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Pesquisadoras no Pará estudam murumuru como opção à liberação sustentada de fármacos

Estudos com o murumuru foram feitos na Ufopa em parceria com instituições nacionais e internacionais. Foto:

Uma palmeira muito comum na região amazônica, Astrocaryum murumuru, ou simplesmente murumuruzeiro, que é rica em ácido láurico, mirístico e oleico, está sendo estudada no Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento Farmacotécnico e Cosmético (LPDF), ligado ao Instituto de Saúde Coletiva (Isco) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) como alternativa sustentável aos sistemas de liberação de fármacos para uso na indústria cosmética e farmacêutica.

Testes com a manteiga de murumuru como base para o desenvolvimento desses sistemas de liberação demonstraram “ótimo” desempenho. Esse sistema de liberação de fármacos desenvolvido a partir de manteiga vegetal apresentou resultados promissores em testes laboratoriais, com excelente perfil de liberação e penetração cutânea, sem toxicidade.

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Os achados indicam potencial para a criação de formulações tópicas mais seguras, com menor risco de irritação e maior aceitabilidade pelos usuários. A proposta pode contribuir para tratamentos dermatológicos mais acessíveis e bem tolerados, ao mesmo tempo em que integra eficácia terapêutica e responsabilidade ambiental no desenvolvimento de novas tecnologias de saúde.

Evidências até agora

As implicações clínicas de uma liberação prolongada são explicadas pelas pesquisadoras Amanda Caroline Esquerdo da Silva e Profa. Dra. Kariane Mendes Nunes, coordenadora do LPDF. “É possível manter concentrações terapêuticas por um período mais prolongado com uma única aplicação, o que reduz a frequência de uso, melhora a adesão ao tratamento e aumenta o conforto e a segurança do paciente”, esclarece a pesquisadora Kariane Nunes.

De acordo com os estudos desenvolvidos ao longo de quatro anos e depois de 25 tentativas no laboratório, verificou-se que a estrutura de “mesofase hexagonal” foi determinante para a liberação sustentada do metronidazol. Isso significa que sistemas líquido-cristalinos são especialmente desenvolvidos para promover a chamada liberação controlada de fármacos.

“Na mesofase hexagonal, sua estrutura é formada por canais cilíndricos altamente organizados, que funcionam como verdadeiros ‘reservatórios’ microscópicos para o fármaco. Essa estrutura dificulta a difusão rápida do fármaco para o meio externo, fazendo com que ele seja liberado de forma gradual e sustentada ao longo do tempo”, explica Nunes.

Leia também: Murumuru: semente utilizada como cosmético pode ser utilizada na construção civil

Sob a orientação de Kariane Nunes, a pesquisa foi desenvolvida pela jovem cientista Amanda Esquerdo, 25 anos, como resultado de cooperação técnica vigente da Ufopa com a Università degli Studi di Parma (UNIPR, Itália) e a Universidade de Brasília (UnB).

A equipe acaba de publicar um estudo em um renomado veículo científico, o Journal of Drug Delivery Science and Technology, intitulado “Advancing a surfactant-free sustainable drug delivery system based on the Amazon Astrocaryum murumuru butter for topical application”, que em tradução livre significa “Avanço de um sistema sustentável de liberação de fármacos, livre de surfactantes, baseado na manteiga amazônica de murumuru (Astrocaryum murumuru) para aplicação tópica”.

“A publicação em uma revista de prestígio internacional representa o reconhecimento da qualidade científica, da originalidade da proposta e da relevância global da pesquisa desenvolvida na Amazônia. Demonstra que o grupo de pesquisa da Ufopa está produzindo ciência competitiva em nível internacional, com rigor metodológico e inovação tecnológica”, comemora Kariane Nunes.

De voluntária a pesquisadora

Com sua trajetória iniciada ao ingressar no curso de Bacharelado em Farmácia da Ufopa, foi como voluntária do Laboratório de Farmacotécnica que Amanda Esquerdo, mesmo antes de conquistar uma bolsa de pesquisa, despertou seu interesse pela transformação da matéria-prima em soluções terapêuticas. Desde então esse tema se tornou central na sua pesquisa: foi base do seu trabalho de conclusão de curso (TCC) e de sua dissertação de mestrado, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGSA), do Isco. 

Com o aprofundamento dos estudos na universidade italiana, concluiu que “transformar biodiversidade em conhecimento aplicado” não é só possível como também recompensador, pois eleva o potencial científico da biodiversidade regional para o patamar de fonte de inovação farmacêutica e possibilidade de valorização científica dos recursos da Amazônia.

“Tal evidência destaca a manteiga de murumuru como uma matéria-prima promissora para o desenvolvimento de formulações tópicas, capaz de aliar desempenho tecnológico, biocompatibilidade e menor risco de irritação. Mais do que um insumo regional, ela se mostra uma plataforma tecnológica com potencial real de aplicação farmacêutica e dermocosmética”.

A pesquisa, de acordo com Amanda, reforça a relevância da manteiga de murumuru como excipiente funcional, e não apenas como componente veicular em produtos.

pesquisa com murumuru no pará
Amanda na Ufopa. Foto: Lenne Santos/Ufopa

Ela acrescenta a isso o fator “resiliência científica” no processo, tanto na pesquisa quanto no reconhecimento do resultado, com a publicação do artigo na revista internacional:

“Essa conquista simboliza muito mais do que um artigo publicado, demonstra que ciência de qualidade não é determinada exclusivamente por infraestrutura sofisticada, mas por consistência, relevância e comprometimento. Mostra, sobretudo, que pesquisas desenvolvidas na Amazônia, mesmo aquelas consideradas ‘simples’ em termos estruturais, podem alcançar visibilidade e reconhecimento em periódicos de alto impacto”.

Ela destacou o papel fundamental da Ufopa, especialmente pelo apoio institucional concedido por meio de edital da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação Tecnológica (Proppit), ressaltando que o incentivo foi decisivo para viabilizar a publicação e reforçar a importância de políticas de fomento à produção científica na região.

Valorização das cadeias produtivas locais do murumuru

Amplamente utilizada na indústria cosmética, principalmente para tratamento capilar, a manteiga de murumuru pode ser uma alternativa sustentável ao uso de produtos sintéticos, por exemplo.

“O avanço é considerável do ponto de vista do desenvolvimento tecnológico sustentável e da valorização das cadeias produtivas locais, uma vez que reduz o uso de excipientes sintéticos, que podem prejudicar o meio ambiente e a saúde pública, e diminui os gastos com pesquisa e desenvolvimento de produtos farmacêuticos e cosméticos, já que os tensoativos são adjuvantes farmacêuticos caros, além de agregar valor às matérias-primas amazônicas, contribuindo para o avanço da bioeconomia regional”, completa Nunes.

Cosméticos verdes e floresta em pé

Sendo uma tendência cada vez mais crescente entre os consumidores a utilização de produtos baseados na natureza, o resultado para a coordenadora da pesquisa é animador.

“Esse resultado só nos mostra quanto podemos avançar em segurança, eficácia e sustentabilidade no que tange ao desenvolvimento de medicamentos cada vez mais verdes”, afirma Nunes, que complementa: “Além disso, ao transformar recursos naturais em produtos de alto valor agregado por meio da ciência, reforçamos o compromisso com o princípio da ‘floresta em pé’, demonstrando que é possível gerar desenvolvimento econômico sem abrir mão da conservação ambiental”.

Além da relevância científica e da sustentabilidade destacadas pela pesquisadora Kariane, o diretor de Pesquisa da Proppit, Bruno Batista, ressalta quesitos estratégicos dos resultados dessa pesquisa, por exemplo: química verde, colaboração internacional, alternativa a insumos importados, protagonismo regional, inovação em saúde e inclusão de comunidades tradicionais.

Segundo Batista, “o estudo prova que ingredientes naturais da região podem substituir surfactantes e excipientes sintéticos importados, fomentando uma base tecnológica local independente e ecologicamente correta”, isso tudo somado à promoção da valorização da sociobiodiversidade e da contribuição para a inclusão socioeconômica de comunidades da floresta que trabalham com a extração sustentável dessas sementes.

Dra. Kariane Nunes (à esquerda) e a mestra Amanda no laboratório de Fármacos da Ufopa. Foto: Lenne Santos/Ufopa

O que ocorre a partir de agora

Um pedido de patente e o aprimoramento da formulação. Esses são os próximos passos da pesquisa, de acordo com Kariane Nunes; ela acrescenta ainda que o foco neste segundo momento será a otimização da estabilidade, da eficácia e da reprodutibilidade do sistema desenvolvido.

“Paralelamente, pretendemos avançar com o depósito de pedido de patente, visando à proteção da tecnologia e à viabilização de uma futura transferência tecnológica. A partir dessa etapa, abre-se a possibilidade de estabelecer parcerias com a indústria farmacêutica ou cosmética, ampliando as perspectivas de aplicação prática do produto e potencial escalonamento para testes clínicos, conforme a maturidade tecnológica alcançada”.

*Com informações da Ufopa

Museu de Geociências da UFPA: acervo conta história geológica da Amazônia

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Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Com um acervo que reúne minerais, rochas e fósseis, o Museu de Geociências (MUGEO) da Universidade Federal do Pará (UFPA) desempenha um papel importante na divulgação científica e na preservação do patrimônio geológico amazônico. Vinculado ao Instituto de Geociências (IG), o espaço funciona como ambiente de ensino, pesquisa e extensão, aproximando a Universidade da sociedade.

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Criado a partir de coleções acadêmicas formadas por professores e estudantes do curso de Geologia, o museu surgiu inicialmente como uma coleção simples de amostras de minerais que passaram a ser reunidas para atividades didáticas.

A instituição foi oficialmente inaugurada em 21 de dezembro de 1984, durante as comemorações dos 20 anos do curso de Geologia da UFPA, a partir da iniciativa e da curadoria inicial do professor Marcondes Lima da Costa.

“Atualmente, o museu reúne mais de 2.400 amostras catalogadas, incluindo minerais, rochas, minérios, gemas, biojóias e fósseis provenientes de diferentes regiões do Brasil e do mundo, com destaque especialmente para a Amazônia”, explica o professor da Faculdade de Geologia e atual curador do Museu de Geociências, Alan Albuquerque.

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Museu de Geociências da UFPA: acervo conta história geológica da Amazônia
Foto: Alexandre de Moraes/UFPA

Acervo científico e patrimônio geológico

O acervo do MUGEO permite observar diferentes formações geológicas e compreender processos naturais que ocorreram ao longo de milhões de anos. Entre as peças preservadas, estão dezenas de peças – como os raros meteoritos – que representam um registro natural da história do planeta terra. De acordo com o curador, preservar esse material também significa preservar conhecimento científico.

“Cada mineral, rocha ou fóssil guarda informações sobre a história da Terra. Essas amostras funcionam como registros naturais que permitem reconstruir processos geológicos que ocorreram há milhões ou até bilhões de anos”, destaca o professor, reforçando a relevância da preservação desse patrimônio para o contexto amazônico, uma região que naturalmente possui grande diversidade geológica e importantes reservas minerais.

Além de funcionar como um espaço de exposição, o museu também desempenha um papel fundamental na formação acadêmica de estudantes e pesquisadores. O local é utilizado em aulas práticas e atividades de pesquisa em cursos da área de geociências, como Geologia, Geofísica, Meteorologia e Oceanografia, além de receber visitas técnicas de estudantes de outras áreas, como engenharia e ciências biológicas.

Para o professor Alan Albuquerque, a presença de um museu de geociências em uma universidade amazônica é estratégica para o desenvolvimento científico da região. “A região amazônica possui uma das maiores diversidades geológicas e minerais do planeta, e compreender essa riqueza é fundamental para o desenvolvimento científico, ambiental, social e econômico da região”, afirma.

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Museu de Geociências da UFPA: acervo conta história geológica da Amazônia

O museu também apoia atividades acadêmicas em diferentes níveis de formação, desde a graduação até a pós-graduação, contribuindo para projetos de pesquisa e iniciativas de formação científica, além de contribuir para despertar o interesse pela ciência da Terra e para valorizar o patrimônio geológico da Amazônia.

Ciência, sociedade, território e consciência ambiental no Museu

O Museu de Geociências também desenvolve atividades voltadas para a comunidade externa, recebendo estudantes da educação básica, universitários, professores e visitantes em geral. As visitas podem ser individuais ou em grupos, frequentemente acompanhadas por estudantes do Programa de Educação Tutorial (PET) de Geologia.

Além da visitação pública, o museu participa de eventos científicos e promove atividades educativas, como oficinas, exposições e minicursos, iniciativas que ajudam a popularizar o conhecimento geológico e ampliar a compreensão sobre o território amazônico e sobre a relação entre sociedade e natureza.

“O Museu de Geociências é um espaço aberto ao conhecimento e à curiosidade. Ele mostra que a história da Terra está registrada nas rochas, nos minerais e nos fósseis que fazem parte do nosso cotidiano. Conhecer o museu é também descobrir como a ciência ajuda a compreender a natureza e a importância da Amazônia para o planeta”, conclui Alan Albuquerque.

Mais informações sobre o espaço estão disponíveis na página do museu dentro do site do Instituto de Geociências ou na página sobre ele dentro do site do Grupo de Mineralogia e Geoquímica Aplicada (GMGA), a qual também possui algumas amostras/coleções do acervo. O museu funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. A visitação é gratuita. 

*Com informações da UFPA

Dicas de como plantar mudas em três ambientes diferentes

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Plantio de mudas. Foto: Reprodução/Amazon Sat

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, no Acre, as ações do Projeto Consciência Limpa, uma iniciativa que envolve educação ambiental, sustentabilidade e participação da comunidade. O projeto atua há mais de 20 anos na Região Norte e busca ajudar a população a entender melhor os problemas ambientais e adotar atitudes mais responsáveis no dia a dia.

Através da educação, ações práticas e a comunicação assertiva, o projeto visa incentivar mudanças de comportamento na Amazônia, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida no planeta. Uma dessas atividades benéficas para o planeta é o plantio de árvores de forma responsável.

Plantar árvores é um gesto que representa não só a manutenção do meio ambiente, mas a garantia da qualidade de vida para futuras gerações. Além do papel essencial de regular o ar que respiramos e a temperatura da terra, as árvores também fornecem abrigo e alimento por meio das suas sombras e frutos.

Leia também: Projeto Consciência Limpa promove educação ambiental e sustentabilidade no Acre

No entanto, apesar de parecer simples, realizar o plantio de árvores envolve uma série de cuidados para que tudo ocorra de maneira correta.

O tipo de ambiente, por exemplo, é um fator determinante que precisa ser observado para o desenvolvimento correto das plantas. Geralmente, existem três tipos de ambientes: urbanos, rurais e florestais ou de recuperação ambiental.

Confira algumas dicas do que plantar em diferentes ambientes:

Áreas urbanas

Em locas públicos como ruas, calçadas e quintais, é importante seguir alguns cuidados em relação ao tipo de árvore, espaço do plantio e ao solo. A primeira dica é escolher árvores nativas, ou seja, oriundas da região. Isso porque tais espécies já estão mais adaptadas ao clima e ao solo, o que ajuda a fortalecer a relação ecológica da região, bem como a preservação do biodiversidade local.

Plantio de mudas em canteiro, na cidade de Manaus.
Plantio de mudas em canteiro, na cidade de Manaus. Foto: Divulgação/Semmas

Outro cuidado é a o local escolhido para o plantio das mudas. Observe se o espaço é suficiente para o crescimento das árvores e se a luz solar predomina no local. Evite plantar próximo de estruturas como muros, fiações elétricas ou tubulações de água e esgoto, fatores que podem atrapalhar o desenvolvimento das árvores. Respeite também a distância de aproximadamente 3 metros entre uma muda e outra.

Em relação ao solo, é necessário que a cova para plantio tenha entre 40 a 60 centímetros de profundidade e largura, respectivamente. Além disso, é recomendável que a terra retirada para o procedimento seja misturada com adubo orgânico ou composto.

A irrigação, que consiste na técnica de fornecer água às plantas, é fundamental para o desenvolvimento das espécies. Nas primeiras semanas, irrigar as mudas é essencial para o enraizamento das mudas, além de garantir a sobrevivência da espécie. Nos períodos de estiagem, manter as mudas hidratadas é crucial para que ela possa ter um crescimento de qualidade.

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Áreas rurais

O plantio de mudas em áreas agrícolas ou rurais geralmente envolve um maior planejamento e cuidados mais específicos para a sobrevivência e bom desenvolvimento das plantas. Clima, solo e recursos disponíveis são fatores avaliados antes do início das mudas.

O local, como de praxe, é o primeiro fator que precisa ser observado. Para o plantio correto, é necessário que o espaço esteja limpo, livre de matos ou gramas e adequado para a distância de 3 a 6 metros entre uma muda e outra, dependendo da espécie.

Plantio na região rural de Taquaruçu Grande, em Tocantins
Plantio na região rural de Taquaruçu Grande, em Tocantins. Foto: Ruraltins/Governo do Tocantins

Dependendo do local, as condições do solo precisam ser analisadas antes do plantio. Uma das medidas recomendadas é o estudo da fertilidade do solo e promover as devidas correções de nutrientes, como aplicação de calcário e adubos para eliminar riscos de espécies não se adaptarem.

O período chuvoso é a época ideal para o plantio das árvores. Isso se deve a combinação de alguns fatores: a umidade natural do solo, nutrição, drenagem e temperatura do solo durante as chuvas contribuem decisivamente no desenvolvimento mais rápido e saudável das mudas.

Uma dica importante também é a proteção das mudas, com a utilização de cercas ou protetores para evitar danos causados por animais e vândalos. Preencher o entorno da muda com matérias orgânicas como folhas ou capim também protege o solo de enxurradas e evita o crescimento de ervas daninhas.

Áreas florestais

O plantio de mudas em áreas florestais é ideal para projetos de reflorestamento ou recuperação de áreas degradadas. A exemplo dos espaços urbanos e rurais, é fundamental priorizar espécies nativas da região, já adaptadas ao clima e ao solo, bem como o plantio no período chuvoso para facilitar o estabelecimento e a irrigação das mudas.

Outra importante medida é o monitoramento das espécies, pois a observação das folhas, o desenvolvimento dos caules, ajudam na identificação de possíveis pragas ou doenças durante o crescimento das mudas. Esse acompanhamento nos primeiros anos é essencial para garantir o sucesso da recuperação ambiental.

Plantio de mudas em área de reflorestamento em Rondônia.
Plantio de mudas em área de reflorestamento em Rondônia. Foto: SOS Amazônia

Cuidados gerais

Independentemente do ambiente, o plantio de mudas envolve alguns cuidados básicos:

  • Escolher mudas saudáveis, com folhas verdes e sem manchas, caules firmes, raízes bem formadas e sem pragas;
  • Abrir uma cova maior que o torrão da muda;
  • Na hora do plantio, o colo da planta (ou base do tronco) deve estar no nível do solo;
  • A irrigação nos primeiros meses é essencial, com aumento de frequência nos períodos secos;
  • Usar estacas de madeira (tutores) para manter a muda reta e protegê-la de ventos fortes, animais ou pisoteios;
  • Adubação periódica, se necessário.

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.

Áreas úmidas do Cerrado armazenam mais carbono que florestas na Amazônia, mostra estudo

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Foto: Paulo Bernardino

Os campos úmidos e as veredas do Cerrado brasileiro são capazes de armazenar até 1.200 toneladas de carbono por hectare, o que equivale a cerca de seis vezes o estoque de biomassa de florestas típicas na Amazônia. Datações indicam que, em média, esse carbono está no local há 11 mil anos, sendo, em alguns casos, de até 20 mil anos atrás, resultado de um processo lento de acúmulo favorecido pela falta de oxigênio nos solos saturados de água.

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Os achados são de um estudo publicado na quinta-feira (12/03) na revista científica New Phytologist e liderado por pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp).

Como essas áreas úmidas dependentes de lençol freático ainda são pouco estudadas, os cientistas fizeram um primeiro mapeamento usando dados de sensoriamento remoto combinados com aprendizado de máquina, apontando que elas podem cobrir 167 mil quilômetros quadrados (km²) no Cerrado. Representam uma região, pelo menos, seis vezes maior do que se pensava antes, equivalendo a cerca de 8% do bioma e 2% do território brasileiro.

Segundo maior bioma da América do Sul, o Cerrado é a savana mais biodiversa do mundo e conhecido como “berço de águas” por contribuir com dois terços do abastecimento de grandes bacias hidrográficas, especialmente das regiões Sul e Sudeste do país. Também abriga os chamados olhos d’água – afloramentos naturais do lençol freático –, incluindo os de caráter difuso, protegidos pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), que os classifica como Áreas de Preservação Permanente (APPs).

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Imortalizadas na obra Grande Sertão: Veredas – que completa 70 anos em 2026 – do escritor João Guimarães Rosa (1908-1967), as veredas são um tipo de turfeira, um ecossistema de áreas alagadiças e pantanosas. Além do carbono estocado, são fontes significativas de metano (CH), especialmente em áreas permanentemente inundadas, onde as emissões são aumentadas em decorrência de temperaturas mais elevadas.

Apesar de pouco visíveis e muitas vezes ignoradas, essas formações desempenham funções ecológicas estratégicas, principalmente por serem fonte para rios e bacias hidrográficas. Porém, segundo os pesquisadores, esses ecossistemas estão altamente vulneráveis a alterações no regime hídrico provocadas pela expansão agrícola, desmatamento, drenagem de áreas úmidas, construção de pequenas barragens e uso intensivo de água para irrigação.

Mesmo quando preservadas em fragmentos, mudanças no entorno podem reduzir o nível do lençol freático e transformar esses solos em fontes de emissão de carbono.

“Se a gente corta uma árvore que está há 300 anos na floresta, perdemos um grande estoque de carbono e funções ecossistêmicas importantes que são difíceis de serem recuperadas em sua totalidade. Mas com o processo de restauração florestal, é possível chegar perto disso em 30 ou 40 anos. Ou seja, você consegue plantar árvores e durante sua vida acompanhar esse processo. Agora, o carbono do solo de uma área úmida do Cerrado não vamos recuperar no nosso tempo de vida, pois foi estocado ao longo de dezenas de milhares de anos”, exemplifica à Agência FAPESP a bióloga Larissa da Silveira Verona, primeira autora do artigo.

O trabalho é, em parte, derivado do seu mestrado sob a supervisão do professor Rafael Silva Oliveira e foi premiado em 2024 como melhor dissertação do Programa de Pós-Graduação em Biologia Vegetal do IB-Unicamp.

Trabalhando atualmente no Cary Institute of Ecosystem Studies (Estados Unidos) com a pesquisadora Amy Zanne, outra autora do artigo, Verona recebeu durante o mestrado bolsa da FAPESP, que também apoiou o estudo por meio de Auxílio à Pesquisa concedido a Oliveira.

“O Cerrado foi escolhido como a principal fronteira agrícola do Brasil, voltada à produção de commodities em larga escala. Situado entre duas formações florestais, a Amazônia e a Mata Atlântica, o bioma sofre intensa pressão de conversão e, ao contrário dessas florestas, não é reconhecido como patrimônio nacional na Constituição e tem previsão legal de apenas 20% para áreas de preservação. Infelizmente, temos a percepção de que manter APPs ao lado dos rios é suficiente para conservar as funções ecossistêmicas do bioma. Estamos vendo que não. Para manter os processos hidrológicos do Cerrado, é preciso entender a conectividade da paisagem. Não basta preservar pequenos fragmentos enquanto o restante do território é convertido”, complementa Oliveira, que também assina o artigo.

Mesmo com tendência de queda, os índices de desmatamento do bioma permanecem altos. De agosto de 2025 a janeiro deste ano, as áreas sob alerta de desmatamento no Cerrado totalizaram 1.905 km², ante 2.025 km² no período anterior (queda de 6%), segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Levantamento realizado pelo MapBiomas mostrou que 47% do Cerrado é ocupado por áreas de uso antrópico (dados de 2024), sendo 24% para pastagem e 13% para agricultura, com a grande maioria da área de plantio destinada à soja. Em relação à superfície de água, o documento mostra que 2024 teve a maior área desde 1985, mas com 60% do uso antrópico (boa parte em hidrelétrica).

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Áreas úmidas do Cerrado armazenam mais carbono que florestas na Amazônia, mostra estudo
Foto: André Dib

Trabalho de campo

A pesquisa é pioneira no uso de amostras de solo profundo (com profundidade de até quatro metros) para quantificar o carbono nesses ambientes. Foram coletadas amostras de solo de veredas e campos úmidos em sete pontos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, em 2023.

“Fazer essas coletas foi um processo de desbravar algumas regiões. Havia local onde a vegetação chegava à altura do meu ombro e, como é alagado, muitas vezes os pés afundam. O nosso solo é mais denso do que outros, por isso foi fisicamente extenuante, às vezes com cinco ou seis pessoas ajudando a usar o equipamento, mas é muito gratificante o resultado”, conta Verona.

O grupo usou um instrumento chamado LI-COR Trace Gas Analyzer, conectado a anéis de PVC instalados no solo para medir o dióxido de carbono e o metano.

Para fazer a datação do carbono, os pesquisadores da Unicamp contaram com cientistas do Instituto Max Planck (Alemanha). Especialistas em sensoriamento remoto, Paulo Negri Bernardino, da Unicamp, e Guilherme Gerhardt Mazzochini, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, contribuíram no mapeamento das áreas.

O trabalho indicou ainda, por meio de espectroscopia, uma baixa estabilidade do carbono em comparação com outras turfeiras tropicais. Cerca de 70% das emissões anuais de CO e CH ocorreram durante a estação seca. Como a maior parte da vegetação nessas áreas úmidas é composta por gramíneas que se decompõem mais facilmente, o carbono armazenado pode se transformar em emissões quando os solos secam, o que pode se agravar com as mudanças climáticas e a maior frequência de estações quentes e secas.

Carbono nas áreas geram alertas

No artigo, os pesquisadores fazem um alerta para a necessidade de ampliar a proteção das áreas úmidas e melhorar a conscientização sobre a importância dessas zonas alimentadas por águas subterrâneas. Também destacam a relevância de ampliar o mapeamento e aprofundar os estudos para a compreensão desses ecossistemas.

Nesse sentido, Verona diz que continua a pesquisa em áreas úmidas sazonais para entender a dinâmica de carbono. Já Oliveira está aprofundando a análise do sistema hidrológico para entender melhor como funcionam esses ecossistemas e como restaurá-los.

“Se a gente perde turfeiras ou veredas, demoramos milhares de anos para restabelecer os níveis de carbono estocados, sem contar os prejuízos de outros serviços ecossistêmicos. A preservação é o caminho, mas continuamos tentando compreender melhor os processos”, projeta o professor.

Um outro artigo liderado por Oliveira e publicado no ano passado já destacava que, apesar da importância para a segurança hídrica e de estarem protegidos por lei, os campos úmidos do Cerrado, incluindo os olhos d’água, continuam sistematicamente negligenciados por políticas públicas, consultores ambientais, proprietários rurais e órgãos de fiscalização (leia mais em: agencia.fapesp.br/55287).

O artigo Vast, overlooked peat, and organic soils in Brazil’s Cerrado: carbon storage, dynamics, and stability pode ser lido em: nph.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/nph.71027.

*O conteúdo foi originalmente publicada pela Agência FAPESP, escrita por Luciana Constantino

‘Roteiro de Afetos’ inicia segunda etapa e implanta audiotour patrimonial em Tocantins

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Roteiro dos Afetos. Foto: Reprodução/Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)

A cidade histórica de Natividade, no sudeste do Tocantins, começou a receber a segunda etapa do projeto ‘Roteiro de Afetos: Audiotour Patrimonial de Natividade‘, iniciativa que integra arte, memória e tecnologia para valorizar o patrimônio cultural local.

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Desenvolvido pela Universidade Federal do Tocantins (UFT), em cooperação técnica com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com administração da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (FAPTO), o Roteiro de Afetos propõe novas formas de conhecer e vivenciar o centro histórico do município por meio de experiências sonoras acessadas por dispositivos móveis. 

A proposta do audiotour é oferecer aos visitantes e moradores um percurso autoguiado pela zona de proteção histórica de Natividade, reconhecida pelo Iphan desde 1987.

Ao caminhar pela cidade, o público poderá acessar conteúdos em áudio por meio de QR codes instalados em pontos estratégicos do centro histórico.

Cada parada reúne narrativas que articulam memórias da comunidade, histórias do lugar e experiências artísticas, criando um percurso sensível que conecta patrimônio, identidade e cotidiano. 

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Roteiro de Afetos, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Natividade. Foto: Reprodução/Diocese de Natividade

O projeto é coordenado pela professora e pesquisadora Renata Ferreira da Silva, do curso de Licenciatura em Teatro da UFT, e dá continuidade a um trabalho iniciado em 2024.

Na primeira etapa foram desenvolvidas as bases criativas do Roteiro de Afetos e produzidas 12 estações sonoras, elaboradas a partir de processos colaborativos com moradores, artistas, pesquisadores e estudantes.

Nesta nova fase ocorre a implantação efetiva do audiotour na cidade, com o desenvolvimento de um site e de um aplicativo para acesso aos conteúdos, além da instalação de mapas, totens informativos e QR codes que permitirão ao público realizar o percurso de forma autônoma. 

Leia também: Atlas Arqueológico do Tocantins busca democratizar acesso às informações do estado

Roteiro de Afetos, Ruínas da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Foto: Reprodução/Iphan

Segundo a coordenação do projeto, a iniciativa busca ampliar o acesso ao patrimônio cultural por meio de linguagens contemporâneas e fortalecer o vínculo da população com a história da cidade.

“O Roteiro de Afetos busca valorizar as narrativas da própria comunidade, criando um percurso que conecta memória, arte e experiência sensível para reimaginar a cidade”, explica a coordenadora Renata Ferreira. 

A segunda etapa também prevê ações de educação patrimonial, oficinas, encontros com a comunidade e atividades de divulgação que envolvem estudantes, professores, moradores, comerciantes, guias de turismo e visitantes.

A proposta do Roteiro de Afetos é estimular o reconhecimento e a preservação das referências culturais locais, fortalecendo o sentimento de pertencimento da população em relação ao patrimônio histórico da cidade. 

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Para a chefe do Escritório Técnico do Iphan em Natividade, Maria Lygia, a iniciativa representa uma ação inovadora para aproximar a população de seu patrimônio cultural.

“Posso afirmar a grande importância e sensibilidade desta iniciativa, que é uma parceria técnica entre o Iphan e a Universidade Federal do Tocantins. A implantação do audiotour permitirá não apenas aos visitantes, mas também à própria população nativitana acessar de forma fácil e intuitiva informações sobre a cidade, reconhecendo suas singularidades e a riqueza patrimonial que os cerca”, afirma.

Segundo ela, o cuidado em cada etapa do projeto, desde o diálogo com a comunidade até o desenvolvimento dos materiais, demonstra o zelo e a dedicação que marcam toda a iniciativa.  

Roteiro de Afetos inicia segunda etapa e implanta audiotour patrimonial em Tocantins
Roteiro de Afetos. Foto: Reprodução/IPHAN

O projeto conta com uma equipe interdisciplinar formada por pesquisadores e colaboradores da UFT e da comunidade local. Integram a equipe as pesquisadoras Noeci Carvalho Messias (história e patrimônio cultural) e Renata Ferreira da Silva (artes e educação), os professores Heitor Martins Oliveira (música e criação sonora), Ricardo Ribeiro Malveira (artes visuais e visualidades da cena), Rodolfo Alves da Luz e Kennedy Vasco (geografia e cartografia) e a antropóloga Nei Clara Lima.

Na área de comunicação e registro audiovisual participam Jorge Cardoso Dias, jornalista e documentarista, e Felipe Silva Leite, comunicador visual e designer. O projeto conta ainda com a atuação das produtoras culturais Verônica Tavares de Albuquerque e Cássia Tavares, importante articuladora cultural da cidade de Natividade, além da participação do bolsista Bento Gabriel de Sá, estudante do curso de Jornalismo da UFT. 

Também estão previstas a produção de registros fotográficos e audiovisuais, mini documentários e reportagens que acompanham o processo de implantação do roteiro, ampliando a divulgação da experiência e registrando as memórias mobilizadas ao longo do projeto. 

O cronograma da iniciativa prevê que a produção de materiais e implementação seja concluída em junho de 2026. Ao longo do processo também serão realizadas reuniões com a comunidade e com setores como o comércio local para apresentação do projeto e dos produtos desenvolvidos. O encerramento geral da proposta está programado para outubro de 2026, com a apresentação do relatório final e do portfólio do projeto. 

*Com informações do Iphan

Exposição fotográfica arrecada fundos para animais resgatados em Macapá; veja como visitar

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Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP e Divulgação/Graça Andritson

A exposição ‘Olhares que Cuidam’ transforma contemplação em gesto concreto de cuidado. O evento é beneficente e reúne 12 fotógrafos que doaram duas obras autorais cada. Todas as fotografias estão à venda e a arrecadação será destinada ao Santuário Lillou, espaço de acolhimento permanente para animais resgatados.

A mostra acontece na galeria do Espaço Cultural Dr. Phelippe Daou, dentro da Rede Amazônica, em Macapá (AP) desde o dia 10 de março. O espaço fica aberto para visitação de segunda a sexta-feira, durante horário comercial. Os agendamentos podem ser realizados pelo número (96) 99112-6310.

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As imagens retratam paisagens que revelam tempo, território e silêncio. Ao escolher esse tema, os artistas destacam cuidado além do socorro imediato: é preservar o ambiente e assumir responsabilidade com o futuro. A ação é organizada pela artista plástica Graça Andritson, criadora do santuário.

“Cada fotografia vendida representa alimento, tratamento e dignidade para os animais que vivem conosco. É arte que se transforma em cuidado real”, afirmou Graça.

Foto: Isadora Pereira/ G1 Amapá

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As obras na exposição são dos fotógrafos: Evandro Holanda, Fabiano Menezes, Lídia Mota, Aluízio Cardoso, Luzia Mota, Nani Rodrigues, Luísa Mota, Pedro Moutinho, Ronaldo Miranda, Tina Mota, Jeriel Luz e Jonaysa Carvalho.

Exposição beneficia o Santuário Lillou

O Santuário Lillou foi criado em 2025, em homenagem a uma cadelinha chamada Lillou. O espaço funciona como abrigo permanente para cães e gatos resgatados.

Atualmente, o local acolhe cerca de 30 cães e 9 gatos. Os animais recebem alimentação, atendimento veterinário, vermifugação e castração.

“Não conseguimos estar nas ruas todos os dias, porque cuidar dos que já estão aqui demanda tempo e estrutura”, explicou.

De forma eventual, filhotes são disponibilizados para adoção responsável. A prioridade é garantir qualidade de vida aos que já vivem no abrigo.

O santuário não realiza resgates constantes nas ruas. Segundo os responsáveis, a decisão busca manter o atendimento adequado dentro da estrutura disponível.

O trabalho é feito diariamente por cuidadores independentes. O objetivo é ampliar a estrutura e criar um espaço maior, afastado da área urbana, para oferecer mais tranquilidade e contato com a natureza aos animais.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Amajari: ecoturismo, piscinas naturais e cachoeiras na Serra do Tepequém

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Serra do Tepequém, em Amajari. Foto: Reprodução/ Ministério do Turismo

Quando se fala do verão de Roraima, o intenso calor da região amazônica logo vem à mente, bem como as tradicionais praias de água doce que se formam nas margens dos rios durante a estiagem. No entanto, o interior do estado guarda um refúgio para quem quer mergulhar em águas revigorantes: localizada no município de Amajari, a cerca de 200 km de Boa Vista, a Serra do Tepequém oferece clima mais ameno e um cenário repleto de cachoeiras deslumbrantes.

A subida da serra já revela uma transição na paisagem. No trajeto, a savana roraimense, conhecida como lavrado, dá lugar a uma vegetação montanhosa. Além do espetáculo visual, o local é carregado de história. No passado, o Tepequém foi um dos maiores polos de exploração de diamantes do Brasil. As cicatrizes deixadas pela atividade acabaram formando algumas belas piscinas naturais e quedas d’água, que hoje fazem a alegria dos visitantes.

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serra do tepequém em amajari rr
Foto: Reprodução/Prefeitura de Amajari

A experiência na região é um convite à contemplação da natureza em sua forma mais pura. Trilhas levam turistas a maravilhas como a Cachoeira do Paiva, a mais famosa e imponente, e a Cachoeira do Barata, ideal para famílias que buscam nadar e relaxar em poços tranquilos.

Outro ponto imperdível: a Cachoeira do Funil, que impressiona com sua formação rochosa onde fortes águas proporcionam uma massagem natural.

Para os mais aventureiros, a caminhada até o topo da serra rende um pôr do sol espetacular, quando uma vista panorâmica abraça toda a imensidão verde e plana de Roraima.

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Culinária roraimense em Amajari

A culinária local se encarrega de envolver o viajante com os sabores autênticos da Amazônia. A gastronomia em Amajari tem forte influência indígena e de migrantes nordestinos. A paçoca de carne seca batida no pilão, acompanhada de banana-da-terra (ou pacovã), é presença garantida nas mesas, assim como os peixes de rio, a exemplo do tambaqui assado na brasa.

Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR

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Para os paladares que buscam uma imersão mais profunda, provar a damurida, um caldo tradicional indígena servido quente, levando pimenta jiquitaia, tucupi negro e peixe ou carne, permite “experimentar” a identidade do povo roraimense.

Como chegar

A chegada até o local é uma viagem tranquila e repleta de belezas no caminho. Começando pela principal porta de entrada, o Aeroporto Internacional da capital, Boa Vista, o turista segue de carro, ônibus ou van pela rodovia BR-174 e, na sequência, pela RR-203, em um trajeto que dura cerca de três horas.

A estrada em si já é um atrativo à parte, cruzando vastas planícies pontilhadas por buritizais, até que a imponente silhueta da montanha surge no horizonte.

*Com informações do Ministério do Turismo

Projeto Pé-de-Pincha devolve mais de 5 mil quelônios à natureza na região amazônica

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Projeto Pé de Pincha. Foto: Reprodução/ DNIT

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) participou de ações do Projeto Pé-de-Pincha que resultaram na soltura de mais de 5 mil quelônios na natureza, no âmbito das ações atinentes ao licenciamento ambiental, na região amazônica.

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A iniciativa integra atividades de educação ambiental vinculadas aos programas de gestão ambiental da autarquia e contribui para o fortalecimento da conservação da biodiversidade local.

Projeto Pé-de-Pincha. Foto: Reprodução/ DNIT

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Neste ano, as ações realizadas com a participação das comunidades Nova Geração e São Sebastião do Igapó Açu resultaram na soltura de 5.225 quelônios. Na região da comunidade Nova Geração foram reintegrados à natureza 2.308 animais, enquanto na região da comunidade São Sebastião do Igapó Açu foram soltos 2.947 quelônios.

Projeto Pé-de-Pincha
Projeto Pé-de-Pincha. Foto: Reprodução/ DNIT

Criado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Projeto Pé-de-Pincha é uma iniciativa de conservação voltada à proteção de quelônios na região amazônica.

O trabalho envolve comunidades ribeirinhas, instituições públicas e parceiros locais em ações de manejo e proteção de ninhos, acompanhamento da eclosão dos ovos e posterior soltura dos filhotes no ambiente natural.

A iniciativa tem como objetivo proteger espécies da região por meio do manejo de ovos, que inclui a coleta em áreas naturais, incubação em locais protegidos, monitoramento dos filhotes após a eclosão e, posteriormente, a soltura no habitat natural durante o período de cheia dos rios.

O trabalho contribui para a preservação de espécies como tracajás, tartarugas-da-amazônia, entre outras.

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A atuação ocorre por meio de atividades de educação ambiental realizadas junto às comunidades. Entre as ações desenvolvidas estão a organização de atividades educativas, como jogos temáticos e distribuição de materiais informativos, contribuindo para ampliar a conscientização sobre a importância da preservação ambiental e do cuidado com as espécies nativas.

O trabalho conjunto entre universidade, comunidades e instituições parceiras reforça a importância da cooperação para a conservação da biodiversidade amazônica e para a proteção das espécies de quelônios da região.

*Com informações do DNIT

Cinco características que tornam Macapá uma das cidades mais atrativas da Amazônia

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Pontos turísticos de Macapá. Foto: Divulgação/Acervo Ministério do Turismo

As margens do imponente Rio Amazonas, no extremo norte do Brasil, Macapá (AP) é a única capital brasileira cortada pela Linha do Equador. A cidade é um território onde ciência, tradição, espiritualidade e cultura popular convivem em equilíbrio, criando uma experiência amazônica singular.

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Fundada oficialmente em 1758, Macapá nasceu como um ponto estratégico de defesa do território amazônico durante o período colonial. Sua história está profundamente ligada à presença indígena, às populações negras trazidas para a região e às comunidades ribeirinhas que moldaram o modo de viver às margens do maior rio do mundo.

O nome Macapá tem origem tupi, derivado de macapaba, expressão associada à abundância da bacaba, palmeira típica da região. Antes da ocupação portuguesa, a área era habitada por povos indígenas como os tucujus, cuja herança cultural permanece viva nas manifestações artísticas, nos saberes tradicionais e na relação respeitosa com a natureza.

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Fortaleza de São José

Símbolo máximo da cidade, a Fortaleza de São José de Macapá é uma das maiores construções militares do período colonial no Brasil. Erguida no século XVIII às margens do Amazonas, a fortaleza foi fundamental para garantir a soberania portuguesa na região e hoje é um patrimônio histórico que conecta passado e presente.

Foto: Divulgação

Marco Zero: onde o mundo se encontra

Outro cartão-postal é o Marco Zero do Equador, ponto turístico que marca a divisão simbólica entre os hemisférios Norte e Sul. A atração geográfica se tornou palco de eventos culturais, científicos e celebrações que reforçam a identidade única de Macapá no cenário nacional e internacional.

Durante os equinócios, quando o sol se posiciona exatamente sobre a linha imaginária, moradores e visitantes acompanham um espetáculo natural que conecta ciência e ancestralidade.

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imagem colorida mostra o marco zero do equador, em macapá
Marco zero do equador, em macapá. Foto: Gabriel Penha/GEA

Marabaixo: ritmo ancestral

O Marabaixo é uma das manifestações culturais mais tradicionais do Amapá, com origem nas comunidades afrodescendentes formadas por negros que foram trazidos à região durante o período colonial. 

A celebração reúne música, dança, religiosidade e memória coletiva, marcada pelo som das caixas de marabaixo, tambores que conduzem os cantos chamados de “ladrões”, versos que narram histórias, sentimentos e acontecimentos da comunidade. 

Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

O Marabaixo é celebrado principalmente em bairros históricos de Macapá e em comunidades do interior, tornando-se um símbolo de resistência cultural, identidade e orgulho do povo amapaense. Durante o verão amazônico, as rodas de Marabaixo ganham ainda mais vida, convidando moradores e visitantes a vivenciar de perto essa herança cultural que atravessa gerações.

Verão Amazônico

No verão amazônico, que se inicia em junho e segue até setembro, Macapá revela outro encanto: as praias de água doce formadas pelo recuo das águas do Amazonas. A Praia da Fazendinha é a mais famosa delas, reunindo moradores e turistas em um cenário onde rio, sol e cultura se encontram.

Além da Fazendinha, áreas ribeirinhas e balneários urbanos se tornam pontos de lazer, convivência e celebração da vida amazônica, acompanhados de música, gastronomia local e o ritmo tranquilo da cidade.

Foto: Eude Rocha

Sabores do Amapá

A culinária macapaense é uma verdadeira experiência sensorial. Pratos à base de peixe fresco, camarão regional e tucupi dividem espaço com receitas tradicionais como o caldo de tucupi, a goma de mandioca, o açaí e a bacaba, símbolo da região.

O sabor mais emblemático, no entanto, é o do camarão no bafo, presença constante em feiras e encontros à beira do rio, acompanhado de farinha e vinagrete, em uma celebração profundamente cultural.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

*Com informações do Ministério do Turismo

Iphan aprova tombamento da imagem de São Bonifácio em São Luís

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Imagem de São Bonifácio no Museu de Arte Sacra, em São Luis (MA). Foto: dossiê de tombamento/IPhan.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o tombamento da Imagem de São Bonifácio, em São Luís (MA), no dia 10 de março. O reconhecimento ocorreu durante a 112ª reunião do colegiado – responsável por deliberar sobre a proteção de bens culturais brasileiros – que ocorreu no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro (RJ).

A decisão reconhece oficialmente o valor histórico, artístico e simbólico da escultura religiosa, que passa a integrar os Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes, instrumentos de proteção do patrimônio cultural brasileiro.

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O presidente do Iphan, Leandro grass, destacou o caráter crítico e propositivo desse tombamento. “A patrimonialização de um bem também significa que ele pode aquirir outros significados para a sociedade, se tornando um ferramenta de educação patrimonial e de reparação histórica”.

A imagem de São Bonifácio

A peça, datada do século 18, por volta de 1652, é uma escultura em madeira entalhada e policromada, com cerca de 66 centímetros de altura, que guarda em seu peito um relicário em vidro contendo fragmentos de ossos atribuídos ao mártir São Bonifácio. Essa característica confere à obra um valor religioso e simbólico singular, além de reforçar sua importância histórica.

Conselheiro do Iphan-Maranhão em aprovação de tombamento. Foto: Mariana Alves/ Iphan- MA

Segundo os estudos técnicos que embasaram o processo de tombamento, a imagem está diretamente relacionada à presença da Companhia de Jesus no Maranhão, desempenhando papel simbólico na consolidação das missões jesuíticas na região a partir do século 17.

Nesse contexto, a peça é considerada um testemunho material do processo histórico de ocupação e formação cultural da América Portuguesa, marcado pela ação missionária e pela difusão do catolicismo.

Além do valor histórico, a escultura também possui grande relevância artística. Especialistas apontam que sua execução apresenta características próximas da chamada escola maranhense de imaginária religiosa, destacando-se pela qualidade do entalhe, pela expressividade da composição e pelo tratamento das vestes e ornamentos.

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Atualmente, a imagem está sob guarda do Museu de Arte Sacra do Maranhão, localizado no Palácio Arquiepiscopal, no centro histórico de São Luís, onde permanece exposta ao público. É a primeira peça sob guarda da instituição que recebe tombamento em nível federal.

O processo de tombamento da obra teve início em 2007, a partir de solicitação de entidades culturais do Maranhão, e passou por diversas etapas técnicas e administrativas até chegar à deliberação final do Conselho Consultivo do Iphan.

Com a decisão, a Imagem de São Bonifácio passa a contar com proteção federal para proteger de um dos mais importantes testemunhos da arte sacra e da história religiosa do Maranhão e do Brasil.

*Com informações do Iphan