Foto: Reprodução/Unifranz
A febre amarela já não se restringe às tradicionais áreas tropicais. Na Bolívia, o recente aumento de casos e a morte de três pessoas revelam uma mudança silenciosa, mas preocupante: o vírus está expandindo seu território, impulsionado por fatores ambientais, sociais e de saúde que criaram um ambiente favorável à sua disseminação.
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“O recente aumento nos casos e mortes por febre amarela não se deve a uma única causa, mas sim à interação de fatores biológicos, ambientais e sociais”, explica o Dr. José Antonio Montecinos, professor do programa de medicina da Universidade Franz Tamayo (Unifranz).
Essa combinação está permitindo que a doença se espalhe para regiões temperadas de maior altitude, onde antes não era comum.
Um aspecto alarmante, segundo o médico, é que mudanças no comportamento epidemiológico da doença têm sido observadas nos últimos anos. Especialistas atribuem esse fenômeno a fatores como as variações climáticas, que podem estar favorecendo a migração de doenças para novas áreas, aumentando assim o risco de disseminação.
Um vírus que se adapta e se move
Um dos principais fatores por trás desse fenômeno é a adaptabilidade dos mosquitos vetores, que expandiram sua distribuição geográfica. Isso é agravado pelo desmatamento e pela intervenção humana em ecossistemas naturais, o que aumenta o contato entre pessoas, mosquitos e reservatórios de vírus.
“A disseminação geográfica da doença, juntamente com a presença e adaptação dos mosquitos vetores, permitiu que ela se espalhasse para novas áreas”, destaca Montecinos.
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Nesse contexto, a migração de trabalhadores para regiões de selva — especialmente para atividades agrícolas ou extrativas — também desempenha um papel importante. As pessoas expostas nessas áreas podem transportar a infecção para outras regiões, aumentando o risco de transmissão e abrindo a possibilidade de urbanização do vírus, um cenário que poderia agravar ainda mais a situação sanitária.
Prevenção urgente e o papel do sistema de saúde
Diante dessa situação, a vacinação destaca-se como a principal ferramenta de prevenção. No entanto, a baixa cobertura em algumas áreas aumenta a vulnerabilidade da população.
“É essencial promover a vacinação, especialmente entre as pessoas que vivem ou viajam para áreas endêmicas”, enfatiza Montecinos.
Isso se complementa com medidas como:
- o uso de repelentes,
- roupas de manga comprida,
- mosquiteiros
- e a eliminação de criadouros de mosquitos nas residências.
Do ponto de vista do sistema de saúde, as ações devem ser imediatas e contínuas. O especialista enfatiza a importância de fortalecer a vigilância epidemiológica, mobilizar equipes de vacinação porta a porta e realizar campanhas de fumigação nas áreas afetadas.

“Também é necessário treinar os profissionais de saúde para a detecção precoce da doença e promover a educação pública sobre os riscos e as medidas preventivas”, acrescenta.
A mensagem é clara: se você apresentar sintomas como febre, dores musculares ou mal-estar geral, procure um centro de saúde imediatamente e evite a automedicação. A detecção precoce pode fazer toda a diferença entre a recuperação e complicações graves, como sangramento ou danos ao fígado.
Num contexto em que a febre amarela está a redefinir o seu panorama, a informação, a prevenção e a ação conjunta tornam-se as principais barreiras para travar o seu avanço.
*Com informações da Unifranz
