finaliza.
Instituições envolvidas
O Capoeira é coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental e tem a colaboração das outras Unidades da Embrapa – Roraima, Agricultura Digital e Recursos Genéticos e Biotecnologia- e das Universidades Federais dos estados do Amapá; Maranhão; Roraima; Acre; Mato Grosso; Rural da Amazônia, do Pará, do Oeste do Pará, e do Sul e Sudeste do Pará; além das instituições: Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), Instituto Federal do Mato Grosso (IFMT), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Instituto Socioambiental (ISA), Instituto Tecnológico Vale (ITV), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), e The Nature Conservancy (TNC-parceira).]
O Centro avançado conta também com o trabalho de pesquisadores e técnicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) e Mombak – parceira.
A nível internacional, também são instituições colaboradoras o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento (Cirad) – na França; Universidade Imperial de Londres, Universidade de Lancaster, Universidade Metropolitana de Manchester, Universidade de Oxford – no Reino Unido; e Centro de Pesquisa Climática – nos Estados Unidos.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Desmatamento em Altamira (PA). Foto: Victor Moriyama/Greenpeace
O desmatamento na Amazônia, em maio de 2025, alcançou 960 km², o que representa uma alta de 92% em relação ao mesmo mês de 2024. O aumento está diretamente ligado às mudanças climáticas e aos incêndios ocorridos nos meses anteriores, mas que só são percebidos algum tempo depois, quando a vegetação seca, de acordo com o ministro em exercício do Meio Ambiente e Mudança, João Paulo Capobianco.
“Esse incêndio florestal de grandes proporções, relacionado a uma alteração climática, não é um desmatamento ocorrido em maio. Ele é uma floresta incendiada a tal ponto que chega agora como uma floresta colapsada”, explica.
Na análise do período acumulado, de agosto de 2024 a maio de 2025, essa alta foi de 9,1% na comparação com os mesmos meses no ano anterior.
Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e foram apresentados nesta sexta-feira (6), pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em Brasília.
No detalhamento dos dados, 51% do desmatamento decorrem de incêndios florestais, 48% de corte raso e 1% de mineração.
Nos últimos cinco anos, os focos de incêndio em vegetação nativa se mantinham na média de 10%. Em 2024, esse índice subiu para 13,5%. Nos primeiros meses de 2025, 23,7% dos focos de incêndio no país atingiram vegetação nativa.
Segundo Capobianco, o dado nunca foi evidenciado porque, em anos anteriores, o desmatamento decorrente de incêndio florestal representava percentuais muito inferiores.
“Nós estamos incorporando [informações] no próprio Deter, que é um sistema feito para ser em tempo real, porque normalmente esses dados apareciam apenas no Prodes [Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite]”, destaca.
No Cerrado e no Pantanal, a tendência de queda permaneceu para o mês de maio, com quedas respectivamente de 15% e 65% na comparação entre maio de 2025 e 2024.
No período agregado de agosto de 2024 a maio de 2025, o Cerrado perdeu 4.583 km², representando uma queda de 22% em relação ao mesmo período dos anos anteriores. No Pantanal, de agosto de 2024 a maio de 2025, foram perdidos 267 km², 74% a menos que no mesmo período de anos anteriores.
“Hoje, nós temos a capacidade muito significativa de prever e nos antecipar a desastres. O grande desafio é como vamos organizar as ações, para, com base nessas informações, atuar na prevenção”, diz.
Enfrentamento
O ministro em exercício afirmou, também, que o governo vem trabalhando em um processo de articulação federativa para que o problema seja enfrentado pelo conjunto de atores de todas as instâncias governamentais, iniciativa privada e sociedade organizada.
Capobianco destacou, ainda, ações do governo federal de enfrentamento a incêndios e ao desmatamento, como a aprovação da lei que criou a Política Nacional do Manejo Integrado do Fogo; o investimento de R$ 825 milhões no fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama); e outros R$ 405 milhões para os bombeiros de municípios na Amazônia, além do Programa União com Municípios.
Foto: Reprodução/Livro ‘Saberes Ancestrais e Ciência: Plantas Medicinais dos Quilombos Mumbuca e Prata‘
O projeto ‘Etnofarmacologia, Etnobotânica e Fitoterapia em Comunidades Tradicionais do Tocantins‘, coordenado pelo pesquisador Raphael Sanzio Pimenta, resultou na publicação de um livro que valoriza os saberes tradicionais e destaca a profunda relação cultural e terapêutica entre as comunidades quilombolas e o uso de plantas medicinais.
Intitulada ‘Saberes Ancestrais e Ciência: Plantas Medicinais dos Quilombos Mumbuca e Prata’, a obra reúne os conhecimentos compartilhados por importantes lideranças comunitárias, em especial pelas mulheres mais velhas, verdadeiras guardiãs da tradição botânica local.
A publicação evidencia o papel essencial das plantas medicinais nas práticas de cura dos quilombolas, além de promover um diálogo entre o conhecimento científico e os saberes ancestrais. Ao valorizar o conhecimento tradicional, o estudo contribui para a preservação da identidade cultural e para o fortalecimento de práticas sustentáveis de cuidado com a saúde, profundamente enraizadas na vivência com o meio ambiente.
De acordo com Raphael, durante o projeto também foi realizada uma expedição ao Jalapão, que dará origem a um documentário. Além disso, ocorreram atendimentos de saúde nos dois quilombos, com emissão de laudos e receitas médicas, bem como um trabalho de campo que resultará artigos científicos. O pesquisador destaca a importância do apoio da FAPT durante todo o processo.
“Só conseguimos realizar esse trabalho nos quilombos Mumbuca e Prata graças ao apoio e financiamento da FAPT. O projeto foi aprovado por meio de edital e, com ele, pudemos desenvolver diversas ações relevantes nas comunidades. Entre elas, destaco a parceria com uma estudante quilombola do curso de Biologia da UFT, Mônica Silva Ribeiro, que resultou na publicação desse livro com tiragem de 2 mil exemplares. Toda a renda obtida com as vendas será integralmente revertida para o benefício dos próprios quilombolas. Um aspecto muito especial é que todos os participantes do projeto, que compartilharam suas histórias e conhecimentos sobre plantas medicinais, também assinam como coautores da obra. Esse livro representa uma forma de preservar saberes ancestrais que corriam o risco de se perder, agora materializados por escrito”.
O projeto foi contemplado pelo Edital Saúde FAPT/SES-TO nº 01/2023, voltado ao apoio financeiro de pesquisas que contribuam para a qualificação da atenção à saúde no Tocantins. A iniciativa representa um passo importante no desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (CT&IS) no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), com os seguintes objetivos específicos:
Propor instrumentos de gestão para a política pública de pesquisa em saúde;
Identificar problemas de saúde que demandem soluções baseadas em conhecimento científico e tecnológico;
Direcionar os investimentos em CT&IS para qualificar os serviços de saúde;
Fortalecer o sistema de saúde e o ecossistema de CT&IS no Tocantins, por meio de ações intersetoriais.
O livro foi financiado pelo Governo do Estado do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins (FAPT) em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO). Assinam a obra: Raphael Sanzio Pimenta, Mônica Silva Ribeiro, Antoninho Alves de Sousa, Diomar Ribeiro Silva Gomes, Domingas Ribeiro de Sousa, Laurita Batista Barbosa, Lení Francisca de Sousa, Maria Francisca da Silva, Noeci Ribeiro de Sousa, Noemi Ribeiro da Silva, Rosirene Ribeiro Rocha e Juliana Fonseca Moreira da Silva.