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Você sabia que existem mais de 20 hidrelétricas localizadas na Amazônia Legal?

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Hidrelétrica de Tucuruí. Foto: Reprodução/Museu da Hdrelétrica de Tucuruí

A Amazônia Legal, marcada por sua vasta rede hidrográfica e abundância de recursos naturais, concentra algumas das maiores usinas hidrelétricas do país.

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Localizadas principalmente nos estados do Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins, essas usinas desempenham papel fundamental na matriz energética nacional, mas também carregam polêmicas relacionadas a impactos ambientais e sociais.

Leia também: Usinas hidrelétricas da Amazônia: fontes de energia e de impactos ambientais

Confira onde estão localizadas as hidrelétricas na Amazônia Legal:

Amapá

Nome: Cachoeira Caldeirão
Onde: Rio Araguari (entre os municípios de Porto Grande e Ferreira Gomes)
Inauguração: 2016

Nome: Santo Antonio do Jari
Onde: Rio Jari (entre os municípios de Almeirim/PA e Laranjal do Jari/AP)
Inauguração: 2014

Nome: Coaracy Nunes
Onde: Rio Araguari (no município de Ferreira Gomes)
Inauguração: 1975

Nome: Ferreira Gomes
Onde: Rio Araguari (no município de Ferreira Gomes)
Inauguração: 2014

Hidrelétrica no Amapá
Foto: Reprodução/Cesbe Engenharia

Amazonas

Nome: Balbina
Onde: Rio Uatumã (no município de Presidente Figueiredo)
Inauguração: 1989

Mato Grosso

Nome: Manso
Onde: Rio Manso (entre os município de Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia)
Inauguração: 2000

None: Teles Pires
Onde: Rio Teles Pires (na fronteira dos estados do Pará e Mato Grosso)
Inauguração: 2015

Nome: São Manoel
Onde: Rio Teles Pires (na fronteira dos estados do Pará e Mato Grosso)
Inauguração: 2018

Nome: Ponte de Pedra
Onde: Rio Correntes (no município de Itiquira)
Inauguração: 2005

Nome: Guaporé
Onde: Rio Guaporé (entre os municípios de Pontes e Lacerda e Vale de São Domingos)
Inauguração: 2003

Nome: Jauru
Onde: Rio Jauru Paraguai (na região da Chapada dos Parecis)
Inauguração: 2003

Nome: Itiquira I e II
Onde: Rio Itiquira (no município de Itiquira)
Inauguração: 2002

Nome: Dardanelos
Onde: Rio Aripuanã (no município de Aripuanã)
Inauguração: 2011

Hidrolétrica de Manso. Foto: Furnas/Divulgação

Pará

Nome: Tucuruí
Onde: Rio Tocantins (no município de Tucuruí)
Inauguração: 1984

Nome: Belo Monte
Onde: Rio Xingú (próximo ao município de Altamira)
Inauguração: 2016

Nome: Curuá-Una
Onde: Rio Curuá-Una (no município de Santarém)
Inauguração: 1977

Hidrelétrica de Tucuruí. Foto: Reprodução/Museu da Hdrelétrica de Tucuruí

Rondônia

Nome: Samuel
Onde: Rio Jamari (no município de Candeias do Jamari)
Inauguração: 1996

Nome: Santo Antônio
Onde: Rio Madeira (entre os municípios de Laranjal do Jari/AP e Almeirim/PA)
Inauguração: 2012

Nome: Jirau
Onde: Rio Madeira (próximo de Porto Vleho)
Inauguração: 2013

Nome: Rondon II
Onde: Rio Comemoração (no município de Pimenta Bueno)
Inauguração: 2011

Hidrelétrica de Samuel. Foto: Reprodução/Eletrobras Eletronorte

Tocantins

Nome: Lajeado
Onde: Rio Tocantins (entre os municípios de Miracema do Tocantins e Lajeado)
Inauguração: 2001

Nome: Peixe Angical
Onde: Rio Tocantins (no município de Peixe)
Inauguração: 2006

Nome: São Salvador
Onde: Rio Tocantins (no município de Paranã )
Inauguração: 2009

Hidrelétrica Samuel. Foto: Reprodução/Governo do Tocantins

O que são hidrelétricas?

Hidrelétricas são complexos industriais que convertem a energia da água em eletricidade, usando a força de um rio ou reservatório para acionar turbinas conectadas a geradores. O processo envolve a construção de barragens para reter a água, que ao cair impulsiona as turbinas, transformando sua energia cinética em energia mecânica, e posteriormente em energia elétrica. Essa energia é então transmitida por redes elétricas para a população.

Leia também: Barragem x hidrelétrica: entenda as diferenças e os impactos desses empreendimentos na Amazônia

O funcionamento de uma usina hidrelétrica começa com a construção de uma barragem, que cria um reservatório ao acumular a água do rio e gerar um desnível. Essa água é conduzida por túneis e canais até as turbinas, cujo movimento, impulsionado pela energia cinética da água, se transforma em energia mecânica. As turbinas estão ligadas a geradores, responsáveis por converter essa energia mecânica em energia elétrica. Em seguida, a eletricidade passa por transformadores, que elevam sua tensão antes de ser distribuída pelas linhas de transmissão. Por fim, a água utilizada retorna ao leito natural do rio por meio do canal de fuga.

As usinas hidrelétricas apresentam vantagens e desvantagens. Entre os pontos positivos, se destacam o fato de serem uma fonte de energia renovável e limpa, que não emite gases de efeito estufa durante a operação, além de possuírem alta eficiência na conversão de energia e utilizarem a água como recurso gratuito. Por outro lado, também trazem impactos ambientais significativos, como o alagamento de grandes áreas, a destruição de ecossistemas e os efeitos sobre comunidades locais. Além disso, sua produção está diretamente ligada à disponibilidade de água, que pode variar ao longo do tempo e comprometer a geração de energia.

Cientistas transformam resíduos da mineração em tecnologia capaz de remover poluentes dos rios

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Foto: Alexandre de Moraes 

A Amazônia é o bioma brasileiro mais atingido pela mineração, conforme mapeamento realizado pelo MapBiomas, ainda em 2020, que apontou como 149.393 dos 206.100 hectares de terras mineradas no Brasil estavam em território amazônico. Tamanho impacto não ocorre sem consequências, e a contaminação dos ecossistemas aquáticos locais por rejeitos e metais pesados, como o mercúrio e o cromo, é apenas um dos danos ambientais causados pela extração mineral.

A procura por soluções para este cenário levou uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) a realizar um estudo que aponta que é possível transformar rejeitos da mineração em materiais capazes de remover poluentes da água. 

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Segundo o professor do Instituto de Geociências (IG), Dorsan Moraes, químico e coordenador da pesquisa, o objetivo inicial do estudo era investigar o uso de resíduos minerais para o desenvolvimento de tecnologias que minimizassem impactos oriundos de desastres naturais ou poluição de recursos hídricos.

Em outras palavras, pretendia-se transformar um problema ambiental significativo no norte do Brasil – o acúmulo de resíduos minerais – em parte da solução para a despoluição dos rios amazônicos. 

“Com o aumento da mineração no estado do Pará, há, consequentemente, o aumento da disposição de resíduos dos diversos processos de beneficiamento dos minerais alvos, o que, por atuação de um sinistro, podem vir a poluir o ar, o solo e, principalmente, a água, diminuindo sua qualidade, ocasionando a redução da população marinha e, consequentemente, da pesca. Criando novos processos de redução da poluição, surgem novas alternativas e de mais baixo custo que as atuais disponibilizadas, de forma a manter os rios saudáveis e, com isso, a população que depende dele, para sustento, agradece”, afirma Dorsan Moraes, que coordenou a pesquisa.

Leia também: Amazonas possui 15 barragens de mineração; saiba onde ficam

Desta forma, a investigação, que também contou com a participação de professores pertencentes a diversas áreas de pesquisas interligadas ao projeto e estudantes de pós-graduação, graduação e iniciação científica, apontou potenciais “despoluidores” nos resíduos de vermiculita e nos rejeitos da mineração de manganês. Com base neles, dois tipos de materiais foram sintetizados em laboratório: a vermiculita ativada com sódio e a fase tipo Shigaite LDH

Perigos associados aos poluentes da mineração

O azul de metileno, um composto sintético amplamente utilizado como corante têxtil que muda a cor dos rios, prejudica a entrada de luz e reduz o oxigênio disponível para peixes e plantas. O cromo, um metal pesado com potencial carcinogênico, também causa sintomas graves, como sangramentos em pessoas intoxicadas. Já o manganês, em concentrações elevadas, está associado a doenças como Alzheimer e a outros distúrbios neurodegenerativos.

Neste contexto, tanto a vermiculita ativada com sódio quanto a fase tipo Shigaite LDH passaram por experimentos que simulam situações reais de contaminação dos rios amazônicos e obtiveram melhores resultados quando a vermiculita ativada com sódio interagiu com o azul de metileno e a fase tipo Shigaite LDH interagiu com um íon de manganês e com o cromo.

Na ocasião, atuando como adsorvedores dos agentes poluidores, a vermiculita ativada removeu 99% do azul de metileno; enquanto a fase tipo Shigaite LDH HDL removeu 97% do cromo e 100% do manganês.

pesquisadores que trabalharam em estudo de mineração
Cientistas de diversas áreas analisaram as possibilidades de mudar o quadro da mineração. Foto: Reprodução/UFPA

Essa descoberta dos pesquisadores não só é capaz de reduzir consideravelmente o teor dos poluentes na água e no meio ambiente, como também conta com outro ponto relevante a seu favor: o menor custo de produção em relação aos métodos de despoluição tradicionais, como peneiras moleculares e os próprios adsorvedores comerciais.

“Além da despoluição, temos também a redução de resíduos que podem ser carregados para os rios, lembrando que o processo de despoluição é mais viável na saída das águas de despejo das mineradoras, evitando o problema na fonte”, acrescenta Dorsan Moraes. 

Segundo o professor, com a publicação dos resultados dessa etapa da pesquisa, o objetivo agora é investigar novos materiais residuais dispostos na biota amazônica e buscar parcerias com empresas do setor que ajudem a transformar o protótipo de laboratório em uma tecnologia adaptada para contextos mais amplos.

“A principal importância trata do uso de rejeitos diversos, principalmente da mineração, para desenvolvimento de novos materiais para atuarem como adsorvedores de poluentes, o que vem a reduzir custos de produção desses compostos já que são de origem natural, bem como ajudar na própria diminuição desses resíduos, transformando o que era lixo em nicho de mercado para as próprias empresas”, destaca. 

Os resultados do Projeto de Pesquisa “Uso de resíduos minerais e/ou minerais filossilicatos para produção de novos materiais ou desenvolvimento de tecnologia para minimização de impactos oriundos de desastres naturais ou poluição de recursos hídricos” foram publicados na Revista REM – International Engineering Journal em agosto. Confira o artigo na íntegra aqui

*Com informações da UFPA

Jardim neurossensorial em Boa Vista promove inclusão e desenvolvimento escolar

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A Escola Municipal Palmira de Castro Machado inaugurou um espaço especial para estimular os cinco sentidos das crianças. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

A Escola Municipal Palmira de Castro Machado conta agora com um novo espaço pedagógico: Jardim Neurossensorial, pensado para estimular os cinco sentidos das crianças, promover a inclusão social e apoiar o desenvolvimento integral dos estudantes.

Composto por diferentes texturas, cores, aromas e elementos interativos, o ambiente foi projetado para ser uma extensão da sala de aula, proporcionando novas formas de aprender e de se conectar com a natureza.

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O espaço contribui para o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional, além de favorecer a regulação em momentos de crise, especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outras necessidades específicas.

O novo espaço estimula o desenvolvimento cognitivo, motor e emocional das crianças. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Contribuições significativas aos alunos atípicos

A professora da Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) da unidade, Mayane Oliveira, destacou as contribuições do Jardim Neurossensorial para os alunos. “É um ambiente acolhedor, extensão da SRM, que promove o desenvolvimento sensorial, atenção, concentração, memória e linguagem. É um espaço valioso que beneficia todos os alunos e serve como suporte pedagógico para professores e cuidadores”, explicou.

O gestor da escola destacou que a implantação do Jardim Neurossensorial foi possível graças ao recurso conquistado pelo Prêmio Gestão Escolar 2024, quando a unidade alcançou o 2° lugar na categoria Grande Porte.

É mais uma conquista para nossa comunidade. Esse espaço vai contribuir de forma significativa, porque é um ambiente pedagógico diferenciado, onde professores e cuidadores poderão propor atividades educativas, de forma acolhedora e didática”, disse.

Leia também: Mormaço Cultural 2025: Mais de 200 mil pessoas prestigiaram programação no Parque do Rio Branco

O ambiente amplia a sala de aula, oferecendo novas formas de aprendizado e contato com a natureza. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

Pais e alunos celebram novo espaço

Para as famílias, o espaço representa mais do que um recurso pedagógico: é uma forma de garantir acolhimento e cuidado no processo de aprendizagem. Eline Gomes, mãe do estudante David, de 9 anos, que tem autismo e TDAH, destacou a relevância da iniciativa para o desenvolvimento do filho.

“Achei maravilhoso, porque ajuda muito na regulação dele, com as texturas, cores e estímulos. É um espaço bem colorido e criativo, que vai agregar ainda mais ao ensino e ao autocontrole de todas crianças que precisam de apoio, não só as atípicas. Desde que chegou à escola, meu filho teve avanços importantes. Logo aprendeu a ler e vem desenvolvendo cada vez mais tanto na sala regular quanto na sala de recursos”, relatou.

Eline Gomes, mãe do estudante David, elogiou a iniciativa e destacou a importância do novo espaço colorido e criativo. Foto: Giovani Oliveira/PMBV

O próprio David também aprovou o novo espaço. “O lugar que eu mais gostei foi o dos canos das bolinhas” contou o estudante.

Davi Matheus, de 10 anos, estudante do 5° ano, tem autismo e também gostou muito do espaço. Ele destacou a importância do local para o seu desenvolvimento. “Achei muito legal. Gostei de sentir a textura das coisas e de brincar aqui. Vai ser mais uma opção para a sala de Recursos Multifuncionais”, falou.

Pesquisa inédita inicia mapeamento na Região Norte sobre desafios de saúde mental em universidades

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Foto: Reprodução/Instagram-rederenasam

O Brasil iniciou em 2025, de forma inédita, o seu primeiro Estudo Nacional de Saúde Mental nas Universidades (Enasam-U). Neste mês, a pesquisa acontece na região Norte do país, na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). O estudo abrange estudantes e servidores de 50 universidades públicas de todo o Brasil, com idades entre 18 e 75 anos, e tem como lema “Por uma comunidade acadêmica saudável”.

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A pesquisa busca compreender os efeitos e os desafios de saúde mental enfrentados nas universidades para direcionar esforços na construção de uma universidade mais acolhedora, inclusiva e produtiva. Para isso, os pesquisadores irão coletar informações detalhadas em dois momentos:

  • primeiro com o envio de um questionário on-line para estudantes e servidores selecionados por sorteio aleatório;
  • segundo momento de entrevistas diagnósticas por telessaúde para avaliação da saúde mental.

A investigação tem na coordenação nacional o pró-reitor de pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Flávio Kapczinski, que enfatiza a importância de compreender a realidade da saúde mental nas universidades.

“Conhecer esse cenário nos permitirá ter um panorama representativo da realidade brasileira, o que certamente apoiará no redirecionamento de políticas públicas no campo da Saúde Mental, em âmbito regional e nacional”, explica ele.

A pesquisa conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e é coordenada por pesquisadores da UFRGS e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na região norte, foram sorteadas sete universidades públicas, que representarão toda a comunidade universitária. São elas:

  • Universidade Federal do Pará (UFPA),
  • Universidade Federal do Amazonas (Ufam),
  • Universidade do Estado do Amazonas (UEA),
  • Fundação Universidade Federal de Rondônia (Unir),
  • Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra),
  • Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)
  • e Universidade Federal do Acre (Ufac).

Leia também: Estiagem severa no Amazonas aumenta teleatendimentos psicológicos de indígenas e ribeirinhos

pesquisa saúde mental
Imagem: Mohamed_hassan via Pixabay

Abrangência nacional

Ao todo, serão coletados dados em 50 universidades públicas em todo território nacional, sendo esperado a participação de 15 mil voluntários. O estudo segue todos os critérios éticos e assegura privacidade e confidencialidade dos participantes, e se iniciará, em cada localidade, após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa.

Para viabilizar o rastreamento em todo território brasileiro, foi consolidada a Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam), que tem um importante papel de articular grupos de pesquisa para o desenvolvimento e inovação em Saúde Mental. Além disso, a Rede visa conduzir estudos inovadores e disseminar informações atualizadas para aumentar a conscientização sobre o tema e romper o estigma associado a tais problemas.      

Rede Nacional de Saúde Mental (Renasam)

A Renasam é uma rede de pesquisa, que tem como objetivo desenvolver, articular, multiplicar e disseminar conhecimento científico e tecnológico em Saúde Mental. Lançada em maio de 2024, a Rede conta com 50 pesquisadores de todas as macrorregiões brasileiras. Nos próximos dois anos serão realizados dois grandes projetos: o Enasam-U e o Enasam. 

O segundo estudo será o primeiro a avaliar a frequência de diagnósticos de saúde mental em todo o território nacional. Serão realizadas oito mil entrevistas de triagem presencial conduzidas em domicílios selecionados aleatoriamente. Em seguida, será realizada uma entrevista on-line síncrona conduzida em uma sub-amostra aleatória de indivíduos que responderam à triagem.

Saiba mais em www.renasam.com e Instagram: @rederenasam.

*Com informações da Ufopa

Protocolo para coleta e inventário de insetos aquáticos é criado por pesquisadores da Amazônia

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Foto: Divulgação

Um grupo de 28 pesquisadores de todos os estados da região da Amazônia Legal elaborou um protocolo inédito para o inventário de insetos aquáticos no sistema Rapeld (Inventários Rápidos em Projetos Ecológicos de Longa Duração), a fim de solucionar a falta de padronização nos métodos de coleta – um dos principais desafios para o monitoramento da biodiversidade.

O foco da proposta são os grupos Ephemeroptera, Plecoptera, Trichoptera, Odonata e Heteroptera (EPTOH), reconhecidos como bioindicadores da qualidade ambiental de ecossistemas de água doce.

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A proposta reúne procedimentos replicáveis que permitem gerar séries temporais e espaciais robustas, fundamentais para a compreensão dos efeitos das mudanças climáticas e das atividades humanas sobre os ecossistemas aquáticos e que são essenciais para orientar estratégias de conservação eficazes, como a descrição detalhada de equipamentos, métodos de coleta, delineamento amostral e métricas ambientais.

O protocolo também apresenta recomendações práticas para pesquisadores em início de carreira, gestores ambientais e tomadores de decisão.

“A padronização é um passo essencial para avançarmos na compreensão da biodiversidade aquática e subsidiarmos políticas públicas de conservação”, explica o coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Síntese da Biodiversidade Amazônica (INCT SinBiAm), professor do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Pará (UFPA) e bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq Leandro Juen.

Ele que liderou o estudo ao lado da professora da Faculdade de Ciências Biológicas da UFPA e bolsista de Produtividade em Pesquisa (PQ) do CNPq Karina Dias Silva.

(A) Coleta de Heteroptera; (B) coleta de Odonata; (C) coleta de imaturos de EPT; (D) acondicionamento das amostras de EPT juntamente com o substrato em saco plástico, para triagem posterior. Fotos: Leandro Juen/LABECOUFPA

Segundo os pesquisadores, esforços amostrais diferentes dificultam a integração de dados e a realização de análises em grande escala. Eles explicam que a adoção de metodologias unificadas tornará possível a geração de séries históricas confiáveis e que sua implementação em toda a região amazônica possibilitará a realização de estudos em grande escala, promovendo uma visão integrada da estrutura e do funcionamento das comunidades de insetos aquáticos em diferentes ecossistemas.

A padronização do protocolo também permitirá comparações entre diferentes áreas da Amazônia, com estudos que podem auxiliar a formulação de políticas públicas e estratégias para a mitigação de impactos ambientais.

Apesar de haver sido elaborado para a região da Amazônia, o protocolo pode ser aplicado a outras áreas geográficas do Brasil e até mesmo a diferentes países. Para os autores do protocolo, seu uso também fortalece programas de monitoramento nacionais que possibilitam estudos de larga escala e contribuem para a formação de novos profissionais em biodiversidade, como o INCT SinBiAm, o Programa Monitora Aquático do ICMBio, além de redes de pesquisa consolidadas que contam com financiamento do CNPq, como o Peld (Programa Ecológico de Longa Duração), o PPBio (Programa de Pesquisa em Biodiversidade).

“Esperamos que este protocolo seja adotado por pesquisadores, por órgãos ambientais como SEMAs, Ibama e ICMBio. A padronização permitirá comparações mais confiáveis entre regiões e ao longo do tempo, ampliando nossa capacidade de conservar e restaurar ambientes aquáticos”, observa a professora Karina.

Os pesquisadores acreditam que, além dos benefícios científicos, a adoção de protocolos padronizados contribuirá, do mesmo modo, para o fortalecimento da capacitação profissional e para a criação de redes colaborativas entre pesquisadores, gestores ambientais e comunidades locais, facilitando a implementação de programas de monitoramento de longo prazo. Ao refletir sobre o processo, o professor Leandro Juen observa que a ciência é construída em parcerias e colaborações.

“Este estudo mostra a importância de unir esforços, pois a Amazônia, com sua complexidade e diversidade, exige pesquisas colaborativas. As grandes variações ambientais tornam essencial ouvir as diferentes vozes e experiências de cada região. Só assim o protocolo garante comparações em larga escala e ao mesmo tempo contempla as especificidades locais de forma adequada”, afirma.

Escrito em português e com linguagem acessível, para permitir ampla acessibilidade, o protocolo foi publicado no número especial, de julho a dezembro de 2025, da Revista EDUCAmazônia.

Leia também: Estudos sobre insetos aquáticos do Amazonas e Pará compõem livro sobre impactos que sofrem com diversos usos do solo

Pontos apresentados no protocolo

De acordo com a introdução do protocolo publicado no periódico EDUCAmazônia, o delineamento amostral adequado para o uso dos insetos aquáticos como indicadores deve considerar o número de amostras, os habitats a serem investigados e a sazonalidade climática. Insetos aquáticos são influenciados por variáveis ambientais, que incluem características estruturais como o tipo de substrato e a quantidade de amostras necessárias para uma representação precisa da fauna local.

Ao todo, o protocolo trata de dez pontos referentes a materiais e métodos usados em pesquisa envolvendo insetos aquáticos, partindo de equipamentos utilizados em sua coleta, delineamento amostral e coleta de dados. A seguir, o documento aborda coletas específicas, como as de ordens Ephemeroptera, Plecoptera e Trichoptera, conhecidos como EPT, e de coletas de Odonata larva e de Heteroptera (Nepomorpha), Heteroptera (Gerromorpha) e coleta de adultos de Odonata.

O protocolo apresenta também procedimentos de laboratório, indicando que a identificação taxonômica dos insetos aquáticos coletados deve ser realizada em laboratório, com a utilização de chaves dicotômicas especializadas para cada ordem ou família, literatura específica e, se necessário, por meio de consulta a especialistas.

Métricas ambientais, que permitem avaliar mudanças nas características dos ecossistemas aquáticos e compreender como elas afetam as comunidades biológicas, também são assunto do documento. Nessa fase, ocorre o levantamento de dados físicos, físico-químicos e de integridade ambiental. O Índice de Integridade do Habitat (IIH) é uma métrica fundamental para a avaliação da integridade física do habitat. Baseado em uma avaliação visual de 12 parâmetros estruturais, a avaliação por esse índice inclui o padrão de uso do solo adjacente à vegetação ripária, a largura e o estado de conservação da vegetação ribeirinha, o estado da floresta ripária em uma margem de 10 metros e a estrutura e degradação das margens, entre outros.

Além de métricas de resposta biológica, o protocolo especifica no subtítulo materiais e métodos como o Índice de Proporção Zygoptera/Anisoptera, direcionado para a avaliação da integridade ambiental de igarapés amazônicos. Esse índice, que tem sido adotado pelo ICMBio para o monitoramento de Unidades de Conservação Amazônica, também tem se mostrado eficiente para a avaliação de riachos e de outros biomas, como o Cerrado e a Mata Atlântica.

inseto aquatico amazonia
Foto: Reprodução/’Insetos Aquáticos na Amazônia brasileira: taxonomia, biologia e ecologia’ (Inpa, 2019)

Importância dos insetos aquáticos

Os insetos aquáticos são organismos-chave para a análise e o monitoramento dos ecossistemas aquáticos de água doce naturais que se encontram sob diferentes intensidades de influências antrópicas, ou seja, atividades humanas que impactam o meio ambiente.

Além de realizar funções ecológicas, como a decomposição de matéria orgânica e o controle populacional de outros organismos, e de ser o elo de interações do meio aquático com o terrestre – o ciclo de vida desses insetos apresenta ao menos uma fase aquática, enquanto, quando adultos, eles são predominantemente terrestres e alados – eles atuam como bioindicadores da qualidade da água e do habitat, devido à sua sensibilidade ou tolerância às alterações ambientais. Sua diversidade pode diminuir, aumentar ou se modificar em relação à condição ambiental do ambiente.

Leia também: Insetos aquáticos são importantes bioindicadores e anunciam mudanças ambientais

O estudo dos insetos aquáticos é relevante para o diagnóstico da condição de um ecossistema em razão de esses organismos apresentarem particularidades como suficiência taxonômica e comunidades substitutivas, o que se refere à possibilidade de utilização de subconjuntos para representar a resposta de toda a comunidade. Algumas modificações antrópicas podem ser mascaradas pela sazonalidade climática, que altera as variáveis abióticas relacionadas à fauna, como o oxigênio dissolvido na água.

Desse modo, há necessidade de amostragens ao longo do tempo. Sistemas mais dinâmicos exigem maior esforço amostral para garantir a representatividade dos organismos, e a escolha da técnica a ser empregada para a coleta dos insetos aquáticos depende do tipo de ambiente – aquático ou terrestre – , das características dos insetos alvo e dos objetivos do estudo.

*Com informações do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Amazon Poranga Fashion: marcas autorais da Amazônia são apresentadas na 3ª edição do evento

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Foto: Divulgação

A terceira edição do Amazon Poranga Fashion (APF) transformará o Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus (AM), em uma passarela ao ar livre. O evento gratuito acontece nos dias 3 e 4 de outubro, a partir das 17h.

A programação conta com desfile nos dois dias de evento, além da apresentação da Orquestra Sinfônica da Amazônia, exposição ‘Tecendo Imagens’ de Pedro Furtado e estandes de vendas das marcas participantes e parceiros.

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Com curadoria coletiva que inclui o estilista indígena Sioduhi, eleito pela Vogue Business como um dos 100 nomes inovadores na categoria ‘Líderes de pensamento sobre sustentabilidade’, o desfile contará com mais de 20 marcas autorais da Amazônia, afirmando o protagonismo criativo da região no cenário da moda.

“Quando penso na moda autoral amazonense, penso na diversidade das linguagens, do design e técnicas. Durante o desfile, podemos esperar a presença indígena, quilombola, artesanias, alfaiataria, upcycling, street wear, avant-guard, moda circular e outras experimentações. Estou muito feliz em poder contribuir com a curadoria, principalmente nesta edição que acontece no Centro Histórico de Manaus”, afirma Sioduhi.

Amazon Poranga Fashion: Sioduhi, estilista indígena
Foto: Divulgação

Amazon Poranga Fashion investe na economia criativa

A grande aposta do APF nesta edição é valorizar a diversidade da economia criativa do estado. De Manaus, marcas como Sioduhi Studio, Arévola Gallery e Dezenove Setenta, entre outros, apresentam propostas distintas: reflexões sobre as transformações do mundo, inovação artística e a força da moda urbana, respectivamente.

Além de estilistas da capital, o evento reúne criadores de Parintins e Barreirinha, dois importantes pólos do artesanato regional. O Grupo Watyamã e o Quilombo do Rio Andirá apresentam peças autênticas produzidas em Barreirinha por indígenas e quilombolas, enquanto a marca Sakofa, do estilista Erlesson Souza, leva ao desfile a moda autoral de Parintins, reforçando a ancestralidade da Amazônia negra com o afro-futurismo.

Para a idealizadora do evento, Jessilda Furtado, o desfile é um momento para reunir os tipos mais autênticos de moda existentes na Amazônia.

“Por trás das marcas autorais, existem pessoas extremamente criativas da região Norte. Com o Poranga, queremos trazer à tona várias formas de representar a Amazônia e a economia criativa através da moda autoral, por pessoas que vivem diariamente os desafios de ser nortista”, explica.

Leia também: As modistas da Belle Époque: destaques ofuscados durante o ciclo da borracha em Manaus

Evento abre as portas ao público

Desde 2023, o Amazon Poranga Fashion tem ampliado sua presença e relevância a cada edição. Enquanto as duas primeiras foram voltadas a um público restrito a 600 convidados, a terceira edição se abre à população em geral, com expectativa de público de mais de 3 mil pessoas durante os dois dias de evento.

Para a edição de outubro, o Amazon Poranga Fashion ocupará o Largo de São Sebastião, um dos cenários mais emblemáticos de Manaus, situado em frente ao Teatro Amazonas. Marco da Belle Époque, período importante da economia amazonense, o espaço é símbolo de inovação e abertura para o futuro. Com o Monumento à Abertura dos Portos como referência central, o local foi escolhido para traduzir a união das diversas expressões da economia criativa que ganharão destaque durante o desfile.

Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus. Foto: Divulgação

“O público pode vivenciar a força criativa desse ecossistema que vem se fortalecendo e sentir como a moda pode ser um agente de transformação cultural e econômica no Amazonas e na região Norte como um todo. Esse é o direcionamento que o Poranga tem tomado e, cada vez mais, a gente vai lutar pela estruturação da cadeia de moda e economia criativa”, explica Felipe Taveira, coordenador administrativo do Amazon Poranga.

Line-up do APF 2025

O APF apresentará uma programação dividida em blocos de desfiles no Largo de São Sebastião. Os detalhes completos podem ser encontrados na página oficial do Amazon Poranga Fashion no Instagram, @amazonporanga. Confira os horários dos desfiles:

03/10

Bloco 1 (18h)

Grupo Watyamã
Brechó 3.30 veste Centro de Convivência do Idoso
Semsimpa7ia
Kelly Maia
Renata Sampaio
Sankofa
Quilombo do Rio Andirá (Barreirinha)

Bloco 2 (20h)
We’e’ena tikuna
Glitch
Atnia
1970
Wan Wan

04/10

Bloco 1 (18h)

Arévola Gallery
Sapopema
Dm Cyanotype
Jambú por Lívian Muniz
Ateliê Maria Lima

Bloco 2 (20h)
Atelie Yra Tikuna
Rita Prossi + Sandra Lasmar + Bem Ditas
Jerusa Flores
Cepeco
Líbia & Nabila Ateliê
Sioduhi Studio

Nova ferramenta monitora Amazônia em tempo quase real e reforça proteção ambiental

Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT

Uma nova ferramenta foi desenvolvida pelo Governo Federal para acompanhar o bioma amazônico em tempo quase real. O objetivo é reforçar a proteção ambiental e garantir mais transparência nas ações de combate ao desmatamento.

O sistema amplia o escopo do Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que já monitorava áreas de floresta nativa. Agora, também passam a ser observadas regiões não florestais, como campos naturais e savanas, que representam cerca de 20% da Amazônia.

“A gente não fazia isso naquela área que não tem cobertura florestal. Várias áreas e outras formações que não são do tipo florestal não estavam cobertas por esse monitoramento diário, então a gente passou a fazer isso para todo o bioma amazônico. Agora está completo”, explicou Cláudio Almeida, coordenador do programa Biomas BR, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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ferramenta do governo monitora amazônia
Dedmatamento na Amazônia é um dos pontos de monitoramento. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

IA para ajudar a Amazônia

Com o uso de inteligência artificial e imagens de satélite, o sistema vai emitir alertas diários sobre desmatamento, mineração ilegal e queimadas na Amazônia.

“A gente está desenvolvendo ferramentas com base principalmente no uso de aprendizado profundo. O pessoal conhece bastante como inteligência artificial. São algoritmos que, a partir de um conjunto de amostras significativas, passam a entender e reconhecer padrões. Quanto mais amostras o sistema analisa, mais ele consegue detectar esses padrões”, detalhou Almeida.

Atualmente, os alertas do Deter já cobrem mais de 75% do território nacional. A meta do governo é expandir o monitoramento para outros biomas que ainda não contam com vigilância constante, como a Mata Atlântica, a Caatinga e o Pampa.

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“A gente entende que é um avanço. É mais um tijolinho que estamos colocando para construir uma base sólida. Produzimos dados que vão apoiar políticas públicas”, concluiu o coordenador.

*Por Matheus Santos, da Rede Amazônica AM

Documentário sobre história real de mulher no garimpo é premiado no maior festival de cinema do país

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Foto: Reprodução/Instagram-festbrasilia

O documentário roraimense ‘A pele do ouro’ recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia na Mostra Competitiva de Curtas no 58° Festival de Cinema de Brasília, considerado o maior festival de cinema do país.

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A obra é inspirada em uma história real vivida por uma mulher no garimpo. No filme, ela mesma interpreta a personagem principal. Chamada apenas de Patri, para preservar a verdadeira identidade, a protagonista assume o papel central na narrativa construída a partir das memórias registradas em diários íntimos ao longos anos.

O roteiro vencedor do Troféu Candango é fruto de uma parceria entre Patri, Marcela Ulhoa, Yare Perdomo e Daniel Tancredi.

“Foi uma felicidade muito grande receber esses dois prêmios no festival de cinema de Brasília. Já tinha sido uma alegria imensa ter sido selecionado entre quase 1400 curtas. E ainda sair com essa dupla: roteiro e direção de fotografia. Fechou de uma forma incrível a nossa participação no festival”, disse a diretora do filme, Marcela.

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Documentário leva Roraima ao topo

A narrativa apresenta um recorte sensível sobre a vida da mulher no garimpo. O curta tem duração de 15 minutos. Yare Perdomo ressalta que o cinema roraimense está ocupando espaços importantes.

“Quando fomos chamados no palco, a pessoa que chamou, chamou a premiação primeiro para Patri, ela assina o roteiro junto. A gente acha que o roteiro é a vida dela. Trabalhamos essa história com ela, então, a gente achou que o festival entendeu a nossa mensagem”, explicou a cineasta Yare.

O documentário roraimense “A pele do ouro” recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia — Foto: Reprodução
O documentário roraimense “A pele do ouro” recebeu o prêmio de Melhor Roteiro de curta-metragem e de Melhor Direção de Fotografia. Foto: Reprodução

Já a direção de fotografia do documentário é responsabilidade de Daniel. Como a ideia era preservar a identidade da Patri, ele precisou demonstrar a sensibilidade da história nas telonas, sem revelar o rosto da personagem principal.

“Desafio grande da fotografia de fazer um filme sem mostrar o rosto. O rosto no cinema que traz as emoções. Esse é um filme de fronteira, com uma equipe mista de brasileiros e a maioria são venezuelanos, mulheres venezuelanas. É um prêmio que traz esses frutos quando a gente abraça a imigração, podem ser muito bonitos”, disse o diretor.

“A pele do ouro” estreou oficialmente no Festival, dia 17 de agosto. O filme foi feito em parceria com a Platô Filmes, produtora roraimense que recebeu o Troféu Candango de Melhor Filme do Festival em Brasília, com o documentário “Por onde anda Makunaíma?”, em 2020.t

O Festival de Cinema de Brasília é realizado há 60 anos, sendo considerado o mais antigo e tradicional do país. Este ano foram exibidos 80 títulos, um recorde na história do festival.

*Por Carlos Barroco, da Rede Amazônica RR

Saiba quais são os pontos mais altos dos países da Amazônia Internacional

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Um dos pontos mais altos conhecidos no Brasil é o Monte Roraima, mas ele não é o maior. Foto: Gildo Júnior/Bora de Trip

A Amazônia Internacional é a maior floresta tropical do mundo, se estendendo por nove países da América do Sul: Brasil, Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

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Embora a região seja conhecida principalmente pela vastidão de seus rios e pela biodiversidade, cada um desses países guarda montanhas e picos que alcançam altitudes impressionantes, alguns figurando entre os mais altos do continente.

Confira os pontos mais altos de cada país amazônico:

Peru: Huascarán (6.768 m)

O Nevado Huascarán, na Cordilheira Branca, é o gigante do Peru e o sexto mais alto da América do Sul. Com 6.768 metros, o Huascarán Sur não é apenas símbolo natural, mas também patrimônio cultural e turístico, atraindo alpinistas de todo o mundo.

Nevado Huascarán. Foto: Reprodução/Unesco

Bolívia: Nevado Sajama (6.550 m)

O Sajama é um estratovulcão extinto e o pico mais elevado da Bolívia. Medindo 6.550 metros, ergue-se de forma isolada na Cordilheira dos Andes, formando um cone imponente que domina a paisagem do altiplano.

Foto: Reprodução/Alan Picu

Equador: Vulcão Chimborazo (6.263 m)

Mais do que o ponto mais alto do Equador, o Chimborazo é famoso por ser o lugar mais distante do centro da Terra, graças ao formato “achatado” do planeta. Com 6.263 metros de altitude, seu cume nevado é um marco geográfico e turístico.

Foto: Reproduçãop/Civitatis

Colômbia: Pico Cristóbal Colón (5.508 m)

Localizado em Magdalena, o Pico Cristóbal Colón é o ponto culminante da Colômbia. Com mais de 5,5 mil metros, é considerado sagrado pela cultura ancestral Tayrona. Seus descendentes, os povos indígenas da região, são os guardiões da montanha e de seu equilíbrio ambiental.

Foto: Reprodução/Facebook-A si és Colômbia

Venezuela: Pico Bolívar (4.981 m)

Na Cordilheira de Mérida, o Pico Bolívar ergue-se a 4.981 metros de altitude. Nomeado em homenagem ao libertador Simón Bolívar, é a montanha mais alta da Venezuela e símbolo nacional de imponência e identidade.

Brasil: Pico da Neblina (2.995 m)

Situado no norte do Amazonas, na Serra do Imeri, o Pico da Neblina é o ponto mais alto do Brasil. Com quase 3 mil metros de altitude, foi medido oficialmente pelo IBGE em 2015. Além da imponência natural, está inserido em área indígena Yanomami, o que reforça seu valor ambiental e cultural.

Pico da Neblina. Foto: Marcos Amend/ICMBio

Suriname: Julianatop (1.286 m)

No sul do país, em meio às florestas do distrito de Sipaliwini, se ergue- o Julianatop. Com 1.286 metros de altitude, é o ponto culminante do Suriname, em uma região de transição entre floresta e savana, próxima à fronteira com o Brasil.

Foto: Reprodução/All Suriname Tours

Guiana: Monte Roraima (1.200 m)

O Monte Roraima é uma montanha de topo plano, típica do Escudo das Guianas. Apesar da altitude relativamente modesta de cerca de 1.200 metros, sua geologia única e os paredões verticais tornam-no um dos destinos mais emblemáticos da região amazônica.

Foto: Reprodução/Bora de Trip

Guiana Francesa: Bellevue de l’Inini (851 m)

Localizado na comuna de Maripasoula, o Bellevue de l’Inini é o ponto mais alto da Guiana Francesa, com 851 metros. Embora não seja uma montanha elevada em comparação com os demais países, é símbolo natural da região.

Foto: Reprodução/Mountain Forecast

ARPA: programa viabiliza gestão estratégica e proteção na Amazônia; saiba como

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Unidade de conservação Anavilhanas. Foto: Divulgação

A proteção do bioma amazônico, com sua vasta extensão e desafios logísticos, exige mais do que esforço local: requer parcerias estratégicas capazes de conectar diferentes territórios. Do sul do Amazonas à região do Baixo Rio Negro e até a fronteira de Rondônia, unidades de conservação federais mostram como o apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) tem sido decisivo para fortalecer a presença do Estado, ampliar a pesquisa científica, estimular o monitoramento ambiental e ferramentas de gestão.

Nos parques e reservas, gestores apontam que essa rede de apoio garante desde a manutenção das estruturas básicas até operações complexas de fiscalização, revelando um mosaico de proteção que atravessa toda a Amazônia. 

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Bioma amazônico. Foto: Divulgação

No sul do Amazonas, o Núcleo de Gestão Integrada (NGI) Humaitá é responsável por três unidades de conservação (UCs) federais — o Parque Nacional dos Campos Amazônicos, a Reserva Biológica do Manicoré e o Parque Nacional do Acari. Juntas, elas somam mais de 2,2 milhões de hectares de florestas e cerrado, território equivalente a quase duas vezes o estado de Sergipe. 

As principais pressões vêm da grilagem de terras, do garimpo ilegal de ouro e cassiterita, da extração seletiva de madeira nobre e do avanço da fronteira agropecuária, que impulsiona o desmatamento no entorno e busca invadir os limites das áreas protegidas. 

 “Se não fosse o projeto ARPA, dificilmente teríamos unidades tão implementadas e protegidas na Amazônia”, afirma o analista ambiental Caio Vinicius Almeida, do NGI Humaitá. “O programa viabiliza a presença constante do órgão gestor no território, custeando desde o combustível para as expedições até a realização de reuniões com conselhos e comunidades em múltiplos municípios. Fica difícil imaginar como seria a gestão desse território no bioma amazônico sem o programa ARPA”, aponta o analista ambiental. 

Almeida reforça ainda como os instrumentos de gestão apoiados pelo ARPA fazem diferença na prática. “O suporte se materializa em ferramentas essenciais, como o Cartão Pequenos Gastos e o Cartão Alimentação, que garantem que em operações de fiscalização — muitas vezes realizadas em acampamentos remotos com forças policiais — a equipe tenha toda a segurança e estrutura necessárias”, afirma. 

Imagem colorida da Floresta na Amazônia - Região Sudoeste Paraense
Floresta Amazônica. Foto: Agência Pará

O impacto também é visível em atividades de monitoramento. “No Parque Nacional dos Campos Amazônicos, o apoio do ARPA permitiu a execução de todas as campanhas de biodiversidade. Isso garante a sistematização do conhecimento para um melhor planejamento da gestão e o envolvimento da população local”, detalha Almeida. 

O Parque Nacional dos Campos Amazônicos abriga um raro enclave de cerrado em meio à floresta amazônica, o que o torna singular. Entre as espécies de fauna mais emblemáticas estão o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), considerado quase ameaçado, e o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), listado como vulnerável. Também está presente a onça-pintada (Panthera onca), classificada como quase ameaçada, símbolo da biodiversidade amazônica. 

Na Reserva Biológica do Manicoré e no Parque Nacional do Acari, predominam florestas densas que abrigam espécies ameaçadas como o macaco-aranha-de-cara-preta (Ateles chamek), vulnerável, e a ariranha (Pteronura brasiliensis), classificada como em perigo. A flora também é marcada por árvores de alto valor ecológico e econômico, como a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), e o mogno (Swietenia macrophylla), espécie ameaçada pela exploração ilegal. 

No baixo Rio Negro, no estado do Amazonas, a experiência do Parque Nacional de Anavilhanas reforça a abrangência dessa rede de proteção. O chefe substituto da unidade, Gilberto de Freitas Moreira, explica:

“A atuação do Parque Nacional de Anavilhanas, em parceria com o Projeto ARPA, tem sido essencial para fortalecer a proteção da riqueza de biodiversidade que compõem a unidade. Com o apoio financeiro na manutenção das estruturas físicas e nos equipamentos, o parque mantém sua presença institucional ativa na região, garantindo fiscalização, monitoramento e ações de conservação mais eficientes”, destaca. 

Foto: Eufran Amaral

Ele ressalta que os benefícios vão além dos limites do parque: “Esse trabalho impacta positivamente todo o Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro, contribuindo para a proteção em rede de uma das regiões mais importantes da Amazônia”, diz Gilberto. 

O gestor também chama atenção para o papel crescente do turismo ecológico e da educação ambiental em Anavilhanas. “Demonstrar para a sociedade que a floresta em pé é mais valiosa que a exploração sem controle é o grande desafio. Nesse sentido, é fundamental investir em iniciativas de educação e interpretação ambiental, que aproximem a população das áreas protegidas e fortaleçam o sentimento de pertencimento. Valorizar esse contato é essencial para que as pessoas compreendam o privilégio que o Brasil tem ao abrigar um bioma tão vital para o equilíbrio climático e ecológico do planeta.  

Composto por mais de 350 mil hectares de ilhas fluviais e canais, o Parque Nacional de Anavilhanas é um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. Sua biodiversidade inclui mamíferos aquáticos icônicos, como o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis), espécie classificada como em perigo, e o peixe-boi-da-amazônia (Trichechus inunguis), também listado como vulnerável. 

As florestas alagadas e várzeas abrigam ainda aves de grande importância, como a ararajuba (Guaruba guarouba), vulnerável, e o gavião-real (Harpia harpyja), quase ameaçado. A flora é composta por espécies adaptadas às cheias sazonais, incluindo árvores de igapó e várzea, além de palmeiras como o açaí-do-amazonas (Euterpe precatoria), de grande importância econômica e ecológica. 

Licenciamento Ambiental
Foto: Divulgação

No extremo oeste, na Reserva Extrativista (Resex) Rio Cautário, localizada no corredor Madeira–Mamoré–Guaporé, em Rondônia, o apoio do programa ARPA também faz diferença. Inserida em um mosaico ambiental que conecta diversas UCs e Terras Indígenas, a unidade é estratégica para a proteção do corredor Madeira–Mamoré–Guaporé. Seu gestor, Lauro de Oliveira Góes, destaca:

“Se considerarmos que a UC Resex Rio Cautário está inserida num mosaico ambiental que congrega outras UCs e Terras Indígenas, o Programa ARPA tem uma importante contribuição para proteção dessas áreas florestadas”.

A Resex abriga uma grande diversidade de ambientes — que vai de florestas densas a áreas de várzea — e sustenta populações de grandes predadores e espécies ameaçadas. Entre elas, a onça-pintada (Panthera onca), o tatu-canastra (Priodontes maximus), considerado vulnerável, e aves raras como o mutum-de-penacho (Crax globulosa), em perigo. 

Entre os resultados mais recentes, Góes aponta a gestão de um recurso natural emblemático. “Na UC Resex Rio Cautário, o Programa ARPA está apoiando o projeto de manejo do pirarucu invasor, gerando renda para as comunidades envolvidas”, relata. Para ele, o futuro da conservação passa pelo fortalecimento de alternativas sustentáveis: “É fundamental apoiar projetos de geração de renda para comunidades tradicionais, unindo conservação e desenvolvimento sustentável”, afirma o gestor. 

Unidades de Conservação como Anavilhanas e Rio Cautário revelam que o Programa ARPA não é apenas uma fonte de recursos, mas um pilar que sustenta a gestão estratégica, a produção científica, a valorização cultural e o fortalecimento comunitário. Em uma Amazônia sob constante pressão, o fortalecimento dessa rede é vital para garantir que as unidades de conservação permaneçam vivas, com floresta em pé, biodiversidade preservada e comunidades cada vez mais engajadas em seu futuro sustentável. 

Sobre o ARPA

O ARPA – Áreas Protegidas da Amazônia é um projeto do Governo do Brasil, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e tem o FUNBIO como gestor e executor financeiro. É financiado com recursos de doadores internacionais e nacionais, entre eles o governo da Alemanha por meio do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW), o Global Environment Facility (GEF) por meio do Banco Mundial, a Fundação Gordon and Betty Moore, a AngloAmerican e o WWF.