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Amazônia Legal avança em estratégia para desenvolvimento sustentável nas fronteiras

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Seminário debateu estratégias para o desenvolvimento sustentável das fronteiras da Amazônia Legal. Foto: Divulgação/MIDR

A Amazônia Legal avança na construção de uma estratégia para o desenvolvimento sustentável das regiões de fronteira. Durante o seminário Desenvolvimento Fronteiriço, Infraestrutura e Bioeconomia no Arco Norte e em Rondônia, realizado na quarta-feira (18) pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), foi apresentado diagnóstico que aponta a integração entre infraestrutura, bioeconomia e logística como caminho para ampliar a geração de emprego e renda na região.

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O estudo mostra que a consolidação da bioeconomia em escala está condicionada à ampliação de investimentos em infraestrutura logística, energética e de comunicações. A ausência desses elementos limita a competitividade dos bioprodutos e dificulta a geração de emprego e renda na região.

As regiões de fronteira do Arco Norte concentram uma série de desafios estruturais que impactam diretamente o seu desenvolvimento. Entre os principais entraves estão as limitações de infraestrutura e logística, o acesso restrito à energia e à conectividade digital, além de questões relacionadas à segurança pública e integração regional.

Esse conjunto de fatores contribui para a baixa integração econômica e social desses territórios, dificultando a geração de emprego, renda e oportunidades para a população, como destaca o chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Territorial (SDR), Lucas Miotti.

Leia também: Brasil e Bolívia assinam acordo de cooperação turística durante agenda bilateral em Brasília

“Foi um trabalho intenso e articulado entre as equipes da SDR e do Ipea, com foco na identificação de problemas e na construção de soluções concretas para as regiões de fronteira. O resultado é uma carteira de projetos estruturada por estado do Arco Norte, com potencial para enfrentar desafios de infraestrutura, conectividade e logística, e transformar a realidade das populações locais”, explicou Miotti.

O diagnóstico também aponta que, apesar do grande potencial da Amazônia para o desenvolvimento de cadeias produtivas sustentáveis, a estrutura econômico-produtiva da bioeconomia ainda é incipiente e demanda políticas públicas específicas para se fortalecer. Atualmente, a baixa geração de empregos formais nesse segmento evidencia um descompasso entre o discurso internacional favorável à economia sustentável e a realidade local, ainda fortemente baseada em atividades tradicionais não sustentáveis.

Outro ponto destacado foi o papel estratégico das regiões de fronteira na Amazônia, que ainda são, em muitos casos, tratadas como áreas periféricas, especialmente em termos sociais, econômicos e logísticos. Para os pesquisadores, parte dos desafios do desenvolvimento na faixa de fronteira passa pela promoção de alternativas econômicas inovadoras, com destaque para a bioeconomia e o fortalecimento de ecossistemas de inovação.

O estudo também ressalta que os modelos tradicionais de desenvolvimento adotados na Amazônia — como o extrativismo mineral em larga escala e o modelo industrial da Zona Franca de Manaus — não são suficientes, sustentáveis ou replicáveis para toda a região, reforçando a necessidade de novas abordagens baseadas nas potencialidades locais, capazes de maior impacto na geração de emprego e renda.

Nesse contexto, o conceito do Quadrante Rondon ganha relevância estratégica. A área corresponde a uma porção do território nacional que, do ponto de vista logístico, está mais próxima de portos do Oceano Pacífico do que dos portos brasileiros no Atlântico. Essa configuração abre novas possibilidades de integração econômica e comercial, especialmente na fronteira com a Bolívia, que se estende por mais de 1.300 quilômetros em Rondônia, podendo transformar a região em um importante corredor de conexão internacional.

O seminário também destacou características socioeconômicas atuais da Amazônia, como uma população majoritariamente jovem, feminina, negra e urbana, com baixos índices de formalização do trabalho e limitações no acesso à infraestrutura, especialmente nas áreas de fronteira.

aula portugues fronteira rondonia e bolivia, na Amazônia internacional
Aulas de português são realizadas na fronteira entre Rondônia e Bolívia, na Amazônia. Foto: Divulgação

Programa Fronteira Integrada na Amazônia

Durante o evento, o MIDR apresentou avanços do Programa Fronteira Integrada (PFI), estratégia vinculada à Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR). A iniciativa tem como foco promover o desenvolvimento econômico, social e produtivo na faixa de fronteira brasileira, por meio da cooperação com países vizinhos, atração de investimentos, estímulo à inovação e redução das desigualdades regionais.

Para o coordenador-geral de Gestão do Território do MIDR, Vitarque Coêlho, o evento mostra um olhar especial para o desenvolvimento do Arco Norte e Rondônia.

“O estudo vai servir para orientar as necessidades de investimento na região. Por exemplo, foi identificado que entre Rondônia e a Bolívia tem uma zona de fronteira de centenas de quilômetros, porém as trocas são poucas pela ausência de pontes. No entanto, está prevista, no âmbito do Novo PAC, no Programa Rotas de Integração Sulamericana, a construção de uma nova ponte naquela região, que vai ajudar nesse tráfego de informações, pessoas e mercadorias. Enfim, esse trabalho irá nos ajudar a utilizar os recursos de maneira mais eficaz, definir prioridades e apoiar estratégias de ações públicas e privadas”, disse o coordenador-geral.

“É importante ressaltar que tudo que estamos fazendo é validado por cada um dos estados. Além das ações para ajudar a resolver problemas na prática, a ideia é que esses planos de fronteiras que estamos construindo sejam um legado de conhecimento sobre os territórios, trazendo conhecimento ao país e à sociedade sobre a realidade desses territórios”, completou Vitarque.

Como parte das ações do programa, está em andamento a etapa de divulgação da Carteira de Projetos dos estados do Arco Norte e de Rondônia. A consulta pública ficará aberta até o dia 27 de março de 2026, período em que a sociedade poderá enviar contribuições, sugestões e avaliar as propostas apresentadas, conforme sua relevância para o desenvolvimento das fronteiras amazônicas.

O processo contempla, na Amazônia, os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, e busca ampliar a participação social na construção de políticas públicas mais eficazes, alinhadas às demandas e potencialidades dos territórios de fronteira.

*Com informações do MIDR

Dicas de lugares públicos e privados para descarte de resíduos eletrônicos no Acre

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O descarte correto de resíduos eletroeletrônicos é essencial para evitar impactos ambientais e permitir que materiais como metais, plásticos e componentes sejam reaproveitados.

De acordo com Camila Dinelli, presidente do Instituto Descarte Correto, equipamentos como celulares, computadores, pilhas e eletrodomésticos não devem ser descartados no lixo comum, pois contêm substâncias que podem contaminar o solo e a água. 

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Atualmente existem diversos pontos de coleta públicos e privados que recebem esses materiais e garantem a sua destinação adequada, como supermercados, empresas, instituições de ensino e organizações que disponibilizam locais específicos para o descarte.

“O mais importante é que as pessoas saibam que resíduos eletroeletrônicos não devem ser descartados no lixo comum, pois precisam de destinação adequada para evitar impactos ambientais e permitir que estes materiais voltem para economia circular”, explicou Dinelli. 

Confira algumas dicas de lugares públicos e privados para o descarte correto de resíduos eletrônicos no Acre:

Dicas de lugares públicos e privados para descarte de resíduos eletrônicos no Acre

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.

Bosque dos Papagaios incentiva observação de pássaros para redução de estresse

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Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Entre árvores altas e trilhas com sombras, o som que domina o Bosque dos Papagaios, em Boa Vista (RR), não vem da cidade, mas da natureza. O canto dos pássaros transforma o espaço em um ponto privilegiado para observação de aves, uma prática que, além de aproximar a população da biodiversidade amazônica, também traz benefícios comprovados para a saúde mental.

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O último levantamento feito no Parque Ecológico Bosque dos Papagaios apontou a existência de 52 espécies de aves em vida livre no local, dependendo da época do ano, além dos animais que ficam no mantenedouro de fauna silvestre. De acordo com o gerente do bosque, Francisco Ibiapina, os exemplares mais comuns são o sabiá, caraxué, joão-pinto, aracuã, papa-capim, dentre outros.

“Aqui é um corredor para observação de pássaros, pois aves migratórias e raras passam pelo parque constantemente, devido às frutas e sementes das árvores do boque. Somos procurados por fotógrafos de vida selvagem e grupos de observação, além da população em geral. Tem visitante que vem todo dia aqui para descansar a mente e depois voltar para a rotina”, disse.

Melodia que cura

Em um mundo cada vez mais digital e urbano, experiências sensoriais naturais, como ouvir pássaros, oferecem uma oportunidade simples de reduzir estresse e melhorar a saúde mental. Um estudo publicado na revista Scientific Reports e citado pela National Geographic relaciona o som do canto dos pássaros à redução dos níveis de depressão e ansiedade na mente humana.

Leia também: Bosque dos Papagaios abriga centenas de espécies de árvores da região amazônica

Durante o estudo, os pesquisadores solicitaram aos participantes que registrassem, ao longo de duas semanas, informações sobre o ambiente em que estavam e como se sentiam durante o dia. Os resultados mostraram que, nos momentos em que as pessoas relataram ter ouvido o canto de pássaros, houve uma melhora no bem-estar mental, por horas, mesmo após o contato com as aves.

observação de pássaros bosque dos papagaios boa vista roraima
Foto: Andrezza Mariot/PMBV

Saúde mental e natureza

Ferramenta acessível de cuidado emocional, a natureza potencializa os efeitos positivos estudados pela ciência. Para a psicóloga e Referência Técnica de Saúde Mental de Boa Vista, Gilvânia Matos, o contato com os sons do habitat natural tem enfeito psicológico imediato, sem contar que esse hábito pode ser adotado com tranquilidade e de forma gratuita na capital.

“Vivemos uma vida no modo automático, então essa conexão com a natureza faz com que a gente desacelere e consiga centrar-se. O canto dos pássaros e a conexão com a natureza diminui ruídos urbanos, reduzindo a ansiedade e pensamentos autodestrutivos, além de estimular a liberação de neurotransmissores no cérebro, como serotonina e dopamina, responsáveis pela sensação de bem-estar”, destacou.

Leia também: Conheça o Bosque dos Papagaios, uma imersão na natureza em Boa Vista

Refúgio que acolhe

Ciente dos benefícios, a Prefeitura de Boa Vista mantém e apoia ambientes urbanos, preservando a vida constante de todo o ecossistema. Morando em Boa Vista há mais de 20 anos, o advogado Kennedy Cavalcante visita o Parque Ecológico com frequência, acompanhado da esposa e neta, já que sente forte conexão com a natureza quando está no local.

“Vir ao bosque, definitivamente, melhora meu dia. O canto dos pássaros, inclusive dos que estão em observação aqui, como as araras, papagaios e tucanos, é fascinante. Sempre percebo também os animais que ficam na copa das árvores. Tudo isso traz uma paz muito grande para a nossa cabeça. A natureza, realmente, quando a gente se conecta com ela, traz benefícios”, destacou.

observação de pássaros bosque dos papagaios boa vista roraima
Foto: Andrezza Mariot/PMBV

*Com informações da Prefeitura de Boa Vista

Quinta da damurida? Aposentado transforma tradicional receita de Roraima em negócio

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Para atender público, ele adaptou receita da damurida e também inclui jambu ao preparo. Foto: Reprodução

O aposentado Francisco Roberto, conhecido como Seu Chico Roberto, de 70 anos, transformou a damurida, tradicional prato da cultura Macuxi, em um negócio que funciona apenas uma vez por semana: às quintas-feiras, em Boa Vista (RR).

Leia também: Conheça a damurida, uma das delícias da Amazônia

Seu Chico é indígena do povo Macuxi. Ele é aposentado do Banco do Brasil e também foi prefeito duas vezes em Pacaraima. Desde 2019, se dedica a valorizar e preservar a tradição indígena com a venda de damurida no empreendimento “Quinta da Damurida”.

A damurida, caldo forte e muito apimentado preparado geralmente com peixe, é considerada um alimento sagrado para o povo Macuxi, Wapichana e Taurepang. P

assada de geração em geração, a receita carrega ancestralidade, resistência cultural e hoje é reconhecida como patrimônio cultural e imaterial de Boa Vista. “Uma tradição familiar que também virou tradição aqui nas quintas-feiras dos roraimenses”, disse.

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chico e a quinta da damurida, em boa vista roraima
Fotos: Divulgação

Leia também: Paçoca e damurida são aprovadas como patrimônios culturais de Boa Vista por vereadores

Quinta da damurida

Servida apenas às quintas-feiras, a escolha do dia tem explicação. Segundo Seu Chico, a quinta-feira é o único dia que não interfere em dois compromissos: o futebol com os amigos e as viagens para Surumu, comunidade de origem a cerca de 215 quilômetros de Boa Vista, onde ele passa os fins de semana.

Ele conta que decidiu vender o prato típico como forma de aproveitar o hobby de cozinhar e preencher os dias sem muita coisa para fazer durante a aposentadoria. Mais velho de cinco irmãos, Seu Chico aprendeu a fazer a receita observando familiares mais velhos na comunidade Surumu.

“Como eu estava aposentado, fui buscar uma coisa bem nossa [para fazer]. Lembrei da minha infância. Sou de uma comunidade indígena, minha mãe fazia, todo mundo fazia”, conta.

Para atender ao público, ele adaptou a receita: incluiu o jambu e a pimenta é servida à parte. A venda ocorre na casa de Seu Chico Roberto, no bairro Caçari, em Boa Vista.

A damurida de peixe, feita com tambaqui, jambu, tucupi e verduras, é servida com farinha amarela ou beiju, produzido a partir da goma e da massa de mandioca

Para quem não gosta de peixe, há a opção de miudinho de carne de sol, preparado com carne seca, maxixe, macaxeira e jerimum, e a tradicional paçoca de carne – outro alimento típico indígena.

*Por Ester Arruda, da Rede Amazônica RR

Amazonas tem primeira turma de mestrado para enfermeiros indígenas do país

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Primeira turma indígena de mestrado do Brasil. Foto: Divulgação

A aula inaugural da primeira turma de mestrado profissional voltada exclusivamente a enfermeiros indígenas foi realizada no dia 18 de março, em São Gabriel da Cachoeira, no Alto Rio Negro, no Amazonas. A iniciativa é considerada inédita no país e marca um avanço na formação de profissionais de enfermagem em territórios indígenas.

A ação conta com financiamento do Sistema Conselho Federal de Enfermagem/Conselhos Regionais, por meio do Programa Profen – Mestrado e Doutorado em Enfermagem – Acordo Cofen-Capes, que destina recursos para programas de pós-graduação em enfermagem em todo o país, com foco na formação de mestres e doutores e na qualificação dos serviços de saúde.

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O curso é ofertado pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico da Escola de Enfermagem de Manaus pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e contempla uma turma de 10 enfermeiros indígenas que atuam no município. A formação tem como foco a qualificação profissional aliada à realidade dos territórios, com o desenvolvimento de soluções voltadas às necessidades locais.

Brasil recebe a primeira turma indígena de mestrado de enfermagem
Foto: Divulgação

Mestrado em São Gabriel da Cachoeira (AM)

Localizado no noroeste do Amazonas, São Gabriel da Cachoeira é reconhecido como uma das cidades mais indígenas do mundo. A região do Alto Rio Negro concentra mais de 85 enfermeiros indígenas em atividade, o que contribuiu para a construção da proposta do curso de mestrado.

Foto: Divulgação

O projeto busca integrar a formação científica da enfermagem aos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas, promovendo uma abordagem que considera aspectos culturais, territoriais e sociais no cuidado em saúde.

Representando o sistema Cofen/Conselhos Regionais, o diretor-secretário do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas Zilmar Augusto destacou a importância da iniciativa para a interiorização da formação profissional.

“Nós não iremos retirar esses profissionais de seus territórios. Pelo contrário, o corpo docente do programa é que se deslocará até o município, garantindo que essa formação aconteça dentro da realidade local, sem afastá-los de suas comunidades”, afirmou.

Zilmar também ressaltou o caráter simbólico da iniciativa.

“Estamos diante de um marco histórico para a enfermagem brasileira, especialmente para a enfermagem amazônica, ao reconhecer que a ciência precisa dialogar com os saberes tradicionais e as realidades dos povos originários”, completou.

Além da UFAM e do Sistema Cofen/Conselhos Regionais, a iniciativa conta com a participação de instituições parceiras, como Instituto Federal do Amazonas de São Gabriel da Cachoeira, o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Alto Rio Negro, organizações indígenas (FOIRN) e gestores locais.

Fórum realiza romaria no Dia Mundial da Água com barqueata até o Encontro das Águas

Romaria das Águas em Manaus. Foto: Divulgação

O Fórum das Águas do Amazonas, composto por 16 organizações da sociedade civil, realiza no dia 22 de março, a terceira edição da Romaria das Águas. O evento celebra o Dia Mundial da Água e marca a luta dos povos das cidades e da floresta pelo acesso à água e pela preservação dos recursos hídricos da Amazônia.

Com o tema “Água, fonte de vida e bem comum: nossos rios não estão à venda!” e lema “Que a justiça corra como um rio e a vida floresça”, a Romaria irá realizar uma barqueata no dia 22 de março, com início às 8h no Porto da Ceasa, local de concentração dos participantes, e segue para o Encontro das Águas, confluência dos rios Negro e Solimões, em Manaus (AM).

A programação contará com místicas em dois momentos (um no Porto da Ceasa e outro no Encontro das Águas), representantes de organizações integrantes do Fórum se pronunciam e os participantes são convidados a integrar performances em defesa da água como bem público. Haverá momentos de espiritualidade. A Romaria segue o percurso Porto da Ceasa – Encontro das Águas – Porto da Ceasa, com encerramento às 12h.

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“Nossos rios não estão à venda”

Unidos pela preservação da fonte de vida na Amazônia, representantes de movimentos sociais e ambientais buscam, por meio da Romaria, promover a sensibilização da sociedade para as questões que permeiam o tema e cobrar das instituições e das autoridades medidas que garantam o acesso à água em condições de consumo e à sustentabilidade das fontes hídricas no Amazonas.

Além da celebração do dia mundial, a Romaria também é uma denúncia de projetos que ameaçam os recursos hídricos na Amazônia. O tema da edição deste ano alerta para os riscos da privatização dos rios. Foi a força da mobilização dos povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas que pressionou o governo federal a revogar, no dia 23 de fevereiro, o Decreto nº 12.600/2025, que incluía trechos dos rios Madeira, Tapajós e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização (PND) e permitia a privatização e dragagem dos rios por gigantes do agronegócio.

Leia também: Decreto que privatizava rios da Amazônia é revogado após um mês de protestos no Pará

Foto: Divulgação

Vidas humanas sob ameaça

“A Romaria das Águas repercute as falas e os gritos das populações amazônicas que estão sendo agredidas pelo capitalismo predatório, poluidor e devastador da natureza”, afirma o Padre e pesquisador Sandoval Rocha, jesuíta, membro da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas.

Para o sacerdote, “o modus operandi dos empreendimentos minerários, industriais, agrícolas e petrolíferos violenta as águas, os solos e a biodiversidade, levando muitas populações à exaustão e ao desespero”.

Rocha adverte que a privatização dos recursos hídricos ameaça as vidas humanas, sobretudo aquelas mais vulneráveis em uma operação explícita contra os direitos humanos.

“O grito da Romaria das Águas é um grito de dor e um grito de esperança, pois, enquanto houver manifestações como esta também há coletivos, organizações, lideranças e cidadãos que lutam por um mundo melhor, mais democrático e mais sustentável”, disse.

barqueata no Encontro das Águas ajuda a democratizar o acesso ao saneamento básico
Foto: Divulgação

Barqueata nas águas

A presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Amazonas (ADUA – seção sindical), professora Ana Lúcia Silva Gomes, vê a Romaria como um gesto concreto na soma das lutas na defesa dos recursos hídricos. “O ANDES e a ADUA têm preocupação muito grande com a questão ambiental. Temos um grupo de trabalho na nossa estrutura que trata desse tema. Quanto à Romaria, trata-se de um movimento de referência e de um momento especial, é espiritual e é político”.

Ana Lúcia Silva Gomes chama atenção à condição dos habitantes da Amazônia.

“Nós vivemos em um Estado que é comandado pelas águas. Os amazônidas vivem da dinâmica das águas, da cheia, da enchente, da vazante e da seca dos rios. Esse movimento diz respeito a vida dos ribeirinhos e da nossa vida que vivemos na cidade, da vida de outras espécies. Então, água é um tema de relevância para toda a sociedade. Devemos nos preocupar e querer saber o que está acontecendo com nossos recursos aquáticos e de que modo a interferência humana afeta as demais formas de vida. Para nós, da ADUA, a Romaria das Águasé um dos gestos concretos de luta, da busca de unidade na defesa desse bem comum”, afirma a líder.

Desafios na realidade amazônica

Apesar de abrigar a maior reserva de água subterrânea do mundo, a Amazônia enfrenta uma realidade precária de acesso, de saneamento básico e de impactos das mudanças climáticas. O relatório do Instituto Trata Brasil, Ranking do Saneamento 2025, mostra que nove das 20 cidades brasileiras com os piores índices de saneamento estão na Amazônia Legal. Manaus está entre esses municípios, ocupando a 87ª posição das cem cidades que integram o ranking.

Fórum na luta. Foto: Divulgação

O desmatamento e as queimadas na Amazônia estão contribuindo para as mudanças climáticas e impactando nas dinâmicas na região. O fenômeno dos rios voadores, mananciais aéreos responsáveis por grande parte das chuvas na América do Sul, está perdendo sua potência pela diminuição da cobertura florestal, o que alterar o regime pluviométrico das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste do Brasil.

Além disso, as mudanças climáticas estão provocando eventos extremos, como a seca de 2024 no Amazonas, a maior de sua história, quando o rio Negro registrou 12,70m, a menor marca em 122 anos.

Programação

  • 8h – concentração dos participantes no Porto da Ceasa (Zona Sul)
  • 8h30 – 9h30 – 1ª Mística, fala dos representantes do Fórum
  • 9h30 – Organização do Embarque dos participantes, embarque
  • 10h – Início da barqueata rumo ao Encontro das Águas
  • 10h20 – 2ª Mística – No Encontro das Águas
  • 11h30 – Retorno ao Porto da Ceasa/encerramento

Fundo destinará R$ 53 milhões para regularização fundiária na Amazônia Legal

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Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Fundo Amazônia vai destinar R$ 52,9 milhões para fortalecer a regularização fundiária em 85 municípios do Maranhão, que fazem parte da Amazônia Legal. O projeto Paz no Campo, ligado ao governo do estado, receberá o aporte com execução prevista de 36 meses. O anúncio da destinação de verba ocorreu no dia 17 de março, durante o 29º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o Fundo Amazônia?

A iniciativa é comandada pelo Instituto de Colonização e Terras do Maranhão (Iterma) e abrange uma área equivalente a cerca de 44% do território maranhense. A proposta tem como objetivo ampliar o ordenamento territorial, garantir segurança jurídica no acesso à terra e promover o desenvolvimento rural sustentável.

O projeto beneficiará diretamente agricultores familiares e comunidades quilombolas, já que permitirá a regularização de 13.250 pequenos imóveis da agricultura familiar e de 20 territórios quilombolas, beneficiando diretamente 39.750 pessoas. Com isso, o projeto também amplia o acesso das famílias rurais a crédito, assistência técnica e políticas públicas, além de contribuir para reduzir conflitos fundiários e fortalecer a governança territorial.

“Essa é uma iniciativa que chega na ponta, garantindo regularização fundiária e o direito à terra para quem mais precisa. Estamos falando de quase 40 mil pessoas, entre agricultores familiares e comunidades quilombolas, que passam a ter segurança jurídica sobre seus territórios e acesso a políticas públicas, crédito e assistência técnica. O Fundo Amazônia é essencial para viabilizar esse tipo de transformação, avançando no ordenamento do território, reduzindo conflitos e enfrentando as causas do desmatamento, ao mesmo tempo em que promove inclusão social e oportunidades de geração de renda”, celebrou a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva.

Leia também: ICMBio recebe R$ 55 mi para regularização fundiária em UCs na Amazônia

Cerca de 40 mil agricultores serão beneficiados com a regularização fundiária, no Maranhão - Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Cerca de 40 mil agricultores serão beneficiados no Maranhão – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Fundo Amazônia tem coordenação do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, a regularização fundiária é um passo essencial para conciliar desenvolvimento rural e preservação ambiental na Amazônia. “A segurança jurídica no campo é um instrumento fundamental para promover desenvolvimento com inclusão social e sustentabilidade. Ao apoiar o programa Paz no Campo, o Fundo Amazônia contribui para garantir direitos a agricultores familiares e comunidades quilombolas, fortalecer o ordenamento territorial e criar condições para uma produção rural sustentável no Maranhão”, afirmou.

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Consolidação

O governador do Maranhão, Carlos Brandão, celebrou o aporte público. “Nós assinamos aqui um contrato no valor de R$ 53 milhões com recursos do Fundo Amazônia para que possamos fazer a ampliação do programa Paz no Campo, um programa de regulação fundiária que é modelo para o Brasil”, disse.

O projeto beneficiado pelo Fundo Amazônia prevê um conjunto de ações voltadas à estruturação da política fundiária no estado. Entre elas estão o georreferenciamento de imóveis rurais e territórios coletivos, o assessoramento técnico para titulação fundiária, a capacitação de agentes públicos e de agricultores familiares.

As ações também incluem debates sobre temas como prevenção e combate a queimadas, bioeconomia e monitoramento ambiental. Além disso, o projeto prevê a aquisição de equipamentos como veículos, drones e dispositivos tecnológicos para apoiar o trabalho de campo.

Leia também: Sistema de regularização fundiária do Pará é referência para outros estados e será implantado em Roraima

Ao todo, o Fundo Amazônia já aprovou R$ 182 milhões em projetos com atuação exclusiva no Maranhão, ampliando o alcance das políticas de conservação e desenvolvimento sustentável na região da Amazônia Legal.

As iniciativas beneficiam agricultores familiares, povos indígenas, comunidades quilombolas e organizações agroextrativistas, além de fortalecer a atuação de órgãos públicos responsáveis pela gestão territorial e pela proteção ambiental.

O Fundo apoia iniciativas como reflorestamento, combate a incêndios, proteção de territórios indígenas, ordenamento territorial e fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade, como a do babaçu.

Quando considerado os projetos aprovados com atuação expressiva (mas não exclusiva) no estado, o apoio do Fundo soma R$ 293 milhões, entre 2023 e 2026.Desde 2012, foram 11 projetos apoiados com atuação no território maranhense, sendo três deles executados exclusivamente no estado.

Fundo Amazônia  

Criado em 2008 e gerido pelo BNDES em coordenação com o MMA, o Fundo Amazônia capta doações internacionais e nacionais para ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e para a promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal.

Também apoia o desenvolvimento de sistemas de monitoramento e controle do desmatamento no restante do Brasil e em outros países tropicais. As diretrizes de apoio e focos de atuação são estabelecidas por um Comitê Orientador (Cofa). Sua composição inclui indicados do governo federal e dos nove governos estaduais da região, além de representantes de entidades da sociedade civil. 

Com uma carteira de mais de 140 projetos apoiados, que somam aproximadamente R$ 5 bilhões, o Fundo Amazônia já aprovou recursos para todos os eixos de execução do Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento da Amazônia Legal (PPCDAm), política federal lançada em 2004.  

Há desde iniciativas de promoção da produção sustentável, que atingem mais de 600 organizações comunitárias e mais de 200 mil pessoas e que geram renda e melhores condições de vida para as populações que mantêm a floresta em pé, até projetos de ordenamento territorial em mais de 160 terras indígenas. 

Além disso, as ações de monitoramento, comando e controle já apoiadas incluem projetos elaborados pelos Corpos de Bombeiros dos nove estados da Amazônia Legal para combate e prevenção de combates florestais. Informações sobre cada um dos projetos estão disponíveis no site do Fundo Amazônia. 

*Com informações do MMA

Debate do Painel Consciência Limpa no Acre aborda gestão de recursos hídricos

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Painel Consciência Limpa vai debater gestão de recursos hídricos em Rio Branco. Foto: Alexandre Cruz Noronha/Sema AC

O uso consciente da água e os desafios na gestão dos recursos hídricos na Amazônia são temas do Painel Consciência Limpa: ‘Água na Amazônia: ciência, sociedade e gestão dos recursos hídricos’, na próxima quarta-feira (25) em Rio Branco (AC).

O evento é promovido pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema-AC). O encontro, mediado pela jornalista Melícia Moura, será às 19h no Centro Universitário Estácio Unimeta. A participação é gratuita, por meio de inscrição.

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O segundo painel do projeto vai reunir especialistas com atuação direta em pesquisa, gestão e conservação ambiental, promovendo um espaço qualificado de diálogo sobre temas estratégicos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Participantes do painel

  • a geógrafa e chefe do Departamento de Recursos Hídricos da Sema, Maria Antonia Zabala de Almeida Nobre, que atua na gestão das águas e na articulação entre os estados da Amazônia Legal;
  • o biólogo, pesquisador e diretor da Catraia Soluções Ambientais, Rodrigo Gomes, que tem experiência em projetos de monitoramento ecológico e desenvolvimento sustentável;
  • e o professor da Universidade Federal do Acre (Ufac) Waldemir Lima de Souza, com expertise em geografia física e estudos sobre sistemas fluviais e dinâmica das bacias hidrográficas.

O painel tem como objetivo mostrar como é importante unir diferentes áreas e setores da sociedade para buscar soluções para os problemas ambientais da Amazônia.

O Projeto Consciência Limpa visa aproximar a ciência, o poder público e o setor privado. Com isso, mais pessoas têm acesso a informações confiáveis. A iniciativa também reforça a importância do uso responsável da água, algo essencial para o meio ambiente e para o desenvolvimento da região.

Debate do Painel Consciência Limpa no Acre aborda gestão de recursos hídricos

O Projeto Consciência Limpa busca mudar hábitos na Amazônia por meio de educação, ações práticas e comunicação. A iniciativa reforça o compromisso com a sustentabilidade e com a melhoria da qualidade de vida da população.

Em dezembro do ano passado, estudantes e professores da Escola Dr. Pimentel Gomes participaram de uma grande ação social com diversos serviços de cidadania à comunidade promovido pelo projeto.

Saiba mais: Consciência Limpa encerra com balanço positivo em Rio Branco: “vimos as crianças engajadas”

Além das oficinas, os moradores da comunidade puderam acompanhar palestras sobre preservação do Igarapé São Francisco, reciclagem e economia circular.

Já na segunda edição no Acre, este ano, diversos serviços foram disponibilizados no Lado do Amor, em Rio Branco, quando o projeto iniciou as ações da 2ª edição.

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional da Organização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto, Duque Sustentabilidade e Estácio Unimeta.

Manejo do fogo ganha destaque em encontro que reúne países da Pan-Amazônia

Foto: Miguel Machego/IBIF Bolívia

A cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, recebeu entre os dias 3 e 5 de março o 1º Encontro Pan-Amazônico sobre Cultura, Uso e Manejo do Fogo, que reuniu diversas instituições do Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador para debater o tema.

Um dos principais objetivos do evento foi compartilhar experiências e conhecimentos entre os países, por meio do intercâmbio, tendo como tema central o Manejo Integrado do Fogo (MIF). O encontro buscou reconhecer as dimensões culturais, produtivas e ecológicas, fortalecendo a cooperação entre territórios e países em torno do manejo do fogo.

Entre os participantes, estiveram pesquisadores, povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, representantes do governo da Bolívia, organizações da sociedade civil e institutos de pesquisa.

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Foto: Miguel Machego/IBIF Bolívia

Por meio de rodas de conversa, apresentações de painéis e grupos de trabalho, foram compartilhadas experiências territoriais, práticas comunitárias de uso, manejo e cultura do fogo, desafios, estratégias de prevenção e resposta a incêndios, assim como resultados de experiências institucionais e de pesquisas em diferentes contextos amazônicos. As discussões destacaram a importância de integrar conhecimentos tradicionais sobre cultura, uso e manejo do fogo aos conhecimentos técnico-científicos.

Entre as discussões do evento, destacou-se também a importância de fortalecer políticas públicas, pesquisas e a governança territorial relacionadas ao manejo do fogo. Como um dos principais resultados, foi formado um Comitê Executivo, composto por técnicos, pesquisadores e lideranças dos territórios de diversos países, que dará continuidade aos diálogos e às articulações regionais na Pan-Amazônia.

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Manejo consciente de fogo

Durante o evento, o Instituto Mamirauá apresentou experiências relacionadas às técnicas de uso controlado do fogo, comumente utilizadas nos territórios do Médio Solimões por agricultores familiares de comunidades tradicionais, em atividades agrícolas e na abertura de áreas de roçado.

instituto mamiraua estuda manejo do fogo
Foto: Miguel Machego/IBIF Bolívia

Também foram compartilhadas práticas voltadas ao não uso do fogo, como a implantação e o manejo de sistemas agroflorestais e de roçados sem queima, desenvolvidas pela equipe técnica institucional, integrando conhecimentos técnico-científicos às práticas tradicionais de comunidades ribeirinhas. Essas iniciativas são resultado de anos de atuação do Instituto junto a agricultores familiares.

A participação também possibilitou a troca de experiências com outros países da Pan-Amazônia e o acesso a novas abordagens, como a ampliação de conhecimentos sobre as potencialidades do manejo integrado do fogo, ampliando perspectivas para futuras iniciativas na região.

“O evento foi fundamental para ampliar o diálogo com outras realidades da Pan-Amazônia e refletir sobre caminhos possíveis para a nossa região. Atuamos há anos com alternativas ao uso do fogo e com a valorização das práticas tradicionais, mas esse intercâmbio trouxe novas perspectivas, especialmente no contexto de emergência climática e das secas extremas que impactaram fortemente as comunidades nos últimos anos”, explicou Fernanda Viana, coordenadora do Programa de Manejo de Agroecossistemas do Instituto Mamirauá.

Foto: Miguel Machego/IBIF Bolívia

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A realização do encontro contou com o apoio da Rede BioAmazônia, que tem atuado na articulação entre instituições de pesquisa, organizações e países da região, para fortalecer a cooperação científica e o intercâmbio de experiências na Pan-Amazônia. A iniciativa reforça a importância de ações integradas e do trabalho em rede para o desenvolvimento de estratégias sustentáveis relacionadas ao uso e ao manejo do fogo no bioma amazônico.

Com iniciativa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o evento teve como principais realizadores a Rede BioAmazônia e o Centro de Pesquisa Florestal Internacional e o Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal (CIFOR-ICRAF), com apoio do Global Fire Management Hub, além da participação do Instituto Boliviano de Investigação Florestal (IBIF) e da Sociedade Peruana de Direito Ambiental (SPDA).

*Com informações do Instituto Mamirauá

Como pesquisadores interagem com comunidades ribeirinhas no estuário do Amazonas

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Pesquisa é realizada em Gurupá (PA). Foto: Fábio David Alves Aarão Reis

Mais de 90% dos brasileiros consideram importante preservar a Amazônia e quase a mesma proporção associa essa preservação ao enfrentamento do aquecimento global. A preocupação não é abstrata, ela se apoia em evidências científicas cada vez mais robustas.

Por exemplo, entre 1985 e 2020, a estação seca amazônica ficou mais quente e mais seca. As chuvas diminuíram e as temperaturas máximas subiram. Parte significativa dessas mudanças está associada ao desmatamento. A alteração no regime de chuvas afeta a vida das populações que historicamente dependem do equilíbrio entre rios, solo e vegetação.

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Diante de um território de mais de 5 milhões de quilômetros quadrados, que se estende por vários países, soluções globais são necessárias, mas são muito difíceis. A complexidade ecológica e social da Amazônia exige respostas que considerem realidades muito diferentes. Por isso, a estratégia que tem ganhado força é começar pelo local.

Este é o caso de um projeto desenvolvido em comunidades do estuário do rio Amazonas, no município de Gurupá (PA). A área corresponde a uma fração minúscula da Amazônia Legal (cerca de 0,01% do território), mas ali existem desafios e oportunidades que ajudam a pensar no futuro da região.

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Viver entre rios e sem rede elétrica

Gurupá está mais próxima de Macapá, no Amapá, do que de Belém, capital do Pará. No estuário, as casas se espalham às margens de rios, furos e igarapés. Muitas ficam isoladas, cercadas por mata frequentemente alagada. Por isso, percursos inferiores a um quilômetro quase sempre são feitos de barco.

O extrativismo sustenta a economia local. O açaí é protagonista como alimento, fonte de renda e elemento cultural. Sua produção é altamente sensível às flutuações climáticas.

Porém, a infraestrutura de trabalho na região é limitada. Não há rede pública de energia elétrica nas comunidades estudadas. Durante anos, as alternativas foram os geradores a diesel — caros, barulhentos e dependentes do transporte fluvial de combustível.

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Energia limpa, renda e educação: como pesquisadores interagem com comunidades ribeirinhas no estuário do Amazonas
Equipe de pesquisadores e trabalhadores extrativistas da Ilha das Cinzas: esforço conjunto em prol de benefícios econômicos sem prejudicar o ambiente. Foto: Fábio David Alves Aarão Reis

Nos últimos anos, sistemas fotovoltaicos começaram a mudar esse cenário. A energia solar reduziu custos, ampliou o acesso à eletricidade e diminuiu a dependência do diesel. Ainda assim, a ausência de infraestrutura impacta a economia, pois muitos produtos são vendidos in natura, o que significa baixo valor agregado e menor renda.

Foi nesse contexto que pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e da Embrapa Amapá firmaram uma parceria com a Associação de Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC), com apoio da Fundação Honnold. A equipe implantou um sistema fotovoltaico capaz de atender tanto às demandas domésticas quanto à operação de equipamentos mais robustos, como motores trifásicos usados para processar o açaí.

Esta iniciativa e colaborações anteriores dos mesmos parceiros transformaram a Ilha das Cinzas em um laboratório de tecnologias ambientais. Porém, uma pergunta permaneceu: seria possível dar um passo além, ampliando o impacto econômico com benefícios ambientais adicionais?

Do resíduo ao combustível

A busca por uma resposta deu origem a um novo projeto, aprovado na primeira chamada da iniciativa Amazônia+10, coordenada pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap). A chamada financia soluções científicas colaborativas voltadas a desafios estratégicos da região amazônica.

O projeto iniciou em meados de 2023 e reúne pesquisadores do Amapá, do Rio de Janeiro e de São Paulo, com apoio das agências de fomento desses estados (FAPEAP, FAPERJ e FAPESP). O objetivo central é implantar um sistema de produção de gás combustível a partir de biomassa local e integrá-lo à rede fotovoltaica já existente na Ilha das Cinzas. A matéria-prima já está ali: pedaços de madeira resultantes do manejo florestal — necessário para o cultivo do açaí —, caroços do próprio açaí e resíduos de outras frutas.

Quando descartados no ambiente, esses resíduos se decompõem e liberam gases de efeito estufa como dióxido de carbono (CO₂) e metano. O metano é muito mais agressivo que o CO₂ neste sentido. Porém, ao se converter a biomassa em gás combustível e utilizá-lo em motores ou fogões industriais, a emissão direta de metano é evitada. Em seu lugar, ocorre a liberação de CO₂, com menor impacto climático. O benefício é duplo: geração de energia para a comunidade e redução líquida das emissões de gases de efeito estufa.

Desafios tecnológicos da pesquisa

A ideia parece simples, mas a implementação é complexa. Diferentemente de um motor convencional, que opera com combustível de composição química bem definida, um sistema de gaseificação de biomassa precisa lidar com materiais variados e com alta umidade, característica previsível em plena Amazônia.

Resíduos de madeira precisam ser cortados em pedaços menores. Se estiverem úmidos, devem passar por secagem. Outros resíduos exigem compactação prévia, por meio de briquetadeiras, para aumentar sua eficiência energética. A integração entre o sistema de produção de gás e a rede fotovoltaica também demanda ajustes técnicos sofisticados.

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Parte dessas soluções vem sendo desenvolvida pela empresa Seahorse Energy, do Rio de Janeiro, cujo diretor técnico integra a equipe do projeto, e por um grupo de pesquisadores da Engenharia Elétrica da Unifap. Paralelamente, pesquisadores da USP e da Embrapa Amapá realizam a quantificação da biomassa disponível e o levantamento das emissões de carbono associadas. Esse monitoramento é essencial para garantir que o novo sistema realmente reduza o impacto ambiental das atividades econômicas locais.

Em 2026, um mapeamento detalhado da vegetação e dos sistemas produtivos da Ilha das Cinzas deverá ser iniciado pela equipe da UFF com o uso de drones, ampliando a base de dados para avaliação ambiental.

Educação como estratégia de futuro

No entanto, a proposta vinculada à chamada Amazônia+10 não se limitou à energia. Ela também inclui ações de educação científica e ambiental em comunidades do estuário. A razão é simples: uma economia baseada no extrativismo de poucas espécies é pouco diversificada e vulnerável a oscilações de mercado. Agregar valor ajuda, mas não resolve tudo.

A experiência internacional mostra que a diversificação econômica passa, inevitavelmente, pela educação. Em comunidades isoladas, isso assume uma dimensão adicional: nem todos os moradores desejam ou conseguem se dedicar às atividades tradicionais. A escola pode ampliar horizontes mantendo a harmonia com a cultura local, e o interesse das equipes escolares em estreitar laços com as universidades foi imediato. Uma parceria de longo prazo, contudo, dependerá de investimentos adicionais.

Água, ciência e confiança

Outra frente de atuação surgiu a cerca de 10 quilômetros da Ilha das Cinzas, na comunidade do Rio Barbosa. Ali, o desafio é a qualidade da água consumida. O rio é a principal fonte de abastecimento, mas sua água tem alta turbidez e alta concentração de matéria orgânica, o que dificulta o tratamento seguro.

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Nos dois primeiros anos do projeto, professoras da escola São Camillus de Lellis participaram de atividades formativas e estudantes tiveram acesso a palestras e rodas de conversa sobre temas científicos. A escola Manoel Januário Nunes recebeu atividades semelhantes no segundo ano. Foto: Fábio David Alves Aarão Reis

Com apoio da associação local (ASPRORIOS), um pesquisador da equipe e um mestrando estão ensinando métodos seguros de tratamento doméstico da água para residentes daquela comunidade. É uma solução de baixo custo, mas potencialmente transformadora para a saúde coletiva.

O que aprendemos com 0,01% da Amazônia

Experiências como essa mostram que enfrentar a crise climática e promover desenvolvimento na Amazônia é possível com projetos territorializados, construídos em parceria com associações locais e atentos às especificidades de cada comunidade.

O compromisso institucional das universidades e agências de fomento é fundamental, mas não suficiente. Trabalhar com comunidades ribeirinhas exige adaptação a um ambiente muito diferente dos laboratórios de pesquisa. Nossos pesquisadores têm dado conta deste desafio.

Ademais, se a Ilha das Cinzas se tornou um laboratório de tecnologias ambientais, isto não ocorreu apenas por causa de painéis solares ou gaseificadores de biomassa. Um elemento decisivo foi a receptividade dos moradores, que abriram suas casas, compartilharam conhecimentos e aceitaram testar soluções desenvolvidas fora da região.

Em um momento em que o mundo observa a Amazônia com preocupação, iniciativas locais mostram que é possível alinhar conservação ambiental, inovação tecnológica, geração de renda, educação e saúde. Pode parecer pouco diante da dimensão do desafio. Porém, é possível que em 0,01% do território comecem as transformações capazes de inspirar um percentual muito maior. Outros 38 projetos aprovados na mesma chamada Amazônia+10 também estão fazendo a diferença para a região.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo The Conversation sob a licença Creative Commons, escrito por Fábio David Alves Aarão Reis (da UFF). Leia o original AQUI.

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