O Agrinho é um programa de responsabilidade social do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), em parceria com a Federação da Agricultura, secretarias municipais de educação e os Sindicatos Rurais Patronais, realizado em Rondônia.
O projeto tem como objetivo contribuir com a formação das novas gerações, desenvolvendo ações educativas para despertar a consciência de cidadania.
Desenvolvido de forma contínua durante o ano letivo das escolas, o projeto segue o calendário escolar de cada instituição, priorizando a criança e o adolescente. No projeto são abordados assuntos relativos ao meio ambiente, ética, cidadania, saúde, empreendedorismo, trabalho e consumo.
O produtor rural e pai de um dos alunos beneficiados pelo projeto agrinho, Anderson Jesse, relata que ter o filho vivenciando esses momentos, o enche de orgulho e felicidade.
“O projeto oferta às crianças um estímulo, para desenvolver algo que tenha referência no nosso meio, o rural. E me sinto orgulhoso por que eu venho do meio rural, tenho pais produtores e fico muito feliz por ver meu filho ter esse interesse pelo meio rural”, disse.
De acordo com a equipe técnica do Senar Rondônia, as atividades desenvolvidas são para todos os alunos 1º ao 5º ano, com material didático próprio e adequado para cada faixa etária. O material foi criado de acordo com o nível de desenvolvimento de cada ano escolar.
No ano de 2024, segundo o Senar Rondônia, a cidade de Cerejeiras foi o local de implantação do programa em Rondônia e a escola atendida foi a Irmã Dulce, com 171 alunos do 2º ao 5º ano. Foram premiadas 12 crianças e oito professoras.
Em 2025, o Senar irá atender seis escolas em três municípios: Cerejeiras, Candeias do Jamari e Porto Velho.
Paciente de Covid-19 chegando ao hospital de campanha em Manaus. Foto: Michell Mello
Estudo coordenado pela Fiocruz Amazônia, que analisou a disponibilidade de equipamentos e recursos humanos e os deslocamento nos casos de internações por Covid-19 em municípios remotos do Amazonas, no auge da pandemia, é tema de um dos artigos de destaque da edição de 2025 da Hygeia – Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde.
A pesquisa, intitulada “Deslocamento dos casos graves e recursos de saúde disponíveis em municípios rurais remotos do Amazonas durante a pandemia de Covid-19”, permitiu um mapeamento geográfico das condições de atendimento a vítimas de síndromes respiratórias graves no Estado, num período em que o Mundo vivenciava as trágicas consequências da pandemia, tendo como recorte localidades remotas da Amazônia. A pesquisa apontou que 384 pacientes internados por Covid-19 foram transferidos para outros municípios, com 65% destes tendo como destino a capital Manaus, mesmo oriundo de outras regiões de saúde.
De acordo com a pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Amandia Braga Lima Sousa, além de relembrar a realidade que vivemos no auge da epidemia de Covid-19, o trabalho reforça a importância do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), que tem como princípio a universalidade e a integralidade como resposta a esses desafios.
“Ao demonstrar a concentração de pacientes em Manaus e a falta de infraestrutura nos municípios de referência para as regiões de saúde, a pesquisa reforça a necessidade de descentralizar o atendimento e criar inovações na forma de ofertar serviços na Amazônia”, afirma a pesquisadora.
Saúde indígena. Foto: Ascom/ SVS
Segundo Amandia, os achados podem subsidiar gestores e formuladores de políticas na criação de estratégias mais eficazes, como o fortalecimento da atenção primária, que é o nível de cuidado essencial para a realidade de municípios rurais e remotos.
“Esse estudo faz uma retrospectiva dos deslocamentos que aconteceram em emergências por Covid-19 nos municípios rurais e remotos do Amazonas e aponta para a necessidade de implantarmos redes de serviços que consigam responder para as realidades desses municípios, muitas vezes, ainda invisíveis em todas as esferas de poder”, assegura.
A pesquisa mostra que, mesmo depois de alguns meses, vivenciando uma grave epidemia, as condições de assistência continuavam iguais. “Constatamos que medidas previstas no planejamento de saúde não tinham sido colocadas em prática e algumas delas necessitam até mesmo ser repensadas e que não são as mais adequadas diante das singularidades de municípios amazônicos”, explica Amandia, que é chefe substituta do Laboratório de Situação da Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros Grupos Vulneráveis (Sagespi) da Fiocruz Amazônia. Para ela, a ampliação do uso da telemedicina e a estruturação de rotas de transferência mais eficientes para os casos de emergência são medidas eficazes e de adoção urgente.
A pesquisadora observa ainda que garantir assistência à saúde em áreas rurais e remotas é um desafio para países com extensões territoriais vastas e populações dispersas. “Este estudo evidencia como a realidade dos municípios da Amazônia exige estratégias específicas, distintas das adotadas em outras regiões do Brasil. Os resultados mostram vulnerabilidades críticas no atendimento a emergências durante a pandemia de Covid-19 em 2021, incluindo a distribuição desigual de médicos, a falta de equipamentos e a concentração de transferências de pacientes para um único município que já estava sobrecarregado no auge da pandemia. Ao diagnosticar esses desafios, a pesquisa quer ajudar os gestores a encontrarem caminhos para a prestação de cuidados de saúde mais adequados a realidades desses municípios e possibilitar que possamos vivenciar de forma mais preparada futuras crises sanitárias”, alerta.
O estudo, exploratório e retrospectivo, envolveu a investigação na literatura e dados secundários sobre a estrutura de atendimento para Covid-19, internações por casos graves e transferências para outros municípios durante 2021. No resumo, os pesquisadores explicam que os dados foram espacializados em mapas e foi realizada a identificação da estrutura e recursos humanos dos municípios rurais e remotos para o enfrentamento da Covid-19. “Os achados revelam limitações na equidade da distribuição dos recursos de saúde no Amazonas e nas estratégias adotadas, apontando para a necessidade de melhorias nas respostas dos serviços de saúde em emergências”, conclui.
Reprodução: Twitter oficial do Ministério da Defesa
Equipe de pesqusa
Pertencente ao Programa de Pós-Graduação Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador da Universidade Federal de Uberlância (UFU). Além da pesquisadora em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Amandia Braga Lima Sousa, o artigo é assinado pelos pesquisadores em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias Sousa Lima, do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia, e Fernanda Rodrigues Fonseca, do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi); Paulo Henrique dos Santos Morta, professor do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP); Larissa Cristina Cardoso dos Anjos, doutoranda em Geografia pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Mayra Costa Rosa Farias de Lima, mestre em Saúde Coletiva pelo Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) da Fiocruz Amazônia, e Luiz Silvino Correia, mestrando pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A nova cultivar tem boa produção e alto valor nutritivo. Foto: uenf ciência
Sustentabilidade e geração de energia é a compreensão construída a partir da tese “O Capim-Elefante como biomassa para a geração de energia térmica no Estado de Mato Grosso”, construída pelo professor Roberto Carlos Beber, da Universidade do Estado do Mato Grosso. O trabalho do professor já tem reconhecimento internacional com publicações internacionais.
A pesquisa aborda como biomassas sustentáveis são vitais para garantir a preservação do Bioma Amazônia no estado de Mato Grosso e, ao mesmo tempo, possibilitar a geração de energia para a região e sua população.
“Neste trabalho, foi investigado o potencial da cultivar de capim-elefante BRS Capiaçu como alternativa para minimizar o uso da madeira de floresta nativa como biomassa para a geração de energia”, explica o professor Roberto Carlos Beber.
A tese aponta que o consumo energético necessário para atender a crescente demanda agroindustrial no estado do Mato Grosso, tem gerado uma pressão progressiva sobre o bioma local, uma vez que as biomassas provenientes de madeiras nativas não são capazes de atender a toda demanda, quando se busca valorizar o contexto ambiental/conservacionista não predatório.
“O potencial energético verificado para o BRS Capiaçu qualifica esse produto para o uso como biomassa alternativa, uma vez que seu potencial energético é similar ao do eucalipto e com potencial equivalente ao da madeira nativa da Amazônia, porém com a vantagem de não levar ao desmatamento, de ser renovável, e de possuir baixa complexidade em termos de maquinário (semeadura e a colheita)”, relata do docente sobre a investigação do capim elefante como biomassa alternativa para a geração de energia térmica, incluindo os aspectos energéticos, químicos e operacionais, além dos agronômicos.
Na prática o capim-elefante BRS Capiaçu é uma biomassa com elevado potencial para geração de energia por meio da combustão. “Contribuindo ainda com a elaboração de uma ferramenta importante por meio de modelos matemáticos que podem ser usados para prever o potencial energético e a densidade em função do teor de umidade, que são úteis em aplicações logísticas e operacionais”, destaca o professor Roberto Carlos Beber.
Reconhecimento aponta caminhos para tecnologia e desenvolvimento
A pesquisa caminha para render mais frutos, de acordo com o professor Roberto Carlos Beber. “Já estão estão andamento pesquisas sobre a novos usos do capim- elefante BRS Capiaçu na síntese de novas propostas para seu uso no setor de energias renováveis. Além dos atuais esforços relacionados ao BRS Capiaçu, existem inúmeras outras culturas anuais como sorgo biomassa e tantos outros, resíduos de culturas anuais e industriais que carecem de pesquisas aprofundadas para a produção de energia térmica nas industrias da região”, ressata.
“A revista Energies se concentra em pesquisa, tecnologia, engenharia e gestão da energia, e contato com a revista a mesma demonstrou interesse na publicação do artigo, pois tratava-se de um tema relacionado a produção de energia, mas, também, com enfoque voltado a sustentabilidade e a preservação ambiental. A Sustentability, periódico acadêmico sobre sustentabilidade técnica, ambiental, cultural, econômica e social, fornece um fórum avançado para estudos relacionados à sustentabilidade e ao desenvolvimento sustentável. É importante ressaltar que este tema de pesquisa esta diretamente relacionado a necessidade das empresas as quais nosso laboratório tem parceria, uma empresa produtora de etanol de milho e outra fornecedora de biomassa”.
Pesquisadores
A tese foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biodiversidade da Rede Pró Centro-Oeste em 14 de fevereiro de 2025. A pesquisa foi construída pelo professor Roberto Carlos Beber, do Câmpus Universitário de Sinop, sob a orientação dos professores Evaldo Martins Pires e Roberta Martins Nogueira.
UHE Belo Monte, casa de força principal. Foto: divulgação
A Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Pará, evitou que 5,3 milhões de toneladas de CO2 fossem parar na atmosfera, somente em 2025, quando comparada às emissões de uma usina termelétrica a gás, no mesmo período. Isso acontece porque enquanto Belo Monte está gerando energia renovável para o Brasil, diminui a necessidade do acionamento de outras fontes de energia poluentes e mais caras para a população, principalmente em momentos de pico de consumo nacional. O cálculo considerou a geração de Belo Monte até 17 de março e foi feito com base no Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), maior autoridade mundial sobre aquecimento global.
Para se ter uma ideia, o que Belo Monte evitou esse ano equivale a 1,1 milhão de carros a menos nas ruas por dia, segundo informações da EPA (Enviromental Protection Agency). Nos dias de alta demanda do país, quando Belo Monte chega a atender 12% do consumo nacional, como em 24 de fevereiro, dia de maior geração média da usina esse ano, com 9.499,50 MWmed, cerca de 93 mil toneladas de CO2 foram evitados. Nessa data, a produção da usina atendeu o equivalente a 53 milhões de pessoas. Os dados de geração constam no Boletim Diário do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
De 2019, desde que entrou em operação com as 18 Unidades Geradoras, até hoje foram 77,7 milhões de toneladas de CO2, o equivalente a menos 16,9 milhões de carros trafegando pelas ruas. Além disso, Belo Monte é a hidrelétrica que menos emite gases de efeito estufa no bioma amazônico, de acordo com pesquisa do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo constatou que a usina é a quinta mais eficiente do Brasil em termos de taxa de intensidade de gases poluentes e calcula que, entre 5 e 10 anos, a área alagada do empreendimento apresente progressivamente emissões ainda menores.
Belo Monte é a maior hidrelétrica 100% brasileira e a quinta maior do mundo. Reforçando seu papel, a usina vem contribuindo significativamente para a segurança energética nacional. A hidrelétrica colabora ainda para a recuperação e manutenção dos níveis dos reservatórios do país e reduz a pressão sobre eles.
Em janeiro e fevereiro desse ano, Belo Monte foi a hidrelétrica que mais gerou energia para o país. Segundo dados da Agência Nacional de Energia (Aneel), 84,25% da produção de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) vem de fontes renováveis, sendo 55% provenientes de usinas hidrelétricas.
Saúva-limão realiza limpeza de fungo cultivado pela espécie (foto: Quimi Vidaurre Montoya/IB-Unesp)
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e colaboradores revela que as formigas saúva-limão (Atta sexdens) apresentam comportamentos que vão além da chamada imunidade social, ou seja, da capacidade de detectar patógenos e tentar se livrar deles para o bem da colônia.
Em artigo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, os cientistas relatam que esses insetos são capazes de reconhecer um fungo patogênico com o qual já tiveram contato – mesmo 30 dias após a primeira contaminação – e combatê-lo com ainda mais intensidade. Para isso, aumentam comportamentos de limpeza e recrutam mais operárias para a atividade, caracterizando indícios do que poderia ser chamado de “memória imune social”.
“Se considerarmos a colônia como um superorganismo, esses comportamentos seriam como o sistema imune. Da mesma forma que nossas células de defesa atacam invasores, como vírus e bactérias, as operárias combatem infecções que podem prejudicar a colônia”, explica Aryel Goes, primeiro autor do estudo, realizado como parte do seu mestrado no Instituto de Biociências (IB) da Unesp, em Rio Claro, com apoio da FAPESP.
“O que estamos mostrando é que o sistema imune social das formigas pode guardar informações de infecções prévias ao mesmo patógeno, um fenômeno visto em nossas células imunes, mas que em colônias de formigas ocorre em nível comportamental”, completa.
Em um dos experimentos realizados, as colônias foram expostas a um mesmo patógeno uma primeira vez, novamente após sete dias e, por fim, depois de um mês. Esta última exposição teve a resposta mais intensa e mais rápida, com mais formigas envolvidas tanto na limpeza delas mesmas como na do fungo que cultivam para comer.
A saúva-limão é uma formiga-cortadeira, grupo que possui relação de mutualismo com fungos, cultivados por elas dentro das colônias. Os fungos, em contrapartida, fornecem nutrientes para as formigas (leia mais em: agencia.fapesp.br/52937).
Dos quatro patógenos testados, dois eram prejudiciais às formigas e dois aos fungos cultivados. O estudo integra projeto apoiado pela FAPESP e coordenado por André Rodrigues, professor do IB-Unesp.
Em um segundo experimento, os pesquisadores expuseram outras colônias ao patógeno, repetiram a contaminação depois de sete dias e, então, a terceira apenas depois de 60 dias do primeiro contato. As respostas foram bem menos intensas do que nas colônias reexpostas com 30 dias.
“Diferentemente do nosso sistema imune, que em alguns casos responde expressivamente a um patógeno específico mesmo depois de muitos anos da primeira exposição, a memória imune social das formigas tem um prazo menor, por isso precisa ser constantemente exposta ao patógeno para que a informação continue existindo”, completa Goes, que atualmente realiza doutorado na Ohio State University, nos Estados Unidos.
Pesquisadores realizaram experimentos com quatro patógenos diferentes em 45 colônias de saúva-limão (foto: Aryel Goes/Ohio State University)
Resposta específica
No terceiro experimento, os pesquisadores verificaram a especificidade da resposta das formigas. Para isso, sete dias após a contaminação por um patógeno, expuseram as formigas a outro, diferente. Os comportamentos de limpeza e o recrutamento de outras operárias foram menos intensos quando este segundo patógeno entrou em cena.
Então, na semana seguinte, foi aplicado o primeiro patógeno novamente na colônia. O retorno suscitou uma reação moderada, parecida à da primeira infecção, e bem menos intensa do que aquela das formigas que tiveram um terceiro contato 30 dias depois do primeiro.
“Uma hipótese é que a saúva-limão tenha reduzido a resposta higiênica para evitar espalhar o novo patógeno para o resto da colônia. Isso porque o altruísmo de limpeza, em que as formigas lambem umas às outras para se livrar de patógenos, pode também espalhar novos contaminantes. Por isso, elas teriam tido mais cautela numa segunda infecção totalmente nova para a colônia”, conta Rodrigues, pesquisador associado ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPIDs) apoiados pela FAPESP.
Uma questão que os experimentos poderiam suscitar é se os comportamentos higiênicos não seriam simplesmente respostas das formigas a uma substância desconhecida, não necessariamente patogênica.
Para verificar essa possibilidade, os pesquisadores aplicaram uma solução que não causa nenhum mal às formigas nem aos fungos em cinco colônias, como forma de controle. As respostas higiênicas foram as menos intensas entre todos os experimentos nas 80 colônias analisadas em todo o estudo, mostrando que as formigas realmente reconhecem patógenos e as diferentes exposições.
Uma hipótese aventada pelos pesquisadores é que a imunidade social observada no estudo possa indicar uma melhoria na eficiência da remoção de contaminantes, afetando positivamente a sobrevivência do grupo.
Como não há informações sobre como essas respostas variáveis afetam a sobrevivência das formigas, ainda não é possível determinar se elas constituem de fato uma memória imune social, mas novos experimentos poderiam verificar essa possibilidade.
“As saúvas-limão são adaptadas a áreas abertas, por isso se beneficiam de monoculturas, constituindo uma praga. Os comportamentos de limpeza são alguns dos impeditivos para se fazer um controle biológico efetivo, sem utilização de inseticidas químicos. Compreender a imunidade social das saúvas pode ajudar a desenvolver controles mais eficazes e ecologicamente corretos”, encerra Rodrigues.
Inspirada por um gesto de carinho entre pai e filho e desenvolvida com base no conhecimento tradicional, aliado à ciência e à inovação tecnológica, a kombucha H é a primeira bebida fermentada à base de ingredientes amazônicos. Criada com o suporte técnico do Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, no Pará e produzida pela Homci, startup associada ao parque, a bebida se destaca pelos sabores regionais — açaí, cupuaçu, bacuri e, em breve, guaraná — e pelos potenciais benefícios à saúde.
Para desenvolver a fórmula e ampliar a produção, Rodolfo Homci, diretor-executivo da empresa, buscou os serviços do Centro de Valorização de Compostos Bioativos da Amazônia (CVACBA). O CVACBA passou a realizar análises físico-químicas, testes sensoriais sobre a aparência, aroma e paladar e definir rigorosos padrões de qualidade.
“A parceria com o Parque tem sido um diferencial fundamental na trajetória da Homci e da kombucha H. Com o apoio do CVACBA, conseguimos avançar de forma estratégica e segura em cada etapa do projeto”, destaca Rodolfo, que atua em conjunto com uma equipe de quatro pesquisadores do laboratório.
“O Parque utiliza o rigor científico para pesquisar e desenvolver soluções que alcançam a população em várias áreas. A Homci é um exemplo de empresa que conta com a nossa experiência para se desenvolver e, consequentemente, disponibilizar produtos ou serviços de alta qualidade que beneficiam a sociedade”, destaca João Weyl, diretor-presidente da Fundação Guamá, Instituto de Ciência e Tecnologia (IC&T) responsável pela gestão do complexo.
Lançamento
O lançamento oficial da kombucha H está previsto para ocorrer até a COP 30, que será realizada em novembro deste ano, em Belém. A bebida será apresentada como um símbolo de saúde, sustentabilidade e valorização da floresta amazônica, com distribuição planejada para supermercados, lojas de conveniência, pontos de venda de produtos naturais e plataformas de e-commerce.
Benefícios
A kombucha é uma bebida fermentada à base de chá adoçado que passa por fermentação com uma colônia simbiótica de bactérias e leveduras, conhecida como Scoby (Symbiotic Culture of Bacteria and Yeast – Cultura Simbiótica de Bactérias e Leveduras, em tradução literal).
Foto: Sérgio Moraes/Fundação Guamá
Originária da China antiga, por volta de 220 a.C., a kombucha era considerada um “elixir da imortalidade” devido aos benefícios atribuídos à saúde. A bebida se espalhou por regiões da Rússia e do Japão, ganhando popularidade no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos e, mais recentemente, no Brasil. Entre os potenciais benefícios à saúde estão a presença de probióticos naturais, que favorecem a saúde intestinal, além de ácidos orgânicos, enzimas, vitaminas do complexo B e antioxidantes.
A trajetória da kombucha H começou com Rodolfo Homci, que passou a produzir a bebida artesanalmente para aliviar desconfortos estomacais do pai. O que nasceu como um gesto de cuidado familiar rapidamente se transformou em um projeto inovador incentivado pela mãe, com grande potencial de mercado.
O sucesso inicial, impulsionado pela boa aceitação em pontos de venda experimentais, despertou uma nova possibilidade: e se fosse possível incorporar os sabores da Amazônia à bebida? Com investimentos consistentes em pesquisa e inovação, a Homci alcançou importantes reconhecimentos: foi aprovada no programa Centelha Pará de 2023, premiada no Desafio Inove Mais de 2024, aprovada no edital Startup Pará – Tech Empreendedor 2024/2025, além de selecionada para o programa RHAE 2025.
Atualmente, o desenvolvimento da kombucha H também é tema da pesquisa de mestrado de Rodolfo em biotecnologia pela UFPA, sob orientação do pesquisador Fábio Moura, do CVACBA, reforçando a integração entre o ambiente acadêmico e o empreendedorismo de base tecnológica.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo PCTGuamá
A eficácia do óleo extraído da semente de açaí no combate ao câncer colorretal é o foco do estudo ‘Análise dos efeitos do óleo da semente de açaí (Euterpe oleracea Mart.) em modelo de colite/câncer colorretal’, da bióloga e pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Laís Araújo Souza Wolff.
Fruto amplamente presente na região amazônica, o açaí já é conhecido por suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e terapêuticas, tendo ganhando atenção internacional por seus benefícios à saúde.
A pesquisa, que tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), abre portas para alternativas terapêuticas de baixo custo e com menor toxicidade, contribuindo para a saúde pública no estado.
O trabalho, que teve coordenação da médica oncologista Maria do Desterro Soares Brandão Nascimento, tem base sólida, com resultados publicados em revistas científicas de alto impacto.
“Os achados já publicados reforçam ainda mais a importância da exploração de compostos naturais como potenciais agentes quimiopreventivos e terapêuticos contra o câncer colorretal. Além disso, valorizarem a biodiversidade do Maranhão como fonte de novas estratégias na oncologia”, observa Laís Wolff, que é mestranda em Saúde do Adulto, pela UFMA.
Foto: Reprodução/Fapema
A pesquisa com o açaí vem de uma linha de estudos iniciada ainda na graduação, conta a pesquisadora, que desde então, explora as potencialidades do produto na saúde.
Para avaliar o potencial do fruto, foram realizados estudos in vitro e in vivo, explica Laís Wolf. Nos estudos in vitro, o óleo da semente de açaí apresentou atividade citotóxica contra células de adenocarcinoma colorretal, mostrando um potencial efeito antitumoral. Estes experimentos mostraram ainda, que o óleo do açaí interfere no ciclo celular das células tumorais. “Isto pode indicar um mecanismo de ação na célula”, observa.
Nos estudos in vivo, que ainda estão em andamento, é utilizado modelo experimental de câncer colorretal induzido quimicamente. “Mas, há progressos com os resultados in vitro, que mostraram ser importante haver equilíbrio na administração de compostos naturais e identificamos potencial do óleo da semente de açaí como modulador do microambiente tumoral”, enumera.
O presidente da FAPEMA, Nordman Wall, enfatiza que “a instituição tem orgulho em apoiar estudos que venham a gerar impacto na sociedade e trazer avanços reais para a saúde pública”.
Foto: Reprodução/Fapema
Importância para o Maranhão
O câncer colorretal é uma das principais causas de mortalidade por câncer no Brasil, e o Maranhão apresenta uma incidência crescente deste tipo de neoplasia. Fatores como dieta pobre em fibras, predisposição genética e inflamação crônica intestinal têm contribuído para esse aumento. O açaí pode ter importante atuação na quimioprevenção.
Portanto, a pesquisadora seguirá estudando os mecanismos, para elucidar as vias moleculares envolvidas no efeito do óleo e sua interação com proteínas-chave da progressão tumoral. A continuidade do estudo inclui ainda, realização de ensaios clínicos preliminares, para testar a segurança e eficácia do composto em pacientes de alto risco para câncer. Outros testes contemplam ações para otimizar a dose em novos modelos experimentais e assim, determinar a concentração ideal, com máximo benefício e mínima toxicidade para o paciente em tratamento.
Posteriormente, a pesquisa espera ter base para o desenvolvimento de formulações farmacêuticas, como nanopartículas ou emulsões, que podem melhorar a biodisponibilidade do óleo da semente de açaí são outras ações a serem executadas pela pesquisadora.
“Queremos que o óleo da semente de açaí se torne uma alternativa viável na prevenção e tratamento do câncer colorretal e seja opção terapêutica acessível e eficaz para a população maranhense e, quem sabe, para o mundo”, vislumbra.
Laís Wolf aponta o apoio da FAPEMA como diferencial para o desenvolvimento e avanço da pesquisa, garantindo apoio financeiro para a aquisição de insumos, equipamentos e infraestrutura. “Um apoio que contribui diretamente para o fortalecimento da pesquisa científica no Maranhão e para o avanço de estudos inovadores como o nosso,” afirma a pesquisadora. Ela acrescenta que este suporte auxilia na aquisição de equipamentos, incentiva a formação de novos pesquisadores e contribui para o fortalecimento da ciência no estado.
O Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (PPGSCA/Ufam) promove a conferência ‘Davi Kopenawa: palavras de um xamã Yanomami‘ e a participação de arguição externa (doutor honoris causa) de Banca Examinadora de defesa de dissertação de três alunos indígenas do mesmo Programa.
O evento acontecerá nos dias 22 e 23 de abril, nos auditórios Rio Amazonas, da Faculdade de Estudos Sociais (Fes) e Rio Solimões, do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), respectivamente.
A conferência, proferida pelo próprio xamã Yanomami é uma ação acadêmica inédita na Ufam. Além dessa atividade, Davi Kopenawa participa de arquição externa de Banca Examinadora de defesa de dissertação de três discentes Yanomami, oriundos da região do Alto Rio Negro (Santa Isabel do Rio Negro) matriculados como alunos fora de sede no PPGSCA/Ufam. O evento tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
Os discentes da turma de 2023 – Odorico Xamatari Hayata Yanomami, Edinho Yanomami Yarimina Xamatari e Modesto Yanomami Xamatari Amaroko – são licenciados pela Ufam, através do curso de Licenciatura Indígena – Políticas Educacionais e Desenvolvimento Sustentável – Yanomami.
Eles atuam como professores do ensino básico em língua Yanomami em um dos Xapono localizados no Rio Marauiá (Santa Isabel do Rio Negro). Como educadores em suas comunidades, exercem também uma forma de liderança política, construindo pontes entre o saber tradicional e a formação escolar.
Davi Kopenawa
Davi Kopenawa é conhecido por sua luta de décadas em defesa dos povos indígenas e do meio ambiente. Ele foi figura-chave para a demarcação da Terra Indígena Yanomami e coescreveu o livro ‘A Queda do Céu’, um relato sobre a cosmovisão yanomami e os impactos do contato com o “povo da mercadoria”. Também é autor do livro ‘O Espírito da Floresta’.
Atualmente, preside a Hutukara Associação Yanomami (HAY). Kopenawa foi um dos fundadores da associação, considerada a mais representativa da Terra Indígena Yanomami, há mais de 20 anos.
Davi, junto a outras lideranças, tem sido a voz que denuncia os invasores e pede por melhores condições de vida para os Yanomami. Além disso, é uma das lideranças que tem levado a mensagem do povo que segura o céu para todo mundo.
Programação geral
Dia 22.04 (Terça-feira)
Local: Auditório Rio Amazonas – FES – UFAM/Setor Norte
14h – Apresentação Garantido 14h20 – Apresentação Caprichoso 14h40 – Apresentação Ciranda Tradicional 15h – Abertura/mesa de solenidade
Participação Especial
15h15 – Fala de Davi Kopenawa 17h – Coletiva de imprensa (sugestão) 17h30 – Encerramento
De acordo com o MapBiomas, mais de 30,8 milhões de hectares foram queimados no Brasil entre janeiro e dezembro de 2024, uma área maior que todo o território da Itália. A ameaça maior é que cerca de 60% da área queimada em 2024 está na Amazônia.
O bioma amazônico abriga 9 estados brasileiros. Somente em Rondônia houve um aumento de 183% de focos de incêndio em comparação com período do ano anterior. O agravamento da seca, misturado com fatores naturais como El Niño, gerou o aumento das queimadas. Mas você sabia que os incêndios em Rondônia não são de agora?
Pesquisadores da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e da Universidade do Vale do Taquari (Univates) identificaram sinais de células e tecidos vegetais carbonizados – ou macrocarvão – em quatro amostras de sedimentos coletados às margens do rio Madeira, em Rondônia.
É uma indicação de que a região passou por incêndios florestais há 43 mil anos, no Pleistoceno Superior, 30 mil anos antes dos primeiros registros da ocupação humana. Os incêndios podem ter começado em consequência da variação do clima e contribuído para a renovação da vegetação.
De acordo com o estudo ‘O primeiro registro de macrocarvão sedimentar para o Pleistoceno Superior da Amazônia’, publicado no Journal of South American Earth Sciences, da Science Direct, as amostras foram extraídas de quatro blocos sedimentares contendo compressões foliares previamente descritas para a localidade estudada.
“O material foi submetido aos métodos padrão para estudos de macrocarvão e a carbonização foi confirmada. Embora as características anatômicas preservadas não fossem diagnósticas para afinidades taxonômicas (provavelmente angiospermas), a presença dos registros em estratos do Pleistoceno Superior 30.000 anos antes da presença humana indica que a fonte de ignição e a disseminação foram naturalmente suportadas pelas condições paleoambientais. Este primeiro registro na área e intervalo deve servir como incentivo para esforços adicionais na busca por mais registros de paleowldfire do Pleistoceno Superior na Amazônia”, aponta o estudo no resumo de introdução.
Assim, conforme o estudo, este é um dos registros mais antigos de áreas com marcas de incêndios florestais do país.
Localizada na região do Salgado, no nordeste do Pará, a cidade de Vigia de Nazaré se destaca como um dos municípios mais ricos em cultura do estado. Com uma população de 54,1 mil habitantes, conforme o Censo IBGE de 2020, a cidade está situada a 70 km de Belém e a 55 km do Oceano Atlântico.
A história da tradição religiosa na cidade é marcada por eventos coloniais e um cenário econômico dinâmico fazem de Vigia um ponto de interesse permanente para visitantes e pesquisadores.
A festa religiosa é realizada há mais de 300 anos na “pérola do salgado”, como a cidade é conhecida, e atrai milhares de fiéis anualmente. O evento se consolidou como um dos eventos mais importantes da região, reforçando a identidade cultural e a fé do povo paraense.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vigia
Origem
A cidade teve origem em uma aldeia tupinambá, chamada inicialmente de ‘Uruitá’. Durante o período colonial, tornou-se um posto alfandegário estratégico, estabelecido para fiscalizar embarcações e combater o contrabando na região. Esse papel de vigilância originou o nome “Vigia”. Em 1693, o local foi elevado à categoria de vila, e em 1698 tornou-se oficialmente um município.
Com a expulsão dos jesuítas do Brasil pela Lei Pombalina em 1761, Vigia tornou-se uma paróquia secular e passou a contar com um colégio laico. No período da Cabanagem, revolta que abalou a Província do Pará entre 1833 e 1836, a cidade sofreu depredações, mas se reergueu. Finalmente, em 1854, Vigia foi elevada à categoria de cidade.
A cidade, hoje, também é conhecida como a “Atenas Paraense”, “Ouro Preto do Pará” e “Berço da Amazônia”.
Economia
Atualmente, Vigia se destaca por sua dinamização comercial, mantendo uma alta regularidade de vendas durante todo o ano e oferecendo novas oportunidades de negócios. No entanto, enfrenta desafios em relação ao baixo potencial de consumo e ao desempenho econômico.
O Produto Interno Bruto (PIB) do município é de aproximadamente R$ 476,8 milhões. A administração pública responde por 46,1% do valor adicionado, seguida pelos serviços (28,7%), agropecuária (21,8%) e indústria (3,5%). O PIB per capita da cidade é de R$ 8,7 mil, um valor inferior à média estadual de R$ 30 mil, assim como às médias da Grande Belém (R$ 20,4 mil) e da Pequena Região de Belém (R$ 22,4 mil).
Foto: Reprodução/Prefeitura de Vigia
Pontos turísticos
Poço dos Jesuítas
O Poço dos Jesuítas é um monumento localizado na Rua das Flores que faz referência aos vários poços de água potável abertos em Vigia pelos padres jesuítas ao chegar na cidade. A preocupação era com o fornecimento de água de boa qualidade para utilização comunitária. Em torno do Monumento, que é um dos últimos poços mantidos no município, foi construída uma pracinha, reestruturada e reintegrada ao roteiro histórico de Vigia de Nazaré.
Praça Monumento Círio 300
Localizada na entrada da cidade, a Praça Monumento Círio 300 é uma homenagem ao Círio 300 de Vigia, ocorrido em 1997. O monumento central é um manto sobre uma canoa, simbolizando a Virgem de Nazaré, a qual chegou a este chão chamado Vigia, trazida pelos portugueses quando vieram colonizar o Pará em 1616.
Trem de Guerra
O movimento da Cabanagem, que se espalhou pelo interior do Pará em 1835, atingiu também a então Vila da Vigia de Nazaré. Para fugir dos cabanos que tentavam tomar o poder, as autoridades do Legislativo e os militares vigienses refugiaram-se no prédio denominado Trem de Guerra, moradia e local de trabalho do Juiz de Paz do município, João de Sousa Ataíde. O prédio, por guardar as armas e munições da guarda Municipal Vigiense, era também conhecido como Quartel.
Construído em taipa e cobertura em telha de barro, o prédio, com acesso pela Rua de Nazaré e pela Rua Visconde de Souza Franco, pertenceu posteriormente a Inocêncio Holanda. Mais tarde foi vendido a Jerônimo Magno Monteiro, que o desmembrou em duas edificações, residindo na parte da edificação da rua Noêmia Belém. A parte localizada à Rua de Nazaré foi vendida à Prefeitura. Em 1990, na gestão Noé Palheta, foi totalmente demolido e reconstruído com materiais contemporâneos, em alvenaria de tijolo, mantendo, parcialmente, as características arquitetônicas originais do Trem de Guerra.
Igreja de Pedras – Capela do Bom Jesus
A Capela do Senhor dos Passos (mais conhecida como a Igreja de Pedras ou Igreja do Bom Jesus) é um templo católico, construído pelos Jesuítas e indígenas em 1739, situado à beira do rio Guajará-mirim. Em 2019, a Capela foi tombada como patrimônio histórico e artístico municipal. Toda de pedra, a argamassa era produzida com areia, barro e cal de sernambi – ostra marinha, que era torrada, depois pilada para produzir o cal misturado à massa, acrescida de grude da gurijuba para dar consistência.
Igreja da Madre de Jesus
A Igreja da Mãe de Deus, dedicada à Nossa Senhora de Nazaré, foi construída em estilo barroco, no século XVIII, e apresenta alvenaria de pedra, estrutura do telhado em madeira de lei, cobertura com telha de barro, frontispício formado por um corpo central e duas torres com campanários compostos por três janelões, sineiros de arco de meio ponto, e corpo central marcado pelo frontão que é composto de volutas simétricas (Museu Midiático, 2010). A igreja é tombada pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan) e encontra-se registrada no livro de tombo de belas artes de 14 de dezembro de 1954. Hoje a Igreja da Madre de Deus é um dos principais pontos turísticos da cidade de Vigia.