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Generoso Ponce: Um controvertido herói da Guerra do Paraguai

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Generoso Paes Leme de Sousa Ponce. Foto: Acervo pessoal

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Nascido em Cuiabá (MT) em 1852, Generoso Paes Leme de Sousa Ponce foi morar ainda bebê nas dependências do Real Forte Príncipe da Beira, no atual estado de Rondônia, à época uma extensão do imenso Mato Grosso. Seu pai, o sargento José Ponce Martins, era o comandante dessa fortaleza icônica edificada no Brasil Colônia.

Com cerca de dez anos, Generoso Ponce voltou à sua terra de origem para estudar no Seminário de Cuiabá. Precoce, aos 13 anos, já era considerado maduro o suficiente para se alistar como voluntário na Guerra do Paraguai. Saiu de lá com o posto de primeiro-sargento cadete e foi considerado um herói de guerra aos 15.

No pós-guerra, Generoso Ponce continuou sua vida como agricultor e, posteriormente, ingressou no jornalismo e no comércio, trabalhando para Firmo José de Mattos, futuro Barão de Casalvasco. Firmo Mattos foi um político e magistrado que influenciaria significativamente a formação de Rondônia.

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Generoso Ponce tornou-se um notável na política; foi deputado, presidente do estado e senador. Ele liderou a primeira eleição para a Assembleia Constituinte do Mato Grosso, em 1891, da qual foi presidente. Também comandou o contragolpe de 1892, devolvendo o poder ao presidente Manoel Murtinho, deposto em janeiro por militares ligados ao general Antônio Maria Coelho.

Naquele ano, no início do ciclo republicano no Brasil, uma série de levantes ocorreu. Em Mato Grosso, surgiu um movimento separatista. Generoso Ponce decidiu reagir à tentativa de golpe, mobilizando um exército de centenas de homens que ele batizou como Legião Floriano Peixoto. Em reconhecimento a seu gesto de coragem, o presidente Floriano o nomeou coronel honorário do Exército.

O Assassinato do Governador Totó

Em 1906, Mato Grosso foi palco de mais uma revolta armada. No centro do conflito estavam Generoso Ponce e seu grupo de aliados. A confusão culminou na deposição e assassinato do governador, coronel Antônio Paes de Barros, conhecido como Totó Paes. Aos 55 anos, ele era um dos homens mais influentes e ricos do estado, proprietário de uma próspera usina de açúcar, a Usina de Itaicy, que começou a funcionar em 1897 às margens do Rio Cuiabá e foi o primeiro lugar a ter energia elétrica em todo o Mato Grosso.

No entanto, sua riqueza e poder não o blindaram das acusações sombrias que o perseguiam. Muitas denúncias apontavam que ele realizava torturas nas dependências de sua indústria e lavouras, usando porretes e facões para punir trabalhadores. Uma lista imensa de pessoas escravizadas em pleno Brasil República na usina de Paes de Barros foi divulgada em 1902 na imprensa nacional. A situação se agravava com a conivência de seu genro, que, como chefe de polícia em Cuiabá, era acusado de acobertar crimes de assaltos e assassinatos cometidos por familiares de Paes.

Mesmo assim, o usineiro foi eleito governador. A traição veio de onde menos se esperava: Ponce, um de seus antigos aliados, tornou-se o arquiteto de sua queda. Durante um ataque brutal orquestrado por forças políticas, Totó Paes foi caçado e morto em um esconderijo a cinco quilômetros de Cuiabá.

Em 1907, o próprio Ponce foi eleito governador, restabelecendo o poder da oligarquia local, já que Totó – mesmo com o currículo de escravocrata – representava uma ruptura em relação aos decanos da política local. Ao longo da história, Ponce passou a ser visto como herói, enquanto Totó, que foi morto após ser deposto e não oferecia risco aos revoltosos, teve seu nome esquecido. Todas as homenagens, como nomes de ruas, foram retiradas, e sua família teve que se refugiar no Rio de Janeiro devido às perseguições e ameaças. Até seu corpo foi enterrado fora do cemitério, no mesmo local em que foi morto; posteriormente, seus despojos foram levados para o Rio de Janeiro.

Leia também: Benedito Ruy Barbosa: a conexão entre a ficção e a história de Rondônia

Generoso Ponce

Generoso Ponce: controvérsias. Foto: Acervo pessoal/Júlio Olivar

A morte de Totó Paes ocorreu um ano antes do início da saga da Comissão Rondon e das obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Mas o governador Totó apoiou o Tratado de Petrópolis, que determinou a construção da ferrovia em solo mato-grossense, assinado durante o mandato de seu aliado na presidência da República, Rodrigues Alves.

Em 1908, durante seu governo, Ponce oficializou a criação do município de Santo Antônio do Rio Madeira, que vinha sendo embrionado na administração de Totó Paes. Santo Antônio pode ser considerado o berço do estado de Rondônia, pois foi a primeira cidade dentre todas as que existem no atual estado, além de figurar no Tratado de Petrópolis como o marco inicial da ferrovia que, posteriormente, começou a ser construída à altura do Ponto Velho, origem de Porto Velho.

Desde o início do século XX, já funcionava uma subprefeitura na localidade de Santo Antônio, subordinada a Cuiabá. Além disso, havia uma mesa de rendas e uma cadeia pública desde 1903, e os Correios foram instalados logo depois.
Quanto a Generoso Ponce, ele faleceu em 1911, no Rio de Janeiro, enquanto exercia o cargo de deputado federal. Santo Antônio foi instalado como município autônomo em 1912, com a criação da comarca e da prefeitura.

Em homenagem ao ex-governador, seu nome foi dado a uma vila ferroviária que pertencia a Santo Antônio. No entanto, posteriormente, a vila Generoso Ponce teve seu nome alterado para Jaci-Paraná — como era anteriormente chamada —, denominação que prevalece até os dias atuais. Hoje, há apenas uma rua em sua memória no velho distrito, que agora integra o município de Porto Velho. Santo Antônio foi extinto em 1945 e incorporado à atual capital de Rondônia.

DIFAMAÇÃO: Em plena “guerra” pela retomada da legalidade em Mato Grosso, em 1892, os inimigos de Floriano Peixoto tratavam de espalhar notícias não comprovadas acerca dos legalistas. Nessa rede contra a reputação dos políticos florianistas, não havia limites, e sobrou para Generoso Ponce. Um dos maiores jornais do Brasil, O Paiz, sediado no Rio de Janeiro, publicou em 4 de novembro de 1892: “Bandido e assassino, tendo envenenado o pai da mulher que raptou e com quem convivia, para lhe roubar a fortuna”.

O mesmo Ponce engendrou a marcha que matou o governador instituído legalmente, Totó Paes — um episódio emblemático que a historiografia oficial tenta apagar.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre

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Emergência fitossanitária é prorrogada devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Divulgação/Mapa

Foi prorrogado pelo quinto ano o prazo de vigência da emergência fitossanitária devido à presença da praga quarentenária monilíase, identificada em 2021 no Acre, que ataca frutos do cacau e do cupuaçu. A portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) do dia 24 de julho, e estende a emergência por mais um ano.

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A medida mantém as medidas já estabelecidas pelo governo federal para prevenir a disseminação da doença no estado. O texto entra em vigor no próximo dia 5 de agosto e também abrange os estados do Amazonas, Pará e Rondônia, que apresentam risco de introdução da praga.

Em entrevista, o superintendente do Mapa no Acre, Paulo Trindade, explicou que o foco da monilíase no estado permanece restrito em Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Marechal Thaumaturgo. O estado acreano segue desde 2022 como área sob quarentena para a praga.

“Tanto o monitoramento quanto as medidas de contenção executados no Acre são referência, pois têm impedido a dispersão da praga para fora das áreas onde inicialmente ela foi encontrada. Em todo o estado é realizado o monitoramento em propriedades duas vezes ao ano”, destacou.

Leia também: Conheça a monilíase, doença fúngica que atinge o cupuaçu e o cacau

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre
Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais

Praga: a monilíase é uma das pragas mais devastadoras da agricultura nacional. A doença ataca severamente os frutos de cacau e cupuaçu. A infecção provoca o apodrecimento progressivo das culturas, com potencial para destruir até 80% de toda uma plantação.

Entre as ações previstas no plano emergencial está a identificação das áreas que devem ser monitoradas, com base em dados georreferenciados. Além disso, a medida busca ampliar a vigilância fitossanitária em regiões consideradas mais vulneráveis à disseminação da doença.

Conforme o decreto, o Mapa também vai manter as ações de educação fitossanitária voltadas aos produtores rurais e demais envolvidos na produção do cacau e do cupuaçu. As orientações incluem medidas preventivas para identificação precoce e manejo adequado dos focos da praga.

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/GettyImages

Leia também: Estudo de novas variedades de cacau no Peru determinará sua resistência ao clima e às pragas

Além disso, continuam previstas as ações de monitoramento, supressão e erradicação nas áreas onde houver confirmação da presença do fungo, já estabelecidas na portaria nº 818, de 21 de julho de 2025, assim como procedimentos adicionais de biossegurança para o transporte de amêndoas de cacau.

Praga ameaça produção

A Moniliophthora roreri é um fungo que provoca a chamada monilíase do cacaueiro, doença capaz de comprometer grande parte da produção ao atingir diretamente os frutos. Entre os sintomas estão manchas escuras, deformações e o apodrecimento dos frutos infectados.

Por se tratar de uma praga quarentenária, a presença do fungo exige a adoção de medidas rigorosas de controle para evitar sua disseminação. A doença representa um risco econômico significativo para produtores de cacau e cupuaçu, especialmente na região amazônica.

Emergência há 5 anos

A situação de emergência fitossanitária no Acre está em vigor há cinco anos. A medida permite ao governo federal adotar ações excepcionais para conter a propagação da praga, além de reforçar o monitoramento em áreas produtoras.

A cidade de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, foi que registrou o primeiro foco no Brasil de monilíase em julho de 2021, e, desde então, o governo tem tomado algumas medidas para conter o avanço da praga na região e também para outros estados.

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/Facebook-@mercadodocacau

Com a prorrogação, o Ministério da Agricultura (Mapa) busca garantir a continuidade das estratégias de prevenção e controle, reduzindo os impactos sobre a produção agrícola nos estados da Região Norte atingidos ou ameaçados pela doença.

Até novembro de 2021, primeiro ano de emergência no estado, mais de 580 árvores já haviam sido cortadas no interior do Acre. À época, o Idaf queria isolar a propagação da doença para que não chegasse à zona rural e nem em outros estados do Brasil.

Monilíase do cacaueiro

A monilíase é uma doença devastadora que afeta, principalmente, plantas do gênero Theobroma, como o cacau (Theobroma cacao L.) e o cupuaçu (Theobroma grandiflorum). A doença requer medidas adicionais de manejo e aplicação de fungicidas para o controle da praga.

Essa é uma doença que atinge somente as plantas hospedeiras do fungo, sem riscos de danos à saúde humana. O Ministério alerta que, devido ao seu potencial de danos às culturas, é de fundamental importância a notificação imediata de quaisquer suspeitas de ocorrência da praga.

Emergência fitossanitária é prorrogada por mais um ano devido à praga que ataca cacau e cupuaçu no Acre. Foto: Reprodução/Associação Bean To Bar Brasil

Entre os principais sintomas, estão deformações nos frutos jovens, o surgimento de manchas escuras (cor de chocolate) dentro do fruto e, por fim, uma camada densa de pó esbranquiçado ou creme na casca, que são os esporos prontos para se espalhar pelo vento após a contaminação.

*Por Walace Gomes, Rede Amazônica Acre.

Calor extremo e seca: Amazonas pode enfrentar trimestre com calor extremo e menos chuva

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El Niño forte e Atlântico aquecido acendem alerta para calor extremo e seca no Amazonas — Foto: Arquivos/Rede Amazônica

O Amazonas pode enfrentar calor extremo, chuvas abaixo da média e aceleração da vazante dos rios entre agosto e outubro de 2026. O alerta é baseado em projeções meteorológicas que apontam para o fortalecimento do fenômeno El Niño e para o aquecimento do Oceano Atlântico, fatores que reduzem as chuvas na região e aumentam o risco de seca, queimadas e problemas de abastecimento.

A meteorologista Andrea Ramos, responsável pelas projeções, explica que o trimestre já corresponde ao período mais quente e seco do ano no estado. Neste ano, porém, a atuação dos fenômenos climáticos pode agravar o cenário.

“O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele acontece com frequência a cada dois a sete anos. No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos”, explica Ramos.

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calor em manaus, amazonas - cuidados com a saúde no calor
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

Segundo a especialista, há aumento do risco de incêndios florestais, problemas causados pelo calor e pela fumaça, além de restrições na navegação dos rios Solimões, Negro, Madeira, Purus e Juruá.

Andrea Ramos também destaca que há 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026.

De acordo com o boletim mais recente da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño de 2026-2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da série histórica.

“As projeções mais recentes indicam que o El Niño de 2026–2027 tem potencial para se tornar um dos mais intensos da série histórica, mas ele ainda está em fase de fortalecimento. Existe possibilidade de intensidade oceânica comparável ou até superior à do evento de 2023–2024, mas isso ainda é uma projeção”, explica a meteorologista.

Por que está tão quente?

As altas temperaturas registradas nas últimas semanas em Manaus são explicadas principalmente pelo verão amazônico, período marcado pela redução das chuvas e da cobertura de nuvens.

“Esse calor observado em Manaus e em grande parte do Amazonas é explicado, em primeiro lugar, pelo verão amazônico. Com a redução das chuvas e da cobertura de nuvens, aumenta a incidência de radiação solar sobre a superfície, permitindo um aquecimento mais intenso durante o dia. Ao mesmo tempo, a menor umidade do solo reduz o resfriamento produzido pela evaporação da água”, explicou.

Segundo Andrea Ramos, o El Niño atua como um fator de intensificação ao favorecer a redução das chuvas no Centro-Norte do país.

“O verão amazônico fornece a condição sazonal básica para o calor, enquanto o El Niño atua como um possível fator de intensificação”, resume

Leia também: Amazônia recupera superfície de água após dois anos de seca severa

Imagem colorida mostra homem bebendo água em garrafa de armazenamento sob forte calor em uma praça de Manaus
Calor perto de 36°C marca fim de semana e segunda em Manaus — Foto: Nainy Castelo Branco/Rede Amazônica Amazonas

Temperaturas podem bater recordes?

A previsão climática da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Cptec/Inpe) indica temperaturas acima da média em todo o Amazonas entre agosto e outubro.

Nesse cenário, há possibilidade de novos recordes de calor, especialmente se houver longos períodos sem chuva.

Temperaturas acima de 35°C devem ocorrer em diversos momentos do trimestre. Já marcas próximas ou superiores a 40°C são menos frequentes, mas não podem ser descartadas.

“A combinação entre verão amazônico, chuvas abaixo da média, solo seco e fortalecimento do El Niño cria um ambiente favorável a episódios de calor intenso e até a novos recordes locais. Temperaturas entre 38°C e 39°C possuem precedentes; atingir ou ultrapassar 40°C seria uma condição excepcional”, destaca.

Vazante dos rios preocupa

A combinação de pouca chuva e calor acelera a descida dos rios ao reduzir a reposição de água nas bacias e aumentar a evapotranspiração.

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já identificouinício da vazante nos rios Solimões e Negro, em Manaus. Embora os níveis ainda estejam próximos da média histórica, a especialista ressalta a necessidade de monitoramento constante.

pico da vazante costuma ocorrer entre setembro e novembro. Os rios Madeira, Purus e Juruá podem enfrentar restrições de navegação em diferentes períodos. Já os rios Solimões e Negro também devem registrar pontos críticos para o tráfego de embarcações, o que pode dificultar o abastecimento de comunidades ribeirinhas.

Calor, fumaça e riscos à saúde

Em Manaus, a combinação entre altas temperaturas e elevada umidade do ar deve aumentar a sensação de abafamento, inclusive durante a noite.

No interior do estado, o cenário pode ser ainda mais complexo, principalmente em áreas afetadas pela fumaça e pelo ar mais seco.

Imagem colorida mostra homem velho de costa arrastando carrinho de compras pequeno com uma mãe e o chão quebrado em virtude de seca de rio, que é visto ao fundo
Seca em Manaus leva a dificuldade de locomoção — Foto: Reprodução/TV Amazonas – Rede Amazônica

“Nas áreas do interior, principalmente onde o ar estiver mais seco e houver fumaça, o problema pode envolver simultaneamente calor, desidratação, irritação respiratória e piora da qualidade do ar. É importante diferenciar umidade relativa baixa de sensação de abafamento”, alerta Andrea Ramos.

A meteorologista explica que a umidade relativa do ar pode cair significativamente durante as tardes, favorecendo o ressecamento das vias aéreas. Já durante a noite, a alta umidade tende a aumentar a sensação térmica e o desconforto provocado pelo calor.

*por Lucas Macedo – da Rede Amazônica Amazonas

Áreas de risco geológico de Xapuri e Brasiléia têm mapeamentos atualizados pelo SGB

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Município de Xapuri (AC). Foto: Reprodução/SGB

Novos estudos sobre áreas de risco geológico foram concluídos nos municípios de Xapuri e Brasiléia, no Acre. Os levantamentos, realizados em maio de 2026, atualizaram o mapeamento de setores sujeitos a processos como inundação, erosão fluvial e deslocamento do solo. Os relatórios técnicos foram elaborados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB). Os dois municípios são monitorados pelo Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Acre.

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Em Xapuri, as atividades de campo ocorreram entre os dias 19 e 22 de maio. O estudo identificou seis áreas de risco geológico, sendo quatro classificadas como de risco alto e duas como de risco muito alto, associadas principalmente a processos de inundação e erosão fluvial. Ao todo, foram contabilizados mais de 600 imóveis e quase 2,5 mil pessoas em áreas de risco.

Em comparação ao levantamento realizado em 2015, houve aumento no número de edificações e pessoas em situação de risco que, segundo o relatório, está relacionado, em parte, à inclusão das edificações localizadas na área central e histórica da cidade, sujeitas a inundações registradas durante as cheias de 2023 e 2024.

As áreas mapeadas estão distribuídas pelos bairros Sibéria, Centro, Bolívia e Pantanal. Durante os trabalhos também foi registrado, na zona rural, um deslizamento de grande porte associado ao deslocamento do solo, sem impacto sobre edificações.

Leia também: Xapuri, a ‘princesinha do Acre’, foi berço do início da Revolução Acreana

Áreas de risco geológico de Xapuri e Brasiléia têm mapeamentos atualizados pelo SGB
Município de Brasiléia (AC). Foto: Reprodução/SGB

Áreas contam com relatórios técnicos

Já em Brasiléia, os levantamentos foram realizados entre os dias 12 e 15 de maio. O estudo identificou cinco áreas classificadas como de risco alto, associadas a processos de inundação, erosão fluvial e deslocamento do solo. Foram mapeados mais de 2 mil imóveis em áreas de risco, onde vivem aproximadamente 9 mil pessoas.

Em relação ao levantamento anterior, realizado em 2019, os setores de risco passaram por atualização metodológica e reagrupamento e, apesar da redução no número de áreas de risco, houve aumento no número de imóveis e de pessoas em situação de risco.

As áreas mapeadas abrangem os bairros Raimundo Chaar, Marcos Galvão, Centro, Eldorado, Leonardo Barbosa, Sumaúma e 28 de Maio, além das colônias Novo Horizonte e Novo Destino, na zona rural.

Leia também: Você sabe qual cidade acreana já foi ‘Brasília’?

Os relatórios técnicos completos podem ser consultados no Repositório Institucional de Geociências do SGB (Rigeo): Xapuri (AC) e Brasiléia (AC).

*Com informações do SGB

Óticas Carol reforça compromisso com inovação, qualidade e tecnologia em Rio Branco

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Óticas Carol reforça compromisso com inovação, qualidade e tecnologia em Rio Branco. Foto: Divulgação/Óticas Carol

Referência no mercado óptico brasileiro, a Óticas Carol, maior rede de óticas do país e pertencente ao mesmo grupo da Ray-Ban, tem consolidado sua atuação em Rio Branco visando o compromisso com a saúde visual de cada cliente, além de oferecer produtos de qualidade, atendimento especializado e acesso as principais inovações do setor.

Com duas unidades na capital acreana, a empresa trabalha para proporcionar uma experiência completa aos clientes, reunindo tecnologia, conforto, segurança e uma ampla variedade de produtos para diferentes estilos e necessidades. Nosso objetivo é mostrar que a Óticas Carol é para todos: desde quem busca opções com custo-benefício, uma linha mais econômica, até quem deseja as mais renomadas marcas do mercado óptico nacional e internacional.

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Óticas Carol reforça compromisso com inovação, qualidade e tecnologia em Rio Branco
Óticas Carol reforça compromisso com inovação, qualidade e tecnologia em Rio Branco. Foto: Divulgação/Óticas Carol

Entre os grandes diferenciais da rede está o acesso aos principais lançamentos mundiais, como os óculos com IA (inteligência artificial), assim que chegaram ao Brasil, os óculos inteligentes Ray-Ban Meta e Oakley Meta passaram a fazer parte do portfólio da Óticas Carol em Rio Branco de forma simultânea, permitindo que os consumidores acreanos conheçam de perto uma das maiores inovações do segmento. Os óculos com inteligência artificial permitem você tirar fotos, vídeos, ouvir música, realizar chamadas, utilizar comandos de voz, tradução simultânea, reunindo tecnologia e praticidade em um único produto.

Além da inovação, nosso principal compromisso é com a saúde visual de cada cliente, nossa prioridade é manter uma equipe qualificada, que passa por constantes treinamentos e estudos para indicar a melhor solução para cada cliente. Nossas lentes contam com tecnologias desenvolvidas para oferecer mais conforto, qualidade de visão e proteção, nosso cliente tem a segurança de comprar suas lentes e armações, tudo com certificado de garantia e autenticidade das peças na maior rede de óticas do país.

Condomínio voltado à longevidade ganha espaço no mercado imobiliário

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Condomínio Quintas de São José do Rio Negro prioriza segurança, privacidade e integração harmônica com a paisagem amazônica desde o primeiro contato. Foto: Heraldo Peixoto

O conceito de wellness building — construções planejadas para promover a saúde e o bem-estar dos moradores — começa a consolidar sua presença no mercado imobiliário do Amazonas. Diante de uma demanda crescente por qualidade de vida longe do estresse urbano, projetos de alto padrão passam a incorporar a ciência da longevidade desde a planta. Localizado no bairro Tarumã, na zona Oeste de Manaus, o condomínio Quintas de São José do Rio Negro desponta nesse cenário ao materializar estruturas sob a premissa do “high wellness”, utilizando o espaço e a rotina para contribuir diretamente para a saúde e o bem-estar dos seus condôminos.

A arquitetura biofílica do condomínio adota um papel central nessa proposta, priorizando o distanciamento estratégico com vegetações entre os lotes, que possuem dimensões a partir de 1.500 metros quadrados. Essa configuração diminui significativamente as poluições sonora e visual comuns às áreas centrais. Ao reduzir os limites visuais entre as residências e a floresta nativa, o desenho urbano atenua o estresse oxidativo, um dos fatores responsáveis por acelerar o envelhecimento orgânico.

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Condomínio Quintas de São José do Rio Negro
A planta do condomínio evidencia o distanciamento estratégico entre os lotes a partir de 1.500 m² e a distribuição das áreas de convivência integradas à floresta. Foto: Heraldo Peixoto

A preservação ambiental e a interação social operam de forma integrada na biologia de quem habita o local. Com mais de 50% de área verde mantida e uma malha de trilhas projetadas para atividades coletivas, o empreendimento estimula laços interpessoais que simulam a dinâmica observada nas chamadas “zonas azuis”, conhecidas por ajudarem a promover a alta expectativa de vida da população. O ecossistema preservado garante um microclima ameno e ar puro, impactando positivamente as funções cardiovasculares e respiratórias, amparado por soluções técnicas como fiação subterrânea e tratamento próprio de efluentes.

“Projetamos um ambiente onde cada detalhe técnico e natural funcione como um indutor de saúde. O verdadeiro luxo contemporâneo mudou de significado; hoje, ele se traduz no controle sobre o próprio tempo e na conservação da vitalidade física e mental, algo que a harmonia entre engenharia moderna e floresta nativa consegue proporcionar”, destaca o diretor da BTP Urbanismo, João Batista Pi.

Condomínio focado em saúde e longevidade ativa: academia do residencial é equipada com aparelhos de tecnologia italiana da renomada marca Technogym. Foto: Heraldo Peixoto

No aspecto voltado ao condicionamento físico e à medicina preventiva, o residencial abriga uma das estruturas de academia mais modernas da região: o fitness center by Technogym. O espaço conta com equipamentos da marca italiana, reconhecida globalmente pelo desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao alto desempenho esportivo e à promoção da longevidade. A inserção desses recursos de ponta facilita a manutenção de hábitos saudáveis diários sem a necessidade de deslocamentos para fora do perímetro residencial.

A Capela de São José do Rio Negro oferece um refúgio ecumênico integrado à natureza, valorizando o bem-estar emocional e espiritual dos moradores do condomínio. Foto: Heraldo Peixoto

O equilíbrio emocional também recebe atenção dedicada por meio do incentivo à espiritualidade e ao acolhimento. A Capela de São José do Rio Negro foi concebida sob o entendimento de que a religiosidade atua como pilar de estabilidade mental e união familiar. Integrado à natureza e restrito aos condôminos, o espaço ecumênico divide protagonismo com outros três salões destinados a cerimônias de credos diversos, assegurando o respeito à pluralidade e o suporte psicológico por meio da fé.

Vista panorâmica do Condomínio Quintas de São José do Rio Negro destaca a preservação de mais de 50% de área verde nativa na Região Metropolitana de Manaus. Foto: Heraldo Peixoto

Outra vertente importante do projeto é a implementação do serviço de concierge, que atua de forma semelhante a um “seguro de saúde” prático. A facilitação de demandas do cotidiano diminui o desgaste gerado pela burocracia e pela administração da rotina doméstica. Livre dessas pressões cotidianas, o morador ganha tempo para focar no autocuidado e desfrutar de atrativos estruturais como o Clube Social e o Clube de Golfe.

Trilhas ecológicas interligadas do condomínio estimulam a prática de atividades ao ar livre e o convívio social, pilares fundamentais para a redução do estresse e promoção da longevidade. Foto: Heraldo Peixoto

O avanço dessas práticas construtivas sinaliza um novo patamar para o desenvolvimento urbano na Região Norte. Ao alinhar engenharia de ponta, sustentabilidade prática e as diretrizes globais de bem-estar, iniciativas desse porte deixam de ser apenas opções de moradia e passam a ser referências de como o planejamento imobiliário pode impactar diretamente a saúde e a conservação ambiental regional.

Férias no Norte? Sete roteiros para desbravar a Amazônia em família

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Descubra atrações no Norte que unem a magia da floresta, praias de água doce e muita cultura. MUSA, em Manaus. Foto: Janailton Falcão/Amazonastur

As férias escolares despertam nas famílias o desejo de colocar o pé na estrada e viver dias inesquecíveis juntas. Apostar no turismo dentro do Brasil é uma excelente maneira de encontrar esse equilíbrio, valorizando a nossa identidade cultural e revelando um imenso leque de opções pelas cinco regiões do país, com cenários que encantam todas as gerações.

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Nesse sentido, a região Norte se destaca, pois é um verdadeiro santuário ecológico, que oferece contato com a natureza, praias de água doce e uma culinária cheia de sabores únicos para encantar a todos.

Confira alguns destinos do Norte:

Acre

O estado surpreende as famílias com muita bagagem histórica e cultural e roteiros de imersão, que mostram a grandiosidade da vida na floresta.

Atrativos

  • Rio Branco: a capital oferece um roteiro cultural e natural acessível, com o Parque Chico Mendes, o Palácio Rio Branco, o Mercado Velho e museus como o da Borracha e o dos Povos Acreanos, todos perfeitos para visitar ao longo das férias.
  • Xapuri: conhecida como a terra de Chico Mendes, permite às famílias caminhar pelo centro histórico, visitar a Casa de Chico Mendes e vivenciar o turismo comunitário em reservas extrativistas.
  • Comunidade do Croa: em Cruzeiro do Sul, a comunidade oferece uma experiência de imersão na Amazônia, com atividades tranquilas para todas as idades. O destino reúne natureza, gastronomia regional e passeios de barco, oferecendo momentos de lazer e contato com a cultura ribeirinha.
  • Cachoeira do Ar-Condicionado: localizada em Mâncio Lima, a cachoeira é cercada por vegetação nativa e conta com uma trilha curta e águas refrescantes, sendo excelente para um passeio de um dia em família.

Como chegar

O acesso ao estado, por via aérea, é feito pelo Aeroporto Internacional de Rio Branco, havendo também voos comerciais até Cruzeiro do Sul. Para deslocamentos terrestres, o estado é conectado pelas rodovias federais BR-364 e BR-317, que facilitam viagens de carro ou de ônibus interestaduais e intermunicipais. Já para destinos isolados, como a Comunidade do Croa, o transporte náutico é indispensável, por meio de barcos que fazem a travessia a partir de pontos específicos.

Rio Croa. Foto: Divulgação

Amazonas

O coração da Floresta Amazônica oferece às famílias a chance de vivenciar de perto a grandiosidade dos rios e interagir com a fauna de maneira segura e inesquecível.

Atrativos

  • Teatro Amazonas: o imponente cartão-postal de Manaus encanta com suas cores e arquitetura da época do Ciclo da Borracha, oferecendo visitas guiadas que prendem a atenção de visitantes de todas as idades.
  • Museu da Amazônia (MUSA): localizado em uma reserva florestal em Manaus, possui trilhas guiadas, lagos com vitórias-régias e uma torre de observação de 42 metros de altura, de onde é possível ver a copa das árvores e aves da floresta.
  • Complexo Turístico da Ponta Negra: um calçadão estruturado à beira do Rio Negro, ideal para caminhadas em família, banhos na praia de água doce, parquinhos infantis e apresentações culturais.
  • Parque Nacional de Anavilhanas: localizado em Novo Airão, é o destino perfeito para as crianças interagirem, de forma segura, com os botos-cor-de-rosa em seu habitat natural, além de passeios de barco pelo arquipélago.

Como chegar

A principal via de entrada para o estado é o Aeroporto Internacional de Manaus (MAO). Na região, os rios funcionam como grandes estradas, sendo o transporte de barco (como lanchas rápidas, jatos e navios regionais) também uma opção. Por via terrestre, rodovias como a AM-010 e a BR-174 ligam a capital a municípios vizinhos, de carro ou por meio de ônibus interestaduais e intermunicipais.

musa amazonas faz exposição sobre cogumelos
MUSA. Foto: Divulgação

Rondônia

Rondônia combina a diversão de modernos parques aquáticos e hotéis-fazenda com o turismo de vivência, que valoriza as comunidades tradicionais do estado.

Atrativos

  • Vale das Cachoeiras: em Ouro Preto do Oeste, é um complexo de hotel-fazenda e parque aquático estruturado com piscinas, toboáguas e belas quedas d’água, que são perfeitos para o lazer de toda a família.
  • Cacoal Selva Park: hotel-fazenda em Cacoal com uma ampla infraestrutura de lazer, área de camping e um parque aquático cercado por vegetação nativa.
  • Balneário Bebel: uma excelente opção de lazer em Porto Velho, contando com piscinas de água natural, ideais para os pequenos se refrescarem.
  • Comunidade Paiter Suruí: oferece roteiros de etnoturismo para famílias que buscam viver experiências culturais autênticas e enriquecedoras junto à comunidade indígena.
  • Paraquedismo: para as famílias com filhos adolescentes, que curtem uma dose de aventura, Porto Velho oferece saltos duplos monitorados, com uma vista única do Rio Madeira.

Como chegar

O estado é acessível por via aérea, através do Aeroporto de Porto Velho (PVH) e do Aeroporto de Cacoal (OAL). Para viagens terrestres, a rodovia federal BR-364 é o eixo principal que conecta a capital às demais cidades.

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Foto: Divulgação

Roraima

Roraima encanta as famílias com uma capital planejada e cheia de atrativos infantis, além de destinos serranos e paisagens impressionantes.

Atrativos

  • Bosque dos Papagaios: parque ecológico urbano em Boa Vista, com trilhas estruturadas, fáceis para caminhar com crianças, viveiro de animais resgatados e muito contato com a natureza.
  • Serra do Tepequém: localizado em Amajari, é um refúgio de clima agradável nas montanhas, com cachoeiras de fácil acesso, artesanato local em pedra-sabão e pousadas aconchegantes para a família relaxar.
  • Praias do Rio Branco: praias sazonais de água doce, com faixas de areia branca, que são ideais para banhos tranquilos com os filhos.

Como chegar

A chegada por via aérea ocorre pelo Aeroporto Internacional de Boa Vista (BVB). De carro ou ônibus, os trajetos para o interior ou estados vizinhos são feitos pela BR-174 e pela RR-203 para acessar a Serra do Tepequém. O transporte de barco também é usado localmente.

Bosque dos Papagaios. Foto: Diane Sampaio/Prefeitura de Boa Vista

Pará

O Pará convida a família inteira para uma imersão cultural, praias fluviais com águas cristalinas e contato próximo com a fauna e flora locais.

Atrativos

  • Estação das Docas e Mangal das Garças: em Belém, a Estação une gastronomia e cultura à beira da baía com total segurança, enquanto o Mangal das Garças encanta as crianças com seu borboletário, aves livres e um farol-mirante.
  • Alter do Chão: em Santarém, conhecida como o “Caribe da Amazônia”, Alter oferece praias de água doce cristalinas e areia branca, com águas calmas e rasas, perfeitas para banhos com crianças.
  • Parque Zoobotânico Emílio Goeldi: no centro de Belém, é um refúgio de floresta urbana onde as famílias caminham entre sumaúmas centenárias e observam animais da fauna amazônica.

Como chegar

O Pará possui grande conectividade aérea por meio do Aeroporto Internacional de Belém (BEL) e do Aeroporto de Santarém (STM). Por via terrestre, rodovias como a BR-010 recebem linhas de ônibus nacionais e tráfego de carros.

parque zoobotânico
Parque Zoobotânico Emílio Goeldi. Foto: Adrya Marinho/MPEG

Amapá

O estado reserva atrativos históricos gigantescos e bioparques cheios de aventura e ecoturismo para os jovens exploradores.

Atrativos

  • Fortaleza de São José de Macapá: uma das maiores fortificações coloniais do Brasil, situada à beira do Rio Amazonas, que encanta crianças por sua imponência, muralhas e túneis históricos.
  • Marco Zero do Equador: monumento turístico lúdico e educativo onde as crianças podem se divertir colocando, ao mesmo tempo, um pé no Hemisfério Norte e outro no Hemisfério Sul.
  • Bioparque da Amazônia: uma enorme área de preservação em Macapá, com trilhas acessíveis, circuitos de aventura como tirolesa e arvorismo, jardim sensorial e observação de animais da região.
  • Praia da Fazendinha: balneário de água doce, banhado pelo Rio Amazonas na região metropolitana de Macapá, ideal para saborear a culinária local em família e curtir a brisa do rio.

Como chegar

O acesso ao estado por via aérea é centralizado no Aeroporto Internacional de Macapá (MCP). Devido às características geográficas do Amapá, em relação ao restante do Brasil, as viagens interestaduais de longa distância ocorrem predominantemente por avião ou por via náutica, por meio de navios de passageiros que cruzam o Rio Amazonas, vindos de Belém ou Santarém. Internamente, o deslocamento entre a capital e balneários próximos é feito facilmente de carro ou ônibus pelas rodovias estaduais como a AP-010.

Monumento do Marco Zero. Foto: Reprodução/ Governo do Amapá

Tocantins

O Tocantins é um verdadeiro oásis no coração do Brasil, combinando praias fluviais badaladas, distritos serranos cheios de cachoeiras e rios de águas transparentes.

Atrativos

  • Palmas e Taquaruçu: a capital do estado oferece lazer urbano e natural na Praia da Graciosa e no Parque Cesamar, enquanto o distrito de Taquaruçu atrai as famílias com clima ameno, culinária típica e diversas cachoeiras com trilhas estruturadas.
  • Lajeado: às margens do Lago de Palmas, o município conta com praias de água doce calmas e passeios náuticos ideais para relaxar com os filhos.
  • Miracema do Tocantins: guarda um rico patrimônio histórico-cultural e se destaca pela Praia do Paredão, um balneário muito procurado pelas famílias durante a temporada de praias de rio.
  • Região das Serras Gerais (Aurora, Taguatinga e Lavandeira): um paraíso de ecoturismo, que reúne rios de águas cristalinas, cânions impressionantes e cachoeiras para visitantes de todas as idades.

Como chegar

O Tocantins é acessível por via aérea pelo Aeroporto de Palmas (PMW) e por via rodoviária, através de sua rodoviária interestadual. A partir da capital, o acesso ao distrito de Taquaruçu, Lajeado (pela TO-010) e Miracema do Tocantins é feito por rodovia, podendo ser realizado de carro ou ônibus. As Serras Gerais também contam com conexões regulares de ônibus e estradas pavimentadas.

Seja navegando pelos imponentes rios Amazonas e Negro, mergulhando nas praias de água doce do Pará e do Tocantins, divertindo-se nos hotéis-fazenda de Rondônia ou descobrindo a história e os cenários únicos do Acre, do Amapá e de Roraima, o Norte do país se consolida como uma excelente escolha para transformar as férias escolares em memórias inesquecíveis.

Taquaruçu. Foto: Reprodução/Youtube-Prefeitura de Palmas

*Com informações da Embratur

Documentário registra manejo da fauna pelo povo Baniwa no Amazonas

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Foto: Reprodução/Youtube-Instituto Socioambiental

  • O tempo certo para sair em busca da caça;
  • o pote de guardar o curare – veneno que vai ser colocado na flecha;
  • o cuidado para não abater nada além do necessário;
  • a partilha com a comunidade;
  • os impactos da emergência climática nos ciclos.

Esses são alguns elementos do milenar manejo da fauna pelo povo Baniwa registrados no documentário ‘Eenonai: Conservação e manejo na casa dos animais’, lançado durante a COP30, em Belém (PA).

Eenonai é o termo na língua dos conhecedores Baniwa que se refere aos animais e dá nome ao documentário sobre o manejo da fauna na região do Rio Ayari (Alto Rio Negro, Amazonas), na bacia do Rio Içana, território predominantemente do povo Baniwa.

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Entre os Baniwa, a prática da caça se mantém de geração em geração e integra um sistema sofisticado de conhecimentos dos povos indígenas do Alto Rio Negro, uma das regiões mais preservadas da Amazônia. Esse manejo também compõe o Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro (SAT-RN), reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histório e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio cultural.

O educador-pesquisador, físico, cientista ambiental e liderança indígena Dzoodzo Baniwa, que participou da produção do Eenonai, ressalta a importância do documentário, que registra o manejo sustentável da caça pelo povo Baniwa. 

“O documentário traz esse registro importante sobre o conhecimento. Cada povo indígena  tem seu próprio sistema de conhecimento e do manejo do seu território. Cada técnica, cada domínio da tecnologia é muito importante. Os Baniwa utilizam, por exemplo, instrumentos tradicionais, como zarabatana, e tem outras técnicas. O documentário resgata essas práticas tradicionais e dá esse horizonte de como podemos continuar mantendo o manejo da caça no nosso território, inclusive nessa perspectiva de impacto de mudanças climáticas. É muito importante, porque tanto os animais quanto nós povos indígenas manejamos esse território todo, ajudamos a diversificar as plantas, distribuindo sementes. A gente tem esse papel muito importante na proteção da floresta”, diz. 

Documentário registra manejo da fauna pelo povo Baniwa no Amazonas
Foto: Reprodução/Youtube-Instituto Socioambiental

Sabedoria do povo Baniwa retratada no documentário

As práticas e saberes sobre esse manejo são acompanhados pelos Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) da região, que desenvolvem pesquisas sobre temas socioambientais, em diálogo permanente com os conhecedores de suas comunidades e com pesquisadores especializados não-indígenas.

Constituída a partir de colaborações entre o Instituto Socioambiental (ISA), a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e organizações e escolas indígenas locais, a Rede de AIMAS atua na região do Içana e em outras áreas do Alto e Médio Rio Negro, registrando em diários e tablets práticas de manejo das roças, pesca, caça, coleta de frutos e insetos, intercâmbios econômicos e rituais, fabricação dos instrumentos e utensílios.

Constantemente, os pesquisadores relatam os impactos das mudanças climáticas nos ciclos ecológicos e nas práticas de manejo, que afetam a disponibilidade da fauna e flora, bem como os eventos sociais e rituais.

O objetivo da Rede de AIMAs é promover pesquisas colaborativas e interculturais de longa duração para o fortalecimento dos conhecimentos indígenas e da gestão territorial. Para isso, os agentes indígenas também contam com a parceria com institutos de pesquisa e universidades.

Essas pesquisas geram observações e indicadores que apoiam a governança territorial, conforme explica Dzoodzo Baniwa.

“A pesquisa sobre a fauna no território Baniwa Koripako é muito importante porque gera indicadores que vão orientar diretrizes para construção do plano de manejo, sobretudo pensando gestão territorial e governança do território. A pesquisa consegue traduzir o manejo tradicional que está sendo praticado no território há milhares de anos. O documentário Eenonai também retrata o resultado da pesquisa registrada por nós da rede de pesquisadores indígenas. E com isso esperamos contribuir com debates e diretrizes para implementação do Plano de Gestão Territorial e Ambiental nos territórios”, diz.

A pesquisa retratada no documentário é fruto da dedicação da Rede de AIMAs em parceria com o Centro de Pesquisa e Monitoramento Eenopana e a Rede Fauna – Pesquisa em Conservação, Uso e Manejo da Fauna da Amazônia.

Assista:

A idealização do projeto é da pesquisadora e coordenadora-adjunta do Programa Rio Negro do Instituto Socioambiental (PRN/ISA), Natalia Pimenta, e dos pesquisadores André Pinassi Antunes e Walter Lopes da Silva, do povo Baniwa. A direção é do documentarista Fellipe Abreu, especialista em sistemas alimentares, e da analista do ISA, Giselle Sousa.

Ficha técnica

  • Idealização: Natalia Camps Pimenta, André Pinassi Antunes e Walter Lopes da Silva
  • Produção: Natalia Camps Pimenta, André Pinassi Antunes, Walter Lopes da Silva, Dzoodzo Baniwa e Ana Amélia Hamdan Gontijo
  • Direção: Fellipe Abreu e Giselle Sousa
  • Direção de fotografia e captação de áudio: Fellipe Abreu
  • Entrevistas em Baniwa: Laise Cardoso
  • Roteiro: Luiz Felipe Silva
  • Edição/finalização: Elder Barbosa
  • Agradecimentos: Aos moradores e conhecedores de Canadá e demais comunidades do rio Ayari, Escola Baniwa Eeno Hiepole, Centro de Pesquisa e Formação Eenopana, National Geographic, Rede de Agentes Indígenas de Manejo Ambiental (AIMAs) da Bacia do Rio Negro.
  • Realização: ISA, FOIRN, Rede Fauna, Nadzoeri
  • Apoio: Ipê/Lira e Nia Tero.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Socioambiental

Virgílio Viana abre o Amazon On 2026 com palestra sobre os desafios do desenvolvimento sustentável na Amazônia

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Virgílio Viana abre o Amazon On 2026. Foto: Arquivo/ Amazon On

“A conectividade é o elo que une a prosperidade dos povos da floresta à conservação da Amazônia. Sem internet, as distâncias isolam; com conectividade, ampliamos o acesso à saúde, à educação e às oportunidades de geração de renda, fortalecendo a proteção dos territórios e garantindo que a floresta e seus guardiões prosperem juntos.” Essa será a mensagem central da palestra de abertura do Amazon On 2026, ministrada pelo superintendente-geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Virgílio Viana, na abertura do evento, que acontece nos dias 5 e 6 de agosto, em Manaus.

A apresentação discutirá os desafios de implantar infraestrutura de tecnologia e energia em uma região de dimensões continentais, a importância de compreender as especificidades do território amazônico e experiências que demonstram como a cooperação entre governos, empresas, academia e comunidades pode transformar projetos em resultados concretos para a população da região.

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Amazon On. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

Para o coordenador do Amazon On, Moisés Moreira, a proposta da palestra traduz o propósito do encontro. “O Amazon On nasceu para aproximar diferentes setores em torno de um desafio comum: construir soluções para a Amazônia que dialoguem com a realidade do território. Nesta edição, reunimos especialistas, reguladores, pesquisadores, empresas e organismos internacionais para discutir temas estratégicos para o futuro da região, como conectividade, transição energética, inovação e bioeconomia. Queremos que esses debates estimulem novas parcerias e contribuam para transformar boas ideias em ações concretas para a Amazônia”.

Ao longo de dois dias, o Amazon On reunirá representantes de governos, agências reguladoras, universidades, organismos multilaterais e empresas para discutir infraestrutura digital, conectividade, transição energética, inteligência artificial, bioeconomia e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Leia também: Amazon On reúne especialistas para debater futuro sustentável da Amazônia

A programação está organizada em oito painéis e contará com especialistas entre os quais Alexandre Freire e Edson Holanda, da Anatel; Willamy Moreira Frota e Gentil Sá, da ANEEL; Luis Guillermo Alarcón, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID); Luciano Charlita, do Banco Mundial; Julissa Cruz, da CAF; Alexander Lee, da HMN Technologies; Roberto Valer, da Huawei Digital Power Brasil; e Maximiliano Martinhão, da Qualcomm. A programação também contará com representantes da UNESCO, FAO, Ministério das Comunicações, Ministério de Minas e Energia, universidades brasileiras e dos governos da Guiana e do Suriname.

Imagem colorida mostra palco do Amazon On 2025
Amazon On. Foto: Arquivo/ Amazon On

Consolidado como um dos principais fóruns dedicados ao debate sobre tecnologia e desenvolvimento sustentável na Amazônia, o Amazon On busca promover o intercâmbio de experiências entre setor público, iniciativa privada, academia e organizações internacionais, fortalecendo a construção de soluções capazes de ampliar a conectividade, impulsionar a inovação e contribuir para o desenvolvimento da região.

*Com informações da assessoria de imprensa

Perspectiva de El Niño intenso entre 2026 e 2027 chegou às manchetes. O Brasil está preparado?

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Imagem feita por satélite mostra aquecimento das águas do oceano Pacífico. Foto: NOAA

O fenômeno El Niño voltou a aparecer com frequência no noticiário internacional nos últimos meses. A razão é simples: alguns modelos climáticos indicam a possibilidade de desenvolvimento de um evento relativamente intenso entre 2026 e 2027. Isso não significa, evidentemente, que o planeta caminhe inevitavelmente para uma catástrofe climática global, mas chama atenção porque os episódios mais fortes de El Niño costumam alterar o regime de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

O El Niño é um fenômeno natural associado ao aquecimento anômalo das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Esse aquecimento modifica a circulação atmosférica tropical e acaba influenciando o clima em várias regiões do planeta. A climatologia conhece esse mecanismo há bastante tempo, embora ainda existam dificuldades importantes quando se tenta antecipar, com muitos meses de antecedência, a intensidade exata de cada evento e seus impactos regionais (Trenberth, 1997; McPhaden et al., 2006).

Foto: Alex Pazuello/Secom AM

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Nem todo El Niño produz os mesmos efeitos. Os episódios de 1982/1983, 1997/1998 e 2015/2016 ficaram conhecidos pela intensidade e pelos impactos observados em diferentes continentes, mas cada um deles apresentou características próprias. A atmosfera não responde de maneira idêntica em todos os eventos, e isso é importante para evitar simplificações excessivas.

No Brasil, os efeitos do El Niño variam bastante de uma região para outra. Historicamente, a Região Sul tende a registrar aumento das chuvas durante esses episódios, enquanto áreas do Norte e do Nordeste frequentemente enfrentam redução das precipitações e períodos mais secos. Mas isso não funciona como uma regra absoluta. Outros fatores oceânicos e atmosféricos também interferem no comportamento climático sul-americano, especialmente as condições térmicas do Atlântico Tropical.

Leia também: El Niño em 2026 pode intensificar riscos climáticos na Amazônia 

Ainda assim, existe uma preocupação compreensível em relação ao cenário atual. O país vem enfrentando, nos últimos anos, uma sequência de eventos extremos bastante significativa. Secas severas na Amazônia, enchentes no Sul, ondas de calor persistentes em diferentes regiões e incêndios florestais de grande proporção passaram a fazer parte da rotina climática recente do Brasil.

Nem todos esses eventos decorrem diretamente do El Niño, e atribuições automáticas costumam ser cientificamente problemáticas. Mas existe hoje um entendimento consolidado de que o aquecimento global pode aumentar a frequência e a intensidade de alguns extremos climáticos. Fenômenos naturais de variabilidade climática, como o El Niño, passam então a atuar sobre uma atmosfera mais quente e com maior disponibilidade de energia e vapor d’água (IPCC, 2021).

O problema brasileiro, contudo, não é apenas climático. Desastres raramente são produzidos exclusivamente pela chuva, pela seca ou pelo calor. Eles dependem muito das condições sociais e territoriais sobre as quais esses eventos atuam. Uma mesma quantidade de chuva produz impactos completamente diferentes em cidades com infraestrutura adequada e em áreas marcadas por ocupação irregular, drenagem insuficiente e forte vulnerabilidade social.

Isso vale igualmente para as secas. Seus efeitos são muito mais graves onde há baixa segurança hídrica, maior dependência de agricultura de sequeiro e pouca capacidade de resposta institucional. Por isso, fenômenos como o El Niño acabam expondo fragilidades que já existiam antes deles.

Gráfico explica formação do El Niño. Foto: Assessoria de Comunicação da Unesp

O Brasil possui instituições científicas altamente qualificadas para monitorar o clima e produzir previsões sazonais. Houve avanços importantes nas últimas décadas em monitoramento hidrometeorológico, modelagem climática e sistemas de alerta. Hoje existe capacidade técnica para acompanhar secas, enchentes e extremos climáticos com um nível de detalhe muito superior ao que existia há vinte ou trinta anos.

Mas conhecimento científico, sozinho, não reduz risco. Em muitas cidades brasileiras, a expansão urbana continuou ocorrendo em áreas suscetíveis a enchentes e movimentos de massa. Em outras regiões, a pressão sobre recursos hídricos aumentou sem planejamento compatível com a variabilidade climática do país. Grande parte dos problemas aparece justamente aí: menos na ausência de informação e mais na dificuldade histórica de incorporar risco ambiental ao planejamento territorial.

Preparar-se para possíveis impactos associados ao El Niño não significa impedir a ocorrência do fenômeno. Isso simplesmente não é possível. A questão central é reduzir vulnerabilidades. Melhorar drenagem urbana, fortalecer sistemas de alerta, proteger encostas, ampliar monitoramento hidrológico e planejar melhor o uso do território continuam sendo medidas muito mais efetivas do que respostas emergenciais tomadas apenas depois das tragédias.

Talvez a principal lição trazida pela discussão atual sobre o El Niño seja justamente essa. Eventos climáticos extremos fazem parte da dinâmica natural do sistema climático. O que transforma esses eventos em desastres de grandes proporções é, muitas vezes, a forma como as sociedades organizam seus territórios e lidam, ou deixam de lidar, com suas próprias vulnerabilidades.

*Por Enner Alcântara/Unesp