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Memória Iconográfica do Grupo Rede Amazônica no estado de Rondônia

O então governador Humberto Guedes inaugurou a TV Vilhena, em Rondônia. Foto: João Vilhena/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

A velocidade de transformação das cidades da Amazônia é narrada por um longo período por Silvino Santos. Sua obra iconográfica se destaca não só pela experiência da nova síntese de período glamoroso, mas pelo congelamento futurista que, somada a colagem de fragmentos, visões rápidas e múltiplas de nosso cotidiano urbano, aparenta hoje uma vida moderna da época em se instalavam o período do látex.

É nesse ambiente de efervescência cultural, econômica e política, de significados e alterações no espaço urbano e do cotidiano interiorano é que devemos inserir e entender a lente que documentou todo o momento com fotografias e filmes.

Silvino Santos, um imigrante português que tem uma importância diferenciada na história iconográfica da Amazônia, como também temos que considerá-lo como um dos pioneiros, juntamente, com o alemão Huebner, na tentativa de documentar e organizar a memória iconográfica da Amazônica e todo seu entorno.

Exímio fotógrafo e cineasta, como nenhum outro, soube retratar a atmosfera das cidades da Amazônia e seu cotidiano interiorano nas primeiras décadas do século XX. Sua produção retrata tudo aquilo que ele via, ao mesmo tempo, com as novidades que adentravam no espaço urbano, pouco se mostra do seu trabalho e atuação em estúdios, com retratos e crayon, produções praticamente pequena diante da exuberância de sua fotografia documental urbana. Isso é bastante raro na história da fotografia universal, já que, no período foram poucas as fotografias que conseguiram escapar da tradição do ateliê.

Silvino Santos mergulhou na arte de fotografar, documentarista, cronista, que deu relevância à fotografia como informação na história das representações visuais e foram muitas. A velocidade de transformação de todas as cidades da Amazônia foram narradas por um longo período, por dois fotógrafos: George Huebner que iniciou fotografar a Amazônia, em 1894 e Silvino Santos no início do século passado a partir de 1910.

É nessa particularidade que fotógrafos comuns tentam recuperar para a história momentos importantes de acontecimentos diversos, que marcam para eternidade com qualidade excepcional para a época o fato registrado. Na verdade este fato que enriquece não apenas o patrimônio e imagético da Amazônia, mas a própria cultura fotográfica de uma empresa em particular e de um período não muito distante, porém, histórico.

Este fotógrafo que se encontrava no momento exato, nos dá a oportunidade de ampliarmos a investigação e a pesquisa tanto no campo da fotografia quanto da história, do cotidiano urbano e da paisagem humana. Tudo isso garante o acesso irrestrito para pesquisadores, estudantes de fotografia, fotógrafos amadores e profissionais ou interessados neste segmento.

Não podemos esquecer de um período de ampliadores, câmeras, obturadores, lentes e tripés, balanças, bacias, prensas, lanternas e cortadores, químicas, filmes e chapas de vidro, papéis e fórmulas especiais, álbum, cartões-postais, pass-partouts, produtos para acabamento e apresentação dos trabalhos de um período que ficou para trás. Todas essas variedades de materiais e marcas foi a época a consolidação desse importante mercado, tanto profissional quanto o amador da época conheceram, hoje já estamos na era digital.

A bem da verdade as obras de George Huebner e de Silvino Santos se destacaram não só pela experiência de uma nova síntese de um período glamouroso, mas pelo congelamento futurista que, somada pela colagem de fragmentos visões rápidas e múltiplas da arte de fotografar o nosso cotidiano urbano retrataram uma vida moderna daquela época.

Foto: Aluísio Daou/Acervo pessoal
A fotografia acima foi tirada com esta câmera por Aluísio Daou. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

É nesse ambiente de oportunidade de significado importante que o senhor Aluísio Daou, no dia 8 de junho de 1973, documentou o ato de assinatura da homologação do canal da TV Rondônia, pertencente ao Grupo Rede Amazônica, no gabinete do Ministro em Brasília.

Estavam presentes, o Diretor Técnico da Embratel doutor Rubens Bussaco; o Diretor presidente do Grupo Rede Amazônica, Jornalista e Empresário das Comunicações Phelippe Daou; Senador Raimundo Parente; Senador José Lindoso; e Deputado Federal Ney Oscar de Lima Rayol. Aluísio Daou conseguiu inserir através da lente de sua máquina fotográfica Olimpus Trip 35 documentando esse importante momento, que usando da sensibilidade soube retratar para posteridade a atmosfera desse acontecimento histórico. O Senhor Aluísio Daou, naquela oportunidade encarnava os espíritos dos dois maiores fotógrafos da Amazônia, George Huebner e Silvino Santos, documentando este fato histórico.

Trata-se de um fato histórico importante, documentado com a exuberância de sua fotografia. Todo esse fragmento histórico documentou o tempo, as pessoas, com registro do antes e a possibilidade de estudo, depois, com recorte através dos vestígios da imagem iconográfica daquele período.

A matéria de que se alimenta esta memória lembra, principalmente, a luta desigual, as portas que se fecharam e, naturalmente, outras tantas que, se abriram, as conversas em gabinetes como fios que se entrelaçaram encadeados em cores e sonhos, muitas vezes difíceis de serem atingidos, mas certamente encantadores, pois hoje são reais.

João Vilhena (4/3/1935 a 28/10/2024), primeiro diretor da TV Ji-Paraná, em Rondônia. Foto: João Vilhena/Acervo pessoal

A linha divisória das realidades e das idealidades é sempre diluída pelo sonho de fazer realizar, sem se importar com os sofrimentos em nome de uma boa causa.

Porto Velho era a meta. A Amazônia era o alvo de conquista. A crise econômica, o obstáculo. A grande maioria da população, entretanto, parecia respirar sonhos com a realidade.

A Amazônia foi revelada pelo olhar dos viajantes missionários e naturalistas e mostrada para o país a partir da chegada da Rádio TV do Amazonas. Esta chegada criou o fascínio da nossa tela, o que também, se enredou nas teias sedutoras das novelas e minisséries, embora não tenha mudado o curso das águas do velho Madeira, criou um novo olhar de outro horizonte, além da preservação assumida, de forma muito própria, não permitindo a descaracterização da nossa região, motivo de preocupação, até hoje, por parte de toda a diretoria da Rádio TV do Amazonas.

Pensar o regional foi fazer o globalismo tornar-se um desafio constante no decifrar da região. Este fato nos permitiu a conquistas da realidade. Tudo isso, buscado através da motivação que marca a longa e brilhante existência das nossas cores em toda região amazônica.

A partir daí, deu-se o início de uma nova era. O então território de Rondônia contava com um aliado, a Rádio TV do Amazonas e, um aliado forte que, juntos, seguiram lado a lado, com um único objetivo, trabalhar. Trabalhar pelo engrandecimento de Rondônia. Para homenagear o território, a emissora receberia o nome de TV Rondônia. Uma justa homenagem para uma Rede de Televisão que estava apenas começando.

O Ministério das Comunicações, através do Departamento de Telecomunicações, de acordo com Edital n.º 10/72, abre concorrência pública para a concessão de um canal de rádio e televisão na cidade de Porto Velho, como segue o demonstrativo do Diário Oficial da União, do dia 4 de julho de 1972.

Depoimento publicado no Portal A Mídia Eletrônica em Rondônia – Lúcio Albuquerque

Rede Amazônica chega a Rondônia e instala repetidoras no interior

No dia 12 de setembro de 1974 a TV Cultura canal 11, encerrou suas atividades iniciadas no mês de junho, mas no dia seguinte, um dos programas do calendário comemorativo dos 31 anos de criação do Território foi a inauguração em Porto Velho da TV Rondônia, a primeira filial da Rede Amazônica de Televisão pelo empresário Phelippe Daou, Presidente da Rede, tendo como seu primeiro diretor o jornalista Murilo Aguiar.

O funcionamento da TV Rondônia foi facilitado porque o canal 11 serviu de “laboratório” como lembrou o jornalista João Dalmo lembrando que quase toda equipe da TV Cultura foi chamada para compor a nova emissora, “e o fato de nós termos já conhecimento desde a parte técnica até a prodição e apresentação de programas certamente reduziu muito o custo da implantação”, lembrou Dalmo, que chefiava a equipe do Esporte do Canal 11 imigrou para o 4.

A programação praticamente vinha toda de Manaus, gravada em fitas Vhs envidas como era anteriormente e, várias vezes, não chagava a tempo “ou com defeito, o que obrigava informar ao telespectador que programa era repetido – teve fita que passou mais dez vezes”, dizia, entre risadas, o jornalista Osmar Vilhena.

Em 1975 um programa que atraia muito público foi implantado pelo jornalista Vladimir de Carvalho, A Hora do Povo, feito ao vivo nos domingos à noite. Vladimir Vilhena, tinha dado seus primeiros passos em TV na pioneira “Cultura” do território.

As TVs em Guajará-Mirim Vila Rondônia, depois Ji-Paraná inaugurado em 1978 e Vilhena em novembro de 1977, funcionaram no mesmo sistema de Vts enviados agora pela emissora mãe, a TV Rondônia de Porto Velho. Em 1978 a TV Porto-velhense iniciou a transmissão ao vivo de seus programas.

*Texto enviado pelo CEO do Grupo Rede Amazônica, Phelippe Daou Júnior.

Fonte: A MÍDIA ELETRÔNICA EM RO (IX)
Lúcio Albuquerque (69) 99910 8325

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Cooperação institucional recebe reforço internacional com foco na Amazônia

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Da esquerda para a direita: Bruno Chagas, Nilson Gabas Júnior, Hanspeter Mock e João Meirelles após assinar renovação de parceria. Foto: Woltaire Masaki/MPEG

Em evento recente o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a Embaixada da Suíça no Brasil, o Governo do Pará e o Instituto Peabiru reforçaram a cooperação institucional com foco no fomento à ciência, à tecnologia, à inovação, à educação e à cultura na Amazônia. Representantes das instituições renovaram a parceria para a continuidade de tratativas e esforços para a restauração e uso da “Casa Goeldi”, que faz parte do conjunto de prédios históricos pertencentes ao Parque Zoobotânico (PZB).

Também no encontro, o diretor da instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia assinou portaria que designa simbolicamente os espaços institucionais do MPEG como “terra indígena” para fins de interesses socioculturais dos povos tradicionais.

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Os entendimentos foram firmados pelo diretor do Museu Goeldi (instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI), Nilson Gabas Júnior; pelo  embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock; pelo coordenador de Relações Internacionais da Representação do Governo do Pará em Brasília (DF), Unaldo Vieira de Souza; e pelo secretário de Cultura do Pará, Bruno Chagas.

Antes do evento – que aconteceu no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no PZB, localizado no bairro de São Brás, em Belém – eles realizaram uma reunião de trabalho que teve como um dos assuntos as comemorações dos 160 anos do Museu Goeldi, previstas para outubro.

Nilson Gabas Júnior deu as boas-vindas à mesa e ao público que assistiu ao evento. Ele relembrou a participação do Museu Goeldi na COP30, quando sediou mais de 200 eventos em suas duas bases na capital – o Parque e o Campus de Pesquisa, já no esteio da parceria firmada com as instituições representadas ali, especialmente à Embaixada Suíça que teve um envolvimento direto nessa programação.

Gabas falou sobre a importância do PZB, que é completamente tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e ressaltou o cuidado do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Dphac), em nível estadual, introduzindo a necessidade de conservação e reestruturação dos seus prédios históricos, entre os quais a casa onde morou Emílio Goeldi, naturalista que dá nome à instituição.   

Cooperação e captação de recursos

O diretor do Museu disse que a instituição conseguiu um recurso junto à Finep para reforma dos prédios do PZB (que deve ocorrer este ano), mas que não inclui a Casa Goeldi. Por isso, fez a provocação ao embaixador Hanspeter Mock, dando início à cooperação para captação de recursos para essa restauração.

“Graças ao aceite da Embaixada, nós (representantes das instituições) nos envolvemos nessa iniciativa e com esse apoio estamos conseguindo levantar recursos, inicialmente para o projeto arquitetônico e planejamento da reforma. Pretendemos que o imóvel tenha um uso compartilhado e voltado às necessidades e às demandas das comunidades tradicionais, sobretudo as indígenas, que promova a identidade, o bem-estar, o desenvolvimento e a manifestação cultural”, disse.

O embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, agradeceu a oportunidade do encontro e mencionou a alegria de voltar ao Museu Goeldi, onde esteve durante a COP30, entre outras agendas.

“É um prazer especial tomar a palavra neste dia de celebração, porque demonstra a força e a continuidade das relações entre a Suíça e o Brasil, mais particularmente entre a Suíça e o Estado do Pará. E esses laços não são recentes, pelo contrário, se baseiam em uma cooperação sólida e duradoura, orientada para o futuro, e fundada em valores compartilhados, especialmente nas áreas da ciência, da cultura e da sustentabilidade”, salientou, relembrando a assinatura do Memorando de Entendimento, pela embaixada, o Museu Goeldi e o Instituto Peabiru em 2024, renovada nesta sexta-feira.

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Ele mencionou a conclusão do termo de fomento para a cooperação, no último mês de março, que permitiu o repasse de recursos do governo do Estado para o projeto. “Todos esses instrumentos refletem uma vontade compartilhada de construir parcerias duradoras e eficazes à serviço da sociedade. Hoje temos a oportunidade de dar nova vida a esse espaço histórico, fazendo dele um local de encontros, de trocas e de produção de pesquisas sobre os saberes tradicionais e científicos da região amazônica, levando esses saberes tradicionais a desenvolver um marco avançado no progresso da ciência moderna”, acrescentou o embaixador, que celebrou ainda o legado do naturalista Emílio Goeldi na Amazônia.

Parcerias duradouras

Coordenador de Relações Institucionais da Representação do Governo do Pará em Brasília, o diplomata Unaldo Vieira de Souza relembrou a história da migração suíça no Brasil e afirmou que as duas nações seguem construindo produtivas relações diplomáticas, sendo a parceria para a restauração da Casa Goeldi um exemplo.

“O Brasil é o principal parceiro econômico da Suíça na América Latina e a Suíça é o sétimo maior investidor direto no Brasil, com mais de 600 empresas instaladas no país”, disse ele, saudando o futuro das parcerias. “Os paraenses, os amazônidas, os brasileiros e os suíços irmanaram-se em fazer o bem para a humanidade. Que essa celebração simbolize a cooperação permanente e frutífera, no domínio da ciência e na defesa perene do humanismo”, acrescentou.

Presidente do Instituto Peabiru, João Meirelles está à frente da captação de recursos para o projeto da Casa Goeldi. Ele relembrou alguns marcos dos vinte anos de parceria com o MPEG, como a restauração do aquário Jacques Huber, no Parque Zoobotânico, e mencionou a importância da iniciativa privada, no Brasil e na Suíça, nos recursos já arrecadados para o projeto.

João explicou que será necessário atrair novos investidores, sendo a Lei Rouanet um dos instrumentos que deverão ser mobilizados em parceria com o Instituto Pedra. “Somos um facilitador, um executor, um gestor, até para que o poder público possa trabalhar em cogestão com instituições sem fins lucrativos em projetos como esse da Casa Goeldi. Isso facilita para que o Estado se dedique a outras agendas prioritárias”.

O secretário de Estado da Cultura, Bruno Chagas, encerrou as falas representando o governo do Pará, que disponibilizou R$ 1 milhão para a restauração da Casa Goeldi.

“A declaração de que a Casa Goeldi será um espaço a serviço das comunidades tradicionais é importantíssima. Para nós, governo do Estado, as iniciativas voltadas para a preservação da nossa cultura são uma prioridade. Estou muito satisfeito com essa parceria. Estamos, mais uma vez, renovando a nossa disposição em continuar apoiando este projeto com tudo o que foi necessário”, afirmou o secretário, que falou em nome da governadora Hana Tuma.

encontro e cooperação sobre mudanças do clima acontece em belem no museu goeldi
Museu Goeldi. Foto: Divulgação/Acervo Museu Goeldi

Portaria: “Museu Goeldi Terra Indígena”

Desde 2023, o Parque Zoobotânico é considerado território indígena, a partir de uma declaração simbólica institucional, durante evento de abertura da 17ª Primavera dos Museus. No entanto, a partir de agora, essa declaração se torna oficial e extensiva a toda a instituição, incluindo suas três bases (o Parque e o Campus, em Belém; e a Estação Científica, em Caxiuanã). A partir da Portaria 503/2026, publicada neste mês de abril, o Museu Goeldi recebeu a designação institucional simbólica de “Terra Indígena”.  O reconhecimento tem fins exclusivamente memoriais, educativos, museológicos, científicos, culturais e comunicacionais. 

De acordo com o documento, a declaração abrange espaços físicos, expositivos, educativos, de pesquisa, de memória, de comunicação e de visitação vinculados ao Museu, incluindo suas bases e unidades institucionais; materiais editoriais, peças de comunicação, campanhas institucionais, exposições, programações educativas, interpretações internas, ambientes digitais e demais meios de expressão institucional do Museu. 

A portaria também destaca que a expressão “terra indígena” é simbólica, sem vinculação e efeito jurídico e constitucional, não se confundido com qualquer afetação real, destinação, demarcação, homologação ou registro territorial que envolva alteração de posse de imóvel público, sendo uma forma de “fortalecer, no âmbito institucional, práticas de respeito à diversidade étnica, cultural e epistêmica da Amazônia”, entre outros fins. 

Compromissos firmados

Durante o evento, foram assinados dois documentos. No primeiro, os representantes das quatro instituições parceiras renovam, por meio de um aditivo a um memorando de entendimento firmado em junho de 2024, as intenções de colaboração em ações conjuntas, em levantamento de fundos e outras iniciativas voltadas à ciência, à cultura e à tecnologia em prol da Amazônia. Esse novo documento tem vigência de dois anos. 

O segundo momento foi a assinatura pelo diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, da declaração institucional de uso e ocupação prevista da Casa Goeldi.

No documento, o prédio, depois de reformado, será destinado à instalação e operação de um espaço de uso institucional e cultural qualificado, apto a abrigar atividades, como: recepção de visitantes, pesquisadores, comunidades, convidados e parceiros; reuniões institucionais, encontros técnicos e agendas de representação; palestras, conferências, rodas de conversa, pequenos eventos e ações de difusão científica e cultural; iniciativas de educação patrimonial, interpretação do patrimônio e valorização da memória institucional; além de atividades expositivas, curatoriais, educativas e protocolares. 

*por Andréa Batista e Carla Serqueira, da assessoria de comunicação do Museu Goeldi

MMA atualiza lista de espécies aquáticas ameaçadas e reforça regras de proteção no Brasil

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Entre os peixes encontrados na Amazônia, o acari zebra (Hypancistrus zebra) é considerado Criticamente em Perigo (CR) de acordo com a portaria de 27 de abril. Foto: Diogo Lagroteria/CEPAM/ICMBio

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) publicou uma atualização da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção voltada a peixes e invertebrados aquáticos. O documento, divulgado no fim de abril, traz um panorama atualizado sobre o risco de extinção dessas espécies no Brasil e define regras mais claras para proteção, uso sustentável e recuperação populacional.

A medida é baseada em análises técnicas conduzidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelo monitoramento contínuo da fauna brasileira. O levantamento consolida dados científicos produzidos ao longo de anos e envolve a participação de pesquisadores, instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil e órgãos públicos.

De acordo com o presidente do ICMBio, Mauro Pires, o trabalho vai além de um ato administrativo.

“Esse resultado nasce de um trabalho técnico rigoroso, desenvolvido ao longo de anos por servidores do Instituto, especialmente dos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação, em cooperação com centenas de cientistas, especialistas, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e órgãos públicos. Não se trata de um mero ato administrativo, mas da tradução institucional de um esforço coletivo para compreender o estado da fauna brasileira”, afirmou.

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A nova lista substitui a anterior, publicada em 2014 e atualizada em 2022, incorporando avanços no diagnóstico técnico-científico obtidos entre 2022 e 2024. A versão final foi discutida e aprovada em 2025 junto à Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio).

Espécies avaliadas e avanços na conservação

O levantamento analisou centenas de espécies, incluindo peixes continentais e marinhos, além de tubarões, raias e diversos invertebrados aquáticos. Esses organismos foram classificados em categorias de risco como Vulnerável (VU), Em Perigo (EN) e Criticamente em Perigo (CR), seguindo critérios internacionais da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Entre os exemplos citados está o tubarão-limão (Negaprion brevirostris), classificado como “Em Perigo”. Já espécies como a raia Gymnura altavela e o tubarão Carcharhinus plumbeus aparecem na categoria “Criticamente em Perigo”.

Apesar da inclusão ou reclassificação de cerca de 100 novas espécies, outras 100 foram retiradas da lista em comparação à atualização anterior. Segundo o MMA, esse resultado reflete avanços em pesquisas e ações de conservação. Espécies ornamentais da Amazônia, como o acari-vampiro e o cascudo-onça, apresentaram melhora no estado de conservação após a implementação de medidas específicas.

Leia tammbém: Ideflor-Bio monitora e faz salvamento de espécies aquáticas em Monte Alegre, no Pará

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, destacou a importância desse processo.

“A adição e reclassificação de espécies pela Lista Nacional de Espécies Ameaçadas é resultado de robusta análise técnica que identifica a efetiva situação da fauna brasileira, num esforço realizado conjuntamente por governos, academia, sociedade civil e setor econômico. É um trabalho conduzido ao longo de anos que evidencia os avanços da ciência brasileira. O objetivo, a partir desta iniciativa, é mobilizar ações para que as espécies atualmente pressionadas tenham suas populações recuperadas”, afirmou.

espécies aquáticas em risco de extinção: lista atualizada pelo MMA e ICMBio - na foto peixe joaninha-da-pedra
Foto: Vassil, CC0, via Wikimedia Commons

Instrumento estratégico para políticas ambientais

A lista é considerada um dos principais instrumentos de gestão ambiental do país. Além de indicar o grau de ameaça das espécies, ela orienta políticas públicas, direciona recursos e apoia a criação de iniciativas como Planos de Ação Nacionais (PAN), Planos de Redução de Impactos à Biodiversidade (PRIM) e novas Unidades de Conservação.

Atualmente, o Brasil conduz uma das maiores avaliações de biodiversidade do mundo, abrangendo cerca de 15 mil espécies de fauna. Destas, mais de 1,2 mil estão classificadas como ameaçadas de extinção.

Segundo Mauro Pires, os resultados mostram que políticas contínuas trazem impactos positivos. “A retirada de 100 espécies em relação à atualização de 2022 demonstra que a conservação produz resultados quando há continuidade, cooperação e base científica. Cabe ao ICMBio transformar esse conhecimento em ação pública, coordenando e fortalecendo instrumentos como os Planos de Ação Nacionais para Espécies Ameaçadas”, destacou.

Regras mais rígidas e uso sustentável

Além da atualização da lista, o MMA publicou uma segunda portaria que estabelece regras específicas para as espécies ameaçadas. De forma geral, ficam proibidos a captura, o transporte, o armazenamento e a comercialização desses animais.

No entanto, a legislação prevê exceções para pesquisa científica e para espécies que tenham Planos de Recuperação ativos, permitindo o uso sustentável sob controle rigoroso. Para espécies incluídas pela primeira vez na lista, as restrições passarão a valer após 180 dias, garantindo tempo de adaptação aos setores produtivos.

Os Planos de Recuperação, coordenados pelo MMA, são considerados essenciais para conciliar conservação ambiental e atividades econômicas, especialmente a pesca. Até o momento, dez planos já foram desenvolvidos, com foco em espécies de relevância socioeconômica.

Monitoramento contínuo de espécies aquáticas

As informações sobre as espécies avaliadas são atualizadas periodicamente na plataforma Salve, sistema do ICMBio voltado ao acompanhamento do risco de extinção da biodiversidade.

A expectativa do governo é que a nova lista fortaleça a proteção da fauna aquática brasileira e amplie a integração entre ciência, políticas públicas e sociedade. O desafio, segundo especialistas, é manter a continuidade das ações e garantir que os dados gerados se transformem em medidas efetivas de conservação.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade

Anfíbio semelhante à minhoca é encontrado pela primeira vez no Peru

Foto: Juan C. Cusi Martinez

Uma equipe internacional de pesquisadores confirmou o primeiro registro no Peru de Caecilia crassisquama, espécie de anfíbio sem pernas, semelhante a uma minhoca ou pequena cobra, encontrada no Santuário Nacional Tabaconas-Namballe, localizado na província de San Ignacio, região de Cajamarca.

A descoberta foi publicada na revista científica Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi – Ciências Naturais, destacou o Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas (Sernanp) no Peru.

Leia também: O curioso caso do animal que parece cobra, tem nome de cobra, mas não é cobra

O serviço nacional afirmou que essa descoberta representa um avanço significativo para a biodiversidade peruana, elevando para sete o número de espécies do gênero Caecilia registradas no país. Até então, Caecilia crassisquama havia sido relatada apenas no Equador.

O Sernanp indicou que a espécie, também conhecida como cecília-da-Normanda, foi encontrada em uma floresta localizada a uma altitude de 1.990 metros, no setor El Sauce, dentro do Santuário Nacional Tabaconas-Namballe. “Este ecossistema faz parte do páramo andino, um habitat raro no Peru e considerado estratégico para a regulação hídrica”, observaram.

A pesquisa foi desenvolvida por Juan C. Cusi Martínez, Francis I. Vargas, Víctor J. Vargas, Pedro Peloso e Adriano O. Maciel, com a participação de especialistas do Museu de História Natural da Universidade Nacional de San Marcos, do Serviço Nacional de Florestas e Silvicultura, do Serviço Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado e de entidades acadêmicas do Brasil e dos Estados Unidos.

Este contenido puede reproducirse citando a la Agencia Andina ©️ Editora Perú Descoberta científica: um anfíbio semelhante a uma minhoca é descoberto pela primeira vez no Peru. Lea más en: https://andina.pe/agencia/noticia-hallazgo-cientifico-descubren-primera-vez-peru-un-anfibio-similar-a-una-lombriz-1073159.aspx
Anfíbio não possui membros. Foto: Pedro Peloso

Cecílias, os anfíbios sem membros

Os especialistas explicaram que as cecílias são anfíbios sem membros, com corpos alongados, adaptados à vida subterrânea, o que dificulta sua observação e estudo na natureza. Portanto, essa descoberta destaca a importância dos inventários biológicos em áreas pouco exploradas.

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A este respeito, o presidente executivo da Sernanp, José Carlos Nieto, destacou a necessidade de reforçar a investigação no Santuário Nacional Tabaconas-Namballe, considerando que este protege espécies com distribuição restrita e ecossistemas essenciais face aos atuais desafios ambientais.

Por fim, ele enfatizou que essa descoberta reafirma o valor das áreas naturais protegidas do Peru como refúgios de biodiversidade única, ainda pouco conhecida pela ciência.

*Com informações da Agência Andina

Expedição percorre comunidades do Pará com protagonismo feminino e turismo de base comunitária​

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Foto: Divulgação

O projeto ‘Quase Nativa – Expedição Amazônia Paraense’ é uma iniciativa de turismo de base comunitária e de experiência que articula uma rede de comunidades locais majoritariamente lideradas por mulheres nas ilhas, quilombos e praias da Amazônia paraense.

Com presença em Soure, Pesqueiro, Quilombo de Mangueiras, Cotijuba e Algodoal, o projeto une preservação ambiental, geração de renda para mulheres negras, ribeirinhas e periféricas e troca cultural horizontalizada.

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A proposta é clara: turismo como ferramenta de preservação, não de exploração. A iniciativa enxerga na articulação comunitária uma estratégia concreta para um turismo mais consciente: quem chega se hospeda na casa de moradores do próprio território, aprende com quem sabe e respeita o que encontra.

Expedição percorre comunidades tradicionais do Pará
Foto: Divulgação

Há quatro anos, o projeto Quase Nativa percorre os caminhos não convencionais dos rios da Amazônia paraense, resistindo à lógica do turismo massivo e construindo um trajeto comunitário. Ao longo desse tempo, foram se articulando em rede com comunidades locais, apostando na cooperação e no turismo regenerativo, não extrativista: uma prática que devolve ao território mais do que retira, que fortalece modos de vida em vez de consumi-los.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

A primeira expedição já tem data e roteiro confirmados. De 9 a 14 de novembro, o grupo percorrerá a Ilha do Marajó, com passagens por Belém e a Ilha de Cotijuba. Serão seis dias vivenciando um pedaço da Amazônia paraense com quem é de lá e compartilha sua cultura. A programação inclui, entre muitas experiências locais, o carimbó, tacacá, banho de cheiro, plantio de mudas, troca de saberes e rodas de conversa ao redor da fogueira. As vagas são limitadas.

Mulheres amazônicas anfitriãs de vivências

A força motriz do projeto são as mulheres que habitam e guardam esses territórios. Elas são anfitriãs, instrutoras, lideranças e protagonistas econômicas. Para Júlia Leão Monteiro, viajante, mulher preta e uma das idealizadoras do projeto, explica a origem e o propósito da expedição:

“A Expedição Amazônia Paraense surge dessas vivências de viagem — dentro do Pará, fora do Pará, viagens internacionais — muito mochilando e conhecendo outras mulheres viajando. A gente foi se especializando nessa área, de forma mais profissional, mas sem perder a diversão que também faz parte. O objetivo é entender esse território e trabalhar o turismo de uma forma que respeite as identidades, as raízes, as histórias de quem está aqui. A gente também percebeu que havia muitos homens como protagonistas dentro do turismo e poucas mulheres. Então ocupar esse espaço é fundamental, é importante. E girar essa renda entre mulheres negras, entre mulheres periféricas”​.

Foto: Divulgação

Fabrícia Marques, instrutora de carimbó e lundu marajoara e anfitriã da rede em Soure, fala sobre o impacto concreto do projeto em sua vida: 

“Me dando oportunidade de trabalho, de renda e de poder mostrar para as pessoas que venham conhecer os lugares, a cultura e vivências que só o Marajó tem. Assim posso ajudar minha mãe e ter condições de comprar minhas coisas, sem ficar dependente de alguém”.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é etnoturismo? 

Noemi Barbosa, liderança do movimento quilombola da Comunidade Quilombola de Mangueiras, município de Salvaterra, no Marajó, resume o princípio fundamental da rede:

“O mais importante é que as pessoas que venham visitar o nosso território respeitem a nossa história, nossas lendas, nossos contos. A gente conta o que nossos antepassados contaram, e é através dessa oralidade que vai passando de geração em geração. Muitas vezes quem vem não acredita em lendas. Mas quem não acredita, que não critique. O respeito é o que não pode faltar: respeito à nossa cultura, à nossa vida, ao nosso modo de vida.”

Parceria e potencialização 

Foto: Divulgação

O projeto Quase Nativa – Expedição Amazônia Paraense está sendo potencializado por meio de uma parceria com o SER, por meio da Chamada Pública Aipê — Aliança pela Inclusão Produtiva. A iniciativa conta com o apoio de parceiros fundadores: BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Fundação Arymax, Fundação Tide Setubal, Instituto Humanize, Instituto HEINEKEN, Instituto Votorantim e Santander. ​ ​

Os apoios institucionais são essenciais para garantir a viabilidade do projeto. Além de viabilizar a realização das expedições, os parceiros oferecem às anfitriãs e equipes formações em turismo e inglês, ampliando as possibilidades de atuação profissional das mulheres da rede. Sob solicitação das próprias comunidades, também é possível a aquisição de coletes salva-vidas, reforçando a segurança nos passeios de canoa pelos rios e igarapés da região.

Sobre o projeto 

Quase Nativa — Expedição Amazônia Paraense é um projeto de turismo de base comunitária e de experiência que atua em rede com comunidades tradicionais da Amazônia paraense. Com foco no protagonismo feminino, na valorização dos saberes tradicionais como tecnologia de futuro e no turismo regenerativo como ferramenta de preservação ambiental e cultural, a iniciativa trabalha com lideranças locais para o mapeamento de iniciativas, o desenvolvimento de roteiros e a realização de expedições que colocam as comunidades no centro.

Acordo entre União Europeia e Mercosul pode transformar economia da Amazônia, avalia embaixadora

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Bioeconomia deve ser diretamente impactada. Foto: Marcos Amend/MMA

Entrou em vigor, nesta sexta-feira (1º), o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia (UE), considerado um dos mais amplos tratados comerciais negociados pelos dois blocos. Além de ampliar o acesso a mercados, ainda que de forma gradual, o pacto deve impactar diretamente a Amazônia ao incentivar atividades econômicas sustentáveis e aumentar a pressão internacional por preservação ambiental, avalia a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf.

O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto.

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Em entrevista à Rede Amazônica, a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que o acordo pode transformar a inserção da Amazônia no comércio internacional, hoje ainda concentrada em poucos produtos.

Segundo ela, o tratado abre caminho para a ampliação de exportações ligadas à sociobiodiversidade, com maior valor agregado, como frutas amazônicas, cacau, pescado e itens da bioeconomia, produtos que encontram demanda crescente no mercado europeu, especialmente por atenderem critérios de sustentabilidade e rastreabilidade.

“O acordo representa uma oportunidade de diversificar e sofisticar a inserção da Amazônia no comércio internacional. Isso inclui desde alimentos diferenciados, como frutas amazônicas, cacau e pescado, até produtos da bioeconomia. O mercado europeu tem forte demanda por bens sustentáveis, rastreáveis e de qualidade, o que cria oportunidades concretas para produtores locais acessarem nichos mais valorizados”, afirmou.

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A embaixadora destaca que a redução de barreiras regulatórias deve facilitar o acesso desses produtos à Europa, com impacto direto sobre micro, pequenas e médias empresas, além de cooperativas e produtores locais.

Acordo pode movimentar economia

O acordo também tende a estimular investimentos na região, especialmente em atividades que agreguem valor à produção. A expectativa é de avanço em áreas como transformação industrial, pesquisa e inovação, reduzindo a dependência da exportação de produtos primários.

Além do impacto econômico, o tratado pode gerar efeitos sociais relevantes. O fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis amplia oportunidades para comunidades tradicionais e mulheres empreendedoras, além de favorecer a inserção internacional de produtos com identidade cultural, como o artesanato.

Para a União Europeia, o acordo tem ainda um papel estratégico na preservação ambiental da Amazônia, ao criar incentivos econômicos para a conservação.

“No caso da floresta amazônica, a relevância do acordo é sobretudo estratégica: ele contribui para criar incentivos econômicos que valorizam a conservação. Ao ampliar a demanda por produtos sustentáveis da região, reforça a lógica de que manter a floresta em pé pode ser mais vantajoso do que atividades associadas ao desmatamento. A União Europeia privilegia padrões elevados de sustentabilidade, o que significa que cadeias produtivas que respeitam critérios ambientais e sociais tendem a ser recompensadas”, disse.

Acordo entre União Europeia e Mercosul pode transformar economia da Amazônia, avalia embaixadora
Embaixadora da União Europeia no Brasil Marian Schuegraf. Foto: Luara Baggi/MCTI

Esse eixo está alinhado a compromissos internacionais como o Acordo de Paris, que estabelece metas para redução de emissões e combate às mudanças climáticas. A bioeconomia aparece como um dos principais vetores de desenvolvimento nesse cenário. O tratado pode impulsionar cadeias ligadas à biodiversidade, como ingredientes naturais, cosméticos, alimentos e soluções biotecnológicas, que dependem diretamente da preservação da floresta.

Além disso, o acordo prevê cooperação entre Mercosul e União Europeia em temas como combate ao desmatamento e uso sustentável dos recursos naturais, o que pode resultar em iniciativas conjuntas de apoio às populações locais. A implementação do tratado também deve ampliar as exigências por rastreabilidade e conformidade ambiental, aumentando a pressão sobre o Brasil para fortalecer políticas de controle do desmatamento.

“A União Europeia é um mercado que privilegia padrões elevados de sustentabilidade, o que significa que cadeias produtivas que respeitam critérios ambientais e sociais tendem a ser recompensadas. Isso estimula práticas como o manejo sustentável, a rastreabilidade e a produção livre de desmatamento, alinhando produção e conservação”, conclui.

*Por Matheus Santos, da Rede Amazônica AM

Atendimento noturno amplia acesso à saúde em Boa Vista

Na UBS Maria das Dores, no Equatorial, atendimento noturno já facilita a rotina de quem precisa de cuidados fora do horário comercial. Foto: Diane Sampaio/PMBV

A ampliação do atendimento noturno nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Boa Vista tem facilitado o acesso da população aos serviços da rede municipal, especialmente para o público infantil em casos leves, como gripe e febre. Na UBS Maria das Dores, no bairro Equatorial, a mudança já começou a fazer parte da rotina de quem busca atendimento fora do horário comercial.

Moradora do bairro Silvio Leite, a assistente administrativa Camila Teles aproveitou o novo horário da unidade para vacinar os irmãos Christopher, de 11 anos, e Luan, de 14 anos. Por trabalhar durante todo o dia, ela comemorou a ampliação do horário de atendimento, destacando a importância de poder contar com o serviço à noite.

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“Cheguei do trabalho no final da tarde, tomei um banho, arrumei as crianças e vim. Estou achando ótimo, porque antes precisávamos faltar ao trabalho para conseguir nos vacinar ou até obter atendimento médico. Agora temos essa possibilidade com o horário estendido, e está maravilhoso. Foi tudo bem rápido”, contou.

Christopher, de 11 anos, aproveitou o atendimento noturno para receber a primeira dose da vacina contra a dengue. Foto: Diane Sampaio/PMBV

A facilidade de acesso também foi ressaltada pela dona de casa Sol Soto, que precisou ir à unidade para buscar medicamentos para a filha, Bethânia, em tratamento contra gripe. Moradora da região há três anos, ela já conhece os serviços ofertados e elogiou o atendimento.

“É uma mudança muito boa, porque tem gente que trabalha durante o dia e não tem como buscar atendimento quando precisa. Esse horário estendido faz diferença na vida de quem trabalha fora. E aqui eu sempre sou bem atendida. Estamos no segundo mês de tratamento, e minha filha está melhorando”, disse.

Período chuvoso aumenta busca por atendimento

Com o início das chuvas em Boa Vista, a procura por atendimento nas unidades de saúde tende a crescer, principalmente por conta de síndromes respiratórias. Na UBS Maria das Dores, um dos médicos que atende à noite, Lucenildo Mendes, já notou a mudança de cenário.

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Bethânia garantiu os medicamentos à noite para continuar o tratamento contra gripe. Foto: Diane Sampaio/PMBV

“Nas últimas 48h, a maioria das demandas foi relacionada a casos como febre, gripe e outras síndromes respiratórias e gripais. Entre os pacientes, cerca de 80% são crianças. Essa ampliação também auxilia os responsáveis, que antes precisavam ir até o Hospital da Criança e agora têm um atendimento mais rápido e igualmente seguro perto de casa”, destacou.

Para o diretor noturno da unidade, Marcus Chaves, a ampliação do horário das unidades é uma medida de prevenção necessária. “Além de expandir o acesso, a gente se antecipa em relação aos atendimentos. Ainda nem chegamos ao ápice do inverno, e muitos atendimentos já estão relacionados a essas síndromes”, explicou o diretor.

A ampliação de horário permite que pais e mães consigam atendimento para os filhos sem precisar ir ao HCSA. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Atualmente, seis Unidades Básicas de Saúde funcionam em horário ampliado, das 7h à meia-noite, ofertando serviços como atendimento médico, assistência de enfermagem, coleta de preventivo, testes rápidos, vacinação, dispensação de medicamentos e pesagem do Bolsa Família.

  • UBS Arminda Gomes (Jóquei Clube)
  • UBS Aygara Motta (Cidade Satélite)
  • UBS Dr Rômulo Ferreira da Silva (São Vicente)
  • UBS Jan Roman (Airton Rocha)
  • UBS Liberdade
  • UBS Maria das Dores (Equatorial)

Pará é o maior produtor de dendê do Brasil, mostra estudo da Fapespa

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Foto: Divulgação/Agência Pará

O mais novo estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa) destaca a cadeia produtiva do dendê com uma das fases mais dinâmicas do agronegócio brasileiro, com um crescimento vantajoso nas últimas décadas. No centro desse avanço está o estado do Pará, que responde hoje por quase toda a produção nacional, consolidando-se como eixo estratégico do setor. 

A Nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, com dados atualizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a produção brasileira saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para 3,2 milhões de toneladas em 2024. Um crescimento superior a 13 vezes no período. O ritmo foi intensificado a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força depois de 2018.

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O estudo evidência a consolidação produtiva, a ampliação da escala de produção e a crescente concentração regional, especialmente na Região Norte. Entre 2023 e 2024, a produção brasileira de dendê cresceu 11,2%, passando de 2,9 milhões para 3,2 milhões de toneladas.

O avanço foi fortemente influenciado pelo desempenho do Pará, que ampliou sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas (+10,4%), mantendo participação de, aproximadamente, 97,1% do total nacional e reafirmando a elevada concentração territorial da atividade.

Nesse contexto, o Pará consolida- se como eixo praticamente hegemônico: a dinâmica nacional, em termos de quantidade e de valor, passa a ser determinada majoritariamente pelo desempenho paraense, que responde por cerca de 97% da produção e, aproximadamente, 98% do valor nacional em 2024.
 
O conjunto dos dados revela uma cadeia robusta, altamente concentrada e economicamente relevante. O Pará não apenas lidera, mas praticamente define o desempenho nacional do dendê. A dendeicultura brasileira entra, assim, em uma nova fase: menos de expansão acelerada e mais de consolidação estratégica.

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Outros estados, como Roraima e Bahia, apresentam crescimento, mas ainda com participação marginal, juntos, somam menos de 3% da produção brasileira. Essa concentração também se reflete no nível municipal. Apenas dez municípios paraenses respondem por cerca de 90% do volume produzido no país. Tailândia lidera com quase um terço da produção nacional, seguida por Tomé-Açu e Moju.

Foto: Divulgação/ Agência Pará

Emprego e renda

A cadeia do dendê também possui forte impacto no emprego e no meio ambiente. No mercado de trabalho, o Pará concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, evidenciando sua centralidade econômica.

“Se o Pará é campeão na produção de dendê, com quase 100% da produção nacional, a geração de empregos é também proporcional, com 92% das vagas diretas e indiretas dessa cadeia produtiva, sendo a locomotiva do país nesse segmento, com o Pará campeão na produção e na geração de empregos no cenário nacional da cultura do dendê”, afirma o professor Márcio Ponte, responsável pelo estudo.

Dendeicultura também contribui para preservação ambiental

No campo ambiental, a dendeicultura paraense tem sido associada à recuperação de áreas degradadas. No contexto agropecuário dessa cultura também observa-se trajetória de crescimento expressivo na quantidade de CO₂ capturado por florestas de dendê cultivado no Pará entre 2000 e 2024. 

A área reflorestada com dendê no estado ultrapassa 200 mil hectares, enquanto a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024.

De acordo com o estudo, a análise espacial confirma elevada concentração e especialização produtiva em poucos municípios, embora haja sinais recentes de redistribuição interna entre os principais polos. Em síntese, trata-se de uma cadeia consolidada, estratégica e altamente concentrada no Pará, com desafios relacionados ao aumento da produtividade, melhoria do financiamento, diversificação de mercados e sustentabilidade ambiental.

Assim, os dados da nota “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026” também mostram que no Pará o percentual da área total reflorestada com a espécie dendê em relação ao total de áreas de lavouras permanentes apresentou tendência geral de crescimento entre 2000 e 2024.

“Ademais também se apresenta como um vetor de reflorestamento, com seus cerca de 200 mil hectares de floresta cultivada e a captura de  13 milhões de toneladas de CO2 em 2024, e daí pode-se observar o tripé da produção, emprego, renda e reflorestamento com captura de carbono que o dendê paraense representa para o Brasil”, reitera a Diretoria de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise Conjuntural da Fapespa.

Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, “O dendê é uma cultura que exige uma condição edafoclimática muito específica, e o estado do Pará está nessa faixa de zonas propícias ao cultivo dessa importante cultura para a indústria alimentícia, e também, atualmente, é importante para a área de produção de energia. Os biocombustíveis, eles são fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria como um todo, e o óleo de palma se presta muito bem a essa condição, e é por isso que é tão importante ver o Pará crescendo de uma maneira significativa nesses últimos anos”. 

“O estudo da Fapespa traz essa realidade e vai ajudar certamente na tomada de decisão do setor público e do setor privado, através de decisões estratégicas para aumentar ainda a importância dessa cultura para a geração de emprego e renda na nossa região”, reforçou.

*Com informações da Fapespa

Evento internacional de bioeconomia em Belém será gratuito; veja como se inscrever

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Evento debate inovação e bioeconomia na Amazônia. Foto: Reprodução/Bioeconomy Amazon Summit

O Bioeconomy Amazon Summit 2026, realizado nos dias 12, 13 e 14 de maio, em Belém (PA), busca reunir empreendedores, investidores, pesquisadores e lideranças da Amazônia em um dos principais eventos sobre inovação e sustentabilidade da região.

Criado pelo Pacto Global da ONU – Rede Brasil e pela gestora KPTL, o encontro chega à terceira edição com foco em transformar biodiversidade em negócios sustentáveis.

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O evento acontece no Parque da Bioeconomia e Inovação da Amazônia, dentro do Complexo Porto Futuro II, e terá três dias de programação voltados a debates, conexões e oportunidades de negócios.

O que vai ter no evento

A programação inclui plenárias com especialistas, arenas de empreendedorismo, workshops e rodadas de negócios. Entre os destaques estão os pitches de startups, espaços de networking com investidores e debates sobre financiamento, inovação e políticas climáticas.

Também estão previstas rodas de diálogo com lideranças indígenas e ribeirinhas, além de atividades culturais e espaços de conexão internacional, reforçando o papel da Amazônia no cenário global da bioeconomia.

O objetivo é criar um ambiente onde ciência, saberes tradicionais e mercado possam se conectar para gerar soluções sustentáveis e oportunidades econômicas.

Como participar do Bioeconomy Amazon Summit

O BAS 2026 é aberto ao público e a inscrição deve ser feita online, por meio do site oficial do evento. Existem diferentes formas de participação:

  • Público geral: acesso às palestras, painéis e atividades abertas mediante inscrição;
  • Startups e empreendedores: inscrição específica para participar da Arena Empreendedora, com possibilidade de apresentar projetos, expor soluções e buscar investimento;
  • Parceiros e patrocinadores: opções de apoio institucional e visibilidade de marca durante o evento.

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Evento internacional de bioeconomia em Belém : bioeconomy amazon summit
Foto: Reprodução/Bioeconomy Amazon Summit

No caso das startups, pode haver seleção com base no estágio do negócio e no impacto ambiental ou social das iniciativas.

Apesar da gratuidade, algumas atividades específicas — como imersões ou experiências paralelas — podem ter vagas limitadas ou exigir inscrição adicional.

Evento de bioeconomia ganha destaque internacional

A edição de 2026 ocorre em um momento estratégico para a Amazônia, após a realização da COP30 em Belém, consolidando a cidade como polo global de debates sobre clima e desenvolvimento sustentável.

O Bioeconomy Amazon Summit tem como principal proposta colocar o empreendedor amazônico no centro das discussões e conectar a região a investidores e soluções globais, fortalecendo a bioeconomia como alternativa econômica sustentável para a floresta.

Amazônia, eterno conflito planos-programas-soluções

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Foto: Reprodução/TV Brasil

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A questão Amazônia segue impávida, resoluta além das queimadas e ocupações ilegais de terras não destinadas ou de reservas, causas de comoção mundial, e no desencadeamento de crises entre sociedade, governos e ambientalistas. Conflitos perpetrados pelo próprio Executivo e seus agentes – MMA, Ibama, ICMBio, Funai, AGU, PGR -, ao falharem na defesa do interesse da nação ante avanços de ocupações ilegais de terras e pressões espúrias de organizações internacionais.

Na verdade, o que está em jogo (ou deveria estar) é a necessidade de adoção de políticas públicas de Estado objetivando a formatação de bases sólidas de longo prazo voltadas à sedimentar o crescimento econômico, único meio de promover a definitiva e irreversível ocupação produtiva com preservação ambiental do bioma. O conceito – base do processo -, começou a receber real atenção no Brasil depois da Rio-92, quando foram configurados os elementos essenciais do paradigma do desenvolvimento sustentável assim entendido como uma utopia possível.

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O governo Itamar Franco (1992-1995), determinado a criar condições para inserir a questão no centro de convergência do debate sobre a Amazônia, delegou atribuições ao Conselho Nacional da Amazônia Legal (Conamaz), criado em 1993 e regulamentado em 1995. Sua estruturação viabilizou, no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), proceder ao lançamento da “Política Nacional Integrada para a Amazônia Legal”. Dentre os objetivos mais relevantes do projeto destacam-se a reorientação do crescimento econômico, a integração interna e externa e a valorização humana e social. A Conamaz lego importante obra alicerçada na Agenda Amazônia 21, configurada segundo os princípios e fundamentos da “Agenda 21 Global” aprovada na Rio-92, a Conferência das Nações·Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, a Cúpula da Terra.

No contexto da “Agenda Amazônia 21” resultou a criação (até hoje improdutiva) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), planejada para assumir dimensão de único bloco socioambiental e econômico da Pan-Amazônia, reunindo oito países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela) para promover o desenvolvimento sustentável e a conservação ambiental da Pan-Amazônia. O órgão teria em essência a função primeira de implementar o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), de 1978, focado na gestão florestal, recursos hídricos, povos indígenas, monitoramento ambiental e no estabelecimento de prioridades científicas.

Tudo ao abrigo da Comissão Coordenadora Regional de Pesquisas da Amazônia (Corpam) criada em 1989 e orientada para definir diretrizes, alocação de recursos e acompanhamento da execução do Programa do Trópico Úmido (PTU) com o fim de propiciar maior articulação entre as instituições de pesquisa da região tendo em vista a identificação de oportunidades de cooperação sobre programas prioritários estruturados na biodiversidade e energias alternativas. 37 anos depois não se ouve mais falar no assunto.

Se, de um lado, ações planejadas desde a Rio 92 arrimadas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentado (ODS) – Agenda 2030, da ONU, não avançam (Conamaz, Corpam, OTCA, PTU perderam-se pelo caminho), novos planos são elaborados, mesmo havendo em estoque outros na mesma direção, que não decolam. Como mantêm-se inertes, editam-se novos, com o mesmo destino: mofar nos implacáveis e impenetráveis escaninhos dos arquivos mortos de Brasília.

Nesse meio tempo, axiomaticamente, nada mudou, nem, ao que se há de intuir, haverá de mudar. O homem amazônico, acostumado a esse desprezo, mesmo assim deixa-se iludir por falsas promessas repetidas friamente por sucessivos governos. A conclusão das obras da rodovia BR-319, a Manaus-Porto Velho – hoje disputada por diversos pretensos padrinhos -, é o mais recente e contundente exemplo desse desprezo a que a Amazônia é relegada desde a redemocratização de 1985.

Leia também: Terras degradadas na Amazônia: Inpa e Shell Brasil dão importante passo para o resgate desse passivo

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista