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Fundo Amazônia: R$ 50,5 milhões são destinados para gestão territorial e ambiental quilombola na Amazônia Legal

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A iniciativa prevê ações de conservação ambiental, produção sustentável, segurança alimentar e fortalecimento da organização comunitária na Amazônia Legal. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Fundo Amazônia anunciou no dia 8 de setembro a destinação de R$ 50,5 milhões em recursos não reembolsáveis ao projeto Naturezas Quilombolas, para apoio à gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal. O Fundo Amazônia é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O projeto Naturezas Quilombolas conta ainda com o apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

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O anúncio foi realizado no Palácio do Planalto, em Brasília, durante o evento Amazônia Protegida: Novos territórios para conservação e desenvolvimento sustentável, em celebração ao Dia da Amazônia. Na mesma ocasião, o BNDES anunciou outras duas iniciativas: R$ 180 milhões do Fundo Clima para restauração ecológica na APA Triunfo do Xingu, no Pará, e R$ 5,3 milhões da iniciativa Floresta Viva para projetos de restauração na Bacia do Rio Xingu, em Mato Grosso.

Com prazo de execução de 60 meses, o projeto será executado pela Fundação de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Sustentável Guamá (Fundação Guamá). A instituição, escolhida por meio de seleção pública, executará o projeto com gestão compartilhada em parceria com o Centro de Cultura Negra do Maranhão (CCN-MA), o Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA), o Movimento Afrodescendente do Pará (Mocambo) e a Universidade do Estado do Pará (UEPA). As ações terão como referência as diretrizes, objetivos e eixos da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PNGTAQ).

Do valor total, R$ 33 milhões serão destinados diretamente a chamadas públicas de projetos, divididas em duas categorias: Sementes e Raízes. A previsão é apoiar a elaboração e a implementação de Planos de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola (PGTAQs) em mais de 16 territórios da Amazônia Legal.

“Com este projeto, o Fundo Amazônia destina recursos diretamente à gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas, por meio de chamadas públicas e de apoio técnico às organizações que atuam nos territórios. A iniciativa prevê recursos para elaboração e implementação dos planos de gestão, com ações de conservação ambiental, produção sustentável, segurança alimentar e fortalecimento da organização comunitária”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

Chamadas

Na chamada Sementes, serão selecionadas até dez organizações quilombolas. O apoio ocorrerá em duas etapas. Na primeira, cada organização poderá receber até R$ 100 mil para mobilização comunitária e construção de um Plano Local de Gestão Territorial e Ambiental Quilombola. As organizações que concluírem essa etapa poderão receber até R$ 200 mil para iniciar a implementação das ações previstas no plano. A chamada terá dotação de até R$ 3 milhões.

A chamada Raízes terá até R$ 30 milhões e selecionará até seis projetos, com valores entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões. Essa modalidade permitirá propostas envolvendo mais de um território quilombola e a execução de ações em rede.

Além das chamadas públicas, estão previstas ações de formação, mobilização comunitária, assistência técnica, monitoramento e avaliação. As formações previstas abrangem diversos temas que colaboram com a implementação dos PGTAQs, incluindo gestão de projetos, agroecologia, manejo sustentável e governança comunitária.

Comunidade quilombola de São José do Mata Fome, na região rural de Macapá
Comunidade quilombola de São José do Mata Fome, na região rural de Macapá. Foto: Gabriel Penha

“Quem trabalha há muitos anos com a Amazônia aprende que a floresta não pode ser pensada separadamente das pessoas que vivem nela e dela. Tenho acompanhado ao longo da minha vida experiências que mostram a força dos povos indígenas, das comunidades quilombolas e tradicionais e da agricultura familiar na conservação da biodiversidade e na construção de alternativas econômicas sustentáveis”, afirmou o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco.

A ministra da Igualdade Racial, Rachel Barros alerta para a importância da justiça racial e climática no enfrentamento de eventos extremos, como o El Niño, e da salvaguarda dos territórios quilombolas como espaços essenciais de proteção dos biomas em todo território nacional. “A atuação conjunta para o fortalecimento da PNGTAQ por meio do avanço nas implementações dos Planos indica um compromisso com os modos de viver das comunidades tradicionais, suas tradições e saberes”, ressalta a ministra Rachel Barros.

Gestão territorial e ambiental

Instituída em 2023, a PNGTAQ está organizada em cinco eixos: integridade territorial, usos, manejo e conservação ambiental; produção sustentável e geração de renda, soberania alimentar e segurança nutricional; ancestralidade, identidade e patrimônio cultural; educação e formação voltadas à gestão territorial e ambiental; e organização social para a gestão territorial e ambiental.

A governança do Naturezas Quilombolas contará com instâncias responsáveis pela definição das diretrizes das chamadas e pela seleção dos projetos. Participam desse arranjo representantes do MIR, do MDA, do MMA, da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) e da Fundação Guamá. O projeto também prevê participação de universidades públicas da Amazônia Legal em atividades de apoio técnico e metodológico.

*Com informações do BNDES

Caseiro de fazenda atravessa rio de trator durante estiagem intensa no Acre

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Quando o rio está cheio, ele utiliza balsa ou embarcação. Foto: Reprodução

O caseiro Everton Oliveira, de 21 anos, atravessou de trator um trecho do Rio Muru, em Tarauacá, no Acre, quando ia para a fazenda que trabalha na última quarta-feira (9) e registrou o momento. No vídeo, ele aparece dirigindo o trator pela água, enquanto o amigo, que estava montado em um cavalo, segue à frente. O percurso até a outra margem levou mais de três minutos.

Segundo a Defesa Civil Municipal, o manancial marcou 3,63 metros na manhã desta sexta (11), no entanto, há percursos em que o manancial está mais baixo e, por isso, é possível a travessia.

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Ao Grupo Rede Amazônica, Everton contou que a travessia faz parte da rotina de acesso à fazenda em que trabalha e que, todos os anos, espera o nível do rio baixar para conseguir passar com o trator. Ele costuma sair da cidade pelo ramal e atravessar o manancial em um ponto que fica próximo à propriedade.

“Todo ano a gente espera o rio dar uma baixada para passar com o trator. Como já deu uma baixada, a gente conseguiu essa semana”, contou.

A passagem, porém, ainda não é suficiente para transportar cargas maiores até a fazenda. De acordo com ele, quando o rio fica mais seco, eles também aproveitam para levar ração e sacas de sal para os animais usando uma carroça.

“Quando ele seca mais a gente desce com a carroça e embarca as coisas. Mas ainda não está num período bom de fazer a travessia com esses produtos porque está meio fundo”, afirmou.

Caseiro de fazenda atravessa rio de trator durante estiagem intensa no Acre
Foto: Reprodução

Everton explicou também que o nível do Muru não baixa da mesma forma todos os anos. Há períodos em que o rio seca bastante, mas também anos em que a água não recua tanto.

“Não é tão comum ficar baixo assim, porque tem ano que não baixa totalmente assim, mas tem épocas que seca bastante, então depende muito. Alguns trechos são mais secos que outros”, disse.

Ainda de acordo com Everton, quando o rio está cheio e a passagem por dentro da água não é possível, a alternativa é usar embarcação ou uma balsa.

Estiagem afeta não só os rios

Segundo o coordenador da Defesa Civil de Tarauacá, Leandro Simões, o município tem registrado chuvas rápidas e curtas. Para esta sexta por exemplo, a previsão indicada pelo órgão era de 38% de possibilidade de chuva.

”A região passa por um período de estiagem e a previsão é de que o nível do rio ainda possa baixar um pouco mais. Ainda não atingimos o pico do verão”, explicou.

Apesar da estiagem, o órgão informou que os números de queimadas estão dentro da média esperada para o período e que não há, no momento, grandes alertas relacionados aos focos de incêndio.

Leia também: De La Niña a um possível El Niño muito forte: veja a evolução das projeções em 2026

Ondas de calor e El Niño

O calor deve continuar sendo um dos principais destaques dos próximos meses em diferentes regiões do país. Uma análise do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta possibilidade de pelo menos seis ondas de calor no Brasil nos próximos meses.

O número pode ser ainda maior, já que, durante o último El Niño, foram registradas nove ondas de calor. O fenômeno é diferente de um dia isoladamente quente.

Para ser considerada uma onda de calor, a situação precisa persistir por pelo menos três dias consecutivos, com temperaturas máximas e mínimas excepcionalmente acima do normal.

A análise considera um histórico de 47 anos de registros de temperatura e períodos de ocorrência do El Niño. A previsão indica a possibilidade de um episódio de forte intensidade, com efeitos diferentes entre as regiões do país, mas com um ponto em comum: a persistência de temperaturas elevadas.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC

Pesquisa analisa papel da Amazônia no reordenamento geopolítico mundial no século XXI

Foto: Fabio Nascimento/Greenpeace

A pesquisa intitulada “The Utopias of New World Contracts and Amazonia“, do professor do Departamento de Física dos Materiais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Marcílio de Freitas, analisa propostas de reorganização política, social, econômica e ambiental para o século XXI e destaca a Amazônia como parte integrante das discussões sobre sustentabilidade, mudanças climáticas, desigualdade social e dessa nova ordem geopolítica. 

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Publicada no Journal of Anthropological and Archaeological Sciences, volume 12, edição 5, a pesquisa apresenta a utopia como uma estratégia metodológica para analisar problemas contemporâneos e identifica cinco propostas que orientarão os processos socioantropológicos no século XXI:

  • a construção de um contrato político mundial;
  • a consolidação da democracia participativa em um sistema político universal;
  • a criação de um novo contrato natural diante dos riscos relacionados às mudanças climáticas e à injustiça ambiental;
  • a construção de um contrato social baseado nos direitos humanos;
  • e um contrato ético entre as nações.

Segundo o estudo, essas propostas têm relação direta com a Amazônia. Para Freitas, a sustentabilidade ocupa posição central na materialidade dessas propostas.

“O paper defende uma reorganização econômica e política mundial que abrange a distribuição de riqueza, a construção da paz e a integração social e econômica entre os países. Nesse contexto, a sustentabilidade é apresentada como elemento para ressignificar os conceitos de desenvolvimento econômico e cidadania”, explicou.

Amazônia e a nova geopolítica

O professor também declara que a implementação de um novo contrato político mundial possibilitará a construção de estratégias diplomáticas para solucionar as disputas entre países e a descentralização dos poderes econômicos e políticos dos países centrais.

“A pesquisa propõe a construção de uma governança global que considere diferentes regiões, culturas e perspectivas. O artigo também relaciona esse processo à necessidade de incorporar a sustentabilidade às políticas públicas e aos processos econômicos globais, defendendo que uma nova ordem política e econômica deve considerar diferentes formas de organização social, cultural e política e propõe a democracia como sistema político universal, associada à eliminação do racismo e do antropocentrismo”, destacou.

A Amazônia é incorporada nesse cenário em razão de sua disponibilidade de recursos naturais e de sua importância nas discussões sobre o futuro ambiental e econômico do planeta.

Leia também: Ranking nacional de sustentabilidade coloca cidades da Amazônia Legal nas últimas posições

Práticas sustentáveis na Amazônia garantem aos produtores, extrativistas e seringueiros a geração de renda com os frutos da floresta.
Foto: Reprodução/Acervo REM

Na dimensão ambiental, relaciona-se a crise climática à necessidade de estabelecer um novo contrato mundial sobre o uso e proteção da natureza.

“A manutenção dos atuais padrões de produção, circulação e acumulação do capital apresenta contradições com a preservação ambiental. Faz-se necessário construir políticas regionais e globais voltadas à conservação dos recursos naturais, incluindo solos, águas e atmosfera. Neste contrato ambiental, a Amazônia é apresentada como parte das discussões e soluções sobre práticas de combate às mudanças climáticas e de sustentabilidade, considerando sua diversidade biológica e cultural, além de participante ativa na formulação de um novo contrato natural mundial”, detalhou o pesquisador.

Desigualdade e direitos sociais

O estudo também propõe um contrato social mundial voltado ao enfrentamento das desigualdades e à implementação de políticas multiculturais. Entre os problemas identificados estão racismo, pobreza, guerras, desemprego estrutural, destruição ecológica, trabalho infantil, doenças e crise moral.

“Há necessidade de mais integração entre as políticas públicas de saúde, educação e cultura e a mobilização da opinião pública internacional, considerando as particularidades locais”, disse.

Contrato ético

A quarta dimensão analisada por Freitas é a necessária construção de um contrato ético pluricultural. A proposta tem como fundamentos a autodeterminação dos povos, a tolerância política e religiosa, o respeito às diferenças e a dignidade humana.

“O artigo também relaciona essa perspectiva à regulação dos mercados, à atuação do Estado na garantia dos direitos humanos básicos e à formulação de políticas públicas, com a educação e as artes como referências simbólicas. Nessa perspectiva, o artigo defende uma concepção de sustentabilidade associada não apenas ao desenvolvimento técnico, mas também a uma dimensão ética. A Amazônia é inserida nessa discussão a partir de sua relação com a natureza, a sociedade, a cultura e a espiritualidade. O texto também aborda a injustiça ambiental, o racismo e a desigualdade social como problemas relacionados à destruição ecológica e cultural da região”, finalizou o pesquisador.

*Com informações da UFAM

Temperatura máxima na estação seca já aumentou mais de 3 °C em área preservada da Amazônia

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Foto: Michel Castro/Rede Amazônica AM

Uma área de mais de 700 mil quilômetros quadrados no centro-norte da Amazônia – quase o tamanho do Chile – registrou um aumento de pelo menos 3,2 °C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981. Nesse território, a elevação foi de, no mínimo, 0,75 °C por década, revela pesquisa publicada nesta quinta-feira (10/09) na revista Communications Earth & Environment por um grupo de 53 cientistas internacionais, incluindo brasileiros.

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O ritmo é superior ao aumento de 0,2 °C por década observado na temperatura média anual da floresta tropical. Os resultados mostram que o clima do bioma não está mudando de forma homogênea: enquanto o sul da Amazônia apresenta aquecimento médio acelerado, é no centro-norte, distante do arco do desmatamento, que as temperaturas extremas e o déficit hídrico avançam mais rapidamente.

Segundo o estudo, isso indica que o fenômeno não pode ser atribuído somente à perda florestal, principal vetor de emissão de gases de efeito estufa no Brasil, mas também à influência das mudanças climáticas globais. Nesse cenário, os cientistas destacam a preocupação com a expectativa de que o El Niño deste ano seja o mais intenso já registrado, podendo levar a Amazônia a sofrer novamente com temperaturas elevadas e secas extremas dois anos após a última grande estiagem, ocorrida em 2024.

O trabalho reforça ainda a urgência de reduzir as emissões e adotar medidas de mitigação e adaptação, incluindo a conservação de trechos de florestas nativas, o combate ao desmatamento e o incentivo à restauração florestal.

“Os dados apontam para extremos cada vez mais críticos e acelerados. E, quando se manifestam, há uma deterioração com impactos sociais, ambientais e econômicos profundos. Ao falarmos de perda de biodiversidade e de mudanças dos ecossistemas, é importante fazermos a relação com os impactos nos sistemas de produção de alimentos, na saúde e no dia a dia das pessoas”, diz à Agência FAPESP a pesquisadora da Divisão de Observação da Terra e Geoinformática (DIOTG) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Liana Anderson, uma das autoras do artigo.

Leia também: Calor extremo e seca: Amazonas pode enfrentar trimestre com calor extremo e menos chuva

Para o pesquisador do Inpe Luiz Aragão, que também faz parte do grupo, um dos pontos de atenção é o aumento de eventos extremos em uma região considerada resistente e resiliente às mudanças climáticas.

“A parte central e norte da Amazônia enfrenta poucos distúrbios antrópicos [causados pela ação humana], como desmatamento e queimadas, quando comparada à fração leste e sul. Os resultados da pesquisa têm implicações para a busca de soluções, com estratégias de adaptação e mitigação para atingir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa”, complementa Aragão, que, juntamente com Anderson, lidera o laboratório TREES (sigla em inglês para Ecossistemas Tropicais e Ciências Ambientais), apoiado pela FAPESP.

Essa região centro-norte da Amazônia, que corresponde a cerca de 10% do bioma total, engloba extensos trechos com elevada cobertura florestal, savanas naturais e importantes unidades de conservação e territórios indígenas, entre eles Coatá-Laranjal, Waimiri-Atroari, Yanomami e Trombetas-Mapuera (localizados no Amazonas e em Roraima). É considerada crucial para a riqueza cultural e conservação da biodiversidade.

“As taxas de mudança dos extremos climáticos são muito superiores às alterações do clima médio na Amazônia. As regiões mais afetadas também diferem quando comparamos os extremos com as condições médias. Isso é importante porque mostramos que o clima da floresta não está mudando de maneira uniforme”, reforça em comunicado à imprensa a brasileira Nathália Carvalho, uma das autoras correspondentes do estudo. Ex-orientanda de Anderson no Inpe, Carvalho é atualmente pesquisadora de pós-doutorado do Centro Ambiental da Universidade de Lancaster (Reino Unido).

Temperaturas máximas no período mais seco aumentaram pelo menos 0,75°C por década no centro-norte da Amazônia; taxas foram calculadas por área, com  resolução espacial de 11 km. Imagem: Liana Anderson/Inpe
Temperaturas máximas no período mais seco aumentaram pelo menos 0,75°C por década no centro-norte da Amazônia; taxas foram calculadas por área, com  resolução espacial de 11 km. Imagem: Liana Anderson/Inpe

Conhecimento acumulado

Para realizar a pesquisa, os cientistas dividiram a Amazônia em áreas de 11 quilômetros de extensão. Usando dados de alta resolução sobre temperatura e precipitação provenientes de informações de satélites e estações meteorológicas locais, o grupo identificou os períodos secos específicos de cada área.

Além da alta resolução espacial, o grupo inovou ao utilizar uma nova medida de déficit hídrico, que considera os efeitos da temperatura sobre a perda de água para calcular o impacto da seca em todo o bioma no período entre 1981 e 2023. Já a velocidade das mudanças climáticas foi analisada sob duas formas:

  • “tendência central” (que enfatiza as taxas médias de mudança da temperatura e do déficit hídrico ao longo dos anos)
  • e “tendência dos extremos”, que dá maior peso aos anos excepcionais, possibilitando avaliar as mudanças ocorridas nos períodos mais quentes ou mais secos.

“Estamos interessados no que acontece quando as condições atingem níveis mais quentes e secos, porque é nestes momentos que as altas temperaturas podem causar os maiores danos”, explica no comunicado o professor da Universidade de Lancaster Jos Barlow, principal autor do estudo.

Efeitos na Amazônia

Diversas pesquisas anteriores vêm demonstrando que os extremos climáticos são responsáveis por impactos prejudiciais à natureza e às pessoas, provocando aumento da mortalidade, perda de espécies, danos aos ecossistemas e até mesmo à economia. Na Amazônia, períodos recentes de seca extrema causaram incêndios florestais de grandes proporções, levando à perda de vegetação, de animais e à poluição do ar, entre outros.

Artigo publicado no ano passado, por exemplo, detalhou a morte de mamíferos observada na Amazônia em 2023, quando os efeitos de um período estendido de seca provocado pelo El Niño combinados à onda de calor no bioma levaram a recordes de temperatura, baixo índice de chuvas e má qualidade do ar provocada por fumaça no Amazonas. Foram encontrados 19 animais mortos, entre preguiças e outros mamíferos. Outro trabalho, realizado em 2020, já havia mostrado uma diminuição do tamanho das populações de aves.

Além disso, duas pesquisas divulgadas neste ano com a participação de Anderson e Aragão indicaram o prolongamento da estação seca na Amazônia de quatro para até seis meses, com aumento do déficit hídrico superando -150 milímetros (mm) e crescimento da degradação da floresta associada ao fogo. Na seca entre 2023 e 2024, ainda sob efeito do El Niño, houve um crescimento médio de 9% nas áreas queimadas e 19% nos alertas de degradação florestal, com até 4,2 milhões de hectares impactados por fogo (leia mais em: agencia.fapesp.br/57792).

“Estamos vendo as taxas de alterações bastante elevadas não só em relação ao clima como também aos processos naturais que ocorrem na superfície da Terra em resposta às mudanças climáticas. E sabemos da necessidade da contenção das emissões de gases de efeito estufa para estabilizar o planeta em uma temperatura segura. Vejo o Brasil com uma legislação elaborada para atacar o problema, com foco na redução do desmatamento e na transição energética limpa. Mas esses planos devem ser implementados de forma urgente, e os tomadores de decisão, que são os vetores para essa implementação, devem levar a sério essa questão”, afirma Aragão.

Recentemente, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) confirmou que o aquecimento global deve ultrapassar 1,5 °C ainda nesta década, estabelecido como limite crítico no Acordo de Paris. Mesmo no cenário mais otimista, a previsão é que a temperatura média da Terra chegue a um pico de 1,8 °C acima dos níveis pré-industriais antes de começar a cair com a adoção de medidas.

Próximos passos

Aragão destaca que ações de combate às mudanças climáticas e soluções que buscam a sustentabilidade do planeta dependem cada vez mais de colaboração.

“Esse trabalho consolida uma rede de cooperação internacional que vem sendo desenvolvida ao longo de vários anos, unindo cientistas brasileiros, europeus e americanos. Também contamos com a participação de jovens pesquisadores, muitos formados em instituições do Brasil. Essas redes conseguem prover informações de altíssimo nível, baseadas em diversos tipos de dados e modelos climáticos globais, que permitem análises críticas e a busca de caminhos.”

Como desdobramentos desse grupo, outras pesquisas estão sendo desenvolvidas para analisar, por exemplo, a resposta das florestas modificadas pelo homem às mudanças climáticas, o provimento de chuvas da Amazônia para áreas agrícolas nacionais e os impactos do manejo do fogo.

O estudo teve financiamento da FAPESP por meio do projeto temático AmazonFACE (23/09046-5 e 24/08543-8) – um experimento de campo montado para estudar como o aumento de CO2 atmosférico afeta a floresta amazônica, sua biodiversidade e os serviços ecossistêmicos – e do auxílio à pesquisa “Vozes da Recuperação”, uma parceria plurinacional e interdisciplinar que trabalha com comunidades vulneráveis pesquisando desafios de recuperação a partir da pandemia de COVID-19.

O artigo Rapid increase of climate extremes reveals new areas of concern in Amazonia pode ser lido em nature.com/articles/s43247-026-03975-1.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino

Amazonas teve maior queda de PIB na região Norte durante 2° trimestre de 2026, aponta pesquisa

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O PIB do Amazonas recuou 0,8% no 2º trimestre de 2026 em relação a 2025. O resultado foi a maior queda da região Norte, segundo o FGV IBRE. Polo Industrial de Manaus. Foto: Divulgação/Suframa

O Amazonas teve a maior queda do Produto Interno Bruto (PIB) entre os estados da região Norte do Brasil no segundo trimestre de 2026, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE). A economia amazonense recuou 0,8% em comparação ao mesmo período de 2025.

O levantamento, intitulado “Desempenho do PIB da região Norte no 2º trimestre de 2026”, é assinado pelos economistas Juliana Trece e Claudio Considera, do FGV IBRE. A análise faz parte de uma iniciativa experimental do Núcleo de Contas Nacionais (NCN) do instituto. As estimativas foram feitas com base nos dados disponíveis e comparadas com as informações do Sistema de Contas Regionais do IBGE (SCR), que têm dados até 2023.

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No panorama regional, a maioria dos estados da região Norte registrou crescimento do PIB em relação ao mesmo período do ano anterior.

Roraima teve alta de 2,9%, acima da média nacional, de 2,0%. Já o Amazonas (-0,8%) e o Pará (-0,2%) tiveram queda. Como os dois estados representam mais de 60% do PIB da região, o resultado contribuiu para deixar o crescimento do Norte próximo da estabilidade, com alta de 0,2%. Veja o gráfico abaixo:

Variação do PIB na região Norte no 2° trimestre de 2026

Amazonas teve maior queda de PIB na região Norte durante 2° trimestre de 2026, aponta pesquisa

Amazonas teve queda na indústria

Segundo o estudo, o resultado do Amazonas foi influenciado principalmente pela queda na indústria do estado, com a indústria de transformação sendo citada como um destaque negativo.

A indústria de transformação é o setor econômico responsável pela conversão de matéria-prima em novos produtos, e engloba desde a produção de alimentos e bebidas até produtos eletrônicos, químicos, veiculares e metalúrgicos.

Leia também: Estudo mostra que Manaus enfrenta desafios de infraestrutura para avançar na bioeconomia

No contexto da pesquisa, entre as atividades que registraram redução estão a fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, máquinas e outros equipamentos.

Os números da indústria do estado foram apontados como o principal resultado negativo entre as economias estaduais analisadas. Veja o gráfico abaixo:

Variação do PIB na região Norte por setor (2° trimestre de 2026)

*Por Marcela Orquiz, da Rede Amazônica AM

MPF cobra R$ 1,7 bilhão e providências de mineradora por garimpo ilegal de cassiterita na TI Yanomami

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Foto: Fabrício Marinho/ISA

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para responsabilizar dez pessoas pela extração ilegal de cassiterita e ouro na Terra Indígena Yanomami, em Roraima. A extração de minérios ocorreu na região do Pupunha, na bacia do Rio Mucajaí (RR), entre março de 2021 e dezembro de 2022. A ação atribui à causa o valor de R$ 1,7 bilhão e pede a recuperação das áreas degradadas, indenizações pelos danos causados e medidas para controlar a origem da cassiterita comercializada.

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Entre os réus estão a White Solder Metalurgia e Mineração, a Cooperativa de Produtores de Estanho do Brasil (Coopertin), a Cataratas Poços Artesianos e a Tarp Táxi Aéreo.

Em pedido de urgência, o MPF requer a adoção de medidas para assegurar o controle da origem do minério. O órgão quer também a implantação de diligências no processo de fornecimento da cassiterita, a designação de responsáveis pela conformidade, a contratação de auditoria independente e a prestação periódica de informações à Justiça. O descumprimento das medidas poderá resultar na suspensão das atividades.

Recuperação ambiental

A ação também pede a condenação dos réus à recuperação das áreas degradadas pela atividade garimpeira na região do Pupunha. Para isso, o MPF requer a elaboração de um plano de recuperação aprovado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além da realização de consulta prévia ao povo Yanomami.

Além da recuperação ambiental, a ação pede o pagamento de indenizações pelos danos causados. O pedido inclui, no mínimo, R$ 53,1 milhões pelo dano ao patrimônio mineral da União, além de indenização de R$ 25 milhões pelo dano ambiental residual e R$ 1,62 bilhão por danos morais coletivos.

MPF cobra R$ 1,7 bilhão e providências de mineradora por garimpo ilegal de cassiterita na Terra Indígena Yanomami (RR)
Foto: ISA/Divulgação

Leia também: Área degradada pelo garimpo cai, mas atividade muda estratégia e segue na Terra Indígena Yanomami

Entre as obrigações específicas solicitadas está a implantação, pela White Solder, de um programa permanente e documentado de diligência devida na cadeia de suprimento de cassiterita. Para a Coopertin, o MPF também pede a implementação de um sistema permanente de controle da origem do minério. Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Federal. Os réus poderão apresentar defesa.

Entenda o caso

De acordo com a apuração da Polícia Federal, no âmbito da Operação Forja de Hefesto, o esquema envolvia diferentes etapas, desde a extração da cassiterita dentro da Terra Indígena Yanomami até a sua transformação e comercialização.

A investigação aponta que escavadeiras abriam frentes de lavra na região, enquanto aviões e uma pista clandestina eram utilizados para transportar o minério. Em seguida, a cooperativa registrava o material como produção de cooperados e emitia notas fiscais. A cassiterita era então encaminhada à metalúrgica, onde era transformada em lingotes de estanho certificados e, posteriormente, comercializada no Brasil e no exterior com aparência de origem legal.

A contabilidade apreendida durante a apuração registra, apenas entre maio e agosto de 2021, a movimentação de 525 toneladas de cassiterita e R$ 54,2 milhões. Em um período de cinco meses, a White Solder teria transferido R$ 166,3 milhões à Coopertin. No entanto, a filial da cooperativa em Boa Vista não possuía cooperados, empregados ou lavra em funcionamento.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para o MPF, os indícios de irregularidades não se limitaram ao período inicialmente investigado. Documentos apresentados pela própria White Solder indicam que a Coopertin permaneceu como sua principal fornecedora de cassiterita em 2022, 2023 e 2024, com o fornecimento de mais de 12,4 milhões de quilos do minério, inclusive após a realização de busca e apreensão pela Polícia Federal na sede da empresa.

Ao ser cobrada a comprovar a origem da cassiterita fornecida, a cooperativa declarou uma produção inferior ao volume que a metalúrgica afirma ter adquirido. Além disso, não apresentou licenças ou relatórios de lavra. A ação também aponta que o garimpo ilegal avançou em direção ao Parque Nacional dos Campos Amazônicos. O minério seria escoado pela chamada “Estrada do Estanho”, em direção à cidade onde estão localizadas a fundição e a matriz da cooperativa.

Danos ambientais

O MPF constatou que a atividade garimpeira deixou um rastro de destruição de cerca de 1,5 quilômetro ao longo de um igarapé. A ação aponta ainda mais de 20 hectares degradados, cursos d’água assoreados e o uso de mercúrio na produção de ouro.

De acordo com a ação, os danos ocorreram durante o período mais grave da crise humanitária enfrentada pelo povo Yanomami. Até o momento, nenhuma medida de recuperação da área degradada foi adotada.

Foto: Nacho Doce/Agência Brasil

Com a ação, o MPF busca responsabilizar os envolvidos pelos danos causados, garantir a recuperação ambiental da região e estabelecer medidas para impedir que a cadeia de comercialização de cassiterita seja utilizada para dar aparência de legalidade ao minério extraído ilegalmente.

A iniciativa é do 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal no Amazonas, no Acre, em Roraima e em Rondônia.

*Com informações do Ministério Público Federal.

Produção de motos no Polo Industrial de Manaus cresce e bate recorde histórico para o mês julho

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Linha de produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus (PIM). Funcionários da Moto Honda. Foto: Foto: Josney Benevuto/Rede Amazônica AM

A indústria de motocicletas instalada no Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou, em julho de 2026, o maior volume de produção da história para o mês. Foram fabricadas 190.794 motos, segundo levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo). O resultado foi 36% maior que o registrado em julho de 2025 e 45,8% superior ao de junho deste ano.

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O desempenho também garantiu ao setor o melhor resultado para os primeiros sete meses de um ano desde 2008. Entre janeiro e julho, foram produzidas 1.254.191 motos, alta de 9,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Leia também: Com faturamento de R$ 99,6 bi, Polo Industrial de Manaus se destaca nos cinco primeiros meses de 2026

A categoria Street liderou a produção em julho, com 98.571 unidades, o equivalente a 51,7% de todas as motos fabricadas no mês.

No acumulado de janeiro a julho, Street, Trail e Motoneta também ficaram nas três primeiras posições. Juntas, as categorias somaram mais de 1 milhão de motocicletas produzidas no período.

Em números absolutos, os modelos de baixa cilindrada mantiveram a liderança, com 985.788 unidades, o equivalente a 78,6% da produção acumulada no ano. As motocicletas de média cilindrada somaram 231.432 unidades (18,5%).

O destaque proporcional ficou com os modelos de alta cilindrada, cuja produção cresceu 30,7% em relação aos primeiros sete meses de 2025. Foram fabricadas 36.971 unidades, ou 2,9% do total.

Produção de motos no Polo Industrial de Manaus cresce e bate recorde histórico para o mês julho
Motos na linha de montagem da Royal Enfield em Manaus. Foto: Divulgação

Em julho, os modelos de baixa cilindrada também lideraram, com 154.575 motocicletas, correspondentes a 81% da produção mensal. As de média cilindrada somaram 31.533 unidades (16,5%), enquanto as de alta cilindrada tiveram 4.686 unidades (2,5%).

A produção nacional de motocicletas está concentrada principalmente no Polo Industrial de Manaus. Segundo a Abraciclo, o Brasil está entre os seis maiores produtores de motocicletas do mundo.

As fabricantes do setor de duas rodas instaladas em Manaus geram mais de 21,9 mil empregos diretos. Em todo o país, o número ultrapassa 154 mil postos de trabalho.

Vendas, exportações e logística

O mercado de motocicletas também teve, em julho, o melhor desempenho da história para o mês. Foram licenciadas 199.236 unidades, alta de 3,1% em relação a julho de 2025 e de 2,6% na comparação com junho de 2026.

Considerando os 23 dias úteis de julho, a média foi de 8.662 motocicletas emplacadas por dia.

Entre janeiro e julho, os licenciamentos chegaram a 1.373.580 unidades, crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período de 2025.

As fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus também aumentaram as exportações. Em julho, foram embarcadas 3.289 motos, alta de 22,8% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

No acumulado de 2026, as exportações chegaram a 27.373 unidades, crescimento de 28,6% em relação aos primeiros sete meses de 2025.

Linha de montagem de motos. Foto: Abraciclo

O presidente da Abraciclo, Marcos Bento, afirmou que o resultado de julho reforça o desempenho positivo da indústria ao longo de 2026 e a capacidade das fábricas instaladas no PIM de atender à demanda do mercado.

“O desempenho registrado em julho reforça a trajetória positiva do nosso setor ao longo de 2026 e confirma a força da indústria de motos e a capacidade das fabricantes instaladas no Polo Industrial de Manaus de responder à demanda do mercado”, afirmou.

Apesar do cenário favorável, ele destacou que o setor acompanha os efeitos dos fenômenos climáticos sobre a logística na região.

Segundo Bento, as fabricantes monitoram, junto às autoridades, o nível dos rios e as condições de navegação. O objetivo é reduzir possíveis impactos no transporte e no abastecimento das fábricas.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Projeto estrutura seis núcleos para fortalecimento da sociobioeconomia na Amazônia

Homem segurando um paneiro e despejando castanhas em cima de uma mesa. Foto: Michael Dantas

Seis Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia estão sendo estruturados na Amazônia para articular organizações e serviços voltados ao fortalecimento de negócios e cadeias produtivas da sociobiodiversidade. A iniciativa é coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), implementada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e financiada pelo governo alemão, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW).

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O projeto é voltado ao fortalecimento de organizações, negócios e cadeias produtivas baseadas no uso sustentável da biodiversidade e busca ampliar o acesso a serviços relacionados ao desenvolvimento da sociobioeconomia nos territórios amazônicos.

Projeto estrutura seis Núcleos para fortalecimento da sociobioeconomia na Amazônia
Comunidade em área de preservação ambiental. Foto: Rodolfo Pongelupe/FAS

Leia também: Redes amazônicas avançam na implementação dos Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia

Os Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia serão implantados nos territórios:

  • de Altamira, Portel e Salgado-Bragantino, no Pará;
  • Macapá, no Amapá;
  • Juruá-Tefé, no Amazonas;
  • e Rio Branco-Brasileia, no Acre.

A implementação envolve atividades técnicas e administrativas relacionadas à estruturação e operacionalização da iniciativa. Representantes das instituições envolvidas no projeto estiveram nesta terça-feira (8), em Brasília, para assinatura dos contratos de cooperação financeira entre a FAS e as redes.

Para a implementação dos seis núcleos, foram selecionadas por edital redes multi-institucionais formadas por organizações com atuação nos territórios. Elas reúnem organizações da sociedade civil, associações, cooperativas, empreendimentos da sociobioeconomia, instituições de ensino e pesquisa, organizações de assistência técnica e outros atores locais.

Cada núcleo irá receber R$ 11,7 milhões para desenvolver atividades relacionadas à assistência técnica, formação, inovação, gestão, acesso a crédito, comunicação, fortalecimento produtivo e comercialização. O edital dos seis núcleos prevê investimento total de R$ 70,2 milhões.

Segundo o superintendente-geral da Fundação Amazônia Sustentável, Virgilio Viana, a FAS antecipou, com recursos institucionais que agora serão reembolsados, etapas preparatórias necessárias à implementação do projeto, incluindo a preparação dos editais, atividades de mobilização e visitas aos territórios.

Serviços articulados nos territórios

Os núcleos funcionarão como arranjos territoriais destinados a articular serviços e instituições que atuam no desenvolvimento da sociobioeconomia. A proposta é conectar organizações comunitárias e empreendimentos locais a assistência técnica, qualificação profissional, inovação, gestão, crédito e mercados.

As atividades poderão abranger diferentes cadeias da sociobiodiversidade presentes nos territórios, considerando suas características produtivas, sociais e ambientais. Entre as organizações envolvidas está a Rede TSBio Portel. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Portel e representante da Rede, Robson Gonçalves Machado, destaca que a iniciativa está relacionada ao fortalecimento das comunidades tradicionais e ao desenvolvimento de atividades econômicas associadas ao uso sustentável da floresta.

A estruturação dos núcleos é realizada no âmbito do Prospera Sociobio, programa do Governo Federal coordenado pelo MMA e voltado ao fortalecimento da sociobioeconomia por meio da articulação de políticas públicas, instrumentos de apoio e iniciativas territoriais.

Apoio a coletivos da sociobioeconomia

Além dos seis núcleos, o projeto contempla o apoio a Coletivos da Sociobioeconomia na Amazônia Legal. O edital destinado a essas articulações selecionou cinco iniciativas, com previsão de até R$ 500 mil para cada projeto.

Foto: Bianca Moreno/ ISA

Os coletivos reúnem organizações e atores que compartilham desafios e oportunidades relacionados a cadeias produtivas ou territórios. As atividades previstas incluem fortalecimento da governança, articulação entre organizações, intercâmbio de conhecimentos e construção de estratégias conjuntas.

Sobre o Projeto Sociobioeconomia na Amazônia

O Projeto Sociobioeconomia na Amazônia integra a cooperação financeira entre os governos do Brasil e da Alemanha. A iniciativa é financiada pelo governo alemão, por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), tem coordenação política do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e é implementada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

* Com informações da Fundação Amazônia Sustentável.

Exposição fotográfica exibe vestígios de 2.300 anos encontrados durante construção de parque em Manaus

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Foto: Arielle Lorena/Semcom Manaus

Uma nova exposição fotográfica no Centro de Arqueologia de Manaus (CAM), localizado no Centro Histórico, apresenta registros das pesquisas arqueológicas realizadas na área de construção do parque Encontro das Águas Rosa Almeida. Batizada de “Solo Ancestral”, a exposição é uma realização da Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult).

A iniciativa integra a programação oficial do “#SouManaus Passo a Paço 2026” e revela vestígios de aproximadamente 2.300 anos que ajudam a contar a história das populações que habitaram a Amazônia antes da colonização europeia.

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A exposição apresenta uma narrativa cronológica com fotografias de cerâmicas, ferramentas de pedra, terras pretas antropogênicas, entre outros vestígios. Além do acervo visual, o público pode conferir um minidocumentário de 10 minutos sobre os bastidores das coletas e análises de campo.

O diretor-presidente da ManausCult, Márcio Brás, informou o período de visitação e destacou as próximas atividades educativas planejadas para o espaço.

“O material ficará exposto por aproximadamente 60 dias no Centro de Arqueologia. Para o mês que vem, planejamos uma roda de conversa e um bate-papo para debater a arqueologia em Manaus, os sítios históricos e o dimensionamento de todo esse material”, declarou Márcio Brás.

Ocupação pré-colonial

A arqueóloga e curadora da exposição, Vanessa Benedito, reforça que os trabalhos de salvamento arqueológico no sítio, decorrentes do licenciamento ambiental para as obras do parque, trouxeram descobertas cruciais para a historiografia e para a identidade de Manaus. Segundo a pesquisadora, as análises de laboratório indicam que a ocupação pré-colonial da área é ainda mais antiga do que se estimava originalmente.

“A importância histórica desse trabalho de arqueologia para Manaus está em socializar um conhecimento que pouco se fala. Trazer uma exposição para o centro da cidade dá visibilidade para a história da densa ocupação pré-colonial antes da chegada dos europeus, mostrando a engenhosidade desses povos, como no manejo da floresta e na produção da própria terra preta. O mais interessante desse material é que estamos recuando a datação da ocupação pré-colonial de Manaus: tínhamos estimativas de até 1.700 anos e, agora, estamos recuando para aproximadamente 2.300 anos, com cerâmicas da tradição Pocó-Açutuba”, explicou a arqueóloga Vanessa Benedito.

Foto: Arielle Lorena/Semcom Manaus

Preservação patrimonial

As pesquisas e intervenções no sítio arqueológico foram acompanhadas continuamente pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O arqueólogo do instituto, Marco Túlio Amaral, ressaltou o cumprimento do ordenamento jurídico e o valor social das descobertas para o município e para o Estado.

“É um processo que tem tramitado junto ao Iphan e, do ponto de vista legal, tem atendido a todo o nosso ordenamento jurídico que versa sobre o patrimônio arqueológico. Mas para além das leis, ele versa sobre as contribuições que temos para o município, para o Estado do Amazonas e para a nossa ancestralidade. É uma oportunidade de tornar isso visual para a população”, afirmou Marco Túlio Amaral.

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Foto: Arielle Lorena/Semcom Manaus

Patrimônio

O CAM possui um acervo de aproximadamente 320 mil peças arqueológicas, que contribuem para a preservação, pesquisa e difusão da história dos povos que habitaram a região amazônica. Nesse contexto, a exposição utiliza a fotografia como ferramenta de divulgação desse patrimônio, apresentando ao público registros relacionados ao material arqueológico encontrado nas obras do parque Encontro das Águas Rosa Almeida.

A iniciativa também evidencia a importância do acompanhamento arqueológico em obras de grande porte, possibilitando que materiais encontrados durante as intervenções sejam identificados, estudados, preservados e, posteriormente, apresentados à sociedade. As fotografias presentes na exposição permitem conhecer esses vestígios sem deixar de valorizar os processos de pesquisa e preservação que envolvem o patrimônio arqueológico.

A exposição “Solo Ancestral” permanecerá aberta à visitação pública no CAM, na Avenida 7 de Setembro, nº 350, Centro, durante os próximos 60 dias, sempre das 9h às 16h.

*Com informações da Prefeitura de Manaus

Rede Bioamazonia: oito instituições firmam cooperação para ampliar pesquisa colaborativa

Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, onde o Museu Goeldi mantém a Estação Científica Ferreira Penna. Foto: Calil Torres/MPEG

Após dois anos de trabalho conjunto, oito das principais instituições públicas de pesquisa da Pan-Amazônia assumiram um compromisso de longo prazo para consolidar uma agenda científica compartilhada. O Memorando de Entendimento (MoU), assinado pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e por mais sete institutos-membros da Rede Bioamazonia, estabelece um marco de cooperação que permitirá ampliar a pesquisa colaborativa, compartilhar capacidades e produzir conhecimento a partir do território, contribuindo para as políticas públicas da região.

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Criada em 2024, a Rede Bioamazonia reúne, além do Museu Goeldi:

  • o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa),
  • o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá,
  • o Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas (Sinchi),
  • o Instituto de Investigación de Recursos Biológicos Alexander von Humboldt,
  • o Instituto de Investigaciones de la Amazonía Peruana (IIAP),
  • o Instituto Nacional de Biodiversidad del Ecuador (Inabio)
  • e o Instituto de Ecología da Universidad Mayor de San Andrés (IE-Umsa).

Juntas, essas oito instituições científicas públicas têm uma longa trajetória em pesquisa, inovação e geração de conhecimento sobre a biodiversidade e os ecossistemas amazônicos.

Essas instituições colocam em comum uma capacidade científica construída ao longo de décadas. A partir da Bolívia, do Brasil, da Colômbia, do Equador e do Peru, a Rede Bioamazonia busca conectar pesquisadores, conhecimentos e territórios para construir uma agenda científica comum, capaz de olhar para a Pan-Amazônia como um sistema compartilhado.

A Rede surgiu com o apoio técnico e financeiro do Programa Amazônia Sempre, do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID), com o objetivo de fortalecer o intercâmbio científico, a mobilidade de pesquisadores e o desenvolvimento de projetos colaborativos na região.

Desde então, a colaboração vem assumindo formas concretas. Existem projetos conjuntos de pesquisa e transferência tecnológica, iniciativas de bioeconomia, intercâmbio de metodologias e capacitação de pesquisadores, além de parcerias com outras redes e organizações que ampliam o alcance das atividades da Rede. A assinatura do MoU surge a partir desse processo de trabalho e estabelece um marco institucional para que essas experiências possam se repetir, ampliar-se e consolidar-se ao longo do tempo. 

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Transferência de tecnologias

Uma das expressões mais concretas dessa cooperação está nos projetos de transferência de tecnologia ligados à bioeconomia. Com o apoio do Grupo BID, os institutos estão trabalhando com tecnologias desenvolvidas para aproveitar os frutos da biodiversidade amazônica, como o cupuaçu, o buriti (aguaje) e o camu-camu. O conhecimento desenvolvido em um instituto pode ser transferido para outro território, onde pesquisadores e equipes locais trabalham com produtores, associações, comunidades e pequenas empresas para adaptar e aplicar essas tecnologias às suas próprias condições – uma lógica que amplia a escala do que cada instituição pode disponibilizar para a região. 

Vale destacar que os projetos de bioeconomia da Rede Bioamazonia são desenvolvidos a partir de métodos e tecnologias gerados por meio da pesquisa científica, que permitem investigar, processar e aproveitar os ativos, os frutos e as plantas da floresta para gerar produtos com maior valor agregado e potencial comercial.

Dessa forma, essas iniciativas buscam contribuir para a conservação da floresta, por meio de alternativas econômicas sustentáveis e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida das comunidades que dependem desses recursos. Essas tecnologias possibilitam, por exemplo, a obtenção de ativos e outros derivados, como a manteiga de cupuaçu, o corante e o óleo de buriti, que podem ser utilizados pela indústria cosmética na fabricação de cremes, hidratantes e sabonetes.

Novas pesquisas

As colaborações entre os institutos também:

  • estão ocorrendo na concepção de novos projetos de pesquisa científica, com a participação de diversos pesquisadores e institutos, ampliando o alcance, a multidisciplinaridade e o intercâmbio de conhecimentos, competências e recursos;
  • no desenvolvimento de cursos de capacitação conjuntos para o uso de tecnologias aplicadas à pesquisa da biodiversidade;
  • e na construção de alianças estratégicas mais amplas, como a firmada com a Aliança Águas Amazônicas, uma iniciativa colaborativa para a conservação e o estudo dos ecossistemas aquáticos amazônicos, na qual a Rede tem uma participação muito ativa;
  • e o curso de Manejo Integrado do Fogo, realizado em parceria com o Icraf-Cifor, que reuniu pesquisadores científicos, instituições públicas, organizações sociais, povos indígenas e comunidades locais.

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No que diz respeito ao desenvolvimento de programas de capacitação conjunta em tecnologias, destaca-se o curso sobre Espectroscopia NIR (Near-Infrared) no reconhecimento da biodiversidade, previsto para 2026 e destinado a pesquisadores dos institutos-membros, que abordará os princípios teóricos e práticos para a aplicação dessa tecnologia à pesquisa sobre biodiversidade na região. Além dos fundamentos da técnica, o curso incluirá o uso dos principais equipamentos e programas de análise, com exercícios práticos no espectrômetro portátil de baixo custo.

Os participantes aprenderão a projetar e realizar coletas espectrais, organizar e analisar os dados e aplicar diferentes ferramentas estatísticas para a identificação e a caracterização de organismos biológicos. O curso visa, além disso, aproximar pesquisadores e instituições e estabelecer as bases para o compartilhamento de conhecimentos, dados e metodologias, fortalecendo a colaboração científica dentro da Rede.

A diversidade da própria Amazônia torna essa capacidade de conexão e colaboração especialmente relevante. Na Pan-Amazônia, coexistem grandes cidades e pequenos núcleos populacionais, florestas e ecossistemas diversos, territórios indígenas e áreas de intensa transformação produtiva, além de instituições científicas e comunidades com conhecimentos milenares. Também existem diferenças entre países, sistemas de pesquisa, idiomas e capacidades técnicas. Uma rede que conecte instituições inseridas nesses diferentes contextos pode ampliar a visão de cada uma delas e gerar espaços para comparar experiências, adaptar soluções e construir conhecimento com maior alcance regional. 

Nesse processo, o território ocupa um lugar central. As instituições que integram a Rede mantêm uma presença contínua na Amazônia e trabalham com comunidades locais, povos indígenas, governos, organizações sociais e outros atores que participam da gestão dos territórios. O conhecimento científico, assim, convive e dialoga com saberes ancestrais, com  experiências produtivas e com processos de ciência participativa. Essa proximidade permite que as questões de pesquisa e as soluções propostas incorporem as condições concretas nas quais serão aplicadas.

Compartilhar dados, metodologias, infraestrutura e capacidades permite formar pesquisadores conjuntamente e desenvolver projetos capazes de atrair financiamento regional. Também abre novas possibilidades para compreender melhor fenômenos que atravessam fronteiras, como a mobilidade de espécies, as ameaças à biodiversidade e os impactos ambientais.

Equipe e pesquisadores dos oito institutos que compõem a Rede Bioamazonia reunidos na sede do Sinchi, na Colômbia, em maio deste ano. Foto: Divulgação/Rede Bioamazonia
Equipe e pesquisadores dos oito institutos que compõem a Rede Bioamazonia reunidos na sede do Sinchi, na Colômbia, em maio deste ano. Foto: Divulgação/Rede Bioamazonia

Formalização de compromisso

O Memorando de Entendimento (MoU) formaliza agora esse compromisso entre os oito institutos e estabelece mecanismos para garantir sua continuidade. O acordo prevê pesquisa conjunta, intercâmbio de pesquisadores e pessoal técnico, capacitação, transferência de conhecimento e tecnologias, geração de contribuições para políticas públicas e a criação de um comitê de acompanhamento com representantes das instituições, encarregado de planejar e acompanhar as atividades da Rede.

A cooperação já está produzindo resultados. O MoU cria o marco institucional e fornece uma estrutura comum para ampliar essas colaborações, abrir novas frentes e dar continuidade a uma agenda científica de longo prazo. Para os institutos, isso também abre novas possibilidades de apresentar projetos regionais, mobilizar recursos, compartilhar infraestrutura e conhecimento especializado e ampliar o alcance de pesquisas que, se desenvolvidas de forma isolada, teriam uma escala mais limitada.

O objetivo fundamental é construir uma capacidade científica regional conectada aos territórios onde os desafios são identificados e de onde as soluções são propostas. Em uma Amazônia diversificada, extensa e marcada por realidades ecológicas, sociais e econômicas distintas, a possibilidade de conectar quem pesquisa, conhece e trabalha nesses territórios pode se tornar uma ferramenta para produzir evidências mais completas e contribuir para decisões públicas mais bem informadas.

Campanha “A Amazônia se pesquisa em rede”

A Rede Bioamazonia iniciou, na semana passada, uma campanha de divulgação juntos aos seus institutos-membros, com o objetivo de mostrar quem a compõe, o que é pesquisado e como estão sendo construídas novas formas de cooperação científica na Pan-Amazônia. As peças estão sendo divulgadas nos canais institucional da Rede e dos institutos. Saiba mais AQUI.

*Com informações do Museu Goeldi