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Sobrevivente do Massacre de Eldorado do Carajás tem bala no olho há 30 anos

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Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Os dias se arrastam para José Carlos Agarito Moreira, de 48 anos. Sentado no terreiro da pequena casa onde vive, ele passa a maior parte do tempo com os pés para cima. “Fico esperando anoitecer para ir deitar”, diz, enquanto tenta esquecer a dor que atravessa a cabeça e, de vez em quando, escorre em pus pela nuca e pelo ouvido, impedindo que ele trabalhe.

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“Acho que é o zinabre da bala que ficou lá dentro”, afirma, apontando para a prótese que carrega no lugar do olho direito, depois de ser atingido por um tiro disparado por um policial militar. Ao lado de um papagaio, ele observa o pequeno movimento da rua em um bairro de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, e quase não se levanta. A rotina só muda três vezes por semana, quando sai para fazer hemodiálise.

Há três décadas, Zé Carlos foi baleado na Curva do S, em Eldorado do Carajás, o maior massacre da história recente do campo brasileiro. Em 17 de abril de 1996, policiais militares abriram fogo contra um grupo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que bloqueavam a rodovia PA-150, durante um protesto em defesa da reforma agrária.

Na hora, 19 pessoas foram assassinadas e dezenas ficaram feridas. Outros dois trabalhadores morreram dias depois, vítimas dos disparos. Na Justiça, apenas os dois comandantes da operação foram condenados por homicídio.

Saiba mais: Massacre de Eldorado do Carajás: relembre caso da manifestação que terminou em assassinato no Pará

Na semana que marca os 30 anos do massacre, o MST organiza uma marcha de cinco dias entre Curionópolis e Eldorado do Carajás, com atos políticos, debates e atividades culturais ao longo do percurso. A mobilização termina na Curva do S, onde será realizado um ato em memória das vítimas e em defesa da reforma agrária.

Na época do massacre, Zé Carlos tinha 18 anos e havia chegado poucos dias antes ao acampamento onde estavam seus pais, na fazenda Macaxeira. A família migrou do Maranhão para o sudeste do Pará quando ele ainda era criança, atraída pela corrida em direção à Serra Pelada. O ouro não veio, e eles passaram a trabalhar em fazendas da região, sem acesso à própria terra.

Zé Carlos foi visitar os pais no acampamento e acabou ficando. Cerca de dez dias depois, já estava entre os trabalhadores que marchavam pela rodovia em direção a Marabá, pressionando o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pela desapropriação da Macaxeira. No fim da tarde daquele 17 de abril, a Polícia Militar cercou a estrada pelos dois lados e avançou para desobstruir o bloqueio.

No início, ele pensou se tratar de bombas de efeito moral. A impressão mudou quando viu um companheiro cair. “Mataram primeiro o Amâncio, o Surdinho”, diz Zé Carlos. Conhecido pelo apelido por ter deficiência auditiva, Amâncio dos Santos Silva avançou na direção dos policiais sem compreender o que ocorria e foi baleado.

A partir dali, os trabalhadores perceberam que não se tratava de dispersão, mas de tiros com munição letal. Zé Carlos tentou sair da linha de fogo, mas não conseguiu. “O policial apontou na minha cara. Na testa. Pra matar”, lembra. A bala entrou pelo olho direito e ele caiu: “Na hora não dói. Ela pesa demais e você cai”.

Ele conta que, apesar de ferido, ainda conseguiu se levantar com ajuda de outros trabalhadores e começou a caminhar, sem compreender a gravidade do ferimento: “Esse olho aqui não é mais meu”. A bala ficou alojada e nunca foi retirada.

Zé Carlos afirma que já teve acompanhamento médico regular, determinado pela Justiça, mas que o tratamento foi interrompido. Hoje tenta retomar o atendimento com o apoio de um advogado e da associação de sobreviventes. “A gente tá correndo atrás pra ver se consegue de novo”, diz.

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Massacre de Eldorado do Carajás: sobrevivente tem bala no olho há 30 anos
Depois de receber um terreno pelo programa de reforma agrária, Zé Carlos precisou vender a área e mudar para cidade para realizar tratamentos de saúde. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Segundo Maurílio da Silva Soares, que preside a associação das vítimas, o caso de Zé Carlos não é isolado. Ele afirma que dezenas de sobreviventes seguem com sequelas graves e sem acesso regular ao atendimento previsto em decisões judiciais e acordos firmados com o Estado do Pará desde o fim dos anos 1990.

“O massacre não acabou. Ele continua na vida dessas pessoas”, diz Soares. Segundo a associação, entre os 69 trabalhadores feridos, ao menos 25 ainda aguardam indenização e relatam dificuldades para manter tratamento médico.

Procurada, a Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará) afirmou que aguarda a formalização das demandas por parte dos representantes dos sobreviventes para dar continuidade aos trâmites administrativos dentro do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo a pasta, apesar de solicitações anteriores, os documentos necessários ainda não foram encaminhados.

A secretaria não informou quantos sobreviventes são atendidos hoje nem explicou como funciona o acompanhamento médico.

“Todos os sobreviventes estão sem assistência médica. O Zé Carlos é o caso mais grave. Mas todos estão na fila do SUS como qualquer outra pessoa”, afirma Soares, presidente da associação. “No nosso caso foi o governo que provocou as sequelas. Então, o governo tem que dar uma atenção especial. Nossos sobreviventes estão morrendo por falta de assistência médica”, complementa. 

Já a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) declarou que o Pará cumpre as obrigações assumidas junto à União no âmbito do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Sobre as decisões judiciais, afirmou que “todas foram cumpridas e liquidadas”.

Pará é líder em violência no campo

Soares também foi ferido no dia do massacre. Conhecido no movimento como Márcio Lima, passou a usar o codinome nos primeiros anos de organização do MST no sudeste do Pará, no início da década de 1990, em um contexto de violência brutal no campo.

Levantamento baseado em dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) indica que o Pará registrou 1.003 assassinatos no campo entre 1980 e 2024, mais do que qualquer outro estado — quase  75% dos casos estão concentrados no sul e sudeste paraenses. Os dados constam do livro Assassinatos e Impunidade no Campo no Pará: 1980 a 2024 (Editora Dialética), de José Batista Gonçalves Afonso e Airton dos Reis Pereira.

Esse padrão de violência se intensificou após a repressão da ditadura militar à Guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil) na década de 1970, e marcou a relação entre trabalhadores rurais, grandes proprietários e forças de segurança na região.

No dia do massacre, Soares foi atingido por estilhaços e por uma coronhada de fuzil que lesionou seu braço esquerdo. Afastado da direção do MST desde 2002, afirma que assumiu a presidência da associação dos mutilados com o objetivo de fortalecer a cobrança por direitos.

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Maurílio Soares foi uma das principais lideranças do MST no Pará e atualmente preside a associação das vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Soares vive em uma chácara na periferia de Parauapebas, onde planta hortaliças em pequena escala e realiza trabalhos eventuais como servente de pedreiro. Já não possui o lote que recebeu após o massacre.

“Os sobreviventes nunca deixaram de cobrar”, afirma Poliana Soares, da coordenação nacional do setor de direitos humanos do MST. Segundo ela, ao longo dos anos essa pressão foi mantida pelos próprios atingidos e voltou a ganhar apoio direto do movimento diante da persistência das violações. A atuação hoje inclui articulação política, audiências públicas e a tentativa de pressionar o Estado a cumprir as obrigações assumidas com os feridos — principalmente, indenizações e tratamento médico.

O caso foi apresentado à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) em 1996 pelo MST e pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional, apontando a responsabilidade do Estado brasileiro pelas mortes, pelos ferimentos e pelas falhas na investigação e punição dos responsáveis. Em 2003, a CIDH declarou a petição admissível. A tramitação segue há décadas, ainda sem decisão final. 

Dos 144 policiais denunciados, 142 foram absolvidos, e apenas os comandantes da operação, o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Oliveira, foram condenados por homicídio.

A terra que não pôde sustentar

Zé Carlos foi assentado no Projeto de Assentamento 17 de Abril, criado na antiga fazenda Macaxeira, menos de um ano após o massacre. Ficou lá por cerca de 20 anos, plantando e criando os filhos. Porém, as dores provocadas pela bala foram se intensificando. “Tinha dia que eu não aguentava. Tinha dia que eu desmaiava”, diz. Sem conseguir manter o trabalho, vendeu o lote e se mudou para Eldorado do Carajás em busca de tratamento médico.

Passou a fazer hemodiálise em Marabá, em viagens que consumiam o dia inteiro. Saía de madrugada e voltava à noite, passando pela mesma estrada onde havia sido baleado. Mais tarde, vendeu também a casa em Eldorado e se mudou para Canaã dos Carajás, em busca de tratamento com deslocamento menor.

Hoje vive com a esposa em uma casa de madeira, com um quarto, sala e cozinha. A renda da indenização é consumida por empréstimos consignados para as despesas médicas. Restam cerca de R$ 500 por mês. Depende da ajuda dos dois filhos para poder comer.

Leia também: Nova espécie de planta é encontrada na Floresta Nacional de Carajás e está ameaçada pela mineração

Zé Carlos parou de trabalhar em razão das fortes dores de cabeça causadas pela bala alojada atrás do olho. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Mesmo assim, Zé Carlos diz que a luta pela terra valeu. Lembra do que conseguiu produzir no assentamento e do que aquilo representou para a família. “A reforma agrária, pra mim, é luta, é conquista, pra gente conquistar uma terra, trabalhar e comer”, afirma. “Se não fosse a reforma agrária, tu acha que a gente tinha terra? Não tinha”.

Entende, porém, que a violência e as sequelas mudaram tudo. “Hoje eu estou desse jeito, com a bala na cabeça, não posso trabalhar”, afirma. Também não guarda mágoa de quem atirou: “Se eu encontrasse o policial, eu chamava ele pra comer uma galinha caipira mais eu. Porque pelo menos ele me deixou vivo”, complementa.

Sem conseguir trabalhar e sem a terra que conquistou, Zé Carlos passa os dias sentado do lado de fora de casa, à espera do cair da noite, para deitar.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Repórter Brasil, escrito por Daniel Camargos, com edição de Carlos Juliano Barros

Prefeitura intensifica obras de recapeamento em Boa Vista

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Recapeamento avança em trechos dos bairros dos Estados, Buritis, Caçari, Paraviana e Centro. Foto: Francisco Sena/PMBV

As fortes chuvas em Boa Vista já começaram, mas os serviços de recomposição asfáltica seguem de forma intensa e contínua ao longo do mês de abril na capital. Desde o ano passado, diversos bairros vêm sendo contemplados com obras de recapeamento. Desta vez, os trabalhos avançam em trechos dos bairros dos Estados, Buritis, Caçari, Paraviana e Centro.

O secretário municipal adjunto de Obras, Lindonir Barreto, explicou que o serviço atendeu, desde o ano passado, trechos dos bairros Asa Branca, Caçari, Jardim Tropical, Jóquei Clube, Paraviana, Pricumã, Raiar do Sol, Santa Tereza, São Francisco e Tancredo Neves. Já em 2026, as equipes também passaram pelos bairros São Vicente, 13 de Setembro e Mecejana.

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Prefeitura intensifica obras de recapeamento em Boa Vista
O serviço é uma das principais frentes de atuação da prefeitura na área de mobilidade urbana. Foto: Rebeca Lima/PMBV

“Esse serviço é uma das principais frentes de atuação da prefeitura na área de mobilidade urbana. Priorizamos trabalhar antes da chegada do inverno em vias com maior fluxo de veículos e pedestres, com o objetivo de melhorar a segurança e a trafegabilidade”, destacou o secretário.

O prefeito de Boa Vista, Marcelo Zeitoune, também acompanha de perto os serviços em diversos bairros da capital. “A cidade está avançando, e é no dia a dia das pessoas que a transformação acontece. Ainda há muito mais por vir. É assim que trabalhamos: com planejamento, presença e resultados na vida das pessoas”, ressaltou o prefeito.

Leia também: Boa Vista amplia mobilidade urbana com 22 novos acessos em 11 bairros da capital

“Esse serviço ‘caiu como uma luva’. Vai ficar melhor para todo mundo”, afirmou Jackson. Foto: Giovani Oliviera/PMBV

População elogia melhorias na trafegabilidade

O entregador de gás Jackson Bruno Garcia, de 29 anos, trabalha em um estabelecimento localizado na rua Rio Grande do Norte, no bairro dos Estados, onde a via recebeu o serviço de recapeamento. Ao se deparar com o trabalho, ele demonstrou satisfação com as melhorias.

“Esse serviço ‘caiu como uma luva’. Vai ficar melhor para todo mundo. Isso mostra que a prefeitura está sempre trabalhando. Inclusive, não é só aqui. Em vários outros bairros onde vou fazer minhas entregas, vejo a atuação da prefeitura”, afirmou Jackson.

Suely Thomé e Eva Magalhães, também elogiaram o serviço de recapeamento no bairro dos Estados. Foto: Giovani Oliviera/PMBV

Quem também elogiou o serviço foram as aposentadas Suely Thomé, de 71 anos, e Eva Magalhães, de 78. Elas são amigas e fazem parte de um grupo de idosos da Unidade Básica de Saúde Dr. Silvio Botelho, localizada no bairro dos Estados.

“Agora está bem melhor com o asfalto novo. A rua ficou muito bonita, dá para caminhar com mais segurança”, disse dona Eva.

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá

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Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), em parceria com a Espeleonordeste (Sociedade Nordestina de Espeleologia), realizam um estudo inédito sobre cavernas e grutas na região da Serra do Laranjal, no sul do Amapá.

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O projeto, chamado ‘Amapá Espeleológico: Prospecção e Topografia de Cavidades Naturais nas Microrregiões do Oiapoque e Mazagão – AP’, busca catalogar cavidades naturais e atualizar mapas e registros de GPS.

Nesta primeira etapa, os trabalhos se concentram em cavernas localizadas no território quilombola do Igarapé do Lago do Maracá, em Mazagão. A iniciativa conta com apoio da comunidade local, que atua como guia dos pesquisadores.

Leia também: Um mundo desconhecido: conheça as principais cavernas e grutas na Amazônia

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá
Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Entre as descobertas estão urnas funerárias indígenas datadas de cerca de 800 anos, já catalogadas em aproximadamente 20 sítios arqueológicos. A maioria corresponde às chamadas urnas maracá, consideradas patrimônio histórico e cultural. Essas cavernas já são conhecidas há 150 anos.

Objetivos e parcerias

O projeto tem como foco o mapeamento topográfico e a caracterização técnica das cavernas nos municípios de Mazagão, Calçoene e Oiapoque. As pesquisas se concentram em grutas conhecidas desde o século 19, mas que ainda carecem de documentação sistemática, muitas vezes associadas a contextos funerários e ritualísticos.

A iniciativa é liderada pela Espeleonordeste, com a expertise do arqueólogo e espeleólogo Daivisson Santos, em parceria com o NuPArq/IEPA e o IPHAN/Amapá, além do apoio da comunidade quilombola.

“A ideia também é que esse material, todo o mapeamento e todo o registro que for criado a partir desse projeto, sirvam para proteção desse território, a partir dessa relação que a gente tem estabelecido ao longo de 15 anos com a comunidade”, diz Lúcio Costa, gerente do Núcleo de Arqueologia do Iepa.

Leia também: Pará é o segundo estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas: 3.224

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Segundo os pesquisadores, o objetivo é garantir que essas cavidades sejam reconhecidas como patrimônio espeleológico nacional, protegidas tanto pela legislação ambiental quanto pela arqueológica.

“Esse projeto é de suma importância para nós, que vem fortalecer cada vez mais o nosso território. Por isso o Iepa está aqui sempre, no nosso território, fazendo o seu trabalho de pesquisa”, destacou José Hamilton, presidente da Associação da Comunidades Remanescentes do Igarapé do Lago Maracá.

Próximas etapas

A próxima fase do estudo está prevista para setembro, nos municípios de Calçoene e Oiapoque, com conclusão em 2027. Os resultados serão encaminhados ao ICMBio e ao Instituto Federal do Amapá (Ifam) para reconhecimento oficial.

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

As cavernas são consideradas bens da União e áreas de proteção permanente. Por isso, além de revelar segredos do passado, o estudo busca garantir que esses santuários subterrâneos sejam preservados para as próximas gerações.

*Por Francisco Pinheiro e Tatiana Guedes, da Rede Amazônica AP

Nova análise revela extensão do desmatamento não autorizado no Brasil

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Foto: Victor Moriyama

As regras do mercado global estão intensificando o foco em cadeias de suprimentos livres de desmatamento e com conformidade legal. Apesar dos atrasos na sua implementação, a EUDR (regulação da União Europeia para produtos livres de desmatamento) levou muitas empresas a investirem em sistemas de devida diligência para cumprir com a proibição de comercializar no mercado europeu commodities cultivadas em terras desmatadas ou produzidas em desacordo com a legislação vigente no país de origem.

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Enquanto isso, a China, a maior compradora de soja e carne bovina brasileira, começou a realizar pilotos de importação de cargas livres de desmatamento e conversão de vegetação nativa, o que aponta para uma procura crescente por cadeias de abastecimento com garantia de legalidade.

No Brasil, os biomas Amazônia e Cerrado são os mais ameaçados pela expansão agropecuária. Embora o Código Florestal brasileiro forneça o quadro legal para o uso da terra, verificar a conformidade em escala continua a ser um desafio. Uma das principais informações necessárias para verificar a conformidade legal é a Autorização de Supressão de Vegetação (ASV), emitida por órgãos ambientais para permitir a conversão de vegetação nativa dentro dos limites permitidos.

No entanto, apesar dos esforços recentes visando aumentar a transparência e integração de dados, as informações destas autorizações são frequentemente descentralizadas e de difícil acesso, criando uma lacuna de dados significativa. Sem dados transparentes e consolidados sobre ASVs, é difícil para atores da cadeia e reguladores saberem se uma área específica de desmatamento foi autorizada ou não.

Para abordar esta lacuna de dados, o Instituto Centro de Vida (ICV) sistematizou e publicou uma base de dados de autorizações para supressão de vegetação nativa para todo Brasil. Esta iniciativa consolida dados de ASVs publicamente disponíveis, tornando a informação mais acessível para avaliar a conformidade legal em regiões impactadas pelo desmatamento no país.

Leia também: Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

Nova análise mostra evidências de não conformidade

A Trase está desenvolvendo um novo projeto em parceria com o ICV e o Centro de Inteligência Territorial da Universidade Federal de Minas Gerais (CIT-UFMG) usando esta nova base de dados para trazer maior clareza sobre como os mercados consumidores internacionais estão expostos ao desmatamento não autorizado por meio das importações de carne bovina e de soja do Brasil.

Na primeira fase deste projeto, comparamos dados oficiais de desmatamento do PRODES para o período 2009–2024 com ASVs válidas, a fim de estimar quanto desmatamento e conversão de vegetação natural recentes ocorreram com e sem autorização na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

Os resultados mostram uma falta significativa de autorizações, tanto na Amazônia quanto no Cerrado. O desmatamento totalizou 26,4 milhões de hectares (Mha) entre agosto de 2008 e julho de 2024 e, deste total, 22,8 Mha (86%) não possuíam autorização para a supressão da vegetação nativa, enquanto apenas 3,6 Mha (14%) se sobrepunham a áreas com ASV. Isto sugere que a maior parte do desmatamento nesses biomas ocorreu sem autorização registrada e divulgada publicamente.

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

Na Amazônia, a evidência de desmatamento não autorizado é significativa. O desmatamento totalizou 11,7 Mha entre 2009 e 2024, dos quais 11,2 Mha (96%) sem ASV sobrepostas. Além disso, o desmatamento não autorizado é altamente concentrado geograficamente. Apenas cinco municípios foram responsáveis por 20% de todo o desmatamento sem ASV. Três municípios — Altamira, São Félix do Xingu e Porto Velho — foram responsáveis por 13% do total de desmatamento não autorizado.

No Cerrado, o desmatamento total atingiu 14,7 Mha no período analisado. Embora a proporção de desmatamento não autorizado seja menor do que na Amazônia, a área absoluta é elevada. Foram detectados 11,7 Mha (78%) de desmatamento sem ASV, enquanto apenas 3,2 Mha (22%) de áreas desmatadas estavam sobrepostas a uma autorização. O desmatamento sem ASV é menos concentrado no Cerrado em comparação com a Amazônia. A nossa análise mostra que 29 municípios foram responsáveis por 20% da área total desmatada sem ASV.

Fiscalização menos extensiva no Cerrado

A base de dados do ICV também sistematizou informações sobre áreas embargadas, que são sanções emitidas por agências ambientais federais e estaduais que servem como um indicador adicional de infrações ambientais. Para oferecer uma camada adicional de evidência de não conformidade, comparamos os dados oficiais de desmatamento do PRODES do mesmo período com os embargos ambientais.

Leia também: Em 2025, desmatamento tem redução de 11,08% na Amazônia

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil
Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

A análise mostra que 46% de todo o desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas sob embargos, o que significa que quase metade do desmatamento não autorizado foi fiscalizado.

Em contraste, apenas 8% do desmatamento no Cerrado se sobrepõe a embargos. Esta discrepância sugere que, embora a não conformidade seja generalizada em ambos os biomas, a fiscalização é mais ativa na Amazônia do que no Cerrado.

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

Gestão do risco nas cadeias de soja e carne bovina

Na próxima fase deste projeto, liderada pelo CIT-UFMG, adicionaremos à análise dados de produção de soja e de carne bovina nos biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal, avaliando a conformidade com o Código Florestal e identificando a extensão do desmatamento não autorizado e de autuações, usando dados sobre ASVs e áreas embargadas.

Estes dados permitirão às empresas ao longo da cadeia de fornecimento que utilizam soja e carne bovina nos seus produtos priorizarem a devida diligência e a gestão de risco, identificando regiões com taxas mais elevadas de desmatamento não autorizado.

Para governos, produtores e consumidores, esses dados permitirão orientar o direcionamento de recursos de fiscalização e monitoramento onde são mais necessários. Dados transparentes sobre legalidade são essenciais para fortalecer a responsabilização e apoiar a transição para cadeias de suprimentos legais e livres de desmatamento.

Disclaimer: Apesar do robusto quadro legal brasileiro que rege a transparência das informações, existem limitações quanto à integridade, ao formato e à acessibilidade dos dados sobre ASVs e áreas embargadas. Consequentemente, deve-se ter cautela no uso e na interpretação dos resultados desta análise. Informações detalhadas sobre a metodologia desta análise.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Centro de Vida

Exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode sair R$ 47 bilhões mais caro que investimentos em energia renovável, aponta estudo da WWF-Brasil

Localizada na Margem Equatorial brasileira, bacia da Foz do Amazonas está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética do país. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

A exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa do litoral que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abriga o Grande Sistema Recifal Amazônico, está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética brasileira. O argumento mais recorrente é o de que explorar esse petróleo geraria riqueza hoje para financiar a transição energética amanhã.

O problema é que essa premissa nunca foi testada com dados. O estudo do WWF-Brasil faz justamente isso: coloca os números na mesa e pergunta se essa lógica se sustenta quando o cálculo considera não apenas o lucro das empresas, mas os custos e benefícios reais para toda a sociedade brasileira, incluindo saúde, clima e oportunidades perdidas.

Leia também: R$ 2,5 milhões: Petrobras é multada pelo Ibama por vazamento de fluido na Foz do Amazonas

O que diz o estudo?

O estudo aplica a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), do guia metodológico oficial do governo federal recomendado pelo Tribunal de Contas da União para avaliação de grandes investimentos públicos. A diferença em relação a uma análise financeira convencional é fundamental: em complemento à análise de rentabilidade privada, a ACB mede o que a sociedade ganha ou perde com cada escolha, colocando na conta os impactos que o mercado não precifica, como os danos climáticos de secas e enchentes, os prejuízos à saúde pública e as consequências de longo prazo para o país.

Para garantir que os resultados se mantenham mesmo em diferentes cenários de preço e risco, foram realizadas 10.000 simulações, comparando real por real, energia por energia e litro por litro. 

Análise socioeconômica de custo-benefício compara a rota fóssil na Margem Equatorial com energia renovável e biocombustíveis. Foto: Divulgação/WWF
Análise socioeconômica de custo-benefício compara a rota fóssil na Margem Equatorial com energia renovável e biocombustíveis. Foto: Divulgação/WWF-Brasil

O foco do estudo é responder a uma pergunta concreta: faz sentido, para a sociedade brasileira, alocar recursos escassos na Foz do Amazonas quando existem alternativas renováveis disponíveis?

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Segundo o Especialista em Conservação do WWF-Brasil e doutor em Planejamento Energético, Ricardo Fujii, que é um dos coordenadores do estudo, a análise mostra que, em qualquer cenário comparado, a rota fóssil apresenta pior desempenho econômico e social para o país.

”Os motivos são estruturais: a rota fóssil prioriza extração e uso de recursos não renováveis, com altos impactos ambientais, mas a grande evidência do estudo é o custo financeiro dessa escolha. Afinal, quando inserimos na conta as consequências climáticas e sociais, os prejuízos podem ser bilionários. Já as rotas renováveis distribuem benefícios em cadeias descentralizadas, com emissões no ciclo de vida até 80% menores e maior potencial de desenvolvimento regional. Além disso, o país já é autossuficiente em petróleo, e as reservas do Pré-Sal atendem à demanda interna durante o processo de transição energética”.

Números

O estudo apresentou números sobre a comparação entre os investimentos em petróleo na bacia da Foz do Amazonas e energia renovável:

Mesmo volume de investimento (Real por Real):

  • Investimento no petróleo: perdas médias de R$ 22,2 bilhões para a sociedade;
  • Investimento em energia renovável: benefício líquido de R$ 24,8 bilhões;
  • Diferença entre as escolhas: R$ 47 bilhões em custo de oportunidade perdido.

 Mesma quantidade de energia entregue (BTU por BTU):

  • O petróleo custa entre R$ 14,2 bilhões e R$ 33,7 bilhões a mais que as renováveis;
  • A produção desse petróleo lançaria 446 milhões de toneladas de gases poluentes;
  • Esses impactos representam entre R$ 21,1 bilhões e R$ 42,2 bilhões em danos climáticos que recaem sobre a sociedade.

Mesmo volume de combustíveis (Litro por Litro):

  • Substituir petróleo por biocombustíveis (etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação e biometano);
  • Evita perdas de até R$ 29,2 bilhões;
  • Com vantagem adicional de geração de renda e empregos distribuídos pelo território nacional, usando cadeias produtivas e tecnologias já disponíveis.

O risco que ninguém está colocando na conta

Há ainda um risco que costuma ficar fora do debate público: o petróleo da Foz do Amazonas só chegaria ao mercado daqui a décadas, exatamente quando a demanda mundial já estaria em queda estrutural, segundo projeções da Agência Internacional de Energia.

Isso significa que o Brasil correria o risco de construir uma infraestrutura bilionária que se tornaria obsoleta antes de gerar retorno, forçando o Estado a arcar com o prejuízo. Escolher a Foz do Amazonas não é apenas uma decisão ambiental: é uma aposta de alto risco fiscal num ativo que pode nunca se pagar.

Energia renovável na Amazônia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por que o WWF-Brasil realizou este estudo?

O WWF-Brasil atua no país há quase três décadas na interface entre conservação, políticas públicas e desenvolvimento. A organização defende que grandes decisões de infraestrutura energética sejam tomadas com base no interesse público e não apenas na viabilidade financeira para o investidor privado.

Este estudo integra as contribuições do WWF-Brasil ao governo federal para a construção do Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada, e tem como objetivo oferecer evidências concretas para orientar escolhas públicas com base no retorno real para a sociedade.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Foz do Amazonas

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá. Imagem: Petrobras
A Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial Brasileira, situada entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

Situada no extremo noroeste da Margem Equatorial e na fronteira com a Guiana Francesa, a Bacia da Foz do Amazonas abrange o litoral do Amapá e parte do Pará, numa área de aproximadamente 283 mil quilômetros quadrados. É lá que está localizado o bloco de exploração FZA-M-59, visto como promissor para a soberania energética do Brasil. Desde outubro de 2025, a atividade exploratória na Foz do Amazonas vem sendo realizada pela Petrobras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela WWF Brasil

Mais de dez jacarés surgem em igarapé de Manaus e surpreendem moradores

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Foto: Reprodução/ Instagram-@Flaavinharibeiroo

Um vídeo publicado nas redes sociais viralizou ao mostrar a presença de mais de dez jacarés-tinga em um igarapé localizado no Distrito Industrial, na Zona Sul de Manaus (AM). O registro foi feito pela psicóloga Flávia Ribeiro no domingo, dia 26 de abril, nas proximidades do condomínio Eliza Miranda, e rapidamente ganhou repercussão.

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Nas imagens, os animais aparecem juntos em um mesmo trecho do curso d’água, entre áreas de vegetação e acúmulo de lixo. A cena surpreendeu os moradores e chamou atenção pela quantidade de répteis reunidos em plena área urbana. 

Leia também: Jacaretinga: Um sobrevivente dos igarapés urbanos da cidade de Manaus

O jacaré-tinga (Caiman crocodilus) é uma das espécies mais comuns da Amazônia, encontrado em igarapés e rios de águas rasas, inclusive em áreas urbanas de Manaus. Ele mede entre dois e três metros e se alimenta de peixes, crustáceos e aves, desempenhando papel importante no equilíbrio ecológico da região.

Ao Grupo Rede Amazônica, Flávia revelou que já está acostumada a ver jacarés na região, mas se surpreendeu com a quantidade registrada no vídeo.

“Olha, a presença de jacarés-tinga na região é extremamente comum, mas o que chama atenção é justamente a quantidade de animais juntos e a proximidade com a área urbana, além da beleza deles que impressiona”, disse.

Ela mora há pouco mais de um ano no condomínio próximo ao igarapé e afirma que percebeu um aumento no número e no tamanho dos animais.

“Desde que eu cheguei já percebi a presença dos jacarés-tinga na região, mas o que eu notei é que com o tempo, eles vêm aumentando, tanto em quantidade como em tamanho também”, relatou.

Leia também: Por que é frequente encontrar jacarés “passeando” pelas cidades e centros urbanos?

Mais de dez jacarés surgem em igarapé de Manaus e surpreendem moradores
Foto: Reprodução/ Instagram-@Flaavinharibeiroo

Segundo Flávia, alguns moradores alimentam os animais, o que pode ser perigoso.

“Eu mesma já presenciei moradores jogando restos de comida para os jacarés. Isso acaba incentivando a aproximação deles, o que não é seguro. Até o momento não houve nenhum acidente, mas é importante manter o cuidado e respeitar o espaço desses animais”, completou.

Jacarés se adaptaram ao meio urbano, diz especialista

O biólogo e especialista em crocodilianos amazônicos, ldean Fernandes, explicou que a espécie se adaptou ao ambiente urbano e que a presença deles no local é antiga.

“Eles vivem há bastante tempo lá. É uma espécie resiliente, que conseguiu se adaptar ao ambiente alterado. Já identificamos até ratos domésticos na dieta desses jacarés, o que mostra como eles aproveitam os recursos disponíveis em áreas urbanas”, afirmou.

Ele destacou que, apesar de serem predadores, os jacarés-tinga são ariscos e costumam se afastar quando perturbados.

“O jacaré-tinga não costuma atacar. Ele é muito arisco e, quando perturbado, se evade rapidamente. Situações de agressividade podem ocorrer apenas em casos de proteção de ninho ou quando o animal se sente encurralado”, disse.

Foto: Reprodução/ Instagram-@Flaavinharibeiroo

Fernandes, que há dez anos monitora a espécie, contou que os animais conseguem manter uma distância segura dos humanos.

“Eles mensuram uma distância segura entre o observador e eles para poder agir. Quando estamos na ponte, eles permanecem, mas quando descemos para a borda do igarapé, todos se evadem rapidamente”, explicou.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Modelo acreana de origem indígena é o rosto da Gucci em campanha internacional

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Foto: @demna

A modelo acreana Gabriely Dobbins, de 19 anos, natural de Sena Madureira, é uma das estrelas da campanha global da Gucci, grife italiana e uma das marcas mais tradicionais da moda de luxo. A confirmação foi feita pela própria modelo nas redes sociais, na última sexta-feira (24), e representa um avanço na carreira internacional.

O anúncio reforça o momento de ascensão da acreana, que tem consolidado espaço em passarelas e campanhas internacionais.

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De Sena Madureira, Gabriely é descendente do povo indígena Huni Kuin (Kaxinawá) e iniciou a trajetória ainda adolescente e se mudou para São Paulo (SP) para investir na carreira de modelo.

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Desde então, participa de desfiles, editoriais e campanhas publicitárias, chamando atenção pelo perfil e pelos traços indígenas, herança familiar que vem da bisavó.

Antes da campanha da Gucci, Gabriely já era reconhecida no cenário nacional. Em março deste ano, ela foi anunciada como uma das semifinalistas do FFW Brasil Fashion Awards, premiação que destaca profissionais da moda brasileira com base no desempenho ao longo de 2025.

Em abril de 2024, a acreana participou pela terceira vez da São Paulo Fashion Week (SPFW), considerada a maior semana de moda do Brasil, e desfilou para oito marcas durante a edição que aconteceu entre os dias 9 e 14 daquele mês.

Já em outubro de 2025, Gabriely também alcançou um marco na carreira ao estrear internacionalmente na Paris Fashion Week, uma das semanas de moda mais importantes do mundo.

Na ocasião, a acreana desfilou com exclusividade para a marca francesa Chloé, após cerca de um mês e meio de preparação para o evento. A participação marcou o primeiro trabalho da modelo fora do Brasil.

Trajetória como modelo

A trajetória da acreana na moda começou após vencer um concurso de beleza em Sena Madureira município. Um vídeo da participação chamou atenção de um produtor e abriu portas para que ela ingressasse em uma agência de modelos.

Pouco tempo depois, passou a trabalhar com a Way Model Management, agência com atuação nacional e internacional.

Gabriely foi emancipada aos 16 anos. Ela é acompanhada e incentivada pela mãe, Aleyxandra Marques. Em 2024, Aleyxandra conversou com o Grupo Rede Amazônica e falou das dificuldades do início da carreira da filha.

“No início não foi fácil. Tinha que pagar book, pagar aula de passarela, mas aí quando ela chegou em São Paulo, já fez tudo isso e tinha agendado um editorial pra Vogue, já fez pra Vogue e, desde então, começou no primeiro São Paulo Fashion Week também, que já foi quando a gente chegou há um ano em abril, chegou e fazendo três desfiles, aí continuou trabalhando. Fez foto pra muitas marcas, trabalho pra muitas marcas, Duda Reis, a Oakley, muitas”, disse a mãe.

Aleyxandra deixou a academia que tinha em Rio Branco para acompanhar a filha Gabriely na carreira de modelo. Para custear os primeiros meses, alugou os equipamentos do espaço, entregou a casa onde moravam e vendeu os móveis. Após três meses de preparação na capital, a jovem começou a ser chamada para trabalhos e castings em São Paulo.

*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC

Amapá registra 4 km² de desmatamento e se mantém entre os menos afetados da Amazônia

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Foto: Divulgação/ Polícia Civil do Amapá

O desmatamento na Amazônia registrou queda de 17% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O Amapá aparece como destaque positivo, com números baixos, com 4 km² de desmatamento registrados em 8 meses.

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Na Amazônia Legal, foram derrubados 348 km² de floresta entre janeiro e março, contra 419 km² em 2025. Apesar da redução geral, alguns estados ainda chamam atenção pelo avanço da devastação.

Amapá entre os menos afetados no desmatamento

Entre agosto de 2025 e março de 2026, o Amapá registrou apenas 4 km² de área desmatada, contra 7 km² no ciclo anterior. A redução de 43% coloca o estado entre os menos impactados da Amazônia Legal.

Em comparação, estados como Pará (425 km²) e Mato Grosso (270 km²) concentram a maior parte da destruição, enquanto Roraima foi o único a apresentar aumento, passando de 184 km² para 222 km².

  • Pará – 425 km² (-52%);
  • Mato Grosso – 270 km² (-38%);
  • Roraima – 222 km² (+21%);
  • Amazonas – 219 km² (-35%);
  • Acre – 193 km² (-32%);
  • Rondônia – 69 km² (-27%);
  • Maranhão – 56 km² (-7%);
  • Amapá – 4 km² (-43%);
  • Tocantins – 3 km² (-67%).

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Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP

Apesar da queda acumulada de 36% no período de agosto de 2025 a março de 2026 (1.460 km² contra 2.296 km² no ciclo anterior), março isoladamente registrou aumento de 17% em relação ao mesmo mês de 2025. Foram 196 km² derrubados, contra 167 km² no ano passado.

Especialistas destacam que a manutenção de políticas de fiscalização e conservação é essencial para preservar esse cenário positivo e evitar que o estado siga a tendência de alta observada em outras regiões.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Portal Amazônia responde: qual o correto, Ilha de Marajó ou Ilha do Marajó?

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Considerado ao maior arquipélago fluviomarinho do mundo, a Ilha do Marajó é um dos cenários ecológicos mais exuberantes do planeta, que reúne aproximadamente três mil ilhas e ilhotas. Banhada pela foz do rio Amazonas e o Oceano Atlântico, a região, no Pará, é composta de 16 municípios e possui cerca de 40 mil quilômetros de extensão.

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No entanto, bem longe de suas belíssimas paisagens e realidades contrastantes, uma questão em relação ao nome da região tem surgido nos últimos anos: é Ilha do Marajó ou Ilha de Marajó?

Para esclarecer esse tema, o Portal Amazônia conversou com o professor língua portuguesa do Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA), Alcides Fernandes de Lima.

DE Marajó ou DO Marajó: qual é o correto?

Segundo Alcides, ambas formas estão corretas e não trazem nenhum prejuízo gramatical à língua portuguesa.

“Do ponto de vista gramatical, as duas formas – Ilha do Marajó ou Ilha de Marajó – são absolutamente regulares, não há nada que as desabone do ponto de vista da gramática da língua portuguesa. Trata-se apenas de um fenômeno variável, natural da língua”, explicou o professor ao Portal Amazônia.

Leia também: Ilha do Marajó, o maior arquipélago de mar e rios do mundo

Especialista em variação linguística, terminologia e geossociolinguística do português brasileiro, Lima explica que o uso do artigo definido (o, a, os, as) antes de nomes próprios faz parte da cultura brasileira, diferente de outras línguas do mundo.

“O uso do artigo definido antes do nome próprio está relacionado a um fenômeno comum da língua portuguesa. Não é comum nas línguas do mundo, já que o artigo tem a função e definir e o nome próprio, por natureza, já vem definido. É um fenômeno variável, mas no caso do português, se usa”, frisou.

Importância da identidade linguística

Alcides defende, do ponto de vista linguístico, que o uso das duas formas também faz parte da identidade de comunidades pertencentes da região.

O professor aponta que uma eventual norma obrigatória feriria traços identitários e culturais da ilha.

“Os fenômenos variáveis são interessantes do ponto de vista linguístico, porque eles constituem traços identitários das comunidades de fala. Imagina, por exemplo, que uma normatização do nome da ilha fosse determinada para ‘Ilha de Marajó’ e que a forma ‘do Marajó’ fosse considerada errada. Essa imposição seria vista como um desrespeito à sua identidade linguística, cultural e histórica das comunidades. Por isso, o melhor é admitir os dois usos, dando preferência para o que é mais comum para a população”, concluiu o professor.

Habitante do ilha de marajó
Especialista conta que qualquer imposição para normatizar nome seria um ‘desrespeito’ à identidade das comunidades. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Além de professor da UFPA, Alcides Fernandes de Lima também possui mestrado, doutorado e pós-graduação em Linguística, além da graduação em Letras e Artes. O docente atua no ensino e pesquisa das áreas de Língua Portuguesa e Linguística, com ênfase na Sociolinguística, Dialetologia e Socioterminologia.

Também é membro do Comitê Nacional do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) e ainda é sócio permanente da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Ilha do Marajó

Com uma área de 40.100 km², Marajó é considerada a maior ilha fluviomarinha do mundo (ou seja, ela é cercada por rios de um lado, e por mar do outro), banhada pelo rio Amazonas a oeste e noroeste, pelo oceano Atlântico ao norte e nordeste, e pelo rio Pará a leste, sudeste e sul.

A ilha destaca-se pela sua paisagem diferenciada, mesmo dentro da região amazônica, e é marcada por praias desertas de água salobra, igarapés e búfalos por toda a parte. Contando com uma população total de cerca de 250.000 habitantes, sua área está dividida atualmente em 15 municípios, sendo que o principal destes é Soure, com 22 mil habitantes, seguida de Salvaterra com 17 mil habitantes.

Sobre o nome Marajó, a teoria mais aceita sobre a origem, faz menção às observações dos indígenas nativos da ilha, que a denominaram de “Mibaraió”, e que em língua tupi significa “anteparo do mar” ou “tapamar”. 

Leia também: Natureza exuberante e cultura centenária colocam o Marajó na rota do turismo nacional e internacional

Ilha do Marajó é considerada o maior arquipélago do mundo, com cerca de 40 mil quilômetros quadrados de extensão. Foto: Reprodução/Prefeitura de Afuá-PA

Licitações para obras na BR-319 são suspensas por risco ambiental no Amazonas

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A decisão liminar é da juíza federal Mara Elisa Andrade e atende a um pedido do Observatório do Clima contra o Dnit. Foto: Reprodução/DNIT

A Justiça Federal do Amazonas suspendeu, nesta terça-feira (28), por 70 dias, os processos de licitação para obras no chamado “trecho do meio” da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A decisão liminar é da juíza federal Mara Elisa Andrade e atende a um pedido do Observatório do Clima contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Leia também: Justiça recebe pedido de anulação de editais do Dnit para obras em trechos da BR-319

A medida atinge quatro pregões eletrônicos lançados pelo Dnit no dia 13 de abril, que previam contratar empresas para serviços em diferentes trechos da rodovia, com investimento estimado em R$ 678 milhões. As sessões estavam marcadas para esta quarta (29) e quinta-feira (30).

O Grupo Rede Amazônica procurou o Dnit, o Ministério dos Transportes e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para comentar a decisão, mas até a última atualização desta reportagem, não houve retorno.

Na ação, o Observatório do Clima afirma que o Dnit enquadrou as intervenções como manutenção para dispensar o licenciamento ambiental. A entidade argumenta, porém, que os serviços indicam reconstrução e pavimentação da estrada, o que exigiria estudos de impacto ambiental.

Ao analisar o caso, a juíza apontou indícios de irregularidade nessa classificação e destacou o risco de danos ambientais. Segundo ela, o responsável pela obra não pode definir sozinho se o empreendimento precisa ou não de licenciamento. “O proponente da obra não pode ser juiz de si mesmo”, destacou.

A magistrada também ressaltou que o trecho da BR-319 corta uma área de alta sensibilidade ecológica na Amazônia, já pressionada por desmatamento, grilagem de terras e ocupação irregular.

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Risco de danos irreversíveis

A decisão cita estudos do Ibama que classificam a obra como de significativo impacto ambiental. De acordo com esses documentos, a pavimentação da rodovia pode aumentar o desmatamento, estimular a abertura de estradas ilegais e intensificar a ameaça sobre áreas protegidas e terras públicas.

Para a juíza, permitir o andamento das licitações neste momento poderia levar à assinatura de contratos e início das obras antes de uma análise completa, criando uma situação difícil de reverter.

O que muda na prática

Com a decisão, os pregões ficam suspensos por 70 dias. Nesse período:

  • nenhum contrato relacionado às obras pode ser firmado;
  • o Dnit tdeve apresentar o processo administrativo completo e detalhar as obras previstas;
  • o Ibama terá que se manifestar sobre a dispensa de licenciamento ambiental.

Caso a decisão não seja cumprida, a Justiça fixou multa de R$ 1 milhão.

Após receber as informações dos órgãos envolvidos, a Justiça deve reavaliar a medida para decidir se mantém ou revoga a suspensão.

O processo ainda será julgado no mérito. Isso significa que a decisão final vai definir se as licitações poderão continuar ou se serão anuladas.

BR-319, amazônia
Foto: Reprodução/DNIT

Editais publicados

No dia 31 de março, em Brasília, foram assinados os documentos que autorizam a pavimentação de 339 km da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. O investimento é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.

Saiba mais: Licitação para pavimentação do trecho do meio da BR-319 é anunciada em Brasília

Os editais abrangem quatro segmentos da BR-319: do km 250,7 ao km 346,2; do km 346,2 ao km 433,1; do km 433,1 ao km 469,6; e do km 469,6 ao km 590,1. As obras foram classificadas pelo órgão como serviços de manutenção e melhoramento da via.

Além disso, entre as intervenções previstas pelo Dnit está a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7 da rodovia, com investimento de R$ 44,1 milhões e prazo de execução de 23 meses.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM