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Cinco locais para observar aves e outros animais no Amazonas

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Parque Nacional do Jaú, em Novo Airão, é um dos locais onde é possível observar animais amazônicos. Foto: Josângela Jesus/ICMBio

O estado do Amazonas possui grande diversidade de áreas de floresta abertas para visitação, onde é possível conhecer parte da fauna amazônica em seu habitat natural. Entre unidades de conservação (UCs), reservas particulares e espaços construídos para fins de ecoturismo, atividades como trilhas, passeios ecológicos, caminhadas e atividades específicas de observação de animais ocorrem diariamente, principalmente durante o dia.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Os passeios estão disponíveis tanto em Manaus quanto em outros municípios do estado. Confira cinco locais onde é possível conhecer a fauna amazônica e participar de atividades de ecoturismo disponíveis para os visitantes:

Museu da Amazônia (Musa) – Manaus

O Museu da Amazônia (Musa) ocupa uma área de 100 hectares dentro do Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. Funciona como um museu a céu aberto, reunindo exposições com dados de pesquisas sobre a fauna e flora do local e sete trilhas abertas para passeio diariamente, entre 8h30 e 16h, exceto às quartas-feiras.

Um dos principais atrativos do Musa é a torre de observação de aves, com plataformas a 14, 28 e 42 metros de altura. Lá, visitantes podem levar seus binóculos e equipamentos de fotografia para registrar a fauna e a flora entre 9h às 17h, com visitas especiais para observar o nascer ou o pôr-do-sol mediante agendamento.

Cinco locais para observar aves e outros animais no Amazonas
Torre de observação do Museu da Amazônia. Foto: Rubenaldo Ferreira/Musa

Reserva Particular do Patrimônio Natural Daisaku Ikeda – Manaus

A Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN Daisaku Ikeda) é um espaço de 52 hectares de mata preservada em frente ao Encontro das Águas, onde as águas dos Rio Negro e Rio Solimões se encontram sem se misturar em um trecho de aproximadamente 6km.

O espaço pertence ao Instituto Soka Amazônia, que também promove atividades de turismo no local como caminhadas de observação de aves, passeios ecológicos e trilhas guiadas. Além dos passeios, a reserva também abriga exposições arqueológicas, um viveiro e um mirante com vista para o Encontro das Águas. As visitas devem ser agendadas, e o espaço funciona de segunda a sexta-feira, entre 8h30 e 15h30.

Observação de aves é um dos atrativos dos passeios na RPPN Daisaku Ikeda. Foto: Odette Gonçalves de Araujo/Instituto Soka

Floresta Nacional de Tefé – Tefé

A Floresta Nacional de Tefé é uma Unidade de Conservação (UC) de 865 mil hectares que existe desde 1989, mas passou a fazer parte do catálogo de destinos de turismo de base comunitária apenas nos últimos anos.

Somente na área da floresta, cerca de 1.300 espécies de aves estão catalogadas, além de répteis e mamíferos que podem ser observados e fotografados durante passeios.

Atividades como trilhas interpretativas, caminhadas de observação de aves e visitas a comunidades ribeirinhas são organizadas principalmente pela Associação de Produtores Agroextrativistas da Flona de Tefé e entorno (APAFE), e ocorrem sob agendamento.

Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas. Foto: Jucelino Costa/AmazonasTur

Caverna do Maroaga – Presidente Figueiredo

A Área de Proteção Ambiental (APA) Caverna do Maroaga em sua totalidade abriga uma área de 374.700 hectares de um conjunto de cavernas, grutas, cachoeiras e formações geológicas e trechos de floresta. O espaço conta com diversas trilhas que podem ser visitadas com o acompanhamento de guias credenciados todos os dias, entre 8h às 15h30.

Um dos maiores atrativos do local é o complexo de cavernas de formação arenítica onde se localiza a Caverna Refúgio do Maroaga, onde é possível observar diversas espécies de morcegos nativos. Além disso, aves como o Galo-da-serra, simbolo da região, podem ser observadas próximo aos paredões rochosos das cavernas.

APA Caverna do Maroaga reúne diversas grutas e cachoeiras, onde é possível observar aves, morcegos e peixes. Foto: Fabricio Ferreira Silva/Arquivo Pessoal

Parque Nacional do Jaú – Novo Airão

O Parque Nacional do Jaú é uma das maiores Unidades de Conservação de floresta tropical do Brasil, com cerca de 2,2 milhões de hectares em toda a sua área. Lá, são catalogados 445 espécies de aves, mas o número pode ser ainda maior. Também podem ser avistadas diferentes espécies de primatas, répteis e peixes, dependendo da época do ano.

O espaço possui trilhas terrestres e aquáticas, passeios e excursões específicas para observação e fotografia da fauna, tanto durante o dia quanto à noite. A permanência no Parque Nacional do Jaú é permitida 24h por dia, mas a entrada deve ser feita entre 7h e 20h.

Por sua grande extensão, os passeios são organizados por diferentes agências de turismo e podem partir de várias localidades, com acesso por barco ou pelas rodovias AM-070 e AM-352.

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A Praia da Velha, no Parna do Jaú, é um dos diversos pontos de observação da fauna na reserva. Foto: Josângela Jesus/ICMBio

*Por Marcela Orquiz, da Rede Amazônica AM

Pirarucu de manejo sustentável consolida presença na alimentação escolar pública do Amazonas

Foto: Francisca Lima/ASTRUJ

A cadeia do pirarucu tem transformado a realidade de comunidades tradicionais no interior do Amazonas. Resultado do manejo sustentável realizado por pescadores locais e comercializado pela marca coletiva Gosto da Amazônia, o pescado alia conservação da espécie, segurança alimentar, geração de renda e valorização da gastronomia regional, e já integra, desde 2017, a alimentação escolar da rede municipal de Manaus (AM).

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O manejo é feito por pescadores locais em 13 regiões do Amazonas. O processo envolve vigilância dos ambientes aquáticos, reuniões de planejamento e avaliação e contagem dos peixes nos lagos, além do cumprimento dos requisitos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável por autorizar a pesca e indicar a quantidade de peixes que pode ser retirada por região, a chamada “cota de pesca”.

Entre essas regiões está o Médio Juruá, onde a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), parceira da marca, trabalha para aproximar a produção manejada de diferentes mercados e ampliar as oportunidades de comercialização.

barriga de pirarucu crua
Foto: Rodrigo Azevedo

Inclusão do pirarucu na alimentação das escolas

Um dos principais mercados atendidos pela marca é a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed). Há nove anos, a ASPROC participa de chamadas públicas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para atender à Semed, o pirarucu é comercializado em formato de filé, sem espinhas e em pedaços que variam de 1 a 1,5 kg. Isso facilita o preparo em grande quantidade, reduz desperdícios e proporciona maior segurança durante o consumo.

“É importante destacar a relevância da agricultura familiar na merenda escolar da rede municipal de Manaus. Ao adquirir alimentos de produtores locais, o município fortalece a economia regional, gera renda para as famílias do campo e garante alimentos mais frescos, nutritivos e de qualidade para os estudantes”, destaca Joseline de Almeida Araújo, nutricionista da Semed.

“Além de ser um peixe característico da Amazônia, rico em proteínas e nutrientes essenciais, sua apresentação sem espinhas oferece mais segurança para as crianças, reduzindo o risco de acidentes durante as refeições. Também proporciona mais praticidade para as equipes responsáveis pelo preparo da merenda, agilizando o processamento dos alimentos, diminuindo desperdícios e garantindo maior eficiência na produção das refeições”, complementa.

Leia também: Pirarucu de Casaca: um gigante da Amazônia na mesa e na economia do Brasil

A versatilidade do pescado também ganhou reconhecimento nacional. A receita “steak de pirarucu com banana-pacovã”, preparada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Manuel Bandeira, foi a vencedora estadual no 3º Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa reconheceu, a partir de votação popular, as melhores receitas de escolas públicas que acessam recursos do PNAE.

Expansão para novos mercados

A ASPROC também tem experiência com outros órgãos públicos. A primeira foi em 2014, quando a Secretaria de Educação do Estado do Amazonas (Seduc) lançou um edital com a espécie no âmbito do PNAE. Logo no ano seguinte, a iniciativa foi seguida pelo Exército Brasileiro. Atualmente, ambas as instituições são atendidas pela marca.

Outro fator marcante é o crescimento da produção manejada ao longo das temporadas, sobretudo no Médio Juruá. Em 2011, foram pescados 140 pirarucus em quatro ambientes aquáticos na região onde a ASPROC está sediada.

Já para este ano, a previsão é de que sejam pescados 7.700 peixes, cerca de 380 toneladas, em aproximadamente 170 áreas de pesca. Isso representa um aumento de mais de 1.800% na cota autorizada para pesca em cerca de 15 anos.

Embora fatores como distâncias geográficas, falta de estrutura e desafios de processamento, venda e distribuição estejam entre os principais gargalos, o crescimento da produção aumenta o potencial da marca para atender novos mercados institucionais.

A coordenadora de Comercialização da ASPROC, Ana Brito, analisa que compras institucionais por meio de políticas públicas, como PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), são uma oportunidade para fortalecer a comercialização da agricultura familiar amazônica.

“O pirarucu chegou no prato dos nossos alunos pra ficar. Com a demanda gerada por este mercado e o aumento da produção, se cria uma relação justa e equilibrada entre demanda e oferta. Com o controle da pesca, os volumes de pescado crescem a cada ano e com potencial pra atender todos os estados brasileiros que recebem recurso do PNAE e do PAA para compras públicas. O consumo do pirarucu manejado apoia as cadeias produtivas da Amazônia brasileira e a sociobiodiversidade”, afirma.

*Com informações da assessoria

BR-319 e a infraestrutura do agro

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Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

De acordo com estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a deficiência de infraestrutura no agronegócio brasileiro gerou um impacto econômico da ordem de US$ 14 bilhões (R$ 72 bilhões) em 2025. O relatório identifica sérios gargalos, particularmente em armazenagem, transporte e escoamento, fatores altamente limitantes ao crescimento da produção agrícola brasileira até 2034. Segundo o USDA, o problema assume dimensões preocupantes, dentre as quais a incapacidade da infraestrutura não ter acompanhado a expansão das novas fronteiras agrícolas, especialmente no Norte e no Matopiba.

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Atualmente, a capacidade de armazenagem cobre apenas 60% a 70% da produção nacional (no Amazonas é praticamente zero), enquanto nos EUA ela equivale a cerca de 150% da produção anual. O déficit brasileiro é estimado em 134 milhões de toneladas. A eliminação do gap demanda cerca de R$ 140 bilhões em investimentos ajustados às idiossincrasias regionais. O estudo também destaca que a logística representa aproximadamente 30% dos custos de produção agropecuário, enquanto mais de 60% das rodovias, particularmente na Amazônia, encontram-se, no geral, em péssimas condições de tráfego, mesmo assim ameaçadas por xiitas ambientais apoiados pelo MMA.

Particularmente, no Amazonas a forte dependência do transporte rodoviário agrava o problema, sobretudo nos períodos de pico da estiagem, que tem se agravado nos últimos três anos. Para o USDA, a ampliação de ferrovias e hidrovias será fundamental para reduzir custos e sustentar o crescimento do agro brasileiro e da região. O transporte ferroviário pode reduzir o frete em até 25%, enquanto as hidrovias amazônicas vêm ganhando participação no escoamento da produção, mesmo enfrentando limitações estruturais e climáticas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou em Manaus aportes da ordem de R$ 235,8 milhões para ações de conservação, restauração ecológica e gestão territorial na Amazônia. Do total, R$ 180 milhões do Fundo Clima, destinados à restauração de mais de 10 mil hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará. Outros R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia, que se destinariam ao projeto Naturezas Quilombolas, voltado à gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal.

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APA Triunfo do Xingu. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Foi ainda anunciado o início da ativação dos seis primeiros Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (NDS), destinados “a reunir organizações locais, negócios comunitários e instituições públicas integrantes do programa Prospera Sociobio, criado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para fomentar negócios ligados ao segmento”. O investimento total é de R$ 70,2 milhões, sendo R$ 11,7 milhões por núcleo. Os recursos provêm do governo da Alemanha e serão geridos pelo banco alemão de desenvolvimento KfW. Um dos seis núcleos será implantado no território Juruá-Tefé, no Amazonas. Os demais ficam no Pará, Acre e Amapá. A previsão é de que os projetos sejam implementados ao longo de 48 meses.

Claramente, as iniciativas não passam de promessas oportunistas de campanhas eleitorais posto só comunicadas publicamente às vésperas do pleito de 4 de outubro. Por que não em 2023 ou 2024? Os anúncios, por outro lado, não apontam detalhamentos dos investimentos prometidos e as prioridades eleitas. Mais uma vez o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), para o Amazonas, ficou para depois. Projeto há anos entocado na SEDECTI sem possibilidades de resolução. Por outro lado, o que exatamente significa NDS quando o Estado se depara com abissal deficiência no crédito especializado, na formação de técnicos agropecuários, zootecnistas, veterinários, no padrão da assistência técnica e extensão rural exercida pela Sepror/Idam, que se encontra na UTI, para dizer o mínimo?

Ante a ausência de política agrícola e de medidas voltadas a suprir o baixo nível tecnológico do setor, como acreditar na integração SUFRAMA/PIM/BIOECONOMIA, a matriz ideal para promover a diversificação e interiorização da economia amazonense na perspectiva 2073? A propósito, nenhum candidato ao governo do Amazonas se posicionou ou se posiciona a respeito. Não nesta campanha eleitoral, talvez na próxima, quem sabe. Os discursos, no geral, focam apenas em ganhos políticos de curto prazo, ignorando consequências fiscais resultantes de promessas eleitoreiras sem correspondência orçamentária e financeira.

Incansavelmente repetidas, simplistas sobre problemas econômicos complexos, além de absolutamente distantes do que realmente importa: respostas eficazes e responsáveis sobre os gargalos de nossa economia relacionados à crônica deficiência da infraestrutura social e econômica, ao saneamento básico, à saúde pública; ao ensino, pesquisa e extensão com vistas a integração da Zona Franca de Manaus e o estado do Amazonas ao mundo tecnológico 4.0. Até quando as classes política e empresarial, a sociedade continuará tolerando tal descalabro? Uma lástima republicana!

Leia também: Novas reservas de desenvolvimento sustentável, por que e para quê?

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Marca criada em Rondônia usa ativos da Amazônia em produtos para cabelos com curvatura

A marca rondoniense desenvolve produtos para cabelos ondulados, cacheados e crespos utilizando ativos da Amazônia, como óleos de cupuaçu, tucumã e buriti. Foto:

Uma marca de cosméticos criada em Rondônia aposta em ativos da Amazônia para desenvolver produtos voltados para cabelos ondulados, cacheados e crespos. A Gocca Cosméticos foi criada há dois anos pela empresária Taísa Arruda, que atua há 12 anos com cabelos com curvatura em Porto Velho.

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A experiência com clientes em um salão especializado nesse tipo de cabelo foi o que levou à criação da marca. Segundo a empresária, foram três anos de desenvolvimento até chegar às formulações dos produtos.

“Hoje, muitos produtos que as cacheadas consomem no Brasil tiveram o meu dedo, a minha participação na cocriação dessas marcas. Então, chegou o momento em que eu entendi que era a hora de lançar a minha própria marca”, explica Taísa.

A proposta da marca, segundo a empresária, é unir o cuidado com cabelos com curvatura ao uso de ingredientes da região amazônica. Todos os produtos possuem, de acordo com ela, pelo menos um ativo amazônico, que pode ser um óleo ou uma manteiga.

De acordo com a Taísa, o shampoo tem óleo de cupuaçu na composição, responsável por proporcionar um efeito aveludado, facilitar o desembaraço e evitar o ressecamento dos fios. Ela explica que marca também utiliza manteigas de tucumã e murumuru, que são altamente desembaraçantes e emulsificantes, além de apresentarem um bom rendimento.

Já os tratamentos profissionais têm um blend de óleos amazônicos, como babaçu, açaí e tucumã. O óleo de buriti também é utilizado em produtos da marca. Segundo a empresária, o ingrediente ajuda a formar uma película no fio, contribuindo para manter a água no cabelo e proporcionando maleabilidade, brilho e maciez.

Leia também: Perfumaria Phebo: você sabe a história da empresa paraense que revolucionou o setor de cosméticos?

“Quando a gente fala de cabelo com curvatura, a gente precisa justamente de produtos que entreguem não só resultados, mas que sejam rentáveis, que a cliente consiga sentir, ter a sensação de que o cabelo está sendo envolvido por um produto. O desembaraço tem que ser assertivo, porque, se não você acaba demorando mais no banho para ter um resultado final”, diz Taísa.

Produto feito em Rondônia

Entre os produtos da Gocca está uma máscara sólida de nutrição produzida em parceria com uma comunidade de mulheres extrativistas de Ouro Preto do Oeste(RO).

Segundo a empresária, o óleo de buriti usado na máscara é extraído e beneficiado pelo próprio grupo de mulheres da comunidade. O produto também leva outras manteigas e óleos amazônicos e foi desenvolvido com a proposta de reduzir o uso de plástico e tornar a produção mais sustentável.

“A máscara não leva água na produção, a embalagem não leva plástico, e o plástico que envolve o produto é biodegradável. Até a caixinha de papel que embala a máscara foi produzida em Porto Velho. Então, ela é 100% Porto Velho”, comenta Taísa.

Marca criada em Rondônia usa ativos da Amazônia em produtos para cabelos com curvatura
Fotos: Reprodução/Instagram-goccacosmeticos

Segundo ela, a máscara sólida se tornou o produto mais vendido da marca, principalmente depois que os consumidores conhecem a origem do produto.

A marca já está em outros estados

Segundo a empresária, a Gocca já possui pontos de venda em salões de beleza e está presente nos 26 estados e no Distrito Federal. Os maiores públicos da marca estão na Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rondônia.

A venda para consumidores também é feita pelo site da empresa, enquanto a logística parte de São Paulo.

Em 2026, a marca participou de eventos no Paraguai e no Equador e também foi selecionada para participar da Beauty Fair, em São Paulo. A escolha ocorreu por meio de um edital do Sebrae Nacional que selecionou 20 empresas entre dezenas de concorrentes.

Para a empresária, a participação na feira representou a oportunidade de apresentar uma marca de Rondônia em um mercado nacional e internacional de cosméticos.

““Eu fiquei muito orgulhosa de estar nesse mar de marcas competentes, levando também uma marca de excelência do estado de Rondônia. Então, orgulho é a palavra que define esse momento. A partir de agora, a gente vai fortalecer ainda mais a marca em todo o território nacional. Nós já temos lançamentos previstos para este ano e para o ano que vem”, disse.

A empresária Taísa Arruda também afirma que a marca pretende ampliar a linha de produtos sólidos produzidos em Rondônia.

“Nosso principal objetivo hoje é criar uma fábrica de produtos sólidos dentro do estado de Rondônia, para fomentar não só a marca, mas o próprio estado, gerar novos empregos e utilizar as riquezas da nossa região de forma sustentável. A ideia é desenvolver produtos de excelência produzidos dentro do nosso estado, com possibilidade de exportação em um futuro próximo”, finaliza.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Indígenas retiram mais de 2 toneladas de tambaqui em primeira ‘despesca’ de projeto em Boa Vista

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A criação de tambaqui também ocorre em outras 5 comunidades indígenas da região. Foto: Francisco Sena/PMBV

Agricultores indígenas da comunidade Lago Grande, na zona rural de Boa Vista (RR), realizaram a primeira despesca de tambaqui (retirada de peixes dos tanques) após nove meses de criação. Ao todo, foram retiradas mais de duas toneladas de tambaqui. A comunidade fica localizada na região do Baixo São Marcos.

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A ação reúne cerca de 15 famílias e faz parte do projeto municipal Moro-Morí, criado em 2023. O tambaqui, espécie escolhida para a criação nos tanques, é o peixe mais consumido na Amazônia e o principal explorado no mercado de Roraima.

De acordo com o secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva, a produção tem dois destinos e busca dar autonomia aos moradores. “Uma parte desses peixes será destinada à comercialização e a outra consumida dentro da própria comunidade.

“Isso melhora a qualidade nutricional da alimentação, gera renda para as pessoas envolvidas e incentiva a continuidade do projeto. A comunidade, tendo condições, vai ampliando”, afirmou o secretário.

Leia também: Tambaqui está ameaçado de extinção? Entenda classificação do peixe típico da Amazônia

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Foto: Francisco Sena/PMBV

Tambaqui garante segurança alimentar

Para o coordenador do projeto na comunidade, Manoel Serafim, o trabalho garante segurança alimentar e incentiva o envolvimento dos moradores.

“Representa bastante na alimentação sustentável. Só tenho mesmo a agradecer e incentivar outras famílias, pois temos bastante para cuidar e tratar bem da nossa comunidade”, afirmou o coordenador.

Leia também: Saiba o significado dos nomes de peixes populares na Amazônia

Desde o ano passado, a iniciativa já produziu cerca de 11 toneladas de peixes. Além da Lago Grande, a criação em tanques também ocorre nas comunidades indígenas da Ilha, Serra da Moça, Darôra, Campo Alegre e Vista Alegre.

*Por Lucas Almeida, da Rede Amazônica RR

Mudanças no boi Garantido: Lívia Christina assume como cunhã-poranga e Isabelle Alcântara é nova Rainha do Folclore

Lívia Christina performando no Festival Folclórico de Parintins em 2026. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Boi-Bumbá Garantido anunciou, na noite de 19 de setembro, Lívia Christina como a nova cunhã-poranga da agremiação para o Festival Folclórico de Parintins de 2027. A parintinense, que ficou conhecida nacionalmente após participar da Casa de Vidro do BBB 26, assume o Item 9 no lugar de Isabelle Nogueira, que deixou o posto este ano. Para a vaga de rainha do folclore, ocupada por Lívia até o festival de 2026, o boi escolheu a jovem Isabelle Alcântara.

Leia também: “É preciso que respeitem a história de cada uma de nós”: Lívia Christina conta detalhes da experiência no BBB 26

As mudanças no quadro de itens femininos foram anunciadas nas redes sociais do Garantido. Segundo a agremiação, a escolha de Lívia e Isabelle foi recebida pela torcida como uma valorização de artistas formadas dentro do próprio boi.

Lívia ganhou projeção nacional ao participar da Casa de Vidro do BBB 26. A dinâmica reuniu participantes que disputavam uma vaga no reality show da Globo. No festival, terá como adversária a também ex-BBB e cunhã-poranga do Boi Caprichoso, Marciele Albuquerque.

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Nova função de Lívia no bumbá vermelho e branco

Lívia é natural de Parintins e começou a trajetória no grupo de dança Garantido Show. Antes de chegar ao posto de Rainha do Folclore, também defendeu o boi como porta-estandarte, função que assumiu em dezembro de 2022.

A nova função representa a mulher indígena e guerreira da Amazônia nas apresentações do bumbá no Bumbódromo.

Mudanças no boi Garantido: Lívia Christina é anunciada como cunhã-poranga e Isabelle Alcântara é nova Rainha do Folclore
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A mudança também marca a sucessão de Isabelle Nogueira, que se aposentou do posto de cunhã-poranga do boi vermelho e branco depois de 9 anos. Ao longo da trajetória no Garantido, Isabelle também defendeu o posto de Rainha do Folclore entre 2015 e 2017.

Nas redes sociais, Lívia comemorou a escolha e agradeceu ao Boi Garantido, à torcida e ao novo presidente da agremiação, Marialvo Brandão.

“Meu coração transborda de emoção, meu povo!”, escreveu. Ela afirmou ainda que sente “gratidão, felicidade, responsabilidade e um amor que não cabe no peito”.

Isabelle Alcântara é a nova Rainha do Folclore

Para ocupar o posto deixado por Lívia, o Garantido anunciou Isabelle Alcântara como nova rainha do folclore para a temporada de 2027.

Também parintinense, Isabelle integrou o Garantido Show e tem trajetória ligada à dança. É acadêmica de enfermagem e também foi cunhã-poranga do Boi Tira Prosa, que disputa o Festival Folclórico do distrito de Nova Maracanã, em Faro, no Pará.

Isabelle tem 22 anos, nasceu e cresceu na Baixa do Xanda, tradicional reduto do Garantido em Parintins. Desde criança, esteve envolvida com a dança e com o Festival Folclórico.

A artista também foi rainha do Folclore do Boi Touro Branco, no Festival Folclórico do Mocambo, distrito localizado na zona rural de Parintins.

No Festival de Parintins, a rainha do Folclore é um dos itens individuais femininos avaliados pelos jurados. A personagem representa a beleza, a tradição e elementos da cultura popular amazônica nas apresentações do bumbá.

Ao anunciar Isabelle, o Garantido destacou a ligação da artista com a cultura popular e a trajetória construída dentro do próprio universo do boi.

“Nascida e criada na Baixa do Xanda, a cunhatã que sempre respirou o Festival de Parintins traz para a arena a graça, a beleza e a ancestralidade do nosso povo”, afirmou a agremiação.

A escolha também mantém uma característica destacada pelo Garantido ao anunciar as mudanças: a valorização de artistas formadas dentro do próprio boi e com experiência na cultura popular.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Proteger florestas existentes produz melhor custo-benefício para biodiversidade e clima do que restaurar, revela estudo na Science

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Uma árvore solitária permanece de pé enquanto a floresta ao redor é derrubada na Floresta Nacional do Tapajós, uma área protegida da Amazônia brasileira. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

Evitar o desmatamento e a degradação das florestas tropicais gera mais benefícios para a biodiversidade e o clima por recurso investido do que apenas restaurar áreas já convertidas, segundo estudo publicado na revista Science. A pesquisa comparou os resultados e os custos de três principais estratégias de conservação florestal: conter o desmatamento, evitar danos provocados por incêndios e extração de madeira, e restaurar a vegetação para cumprir o Código Florestal. A estratégia que une proteção e restauração é a que produz mais benefícios para a biodiversidade e para o clima.

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O estudo foi realizado por um grupo internacional de 19 pesquisadores, liderado pela Rede Amazônia Sustentável (RAS), e reúne especialistas de instituições como a Universidade de Lancaster, a Embrapa Amazônia Oriental, o Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI), as universidades de Oxford, Cambridge e Manchester Metropolitan, Exeter, a Esalq/USP, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

A análise abrangeu Paragominas e Santarém, no Pará, duas regiões da fronteira agrícola amazônica que somam mais de 3 milhões de hectares.

Os pesquisadores combinaram dados de biodiversidade coletados em 381 áreas de amostragem, distribuídas por 38 microbacias, além de informações socioeconômicas de entrevistas em 499 propriedades rurais e imagens de satélite de alta resolução. A partir dessa base, reconstruíram as mudanças ocorridas entre 2010 e 2020, simulando o que teria acontecido em diferentes cenários se cada estratégia tivesse sido adotada individualmente ou em conjunto.

Os resultados mostram que evitar incêndios e extração de madeira teria mitigado 68% das perdas de biodiversidade e 47% das perdas de carbono observadas. Impedir o desmatamento teria evitado 28% das perdas de biodiversidade e 61% das perdas de carbono. Já a restauração, quando adotada isoladamente, compensaria apenas 6% e 15% dessas perdas, respectivamente.

“Uma floresta não está necessariamente protegida apenas porque continua aparecendo como floresta nas imagens. Incêndios, exploração de madeira e efeitos de borda podem retirar biodiversidade e carbono sem eliminar completamente a cobertura florestal. Essa degradação precisa ocupar um lugar muito mais central nas políticas de conservação”, afirma Jos Barlow, professor da Universidade de Lancaster e autor sênior do estudo.  

A dimensão do problema aparece nos dados da própria região. Durante o período analisado, foram registrados 159 mil hectares de desmatamento e 274 mil hectares de florestas primárias atingidas por fogo ou extração de madeira. Outros 130 mil hectares passaram por regeneração, mas 63% dessas florestas secundárias voltaram a ser afetadas pelo fogo. Para os autores, o resultado evidencia os limites de recuperar a vegetação sem controlar simultaneamente as causas de sua destruição.

“A restauração é indispensável para recompor áreas protegidas, conectar fragmentos e recuperar funções ecológicas”, explica Leonardo de Sousa Miranda, pesquisador da Universidade de Lancaster e um dos autores principais do artigo. “O estudo mostra, porém, que ela não consegue compensar sozinha as perdas enquanto o desmatamento e a degradação continuam avançando. Restaurar sem proteger é tentar repor continuamente algo que segue sendo destruído”.

Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, onde o Museu Goeldi mantém a Estação Científica Ferreira Penna foto Calil Torres MPEG
Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará. Foto Calil Torres/MPEG

Estudo analisa estratégias usadas nas florestas

A diferença entre as estratégias aumentou quando os pesquisadores incluíram seus custos econômicos. Para a biodiversidade, evitar perturbações florestais apresentou um índice médio de custo-efetividade cerca de três vezes maior do que o de impedir o desmatamento e quase 15 vezes superior ao da restauração. Para o carbono, evitar o desmatamento apresentou o maior retorno, seguido pelo controle da degradação e pela restauração. Mesmo quando os custos de restaurar foram reduzidos em até 95% nas simulações, a estratégia permaneceu menos custo-efetiva do que as medidas preventivas.

Isso não significa, contudo, que a restauração deva ser abandonada. Os maiores benefícios foram alcançados quando as três estratégias apareceram combinadas. Nesse cenário, a biodiversidade aumentaria 22% e os estoques de carbono 42% em relação ao patamar de 2010. A interação entre as medidas potencializa os resultados, já que florestas preservadas favorecem a recuperação de áreas próximas, enquanto o controle do fogo permite que a vegetação em regeneração sobreviva e amadureça.

“Não existe uma única solução capaz de responder à crise das florestas tropicais. Precisamos proteger as áreas remanescentes, impedir que elas sejam degradadas e restaurar territórios estratégicos”, reforça Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e também uma das autoras da pesquisa.

Leia também: Terras indígenas registram 1,7% do desmatamento da Amazônia em 12 meses: proteção da biodiversidade

Investir somente em restauração faz pouco sentido enquanto florestas maduras continuam a ser degradadas. É necessário integrar as agendas, por exemplo, incluindo brigadas para evitar incêndios nos projetos e programas de restauração. “O estudo oferece uma base para decidir onde e como combinar as diferentes ações de maneira eficiente”.

As conclusões ampliam o foco tradicional das políticas florestais, historicamente concentradas no desmatamento e, mais recentemente, na restauração. Os autores defendem que prevenir incêndios e extração ilegal de madeira, garantir que a exploração de madeira autorizada cumpra as regras de manejo sustentável, reduzir o uso do fogo em áreas rurais, sempre que possível, e fortalecer brigadas locais se tornem parte central das estratégias de clima e biodiversidade.

No Brasil, os resultados dialogam com o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e a aplicação do Código Florestal. Também podem orientar programas de REDD+, projetos dos mercados de carbono e decisões sobre financiamento climático, ao mostrar que recursos voltados à restauração produzem menos resultado quando não são acompanhados de investimentos para proteger as florestas existentes.

“Em termos internacionais, é necessário que as empresas e os mercados que se beneficiam de commodities, como soja e carne bovina, assumam a responsabilidade não apenas pelo desmatamento, mas também pela degradação das florestas remanescentes, que está intrinsecamente ligada a esses sistemas de produção na Amazônia”, afirmou o Dr. Toby Gardner, coautor, pesquisador sênior do Stockholm Environment Institute e cofundador da Trase, uma iniciativa de sustentabilidade em cadeias de suprimentos.

Embora concentrado em duas regiões da Amazônia Oriental, o estudo apresenta implicações para outras florestas tropicais submetidas simultaneamente ao desmatamento, ao fogo, à exploração de madeira e à expansão agropecuária. Nessas paisagens, acompanhar apenas a perda total de cobertura vegetal pode esconder uma parcela decisiva dos impactos sobre a biodiversidade e o clima.

*Com informações da Rede Amazônia Sustentável

Guiada pelos rios, Tefé se consolida como polo de desenvolvimento sustentável

Tefé é um dos municípios amazonenses beneficiados pelo manejo do pirarucu. Foto: Divulgação

Com sua economia norteada pelo ciclo de cheia e vazante dos rios, o município de Tefé, no Amazonas, se mostra um dos principais polos de bioeconomia no interior do Amazonas, segundo o mapeamento do programa EcoAm, que fomenta ecossistemas de impacto na Amazônia. A pesquisa detectou 30 instituições públicas e organizações de fomento, além de mais de 25 associações, cooperativas e negócios comunitários ativos.

De acordo com o relatório “Bioeconomia e Territórios da Amazônia”, a localidade se destaca pelas cadeias produtivas ligadas ao manejo e beneficiamento de pescado, extrativismo e produção de farinha, coleta de óleos vegetais, artesanato de fibras naturais e sementes. 

Um dos destaques apresentados pelo mapeamento está na Federação de Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (Femapam), que possui uma indicação geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) para pirarucu manejado. A associação é presidida por Cleissiane Souza, primeira mulher à frente da federação, a qual informou que já há quatro empresas credenciadas junto à Femapam em Tefé.

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Segundo ela, uma das metas da federação atualmente é conseguir uma parceria para fazer o processamento do pirarucu e vender produtos que hoje não podem ser plenamente aproveitados.

“A gente ainda tem essa necessidade de local para fazer esse processamento, então ainda perdemos esses recursos que tem compradores que se interessam, mas a gente ainda não tem uma estrutura, um treinamento para manuseio, por exemplo, uma oficina para manusear como fazer esse beneficiamento”, disse.

Outro desafio apresentado pela presidente da Femapam é a falta de embarcações adequadas para receber e manter a qualidade do produto manejado, algo frequentemente exigido pelos compradores. Em um dos casos, a empresa fechou parceria para adquirir 600 peixes, mas somente 190 puderam ser capturados. Ainda assim, a federação busca novos clientes para aumentar a cadeia da bioeconomia local.

“Estamos procurando arranjos para compradores para que a gente possa também expandir, porque como falei, a gente tem essas empresas, mas pouca produção. Ainda estamos conseguindo negociar, mas queremos procurar de fato outros mercados mesmo, pessoas que tenham responsabilidade na questão, principalmente no pagamento da produção, para que outros grupos também possam ser contemplados com melhoria de preço”, enfatizou.

O trabalho da Femapam ocorre por meio de uma parceria estratégica com o Instituto Mamirauá, que articulou a indicação geográfica do pirarucu pescado na Reserva Mamirauá em 2021, beneficiando nove municípios, incluindo Tefé.

Além do pirarucu manejado da federação, outros destaques são a indicação geográfica da farinha de Uarini obtida pela Associação de Produtores Rurais de Uarini (Apru), além do trabalho da Associação de Produtores Agroextrativistas da Flona de Tefé (Apafe), responsável pela marca coletiva Flona Tefé e pela produção de farinha na localidade.

Guiada pelos rios, Tefé se consolida como polo de desenvolvimento sustentável
Foto: Divulgação

Crescente

Segundo o relatório do EcoAm, Tefé vem atraindo uma série de investimentos nos últimos anos graças às iniciativas de bioeconomia, incluindo linhas de crédito como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e o Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio) realizado pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Recursos oriundos da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) também foram direcionados para apoiar pequenos produtores e pesquisadores em Tefé. A publicação avalia que, embora as verbas ainda sejam modestas, apontam para “um novo ciclo que une ciência, floresta e inclusão econômica”.

O documento aponta que o desafio para o futuro da bioeconomia agora está na integração das políticas públicas, ainda dispersas, para garantir que o crédito e as tecnologias necessárias cheguem de forma descomplicada às comunidades, que não só conseguem manter a preservação ambiental como também mantêm um ecossistema econômico crescente.

Foto: Divulgação

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Outras organizações que integram as comunidades e fortalecem a rede de bioeconomia são a Associação de Produtores Agro extrativistas da Floresta Nacional de Tefé (Apafe), a Associação Mãe da Reserva Mamirauá (Amurmam), a Associação Mãe da Reserva Amanã (Camura) e a Cooperativa Agrícola Indígena Nova Esperança – COOINE.

“Tefé é um lugar onde a bioeconomia pode se tornar um verdadeiro motor de desenvolvimento econômico e social no Brasil. Tem uma floresta rica e preservada e populações tradicionais que convivem e entendem esse ambiente. Há um grande trabalho a ser feito de organizar e potencializar a produção, o que já vem sendo feito por diversas organizações. Nossa intenção é contribuir para que o pescado e a farinha, por exemplo, permitam a melhoria do IDH, escolaridade e renda da população sem destruir a mata e os rios que ali existem”, afirmou o gerente do programa EcoAm, Washington Silva.

Resultados além de Tefé

O relatório “Bioeconomia e Territórios da Amazônia” é uma iniciativa desenvolvida pelo Programa EcoAm, em atividade desde 2024 e executado pelo Impact Hub Manaus em parceria com o BID Lab, laboratório de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, através do Programa Amazônia Sempre, o Instituto Meraki, Fundo Vale e o Sebrae Amazonas.

O programa escolheu os territórios de Ji-Paraná (RO), Rio Branco (AC) e Tefé (AM), em expansão para os municípios de Tabatinga (AM) e Marabá (PA), para a realização de seu projeto piloto.

A iniciativa já apoiou 17 negócios da bioeconomia na Amazônia e destinou R$ 1 milhão em investimentos por meio de duas edições do programa de aceleração Lab de Impacto. O texto completo está disponível gratuitamente AQUI.

*Com informações da assessoria

Café, óleo de palma e cacau: produtores na Amazônia peruana aplicam práticas livres de desmatamento

Para aceder aos mercados europeus, é essencial que os produtores disponham de informações precisas sobre a localização e a origem das suas colheitas de café, Café, óleo de palma e cacau. Foto: Divulgação/ONG Solidariedade

Produzir café, cacau ou óleo de palma de boa qualidade já não é suficiente para competir no mercado europeu. O Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) exige comprovação de que os produtos comercializados não provêm de áreas desmatadas. Portanto, é essencial que os produtores tenham informações precisas sobre a localização e a origem de suas colheitas.

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Nesse contexto, o projeto Amazonia Link está sendo desenvolvido no Peru. Essa iniciativa trabalha com produtores e organizações de café, cacau e óleo de palma para aprimorar suas práticas agrícolas e promover a conformidade com o EUDR, visando manter suas oportunidades comerciais na Europa. 

Esta iniciativa é implementada pela organização Solidariedade em conjunto com seu parceiro local, o Instituto para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDSA), no âmbito do componente de apoio ao setor privado do programa AL-INVEST Verde. O projeto utiliza informações geográficas para verificar se áreas produtivas estão sofrendo desmatamento. 

Café, óleo de palma e cacau: produtores amazônicos aplicam práticas livres de desmatamento
Café, óleo de palma e cacau: produtores amazônicos aplicam práticas livres de desmatamento. Foto: ANDINA / Editora Perú

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Por meio do GeoCultivate, foram analisados ​​quase 60.000 quilômetros quadrados de território, uma área equivalente a aproximadamente 8,4 milhões de campos de futebol. 

Graças a isso, 737 produtores georreferenciaram suas terras – ou seja, com a localização e os limites de seus terrenos – e obtiveram mais de 1.700 relatórios de “desmatamento zero” em suas propriedades.  

Isso permite uma verificação mais precisa de que suas plantações estão localizadas em áreas livres de desmatamento , possibilitando assim sua entrada no mercado europeu. 

Tecnologia que chega à fazenda

Em 2025, o café, o cacau e o óleo de palma representaram cerca de 25% das exportações agrícolas nacionais e envolveram mais de 380.000 famílias, na sua maioria pequenos produtores. 

Este trabalho é complementado pela Cultivate, uma plataforma digital que oferece microcursos via WhatsApp. Esta ferramenta está integrada nas oficinas de “Formação de Formadores”, onde técnicos e produtores reforçam os seus conhecimentos, que depois partilham com as suas organizações e famílias. 

Café, óleo de palma e cacau: produtores amazônicos aplicam práticas livres de desmatamento. Foto: ANDINA / Editora Perú

“As oficinas envolvem toda a família produtora; esposas, filhos e filhas participam, até mesmo os mais jovens, que também aprendem e começam a incorporar essas ferramentas”, explicou Keila Capcha Cisneros, gerente da Cultivate em Ucayali.

Assim, o conhecimento não permanece exclusivamente com o produtor, mas é compartilhado dentro da família.

Alterações específicas no campo

Em Junín, 200 produtores de café das cooperativas Valle Ubiriki e ACPC Pichanaki recebem assistência técnica em produção sem desmatamento, compostagem e manejo de sombra. 

O mesmo está acontecendo em Ucayali com 258 produtores de cacau da Cooperativa Colpa de Loros. Destes, 250 estão implementando sistemas de compostagem para melhorar o aproveitamento da matéria orgânica e fortalecer práticas de produção mais sustentáveis.

No setor de óleo de palma, a iniciativa trabalha com mais de 200 produtores de organizações como Aproman e Aspash, além da cadeia de suprimentos da Innovapalma e do Programa de Palma Orgânica. O projeto promove o uso de biofertilizantes líquidos e sistemas agroflorestais piloto (SAF).

“Demonstrar onde e como a produção ocorre será cada vez mais importante para participar das cadeias de suprimentos internacionais e cumprir os padrões de sustentabilidade e de ‘desmatamento zero’, como o EUDR”, disse Bryan Vela, analista técnico de cacau da Solidaridad. 

A tecnologia pode ajudar os pequenos produtores a acessar essas informações, aprimorar suas práticas e estar preparados para atender a essas novas demandas.

*Com informações da Agência Andina

Ambientalistas alertam que manguezais e corais podem sofrer impactos com avanço do petróleo na Foz do Amazonas

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Avanço do petróleo acende alerta para impactos em manguezais e corais raros na costa do AP. Fotos: Reprodução/Greenpeace

A descoberta de petróleo no poço Morpho e a autorização para a Petrobras perfurar mais três poços no Bloco FZA-M-59 consolida o avanço da exploração na Bacia da Foz do Amazonas, mas coloca no centro do debate a segurança ambiental da costa do Amapá. A região abriga dois dos ecossistemas mais sensíveis do planeta: o Grande Sistema de Recifes da Amazônia e o maior corredor contínuo de manguezais do mundo.

Entre a expectativa de desenvolvimento econômico e o temor de impactos irreversíveis, especialistas e entidades ambientalistas apontam que a área exige cautela extrema e um nível de conhecimento científico que a ciência ainda busca alcançar.

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Em entrevista à Rede Amazônica, a doutora em Geologia e Geofísica Marinha, Valdenira dos Santos, explicou que a costa amapaense possui características hidrodinâmicas únicas que a diferenciam de qualquer outra bacia petrolífera do país, atingindo o nível máximo de sensibilidade ambiental (índice 10).

“Se a gente vier a ter um problema ambiental, é muito mais difícil fazer a limpeza, porque a maior parte da nossa costa é composta por manguezais e floresta de várzea”, disse a geóloga.

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Corais e manguezais: uma riqueza biológica

Maior Corredor Contínuo de Manguezais do Mundo

Estendendo-se do Amapá ao Maranhão, a costa norte forma a maior faixa ininterrupta de manguezais do planeta. Formado por espécies como o mangue-vermelho (Rhizophora mangle) e o mangue-seriba (Avicennia germinans).

O ecossistema atua como barreira natural contra a erosão, armazena grandes volumes de carbono e funciona como berçário de recursos pesqueiros que sustentam a economia local. Daí a importância dos manguezais para o planeta.

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Manguezais na Amazônia.
Manguezais na Amazônia. Foto: Reprodução/Greenpeace

Corais Raros da Amazônia

A faixa costeira afetada pelas operações abriga dois sistemas biológicos considerados raros e cruciais para a biodiversidade marinha global.

Conhecido como Grande Sistema de Recifes da Amazônia (GARS), o conjunto forma um ecossistema mesofótico raro situado entre 70 e 220 metros de profundidade.

Diferente dos corais tropicais rasos, esses recifes prosperam sob a água turva descarregada pelo Rio Amazonas, abrigando mais de 40 espécies de corais (como o coral-pétreo Montastraea cavernosa), 60 espécies de esponjas e peixes de valor comercial.

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Corais foram descobertos em maio de 2016 na costa do Amapá. — Foto: ©Greenpeace
Corais foram descobertos em maio de 2016 na costa do Amapá. Foto: Greenpeace

Velocidade das águas e falta de dados sobre a costa

Enquanto a Petrobras concentra testes no mar profundo para verificar o potencial comercial da jazida, Valdenira chama atenção para um “gap” (lacuna) de informações na transição entre o alto-mar e o litoral.

“Conhecemos mais a borda da plataforma continental do que a interface do litoral em direção ao mar profundo. A nossa corrente marítima é extremamente forte, alcançando 2 metros por segundo, e as marés atuam de forma perpendicular ao litoral. Das correntes litorâneas, praticamente não sabemos nada”, contou a pesquisadora.

Risco cumulativo e a ameaça cotidiana

Ao Grupo Rede Amazônica, o Greenpeace Brasil divulgou que avalia que a promessa de arrecadação financeira não anula os riscos socioambientais e climáticos na Margem Equatorial.

“A abertura de novas frentes de exploração de petróleo pode trazer expectativas de investimentos, mas viabilidade econômica não apaga os riscos ambientais, climáticos e sociais”, manifestou a organização em nota.

A ONG pondera que a realização de operações simultâneas na área aumenta os “riscos cumulativos”. No leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) realizado em 2025, 19 blocos foram arrematados na Foz do Amazonas e aguardam licenciamento, enquanto outros 36 seguem em estudo.

O Greenpeace apontou ainda uma incoerência entre as metas ambientais defendidas pelo Brasil no exterior e a expansão de frentes petrolíferas no território nacional.

“Não é possível defender uma transição justa no cenário internacional enquanto se insiste na abertura de novas frentes de exploração petrolífera . A abertura de novos poços de exploração de combustíveis fósseis e a justiça climática são caminhos incompatíveis”, ressalta a ONG.

Para a Dra. Valdenira dos Santos, no entanto, a discussão sobre a foz precisa encarar outro perigo que faz parte da rotina amapaense: a navegação pelo Canal do Norte.

“Hoje a gente já tem um perigo real e imediato à nossa porta. A entrada da hidrovia do Amazonas é aqui. Todos os dias temos navios-tanque passando e precisamos de um plano de contingência regional urgente para responder a esses riscos cotidianos, e não apenas ao que acontece no alto-mar”, declarou.

Preservação e dependência da água potável

A pesquisadora ressalta que o debate precisa equilibrar as metas de desenvolvimento com a sobrevivência das comunidades e o abastecimento de água no estado, além de superar a falta de formação científica local para monitorar esses impactos.

“Não se trata apenas de achar o meio ambiente ‘bonitinho’. Nós não sobrevivemos sem um ambiente sadio, e no Amapá temos uma dependência direta da água superficial para o abastecimento das nossas cidades”, falou Valdenira.

Bacia do Foz do Amazonas. Arte: Reprodução/Rede Amazônica AP

A geóloga aponta ainda a escassez de recursos e de mão de obra qualificada no Amapá para produzir dados sobre a costa.

“A capacidade instalada no Amapá para estudos marinhos ainda é mínima. A UFPA formou recentemente as primeiras turmas de pós-graduação em Oceanografia, enquanto o Sul e Sudeste têm cursos com mais de 50 anos. Precisamos capacitar pessoas e investir em pesquisas no próprio estado. Fazer ciência na zona costeira da Amazônia tem um custo alto, mas é indispensável”, reforça.

O que diz a Petrobras?

A Petrobras informou que atua com responsabilidade ambiental e rigor técnico na Margem Equatorial. A empresa destaca que tem experiência em perfurações de águas profundas e que os testes autorizados no Bloco FZA-M-59 buscam apenas avaliar a presença de petróleo comercialmente viável.

A estatal reitera que atendeu a todas as exigências dos órgãos reguladores e apresentou planos operacionais de emergência.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP