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Estudo revela que ‘espada’ francesa encontrada em Calçoene é um terçado de sargento de 1831

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Terçado de infantaria foi levado ao Museu Joaquim Caetano, em Macapá. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Uma nota técnica realizada por um pesquisador do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) revela que a suposta espada curta da infantaria de Napoleão, encontrada por banhistas em um rio de Calçoene, se trata, na verdade, de um terçado de sargento de 1831.

O terçado encontrado foi entregue no dia 27 de maio ao Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva, no centro de Macapá. O terçado vai passar pelo processo de curadoria e limpeza antes de ser exposto à população.

Segundo o Iphan, a arma de modelo francês foi utilizada pelo exército europeu e brasileiro em um extenso período.

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O modelo do terçado em questão tinha uma lâmina reta de dois gumes e uma guarnição em latão de uma única peça, assim como a encontrada no rio do interior do Amapá.

O Iphan foi ao encontro de Rafael Gomes, morador de Calçoene, que encontrou o artefato e o matinha guardado em casa, mas expressava interesse em doar o objeto para um museu do estado.

O superintendente do Iphan no Amapá, Michel Flores, explicou que a população, ao encontrar artefatos históricos, deve deixar o objeto no local onde foi encontrado e não o tocar.

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O melhor a se fazer, é fotografar o objeto e indicar onde se encontra, para que o Iphan faça a retirada e análise completa.

“É muito importante que uma instituição de guarda e pesquisa receba os materiais, porque se a gente encontra o material e leva para casa, o material vai acabar oxidando, ele vai enferrujar e a gente vai perder. Então além de perder a informação, de tirar o material do seu contexto original, a gente vai acabar perdendo o material e a informação”, disse.

Espada francesa foi encontrada no município de Calçoene. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

O superintendente explicou que os materiais originais inseridos neste contexto histórico, são o terçado e bainha de couro e ferro.

“Não sabemos se tem outros materiais associados, poderia ter uma farda, poderia ter medalhas, moedas […] A gente não sabe se o contexto em que ele estava, se era uma casa ou se era um contexto em ele pode ter sido perdido. Então existem várias possibilidades sobre a história desses artefatos”, disse.

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Michel contou ainda que Rafael vai levar a equipe do Iphan até o local onde o artefato foi encontrado, para que seja feito um estudo aprofundado que busque a origem.

A nota que contextualiza o terçado foi feita pelo historiador Adler Homero Fonseca de Castro, no Rio de Janeiro, no início do mês de maio, para que o artefato pudesse ser transferido para o museu com um contexto histórico. A análise do material foi feita com base em imagens.

“Frisamos que não é impossível que a arma encontrada no Amapá seja um terçado de uso das forças armadas brasileiras, muito possivelmente do 3º Batalhão de Artilharia a Pé, que fazia o serviço de guarnição da fortaleza de Macapá e cujos soldados seriam usados no patrulhamento do interior da região”, diz a nota.

Destaca-se que os terçados de modelo curvo e reto possuem origem francesa, fabricados na França, mas foram comprados pelo exército brasileiro e distribuído para as tropas.

Sobre o terçado encontrado no Amapá

A espada tem uma lâmina reta com uma crista na região central e uma guarnição em latão com uma cruzeta plana e empunhadura com cordões e pomo. Analisando a empunhadura é possível ver os números “654” e “655-2” gravados na cruzeta, que parecem ser números de distribuição dentro de um batalhão ou regimento.

Lâmina de modelo francês em conjunto com a bainha de couro e ferro era usada no Brasil (terçado na cintura do soldado à esquerda). Foto: Reprodução/Iphan

Segundo a análise feita, os números visíveis não são números de série, pois a prática não era realizada em armas brancas.

“Parecem ser números de distribuição dentro de um batalhão ou regimento. Esse dado é relevante, pois indica que foi uma arma efetivamente usada pelo Exército Francês, pois gravar números de distribuição não era uma prática comum no Exército Brasileiro”, aponta Adler na pesquisa.

Ainda segundo o estudo de Adler, a espada encontrada em Calçoene, especificamente, foi possivelmente usada pelo Exército Francês. A datação da espada é entre 1831 e 1866, com uma data mais provável na década de 1830.

Foi averiguado ainda que um desgaste em um dos lados da lâmina, mas não há sinais de uso em combate. A ferramenta está em estado de conservação razoável, sem sinais de oxidação prolongada ou perda grande de material.

História do modelo ‘terçado’

Segundo a pesquisa, o instrumento era utilizado em massa no Brasil colonial e imperial. Devido à necessidade de tropas armadas para combate corpo-a-corpo. Esses instrumentos evoluíram ao longo do tempo e foram empregados em diversas situações.

  • No século 16, os espanhóis desenvolveram uma especialidade em tropas armadas, com a utilização de espadas curtas, semelhantes ao terçado, e escudos no combate de falanges e piqueiros. Mas o material acabou entrando em desuso na Europa.
  • No século 17, o uso do terçado era recorrente no Brasil e continuava a ser distribuído entre os mais fortes fisicamente, ou seja, os que partiriam para a luta corporal, sendo eles: os granadeiros – soldados especializados no lançamento de granadas – em sua maioria, além de artilheiros e fuzileiros.

A arma foi utilizada em diversas batalhas e conflitos, incluindo a Guerra dos Guararapes e a Guerra do Paraguai. No entanto, a ferramenta, além de servir para a defesa, era utilizada para outras tarefas pelos artilheiros.

“Além de lhes servir de ornato, de defensa pessoal, e de instrumento para cortar cordas, paus de pouca grossura e consistência, lhes serve também para fazer continências”, diz a pesquisa.

O estudo mostra o uniforme e equipamento utilizado pelos brasileiros, onde é possível observar a lâmina com o soldado granadeiro.

Soldado ‘granadeiro’ à direita da imagem. Foto: Reprodução/Iphan

Alguns modelos, como o sabre de tropas a pé modelo 1831, tinham lâminas retas ou curvas e eram feitos de materiais como aço e latão. O design e funcionalidade dos terçados variaram ao longo do tempo.

“Deve-se observar que a iconografia e os exemplares existentes em museus no Brasil mostram um sabre do modelo francês do ano IX (1801), de lâmina curva, mas há menções documentais à compra de terçados de lâmina reta”, detalha o estudo.

Ainda no século 19, por volta de 1858, a menção aos terçados em lutas passa a diminuir. Foi nesse período que o Brasil passou a adquirir as armas à Minié – rifles carregados pela boca, com maior precisão e alcance – que eram utilizadas junto a um novo tipo de sabe que substituía o terçado.

Esse novo modelo incluía o sabre-serra, que era uma lâmina curta, reta, com o dorso serrilhado, que podia ser usado como facão e como serrote.

A história aponta que este tipo de arma também era utilizada para reprimir indígenas e quilombolas, pelos ‘pedestres’. Estes eram soldados que andavam constantemente em região de mata e usavam os terçados como facões para se deslocarem na floresta.

Terçado foi encontrado no município de Calçoene. Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP

Relembre o achado: Amigos encontram espada francesa do século 19 por acaso durante banho em rio no Amapá

*Por Isadora Pereira, Rede Amazônica AP

Linguiça de peixe é criada por piscicultora em Rondônia

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Linguiça feita com peixe. Foto: Agaminon Sales/Rede Amazônica RO

Nara Souza apresentou uma nova alternativa de alimento na 12ª edição da Rondônia Rural Show Internacional, que acontece durante esta semana em Ji-Paraná (RO). A piscicultora criou uma linguiça feita com peixe, unindo tradição regional e inovação alimentar.

Natural de Itacoatiara (AM) e morando em Rondônia desde a adolescência, Nara transformou sua paixão pela culinária e o conhecimento adquirido como fisioterapeuta em um projeto inovador que nasceu dentro das escolas públicas. Foi durante o preparo de peixe para a merenda escolar que ela começou a testar maneiras de aproveitamento dos filés com espinhas.

“Como a gente prepara muito peixe para a merenda escolar, tirava os filézinhos que vinham com espinhas, e aí eu fiquei tentando ver o que eu poderia fazer. Comecei a fazer tipo como se fosse sardinha. Deu certo, porém, como que eu ia fazer enlatado? Depois eu pensei: tem que fazer embutidos. Aí chamei uma senhora que dá cursos pelo Senar. E aí eu comecei”, explicou.

A criação deu tão certo que atualmente ela oferece cinco tipos diferentes de linguiça de peixe: a Rondonice, feita com pimenta biquinho e queijo de coalho; a apimentada; a tradicional, sem pimenta; a recheada; e a frescal, mais fina. Todos os produtos são feitos a partir de pirarucu ou tambaqui, peixes nativos da região amazônica.

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Nara conta que foram quase três anos para desenvolver a linguiça, entre testes, criação de sabores e a burocracia de rotulagem e legalização do produto. Hoje, ela chega a produzir entre 300 e 500 quilos, dependendo da demanda. A piscicultora já participou de feiras internacionais e está em processo de ampliação da produção para atender grandes compradores.

“Estamos nessa batalha há dois anos pra três anos, fazendo pra ter o melhor sabor. Tirando as rotulagens, tirando a documentação, pra que a gente possa levar esse produto todo legalizado, todo registrado, pra poder levar pro comércio”, contou.

Filha de ribeirinho, ela afirma que sua história com o peixe vem desde sempre, mas foi em Rondônia que encontrou espaço para empreender, inovar e educar. Para ela, o projeto é também uma forma de levar dignidade à mesa dos estudantes.

“Você vê que muitas crianças vão pra escola e aquilo ali é o que elas têm pra comer. Muitas vezes elas repetem, pedem do amigo, querem levar pro irmão. Isso me sensibilizou muito”.

Leia também: Saiba o significado dos nomes de peixes populares na Amazônia

Nara Souza e a linguiça feita com peixe. Foto: Agaminon Sales/Rede Amazônica RO

A paixão pela culinária e pela transformação social segue guiando a piscicultora, que já desenvolve também bolinhos de peixe e receitas diversas como lasanha, escondidinho, estrogonofe e até vatapá com base de pescado.

“Eu tive que inovar. Você vender peixe pra criança que já tá acostumada com comida mais fácil, você tem que inventar. Hoje eles comem almôndega, macarronada de peixe, e repetem. E ainda perguntam: ‘tia, é frango?’ Eu digo: ‘não, é peixe'”.

Apesar de ainda não serem distribuídas nas escolas, a produtora trabalha para que as linguiças de peixe possam, em breve, chegar à merenda escolar. Segundo ela, a preocupação com a saúde das crianças e adolescentes é o que guia o desenvolvimento das receitas, que são acompanhadas por uma nutricionista.

Além disso, a empreendedora informou que suas linguiças são mais saudáveis quando comparadas às versões tradicionais do mercado, por não levarem gordura animal.

Leia também: Pesquisa aumenta em mais de duas vezes o ganho de peso de tambaqui em tanque-rede

12ª Rondônia Rural Show Internacional

A 12ª edição da Rondônia Rural Show Internacional (RRSI), maior evento de agronegócio da região Norte, começou na segunda-feira (26) e segue até o dia 31 de maio, em Ji-Paraná (RO), na região central do estado.

O tema desta edição é “Do campo ao futuro”. Mais de 650 expositores do estado e de diversas partes do Brasil vão apresentar inovações tecnológicas e as principais tendências do agronegócio.

A feira, realizada anualmente desde 2012, promove o desenvolvimento sustentável e tecnológico da agropecuária, aproximando agricultores, empresários e o público em geralde. De acorodo com o governo de Rondônia, ela é reconhecida nacional e internacionalmente por impulsionar a economia agropecuária do estado, atraindo milhares de visitantes, produtores e investidores.

As novidades para a edição de 2025 são: mais lotes para expositores; um novo portal de acesso; setor pecuário maior; novo pavilãho de Pecuária de Corte; retorno do Pavilhão da Piscicultura; uma trilha no bosque para atividades de educação ambiental.

Na sua primeira edição, a feira movimentou cerca de R$ 186 milhões em negócios. Hoje, se consolidou como uma das mais importantes da região Norte, movimentando bilhões de reais e destacando a força do agronegócio rondoniense.

Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), a expectativa é que a Rondônia Rural Show 2025 supere os resultados das edições anteriores em volume de negócios.

*Por Agaminon Sales, da Rede Amazônica RO

Saiba quais pratos amazônicos são destaque no TasteAtlas

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Farinha de tapioca. Foto: Reprodução/Secretaria de Turismo de Santarém

O site especializado em gastronomia internacional TasteAtlas disponibiliza em sua plataforma diversas classificações da culinária em todo o mundo por áreas, como sorvetes, sopas etc. Em um mapa em que é possível explorar os destaques de cada país, a Amazônia tem suas referências incluídas.

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Nele aparecem Acre, Amazonas e Pará, com pratos típicos populares entre os locais, turistas e especialistas. Já figuraram em rankings do site pratos como o tacacá e o sorvete açaí da Cairu.

Leia também: Sorveteria paraense é classificada como uma das melhores do mundo por enciclopédia gastronômica internacional

Mas além desses pratos que já são famosos mundo afora, a ‘baixaria‘, do Acre, também aparece. Em todos aparece a lista de ingredientes e também onde encontrar nos estados de referência. Confira as comidas regionais que ganharam destaque na plataforma:

1. Baixaria

Baixaria é um prato tradicional originário do Acre. É feito com uma combinação de fubá, carne moída, cebola, alho, azeite, pimentão e tomate. O cuscuz é cozido no vapor e servido com a combinação de carne moída, cebola e legumes. Uma vez pronta, a baixaria é coberta com um ovo frito, decorada com salsa picada e servida, geralmente no café da manhã. Veja a descrição completa AQUI.

Baixaria é servida no café da manhã dos acreano. Foto: Eduardo Duarte /g1 AC

2. Jambú

Jambú (Acmella oleracea) é uma erva verde folhosa nativa da floresta amazônica e de certas regiões da América do Sul. É conhecida por suas propriedades distintas de formigamento e dormência, o que a torna uma erva culinária e medicinal popular. A principal característica do jambú é que ele provoca uma sensação única conhecida como “efeito margarida elétrica”. Quando consumidas, as folhas da planta de jambú causam uma sensação de formigamento, dormência e um leve zumbido na boca, sendo, portanto, descrita como a ingestão de um leve choque elétrico. Veja a descrição completa AQUI.

Planta do jambu. Foto: Reprodução/UFT

3. Tambaqui na brasa

O tambaqui na brasa é um prato de peixe que consiste em um tambaqui inteiro coberto por dentro e por fora com uma marinada tipicamente feita com azeite, sal, pimenta, ervas diversas, alho e fatias de limão, mas que varia de receita para receita. O peixe é então grelhado até ganhar cor e estar cozido por completo. Veja a descrição completa AQUI.

Leia também: Aprenda a fazer tambaqui na brasa com vinagrete de milho verde

Tambaqui na brasa. Foto: Reprodução/Governo de Rondônia

4. Tucupi

O tucupi é um ingrediente tradicional muito utilizado na culinária da região amazônica, principalmente no estado do Pará. É um molho marrom-amarelado feito com o suco extraído da raiz da mandioca (também conhecida como mandioca ou aipim). O preparo do tucupi envolve um processo de fermentação para remover os compostos cianetos naturais encontrados na mandioca crua. A raiz é descascada, ralada e deixada de molho em água por vários dias, permitindo sua fermentação. Após a fermentação, o líquido é extraído e fervido para produzir o tucupi. Veja a descrição completa AQUI.

Tucupi vendido em feiras. Foto: Divulgação

5. Mel de Abelhas Nativas Sateré-Mawé

Este mel raro é coletado pelo povo Sateré-Mawé nas bacias hidrográficas do Amazonas e do Pará, no Brasil. Colônias de abelhas selvagens sem ferrão produzem este mel muito procurado – sua liquidez permite que ele retenha uma enorme variedade de sabores e aromas das espécies vegetais originais. Veja a descrição completa AQUI.

Abelhas sem ferrão. Foto: Reprodução/Slow Food Brasil

6. Tacacá

Tacacá é uma sopa brasileira entorpecente feita com grandes camarões secos, tucupi (subproduto da mandioca selvagem), fécula de mandioca, pimentas amarelas ardidas e jambu – uma planta folhosa com propriedades anestésicas. É tradicional especialmente nos estados do Pará e Amazonas. No norte do Brasil, a sopa é tipicamente vendida à tarde, geralmente por vendedoras chamadas tacacazeiras. Veja a descrição completa AQUI.

Leia também: Queridinho: site especializado aponta tacacá como uma das melhores 25 sopas do mundo

Tacacá é servido na cuia. Foto: Netto Lacerda/Rede Amazônica AP

7. Tapioca

Tapioca é o amido extraído das raízes da mandioca, planta nativa do Brasil. O cultivo da mandioca se espalhou pelo mundo, principalmente na África e na América do Sul, onde se tornou um alimento básico. O sabor da tapioca é neutro e possui forte poder gelificante, tornando-se um valioso espessante em diversos pratos doces e salgados. Veja a descrição completa AQUI.

Farinha de tapioca pode ser usada para diversas receitas. Foto: Reprodução/Secretaria de Turismo de Santarém

8. Pato no tucupi

Pato no tucupi é um prato típico de Belém, composto por pato cozido com tomate e cebola. O pato é então assado e cozido com tucupi (suco amarelo extraído da mandioca) e jambú (uma planta folhosa com propriedades anestésicas). Veja a descrição completa AQUI.

Pato no Tucupi. Foto: Fernando Sette/Círio de Nazaré

Amazon Sat concorre ao prêmio iBest 2025; saiba como votar

O Prêmio iBest, realizado pela iBest Global, procura distinguir as melhores iniciativas do universo digital brasileiro, a partir de votação popular e do voto de especialistas em 109 categorias. Através do prêmio, os brasileiros têm a oportunidade de conhecer e eleger os melhores influenciadores, criadores de conteúdo e empresas nas principais áreas de interesse.

O canal temático Amazon Sat é um dos concorrentes na categoria ‘Meio ambiente e sustentabilidade’ pelo terceiro ano consecutivo.

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Ainda na primeira fase, designada como ‘Seleção iBest’, as iniciativas competem para se tornar finalistas do prêmio. A votação acontece de 23 de abril até 13 de junho. O Amazon Sat concorre para seguir ao TOP 20. 

Como votar no Amazon Sat?

Para votar, é necessário se cadastrar no site do iBest por meio de uma conta Google, Outlook ou Apple, ter a idade mínima de 16 anos e possuir CPF válido. Após cadastrado, basta clicar na aba ‘Vote Aqui‘.

Na nova tela é possível tanto digitar o nome ‘Amazon Sat’ na busca quanto procurar a categoria ‘Meio Ambiente e Sustentabilidade’ na lista. Depois é só clicar no coração embaixo ou ao lado (depende do modo de busca) do nome do canal e pronto, seu voto já está registrado. 

Como votar no Amazon Sat. Foto: Reprodução/iBest

Durante a fase de Seleção iBest 2025 é possível dar até três votos por dia em cada categoria, porém com o limite de um voto por dia em um único concorrente de cada categoria. Além disso, é possível votar no mesmo candidato a cada 24 horas.

Leia também: Amazon Sat agora é digital; saiba como acompanhar

Fases do prêmio iBest 2025

O Prêmio iBest acontece de abril de 2025 a março de 2026 e é realizado em cinco fases: Seleção, Top20, Top10, Top3 e vencedores.

A fase da Seleção iBest, quando as iniciativas competem para se tornar finalista do iBest 2025, acontece de 23 de abril até 13 de junho. Entre os dias 14 de julho e 4 de agosto, serão apresentados o Top20 com as melhores iniciativas do Brasil em algumas categorias selecionadas.

O Top10 de cada categoria será apresentado e a votação pelo público geral e pela academia iBest acontece entre os dias 25 de agosto e 26 de outubro. Já o Top3 de cada categoria será revelado para serem votados pelo público de 24 de novembro a 9 de janeiro de 2026.

Os vencedores de cada categoria serão anunciados em março de 2026, em data a ser divulgada.

Caçadores humanos podem ter sido os principais algozes das preguiças-gigantes

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Representação artística ilustra a variação de tamanho, associado ao hábito terrestre ou arbóreo: Bradypus tridactylus, embaixo, existe hoje; Hapalops elongatus (à esq.) e Megatherium americanum (no fundo) foram extintas. Arte: Diego Barletta

Imagine uma paisagem no Pantanal ou no Pampa, com suas amplidões de vegetação rasteira, entrecortada por imensos animais de até 4 toneladas, as preguiças-gigantes. No litoral, seria possível encontrar preguiças enormes com hábitos anfíbios, que passavam a maior parte do tempo na água e se alimentavam do pasto de algas no fundo do mar. Em áreas mais florestais de qualquer recanto do continente americano, bichos de até 100 quilogramas (kg) eventualmente subiriam pelos troncos das árvores, enquanto em versões menores, de até 10 kg e constantemente pendurados nos galhos de barriga para cima, habitariam as copas. Estes últimos você talvez já tenha visto, na Amazônia ou na Mata Atlântica, se olhou com atenção para cima enquanto andava pela mata. Ou em algum zoológico. Todas as outras versões de preguiças foram extintas, provavelmente por uma combinação de fatores ambientais e humanos. Com destaque para a caça, de acordo com artigo publicado na revista Science desta semana (22/5).

“Teríamos hoje uma gama de tamanhos muito maior do que temos, se eventos extremos não tivessem levado à extinção”, especula o zoólogo Daniel Casali, pesquisador em estágio de pós-doutorado no grupo do paleontólogo Max Langer, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FFCLRP-USP). Eles fizeram o trabalho em parceria com colegas do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet) da Argentina, da Universidade de Buenos Aires, entre outras instituições de vários países.

Ao longo de ao menos 35 milhões de anos, as preguiças evoluíram isoladamente na América – do extremo norte, no Alasca, ao extremo sul, na Patagônia. Existiram mais de 100 gêneros, com uma variação de tamanho enorme, dos quais só restaram os dois gêneros mais diminutos, que não passam de 1 metro de comprimento: as preguiças-de-dois-dedos (Choloepus), que vivem na Amazônia e na América Central, e as preguiças-de-três-dedos (Bradypus), que, além de se sobreporem à distribuição das primas de dois dedos, também chegam à Mata Atlântica.

Leia também: 4 curiosidades peculiares sobre os bichos-preguiça

“Usamos modelos evolutivos para analisar variáveis que explicariam as diferenças de massa corporal”, conta Casali. As conclusões indicaram uma associação muito forte do substrato preferido para viver – solo, árvore ou uma combinação de ambos – com o tamanho do corpo. Outras variáveis que os pesquisadores levaram em conta foram a capacidade de cavar, a dieta, a temperatura e a pressão de predação. Não é surpreendente, mas eles descobriram que as mudanças evolutivas que geraram espécies mais arborícolas foram associadas à diminuição de tamanho, enquanto o gigantismo exigia as patas no chão. Segundo Casali, o tamanho avantajado torna os animais mais vulneráveis, por serem mais visíveis e cobiçados, ao mesmo tempo que os protege, por torná-los mais resistentes e capazes de subsistir a temperaturas baixas.

O estudo indicou que a preguiça ancestral seria grande e terrestre. O evento principal de extinção teria acontecido, de acordo com as análises, por volta de 15 mil anos atrás, um período concomitante com a disseminação da presença humana no continente. Um segundo momento que marcou o desaparecimento de espécies se deu na região do Caribe entre 9 mil e 5 mil anos atrás, o que – mais uma vez – coincide com a colonização da área por seres humano

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Esqueleto de Megatherium americanum, uma enorme preguiça terrestre, no Museu Argentino de Ciências Naturais “Bernardino Rivadavia”. Foto: Alberto Boscaini/Conicet

O surgimento do hábito arbóreo teria se dado por processos evolutivos muito rápidos de redução no tamanho e parece ter sido crucial na sobrevivência. Talvez por isso os gêneros que ainda existem são exclusivamente arborícolas e não ganharam muitas ramificações na árvore genealógica que os pesquisadores traçaram usando uma combinação de dados moleculares e anatômicos. “Também é bem provável que outras espécies tenham existido, mas não estejam representadas no registro fóssil pelas más condições de preservação no ambiente florestal, ou ainda porque não houve trabalho de campo suficiente para encontrá-los”, ressalva Casali. Além disso, a tradição de pesquisa paleontológica é mais forte no sul do continente, embora esforços de procura por fósseis em outras regiões tenham se tornado mais comum nos últimos anos.

Casali não elimina o clima da equação – é inegável que as flutuações de temperatura e umidade tenham imposto desafios à subsistência –, mas as mudanças mais drásticas não coincidem de forma tão convincente com as extinções. “É uma questão de perspectiva de como esses depósitos fossilíferos são analisados”, pondera o geógrafo especializado em paleontologia Fábio Cortes Faria, pesquisador em estágio de pós-doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em fevereiro, ele e seus orientadores de doutorado, os paleontólogos Ismar de Souza Carvalho, da UFRJ, e Hermínio de Araújo-Júnior, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), publicaram na revista científica Journal of South American Earth Sciences um artigo polêmico que enfraqueceria a hipótese da caça como motor da extinção da megafauna, que além das preguiças incluía outros gigantes, como os mastodontes e os tigres-dentes-de-sabre.

Leia também: O que é a megafauna? Entenda os gigantes do passado e seus descendentes na Amazônia

A datação de exemplares coletados no Ceará e em Mato Grosso do Sul lhes permitiu afirmar que nesses lugares havia fauna gigante há 3,5 mil anos atrás, tarde demais para a hipótese de caça maciça e favoreceria a visão de que os animais teriam sucumbido a dificuldades ambientais. Na amostra, havia preguiças-gigantes com datas tão recentes quanto 6 mil anos atrás.

“Vemos mudanças climáticas e ambientais abruptas que coincidem com o fim do Último Máximo Glacial, entre 21 mil e 6 mil anos atrás, período marcado por aquecimento e aumento na umidade”, afirma Faria.

Ao pensar nos assentamentos humanos daquela época, que, segundo sua descrição, eram pouco populosos e esparsos, o pesquisador não imagina que fossem suficientes para causar a extinção de tantas espécies. “É bom que não haja consenso quanto a isso, assim a ciência avança”, contemporiza. Para ele, é preciso fazer muito mais pesquisa para avaliar o impacto da ação antrópica nesses animais e chegar a uma apreciação de sua importância relativamente às mudanças do clima. “Sabemos que as duas forças estavam atuando em sinergia e dizimando as espécies, mas ainda temos uma lacuna sobre o que causou o ponto-final.” Ele pretende continuar perseguindo a datação de fósseis da megafauna para preencher essas falhas no histórico temporal das extinções.

Entender melhor até que ponto iam as interações entre os seres humanos e a megafauna é o foco da paleontóloga brasileira Thais Pansani, pesquisadora associada da Universidade do Novo México, nos Estados Unidos. Em 2023, ela e a colega Mírian Pacheco, da Universidade Federal de São Carlos, publicaram um artigo na revista científica Proceedings of the Royal Society B no qual descreviam um pingente feito há cerca de 25 mil anos, onde agora é o Centro-Oeste brasileiro, a partir de um osso de preguiça-gigante. O achado leva a suspeitar a interação entre os seres humanos e o bichão, embora não seja possível cravar se ela envolveu a caça ativa ou se os ossos foram retirados de uma carcaça recente.

Representação artística ilustra a variação de tamanho, associado ao hábito terrestre ou arbóreo: Bradypus tridactylus, embaixo, existe hoje; Hapalops elongatus (à esq.) e Megatherium americanum (no fundo) foram extintas. Arte: Diego Barletta

Para aprofundar esse conhecimento, a missão de Pansani é continuar a visitar coleções e analisar espécimes da megafauna em busca desse tipo de alteração. “Estamos analisando ossos do mesmo local, o sítio arqueológico Santa Elina [em Mato Grosso], que podem ter sido queimados”, conta. A questão é fazer análises microscópicas e químicas para distinguir entre mecanismos naturais que tenham alterado a cor e a textura dos ossos e a ação de uma fogueira no ato de fazer um churrasco de preguiça-gigante.

“O artigo de Casali é uma ótima contribuição para o tema do papel da caça na extinção das preguiças, de uma forma menos enviesada possível”, avalia Pansani, referindo-se ao uso de modelos evolutivos em uma escala de tempo muito ampla, em uma grande diversidade de espécies. É uma visão mais neutra porque a maior parte das pessoas poderia pensar que, se o ser humano chegou à América do Sul há pelo menos 20 mil anos, a extinção 5 mil ou 10 mil anos depois poderia não ser uma consequência direta. “Na visão arqueológica, 10 mil anos é muito tempo, mas na escala paleontológica é um tempo de convivência muito breve.” Mas seu impacto pode ter sido drástico.

Leia também: Mistério: o caso do filhote de ‘Mapinguari’ que intrigou Manaus em 2006

Projeto

Explorando a diversidade dos dinossauros do Cretáceo sul-americano e suas faunas associadas (nº 20/07997-4); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Max Cardoso Langer (USP); Investimento R$ 4.642.810,05.

Artigos científicos

BOSCAINI, A. et alThe emergence and demise of giant slothsScience. On-line. 22 maio 2025.
FARIA, F. H. C. et al3,500 years BP: The last survival of the mammal megafauna in the AmericasJournal of South American Earth Sciences. v. 153, 105367. 15 fev. 2025.
PANSANI, T. R. et alEvidence of artefacts made of giant sloth bones in central Brazil around the last glacial maximumProceedings of the Royal Society B. 12 jul. 2023.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND, escrito por Maria Guimarães

Estudos sobre insetos aquáticos do Amazonas e Pará compõem livro sobre impactos que sofrem com diversos usos do solo

Foto: Reprodução/’Insetos Aquáticos na Amazônia brasileira: taxonomia, biologia e ecologia’ (Inpa, 2019)

A Embrapa Meio Ambiente lançou recentemente o livro ‘Efeitos dos usos do solo sobre insetos de ambientes aquáticos brasileiros’, que reúne o conhecimento sobre o tema produzido no Brasil nos últimos 20 anos.

Coordenada pela pesquisadora Kathia Sonoda, a obra conta com mais 37 autores e sintetiza as ações realizadas pelos grupos de pesquisa brasileiros que estudam os aspectos ecológicos dos insetos aquáticos.

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Logo no primeiro capítulo, o livro apresenta o histórico do conhecimento produzido na área nos últimos 20 anos. Os capítulos seguintes foram divididos segundo os biomas (*estudos realizados no Amazonas e Pará estão nos capítulos 4 e 5 respectivamente).

O penúltimo apresenta as percepções futuras sobre o tema “usos do solo e insetos aquáticos”. Já no fechamento do livro há uma análise da atuação dos pesquisadores nas políticas públicas e os esforços para ampliar a inserção dos insetos aquáticos como indicadores em ações de biomonitoramento ambiental.

“O livro atinge seu objetivo ao facilitar à comunidade científica brasileira a visualização de oportunidades a serem exploradas em diversas macro e microescalas, considerando-se regiões hidrográficas, biomas ou Estados, sem esquecer dos estudantes de pós-graduação e seus orientadores, muitos dos quais contribuíram para o material”, diz Sonoda à Agência FAPESP.

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“Além disso, o livro busca apontar áreas físicas do Brasil que mereçam atenção, como também áreas estratégicas que necessitam de recursos para desenvolvimento”, acrescenta.

Segundo Sonoda, a FAPESP foi importante no fomento das pesquisas e concessão de bolsas de todos os níveis. Ela destaca alguns projetos fundamentais para a obra: Ecologia e taxonomia de insetos aquáticos de riachosEphemeroptera, Plecoptera e Trichoptera (Insecta): reduzindo os déficits Linneano, Wallaceano e Henningueano; e Plecoptera (Insecta): documentando a diversidade e integrando dados morfológicos e moleculares.

O livro é gratuito e pode ser lido em formato digital pelo site da Embrapa. A pesquisadora diz que pretendem lançar uma versão em inglês, para aumentar a visibilidade da obra.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, com adição pelo Portal Amazônia de onde encontrar as informações sobre a região amazônica

Estudo propõe nova estratégia para preservar a diversidade genética da Amazônia

Manter distâncias adequadas entre as árvores promove a polinização cruzada, resultando em um aumento na variabilidade genética. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

De acordo com estudo conduzido na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), estratégias específicas para cada espécie de árvore são mais eficazes para manter a diversidade genética da floresta amazônica do que os critérios generalistas adotados pela legislação brasileira. Os resultados das investigações foram publicados no periódico Forest Ecology and Management.

Como explicam os autores, a proximidade entre as árvores é crucial para facilitar o fluxo gênico dentro das populações florestais. Definido como a transferência de genes entre indivíduos da mesma espécie, o fluxo gênico é essencial para a adaptação e a sobrevivência da população.

Financiada pela FAPESP (projetos 23/07753-624/14406-3 e 23/14668-5), a pesquisa analisou o impacto da exploração madeireira com base no diâmetro mínimo de corte (DMC), regra que define o tamanho mínimo das árvores que podem ser retiradas. Os cientistas avaliaram se as árvores que permanecem na floresta após o corte ficaram próximas o suficiente para garantir a troca de pólen e a diversidade genética.

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Para aprofundar a análise, o estudo utilizou modelos de simulação e propôs um novo critério, chamado “distância mínima de corte”, que considera a proximidade entre as árvores remanescentes. Os pesquisadores compararam esse método com os critérios atuais, avaliando seu impacto tanto na diversidade genética quanto no volume de madeira coletado.

O estudo foi conduzido em quatro áreas amazônicas de manejo florestal legal. Duas delas pertencem a empresas privadas certificadas no Estado do Amazonas. Outras duas, uma no Pará e outra em Rondônia, fazem parte de concessões florestais. Juntas, as quatro áreas totalizam 48.876,35 hectares.

Os resultados mostram que critérios específicos para cada espécie e área são mais eficientes do que regras generalistas, que utilizam o mesmo padrão para todas as árvores. Segundo os autores, a adoção de abordagens personalizadas pode contribuir para um manejo florestal mais sustentável, garantindo a conservação da biodiversidade e a continuidade dos serviços ecossistêmicos da Amazônia.

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“O estudo reforça a necessidade de revisão das normas de exploração madeireira, incentivando políticas que aliem produção e conservação ambiental”, relatou à assessoria de imprensa da Esalq o professor Edson Vidal, um dos autores do artigo.

“Manter distâncias adequadas entre as árvores promove a polinização cruzada, resultando em um aumento na variabilidade genética. Essa variabilidade é fundamental para a resiliência da população a mudanças ambientais, como a incidência de doenças e pragas. Isso torna mais eficaz esse critério de distância mínima de corte”, resume Vidal.

O artigo Maintaining genetic diversity in the Amazon: Species-specific strategies are more effective for managed forests than generalist criteria in Brazilian legislation pode ser lido AQUI.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Fapesp

Mineração ilegal e tráfico de animais serão crimes de maior gravidade

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Foto: Divulgação/Polícia Federal

A partir de agora, a prática da mineração ilegal e o tráfico de animais silvestres serão reconhecidos como crimes ambientais da “maior gravidade”, em âmbito mundial para todos os 193 países membros da Organização das Nações Unidas (ONU). A Comissão de Prevenção do Crime e Justiça Criminal das Nações Unidas aprovou na última semana, em Viena, uma nova resolução, que foi proposta pelo Brasil, sobre o combate aos crimes ambientais.

As novas regras, aprovadas na 34ª assembleia da Comissão, também determinam que esses crimes de exploração irregular de minérios e o transporte ilegal de animais sejam considerados de responsabilidade compartilhada por todos os países. Na prática, a resolução implica em instituir medidas que combatam tanto a oferta quanto a demanda que movimenta esses crimes ambientais.

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A resolução, segundo a Comissão da ONU, promove a tentativa de harmonização das leis, enfatizando o envolvimento dos povos indígenas e das comunidades afetadas pelos crimes. A intenção também é facilitar a cooperação internacional contra a lavagem de dinheiro associada a esses delitos.

De acordo com Ministério das Relações Exteriores, a aprovação do texto pelo órgão internacional reflete a prioridade do governo brasileiro em enfrentar os crimes ambientais e manter o papel de liderança nessa temática. 

*Com informações da Rádio Agência Nacional

Justiça Federal determina suspensão imediata de extração de gás em TI no Amazonas

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Complexo Termelétrico Azulão 950, em 2023. Foto: Reprodução/Eneva

A Justiça Federal determinou a paralisação imediata das atividades de extração de gás realizadas pela empresa Eneva em área que se sobrepõe ao território indígena Gavião Real, no Amazonas, conforme indicado em mapa apresentado por laudo pericial do Ministério Público Federal (MPF). A empresa fica proibida de impedir o uso tradicional dessas terras por indígenas e ribeirinhos.

A decisão suspende a emissão de novas licenças ambientais no âmbito do complexo de gás conhecido como Azulão, operado pela Eneva nos municípios amazonenses de Silves e Itapiranga. Assim, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) não poderá expedir novas autorizações.

A liberação de licenças está condicionada à realização da consulta prévia aos povos indígenas e extrativistas, conforme estabelecido pela Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além da realização, pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), dos estudos de impacto específicos sobre as comunidades e povos indígenas isolados e do Estudo de Componente Indígena (ECI). 

Em recente manifestação, o MPF apresentou à Justiça Federal novos elementos e provas, a partir de laudo pericial e de informações colhidas durante diligências presenciais realizadas nas comunidades tradicionais e indígenas dos municípios de Silves e Itapiranga. Diante das constatações trazidas pelo MPF, a Justiça determinou à Eneva e ao Ipaam que prestem todas as informações técnicas indicadas como necessárias pelo MPF. 

A Eneva e o Ipaam têm um prazo de 15 dias para manifestarem suas contestações sobre o caso (a partir do dia 27 de maio). 

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Irregularidades constatadas

O laudo de perícia multidisciplinar do MPF, elaborado por especialistas em Biologia, Engenharia Química e Geologia, constatou diversas irregularidades no licenciamento ambiental conduzido pelo Ipaam. O MPF destaca que as irregularidades encontradas no empreendimento apresentam impactos diretos sobre o meio ambiente e os povos indígenas e tradicionais que habitam a região. Aponta, ainda, a omissão do Ipaam em considerar a presença indígena na região, uma vez que o empreendimento se encontra em área sobreposta a terras indígenas, e, ainda, relata a omissão da Funai para suspender o empreendimento. 

A perícia apontou que não houve dimensionamento adequado da área de influência direta e indireta do empreendimento e constatou falha na identificação de impactos ambientais esperados, além de subdimensionamento da extensão dos impactos e de seus efeitos cumulativos e sinérgicos com outros empreendimentos. 

O documento mostra também os indícios de fracionamento do licenciamento ambiental, já que estruturas interligadas foram licenciadas separadamente. Também ressalta que a falha do Ipaam na condução do licenciamento e a atividade poluidora da empresa já estão acarretando danos às comunidades que habitam a região. 

Foi indicado, na perícia, que diversas comunidades indígenas e ribeirinhas vem sendo invisibilizadas ao longo do processo de licenciamento ambiental da Eneva, tanto por parte do empreendimento, quanto por parte dos órgãos ambientais.

Há aldeias indígenas próximas às estruturas dos empreendimentos que vêm relatando os impactos ambientais relacionados às instalações, impactos sobre a pesca e o afugentamento da caça e do pescado. As alterações ambientais em decorrência da instalação do projeto podem também aumentar os riscos de contato com aracnídeos e escorpiões potencialmente perigosos para a saúde humana.

Além disso, foram relatados desrespeito aos critérios do acordo firmado entre as comunidades e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a falta de diálogo com as comunidades, o que ocasiona o desconhecimento prévio dos reais impactos causados pelas obras, bem como uma série de ameaças às suas lideranças e a sensação de invasão de seus territórios. 

A perícia do MPF sugeriu que sejam tomadas diversas providências, entre elas a solicitação de esclarecimentos sobre eventuais lançamentos e captações da Eneva, seus pontos geográficos e o compartilhamento de infraestrutura entre os projetos da empresa. Outra sugestão foi solicitar à Funai que obtenha dados atualizados e consistentes sobre a distância entre as aldeias e o empreendimento, bem como investigar a discrepância nas coordenadas geográficas da Aldeia Gavião Real, área onde o empreendimento está sobreposto. 

Verificação in loco 

Em inspeções realizadas no ano de 2024, o MPF identificou pressões diversas da empresa para passagem de gasoduto pelas residências ao longo da estrada da região e a presença de poços e maquinário da Eneva em algumas propriedades, a poucos metros de distância de residências, moradias, criação de animais, inclusive com fogo e fumaça saindo constantemente. 

O MPF recebeu relatos de pressões para assinatura de contratos e para renovação e ampliação de novos contratos entre a empresa e comunitários. Além dos relatos de contaminação de água do lago de consumo dos indígenas e ribeirinhos, bem como de poços artesianos de agricultores familiares. 

Ação civil pública nº 1021269-13.2023.4.01.3200

Decisão judicial

Consulta processual

*Com informações do MPF

Cafezais das Matas de Rondônia sequestram 2,3 vezes mais carbono do que emitem

Agricultores familiares trabalham na pós-colheita e secagem do café. Foto: Enrique Alves

Um estudo inédito realizado na região das Matas de Rondônia revela que a cafeicultura familiar praticada nesse território da Amazônia brasileira apresenta um balanço favorável de carbono. Os resultados dessa pesquisa apontam que as plantações de Café Robusta Amazônico – uma variedade local do café canéfora (Coffea canephora) – sequestram, em média, 2,3 vezes mais carbono, anualmente, da atmosfera do que as emissões geradas no processo produtivo agrícola.

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A pesquisa demonstra que o balanço anual de carbono da região registra um saldo favorável de 3.883,3 kg, ou cerca de 4 toneladas por hectare ao ano. A média vem da diferença entre o carbono estocado na biomassa das plantas (6.874,8 kg) e a emissão de gases de efeito estufa (GEE) durante a fase de produção do café (2.991,5 kg). Por seu ineditismo, o balanço poderá ser utilizado como referência para outras pesquisas e, até mesmo, para abertura de linhas de créditos de carbono.

A iniciativa resultou também na criação de uma planilha de cálculos da emissão de carbono para uso dos agricultores locais. A intenção é mostrar o status atual de emissão do cafeicultor do estado, considerando critérios como irrigação, uso de fertilizantes, entre outros.

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Apresentação dos resultados e simulações

Os resultados da pesquisa da Embrapa estão sendo apresentados no Rondônia Rural Show Internacional, de 26 a 31 de maio, em Ji-Paraná (RO).  Essa é a maior feira de agronegócios da Região Norte e tem o objetivo de fomentar a integração entre ciência e setor produtivo.O evento será uma oportunidade para que os produtores de café testem essa planilha e façam simulações de forma a avaliar se os valores das emissões de seus sistemas de cultivo estão acima ou abaixo do balanço médio do estado.

Foto: Enrique Alves

“Estamos muito felizes com o resultado dessa pesquisa”, afirma Juan Travian, presidente da Cafeicultores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon). “O estudo comprova a sustentabilidade da cafeicultura praticada no bioma Amazônia. Para nós, é importantíssimo mostrar ao mundo, por meio da ciência, que a produção de café na Amazônia é sustentável”, complementa.

O presidente do Conselho de Administração do Sicoob Credip, Oberdan Pandolfi Ermita, ressalta que a monetização do carbono é um mercado novo que vem estimulando uma corrida de metodologias para calcular esse balanço. Para ele, o estudo da Embrapa consegue capturar a especificidade do Café Robusta Amazônico, considerando as condições fitoclimáticas da região. “São dados muito relevantes. Nosso objetivo é que seja trabalhada a monetização desse carbono, de modo a beneficiar o cafeicultor das Matas de Rondônia diretamente, ou por meio da redução da taxa de juros”, diz. 

COP30,  Jornada pelo Clima e Integra Carbono Embrapa

O projeto com os Cafés Robustas Amazônicos foi selecionado para ser apresentado na vitrine viva do Espaço AgriZone, exposição que será a casa da agricultura sustentável brasileira em Belém, na sede da Embrapa Amazônia Oriental, durante a COP30, de 10 a 21 de novembro próximo.

Esta matéria integra a série da Agência Embrapa de Notícias relacionada à iniciativa da Empresa Jornada pelo Clima. A ideia é identificar reportagens sobre ações de PD&I e tecnologias que favorecem a sustentabilidade dos sistemas agroalimentares e dos biomas, de forma alinhada com os temas da COP 30.

Confira também outros resultados da Empresa e parceiros voltados à descarbonização da agricultura na página Integra Carbono Embrapa. A iniciativa é voltada à agregação de dados e resultados de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) capazes de contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) nos sistemas agroalimentares e florestais.

Sequestro de carbono

O pesquisador da Embrapa Territorial Carlos Cesar Ronquim, líder do estudo, acredita que o cafeeiro pode atuar como uma ferramenta de remoção de carbono. Por ser uma planta lenhosa, ela possui capacidade de armazenar grandes quantidades de carbono por mais tempo. Ronquim ressalta, no entanto, que o carbono sequestrado temporariamente na biomassa da planta do café retorna à atmosfera quando a lavoura é renovada ou desativada. Ele observa ainda que, se essas plantas forem utilizadas como substitutas de combustíveis fósseis, isso pode contribuir efetivamente para um balanço de carbono mais positivo na produção.

O estudo contou ainda com as participações do professor Eduardo Figueiredo, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar – Campus Araras), e do bolsista da Embrapa Territorial (SP) Guilherme Silva.

Foto: Marcos Oliveira

Os dados usados na pesquisa foram coletados em campo. O estoque de carbono armazenado nas plantas foi gerado a partir das análises laboratoriais de amostras de cafeeiros adultos (foto acima – média de idade de oito anos) obtidas nas lavouras. Os dados das emissões foram levantados por meio da aplicação de questionários e em reuniões com produtores locais.

Para quantificar o carbono estocado na planta, foram avaliados 150 cafeeiros adultos em dez propriedades rurais de cinco municípios da região das Matas de Rondônia. As análises laboratoriais mostraram que a maior parte do carbono está concentrada no tronco (36,4%), seguido por raízes (24,3%), folhas (23,8%), galhos (10,1%) e frutos (5,4%).

O pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia (RO), ressalta que muitos cafeicultores das Matas de Rondônia substituem parcialmente o uso de fertilizantes químicos por fontes orgânicas – como cama de frango e palha de café. “Essa prática favorece o pleno desenvolvimento vegetal das plantas, o acúmulo de carbono no solo ao longo do tempo, e a menor emissão de GEE, quando comparada aos fertilizantes nitrogenados sintéticos”, observa.

“As plantas da variedade botânica robusta são de grande porte e com alta capacidade produtiva. Isso, aliado a boas práticas agronômicas e novos arranjos espaciais mais adensados, fazem da cultura uma ferramenta de proteção do solo e sequestro de carbono”, ressalta o pesquisador.

O cálculo da pesquisa ainda não considera o carbono estocado no solo, o que poderá tornar o balanço ainda mais favorável em análises futuras. O projeto já direciona esforços para essa finalidade, comparando áreas de café, pastagens e florestas nativas. A expectativa é que o cultivo bem manejado do Café Robusta Amazônico em áreas antes ocupadas por pastagem resulte em aumento líquido de carbono no sistema, principalmente em pastagens degradadas.

“As coletas estão em andamento, com várias incursões de campo já realizadas. Acreditamos que as atividades de campo serão concluídas ainda neste semestre”, adianta o pesquisador Ronquim.

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Levantamento das emissões

O levantamento das emissões foi realizado em 250 propriedades localizadas em 15 municípios das Matas de Rondônia. Os dados foram coletados por aplicação de questionários durante visitas de campo e reuniões e entrevistas com os produtores, com o apoio de técnicos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater – RO). O objetivo foi mapear as principais fontes de emissão de gases de efeito estufa associadas à cafeicultura local, como o uso de calcário e fertilizantes (sintéticos nitrogenados e orgânicos), o consumo de combustíveis fósseis nas operações agrícolas e o uso de energia elétrica nos sistemas de irrigação. Com base nesses dados, foi possível calcular a pegada de carbono da produção de café na região.

A pegada de carbono representa a quantidade total de GEE emitido durante o processo produtivo. Essa análise permite a adoção de ajustes técnicos que reduzem as emissões, promovendo uma agricultura de baixo carbono. A cafeicultura das Matas de Rondônia registrou a pegada de carbono média de 0,84 kg de gás carbônico equivalente por kg de café verde produzido. Em prática, isso significa que cada quilo de café verde produzido (quando são considerados só os grãos e desconsideradas outras partes do fruto do café) emite 0,84 quilos de GEE.

Foto: Marcos Oliveira

Ronquim explica que esse resultado coloca o Café Robusta da Amazônia brasileira em posição favorável em relação à média global, especialmente quando comparado a outros cultivos tradicionais a pleno sol. Os dados do estudo foram comparados com análises feitas por outros trabalhos científicos, englobando revisões e valores médios de pesquisa (que comparam sistemas de cultivo a pleno sol com os de agroflorestas) em centenas de propriedades cafeeiras nos principais países produtores com destaque para a região da América Central.

O pesquisador ressalta que a pegada de carbono varia conforme diversos fatores, como o local do estudo, o clima, o tipo de solo, o manejo adotado, a variedade ou clone utilizado, tecnologias aplicadas, insumos e ainda metodologia empregada.

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O estudo apontou que cerca de 80% da pegada de carbono é resultante da aplicação de fertilizantes nitrogenados sintéticos. Isso porque existe uma relação direta entre o aumento da dose de nitrogênio e o crescimento das emissões: quanto maior a aplicação de nitrogênio, maiores as perdas e menores as taxas de aproveitamento pela planta. Esse impacto pode ser mitigado com práticas como o uso de adubos orgânicos em substituição de parte do fertilizante sintético, o cultivo consorciado com leguminosas fixadoras de nitrogênio e o uso racional de insumos.

A cafeicultura bem manejada, com uso eficiente de recursos e estratégias de mitigação, torna-se uma aliada no combate às mudanças climáticas. O desafio de conciliar produtividade e sustentabilidade é cada vez mais relevante em um cenário global de busca por práticas agrícolas de baixo carbono.

“A cafeicultura amazônica entra em uma nova fase de modernização do sistema de cultivo. Isso inclui práticas regenerativas, como manejo da cobertura do solo, uso de Sistemas Agroflorestais (SAFs), ampliação da adubação orgânica, substituição de agroquímicos por biológicos e uso racional e parcelado da adubação química nitrogenada por meio da fertirrigação (técnica que aplica fertilizantes diluídos na água da irrigação). Além disso, a Embrapa, em um processo de melhoramento participativo, tem ajudado os cafeicultores na seleção dos materiais genéticos com maior potencial produtivo, qualidade e, principalmente, resiliência climática”, enfatiza Alves.

Além das práticas agronômicas sustentáveis, destaca-se também a eficiência na gestão das lavouras por parte dos pequenos cafeicultores de Rondônia, que demonstram resiliência frente aos desafios da agricultura. Isso se deve, em grande parte, à experiência acumulada após migrarem para o estado, à adaptação às condições locais e à abertura para adoção de novas tecnologias. Essas inovações têm contribuído para ganhos de produtividade e redução da área plantada nas últimas décadas.

“Como são cultivados em pequenas propriedades familiares, muitos dos manejos dos robustas amazônicos – como a colheita – são realizados manualmente, o que contribui para a redução das emissões de GEE relacionadas ao uso de combustíveis fósseis”, pontua o líder do projeto.

Agricultura familiar

O destaque da cafeicultura de Rondônia no cenário nacional vem se expandindo. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Rondônia foi responsável por 87% da produção no bioma Amazônia na safra de 2024, lançando-a à quinta maior produção total do País e à segunda maior produção da espécie Coffea canephora.

Foto: Enrique Alves

O sistema de cultivo do robusta amazônico nas Matas de Rondônia envolve cerca de 17 mil produtores. Em sua maioria, são agricultores familiares tendo por foco a produção sustentável. Dos 37 mil imóveis rurais registrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR) na região, menos de nove mil produzem café — e 95% dessas pequenas propriedades são familiares, com média de 3,5 hectares cultivados com café.

O uso e cobertura da região, com foco na cafeicultura, foi realizado no âmbito do mesmo projeto da Embrapa, em 2024. Leia mais aqui. Conheça os detalhes do estudo clicando aqui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa