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Amazônia, eterno conflito planos-programas-soluções

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Foto: Reprodução/TV Brasil

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A questão Amazônia segue impávida, resoluta além das queimadas e ocupações ilegais de terras não destinadas ou de reservas, causas de comoção mundial, e no desencadeamento de crises entre sociedade, governos e ambientalistas. Conflitos perpetrados pelo próprio Executivo e seus agentes – MMA, Ibama, ICMBio, Funai, AGU, PGR -, ao falharem na defesa do interesse da nação ante avanços de ocupações ilegais de terras e pressões espúrias de organizações internacionais.

Na verdade, o que está em jogo (ou deveria estar) é a necessidade de adoção de políticas públicas de Estado objetivando a formatação de bases sólidas de longo prazo voltadas à sedimentar o crescimento econômico, único meio de promover a definitiva e irreversível ocupação produtiva com preservação ambiental do bioma. O conceito – base do processo -, começou a receber real atenção no Brasil depois da Rio-92, quando foram configurados os elementos essenciais do paradigma do desenvolvimento sustentável assim entendido como uma utopia possível.

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O governo Itamar Franco (1992-1995), determinado a criar condições para inserir a questão no centro de convergência do debate sobre a Amazônia, delegou atribuições ao Conselho Nacional da Amazônia Legal (Conamaz), criado em 1993 e regulamentado em 1995. Sua estruturação viabilizou, no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998), proceder ao lançamento da “Política Nacional Integrada para a Amazônia Legal”. Dentre os objetivos mais relevantes do projeto destacam-se a reorientação do crescimento econômico, a integração interna e externa e a valorização humana e social. A Conamaz lego importante obra alicerçada na Agenda Amazônia 21, configurada segundo os princípios e fundamentos da “Agenda 21 Global” aprovada na Rio-92, a Conferência das Nações·Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, a Cúpula da Terra.

No contexto da “Agenda Amazônia 21” resultou a criação (até hoje improdutiva) da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), planejada para assumir dimensão de único bloco socioambiental e econômico da Pan-Amazônia, reunindo oito países (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela) para promover o desenvolvimento sustentável e a conservação ambiental da Pan-Amazônia. O órgão teria em essência a função primeira de implementar o Tratado de Cooperação Amazônica (TCA), de 1978, focado na gestão florestal, recursos hídricos, povos indígenas, monitoramento ambiental e no estabelecimento de prioridades científicas.

Tudo ao abrigo da Comissão Coordenadora Regional de Pesquisas da Amazônia (Corpam) criada em 1989 e orientada para definir diretrizes, alocação de recursos e acompanhamento da execução do Programa do Trópico Úmido (PTU) com o fim de propiciar maior articulação entre as instituições de pesquisa da região tendo em vista a identificação de oportunidades de cooperação sobre programas prioritários estruturados na biodiversidade e energias alternativas. 37 anos depois não se ouve mais falar no assunto.

Se, de um lado, ações planejadas desde a Rio 92 arrimadas nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentado (ODS) – Agenda 2030, da ONU, não avançam (Conamaz, Corpam, OTCA, PTU perderam-se pelo caminho), novos planos são elaborados, mesmo havendo em estoque outros na mesma direção, que não decolam. Como mantêm-se inertes, editam-se novos, com o mesmo destino: mofar nos implacáveis e impenetráveis escaninhos dos arquivos mortos de Brasília.

Nesse meio tempo, axiomaticamente, nada mudou, nem, ao que se há de intuir, haverá de mudar. O homem amazônico, acostumado a esse desprezo, mesmo assim deixa-se iludir por falsas promessas repetidas friamente por sucessivos governos. A conclusão das obras da rodovia BR-319, a Manaus-Porto Velho – hoje disputada por diversos pretensos padrinhos -, é o mais recente e contundente exemplo desse desprezo a que a Amazônia é relegada desde a redemocratização de 1985.

Leia também: Terras degradadas na Amazônia: Inpa e Shell Brasil dão importante passo para o resgate desse passivo

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Comando Conjunto Harpia intensifica presença das Forças Armadas na Amazônia

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Foto: Equipe de Comunicação Social da Operação Ágata Amazônia

O Ministério da Defesa, por meio do Comando Conjunto Harpia, intensificou uma série de ações na região amazônica durante a Operação Ágata Amazônia 2026. As atividades ocorrem em uma extensa área da Amazônia Ocidental, reforçando a presença do Estado brasileiro na faixa de fronteira e em regiões estratégicas.

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A operação reúne cerca de 1.638 militares das três Forças Armadas, que atuam de forma conjunta em ações voltadas à vigilância, ao controle territorial e ao enfrentamento a ilícitos.

A Operação Ágata Amazônia 2026 conta, ainda, com participação de agentes da Polícia Federal, da Polícia Militar do Estado do Amazonas, do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), ampliando o alcance das ações e contribuindo para maior efetividade no enfrentamento aos desafios da região.

Comando Conjunto Harpia
Foto: Equipe de Comunicação Social da Operação Ágata Amazônia

A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta do Estado diante de crimes ambientais e transfronteiriços, além de fortalecer a soberania nacional em áreas de difícil acesso, e reforçar a assistência e apoio às populações indígenas e ribeirinhas da região.

Além das atividades de fiscalização e repressão, são realizadas Ações Cívico-Sociais (ACISO) e de Assistência Hospitalar (ASSHOP) junto às comunidades locais, onde são ofertados atendimentos de saúde e serviços essenciais a comunidades indígenas e ribeirinhas, contribuindo para a promoção da cidadania em localidades remotas.

A complexidade logística da operação exige o emprego coordenado de meios fluviais, terrestres e aéreos. A Força Naval Componente do Comando Conjunto Harpia atua com Navios-Patrulha Fluviais, Navios de Assistência Hospitalar, Barca Oficina, Navio Hidroceanográfico Fluvial, embarcações blindadas, além de outros meios navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais, fundamentais para a navegação nos rios da região.

Foto: Equipe de Comunicação Social da Operação Ágata Amazônia

A Forças Terrestres Componentes do Comando Conjunto Harpia atuam no emprego de tropas totalmente especializadas em operações no ambiente de selva, com aeronaves de asa rotativa e sistemas avançados de monitoramento.

Já a Força Aérea Componente do Comando Conjunto Harpia realiza o controle do espaço aéreo com aeronaves de reconhecimento e defesa, apoiando as ações conjuntas em toda a área de operação.

A Força de Operações Ribeirinhas Componente do Comando Conjunto Harpia reúne cerca de 350 militares e emprega meios navais, aeronavais e de Fuzileiros Navais, realizando ações de controle fluvial, patrulhamento de navegação, vigilância e reconhecimento nos principais eixos hidroviários, além de ações humanitárias.

O Comando Conjunto conta, ainda, com um Destacamento Conjunto de Guerra Cibernética, cuja principal função é executar ações de proteção do espaço cibernético contra ameaças.

A Operação Ágata Amazônia 2026 dá continuidade às edições anteriores e se consolida como uma das principais iniciativas do Ministério da Defesa voltadas à proteção da Amazônia. O Comando Conjunto Harpia mantém o foco na presença coordenada do Estado, no combate a ilícitos transfronteiriços, na preservação ambiental e no apoio às populações locais.

“Harpia”

O Comando Conjunto da Operação Ágata Amazônia 2026 foi denominado “Harpia” em alusão à ave de rapina símbolo da Amazônia, a Harpia (Harpia harpyja), conhecida por sua força, precisão e domínio sobre o território em que atua.

A escolha do nome reflete o propósito da operação de intensificar a vigilância e a proteção das fronteiras e dos recursos naturais, com atuação firme, estratégica e integrada das Forças Armadas.

Assim como a harpia exerce controle sobre o ambiente em que vive, o Comando Conjunto busca reafirmar a presença do Estado brasileiro na região amazônica, coibindo ilícitos e garantindo a soberania nacional com eficiência e imponência.

*Com informação da Equipe de Comunicação Social da Operação Ágata Amazônia 2026 – Comando Conjunto HARPIA

Em simulação de mudanças climáticas, plantas da Amazônia se reestruturam para absorver nutrientes

Artigo destaca a importância da continuidade de estudos sobre o fenômeno conhecido como fertilização por CO₂. Foto: Dado Galdieri/Acervo pesquisadores

Um experimento que simula o futuro do aumento das concentrações de CO₂ atmosférico em plena Amazônia, revela comportamento organizado, competitivo e resiliente da floresta nesse cenário com maior presença do gás, que agrava o efeito estufa, e com solo escasso em fósforo – importante nutriente da flora nativa. Publicadas em artigo na revista Nature Communications, as constatações reforçam a importância do bioma no combate às mudanças do clima.

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Em condições adversas, as raízes das plantas situadas na serrapilheira ficaram mais longas e finas. As raízes fixadas no solo tiveram aumento de colonização por fungos, o que pode influenciar a competição entre plantas e microorganismos pelos recursos disponíveis.

plantas da Amazônia
Área do experimento na Amazônia brasileira. Foto: Nathielly Martins

Saiba mais: Portal Amazônia responde: como funciona o CO₂ na atmosfera?

Ao longo de dois anos, a partir de 2019, os pesquisadores puderam coletar informações de um sub-bosque da Amazônia, com árvores de até três metros de altura, que são submetidas ao aumento da concentração de dióxido de carbono, o CO₂, por câmeras de topo aberto. O experimento é realizado pelo programa AmazonFACE, vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI).

O programa é uma parceria dos governos brasileiro e britânico, sediado no Instituto Nacional de Pesquisa (INPA) e co-coordenado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Localizada a 70 quilômetros de Manaus, a iniciativa existe desde 2014; no final de 2023 o experimento com a câmara de topo aberto foi encerrado e em maio de 2026 o experimento FACE, com enriquecimento de CO2 ao ar livre, iniciará.

Área do experimento na Amazônia brasileira. Foto: Nathielly Martins

Um estudo anterior no mesmo experimento revelou que as plantas aumentaram substancialmente o seu crescimento por conta das adaptações, resultando em aumento da assimilação do carbono em 67% e em aumento do diâmetro do caule em 65%. Os resultados acumulados até o momento apontam para uma “fertilização por CO₂”, fenômeno que ainda precisa ser aprofundado, segundo o artigo.

Assim, a pesquisa mostra que tanto plantas quanto microrganismos se reorganizaram rapidamente para absorver nutrientes diante do cenário atípico.

“Essa rápida adaptabilidade da comunidade de plantas, investindo em múltiplas estratégias para aquisição de nutrientes, reforça a importância da interação com o fósforo para a possível capacidade da floresta de continuar atuando como um sumidouro de carbono e resiliência da floresta frente às mudanças climáticas”, explica Nathielly Martins, autora principal do estudo.

Figura sintetiza efeitos da variação de concentração de CO2 e da disponibilidade de nutrientes nas raízes

Para a autora, o estudo contribui para o entendimento de cenários climáticos futuros em todo o planeta. No entanto, a Amazônia é um dos biomas mais afetados por extremos climáticos nos últimos anos, como secas e alagamentos.

“Os resultados observados até o momento são únicos e nos guiarão para uma melhor compreensão da floresta amazônica como um todo em resposta às mudanças climáticas”, conclui Martins.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori

Fábrica de gelo fortalece pesca artesanal em comunidade ribeirinha no Amazonas

Gelo é produzido com ajuda de energia solar. Foto: Rodolfo Pongelupe/FAS

Uma solução inovadora, baseada em energia solar e desenvolvida a partir de uma demanda da própria comunidade, começa a transformar a realidade de pescadores e empreendedores na comunidade Santa Helena do Inglês, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, no município de Iranduba, Amazonas. O projeto Gelo Caboclo permite a produção local de gelo, reduzindo custos logísticos, evitando desperdícios e fortalecendo a economia da região.

Antes da iniciativa, pescadores precisavam se deslocar até Manaus para adquirir gelo, enfrentando altos custos com combustível, tempo de viagem e perdas durante o transporte. Em muitos casos, o investimento era comprometido antes mesmo da comercialização do pescado.

“É muito importante ter essa fábrica de gelo aqui, tanto para os pescadores quanto para os empreendedores, donos de pousadas e do barco turístico que frequentam a região. Antes, o pescador precisava ir até a cidade, gastava com combustível e perdia até dois dias nesse deslocamento. Muitas vezes, o gelo começava a derreter no trajeto e, se ele não conseguisse pescar, o investimento de R$ 800 a R$ 1.200 era perdido”, explica Demétrio Júnior, comunitário e empreendedor da fábrica.

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Com a produção local, a lógica da atividade mudou. Agora, os pescadores das comunidades próximas podem primeiro capturar o pescado e, só depois, adquirir o gelo necessário para armazená-lo e transportá-lo.

O projeto está sendo executado pela FAS e conta com o apoio da Positivo Tecnologia, por meio do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) — política pública da Suframa, coordenada pelo Idesam, além da parceria da UCB Power e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema/AM).

A iniciativa impacta diretamente a cadeia produtiva do pescado, especialmente do jaraqui, espécie fundamental para a alimentação e a geração de renda na região. Também fortalece outras atividades econômicas, como o turismo e o comércio local.

Leia também: A importância econômica do gelo na Amazônia

gelo fabricado na RDS Rio Negro
Foto: Fabíola Sinimbu/Agência Brasil

O líder comunitário Nelson Brito destaca que o projeto já abre novas perspectivas para o futuro da comunidade.

“Quando um projeto começa a funcionar, ele abre um leque de oportunidades. A expectativa era grande e, hoje, ele já atende tanto a cadeia do pescado quanto o turismo e a agricultura familiar. A gente já pensa em avançar, futuramente armazenando também o peixe, para dar continuidade ao empreendimento”, afirma.

Com capacidade média de produção de cerca de uma tonelada de gelo por dia, a fábrica opera com água de poço artesiano exclusivo e energia gerada por uma usina solar dedicada, garantindo qualidade e autonomia no funcionamento. A estrutura também conta com câmara fria e espaço de armazenamento, permitindo atender à demanda mesmo em períodos de maior atividade pesqueira.

Além dos pescadores, o projeto atende empreendedores locais e embarcações turísticas que circulam pela região. “Hoje, os barcos turísticos já não precisam trazer gelo de Manaus, eles compram aqui. Isso gera renda para quem trabalha na fábrica e fortalece a economia da comunidade como um todo”, reforça Demétrio.

Fábrica de gelo já impacta comunidade

Atualmente, duas pessoas atuam diretamente na operação da fábrica, mas os impactos da iniciativa já alcançam mais de 200 famílias, totalizando cerca de 600 pessoas ligadas à cadeia produtiva da pesca, do turismo e do comércio no entorno da fábrica.

Valcléia Lima, superintendente-geral adjunta da FAS, destaca que o diferencial da iniciativa está no protagonismo local.

“O diferencial desse projeto está na gestão comunitária. Ele nasce de uma demanda da própria comunidade e só se sustenta com compromisso e continuidade. Além de fortalecer a geração de renda, é uma iniciativa com impacto social e ambiental, ao usar energia renovável e contribuir para a descarbonização da Amazônia”, explica. 

“Tão importante quanto a infraestrutura e a tecnologia envolvidas no projeto é garantir um plano de negócio viável e conectado à realidade local. A FAS tem atuado para amadurecer esse processo com educação financeira, mentorias de gestão e apoio estratégico ao empreendedor comunitário. Os impactos já são visíveis, especialmente na redução dos custos com a produção local de gelo, o que fortalece a bioeconomia na Amazônia”, destaca Wildney Mourão, gerente do programa de empreendedorismo da FAS.

A iniciativa também reforça o papel da inovação com propósito na bioeconomia amazônica. “Uma inovação sem propósito, sem melhorar a vida das pessoas, é uma inovação vazia. E aqui a gente vê, na prática, o impacto dessa solução. Muitas vezes não pensamos em toda a cadeia e nas dificuldades envolvidas para que o peixe chegue até nós. A bioeconomia vem justamente para fortalecer essas soluções e melhorar a vida de todos”, destaca Karol Barbosa, gestora de projetos do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) do Idesam.

Para Thiago Mendes Boutin,  Líder Técnico de PD&I da Positivo Tecnologia, iniciativas como essa mostram o potencial da tecnologia aplicada a contextos reais. “Esse tipo de projeto é muito importante porque nos permite ver de perto o impacto na vida das pessoas. A gente tem muito orgulho de participar e, junto com a FAS e o Idesam, é muito gratificante acompanhar as melhorias que estão sendo geradas na comunidade”, afirma.

Com impactos diretos sobre a pesca artesanal, o turismo e a economia local, o Gelo Caboclo mostra como soluções pensadas a partir da realidade das comunidades podem reduzir perdas, gerar renda e fortalecer a bioeconomia na Amazônia.

*O texto foi publicado originalmente no site do Fas Amazônia

Amazonas é o primeiro estado do Brasil com 100% de acesso à TV pública gratuita

Foto: Renate Köppel por Pixabay

Com mais de 4,3 milhões de habitantes, o Amazonas é o primeiro estado do Brasil a ter 100% dos seus 62 municípios com acesso aos canais públicos de forma gratuita e com imagem digital de qualidade. Durante agenda em Manaus (AM), no dia 29 de abril, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, participou da cerimônia de inauguração de estações de TV digital em 10 municípios, que celebrou a universalização do sinal.

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O evento também contou com a presença do conselheiro diretor da Anatel, Octavio Pieranti; do diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), David Butter; e do presidente do Sistema Encontro das Águas (TV e Rádio), Oswaldo Lopes.

O ministro Frederico de Siqueira Filho ressaltou que levar a comunicação pública ao estado do Amazonas foi prioridade, diante dos desafios logísticos e territoriais.

“Só o Governo do Brasil pode fazer com que a gente consiga chegar a 100% dos municípios do estado. Foi priorizado o recurso para que conseguíssemos fortalecer a infraestrutura, não só da comunicação pública, mas também da infraestrutura digital, para melhorar a comunicação como um todo no estado do Amazonas”, reforçou.

Segundo o ministro, levar investimentos para o interior do Brasil é diferente das grandes capitais. “Esse é o propósito do Ministério das Comunicações e do governo do presidente Lula: fazer com que a comunicação e a infraestrutura digital cheguem aos cantos e recantos do Brasil. E a gente sabe que a radiodifusão é a forma mais séria de fazer jornalismo e comunicar o Brasil”, ressaltou Frederico de Siqueira Filho.

“O Amazonas tem uma geografia específica, que impôs desafios logísticos, mas conseguimos superá-los. Essa iniciativa só é possível graças ao programa Brasil Digital, que é crucial para a comunicação pública viver a maior expansão da história”, ressaltou o conselheiro diretor da Anatel, Octavio Pieranti.

Durante agenda no Amazonas, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, celebrou o avanço na democratização do acesso à informação, educação, saúde e cidadania.
Foto: Peter Neylon/MCom

Acesso nos 62 municípios do Amazonas

Esta entrega do Ministério das Comunicações reforça que o Brasil avança com consistência, levando desenvolvimento, informação e oportunidade onde antes não chegavam.

“Vamos continuar a expandir a infraestrutura digital, fortalecer a comunicação pública e garantir que a conectividade chegue a todos os brasileiros, respeitando as particularidades de cada região e atendendo às aspirações da população”, reiterou o ministro das Comunicações.

Leia também: 8 comerciais que marcaram a TV no Amazonas; você lembra?

Emocionado, o presidente do Sistema Encontro das Águas (TV e Rádio), Oswaldo Lopes, afirmou que este é um momento histórico para o estado. “O Amazonas, a partir de hoje, tem o sinal aberto nos 62 municípios. Isso é resultado de muito trabalho conjunto para deixar o Brasil, o Amazonas, assistindo ao sistema público de comunicação”, destacou.

Para o diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), David Butter, esta entrega não é apenas um feito técnico, mas uma conquista política, social e federativa. “A EBC tem muito orgulho de fazer parte deste processo, porque expandir o sinal significa também ampliar direitos, garantir acesso à informação de qualidade, fortalecer a cidadania, a educação, a cultura, a transparência pública e a integração nacional”, defendeu.

Todas as ações e o impacto direto na população amazonense integram o programa Brasil Digital, coordenado pelo MCom e implementado em parceria com a Anatel. Além dos conteúdos educativos e culturais da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), que inclui a TV Brasil e a TV Encontro das Águas, o Canal Gov, o Canal Educação e o Canal Saúde, a população passará a contar também com a multiprogramação da Rede Legislativa (TV Câmara, TV Senado e TV Assembleia).

Para a universalização do sinal no Amazonas, Pieranti destacou que foram necessárias 24 balsas, que transportaram 10 torres desmontadas, 20 transmissores, mais de 1 quilômetro de linha de transmissão e diversos equipamentos, pesando cerca de 10 toneladas, ao longo de mais de 4 mil quilômetros navegados.

Com o sinal universalizado da Rede Nacional de Comunicação Pública em todo o estado, qualquer pessoa com uma televisão e uma antena comum consegue sintonizar os novos canais. O telespectador não precisa de internet, cabo ou pagar mensalidade. Antes da universalização, moradores de cidades pequenas ou isoladas do Amazonas ficavam sem acesso aos canais públicos na TV aberta.

*Com informações do Ministério das Comunicações

Pará lidera produção de cacau no Brasil e concentra mais de 50% da riqueza do setor

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Pará consolidou-se como o principal eixo da cacauicultura brasileira, superando a participação histórica da Bahia. Segundo o estudo ‘O Contexto Ambiental e Econômico do Cacau 2026’, publicado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o Estado agora responde por 50,6% do valor total da produção nacional. O momento é de forte dinamismo: entre 2023 e 2024, o valor real da produção no País saltou 208,3%, impulsionado pela valorização dos preços e pela eficiência das lavouras paraenses.

Em termos de volume, o Pará também assumiu a dianteira, sendo responsável por 46,2% da produção nacional em 2024 (cerca de 300 mil toneladas), enquanto a Bahia concentrou 46,1%. O desempenho é puxado por municípios como Medicilândia, Uruará e Placas, na Região de Integração do Xingu, considerados os principais municípios produtores da fruta, com destaque nas primeiras posições do ranking da produção cacaueira no País.

A produção apresenta trajetória de expansão estrutural, especialmente, quando considerada a evolução da participação nacional e do valor gerado, observando também ganhos de produtividade no longo prazo. 

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O diretor de Estudos e Pesquisas da Fapespa, Márcio Ponte, destaca a mudança de protagonismo: “Para se ter ideia, quando se fala de cacau, muitas das vezes a referência nacional é a Bahia. Só que o Pará já superou a Bahia no volume de produção. Hoje, nós somos responsáveis por 46,2% da produção, enquanto a Bahia é responsável por 46,1% da produção. Mas, em se tratando da riqueza gerada pela atividade o cacau e cultura, o Pará representa mais de 50% da riqueza produzida em território nacional”, pontuou.

Exportações e mercado internacional

O cacau paraense também ganhou o mundo. Em 2025, as exportações de amêndoas brutas cresceram impressionantes 281,7%. O Japão consolidou-se como o maior comprador, absorvendo 94,6% do total exportado pelo Estado. Além do volume, a qualidade reflete no preço: o cacau do Pará atingiu a marca de US$ 12,0/kg no mercado externo, valor superior à média nacional de US$ 10,3/kg.

cacau
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

Sustentabilidade e reflorestamento

Para além da economia, a cultura do cacau tem papel estratégico na agenda climática. O estudo revela que a área reflorestada com a espécie no Pará saltou de 38 mil para 165 mil hectares entre 2000 e 2024. Esse avanço permitiu que a captura de CO₂ pelo cultivo chegasse a 19,8 mil toneladas anuais.

Leia também: Origem amazônica do cacau é comprovada por meio de DNA e revela forte rede de comércio pré-colombiana

Com esses indicativos, o cacau consolidou-se como uma atividade estratégica para o desenvolvimento regional paraense, com uma produção em expansão, ganhos de produtividade e crescente inserção nos fluxos comerciais. O Estado tornou-se a principal referência da cacauicultura brasileira, com uma participação crescente na produção e no valor gerado no contexto nacional.

*Por Manuela Oliveira, da Fapespa

Você sabia que as abelhas “dançam” para se comunicar?

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Foto: Emersom Martins/Sepror AM

Além de essenciais para a manutenção da vida no planeta, as abelhas tem um complexo sistema de organização e  diferentes formas de comunicação entre si e que variam de acordo com as espécies. 

Para orientar outras abelhas campeiras sobre localização de alimentos, elas… “dançam”. “Já outras fazem movimentos com as asas e algumas fazem algum tipo de barulho”, explica a agrônoma Wilza Pinto, pesquisadora da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

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Segundo a pesquisadora, essa são estratégias de comunicação importantes para a sobrevivência das espécies e das colônias.

“Com esses movimentos, elas transmitem informações entre si sobre onde estão as fontes de alimento, incluindo a disponibilidade, a localização exata e o cheiro”, diz. 

A coreografia e os movimentos conseguem transmitir com exatidão a localização. “Funciona como se fosse um gps”, diz Wilza Pinto.

Treme! Treme!

A pesquisadora explica que as espécies com ferrão Apis mellifera fazem movimentos circulares para informar para o restante de suas companheiras de ninho a localização da fonte de alimento.

“Já as abelhas sem ferrão, ou nativas podem se comunicar por meio de vibrações, assim como a Apis mellifera também faz. Elas literalmente fazem um treme-treme. Quanto mais intensa a vibração, maior a qualidade do alimento”.

abelhas
Foto: Ronaldo Rosa/Embrapa

E ainda há um terceiro grupo, conhecidas como mamangavas-de-chão, que produzem sons para transmitir informações.

Leia também: Estudo estimula criação de abelhas sem ferrão na Amazônia

Preservação das abelhas

Essas pequenas dançarinas são essenciais para a vida no planeta. Estima-se que mais de 90% das plantas com flores dependem de polinizadores animais. Esses polinizadores estão distribuídos em 250 espécies, destes 87% são abelhas.

Wilza Pinto alerta que algumas espécies vegetais somente as abelhas polinizam. E que a relação entre esses insetos e as flores é de mutualismo, ou seja, ambas as espécies se beneficiam da interação.

“É importante preservar a vegetação primeiro para que as abelhas tenham condições de sobrevivência e vice-versa já que existe mutualismo na relação. Preservar o meio ambiente significa preservar todos os seres nele presente”.

*Com informações da Universidade Federal Rural da Amazônia

Projeto do Amapá avança em pesquisa com nanomateriais de aplicação ambiental

Proposta coordenada por Robert Saraiva Matos recebe nota máxima no LNNano/CNPEM e será executada em 2026. Foto: Divulgação/Unifap

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) teve uma proposta de pesquisa aprovada no Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). Intitulado ‘Precursor-Driven Defect-Morphology Interplay in Eco-Friendly CeO2 Nanostructures‘, o projeto é coordenado pelo professor Robert Saraiva Matos e foi aceito para execução no período de junho a julho de 2026. Na avaliação final, a proposta recebeu nota máxima: 5.

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A pesquisa investiga nanoestruturas de dióxido de cério (CeO₂), um material estratégico para aplicações industriais e ambientais. Em termos mais simples, a pesquisa busca compreender como a “química dos precursores” (ou seja, das substâncias usadas na etapa inicial da síntese) influencia a forma das nanopartículas, a presença de defeitos cristalinos e o estado químico do cério no material.

Esses fatores são decisivos porque controlam o desempenho catalítico e fotocatalítico do CeO₂, especialmente em processos ligados à degradação de poluentes.

Leia também: Nanopartículas: café verde possui potencial nas indústrias cosmética e alimentícia, aponta pesquisa de Mato Grosso

A proposta prevê o uso de técnicas avançadas de microscopia eletrônica, como HRTEM, SAED, STEM-EDS e EELS, capazes de revelar detalhes em escala nanométrica e até atômica. Com isso, será possível confirmar a evolução morfológica das partículas, identificar defeitos como deslocações e falhas cristalinas, além de mapear variações locais na razão Ce4+/Ce3+, aspecto central para entender a reatividade do material.

Pesquisa sustentável

O objetivo final é construir um modelo que conecte estrutura, defeitos e função, estabelecendo bases para o desenvolvimento de catalisadores mais eficientes e sustentáveis.

“Essa aprovação no LNNano/CNPEM é muito importante porque permitirá investigar, em escala nanométrica e atômica, aspectos que não conseguimos observar com as técnicas convencionais já utilizadas no laboratório. Nosso foco é entender como a síntese ecológica do CeO₂ influencia sua estrutura interna e, consequentemente, seu desempenho em aplicações ambientais, especialmente na degradação de poluentes. É um passo relevante para consolidar pesquisas de alto nível na UNIFAP e ampliar a inserção da universidade em redes nacionais de infraestrutura científica avançada”, explica o professor.

Projeto do Amapá avança em pesquisa com nanomateriais de aplicação ambiental
Foto: Reprodução/LNnano

Resultados preliminares já indicam que pequenas mudanças nas condições de síntese podem produzir diferenças importantes no desempenho fotocatalítico. Entre as amostras analisadas no projeto, uma delas atingiu 97% de degradação de azul de metileno em 270 minutos, superando outras formulações estudadas. Isso reforça a relevância de investigar, com maior precisão, como vacâncias de oxigênio, deformações locais da rede cristalina e exposição de facetas específicas influenciam a eficiência do material.

No parecer final, o comitê de avaliação destacou que a proposta apresenta escopo claro, boa fundamentação científica, objetivos consistentes e alinhamento com o estado da arte. Também ressaltou que a abordagem integrada por microscopia eletrônica é promissora para elucidar a relação entre química do precursor, morfologia, defeitos cristalinos e funcionalidade catalítica, considerando o projeto cientificamente sólido e tecnicamente viável.

“Além do avanço científico, a aprovação representa uma oportunidade importante de fortalecimento da pesquisa em materiais na UNIFAP, ao viabilizar acesso a infraestrutura de alta complexidade e formação técnica em microscopia eletrônica avançada”, disse o pesquisador.

O projeto conta ainda com a colaboração do professor Nilson dos Santos Ferreira, da Universidade Federal de Sergipe.

*Com informações da Unifap

Primeiro trimestre de 2026 fecha com queda de 17% no desmatamento da Amazônia

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Foto: Reprodução/Greenpeace

O primeiro trimestre de 2026 fechou com queda de 17% no desmatamento da Amazônia. Conforme dados do instituto de pesquisa Imazon, a derrubada da floresta entre janeiro e março passou de 419 km² no ano passado para 348 km² neste ano, o que representa uma diferença de aproximadamente 7 mil campos de futebol.

Além disso, no acumulado do chamado “calendário do desmatamento”, período que por causa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, a redução na derrubada da floresta está ainda maior.

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Nos oito primeiros meses do calendário, entre agosto de 2025 e março de 2026, o desmatamento caiu 36%, passando de  2.296 km² para 1.460 km², a menor área destruída no período dos últimos oito anos, desde 2017.

Primeiro trimestre de 2026 fecha com queda de 17% no desmatamento da Amazônia

Apesar das quedas no trimestre e no calendário, o mês de março apresentou um aumento de 17% no desmatamento, passando de 167 km² em 2025 para 196 km² em 2026. Segundo a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim, o dado exige atenção nos próximos meses. “Esse aumento pontual serve de alerta para que governos intensifiquem ainda mais suas ações de combate à derrubada ilegal, com fiscalização e punição aos responsáveis. Além disso, também é importante fortalecer iniciativas de bioeconomia e de geração de renda com a floresta em pé, além de destinar áreas ainda sem uso definido para a conservação”, destaca.

O pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr. ainda destaca que a derrubada da floresta contribui diretamente para o agravamento das mudanças climáticas, seja pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa ou pela perda da biodiversidade. “Além disso, o desmatamento contribui para o agravamento das mudanças climáticas. Conter a derrubada da Amazônia é uma forma direta de reduzir esses impactos”, explica.

APA Triunfo do Xingu foi a unidade de conservação mais desmatada

No recorte do calendário do desmatamento, Mato Grosso, Roraima e Pará lideram a devastação florestal. Além disso, Roraima foi o único estado a registrar elevação nos números quando comparado com o período anterior, passando de 184 km² para 222 km², uma variação de 21%. 

EstadoAgosto de 2024 a Março de 2025Agosto de 2025 a Março de 2026Variação (%)
Mato Grosso433270-38%
Roraima18422221%
Pará892425-52%
Amazonas335219-35%
Maranhão6056-7%
Rondônia9469-27%
Acre282193-32%
Tocantins93-67%
Amapá74-43%

Já entre os dez municípios com maior área afetada, três estão no Acre,enquanto dois se localizam em Mato Grosso, dois no Pará, outros dois em Roraima e um no Amazonas. 

Município UF Desmatamento entre agosto de 2025 a março de 2026 (km²) 
Caracaraí RR 84,09 
Feijó AC 43,49 
Rorainópolis RR 42,38 
Colniza MT 38,52 
São Félix do Xingu PA 37,29 
Tarauacá AC 32,28 
Nova Ubiratã MT 32,26 
Rio Branco AC 26,07 
Portel PA 23,28 
CanutamaAM22,79

No caso das Unidades de Conservação, a distribuição também evidencia concentração territorial: quatro estão situadas no Acre e outras quatro total ou parcialmente no Pará. O principal destaque é a Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, localizada em São Félix do Xingu, que ocupa a primeira posição no ranking e, sozinha, concentra uma área equivalente à perda de mais de três mil campos de futebol. A unidade responde por mais de 95% da área desmatada dentro do município, que aparece como o quinto mais desmatado da Amazônia no período, entre agosto de 2025 e março de 2026.

Segundo a pesquisadora do Imazon Manoela Athaide, a concentração em territórios específicos reforça a necessidade de ações direcionadas. “A dinâmica observada indica que é fundamental priorizar esforços nessas localidades mais pressionadas, com estratégias contínuas de fiscalização para conter o avanço da derrubada”, afirma.

Unidade de ConservaçãoUF Desmatamento entre agosto de 2025 e março de 2026 (km²) 
APA Triunfo do Xingu PA 35,52 
RESEX Chico Mendes AC 12,61 
FES do Rio Gregório AC 4,48 
RESEX Alto Juruá AC 4,14 
RESEX Guariba-Roosevelt MT 4,03 
RESEX Rio Preto-Jacundá RO 3,57 
FES do Paru PA/AP 3,54 
FES do Mogno AC 3,12 
APA das Reentrâncias Maranhenses PA/MA 2,42 
APA do Lago de Tucuruí PA 2,23 

Degradação florestal atinge menor nível em mais de uma década

A degradação florestal na Amazônia somou 11 km² em março de 2026, o que representa uma redução de 95% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O resultado também foi o menor já registrado para março nos últimos onze anos, desde 2014, indicando uma diminuição significativa desse tipo de impacto sobre a floresta.

Diferente do desmatamento, que corresponde à remoção total da cobertura vegetal, a degradação ocorre quando a floresta sofre danos parciais causados por fatores como queimadas e exploração madeireira. Mesmo sem a retirada completa da vegetação, essas alterações comprometem a integridade do ecossistema, reduzem a biodiversidade e aumentam a vulnerabilidade da área às mudanças climáticas e ao desmatamento.

Roraima concentrou 82% de toda a área degradada registrada em março de 2026, liderando esse tipo de ocorrência no período. Esse resultado pode estar associado às particularidades climáticas do estado: enquanto o início do ano costuma ser mais chuvoso em grande parte da região, em Roraima predomina uma estação mais seca, o que favorece o avanço de atividades que causam danos à floresta.

Essa redução acompanha também o calendário do desmatamento, onde caiu 93% quando comparada com o ciclo anterior. “A queda nos índices de degradação representa um sinal relevante de melhora, mas ocorre após um período crítico: de agosto de 2024 a julho de 2025 registramos o maior nível já observado na série histórica. Esse cenário reforça a necessidade de vigilância contínua para evitar que picos como esse voltem a se repetir e comprometam ainda mais a integridade da floresta”, observa Raissa Ferreira, pesquisadora do Imazon.

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*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Imazon

Dira Paes recebe título de Doutora Honoris Causa da UFPA por valorização da identidade amazônica

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Foto: Reprodução/Instagram-dirapaes

A Universidade Federal do Pará (UFPA) realizará, no dia 7 de maio, a sessão solene de outorga do título de Doutora Honoris Causa à atriz, diretora e apresentadora paraense Dira Paes. A cerimônia é aberta à comunidade acadêmica e público em geral e ocorrerá a partir das 10h, no Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN), com transmissão ao vivo pelo canal da UFPA no YouTube.

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A concessão da honraria foi aprovada de forma unânime pelo Conselho Universitário (Consun), instância máxima deliberativa da UFPA.

Na proposta encaminhada pelo curso de Cinema e Audiovisual, da Faculdade de Artes Visuais (FAV), evidencia-se a relevância da trajetória da atriz nos âmbitos artístico e cultural, reconhecendo Dira Paes como agente comprometida com diversas questões que permeiam a contemporaneidade.

A artista construiu, ao longo de mais de quatro décadas, uma carreira de projeção nacional e internacional, com atuação no cinema, televisão e teatro.

Dira Paes recebe título de Doutora Honoris Causa da UFPA por valorização da identidade amazônica
Foto: Reprodução/Instagram-dirapaes

Dira Paes

Abaetetubense, Dira Paes é destaque por sua contribuição à valorização das identidades amazônicas e por sua atuação em defesa das populações tradicionais, da proteção ambiental e dos direitos humanos. Além disso, a presença da atriz em produções audiovisuais brasileiras tem contribuído para ampliar as representações da Amazônia, sobretudo ao quebrar os estereótipos relacionados à região.

A outorga do título também simboliza um marco na história da UFPA, ao reconhecer, pela primeira vez, uma profissional das artes cênicas com essa distinção. Tal legitimação reafirma o papel das artes como campo fundamental para a produção de saberes e reforça que, para além dos espaços acadêmicos formais, o conhecimento também se constrói a partir de múltiplas experiências, linguagens e práticas sociais. 

Leia também: Verdade “nua e crua”: 5 filmes que mostram a realidade da região amazônica

Doutor Honoris Causa 

O título de Doutor Honoris Causa constitui a mais alta distinção concedida pela Universidade Federal do Pará a personalidades que tenham se destacado por sua contribuição relevante à sociedade, à ciência, à cultura ou às artes. Prevista no Estatuto e outorgada pelo Consun, a honraria reconhece trajetórias que, mesmo fora do âmbito acadêmico tradicional, produzem impactos significativos na produção de conhecimentos. 

Na UFPA, a concessão do título remonta à década de 1960 e é atribuída a partir de criterioso processo de análise institucional, que envolve proposição de unidades acadêmicas, apreciação técnica e deliberação final nas instâncias superiores.

*Com informações da UFPA