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Fortaleza de São José de Macapá celebra 244 anos no dia do padroeiro do Amapá

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Fortaleza de São José de Macapá: farol foi instalado em 1900 e auxiliava na navegação. Foto: Divulgação/GEA

No feriado de São José, padroeiro de Macapá e do Amapá, em 19 de março, a Fortaleza de São José completa 244 anos de história. Mesmo em obras de restauração, o cartão postal da capital segue aberto à visitação, reforçando o papel de guardiã da fé e da identidade dos amapaenses.

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O monumento, erguido e inaugurado oficialmente em 1764 às margens do rio Amazonas, atravessou séculos como defesa militar, sede da guarda territorial e espaço museológico. Hoje, passa por obras que unem preservação e novos usos.

Segundo análises históricas e culturais, a Fortaleza leva o nome de São José porque foi dedicada ao santo padroeiro da cidade e do estado do Amapá.

A escolha refletia tanto a devoção religiosa dos colonizadores portugueses quanto a intenção de associar a fortificação à proteção espiritual, além da defesa militar.

Leia também: ​Maior fortificação do Brasil: 10 curiosidades sobre a Fortaleza de São José de Macapá

A história da Fortaleza

Construída durante o reinado de D. José I, a Fortaleza foi parte de um projeto estratégico da Coroa Portuguesa para proteger a Amazônia de invasões estrangeiras. Sua edificação mobilizou indígenas e negros escravizados, que moldaram tijolos e pedras sob condições duras.

O historiador Amiraldo Silva, que há quase três décadas pesquisa o espaço, reforça o valor cultural do patrimônio.

“A Fortaleza é o carro-chefe do turismo e representa nossa identidade cultural. Muitas vezes, quando falamos do Amapá em outros estados, não somos reconhecidos apenas como amapaenses, mas como pertencentes ao lugar onde está a maior fortificação da América Latina. É um símbolo que nos dá visibilidade e orgulho”.

Ao longo dos séculos, o espaço foi quartel militar, sede da Guarda Territorial e até oficina de carpintaria e sapataria. “Cada fase deixou marcas que ajudam a contar a história da cidade e do estado”, lembra Amiraldo.

Em 1950, a Fortaleza foi tombada pelo IPHAN como patrimônio histórico nacional. Décadas depois, em 2008, conquistou reconhecimento nacional ao ser eleita uma das Sete Maravilhas do Brasil.

Entrada da Fortaleza de São José de Macapá Foto Isadora Pereira g1ap
Entrada da Fortaleza de São José de Macapá. Foto: Isadora Pereira/ Rede Amazônica AP

Obras de restauração

Atualmente, a Fortaleza passa por obras de restauração e requalificação. A secretária de estado da Cultura, Clícia Vieira Di Miceli, explica que o processo é dividido em três etapas.

“Estamos na segunda etapa, com projetos de hidráulica, energia e saneamento, além do início efetivo da restauração, disse.

A Fortaleza está localizada às margens do rio Amazonas, na área central de Macapá, compreendendo uma área de cerca de 30 mil metros quadrados e para a realização da restauração uma consulta pública foi feita junto à população.

Restauro Fortaleza de São José de Macapá
Foto: Divulgação/GEA

A secretária reforça que manter a visitação aberta durante as obras foi uma decisão estratégica.

“A Fortaleza é o ponto turístico mais visitado do Amapá. Fechar seria um prejuízo para a economia e para a notoriedade do estado”, falou.

O projeto final deve ser concluído em 2026, com a construção de restaurantes, galerias de arte, espaço para shows, sinalização turística e histórica.

Ao todo, a obra está orçada em R$ 44 milhões, o governo informou que o restante do recurso deve ser buscado pela gestão.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Dia do Artesão: saberes tradicionais que valorizam a cultura amazônica

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Data homenageia profissionais que transformam matéria-prima em identidade cultural e fonte de renda. Foto: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

O Dia do Artesão, celebrado em 19 de março, é uma data dedicada a reconhecer o trabalho de homens e mulheres que transformam saberes tradicionais em arte, preservando histórias, identidades e culturas. No Amazonas, o artesanato ganha ainda mais força por carregar elementos da floresta e das tradições dos povos originários.

Mais do que objetos decorativos, o artesanato representa a memória de um povo. No Norte do país, peças como biojoias, grafismos e artefatos produzidos com sementes e fibras naturais expressam a relação direta com a natureza e a ancestralidade, mantendo viva uma tradição transmitida há milhares de anos.

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Artesanato como identidade e sustento

O artesão Richardson Pinedo, natural de Tabatinga (distante 1.108 quilômetros de Manaus), é um dos representantes dessa produção cultural. Segundo ele, o contato com o artesanato começou ainda cedo, movido pela curiosidade e admiração pelas peças.

“Na curiosidade mesmo de criar o artesanato com miçangas, porque eu achava muito bonito. Procurei por aulas e fiz cursos no Cetam. Foi lá que a minha mente abriu mais para o artesanato”, contou.

Hoje, Richardson trabalha principalmente com peças feitas a partir de miçangas e biojoias, utilizando materiais orgânicos como sementes e fibras. Suas criações são inspiradas na floresta amazônica e nos elementos que fazem parte do cotidiano da região.

“Eu sempre tento trazer coisas que remetem à nossa Amazônia. Trabalho com figuras de animais, como arara e onça, e também com elementos como o açaí e outras frutas da nossa região”, explicou.

o artesão richardson pinedo
Foto: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

O processo de criação das peças exige planejamento, técnica e atenção aos detalhes. Segundo o artesão, cada peça passa por etapas que vão desde o desenho inicial até a escolha e preparação dos materiais. “Antes de começar, eu faço um rascunho e organizo a quantidade de miçangas que vou usar. É um trabalho detalhado, que demora, mas no final sai uma peça muito bonita”, destacou.

Além do cuidado técnico, Richardson chama atenção para a importância de valorizar todo o processo envolvido na produção artesanal, desde a coleta da matéria-prima até o produto final.

“Não é só a peça pronta. Existe todo um trabalho por trás: colher o material, preparar, lixar, pintar. Muitas famílias dependem disso, principalmente comunidades indígenas. O artesanato sustenta casas, famílias inteiras”, afirmou.

Leia também: Com produtos inspirados na natureza, artesanato gera renda de R$ 273 mil para ribeirinhos e indígenas do Amazonas

Uma ferramenta de transformação

Para o artesão, o trabalho vai além da criação estética. O artesanato também é uma ferramenta de transformação social e econômica, especialmente para comunidades que dependem dessa atividade como principal fonte de renda.

“O artesanato deixou de ser um hobby e virou minha principal fonte de renda. É um trabalho sustentável, não só pela natureza, mas porque sustenta famílias e comunidades”, disse.

artesanato amazonas - richardson pinedo
O artesão Richardson Pinedo. Foto: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

Ele também destaca a importância de conscientizar o público sobre o significado das peças, especialmente no caso do artesanato indígena.

“As pessoas, às vezes, compram sem saber o significado. Cada grafismo tem uma história. Por isso é importante mostrar o trabalho, contar o que está por trás, porque as pessoas compram também pela experiência e pela história”, explicou.

Incentivo e reconhecimento

Ao falar sobre o futuro, Richardson destaca que seu maior objetivo já está em andamento: dar visibilidade a outros artesãos e compartilhar conhecimento.

“Eu tento passar o que sei para outras pessoas, principalmente para quem não tem acesso. Muitas vezes são indígenas ou pessoas de comunidades que não conseguem pagar cursos. Isso, para mim, já é muito gratificante”, afirmou o artesão.

Como conselho para quem deseja iniciar no artesanato, ele reforça a importância da valorização do próprio trabalho.

“Não tenham vergonha. É um trabalho digno, é uma terapia e também uma forma de sustento. Mostrem o trabalho de vocês, tenham orgulho. Quando a gente valoriza o nosso trabalho, a gente valoriza o trabalho de todos”, concluiu Richardson.

*Com informações da Agência Amazonas

ExpoPIM 4.0 inicia com inovação, grande movimentação nos estandes e lançamento de livro

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A Suframa participa da feira com um estande institucional, no qual técnicos de diferentes áreas orientam visitantes sobre diversos serviços. Fotos: Divulgação/Suframa e Enock Nascimento/Suframa

Contando com mais de 115 estandes, começou nesta quarta-feira (18), em Manaus (AM), a ExpoPIM 4.0 – A Nova Indústria do Brasil, promovida pela Suframa em parceria com o Instituto Somar Amazônia. Realizada no Centro de Convenções Vasco Vasques, zona Centro-Sul, a feira abriu ao público a partir das 13h e segue até sexta-feira (20).

Nos estandes, dezenas de expositores apresentam uma variedade de soluções tecnológicas, produtos e serviços alinhados às transformações da indústria moderna, com destaque para digitalização, automação, inteligência artificial e sustentabilidade. Além disso, a ExpoPIM 4.0 oferece praça de alimentação, espaço kids e ações voltadas à interação do público.

Leia também: Expopim 4.0 reúne empresas e apresenta a nova indústria do Brasil

expopim 2026

A Suframa participa da feira com um estande institucional, no qual técnicos de diferentes áreas orientam visitantes sobre cadastro de empresas, análise de projetos, investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e ações ligadas ao setor agropecuário.

“A feira é fundamental para aproximar o Polo Industrial de Manaus (PIM) da população em geral, oferecendo uma imersão gratuita e a oportunidade de ver o que há de melhor na produção da indústria local, bem como o que há de mais avançado que está sendo desenvolvido nos nossos institutos de ciência e tecnologia”, resume o superintendente da Suframa, Bosco Saraiva.

Entre os destaques, os estandes das instituições tecnológicas. O Centro de Inovação e Tecnologia (CITS) apresentou iniciativas do programa prioritário de Indústria 4.0, incluindo um robô humanoide com aplicações industriais, capaz de atuar em inspeções em ambientes insalubres e no transporte de cargas, demonstrando o avanço da robótica aplicada ao Polo Industrial de Manaus.

expopim 2026

Já o Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia levou experiências em realidade virtual voltadas ao treinamento industrial, soluções de Internet das Coisas (IoT) e um sistema inteligente de monitoramento do uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), utilizando visão computacional e inteligência artificial para reforçar a segurança no ambiente produtivo.

Na área de saúde e inovação, o instituto Conecthus apresentou o projeto “PAP-ONLINE, que utiliza inteligência artificial para auxiliar na detecção precoce do câncer do colo do útero, integrando pacientes, técnicos e médicos em uma plataforma digital capaz de agilizar diagnósticos, especialmente em regiões do interior da Amazônia.

O setor hospitalar também marcou presença, com o Grupo Samel exibindo tecnologias como cirurgia robótica, inteligência artificial aplicada à decisão clínica e equipamentos de fisioterapia avançada, enquanto empresas do comércio e serviços aproveitaram o evento para apresentar produtos com condições especiais ao público visitante. 

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ExpoPIM conta também com lançamento de livro

Um dos destaques da programação do primeiro dia foi o lançamento do livro “Indústria 4.0 – Fábricas Inteligentes, Negócios Exponenciais”, do pesquisador e professor Sandro Breval, publicado pela Pontes Editores. O evento ocorreu, no fim da tarde, no estande da Suframa.

“O grande mérito da obra é traduzir o conceito de fábricas inteligentes para uma linguagem simples. Por certo, o livro será uma referência aos interessados em estudar os impactos da transformação digital e das novas tecnologias no futuro da indústria”, frisou Bosco Saraiva.

Abertura

A programação continua na quinta-feira (19), com a solenidade oficial de abertura às 10h, que contará com autoridades, representantes do setor produtivo e lideranças institucionais. À tarde, terá início o ciclo de palestras técnicas, incluindo apresentações de representantes da Suframa sobre prospecção de novos negócios e a evolução da Zona Franca de Manaus como modelo estratégico de desenvolvimento sustentável.

*Com informações da Suframa

Fundação Rede Amazônica amplia articulação com o setor produtivo em agenda estratégica na Fecomércio-RR

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Foto: Divulgação

A diretoria da Fundação Rede Amazônica cumpre agenda institucional em Boa Vista (RR), com foco no fortalecimento de parcerias estratégicas e na ampliação do diálogo com o setor produtivo da região Norte. A visita integra um movimento estruturado de articulação institucional voltado à construção de soluções para o desenvolvimento econômico e social da Amazônia.

Durante a agenda, a diretoria se reuniu com o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Roraima (Fecomércio-RR), Ademir dos Santos, em um encontro dedicado ao alinhamento institucional e à identificação de oportunidades de atuação conjunta.

Entre os principais temas discutidos esteve o projeto Acelera Amazônia, iniciativa que atua no fortalecimento do ambiente de negócios, na qualificação profissional e na geração de renda, em conexão com as demandas do setor produtivo e as especificidades da região.

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Para a diretora da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante, a aproximação com a Fecomércio reforça o papel estratégico da instituição na articulação de parcerias voltadas ao desenvolvimento regional.

“A agenda de aproximação com a Fecomércio em Boa Vista fortalece o diálogo com a região, com foco no desenvolvimento da Amazônia, no fortalecimento do comércio e na geração de renda, em conexão com o Acelera Amazônia. Essa articulação amplia a capacidade de construir iniciativas alinhadas às necessidades locais e de gerar impacto positivo de forma estruturada na região”, destacou.

A agenda reforça o posicionamento da Fundação Rede Amazônica como articuladora de parcerias estratégicas, conectando setor produtivo, instituições públicas e sociedade civil na construção de soluções sustentáveis para a Amazônia.

Com mais de 40 anos de atuação, a Fundação Rede Amazônica desenvolve projetos voltados à educação, cidadania e desenvolvimento sustentável, contribuindo para o fortalecimento econômico e social da região.

Jaraqui é reconhecido como patrimônio cultural do Amazonas

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Foto: Fernanda Preto/Acervo Musa

Um Projeto de Lei (PL) que reconhece o jaraqui (Semaprochilodus spp.) como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas, proposto pelo deputado Rozenha (PSD), foi aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) nesta quarta-feira (18). Além de Manaus (2019), agora o estado conta com a medida que valoriza o peixe que, não à toa, tem até ditado popular regional: “quem come jaraqui não sai mais daqui”.

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A proposta foi submetida em 1° de outubro de 2025 com o objetivo de preservar a representatividade da espécie no Amazonas. A aprovação prevê que o poder público passe a garantir incentivos à promoção do peixe no estado.

“Fica reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Amazonas o Jaraqui (Semaprochilodus spp.), em razão de sua relevância histórica, cultural, social, gastronômica e identitária para o povo amazonense”, informa a Aleam na aprovação.

Leia também: Conheça alguns peixes que não podem faltar na mesa do amazônida

O jaraqui é um dos peixes mais consumidos no Amazonas.
O peixe é um dos peixes mais consumidos no Amazonas. Foto: Matheus Castro/Acervo Rede Amazônica AM

Importância regional do jaraqui

O jaraqui é um dos símbolos da alimentação tradicional das populações amazônicas, ribeirinhas e urbanas, mas também contribui para expressões populares, manifestações artísticas, literárias e musicais, sendo memória
social do Amazonas, confirme aponta a justificativa.

O peixe já é Patrimônio Imaterial de Manaus desde 2019, por meio da Lei nº 2.540, de 21 de novembro daquele ano.

Leia o projeto aprovado na íntegra:

Turismo em Santarém cresce mais de 15% e movimenta cerca de R$ 202 milhões em 2025, aponta Dieese

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Foto: Reprodução/Agência Santarém

turismo em Santarém (PA) registrou forte crescimento entre 2024 e 2025, com o aumento superior a 15% no número de visitantes e movimentação econômica que ultrapassou R$ 202 milhões no último ano. Os dados são do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base em informações da Secretaria de Estado de Turismo do Pará, e evidenciam o fortalecimento do município como um dos principais destinos turísticos da Amazônia.

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Em 2024, Santarém recebeu 271.845 turistas, sendo 269.166 visitantes nacionais e 2.679 estrangeiros. No ano seguinte, o fluxo subiu para 312.675 pessoas, das quais 309.541 eram turistas brasileiros e 3.134 internacionais. O resultado representa crescimento de aproximadamente 15% na movimentação turística em apenas um ano.

O aumento do fluxo de visitantes também se refletiu diretamente na economia local. Em 2024, os turistas nacionais movimentaram R$ 172.533.590, enquanto os visitantes estrangeiros gastaram R$ 1.196.596, totalizando R$ 173.730.187.

Já em 2025, a receita gerada pelo turismo alcançou R$ 202.407.634, sendo R$ 201.001.633 provenientes do turismo nacional e R$ 1.406.001 do internacional, um crescimento de cerca de 16,5% na movimentação financeira do setor.

Leia também: A Amazônia em imagens: conheça a cidade de Santarém, no Pará

Praia do Cajueiro em Alter do Chão. Foto: Arquivo Ccom/PMS

Para o secretário municipal de Turismo de Santarém, Emanuel Júlio Leite, os resultados refletem o trabalho de fortalecimento da atividade turística e de qualificação da cadeia produtiva local.

“Estamos investido na qualificação de profissionais, no fortalecimento das comunidades e na valorização dos nossos atrativos naturais e culturais. O turismo é um importante vetor de geração de renda e oportunidades para a população. Aliado a isso, o esforço do Governo do Estado que, em 2025, realizou a COP30, em Belém, evento que impulsionou investimentos, visibilidade internacional e novas oportunidades para o turismo. Soma-se ainda o trabalho do Ministério do Turismo, que também elevou o patamar do setor ao registrar, em 2025, números recordes de desempenho turístico em todo o Brasil”, destacou.

Entre as iniciativas desenvolvidas pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Turismo de Santarém (Semtur) está a oferta de cursos e oficinas voltados à capacitação de trabalhadores e empreendedores do setor. As formações incluíram áreas como culinária regional, Turismo de Base Comunitária (TBC) atendimento em bares e restaurantes, camareira, boas práticas na manipulação de alimentos e outros, contribuindo para elevar o padrão dos serviços turísticos.

Outro destaque foi a qualificação de condutores de visitantes, com foco na interpretação do patrimônio natural e cultural da Amazônia. Ao todo, 902 pessoas foram certificadas nas capacitações realizadas ao longo de 2025, fortalecendo a qualidade da experiência oferecida aos turistas.

Leia também: Trilha das Preguiças e Jardim de Vitórias-Régias: atrativos de Turismo de Base Comunitária em Santarém

Terminal Fluvial Turístico da orla de Santarém. Foto: Arquivo Ccom/PMS
Terminal Fluvial Turístico da orla de Santarém. Foto: Arquivo Ccom/PMS

Paralelamente, a gestão municipal ampliou as ações voltadas ao Turismo de Base Comunitária (TBC), apoiando a estruturação de roteiros em comunidades localizadas às margens dos rios Tapajós e Arapiuns, como Alter do Chão, Ponta de Pedras, Arimum, Tucumã, Vila Socorro e Vila brasil, Maripá e São Marcos. Nessas localidades, moradores passaram a oferecer experiências autênticas, incluindo vivências culturais, oficinas de artesanato e passeios guiados.

O artesanato regional também se destacou entre os produtos mais valorizados pelos visitantes. Mais de 80% dos turistas avaliaram o artesanato local como ‘muito bom’, e a compra de peças e souvenirs representa parcela importante dos gastos realizados durante a estadia.

Leia também: 5 praias de Santarém para visitar durante as férias

Praia de Ponta de Pedras. Foto: Arquivo Ccom/PMS

Para o prefeito de Santarém, José Maria Tapajós, os números confirmam o potencial do turismo como estratégia de desenvolvimento econômico e valorização cultural do município.

“O turismo tem papel estratégico no desenvolvimento de Santarém. Estamos trabalhando para estruturar cada vez mais o setor, gerar oportunidades para a nossa população e valorizar as comunidades e a cultura que fazem parte da identidade amazônica do nosso município”, afirmou.

*Com informações da Prefeitura de Santarém.

Geografia local é o principal desafio para avanço do saneamento básico na região Norte, aponta especialista

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Foto de capa: José Cruz /Agência Brasil

O Instituto Trata Brasil divulgou o ranking atualizado dos 100 municípios com os piores índices de saneamento básico entre as cidades mais populosas do Brasil. Os dados mostram que os piores resultados estão concentrados na região Norte do país e o destaque negativo fica por conta de Santarém, no Pará, que lidera o levantamento.

Além de Santarém, outros municípios da região estão na lista: Parauapebas, Belém e Ananindeua, também do estado paraense; Porto Velho (Rondônia), Rio Branco (Acre) e Macapá (Amapá). Eles estão entre as dez primeiras posições do ranking, baseado em informações de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). A lista completa das cidades pode ser conferida AQUI.

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Para a presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, as particularidades geográficas da região Norte são consideradas as maiores dificuldades para avanço do saneamento básico.

“O maior desafio é a especificidade da geografia e cultura local e a baixa densidade demográfica. O fato da gente estar numa região rica em biodiversidade tem que ser levado em consideração, é uma região onde a solução muitas vezes para o acesso ao saneamento não vai ser convencional por conta dos povos ribeirinhos. Então, a gente precisa pensar em soluções que casem com a realidade da geografia, com a cultura de cada um dos itens que representam a região Norte de forma geral”, pontuou Luana.

Belém também está entre as 10 cidades com pior índice de saneamento básico dos 100 municípios mais populosos do Brasil. Foto: Augusto Miranda/Agência Pará

Outro fator “complicador” citado por Luana são as redes de abastecimento de água instaladas nas cidades. Segundo a presidente, muitas já são antigas e tem apresentado diversos problemas nos últimos anos.

“Quando se tem rede e tubulações antigas que tem muitos problemas de deteriorização e vazamento, é preciso trocar esses sistemas e muitas das vezes a infraestrutura já existente não possibilita um espaço para colocar novas redes de abastecimento de água ou coleta e tratamento de esgoto. É preciso que as soluções sejam planejadas de maneira inovadora. Por isso que eu sempre digo que é mais difícil modernizar do que começar do zero, porque a gente não sabe o que está pegando, qual é a realidade e o que precisa fazer. Do ponto de vista técnico, é bastante desafiador, mas que tem solução”, frisou a presidente executiva do Instituto Trata Brasil.

O diretor-presidente da Águas do Pará, André Facó, confirma que o crescimento urbano acelerado é um ponto específico que contribui para a dificuldade em relação ao envelhecimento dos sistemas e que impactam no cenário geral.

“O saneamento ainda é um problema crônico no país. O Pará é um recorte do que acontece no país. (…) Quando a gente vem aqui para o Pará, talvez os dois grandes desafios sejam, primeiro, essa baixa cobertura em relação ao abastecimento de água, ao esgotamento sanitário (…) E o segundo desafio que nós temos aqui é de instalações, infraestruturas, tubulações, que são relativamente antigas e que precisam de investimentos para que a gente possa ter a garantia do fornecimento daquilo que já existe”, comenta Facó.

Geografia local é o principal desafio para o avanço do saneamento básico na região Norte, aponta especialista
André Facó, presidente da Águas do Pará, na CBN Belém. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Importância do investimento

De acordo com Luana Pretto, a região Norte conta com 62% da população com acesso á agua tratada, e apenas 16% estão contemplados com o serviço de coleta e tratamento de esgoto.

Apesar dos números críticos, a presidente destacou a importância dos investimentos para a implementação do saneamento básico na região amazônica.

“Por outro lado, em cada um real investido em saneamento básico na região amazônica, a gente tem um retorno de R$ 5,10, o que impacta significativamente na redução de custos com saúde, reflete no ganho de produtividade, na valorização imobiliária. No caso do Pará, significa um retorno para cada cidadão de aproximadamente R$ 650 por ano. Isso demonstra a importância da priorização desse tema, principalmente na região Norte”, pontuou.

Luana destacou ainda que um bom planejamento é crucial para a implementação do saneamento básico nas cidades do Norte. “Quando a gente fala de acesso pleno ao saneamento, a gente primeiro precisa ter o planejamento, para depois fazer o projeto, correr atrás do licenciamento ambiental, e partir daí a gente possa ter as obras iniciadas e efetivamente levar o acesso a água tratada e coleta e tratamento de esgoto. Isso é um ciclo de vida longo, pois é necessário estudar cada realidade, identificar os problemas e planejar de acordo com a realidade in loco. Por isso que a gente colhe os frutos no médio e longo prazo”, explicou Pretto, que destacou:

“Temos uma oportunidade de melhorar a vida de muitas pessoas, daquelas que não tinham água tratada e possam começar a ter, e assim diminuir o número de doenças, trazendo melhoria para a escolaridade das crianças, uma renda média para os adultos. A gente está falando efetivamente de trazer qualidade de vida, produtividade e desenvolvimento econômico e social para muitas famílias, além de garantir um futuro melhor e conservação para toda essa biodiversidade tão rica da nossa região. E isso vem com acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto”, finalizou Luana.

Águas que transformam

As entrevistas com Luana Pretto e André Facó fazem parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 18 de março.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Luana Pretto, presidente do Instituto Trata Brasil, no quadro ‘Águas que Transformam’, na CBN Belém. Foto: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Com apresentação do jornalista Ronaldo Santos, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira as entrevistas completas (a partir de 1:16):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’

‘Humanos’: livro de Celso Athayde é lançado em Manaus com apoio da CUFA Amazonas

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Foto: Reprodução/Instagram-celsoathayde

A CUFA Amazonas realiza, em Manaus, o lançamento do livro ‘Humanos’, obra do fundador da Central Única das Favelas, Celso Athayde. O evento marca um momento importante de reflexão e diálogo sobre desigualdade, oportunidades e transformação social a partir das periferias.

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Reconhecido internacionalmente quando o assunto é favela, empreendedorismo e impacto social, Celso Athayde compartilhará sua trajetória, a atuação da CUFA no Brasil e no mundo, e os bastidores da construção do livro, escrito em parceria com seu filho, Marcus Vinícius Athayde, copresidente do Data Favela e presidente da CUFA Global.

“Trazer o lançamento de ‘Humanos’ para o Amazonas, com o apoio da CUFA Amazonas, é reafirmar que a favela e seus territórios têm voz e sabe analisar suas próprias dores. O livro é um manifesto de urgência. Precisamos decidir se vamos continuar construindo muros ou se vamos finalmente oferecer as pontes que a educação e o investimento social representam para esses jovens”, diz Celso Athayde, Fundador da Cufa e autor.

Lançado recentemente, Humanos propõe um olhar sensível sobre o tráfico como reflexo das desigualdades sociais no Brasil.

'Humanos': livro de Celso Athayde é lançado em Manaus com apoio da CUFA Amazonas
Foto: Divulgação

Leia também: CUFA Amazonas protagoniza apoio à IV Marcha das Mulheres Indígenas e reúne 700 pessoas em Manaus

‘Humanos’

A obra reúne dados de pesquisa do Data Favela com quase 4 mil pessoas em 23 estados. Os resultados mostram que a maioria é jovem, preta e com família; muitos ingressaram por falta de recursos e afirmam que teriam priorizado os estudos se tivessem oportunidade. Além disso, 84% não querem que os filhos sigam o mesmo caminho.

“O livro Humanos é a concretização de um intenso trabalho de pesquisa de campo realizado em Manaus e em outros estados do país. A obra nasce da escuta de pessoas que vivem a realidade do tráfico e propõe um olhar mais humano sobre contextos marcados pela desigualdade. Trazer esse lançamento para o Amazonas reforça nosso compromisso com a verdade das periferias”, destaca Alexey Ribeiro, presidente da CUFA Amazonas.

O lançamento em Manaus reforça o compromisso da CUFA Amazonas com o fortalecimento do debate público, a valorização das vozes das periferias e a construção de caminhos reais para a transformação social.

O lançamento acontece nesta quinta-feira (19) a partir das 8h, na Livraria Valer, localizada na Rua José Clemente, n°.608, no Centro de Manaus. O autor vai realizar uma sessão de autógrafos.

Aprenda como fazer uma muda de planta

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Foto: Divulgação

Plantar mudas é uma prática simples que carrega diversos benefícios ambientais, sociais e econômicos. Além de contribuir para a preservação do meio ambiente, melhorar a qualidade de vida e reduzir custos, a ação também garante um futuro saudável para outras gerações.

No entanto, saber produzir uma muda é tão importante quanto o processo do plantio, já que envolve os primeiros estágios de vida de uma planta. Existem duas maneiras para fazer uma muda: a partir das sementes ou por meio de uma planta adulta.

Leia também: Fundação Rede Amazônica realiza plantio de 100 mudas em comunidade ribeirinha de Manaus

Ambos os métodos são acessíveis e podem ser realizados até mesmo por iniciantes. Confira algumas dicas de como funcionam:

A partir das sementes

No caso do processo de escolha das sementes, a germinação é essencial. O primeiro passo é saber escolher bem as sementes e o preparo do solo. Utilize uma sementeira, espécie de canteiro ou bandeja destinado à germinação de sementes, para produzir as mudas, ou então realize o plantio diretamente no local definitivo.

Sementeira, espécie de canteiro ou bandeja destinado à germinação de sementes.
Sementeira, espécie de canteiro ou bandeja destinado à germinação de sementes. Foto: Reprodução/Blog Plantei

Após isso, faça pequenos furos na terra com profundidade equivalente ao dobro do tamanho da semente. É recomendável colocar de duas a três sementes (dependendo da planta, verifique as orientações específicas antes) por espaço, cobrir com terra e manter o solo sempre úmido.

É fundamental manter a semeadeira num local que tenha sombra e que o local seja irrigado pelo menos 5 vezes ao dia. O uso de um borrificador é uma dica importante, pois evita o risco das sementes se desalojarem durante a irrigação.

Quando mais de uma semente germina no mesmo ponto, é necessário fazer o desbaste, que consiste na retirada ou transplante da muda menos desenvolvida para garantir espaço e nutrientes suficientes às demais. Geralmente, quando as mudas começarem a apresentar folhas, é o período ideal para realizar a transferência para vasos maiores ou local definitivo do plantio.

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A partir da planta adulta

Há duas maneiras de gerar uma muda a partir de uma planta adulta: pela estaquia (através dos ramos e caules) ou pela divisão de touceiras. O primeiro método consiste em criar uma nova planta a partir de um ramo da planta-mãe, gerando uma cópia genética.

Produção de muda por estaquia.
Produção de mudas pelo processo de estaquia. Foto: Blog Plantei
Método da divisão de touceiras. Foto: Divulgação/Instagram-hortodidatico.ufsc

O procedimento é simples: seleciona-se um ramo jovem, com dois ou três pares de folhas, faz-se um corte na base e coloca-se em um recipiente com água. Após o surgimento das raízes, a muda pode ser transferida para o solo.

A técnica é comum em espécies como manjericão, hortelã, alecrim, orégano, ora-pro-nóbis, suculentas, jiboia e peperômia.

Já a divisão de touceiras é indicada para plantas que crescem em grupos. Nesse caso, a planta-mãe é retirada do solo e dividida em partes, separando-se as raízes com cuidado. Como já possuem sistema radicular formado, essas mudas podem ser plantadas diretamente no local definitivo.

O método é bastante eficaz para espécies como orquídeas, bananeiras, agapantos e samambaias.

Independente do método escolhido, produzir a própria muda vai além de uma técnica de jardinagem, envolve ações essenciais para garantir plantas mais saudáveis, bem desenvolvidas e uma contribuição por um planeta mais sustentável e equilibrado.

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.

Desmatamento prejudica a cadeia alimentar dos igarapés da Amazônia, aponta estudo

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Foto: Fernando Cunha/The Conversation

Quando falamos em desmatamento na Amazônia, quase sempre pensamos na paisagem terrestre: grandes árvores derrubadas, expansão agropecuária, incêndios e perda de biodiversidade. Mas boa parte dos impactos do desmatamento ocorre fora do campo de visão. Eles acontecem dentro da água.

A Amazônia abriga milhares de igarapés — pequenos cursos d’água que drenam a floresta e alimentam rios maiores. Esses ambientes sustentam alta diversidade de insetos, peixes e microrganismos. Também desempenham papel central na manutenção da qualidade da água e na ciclagem de nutrientes, que é o transporte de matéria orgânica e nutrientes (por exemplo, nitrogênio, fósforo, potássio) da floresta para o meio aquático.

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Descubra a serenidade dos igarapés na Ilha do Combu. Foto: Divulgação/Agência Belém

Diferentemente de grandes rios, a maioria dos igarapés amazônicos são fortemente dependentes da floresta ao seu redor. A copa das árvores reduz a entrada de luz solar. Por isso, a produção de algas dentro da água é limitada.

A principal fonte de energia desses ecossistemas vem de fora. Folhas, galhos e outros materiais orgânicos caem na água e formam a base da cadeia alimentar. Esse material é colonizado por microrganismos e consumido por insetos aquáticos. Esses insetos, por sua vez, alimentam predadores, como insetos maiores e peixes. A floresta, portanto, sustenta diretamente a vida dentro do igarapé.

Mas o que acontece quando essa floresta é removida? Foi essa a pergunta que orientou nosso estudo, publicado na revista Freshwater Biology.

Menos floresta, menos alimento

Ao comparar igarapés preservados com igarapés em áreas desmatadas, observamos uma mudança clara na base alimentar do sistema. A retirada da vegetação ciliar reduz a entrada de folhas e matéria orgânica nos corpos d’água. Com menos recurso disponível, os insetos que dependem da decomposição desse material para sobreviver tornam-se menos abundantes.

O fogo oferece risco às pessoas e aos animais e contribui para engordar as emissões de gases do efeito estufa. Em 2018, apesar da tendência geral de queda no número de focos de calor na Amazônia Legal, estados críticos em desmatamento registraram mais fogo.
Foto: Reprodução/Greenpeace

Em seu lugar, aumentam organismos associados a ambientes mais abertos e com maior incidência de luz. A cadeia alimentar passa a depender mais de produção primária interna do que de insumos da floresta. Essa mudança pode parecer sutil. Mas ela reorganiza toda a estrutura trófica – que é a organização alimentar de um ecossistema e que define a transferência de energia e nutrientes entre os organismos produtores, consumidores e decompositores.

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Com a redução na abundância de insetos associados a matéria orgânica, predadores passam a consumir presas diferentes. A diversidade funcional se altera. A rede alimentar tende a se simplificar. Redes mais simples costumam ser menos resilientes a novas perturbações. Secas mais intensas, aumento de temperatura ou poluição podem gerar impactos mais fortes em sistemas já empobrecidos estruturalmente.

Um problema que continua atual

Os dados mais recentes de uso e cobertura da terra no Brasil mostram que o desmatamento segue transformando paisagens amazônicas. Informações do projeto MapBiomas indicam a expansão de áreas convertidas para agropecuária nas últimas décadas. Enquanto algumas regiões na Amazônia seguem relativamente menos desmatadas, outras áreas já apresentam menos de 30% de sua cobertura florestal original.

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Foto: Val Fernandes/Acervo Assecom

Grande parte dessa conversão ocorre próxima a cursos d’água. Embora a legislação brasileira determine a manutenção de faixas de vegetação ao redor de rios e igarapés, a implementação nem sempre é efetiva. Em muitos casos, a vegetação ciliar é reduzida ou eliminada.

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Mas essa remoção não é apenas uma alteração visual na paisagem. Nosso estudo mostra que ela compromete processos ecológicos fundamentais. A vegetação ciliar regula a entrada de matéria orgânica, controla a temperatura da água, estabiliza margens e reduz o carreamento de sedimentos. Ela funciona como zona de amortecimento entre atividades humanas e o ecossistema aquático. Ignorar essas funções significa comprometer a toda a integridade do sistema.

Manejo baseado em evidências

Os resultados do nosso estudo comprovam que a conservação de matas ciliares deve ser tratada como prioridade em políticas públicas e estratégias de manejo. Não se trata apenas de cumprir uma exigência legal. Trata-se de manter o funcionamento ecológico dos igarapés. Programas de restauração florestal precisam considerar a largura e a qualidade da vegetação ciliar. A simples presença de uma faixa estreita de árvores pode não ser suficiente para restabelecer processos ecológicos complexos.

Além disso, estratégias de uso do solo devem integrar a dimensão aquática. Muitas vezes, o planejamento territorial foca apenas na produção agrícola ou na cobertura terrestre, sem considerar impactos hidrológicos e ecológicos. Os igarapés conectam paisagens. Eles transportam matéria, energia e organismos. Alterações locais podem se propagar para sistemas maiores.

O que está em jogo

A Amazônia é frequentemente discutida em termos de carbono, clima e biodiversidade terrestre. Esses temas são centrais. Mas os ecossistemas aquáticos também merecem atenção. Mudanças na base da cadeia alimentar podem afetar comunidades de peixes e a disponibilidade de recursos para populações humanas. Podem alterar a decomposição de matéria orgânica e a dinâmica de nutrientes.

São processos menos visíveis, mas essenciais. Proteger a vegetação ciliar é uma medida concreta e baseada em evidências para reduzir impactos do desmatamento sobre sistemas aquáticos.

A floresta não sustenta apenas o que está acima do solo. Ela também alimenta o que corre dentro da água. Reconhecer essa conexão é um passo importante para um manejo mais integrado e sustentável da Amazônia.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation, escrito por Gabriel Cruz