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Projeto SUS na Floresta fortalece atendimento de saúde em comunidades de difícil acesso no Amazonas

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Foto: Lucas Bonny/FAS

O acesso a serviços de saúde avançou em comunidades ribeirinhas de Eirunepé (localizado a 1.163 km de Manaus), no interior do Amazonas. Entre março e junho de 2026, o projeto SUS na Floresta, realizado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Vale, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico da Prefeitura de Eirunepé, Associação de Moradores Agroextrativistas da RESEX do Rio Gregório (Amarge) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema) registrou 550 atendimentos assistenciais e 1.945 procedimentos de saúde no Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues”.

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Localizada na comunidade do Ubim, na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Gregório, a unidade atende moradores de uma região marcada por grandes distâncias e dificuldades de deslocamento. No período, as atividades alcançaram 28 comunidades da área de abrangência do Ponto de Atendimento.

“Este Ponto de Atendimento à Saúde é muito simbólico porque está localizado em uma região de difícil acesso. Esses investimentos fazem parte da nossa visão de cuidar de quem cuida da floresta. Associadas às ações de saúde, também desenvolvemos iniciativas nas áreas de educação e geração de renda, em uma região com grande potencial para a produção de açaí, jarina, banana e outros produtos da sociobiodiversidade”, afirma Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS.

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Dos 550 atendimentos assistenciais realizados, 305 foram atendimentos presenciais médicos e de enfermagem, 89 ocorreram por meio de teleatendimentos médicos e de enfermagem, e 156 foram atendimentos odontológicos.

A integração entre atendimentos presenciais e remotos permite ampliar o acompanhamento da população e fortalecer a Atenção Primária à Saúde em comunidades de difícil acesso.

Para Ana Francisca, moradora da comunidade do Ubim, a presença da unidade tornou mais simples o acesso aos serviços e medicamentos.

“Agora temos a unidade, os medicamentos e a equipe de enfermagem. Quando a gente precisa, o atendimento está perto. Vamos até lá e conseguimos o medicamento com mais facilidade. Antes era muito difícil, mas agora está melhorando bastante”, relata.

Imagem colorida mostra atendimento médico pelo Sus na comunidade Ubim no Amazonas
SUS na Floresta realiza atendimentos no interior do Amazonas. Foto: Lucas Bonny/FAS

A equipe também realizou procedimentos como aferições de pressão arterial, peso, altura e temperatura, vacinação, testes rápidos, administração de medicamentos, curativos e coletas de exame preventivo.

Entre os principais registros estão 377 aferições de pressão arterial, 377 aferições de peso, 377 mensurações de altura, 377 verificações de temperatura, 125 doses de vacina aplicadas, 96 testes rápidos e 73 administrações de medicamentos.

As atividades do SUS na Floresta atenderam ou alcançaram moradores de comunidades como Ubim, Atalaia, Restauração, Extrema, Santo Amaro, Bacuri, São Francisco, Nova Esperança, Maravilha, Progresso e Prainha, além de outras localidades ribeirinhas da região.

SUS na Floresta reforça cuidados

Para Mickela Souza, gerente do Programa Saúde na Floresta (PSF) da FAS, a iniciativa representa uma mudança na forma de promover o cuidado nos territórios.

“A nossa expectativa é que, a partir de agora, a gente trabalhe efetivamente com a saúde, e não apenas com o Sistema Único de Saúde atuando sobre a doença. Para a FAS, essa é uma oportunidade ímpar. Como a gente costuma dizer, se conseguimos fazer no Rio Gregório, conseguimos fazer em qualquer outra região”, afirma.

No mesmo período, foram realizadas 11 ações coletivas de educação em saúde, com atividades voltadas à orientação da população, à prevenção de doenças e à promoção de práticas de cuidado.

Os dados de satisfação disponíveis até junho de 2026 também apontam uma avaliação positiva dos serviços. O índice de satisfação com os atendimentos presenciais chegou a 98,1%, enquanto os teleatendimentos e as teleorientações alcançaram 90%. A infraestrutura física do Ponto de Atendimento recebeu 96,6% de aprovação entre as pessoas consultadas.

Com assistência médica, de enfermagem e odontológica, vacinação, ações preventivas bem como teleatendimentos desenvolvidos pela SEMSA Eirunepé; e ações de educação permanente em saúde aos profissionais e assessoramento nas rotinas de trabalho promovidas pela FAS , o Ponto de Atendimento à Saúde “José Rodrigues” amplia a oferta de cuidados às comunidades ribeirinhas da Resex do Rio Gregório.

Sobre o SUS na Floresta

O projeto SUS na Floresta é realizado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Fundo Vale, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico da Prefeitura de Eirunepé, Associação de Moradores Agroextrativistas da

RESEX do Rio Gregório (Amarge) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Ele tem como objetivo fortalecer e apoiar a Atenção Primária à Saúde (APS) em comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas por meio da estruturação de um sistema de telessaúde integrado ao SUS, ampliando a assistência nessas regiões.

*Com informações da FAS

Prêmio Fundação Bunge reconhece trajetória de pesquisadora dedicada à agricultura familiar e indígena

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Sonia Sena Alfaia. Foto: Érico Xavier

Há mais de quatro décadas, a pesquisadora Sonia Sena Alfaia trabalha para responder a um dos grandes desafios da Amazônia: como gerar renda, fortalecer a agricultura familiar e melhorar a qualidade de vida das populações locais, garantindo, também, a conservação da floresta. É por essa trajetória que a pesquisadora titular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) é a laureada do Prêmio Fundação Bunge 2026, na categoria ‘Vida e Obra’ do tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”.

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Reconhecida por sua atuação em agricultura familiar, agricultura indígena, sistemas agroflorestais e manejo sustentável dos solos amazônicos, Sonia dedicou sua carreira à construção de soluções desenvolvidas em conjunto com agricultores familiares, povos indígenas e comunidades tradicionais da região.

Sua atuação também inclui a formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia e à valorização dos conhecimentos tradicionais.

“Receber o prêmio foi uma surpresa muito grande. Eu realmente não esperava. É um prêmio que dá visibilidade ao trabalho que fazemos e nos incentiva a continuar atuando em uma área tão importante para a Amazônia”, afirma a pesquisadora.

Ciência construída junto às comunidades

Natural de Codajás (AM), município localizado às margens do Rio Solimões, Sonia cresceu em uma família que sempre enxergou a educação como ferramenta de transformação. Filha de um produtor rural, vivenciou desde cedo a realidade da agricultura amazônica e aprendeu a importância da terra para a subsistência e a geração de renda das famílias da região.

Também viu no próprio pai um exemplo de valorização da educação. “Ele sempre teve a visão de que a educação era fundamental para o nosso futuro”, lembra. Foi essa valorização dos estudos que levou a família a se mudar para Manaus quando Sonia ainda era criança.

Formada em Agronomia pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com mestrado pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e doutorado em Ciências Agronômicas no Institut National Polytechnique de Lorraine, na França, retornou à Amazônia para desenvolver uma trajetória dedicada à agricultura familiar, à agricultura indígena e ao uso sustentável dos recursos naturais da região. Ao longo de mais de quatro décadas no INPA, tornou-se uma das principais referências brasileiras na área.

Leia também: Pesquisadora do Inpa ganha prêmio internacional por estudo com “samburá” de abelha amazônica sem ferrão

Agricultura indígena e políticas públicas

Um dos principais marcos de sua trajetória ocorreu durante sua passagem pela Secretaria de Estado da Produção Rural do Amazonas (Sepror), onde atuou entre 2010 e 2014 como Secretária Executiva Adjunta de Planejamento e Projetos. “Foi quando fui para o olho do furacão. Era o momento em que os produtores chegavam até nós para apresentar seus problemas e demandas”, recorda.

A experiência permitiu que ela conhecesse de perto as diferentes realidades do interior do estado e resultou na criação do Programa de Agricultura Indígena da Sepror, iniciativa voltada ao fortalecimento da produção agrícola dos povos originários do Amazonas por meio de ações de capacitação, assistência técnica, organização produtiva e acesso a mercados.

Atualmente, o programa atua junto às comunidades por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Indígena), contribuindo para a geração de renda, a segurança alimentar e a valorização dos modos de vida indígenas.

Prêmio Fundação Bunge reconhece trajetória de pesquisadora dedicada à agricultura familiar e indígena
Foto: Érico Xavier

Produzir e conservar

Grande parte das pesquisas coordenadas por Sonia busca demonstrar que é possível ampliar a produção agrícola sem desmatamento. “A agricultura aqui precisa se aproximar mais da floresta, e não se afastar dela”, afirma. Essa visão orienta trabalhos voltados a sistemas agroflorestais e a cadeias produtivas consideradas estratégicas para a bioeconomia amazônica, como açaí, castanha, pupunha, guaraná e abacaxi.

Entre os projetos que considera mais emblemáticos está a parceria desenvolvida com o povo indígena Sateré-Mawé, reconhecido historicamente por sua relação com o guaraná. O trabalho envolve a recuperação de antigos guaranazais por meio de práticas agroecológicas e o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis que geram renda para as comunidades, como o cultivo sustentável do pau-rosa, espécie amazônica de alto valor econômico para a indústria de cosmético.

Segundo a pesquisadora, o sucesso dessas iniciativas depende da construção conjunta de soluções. “Temos muito respeito pelos conhecimentos e pela cultura dessas comunidades. O nosso papel é construir soluções junto com elas”, destaca.

Legado para as futuras gerações

Além da atuação científica e da contribuição para políticas públicas, Sonia também se dedica à formação de novos pesquisadores. Professora dos programas de pós-graduação do INPA, participou da formação de mestres e doutores que hoje atuam em diferentes áreas relacionadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Nos últimos anos, ela passou a incentivar pesquisadores mais jovens a assumir a liderança de projetos e ampliar a capacidade científica da região. “Estou passando o bastão porque eles são o futuro da pesquisa na Amazônia”.

Para Sonia, o reconhecimento do Prêmio Fundação Bunge simboliza o esforço coletivo de pesquisadores, estudantes, agricultores familiares, comunidades indígenas e instituições que contribuíram para a construção de sua trajetória. “É o trabalho de uma vida inteira. Fazer pesquisa na Amazônia não é fácil, mas é muito gratificante quando vemos que aquilo que construímos ajuda, de fato, a melhorar a vida das pessoas”, finaliza.

Leia também: Pesquisador do Inpa recebe reconhecimento internacional pelo impacto de sua produção científica na Amazônia

Mais de 70 anos de reconhecimento à ciência brasileira

Criado em 1955 e inspirado no Nobel, o Prêmio Fundação Bunge reconhece pesquisadores que contribuem para o desenvolvimento científico nacional e para a busca de soluções para desafios estratégicos do Brasil. Ao longo de sua história, mais de 200 personalidades já foram homenageadas pela premiação. Os pesquisadores agraciados são indicados por representantes das principais universidades e instituições científicas do país, e têm suas trajetórias avaliadas por comissões independentes formadas por especialistas.

Na edição de 2026, o prêmio homenageia quatro pesquisadores brasileiros cujos trabalhos têm contribuído para o fortalecimento da agricultura tropical sustentável e da inovação no campo. Na categoria Vida e Obra, dentro do tema “Os desafios da agricultura tropical sustentável: produção em cenários de estresse térmico e hídrico”, Alexandre Lima Nepomuceno, Chefe-Geral do Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja), será reconhecido por sua trajetória de estudos sobre fisiologia vegetal, biologia molecular e tolerância à seca. Paulo Eduardo Teodoro, professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), será condecorado na categoria Juventude reconhecido por suas contribuições no uso de tecnologias na agricultura sustentável e Fenotipagem de Alto Rendimento.

Já no tema “Inovação em processos de transferência de tecnologias e conhecimentos para a agricultura familiar”, além de Sonia, estudante Raul Victor Magalhães Sousa, de 16 anos, bolsista de Iniciação Científica Júnior (PIBIC Jr.) do CNPq, com orientação da Universidade Federal do Ceará (UFC), será reconhecido na categoria Juventude pelo desenvolvimento de um sistema que utiliza inteligência artificial associada aos saberes tradicionais para prever chuvas no semiárido cearense.

Fundação Bunge

A Fundação Bunge, entidade social da Bunge no Brasil, há 70 anos atua para gerar impactos positivos na sociedade em territórios e setores estratégicos para a Bunge, fomentando a diversidade com promoção dos direitos humanos por meio da inclusão produtiva e do estímulo à economia de baixo carbono, estimulando a ciência e a preservação da memória. A Fundação é o pilar social da Bunge, líder mundial no processamento de sementes oleaginosas e na produção e fornecimento de óleos e gorduras vegetais especiais, que tem como propósito conectar agricultores a consumidores para fornecer alimentos, nutrição animal e combustíveis essenciais para o mundo. Site: fundacaobunge.org.br

*Com informações da Fundação Bunge

Infovia do programa Norte Conectado começa a ser implantada no Rio Madeira

A rede da Infovia deve atender órgãos públicos, como hospitais, escolas, unidades do Judiciário e das Forças Armadas, além de permitir que provedores privados ampliem a oferta de internet à população da região. Foto: Jadson Lima/Rede Amazônica AM

Mais de 700 mil pessoas em nove municípios do Amazonas e de Rondônia poderão ser beneficiadas com a implantação da Infovia 5, rede de fibra óptica subaquática que começou a ser instalada no Rio Madeira esta semana. A estrutura faz parte do programa Norte Conectado e vai ligar Autazes (AM) a Porto Velho (RO) por meio de 1.116 quilômetros de cabos instalados no leito do rio e outros 210 quilômetros de rede terrestre.

Segundo o Ministério das Comunicações, a infraestrutura da Infovia foi planejada para ampliar a conectividade em regiões da Amazônia onde o acesso à internet ainda é limitado. A rede deverá atender órgãos públicos, como hospitais, escolas, unidades do Judiciário e das Forças Armadas, além de permitir que provedores privados ampliem a oferta de internet à população. A internet não será gratuita, mas operada por um consórcio de empresas.

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O coordenador-geral de Projetos de Infraestrutura do Ministério das Comunicações, Ângelo Lorenzo explicou que as empresas interessadas em integrar o consórcio participarão de um chamamento público.

“Um projeto dessa magnitude não funciona se a gente não tiver uma estrutura bem pensada para operação e manutenção. Forma-se um consórcio que vai operar essas infovias. É um chamamento público. As empresas interessadas se cadastram nesse chamamento e formam um consórcio que vai ter entre três e 12 empresas. Esse consórcio terá um líder, que será a principal ponte de comunicação para garantir a operação e manutenção em nome do consórcio”, afirmou.

Segundo o representante do Ministério das Comunicações, metade da capacidade da rede da Infovia será destinada ao atendimento de órgãos públicos, enquanto a outra metade ficará disponível para exploração comercial pelos provedores.

“Essa infraestrutura foi desenhada para que metade da capacidade dela seja utilizada pelo consórcio, para exploração comercial, e a outra metade seja utilizada pelo poder público, para interligar escolas, hospitais, Forças Armadas e outros órgãos públicos”, disse.

Leia também: Programa Norte Conectado amplia acesso à internet na Amazônia com mais 3 mil quilômetros de cabo fibra óptica

Implantação

A primeira etapa do lançamento de cabos da Infovia 5 ocorre entre Autazes e Manicoré e deve durar entre 19 e 20 dias. O lançamento dos cabos é feito por uma balsa-plataforma adaptada para a operação, após estudos técnicos que definiram o trajeto da fibra óptica no fundo do rio.

De acordo com a Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável pela execução do projeto, o percurso foi definido com base em levantamentos sobre profundidade, tipo de solo, presença de formações rochosas e áreas sujeitas à seca, para reduzir o risco de danos à infraestrutura.

A CEO da EAF, Gina Marques, informou que o investimento na Infovia 5 está estimado entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões, e que deve beneficiar em torno de 700 mil pessoas. Segundo ela, os cabos possuem 24 pares de fibras ópticas, mas apenas um será utilizado inicialmente, permitindo futuras ampliações da capacidade da rede.

Navegação e garimpo

No Rio Madeira, um dos principais desafios é a intensa movimentação de embarcações e as dragagens realizadas para manter a hidrovia navegável. Além disso, segundo o diretor de Operações da EAF, Geraldo Segatto, a presença de garimpos ilegais na região também representa um fator de risco para a operação.

“O Rio Madeira é um rio muito diferenciado e um dos mais complexos de todas as infovias que a gente está fazendo pelo nível de navegação intensa. E outra preocupação nossa é que isso é bem complexo porque não dá para a gente prever”, afirmou.

Leia também: Portal Amazônia responde: por que o rio Madeira tem este nome?

No última dia 21 de julho, equipe esteve em área do Rio Madeira para instalação de tubulações subaquáticas para implementar a Infovia 5. Foto: Jadson Lima/ Rede Amazônica AM

Para reduzir esse risco, a EAF informou que, no trecho entre Manicoré e Porto Velho, os cabos serão enterrados em pontos considerados mais críticos, aumentando a proteção contra futuras dragagens e outras intervenções no leito do rio. No trecho entre Autazes e Manicoré, o cabo será apenas acomodado sobre o fundo do rio.

Segatto afirmou, ainda, que todo o trajeto dos cabos lançados no rio é georreferenciado e compartilhado com a Marinha e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), para que eventuais obras de dragagem em períodos de estiagem sejam planejadas sem comprometer a rede.

“Tem uma outra complexidade porque o rio na época da seca, diante do grande trânsito de embarcações, baixa muito e é necessário fazer dragagem para garantir que a hidrovia seja mantida. Atuamos junto à Marinha e DNIT . Após o lançamento dos cabos, compartilhamos informações com esses órgãos, disse.

Após a conclusão do lançamento dos cabos, serão instalados os Centros Móveis de Alta Disponibilidade (CMADs), estruturas que concentram os equipamentos responsáveis pelo funcionamento da rede. Os módulos utilizam energia solar e baterias para manter o serviço em funcionamento em caso de interrupção no fornecimento de energia elétrica.

*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica AM

Festival Zero 92 lança concurso de looks inspirados na Bandeira do Amazonas

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Artistas caracterizados com roupas alusivas a bandeira do Amazonas para o Festival Zero 92. Foto: Divulgação/Zero 92

O Festival Zero 92 anunciou uma novidade para sua segunda edição: uma competição de looks inspirados na Bandeira do Amazonas. A proposta busca valorizar a identidade cultural do estado e transformar o símbolo em expressão de moda e criatividade.

O evento será realizado no dia 25 de julho, a partir das 17h, no Mercado de Origem da Amazônia, em Manaus. A programação inclui música, arte, gastronomia e economia criativa. A entrada na pista será gratuita. Já o Camarote Caldeira terá acesso mediante compra da camisa oficial, disponível na plataforma Sympla.

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A disputa de looks será um dos destaques do festival. Os participantes devem criar produções autorais inspiradas nas cores e elementos da Bandeira do Amazonas. O concurso busca incentivar a criatividade e fortalecer a moda regional como forma de valorizar a cultura local.

“A proposta do concurso é incentivar o amazonense a vestir a nossa Bandeira do Amazonas com orgulho. Desde o ano passado, temos estimulado esse movimento e queremos que ele ganhe ainda mais força, fortalecendo o sentimento de pertencimento à nossa cultura. O Festival Zero 92 nasceu com o propósito de valorizar os símbolos amazonenses. E neste ano, o look mais criativo inspirado na Bandeira do Amazonas será premiado com um Pix de R$ 600 e um balde de cerveja”, explica Márcia Novo.

Festival Zero 92 lança concurso de looks inspirados na Bandeira do Amazonas
Criado pela cantora Márcia Novo, o Festival Zero 92 tem como objetivo colocar a cultura amazonense no centro da experiência, unindo música, arte e ocupação de espaços urbanos. Foto: Divulgação

Leia também: Como será a nova bandeira do Amazonas? Proposta de lei aprovada permite mudança histórica

Festival Zero 92 une culturas

A programação musical terá shows de Márcia Novo e da banda Água Cristalina, com participação de Vanessa Alfaia. O público também verá um tributo a Mustafá Said e Abílio Farias, com a Banda do Municipal. O festival contará ainda com o grupo “Maria Vai com as Outras”, participação de Sisi Rolim, Raízes Caboclas e os DJs Evandro Jr. e Raidi Rebello.

As Suraras do Tapajós, grupo indígena feminino de Santarém (PA), também participam do festival. Elas levam ao palco a força da música e da ancestralidade dos povos originários. A presença reforça o intercâmbio cultural entre Amazonas e Pará e destaca o protagonismo das mulheres indígenas na valorização da cultura amazônica.

Criado pela cantora Márcia Novo, o Festival Zero 92 tem como objetivo colocar a cultura amazonense no centro da experiência, unindo música, arte e ocupação de espaços urbanos. Na primeira edição, em 2025, o evento reuniu mais de 12 mil pessoas e se consolidou como plataforma de valorização dos artistas locais.

O Festival Zero 92 é fruto da parceria entre iniciativa privada, poder público e setor cultural. O evento é apresentado pela Samel Planos de Saúde e realizado pela Acauã Produções e Turismo. Conta com patrocínio do Mercado de Origem da Amazônia, Fundação Doimo, Amstel Lager e Coca-Cola. Tem apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, da Prefeitura de Manaus, via Manauscult, e da ONErpm. A promoção é da Rede Amazônica, com parceria do Bar Caldeira.

*Com informações da Rede Amazônica Amazonas

Amazon Sat transmite final da Copa da Floresta 2026 entre Manicoré e Benjamin Constant

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Duelo que vale título será no estádio Flávia Brandt de Oliveira, o Bacurauzão, em Manicoré. Foto: Laiza Balieiro/FAF

Clima de decisão na tela do Amazon Sat nesta sexta-feira (24/07). O canal do Grupo Rede Amazônica transmite a final da Copa da Floresta 2026 entre Manicoré e Benjamin Constant. A partida decisiva acontece às 20h, no estádio Flávia Brandt de Oliveira, o Bacurauzão, na cidade manicoreense, e terá exibição na TV aberta para cinco estados da região Norte e de forma online pelo Portal Amazônia.

Leia também: Copa da Floresta: 5 curiosidades sobre a maior competição de futebol amador da Amazônia

A cobertura contará com a narração de Kassio Junio, comentários de Dudu Monteiro de Paula e reportagens de Dayson Valente, além de participações especiais de João Fernandes, que vai trazer detalhes sobre a maior competição amadora de futebol da região Norte do Brasil. A transmissão inicia às 19h45, quinze minutos antes do confronto que vale o troféu da quarta edição da Copa da Floresta.

Amazonense Halbert Baia será o árbitro principal da final. Foto: Mateus Moreira/FAF

Para acompanhar na TV, é só sintonizar o Amazon Sat nos seguintes canais:

Manaus/AM: 44.1
Porto Velho/RO: 22.1
Rio Branco/AC: 31.1
Macapá/AP: 29.1
Boa Vista/RR: 23.1
Parintins/AM: 46.1

A transmissão também acontece online para todo do Brasil, através do portalamazonia.com e em tempo real pelo Globo Esporte Amazonas.

Arbitragem 100% amazonense e uso inédito do VAR

Para a final da Copa da Floresta 2026, a arbitragem será 100% amazonense. O árbitro principal da partida será Halbert Baia, acompanhado de Wilder Ayelo e José Leonardo, que atuarão como assistentes 1 e 2, respectivamente. Diego Santos será o quarto árbitro, enquanto Thamile Costa exercerá a função de quinta árbitra.

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E, pela primeira vez, será utilizado o árbitro de vídeo (VAR) na final inédita da Copa da Floresta Bemol. Adriana Costa será a árbitra de vídeo (VAR), Dimmi Yuri atuará como árbitro assistente de vídeo (AVAR), Rodrigo Novaes será o observador do VAR e Celso Rezende exercerá a função de Quality Manager.

Adquiridos pela FAF, equipamentos de árbitro assistente de vídeo (VAR) serão utilizados pela primeira vez na Copa da Floresta. Foto: Joedi Porto/FAF

Finalistas

As seleções de Manicoré e Benjamin Constant chegam invictas à final. O duelo reúne as duas melhores campanhas da competição e coloca frente a frente equipes que se destacaram pela regularidade ao longo do campeonato.

Do lado de Manicoré, a força defensiva é um dos principais trunfos. Em seis jogos, a equipe conquistou quatro vitórias e dois empates, marcou oito gols e sofreu apenas dois, a melhor defesa da Copa da Floresta Bemol.

Seleção de Manicoré na Copa da Floresta 2026
Seleção de Manicoré na Copa da Floresta 2026. Foto: Reprodução/Instagram-semjelmanicoré

Benjamin Constant chega com a mesma campanha, mas aposta no poder ofensivo. A seleção marcou 13 gols e sofreu quatro, consolidando um dos ataques mais eficientes da competição.

Seleção de Benjamin Constant na Copa da Floresta 2026. Foto: Reprodução/Instagram-Ligaesportivadbenjaminconstant

Além do troféu e medalhas, a final da Copa da Floresta também terá premiação em dinheiro. A seleção campeã receberá R$ 60 mil, enquanto a vice R$ 25 mil.

Balanço da Copa da Floresta

A Copa da Floresta Bemol 2026 mobilizou 51 seleções, distribuídas em oito regiões do estado e contabilizou 96 partidas até as semifinais. No total, foram marcados 277 gols ao longo da competição. O equilíbrio também marcou a campanha das equipes, com 75 vitórias e 19 empates registrados até a decisão.

Palhaçaria: história do teatro-circo em Manaus entre 2000 e 2010 é resgatada por dramaturgo

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Levantamento conduzido pelo artista Douglas Rodrigues reúne imagens, depoimentos e documentos sobre a expansão da palhaçaria e das linguagens circenses na cena teatral amazonense. Foto:

O diretor, encenador, dramaturgo e pesquisador Douglas Rodrigues iniciou uma investigação dedicada a reconstruir uma década da produção artística do teatro-circo em Manaus (AM). A pesquisa se concentra no período entre 2000 e 2010, momento marcado pelo encontro entre diferentes linguagens, pela expansão da palhaçaria e pela presença cada vez mais significativa de elementos circenses na cena teatral amazonense.

Desse processo nasce ‘Palhaçaria: Cartografia Visual do Teatro-Circo entre 2000 e 2010’, uma pesquisa de caráter histórico e documental que busca reunir imagens, depoimentos, trajetórias e experiências de artistas que contribuíram para transformar a cena das artes cênicas na capital amazonense. A obra está prevista para ser lançada no dia 27 de março de 2027, Dia Mundial do Circo.

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A iniciativa também dialoga com a trajetória de Douglas Rodrigues no campo da memória e da documentação cultural. Autor da trilogia dramatúrgica ‘O Outro Entre Nós’, o pesquisador participou ativamente da publicação de uma obra dedicada à memória de Ednelza Sahdo, uma das grandes referências do teatro amazonense, escrita pelo pesquisador e pedagogo Adailson Veiga.

Saiba mais: Ednelza Sahdo, a história da grande dama do teatro amazonense

Para a realização desta nova pesquisa, Douglas Rodrigues estabeleceu parceria com a produtora cultural Rafaela Guimarães, reconhecida por sua atuação e articulação no campo cultural do Amazonas.

“Na pesquisa, ela desempenha papel fundamental no encontro com artistas, gestores e personalidades diretamente envolvidos nas transformações estéticas ocorridas no teatro amazonense, especialmente a partir da incorporação das linguagens circenses à cena teatral”, coloca Douglas.

O trabalho parte da compreensão de que o diálogo entre teatro e circo não é um fenômeno recente. Ao longo da história das artes cênicas, importantes encenadores e pensadores do teatro moderno experimentaram elementos da linguagem circense em suas criações, aproximando o corpo, o gesto, o risco, o humor e a teatralidade popular das estruturas dramatúrgicas e da encenação.

A Trupe da Alegria e a palhaçaria nos hospitais

No Brasil, o circo desempenhou papel fundamental na democratização do acesso ao teatro popular. Entre o final do século XIX e meados do século XX, enquanto muitas companhias e grupos teatrais concentravam suas atividades nos grandes centros urbanos e em espaços formais de apresentação, o circo, por sua natureza itinerante, percorria cidades e comunidades levando ao público diferentes formas de expressão artística.

Em Manaus, o segmento ganhou novas configurações no início dos anos 2000. Artistas como Selma Bustamante, Socorro Andrade, Ana Cláudia Mota, entre outros nomes fundamentais, experimentaram e promoveram aproximações entre o teatro, o circo e a palhaçaria, contribuindo para uma significativa transformação da cena local.

Entre as experiências mais importantes do período está o projeto Trupe da Alegria, idealizado pela artista Socorro Andrade. A iniciativa ganhou estrutura institucional durante a gestão do então Secretário de Cultura Robério Braga, um dos entrevistados da pesquisa. A proposta levou a linguagem da palhaçaria para hospitais e espaços de atendimento à saúde.

Embora experiências semelhantes já existissem em outros estados brasileiros, a iniciativa desenvolvida no Amazonas buscou estabelecer uma estrutura própria de funcionamento, articulando a atuação artística com suporte institucional e acompanhamento profissional.

Segundo Robério Braga, a Secretaria de Cultura decidiu assumir e ampliar a proposta apresentada por Socorro Andrade, oferecendo as condições necessárias para sua execução.

“Não era uma novidade. A experiência já acontecia em outros estados, mas a nossa intenção era alcançar todas as frentes. Nós encampamos a ideia, patrocinamos e nos empenhamos para que funcionasse. Buscamos fazer de maneira mais eficiente, organizada e profissional. O nosso diferencial era contar com transporte próprio para o deslocamento da trupe, além do acompanhamento de assistente social e psicóloga junto aos artistas”, relembra Robério.

Palhaçaria: história do teatro-circo em Manaus entre 2000 e 2010 é resgatada por dramaturgo
Foto Bruno Lopes

O depoimento evidencia a importância das políticas públicas e da estrutura institucional para a consolidação de experiências artísticas continuadas. A Trupe da Alegria tornou-se parte de um movimento mais amplo de aproximação entre arte, saúde e humanização, inserindo a palhaçaria em espaços que ultrapassavam os limites tradicionais do palco.

Para a produtora Rafaela Guimarães, participar da pesquisa significa também conhecer uma parte da história cultural da cidade que permanece pouco documentada.

“Participar desta pesquisa, a convite de Douglas Rodrigues e da Associação Arte&Fato, é uma experiência enriquecedora para a minha trajetória como agente cultural. Conhecer os bastidores do teatro-circo de duas décadas atrás me permite reconhecer a importância e as significativas trajetórias dos artistas que nos antecederam”, diz ela. A realização do projeto tornou-se possível por meio de recursos da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e do Governo Federal.

A memória artística do Amazonas

A pesquisa reúne artistas, criadores, gestores e fazedores da cultura que participaram de um movimento de aproximação entre as teatralidades e as linguagens circenses. As experiências desenvolvidas naquele período abriram novas perspectivas estéticas, influenciaram gerações posteriores e contribuíram para modificar a compreensão sobre a presença do circo e da palhaçaria na cena cultural da cidade.

Entre as personalidades que integram a pesquisa está Selma Bustamante (in memoriam), uma das referências pioneiras do diálogo entre circo e teatro em Manaus. A artista chegou à capital amazonense integrando uma caravana vinculada à Fundação Nacional de Artes – Funarte e atuou com o grupo Vento-Forte, de São Paulo. Posteriormente, estabeleceu-se em Manaus, onde deixou importante contribuição para a formação e o desenvolvimento da cena artística local.

Sua relevância permanece reconhecida na memória cultural e acadêmica da cidade. Hoje, seu nome identifica um dos espaços laboratoriais da Universidade do Estado do Amazonas – UEA. Parte significativa de sua trajetória também foi registrada pelo fotógrafo Cesar Nogueira, que gentilmente cedeu imagens de seu acervo para integrar esta cartografia visual.

Selma Bustamante. Foto: César Nogueira
Selma Bustamante. Foto: César Nogueira

Formação, intercâmbio e ocupação dos espaços públicos

Um marco importante foi a conquista, pela Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte&Fato, de um dos primeiros prêmios nacionais destinados especificamente ao segmento circense: o Prêmio Carequinha de Estímulo ao Circo. A proposta contemplava intercâmbio artístico, montagem, oficinas e temporada do espetáculo “O Menino por Detrás das Nuvens”, texto do dramaturgo mineiro Carlos Nazareth, importante referência da dramaturgia brasileira voltada ao diálogo entre teatro e circo.

O processo também contou com intercâmbio com Francisco Alves, o PH, da Intrépida Trupe. As atividades formativas foram realizadas no Centro Cultural Largo de São Sebastião, no entorno do Teatro Amazonas, onde foi instalada uma estrutura destinada à realização de oficinas de técnicas circenses.

“A escolha do espaço público tinha um significado particular. Ao desenvolver atividades abertas no coração da cidade, o projeto aproximava a formação artística dos transeuntes e transformava o cotidiano urbano em ambiente de encontro e experiência cultural. O público deixava de ser apenas espectador previamente convocado para uma sala de espetáculos. A arte passava a encontrar as pessoas em seus trajetos cotidianos”, finaliza Douglas.

Presença de metais pesados em camarões ajuda pesquisadores a mapear garimpo ilegal no Amapá

O biólogo Jefferson Romário explicou que a análise dos tecidos dos camarões, sensíveis a poluentes, permite calcular os metais e mapear a rota da contaminação. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Pesquisadores usam camarões para identificar a contaminação causada pelo garimpo ilegal no Amapá. A análise dos crustáceos revela a presença de metais pesados como mercúrio, chumbo e arsênio. O material é retirado dos tecidos e da carapaça e examinado em laboratório.

A escolha dos camarões foi estratégica. Apesar de pequenos, eles são sensíveis à contaminação e absorvem diferentes tipos de poluentes. Como se reproduzem rápido, também são fáceis de capturar.

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Segundo o biólogo Jefferson Romário, a análise dos tecidos permite calcular a quantidade de metais e identificar a rota da contaminação. As amostras são coletadas em diferentes pontos dos rios do Amapá e mostram o impacto ambiental do garimpo ilegal.

“Os camarões possuem um alto poder de bioacumulação, de modo que qualquer contaminante presente na água pode ser absorvido por eles, ficando tanto nos tecidos quanto na carapaça. Por meio de experimentos específicos, conseguimos realizar essa quantificação. Uma vez coletados e manipulados em laboratório, conseguimos avaliar a quantidade de metais presentes e também analisar a histologia desses animais, observando assim os efeitos em nível laboratorial”, explicou o biólogo.

Presença de metais pesados em camarões ajuda pesquisadores a mapear garimpo ilegal no Amapá
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Camarões revelam riscos

Os resultados apontam grande quantidade de metais pesados nos camarões, considerando o tamanho do organismo. Isso alerta para o risco de consumo por comunidades ribeirinhas.

“É uma concentração elevada para o tipo de organismo com o qual trabalhamos, já que ele apresenta capacidade de bioacumulação. Assim, à medida que se consome mais camarões, ocorre o acúmulo desses contaminantes no próprio organismo humano. Atualmente, conseguimos observar que os rios estão contaminados, evidenciando uma forte pressão antrópica, a qual pode ser detectada pelos camarões como indicadores da degradação ambiental”, destacou Jefferson.

O estudo deve ajudar a identificar áreas contaminadas e incentivar políticas públicas no Amapá. A pesquisa é feita em parceria entre a Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e a Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Garimpo ilegal no Amapá

Em 2026, a Polícia Federal (PF) já realizou três operações contra o garimpo ilegal no Amapá. A mais recente ocorreu no Santuário das Árvores Gigantes, área de floresta entre Laranjal do Jari (AP) e Almeirim (PA). O Santuário preocupa autoridades, que reforçaram o combate ao avanço do garimpo na região.

Em setembro de 2025, organizações ambientais alertaram que sete árvores gigantes da espécie angelim-vermelho, com mais de 80 metros de altura, correm risco de desaparecer no Amapá devido ao avanço do garimpo ilegal.

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Presença de metais pesados em camarões ajuda pesquisadores a mapear garimpo ilegal no Amapá
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Outro foco da PF é o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Imagens registradas nesta segunda-feira mostram poças cavadas e contaminadas por minério dentro do Parque.

As investigações da PF mostram que organizações criminosas financiam a logística dos garimpos ilegais em áreas estratégicas. Os principais pontos de atenção são Oiapoque, Laranjal do Jari e Calçoene.

As quadrilhas não extraem apenas ouro, mas também cassiterita, mineral essencial para a indústria. O monitoramento das áreas é feito por satélite. Em alguns casos, só é possível medir o impacto quando a destruição já é extensa.

*Por Mariana Ferreira e Gabriel Morais, da Rede Amazônica AP

De cemitério a condomínio: residencial foi construído em antiga área de sepultamentos em Rondônia

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Um condomínio residencial na zona sul de Porto Velho foi construído onde funcionava o antigo Cemitério Cristo Redentor. Foto: Luiz Henrique Araújo/Acervo pessoal

Você sabia que uma área hoje ocupada por um condomínio na zona sul de Porto Velho (RO) já funcionou como cemitério público da cidade? O antigo Cemitério Cristo Redentor ficava na região do bairro Eletronorte, próximo ao Hospital João Paulo II, uma área que hoje é conhecida por concentrar imóveis em uma das zonas mais valorizadas da capital.

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A história começa em 1967, quando a Prefeitura de Porto Velho decidiu criar o Cemitério Cristo Redentor para substituir o então superlotado Cemitério dos Inocentes. A informação é apontada em uma pesquisa do historiador Luís Henrique Araújo.

Mas a mudança não foi imediata. Segundo o historiador, o novo cemitério ainda passou por obras de adaptação e só começou a funcionar de fato em 1970, quando passou a receber os primeiros sepultamentos.

O problema é que a escolha da área trouxe dificuldades logo nos primeiros anos. Durante o período de chuvas, o local alagava com frequência por causa do lençol freático alto. Isso prejudicava os sepultamentos e levantava preocupações sanitárias, já que havia risco de contaminação do solo e de poços rasos próximos.

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De cemitério a condomínio: residencial foi construído em antiga área de sepultamentos em Rondônia
Foto: Reprodução/Google Maps

Mesmo com adaptações, a situação não se resolveu. Em 1975, a Prefeitura decidiu desativar o cemitério para novos sepultamentos. A decisão foi oficializada no Decreto nº 641, de 20 de janeiro de 1975, que determinou a paralisação dos cemitérios dos Inocentes e do Cristo Redentor.

Na prática, isso significava que os dois espaços deixariam de receber novos enterros. O motivo era a falta de capacidade do Cemitério dos Inocentes e, no caso do Cristo Redentor, os constantes alagamentos e o alto custo de manutenção da área.

O próprio decreto cita que manter o funcionamento exigiria obras caras de drenagem, sem garantia de solução definitiva.

Com isso, a Prefeitura abriu um novo espaço de sepultamentos em outra área da cidade, às margens da estrada que dá acesso à Cachoeira de Santo Antônio, no rio Rio Madeira. A partir daí, os sepultamentos foram sendo interrompidos e o espaço começou a perder sua função original, acompanhando o crescimento urbano de Porto Velho.

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De cemitério a área residencial

Anos depois, o terreno passaria por uma transformação completa. Segundo o historiador, o processo de remoção dos corpos aconteceu de forma definitiva em 1982, sete anos após a desativação, em uma operação que envolveu a Prefeitura e empresas ligadas à Usina Hidrelétrica de Samuel.

A proposta era transformar a área em uma vila residencial planejada, destinada principalmente a funcionários da Eletronorte, como engenheiros e médicos.

O trabalho de exumação e transferência dos restos mortais começou com uma missa e reuniu familiares que acompanharam o translado. Cerca de 690 sepultados foram retirados do local e levados para o Cemitério Santo Antônio, processo que durou cerca de um ano.

No lugar do antigo cemitério, surgiu um conjunto residencial fechado, que ao longo dos anos se consolidou como uma área valorizada da zona sul de Porto Velho, marcada pelo crescimento urbano e pela expansão imobiliária da cidade.

*Por Vallery Sena, da Rede Amazônica RO

II Sarau das Artes – Música em Movimento reúne artistas amazonenses da música, poesia e dança em Manaus

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Foto: Divulgação/Fórum Setorial da Música do Amazonas

Manaus (AM) recebe a segunda edição do Sarau das Artes – Música em Movimento, iniciativa do Fórum Setorial da Música do Amazonas, no dia 31 de julho. O evento que transforma o palco do Teatro Gebes Medeiros, localizado na Avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, está marcado para iniciar a partir das 17h.

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O Sarau é um grande encontro de artistas, compositores, poetas, dançarinos e amantes da cultura regional. Com entrada gratuita, o evento reafirma seu compromisso com a valorização da produção artística independente, promovendo o intercâmbio entre diferentes linguagens e aproximando o público dos talentos que constroem diariamente a identidade cultural do Amazonas.

Segundo o produtor executivo Fred Farias, o sarau surgiu da necessidade dos artistas locais terem mais espaços para mostrar suas produções.

“A ideia surgiu em setembro do ano passado quando a cantora Wendy Lady trouxe a proposta para o Fórum Setorial da Música do Amazonas, baseada em sua experiência no Rio de Janeiro (RJ), onde participou de alguns eventos com esse escopo. O Fórum aproveitou totalmente a proposta e montamos um grupo de trabalho que buscou ajustar agenda e apoio para a realização”, conta.

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Assim, a programação foi pensada para reunir apresentações musicais, poesia, dança e momentos de participação do público por meio do tradicional ‘Microfone Aberto’, fortalecendo o caráter democrático e colaborativo do sarau.

Música, poesia, dança: arte amazonense viva

Entre as atrações confirmadas estão a soprano Carol Martins, o compositor Rodriggo Lima, representando o boi-bumbá autoral, a cantora Nadia Marques, o poeta Souza Junior Rezos, Cida Aripoia & Junior Xoque, o Grupo de Dança XV de Outubro, além das participações de Rojefferson Moraes, DJ Carapanã e diversas manifestações artísticas.

“A seleção de artistas é feita por convite pela equipe de organização e também por solicitação no próprio evento, quando estamos todos reunidos. A equipe é formada pelo Maestro Everaldo Barbosa (candidato a conselheiro na cadeira de Música do Concultura), Wendy Lady, Frank Roosevelt, Leina Regina, Denny Vira-lata, Neto Simões, Jorge Dias, Dinari Macuxi e eu”, explica Farias.

O Sarau das Artes tem como objetivo estimular a circulação da produção cultural amazonense, criar oportunidades para novos artistas e fortalecer o diálogo entre os diversos segmentos da arte, consolidando-se como um espaço permanente de expressão, formação de público e valorização da cultura local.

A organização reforça que a proposta é fazer do evento um ponto de encontro entre artistas e sociedade, incentivando o acesso gratuito à cultura e ampliando a visibilidade da música produzida no Amazonas.

A direção artística é do Maestro Everaldo Barbosa, com coordenação geral de Frank Roosevelt e produção executiva de Fred Farias, Wendy Lady, Jorge Dias, Dinari Macuxi, Denny Vira-lata, Leina Tavares, Neto Simões.

Medicinas indígenas no campo acadêmico são tema de palestra do Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia

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Turista no Centro de Medicina Indígena, o Bahserikowi, em Manaus. oto: Ivan Barreto

O Centro de Estudos do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) apresenta no dia 24 de julho, às 10h (horário Manaus), a palestra ‘O que são as medicinas indígenas e como estão sendo construídas no campo acadêmico e nas políticas públicas’, ministrada pelo pesquisador André Fernando Baniwa.

Ele é o Assessor Técnico em Medicinas Indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/Ministério da Saúde) e o evento será on line, coordenado pelo Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros Grupos Vulneráveis (SAGESPI) da Fiocruz Amazônia.

A atividade será transmitida via plataforma Teams, por meio deste link, utilizando o ID 296 112 277 061 556 e a senha de acesso NT9rD3Sx. A moderação será feita pelo pesquisador Fernando Jose Herkrath.

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Medicinas indígenas

Segundo o pesquisador, as medicinas indígenas são sistemas próprios de cuidado, cura e produção de saúde, baseados em conhecimentos ancestrais que articulam corpo, espírito, território, natureza e coletividade.

“No campo acadêmico, vêm sendo reconhecidas como saberes legítimos, especialmente por meio de pesquisas interculturais, da valorização das epistemologias indígenas e do diálogo entre ciência e tradição. Nas políticas públicas, sua incorporação ocorre principalmente no Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS), que busca respeitar práticas tradicionais e promover a atenção diferenciada. Esse processo fortalece a defesa dos direitos dos povos indígenas e a construção de modelos de saúde interculturais no Brasil”, explica.

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Medicinas indígenas no campo acadêmico são tema de palestra do Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia - pesquisador André Fernando Baniwa
Foto: Divulgação/Fiocruz Amazônia

André Baniwa

André é Assessor Técnico em Medicinas Indígenas na Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI/Ministério da Saúde), escritor, empreendedor social e liderança do povo Baniwa. É Agrozootécnico, Tecnólogo em Gestão Ambiental e Mestre em Sustentabilidade junto a Povos e Territórios Tradicionais pela Universidade de Brasília (UnB).

É o autor dos livros ’25 anos de gestão de associativismo da OIBI para o bem viver Baniwa e Koripako’ (2018) e ‘Bem viver e viver bem segundo o povo Baniwa no noroeste amazônico’ brasileiro (2019).

Centro de Estudos

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

*Com informações da Fiocruz Amazônia