Considerada a maior festa católica do Brasil, o tradicional Círio de Nazaré é uma manifestação religiosa que acontece há mais de dois séculos em Belém, no Pará, e reúne anualmente milhares de devotos de Nossa Senhora de Nazaré, um dos nomes da mãe de Jesus Cristo no Catolicismo. Entre as ações que compõem a tradição paraense estão os carros de promessa.
Um dos símbolos da fé e devoção, os carros de promessas são estruturas usadas para receber objetos de cera (chamados de ex-votos) levados pelos fiéis como uma forma de agradecimento por graças alcançadas ou para representar pedidos feitos à Nossa Senhora de Nazaré.
Os veículos acompanham a procissão levando objetos entregues por fiéis como velas normais, miniaturas de barcos e casas, fotografias, cartas, representações de partes do corpo (relacionados a pedidos envolvendo a saúde) e demais itens.
De acordo com a Diretoria da Festa na Basílica Santuário de Nazaré, da Arquidiocese de Belém, “o primeiro carro de promessas introduzido no Círio foi o Carro Dom Fuas, que remete ao milagre ocorrido em 1182 com o fidalgo português Dom Fuas Roupinho. Ele foi salvo de cair em um abismo após clamar por Nossa Senhora de Nazaré. Em 1805, por ordem da Rainha Dona Maria I, esse carro passou a integrar oficialmente a procissão”.
Assim, além da Berlinda, que é o veículo que conduz a Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré durante a Trasladação e o Círio, outros carros fazem parte da tradição.
Conheça os Carros de Promessa
Berlinda
Foi incorporada ao Círio em 1855, substituindo o antigo palanquim puxado por animais. O modelo atual, o quinto da história, foi confeccionado em 1964 pelo escultor João Pinto. A Berlinda é colocada sobre um carro com pneus e puxada pela corda conduzida pelos devotos.
Foto: Rosana Pinto/Ascom DFN
Carro Dom Fuas
É o primeiro carro de promessa inserido no Círio de Nazaré, em 1805. Foi incorporado após o milagre vivido pelo fidalgo Dom Fuas Roupinho, que caiu com seu cavalo dentro de um abismo, no ano de 1182 em Portugal e foi salvo após invocar Nossa Senhora de Nazaré.
Carro de Plácido
Representa o caboclo Plácido José de Souza, que encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré no igarapé Murutucu. O carro foi doado pela Prefeitura de Ananindeua em 2000, com projeto do arquiteto Fernando Pessoa.
Carro da Saúde
Criado em 2021 como homenagem ao padre Santo Antônio Maria Zaccaria, médico e religioso. A inserção do carro, após dois anos sem procissão presencial devido à pandemia, homenageia os profissionais de saúde. O santo segura uma cruz na mão direita e a imagem de Nossa Senhora da Saúde na esquerda.
Carro da Sagrada Família
Adicionado em 2017 por decisão do Pároco de Nazaré, Padre Giovanni Incampo, representa a união familiar através de Jesus, Maria e José.
Barca Portuguesa
É uma Xavega tradicional portuguesa, enviada da cidade de Aveiros em 1971.
Barca da Guarda Mirim
Inserida em 1990 pelos Escoteiros do Mar.
Barca com Remos / Barca Nova / Barca com Velas
Cada uma representa a barca como instrumento de evangelização. A Barca com Velas foi doada em 1982 por Chico Fonseca (JONASA).
Carro Dom Fuas Roupinho
Além de Dom Fuas, representa também o milagre do escaler do Brigue São João Batista. Introduzido em 1805 por ordem da Rainha Dona Maria.
Carros dos Anjos
Comportam cerca de 50 crianças cada, totalizando 200 crianças. As inscrições ocorrem em setembro, no corredor lateral da Basílica. Crianças de 4 a 9 anos podem participar. O grupo foi criado em 1972 para garantir a segurança das crianças durante a procissão.
Cesto de Promessas
Funciona como um “depósito de fé” onde os romeiros colocam seus pedidos e agradecimentos. Após o Círio, os papéis são abençoados e queimados em cerimônia especial.
Este ano, após o Traslado dos Carros, dia 7 de outubro, a primeira procissão oficial da festividade, os carros ficarão abrigados e em exposição no Complexo Porto Futuro.
O Círio de Nazaré 2026
O Círio de Nazaré é realizado pela Arquidiocese de Belém, Basílica Santuário de Nazaré e Diretoria da Festa de Nazaré, e é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
Pesquisadores registram a maior andada reprodutiva do caranguejo-uçá em 2026. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP
A maior andada reprodutiva do caranguejo-uçá em 2026 ocorreu fora do período de defeso, na Estação Ecológica Maracá-Jipioca (Esec), localizada no município de Amapá. Pesquisadores do projeto Costamar registraram o fenômeno no mês de agosto.
A descoberta indica que o calendário atual não protege toda a fase reprodutiva da espécie. O estudo reúne dados que podem contribuir para a revisão e a definição de uma nova política adequada ao ciclo reprodutivo do caranguejo-uçá no estado.
De acordo com Jonas Rosa, supervisor regional do Projeto Costamar, ainda não há explicação para as andadas fora do período previsto.
“A andada é o período em que machos e fêmeas saem para procurar um parceiro sexual. Nós identificamos essa andada fora do defeso, e a captura durante esse período pode prejudicar a reprodução, os estoques e a comercialização do animal”, disse.
Pesquisadores do projeto realizam monitoramentos a cada 15 dias na estação ecológica. Uma das hipóteses considera que fatores ambientais do estado, como o clima e os manguezais, influenciam o período das andadas.
Caranguejo-uçá também é conhecido como catanhão, caranguejo-verdadeiro e uçaúna. Foto: Divulgação
O comportamento dos animais também muda de um ano para o outro. A pesquisa deve durar três anos para ampliar os dados e identificar um padrão de reprodução no Amapá.
Em outros estados, o estudo já foi realizado, e os resultados contribuíram para a definição de novos períodos de defeso.
O período de defeso protege determinadas espécies durante fases importantes do ciclo reprodutivo. Nesse intervalo, a legislação estabelece restrições à pesca e à comercialização para permitir a reprodução dos animais e contribuir para a renovação dos estoques. As regras de defeso variam conforme a espécie e a região.
Proteção ambiental: o defeso pode proibir ou restringir a captura, o transporte e a comercialização de determinadas espécies durante o período de reprodução. Exceções: a legislação pode permitir a pesca de subsistência para comunidades tradicionais e ribeirinhas, dentro de limites específicos de quantidade e equipamentos. Seguro-Defeso: pescadores profissionais artesanais que atendem aos requisitos legais podem receber um benefício financeiro durante o período em que ficam impedidos de exercer a atividade. Penalidades: quem descumpre as regras do defeso pode cometer crime ambiental e ter equipamentos e produtos apreendidos, além de receber multas.
Caranguejo-Uçá
O caranguejo, conhecido como caranguejo-uçá, é um dos mais importantes constituintes da fauna do ecossistema de manguezal. A espécie apresenta distribuição com maior abundância nos manguezais do Amapá.
Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR
Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e da Universidade de São Paulo (USP) que estudam a ocorrência de terras raras no Sul de Roraima participam, no dia 18 de setembro, de um evento sobre os minerais e as tecnologias usadas para analisá-los. A programação ocorre na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR), em Boa Vista, e reúne especialistas em Química, Geologia, Geociências, Geoquímica e Ciência do Solo.
O encontro terá palestras sobre nanotecnologia, análise de minerais por técnicas de raio-X e prospecção de áreas com potencial dos minerais. Um dos temas será a exploração de depósitos por adsorção iônica, tipo de formação em que os elementos ficam presos às partículas de argila do solo.
As atividades começam às 8h, com abertura feita pelo empresário Lucergio Barreira, proprietário e pesquisador do Complexo Barreira, área onde foram identificadas as terras raras, localizada em Caracaraí, no Sul de Roraima, onde os estudos da UFRR e USP são realizados. Às 9h10, o professor titular da USP Henrique Eisi Toma apresenta a palestra “A nanotecnologia das terras raras”. Toma integra a equipe que analisa cerca de 100 amostras de argila coletadas na região.
O estudo da USP começou em janeiro de 2026 e busca identificar quais elementos de terras raras estão presentes nas amostras, medir a concentração deles e desenvolver formas de separá-los. Nas áreas analisadas até agora, as concentrações variam de aproximadamente 0,3% a 0,6%, segundo os pesquisadores. Os índices citados para depósitos desse tipo costumam ficar entre 0,01% e 0,3%.
Tecnologia para separar os minerais
Depois da etapa de análise química, os pesquisadores da USP pretendem aplicar uma tecnologia desenvolvida pela universidade para a separação das terras raras.
A técnica utiliza nanopartículas projetadas para reconhecer os elementos, permitindo extraí-los e separá-los. O tema será apresentado por Toma durante o evento.
As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos utilizados em produtos e equipamentos de alta tecnologia, como baterias, turbinas eólicas, carros elétricos, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar do nome, elas não são necessariamente escassas. Um dos principais desafios é separar os elementos, que possuem propriedades químicas semelhantes.
Terras raras em Roraima são estudadas por pesquisadores da UFRR e da USP. Foto: Reprodução/Yara Ramalho-G1 RR
Pesquisas sobre terras raras em Roraima
As amostras analisadas pela USP foram coletadas na mesma região onde pesquisadores da UFRR identificaram, em estudos anteriores, concentrações consideradas anômalas de terras raras.
Pesquisadores da UFRR encontraram rochas e argilas com alta concentração de terras raras no Complexo Barreira em 2025. Entre os elementos identificados estava o ítrio, que apresentou concentração de 296 partes por milhão (ppm), considerada acima do normal pelos pesquisadores.
Na época, os pesquisadores explicaram que ainda era necessário verificar se as concentrações se mantinham ao longo da área e em diferentes profundidades para determinar o tamanho e o potencial econômico da ocorrência.
Trincheira na pesquisa de terras raras no interior de Roraima. Foto: Yara Ramalho/Rede Amazônica RR
A área pesquisada tem mais de 120 mil hectares e fica entre as serras do Baraúna e do Anauá. No local, foram abertas mais de 50 trincheiras em diferentes pontos, e terras raras foram identificadas em todas as áreas analisadas, inclusive em profundidades de até 15 metros.
A pesquisa ainda está em fase de análise e prospecção — etapa me que pesquisadores investigam a concentração, a distribuição e a profundidade das terras raras para avaliar a extensão e o potencial econômico da ocorrência. Os estudos também buscam determinar se há quantidade e concentração suficientes dos minerais para caracterizar uma jazida com potencial de exploração econômica.
8h – abertura, com Lucergio Barreira, pesquisador e proprietário do Complexo Barreira.
9h10 – palestra com Henrique Eisi Toma, professor titular da USP. Tema: “A nanotecnologia das terras raras”
10h – Perguntas e respostas
10h20 – coffee break
10h50 – palestra com Kalil Cristhian Figueiredo Toledo, professor doutor em Química. Tema: “Desvendando os minerais por técnicas de raio-X”
11h30 – Perguntas e respostas
11h50 – Almoço
14h – palestra com Nilson Francisquini Botelho, professor doutor em Geologia. Tema: “Desafios na prospecção e exploração de depósitos de terras raras do tipo adsorção iônica: exemplos brasileiros”
14h40 – Perguntas e respostas
15h – Mesa-redonda. Participam: Lucergio Barreira; Henrique Eisi Toma; Kalil Cristhian Figueiredo Toledo; Nilson Francisquini Botelho; José Frutuoso do Vale Júnior, doutor em Ciência do Solo; Vladimir de Souza, doutor em Geociências; Carlos Eduardo Lucas Vieira, doutor em Geociências; Lorena Malta Feitoza, doutoranda em Geoquímica.
Fruteira Tucano, de Mateus Pereira (Parintins) – Material molongó. Foto: Divulgação/Sebrae
O Amazonas ficou em terceiro lugar entre os estados com mais representantes premiados na 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato. O resultado foi divulgado pelo Sebrae e reconheceu 10 unidades produtivas do estado entre as 100 melhores do país.
Os vencedores são dos municípios de Barcelos, Careiro, Iranduba, Manaus, Maraã, Parintins e São Gabriel da Cachoeira. As iniciativas trabalham com diferentes técnicas e materiais da região, valorizando a cultura amazônica e os saberes tradicionais.
Nesta edição, o Amazonas teve 64 inscrições. Desse total, 21 unidades avançaram para a etapa nacional e 10 foram selecionadas entre as vencedoras. No ranking nacional, Minas Gerais liderou com 21 premiados. Alagoas e Piauí ficaram em segundo lugar, com 11 vencedores cada. O Amazonas apareceu na terceira posição, à frente de Bahia, Goiás e Pernambuco, que tiveram seis representantes premiados.
Foto: Reprodução/Sebrae
Entre os vencedores amazonenses estão:
Casa da Arte (São Gabriel da Cachoeira);
Teçume da Amazônia (Maraã);
Alva Tuyuca Artesanatos (Barcelos);
Celdo Braga Bioinstrumentos Amazônicos (Manaus);
Mateus Pereira (Parintins);
Associação de Artesãos Teçume da Floresta (Careiro);
Associação de Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira (ASSAI SGC);
Bonecaria da Amazônia (Iranduba);
Dina Piaçasuiwara (Barcelos);
Cooperativa de Trabalho de Artesanato Amazonense (Copamart), de Manaus.
O resultado mantém o Amazonas entre os destaques da premiação. Na edição anterior, o estado teve 13 vencedores e ficou em segundo lugar no ranking nacional. Neste ano, apesar da redução no número de selecionados, continuou entre os estados com maior presença na lista.
O Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato reconhece unidades produtivas de todo o país. Além da qualidade das peças, a seleção considera critérios como inovação, acabamento, identidade cultural, gestão do negócio, sustentabilidade e capacidade de comercialização.
Segundo o Sebrae, a escolha dos vencedores ocorre em três etapas e avalia tanto os produtos quanto a organização e o potencial de mercado dos empreendimentos.
Entre os premiados do Amazonas, duas iniciativas repetiram o resultado alcançado na edição anterior: a Associação de Artesãos Teçume da Floresta e a Associação de Artesãos Indígenas de São Gabriel da Cachoeira.
A Teçume da Floresta produz peças feitas com cipó ambé. Já a ASSAI reúne artesãos indígenas que utilizam fibras tradicionais, como tucum e arumã, em seus trabalhos.
Entre os estreantes estão o artesão Mateus Pereira, de Parintins, além da Bonecaria da Amazônia e da Celdo Braga Bioinstrumentos Amazônicos.
A cerimônia de premiação está prevista para 11 de novembro, no Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), no Rio de Janeiro. Além do reconhecimento nacional, os vencedores participarão de um encontro de negócios nos dias 12 e 13 de novembro, com compradores e lojistas.
Os selecionados também poderão utilizar por três anos o selo do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato e terão produtos divulgados no catálogo oficial da premiação.
Criado em 2006, o prêmio reconhece unidades produtivas consideradas referência no artesanato brasileiro. Nesta sexta edição, foram registradas 1.647 inscrições, com 100 vencedores de 22 estados.
A Expo Favela Innovation Amazonas 2026 acontece nos dias 19 e 20 de setembro, o Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus, e será palco de uma programação que reúne cultura, criatividade, empreendedorismo e inovação, com atrações para todos os públicos e espaço para valorizar os talentos das periferias amazônicas.
Com uma proposta que conecta ideias, negócios e expressões culturais, a Expo promete dois dias de muita troca, conhecimento e entretenimento. A programação inclui palestras sobre arte amazônica, arte urbana, mídia e sociedade na periferia, design sustentável, mudanças climáticas, inovação cultural, criatividade, sustentabilidade e economia criativa.
”Nesta terceira edição, queremos que cada empreendedor se sinta valorizado e perceba que seu trabalho pode alcançar novos mercados. É um espaço de visibilidade, aprendizado e, principalmente, de oportunidades reais”, destaca Fabiana Carioca.
Entre os nomes confirmados nos painéis estão René Silva, especialista em comunicação comunitária; Clara Monek atriz da rede Globo; Orsine Júnior, empresário e produtor cultural; Loredana Kotínski, consultora em sustentabilidade; Régia Moreira, empresária e presidente da Comissão ESG do CIEAM; além de outros convidados que contribuem para ampliar o debate sobre cultura, comunicação, meio ambiente e desenvolvimento na Amazônia.
O público poderá acompanhar apresentações da DJ Rafa Militão, Forró Vibe, Companhia de Hip-Hop DDtanks, Companhia de Jazz da CUFA-AM, Maracatu Pedra Encantada, Dacota MC e Casal do Norte. A agenda ainda contará com grafite ao vivo, batalha de MCs, batalha de breaking e batalha de K-pop, reunindo diferentes linguagens artísticas e expressões da juventude.
”É um evento que já se consolidou no calendário de Manaus e que, a cada edição, amplia sua capacidade de conectar talentos, gerar oportunidades e mostrar a potência das periferias amazônicas. Nossa expectativa é que os dois dias sejam marcados por muita troca, conhecimento e experiências que deixem um legado para quem participar”, destaca Alexey Ribeiro, presidente da CUFA.
Foto: Divulgação/CUFA Amazonas
Educação e saúde também fazem parte da Expo Favela
Outro destaque será o campeonato de capoeira, com mais de 200 atletas, que promete movimentar o evento e celebrar a força, a disciplina e a tradição dessa manifestação cultural.
A Expo Favela Innovation Amazonas 2026 reforça a importância de criar espaços para que artistas, empreendedores e produtores culturais possam apresentar seus trabalhos, ampliar conexões e transformar criatividade em oportunidades. Mais do que um evento, a iniciativa celebra a potência de quem faz acontecer na Amazônia.
Edição deste ano do Inova Amazônia Summit terá o dobro de participantes em relação ao ano passado. Foto: Anthonny Nascimento/Sebrae AP
Com entrada gratuita, o Inova Amazônia Summit 2026 começa nesta quinta-feira (17), em Rio Branco (AC), com três dias de programação no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (UFAC). Realizado pelo Sebrae, o principal encontro de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal reúne, nesta edição, quase o dobro de palestrantes da edição anterior.
São 141 nomes confirmados, entre eles a cantora paraense Fafá de Belém, o escritor, educador e ambientalista Kaká Werá, a jornalista, produtora rural e apresentadora de TV Paula Varejão, o enviado especial da COP30 e coordenador do Fórum de Governança Climática da FGV-SP, Marcelo Behar, e o gestor e especialista em inovação, empreendedorismo e desenvolvimento econômico Wilson Poit.
“O Inova Amazônia Summit parte da premissa que a Amazônia não é apenas território de biodiversidade, mas também território de inovação, ciência, tecnologia, empreendedorismo, cultura e negócios”, explica Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
As palestras magnas e os painéis do Inova Amazônia Summit 2026 estão distribuídos, ao longo dos três dias, em cinco trilhas de conteúdo: Juventude Amazônica, Sustentabilidade, Bioeconomia e Negócios, Territórios e Saberes, Inovação e Conexões. A programação começa a partir das 14h, em diferentes ambientes do evento.
A solenidade de abertura será realizada no dia 17 de setembro, às 19h, no espaço Teatro Povos da Floresta. Na ocasião, será lançado o edital do Inova Amazônia Global Edition, iniciativa do Sebrae em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para levar a mercados globais negócios que têm a Amazônia como origem e propósito.
Foto: Divulgação
Mais conexão e acesso a mercado
Nesta edição, o Summit amplia as oportunidades de conexão e geração de negócios com a participação de 90 pequenos negócios de bioeconomia dos nove estados da Amazônia Legal, além de 20 representantes de Indicações Geográficas (IGs), que reúnem produtos reconhecidos por características, reputação ou qualidade associadas à sua origem.
A programação também terá rodadas de negócios nacionais e internacionais, aproximando empresas amazônicas de compradores, parceiros e potenciais clientes do Brasil e do exterior. As rodadas de investimento completam a agenda de conexões, com oportunidades de acesso a capital para startups e negócios inovadores.
Na edição do ano passado, realizada em Macapá (AP), o Inova Amazônia Summit registrou mais de R$ 2,1 milhões em vendas realizadas durante o evento, R$ 5 milhões gerados nas rodadas de investimentos e R$ 825 mil nas rodadas de negócios.
“O resultado esperado é fortalecer a capacidade da Amazônia de gerar valor a partir de sua biodiversidade, criando oportunidades econômicas sustentáveis e contribuindo para melhorar a qualidade de vida de quem vive, trabalha e empreende na região”, afirmou Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
Além dos negócios e das conexões, o Summit também celebra a identidade amazônica com atividades culturais e experiências que aproximam o público dos sabores e saberes da região. No Cozinha Show, realizado no Palco Origens, chefs convidados vão preparar pratos e bebidas com ingredientes, temperos e sabores da Amazônia.
Em paralelo ao Inova Amazônia Summit, acontece pela primeira vez o Festival Gastronômico – Amazônia no Prato 2026, entre os dias 16 e 18 de setembro. Restaurantes parceiros vão apresentar pratos autorais inspirados na cultura e nos sabores da floresta.
Sob o conceito “Onde a floresta ecoa em memória e sabor”, cada criação valoriza ingredientes com Indicação Geográfica (IG) de cinco estados amazônicos, como a Farinha de Cruzeiro do Sul, o Açaí de Feijó, o Guaraná de Maués, o Cacau de Tomé-Açu e o Tambaqui de Rondônia.
A lista dos restaurantes participantes está disponível no site oficial. Entre os estabelecimentos já confirmados estão Jannu’s Bistrô, Natto Bistrô e Café, restaurante Flutuante Malveira, hamburgueria Vai de Soberanos, Insano Lanches; restaurante DuSol; Divino Fogão; Estância Churrascaria e Pizzaria; Cantina do Baba; restaurante La Cave e restaurante Manto Verde.
A área externa do evento será palco da programação cultural, com apresentações de sete artistas que passeiam pelo hip hop, rock autoral, ritmos latinos e manifestações tradicionais da floresta.
Os nomes são o rapper acreano Kaemizê, Mestra Zenaide Pereira, a liderança espiritual e musicista Mapu Huni Kuin, o grupo acreano Caldo de Piaba, a banda peruana Cheguere, a artista rondoniense Marcela Bonfim e a banda acreana Os Descordantes.
Inova Amazônia Summit 2026
O Inova Amazônia Summit 2026 é o principal encontro de bioeconomia, inovação e empreendedorismo da Amazônia Legal. Durante três dias, empreendedores, startups, pesquisadores, investidores, lideranças empresariais, representantes do setor público e especialistas do Brasil e do mundo se conectam para transformar o potencial da biodiversidade amazônica em negócios sustentáveis, soluções inovadoras e desenvolvimento econômico com impacto positivo para a floresta e para as pessoas.
A Amazônia, seus rios, sua floresta e as histórias de quem vive e constrói sua relação com esse território são o centro de “Esse Rio é Minha Rua 3”, novo documentário de curta-metragem dirigido por Zena Gorayeb, que conta a história de Dona Nena, uma das figuras mais importantes do empreendedorismo feminino do Pará.
Em sua terceira edição, a série documental volta seu olhar para a Ilha do Combu, às margens do Rio Guamá, para contar a trajetória de Dona Nena, ribeirinha, extrativista do cacau e fundadora da Casa do Chocolate. A partir de sua história, o filme percorre o ciclo do cacau, do cultivo e da colheita à transformação das sementes em chocolate, revelando conhecimentos e práticas transmitidos entre gerações.
O filme será lançado no dia 19 de setembro, a partir das 16h, no espaço cultural Norte Skate Point, localizado no bairro do Umarizal, em Belém, e terá outras duas exibições: no dia 17 de outubro, na Casa do Chocolate, na Ilha do Combu, e no dia 9 de novembro, no Cine Líbero Luxardo, no Centur, em Belém.
Foto: Reprodução/Projeto Draft
Nena, retrato da resistência feminina
“Esse Rio é Minha Rua 3” apresenta a trajetória de Dona Nena e constrói um retrato afetivo de uma mulher que encontrou no cacau um caminho de autonomia, resistência e transformação, mostrando como os saberes tradicionais podem dialogar com novas formas de produção e geração de renda sem romper com a relação de respeito ao território.
“Esse filme é, sobretudo, um encontro com a Amazônia a partir de quem vive nela. A história de Dona Nena revela a força dos saberes ribeirinhos e mostra que preservar o território também passa por valorizar as pessoas, suas histórias e seus modos de vida”, destaca a diretora Zena Gorayeb.
A produção também reafirma uma escolha da diretora pela equidade de gênero tanto atrás quanto diante das câmeras. A presença de mulheres na equipe e o protagonismo feminino nas histórias são entendidos como parte de uma perspectiva de cinema que busca ampliar os espaços de criação e representação.
Equipe de produção do curta também é formado por mulheres. Foto: Divulgação
“Ter mulheres na equipe e mulheres como protagonistas é uma escolha consciente. Quero valorizar seus olhares, seus saberes e suas histórias, para que elas ocupem espaços de criação e sejam protagonistas de suas próprias narrativas”, afirma Zena.
A trajetória de Dona Nena se conecta diretamente à identidade da Ilha do Combu. Entre o rio, a floresta e o trabalho artesanal, o documentário revela uma economia baseada na valorização da biodiversidade e dos conhecimentos locais. Nesse contexto, o cacau deixa de ser apenas matéria-prima e se transforma em elemento de conexão entre território, memória, cultura e futuro.
Com uma narrativa marcada pela proximidade com a personagem e pelo registro do cotidiano ribeirinho, “Esse Rio é Minha Rua 3” busca aproximar o público de uma Amazônia vivida, produzida e narrada por seus próprios habitantes.
Além da produção audiovisual, o projeto desenvolve atividades de arte-educação e práticas esportivas com crianças ribeirinhas, promovendo experiências de aprendizado, expressão, convivência e valorização da cultura amazônica. A iniciativa foi contemplada pelo Edital PNAB nº 005/2025 – Fomento à circulação de projetos culturais, fortalecendo ações que aproximam arte, educação, esporte e território e ampliam o acesso de crianças e comunidades ribeirinhas a atividades culturais e formativas.
A medida também beneficia trabalhadores de aplicativos e suspende atividades físicas escolares ao ar livre. Foto: Reprodução/Arquivo Rede Amazônica AM
A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) aprovou no dia 8 de setembro com 18 votos favoráveis, um projeto de lei (PL) que estabelece medidas de proteção para a população durante períodos de calor extremo no estado. Entre as regras previstas estão a oferta gratuita de água, a criação de áreas de sombra e a mudança no horário de atividades expostas ao sol.
De autoria do deputado Delegado Péricles (PL), o Projeto de Lei nº 509/2026 cria cinco níveis de risco térmico, que vão de normalidade a emergência térmica. As medidas devem ser adotadas de forma gradual, conforme a temperatura e a umidade do ar ou a partir de alertas oficiais.
O texto ainda precisa ser sancionado pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade (União Brasil), para virar lei.
Veja os níveis de risco térmico previstos
NRT 1 –Normalidade: índice de calor projetado inferior a 36 °C e ausência de aviso oficial de temperatura elevada.
NRT 2 –Atenção: índice de calor entre 36 °C e 40 °C por um ou dois dias consecutivos, ou vigência de aviso oficial de perigo potencial;
NRT 3 –Alerta: índice de calor entre 36 °C e 40 °C, com previsão de permanência ou aumento por pelo menos três dias consecutivos, ou vigência de aviso oficial de perigo;
NRT 4 – Alerta Máximo: índice de calor entre 40 °C e 44 °C, com previsão de permanência ou aumento por pelo menos três dias consecutivos, ou vigência de aviso oficial de grande perigo;
NRT 5 – Emergência Térmica: índice de calor superior a 44 °C, com previsão de permanência ou aumento por pelo menos três dias consecutivos.
Água gratuita
A partir do nível de atenção, estabelecimentos privados com atendimento presencial deverão oferecer água potável gratuitamente aos clientes e visitantes.
A regra não se aplica a bares, restaurantes, lanchonetes, cafeterias, quiosques e estabelecimentos semelhantes que já comercializam bebidas.
A partir do nível de alerta, locais privados com pelo menos 500 metros quadrados de área de circulação de público, como centros comerciais, hipermercados e galerias, também deverão oferecer áreas de descanso ventiladas ou climatizadas, sanitários e pontos de hidratação.
O projeto ainda proíbe, nesse nível de risco, a formação de filas diretamente expostas ao sol sem cobertura ou sombreamento.
No transporte intermunicipal rodoviário e hidroviário delegado pelo estado, viagens com duração de pelo menos duas horas deverão oferecer água gratuitamente aos passageiros.
Os veículos também deverão manter os sistemas de climatização ou ventilação em funcionamento.
A partir do nível de alerta máximo, haverá ainda restrições ao transporte de passageiros em áreas descobertas e acima da lotação autorizada.
Eventos ao ar livre
Em eventos ao ar livre com mais de 500 pessoas, o nível de alerta exigirá pontos gratuitos de hidratação e áreas de descanso cobertas ou sombreadas.
Em níveis de risco mais altos, os horários dos eventos deverão ser adaptados ou as atividades transferidas para locais protegidos do calor.
Foto: Divulgação
Escolas particulares
Nas escolas particulares, atividades físicas e recreativas ao ar livre deverão ser suspensas entre 10h e 16h a partir do nível de alerta.O projeto também prevê acesso à água e aos banheiros e flexibilização do uniforme dos alunos.
“O eixo desta proposição é a substituição de um comando único e indiferenciado por uma escala graduada de resposta, à maneira dos sistemas de alerta precoce consagrados na gestão de risco de desastres e na vigilância em saúde”, diz trecho da justificativa da proposta aprovada pelos deputados.
Trabalhadores expostos ao calor
A proposta também estabelece medidas para trabalhadores que ficam expostos ao calor, como entregadores, motoristas por aplicativo, mototaxistas, ambulantes, catadores, carteiros e trabalhadores de obras e serviços em vias públicas.
Estabelecimentos privados deverão permitir que esses profissionais tenham acesso gratuito a água e sanitários. As plataformas de entrega e transporte também deverão informar os usuários sobre o nível de risco térmico e indicar pontos de hidratação.
No nível de alerta máximo, trabalhadores de aplicativos não poderão ser punidos por recusar chamadas, fazer pausas ou se desconectar temporariamente entre 10h e 16h.
Proteção de animais
O projeto também estabelece medidas para proteger animais durante períodos de calor extremo.
A partir do nível de alerta, serão consideradas situações de maus-tratos:
manter animais sob sol direto, sem sombra e água;
deixar animais dentro de veículos estacionados;
transportar animais sem ventilação adequada.
No nível de emergência térmica, atividades expostas ao calor que não tenham sido adaptadas deverão ser interrompidas entre 10h e 16h.
O descumprimento das regras poderá resultar em sanções administrativas previstas no Código de Defesa do Consumidor e na legislação estadual de proteção animal.
Cecília-maria é um anfíbio escavador. De hábitos discretos, animal foi coletado na Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Foto cedida para divulgação ´por Miguel Relvas Ugalde
A mais nova integrante da família Siphonopidae chama-se Siphonops maria ou, simplesmente, ‘cecília-maria’. Ela é do Rio de Janeiro; mede, no máximo, 192 mm de comprimento; tem de 110 a 119 anéis corporais; e possui olhos pequenos e cobertos por pele. Por esse último detalhe, as cecílias também são chamadas de ‘cobras-cegas’, embora sejam anfíbios. O equívoco não é o único envolvendo a identificação desses discretos animais.
Um estudo liderado por cientistas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituição vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), identificou que alguns espécimes estão erroneamente catalogados em coleções herpetológicas. Entre esses, estava ‘cecilia-maria’, que, após a pesquisa, foi descrita e nomeada devidamente.
Os achados foram registrados no artigo científico “Avaliação filogenética e osteológica de espécimes atribuídos a Siphonops hardyi (Gymnophiona: Siphonopidae), com a descrição de uma nova espécie do Rio de Janeiro, Brasil”, publicado no Zoological Journal of the Linnean Society, no início deste mês.
Foi escrito pelos pesquisadores Adriano Oliveira Maciel, Manuela Vieira dos Santos, Ana Lúcia da Costa Prudente, vinculados à Coordenação de Zoologia do Museu Goeldi (Cozoo/MPEG), com a contribuição de cientistas independentes e de outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais (lista completa aqui).
Detalhe da cabeça da cecília-maria. Foto: Miguel Relvas Ugalde
De acordo com o estudo, as análises se concentraram na segunda família mais rica em espécies de cecílias da América do Sul, a Siphonopidae, que registra ocorrências em todos os biomas brasileiros, mas com maior concentração de espécies na Amazônia e na Mata Atlântica. O foco da pesquisa foi na espécie Siphonops hardyi, com ocorrência na Mata Atlântica brasileira, cujo nome tem sido usado, equivocadamente, para catalogar diversos espécimes de linhagens semelhantes, em relação ao aspecto externo, mas consideravelmente diferentes.
Estudo conduzido no Museu Goeldi
O pesquisador Adriano Maciel destaca que o estudo foi conduzido principalmente no Laboratório de Herpetologia do Museu Goeldi, chefiado pela pesquisadora Ana Prudente, mas também com etapas desenvolvidas no Laboratório de Biologia Molecular do MPEG, mantido com financiamento da Finep, por meio do projeto “Parque Analítico do MPEG: Análise de Transformações na Amazônia e seus Efeitos na Sociobiodiversidade e na Paisagem”.
“Além disso, as imagens adquiridas no Laboratório de Microtomografia de Alta Resolução do MPEG também foram decisivas para o refinamento das comparações entre o crânio da cecília-maria e as demais espécies de seu gênero”, ressaltou.
A pesquisa também contou com bolsa de pós-doutorado do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e recebeu apoio de uma bolsa de doutorado das fundações de pesquisa de São Paulo e do Pará, Fapesp e Fapespa, respectivamente.
Foram também examinadas amostras do GenBank, o banco de dados público de sequências genéticas mantido pelo National Center for Biotechnology Information (NCBI). No Brasil, foram analisados espécimes conservados no Museu Goeldi (Belém, PA), no Museu Nacional (Rio de Janeiro, RJ), na Coleção Célio Haddad (Unesp, Rio Claro, SP) e no Museu de Diversidade Biológica da Unicamp (Campinas, SP).
O levantamento também contou com acervos do Museu Nacional de História Natural de Paris (França) e do Museu Zoológico de Hamburgo (Alemanha), além de dados de tomografia computadorizada do crânio de um exemplar depositado no Museu de Zoologia da Universidade de Michigan (EUA).
Reconstrução tridimensional do crânio de uma cecília-maria e seu esqueleto. Foto: Autores do Artigo
Combinação de análises genéticas e ósseas
Os cientistas combinaram análise filogenética molecular – para entender o parentesco e a história evolutiva desses animais – com morfologia externa, dentição e estudo comparativo dos ossos do crânio (osteologia). Para a análise filogenética, os cientistas primeiro extraíram o DNA das amostras e sequenciaram três marcadores genéticos mitocondriais específicos (12S, 16S e COI).
Usando programas de computador, montaram uma árvore evolutiva (filogenia), determinando o grau de parentesco entre os indivíduos e identificando suas linhagens.
Imagem usada no artigo científico mostra o mesmo osso em diferentes espécies de cecílias. Foto: Autores do artigo
No estudo da morfologia externa e da cavidade oral, contaram os anéis corporais e número de dentes, entre outras características. Na osteologia comparativa dos crânios, os pesquisadores utilizaram diversas ferramentas tecnológicas e informações, por exemplo, obtiveram tomografias computadorizadas de alta resolução e fotografias de crânios de outros estudos; e consultaram estudos anatômicos clássicos e contemporâneos.
Assim, puderam reconstruir crânios tridimensionais e analisar vários detalhes morfológicos, como a forma de cada osso, a quantidade e a posição dos dentes, o encaixe das suturas e as aberturas (forames) por onde passam vasos e nervos sensoriais dos anfíbios. Foram observados quase 30 parâmetros diferentes, que ajudaram a identificar diferenças anatômicas únicas de cada grupo.
“Nas análises, encontramos o parafiletismo do gênero Siphonops, pois indivíduos com características atribuídas a Siphonops foram agrupados com indivíduos com características tradicionalmente atribuídas a Luetkenotyphlus, outro gênero da família. Isso mostra que as características antes consideradas exclusivas de Luetkenotyphlus não definem uma linhagem evolutiva independente, não justificando o reconhecimento dos dois grupos como gêneros distintos. Para corrigir isso, reunimos esses grupos aparentados sob um único gênero, considerando Luetkenotyphlus sinônimo de Siphonops”, explicou o pesquisador Adriano Maciel.
A Siphonops maria (nome científico) ou cecília-maria (nome vernacular sugerido) foi registrada em fragmentos de Mata Atlântica em diferentes condições de conservação no estado do Rio de Janeiro, alguns dos quais nas proximidades de áreas urbanizadas, a maioria unidades de conservação municipais, estaduais e federais. No artigo, os pesquisadores reforçam a importância da preservação desses remanescentes florestais para a manutenção da biodiversidade do bioma.
Outras duas espécies muito parecidas a Siphonops hardyi seguem sem nomeação, aguardando outros estudos, por causa da ausência de dados genéticos da localidade-tipo de Siphonops hardyi. A família Siphonopidae, com a descrição de cecília-maria, agora compreende 29 espécies terrestres, distribuídas em quatro gêneros reconhecidos na América do Sul, principalmente na Amazônia e na Mata Atlântica.
Por que “cecília-maria”?
Cecília é o nome usado para identificar os anfíbios escavadores, com hábitos subterrâneos, da ordem Gymnophiona, que inclui a família Siphonopidae. A palavra deriva do latim (caecus, ‘cego’) e faz alusão aos olhos reduzidos dos animais, uma característica evolutiva ligada ao seu hábito de escavar e de viver enterrados.
Maria foi uma forma de homenagear uma das 11 pessoas escravizadas que participaram do reflorestamento da Floresta da Tijuca, hoje abrangida pelo Parque Nacional da Tijuca. Ela não tinha sobrenome, pois o sistema escravocrata negava às pessoas escravizadas identidade individual.
Os pesquisadores registram no artigo que a área havia sido submetida a extenso desmatamento desde a fundação da cidade, em 1565, principalmente devido à exploração madeireira para construção e cultivo de café. “Entre 1861 e 1874, sob ordem do imperador Dom Pedro II, Maria e outras 10 pessoas escravizadas plantaram mais de 100 mil árvores, contribuindo para a restauração da floresta e das nascentes que abasteciam a então capital do Brasil, que havia sido severamente afetada pelo desmatamento”.
Também justificam que Maria tem sido, historicamente, o nome feminino mais comum no Brasil, sendo usado atualmente por mais de 11 milhões de mulheres, segundo o IBGE, o que o torna uma homenagem às mulheres brasileiras, sendo, inclusive, parte de nomes de mães, irmãs, tias, avós e bisavó e esposa de autores do artigo.
Necessidade de revisão taxonômica
Além de apresentar uma revisão taxonômica e filogenética da família Siphonopidae, descrever e nomear uma nova espécie e identificar erros de catalogação em coleções herpetológicas, o estudo destaca a necessidade de uma revisão taxonômica detalhada e abrangente de S. hardyi. Essa revisão seria feita a partir de materiais das localidades originais para organizar a classificação e identificar quantas espécies existem sob esse nome dentro do ameaçado bioma Mata Atlântica.
Encerramento teve show de MK e apresentação da Focus Cia de Dança. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Após quatro dias de intensa programação, marcada pela valorização da diversidade artística e fortalecimento da cultura, o Mormaço Cultural chegou à última noite de apresentações, no Teatro Municipal de Boa Vista, neste domingo, 13. O encerramento do festival contou com show do cantor MK, no palco da área externa e a reapresentação do espetáculo da Focus Cia de Dança, na Sala Roraimeira.
O último dia do festival reuniu apresentações que valorizam a música e a dança, proporcionando ao público boa-vistense uma experiência marcada pela criatividade e emoção.
Despedida do Teatro
O cantor MK abriu a noite de programação no Teatro Municipal com o som do Hip-Hop. “Desde quando o Mormaço Cultural nasceu, eu queria tocar no festival, a sensação de estar aqui é indescritível. A gente trabalha e busca sempre uma oportunidade para ser visto e chamado. E quando isso acontece, a satisfação é grande”, contou.
Na Sala Roraimeira, casais conduziram o público por um grande musical, reunindo canções que atravessaram gerações e ajudaram a construir a história da música popular brasileira, na voz e na obra de um dos maiores nomes da música nacional, Roberto Carlos.
MK abriu a noite no Teatro Municipal ao som do hip-hop.Foto: Fernando Teixeira/PMBV
“O acesso à cultura é maravilhoso e esse evento possibilita momentos incríveis para as pessoas. Muita gente está tendo a oportunidade de conhecer o teatro pela primeira vez graças a essa iniciativa da prefeitura”, destacou a servidora pública, Delzanira Justa, que prestigiou o espetáculo As Canções que Você Dançou Pra Mim”, nesta última noite de apresentações no teatro.
Festival no Teatro Municipal
“Som das Manas” abriu a programação do Mormaço Cultural 2026 e encantou o público do festival, na quarta-feira,9, reunindo cantoras e compositoras da cena independente do Estado. O cantor Denison Siqueira recebeu o público com grandes sucessos do pop e rock nacional e internacional, em uma apresentação no palco externo do evento na primeira noite de evento.
Na noite de sexta-feira, 11, Rubinho Gleydson subiu ao palco do Mormaço Cultural pela primeira vez. Com 20 anos de carreira na música, o cantor preparou um repertório especial para o festival.
Evento permite que famílias inteiras participem da programação. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
Na área interna do teatro foi a vez da Focus Cia de Dança levar o público para visitar grandes sucessos de Roberto Carlos, como “Detalhes”, “Outra vez”, “Desabafo”, “Cama e mesa” e “O calhambeque”, com a apresentação do espetáculo “As Canções que Você Dançou Pra Mim”.
A programação de sábado, 12, iniciou ainda no período da manhã, com a Focus Cia de Dança ministrando uma oficina gratuita de dança contemporânea para artistas locais. Á noite, a banda BodCore abriu a programação com um repertório repleto de Rock. Logo depois, o público pôde conferir a reapresentação do espetáculo “As Canções que Você Dançou Pra Mim”.
Na manhã do domingo, 13, as crianças ganharam uma programação muito especial. O espetáculo “Bichos Dançantes” conduziu o público infantil pela história de Elisa, uma jabuti que completa 100 anos e decide celebrar essa data especial de uma maneira diferente. Para isso, convida oito bichos para festejarem ao seu lado. Apesar das diferenças, todos os animais compartilham do desejo de encontrar a felicidade.
Criançada se divertiu com “Bichos Dançantes”, espetáculo que contou a história da jabuti Elisa. Foto: Divulgação/PMBV
A noite foi marcada pelo encerramento das atividades do Mormaço Cultural 2026 no Teatro Municipal. Fechando a programação com a apresentação do espetáculo “As Canções que Você Dançou Pra Mim” e show do cantor MK.
Mormaço no Parque do Rio Branco
Na sexta-feira, 18, o Mormaço Cultural chega ao Parque do Rio Branco. Os Palco Sol e Lua reunirão artistas da terra e nacionais, além de DJs, atrações infantis, teatro de rua, intervenções culturais e cultura urbana. Por lá, o festival segue até domingo, 20, encerrando com a programação infantil.