Portal Amazônia responde: qual o correto, Ilha de Marajó ou Ilha do Marajó?

Especialista em língua portuguesa explica qual a forma gramaticalmente correta para denominar a ilha paraense.

Considerado ao maior arquipélago fluviomarinho do mundo, a Ilha do Marajó é um dos cenários ecológicos mais exuberantes do planeta, que reúne aproximadamente três mil ilhas e ilhotas. Banhada pela foz do rio Amazonas e o Oceano Atlântico, a região, no Pará, é composta de 16 municípios e possui cerca de 40 mil quilômetros de extensão.

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No entanto, bem longe de suas belíssimas paisagens e realidades contrastantes, uma questão em relação ao nome da região tem surgido nos últimos anos: é Ilha do Marajó ou Ilha de Marajó?

Para esclarecer esse tema, o Portal Amazônia conversou com o professor língua portuguesa do Instituto de Letras e Comunicação da Universidade Federal do Pará (UFPA), Alcides Fernandes de Lima.

DE Marajó ou DO Marajó: qual é o correto?

Segundo Alcides, ambas formas estão corretas e não trazem nenhum prejuízo gramatical à língua portuguesa.

“Do ponto de vista gramatical, as duas formas – Ilha do Marajó ou Ilha de Marajó – são absolutamente regulares, não há nada que as desabone do ponto de vista da gramática da língua portuguesa. Trata-se apenas de um fenômeno variável, natural da língua”, explicou o professor ao Portal Amazônia.

Leia também: Ilha do Marajó, o maior arquipélago de mar e rios do mundo

Especialista em variação linguística, terminologia e geossociolinguística do português brasileiro, Lima explica que o uso do artigo definido (o, a, os, as) antes de nomes próprios faz parte da cultura brasileira, diferente de outras línguas do mundo.

“O uso do artigo definido antes do nome próprio está relacionado a um fenômeno comum da língua portuguesa. Não é comum nas línguas do mundo, já que o artigo tem a função e definir e o nome próprio, por natureza, já vem definido. É um fenômeno variável, mas no caso do português, se usa”, frisou.

Importância da identidade linguística

Alcides defende, do ponto de vista linguístico, que o uso das duas formas também faz parte da identidade de comunidades pertencentes da região.

O professor aponta que uma eventual norma obrigatória feriria traços identitários e culturais da ilha.

“Os fenômenos variáveis são interessantes do ponto de vista linguístico, porque eles constituem traços identitários das comunidades de fala. Imagina, por exemplo, que uma normatização do nome da ilha fosse determinada para ‘Ilha de Marajó’ e que a forma ‘do Marajó’ fosse considerada errada. Essa imposição seria vista como um desrespeito à sua identidade linguística, cultural e histórica das comunidades. Por isso, o melhor é admitir os dois usos, dando preferência para o que é mais comum para a população”, concluiu o professor.

Habitante do ilha de marajó
Especialista conta que qualquer imposição para normatizar nome seria um ‘desrespeito’ à identidade das comunidades. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

Além de professor da UFPA, Alcides Fernandes de Lima também possui mestrado, doutorado e pós-graduação em Linguística, além da graduação em Letras e Artes. O docente atua no ensino e pesquisa das áreas de Língua Portuguesa e Linguística, com ênfase na Sociolinguística, Dialetologia e Socioterminologia.

Também é membro do Comitê Nacional do Projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) e ainda é sócio permanente da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Ilha do Marajó

Com uma área de 40.100 km², Marajó é considerada a maior ilha fluviomarinha do mundo (ou seja, ela é cercada por rios de um lado, e por mar do outro), banhada pelo rio Amazonas a oeste e noroeste, pelo oceano Atlântico ao norte e nordeste, e pelo rio Pará a leste, sudeste e sul.

A ilha destaca-se pela sua paisagem diferenciada, mesmo dentro da região amazônica, e é marcada por praias desertas de água salobra, igarapés e búfalos por toda a parte. Contando com uma população total de cerca de 250.000 habitantes, sua área está dividida atualmente em 15 municípios, sendo que o principal destes é Soure, com 22 mil habitantes, seguida de Salvaterra com 17 mil habitantes.

Sobre o nome Marajó, a teoria mais aceita sobre a origem, faz menção às observações dos indígenas nativos da ilha, que a denominaram de “Mibaraió”, e que em língua tupi significa “anteparo do mar” ou “tapamar”. 

Leia também: Natureza exuberante e cultura centenária colocam o Marajó na rota do turismo nacional e internacional

Ilha do Marajó é considerada o maior arquipélago do mundo, com cerca de 40 mil quilômetros quadrados de extensão. Foto: Reprodução/Prefeitura de Afuá-PA
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