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“O estado está presente, mas o sofrimento é muito grande”, afirma Leonardo Steiner sobre impactos do garimpo ilegal em terras indígenas

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Arte: Reprodução/Amazon Sat

Questionado sobre a atuação do Estado brasileiro no combate ao garimpo ilegal em terras indígenas, o presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), cardeal Leonardo Steiner, afirmou que as operações para retirada das atividades ilícitas estão sendo positivas, mas ponderou que a missão não é tão simples. A declaração do arcebispo de Manaus foi dada durante o programa Entrevistas, do canal Amazon Sat, que abordou os dados apresentados pelo Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025, divulgado pela entidade.

Em resposta ao jornalista Welliton Lopes, que comanda a atração, Leonardo comentou sobre a dificuldade do estado em retirar garimpeiros ilegais de áreas indígenas.

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“Existe por parte do Estado, da parte do Governo e do Executivo uma boa vontade e se tem feito muito, eu preciso reconhecer. Naturalmente, falando da terra Yanomami ela é enorme, tem uma extensão muito grande e as vezes é difícil o acesso. Então, como chegar no lugar que está presente o garimpo? Então, já houve a eliminação de muitos garimpeiros, mas o que se sente é que eles estão nas redondezas dos países vizinhos, no Rio Solimões”, afirmou o cardeal.

Leia também: Violência contra os povos indígenas: “números causam não só espanto, mas revolta”, comenta Leonardo Steiner

“As extensões são muito grandes”

Leonardo Steiner, cardeal, arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)., falou sobre os impactos do garimpo ilegal em terras indígenas
Leonardo Steiner, cardeal, arcebispo de Manaus e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Foto: Reprodução/Amazon Sat

O presidente do Cimi destacou que, apesar dos avanços relacionados ao combate do garimpo ilegal, muitos garimpeiros se deslocam para outras regiões do estado considerado de dimensões territoriais, o que acaba dificultando as fiscalizações.

“As extensões são muito grandes, naturalmente que eles saem de um lugar para o outro. Mas a Polícia Federal, o estado tem sido bastante ativo. Quantas embarcações foram afundadas, motores afundados, aviões queimados, maquinários destruídos, isso é sem conta. Eu creio que não podemos acusar o estado de não ação, é sinal que o estado está presente, mas o sofrimento em relação ao garimpo é muito grande”, frisou Steiner.

No entanto, o cardeal ressaltou que o problema do garimpo ilegal não é problema brasileiro, e sim de outros países localizados na Amazônia internacional.

“O garimpo não é só uma questão brasileira. Conversando com dois bispos da Bolívia, lá talvez seja um problema maior quanto à questão do mercúrio, nós sabemos que aqui também é um problema grave, mas lá é mais ainda porque são muitos garimpeiros”, finalizou Leonardo.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube. Assista o episódio aqui:

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT-4).

Moda que vem da floresta: conheça marcas autorais com criações inspiradas na Amazônia

Foto: Divulgação/Amazon Poranga Fashion

Dona da maior biodiversidade do planeta, a Amazônia também é vista como uma fonte rica em matérias-primas biológicas e sustentáveis. Setores como moda, design e cosméticos, por exemplo, vêm ganhando mais espaço no ramo dos bionegócios, através do uso consciente e sustentável dos recursos da floresta para criações autorais como biojoias, roupas, acessórios e outros produtos.

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Nos últimos anos, o mercado da moda autoral na Amazônia tem sido um dos destaques do empreendedorismo local, com o surgimento de várias lojas de biojoias, itens artesanais, peças autorais e demais criações regionais. Maioria desses empreendedores estiveram presentes Amazon Poranga Fashion, evento que une moda, criatividade e empreendedorismo regional, realizado no fim de agosto em Manaus.

Na ocasião, mais de 20 marcas autorais participaram da quarta edição do evento, que busca fortalecer a moda autoral e a economia criativa amazônica aproximando criadores, modelos, artistas e toda uma cadeia de profissionais que atuam na cadeia produtiva local. Conheça algumas dessas marcas autorais locais que transformam a identidade amazônida em criações que misturam tradição e contemporaneidade.

Leia também: Amazon Poranga Fashion une moda, cultura, criatividade e economia da Amazônia em Manaus

Ancestralidade indígena

Ateliê Yrá Tikuna (@atelie.yratikuna)

A ancestralidade indígena é um ponto forte do Ateliê Yra Tikuna. Com sede na aldeia Inhaã-bé, dentro de uma comunidade indígena multietnica localizada em Manaus, no Amazonas, o espaço trabalha com roupas, acessórios e moda indígena. A produção utiliza fibras e sementes coletadas e tratadas pelas próprias mulheres, valorizando conhecimentos ancestrais e fortalecendo o protagonismo feminino.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Wiratini (@tini.wra)

A artista visual Sarah Ferreira, descendente do povo Kokama, leva para suas criações perspectivas indígenas e da cultura nortista. Seu trabalho conecta conhecimentos tradicionais, questões ambientais e vida urbana, criando diálogos entre ancestralidade e arte contemporânea.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Sioduhi Studio (@sioduhistudio)

Com uma proposta de moda indígena futurista, a Sioduhi Studio transforma narrativas ancestrais em peças autorais. A marca combina artesania, tecnologias originárias e design contemporâneo, criando uma estética que aproxima memória, inovação e futuro.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Tecnologia e inovação

Gigantio (parceria Sioduhi Studio e Sapopema)

Idealizada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), a Gigantio conecta moda, conservação ambiental e inovação a partir do manejo sustentável do pirarucu na RDS Mamirauá.

As peças utilizam couro de pirarucu e contam com tecnologia de rastreabilidade em blockchain, permitindo acompanhar a origem da matéria-prima. A coleção foi desenvolvida em parceria com Sioduhi, da Sioduhi Studio, e Regina Ramos, da Sapopema.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Arévola Gallery (@arevolagallery)

A Arévola Gallery, comandada pela designer Thaís Arévola, pesquisa as possibilidades de utilização de fibras naturais amazônicas, como o curauá. A marca une pesquisa de materiais, técnicas artesanais e design contemporâneo para criar novas possibilidades para a moda produzida a partir da biodiversidade regional.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Souedo (@souedo_)

A Souedo trabalha na interseção entre moda, arte e imagem. A marca parte de memórias, territórios e deslocamentos para construir coleções que apresentam uma visão contemporânea e cosmopolita da Amazônia. Em uma das coleções apresentadas no APF, o tururi aparece combinado a estampas fotográficas, aproximando material amazônico, tecnologia visual e arte.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Joias que carregam a floresta

Rita Prossi (@ritaprossi)

Com mais de 30 anos de carreira, Rita Prossi é uma das referências do design de joias inspirado na biodiversidade amazônica. Filha de pais com heranças indígena, europeia e amazonense, encontrou nos mitos, lendas e elementos da região fontes para criações que unem cultura, preservação ambiental e sofisticação.

moda autoral criações inspiradas na amazonia
Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Ales Biojoias (@ales.design_am)

A Ales Biojoias transforma madeiras naturalmente caídas encontradas na região do Parque Nacional de Anavilhanas em joias autorais. Com mais de 20 anos de trajetória, a artista trabalha para revelar, em cada peça, as características únicas da madeira e da floresta.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Renata Sampaio (@design_renatasampaio)

A designer Renata Sampaio transforma elementos da natureza em acessórios e adornos. As criações carregam referências locais e buscam levar a identidade amazônica para além da região, unindo originalidade e valorização dos elementos naturais.

Foto: Pedro Furtado/Amazon Poranga Fashion

Amazon Poranga Fashion, maior plataforma de moda autoral da Amazônia

Criada em 2023, o Amazon Poranga Fashion é a principal plataforma da moda autoral e economia criativa do Amazonas. Unindo empreendedorismo e criatividade regional, o APF surgiu com o propósito de transformar o espaço numa vitrine nacional e internacional da moda produzida na Amazônia.

Desde a primeira edição, o evento já mobilizou mais de cinco mil pessoas entre estilistas, modelos, artistas, produtores e empreendedores culturais, com o objetivo de fortalecer a moda autoral amazônica e gerar emprego e renda para centenas de profissionais locais.

3º Amazon Poranga Fashion, realizado em 2025 no Largo de São Sebastião. Foto: Divulgação/Amazon Poranga Fashion

Ar seco provocado pelo El Niño volta a ameaçar peixes e anfíbios da Amazônia

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Ar seco proveniente das altas temperaturas causadas pelo El Niño já é sentida na região amazônica. Foto: Alessandro Falco/INCT Adapta

Efeitos do El Niño de 2026, com ar seco e temperaturas extremas, já são sentidos e podem continuar avançando em intensidade. O fenômeno está em fortalecimento e, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de chance de que se torne muito forte nos próximos meses.

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Ao mesmo tempo, os oceanos vêm registrando temperaturas excepcionais, o que vem deixando o ar seco. O Serviço Copernicus para Mudanças Climáticas, cuja série histórica começa em 1979, registrou em 22 de agosto temperatura média diária de 21,1ºC na superfície dos oceanos fora das regiões polares, um valor recorde.

Na bacia amazônica, as consequências associadas ao El Niño são bem conhecidas: períodos de estiagem mais severos, com queda abrupta no nível dos rios e impactos sobre a biodiversidade e os modos de vida dos amazônidas. O ar seco, por exemplo, vem preocupando quem mora na região.

Durante a seca histórica de 2023-24, também influenciada pelo El Niño e pelo aquecimento global, jornalistas e cientistas registraram altas mortalidades de peixes e até de botos cor-de-rosa, além de algumas das imagens mais impressionantes de grandes rios e lagos, outrora abundantes em água, reduzidos e com temperaturas acima daquilo que muitos animais conseguem suportar, o que vem deixando o ar seco mais evidente.

Leia também: Como as queimadas estão ameaçando a saúde da população?

Morte de peixes durante seca histórica em Manacapuru. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Em 2026, apenas dois anos depois da última seca extrema, a Amazônia já começa a vivenciar novamente condições excepcionais. Em 31 de agosto, Manaus viveu seu dia mais quente do ano (até o momento), chegando a 37,3ºC, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Agosto também foi marcado por pouca chuva e umidade relativa do ar muito baixa para os padrões locais. Em 10 de agosto, por exemplo, o Inmet registrou 41%, então o menor valor do ano.

Com uma frequência maior de fenômenos climáticos extremos, a pesquisa científica ainda busca entender exatamente de quais formas a soma de estiagens e ondas fortes de calor impactam a vida amazônica. Além dos animais, a população também tem sentido dificuldades de respirar devido ao ar seco que predomina no verão amazônico.

Pesquisas têm demonstrado, por exemplo, como os peixes da região são sensíveis ao aumento da temperatura da água, um dos fatores que ajudam a explicar as altas mortalidades observadas em períodos como este.

Veranico é o fenômeno meteorológico caracterizado pelo calor anormal e ar seco num curto período de tempo.
Ar seco é um dos principais fatores climáticos causados pelo El Niño. Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Porém, o aumento da temperatura é apenas um dos fatores de risco. Ainda pouco estudada, a baixa umidade relativa do ar acende um alerta menos evidente: o possível impacto sobre animais que dependem de uma superfície corporal úmida para respirar e manter seu equilíbrio hídrico, ou seja, conservar a quantidade de água necessária para que seu organismo funcione adequadamente.

Leia também: Calor extremo e seca: Amazonas pode enfrentar trimestre com calor extremo e menos chuva

Por que o ar seco é um problema para anfíbios e peixes?

Os anfíbios representam um dos grupos de animais mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas. A pele dos anfíbios, como sapos, rãs e pererecas, é fina, permeável e intensamente vascularizada. Isso ocorre porque a pele dos anfíbios é um órgão multifuncional: é por ela que esses animais absorvem água, regulam parte dos sais presentes no organismo e realizam parte da respiração, com trocas de oxigênio e dióxido de carbono (CO2).

Sobre essa pele existe uma camada de muco que ajuda a manter a hidratação da superfície cutânea, condição necessária para que os gases se difundam entre o ambiente e os vasos sanguíneos, além de contribuir para a proteção contra microrganismos e reduzir a perda de água por evaporação.

Quando a umidade relativa do ar diminui, aumenta a diferença entre a quantidade de vapor de água junto ao corpo do animal e aquela existente no ambiente. Como consequência, intensifica-se a perda de água por evaporação.

Além da desidratação, esse processo provoca alterações no equilíbrio entre água e sais no organismo e pode comprometer a eficiência da difusão de gases entre o ambiente e os vasos sanguíneos, resultando na queda da capacidade de trocas gasosas e dificultando a eliminação do CO2. É neste caso que o ar seco tem sido um fator complicador.

Uma das principais estratégias dos anfíbios para mitigar esses efeitos é procurar locais mais úmidos e frescos, onde a perda de água seja menor. Muitos também conseguem repor a água perdida diretamente pelo contato da pele com superfícies úmidas.

Em sapos, rãs e pererecas, essa absorção ocorre principalmente pelo ventre. Se o solo estiver úmido, a água passa do ambiente para o animal e ajuda a recuperar sua hidratação. Quando o solo seca, essa relação pode se inverter: o anfíbio deixa de conseguir se reidratar e pode começar a perder água para o próprio substrato.

Alguns peixes anfíbios enfrentam desafios semelhantes. Algumas espécies da família Rivulidae, grupo que inclui os chamados peixes-das-nuvens, conseguem deixar temporariamente a água. Há espécies capazes de permanecer por horas sobre folhas ou outras superfícies úmidas.

Leia também: Para proteger a Amazônia, Brasil precisa fortalecer suas universidades na Região Norte, defendem pesquisadores

Entre estes peixes, a pele pode assumir uma função importante nas trocas gasosas quando o animal está fora da água. Essa capacidade os ajuda a sobreviver em poças rasas, ambientes aquáticos com pouco oxigênio ou locais que secam periodicamente.

No entanto, condições mais secas podem reduzir o tempo durante o qual esses animais conseguiriam sobreviver fora d’água. Assim, uma alteração ambiental que parece pouco relevante aos olhos humanos pode representar um risco expressivo para espécies com estas características.

O problema pode ser ainda mais complexo porque o calor e a estiagem também alteram os próprios ambientes aquáticos. A redução das chuvas e o aumento da evaporação diminuem o volume de água, elevam sua temperatura e podem reduzir a disponibilidade de oxigênio.

A baixa umidade do ar, associada ao calor e à estiagem, também acelera o ressecamento da vegetação e favorece a propagação de incêndios. Para peixes que utilizam a respiração cutânea fora d’água, isso representa uma dupla ameaça: aumenta a perda de água pela pele e reduz a disponibilidade de refúgios úmidos, além de expô-los aos efeitos do fogo e das cinzas sobre os ambientes aquáticos.

Aumento da temperatura é apenas uma parte do problema

Quando se discute o efeito das mudanças climáticas, o aumento da temperatura é apenas uma parte do problema. A redução da umidade, a maior perda de água para o ambiente e o desaparecimento de microambientes úmidos podem impor limites fisiológicos e comportamentais aos anfíbios antes mesmo que temperaturas extremas sejam atingidas.

Ilustração sobre a alta temperatura no planeta, causada pelo El Niño. Foto: Reprodução/Nasa

Para alguns peixes capazes de transitar entre ambientes aquáticos e terrestres, a questão pode ser semelhante. Sair de uma poça excessivamente quente ou com pouco oxigênio pode ser uma estratégia de sobrevivência. Mas o que acontece quando o ambiente fora da água também se torna excessivamente quente e seco?

Por este motivo, a ocorrência de umidade tão baixa em Manaus chama atenção para a necessidade de avaliar as alterações climáticas para além de seus efeitos mais conhecidos. Em uma região reconhecida pela abundância de água e pela elevada umidade, episódios extremos podem alcançar espécies adaptadas a condições ambientais muito diferentes daquelas produzidas pelos eventos recentes.

Monitorar simultaneamente a atmosfera, os ambientes aquáticos e as respostas fisiológicas dos organismos será essencial para compreender os limites da fauna amazônica diante de um clima cada vez mais extremo.


Autores

  1. Susana Braz-Mota – Doutora em Biologia de Água Doce, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA)
  2. Guilherme de Azambuja Pereira – Doutor em Zoologia, bolsista CNPq no INCT ADAPTA III
  3. Tiago da Mota e Silva – Doutor em Comunicação e Semiótica, bolsista CNPq no INCT-ADAPTA,, Instituto Nac

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation sob a licença Creative Commons, com a colaboração de três pesquisadores. Leia o original AQUI.

Locais históricos de Porto Velho, trilhos de Santo Antônio e Casarão dos Ingleses serão restaurados

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Espaços guardam a história da cidade de Porto Velho. Foto: Erisson Soares e Eduardo Freitas/Secom Porto Velho

Os trilhos de Santo Antônio guardam consigo a história dos destemidos pioneiros e trabalhadores da época. Já o Casarão dos Ingleses, iniciado no ciclo da borracha e construído no início do século XX, garantiu em muitas geraçoes, noites de muita música, dança e diversão, atravessando diferentes momentos em Porto Velho (RO). Ambos, fazem parte de uma história que ficou guardada por vários anos, encoberta pelo mato e corroída pelo tempo, mas isso muda agora.

A prefeitura já deu início aos trabalhos de limpeza e recuperação dos trilhos que percorrem um caminho desde a igreja de Santo Antônio até o Casarão dos Ingleses, que também está sendo totalmente reformado.

Os dois pontos serão parte de uma grande atração prevista para acontecer ainda no aniversário da cidade, em 2 de outubro, proporcionando à população uma viagem no tempo que promoverá lazer, turismo e um marco na comemoração.

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Trilhas de Santo Antônio e casãrão dos ingleses, espaços históricos de Porto Velho.
Trilhas de Santo Antônio e casãrão dos ingleses, espaços históricos de Porto Velho. Foto: Erisson Soares e Eduardo Freitas/Secom Porto Velho

O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, destacou a parceria que está contribuindo para que toda reforma seja entregue no período estimado.

“Resgatar esses locais que são tão importantes na história da capital me deixa muito feliz. Por isso estamos contando com todo apoio das nossas equipes, da SPU e com a parceria com Santo Antônio para entregar a melhor atração possível para os nossos munícipes”, completou o chefe do Executivo municipal.

Segundo o secretário de Turismo, esporte e lazer, Aleks Palitot, essa é uma forma de valorizar aqueles que viveram no passado e com dedicação criaram a história antes mesmo de saber que ela existiria.

“Precisamos nos lembrar do passado para poder apreciar o presente. Hoje vemos o quanto resgatar esses locais são tão necessários, ainda mais em uma data comemorativa da cidade. Isso representa muito e valoriza os nossos destemidos pioneiros”, afirmou.

Leia também: Casarão dos Ingleses: entenda o vínculo com a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Trilhas de Santo Antônio e casãrão dos ingleses, espaços históricos de Porto Velho. Foto: Erisson Soares e Eduardo Freitas/Secom Porto Velho

Entenda porque Porto Velho e Rondônia têm ‘dois aniversários’ cada

Tanto a capital quanto o Estado possuem duas datas cada em que celebram seu surgimento. Isso porque, no caso do município de Porto Velho, sua criação foi registrada em 2 de outubro de 1914, mas só em 1915 teve sua instalação. O mesmo caso ocorreu com o Estado.

Está confuso? Então confira a matéria do Portal Amazônia e conheça mais sobre este fato curioso.

*Com informações da Prefeitura de Porto Velho

MPF recorre para manter ação contra leilão de petróleo na Foz do Amazonas na Justiça Federal do Pará

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Foto: Antônio Augusto/MPF

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu para que a ação que contesta o leilão de blocos de petróleo na bacia da foz do Rio Amazonas continue na Justiça Federal em Belém (PA). No recurso, apresentado nessa quarta-feira (9) ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), o MPF busca impedir a transferência da ação para a Justiça Federal em Brasília.

A transferência havia sido determinada pela Justiça Federal no Pará para que o caso seja juntado a outro processo que tramita no Distrito Federal, movido por uma entidade da sociedade civil.

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No entanto, por meio de um agravo de instrumento (tipo de recurso usado para questionar decisões tomadas durante o andamento do processo), o MPF apontou que as duas ações têm objetivos e pedidos completamente diferentes, não havendo motivo legal para reuni-las. O principal argumento apresentado pelo MPF é a regra legal de que ações coletivas ambientais devem ser julgadas pela Justiça do local onde o dano pode acontecer.

A exploração de petróleo na foz do Amazonas afeta diretamente municípios litorâneos do Pará — como Belém, Afuá, Chaves, Anajás, Salvaterra, Soure, Santa Cruz do Arari, Ponta de Pedras, Cachoeira do Arari, Barcarena, Colares, São Caetano de Odivelas e São João da Ponta —, além de territórios habitados por povos indígenas e comunidades quilombolas e ribeirinhas, que dependem da pesca artesanal e dos recursos naturais marinhos.

Leia também: Ibama autoriza Petrobras a perfurar três novos poços na Foz do Amazonas

Ação quer manter caso sobre leilão de petróleo na foz do Amazonas na justiça do  Pará
Bacia da Foz do Amazonas. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

De acordo com membros do Grupo de Apoio ao Núcleo Povos da Floresta, do Campo e das Águas e Atuação Especializada Socioambiental (Gapovoss) do MPF, manter o processo no estado garante que a Justiça esteja mais próxima das pessoas e dos territórios afetados. A proximidade facilita a coleta de depoimentos, a produção de provas e a realização do diálogo com as populações tradicionais, como determinam as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Leia também: MPF pede suspensão de licença na Foz do Amazonas

Focos diferentes

No recurso, o MPF demonstrou que a ação que tramita em Brasília trata de um tema geral de transparência na divulgação de dados de emissões de gases de efeito estufa. Por sua vez, a ação do Pará aborda a realidade específica da foz do Amazonas e exige a realização de estudos prévios e a consulta aos povos da região antes do avanço de qualquer etapa.

Entre as exigências apontadas pelo MPF estão:

  • A realização de Estudo de Impacto Climático abrangente;
  • A elaboração da Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), uma análise ampla e estratégica da região antes da concessão de blocos;
  • A realização de estudos sobre os impactos nas comunidades indígenas, quilombolas e de pescadores artesanais;
  • A garantia do direito à Consulta Prévia, Livre e Informada às comunidades tradicionais, conforme estabelece a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
busca por petróleo segue no Amapá
Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras

O MPF também lembrou que a própria Justiça Federal em Belém já havia analisado e rejeitado, meses antes, esse mesmo pedido de envio do caso para Brasília. Pela lei processual, uma questão que já foi formalmente decidida pelo magistrado não pode ser rediscutida ou reexaminada sem fatos novos (regra conhecida juridicamente como preclusão).

Pedidos da ação

Diante do risco de avanço dos procedimentos burocráticos e de licenciamento de 19 blocos arrematados na 5ª Oferta Permanente de Concessão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o MPF pediu ao TRF1 uma decisão urgente (efeito suspensivo) para:

  • Anular a decisão que determinou o envio do processo para Brasília, mantendo a competência da 9ª Vara Federal de Belém;
  • Proibir o Ibama de iniciar processos de licenciamento ambiental para os blocos da foz do Amazonas arrematados até que sejam concluídos os estudos necessários e as consultas às comunidades;
  • Impedir a inclusão de novos blocos da região em leilões até o julgamento definitivo da ação.

O recurso fundamenta-se também em orientações internacionais recentes, como o Parecer Consultivo nº 32 da Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre emergência climática e recomendações do Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) e da ONU, que reforçam o dever de agir com precaução e de ouvir as populações antes da assinatura de contratos exploratórios.

*Com informações do MPF

Devastação na Amazônia pode quebrar maior “máquina de chuva” do mundo

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Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Uma máquina silenciosa trabalha constantemente para que milhões de pessoas na América do Sul tenham acesso a água, rios e plantações. Esse mecanismo se chama Amazônia e funciona da seguinte maneira: a umidade vinda do oceano produz chuva sobre a floresta; essa água é absorvida do solo pelas árvores, e lançada de volta na atmosfera em forma de vapor; o vento, então, espalha, esse vapor por todo o continente, fazendo chover em diversas regiões. 

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Marielos Peñaclaros destaca a importância do bioma durante TEDXAmazônia. Foto: Diego Aguilar

De acordo com a pesquisadora Julia Valentim Tavares essa é a principal infraestrutura hídrica da América do Sul e a maior “máquina de chuva” do planeta. Uma árvore adulta na Amazônia pode liberar para a atmosfera de 200 a 300 litros de água todos os dias. 

“Imaginem 400 bilhões delas trabalhando juntas todos os dias. Se pudéssemos tornar essa umidade possível, veríamos rios gigantes voando no céu. É o que nós cientistas chamamos de rios voadores.”

Marielos Peñaclaros, copresidente do Painel Científico pela Amazônia, entidade que reúne mais de 350 cientistas dedicados a estudar o bioma, destaca que a floresta é a coluna vertebral dos ciclos de água, nutrientes e carbono a níveis local, regional e global. 

“Em outras palavras, a Amazônia sustenta a vida, não só na região amazônica, mas no planeta como um todo”.

As duas pesquisadoras participaram da última edição do TEDxAmazonia, no final de agosto, no Equador. 

Alerta sobre a devastação da Amazônia

Além de frisar a importância desse sistema hídrico, as cientistas fizeram um alerta: a devastação da Amazônia já está afetando a “máquina de chuva”, e sua “quebra” seria catastrófica para todo o planeta.

De acordo com Marielos, atividades como a mineração e o narcotráfico, em conjunto com o desmatamento e as queimadas têm atingido diretamente a conectividade amazônica, fator central para a conservação do bioma.

“A Amazônia é um mosaico vivo de ecossistemas terrestres e aquáticos interconectados entre si, que abriga uma grande diversidade de culturas. Essas comunidades têm um relacionamento profundo e interdependente com os ecossistemas através dos seus modos de vida, práticas de manejo e conhecimento”.

Durante o TEDXAmazônia, Julia Valentim explica o chamado arco do desmatamento. Foto: Rodrigo Duarte

Segundo ela, os efeitos no clima já são mensuráveis, com evidências de que o desmatamento na Amazônia brasileira resulta em menos chuva em regiões do Brasil e da Bolívia. Em regiões desmatadas, a temperatura tem aumentado, e as épocas de seca estão ficando mais intensas e mais cumpridas.

Julia Valentim Tavares também está medindo esses efeitos a partir do interior das árvores da borda sul da Amazônia, o chamado arco do desmatamento, onde o volume de chuvas já diminuiu e a temperatura aumentou na última década. Ela investiga por quanto tempo essas árvores podem resistir às secas, antes que suas “cordas” internas sejam danificadas.

“Se o solo tem água, essa corda permanece intacta. Numa estação seca, o solo deixa de ter água e essa corda é tensionada. A atmosfera puxa para cima, o solo puxa para baixo, até a hora que essa corda se rompe. Se isso acontecer muitas vezes, em várias partes da árvore, essa árvore começa a literalmente morrer de sede.”

Aquecimento global

Nos últimos anos, a região também tem sofrido com os efeitos do aquecimento global. Em 2024, a Amazônia enfrentou a pior seca da sua história, por consequência do El Nino, fenômeno natural de aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação atmosférica, e tem se tornado mais intenso. 

Marielos destaca que 88% da bacia amazônia sentiu os efeitos dessa seca, que também interferiu na “máquina de chuva”. A capital da Colômbia, Bogotá, localizada na região dos Andes, sofreu desabastecimento de água. Em Quito, capital do Equador, que também está fora da Amazônia, a falta de água levou à cortes no fornecimento de energia elétrica. 

“A pergunta que todos deveríamos estar fazendo é:  De onde nasce a água de inúmeras cidades latinoamericanas? De onde nasce a água que usamos na agricultura, pecuária, indússtria, produção de alimentos?”, provocou a copresidente do Painel Científico pela Amazônia.

A seca também deixou a Amazônia mais vulnerável às queimadas, que foram recordes naquele ano. Julia Valentim Tavares lembra que a fumaça dos incêndios chegou a se espalhar pelo país e alcançar até a Região Sudeste. 

“Esse fato revelou duas coisas muito importantes. Primeiro: a Amazônia nunca esteve distante, o que acontece na floresta não permanece na floresta. E segundo: milhões de pessoas dependem da Amazônia, mas ainda assim não se sentem conectadas com ela.”

A previsão de que um super El Niño ocorra este ano alarmou as pesquisadoras. “Quando existem essas secas, a floresta ou tem mortalidade por falha hidráulica, ou para de crescer, somado com os eventos de fogo. Então, a Amazônia deixa de funcionar como um sumidouro de carbono e passa a ser um emissor, aumentando o aquecimento global”, alerta Julia. 

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Super El Niño?

“A gente está esperando que seja tão ou mais forte do que em 2024, mas a principal diferença é que da outra vez aconteceram coisas que ninguém estava esperando. Como um rio poderia secar na Amazônia? Agora, todo mundo está falando sobre isso”, enfatizou Marielos. 

De acordo com ela, a solução definitiva só será alcançada com a diminuição drástica das emissões de gases do efeito estufa, que depende sobremaneira da substituição dos combustíveis fósseis por fontes menos poluentes de energia. 

“Temos também que investir na conectividade. Restaurar as áreas degradadas, recuperar aquelas que foram desmatadas para produção, fazer essa reconexão ecológica. Porque a Amazônia já está se aproximando do ponto de não retorno, e a perda total dessa conectividade seria catastrófica para o mundo todo”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Tâmara Freire. A repórter acompanhou o TEDxAmazônia a convite da organização do evento.

Santarém é o único município da região Norte classificado em edital nacional sobre sistemas alimentares

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Edital sobre segurança alimentar classificou 22 municípios da região Norte e Centro-Oeste e Santarém ficou em primeiro lugar no bloco A. Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

Santarém (PA) é o único município da Região Norte classificado no resultado definitivo do Edital de Chamamento Público MDS/SESAN nº 02/2026, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A proposta apresentada pelo município, no valor aproximado de R$ 1 milhão, recebeu 63 pontos e conquistou o primeiro lugar no Bloco A, que reúne municípios e estados das regiões Norte e Centro-Oeste.

O resultado ganha ainda mais relevância diante da concorrência nacional. Ao todo, o MDS recebeu 310 propostas, das quais 289 foram efetivamente avaliadas. Após as etapas de análise e recursos administrativos, apenas 22 permaneceram classificadas nos três blocos regionais.

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A proposta de Santarém é voltada à promoção da transição de sistemas alimentares lineares para sistemas alimentares circulares, com foco na segurança alimentar e nutricional, na sustentabilidade, na redução de perdas e desperdícios e na valorização dos recursos e das potencialidades do território.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

O projeto foi construído conjuntamente pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtras) e da Câmara Intersecretarial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), com apoio da Fundação Cargill, por meio do Programa Raízes da Transformação. A elaboração também contou com o suporte técnico da Notriá, empresa especializada em segurança alimentar e nutricional, contratada pela Fundação Cargill para apoiar a construção da proposta.

Mário Aguiar atuou como ponto focal na articulação, elaboração e encaminhamento do projeto, contribuindo para o alinhamento da iniciativa aos critérios e objetivos do edital nacional.

A parceria reuniu conhecimento técnico, articulação institucional e experiência em segurança alimentar e nutricional, contribuindo para a estruturação de uma proposta adequada às características e potencialidades de Santarém.

Com a classificação, o município integra a convocação inicial para apresentar, no prazo máximo de 15 dias úteis, a documentação necessária à celebração do instrumento de repasse e as eventuais adequações ao plano de trabalho, conforme as regras do edital.

Para a secretária municipal de Trabalho e Assistência Social, Silvia Freitas, a classificação demonstra a capacidade de Santarém de apresentar projetos alinhados às necessidades do território e às novas estratégias de segurança alimentar.

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“Receber essa notícia é motivo de muita alegria e, ao mesmo tempo, de grande responsabilidade. Santarém apresentou uma proposta que foi avaliada e classificada em primeiro lugar no Bloco A e, de forma muito especial, somos o único município da Região Norte entre os classificados. Isso demonstra a qualidade do trabalho que vem sendo construído e o compromisso do município com políticas públicas que olham para a segurança alimentar de forma ampla, sustentável e inovadora. Estamos falando de reduzir desperdícios, valorizar os alimentos, fortalecer a produção e pensar em soluções que possam gerar benefícios para toda a população”, destacou Silvia Freitas.

A secretária executiva da Caisan, Roselene Andrade, ressaltou que o resultado reconhece uma proposta construída a partir da realidade do território santareno.

“Essa classificação em primeiro lugar é resultado de um trabalho construído com muito compromisso e olhar técnico para a realidade de Santarém. Sermos o único município da Região Norte classificado nesse edital demonstra que estamos conseguindo transformar as necessidades e potencialidades do nosso território em uma proposta consistente e competitiva. É uma agenda que precisa ser construída de forma integrada e que pode gerar impactos sociais, econômicos e ambientais importantes para o município”, destacou Roselene Andrade.

Silvia Freitas também ressaltou a importância da articulação entre diferentes políticas públicas e instituições parceiras para a construção de soluções permanentes.

“Essa seleção reforça que precisamos continuar buscando parcerias e oportunidades que permitam a Santarém avançar. O sistema alimentar envolve produção, abastecimento, consumo, sustentabilidade e proteção social. Quando conseguimos integrar essas áreas e contar com parceiros que agregam conhecimento e experiência, ampliamos nossa capacidade de construir propostas consistentes e enfrentar a insegurança alimentar. É um passo importante e vamos trabalhar para cumprir todas as etapas necessárias à formalização dessa parceria”, afirmou.

Classificação premia segurança alimentar santarena

Para o prefeito de Santarém, Zé Maria Tapajós, a conquista representa um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo município e reforça o compromisso da gestão com políticas públicas que promovam segurança alimentar, sustentabilidade e qualidade de vida para a população.

“Estar em primeiro lugar no nosso bloco e ser o único município da Região Norte classificado é motivo de orgulho para Santarém. Esse resultado reconhece a dedicação das nossas equipes e a contribuição dos parceiros que construíram essa proposta conosco. Queremos valorizar os alimentos produzidos na nossa região, reduzir desperdícios e fortalecer o cuidado com as famílias. Vamos trabalhar para cumprir as próximas etapas e viabilizar esse projeto, com responsabilidade e compromisso com a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável do município”.

Segurança alimentar é uma das políticas públicas mais trabalhadas na cidade de Santarém, no Pará. Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

O edital tem como objetivo apoiar iniciativas e atividades que promovam a transição para sistemas alimentares circulares urbanos. A proposta é estimular soluções que contribuam para o aproveitamento dos alimentos, a redução de perdas e desperdícios, a sustentabilidade e o fortalecimento das políticas de segurança alimentar e nutricional nos territórios.

Conforme o resultado definitivo, a convocação das propostas segue a ordem de classificação por bloco regional e considera o limite financeiro global previsto no edital. A celebração dos instrumentos de repasse está condicionada ao atendimento integral dos requisitos estabelecidos no edital e na legislação aplicável.

A classificação de Santarém representa um reconhecimento nacional da proposta apresentada e evidencia a contribuição da articulação entre o poder público, as instituições parceiras e os especialistas para a construção de soluções em segurança alimentar e nutricional.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Treinamento sobre babaçu reúne pesquisadores e quebradeiras de coco no Maranhão

Treinamento realizado no Laboratório de Processos Agroindustriais, na Embrapa Agroindústria Tropical. Foto: Verônica Freire

Seis representantes de associações de quebradeiras de coco babaçu do Maranhão participaram, nos dias 2 e 3 de setembro, de um treinamento sobre processamento de derivados do babaçu na Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE). A capacitação contou também com a presença de quatro representantes da Embrapa Maranhão, dois deles novos contratados da área de Engenharia de Alimentos: a pesquisadora Ludmilla Oliveira e o analista Gabriel Cicalese.

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Eles conheceram os pesquisadores que coordenaram o desenvolvimento da bebida vegetal e do análogo de queijo – Nedio Wurlitzer e Selene Benevides -, em projeto liderado pela pesquisadora Guilhermina Cayres, da Embrapa Maranhão. O treinamento realizado na Embrapa Agroindústria Tropical foi uma atividade no âmbito do projeto “Inovação e tecnologias de impacto social para a cadeia de valor do babaçu na Amazônia Maranhense”, financiado pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).

Segundo Cayres, a capacitação atende a uma demanda dos grupos de quebradeiras de coco, que já haviam passado pelo treinamento durante projeto anterior conduzido pelas duas Unidades. “Isso porque houve renovação das participantes das agroindústrias, então foi necessário realizar mais essa capacitação”, afirmou.

O chefe de P&D da Embrapa Maranhão, Joaquim Costa, e a bolsista Amanda Bergmann, nutricionista que integra equipe do projeto, estiveram também presentes.

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Técnicas e processamento do babaçu

Quebradeiras de babaçu no Tocantins melhoram produção, mas convivem com ameaças. Foto: Ingrid Barros
Quebradeira de coco babaçu. Foto: Ingrid Barros

Durante a programação, foram apresentadas técnicas de produção de bebida vegetal e análogo de queijo à base de babaçu. A pesquisadora Selene Benevides, que ministrou o treinamento ao lado de Nedio Wurlitzer, ressalta que as tecnologias abrem novos mercados para as famílias extrativistas.

Segundo ela, a fabricação de derivados de maior valor agregado amplia a competitividade comercial das pequenas agroindústrias comunitárias e fortalece o desenvolvimento local. A pesquisadora Ludmila Carvalho Oliveira destacou que a capacitação foi uma oportunidade para conhecer novas formulações e planejar a replicação desses treinamentos no Maranhão.

O chefe de P&D da Embrapa Maranhão, Joaquim Costa, destacou as trocas entre a pesquisa e o conhecimento tradicional e entre os pesquisadores das Unidades. “As quebradeiras de coco são bem atuantes, elas dão várias dicas, vários toques durante o preparo dos alimentos, acrescentando sua cultura. É uma construção participativa. Além disso, propicia interação entre as equipes técnicas da Embrapa, estreitando os laços e nutrindo parcerias. Iniciamos conversa sobre novos projetos conjuntos para desenvolvimento de ativos para a cadeia do babaçu”.

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A transição do extrativismo para o processamento de produtos tem impactado positivamente a renda e a autoestima das mulheres que vivem do babaçu. Para Antônia Vieira, vice-presidente da Associação Clube de Mães Lar de Maria, da comunidade de Pedrinhas (Itapecuru-Mirim, MA), o curso ajuda a aprimorar técnicas na agroindústria mantida pela entidade há 11 anos, que já produz pães, biscoitos, bolos e sorvetes.

Antônia explica que a fabricação da bebida e do análogo de queijo exige conhecimentos específicos, e a capacitação permitiu sanar dúvidas práticas e corrigir falhas de produções anteriores, garantindo melhor qualidade para as feiras e pontos de venda.

“Melhorou a renda e a nossa vida. Cerca de 90% da comunidade vive do babaçu e desses produtos, mesmo quem não está diretamente na agroindústria, pois trabalha na coleta das amêndoas. Aumentou nossa renda e nossa autoestima”, relata.

Outra participante, Vanessa Fonseca, vice-presidente da Cooperativa Mista dos Agricultores do Vinagre (também em Itapecuru-Mirim), conta que a entidade já desenvolveu cerca de 35 itens à base de babaçu, como brownies, chocolates e sorvetes. Para ela, a diversificação agregará ainda mais valor à matéria-prima, reduzindo a dependência do trabalho braçal de quebra do coco e incentivando o engajamento das associadas.

*Com informações da Embrapa Maranhão

EJA: Estados da Amazônia Legal registram queda na taxa de analfabetismo

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Foto: Wanderley Pessoa/MEC

O Brasil alcançou a menor taxa de analfabetismo da série histórica, de acordo com os dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C). Em 2025, o índice caiu para 4,9% entre a população de 15 anos ou mais, faixa etária incluída nas políticas de educação de jovens e adultos (EJA) nos estados da federação. 

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A superação do analfabetismo tem sido trabalhada pelo Ministério da Educação (MEC) por meio de uma série de ações vinculadas ao Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA (Pacto EJA), um conjunto de ações colaborativas, implementadas com a participação dos entes federativos, como o Cadastro da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA) – plataforma virtual criada para facilitar o acesso de pessoas que não tiveram a oportunidade de concluir a educação básica na idade regular.

Os dados da Pnad-C apontam que a taxa de analfabetismo de pessoas de 15 anos ou mais nos estados da Amazônia Legal saiu de:

20242025
Acre 9,4%8,9%
Amapá 5,4%4,5%
Amazonas 4,8%4,3%
Maranhão11,2%10,9%
Mato Grosso3,8%3,5%
Pará 6,6%6,2%
Rondônia5,2%5,1%
Roraima 3,8%3,4%

Dados sobre Tocantins ainda não foram divulgados.

encceja - amazônia
Foto: Reprodução

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Pacto EJA 

O Pacto Nacional pela Superação do Analfabetismo e Qualificação da EJA é uma política pública que tem como objetivos:

  • superar o analfabetismo e elevar a escolaridade;
  • ampliar a oferta de matrículas da educação de jovens e adultos (EJA) nos sistemas públicos de ensino, inclusive entre os estudantes privados de liberdade;
  • e ampliar a oferta da EJA integrada à educação profissional. 

*Com informações da Assessoria de Comunicação Social do MEC e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)

8 em cada 10 moradores do Norte relatam calor extremo como consequência de mudanças climáticas, aponta pesquisa

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69% dos brasileiros que vivem na região alegam que o clima mudou muito nos últimos 12 meses. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Uma pesquisa da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados mostra as consequências da mudança climática no Norte do país no último ano. De acordo com o levantamento, 79% dos moradores da região notaram temperaturas acima do normal e ondas de calor intenso nos últimos 12 meses. O percentual é o maior entre todas as regiões do Brasil e 27 pontos percentuais acima da média do país, de 52%.

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As chuvas excessivas e os alagamentos também foram percebidos por 26% de quem vive no Norte. Em seguida, seca prolongada (22%) e tempestade de vento (7%) também foram citados. Os entrevistados podiam escolher quantas opções quisessem.

8 em cada 10 moradores do Norte relatam calor extremo como consequência de mudanças climáticas, aponta pesquisa

Os moradores do Norte também foram os que mais perceberam o clima na região ficar mais extremo de alguma forma no último ano: para 91% dos entrevistados o clima no período mudou, sendo que para 69% mudou muito e para 22%, mudou um pouco. Apenas 7% disseram que não sentiram diferença e 3% não quiseram ou não souberam opinar.

“A pesquisa aponta que os moradores do Norte são os que mais estão sofrendo com os efeitos da mudança climática, principalmente no que diz respeito às fortes ondas de calor que atingem a região. Mais do que uma percepção sobre o futuro, os números mostram que eventos climáticos extremos já são uma experiência concreta para quem vive na região”, conclui o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.

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Junto com quem vive no Sul, os moradores do Norte são os que mais responsabilizam a humanidade pelos avanços dos efeitos climáticos extremos no país. Para 59%, as ações humanas são as únicas responsáveis pelo cenário atual, 3 p.p acima da média brasileira de 56%. Já 25% dos nortistas acreditam que as mudanças climáticas são fenômenos estritamente naturais e outros 13% acham que é uma junção das duas.

Moradores do Norte conhecem pouco El Niño

Apesar de apresentar o maior reconhecimento dos efeitos das mudanças climáticas entre todas as regiões, a pesquisa da Nexus aponta que os moradores do Norte sabem pouco sobre o El Niño.

Apenas 24% acompanham o tema, em maior (12%) ou menor (12%) escala, e 43% dos nortistas não sabem do que se trata o fenômeno, 7 p.p acima da média do Brasil de 36%. Outros 10% disseram que sabem o que é, mas não acompanham as notícias, 17% já ouviram falar, mas sabem pouco e 6% não souberam responder. O nível de desconhecimento é o maior do país junto com moradores do Nordeste.

O despreparo das cidades também é apontado por quem vive no Norte: 71% dos moradores acham que o lugar onde vivem não está nada preparado para as consequências dos efeitos climáticos extremos, maior percentual entre todas as regiões e 7 pontos percentuais acima da média brasileira de 64%. Outros 10% acham que está muito pouco preparado, 6% parcialmente preparado e 3% totalmente preparado. Um total de 11% não souberam responder.

Os moradores do Norte também demonstram preocupação com as consequências de fenômenos climáticos como o El Niño. Problemas de saúde causados por essas mudanças (79%) e aumento no preço dos alimentos (79%) foram citados como principais receios da população.

O aumento na conta de luz (78%), a vulnerabilidade das infraestruturas de onde moram (69%) e uma possível falta de água (68%) também são vistos como muito prováveis de acontecer para mais de ⅔ de quem vive na região.

Metodologia da pesquisa

Foram realizadas 2.000 entrevistas presenciais, com abordagem face-a-face domiciliar e coleta de dados georreferenciados. A pesquisa foi realizada com amostra representativa de todos os estados, controlada, estratificada e segmentada por sexo, idade, renda e região.

*Com informações da assessoria