A secretária executiva da OTCA Vanessa Grazziotin. Foto: Reprodução/Amazon Sat
O programa ‘Entrevistas‘, exibido pelo canal Amazon Sat, iniciativa do Grupo Rede Amazônica voltada aos temas debatidos em Brasília que impactam diretamente a Amazônia, recebe neste episódio a secretária executiva da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Vanessa Grazziotin.
A entrevista apresenta o papel desempenhado pela OTCA na promoção da cooperação entre os países amazônicos e explica como a secretaria-executiva atua para fortalecer políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável, à preservação da floresta e à integração regional.
Programa “Entrevistas”, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Comandado pelo jornalista Welliton Lopes, o programa aborda a atuação da organização no cenário internacional, os desafios da cooperação entre os oito países que integram o Tratado de Cooperação Amazônica e a importância do diálogo entre os governos para enfrentar temas comuns, como mudanças climáticas, proteção da biodiversidade, segurança, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida das populações amazônicas.
Durante a conversa, Vanessa Grazziotin explica como funciona a estrutura da OTCA, o papel da secretaria-executiva e de que forma as decisões construídas em conjunto pelos países amazônicos contribuem para fortalecer políticas voltadas à região.
“A OTCA, que é a Organização de Tratado de Cooperação Amazônica, nasceu a partir da assinatura de um tratado de cooperação. Então em 1978, que foi exatamente a década em que o mundo começou a ter uma preocupação maior com o meio ambiente, iniciou-se globalmente uma campanha que tomou muita força de que países, desenvolvidos, os mais ricos, os imperialistas, diziam que era importante proteger essas florestas nativas e que os países amazônicos não tinham a condição de fazer essa gestão. E diziam que a Amazônia era um patrimônio da humanidade. Daí os países disseram não e decidiram se juntar, dizendo que cada país tem a soberania sobre o seu território e temos sim a capacidade de promover um desenvolvimento sustentável”.
Programa “Entrevistas”, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A secretária executiva também detalha como a organização atua na articulação entre os países membros e destaca a importância da cooperação internacional para ampliar projetos voltados à ciência, tecnologia, gestão dos recursos naturais, povos indígenas, combate aos crimes ambientais e desenvolvimento sustentável.
“Dentro do próprio tratado que é de 1978 se ver muitas das vezes escrito sobre a necessidade de os países cooperarem entre si, para desenvolverem a ciência e o conhecimento na região. E claro, o tempo todo, nós estamos buscando os países e vendo qual a melhor forma de cooperação e os caminhos estão sendo abertos”.
Cooperação para a Amazônia
Ao longo da entrevista, Vanessa Grazziotin também explica os principais projetos desenvolvidos pela OTCA e os mecanismos de cooperação adotados entre os governos da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela.
Vanessa Grazziotin é uma das convidadas do programa ‘Entrevistas’, do Amazon Sat. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Ela destaca ainda como a secretaria-executiva acompanha a implementação das decisões tomadas pelos países membros e atua na busca por recursos e parcerias internacionais para fortalecer iniciativas voltadas à proteção da maior floresta tropical do planeta.
“Não adianta, por exemplo, aqui do lado brasileiro aplicarmos o período de defesa para proteger espécies de peixe e outros países não. O rio que nasce lá tem ramificações em diversos outros países”, destaca.
A entrevista também aborda o papel estratégico da Amazônia nas discussões globais sobre mudanças climáticas, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, além dos desafios de conciliar proteção da floresta, crescimento econômico e melhoria da qualidade de vida das populações que vivem na região.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasceu com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília e dos debates que influenciam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, economia, meio ambiente, desenvolvimento regional e relações internacionais, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e autoridades.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa busca aprofundar debates e mostrar os bastidores das decisões que impactam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica, transformando temas complexos em informações acessíveis ao público.
“Entrevistas” tem episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e reexibições às quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas-feiras, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus (GMT -4).
Região Norte, segundo estudo, aplicou R$ 5,3 bilhões em saneamento básico, apenas 4,7% dos R$ 112,6 bilhões investidos para a área no país. Foto: Reprodução G1/Rede Amazônica
O Brasil investiu R$ 112,6 bilhões em saneamento básico entre 2020 e 2024, enquanto a Região Norte investiu apenas R$ 5,3 bilhões desse total, uma fatia de 4,7% dos recursos aplicados no país, a menor participação entre todas as regiões brasileiras. É o que revela um estudo do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, que coloca o Acre como o estado com menor investimento no país no período: R$ 65,8 milhões entre 2020 e 2024, menos de 0,1% do total nacional aplicado.
Esse baixo volume de investimento se reflete diretamente nos indicadores da região. Dados do SINISA (2024) presentes no Painel Saneamento Brasil mostra que a Região Norte atende 62,8% da população com acesso à água potável, 16,6% com coleta de esgoto, enquanto 22,5% do esgoto gerado é tratado. As perdas de água na distribuição chegam a 49,4%, quase metade de tudo o que é captado se perde antes de chegar às torneiras.
Indicadores precários se traduzem em mais internações por doenças de veiculação hídrica, maior sobrecarga do SUS e perdas de produtividade que afetam a economia local. Priorizar investimentos na Região Norte é essencial para reverter esse cenário. Ampliar o acesso à água tratada e à coleta e ao tratamento de esgoto reduziria as internações por essas enfermidades, destravaria ganhos socioeconômicos e mais do que isso, traria melhores condições de vida para os habitantes.
Foto: Reprodução/Instituto Trata Brasil
Em um ano eleitoral, colocar o tema no centro do debate é decisivo para reverter esse cenário, especialmente nos estados do Norte. A plataforma Voto no Saneamento, do Instituto Trata Brasil, reúne dados regionais para que o eleitor exija compromissos concretos dos candidatos e oferece ferramentas para que esses candidatos incluam o saneamento em seus planos de governo.
Foto: Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA)
Expressão informal utilizada pra descrever eventos do El Niño considerados de intensidade muito forte ou extrema. Embora não seja uma categoria oficial padronizada pela Organização Meteorológica Mundial, o “Super El Niño” geralmente é associado quando o fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical ultrapassa +2ºC em relação à temperatura do mar.
Impactos do fenômeno El Niño na América do Sul para os períodos de verão (dezembro a fevereiro) e inverno (junho a agosto) Fonte: BTR1/CPTEC/INPE
Segundo a média histórica, nos últimos 150 anos, foram registrados quatro ‘Super El Niños’: 1877-78, 1982-83, 1997-98 e 2015-16. Mas segundo as projeções divulgadas pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOOA), existe 82% de probabilidade para a formação do Super El Niño entre maio e julho de 2026 e 96% de chance de que o fenômeno se mantenha entre dezembro deste ano até fevereiro de 2027. Os modelos indicam que a temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical poderá atingir 3,6°C acima da média, superando o recorde de 2,75°C observado durante o forte El Niño de 2015/2016.
Apesar de não ter uma confirmação sobre a intensidade máxima, o risco de formação do ‘Super El Niño’ tem preocupado especialistas, comunidade acadêmica e autoridades sobre os impactos do evento extremo nas cidades, estados ou países.
A comunidade católica de Manaus vive neste fim de semana um dos momentos mais importantes do calendário religioso da capital amazonense. Neste sábado e domingo, 1º e 2 de agosto, a Paróquia Nossa Senhora de Nazaré realiza a tradicional procissão do Círio de Nazaré, celebração que reúne milhares de fies para renovar a esperança e fortalecer a devoção à Virgem de Nazaré.
Com o tema “Em Maria, Deus fez morada entre nós”, a festa foi antecipada de outubro para agosto a pedido do Centro Integrado e Comando e Controle (CICC) devido a quantidade de grandes eventos no mesmo mês, que somado ao período eleitoral, poderia sobrecarregar os órgãos de trânsito e segurança pública da cidade.
“Foi um pedido dos órgãos de segurança, fizemos uma votação entre as igrejas, coordenada pelo nosso pároco, o padre Daniel Curnis, e a comunidade acatou a solicitação pelo aspecto da segurança. Então só frisando, entre tradição e segurança, optamos pela segurança”, afirma Davi Flores, coordenador do Círio.
Apesar da mudança, a programação principal do Círio de Nazaré permanece a mesma. No sábado (1°), a partir das 19h, ocorre a Transladação da Imagem de Nossa Senhora de Nazaré. A procissão sairá da Praça Nossa Senhora de Nazaré e seguirá pelas avenidas Mário Ypiranga Monteiro, Teresina, Maceió, Major Gabriel e Tarumã até o Santuário Nossa Senhora de Fátima.
Já no domingo (2), a partir das 7h, será realizada a Procissão do Círio. O cortejo sairá do Santuário Nossa Senhora de Fátima e passará pelas avenidas Tarumã, Duque de Caxias, Humberto Calderaro Filho e pelas ruas Natal e Mário Ypiranga Monteiro, retornando à Praça Nossa Senhora de Nazaré.
As homenagens continuam no dia 8 de agosto, às 16h, com a Procissão do Círio das Crianças e Jovens. A saída será da Praça Nossa Senhora de Nazaré, com percurso pelas avenidas Mário Ypiranga Monteiro, Teresina e Humberto Calderaro Filho, além da Rua Natal, retornando ao ponto de partida.
“Com as duas procissões, a gente repete o fato que originou a construção do Santuário de Nazaré, em que um caboclo pescador encontrou a imagem, levou para casa e misteriosamente ela voltou ao local de origem, fez isso por algumas vezes e depois entendeu que tinha um propósito maior”, explica Davi.
Segundo o coordenador, a estimativa de público durante o final de semana gira em torno de 10 a 15 mil pessoas.
Durante toda a programação do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) estão distribuídos numa operação especial de monitoramento e controle do trânsito durante os eventos, que acontecem entre os dias 1º a 8/8. O objetivo é garantir a segurança dos fiéis, a organização viária e a fluidez do trânsito nas vias que integram o percurso das procissões e demais eventos religiosos.
A orientação é que os motoristas programem seus deslocamentos com antecedência, utilizem rotas alternativas durante os horários das procissões e redobre a atenção ao trafegar nas imediações dos eventos religiosos.
Trufa de tucumã: aprenda receita que vira alternativa de negócio na Amazônia — Foto: Foto: Reprodução/Rede Amazônica
Exibido no Amazônia Agro da Rede Amazônica, o programa apresentou uma trufa feita com tucumã, fruta típica da Amazônia. A chef Marta Peres explica que a receita foi desenvolvida em parceria com alunos de confeitaria e pode ser uma alternativa para quem busca empreender com doces regionais.
“Vocês estão acostumados a ver o tucumã no x-caboquinho ou na tapioca. Hoje vamos aprender uma receita diferente: a trufa de tucumã”, explica Marta.
Bata a polpa de tucumã no liquidificador até formar uma pasta homogênea.
Leve ao fogo baixo junto com o leite condensado, mexendo sempre.
Quando levantar fervura, acrescente o chocolate branco. Ele dá consistência de ganache sem alterar o sabor da fruta.
Cozinhe até atingir o “ponto de estrada” e leve à geladeira.
Enquanto isso, triture o chocolate meio amargo em pedaços pequenos e derreta em banho-maria, sem deixar ferver. Com o chocolate derretido, cubra o fundo das formas de trufa com cerca de 2 cm de espessura.
Depois, recheie com o brigadeiro de tucumã e finalize com mais chocolate para fechar a casquinha.
“Essa é a receita de trufa de tucumã, criada junto com nossos alunos, que aprendem técnicas de chocolate”, conclui Marta.
Sommelier dá dicas de vinhos para aproveitar o calor com mais refrescância. Foto: Divulgação
Com temperaturas elevadas e alta umidade do verão amazônico, escolher o vinho certo faz toda a diferença para uma experiência mais agradável. Vinhos leves, refrescantes e servidos na temperatura correta são as principais recomendações para quem deseja apreciar a bebida mesmo nos dias mais quentes.
O sommelier consultor do Pátio Gourmet, Alexsander de Oliveira, explica que a principal característica a ser observada na escolha do vinho para os dias mais quentes é a refrescância porque eles proporcionam uma degustação mais agradável e equilibrada, mesmo em dias de calor intenso.
Segundo o especialista, os estilos mais indicados para essa época do ano são os espumantes, rosés, brancos e também os tintos leves, desde que servidos na temperatura adequada.
O sommelier recomenda que vinhos brancos, rosés e espumantes sejam s degustados entre 6°C e 8°C. Já os tintos costumam ser servidos a 18°C, mas, em regiões de clima quente como Manaus, podem ser consumidos em temperaturas mais baixas.
“Em uma situação de calor intenso como a que vivemos no verão amazônico, é perfeitamente possível servir os tintos a cerca de 15°C. Isso torna o vinho mais agradável sem comprometer suas características”, disse.
Outro ponto importante é a forma de armazenar a bebida. Em cidades com temperaturas elevadas, manter as garrafas em ambiente adequado é essencial para preservar suas características.
Sommelier dá dicas de vinhos para aproveitar o calor com mais refrescância.Foto: Divulgação
“O ideal é conservar os vinhos em uma adega climatizada, ajustada em torno de 15°C. Assim, o vinho permanece protegido das variações de temperatura e mantém toda a sua qualidade”, acrescenta.
Para quem procura opções para o consumo no dia a dia, Alexsander destaca que é possível encontrar rótulos de qualidade sem gastar muito. O Pátio Gourmet conta com uma seleção de vinhos de importação própria que oferece excelente custo-benefício, permitindo que o consumidor tenha acesso a bons rótulos por preços bastante competitivos.
Já para quem está dando os primeiros passos no universo dos vinhos, a recomendação é começar por bebidas leves e fáceis de apreciar. “Sugiro os vinhos brancos jovens produzidos na América do Sul, especialmente do Chile, da Argentina e do Brasil. Os espumantes brasileiros também são excelentes opções para quem deseja iniciar no mundo dos vinhos”, destaca.
Sommelier dá dicas de vinhos para aproveitar o calor com mais refrescância. Foto: Divulgação
Bate-papo
O bate-papo com o sommelier conduzido por Alexsander de Oliveira vai reunir uma seleção especial de rótulos da adega da rede. “É um momento de descontração e, principalmente, de troca de informações sobre o universo dos vinhos. Queremos aproximar cada vez mais as pessoas dessa cultura e mostrar que o vinho pode fazer parte de diferentes ocasiões”, frisa.
Durante o evento, todos os vinhos selecionados para a degustação estarão com 20% de desconto. A adega do Pátio Gourmet reúne mais de mil rótulos, provenientes de mais de 20 países, oferecendo opções para diferentes perfis de consumidores e faixas de preços.
Mulheres Yanomami se apresentam durante 8ªAssembleia Ordinária da Hutukara Associação Yanomami. Foto: Samantha Rufino/ InfoAmazônia
“A voz das mulheres Yanomami vai acontecer, no Brasil, fora do Brasil. A mulherada está começando a lutar.” A frase é de Ehuana Yaira Yanomami, uma das três mulheres que passam a integrar a diretoria da Hutukara Associação Yanomami (HAY), principal organização representativa da Terra Indígena (TI) Yanomami, que se estende por Roraima e Amazonas. Pela primeira vez em 22 anos de história, a organização terá uma diretoria que não é formada exclusivamente por homens, um avanço na participação feminina nos espaços de decisão do movimento indígena.
Essa conquista das mulheres coincide com um momento de renovação na Hutukara. Davi Kopenawa, de 70 anos, liderança reconhecida internacionalmente e xamã de seu povo, decidiu deixar o cargo de presidente, que ocupava desde a criação da associação, em 2004. Assim, os Yanomami viveram outro momento inédito: a realização de uma votação secreta para eleger a nova Presidência e a diretoria. Inspirado no modelo eleitoral não indígena, o processo contou com a formação de duas chapas, a apresentação de propostas e a votação por meio de cédulas depositadas em urna simbólica.
“A voz das mulheres Yanomami vai acontecer, no Brasil, fora do Brasil. A mulherada está começando a lutar.” diz Ehuana Yaira Yanomami a reportagem.
O processo demorou cerca de dois dias, em junho. Em outras ocasiões, a Presidência era escolhida por aclamação, quando não há disputa nem votação formal, e a escolha ocorre pelo consenso ou manifestação coletiva de apoio, ou por meio de votações abertas. As chapas foram representadas pelas cores vermelho e verde, assim, os Yanomami que não são alfabetizados puderam participar. O processo envolveu uma comissão eleitoral formada pelos próprios Yanomami.
“Eu fiquei muito feliz. Não é fácil ainda para nós, porque é nova essa forma de eleger nossos representantes, mas pouco a pouco a gente está aprendendo. Foi muito bom. O mais importante é que essas lideranças que estão aqui entenderam o que é democracia. Então, democracia significa liberdade de cada um escolher”, diz Anselmo Yanomami, um dos integrantes da comissão eleitoral formada pelos próprios indígenas.
Votação para Presidência e diretoria da Hutukara Associação Yanomami durante a 8ª Assembleia da Hutukara, em junho de 2026. Foto: Samantha Rufino/ InfoAmazônia
A chapa presidida por Dário Kopenawa, filho de Davi que acompanha a atuação política do pai desde a adolescência, recebeu 60 votos e foi eleita; a concorrente, do líder da região Missão Catrimani, Huti Yanomami, teve sete votos. Dário assume a Presidência a partir de 2027, nesse novo momento marcado pela ampliação da participação das mulheres em sua direção.
“Como Hutukara, nós somos uma instituição que denuncia violações de invasores na Terra Yanomami. Nós sofremos ameaças — eu, meu pai, meus colegas —, mas cutucamos as autoridades, direitos humanos, governo federal e jogamos na mídia. Isso [a Hutukara] é uma arma muito importante. Alguns diretores estão nos deixando, mas vamos continuar! Eu estou sofrendo e lutando e não quero largar a minha luta. Nos últimos quatro anos, nós fizemos isso, lutamos”, disse Dário durante a Assembleia.
O trabalho para proteger direitos
A presença de Ehuana na diretoria é mais um espaço na sua atuação. Artista, escritora e uma das principais lideranças Yanomami, ela segue os passos de Davi Kopenawa ao denunciar internacionalmente os impactos do garimpo ilegal sobre os povos Yanomami e Ye’kwana, especialmente na vida das mulheres. Apesar da barreira do idioma, em poucas palavras em português, ela contou à reportagemque as mulheres são contra o garimpo ilegal no território.
“Queria lutar principalmente para não acabar com os nossos direitos. Agora as mulheres aprenderam a lutar, para lutar junto com homem. Meu tio Davi luta faz tempo, mas ainda não acabaram os garimpeiros. Eles querem aprovar no Congresso Nacional um projeto de mineração”, diz.
Ehuana Yanomami é uma das principais lideranças indígenas de seu povo e foi uma das eleitas na diretoria da Hutukara. Foto: Samantha Rufino/InfoAmazonia
Embora ainda poucas mulheres Yanomami falem a língua dos não indígenas, isso não é um empecilho para que Ehuana e outras líderes defendam o território. A artista viaja pelo mundo e conta na sua língua sobre o que acontece dentro da maior terra indígena do Brasil, lar de 34 mil indígenas e que foi assolada pela invasão de garimpeiros ilegais nos últimos anos. “O garimpo trouxe muita doença e nossos irmãos até hoje ficam preocupados. Nossa terra já está furada, estragada. Por isso, não queremos deixar os [garimpeiros] na nossa terra. Todas as mulheradas não querem”, completa.
A chegada de Ehuana e outras mulheres à diretoria é resultado de um processo iniciado há mais de duas décadas pelas próprias mulheres Yanomami. A busca por mais espaço começou a ganhar força antes ainda da criação da Hutukara, em 2002, quando cinco mulheres participaram de um encontro da Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (OMIRR) e decidiram organizar um evento para reunir exclusivamente mulheres Yanomami da região do Catrimani, segundo o Instituto Socioambiental(ISA).
Desde então, o encontro se expandiu e agora ocorre anualmente em outras regiões do território para discutir sobre segurança, saúde, geração de renda e outras temáticas de interesse delas. Já em 2015, inspiradas nas discussões sobre participação feminina Yanomami da região do Amazonas, em Maturacá, elas decidiram fundar a Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma (AMYK) para focar na cadeia produtiva do artesanato da região. Segundo Maria Marques Lopes Assis, secretária da organização, o processo de criação não foi simples, mas avançou com conscientização e articulação com outras associações do território.
“Só assim a gente pode se sentir livre, não é só o homem que leva a política. O que nos incentivou foi perceber que, antigamente, nós, mulheres, não ocupávamos posições de liderança. Ao observar a forma como os não indígenas faziam política, surgiu a ideia de criar a nossa própria associação. Agora, a gente vê o envolvimento das mulheres”, conta.
Maria Assis, secretária na AMYK, do Amazonas. Foto: Samantha Rufino/ InfoAmazônia
O que nos incentivou foi perceber que, antigamente, nós, mulheres, não ocupávamos posições de liderança. Ao observar a forma como os não indígenas faziam política, surgiu a ideia de criar a nossa própria associação. Maria Marques Lopes Assis
Mas o protagonismo das mulheres vai além. Na assembleia que elegeu a nova diretoria neste ano, elas abriram a programação com cantos e danças tradicionais e também participaram das discussões sobre os rumos da associação e da Terra Indígena Yanomami. No dia a dia, estão na linha de frente das comunidades: cuidam da roça, das crianças e produzem artesanato.
Agora, além de ocuparem cargos na diretoria, elas passarão a contar com um Departamento de Mulheres na estrutura da Hutukara. As integrantes serão escolhidas durante o próximo Encontro de Mulheres Yanomami, que acontece até o final deste ano. Embora a associação já desenvolva iniciativas voltadas ao público feminino, esta será a primeira vez que contará com um setor permanente dedicado às suas demandas, como o fortalecimento do protagonismo feminino, a promoção da saúde das mulheres e a geração de renda por meio do artesanato.
A gente não tinha essa noção de colocar uma mulher para ajudar dentro [da Hutukara] a fortalecer a política das mulheres, né? Então, a gente pensou muito sobre isso e tomou conhecimento disso. Nós sonhamos e pedimos permissão”, disse Dário Kopenawa. Na cosmovisão Yanomami, os sonhos são um importante canal de comunicação com espíritos protetores da floresta. “É importante! A mulher tem direito de participar das reuniões, encontro das mulheres e estar em outros estados para falar da violação das mulheres. Elas têm autonomia para falar”, enfatiza.
‘Tem uma flecha com meu filho‘
Davi Kopenawa é reconhecido internacionalmente pela defesa dos direitos indígenas, encabeçou a campanha pela demarcação da Terra Indígena Yanomami, em 1992, e, desde a criação da Hutukara, transformou a organização em uma das principais vozes de denúncia contra o garimpo ilegal e seus impactos sobre os povos Yanomami e Ye’kwana
Povo indígena que vive entre o Brasil e a Venezuela, com língua, cultura e organização social diferente dos Yanomami, apesar de habitarem o mesmo território..
Por essa bagagem única, ele ocupará uma posição simbólica na associação, a de presidente de honra, função que também foi votada durante a assembleia. Para Davi, a participação das mulheres fortalece a associação e a defesa do território. Ele afirma que a experiência será construída ao longo do caminho e diz que continuará apoiando esse processo. “Mulher tem direito de defender, mulher tem coragem de falar e mulher tem palavra forte, falam a verdade. Achei muito bonito e forte, vi, apoiei! Vou continuar dando apoio”, afirma.
Davi Kopenawa, líder e xamã do povo Yanomami. Foto: Samantha Rufino/ InfoAmazônia
Questionado sobre quais os planos após mais de duas décadas à frente da luta Yanomami, Kopenawa é direto: “tenho que trabalhar no meu roçado para ter comida na nossa comunidade, essa que é a minha ideia”, disse à InfoAmazonia. “Primeiro tem que abrir o roçado e plantar macaxeira, banana, cana, cará, tudo o que a gente come. Depois, se tiver algo muito importante, um convite para mim, eu venho”. Mas antes disso, deixou conselhos para quem vai continuar segurando o que ele chamou de “flecha” da luta.
“Eu não vou abandonar você [Dário], não. É muito difícil a briga entre políticos, nós não temos amigos políticos em Boa Vista e em nenhum lugar, então eles vão enfrentar muito, mas não vou deixar eles sofrer não. Tem uma flecha com meu filho e com meu sobrinho [Ênio Yanomami], o vice-presidente, são dois. Estão armados com a boca, armados para falar contra políticos, contra garimpeiros, contra mineração, marco temporal e outros invasores”, explicou.
“Tem uma flecha com meu filho e com meu sobrinho [Ênio Yanomami], o vice-presidente, são dois. Estão armados com a boca, armados para falar contra políticos, contra garimpeiros, contra mineração, marco temporal e outros invasores.” disse Davi Kopenawa.
Dário Kopenawa, vice-presidente da Hutukara Associação Yanomami. Foto: Samantha Rufino
‘Não queremos o projeto de mineração’
Se a eleição marcou uma nova etapa para a organização, ela também ocorreu em meio à atenção da comunidade internacional sobre a situação Yanomami. Durante a assembleia, representantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)
Órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA) responsável por promover e proteger os direitos humanos nas Américas. dialogaram com lideranças indígenas e conheceram os desafios enfrentados pelo povo Yanomami diante do avanço do garimpo.
A CIDH esteve no Brasil para uma visita de trabalho para o processo de elaboração do Relatório Regional sobre Mineração Ilegal de Ouro na Amazônia e no Escudo Guianense. A delegação foi liderada pelo relator especial Javier Palummo, especialista em direitos humanos e vice-presidente do Comitê Consultivo do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Na ocasião, os Yanomami frisaram o posicionamento contra os projetos que tramitam no Congresso Nacional e no Senado a favor da mineração em terras indígenas.
“Nós todos, Yanomami aqui de Roraima, não queremos o projeto de mineração, porque isso faz o povo sofrer. Esses projetos que estão sendo feitos lá no Congresso Nacional são muito perigosos. Nas décadas passadas, muitos dos nossos anciãos morreram. Nós, Yanomami, não queremos que isso continue. Não queremos mais morrer. Queremos a nossa terra livre da mineração e dos garimpeiros”, diz Sumaya Yanomami, indígena de Palimiú, uma das regiões mais afetadas pelo garimpo ilegal.
Entre os Projetos de Lei está o PL nº 6050/2023, que trata sobre a permissão de atividades econômicas nos territórios, como exploração mineral e de petróleo. Atualmente, o PL de autoria do senador Márcio Bittar (União-AC) tramita na Comissão de Serviços de Infraestrutura.
As lideranças também denunciaram a persistência do garimpo ilegal no território, apesar da redução recente da atividade. Segundo relatório do Instituto Socioambiental lançado em maio deste ano, em parceria com o Monitoring of the Andes Amazon Program (MAAP), programa da Amazon Conservation que monitora o desmatamento e os incêndios na Amazônia por meio de imagens de satélite, a degradação provocada pelo garimpo caiu de cerca de 1.800 hectares em 2022, ano de maior impacto registrado, para 45,2 hectares em 2025.
O monitoramento é feito todos os meses com imagens de satélite analisadas por especialistas em geoprocessamento. A partir dessas imagens, eles identificam e delimitam as áreas degradadas pelo garimpo. Como denunciado pelas lideranças durante a assembleia, o documento indica que os invasores alteraram a forma de atuar devido ao aumento no número de operações contra o garimpo ilegal, lideradas pela Casa de Governo em Roraima, órgão criado pelo governo federal em fevereiro de 2024 para concentrar as ações de desintrusão da atividade no território.
Agora, eles se concentram em áreas próximas à fronteira com a Venezuela e em pontos mais dispersos no interior da floresta. Os Yanomami também questionam a impunidade dos garimpeiros presos em operações, mas que são soltos pela Justiça brasileira. A reportagemquestionou o Ministério Público Federal sobre quantos processos resultaram em prisão preventiva, mas não obteve retorno.
“Isso é muito absurdo! Matam as crianças, matam os Yanomami. Por que não são presos?”, pergunta Dário Kopenawa. “A legislação é bem clara: invasores de terras indígenas que foram demarcadas não podem invadir, não podem pegar nenhuma madeira, vai ser preso legalmente. Eu não consigo entender.”
A sensação de impunidade relatada pelas lideranças Yanomami tem explicação na legislação brasileira. De acordo com o procurador da República do Ministério Público Federal (MPF) em Roraima, Alisson Marugal, os garimpeiros flagrados dentro da Terra Indígena Yanomami costumam responder por crimes ambientais e pelo crime de usurpação de bens da União, infrações que, na maioria dos casos, não resultam em prisão preventiva.
“O garimpeiro é preso em flagrante, levado à Polícia Federal, mas geralmente é solto na audiência de custódia. A legislação, como está hoje, dificilmente permite que ele permaneça preso apenas por ter sido identificado dentro do território indígena”, afirma. Segundo ele, embora a pena máxima prevista seja de cinco anos, ela costuma ser convertida apenas em medidas cautelares, como o comparecimento periódico à Justiça e uso de tornozeleira eletrônica para casos específicos.
A intenção dos relatos ao CIDH é que o Estado brasileiro seja responsabilizado pela omissão de socorro aos Yanomami, especialmente entre os anos de 2018 e 2022, quando houve aumento nos casos de malária e desnutrição entre os indígenas, levando ao decreto de saúde em emergência no território ocorrido em 20 de janeiro de 2023. Durante a assembleia, as reivindicações em relação à saúde, segurança e educação também foram apresentadas a representantes do governo federal, como Casa de Governo e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Representantes das seis redes amazônicas que debateram sociobioeconomia após edital. Foto: Divulgação/ FAS
As seis Redes selecionadas pelo Edital de Seleção de Redes para a Criação de Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia avançam para uma nova etapa de atuação na Amazônia Legal. Formadas por associações, cooperativas, organizações comunitárias, instituições de pesquisa e parceiros técnicos, elas atuarão no fortalecimento de negócios, cadeias produtivas e iniciativas conduzidas por povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.
Os Núcleos funcionarão como pontos de articulação territorial, conectando organizações locais a serviços de assistência técnica, formação, inovação produtiva, acesso ao crédito, gestão, comunicação, empreendedorismo, políticas públicas e mercados na sociobioeconomia.
No início de julho, representantes das Redes participaram, em Brasília (DF), de uma formação realizada no âmbito do Projeto Sociobioeconomia na Amazônia, iniciativa promovida pelaFundação Amazônia Sustentável (FAS) e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). O encontro alinhou os procedimentos técnicos, administrativos e financeiros dos projetos e permitiu a troca de experiências de sociobioeconomia entre organizações de diferentes territórios.
A bioeconomia é interpretada de acordo com as necessidades e visões de cada país ou região. Foto – Ronaldo Rosa
Desafios e expectativas dos territórios
No Território da Sociobioeconomia de Portel, no Marajó paraense, a distância das comunidades e a dificuldade de acesso às políticas públicas estão entre os principais desafios. A Rede pretende ampliar a participação de associações, cooperativas, sindicatos e negócios comunitários nos espaços de decisão e nas iniciativas de desenvolvimento territorial.
“Esperamos fortalecer um coletivo capaz de acessar e implementar políticas públicas de interesse das comunidades e dos negócios locais, inserindo sindicatos, cooperativas e associações nos diálogos e debates territoriais”, afirma Katiuscia Miranda, Analista Socioambiental do Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB).
No Amazonas, as organizações do TSBio Juruá-Tefé apontam a logística, a falta de infraestrutura e as dificuldades para o escoamento da produção como obstáculos para a valorização dos produtos da sociobiodiversidade. A expectativa é que o Núcleo ajude a aproximar os produtores de novos mercados, melhorar as condições de comercialização e fortalecer a atuação coletiva das organizações locais.
“O Núcleo pode ajudar a buscar novos mercados, negociar a nossa produção por um preço melhor e ampliar o acesso às políticas públicas. Esperamos construir cada vez mais esse espírito de coletividade, união e parceria, porque é assim que conseguiremos superar os obstáculos”, destaca Pedro Canizio Oliveira da Silva, vice-presidente da Federação dos Manejadores e Manejadoras de Pirarucu de Mamirauá (FEMAPAM), integrante do TSBio Juruá-Tefé.
Cada Rede poderá receber até R$ 11,7 milhões para implementar suas ações ao longo de quatro anos. Os recursos serão direcionados ao fortalecimento das organizações, dos negócios comunitários e das cadeias produtivas da sociobiodiversidade.
Para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a atuação de organizações que já conhecem as realidades locais permitirá direcionar políticas públicas e investimentos de maneira mais efetiva, considerando as necessidades e potencialidades de cada território.
“São essas pessoas e organizações que vivem e fazem a bioeconomia acontecer nos territórios. Dar condições para que esses grupos se organizem e fortaleçam a gestão e o desenvolvimento da produção é uma forma de reconhecer quem, de fato, contribui para conservar a floresta em pé”, afirma Bruna De Vita, Diretora do Departamento de Políticas e Estímulo à Bioeconomia do MMA.
Segundo o superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, a implementação dos Núcleos também deverá contribuir para agregar valor aos produtos da floresta e ampliar a renda das populações amazônicas.
“Queremos contribuir para que a produção da sociobiodiversidade tenha mais valor agregado, alcance novos mercados e gere mais renda para povos indígenas, comunidades tradicionais, quilombolas e agricultores familiares que vivem e protegem a floresta”, afirma.
Próximos passos
Após os alinhamentos realizados em Brasília, as Redes avançam para a implementação dos seus Planos de Desenvolvimento. A FAS acompanhará a execução dos projetos, oferecendo apoio nos processos de monitoramento, gestão, prestação de contas e busca de soluções para os desafios encontrados nos territórios.
A iniciativa busca consolidar ecossistemas territoriais capazes de ampliar a autonomia das organizações locais e criar condições para que associações, cooperativas e empreendimentos comunitários tenham mais acesso a conhecimento, investimentos, serviços, mercados e políticas públicas.
Sobre o Projeto Sociobioeconomia da Amazônia
O Projeto integra a cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha para implementação da Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENBio), que orienta o estímulo a atividades econômicas sustentáveis, valorizando a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos da floresta. A coordenação política é do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio da Secretaria Nacional de Bioeconomia (SBC). A implementação é realizada pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW).
*Com informações da assessoria de comunicação da FAS
Doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) são motivos de preocupação de 92% da população brasileira. Foto: Reprodução/Tânia Rego-Agência Brasil
A maioria da população brasileira reconhece os principais fatores de risco relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), percebe as mudanças climáticas influenciando na saúde e aponta a importância de ampliar o acesso à informação e a transparência das empresas para enfrentá-las. Esta é a conclusão de uma pesquisa inédita feita pelo Instituto Datafolha sob encomenda da ACT Promoção da Saúde no âmbito do projeto Prevenção 360º, apoiado pela Umane, em 117 municípios das cinco regiões do país, com 2.000 entrevistas com pessoas acima de 16 anos, e 1.913 acima de 18 anos, entre os dias 4 e 6 de maio.
A pesquisa foi iniciada com perguntas para verificar se a população entende que as DCNT, como pressão alta, câncer, diabetes, doenças do coração e respiratórias, estão relacionadas com fatores de risco. Para 92% dos entrevistados, o principal fator para essas doenças é o tabagismo, inclusive os cigarros eletrônicos, e para 83%, o alto consumo de bebidas alcoólicas. Já a alimentação não saudável, com ingestão de muitos produtos ultraprocessados e poucas verduras e vegetais, é apontada por 80% das pessoas como relacionada às DCNTs, enquanto 78% identificam o sedentarismo e a poluição do ar como fatores de risco.
Pela primeira vez, o levantamento investigou também a percepção da população sobre a influência das mudanças climáticas nas DCNTs. O resultado mostra que 81% dos brasileiros acreditam que eventos como ondas de calor, enchentes e tempestades aumentam o risco de desenvolver essas doenças.
O Datafolha apresentou, de forma alternada, quatro meios de se combater as DCNTs para que cada pessoa pudesse escolher até duas opções que considerassem mais efetivas. Quando perguntados sobre as medidas mais efetivas para combater as DCNTs, os entrevistados demonstram valorizar ações que ampliem o acesso à informação e fortaleçam a responsabilidade das empresas. Para 56%, a medida mais importante é que as empresas expliquem claramente o que seus produtos contêm e quais riscos oferecem à saúde.
Outros 53% defendem ampliar as informações na TV, internet e redes sociais sobre prevenção dessas doenças. O comportamento individual também teve destaque, com 52% dos entrevistados dizendo que “cada pessoa deve tomar os cuidados para não desenvolver essas doenças”. A adoção de medidas comprovadamente eficazes para a saúde pública, por meio de legislação, teve apoio de 33%.
Dados da pesquisa revelaram que a prevenção das doenças e os fatores de risco ainda é frequentemente percebida como responsabilidade individual. Foto: Pixabay
Para a ACT, esses dados revelam que, embora a população reconheça os principais fatores de risco para DCNT, a prevenção ainda é frequentemente percebida como responsabilidade individual. Porém, escolhas pessoais são feitas em ambientes moldados por desigualdades sociais, estratégias de marketing e lobby de grandes indústrias. Por isso, enfrentar as DCNT exige ir além da informação e do autocuidado: requer políticas públicas capazes de tornar os ambientes mais saudáveis e proteger a população de práticas que aumentam riscos à saúde.
Nesse sentido, o apoio de 33% a medidas legais indica uma oportunidade de ampliar o debate sobre o papel do Estado, mostrando que as regulações não limitam a liberdade individual, mas criam condições mais justas para que ambientes saudáveis possam levar a escolhas saudáveis.
“Os resultados mostram que os brasileiros já reconhecem que as doenças crônicas são influenciadas por diversos fatores, inclusive pelas mudanças climáticas. O próximo passo é ampliar a compreensão de que a prevenção depende também de ambientes saudáveis, políticas públicas e da responsabilidade das empresas na proteção da saúde”, afirma Thais Junqueira, superintendente-geral da Umane.
Indústria de produtos nocivos
Aproveitando as eleições, o Datafolha também perguntou se as pessoas votariam em candidatos que tenham apoio das indústrias que fabricam produtos nocivos. Setenta e sete por centro não votariam em candidatos apoiados pela indústria do tabaco, 68% não votariam nos apoiados pela indústria de álcool e 58%, pela de ultraprocessados. Sessenta e seis por cento não votariam em políticos que apoiam empresas de agrotóxicos.
“Como uma democracia ainda em processo de consolidação, temos muito a avançar na construção de uma sociedade verdadeiramente democrática. Esse caminho depende da formação de cidadãos que compreendam o valor das políticas públicas e reconheçam seu papel na defesa do interesse coletivo. É essa cidadania ativa e consciente que estabelece o equilíbrio necessário entre o Estado e a iniciativa privada, assegurando que o interesse público prevaleça nas decisões que afetam a sociedade”, diz Marília Albiero, gerente de Inovação da ACT Promoção da Saúde.
Nos últimos dias, Porto Velho viveu uma série de ações voltadas ao fortalecimento do turismo de natureza, da pesca esportiva e da valorização do patrimônio histórico e ambiental. A programação reuniu especialistas, representantes do Governo Federal, empresários, pescadores e instituições públicas em uma agenda que reforçou o potencial da capital rondoniense como um dos principais destinos turísticos da Amazônia.
O primeiro grande momento foi a realização do 1º Fórum Amazônico de Pesca Esportiva, que reuniu representantes do setor para debater políticas públicas, preservação ambiental, geração de emprego e renda e estratégias para transformar Porto Velho em referência nacional na modalidade. O encontro contou com a participação do analista técnico do Ministério do Turismo, Humberto Pires, e da superintendente federal do Ministério da Pesca e Aquicultura em Rondônia, Dra. Raica Esteves Xavier Meante.
Na sequência, Solenidade de Outorga das Comendas Rio Madeira e Mário de Andrade, homenageando pessoas e instituições que contribuem para o fortalecimento do turismo, da cultura e da identidade do município.
Augusto Lira conheceu de perto os atrativos naturais e participou de atividades voltadas à pesca esportiva. Foto: Arquivo/ Secom Rondônia
Durante a cerimônia também foi lançado o Manual da Pesca Esportiva, um material elaborado para orientar pescadores, operadores turísticos e visitantes sobre a prática responsável da atividade, incentivando a preservação dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável do setor.
Outro marco da programação foi a apresentação dos selos oficiais “Porto Velho: Capital da Pesca Esportiva” e “Porto Velho: Capital do Turismo de Observação de Aves”, iniciativas que reforçam a identidade turística do município e ampliam sua divulgação para visitantes de diferentes regiões do país e do exterior.
A sequência de ações demonstra uma estratégia de valorização do Rio Madeira e das riquezas naturais da capital, transformando a pesca esportiva em uma ferramenta de desenvolvimento econômico, geração de oportunidades e fortalecimento do turismo sustentável.
Porto Velho recebeu a visita do secretário nacional de Políticas de Turismo, Augusto Lira da Rocha, que segue cumprindo compromissos no município. Durante a programação, ele conheceu de perto os atrativos naturais, os projetos desenvolvidos pela Prefeitura e participou de atividades voltadas à pesca esportiva, levando a experiência e o potencial da capital rondoniense para o cenário nacional.
Pesca esportiva. Foto: Joao Paulo Araujo
O secretário nacional de Políticas de Turismo, Augusto Lira da Rocha, ressaltou que Porto Velho reúne características únicas e possui potencial para se consolidar como um dos grandes destinos de turismo de natureza do Brasil. “Aqui tem um patrimônio natural extraordinário e um trabalho que une preservação, turismo e desenvolvimento. Essa experiência precisa ser conhecida em todo o país.”
O secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, disse que as ações realizadas fazem parte de um planejamento para posicionar Porto Velho entre os principais destinos turísticos da Amazônia. “Estamos estruturando produtos turísticos, valorizando nossa história e nossos rios para que Porto Velho seja reconhecida cada vez mais como um destino de natureza, cultura e pesca esportiva.”
O prefeito Léo Moraes afirmou que a cidade vive um momento histórico de valorização de suas potencialidades e que o objetivo é fazer com que a capital seja conhecida nacional e internacionalmente por suas riquezas naturais. “Estamos mostrando ao Brasil aquilo que Porto Velho sempre teve de mais valioso: o Rio Madeira, nossa biodiversidade e o potencial da pesca esportiva. Quando recebemos representantes do Governo Federal e eles conhecem essa realidade de perto, levamos o nome da nossa cidade para todo o país e abrimos novas oportunidades para o turismo, para a economia e para a nossa população.”