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Especialistas explicam porque ilhas de calor deixam bairros de Manaus mais quentes no verão amazônico

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Sol e calor em Manaus. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

O avanço do período mais seco do ano no Amazonas, o chamado “verão amazônico“, escancara um contraste de temperaturas marcante no cotidiano de Manaus. Enquanto áreas arborizadas conseguem manter climas mais amenos, bairros altamente urbanizados de Manaus enfrentam temperaturas sufocantes por conta do fenômeno das ilhas de calor.

Saiba mais: O que é uma ilha de calor? Especialista explica a influência na temperatura de Manaus

As ilhas de calor acontecem quando superfícies construídas pelo homem, como asfalto, concreto, telhados e tijolos, absorvem o calor do sol durante o dia e o liberam lentamente para o ambiente. A falta de vegetação e a pavimentação fazem com que quarteirões inteiros acumulem radiação solar, elevando a temperatura do ar.

Diante desse cenário, a dra. Luciana Gatti, pesquisadora e coordenadora do Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), faz um alerta sobre a necessidade de adaptação urbana. Segundo a especialista, a explicação para o aquecimento desigual na cidade está no alto nível de urbanização e na impermeabilização do solo.

A intensa concentração de asfalto, concreto e telhados escuros faz com que o ambiente urbano funcione como um acumulador térmico: essas superfícies absorvem a radiação solar ao longo do dia e devolvem a energia na forma de calor, impedindo que os bairros consigam resfriar até mesmo durante a noite.

“Para a nossa sobrevivência, a gente precisa de cidades menos quentes”, destaca a pesquisadora.

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Por que Manaus sente tanto o impacto das ilhas de calor?

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), uma combinação de fatores climáticos e de ocupação do solo torna Manaus vulnerável ao acúmulo de calor. A localização geográfica sob o clima equatorial já impõe, por natureza, taxas elevadas de umidade e alta incidência de radiação solar durante todo o ano. No entanto, é a transformação do espaço urbano que potencializa o problema.

Impermeabilização do solo: a pavimentação densa sobre antigas áreas verdes impede a infiltração da água da chuva. Sem água retida no solo para evaporar, a cidade perde o mecanismo natural de resfriamento da terra.
Retenção no asfalto e concreto: a predominância de materiais escuros na pavimentação e nas construções possui baixo índice de refletividade (albedo). Na prática, o asfalto e o concreto funcionam como ‘esponjas térmicas’ que absorvem a energia do Sol de dia e a liberam de noite.
Barreiras para a circulação do ar: o avanço acelerado e muitas vezes desordenado de construções e edifícios em diversos bairros cria bloqueios físicos. Essas barreiras impedem que as brisas úmidas sopradas pelos rios Negro e Amazonas circulem pela cidade.

De acordo com a meteorologista Andrea Ramos, o nível baixo dos rios durante a seca típica do verão amazônico, que ocorre entre julho e novembro, não produz diretamente uma massa de ar quente sobre Manaus. O que favorece o calor é o mesmo ambiente atmosférico que contribui para a estiagem: menor frequência de chuva, menor nebulosidade e maior incidência de radiação solar.

“Quando o solo e a vegetação perdem umidade, a energia solar deixa de ser utilizada na evaporação da água e passa a ser convertida em calor sensível, aquecendo diretamente o ar próximo à superfície. O calor atual deve ser interpretado principalmente pelo padrão atmosférico e sazonal”, pontua Andrea Ramos.

Manaus vem registrando altas temperaturas nas primeiras semanas de agosto. Foto: Reprodução/X

‘Urgente que o poder público comece a reverter isso’, avalia especialista

Para a pesquisadora do INPE, a falta de arborização urbana aliada aos materiais da construção civil transforma as cidades em ambientes hostis e perigosos durante eventos extremos de calor.

“O pessoal não tem as cidades muito arborizadas e isso faz com que fiquem mais quentes. É urgente que o poder público comece a reverter isso porque nós vamos ter cada vez mais ondas de calor, e elas serão mais intensas”, alerta Luciana Gatti. A cientista reforça que intervenções estruturais e atitudes simples nas moradias podem atuar como aliadas imediatas para aliviar o calor interno das casas.

“Pintar as casas de branco, inclusive no telhado ou principalmente no telhado, ajuda a refrescar porque a energia solar reflete. Quanto mais escuro o cimento ou o asfalto, mais capacidade de absorver calor ele tem. Ele absorve a radiação e segura o calor ali na casa”, explica Gatti.

Leia também: Saiba o que fazer para proteger crianças do calor, fumaça e estiagem em Manaus

Praticar atividades físicas em dias de calor intenso hidratação constante — Foto: Divulgação

Como a umidade de Manaus agrava sensação de calor?

O impacto das ilhas de calor ganha contornos ainda mais críticos em Manaus devido às condições da atmosfera equatorial. Durante o verão amazônico, a redução de nuvens permite longas horas de incidência direta do Sol sobre o asfalto. No entanto, esse aquecimento severo ocorre em um ambiente que permanece com alta umidade relativa.

A meteorologista Andrea Ramos explica que essa combinação é o fator determinante para o risco à saúde humana na capital. Ela relata que quando a umidade está elevada, o suor evapora com menor eficiência, reduzindo a principal forma de resfriamento. Assim, uma temperatura de 36°C ou 37°C pode produzir uma sensação térmica significativamente maior do que o valor indicado pelo termômetro.

“No verão amazônico, há redução das chuvas e da nebulosidade, o que permite mais horas de incidência direta de radiação solar e maior aquecimento da superfície ao longo do dia. Em Manaus, esse efeito ocorre em um ambiente que continua relativamente úmido”, explica.

Leia também: Verão amazônico: personal orienta sobre prática de atividades físicas ao ar livre em período de altas temperaturas

Arborização como escudo: vegetação pode reduzir temperatura em até 4°C

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que a criação de corredores verdes e a arborização planejada têm capacidade de reduzir a temperatura ambiente em cerca de 4°C nos pontos mais críticos da cidade.

As especialistas destacam três medidas fundamentais de mitigação para conter as ilhas de calor em Manaus:

Arborização massiva: plantio de árvores em calçadas, quintais e canteiros centrais para gerar sombreamento e resfriamento por evapotranspiração.
Uso de superfícies claras: adoção de tintas e materiais refletivos em telhados e fachadas para evitar que a radiação fique retida nas moradias.
Proteção de igarapés e florestas urbanas: preservação dos fragmentos vegetais que funcionam como ‘janelas de respiro’ e ajudam a circular a brisa vinda dos rios para o interior dos bairros.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Prefeitura entrega UBS revitalizada e reforça os serviços de saúde no São Bento

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UBS do São Bento foi revitalizada e agora oferece mais conforto e qualidade no atendimento à população. Foto: Francisco Sena/PMBV

Quem mora no bairro São Bento ou nas proximidades tem à disposição uma Unidade Básica de Saúde (UBS) estruturada para cuidar da saúde da família. Na UBS Dr. Rubeldimar Maia de Azevedo, a população encontra atendimento médico e de enfermagem, vacinação, pré-natal, acompanhamento de crianças, idosos e outros serviços ofertados na Atenção Primária do município.

A unidade passou recentemente por uma revitalização que garantiu melhorias na estrutura física, proporcionando mais conforto aos pacientes e aos servidores. Desde então, o espaço segue recebendo diariamente os moradores que buscam atendimento e acompanhamento em saúde.

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Rosamaria Silva é moradora do São Bento desde o início da ocupação do bairro e, por isso, acompanha a história da unidade. Ela garante que as mudanças são percebidas tanto na estrutura quanto no atendimento. Devido à hipertensão, faz acompanhamento regular na UBS, onde passa por consultas, aferição da pressão arterial e retirada de medicamentos.

Prefeitura entrega UBS revitalizada e reforça os serviços de saúde no São Bento
UBS oferece serviços da Atenção Primária à população. Foto: Francisco Sena/PMBV

“Hoje eu vim acompanhar minha sobrinha, mas já agendei minha próxima consulta. Estou feliz vendo o posto desse jeito, muito lindo. Tem varandinha para a gente sentar e poder esperar com conforto. É de se emocionar mesmo, porque, quando a gente vem aqui, é porque está precisando”, disse.

A vendedora Aline dos Santos mora no bairro há 15 anos e está grávida do sétimo filho. Todos os acompanhamentos da gestação foram feitos na rede municipal de saúde. Além das consultas na unidade, ela também recebe visitas dos agentes comunitários de saúde (ACSs).

“O acompanhamento é muito bom. Além das consultas, os profissionais fazem visitas na minha casa e, quando preciso de medicamentos ou qualquer atendimento, eu venho aqui na UBS”, contou.

Aline fez todos os acompanhamentos gestacionais pela UBS. Foto: Francisco Sena/PMBV

Cuidado que vai além da unidade

Além de moradora do São Bento, Renata Dama também é agente comunitária de saúde (ACS) da unidade há seis anos. Ela explicou que a revitalização também trouxe melhorias para o trabalho das equipes, com novos computadores, mobiliário, iluminação adequada e uma estrutura mais funcional, tornando os atendimentos mais ágeis.

“Nosso foco é oferecer um atendimento de qualidade, pautado no acolhimento e no respeito. Queremos que o morador sinta que, ao procurar nossos enfermeiros, médicos e demais equipes, será compreendido e devidamente assistido”, destacou.

Leia também: AgroBV 2026 destaca potencial da agricultura familiar de Boa Vista

Um dos serviços gratuitos ofertados na rede municipal é a dispensação de medicamentos. Foto: Francisco Sena/PMBV

Além do atendimento dentro da unidade, os ACSs mantêm um cronograma diário de visitas domiciliares.

“Durante as visitas, orientamos as famílias sobre os serviços ofertados na UBS, acompanhamos gestantes, crianças, idosos e pacientes com doenças crônicas, além de identificar situações de vulnerabilidade que possam necessitar do apoio da rede de assistência social. É um trabalho integrado, que vai além da assistência à saúde”, explicou Renata.

Nota técnica propõe caminhos para fortalecer Indicações Geográficas no Amazonas

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Foto: Tácio de Melo/Instituto Mamirauá.

A Nota Técnica ‘Indicações Geográficas no Amazonas: subsídios técnicos para fortalecer a implementação das Indicações Geográficas do Amazonas’, elaborada pelo Instituto Mamirauá em parceria com instituições públicas e organizações envolvidas no tema, consolida as contribuições construídas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, realizado em novembro de 2025, em Tefé.

O documento, inédito no Amazonas, apresenta um diagnóstico sobre as Indicações Geográficas (IGs), reúne os principais desafios enfrentados pelas cadeias produtivas e propõe recomendações para fortalecer políticas públicas, ampliar o acesso a mercados e impulsionar a bioeconomia no estado. A iniciativa tem como um dos objetivos principais fortalecer as Indicações Geográficas como instrumento de desenvolvimento territorial, valorização dos conhecimentos tradicionais e geração de renda.

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A Nota Técnica também destaca que muitos produtos reconhecidos ainda enfrentam dificuldades para transformar o registro da Indicação Geográfica em ganhos econômicos concretos. Entre os principais desafios apontados estão a logística, a infraestrutura, o acesso a mercados, a governança das organizações, a fiscalização e a necessidade de assistência técnica continuada.

Segundo Tabatha Benitz, coordenadora do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (NITS) do Instituto Mamirauá, ainda existe a percepção equivocada de que o simples registro da Indicação Geográfica gera valorização automática do produto.

“A gente precisa entender que a indicação geográfica é um instrumento para organizar as várias etapas que levam ao preço agregado. A IG ajuda a estruturar qualidade, produção, governança e controle para que esse valor seja conquistado ao longo do tempo e para isso é necessário apoio dos parceiros”, explica.

Amazonas reúne nove Indicações Geográficas

Entre os produtos reconhecidos estão o Guaraná de Maués, a Farinha Uarini, o Abacaxi de Novo Remanso, o Waraná Andirá-Marau, o Pirarucu de Mamirauá, o Queijo de Autazes, o Açaí de Codajás e o Mel de Boa Vista do Ramos. Além deles, o artesanato Ticuna de Benjamin Constant encontra-se em fase de estruturação para obtenção do registro, podendo se tornar a primeira Indicação Geográfica de artesanato do Amazonas.

“A indicação geográfica garante a propriedade intelectual do produto, do território e do nome. Ao mesmo tempo, funciona como um instrumento para organizar todas as etapas necessárias para que o produto alcance mercados mais qualificados, com controle de qualidade, produção, governança e rastreabilidade”, afirma Tabatha Benitz.

A Indicação Geográfica também é importante por proteger coletivamente o nome de um produto associado ao território e fortalece aspectos como rastreabilidade, qualidade, organização produtiva e governança.

Leia também: Portal Amazônia Responde: que produtos da região amazônica possuem Indicação Geográfica?

Médio Solimões concentra duas referências

Farinha Uarini é reconhecida como Indicação de Procedência desde 2019. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá.

No Médio Solimões estão dois dos principais exemplos desse modelo de desenvolvimento territorial: a Farinha Uarini, reconhecida como Indicação de Procedência desde 2019, e o Pirarucu de Mamirauá, que recebeu o registro de Denominação de Origem em 2021.

Ambos representam produtos profundamente ligados às características ambientais da região, aos conhecimentos tradicionais e às práticas sustentáveis desenvolvidas pelas comunidades locais.

Além do reconhecimento junto ao INPI, os dois processos recebem acompanhamento técnico do Instituto Mamirauá, por meio do Núcleo de Inovação e Tecnologias Sustentáveis (NITS), da Incubadora Mamirauá e de equipes especializadas que apoiam o fortalecimento das organizações responsáveis pela gestão das IGs.

Documento orienta políticas públicas

A Nota Técnica foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado participaram de oficinas, compartilharam experiências e discussões sobre o tema, identificando desafios, oportunidades e prioridades para o fortalecimento das cadeias produtivas.

A partir do Encontro, as contribuições foram sistematizadas pela equipe do NITS e posteriormente validadas pelas associações participantes antes da publicação do documento.

Nota Técnica de Indicações geográficas foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado.
Nota Técnica de Indicações geográficas foi construída a partir das discussões realizadas durante o I Encontro das Indicações Geográficas do Amazonas, quando representantes de todas as IGs do estado. Foto: Tabatha Benitz/ Instituto Mamiraúa

Para Tabatha Benitz, trata-se de um marco para o fortalecimento das Indicações Geográficas no estado. “É a primeira nota técnica produzida com esse objetivo. Ela organiza as demandas e oportunidades em um único documento, funcionando como um diagnóstico que poderá orientar políticas públicas, projetos e novos investimentos voltados às Indicações Geográficas”.

A Nota Técnica reforça que a valorização dos territórios, dos conhecimentos tradicionais e da biodiversidade depende não apenas do reconhecimento oficial, mas também de políticas públicas e investimentos capazes de transformar patrimônios em oportunidades concretas de desenvolvimento sustentável.

Publicada pela Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), a Nota Técnica também está sendo protocolada pelo Fórum das Indicações Geográficas do Amazonas e pelo Instituto Mamirauá em órgãos públicos, instituições privadas e organizações do terceiro setor. O objetivo é ampliar a visibilidade do documento e consolidá-lo como referência para a formulação e implementação de políticas públicas, elaboração de projetos, captação de recursos e desenvolvimento de ações voltadas ao fortalecimento das Indicações Geográficas, da bioeconomia e do desenvolvimento sustentável no Amazonas.

O documento pode ser acessado neste link.

*Com informações do Instituto Mamirauá

Relatório do Cimi aponta que Amazonas é o estado com mais mortes de crianças indígenas no país

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Amazonas lidera assassinatos e suicídios em relação ao país. Foto: Isadora Brant

O Amazonas registrou 306 mortes de bebês e crianças indígenas de até quatro anos em 2025, o maior número entre os estados brasileiros. Os dados são do relatório feito pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), divulgado na última quinta-feira, 13 de agosto. O levantamento aponta que, em todo o país, 1.024 crianças indígenas nessa faixa etária morreram no ano passado e o Amazonas representa quase um terço do total nacional.

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O número de mortes de crianças indígenas no país aumentou em relação a 2024, quando foram registrados 922 óbitos. O Amazonas aparece à frente de Roraima, que teve 158 mortes, e Mato Grosso, com 123. De acordo com o relatório, 586 mortes registradas no país, o equivalente a 57% do total, ocorreram por causas consideradas evitáveis. Entre elas estão gripe e pneumonia, que provocaram 104 mortes; doenças infecciosas intestinais, responsáveis por 85 óbitos; e desnutrição, que causou 32 mortes.

O documento faz parte do Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2025, divulgado em Brasília. A publicação reúne informações sobre diferentes formas de violência e violações contra povos indígenas no país. Os dados foram levantados pelo Cimi a partir de informações de comunidades indígenas, órgãos públicos e veículos de comunicação, além de bases oficiais de saúde.

Relatório do cimi
Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e presidente do Cimi, apresenta o relatório. — Foto: Matheus Santos/Rede Amazônica

Assassinatos e suicídios de indígenas no Amazonas

Além da mortalidade infantil, o Amazonas também apresentou o maior número de suicídios entre indígenas em 2025. Foram 77 casos, segundo o Cimi. O estado ficou à frente de Mato Grosso do Sul, com 42, e Roraima, com 37. No Brasil, foram registrados 215 suicídios de indígenas no ano passado. O relatório também aponta que o Amazonas teve 47 assassinatos de indígenas em 2025, ficando atrás apenas de Roraima, que registrou 82 casos. No Brasil, foram 258 assassinatos, número 22% maior que o registrado em 2024.

Além dos 258 assassinatos, o relatório contabilizou 38 tentativas de assassinato, 46 casos de racismo e discriminação étnico-cultural, 33 casos de lesão corporal, 25 casos de violência sexual, 27 ameaças, 18 ameaças de morte e 19 casos de abuso de poder. Somadas a outros registros classificados pelo Cimi como violência contra a pessoa, foram 474 ocorrências em 2025.

Leia também: Relatório inédito revela ameaças aos Povos Indígenas e Comunidades Locais da Amazônia

Conflitos por terra crescem

O Cimi também identificou aumento dos conflitos relacionados aos direitos territoriais. Foram 169 casos em 23 estados, atingindo 143 Terras Indígenas. Segundo o relatório, dois terços dos territórios afetados tinham alguma pendência de regularização ou ainda aguardavam providências do Estado para o processo de demarcação.

A publicação contabilizou ainda 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos ao patrimônio, que atingiram pelo menos 151 Terras Indígenas em 20 estados. Nesse caso, a maior parte dos territórios atingidos já era regularizada: 88 terras indígenas, ou 58,3% do total.

No total, o capítulo sobre violência contra o patrimônio reúne 1.276 registros: 897 relacionados à omissão e morosidade na regularização de terras, 169 conflitos relativos a direitos territoriais e 210 casos de invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.

Demarcações de terra

Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas contabilizadas pelo Cimi no país, 897 ainda dependem de alguma medida administrativa para regularização. Dentro desse grupo, 582 não tiveram nenhuma providência para iniciar o processo de demarcação. Em 2025, nove Terras Indígenas tiveram relatórios de identificação e delimitação publicados pela Funai, dez receberam portarias declaratórias do Ministério da Justiça, sete foram homologadas e cinco registradas como patrimônio da União, concluindo o processo de regularização fundiária.

Criança indígena Asurini assiste ao filme durante exibição realizada pelo Curta Xingu em abril de 2023 — Foto: Divulgação

O relatório também relaciona o cenário registrado em 2025 às disputas políticas e jurídicas envolvendo os direitos territoriais dos povos indígenas, incluindo a Lei 14.701/2023, conhecida como Lei do Marco Temporal. Sobre o relatório, o Governo Federal afirmou que a proteção dos povos indígenas depende da garantia de seus territórios e destaca a retomada da política de demarcação desde 2023. Segundo a nota, 20 Terras Indígenas foram homologadas, somando mais de 3,2 milhões de hectares, além de outras medidas em diferentes etapas de demarcação.

O governo também informou que 12 Terras Indígenas passaram por processos de desintrusão, beneficiando mais de 67 mil indígenas e protegendo 27,5 milhões de hectares. Também de que a redução da violência contra os povos indígenas exige ações permanentes de demarcação, proteção territorial, combate a invasões e atividades ilegais, além do fortalecimento dos órgãos públicos e da responsabilização de criminosos.

*Por Matheus Santos, da Rede Amazônica AM

Cemitério indígena é encontrado em sítio arqueológico de Itacoatiara, no Amazonas, durante escavações

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Estudantes de uma escola municipal visitaram o local para aprender sobre preservação. Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan. Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Um estudo arqueológico realizado no Seringal do Jauari, em Itacoatiara, no interior do Amazonas, confirmou que a área abriga um antigo cemitério indígena. Durante as escavações, pesquisadores identificaram quatro pontos com urnas funerárias e mais de 200 fragmentos de materiais arqueológicos.

O local é um fragmento florestal marcado pela presença de seringueiras e também é reconhecido como sítio arqueológico, com vestígios que ajudam a contar a história dos povos indígenas que ocuparam a região antes da chegada dos europeus.

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O trabalho foi realizado depois que o proprietário de uma área dentro do sítio iniciou a construção de um muro. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) notificou o responsável e solicitou a realização de um estudo arqueológico antes de novas intervenções no terreno.

O proprietário contratou uma equipe especializada para realizar o projeto de salvamento arqueológico. A intenção é preservar a maior parte da área e fazer poucas intervenções no terreno. Os locais considerados de menor potencial arqueológico poderão ser utilizados futuramente, desde que respeitadas as orientações técnicas e legais.

“Ele praticamente será um guardião desse sítio. Então qualquer obra que ele irá fazer vai consultar sempre a parte arqueológica e a parte ambiental”, explicou a engenheira ambiental Kesia Maia.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são sítios arqueológicos?

Quatro urnas funerárias são encontradas

Durante cerca de uma semana de escavações, os arqueólogos identificaram quatro locais com urnas funerárias. A descoberta confirmou a hipótese de que a área funcionava como um cemitério indígena.

Segundo a arqueóloga Elaine Parintins, as urnas não serão retiradas. As escavações foram interrompidas justamente para preservar o contexto funerário.

“É de fato um sítio arqueológico muito complexo e que conta um pouco da história pré-colonial, antes do contato com os europeus”, afirmou.

A pesquisa também se conecta a um estudo realizado há 14 anos. Em 2012, pesquisadores encontraram uma urna funerária a cerca de 200 metros da área atualmente estudada.

Segundo o professor Carlos Augusto da Silva, a urna encontrada naquele período continha restos mortais de oito pessoas, sendo duas crianças.

Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

Para os pesquisadores, os novos achados ajudam a confirmar a função funerária do local. A expectativa é que áreas de habitação, onde ficavam as moradias dos antigos habitantes, estejam nas proximidades do cemitério.

Além das urnas, a equipe retirou mais de 200 fragmentos arqueológicos durante os trabalhos. Entre os materiais estão peças de cerâmica, fragmentos com pinturas e decorações e um objeto que pode ter sido utilizado como ferramenta.

O material coletado será levado para Manaus, onde passará por higienização, catalogação e análise em laboratório da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). As quatro urnas encontradas durante a pesquisa permanecerão preservadas no próprio local.

Alunos conhecem sítio arqueológico

Durante os trabalhos, estudantes da Escola Municipal Isaac Peres visitaram o Seringal do Jauari para conhecer a pesquisa e aprender sobre a importância da preservação do patrimônio arqueológico.

A professora Lucifran Lima da Silva acompanhou a visita. Segundo ela, a escola já trabalhava com o tema e tinha preocupação com a preservação da área.

Atualmente, Itacoatiara possui 46 registros de sítios arqueológicos cadastrados pelo Iphan.
Foto: Liam Cavalcante/Rede Amazônica AM

“É importante que essas crianças que estão crescendo saibam a sua história, o que aconteceu aqui, as urnas arqueológicas e o que elas significam”, disse.

A professora destacou ainda que o contato com o sítio ajuda a despertar a curiosidade dos estudantes sobre a história dos povos indígenas que viveram na região.

Itacoatiara tem 46 sítios arqueológicos

Itacoatiara possui atualmente 46 registros no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA), em áreas urbanas e rurais do município.

O número é superior ao registrado em 2012. Naquele ano, o Iphan informava que havia 27 sítios arqueológicos cadastrados em Itacoatiara e realizava estudos para inventariar outras áreas.

O Sítio Jauari já era pesquisado naquele período. Uma reportagem do g1 publicada em agosto de 2012 registrou escavações realizadas por pesquisadores no local.

Na época, o Iphan informou que os estudos faziam parte de um trabalho de levantamento do patrimônio arqueológico do município. Entre os objetivos estava identificar quais sítios ainda resistiam à ação humana e quais outras áreas poderiam ser cadastradas.

Quatorze anos depois, novas pesquisas voltaram ao Jauari e ampliaram o conhecimento sobre a ocupação indígena antiga na região.

Leia também: Descubra por quê Itacoatiara é conhecida por ser a cidade da pedra pintada

Preservação

A realização do estudo está relacionada ao licenciamento ambiental e à proteção do patrimônio arqueológico. Quando uma obra ou intervenção pode afetar esse tipo de patrimônio, o Iphan participa do processo para garantir que os vestígios sejam identificados e preservados.

No Jauari, a pesquisa permitiu delimitar as áreas de maior concentração de vestígios e orientar possíveis intervenções futuras.

Para os pesquisadores, preservar o sítio significa manter parte da memória dos povos que viveram na região antes da colonização.

Além do valor arqueológico, o Seringal do Jauari mantém uma área de vegetação com presença de seringueiras, reunindo em um mesmo espaço elementos da história indígena e da ocupação mais recente da região.

O material coletado durante a pesquisa ainda será analisado pelos especialistas. Os estudos devem ajudar a identificar com mais detalhes como viviam os povos que ocuparam o local e ampliar o conhecimento sobre a história antiga de Itacoatiara e da Amazônia.

*Por Liam Cavalcante, da Rede Amazônica AM

‘Nova fronteira exploratória’, diz presidente do IBP sobre indícios de petróleo na Foz do Amazonas

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A Petrobras identificou indícios de hidrocarbonetos na Foz do Amazonas na sexta-feira (14). O presidente do IBP avaliou a região como uma “nova fronteira exploratória”. Imagem: Reprodução

A indicação da presença de hidrocarbonetos, substâncias que podem ser petróleo ou gás natural, na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá, consolida a região como uma “nova fronteira exploratória” para o país. A avaliação é do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian.

A declaração ocorre após a Petrobras identificar indícios de petróleo e gás natural na sexta-feira (14) durante a perfuração do poço Morpho, localizado em águas profundas a cerca de 175 km da costa amapaense.

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Segundo Furian, o principal marco do anúncio é a comprovação de uma teoria geológica na região.

“Nós estamos falando de uma nova fronteira exploratória brasileira, inclusive muito importante para garantir a segurança energética do Brasil”, disse o presidente do IBP à Rede Amazônica.

No entanto, o projeto entra agora em uma nova etapa de estudos. A Petrobras precisará perfurar outros poços para delimitar o tamanho do reservatório, verificar a profundidade e avaliar o volume, a qualidade e a pressão do material antes de comprovar se há viabilidade para exploração comercial.

“O mais importante do anúncio é exatamente a comprovação de uma teoria geológica. Até você fazer a perfuração, você não sabe exatamente o que tem no subsolo naquele momento. Só a perfuração vai te confirmar a existência ou não de petróleo”, afirmou o presidente do IBP.

Saiba mais: Indícios de petróleo são encontrados em poço na Foz do Amazonas no Amapá, anuncia Petrobras

Furian ressaltou que a confirmação de reservas na área pode ser fundamental para garantir a segurança energética do país a médio e longo prazo.

Isso porque os campos das bacias de Campos e de Santos, que integram o Pré-Sal, entrarão em fase de amadurecimento nos próximos anos, o que causará uma queda natural na produção dessas áreas.

Repercussão política e expectativas locais

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), comemorou o avanço nas pesquisas e destacou o potencial de desenvolvimento regional.

“Estávamos certos. Foram anos de luta para chegar até aqui. Lutamos pelo direito de pesquisar a Margem Equatorial e conhecer as nossas riquezas. Lutamos para que, sendo possível a exploração, essa riqueza seja transformada em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para o povo amapaense”, disse Alcolumbre. O parlamentar também elogiou o trabalho técnico e ambiental da estatal.

'Nova fronteira exploratória', diz presidente do IBP sobre indícios de petróleo na Foz do Amazonas
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

O governador do Amapá, Clécio Luís (Solidariedade), avaliou que a confirmação das reservas pode trazer impacto positivo na economia local com a atração de novas empresas e investimentos.

“O que precisa ser feito? Em especial, capacitar as pessoas para esses novos postos de trabalho e também revocacionar o estado ou parte dele para essa nova realidade econômica”, ressaltou Clécio, pontuando que uma eventual atividade industrial deve conviver com os programas locais de bioeconomia.

Potencial exploratório do petróleo no local

Os indícios de hidrocarbonetos , que podem indicar a presença de petróleo ou gás, foram identificados por meio de análises elétricas e exames nas rochas. As perfurações continuam para avaliar a viabilidade e o potencial do poço.

Estimativas do governo federal apontam que a Margem Equatorial possui reservas potenciais que podem permitir a exploração de até 1,1 milhão de barris de petróleo por dia. De acordo com o Ministério de Minas e Energia, a região pode abrigar até 10 bilhões de barris.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) calcula que a Bacia da Foz do Amazonas possui um volume recuperável estimado em 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

SEMA-AM, conquistas ambientais ou sonhos de uma noite de verão?

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Foto: Divulgação/SEMA-AM

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Quedei-me estupefato, surpreso e boquiaberto com o relatório de despedida do ex-secretário de Meio Ambiente do Amazonas (SEMA-AM), Eduardo Taveira, publicado nas redes sociais. Ele começa afirmando: “Hoje encerro um ciclo à frente da SEMA-AM. E que aventura! Não tenho palavras para descrever o tamanho da minha gratidão por todas as experiências que vivi ao longo desses quase oito anos”.

E complementa: “Estava refletindo nos últimos meses sobre o fato de pertencer a uma primeira geração de gestores públicos da área
ambiental que precisou lidar diretamente com o agravamento e a concretude da crise climática mundial. Cheias e secas históricas, incêndios florestais rigorosos e a urgência do apoio assistencial às comunidades ribeirinhas, tornaram estes anos profundamente desafiadores”.

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Taveira, objetivo e orgulhoso, ressalta que, “como diz o ditado, é no mar agitado que se faz o bom marinheiro”, listando, mesmo diante desse cenário adverso, suas conquistas, dentre as quais: “Valorização das pessoas e das instituições: Fortalecemos o Sistema Estadual de Meio Ambiente com o PCCR dos servidores e com a realização do primeiro concurso público da história da SEMA e do IPAAM.

Comando, controle e preservação: Alcançamos em 2025 o menor índice de desmatamento dos últimos oito anos, zerando o desmatamento em quase 80% das nossas Unidades de Conservação (UCs) e estruturando a 5ª fase do PPCDQ-AM; Garantimos a segurança fundiária das associações de UCs por meio da concessão do CDRU coletivo; Instituímos um sistema jurisdicional moderno de Serviços Ambientais e REDD+, tornando o Amazonas pioneiro na assinatura de contratos de REDD+ em UCs Estaduais e na estruturação do Programa Amazonas 2030. Operacionalizamos o Fundo Estadual de Meio Ambiente (FEMA), viabilizando milhões de reais em apoio a prefeituras e ONGs”.

Eduardo Taveira, ex-secretário da SEMA
Eduardo Taveira, ex-secretário da SEMA. Foto: Reprodução/Aleam

A listagem segue: “Bioeconomia e uso sustentável: Impulsionamos a geração de renda nas UCs com o manejo florestal, a consolidação de 25 novos acordos de pesca e um marco inédito: a primeira comercialização legalizada de quelônios manejados em Carauari, após a devolução de mais de 2,4 milhões de filhotes à natureza; Implantamos a maior rede de monitoramento da qualidade do ar do Brasil, com sensores em todos os 62 municípios; elaboramos o Inventário de Emissões do Estado; iniciamos o Plano de Bacia do Tarumã-Açu; e consolidamos o maior programa de reciclagem do Amazonas, o Recicla, Galera, no Festival de Parintins; Retomamos a liderança política e institucional do Amazonas nas maiores rodadas de negociação climáticas do Brasil e do mundo”.

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Examinando a íntegra do documento, não seria interessante (e oportuno) relacionar, a título de esclarecimentos e prestação de contas à sociedade o que de fato pode-se considerar efetivas conquistas do trabalho de Taveira à frente da SEMA-AM, quais exatamente os benefícios sociais, econômicos e ambientais do povo amazonense auferidos até aqui? Quais os ganhos, mensurados, do Amazonas nesse período diante do desafio representado pela necessidade de consolidação do trinômio produzir, defender e conservar sustentavelmente o bioma?

Paralelamente, quais os avanços concretos relacionados à integração PIM/Bioeconomia como forma de construção de nova matriz econômica para o estado do Amazonas? Alguma razão para o silêncio do governo do Estado sobre questões de tamanha responsabilidade? Ou da Sedecti (que continua devendo o ZEE), da Sepror/Idam, isolados e apagados; da Sefaz, que, por essencialmente fiscalista, não se preocupa com o desenvolvimento?

Nessas circunstâncias, onde precisamente o Executivo, o ex-secretário Eduardo Taveira e suas ONGs pensam que vão chegar quanto à exploração integrada e sustentável dos recursos de nossa biodiversidade? A propósito, não se deve desprezar o dado estatístico de que o setor primário continua representando pouco mais de 3% do PIB do Amazonas. Realmente, nesses termos, muito preocupa o chegar a 2073.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

IIAP apresenta experiência imersiva que aproxima público do trabalho científico na Amazônia peruana

Foto: Reprodução/IIAP

O Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana (IIAP ), órgão do Ministério do Meio Ambiente, apresentou uma produção audiovisual imersiva que permite ao público acompanhar seus pesquisadores durante o trabalho de campo na Reserva Nacional Allpahuayo Mishana. A visita guiada mostra como os especialistas instalam armadilhas fotográficas, dispositivos de monitoramento bioacústico (AudioMoth) e realizam levantamentos de aves para gerar dados científicos.

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A experiência transporta o usuário para o coração desse ecossistema amazônico e permite que ele observe, da perspectiva dos pesquisadores, as técnicas que utilizam para monitorar a vida selvagem sem alterar seu comportamento natural. O conteúdo combina imagens em 360° com depoimentos de especialistas, que explicam a importância de cada ferramenta e sua contribuição para a pesquisa científica.

As câmeras-armadilha capturam fotos e vídeos quando ativadas por um sensor de calor infravermelho ao detectar a passagem de animais.

“Antes de instalá-las, verificamos a configuração do equipamento, o estado da bateria e a capacidade de armazenamento. Em seguida, selecionamos pontos estratégicos para obter registros confiáveis ​​da presença e atividade da vida selvagem”, explicou Fredy Arévalo Dávila, chefe do Centro de Pesquisa Allpahuayo Mishana.

IIAP apresenta experiência imersiva que aproxima público do trabalho científico na Amazônia peruana
Foto: Reprodução/IIAP

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Experimento também revela os sons da Amazônia

O monitoramento também incorpora dispositivos bioacústicos AudioMoth, que gravam continuamente os sons da floresta. Usando essas gravações, os pesquisadores identificam pássaros, anfíbios, mamíferos e insetos por suas vocalizações, mesmo quando não podem ser observados diretamente.

Para proteger o equipamento das chuvas intensas da Amazônia, o IIAP utiliza invólucros herméticos feitos de materiais reutilizáveis. Estes incorporam uma membrana acústica impermeável que impede a entrada de água sem afetar a qualidade das gravações, permitindo que o monitoramento continue mesmo em condições climáticas adversas.

O vídeo também inclui excursões de observação de aves, uma atividade fundamental para a compreensão da diversidade e do comportamento das espécies que habitam as florestas de areia branca da reserva. A esse respeito, o biólogo Francisco Vázquez Arévalo, especialista em ornitologia amazônica do IIAP, observou que, durante a estação chuvosa, as gravações de áudio permitem a identificação de espécies difíceis de observar diretamente, principalmente nessas florestas.

Foto: Reprodução/IIAP

A Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, localizada a cerca de 20 quilômetros a sudoeste de Iquitos, protege uma amostra representativa das florestas de areia branca da Amazônia peruana. Este ecossistema abriga espécies de flora e fauna altamente especializadas, muitas delas endêmicas.

As informações obtidas por meio dessas investigações fortalecem o conhecimento científico e fornecem evidências para a conservação desse patrimônio natural.

*Com informações do Instituto de Pesquisas da Amazônia do Peru

Dia do Patrimônio Histórico: qual a importância de preservar a memória do transporte brasileiro?

A memória do transporte brasileiro também pode ser encarada como um patrimônio histórico. Foto: Divulgação/FuMTran

O dia 17 de agosto marca a celebração do Dia do Patrimônio Histórico e chama atenção para a necessidade de preservar não apenas edifícios, monumentos e documentos, mas também os bens ligados à evolução dos transportes no Brasil. Bondes, locomotivas, trilhos, estações, estradas, portos, embarcações, maquinários e registros históricos ajudam a revelar como os diferentes modais transformaram cidades, aproximaram regiões e acompanharam mudanças econômicas e sociais ao longo do tempo.

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Com a missão de preservar e divulgar a história e a cultura dos transportes brasileiros, a Fundação Memória do Transporte (FuMTran) iniciou, em 2018, a estruturação de um banco de dados e de um museu virtual, posteriormente disponibilizados por meio do Portal Memória do Transporte.

O projeto reuniu curadores com experiência nos principais modais, desenvolveu uma metodologia própria de catalogação e passou a utilizar o software Sophia Acervo para organizar os materiais. Atualmente, cerca de 20 mil objetos estão identificados e catalogados, entre fotografias, livros, publicações, artigos, entrevistas, depoimentos, documentários, vídeos e exposições.

A entidade destaca que a preservação desses registros ajuda a compreender não apenas a trajetória dos diferentes modais, mas também a influência dos transportes na formação das cidades e no desenvolvimento do país.

“Quando você sabe de onde vem, começa a descobrir para onde vai. Preservar essa memória é fundamental para compreender como os transportes ajudaram a estruturar cidades e regiões metropolitanas, conectaram pessoas e impulsionaram o desenvolvimento econômico e social. Além de proteger um patrimônio cultural, esse conhecimento oferece referências importantes para planejar os sistemas do futuro”, afirma Antonio Luiz Leite, presidente da fundação.

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Memória dos transportes também faz parte do patrimônio histórico do país. Foto: Divulgação/Ministério dos Transportes

Memória dos transportes mantêm patrimônios

A conservação desse patrimônio permite compreender desde a expansão das ferrovias e das redes de transporte urbano até o desenvolvimento das rodovias, da aviação e da navegação no país. Essa dimensão pode ser observada em espaços como o Museu dos Transportes Públicos Gaetano Ferolla, em São Paulo, que preserva sete veículos históricos, cerca de 1.500 fotografias e 1.500 livros, além de documentos, objetos e equipamentos ligados à mobilidade urbana.

Mais do que peças isoladas, esses bens registram técnicas de engenharia, relações de trabalho, modos de vida e soluções criadas em diferentes períodos para atender às necessidades de deslocamento, abastecimento e circulação de mercadorias. 

Entre os principais desafios para a preservação desses registros estão a deterioração provocada pelo tempo, o abandono de estruturas e acervos, a escassez de recursos financeiros e a ausência de políticas de conservação. Na avaliação da FuMTran, ampliar a conscientização de empresas, entidades, dirigentes e da sociedade é fundamental para impedir que documentos, fotografias, veículos e equipamentos desapareçam antes que sua relevância histórica seja reconhecida.

Nesse contexto, o apoio de diferentes agentes do setor torna-se essencial: “Os avanços conquistados pela fundação foram possíveis graças ao incentivo de empresas, ao apoio de entidades do setor e ao reconhecimento dos nossos projetos culturais”, destaca Leite.

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Ao disponibilizar esse patrimônio ao público, a pesquisadores e às novas gerações, a instituição busca estimular estudos e ampliar o conhecimento sobre a influência dos transportes na integração territorial e no desenvolvimento econômico e social do país.

“Tornar essa memória acessível é uma maneira de preservar conhecimentos, valorizar aqueles que construíram a história do setor e oferecer à sociedade instrumentos para compreender melhor as transformações do Brasil”, ressalta o presidente da Fundação. É nessa conexão entre o que foi construído no passado e os caminhos que ainda precisam ser percorridos que o patrimônio dos transportes mantém sua relevância.

Transporte na Amazônia

A FuMTran, em maio, durante a 3ª edição da TranspoAmazônia, realizou o pré-lançamento do livro ‘A História do Transporte da Amazônia’. A obra escrita por Etelvina Garcia, reúne um amplo levantamento histórico sobre a evolução dos transportes na região amazônica, destacando o papel estratégico dos diferentes modais na integração territorial, na circulação de mercadorias e no desenvolvimento econômico da região Norte ao longo das últimas décadas.

A publicação apresenta um estudo aprofundado sobre o processo de desenvolvimento amazônico desde o período colonial português. Compreendida como uma região de dinâmica logística própria, a Amazônia é retratada como um território marcado por desafios operacionais, longas distâncias e condições geográficas que exigiram soluções específicas de mobilidade e abastecimento ao longo do tempo.

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Nesse contexto, o transporte surge como um dos principais vetores de estruturação regional, um tipo de patrimônio que influencia na formação de rotas comerciais, a conexão entre comunidades e a expansão das atividades econômicas. O modal fluvial ganha protagonismo na obra, com os rios assumindo função central na organização da circulação e no funcionamento logístico da região amazônica.

O livro também aborda a evolução da aviação regional, das conexões rodoviárias e da integração logística construída ao longo das décadas para aproximar comunidades muitas vezes isoladas e viabilizar atividades econômicas em uma das regiões mais complexas do planeta do ponto de vista operacional. Saiba mais AQUI.

FuMTran – Fundação Memória do Transporte

A FuMTran – Fundação Memória do Transporte nasceu em março de 1996, instituída pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT), com a missão de preservar e divulgar a memória, a história e a cultura do transporte brasileiro em todas as modalidades. Seus objetivos envolvem organizar, preservar e tornar acessíveis os registros históricos da atividade dos transportes.

A entidade tem, ainda, a missão de contribuir para a manutenção do patrimônio histórico-cultural do Brasil por meio da conservação da memória e da cultura do transporte brasileiro em todos os modais – rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário –, seja de carga ou de passageiros, mais a infraestrutura e a logística, tornando-os acessíveis à população. O projeto de memória, acervo e portal é perene, um processo contínuo, um trabalho sem fim.

*Com informações da assessoria

Nova espécie de rã é registrada em florestas alagadas da Amazônia

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Além de ampliar o conhecimento científico, a identificação de novas espécies de anfíbios neotropicais traz impacto direto em estratégias de conservação. Foto: Divulgação/CBioClima

Cientistas descobriram uma nova espécie de rã nas florestas alagadas do oeste da Amazônia, nomeada Adenomera varcena. A descoberta representa um avanço importante para o conhecimento da biodiversidade amazônica e da chamada diversidade críptica – casos em que dois ou mais animais parecem idênticos a olho nu, mas na verdade são de espécies completamente diferentes. Para diferenciá-las, os pesquisadores precisaram analisar detalhes como o canto do anfíbio e o seu DNA.

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Os resultados foram publicados em maio na revista Ichthyology & Herpetology. Entre os autores do artigo estão o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Célio Haddad e o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Thiago Carvalho. Ambos integram a equipe do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima) – um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) financiado pela FAPESP.

Cientistas descobrem nova espécie de rã em florestas alagadas da Amazônia
Nova espécie de rã descoberta em florestas alagadas da Amazônia. Foto: Reprodução/revista Ichthyology & Herpetology

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A descoberta ocorreu a partir de expedições realizadas na região do Alto Rio Juruá, no oeste do Acre, especialmente em fragmentos florestais associados aos rios Moa e Crôa, nas proximidades de Cruzeiro do Sul. Para confirmar que se tratava de uma nova rã, os pesquisadores cruzaram diferentes informações: análises de DNA, o som do canto, o formato do corpo (morfologia), dados sobre o ambiente onde ela vive e comparações com animais já preservados em coleções científicas.

O nome varcena faz referência justamente às florestas de várzea amazônicas, ecossistemas que alagam em determinadas épocas do ano, ambiente onde a nova espécie de rã foi encontrada. O artigo destaca que o uso desse tipo de hábitat representa uma descoberta a respeito do gênero Adenomera, que costuma habitar florestas de terra firme.

Fisicamente, a Adenomera varcena se diferencia das outras espécies pela falta de uma mancha escura na parte de baixo do antebraço. Além disso, seu canto de acasalamento é único: trata-se de um som curto, com ritmo bem lento e características sonoras muito específicas.

A descoberta dessa nova espécie de rã reforça o quanto a biodiversidade amazônica ainda é desconhecida, principalmente em relação a grupos de espécies morfologicamente semelhantes (diversidade críptica). O estudo também destaca que muitas linhagens de Adenomera ainda aguardam descrição formal e que novas pesquisas serão fundamentais para compreender melhor a diversificação desse grupo de anfíbios na Amazônia.

“Como ainda não conhecemos em detalhe as exigências ecológicas dessa espécie de rã e a sua história natural [período e modo reprodutivo], é difícil prever os impactos frente às mudanças climáticas, que podem alterar os regimes de inundação sazonal do ecossistema de florestas de várzea nessa região da Amazônia”, afirma Carvalho.

Nova espécie de rã descoberta em florestas alagadas da Amazônia. Foto: Reprodução/revista Ichthyology & Herpetology

Identificação de nova rã apontam necessidade de mais estudos

“Como a espécie tem preferência por esse ecossistema específico, é possível sugerir que essas alterações na dinâmica das inundações possam influenciar, não sabemos até que ponto, o comportamento reprodutivo da espécie. Em um cenário de perda acelerada das áreas naturais, a descrição formal de uma nova espécie reforça o quanto ainda precisamos nos esforçar para avançar os estudos sobre a nossa biodiversidade. As espécies podem ser extintas localmente antes mesmo de se tornarem espécies formais, com a sua nomeação e descrição”.

Nesse sentido, o professor Haddad alerta que, embora a descoberta de novos anfíbios seja frequente, a ciência trava uma verdadeira corrida contra o tempo diante da degradação ambiental para catalogar a biota brasileira com precisão.

“Atualmente, o ritmo da destruição dos ecossistemas supera a capacidade de resposta dos estudos taxonômicos. Consequentemente, espécies ainda não descritas ficam de fora das listas de fauna ameaçada, permanecendo juridicamente e ambientalmente vulneráveis. Assim, o ato de descrever novas espécies atua como uma ferramenta que auxilia na proteção. Além disso, aprofundar o conhecimento sobre a real biodiversidade expande nossa compreensão sobre a evolução dos organismos, consolidando um pilar essencial tanto para a ciência pura quanto para as estratégias de conservação”, diz.

Nova espécie de rã descoberta em florestas alagadas da Amazônia. Foto: Reprodução/revista Ichthyology & Herpetology

Além de ampliar o conhecimento científico sobre anfíbios neotropicais, a identificação de novas espécies possui impacto direto em estratégias de conservação. Sem o reconhecimento taxonômico correto, espécies raras ou restritas a determinados ambientes podem permanecer invisíveis para políticas ambientais e avaliações de risco de extinção.

A pesquisa envolveu colaboração entre instituições brasileiras e internacionais, reunindo cientistas ligados à UFMG, Unesp, Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Universidade do Equador (PUCE-Quito).

*Com informações do CBioClima e Agência Fapesp