Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá

Nesta primeira etapa, os trabalhos se concentram em cavernas localizadas no território quilombola do Igarapé do Lago do Maracá, em Mazagão. A iniciativa conta com apoio da comunidade local, que atua como guia dos pesquisadores.

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), em parceria com a Espeleonordeste (Sociedade Nordestina de Espeleologia), realizam um estudo inédito sobre cavernas e grutas na região da Serra do Laranjal, no sul do Amapá.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O projeto, chamado ‘Amapá Espeleológico: Prospecção e Topografia de Cavidades Naturais nas Microrregiões do Oiapoque e Mazagão – AP’, busca catalogar cavidades naturais e atualizar mapas e registros de GPS.

Nesta primeira etapa, os trabalhos se concentram em cavernas localizadas no território quilombola do Igarapé do Lago do Maracá, em Mazagão. A iniciativa conta com apoio da comunidade local, que atua como guia dos pesquisadores.

Leia também: Um mundo desconhecido: conheça as principais cavernas e grutas na Amazônia

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá
Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Entre as descobertas estão urnas funerárias indígenas datadas de cerca de 800 anos, já catalogadas em aproximadamente 20 sítios arqueológicos. A maioria corresponde às chamadas urnas maracá, consideradas patrimônio histórico e cultural. Essas cavernas já são conhecidas há 150 anos.

Objetivos e parcerias

O projeto tem como foco o mapeamento topográfico e a caracterização técnica das cavernas nos municípios de Mazagão, Calçoene e Oiapoque. As pesquisas se concentram em grutas conhecidas desde o século 19, mas que ainda carecem de documentação sistemática, muitas vezes associadas a contextos funerários e ritualísticos.

A iniciativa é liderada pela Espeleonordeste, com a expertise do arqueólogo e espeleólogo Daivisson Santos, em parceria com o NuPArq/IEPA e o IPHAN/Amapá, além do apoio da comunidade quilombola.

“A ideia também é que esse material, todo o mapeamento e todo o registro que for criado a partir desse projeto, sirvam para proteção desse território, a partir dessa relação que a gente tem estabelecido ao longo de 15 anos com a comunidade”, diz Lúcio Costa, gerente do Núcleo de Arqueologia do Iepa.

Leia também: Pará é o segundo estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas: 3.224

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Segundo os pesquisadores, o objetivo é garantir que essas cavidades sejam reconhecidas como patrimônio espeleológico nacional, protegidas tanto pela legislação ambiental quanto pela arqueológica.

“Esse projeto é de suma importância para nós, que vem fortalecer cada vez mais o nosso território. Por isso o Iepa está aqui sempre, no nosso território, fazendo o seu trabalho de pesquisa”, destacou José Hamilton, presidente da Associação da Comunidades Remanescentes do Igarapé do Lago Maracá.

Próximas etapas

A próxima fase do estudo está prevista para setembro, nos municípios de Calçoene e Oiapoque, com conclusão em 2027. Os resultados serão encaminhados ao ICMBio e ao Instituto Federal do Amapá (Ifam) para reconhecimento oficial.

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

As cavernas são consideradas bens da União e áreas de proteção permanente. Por isso, além de revelar segredos do passado, o estudo busca garantir que esses santuários subterrâneos sejam preservados para as próximas gerações.

*Por Francisco Pinheiro e Tatiana Guedes, da Rede Amazônica AP

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Nova análise revela extensão do desmatamento não autorizado no Brasil

Análise consolida dados de ASVs publicamente disponíveis, tornando a informação mais acessível para avaliar a conformidade legal em regiões impactadas pelo desmatamento no país.

Leia também

Publicidade