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Som das Manas reúne vozes femininas na abertura do Mormaço Cultural 2026

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Show reuniu cantoras e compositoras da cena independente do Estado em uma apresentação marcada pela força da produção autoral feminina. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Vozes, histórias, composições e diferentes trajetórias femininas da música roraimense dividiram o mesmo palco para dar início a mais uma edição do Mormaço Cultural. Nesta quarta-feira, 9, o Teatro Municipal de Boa Vista sediou a abertura oficial do festival, tendo como grande destaque da noite o espetáculo “Som das Manas”, na Sala Roraimeira.

Preparado exclusivamente para estrear na abertura do Mormaço Cultural 2026, o show reuniu cantoras e compositoras da cena independente do Estado em uma apresentação marcada pela força da produção autoral feminina. No repertório, músicas escolhidas pelas próprias artistas entraram em sintonia com elementos de palco, iluminação, conduzindo o público pelo universo musical de Roraima.

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Criado em março deste ano, durante o mês dedicado às mulheres, o Coletivo de Compositoras de Roraima Som das Manas surgiu com o propósito de ampliar espaços de visibilidade, troca e colaboração entre mulheres que produzem música autoral no Estado.

Para Ana Lu, uma das representantes do coletivo, levar essa proposta justamente para a abertura do maior festival multicultural de Roraima tornou a apresentação ainda mais simbólica.

“O Mormaço representa conexão com o que há no mundo em termos de cultura e acessibilidade”, destacou Ana Lu, uma das representantes. Foto: Diane Sampaio/PMBV

“Todas nós temos uma longa trajetória defendendo nossos trabalhos autorais e nossas composições. A gente se unir representa força feminina, resistência, amor e coragem. Conseguir tirar esse projeto da ideia, trazer para o palco e fazer acontecer é um sonho realizado. Estou muito feliz e orgulhosa de dividir esse momento com as meninas”, destacou.

Um espetáculo feito para o Mormaço

Ainda segundo Ana Lu, as individualidades de cada compositora foram justamente o que deu forma ao resultado apresentado na Sala Roraimeira. “Preparamos nossas melhores músicas e pensamos toda uma ordem para criar sensações e momentos, com uso de palco e de luz. Queremos trazer as pessoas para o nosso universo roraimense e mostrar que, além de cantar Roraima, cantamos música brasileira, emoção e a nossa verdade. O mais bonito é essa mistura que cada uma traz e que acabou dando certo”, disse.

A apresentação também reforçou uma das propostas do Mormaço Cultural: colocar a produção artística local em evidência dentro de uma programação que conecta Roraima a diferentes expressões culturais do país.

Para o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (FETEC), Dyego Monnzaho, começar o Mormaço com um espetáculo concebido por artistas roraimenses reforça essa valorização. “Iniciamos com grandes vozes de cantoras e compositoras de Roraima. Foi um show pensado e criado nesse formato exclusivamente para estrear aqui no festival. Superou nossas expectativas, o público adorou e isso é só o início”, destacou.

Leia também: Giro de Saia Roraimense: movimento das quadrilhas vira patrimônio de Boa Vista

“Iniciamos com grandes vozes de cantoras e compositoras de Roraima”, disse Dyego Monnzaho, presidente da FETEC. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Para Ana Lu, participar de um festival dessa dimensão também significa criar pontes entre o que é produzido em Roraima e o cenário cultural do restante do país. “O Mormaço representa conexão com o que há no mundo em termos de cultura e acessibilidade. Fazer parte disso é uma vitrine e uma oportunidade de amadurecimento para nós. Espero que a gente possa sempre ter artistas da terra trazendo seus projetos e inovando também”, ressaltou.

Turistas se encantam com cultura roraimense

E a conexão proposta pelo festival alcançou também quem estava conhecendo Roraima pela primeira vez. Vindos de Minas Gerais, Alcina Andreo, professora aposentada, e Adilson Oliveira, aposentado e músico, estão viajando pelo Brasil e incluíram Boa Vista no roteiro. Antes mesmo de chegar à capital, pesquisaram pela internet o que encontrariam na cidade e descobriram a programação do Mormaço.

Apaixonados por música, escolheram justamente a noite do “Som das Manas” para conhecer um pouco mais da produção cultural roraimense. “A cultura tem esse poder de conectar e de ligar a vida das pessoas. Viemos para cá e encontramos esse evento, que é uma maneira de nos integrarmos à cultura da cidade. Não somos daqui, mas vamos sair conhecendo muito da cultura e das pessoas. E ter um evento dentro de um teatro como esse, gratuitamente, possibilitando o acesso de todos, é muito bacana”, contou Alcina.

Adilson também se surpreendeu com o que encontrou logo na primeira visita ao estado. “A gente gosta muito de música. Eu também sou músico. Então, procuramos e encontramos esse movimento cultural. Conhecer o teatro também foi uma surpresa muito boa. Estamos muito satisfeitos de estar aqui”, afirmou.

“Todo ano a gente vai ao Mormaço e, desta vez, já estamos começando desde o primeiro dia”, contou a arquiteta Ana Cláudia, acompanhada das amigas. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Quem é daqui também veio prestigiar

Na plateia, o sentimento de valorização da produção local também levou a arquiteta Ana Cláudia, nascida em Boa Vista, ao Teatro Municipal. Acompanhada de amigas, ela já conhecia o trabalho do Som das Manas e fez questão de prestigiar a apresentação.

“A gente veio ver o show das Manas, que já acompanhamos em outros lugares e gostamos muito. Prestigiar nossas artistas, mulheres de Roraima, é importantíssimo. Todo ano a gente vai ao Mormaço e, desta vez, já estamos começando desde o primeiro dia”, contou.

A música começou antes mesmo de as cortinas se abrirem

A abertura do Mormaço começou ainda na área externa do Teatro Municipal. Antes do espetáculo principal, o cantor Denison Siqueira recebeu o público com grandes sucessos do pop e rock nacional e internacional, em uma apresentação que contou ainda com participações especiais de Lu Soares e Regina Lima.

O show começou com um instrumental de “Sweet Child O’ Mine”, clássico do Guns N’ Roses, e terminou olhando para a própria identidade musical roraimense, com uma versão instrumental de “Cruviana”, composição consagrada do repertório local.

A primeira noite abriu uma programação que seguirá movimentando o Teatro Municipal nos próximos dias. O espaço recebe atrações musicais e espetáculos de dança, incluindo apresentações da Focus Cia. de Dança.

Confira a programação completa AQUI.

Depois, o Mormaço Cultural segue para o Parque do Rio Branco, onde a programação ocorre nos dias 18, 19 e 20 de setembro. Confira o que vai rolar AQUI.

Por que é importante estudar o passado para tomar medidas contra as mudanças climáticas e o El Niño?

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As imagens são de uma viagem de reconhecimento a Loreto, anterior à candidatura ao projeto científico multidisciplinar financiado pela ProCiencia. Foto: Daiji Umemoto

Estudar o que aconteceu na Terra no passado — há milhares ou milhões de anos — durante fenômenos extremos como as mudanças climáticas ou o El Niño ajuda a entender o que pode acontecer e como esses eventos influenciam os ecossistemas e os seres vivos. Além disso, serve como subsídio para que as autoridades tomem decisões mai s acertadas e baseadas na ciência.

“Todos esses fenômenos que ocorreram no passado, durante períodos quentes ou frios, nos ajudam a entender o que pode acontecer e como os ecossistemas e as espécies animais e vegetais podem se comportar durante períodos de mudanças climáticas ou do fenômeno El Niño”, disse o paleontólogo peruano Rodolfo Salas-Gismondi.

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O registro fóssil e o registro geológico nos dizem o que aconteceu milhões de anos atrás em nosso planeta, em nossos ecossistemas, disse o cientista da Universidade Peruana Cayetano Heredia (UPCH) e chefe do Departamento de Paleontologia de Vertebrados do Museu de História Natural (MHN) da Universidade Nacional de San Marcos (UNMSM).

Há cerca de 17 milhões de anos, quase na mesma época em que o pesquisador está estudando na Amazônia, ocorreu um evento de aquecimento global conhecido como período quente do Mioceno Médio ou ótimo climático. Esse período corresponde a uma grande diversidade de répteis, jacarés, botos e peixes-boi encontrados nessa região do Peru.

Uma imagem real das mudanças climáticas

“Compreender o que aconteceu durante esse período de aquecimento global, permite-nos ter uma visão real do ocorrido e saber o que poderá mudar o nosso planeta se este for submetido a essas temperaturas. Ajuda a obter dados concretos sobre o que poderá acontecer no futuro”, comentou.

Por exemplo, ele disse, a Amazônia, que é um território plano, deverá ser inundada em algumas áreas se as calotas polares derreterem e o nível do mar subir.

“Durante o Mioceno, época em que o sistema Pebas existia, houve grandes incursões marinhas na Amazônia que mudaram completamente o ecossistema: surgiram manguezais no interior da Amazônia e botos marinhos invadiram a região amazônica, adaptando-se posteriormente aos ecossistemas de água doce e dando origem aos botos de água doce, alguns dos quais existem até hoje”, explicou ele.

Leia também: Paleontólogo peruano afirma que expedição em Loreto “foi uma das mais incríveis” para a ciência na Amazônia

pesquisa em loreto - mudanças climáticas e o El Niño na amazônia - seca revela fósseis
Mudanças climáticas ajudam a encontrar fósseis que revelam a história evolutiva da região amazônica. Foto: Divulgação/Agência Andina

O registro fóssil de Loreto

Esse conhecimento é resultado de projetos de ciência básica desenvolvidos graças ao financiamento do Programa Nacional de Pesquisa Científica e Estudos Avançados (ProCiencia), entidade executora do Conselho Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Tecnológica (Concytec).

Atualmente, Salas-Gismondi lidera o projeto de pesquisa multidisciplinar, “O registro fóssil de Loreto: Arquivos sobre a origem da biodiversidade amazônica”, financiado com aproximadamente 500.000 soles pela ProCiencia.

“É uma ajuda incrível ter o financiamento da ProCiencia para este projeto. Isso nos permitiu financiar três expedições a Loreto e descobrir e recuperar fósseis de golfinhos, peixes-boi e jacarés para estudos futuros. Se não tivéssemos este projeto, muitos desses fósseis estariam no fundo do rio, destruídos e perdidos para a ciência ”, afirmou.

Apenas a terceira expedição a Loreto revelou o crânio fossilizado de um peixe-boi e o de um Gnatusuchus pebasensis , o jacaré mais emblemático do sistema Pebas; além de peixes, golfinhos, preguiças e outros animais ainda não identificados. No total, cerca de 180 quilos de fósseis.

“Todas essas descobertas científicas fazem parte do patrimônio do Peru. São arquivos do passado ou documentos que nos ajudam a entender como esse ecossistema biodiverso, a Amazônia, evoluiu”, enfatizou.

Saiba mais: Tesouro científico no Peru: fóssil de peixe-boi com mais de 13 milhões de anos é descoberto

Berço de cientistas

Além disso, ele enfatizou que o projeto possibilita a formação de dois mestrandos em paleontologia, para que “nossa comunidade científica possa crescer e todos esses vestígios existentes no país possam ser recuperados, coletados e estudados por cientistas peruanos”.

“Este projeto permite que nossos laboratórios de paleontologia, tanto no Museu de História Natural de San Marcos quanto na Universidade Cayetano Heredia, estejam ativos, recebendo estudantes de graduação para estágios e estudos de fósseis. Equipamentos estão sendo adquiridos para esse fim”, explicou ele.

Ciências básicas, os fundamentos

Salas-Gismondi lembrou que a ProCiencia financiou 75 projetos de ciência básica este ano, muitos deles multidisciplinares, que totalizaram quase 500 mil soles, e que esse apoio “valioso” precisa continuar.

No entanto, ele alertou que, até 2027, está previsto o financiamento de 19 projetos de ciência básica, dos quais apenas quatro serão multidisciplinares, o que representará “um sério retrocesso para a ciência no Peru”.

“Essa redução significativa prejudicará o progresso científico de muitos pesquisadores que foram atraídos pela ProCiencia para trabalhar no Peru”, disse ele.

Ele observou que, embora “a ciência básica — à qual a paleontologia pertence — não tenha uma aplicação imediata na sociedade, é nela que o conhecimento realmente começa”.

“Em poucos anos, esse conhecimento pode ser traduzido em ciência aplicada para medicamentos, vacinas, equipamentos de pesquisa ou diferentes tipos de tecnologia que a sociedade pode usar. Tudo começa com a ciência básica ”, argumentou ele.

Na opinião dele, “reduzir o financiamento destinado a projetos de ciência básica, porque eles não são estratégicos ou importantes para a indústria, é como remover os alicerces de um prédio que está em construção no país há vários anos”.

Após enfatizar que os projetos de ciência básica “são o pilar e o fundamento da ciência e do conhecimento”, ele alertou que estudos, como a origem dos ecossistemas amazônicos, que nos permitirão compreender fenômenos recorrentes e atuais como as mudanças climáticas ou o El Niño, podem ser interrompidos.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Andina – Editora Perú

‘Entrevistas’ levanta debate sobre assédio eleitoral no ambiente de trabalho

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Assédio eleitoral no ambiente de trabalho foi o tema do programa ‘Entrevistas’, exibido pelo canal Amazon Sat. Arte: Reprodução/Amazon Sat

O programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas debatidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia, recebe neste episódio o procurador-geral do Trabalho, Dr. Gláucio Araújo de Oliveira, que abordou sobre o assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Comandado pelo jornalista Welliton Lopes, a edição repercute as condutas ilegais dentro do ambiente corporativo que ferem a liberdade individual do trabalhador pelo voto eleitoral.

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Durante a conversa, o entrevistado comentou de que forma ocorre o assédio eleitoral no mundo do trabalho, que se caracteriza como a prática de coação, ameaça, constrangimento ou promessa de benefício por parte de empregadores ou superiores dentro do ambiente corporativo, no intuito de influenciar o voto ou a posição política de trabalhadores e servidores públicos. O procurador exemplificou que os casos podem ocorrem tanto na iniciativa privada quanto na administração pública.

“Na iniciativa privada, o empregador ou o dono do negócio, pode coagir, ameaçar, dizer para o trabalhador que se não votarem em tal candidato, ele fechará as portas da indústria, do comércio. Poderá até demitir esse trabalhador, rebaixar ele funcionalmente ou reduzir salários. […] E na administração pública, o prefeito, governador, secretário ou qualquer gestor público pode agir também desta forma, ameaçando de exoneração ou de perder uma gratificação, mudar de setor ou departamento. Ou até mesmo prometendo aumento salarial, promover para outra função, são falsas promessas tendentes a interferir na vontade do trabalhador que é eleitor”, pontuou Gláucio.

Procurador Geral do Trabalho, Dr. Gláucio Araújo, abordou sobre assédio eleitoral no ambiente de trabalho.
Programa Entrevistas recebeu o Procurador-Geral do Trabalho, Dr. Gláucio Araújo, para abordar o tema assédio eleitoral no ambiente de trabalho. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Gláucio destacou que o tema é um dos principais desafios do MPT durante o período eleitoral e frisou a importância tanto do empregador quanto do trabalhador em saber quando se configura o assédio eleitoral.

“O trabalhador tem que ter essa concepção do conceito de assédio. É lógico que ele pode exercer a vontade dele votar em quem bem entender, a nossa preocupação é monitorar as investidas do empregador ou gestor público na vontade do eleitor. O trabalhador pode ir à um comício, mas desde que não tenha nenhuma ingerência ou atuação com vício de consentimento, que seria uma coação, ameaça de perder o emprego ou ter redução salarial. A nossa preocupação é essa, de garantir o trabalhador eleitor a liberdade de votar”, ponderou Araújo.

Atuação do MPT visa garantir a livre espontânea vontade do trabalhador pelo voto, sem interferência do seu empregador ou gestor público. Foto: Reprodução/TSE

Atuação do MPT

Foto: Reprodução/Amazon Sat

O procurador destacou a atuação do MPT no combate ao assédio eleitoral através de orientações, recebimentos de denúncias e abertura de investigações em casos da prática abusiva.

“O assédio eleitoral hoje é o principal tema até as eleições, a gente tem quase duzentas denúncias pelo Brasil afora e percebe-se que, a cada semana, com o início da campanha eleitoral e as redes sociais bombando, a tendência é aumentar mais os casos e o Ministério Público do Trabalho tem atuado com investigações nesses casos. Nós estamos num trabalho de campo, de prevenção e num trabalho pedagógico para esclarecer à população sobre este triste evento que ocorre em todos os processos eleitorais e que neste ano já está se repetindo”, explicou Gláucio.

Araújo orientou que as denúncias de assédio eleitoral podem ser feitas pelo trabalhador por meio do link oficial do órgão.

Leia também: Violência contra os povos indígenas: “números causam não só espanto, mas revolta”, comenta Leonardo Steiner

“O MPT aceita a denúncia anônima, a denúncia sigilosa, preservamos a identidade do denunciante, onde ele pode com qualquer smartphone ou celular tirar uma foto, registrar por vídeo uma reunião ou manifestação interna na empresa que caracterize o assédio eleitoral. Nós temos em nosso site um link específico para denúncias, com um roteiro passo a passo em que você preenche ali as informações e automaticamente já é disparado para uma Procuradoria da região de onde acontece os fatos. A partir daí, o procurador inicia a investigação”, disse o procurador-geral do MPT.

Gláucio também comenta sobre os resultados das investigações feitas pelo MPT contra o assédio eleitoral, fez um balanço da sua atuação como procurador-geral na região Norte do Brasil e abordou outras temas como o trabalho escravo e o ciclo migratório de venezuelanos nos estados que fazem fronteira com o país vizinho.

Assista:

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).

Energia solar viabiliza projeto de beneficiamento de açaí na Amazônia

Foto (ilustrativa): Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma comunidade remota da Amazônia brasileira está utilizando energia solar para viabilizar um empreendimento de beneficiamento de açaí planejado há anos, criando novas oportunidades para aumentar a renda local e fortalecer meios de vida que dependem da preservação da floresta amazônica.

Na comunidade Bela Conquista, localizada na Reserva Extrativista Catuá-Ipixuna, no estado do Amazonas, uma minirrede solar com armazenamento em baterias (50 kWp de potência fotovoltaica e 165 kWh de armazenamento) fornecerá a eletricidade confiável necessária para operar a unidade comunitária de processamento de açaí.

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Até agora, o fornecimento de energia a diesel intermitente impedia a operação da unidade, contribuindo para perdas de frutas, limitando a produção e restringindo a quantidade de polpa de açaí que podia ser processada. Bela Conquista é a primeira demonstração prática de um modelo que os parceiros pretendem expandir para 20 projetos-piloto nos próximos dois a três anos.

Com esses projetos, a iniciativa deve alcançar até 25 comunidades no coração da Amazônia brasileira. O modelo viabilizará diversos negócios de bioeconomia, como a produção de açaí, a pesca, a agricultura e o processamento de frutas. As instalações de sistemas solares com baterias fornecerão até 1 GWh de energia solar por ano, evitando o consumo de 255 mil litros de diesel e a emissão de 680 toneladas de CO2.

A instalação faz parte de uma parceria entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), a Global Energy Alliance for People and Planet (GEA) e o Ministério de Minas e Energia (MME). A iniciativa busca demonstrar como o acesso à energia renovável pode promover oportunidades econômicas e desenvolvimento sustentável em comunidades remotas da Amazônia.

Painéis de energia solar Foto Rede Amazônica am
Painéis de energia solar. Foto (ilustrativa): Reprodução/Rede Amazônica AM

Energia solar otimiza

O projeto surge em um momento em que o Brasil busca alcançar a última milha de eletrificação. Quase um milhão de brasileiros ainda vive sem acesso à eletricidade, sendo mais de 95% deles na Amazônia, enquanto outros dois milhões dependem de sistemas de geração a diesel poluentes e pouco confiáveis. Em comunidades remotas como Bela Conquista, o mini-grid pode fornecer eletricidade de melhor qualidade ao mesmo tempo em que criam novas oportunidades para negócios locais, serviços essenciais e geração de renda.

A unidade de processamento de Bela Conquista começou a ser idealizada em 2017. Ela nasceu da ambição dos moradores de agregar mais valor ao açaí produzido localmente, ampliar o acesso a mercados e aumentar as oportunidades econômicas para as famílias da comunidade. Ao permitir que uma parcela maior da produção seja processada localmente, o projeto oferece um exemplo concreto de como a energia limpa pode fortalecer a bioeconomia amazônica. Com o agora fornecimento de energia estável, a instalação pode produzir 36 mil litros de açaí por ano.

“O maior gargalo que enfrentávamos para colocar o empreendimento em funcionamento era a falta de energia confiável. Tivemos muitos problemas com a rede existente devido às condições da linha de distribuição, e a eletricidade que chegava à unidade não era suficiente para operar todas as máquinas”, explica Daniel Gama, morador de Bela Conquista e presidente do projeto da unidade de processamento.

“Agora vamos conseguir produzir mais açaí e não teremos mais as mesmas dificuldades com perdas da produção, porque teremos energia proveniente dos painéis solares. Poderemos comprar um volume maior de frutos, ter mais produto para processar na unidade e aumentar a renda das famílias”, afirma Luciana Sena, moradora da comunidade e vice-secretária da unidade de beneficiamento de açaí.

O projeto também passou a fornecer energia para infraestruturas essenciais da comunidade, incluindo a escola, o centro comunitário, a cozinha comunitária e o poço de abastecimento de água.

Transformando acesso à energia em oportunidade econômica

Além da minirrede solar, a parceria entre GEA e FAS inclui capacitação para que os moradores possam gerir, operar e realizar a manutenção dos novos ativos energéticos. Após o treinamento, a própria comunidade será responsável pela gestão do sistema e da unidade de processamento, fortalecendo o senso de pertencimento e a sustentabilidade de longo prazo da iniciativa.

“Os comunitários receberão todas as atividades de capacitação e treinamento previstas desde a concepção do projeto. Eles serão responsáveis pela gestão, operação e manutenção dos ativos implementados em suas comunidades”, afirma Thiago Carvalho, Líder de Projetos Renováveis da FAS.

“Este é um projeto extraordinário, no qual buscamos utilizar a energia como vetor de prosperidade, criando condições para que as comunidades permaneçam nos territórios onde escolheram viver, com qualidade de vida e oportunidades de geração de renda, ao mesmo tempo em que contribuem para a conservação da Floresta Amazônica, um patrimônio de importância fundamental para todo o planeta”, afirma Luisa Valentim, Diretora Brasil na Global Energy Alliance.

Para os moradores de Bela Conquista, a unidade de processamento também representa uma oportunidade de fortalecer meios de vida baseados nos recursos que a floresta já oferece.

“Nossa expectativa é que as pessoas reduzam o desmatamento para plantio e criação e que possamos depender cada vez mais das atividades extrativistas, aproveitando da floresta aquilo que ela já nos oferece. Temos castanha-do-brasil e também o açaí, que hoje é nosso principal produto. Podemos colher da natureza sem desmatar e sem prejudicar nossa floresta”, afirma Luzia Pinto, uma das matriarcas da comunidade.

“Bela Conquista é uma comunidade que serve de referência e merece ser conhecida por todos que sonham com uma Amazônia mais justa e sustentável. Ela mostra que é possível. O grande desafio é multiplicar exemplos como este e tantos outros que tivemos o privilégio de apoiar e fortalecer ao longo da nossa história”, afirma Virgilio Viana, Superintendente-geral da FAS.

Leia também: Energia solar no dia a dia: como reduzir custos e ter mais eficiência

Expandindo o modelo para comunidades remotas da Amazônia

O projeto Luz na Floresta é realizado pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), pela Global Energy Alliance e pelo Ministério de Minas e Energia do Brasil. A iniciativa visa promover o desenvolvimento local sustentável e a autonomia econômica em até comunidades da Amazônia brasileira. Espera-se beneficiar mais de 600 famílias por meio do uso produtivo da energia e do desenvolvimento de soluções que possam subsidiar políticas públicas para a expansão do acesso à energia e de oportunidades econômicas em territórios remotos.

As áreas abrangidas pelo projeto incluem o Território Indígena Serra da Moça (Aldeia Serra da Moça), em Boa Vista (Roraima); a Comunidade Nossa Senhora do Livramento (Uixi), na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, em Beruri (Amazonas); a Comunidade Bela Conquista, na Reserva Extrativista Catuá-Ipixuna, em Tefé (Amazonas); a Comunidade Tamaniquá, na região do Médio Solimões (Amazonas); e as comunidades de Santa Maria do Boiaçu, Cachoeirinha e Caicubi, na região do Baixo Rio Branco (Roraima).Nas comunidades atendidas, o projeto visa alcançar 80% de disponibilidade de energia e mais do que triplicar a receita proveniente da produção de açaí.

*Com informações da FAS

Como funciona a instalação de fibra óptica em rios amazônicos? Entenda o procedimento

Foto: Divulgação

A instalação de cabos de fibra óptica em trechos de rios é uma das alternativas utilizadas para implantação de infraestrutura de telecomunicações em áreas da região amazônica. Nesse tipo de solução, os cabos são posicionados no leito dos rios para conectar diferentes pontos da rede.

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A fibra óptica utiliza filamentos de material transparente para transmitir informações por meio de sinais de luz. Na infraestrutura subfluvial, os cabos recebem proteção adequada para a instalação e operação em ambiente aquático.

Como é feita a instalação de cabos de fibra óptica

A implantação de um trecho subfluvial envolve planejamento do percurso, preparação dos equipamentos e lançamento do cabo. As operações podem utilizar embarcações e equipamentos específicos para posicionar a fibra de acordo com as características do trecho.

Depois da instalação, o cabo é conectado aos demais elementos da rede de telecomunicações. Em pontos onde a infraestrutura subfluvial se integra à rede terrestre, são realizadas as conexões necessárias para a continuidade da transmissão de dados.

A infraestrutura terrestre pode utilizar diferentes soluções, como redes aéreas ou subterrâneas, conforme as características de cada local. Nessas etapas, também são utilizados equipamentos para realizar as conexões entre os segmentos da rede.

Leia também: Programa Norte Conectado amplia acesso à internet na Amazônia com mais 3 mil quilômetros de cabo fibra óptica

Por que utilizar os rios?

A utilização de trechos fluviais pode ser considerada no planejamento de redes de telecomunicações em regiões com características geográficas específicas. Na Amazônia, a extensa rede hidrográfica pode fazer parte dos estudos de implantação de infraestrutura em áreas de difícil acesso terrestre.

A escolha do percurso e da tecnologia utilizada depende de aspectos técnicos e operacionais de cada projeto, incluindo as características do terreno, dos rios e dos pontos que serão conectados.

Conectividade em áreas isoladas

A infraestrutura de fibra óptica permite a transmissão de grandes volumes de dados e pode ser utilizada para conectar diferentes localidades a redes de telecomunicações.

Uma vez integrada à infraestrutura de conectividade, a rede pode permitir o acesso a serviços que utilizam internet, como plataformas digitais, sistemas de comunicação, atividades de educação a distância e serviços de teleatendimento, conforme a disponibilidade desses serviços em cada localidade.

A implantação de infraestrutura subfluvial é, portanto, uma alternativa técnica que pode ser utilizada na composição de redes de telecomunicações em regiões onde as características geográficas exigem soluções específicas.

instalação de cabos de fibra óptica em rios amazônicos
Uma plataforma acoplada a dois rebocadores implantando cabos de fibra ótica sob as águas do rio Solimões. Foto: Layo Stambassi/MCom

O que muda na prática?

Para o usuário final, a fibra óptica subfluvial é parte da infraestrutura responsável pelo transporte dos dados. O cabo instalado no rio não constitui, por si só, a conexão direta de uma residência ou estabelecimento à internet. Ele integra diferentes segmentos da rede, que podem incluir estruturas subfluviais, terrestres e equipamentos de distribuição. A combinação dessas estruturas permite formar redes de telecomunicações adaptadas às características de cada região.

*Com informações do Ministério das Comunicações

“Motivo de orgulho”, celebra Vanessa Duarte após marca ‘Amazônia’ conquistar reconhecimento mundial de criatividade

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Arte: Reprodução/Amazon Sat

A secretária-executiva do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, Vanessa Duarte, participou do programa Entrevistas, exibido pelo canal Amazon Sat, iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas debatidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia. No episódio, a entrevistada abordou o papel da entidade pública na articulação entre os estados para a construção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico e social da região de forma integrada e sustentável.

Durante a conversa, comandada pelo jornalista Wellinton Lopes, Vanessa comentou sobre a marca Amazônia, iniciativa que visa fortalecer o posicionamento da Amazônia Legal brasileira tanto no turismo nacional quanto no mercado internacional de negócios. Em junho de 2026, o projeto alcançou um marco histórico ao conquistar três Leões no Cannes Lionse, considerado o mais importante festival de criatividade, design e construção de identidades visuais do mundo.

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Marca Amazônia ganhou reconhecimento em três categorias do principal festival de criatividade, design e construção de marcas do mundo
Marca Amazônia ganhou reconhecimento em três categorias do principal festival de criatividade, design e construção de marcas do mundo. Foto: Heber Barros

A secretária relembrou que tanto a indicação ao prêmio de Cannes quanto a conquista da premiação foram conquistas significativas para o Consórcio.

“Enquanto a gente estava ainda trabalhando na governança dessa institucionalização dessa marca no âmbito do Consórcio, fomos surpreendidos com a notícia da possibilidade de sermos premiados. […] Ganhar os três leões em Cannes, no maioir festival do mundo, foi muito significativo. A empresa que desenvolveu o projeto, que já tinha desenvolvidos outras marcas no país e no mundo, nunca tinham chegado até lá, então foi um motivo de orgulho muito grande para todos nós”, afirmou Duarte.

O que é a marca Amazônia?

Marca Amazônia visa fortalecer o posicionamento da Amazônia Legal brasileira tanto no turismo nacional quanto no mercado internacional de negócios.
Marca Amazônia visa fortalecer o posicionamento da Amazônia Legal brasileira tanto no turismo nacional quanto no mercado internacional de negócios. Foto: Arquivo/Setur

Desenvolvida em conjunto com os secretários estaduais de Turismo dos nove estados da Amazônia Legal, a marca Amazônia nasceu a partir de uma visão compartilhada sobre a necessidade de fortalecer a identidade da região e ampliar sua presença no cenário nacional e internacional. A iniciativa, feita por meio do programa Rotas Amazônicas Integradas e com a FutureBrand, mobilizou artistas, criativos e talentos amazônidas, que ajudaram a transformar a diversidade cultural e a riqueza dos territórios em uma marca autêntica, construída por muitas mãos e capaz de representar a Amazônia brasileira diante do mundo.

A marca Amazônia representa uma estratégia de posicionamento territorial voltada à valorização da biodiversidade, da cultura e das oportunidades econômicas da região. A iniciativa busca fortalecer o turismo sustentável, ampliar oportunidades de desenvolvimento e posicionar a Amazônia brasileira como referência global em biodiversidade, cultura e inovação. A conquista em Cannes reforça a importância da cooperação entre os estados amazônicos e amplia a projeção internacional da Amazônia brasileira em um dos mais importantes fóruns de criatividade do planeta.

Leia também: Entrevistas: qual o papel do Consórcio Amazônia Legal na articulação entre os nove estados da região?

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasceu com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília e dos debates que influenciam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, economia, meio ambiente, desenvolvimento regional e relações internacionais, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e autoridades.

Secretária-executiva do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Legal, Vanessa Duarte
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa busca aprofundar debates e mostrar os bastidores das decisões que impactam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica, transformando temas complexos em informações acessíveis ao público.

“Entrevistas” tem episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e reexibições às quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas-feiras, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus (GMT -4).

Arraial de Nazaré, a feira que nasceu com o Círio

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Foto: Divulgação/Círio de Nazaré

O Arraial de Nazaré é uma das tradições do Círio de Nazaré em Belém (PA). E você sabia que essa feira teve origem durante a primeira edição do Círio de Nazaré, em 1793?

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Na época era organizado como uma grande feira de produtos agrícolas e o termo “arraial”, segundo a Diretoria da Festa na Basílica Santuário de Nazaré, da Arquidiocese de Belém, surgiu com a construção das casas ao redor da ermida de Plácido, após o achado da imagem, aproveitando o intenso fluxo de peregrinos.

A ermida era uma casa de madeira e palha, construída pelo homem que encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré às margens do igarapé Murutucu, e que seria a “vizinha” da Basílica construída anos depois.

Arraial de Nazaré, a feira que nasceu com o Círio
Foto: Reprodução/Arquidiocese de Belém

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Arraial se tornou um dos símbolos da confraternização cristã

Naquele tempo, segundo a Diretoria, as festividades ocorriam em setembro, período do verão amazônico, quando as chuvas diminuíam. Para a realização do primeiro Círio, o governador organizou uma feira com produtos trazidos de diversos municípios, providenciando inclusive transporte fluvial para pessoas e mercadorias.

No entanto, o funcionamento do arraial nazareno no século XIX não se resumia à mera exposição e venda de “produtos regionais”.

Além das barracas fixas, a movimentação do público era acompanhada pelo comércio ambulante, por jogos, pelas danças coletivas negras, indígenas (lundum, chorado, cateretê, dança do bagre, mandu-sarará e bambiá) e europeias (dança das saloias e dança das camponesas), pelas apresentações musicais (normalmente apresentações de bandas) e teatrais.

Foto: Reprodução/Blog Fragmentos de Belém

O Arraial acontecia inicialmente em frente à Basílica, onde hoje está localizada a Praça Santuário de Nazaré (antigo Conjunto Arquitetônico de Nazaré – CAN). Com o passar do tempo, tornou-se um espaço de convivência, lazer e tradição dentro das festividades do Círio.

*Com informações da Diretoria da Festa na Basílica Santuário de Nazaré, da Arquidiocese de Belém

MPF solicita criação de sistema integrado para monitorar contaminação por mercúrio na Amazônia

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Foto: Chico Batata/Greenpeace

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública para que a Justiça Federal obrigue a União, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e os estados do Amazonas, de Rondônia e de Roraima a criar e manter um sistema permanente, integrado e público de monitoramento da contaminação por mercúrio nos rios, nos sedimentos, nos peixes e nas populações que vivem próximo às áreas de atividades garimpeiras.

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De acordo com o MPF, a atuação integrada deve ser implementada por meio de um sistema nacional com diretrizes para a medição do mercúrio e que reúna dados de todo o país; e um programa regional, com monitoramento das áreas de garimpo dos três estados e atuação na vigilância e no atendimento em saúde.

A ação do MPF destaca a inércia estrutural do Estado, que não tem rotinas padronizadas, capacidade laboratorial integrada ou banco de dados unificado para mensurar a evolução da poluição mercurial.

Antes de recorrer ao Judiciário, o MPF expediu recomendação aos órgãos de meio ambiente e de saúde das esferas federal e estaduais. Nenhum dos destinatários adotou medidas concretas com prazos definidos.

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Entre as justificativas apresentadas pelos réus, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) condicionou ações futuras à disponibilidade orçamentária, enquanto o Ibama solicitou a reconsideração do pedido sob o argumento de que seu cumprimento esgotaria a capacidade operacional do instituto.

Enquanto os órgãos estaduais justificaram a falha apontando limitações técnicas e a ausência de testagem de mercúrio em suas amostragens, a ANA passou a responder ao processo por não incluir a medição do metal pesado entre os critérios mínimos da Rede Nacional de Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais na Amazônia, gerenciada por ela.

Atualmente, a única rede de monitoramento em operação na região atende apenas à Terra Indígena Yanomami, custeada por recursos do Supremo Tribunal Federal (STF) via ADPF nº 709. Fora dessa área, o MPF aponta que o poder público atua às cegas: não sabe onde a contaminação está, a que ritmo ela avança e nem quem precisa de proteção.

Impactos ambientais

O mercúrio metálico, liberado em escala pela lavra garimpeira de ouro, convertido em metilmercúrio nos rios, é absorvido por peixes e alcança, por meio da alimentação, milhares de pessoas que dependem do pescado como base alimentar.

As provas e evidências reunidas pelo MPF vêm de laudos da Polícia Federal, de pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), de universidades públicas dos estados e de levantamentos de organizações da sociedade civil, todos convergentes quanto à contaminação nas bacias dos Rios Madeira, Negro, Solimões, Branco, Uraricoera e Mucajaí.

MPF solicita criação de sistema integrado para monitorar contaminação por mercúrio na Amazônia
Foto: Paulo Basta/Fiocruz

Em Porto Velho, 26,1% dos peixes analisados apresentaram mercúrio acima do limite seguro, e a ingestão diária superou a dose de referência em todos os grupos da população: cerca de 8 vezes entre mulheres em idade fértil e 27 vezes entre crianças de 2 a 4 anos. Em comunidades ribeirinhas do Alto Solimões e do Alto Rio Negro, as concentrações médias registradas foram 17 vezes superiores ao limite recomendado.

Estudos apontam ainda que 21,3% dos peixes vendidos em centros urbanos da região estão acima dos limites da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, com contaminação 4 vezes maior em Roraima e 3 vezes maior em Rondônia e no Amazonas na comparação com o Amapá.

Outro ponto de alerta no cenário do garimpo é a diferença entre o quantitativo declarado de mercúrio comercializado legalmente e o estimado utilizado nas atividades. De acordo com nota técnica disponibilizada pelo Ibama, entre 2018 e 2025, foram vendidos legalmente 640 kg do metal em todo o país para uso em mineração de ouro, enquanto o consumo estimado apenas em Mato Grosso chegou a 25,8 toneladas. Ou seja, cerca de 98,5% do mercúrio comercializado tem origem do comércio ilegal.

Pedidos

Em pedido de urgência, o MPF requer que a Justiça determine:

  • a criação de um comitê interinstitucional em 30 dias;
  • a apresentação do plano de implantação dos dois sistemas em 120 dias;
  • a inclusão do mercúrio entre os parâmetros medidos pela ANA na rede nacional de qualidade das águas em 90 dias; e
  • a realização, em até 180 dias, da primeira campanha conjunta de coleta e análise de água, sedimentos e peixes nas bacias prioritárias.

A ação propõe uma estrutura em nível nacional e regional. O Sistema Nacional de Monitoramento da Contaminação por Mercúrio, a ser coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, fixará as diretrizes técnicas para medir o metal na água, nos sedimentos, nos peixes e nas pessoas, mantendo uma plataforma pública com os dados de todo o país e com publicação de relatório anual sobre a situação e as tendências da contaminação.

Já o Programa Regional de Monitoramento da Amazônia Ocidental alcançaria as bacias do Amazonas, de Rondônia e de Roraima com garimpo, com campanhas conjuntas do Ibama, da ANA, do Ministério da Saúde e dos órgãos estaduais, além de rotinas estaduais de vigilância em saúde. Os estados também deverão organizar a busca ativa de casos e o acompanhamento da saúde das populações mais expostas.

O MPF pede que a Justiça determine a implantação do sistema nacional em 12 meses e da plataforma pública de dados em 24 meses, com relatórios a cada 90 dias. A ação é uma atuação do 2° Ofício da Amazônia Ocidental, especializado no enfrentamento à mineração ilegal no Amazonas, no Acre, em Roraima e em Rondônia.

*Com informações do MPF

Potencial de terras raras pode colocar Amapá no radar internacional da mineração

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O Amapá possui atualmente 65 processos minerários ativos relacionados a elementos de terras raras, todos associados a outros minerais, como o ouro. Na foto, o município de Calçoene. Foto: Divulgação/Prefeitura de Calçoene

O Amapá possui atualmente 65 processos minerários ativos relacionados a elementos de terras raras, todos associados a outros minerais, como o ouro. A procura por esses elementos ganhou força a partir de 2022, quando foram registrados 53 protocolos de pesquisa na Agência Nacional de Mineração (ANM).

Os municípios de Calçoene e Oiapoque concentram o maior número de protocolos de pesquisa minerária registrados no período, a maioria deles vinculada também à exploração de ouro. Essa tendência, segundo especialistas, indica que o foco das empresas está voltado principalmente para o ouro, enquanto as terras raras podem aparecer como resultado adicional das pesquisas.

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Estudos realizados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam potencialidades de elementos de terras raras em regiões como Ferreira Gomes e Oiapoque. No entanto, ainda são necessários vultosos investimentos em pesquisa geológica para confirmar esse potencial. A possibilidade de encontrar concentrações que permitam produzir um concentrado comercialmente viável permanece incerta.

Segundo o professor Franciolli Araújo, do Instituto Federal do Amapá (Ifap) e doutor em Ciências Exatas e Tecnológicas pela Universidade Federal de Catalão, o cenário ainda é desafiador:

“Podemos ter elementos de terras raras em qualquer lugar do estado, mas em concentrações que permitam produzir um concentrado comercialmente viável, isso ainda é uma incógnita. Na minha avaliação, as empresas têm pesquisado ouro, e as terras raras poderiam ser um ‘bônus’ caso identifiquem em suas pesquisas”, explicou.

As chamadas “terras raras” são, na verdade, um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, geralmente misturados a outros minerais, o que torna sua extração complexa e, muitas vezes, cara- daí a classificação de “raras”. O Brasil detém a segunda maior reservas desses minerais, atrás apenas da China.

Leia também: Terras raras: Amapá mapeia minerais estratégicos e atrai atenção de gigantes globais

Investimentos e desafios

De acordo com o pesquisador, os investimentos podem ser feitos inicialmente pelo estado, como forma de atrair investidores, ou diretamente pelas empresas, caso existam fortes indícios da existência de depósitos. A determinação do tamanho dos depósitos e a viabilidade técnica de exploração, porém, ainda demandam muitos estudos e recursos.

Pesquisa

A Universidade Federal de Catalão, por meio do Centro de Pesquisa em Processamento Mineral (CPMin), e o Grupo de Pesquisa em Materiais, Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade (Matis) do Ifap, além de outras instituições, elaboraram propostas em chamadas do CNPq para coletar amostras em regiões potenciais de terras raras, inclusive no Amapá. O objetivo é caracterizar e concentrar esses minerais, etapa fundamental para confirmar a viabilidade de exploração.

Potencial de terras raras pode colocar Amapá no radar internacional da mineração
Garimpo ilegal em Lourenço, Calçoene. Foto: Rafael Aleixo

Terras raras no Brasil

O Senado aprovou em 2 de setembro, o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta estabelece medidas para estimular a exploração e o processamento de minérios considerados estratégicos para o Brasil, incluindo a criação de um fundo garantidor e a concessão de crédito tributário de até R$ 5 bilhões.

O texto autoriza a União a participar como cotista desse fundo, com limite de R$ 2 bilhões. Apesar da participação estatal, o fundo terá natureza privada, funcionando como mecanismo de apoio a projetos e atração de investimentos para o setor mineral. A proposta agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

*Por Josi Paixão, da Rede Amazônica AP

Decretos criam quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas

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A solenidade que anunciou os decretos de criação das reservas marcou o Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Decretos assinados no dia 8 de setembro, no Palácio do Planalto, criam quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) no Amazonas e ampliam o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí, somando cerca de 676 mil hectares. A solenidade marcou o Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro, e incluiu ainda a assinatura de contratos de concessão florestal, de termo de fomento para a sociobioeconomia e aportes financeiros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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Os decretos assinados na cerimônia criam quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) na região de influência da BR-319, no sul do Amazonas, com cerca de 669 mil hectares. As reservas protegem a biodiversidade e os modos de vida agroextrativistas das populações locais, em categoria de unidade de conservação que admite o uso sustentável dos recursos pelos moradores.

As quatro Reservas de Desenvolvimento Sustentável criadas na área da BR-319 são:

  • RDS Tupana Igapó-Açu I (Borba, AM), 114.076 hectares
  • RDS Tupana Igapó-Açu II (Beruri e Tapauá, AM), 422.100 hectares
  • RDS Canaã (Careiro e Autazes, AM), 109.607 hectares
  • RDS Mirari (Humaitá, AM), 22.775 hectares, com foco na proteção de ambientes florestais e aquáticos

No Piauí, outro decreto amplia em 7.192 hectares o Parque Nacional de Sete Cidades, em Brasileira e Piracuruca, que passa a ter 13.502 hectares. A ampliação protege ecótonos e espécies ameaçadas e favorece o turismo no parque.

  • Parque Nacional de Sete Cidades (Brasileira e Piracuruca, PI), ampliação de 7.192 hectares, área total de 13.502 hectares

Concessão florestal

Também foram assinados, pelo Serviço Florestal Brasileiro, os contratos de concessão das Unidades de Manejo Florestal II e III da Floresta Nacional (Flona) de Humaitá, no Amazonas, com prazo de 40 anos. Os contratos abrangem 162,7 mil hectares e concluem a concessão das três unidades da Flona de Humaitá, que totalizam 200,9 mil hectares sob manejo sustentável. 

Decretos criam quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas
Flona de Humaitá. Foto: Reprodução/Casa Civil-PR

Os dois novos contratos preveem R$ 240 milhões em investimentos ao longo da vigência, produção legal de 2,54 milhões de metros cúbicos de madeira em 30 anos, geração de 339 empregos diretos e 678 indiretos, além de recursos para projetos socioambientais nas comunidades do entorno. 

Com os novos contratos, o Brasil passa a contar com 29 contratos federais de concessão florestal, totalizando 1,75 milhão de hectares sob manejo sustentável.

Financiamento

Na mesma ocasião, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou aportes para o bioma. O Fundo Amazônia destinará R$ 50,5 milhões em recursos não reembolsáveis ao projeto Naturezas Quilombolas, para apoio à gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal, com previsão de elaboração e implementação de planos de gestão em mais de 16 territórios. O projeto, com prazo de 60 meses, será executado pela Fundação Guamá.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

O Fundo Amazônia é gerido pelo BNDES, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O projeto Naturezas Quilombolas conta com apoio do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).

Também administrado pelo MMA e BNDES, o Fundo Clima financiará R$ 180 milhões em restauração ecológica de mais de 10 mil hectares na APA Triunfo do Xingu, no Pará. 

Além disso, o BNDES divulgou o resultado do edital da iniciativa Floresta Viva, com R$ 5,3 milhões para projetos de restauração na Bacia do Rio Xingu II, no Pará e Mato Grosso. 

Sociobioeconomia

A cerimônia marcou também o início da ativação dos seis primeiros Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (NDS), com a assinatura dos contratos de cooperação financeira entre a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), implementadora do projeto, e as seis redes territoriais selecionadas em edital. Os núcleos são arranjos de governança que reúnem organizações locais, negócios comunitários e instituições públicas, e constituem o principal instrumento do Prospera Sociobio, programa instituído pelo MMA em novembro de 2025 para fomentar negócios da sociobioeconomia no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (PNDBio).

O aporte é de R$ 70,2 milhões, R$ 11,7 milhões por núcleo, com recursos do governo alemão no âmbito da cooperação entre Brasil e Alemanha, geridos pelo banco alemão de desenvolvimento KfW, e prazo de implementação de 48 meses. Os núcleos ficam em Altamira, Portel e Salgado-Bragantino (PA), Juruá-Tefé (AM), Macapá (AP) e Rio Branco e Brasiléia (AC), sob coordenação, respectivamente, da Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Iriri (Amoreri), do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), do Instituto Peabiru, do Instituto Juruá, do Instituto Mapinguari e da SOS Amazônia.

Participaram da cerimônia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o vice-presidente Geraldo Alckmin; o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco; além das ministras do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli; da Igualdade Racial, Rachel Barros; e dos ministros do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes; dos Transportes, George Santoro; e dos Povos Indígenas, Eloy Terena. 

Também estiveram presentes a diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, os presidentes do Serviço Florestal Brasileiro, Garo Batmanian, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, Mauro Pires; do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Jair Schmitt; o governador do Piauí, Rafael Fonteles, o vice-governador do Amazonas, Serafim Fernandes Corrêa, e o diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e Enviado Especial da COP30 para a Sociedade Civil, André Guimarães.

*Com informações do MMA