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Seis de 15 estados na lista de focos de calor e fumaça estão na Amazônia Legal

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El Niño facilita fogo e fumaça e atenção para prevenção e cuidados precisa ser mais intensa. Fumaça em Rio Branco (AC). Foto: Pedro Devani/Secom AC

O informe semanal Monitoramento de Incêndios Florestais para Vigilância em Saúde, divulgado na terça-feira (21), reúne informações sobre focos de calor, qualidade do ar e população potencialmente exposta à fumaça, permitindo acompanhar os possíveis impactos dos incêndios florestais na saúde da população.

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A publicação integra o AdaptaSUS, Plano Nacional de Adaptação do Setor Saúde às Mudanças Climáticas, e oferece informações para subsidiar a atuação das equipes de vigilância em saúde e do Sistema Único de Saúde (SUS) diante dos efeitos de eventos climáticos sobre a saúde.

Neste período, 15 estados entraram na lista de 1.153 focos de calor, sendo seis deles localizados na Amazônia Legal. As unidades mais afetadas estão apresentadas no gráfico a seguir:

Seis de 15 estados na lista de focos de calor e fumaça estão na Amazônia Legal
Imagem: Reprodução/MS

O que são focos de calor?

Acesse a publicação

O monitoramento ocorre durante a atuação do El Niño, fenômeno climático que pode alterar os padrões de chuva e temperatura no país. Dependendo da intensidade e da região, o fenômeno pode favorecer períodos de estiagem, temperaturas mais elevadas e condições propícias à ocorrência e propagação de incêndios florestais. A redução da umidade do ar também pode intensificar os efeitos da fumaça sobre a saúde.

Recomendações gerais

• Acompanhar previsões meteorológicas, boletins e alertas oficiais sobre queimadas e qualidade do ar.
• Manter acessíveis os contatos de emergência (resgate, atendimento médico, bombeiros).
• Seguir as instruções dos órgãos locais de gerenciamento de emergências.
• Aumentar a ingestão de água e líquidos para manter as vias respiratórias hidratadas e protegidas
• Planejar a redução das saídas de casa e, se necessário, providencie a estocagem de suprimentos essenciais como alimentos e remédios.
• Para saídas necessárias, orientar sobre o uso preferencial de máscaras do tipo N95, PFF2 ou P100, que devem ser utilizadas corretamente, cobrindo nariz e boca, e ajustadas ao rosto. A máscara deve ser mantida limpa, seca e substituída sempre que estiver danificada, úmida ou com uso prolongado. No entanto, a principal recomendação continua sendo a permanência em ambientes internos bem protegidos da fumaça.
• Planejar as atividades diárias com base nas informações oficiais sobre os horários de maior ocorrência de fumaça no intuito de minimizar a exposição.

Em circunstâncias extremas, uma das recomendações é o uso da máscara facial.

• Evitar esforços físicos pesados e exercícios ao ar livre quando a qualidade do ar estiver comprometida pela fumaça. Recomenda-se, ainda, evitar atividades físicas em horários de elevadas concentrações de poluentes do ar, e entre as 12 e 16 horas, quando as
concentrações de ozônio são mais elevadas.
• Manter portas e janelas fechadas em residências, escolas e ambientes de trabalho nos períodos de maior poluição. A permanência deve ser em local ventilado, preferencialmente com ar-condicionado ou purificadores de ar.
• Ao dirigir, manter as janelas fechadas e o ar-condicionado em modo de recirculação.

Foto: Jullie Pereira/InfoAmazonia

Não atiçar o fogo

• Evitar atividades que aumentem a poluição do ar intradomiciliar, como:
– preparo de alimentos em fogões à lenha ou outros tipos de fornos que utilizem energia não limpa como combustível (madeira, carvão, restos de vegetais, querosene, etc.) ou que tenham sistema de exaustão deficiente;
– aquecimento e iluminação da casa com lareiras à lenha, vela, lamparinas etc.;
– uso de tabaco (cigarro).
• Redobrar a atenção ao dirigir quando a visibilidade estiver alterada pela fumaça. Caso seja absolutamente essencial dirigir, manter as janelas fechadas e ligar o ar condicionado no modo de recirculação para evitar a entrada de ar contendo fumaça no interior do veículo.
• Para usuários de ar-condicionado, instruir sobre a importância de fechar a entrada de ar externo e manter os filtros limpos.
• Orientar para que a limpeza de cinzas seja feita com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de pó comuns que podem dispersar partículas finas.
• Realizar aceiros (desbaste de um terreno em volta de propriedades, matas e coivaras) preventivos para impedir propagação de incêndio. A largura do aceiro é ditada pelo tipo de vegetação, o terreno, a intensidade do incêndio e as condições climáticas.

Limpeza de cinzas deve ser feita com panos úmidos, evitando o uso de aspiradores de pó comuns que podem dispersar partículas finas

• Nunca atirar bitucas ou cigarros ou fósforos acesos na vegetação.
• Não soltar balões ou fogos de artifícios.
• Não acender fogueiras.
• Não transportar ou manusear líquidos inflamáveis;

Recomendações para crianças e idosos

• Crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 anos e gestantes devem redobrar a atenção às recomendações gerais e buscar atendimento médico ao primeiro sinal de sintomas respiratórios ou outras ocorrências de saúde.
• Indivíduos com comorbidades (cardíacas, respiratórias, imunológicas) devem ser orientados a buscar atendimento para atualizar seus planos de tratamento, manter medicamentos disponíveis, procurar auxílio médico em caso do agravamento do quadro clínico e considerar, se possível, o afastamento temporário das áreas afetadas.

Partículas danosas

Entre os indicadores acompanhados está o material particulado fino (MP2,5), um tipo de poluente atmosférico formado por partículas muito pequenas, com diâmetro de até 2,5 micrômetros, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório e associado a impactos respiratórios e cardiovasculares.

A partir das informações reunidas no informe, é possível identificar municípios e regiões com maior exposição à fumaça e que demandam atenção das equipes de vigilância em saúde, especialmente quando há persistência de níveis elevados de poluição do ar. Os dados também permitem dimensionar a exposição de grupos mais vulneráveis, como crianças e pessoas idosas.

A exposição prolongada a altas concentrações de MP2,5 pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares preexistentes e aumentar a ocorrência de atendimentos e hospitalizações. Por isso, o monitoramento das condições ambientais contribui para orientar medidas de prevenção, comunicação de risco e organização da resposta do SUS.

El Niño

O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, está em curso e tem previsão de permanência até o início de 2027. As projeções indicam a possibilidade de alterações nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do Brasil nos próximos meses.

Leia também: Entenda as previsões para o Super El Niño em 2026, que promete ser o mais intenso da década

Para o trimestre de julho, agosto e setembro de 2026, as previsões indicam chuvas acima da média na Região Sul e abaixo do esperado no Centro-Norte do país, além de temperaturas mais elevadas que o normal em praticamente todo o território nacional. O cenário pode aumentar a possibilidade de ondas de calor, períodos de estiagem e ocorrência de incêndios florestais em áreas mais secas.

Historicamente, episódios de El Niño provocam impactos diferentes conforme a intensidade do fenômeno e a região do país. Entre os efeitos observados estão alterações no regime de chuvas, períodos de calor intenso, estiagem e, em algumas áreas, ocorrência de chuvas intensas e enchentes.

O Ministério da Saúde também dispõe de outras ferramentas para acompanhar os efeitos dos eventos climáticos sobre a saúde. Entre elas está o Painel de Excesso de Calor, que monitora diariamente as condições térmicas nos municípios brasileiros. As informações apoiam a identificação de áreas com maior risco para a saúde e subsidiam a emissão de alertas e o planejamento de ações de vigilância e assistência durante períodos de calor intenso.

Como reduzir os impactos da fumaça dos incêndios florestais?

A fumaça dos incêndios florestais pode afetar a saúde, especialmente em períodos de piora da qualidade do ar. Para orientar a população, o Ministério da Saúde disponibiliza o documento “Queimadas e Incêndios Florestais – Alerta de Risco Sanitário e Recomendações para a População” , que reúne medidas para reduzir a exposição à fumaça e seus impactos.

*Com informações do Ministério da Saúde

Secretário Guilherme Checco apresenta novas medidas para desenvolvimento sustentável na BR-319

Arte: Reprodução/Amazon Sat

A implantação de um núcleo de bioeconomia, a instalação de portais de monitoramento e a situação das novas pontes construídas ao longo da BR-319 estiveram entre os temas abordados pelo secretário-executivo adjunto do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Guilherme Checco, durante conversa no programa ‘Entrevistas‘, exibido pelo canal Amazon Sat.

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O secretário apresentou as ações previstas para conciliar a recuperação da rodovia com medidas de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental.

entrevistas - ep4 br-319, com guilherme checco
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Bioeconomia na BR-319

Durante a entrevista, Checco afirmou que o governo federal trabalha na implantação de um núcleo de bioeconomia ao longo da BR-319, iniciativa que contará com recursos do Fundo Amazônia e busca incentivar atividades econômicas sustentáveis na região.

“Temos uma capital, Manaus, que a gente coloca que está no coração da Amazônia e essa BR liga Manaus a Porto Velho, então tem essa perspectiva social pela infraestrutura, mas nós vamos além disso, com ofertas de políticas públicas para viabilizar emprego, renda e atividades econômicas sustentáveis ali naquela região. Alguns já estão acontecendo. O Governo Federal já colocou na rua dois editais para concessão de manejo florestal. Uma na Gleba Castanho e a outra na Floresta Nacional Balata Tufari”, explicou.

Portais e infraestrutura

O secretário também comentou o planejamento para instalação de portais ao longo da rodovia, que deverão integrar as estratégias de monitoramento e gestão do corredor da BR-319.

“Toda essa estratégia foi montada com as equipes de todos os órgãos, Polícia Federal, ICMBio, Ibama, entre outros, em articulação com o Governo do Estado [do Amazonas]. Eles desenharam detalhadamente essa estratégia e esses pontos de atuação. Uma base de agência multifuncional que permitirá a atuação contínua desses agentes lá em Humaitá. Além disso os três portais […] e como dissemos anteriormente, essa PPP”.

Leia também: Guilherme Checco explica como funciona o monitoramento de assentamentos ao longo da BR-319

Sobre a infraestrutura da estrada, Guilherme Checco abordou a situação das pontes construídas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e o papel dessas estruturas no processo de recuperação da rodovia. “Recentemente houve o colapso de duas dessas pontes e, com isso, a viabilidade de trânsito na região da BR-319 ficou ainda mais difícil, necessitando de uso de barcos”.

“Temos algumas pontes que já estão sendo licenciadas pelo Ibama e que serão construídas pelo Dnit. O próprio presidente Lula esteve na região semanas atrás, inaugurando uma dessas pontes. Além disso o Dnit está iniciando um processo de contratação para uma melhoria pontual da rodovia. Isso não significa ainda o asfaltamento. É uma melhoria modesta, mas que vai melhorar a trafegabilidade”, explica.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Guilherme Checco explica como funciona o monitoramento de assentamentos ao longo da BR-319

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O secretário-executivo adjunto do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Guilherme Checco, afirmou que o governo federal tem intensificado o monitoramento da BR-319 para identificar assentamentos, ocupações irregulares e áreas mais suscetíveis ao desmatamento ao longo da rodovia. A declaração foi feita durante conversa no programa ‘Entrevistas‘, exibido pelo canal Amazon Sat.

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“A situação é de fato complexa e tem diferentes realidades. Já foi feito todo um mapeamento dos 26 mil Cadastros Ambientais Rurais, os chamados CAR. O CAR é um instrumento previsto na nossa legislação. É uma exigência tanto pros proprietários quanto para os posseiros rurais. Já foi feito pelo Governo Federal, junto ao Ministério de Inovação e do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima, em articulação com o Governo do Amazonas, um mapeamento, um raio-x, de cada um desses 26 mil Cadastros. E a partir disso o Governo já está operando”, afirmou o secretário.

Leia também: “Plano BR-319 sustentável tem a cara do Governo Lula”, diz Guilherme Checco

Presença do estado ao longo da rodovia

Durante a entrevista, Guilherme Checco explicou que o governo além de realizar um diagnóstico detalhado das áreas localizadas às margens da BR-319, para compreender a dinâmica de ocupação do território e direcionar as ações de fiscalização e ordenamento fundiário, também terá sua presença através de outros órgãos.

entrevistas - ep4 br-319, com guilherme checco
Guilherme Checco é um dos convidados do programa Entrevistas. Foto: Reprodução/Amazon Sat

Segundo Checco, esse levantamento permite identificar assentamentos, ocupações irregulares e regiões com maior pressão sobre a floresta e, com a presença do estado na região, a situação pode ser ordenada.

“Na frente de trabalho de segurança pública, por exemplo, nós instalamos uma agência multifuncional, com uma infraestrutura onde diferentes órgãos do estado estarão lá presente: Polícia Federal, Polícia Federal Rodoviária, Ibama, ICMBio, Incra. E além disso serão construídos três portais ao longo da rodovia. Mas como a área é complexa e muita grande, há um planejamento de uma PPP (Parceria Público Privada), que não substitui as funções do estado, mas ela vai estar lá em tempo real, para auxiliar as ações do estado”, declarou Guilherme Checco.

De acordo com Checco, apesar da decisão pela PPP que ainda será contratada, não haverá ônus para as pessoas e empresas.

“Não haverá pedágio, isso é um esclarecimento importante. Ou seja, é o Governo Federal que irá pagar por esses serviços integralmente. E a segunda inovação é que dentro desse mesmo contrato com um ator privado, que poderá se consorciar, terá algumas responsabilidades de apoio as ações de proteção ambiental”, acrescentou.

A BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é considerada estratégica para a integração da Região Norte. Ao mesmo tempo, a recuperação da rodovia mantém o debate sobre temas como regularização fundiária, combate ao desmatamento, fiscalização ambiental e desenvolvimento sustentável na Amazônia.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Estudo aponta características que demonstram presença contínua de populações e uso do território em municípios do Médio Amazonas

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Foto: Divulgação

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por meio do projeto Atlas ODS Amazônia e do Instituto Acariquara, identificou evidências de ocupação humana consolidada e da existência de atividades econômicas estruturadas há décadas em municípios do Médio Amazonas.

O levantamento analisou a região que compreende Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará e mapeou atividades produtivas, estruturas sociais, organizações comunitárias e características econômicas que demonstram a presença contínua de populações e o uso do território ao longo do tempo.

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Os resultados mostram que a região abriga atividades econômicas historicamente estabelecidas, incluindo agricultura familiar, pesca, extrativismo, produção de farinha, manejo florestal, pecuária e cadeias ligadas à sociobiodiversidade amazônica. O estudo também registra a presença de associações comunitárias, cooperativas, organizações de produtores e outras estruturas sociais que ajudam a compreender a dinâmica de ocupação e do desenvolvimento dos municípios. 

Segundo o coordenador do estudo, Danilo Egle Santos Barbosa, o levantamento permitiu ampliar a compreensão sobre a trajetória histórica da região a partir da combinação de dados oficiais, pesquisas de campo e escuta de moradores e lideranças locais.

“O estudo mostra que esses municípios possuem uma longa trajetória de ocupação e organização econômica e social. Ao reunir dados históricos e relatos das comunidades, foi possível entender como essas atividades se desenvolveram ao longo do tempo e continuam presentes na dinâmica econômica da região”, afirma.

Além de recuperar elementos da formação histórica dos municípios, o mapa identificou potencialidades já consolidadas em diferentes cadeias produtivas. Entre os destaques estão a produção de guaraná orgânico certificado em Urucará, a cadeia do tucumã e o manejo florestal em Itapiranga, a produção de farinha e iniciativas ligadas à bioeconomia em Silves e o fortalecimento de atividades associadas ao turismo de base comunitária e à sociobiodiversidade em São Sebastião do Uatumã. 

município de silves, no amazonas
Município de Silves, no Amazonas. Foto: Divulgação

Leia também: Ranking mostra quais municípios da Amazônia Legal tem melhor e pior desempenho de qualidade de vida

Potencialidades e desafios dos municípios

O levantamento também identificou oportunidades para o fortalecimento de atividades ligadas à bioeconomia, ao turismo de base comunitária, à agricultura familiar e ao empreendedorismo local. As vocações econômicas observadas nos quatro municípios revelam potencial para ampliar a geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.

Ao mesmo tempo, os pesquisadores destacam que a região ainda enfrenta desafios estruturais importantes. O estudo aponta gargalos relacionados ao saneamento básico, acesso ao crédito, logística e qualificação técnica, indicando a necessidade de políticas públicas e investimentos voltados para o fortalecimento das capacidades já existentes nos territórios.

Entre os exemplos identificados está Itapiranga, que apresenta taxa de escolarização de 98,45% entre crianças de 6 a 14 anos, mas ainda registra indicadores reduzidos de acesso a serviços de saneamento.

Integração regional

Outro resultado do estudo foi a identificação de características e vocações compartilhadas pelos quatro municípios, especialmente nas áreas de bioeconomia, turismo de base comunitária, agricultura familiar e organização comunitária.

A partir desse diagnóstico, os pesquisadores propõem a criação de um consórcio intermunicipal envolvendo Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará, com o objetivo de fortalecer iniciativas conjuntas nas áreas de educação, saúde, cultura, empreendedorismo e desenvolvimento econômico.

“Os municípios possuem desafios semelhantes e ativos e oportunidades muito convergentes. A cooperação regional pode contribuir para potencializar resultados e acelerar processos de desenvolvimento”, afirma o coordenador do estudo.

Sobre o estudo

Mapa de Potencialidades Territoriais foi desenvolvido por pesquisadores do projeto Atlas ODS Amazônia (UFAM) e do Instituto Acariquara. O estudo analisou os municípios de Silves, Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Urucará a partir do cruzamento de dados oficiais, levantamentos documentais e atividades de campo realizadas nos territórios.

Um dos diferenciais do trabalho foi a escuta ativa de comunidades, lideranças locais, produtores, representantes do poder público e organizações da sociedade civil, permitindo incorporar ao diagnóstico conhecimentos e experiências que nem sempre estão registrados nas bases estatísticas tradicionais.

Ao longo do estudo, foram realizados encontros, grupos focais, questionários e visitas de campo para identificar dinâmicas econômicas, sociais e culturais percebidas pelos próprios moradores. O estudo contou com apoio da Eneva e terá seus resultados consolidados em publicação prevista para os próximos meses.

*Com informações da assessoria

Casos de hanseníase no Amazonas caem 95% em 40 anos, mas diagnóstico entre crianças ainda é desafio

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A hanseníase diminuiu no Amazonas, mas a transmissão ainda persiste especialmente entre crianças. Mycobacterium leprae (bacilo de Hansen), que causa a hanseníase. Imagem: Department of Pathology,Calicut Mecical College/Wikimedia Commons

O número de casos de hanseníase detectados no Amazonas caiu quase 96% em quatro décadas. De 1981 a 2024, os diagnósticos na região reduziram de 154 para 6,65 casos por 100 mil habitantes, e a classificação mudou de região hiperendêmica para endemicidade média, de acordo com artigo de revisão científica publicado nesta sexta-feira (24) na Revista Brasileira de Medicina Tropical.

Apesar disso, especialistas em saúde pública alertam que a doença ainda não está sob controle na região amazônica, que tem comunidades geograficamente isoladas e por isso é considerada uma das mais desafiadoras para o combate à doença.

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Segundo a análise, só em 2024 o estado notificou 326 casos de hanseníase, sendo que mais de 260 (80%) eram novos diagnósticos. A persistência de casos em crianças e em menores de 15 anos, que representaram 3,4% dos registros, indica que a transmissão continua ativa, especialmente em municípios de difícil acesso.

“A persistência de casos em crianças, o predomínio das formas multibacilares e a ocorrência de pacientes que já chegam ao diagnóstico com incapacidades físicas evidenciam que muitas pessoas continuam sendo diagnosticadas tardiamente”, afirma Carolina Talhari, uma das autoras do artigo e pesquisadora da Universidade do Estado do Amazonas e da Fundação Alfredo da Matta de Dermatologia, principal centro de referência regional.

Leia também: Hanseníase: descoberta do Mycobacterium lepromatosis revisa história da doença nas Américas

hanseníase no Amazonas
Hanseníase é estudada no Amazonas. Foto: Cláudio Salgado

Casos de hanseníase mostra necessidade de melhoria de políticas públicas

O artigo reforça o protagonismo do estado do Amazonas como produtor de conhecimento científico com impacto nacional e internacional.

“O estado contribuiu para importantes avanços em diversas áreas, com estudos sobre resistência aos medicamentos, desenvolvimento e avaliação de novos esquemas terapêuticos, diagnóstico molecular, genética da suscetibilidade à doença, coinfecção hanseníase-HIV e vigilância genômica da resistência antimicrobiana”, diz Talhari.

A hanseníase, que chegou a ser conhecida e estigmatizada como lepra, é uma doença infectocontagiosa causada pela bactéria  Mycobacterium leprae e transmitida pelas vias respiratórias. A doença afeta a pele e nervos e pode causar manchas, dormência e fraqueza muscular.

Em 2024, foram registrados mais de 170 mil casos no mundo, e o Brasil ocupou a segunda posição no ranking mundial de registros da doença, atrás da Índia — os dois países, somados à Indonésia, respondem por quase 80% dos casos globais.

Para Talhari, além de aumento em investimentos, é preciso atualizar políticas públicas que auxiliem na prevenção, na detecção precoce e no tratamento da doença.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Exposição no Museu de Zoologia explora grandiosidade da Amazônia a partir das pequenas espécies

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Paineis informativos da exposição no Museu de Zoologia. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O que você pensa quando o assunto é Amazônia? Talvez seja sobre ser o maior bioma do mundo que ocupa mais de 4 milhões de km2 de área, mais que a metade do território brasileiro, ou que lá fica o maior rio do mundo em volume de água. Foi pensando nas imensidões que o Museu de Zoologia da USP inaugurou a exposição temporária ‘Amazônia: Descobertas’, onde o público é convidado a enxergar essa grandeza de outra forma: através das pequenas espécies.

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A exposição foi aberta ao público no dia 3 de junho e pode ser visitada até maio de 2027. A entrada é gratuita, terça a domingo das 10h às 17h.

Segundo o diretor do museu, Luís Fábio Silveira, a ideia surgiu no ano passado, quando o tema estava em alta em razão da COP30, ocorrida no Pará. Descobrir a Amazônia foi o grande desafio, onde tudo é extenso e grande. A exposição inverte a lógica, os pequenos animais são os protagonistas: besouros, insetos, camarões, borboletas, anfíbios, mamíferos e aves.

Eles são responsáveis por formar a megabiodiversidade do bioma, onde, mesmo de forma discreta, formam interações complexas com outros seres.

Exposição no Museu de Zoologia explora a grandiosidade da Amazônia a partir das pequenas espécies
Paineis informativos da exposição no Museu de Zoologia. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Leia também: Inpa e Musa inauguram exposição e lançam livro sobre cogumelos da Amazônia

O diretor também destaca a importância de mostrar ao público, com a credibilidade de um museu, um território tão importante quanto a Amazônia brasileira.

“As narrativas falsas servem mais para confundir e amedrontar as pessoas do que para informá-las. Nesses momentos é que os museus se impõem e se tornam ainda mais relevantes. É nesses espaços que a população vem buscar o refúgio seguro para entender o mundo em que vive”, disse Silveira, que também é curador da exposição.

Por exemplo, a exposição apresenta os insetos como verdadeiros gigantes amazônicos, apesar de medirem apenas cerca de 3 centímetros. Entre eles estão os dípteros, um dos grupos mais diversos de animais, que reúne moscas e mosquitos. Esses organismos apresentam modos de vida variados: há espécies parasitas, predadoras e polinizadoras.

Além de desempenharem um papel essencial nas cadeias alimentares, também têm grande importância médica e econômica, já que incluem espécies como o mosquito-da-malária, o mosquito-da-dengue e o mosquito-palha, responsáveis pela transmissão de diferentes doenças.

A inclusão não é exclusiva para pessoas com deficiência, também foi pensada para facilitar o acesso de crianças. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O Brasil reúne a maior diversidade de espécies de aves do mundo. A exposição apresenta algumas delas, como a cabeça-de-prata, o frifrió e o galo-da-serra, entre outras. Ao todo, já foram registradas mais de 2 mil espécies de aves no território brasileiro, sendo mais de mil encontradas na Amazônia.

Espaços de interação

A acessibilidade é um dos destaques da exposição. Os itens estão posicionados em altura mais baixa para facilitar a visualização por pessoas em cadeiras de rodas ou crianças pequenas. O percurso ainda inclui recursos e atividades sensoriais e táteis que intensificam a experiência do público, como modelos ampliados e uma atividade educativa onde se pode tocar em uma espécie através de um buraco, sentindo texturas específicas da pele de animais que vivem na Amazônia, sem enxergar exatamente qual o tipo de animal.

Além disso, parte do conteúdo expositivo conta com placas explicativas em braile, permitindo que visitantes com deficiência visual tenham acesso às informações de forma mais autônoma e inclusiva. 

Leia também: Você sabia que o Museu de Taxidermia abriga espécies da Amazônia, Cerrado e outros países?

Repleta de interatividade, a exposição convida o público a participar das descobertas e deixar suas impressões. Fotos: Marcos Santos/USP Imagens

“Nós somos um museu que tem voz própria”, afirma a curadora e chefe da Divisão de Difusão Cultural, Maria Isabel Landim. O Museu de Zoologia da USP é uma instituição dedicada à pesquisa, ensino, conservação e divulgação do conhecimento sobre a biodiversidade. Atualmente, são mais de 12 milhões de animais em sua vasta coleção. E aproximadamente 2 mil  pessoas por dia frequentam o local, que mantém sua entrada gratuita como forma de incentivar a visitação ao museu.

A exposição ainda conta com um espaço que funciona como uma ‘rede social analógica’, onde os visitantes podem escrever em post-its as impressões que tiveram da mostra. “É um diferencial do Museu de Zoologia de valorizar os espaços de interação, pois ele é multidisciplinar”, afirma Maria Isabel.

Nova espécie de besouro

Uma das atrações da exposição é a descoberta de uma nova espécie de besouro-de-correnteza, resultado de uma parceria entre o pós-doutorando do museu Thiago Polizei e a pesquisadora Neusa Hamada, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). O inseto pertence à família Elmidae e habita riachos e igarapés da Amazônia brasileira. Apesar da importância ecológica, esses besouros são minúsculos e medem entre 1 e 8 milímetros.

Na atividade Por trás dos nomes, os visitantes têm a oportunidade de participar da escolha do nome da nova espécie. São sugeridos três nomes: Heterelmis iacamiabasHeterelmis waimiriatroari e Heterelmis kinja. Confira abaixo o significado de cada uma delas.

Modelo ampliado do besouro-de-correnteza. Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Heterelmis iacamiabas

“Mulheres sem marido” é a designação genérica dada a uma lenda de indígenas que teriam formado uma nação de mulheres guerreiras. Essa lenda teria dado origem, no século 16, ao mito da presença das lendárias Amazonas na região Norte do Brasil.

Heterelmis waimiriatroari

Os termos Waimiri e Atroari referiam-se a dois grupos indígenas distintos que habitam a região de Presidente Figueiredo (AM), local onde a espécie foi encontrada.

No entanto, com o tempo, a forte semelhança linguística e cultural levou à união dos sobreviventes, formando um único povo, Waimiri-Atroari.

Heterelmis kinja

“Gente verdadeira”, forma como o povo Waimiri-Atroari, habitantes da região onde a nova espécie foi coletada, se autodenomina.

Segundo o diretor do museu, os votos do público deverão ser incorporados ao artigo científico que formalizará a descrição da nova espécie. Os participantes da atividade receberão uma cópia da publicação, acompanhando o resultado da escolha e tendo acesso direto ao material científico produzido pelos pesquisadores.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da USP, escrito por Daniela Gonçalves

‘Sabores e Saberes da Amazônia’: livro de receitas busca valorizar agricultura familiar e merenda escolar em São Félix do Xingu

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Livro de receitas surgiu a partir da experiência exitosa do concurso de merendeiras para valorizar a agricultura familiar. Foto: Reprodução/Imaflora

O município de São Félix do Xingu (PA) celebrou recentemente um marco para a educação a partir da alimentação escolar e produtos oriundos da agricultura familiar local com o lançamento do livro ‘Sabores e Saberes da Amazônia’. O projeto, fruto de uma cooperação técnica entre o Programa Florestas de Valor do Imaflora, a Fundação Carrefour e a Secretaria Municipal de Educação (Semed), visa fortalecer a cadeia da merenda escolar, conectando o produtor rural diretamente à mesa dos estudantes.

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Mais do que um livro de receitas, a publicação ‘Sabores e Saberes da Amazônia’ reúne histórias de vida, artigos, receitas e conhecimentos tradicionais que evidenciam a importância da alimentação escolar como instrumento de desenvolvimento local.

'Sabores e Saberes da Amazônia' livro de receitas busca valorizar agricultura familiar e merenda escolar em São Félix do Xingu
Equipe do Programa Florestas de Valor do Imaflora, agricultores e representantes do poder público municipal de São Félix do Xingu. Foto: Reprodução/Imaflora

Leia também: Sabores invisíveis? Saberes alimentares de Mosqueiro são reunidos em e-book

Segundo Celma de Oliveira, coordenadora do Programa Florestas de Valor do Imaflora, o objetivo central foi documentar as trajetórias dos sujeitos que compõem essa cadeia produtiva.

“O livro reúne as histórias, os aprendizados e as parcerias estabelecidas no projeto, contando um pouco das histórias do nosso município, desde o agricultor familiar que produz até o aluno na ponta final”, explicou Celma.

A iniciativa, que ganhou corpo a partir da publicação, reforça a importância da utilização de alimentos saudáveis e regionais na distribuição para a rede pública de ensino.

Valorização de receitas local: o papel das merendeiras

Para além da logística de abastecimento, o livro atua como um catálogo de saberes tradicionais. Um dos pontos altos do lançamento foi a inclusão de receitas elaboradas pelas próprias merendeiras das escolas municipais.

Jaqueline de Oliveira Silva, Secretária de Educação e a Elziane da Costa Silva, agente de alimentação vencedora do concurso de receitas promovido pelo programa Florestas de Valor. Foto: Reprodução/Imaflora

O evento de assinatura e lançamento contou com a presença de representantes do Conselho de Alimentação Escolar e da equipe pedagógica da Secretaria de Educação.

Para a secretária de Educação de São Félix do Xingu, Jaqueline de Oliveira Silva, “o livro não é apenas um material didático ou culinário, mas uma ferramenta de registro da identidade de São Félix do Xingu, com a expectativa de que novas edições sejam publicadas futuramente para expandir o alcance do programa”, ressaltou.

*Com informações do Imaflora

Marchas mobilizam Maranhão e Pará em defesa dos manguezais amazônicos

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Foto: Reprodução/Greenpeace

Duas grandes mobilizações chamam a atenção para a conservação de um dos ecossistemas mais importantes do planeta: os manguezais. A primeira, aconteceu nesta sexta-feira (24), no Maranhão, seguida pelo Dia Mundial de Proteção dos Manguezais, com mobilização no domingo, no Pará.

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O Brasil possui a segunda maior extensão de mangue do mundo. São 14 mil quilômetros quadrados ao longo da costa. 80% estão no bioma amazônico, entre Maranhão, Pará e Amapá. Eles são considerados “berçários” para vida marinha, já que são grandes reservatórios de carbono, em quantidades maiores que muitas florestas terrestres.

Mas, segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, se não houver esforços de conservação, cerca da metade deles no planeta correm risco de colapso até 2050. 

manguezais da Amazônia
Foto: Reprodução/Greenpeace

Luta pelos manguezais

É por isso que nesta sexta aconteceu a ‘Primeira Marcha dos Manguezais Amazônicos Maranhenses’, na capital, São Luís. O Maranhão abriga a maior área individual deles, quase um terço do total do país, e faz parte da maior faixa contínua do planeta.

Já no domingo (26), data em que é celebrado o “Dia Mundial de Proteção dos Manguezais”, vai ser realizada a 3ª Marcha em prol do ecossistema, em Belém, no Pará. A programação na capital vai começar cedo, desde às 7 horas da manhã, com a Alvorada de Carimbó, na Escadinha do Cais do Porto; seguido pela caminhada em direção ao Mercado Ver-o-Peso.

Leia também: Novo mapeamento identifica 1,2 milhão de hectares de manguezal no Brasil

As duas mobilizações reúnem comunidades tradicionais, pesquisadores e sociedade civil, na defesa do ecossistema, que é a base da segurança alimentar, e de renda, de milhares de famílias de extrativistas, marisqueiras e pescadores, que trabalham há décadas na conservação desses territórios.

*Com informações da Rádio Agência Nacional

“Plano BR-319 sustentável tem a cara do Governo Lula”, diz Guilherme Checco

Arte: Reprodução/Amazon Sat

O secretário executivo adjunto do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Guilherme Checco, afirmou que o plano voltado à BR-319 representa a estratégia adotada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para conciliar investimentos em infraestrutura com ações de proteção ambiental. A declaração foi feita durante conversa no programa ‘Entrevistas‘, exibido pelo canal Amazon Sat.

“O plano BR-319 Sustentável tem a cara do governo do presidente Lula. Desde o primeiro dia o presidente colocou a agenda ambiental como uma questão transversal, que perpassa todos os setores e todas as agendas. O que já executamos na região da BR-319 é exatamente isso”, declarou o secretário.

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Debate sobre a reconstrução da BR-319

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, o programa aborda neste episódio um dos principais temas relacionados à infraestrutura da Amazônia: a reconstrução da BR-319, rodovia que liga Manaus a Porto Velho e que há décadas está no centro do debate entre desenvolvimento regional e preservação ambiental.

entrevistas - ep4 br-319, com guilherme checco
Foto: Reprodução/Amazon Sat

Durante a entrevista, Guilherme Checco explica como o MMA participa das discussões sobre a rodovia e detalha as medidas que o governo federal considera necessárias para que a recuperação da estrada ocorra aliada ao planejamento territorial e à conservação da floresta.

Segundo o secretário, a proposta do governo vai além da recuperação da via e prevê mecanismos voltados ao ordenamento da região.

“A ideia, e isso é uma das dimensões de todo esse planejamento, é criar, fortalecer e implementar nesses territórios uma perspectiva de um cinturão verde ao longo de toda a rodovia, que proteja a riqueza socioambiental e a biodiversidade daquela região”, afirmou.

A BR-319 é considerada estratégica para a integração entre Amazonas e Rondônia, além de ser apontada por setores produtivos como uma alternativa para melhorar o transporte de cargas e passageiros. Ao mesmo tempo, a reconstrução da rodovia é acompanhada por discussões sobre fiscalização ambiental, regularização fundiária e combate ao desmatamento, temas que seguem no centro das políticas públicas voltadas para a Amazônia.

A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.

‘Entrevistas’

O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.

Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.

‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).

Desmate da Amazônia corta chuvas no Paraná e ameaça produção de grãos do estado

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O desmatamento na Amazônia esvazia os rios voadores, cortando o suprimento de água para o Sul do país, com a perda de cobertura florestal atingindo picos de 2.095 km² em um único mês. Foto: Ivo Brasil/Pexels

As secas que castigam o Sul do país ameaçam diretamente uma região que concentra 60% da produção de grãos, 41% da energia hidrelétrica e 23% da pecuária do Paraná. Esse déficit hídrico está estatisticamente ligado à Amazônia: o aumento do desmatamento reduz a precipitação na bacia do rio Iguaçu. É o que indicou uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicada na revista científica Brazilian Journal of Biology, acendendo o alerta de que a perda florestal no Norte já afeta a segurança econômica e o abastecimento de água potável a milhares de quilômetros de distância.

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A floresta atua como uma gigantesca bomba d’água natural que alimenta os chamados Jatos de Baixos Níveis. Esse sistema de circulação atmosférica transporta corredores de umidade para o Sul do Brasil. O avanço das motosserras e do fogo sobre o bioma compromete essa engrenagem de forma severa, com as taxas de desmatamento atingindo a marca de 2.095 km² destruídos apenas no mês de julho de 2021.

“Com a remoção da vegetação amazônica, ocorre uma redução da quantidade de água liberada para a atmosfera pela floresta, diminuindo a disponibilidade de umidade que alimenta esses sistemas de transporte. A alteração no ciclo das chuvas representa um risco socioeconômico, afetando a produção de alimentos, a geração de energia e a estabilidade de atividades que dependem diretamente da água”, explica a pesquisadora Ana Carolina da Silva.

Leia também: Rios voadores, o fenômeno que fornece chuva para o Brasil e regula o clima do mundo

chuva amazônia
Desmatamento na Amazônia acende alerta em todo o país. Foto: Gerard Moss/Projeto Rios Voadores

Perda florestal da Amazônia impacta o clima

O impacto da intervenção humana na floresta mostra-se mais forte e rigoroso que os próprios ciclos climáticos naturais. A análise dos dados revela que a perda florestal disparou especialmente a partir de 2020, período que coincidiu em parte com a vigência do La Niña.

Em condições normais, o fenômeno concentra mais umidade sobre a bacia amazônica e atua como um freio contra o fogo. O levantamento constatou, no entanto, que a Amazônia registrou mais de 222 mil focos de incêndio em 2020, o que representa um aumento brutal de 120% em relação à média dos anos anteriores, atropelando a barreira climática natural.

“Fatores antrópicos tiveram papel determinante na dinâmica do desmatamento, demonstrando que o clima não impede a destruição provocada por atividades humanas. A pressão exercida e a redução da efetividade das ações de fiscalização e controle ambiental foram fatores mais relevantes para o aumento da perda florestal do que as condições climáticas favoráveis”, detalha a autora.

Garantir o funcionamento das usinas e a rentabilidade das colheitas no Paraná exige frear o desmatamento no Norte do país de imediato e integrar o planejamento estratégico energético e agrícola com a conservação ambiental. A manutenção da cobertura florestal da Amazônia se consolida como uma medida urgente de segurança hídrica, essencial para evitar o colapso nas matrizes econômicas das demais regiões brasileiras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori