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Clima e crime organizado exigem cooperação entre países amazônicos

Foto: Reprodução/IPAM

Os impactos das mudanças climáticas sobre a saúde e a expansão do crime organizado na Amazônia exigem políticas públicas integradas e maior cooperação entre os países que compõem o bioma. A avaliação é de Paulo Moutinho, pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), em participação virtual no evento Diálogo Estratégico do Parlamaz (Parlamento Amazônico), no dia 13 de julho de 2026.

“O principal desafio atual na Amazônia é a integração entre os crimes ambientais e o crime organizado, o que torna insuficientes as políticas ambientais tradicionais e exige uma estratégia integrada de segurança, planejamento territorial e governança”, afirmou.

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Segundo Moutinho, o avanço do narcotráfico acompanha a expansão das economias ilegais na Amazônia. Entre 2019 e 2024, as apreensões de cocaína na Região Norte do Brasil cresceram 574,4%, evidenciando a rápida consolidação das redes criminosas na região.

O pesquisador também fez referência a um estudo do Instituto Igarapé, baseado na análise de 369 operações realizadas pela Polícia Federal entre 2016 e 2021, que mostrou que 60% das ações investigavam múltiplas atividades ilícitas simultaneamente e que 55% apresentavam associação com organizações criminosas, revelando a forte integração entre crimes ambientais e outras economias ilegais.

O Parlamaz é um organismo permanente de cooperação parlamentar que reúne representantes dos oito países da Bacia Amazônica (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela). Criado em 1989, o colegiado busca fortalecer a cooperação regional e promover iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à conservação do bioma e à integração entre os parlamentos nacionais.

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Clima e crime organizado exigem cooperação entre países amazônicos
Clima e crime organizado exigem cooperação entre países amazônicos. Foto: Divulgação/Policia Federal

Realizado no Peru, o diálogo marcou o encerramento do atual ciclo de trabalho da delegação peruana do Parlamaz e a transição para os novos integrantes do Senado e da Câmara dos Deputados do país. Participaram parlamentares, legisladores eleitos, cientistas, representantes do Ministério da Saúde peruano, organizações internacionais e instituições de cooperação técnica para discutir desafios comuns da Amazônia, como saúde pública, mudanças climáticas e governança regional.

Ao abordar a relação entre mudanças climáticas e saúde pública, Moutinho ressaltou que os impactos da degradação ambiental já afetam diretamente a qualidade de vida das populações amazônicas como um todo. Para o pesquisador, episódios extremos como os incêndios associados ao El Niño, evidenciam que a crise climática também representa um desafio sanitário à região.

“Na Amazônia, o impacto das mudanças climáticas sobre as populações não distingue áreas urbanas e rurais. Por exemplo, uma parcela significativa da população da Amazônia brasileira, incluindo pessoas que vivem em comunidades tradicionais ou indígenas, respirou durante meses, ao longo da temporada de incêndios associada ao El Niño, um ar de qualidade pior do que o respirado no centro de São Paulo nos piores índices de qualidade do ar já registrados. No ano do El Niño, por exemplo, o sistema de saúde brasileiro gastou cerca de US$ 10 milhões apenas para tratar doenças respiratórias”, destacou o pesquisador.

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Amazônia conectada

As discussões durante o diálogo também incorporaram evidências apresentadas por representantes do SPA (Painel Científico para a Amazônia), que lançou, em 2025, o relatório Conectividade da Amazônia para um Planeta Vivo. O documento reforça que a conectividade ecológica, hidrológica, climática, social e cultural é essencial para manter a resiliência da floresta e dos serviços ambientais ecossistêmicos prestados pelo bioma.

Entre as conclusões apresentadas está o papel da floresta na regulação do ciclo hidrológico da América do Sul. A umidade produzida pela evapotranspiração das árvores alimenta os chamados “rios voadores”, responsáveis por transportar vapor d’água para distintas regiões do continente. Segundo o relatório, cerca de metade das chuvas que chegam aos Andes do Peru e da Bolívia tem origem na Amazônia.

FLORESTA AMAZÔNICA NO AMAPÁ MIDR
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

As conclusões convergem com estudo recente do IPAM, que mostra que a manutenção da conectividade da floresta amazônica é determinante para a preservação dos rios voadores. Pesquisa divulgada pelo Instituto aponta que as Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs) exercem papel estratégico nesse processo ao manter corredores contínuos de vegetação capazes de sustentar o transporte de umidade e reduzir os riscos de ruptura do ciclo hidrológico amazônico.

O relatório do SPA alerta ainda que secas e inundações extremas têm se tornado mais frequentes e intensas. Também reforça que a Amazônia se aproxima de um ponto de inflexão ecológica, capaz de comprometer a segurança hídrica, a produção de alimentos, a biodiversidade, a geração de energia e a estabilidade climática em diferentes países da América do Sul.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia, escrito por Mayara Subtil

Pesquisador do Inpa recebe reconhecimento internacional pelo impacto de sua produção científica na Amazônia

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Foto: Fábio Mazzitelli/Arquivo/Jornal da Unesp

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Philip Fearnside, obteve reconhecimento internacional pelo impacto de sua produção científica. Referência mundial em estudos sobre a Amazônia, mudanças climáticas e conservação ambiental, o pesquisador ficou em primeiro lugar em número de citações, no Brasil, entre os cientistas na área de ecologia e biologia evolucionária, pela plataforma Research.com.

De acordo com a plataforma Google Citations, Fearnside foi citado 62.466 vezes na literatura científica e tem um índice “h” de 119, o que significa que seus trabalhos foram citados, pelo menos, 119 vezes.

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Para o pesquisador, esses números refletem a relevância de seus estudos e representam mais do que dados, eles demonstram que a produção da  instituição pode contribuir para o avanço da ciência e para o debate acerca das políticas públicas na região.

Pesquisador mantém produções de relevância mundial

Os indicativos da plataforma se somam a uma trajetória marcada por importantes distinções nacionais e internacionais. Desde a década de 1990, Fearnside figura entre os mais citados em sua área de atuação. Em 1994, foi incluído pelo CNPq na lista de pesquisadores de maior produtividade científica, com base na frequência de citações de seus trabalhos.

Em 2004, foi escolhido pela revista Veja como um dos “12 Melhores Brasileiros”, também considerando o impacto de sua produção científica. Pesquisador 1-A do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências, o biólogo tem 884 trabalhos científicos e 891 textos de divulgação publicados.

Leia também: Pesquisadores do Inpa alertam sobre risco de colapso climático na Amazônia

Pesquisador do Inpa, Philip Fearnside recebe reconhecimento internacional pelo impacto de sua produção científica na Amazônia
O pesquisador Philip Fearnside. Foto: Reprodução/IEA-USP

Ao longo dos anos, acumulou novos destaques, como a identificação, em 2006, pelo Thomson ISI como o segundo cientista mais citado do mundo na área de aquecimento global. Nos anos seguintes, foi identificado como o sétimo na área de desenvolvimento sustentável (2011), o “mais influente” no Brasil nas áreas de ecologia (2020) e de mudanças climáticas (2021). 

Em 2023, foi o “melhor” (maior índice “D”) em ecologia e evolução e “melhor” (maior índice “c”) nas grandes áreas de biologia e agrárias e nas subáreas de ecologia e ciência florestal. Para o pesquisador, “esse reconhecimento é uma conquista, pois indica que os meus trabalhos estão tendo efeito”, afirma Fearnside.

Além de reconhecer a trajetória individual do pesquisador, os resultados reforçam a importância dos estudos desenvolvidos sobre a Amazônia, que servem de referência para pesquisadores de diferentes países e para embasar decisões estratégicas que levem à elaboração de políticas públicas voltadas para a biodiversidade e conservação das florestas tropicais.

50 anos de pesquisas disponibilizados online

O pesquisador mantém um site com sua produção científica: artigos, dossiês, relatórios técnicos etc., tudo separado por temas como agricultura e pecuária, barragens hidrelétricas, povos indígenas e muitos outros assuntos. A iniciativa tem o objetivo de colaborar com a popularização da ciência e divulgar o conhecimento científico sobre a Amazônia.

*Com informações do INPA

Equador fortalece articulação nacional do MAPI com encontro entre Governo e povos indígenas na Amazônia

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Foto: Reprodução/OTCA

Representantes de organizações indígenas amazônicas, instituições do Estado equatoriano e da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA) participaram do Encontro Nacional do Equador do Mecanismo Amazônico dos Povos Indígenas (MAPI) e Articulação Territorial para a Governança Amazônica, realizado nos dias 2 e 3 de julho, na província de Pastaza.

Durante os dois dias de trabalho, foram construídas propostas nacionais que contribuirão para o fortalecimento do MAPI e para a construção de uma governança amazônica mais participativa e intercultural.

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Puyo deriva da palavra quíchua “Puyu”, que significa “nuvem”, “névoa” ou “lugar nublado”. Os Povos Indígenas Amazônicos chamavam o rio de Puyu Yaku devido à frequente presença de neblina.

O encontro permitiu fortalecer o diálogo entre as organizações indígenas amazônicas e as instituições públicas do Equador, promovendo a construção conjunta de propostas para a implementação do MAPI. Além disso, serviu para reunir contribuições que subsidiarão as mesas temáticas do Mecanismo e o futuro Fórum dos Povos Indígenas, comunidades locais e tradicionais, espaços concebidos para ampliar a participação indígena na cooperação regional amazônica.

A agenda teve início com uma cerimônia de harmonização espiritual, seguida da instalação oficial do encontro, que reuniu autoridades indígenas, representantes do Governo do Equador, da Secretaria Permanente da OTCA e da cooperação internacional. A abertura reafirmou o caráter intercultural do MAPI e a importância de consolidar um diálogo permanente entre os governos e os Povos Indígenas para a proteção da Amazônia.

Leia também: Lideranças indígenas Yanomami e Ye’kwana pedem ao governo brasileiro estratégia binacional contra garimpo e malária

Equador fortalece a articulação nacional do MAPI com encontro entre Governo e Povos Indígenas na Amazônia. Foto: Reprodução/OTCA

Durante o primeiro dia, foram apresentados os avanços do MAPI, sua estrutura de funcionamento, os princípios que orientam sua implementação e o Plano de Trabalho 2026–2027. Os participantes analisaram subsídios para uma proposta de regulamento do futuro Fórum dos Povos Indígenas, comunidades locais e tradicionais, que busca fortalecer sua participação e, dessa forma, contribuir com seus conhecimentos ancestrais, dados e informações técnicas e científicas interculturais para o desenvolvimento de tecnologias adequadas à preservação e à sustentabilidade da Amazônia no âmbito da gestão e da formulação de políticas públicas.

Um dos principais consensos alcançados foi a necessidade de fortalecer a articulação nacional entre as organizações indígenas amazônicas e as instituições públicas, garantindo uma participação efetiva no MAPI e uma representação que reflita a diversidade territorial e cultural do país. Os participantes concordaram que a governança amazônica requer a incorporação permanente dos conhecimentos tradicionais e ancestrais, da participação de mulheres e jovens e do diálogo intercultural como pilares da tomada de decisões.

Propostas para as mesas temáticas do MAPI

As mesas de trabalho permitiram identificar prioridades que o Equador levará ao processo regional do MAPI:

Na Mesa sobre Povos Indígenas em Isolamento e Contato Inicial (PIACI), os participantes compartilharam experiências relacionadas ao reconhecimento constitucional de seus direitos, à Consulta Popular do Yasuní, ao monitoramento participativo dos territórios e às políticas de não contato.

Entre as recomendações, foi proposta a ampliação dos sistemas de alerta precoce, o fortalecimento da coordenação entre instituições e organizações indígenas, a ampliação da assistência técnica e financeira e o reforço dos mecanismos de monitoramento e proteção frente às atividades que ameaçam esses povos.

Equador fortalece a articulação nacional do MAPI com encontro entre Governo e Povos Indígenas na Amazônia. Foto: Reprodução/OTCA

Leia também: Governo anuncia medidas para valorizar pajés e saberes indígenas

A Mesa sobre Pessoas Defensoras e Direitos concentrou seus debates na proteção dos territórios indígenas e das pessoas que os defendem. Os participantes destacaram a necessidade de fortalecer a autonomia e as formas próprias de governo dos povos e nacionalidades indígenas, avançar na titulação dos territórios ancestrais, promover políticas públicas com pertinência cultural e consolidar mecanismos de representação que respeitem as estruturas organizativas dos Povos Indígenas Amazônicos.

Contribuições para o futuro Fórum do MAPI

O segundo dia foi dedicado à coleta de propostas para o futuro Fórum dos Povos Indígenas, comunidades locais e tradicionais, com o objetivo de contribuir com seus conhecimentos tradicionais e ancestrais, dados e informações técnicas e científicas interculturais para o desenvolvimento de tecnologias adequadas à preservação e à sustentabilidade da Amazônia no âmbito da gestão e da formulação de políticas públicas.

  • Entre as principais contribuições do Equador destacam-se:
  • a promoção da participação direta das organizações indígenas a partir dos territórios;
  • a incorporação de sábios e sábias como detentores dos conhecimentos tradicionais;
  • o fortalecimento da medicina ancestral;
  • a valorização e recuperação das línguas indígenas;
  • o intercâmbio de experiências entre os Países Membros;
  • e a promoção da renovação geracional por meio de uma maior participação de mulheres e jovens.

Também foi proposto que o Fórum realize reuniões itinerantes nos países amazônicos e estabeleça mecanismos de acompanhamento das recomendações formuladas por seus integrantes.

Equador fortalece a articulação nacional do MAPI com encontro entre Governo e Povos Indígenas na Amazônia
Equador fortalece a articulação nacional do MAPI com encontro entre Governo e Povos Indígenas na Amazônia. Foto: Reprodução/OTCA

De forma transversal, o encontro reafirmou que a igualdade de gênero, a participação das juventudes indígenas, a proteção das pessoas defensoras, o combate ao desmatamento e a valorização dos conhecimentos tradicionais devem ser incorporados a todas as ações do MAPI, fortalecendo uma governança amazônica baseada na cooperação, no respeito à diversidade cultural e na participação efetiva dos Povos Indígenas.

O Encontro Nacional do Equador foi organizado pela Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Povos e Nacionalidades e pelo Ministério das Relações Exteriores e Mobilidade Humana do Equador, em coordenação com a Secretaria Permanente da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (SP/OTCA), no âmbito da subvenção Raízes Indígenas para a Governança Amazônica (RAIGA), do Programa Amazônia+, financiado pela União Europeia e implementado pela Agência Italiana de Cooperação para o Desenvolvimento (AICS), pela Fundação Internacional e para a Ibero-América de Administração e Políticas Públicas (FIAP) e pela Expertise France.

*Com informações da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA)

Portal Amazônia responde: o que é logística reversa?

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Imagem: Divulgação

Sabe aquele celular ou computador ultrapassado, esquecido na gaveta e sem uso? Equipamentos eletrônicos que deixaram de ser utilizados podem ser encaminhados para processos de reutilização, recondicionamento, reciclagem ou descarte ambientalmente adequado por meio da logística reversa. Esse processo organiza o retorno dos produtos após o uso, permitindo o reaproveitamento de materiais e a destinação adequada dos resíduos eletrônicos.

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Para a logística reversa funcionar, não adianta a pessoa apenas juntar o resíduo eletrônico; é preciso organização. Vamos citar, por exemplo, uma ida ao supermercado. Imagine chegar com as compras e guardar um pote de sorvete na despensa, sem refrigeração, ou o açúcar no congelador? Não dará certo. Com os eletrônicos é a mesma coisa.

Como funciona o ciclo da logística reversa?

Em vez de o seu aparelho velho morrer no lixo, ele faz o seguinte caminho:

Coleta

Essa é a fase do desapego, quando a pessoa decide se livrar daquele celular, computador antigo ou daquelas pilhas gastas. Em vez de jogar no lixo comum, você os entrega em pontos de coleta, em lojas, supermercados ou cooperativas de reciclagem.

Leia também: Tempo de decomposição de resíduos eletrônicos no meio ambiente pode levar séculos

coleta, parte fundamental da logística reversa
Foto: Hector Muniz/ Portal Amazônia

Triagem

Hora de entender “quem é quem”. Assim que os eletrônicos chegam ao centro de reciclagem, eles passam por uma seleção rápida. Nessa etapa, acontece a separação: o que ainda funciona e pode ser consertado, o que vai virar matéria-prima e o que realmente precisa ser descartado com segurança (como baterias que podem vazar).

Processamento

Nesta etapa, os equipamentos são desmontados e seus componentes separados de acordo com suas características. Plásticos, metais, vidros e outros materiais podem ser encaminhados para processos de reaproveitamento ou reciclagem, conforme suas condições e possibilidades de utilização.

Imagem colorida mostra coleta de resíduo eletrônico sendo coletado em Viseu no Pará para descarte
Foto: Reprodução/ Insituto Descarte Correto

Leia também: Entenda como o descarte incorreto de resíduos eletrônicos prejudica o solo e soluções indicadas por especialistas

Reintrodução no mercado

Após o processamento, os materiais recuperados podem ser utilizados como matéria-prima na fabricação de novos produtos ou empregados em outros processos industriais. Em alguns casos, equipamentos recondicionados também podem voltar ao uso, ampliando seu ciclo de vida útil e reduzindo a necessidade de utilização de novos recursos.

Na prática, a logística reversa dá uma segunda chance para esses materiais. Em vez de uma pessoa, sem muito conhecimento e intenção, desgastar a natureza para extrair matéria-prima do zero, a Logística Reversa coloca o que já existe de volta ao cenário antes fora de circulação. Isso poupa o planeta e nos ensina a usar nossos recursos de um jeito muito mais inteligente.

Benefícios

A logística reversa contribui para o reaproveitamento de materiais, para a destinação ambientalmente adequada dos resíduos eletrônicos e para o uso mais eficiente dos recursos. O processo pode gerar benefícios ambientais, econômicos e operacionais em diferentes etapas da cadeia produtiva.

Impactos ambientais

Redução da poluição: evita que o lixo seja descartado incorretamente e acabe poluindo aterros, rios e oceanos.

Poupa os recursos naturais: ao reaproveitar o que já existe, reduz a necessidade de extração de matérias-primas, contribuindo para o uso mais eficiente dos recursos naturais.

Foto: Adriano Magalhães/Agência Belém

Financeiro

Redução de custos: reutilizar materiais (como plásticos, metais e vidros) pode reduzir o consumo de matéria-prima e de energia em determinados processos produtivos.

Geração de receita: materiais recuperados podem ser reinseridos em cadeias produtivas e utilizados na fabricação de novos produtos, conforme sua destinação.

Organizações

A adoção de práticas de logística reversa pode integrar políticas de gestão ambiental e de sustentabilidade, conforme as características e os objetivos de cada organização. Além disso, pode contribuir para o reaproveitamento de materiais e para a gestão adequada dos resíduos gerados.

*Com informações do Ministério das Comunicações

Curta produzido em Rondônia chega a 100 festivais e conquista espaço no cinema internacional

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Cena do curta Planeta Fome. Imagem: Divulgação

Produzido em Porto Velho (RO), o curta-metragem de animação ‘Planeta Fome’ chegou à marca de 100 exibições em festivais de cinema ao redor do mundo. A produção rondoniense já foi exibida em países da Europa, Ásia, África e América e acumula prêmios nacionais e internacionais. 

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Escrito e dirigido por Édier William, o filme não tem diálogos e transforma a trágica “fila dos ossos”, registrada durante a pandemia de Covid-19, em uma ficção científica sobre desigualdade social. 

Na história, a escassez de alimentos é transportada para o ano de 2125. Porto Velho aparece árida, sem árvores e em preto e branco. Em meio ao colapso ambiental e econômico, a fome é usada como instrumento de controle social. 

Leia também: Cidade fantasma de Rondônia vira filme

A trama acompanha Ivani, uma mulher negra e mãe solo, e seu filho Lucca, de 8 anos, que tentam sobreviver em um mundo onde a comida é o único elemento colorido da tela, tratada como um artigo de luxo. 

Segundo Édier William, a proposta do filme é provocar reflexão ao mostrar que a miséria extrema é consequência de decisões políticas e econômicas, e não apenas do acaso. 

Curta produzido em Rondônia chega a 100 festivais e conquista espaço no cinema internacional
Curta revela futuro distópico, mas baseado em fatos reais. Imagem: Divulgação

Cruta já passou por quatro continentes

A animação já foi exibida em festivais da Espanha, Itália e Alemanha, na Europa; Marrocos, na África; China e Índia, na Ásia; além de Canadá, Estados Unidos, México e Colômbia, nas Américas. 

Na Índia, o curta participou do Bengaluru International Short Film Festival, evento que qualifica produções para o Oscar. 

No Brasil, a Mostra Sesc de Cinema levou ‘Planeta Fome’ para 19 estados. A produção também conquistou prêmios de Melhor Filme, Melhor Animação e Melhor Trilha Sonora.

Futuro distópico faz alerta sobre o presente

Apesar de ser ambientado no século 22, o curta busca provocar reflexões sobre problemas atuais. Para o animador Luan Ott, a realidade mostrada na animação é uma versão exagerada de questões que já fazem parte do cotidiano. 

Produzido com talentos locais, ‘Planeta Fome’ foi financiado com recursos da Lei Paulo Gustavo, por meio da Fundação Cultural do Município de Porto Velho (Funcultural). 

Para Édier William, a marca de 100 festivais reforça a importância dos investimentos públicos na cultura. Segundo a equipe, o incentivo ao setor gera empregos, forma profissionais e ajuda a levar a produção audiovisual da Amazônia para o mundo.

*Com informações da Rede Amazônica RO

MPF vai à Justiça contra ANM por omissão que facilita lavagem de ouro ilegal na Amazônia

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Garimpo na Terra Indígena Sararé (MT). Foto: Reprodução/Acervo Ibama

O Ministério Público Federal (MPF) apresentou uma ação civil pública, com pedido de liminar, contra a Agência Nacional de Mineração (ANM), para corrigir falhas estruturais na regulação e fiscalização do regime de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG).

A ação sustenta que o instrumento, criado para autorizar a extração de ouro em pequena escala, tem sido desvirtuado para viabilizar a lavagem de ouro extraído de forma ilegal de terras indígenas e unidades de conservação na Amazônia.

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“A permissão de garimpo deixou de servir ao pequeno garimpeiro e, em muitos casos, virou papel de fachada para lavar ouro explorado por organizações criminosas em terras indígenas e de áreas de proteção ambiental. Sem regras claras e sem fiscalização da agência, o crime ganha aparência de legalidade, e quem paga a conta é a floresta, são os rios contaminados por mercúrio e são as comunidades que adoecem”, afirma o procurador da República André Porreca, responsável pelo caso.

Falhas estruturais

Segundo o documento, o descontrole do setor se sustenta sobre um tripé de falhas sistêmicas que desfiguram o regime de PLG. A primeira grande falha apontada pela ação é a ausência de regras claras. Passados mais de 35 anos da lei que criou o regime de PLG, a ANM nunca fixou os critérios científicos e técnicos para definir quando uma área pode receber esse tipo de permissão.

O órgão também não exige uma pesquisa mineral mínima sobre o potencial de ouro de cada local antes de liberar a lavra. Sem esse parâmetro básico, o mercado opera no escuro: ninguém sabe quanto ouro cada área realmente comporta e o comprador final é obrigado a confiar exclusivamente na autodeclaração do vendedor.

O segundo ponto da denúncia expõe a existência de “garimpos fantasmas”. Trata-se de áreas com permissão de lavra ativa que declaram a extração de grandes volumes de ouro, inclusive recolhendo regularmente a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) para dar lastro de legalidade à transação. No entanto, o papel serve unicamente para dar aparência legal a um minério extraído ilegalmente de outras regiões.

Leia também: MPF e Ibram traçam estratégias contra garimpo ilegal e uso de mercúrio na Amazônia

Em um dos episódios citados no processo, uma única permissão de apenas 1,08 hectare, área equivalente a cerca de um campo de futebol, declarou ter extraído 776 quilos de ouro. A produção, avaliada em R$ 570 milhões, foi registrada sem que quase nenhuma árvore fosse derrubada no local durante todo o período.

Por fim, a ação descreve uma manobra conhecida como “fatiamento de permissões”, utilizada para burlar as exigências de licenciamento ambiental, cujas exigências são muito mais rigorosas para minerações de grande porte. Dessa forma, um mesmo grupo econômico obtém várias permissões pequenas, em áreas vizinhas, e as opera como se fossem uma única mina de porte industrial. O procedimento dilui a percepção do real dano ambiental ao dividir o empreendimento em múltiplos processos de baixo impacto no papel.

Escala industrial da fraude

Com base em um relatório produzido pelo Greenpeace Brasil e em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), o MPF reuniu dados que revelam a dimensão do problema. Foram identificadas irregularidades em 98 Permissões de Lavra Garimpeira, espalhadas pelos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia.

Sob o controle de apenas vinte titulares, essas licenças suspeitas foram utilizadas para declarar a extração de impressionantes 25,3 toneladas de ouro. O volume de metal precioso foi avaliado em R$ 18,4 bilhões com base nas cotações de maio de 2026. As permissões sob suspeita concentram sozinhas 97% de todo o ouro declarado no conjunto de 187 processos minerários analisados pela organização.

Em resposta aos questionamentos do MPF, a própria ANM admitiu que não fiscaliza a comercialização do ouro e que possui apenas 120 servidores disponíveis para atuar em todo o território nacional. Além dos prejuízos econômicos e tributários, a ação judicial destaca os severos impactos socioambientais da omissão, como o desmatamento de florestas protegidas e a contaminação em massa de bacias hidrográficas por mercúrio.

Garimpo ilegal encerrado pela Operação Brasil Verde Foto Agência Brasil
Foto: Reprodução/Agência Brasil

Danos ambientais e à saúde

Além dos prejuízos econômicos, o garimpo ilegal provoca graves impactos ambientais e à saúde das populações tradicionais. Dados citados na ação apontam que, até setembro de 2025, mais de 99 mil hectares de floresta em áreas protegidas da Amazônia haviam sido destruídos pela atividade — área equivalente a cerca de 25 vezes a do Parque Nacional da Tijuca.

O uso de mercúrio também contaminou mais da metade dos rios da sub-bacia do Tapajós. Entre os efeitos sobre a saúde, pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificou que 98,5% das 133 gestantes indígenas Munduruku avaliadas apresentavam níveis de mercúrio acima do limite considerado seguro.

Pedidos estruturais e prazos

Entre as medidas urgentes pleiteadas, o MPF demanda que a ANM crie, em até 30 dias, um grupo de trabalho técnico focado na reestruturação do regime de PLG.

No prazo de até 60 dias, a agência deve instaurar um programa nacional para reavaliar e suspender cautelarmente todas as permissões de lavra que registraram recolhimento de CFEM sem apresentar evidências físicas de exploração mineral compatível, devendo encaminhar os indícios de crimes à Polícia Federal, Receita Federal, Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e Banco Central. Além disso, a autarquia terá 120 dias para apresentar um estudo técnico que baseie a nova regulamentação do regime de PLG.

Como contenção imediata, a ação exige que novos pedidos ou renovações passem por avaliação sobre a necessidade de pesquisa mineral, que seja proibida as concessões sem licença ambiental prévia e a proibição de títulos em áreas contíguas para o mesmo grupo econômico sem uma análise integrada de impactos.

“A demanda tem caráter estrutural, ou seja, não busca punir garimpeiros específicos, mas corrigir as falhas do sistema que permitem que a fraude se repita em larga escala”, reforça André Luiz Porreca.

A ação foi proposta pelo 2º Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal, e apresentada à Vara Federal Ambiental e Agrária da Seção Judiciária do Amazonas.

Ação civil pública nº 1036996-07.2026.4.01.3200

*Com informações do MPF

Amazônia: centro de controvérsias sobre a questão energética nacional

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Comunidade Quilombola Bom Remédio, em Abaetetuba (PA). Foto: Camila Bomfim/ANEEL

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Muitas e diversificadas as incoerências econômicas, sociais e geopolíticas que envolvem a região amazônica. Contraditoriamente, embora a Amazônia contribua com mais de 25% da geração de energia elétrica nacional, consome apenas 8,4% do total de energia produzida no Brasil, segundo a Climate Policy Initiative (CPI), um grupo de pesquisa independente sem fins lucrativos na área de política climática, com sede em São Francisco, Califórnia (EUA), e escritórios em todo o mundo. Segundo o Ministério de Minas e Energia do Brasil, as Amazônias também concentram 30% dos minerais críticos e estratégicos relacionados com o processo de expansão das energias renováveis, eletrificação do transporte e descarbonização.

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Apesar de tamanha potencialidade, a região amazônica continua sendo a mais afetada pela insegurança energética e sofrendo os menores índices de desenvolvimento econômico e progresso social do Brasil. De acordo com estudos da organização Concertação pela Amazônia, “a segurança energética nas Amazônias deve ser compreendida como componente central de uma estratégia de desenvolvimento nacional, para que seja capaz de articular a disponibilidade de recursos energéticos, inclusão social e sustentabilidade ambiental”. A região também responde por uma produção incipiente de óleo e gás, mas que pode se tornar significativa com a exploração do petróleo da Margem Equatorial.

Potenciais que devem ser analisados considerando o trade-off entre riscos e benefícios para o ambiente, a sociedade e a economia. Objetivamente, a relação de “perda-ganho” ou de compensação diante da avaliação de prós e contras em relação às vantagens e desvantagens econômicas e os interesses maiores da nação. Além do mais, a Floresta Amazônica contribui decisivamente para a segurança energética, não só pelas grandes usinas hidrelétricas em seu território, mas também por meio dos rios voadores, correntes atmosféricas que transportam a umidade da evapotranspiração das árvores para a porção Centro-Sul do País, onde deságuam na forma de chuvas e alimentam os fluxos hídricos, essenciais para a produção de hidroeletricidade e alimentos.

Para enfrentar essa dicotomia, ao que sugerem estudos especializados, o primeiro passo recomenda otimizar a infraestrutura existente, que conta com grandes usinas hidrelétricas. O segundo, encarar de frente os trade-offs tanto na questão da exploração da Margem Equatorial, como das reservas minerais e dos recursos hídricos da região. Isso exigiria identificar e melhor conviver com as alterações físicas, químicas ou biológicas no meio ambiente causadas por atividades humanas e a lidar melhor com esses impactos, garantindo participação das comunidades locais e mecanismos de governança que assegurem benefícios territoriais.

O terceiro eixo de atuação refere-se a reconhecer o papel sistêmico da conservação da floresta para a segurança energética e econômica do País. O quarto eixo visa garantir que essa eventual exploração de recursos naturais acordada e pactuada se converta em bem-estar da população local. Experiências com royalties advindos da atividade de óleo e gás na região Sudeste ou mesmo de mineração no Pará, mostram que essa riqueza não se converte na mesma proporção em bem-estar da população, levando em conta representações gráficas do IBGE que mostram esses desacertos.

Ao decidir explorar recursos e gerar renda econômica e financeiro torna-se ainda necessário obedecer os fatores de ESG (em português, Ambiental, Social e Governança), os pilares que definem o quanto uma empresa está comprometida em proteger o meio ambiente, contribuir para uma sociedade mais justa e inclusiva, manter práticas éticas, transparentes e responsáveis de gestão. Enorme desafio às universidades e centros de pesquisa da região, que têm o inelutável dever de assumir a responsabilidade pela produção de conteúdo científico do interesse da economia regional e do país.

Leia também: Inpa promove audiência pública de avaliação ambiental estratégica para a governança da BR-319

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Festival Internacional de Música reúne artistas da Itália, Bolívia e Estônia em Boa Vista

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Boa Vista recebe 4° Festival Internacional Sesc de Música. Foto: Divulgação/Sesc RR

Professores de música da Itália, Bolívia e Estônia participam do 4º Festival Internacional Sesc de Música, realizado em Boa Vista (RR). O evento reúne artistas nacionais e internacionais em concertos e intervenções musicais em diferentes espaços da capital. A programação segue até o dia 24 de julho. 

O evento iniciou no dia 13 de julho e, ao longo dos 12 dias de programação, as apresentações ocorrerão no Teatro Jaber Xaud, na Paróquia Matriz Nossa Senhora do Carmo, na Praça Capitão Clóvis e na Catedral Cristo Redentor. Também haverá ações em hospitais, abrigos e instituições sociais, mas essas atividades serão fechadas ao público.

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Entre os professores convidados estão o violinista italiano Emmanuele Baldin e o contrabaixista venezuelano Jonas Morales. Além do violoncelista Eveline Uue, da Estônia, e o também violoncelista carioca Fabio Presgrave, formado pela renomada Escola Juilliard, de Nova York. 

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Nos concertos realizados no Teatro Municipal, será necessário retirar ingresso antecipadamente. A entrada será solidária, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível com prazo mínimo de validade de 90 dias.

festival música sesc roraima
Foto: Divulgação/Sesc RR

Programação da semana:

Segunda-feira (20)

Para acolhidos:

10h: Festival na Cidade – Abrigo Maria Lindalva Teixeira de Oliveira 

Aberto ao público:

19h30: Recital de alunos de Metais e Percussão 

Terça-feira (21)

Aberto ao público:

18h: Concerto Oquestra Sinfônica do IBVM – Centro Amazônico de Fronteiras da Universidade Federal de Roraima

19h30: Recital de alunos de Violoncelos – Teatro Jaber Xaud 

Quarta-feira (22)

Aberto ao público: 

10h: Festival Sesc na Cidade Grupo de Câmara Sesc Mato Grosso do Sul – Centro de Memória e Cultura do Poder Judiciário

19h30: Concerto da OrquestaJovem com a participação especial de Artistas Regionais – Teatro Municipal de Boa Vista 

Quinta-feira (23)

Aberto ao público:

16h: Festival Sesc na Cidade Voz e Violão – Empresa do Comércio 

19h30: Recital de Canto Coral e Canto Lírico – Paróquia São Matheus 

Sexta-feira (24)

Aberto ao público:

12h: Festival Sesc na Cidade Voz e Violão – Restaurante da Sede Administrativa do Sesc Roraima

19h30: Concerto de Encerramento Orquestra Sinfônica Acadêmica – Teatro Municipal de Boa Vista

Os ingressos para os eventos no Teatro serão distribuídos nos seguintes locais:

Unidade de Cultura do Sesc – Avenida Major Williams, 893, Centro. Atendimento das 8h às 12h e das 14h às 18h;

Academia Sesc – Avenida Venezuela, Mecejana. Atendimento das 8h às 20h;

Instituto Boa Vista de Música (IBVM) – Rua da Tangerineira, 411, Caçari. Atendimento das 8h às 12h.

Festival Internacional Sesc de Música

Realizado em Roraima desde 2023, o Festival Internacional Sesc de Música reúne músicos, professores e estudantes do Brasil e de outros países em uma programação voltada à formação artística e ao acesso à cultura. 

Na quarta edição no estado, o evento reúne participantes do Brasil, da América Latina e da Europa e busca fortalecer a circulação artística, o intercâmbio entre músicos e o cenário cultural de Boa Vista.

*Com informações da Rede Amazônica RR e Sesc RR

J. Carlos Antony, Gregório Thaumaturgo de Azevedo e a Beneficente Portuguesa: o clamor pelo hospital

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Prédio do hospital na Rua Corrêa de Miranda, hoje Avenida Joaquim Nabuco. Manaus, 1893. Foto: Abrahim Baze/Acervo do autor

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

As dificuldades financeiras apesar de todas as campanhas através dos leilões, das quermesses e sobretudo do arrendamento do teatro, não permitiram a construção e a instalação do hospital Beneficente Portuguesa como esperava. Havia muitas desistências, omissões e deserções por falta de hospital, a aspiração suprema dos associados. O projeto do presidente Teixeira de Souza, com a planta de J. Carlos Antony, não foi levado a cabo. As reclamações pelo hospital eram constantes.

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O desencanto e a ansiedade do grupo pode ser muito bem retratado no pronunciamento do sócio José Joaquim Migueis, em sessão da Assembleia Geral do dia 31 de outubro de 1885, sob a presidência do Comendador José Cláudio de Mesquita, pronunciamento que, aliás, foi registrado com certa obscuridade do secretário:

“… Supondo que muitos, longe de calcular o verdadeiro estado desta Sociedade e as dificuldades com as quais luta, deixam de pagar, alegando não ter ela ainda um hospital, onde os associados necessitados possam ser tratados, propunha que se autorizasse a diretoria a nomear uma comissão para estudar com a Mesa da Santa Casa de Misericórdia a fim de obter desta uma enfermaria, que possa colocar seis ou oito camas para receber os sócios doentes que estivessem nos casos de receber os benefícios prescritos nos Estatutos desta sociedade”.

J. Carlos Antony, Gregório Thaumaturgo de Azevedo e a Beneficente Portuguesa: o clamor pelo hospital
Gregório Thaumaturgo de Azevedo e João Carlos Antony. Foto: Abrahim Baze/Acervo do autor

Tal proposta de recorrer à Santa Casa de Misericórdia vinha acompanhada da justificativa de que isto seria um incentivo para atrair a esta sociedade maior número de sócios contribuintes e fazê-la progredir, levando-a do abatimento em que se acha. Por esta manifestação, sente-se perfeitamente o descontentamento de que se encontravam possuídos os membros da sociedade pela falta de um hospital depois de doze anos de luta. Logo a seguir foi firmado o contrato com a Santa Casa de Misericórdia.

Outro fato interessante ocorreu no dia 8 de novembro de 1885, quando o Comendador José Cláudio de Mesquita recebeu a visita do médico Dr. João Machado de Aguiar Melo oferecendo gratuitamente os seus serviços médicos, logo que o Hospital dispunha de uma enfermaria que pretenda estabelecer e receber seus doentes, este ato humanitário foi aceito imediatamente. De certo modo não foi justificado o por quê do projeto de J. Carlos Antony na presidência do Comendador Teixeira de Souza, tenha sido relegado a segundo plano.

A Sociedade recebeu gratuitamente os serviços do Comendador e sócio honorário Gregório Thaumaturgo de Azevedo que confeccionou a planta do hospital gratuitamente, tendo recebido, portanto, a homenagem de sócio honorário na presidência de Bernardo Antônio de Oliveira Braga. As obras da enfermaria seguiram em ritmo acelerado, de modo que em 19 de novembro de 1887, o empreiteiro José Hermida, deu por concluída as obras e entregou as chaves da enfermaria.

A cozinha do hospital. Manaus, 1900. Foto: Abrahim Baze/Acervo do autor

“… O engenheiro João Carlos Antony, natural do Amazonas, umas das figuras mais representativas da ilustre família dos Antony, nasceu em Manaus a 19 de março de 1833, falecendo na mesma cidade a 2 de novembro de 1918.

Foram seus pais o negociante Henrique Antony, nascido em Ajácio Ilha de Córcega na Itália, e de dona Leocádia, amazonense filha de Antônio José Brandão, português irmão do celebre Arcebispo de Braga e de Lisboa Dom Frei Caetano Brandão. João Carlos Antony foi colega de Ramalho Ortigão e Arthur Napoleão, no mesmo colégio. Continuando seus estudos, seguiu para Florença, onde se diplomou em 1876. Na ocasião em que transitava, rumo aos Estados Unidos, o Imperador Dom Pedro II, integrou a Comissão Receptora de Festejos à Sua Majestade”.

“… O General Gregório Thaumaturgo de Azevedo, uma das figuras mais destacadas do nosso Exército, nasceu no Piauí, a 17 de novembro de 1851, filho de Manuel de Azevedo Moreira de Carvalho. Jovem de invejável inteligência, bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemática, pela Escola Militar de Realengo no Rio de Janeiro e, depois em Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Recife, foi um homem de vida dinâmica, tanto no Exército quanto fora dele. Por mais de meio século, seu nome encheu de vibração os faustos das atividades militares, cíveis e políticas. Sobretudo do estado a que ele quase sempre esteve ligado”.

Fonte

Dados Biográficos Compilados do Dicionário Amazonense de Biografias de Agnello Bittencourt.

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Amazon On reúne especialistas para debater futuro sustentável da Amazônia

Amazon On 2026 leva a Manaus referências mundiais em tecnologia, energia e conectividade. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

A terceira edição do Amazon On será realizada nos dias 5 e 6 de agosto, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus. O evento vai reunir especialistas de tecnologia, telecomunicações, energia e inovação para discutir soluções de desenvolvimento sustentável na Amazônia. As inscrições estão abertas no site

A programação inclui debates sobre conectividade, transição energética, bioeconomia, infraestrutura digital e preservação ambiental, com participação de especialistas brasileiros e estrangeiros. 

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Durante os dois dias, os painéis vão abordar temas como tecnologia aplicada à floresta, expansão da conectividade digital e infraestrutura de telecomunicações. Os especialistas vão compartilhar experiências para impulsionar o desenvolvimento sustentável da região.

Entre os palestrantes confirmados estão executivos de empresas como Huawei, HMN Technologies, Qualcomm, Azion, Âmbar Energia, NEC Brasil e Energisa. Também participam representantes do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial e União Internacional de Telecomunicações (UIT).

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COP 30 é tema de debate no Amazon On
Amazon On chega à terceira edição. Foto: Diego Oliveira/Acervo Portal Amazônia

Amazon On reúne representantes de diversos países

Autoridades brasileiras e internacionais também estarão presentes, incluindo representantes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ministério das Comunicações, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) e órgãos reguladores da Colômbia e da República Dominicana. Ministros da Guiana e do Suriname também participam.

Representando a academia e a produção científica da região, participam os professores Nilton Pereira da Silva, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam); Rodrigo Augusto Ferreira de Souza, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA); a pesquisadora em bioeconomia Maria Angélica de Almeida Correa; e o especialista em desenvolvimento territorial Jader Gama. Os painéis serão mediados por nomes como Willamy Moreira Frota, diretor da Aneel; Edson Holanda; Paulo Luciano; e Márcio Lino, CEO da COLIN Consultoria e senior advisor da EllaLink Subsea Cables. 

A academia também estará representada por professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), além de pesquisadores em bioeconomia e desenvolvimento territorial. Os painéis terão mediação de especialistas do setor público e privado.

*Com informações da assessoria