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Licitações para obras na BR-319 são suspensas por risco ambiental no Amazonas

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A decisão liminar é da juíza federal Mara Elisa Andrade e atende a um pedido do Observatório do Clima contra o Dnit. Foto: Reprodução/DNIT

A Justiça Federal do Amazonas suspendeu, nesta terça-feira (28), por 70 dias, os processos de licitação para obras no chamado “trecho do meio” da BR-319, rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A decisão liminar é da juíza federal Mara Elisa Andrade e atende a um pedido do Observatório do Clima contra o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Leia também: Justiça recebe pedido de anulação de editais do Dnit para obras em trechos da BR-319

A medida atinge quatro pregões eletrônicos lançados pelo Dnit no dia 13 de abril, que previam contratar empresas para serviços em diferentes trechos da rodovia, com investimento estimado em R$ 678 milhões. As sessões estavam marcadas para esta quarta (29) e quinta-feira (30).

O Grupo Rede Amazônica procurou o Dnit, o Ministério dos Transportes e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para comentar a decisão, mas até a última atualização desta reportagem, não houve retorno.

Na ação, o Observatório do Clima afirma que o Dnit enquadrou as intervenções como manutenção para dispensar o licenciamento ambiental. A entidade argumenta, porém, que os serviços indicam reconstrução e pavimentação da estrada, o que exigiria estudos de impacto ambiental.

Ao analisar o caso, a juíza apontou indícios de irregularidade nessa classificação e destacou o risco de danos ambientais. Segundo ela, o responsável pela obra não pode definir sozinho se o empreendimento precisa ou não de licenciamento. “O proponente da obra não pode ser juiz de si mesmo”, destacou.

A magistrada também ressaltou que o trecho da BR-319 corta uma área de alta sensibilidade ecológica na Amazônia, já pressionada por desmatamento, grilagem de terras e ocupação irregular.

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Risco de danos irreversíveis

A decisão cita estudos do Ibama que classificam a obra como de significativo impacto ambiental. De acordo com esses documentos, a pavimentação da rodovia pode aumentar o desmatamento, estimular a abertura de estradas ilegais e intensificar a ameaça sobre áreas protegidas e terras públicas.

Para a juíza, permitir o andamento das licitações neste momento poderia levar à assinatura de contratos e início das obras antes de uma análise completa, criando uma situação difícil de reverter.

O que muda na prática

Com a decisão, os pregões ficam suspensos por 70 dias. Nesse período:

  • nenhum contrato relacionado às obras pode ser firmado;
  • o Dnit tdeve apresentar o processo administrativo completo e detalhar as obras previstas;
  • o Ibama terá que se manifestar sobre a dispensa de licenciamento ambiental.

Caso a decisão não seja cumprida, a Justiça fixou multa de R$ 1 milhão.

Após receber as informações dos órgãos envolvidos, a Justiça deve reavaliar a medida para decidir se mantém ou revoga a suspensão.

O processo ainda será julgado no mérito. Isso significa que a decisão final vai definir se as licitações poderão continuar ou se serão anuladas.

BR-319, amazônia
Foto: Reprodução/DNIT

Editais publicados

No dia 31 de março, em Brasília, foram assinados os documentos que autorizam a pavimentação de 339 km da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. O investimento é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.

Saiba mais: Licitação para pavimentação do trecho do meio da BR-319 é anunciada em Brasília

Os editais abrangem quatro segmentos da BR-319: do km 250,7 ao km 346,2; do km 346,2 ao km 433,1; do km 433,1 ao km 469,6; e do km 469,6 ao km 590,1. As obras foram classificadas pelo órgão como serviços de manutenção e melhoramento da via.

Além disso, entre as intervenções previstas pelo Dnit está a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7 da rodovia, com investimento de R$ 44,1 milhões e prazo de execução de 23 meses.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Com carreira dedicada à Amazônia, pesquisadora do Inpa vence Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026

Foto: Érico Xavier/ Fapeam

A bióloga Maria Teresa Fernandez Piedade, membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), é a vencedora do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, edição 2026. Pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Piedade trabalha há quase 50 anos na Amazônia, desenvolvendo pesquisas sobre ecologia, em especial a de ecossistemas, com foco na influência do pulso de inundação na biota e interações, manejo sustentável e monitoramento de áreas alagáveis.

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A pesquisadora também tem pesquisas em produção primária, balanços de carbono e ecofisiologia de espécies arbóreas e de plantas aquáticas.

“Receber o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é um sonho inimaginável. Eu nunca imaginei que eu tivesse essa honraria atribuída pelos pares e pelo comitê, ao qual eu agradeço enormemente, porque eu vejo muitos dos laureados que me precederam e eles foram pessoas de grande importância e influência na minha carreira e vida”, agradece a pesquisadora, citando o geógrafo e professor Aziz Ab’Saber e a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader.

Além de ser docente dos Programas de Pós-Graduação em Ecologia e Botânica do INPA, a pesquisadora  lidera o grupo “Ecologia, monitoramento e uso sustentável de áreas úmidas (Maua)”, no mesmo instituto e foi a responsável pelo estabelecimento do Programa Ecológico de Longa Duração Peld Maua, que coordenou entre 2013 e 2019.

Os estudos sobre ecossistemas de áreas úmidas da Amazônia realizados no âmbito do programa geram dados sobre a biodiversidade, dinâmica de carbono e impactos de mudanças antrópicas e do clima nesses ambientes críticos.

Criado em 1981, o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é atribuído ao pesquisador que tenha se destacado pela realização de obra científica ou tecnológica de reconhecido valor para o progresso da respectiva área.

Realizado em parceria com a Marinha do Brasil, o prêmio é concedido anualmente, em sistema de rodízio entre três grandes áreas do conhecimento: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes; e Ciências da Vida – categoria deste ano.

A cerimônia de premiação ocorrerá no Rio de Janeiro, no dia 7 de maio. O premiado recebe diploma, medalha e R$ 200 mil em dinheiro.

Leia também: Fundo Amazônia lança prêmio para reconhecer iniciativas de povos e comunidades tradicionais

A pesquisadora explica que os pequenos e os grandes corpos d’água e a floresta, tanto de terra firme quanto a alagável, formam um conjunto que bombeia a água para os sistemas da terra. Essa água se transforma em rios que vão para outras regiões, como o Sul e o Sudeste, gerando precipitação e alimentando o agronegócio. “Então, é de suma importância para toda a população do Brasil e além, eventualmente”, salienta.

Com relação à Amazônia, Piedade explica que a subida e descida dos grandes rios, que pode variar em 10 metros, impactam não só toda a biota, como é chamado o conjunto de organismos que vivem às margens desses rios, mas também o ser humano.

“Os ribeirinhos, os indígenas e todas as comunidades tradicionais que habitam esses sistemas dependem intrinsecamente dessa dinâmica. Para eles, é fundamental que esses sistemas sejam preservados e funcionem de forma adequada, o que nem sempre vem acontecendo. As áreas úmidas amazônicas, que incluem as áreas alagáveis, que são aquelas ao longo dos grandes rios, elas suprem de nutrientes todas as planícies alagáveis. Esses ambientes são aqueles onde os ribeirinhos e os moradores em geral fazem seus produtos, por exemplo, agrícolas, em pequena agricultura, que alimenta todo o cinturão de moradores das cidades maiores e menores”, diz.

Para a pesquisadora, entender tanto as razões econômicas quanto as cadeias entre os organismos da região é fundamental para a designação de áreas de preservação e para o entendimento da fragilidade e da necessidade de conservação desses sistemas funcionais da maneira como eles normalmente funcionam. Alguns dos resultados de suas pesquisas já indicam a importância da questão.

“E o que a gente tem encontrado é que, em 30 anos, mais de 125 quilômetros de áreas após a hidrelétrica de Balbina, que tem sido um dos nossos focos, as florestas vêm morrendo gradualmente, em função da falta de regularidade no suprimento de água, porque esse suprimento passa a responder à demanda energética”, diz, referindo-se à hidrelétrica construída no rio Uatumã, localizada na parte nordeste do Estado do Amazonas.

Sua equipe também já evidenciou o papel do peixe boi amazônico como dispersor de sementes e plantas aquáticas. “Foi um achado fantástico, porque a importância desse animal emblemático já era citada de várias maneiras, mas nunca como um dispersor, o que significa que ele tem um papel mais importante ainda e a preservação desse animal nos sistemas aquáticos e de áreas alagáveis e úmidas da Amazônia”, ressalta.

Carreira norteada pela Ecologia

Embora desenvolva estudos na Amazônia há quase cinco décadas, Piedade afirma que atuar como pesquisadora na região ainda é um desafio. “Quando eu comecei a trabalhar 35, 40 anos atrás aqui, nós não tínhamos nenhum veículo de comunicação. Então se a gente ficava um mês no campo, 20 dias no campo, a nossa forma de comunicação com as pessoas era extremamente limitada. As pessoas incluem família, incluem todas as pessoas do nosso grupo de trabalho”, lembra.

A situação para pesquisadores melhorou desde então, mas a bióloga atenta para as distâncias na região, o que encarece os custos para se fazer uma expedição por lá. Muitas vezes, os pesquisadores têm de alternar trechos em transporte de barco, a pé ou em veículos para chegar ao destino.

“Os custos para isso são enormes e talvez isso deveria ser considerado de forma mais adequada nos financiamentos e na perenização de financiamentos para pesquisa na Amazônia, que é muito importante”, opina.

A ecologia guiou os estudos de Piedade. Graduada em ciências biológicas pela Universidade Federal de São Carlos, em 1975, ela fez mestrado e doutorado em ecologia no INPA e pós-doutorado no Reino Unido. Durante 15 anos, compôs o Conselho Científico Internacional do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera da Amazônia (LBA, na sigla em inglês), que teve papel central na formação das novas gerações de pesquisadores sobre a região amazônica.

O LBA é considerado um dos maiores projetos de cooperação científica internacional. Iniciado em 1998, com liderança do Brasil, reúne a cooperação brasileira com os Estados Unidos, por meio da Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), com a União Europeia e com países amazônicos em torno de sistemas de observação da Terra.

Leia também: Livro com canções de mestre do carimbó ensina sobre ecologia tradicional

Com carreira dedicada à Amazônia, Acadêmica vence Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026
Com carreira dedicada à Amazônia, Maria Teresa Fernandez Piedade ganha prêmio. Foto: Érico Xavier/ Fapeam

Ao longo da carreira, a pesquisadora implantou e coordenou projetos nacionais e internacionais, com equipes multidisciplinares, sendo referência na formação de redes de cooperação consolidadas. Além disso, participou de projetos de longa duração, com ênfase na cooperação Brasil–Alemanha INPA/MCTI-Sociedade Max-Planck, coordenado por ela durante três décadas. Piedade também já  foi pesquisadora visitante em várias instituições internacionais, especialmente da Alemanha e do Reino Unido.

Durante oito anos, a pesquisadora integrou o Conselho Nacional de Zonas Úmidas do MMA e o Diagnóstico Brasileiro de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos. Ela preside o Conselho de Administração do Instituto Mamirauá e atua no Painel Científico para Amazônia (SPA) e  foi membro titular do Comitê Assessor de Ecologia e Limnologia do CNPq no período de 2013 a 2016 e coordenadora do mesmo Comitê entre 2014 e 2016.

Ao ser perguntada por que quis seguir carreira acadêmica, a pesquisadora lembra de uma vocação expressa muito antes de se formar.

“Eu sempre quis e tive uma curiosidade, eu diria, natural, por água e organismos associados a ela. Então, quando eu decidi fazer o curso de Biologia, eu imediatamente pensei que queria fazer pesquisa e de preferência na Amazônia. Então era um desejo que naquela época era basicamente um sonho. Nesse sentido eu me considero uma pessoa realizada, porque eu consegui seguir uma trilha que minha vocação, talvez o desejo, me direcionou, me indicou”, diz.  

Para a pesquisadora, é fundamental estimular jovens cientistas  a desenvolverem trabalhos na região.  “Ainda existem lacunas de conhecimento tão enormes na região, e agora eu falo da Amazônia, mas isso pode ser projetado para outras regiões do país. Então, todos os esforços ainda são necessários e é uma corrida contra o tempo, uma corrida contra ações antrópicas deletérias, uma corrida agora também contra as questões da mudança climática que vem impactando os ambientes”, completa.

Piedade ainda reserva um conselho direcionado a jovens cientistas mulheres, que desejam trilhar caminho semelhante ao dela.

“O olhar das mulheres tem sempre um aspecto que eu chamaria assim de humanização, não chamando os homens de desumanos, mas de talvez compreensão para trabalhos em grupo, porque as mulheres, e eu sou mãe, sou avó,  a gente aprende a conciliar uma série de aspectos da nossa vida profissional com as demandas afetivas e isso se projeta também nos grupos de trabalho. Eu acho que nenhuma mulher deve se sentir menor e deixar de fazer pesquisa porque é mulher”, conclui.

*Com informações da Academia Brasileira de Ciências

Eleições 2026: novas regras incentivam participação dos povos indígenas no pleito

Novas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral ampliam os direitos e a participação dos povos indígenas nas eleições gerais deste ano. Foto: Divulgação/OEA

No Brasil vivem cerca de 1,7 milhões de indígenas de quase 400 etnias diferentes, segundo dados no último censo demográfico. Apesar disso, no cadastro da Justiça Eleitoral há apenas 253,3 mil eleitores que se declaram indígenas. A participação dessas pessoas no meio político é fundamental para o desenvolvimento de políticas públicas mais inclusivas e a proteção dos direitos dessas populações nas eleições.

Por isso, nas leis eleitorais e resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há regras para facilitar a participação dessas pessoas nas eleições. Cabe ao Ministério Público (MP) Eleitoral fiscalizar o cumprimento dessas normas, além de assegurar o direito ao voto desses povos.

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Nas últimas eleições municipais, 256 indígenas foram eleitos para cargos de prefeito e vereador. Um aumento de 8% em relação à disputa anterior, o que reflete a ampliação das políticas voltadas a esse público.

Este ano, as resoluções do TSE trouxeram novas regras para aumentar a participação dos indígenas no meio político, bem como nas eleições. Algumas delas foram fruto de sugestões feitas pelo MP Eleitoral. Elas buscam facilitar o deslocamento de povos indígenas até os locais de votação, além de garantir um patamar mínimo de recursos financeiros e tempo de rádio e televisão para a campanha dos candidatos e candidatas. Confira as principais regras:

1. Financiamento e tempo de campanha

Pela primeira vez, as resoluções do TSE sobre prestação de contas e publicidade incluíram explicitamente as candidaturas indígenas nas regras de repartição de recursos e tempo de propaganda. Agora, os partidos são obrigados a distribuir os recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário de forma proporcional ao número de candidaturas indígenas registradas.

Ou seja, se um partido tiver 10% dos seus candidatos autodeclarados indígenas, deve destinar o mesmo percentual dos recursos para essas campanhas durante as eleições. A mesma proporção vale para o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão.

Além disso, o TSE deve monitorar em tempo real se os recursos públicos estão chegando às aldeias e quilombos. Os partidos podem usar recursos dos fundos públicos para custear a segurança de candidatas e candidatos indígenas vítimas de violência política, mas esse gasto não pode ser computado no valor da cota mínima destinada à promoção dessas candidaturas.

2. Garantia de transporte

Este ano, a Justiça Eleitoral também deve garantir transporte gratuito para as populações indígenas e comunidades tradicionais – como quilombolas, ribeirinhos, ciganos, extrativistas, pescadores artesanais, entre outras – chegarem ao local de votação, no dia da eleição, independente do limite territorial do município.

A medida – incluída nas resoluções por sugestão do MP Eleitoral – beneficia as populações cujos territórios se estendem por mais de um município limítrofe.

Umas das normas é a garantia de transporte público para populações indígenas e comunidades tradicionais. Foto: TRE/TO
Umas das normas é a garantia de transporte público para populações indígenas e comunidades tradicionais. Foto: Reprodução/TRE-TO

Leia também: Candidaturas indígenas aumentam 14,13% nas Eleições de 2024

A resolução prevê, ainda, a criação de um comitê vinculado à presidência dos Tribunais Regionais Eleitorais para coordenar o transporte dessas populações. O relatório com a definição das providências tomadas deverá ser encaminhado ao Ministério Público, responsável por fiscalizar o cumprimento da regra nas eleições deste ano.

As populações indígenas e tradicionais também foram incluídas no programa “Seu Voto Importa” da Justiça Eleitoral, que garante transporte individual gratuito no dia da votação para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida que não tenham meios próprios de locomoção. Para ter acesso ao transporte individual, o pedido deve ser feito à Justiça Eleitoral até 9 de setembro (para o 1º turno) e 5 de outubro (para o 2º turno).

3. Alistamento eleitoral

Os documentos expedidos pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) são aceitos como prova de identidade para que indígenas tirem o título de eleitor. O comprovante de residência também pode ser substituído por outros documentos que mostram o vínculo com a comunidade, como comprovante de matrícula em escola situada em terras indígenas, decisão judicial e declaração da própria Funai.

Os eleitores indígenas podem ser dispensados de comprovar domicílio quando o atendimento ocorrer em suas terras. O prazo para tirar o título ou regularizar o cadastro eleitoral vai até 6 de maio.

Para as eleições deste ano, a Justiça Eleitoral vem promovendo ações itinerantes, como mutirões de biometria e regularização de título diretamente nos territórios originários para evitar que o eleitor precise se deslocar até a zona urbana antes do fechamento do cadastro.

4. Facilidades para votar

Com o título em mãos e a situação eleitoral regularizada, indígenas e integrantes de comunidades tradicionais também têm a possibilidade de pedir a transferência temporária do local de votação originalmente registrado na Justiça Eleitoral. O objetivo é facilitar para essas pessoas, que muitas vezes moram em locais distantes, o acesso aos locais de votação nas eleições.

Normas visam a ampliação e participação dos povos indígenas nas eleições gerais 2026. Foto: TSE
Normas visam a ampliação e participação dos povos indígenas nas eleições gerais 2026. Foto: Reprodução/TSE

Essa alteração pode ser solicitada de 20 de julho a 20 de agosto em qualquer cartório eleitoral, por meio da apresentação de documento oficial com foto, indicando-se o local de votação de preferência.

Além disso, indígenas e povos tradicionais deverão ser previamente consultados quando houver agregações e mudanças nas seções eleitorais instaladas em seus territórios. No Brasil, há 1.181 seções instaladas diretamente em 243 territórios indígenas.

Nessas seções, a Justiça Eleitoral deve priorizar a convocação de mesários pertencentes a esses grupos étnicos. Os mesários também devem receber capacitação sobre as características socioculturais desses povos. A medida busca facilitar o atendimento no dia da eleição e garantir maior inclusão das populações no processo democrático.

Por dentro das regras 

Até outubro, o Ministério Público Federal (MPF) vai publicar matérias para ajudar o público entender o trabalho da instituição na fiscalização do processo eleitoral.

A série Por Dentro das Regras explica quais são as regras presentes nas leis e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral que devem ser seguida pelos candidatos, partidos e eleitores. Já a série Me Explica, MPF! traduz os conceitos mais usados no meio jurídico relacionados à disputa eleitoral. 

O MP Eleitoral é composto por integrantes do MPF e dos Ministérios Públicos Estaduais. Eles são responsáveis por fiscalizar o cumprimento das normas relacionadas às eleições, com o objetivo de evitar abusos, assegurar o equilíbrio da disputa e a livre escolha do eleitor.  

*Com informações do Ministério Público Federal

Céu laranja: meteorologista explica pôr do sol em tons vibrantes em Manaus

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Coloração laranja intensa e incomum do céu chamou a atenção. Foto: Reprodução/X

O pôr do sol em Manaus chamou atenção no último sábado (25) por causa da coloração intensa e incomum do céu. Registros feitos por moradores mostram a paisagem tomada por tons fortes de laranja, criando um cenário que surpreendeu quem acompanhava o fim de tarde.

Na rede social X, internautas reagiram ao fenômeno. “Hoje o pôr do sol em Manaus foi insuperável”, escreveu um usuário. Outro comentou que o visual foi “um absurdo”. Houve ainda quem classificasse como um dos mais bonitos já vistos. Uma pessoa que estava na praia relatou: “Foi uma das vistas mais bonitas que eu já tive do nosso céu. Foi incrível”.

Leia também: Pôr do sol de milhões: onde apreciar o entardecer em Manaus

Segundo a meteorologista Andrea Ramos, o efeito tem explicação científica e está ligado à concentração de partículas suspensas na atmosfera.

“Esse tipo de imagem é um exemplo clássico. O céu fica mais alaranjado quando há material particulado no ar, como poeira, fumaça, poluição e até sal marinho”, explicou.

Ela detalha que, no amanhecer ou no entardecer, a luz do sol percorre um caminho mais longo na atmosfera. No trajeto, partículas presentes no ar espalham e absorvem as cores de menor comprimento de onda, como azul e violeta. Com isso, predominam tons mais longos, como amarelo, laranja e vermelho, que acabam dominando o céu.

Coloração laranja intensa e incomum do céu chamou a atenção em Manaus. Foto: Reprodução/X
Foto: Reprodução/X

O fenômeno pode ficar ainda mais intenso quando há partículas como fuligem e quando a luz avermelhada reflete na base de nuvens mais baixas. “Isso deixa o céu com aspecto mais difuso, opaco e com essa coloração forte que chama atenção”, disse a meteorologista.

Céu laranja pode ser um alerta

Apesar do visual impressionante, o fenômeno pode indicar piora na qualidade do ar. Andrea alerta que a alta concentração de aerossóis, como fumaça e poluentes, pode trazer riscos à saúde, principalmente ao sistema respiratório, se inalados.

Ela também explica que esse tipo de cenário não é exclusivo de Manaus e pode ocorrer em outras cidades, como Brasília e Porto Alegre, sempre associado ao aumento de poluentes na atmosfera.

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As condições meteorológicas também influenciam. Após períodos de chuva, por exemplo, é comum que a atmosfera volte a acumular partículas rapidamente. Isso acontece porque há menor dispersão dos poluentes, ventos mais fracos e maior incidência de radiação solar, o que favorece o efeito visual observado no céu.

O resultado, como visto no sábado, é um pôr do sol fora do comum, bonito aos olhos, mas que também serve de alerta para as condições do ar.

*Por Sabrina Rocha, da Rede Amazônica AM

Boa Vista amplia mobilidade urbana com 22 novos acessos em 11 bairros da capital

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Novos acessos, mais mobilidade e menos tempo no trânsito. Foto: Francisco Sena/PMBV

A cidade de Boa Vista tem avançado de forma estratégica na melhoria da mobilidade urbana, com a criação de 22 novos acessos distribuídos em 11 bairros da capital. A iniciativa da prefeitura tem como objetivo facilitar o deslocamento da população, reduzir o tempo de viagem e garantir mais fluidez no trânsito, especialmente em áreas que antes enfrentavam dificuldades de conexão viária.

Desde 2021, o município vem executando essas intervenções como parte do planejamento urbano. Os bairros contemplados com as melhorias são Canarinho, Centenário, Raiar do Sol, Nova Cidade, Jardim Tropical, Asa Branca, Olímpico, Dr. Airton Rocha, Alvorada e Dr. Sílvio Botelho, ampliando a integração entre diferentes regiões da cidade.

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Os novos acessos foram implantados por meio da construção de galerias de concreto, além de serviços de asfaltamento e urbanização. Foto: Francisco Sena/PMBV
Os novos acessos foram implantados por meio da construção de galerias de concreto, além de serviços de asfaltamento e urbanização. Foto: Francisco Sena/PMBV

Infraestrutura e planejamento urbano

De acordo com o secretário municipal adjunto de Mobilidade Urbana (SEMOB), Gino Falcão, os novos acessos foram implantados por meio da construção de galerias de concreto, além de serviços de asfaltamento e urbanização, assegurando mais infraestrutura, segurança e melhores condições de tráfego para a população.

“Além de melhorar o tráfego, as intervenções contribuem diretamente para o desenvolvimento urbano, a valorização dos bairros e a melhoria da qualidade de vida dos moradores, reforçando o compromisso da gestão municipal com uma cidade mais integrada, acessível e preparada para o crescimento”, disse o secretário.

Impactos na vida da população

Um desses novos acessos está localizado na rua Tepequém, que interliga o bairro Dr. Airton Rocha aos conjuntos Pérola 1 e 2. A dona de casa Maria das Graças, de 67 anos, mora na via e destaca os benefícios da infraestrutura implantada pela Prefeitura.

Dona Maria aprovou: "Depois que foi criado esse acesso, eu amei". Foto: Francisco Sena/PMBV
Dona Maria aprovou: “Depois que foi criado esse acesso, eu amei”. Foto: Francisco Sena/PMBV

“Antes, eu tinha que dar uma volta grande. Depois que foi criado esse acesso, eu amei. A prefeitura está fazendo um bom trabalho”, afirmou Maria.

Leia também: Ronda Escolar garante tranquilidade nas escolas de Boa Vista

Outro acesso criado recentemente na zona urbana da cidade está situado entre as ruas Julieta Pereira de Melo (Equatorial) e Antônio Reska (Murilo Teixeira). Para a entregadora de aplicativo Ana Caroline, de 31 anos, que trabalha de motocicleta, a nova passagem trouxe mais agilidade ao dia a dia.

“Esse acesso melhorou em 80% meus trajetos, porque eu trabalho no bairro Alvorada e, para ir ao bairro Cidade Satélite, precisava passar pela Rua Padre Anchieta, o que demorava cerca de 14 minutos. Hoje, chego em cinco minutos”, frisou.

“Ficou bem mais rápido no dia a dia”: Ana Caroline destaca a agilidade do novo acesso. Foto: Francisco Sena/PMBV
“Ficou bem mais rápido no dia a dia”: Ana Caroline destaca a agilidade do novo acesso. Foto: Francisco Sena/PMBV

Confira onde estão os novos acessos em Boa Vista

  • Canarinho: 4 acessos
  • Centenário: 1 acesso
  • Raiar do Sol: 4 acessos
  • Nova Cidade: 1 acesso
  • Jardim Tropical: 1 acesso
  • Asa Branca: 2 acessos
  • Olímpico: 4 acessos
  • Dr. Airton Rocha: 3 acessos
  • Alvorada: 1 acesso
  • Dr. Silvio Botelho: 1 acesso

Jirau Energia e UNIR inauguram espaço com gravuras rupestres e lançam acervo digital

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Cerimônia contou com representantes do IPHAN, dirigentes da Jirau Energia e da UNIR, além de professores e estudantes. Foto: Divulgação/Jirau Energia

A Jirau Energia e a Universidade Federal de Rondônia (UNIR) inauguraram, no dia 23 de abril, em Porto Velho, um espaço expositivo com 16 blocos de gravuras rupestres e lançaram a plataforma digital Tainacan, que reúne imagens e informações técnicas de até 500 peças arqueológicas da região do médio rio Madeira.

A cerimônia contou com a presença de representantes da Jirau Energia, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), reitoria da Universidade além de representantes do curso de Arqueologia.

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Instalado no campus José Ribeiro Filho, o espaço apresenta registros dos povos originários que habitaram a região a milhares de anos e passa a integrar as ações de preservação e difusão do conhecimento do patrimônio arqueológico em Rondônia. 

A estrutura foi implantada como parte das medidas compensatórias no âmbito do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural (PGPAHC), vinculado ao licenciamento ambiental federal da Usina Hidrelétrica Jirau.

O processo incluiu etapas de estudo, prospecção, resgate, monitoramento, conservação. Antes da transferência dos blocos da usina para a universidade, eles passaram por uma limpeza especializada e já no local de salvaguarda final foram instalados e posicionados tecnicamente em uma área de aproximadamente 350 m². O espaço está aberto à visitação da comunidade em geral.

Leia também: Estudo de arqueologia em universidade de Rondônia ganha destaque no The Washington Post

A plataforma Tainacan também integra as medidas compensatórias e reúne conteúdos produzidos em projetos acompanhados pelo curso de Arqueologia da UNIR. A iniciativa foi viabilizada pela Jirau Energia, com execução da M Quatro Soluções Ambientais, responsável pela digitalização e organização do acervo no Repositório Digital.

“Receber esse acervo e inaugurar esse espaço, representa o que a universidade faz: preservar a memória, o que é fundamental para a identidade de um povo. Salvaguardar artefatos arqueológicos vai fazer com que a universidade preserve esse acervo e mostre à sociedade a importância que tem a memória e identidade cultural de um povo; que nossos alunos tenham uma formação a partir desses achados”, afirma Marília Cotinguiba, Reitora da UNIR.

Jirau Energia e UNIR inauguram espaço com gravuras rupestres e lançam acervo
Foto: Divulgação/Jirau Energia

Espaço preserva história local

Crisvaldo Cássio, Superintendente do IPHAN em Rondônia, enfatiza a relevância da iniciativa para a preservação do patrimônio arqueológico brasileiro e o cumprimento das condicionantes do licenciamento ambiental.

“Esse evento é de suma importância para Rondônia e para o Brasil e demonstra a valorização do patrimônio regional, da arqueologia rupestre, enfatizando os registros dos povos originários que viveram aqui há muitos anos, regatando a cultura, ciência e história para a nossa região, saber o contexto do passado para compreender o futuro”, afirma.

Edson Silva, Diretor-Presidente da Jirau Energia, destaca que é um orgulho para a empresa inaugurar um espaço que preserva a história e o conhecimento que conecta passado e presente.

“Projetos como este transformam saber em impacto positivo, fortalecendo o ensino e a pesquisa. Há mais de 13 anos, atuamos de forma integrada ao desenvolvimento regional, investindo em parcerias e na formação de talentos locais. Esperamos que este espaço contribua para ampliar o conhecimento e valorizar o potencial de Rondônia”, afirma.

*Com informações da Jirau Energia e UNIR

Observatório das Políticas de Governança de Terras integra dados fundiários do país

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Foto: Reprodução/Greenpeace

Foi lançado o Observatório das Políticas de Governança de Terras (OPGT), no dia 23 de abril, em uma apresentação pública da iniciativa voltada à organização e ampliação do acesso aos dados, análises técnicas e informações sobre governança fundiária no Brasil. 

A plataforma surge com o objetivo de qualificar o debate público e apoiar a formulação de políticas com base em evidências, diante de um cenário ainda marcado pela fragmentação de informações.

Além disso, o observatório busca integrar diferentes bases de dados e disponibilizá-las de forma acessível, pretendendo apoiar gestores, jornalistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil na análise e no acompanhamento das políticas fundiárias. 

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O evento contou com a participação de representantes de diferentes instituições que atuam na agenda fundiária, incluindo a coordenadora do programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito.

“A criação dessa plataforma representa um avanço importante para qualificar o debate sobre a gestão territorial no Brasil. A governança fundiária ainda enfrenta desafios estruturais, como a fragmentação de dados, a sobreposição de registros e a dificuldade de acesso a informações confiáveis”, observa a pesquisadora.

Durante o webinário foi apresentada a primeira versão da plataforma do observatório, que reúne em um único ambiente diversas bases de dados até então dispersas. Entre os destaques estão um dashboard interativo com indicadores e visualizações comparativas, além de relatórios e análises técnicas.

“No Imazon, temos trabalhado há anos com a produção e análise de dados sobre a Amazônia, e sabemos o quanto a integração de informações é essencial para entender a dinâmica do uso da terra e enfrentar problemas como o desmatamento e a grilagem. Quando dados de qualidade estão disponíveis, pesquisadores, gestores públicos e a sociedade civil conseguem atuar de forma mais informada, identificando gargalos, monitorando políticas e propondo soluções mais consistentes”, pontua Brenda.

Leia também: ESG: qual a relação da governança com a Amazônia?

O lançamento também marca o início de uma agenda de publicações técnicas. Entre os estudos previstos, estão análises sobre os impactos de decisões judiciais na governança de terras, comparações da legislação de regularização fundiária na Amazônia Legal e avaliações sobre os desafios do cadastro territorial no Brasil.

Os relatórios serão disponibilizados nas semanas seguintes ao evento, ampliando o acesso a pesquisas qualificadas sobre o tema.

Observatório
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O que você encontra na plataforma do observatório

No site, que será apresentado no webinário, a equipe do OPGT disponibiliza um dashboard com informações fundiárias do Brasil, com busca organizada por estado ou região. O mapa conta com as informações de cada porção do território brasileiro, indicando as áreas protegidas, as propriedades privadas e os vazios fundiários.

A visualização permite análises e levantamentos diversos, como observações sobre concentração de propriedades privadas no entorno de áreas protegidas e sobreposições. Além do mapa, o site disponibiliza relatórios, notas técnicas e um glossário dos termos do universo fundiário brasileiro. 

Sobre o observatório

Criado em 2025, o Observatório das Políticas de Governança de Terras é um coletivo técnico e acadêmico, formado por pesquisadores, profissionais especializados e organizações da sociedade civil, com atuação reconhecida nas áreas de governança fundiária, cadastro territorial, direito, geotecnologias e políticas públicas.

O Observatório surge a partir da experiência acumulada do Grupo de Monitoramento de Políticas de Governança de Terras (GMPGT) e se consolida como um espaço permanente de acompanhamento das políticas fundiárias no Brasil. A equipe atua em diferentes frentes, realizando monitoramento de políticas públicas, sistemas e instrumentos fundiários, divulgação de dados, relatórios e notas técnicas. 

*Com informações do Imazon

Incêndios, secas e tempestades de vento tornam vegetação da Amazônia menos diversa

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Pesquisa foi realizada com base em 20 anos de monitoramento de campo. Foto: Paulo Brando

Mesmo após incêndios, secas severas e tempestades de ventos, a vegetação de florestas degradadas na Amazônia demonstra alta capacidade de regeneração, incluindo espécies arbóreas. A recuperação, no entanto, ocorre sob novas condições ecológicas, com perda de diversidade e aumento de vulnerabilidade a novos distúrbios.

Pesquisa publicada no dia 20 de abril, na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), uma das revistas científicas mais citadas no mundo, mostra que há substituição de espécies vulneráveis por outras generalistas, mais resistentes.

Indica, assim, segundo os autores, a formação de florestas homogêneas, mas não uma tendência à savanização, como parte da literatura científica vinha apontando. Esse processo reforça a resiliência do bioma.

Leia também: Savanização da floresta amazônica ameaça espécies de mamíferos, aponta estudo

Por outro lado, o estudo, realizado com base em 20 anos de monitoramento de campo e liderado por brasileiros, destaca que as áreas recuperadas são mais vulneráveis a eventos extremos cada vez mais frequentes no bioma e aos impactos do desmatamento e das mudanças climáticas. Além de intensificar secas e incêndios, o aquecimento global prejudica os serviços ecossistêmicos, como a regulação de água e a captura de carbono.

O grupo documentou a perturbação e a recuperação em uma floresta experimental em Mato Grosso, chamada Tanguro, localizada em uma região de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado. Foram acompanhadas três parcelas de 50 hectares cada – uma de controle sem queima, outra queimada anualmente (entre 2004 e 2010) e a terceira com queimas trienais (2004, 2007 e 2010) (foto: Paulo Brando)

De acordo com os pesquisadores, essa compreensão é fundamental para orientar a conservação florestal e as estratégias de mitigação, especialmente frente a eventos como o El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento do oceano Pacífico na faixa equatorial que provoca alterações na circulação atmosférica e no regime de chuvas em escala global.

“A principal mensagem do nosso estudo é que, mesmo altamente degradadas, as florestas conseguem se recuperar. No entanto, estão muito vulneráveis a novos distúrbios. Elas são resilientes, mas, mesmo assim, é preciso preservar. No sítio experimental, temos o controle e o fogo não ocorre mais na área, o que não é possível fazer na Amazônia toda”, pondera à Agência FAPESP o biólogo Leandro Maracahipes, primeiro autor do artigo juntamente com o engenheiro florestal Paulo Brando.

O trabalho é resultado do pós-doutorado de Maracahipes no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp). Atualmente, ele é pesquisador na Yale School of the Environment (Estados Unidos) e também colaborador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). O biológo e Brando têm apoio da FAPESP, respectivamente, por meio de Bolsa de Pós-Doutorado e Projeto Temático.

Acompanhamento na Amazônia Legal

O grupo documentou a perturbação e a recuperação em uma floresta experimental em Mato Grosso, chamada Tanguro, localizada em uma região de transição entre os biomas Amazônia e Cerrado. Foram acompanhadas três parcelas de 50 hectares cada – uma de controle sem queima, outra queimada anualmente (entre 2004 e 2010) e a terceira com queimas trienais (2004, 2007 e 2010). Cada uma delas está próxima a áreas agrícolas, que eram utilizadas como pastagem com gramíneas exóticas.

“A escolha do lugar é chave, já que modelos climáticos consideram que a região de transição da Amazônia para o Cerrado será a primeira a sofrer mudanças com os impactos do aquecimento global. Essa pesquisa é inovadora porque integra múltiplos fatores estressantes, como fogo, vento forte e seca, e mostra que a floresta sofreu, se degradou e depois voltou. Mais empobrecida de espécies, porém ainda com características de floresta”, explica o ecólogo e professor do IB-Unicamp Rafael Silva Oliveira.

Com o passar do tempo e aumento da cobertura arbórea na Amazônia  (fechamento do dossel), especialmente a partir de 2016, as gramíneas reduziram drasticamente. Para os pesquisadores, isso sugere que os danos causados à floresta não a transformaram em uma paisagem definitiva do tipo savana. Foto: Paulo Brando
Com o passar do tempo e aumento da cobertura arbórea (fechamento do dossel), especialmente a partir de 2016, as gramíneas reduziram drasticamente. Para os pesquisadores, isso sugere que os danos causados à floresta não a transformaram em uma paisagem definitiva do tipo savana. Foto: Paulo Brando

Também autor do artigo e então supervisor de Maracahipes no pós-doutorado, Oliveira complementa:

“Outro ponto importante é que as árvores cresceram e as gramíneas saíram, sem evidência de savanização. Os modelos criados pelos climatólogos foram úteis para alertar sobre os riscos à Amazônia, mas simplificaram os ecossistemas tropicais, reduzindo-os à floresta ou à savana. Isso ajudou a fortalecer a ideia de um ‘ponto de não retorno’, ainda pouco sustentada por dados de campo. Na prática, a Amazônia é muito mais diversa, com diferentes tipos de florestas e vulnerabilidades. Ao incorporar esse olhar biológico, mostramos uma Amazônia menos previsível e mais resiliente em algumas regiões do que os modelos sugerem”.

Oliveira também teve apoio da FAPESP por meio do Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE).

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Passo a passo

Os resultados mostraram que, com a suspensão das queimadas, a recuperação da estrutura e do funcionamento da floresta foi rápida em seu interior, com diversidade de espécies relativamente estável.

Já nas áreas de borda o processo foi mais lento, com riqueza de espécies caindo de 20% a 46%, entre 2004 e 2024. O efeito de borda é uma alteração ecológica que ocorre nas margens de áreas desmatadas, onde a floresta passa a ter contato direto com ambientes abertos, como pastagens, estradas ou lavouras, alterando o clima e a biodiversidade.

Apesar da recuperação de alguns serviços ecossistêmicos, como fluxos de carbono e de água, com o crescimento de vegetação após os incêndios a composição de espécies mudou. Passou a ter mais generalistas, com características de tolerância à seca, mas que estão operando em limiares perigosos. A composição original de espécies não retornou mesmo após 14 anos, principalmente das consideradas especialistas de floresta.

As gramíneas foram fator-chave para promover fogos de alta intensidade e impediram a regeneração de árvores, tendo inicialmente se expandido ao longo das bordas. Foram observadas espécies ligadas a áreas de pastagens, como Aristida longifolia e Imperata sp, de origem africana. Após incêndios de alta severidade, gramíneas invasoras, especialmente Andropogon gayanus, entraram nas bordas, atingindo o pico em 2012.

Com o passar do tempo e aumento da cobertura arbórea (fechamento do dossel), especialmente a partir de 2016, elas foram reduzidas drasticamente, ficando apenas manchas de gramíneas tolerantes à sombra. Para os pesquisadores, isso sugere que os danos causados à floresta não a transformaram em uma paisagem definitiva do tipo savana.

“Olhando para a parte biológica, quando analisamos a composição de espécies de gramíneas na floresta que passou por distúrbios, vemos que são espécies utilizadas em pastagem, como braquiária e andropogon. Se o aumento fosse de espécies nativas, poderíamos dizer que o componente graminoso seria um fator importante na recuperação de florestas degradadas. Além disso, não há chegada de espécies lenhosas de savana. Nosso sítio experimental está a cinco quilômetros de áreas de savana do Cerrado, podendo ter fonte de propagação, e mesmo assim não registramos essa savanização”, complementa Maracahipes, que fez análise da composição das espécies ao longo dos anos no local.

A pesquisa mostrou ainda que a vulnerabilidade da floresta ao fogo aumenta por causa da casca fina das árvores; enquanto a baixa densidade da madeira prejudica mais em tempestades de vento. Nas secas severas algumas espécies operam próximo ao potencial de perda da condutividade hidráulica.

Um ponto que se mostrou importante na regeneração florestal foi a presença de fauna local, sendo mamíferos (como antas e macacos) e aves agentes-chave para promover o reaparecimento de árvores consideradas “especialistas de florestas”, ou seja, com alta densidade de madeira e de vida longa.

Cenário

Mesmo com uma queda significativa do desmatamento na Amazônia principalmente nos últimos dois anos, o bioma vem sofrendo com degradações constantes. O fogo tem sido o principal fator. Enquanto o desmate remove totalmente a cobertura de vegetação, a degradação enfraquece a floresta sem destruí-la por completo.

Entre agosto de 2025 e janeiro de 2026, o desmatamento na Amazônia Legal afetou uma área de 1.324 quilômetros quadrados (km²), com uma redução de 35% em comparação ao ciclo anterior (agosto de 2024 a janeiro de 2025). Já a degradação florestal atingiu uma área de 2.923 km² no período.

Nos primeiros três meses de 2026, foi registrado o segundo menor nível para o primeiro trimestre do ano – 399,59 km², o que representa queda de cerca de 7% em relação a 2025. Os dados são do Deter, sistema do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de alerta de desmatamento em tempo real.

Para este ano, outra preocupação é com a possibilidade de um “super El Niño” a partir do segundo semestre até 2027. Novas projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo apontam para a possibilidade de um fenômeno com potencial para ser o mais intenso em 140 anos. Em 2024, a seca que afetou a Amazônia foi provocada pelo El Niño e seus efeitos vêm sendo estudados até hoje.

“Apesar da resiliência da floresta, a preservação ainda é o caminho que precisamos buscar”, conclui Maracahipes.

O artigo Forest recovery pathways after fire, drought and windstorms in southeast Amazonia pode ser lido em: pnas.org/doi/10.1073/pnas.2532833123.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp, escrito por Luciana Constantino

Pesquisa realizada no Pará alerta sobre riscos do uso de fones de ouvido

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Foto: Mircea Iancu/Pixabay

O Curso de Fonoaudiologia da Universidade do Estado do Pará (Uepa) desenvolveu um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que alerta para os riscos envolvidos no uso inadequado de fones de ouvido. O TCC ‘Impactos Auditivos Associados ao Uso Recreativo de Fones de Ouvido: uma revisão integrativa’ mostra possíveis prejuízos à saúde auditiva da população.

O TCC foi feito pelo aluno Levi Alfeu Almeida Lobato Brito, e teve como orientadora, Liliane Dias e Dias de Macedo, professora do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Uepa.

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A pesquisa ganha ainda mais relevância no contexto do Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído, que ocorre anualmente na última quarta-feira do mês de abril, e busca prevenir a população sobre os impactos da exposição a níveis elevados de som.

O estudo contribui para ampliar o debate sobre prevenção, destaca a necessidade de hábitos auditivos saudáveis e do uso consciente de fones de ouvido, especialmente entre o público jovem, mais exposto a esse tipo de risco.

Fones de ouvido representam maior risco para adolescentes e jovens adultos

O grupo de maior vulnerabilidade e foco da pesquisa é o de adolescentes e jovens adultos (12 a 25 anos), que compartilham hábitos de uso excessivo prolongado. A pesquisa apontou que o risco de danos auditivos está diretamente relacionado à intensidade (volume) do som e ao tempo de exposição e que mais de 78% dos jovens utilizam dispositivos de áudio por mais de uma hora diária. 

Níveis acima de 85 decibéis, considerados prejudiciais quando mantidos por longos períodos, podem ser facilmente ultrapassados por dispositivos pessoais, que alcançam volumes entre 78 e 136 decibéis. Além disso, de acordo com os dados, o uso de fones por mais de uma hora diária já coloca os jovens em risco de desenvolver Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR).

O estudo identificou os impactos auditivos do uso recreativo de fones de ouvido, por meio de uma revisão integrativa da literatura nacional e internacional nas bases de dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde) e a PUBMED (National Library of Medicine), no período de 2021 a 2025. Dos 169 artigos encontrados, seis foram selecionados. 

Leia também: #Série – Nomes populares de doenças na Amazônia: o que é papeira?

Os principais problemas identificados, com o uso prolongado e em volume elevado, foram a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), presença frequente de zumbido (transitório ou permanente), sensação de ouvido tampado, hipersensibilidade a sons intensos e alterações na percepção sonora.

A exposição excessiva também pode desencadear taquicardia, dor de ouvido, dificuldade de concentração, aumento da pressão arterial, distúrbios gastrointestinais, dor de cabeça, irritabilidade e distúrbios do sono. A exposição ao ruído no início da vida pode tornar os indivíduos mais vulneráveis à perda auditiva com o avanço da idade.

“Escolhi o tema diante do crescente número de pessoas que têm perdido a audição devido ao uso recreativo de fones de ouvido. A proposta é conscientizar a população sobre a forma correta de utilização e os impactos do uso inadequado na saúde auditiva, destacando os riscos que essa prática pode trazer quando feita de maneira incorreta”, disse o aluno Levi Brito. “O fone ideal sempre será o headset (fone que cobre toda a orelha). Os demais como o de inserção ou os sem fio também podem ser usados desde que utilizados no volume adequado”, acrescentou.

Os estudos revisados indicaram dados preocupantes entre jovens adultos e revelaram que 83,4% apresentaram perda auditiva subclínica, detectada por exames mesmo sem sintomas ainda evidentes, e sendo mais prevalente entre aqueles que utilizavam fones de ouvido para múltiplas finalidades como lazer, música, jogos, educação e trabalho. 

PAIR

A PAIR é reconhecida como a segunda causa mais comum de perda auditiva neurossensorial, afetando cerca de 5% da população mundial, o que resulta em impactos físicos, mentais, sociais e econômicos. A estimativa é que mais de um bilhão de jovens e adultos estão sob risco de desenvolver perda auditiva devido à exposição excessiva a sons intensos, como em atividades de lazer, shows, casas noturnas e com o uso crescente de fones, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).   

Prevenção

A pesquisa orienta ainda a possibilidade de limitar o volume a 60% da capacidade máxima do aparelho e não ultrapassar 60 minutos de uso contínuo, fazendo pausas regulares e diagnóstico precoce com a realização de exames. 

fones de ouvido
Imagem de StockSnap por Pixabay

A exposição contínua a altos níveis de som pode causar danos auditivos irreversíveis, sendo fundamental promover o uso seguro de fones de ouvido por meio de ações educativas e políticas públicas de conscientização e orientações preventivas, principalmente para adolescentes e jovens adultos, que mesmo conhecendo os riscos, possuem baixa adesão a práticas de proteção. 

Assim, a Fonoaudiologia assume um papel central no desenvolvimento de estratégias de conscientização sobre práticas de escuta segura. 

Curso

O curso de Fonoaudiologia passou a ser ofertado pela Uepa, em Belém, em 2021, com a primeira turma ingressando no segundo semestre do mesmo ano. Atualmente, a graduação conta com cerca de 100 alunos e tem duração de cinco anos. Desde sua criação, a comunidade acadêmica tem participado ativamente de reuniões, capacitações, visitas técnicas e eventos científicos, como congressos e feiras vocacionais. Além disso, desenvolve ações de extensão e campanhas de conscientização como a Agosto Dourado sobre a importância da amamentação, iniciativas voltadas à disfagia e atividades alusivas ao Dia do Fonoaudiólogo.

A estrutura física do curso funciona nas instalações do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde-CCBS/Campus II, em Belém, com salas de aulas; salas das especialidades para ações do curso de fonoaudiologia, como o laboratório de habilidades fonoaudiológicas e do Serviço de saúde auditiva, onde são realizadas as aulas práticas de audiologia clínica e os estágios supervisionados em audiologia.

Para a fonoaudióloga e coordenadora do curso, Luzianne Fernandes Oliveira, formar a primeira turma de Fonoaudiologia em uma universidade pública da região Norte, com alunos preparados principalmente para atuar no Sistema único de Saúde (SUS) é um marco que transborda orgulho e esperança. “É a concretização de um sonho coletivo, construído com dedicação, desafios superados e compromisso com a educação de qualidade. Cada formando carrega não apenas um diploma, mas a responsabilidade de transformar vidas por meio da comunicação. É o início de uma trajetória que ecoará cuidado, ciência e impacto social”.

*Com informações da UEPA

Amazônia Que Eu Quero mobiliza estudantes no Amapá para construção de soluções em políticas públicas

Foto: Divulgação

Como parte da programação do projeto Amazônia Que Eu Quero, a Fundação Rede Amazônica realiza, no dia 28 de abril, em Macapá, o Canvas de Políticas Públicas, reunindo estudantes do Instituto Federal do Amapá em um ambiente de construção colaborativa de propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas no estado.

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A atividade será realizada das 13h às 17h e integra a agenda do projeto na capital amapaense, antecedendo o Painel Amazônia Que Eu Quero, que ocorre no dia 29 de abril.

Debate e construção de soluções a partir dos temas do painel no Amapá

Durante o encontro, os estudantes irão discutir os temas centrais que serão abordados no painel, aprofundando os desafios apresentados e propondo soluções práticas para as pautas debatidas.

Leia também: Amazônia Que Eu Quero amplia debate sobre democracia digital e segurança eleitoral em Macapá

A dinâmica segue a metodologia do projeto, que estimula o protagonismo dos participantes na análise de problemas reais da região e na construção de caminhos viáveis para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

As propostas elaboradas ao longo da atividade serão sistematizadas e irão compor o Caderno de Soluções do projeto.

Integração com a programação

O Canvas de Políticas Públicas compõe uma das etapas que conecta o debate técnico à participação social, fortalecendo a construção coletiva de soluções para a região.

O Painel Amazônia Que Eu Quero, realizado no dia 29 de abril, amplia o diálogo com a sociedade e consolida as contribuições discutidas ao longo da programação em Macapá. O evento terá transmissão ao vivo pelo G1 Amapá, Portal Amazônia e Amazon Sat.


O Amazônia Que Eu Quero é uma realização da Fundação Rede Amazônica e uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica.