Foto: Isadora Pereira/Rede Amazônica AP e Divulgação/Graça Andritson
A exposição ‘Olhares que Cuidam’ transforma contemplação em gesto concreto de cuidado. O evento é beneficente e reúne 12 fotógrafos que doaram duas obras autorais cada. Todas as fotografias estão à venda e a arrecadação será destinada ao Santuário Lillou, espaço de acolhimento permanente para animais resgatados.
A mostra acontece na galeria do Espaço Cultural Dr. Phelippe Daou, dentro da Rede Amazônica, em Macapá (AP) desde o dia 10 de março. O espaço fica aberto para visitação de segunda a sexta-feira, durante horário comercial. Os agendamentos podem ser realizados pelo número (96) 99112-6310.
As imagens retratam paisagens que revelam tempo, território e silêncio. Ao escolher esse tema, os artistas destacam cuidado além do socorro imediato: é preservar o ambiente e assumir responsabilidade com o futuro. A ação é organizada pela artista plástica Graça Andritson, criadora do santuário.
“Cada fotografia vendida representa alimento, tratamento e dignidade para os animais que vivem conosco. É arte que se transforma em cuidado real”, afirmou Graça.
As obras na exposição são dos fotógrafos: Evandro Holanda, Fabiano Menezes, Lídia Mota, Aluízio Cardoso, Luzia Mota, Nani Rodrigues, Luísa Mota, Pedro Moutinho, Ronaldo Miranda, Tina Mota, Jeriel Luz e Jonaysa Carvalho.
Exposição beneficia o Santuário Lillou
O Santuário Lillou foi criado em 2025, em homenagem a uma cadelinha chamada Lillou. O espaço funciona como abrigo permanente para cães e gatos resgatados.
Atualmente, o local acolhe cerca de 30 cães e 9 gatos. Os animais recebem alimentação, atendimento veterinário, vermifugação e castração.
“Não conseguimos estar nas ruas todos os dias, porque cuidar dos que já estão aqui demanda tempo e estrutura”, explicou.
De forma eventual, filhotes são disponibilizados para adoção responsável. A prioridade é garantir qualidade de vida aos que já vivem no abrigo.
O santuário não realiza resgates constantes nas ruas. Segundo os responsáveis, a decisão busca manter o atendimento adequado dentro da estrutura disponível.
O trabalho é feito diariamente por cuidadores independentes. O objetivo é ampliar a estrutura e criar um espaço maior, afastado da área urbana, para oferecer mais tranquilidade e contato com a natureza aos animais.
Serra do Tepequém, em Amajari. Foto: Reprodução/ Ministério do Turismo
Quando se fala do verão de Roraima, o intenso calor da região amazônica logo vem à mente, bem como as tradicionais praias de água doce que se formam nas margens dos rios durante a estiagem. No entanto, o interior do estado guarda um refúgio para quem quer mergulhar em águas revigorantes: localizada no município de Amajari, a cerca de 200 km de Boa Vista, a Serra do Tepequém oferece clima mais ameno e um cenário repleto de cachoeiras deslumbrantes.
A subida da serra já revela uma transição na paisagem. No trajeto, a savana roraimense, conhecida como lavrado, dá lugar a uma vegetação montanhosa. Além do espetáculo visual, o local é carregado de história. No passado, o Tepequém foi um dos maiores polos de exploração de diamantes do Brasil. As cicatrizes deixadas pela atividade acabaram formando algumas belas piscinas naturais e quedas d’água, que hoje fazem a alegria dos visitantes.
A experiência na região é um convite à contemplação da natureza em sua forma mais pura. Trilhas levam turistas a maravilhas como a Cachoeira do Paiva, a mais famosa e imponente, e a Cachoeira do Barata, ideal para famílias que buscam nadar e relaxar em poços tranquilos.
Outro ponto imperdível: a Cachoeira do Funil, que impressiona com sua formação rochosa onde fortes águas proporcionam uma massagem natural.
Para os mais aventureiros, a caminhada até o topo da serra rende um pôr do sol espetacular, quando uma vista panorâmica abraça toda a imensidão verde e plana de Roraima.
A culinária local se encarrega de envolver o viajante com os sabores autênticos da Amazônia. A gastronomia em Amajari tem forte influência indígena e de migrantes nordestinos. A paçoca de carne seca batida no pilão, acompanhada de banana-da-terra (ou pacovã), é presença garantida nas mesas, assim como os peixes de rio, a exemplo do tambaqui assado na brasa.
Para os paladares que buscam uma imersão mais profunda, provar a damurida, um caldo tradicional indígena servido quente, levando pimenta jiquitaia, tucupi negro e peixe ou carne, permite “experimentar” a identidade do povo roraimense.
Como chegar
A chegada até o local é uma viagem tranquila e repleta de belezas no caminho. Começando pela principal porta de entrada, o Aeroporto Internacional da capital, Boa Vista, o turista segue de carro, ônibus ou van pela rodovia BR-174 e, na sequência, pela RR-203, em um trajeto que dura cerca de três horas.
A estrada em si já é um atrativo à parte, cruzando vastas planícies pontilhadas por buritizais, até que a imponente silhueta da montanha surge no horizonte.
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) participou de ações do Projeto Pé-de-Pincha que resultaram na soltura de mais de 5 mil quelônios na natureza, no âmbito das ações atinentes ao licenciamento ambiental, na região amazônica.
A iniciativa integra atividades de educação ambiental vinculadas aos programas de gestão ambiental da autarquia e contribui para o fortalecimento da conservação da biodiversidade local.
Neste ano, as ações realizadas com a participação das comunidades Nova Geração e São Sebastião do Igapó Açu resultaram na soltura de 5.225 quelônios. Na região da comunidade Nova Geração foram reintegrados à natureza 2.308 animais, enquanto na região da comunidade São Sebastião do Igapó Açu foram soltos 2.947 quelônios.
Projeto Pé-de-Pincha. Foto: Reprodução/ DNIT
Criado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o Projeto Pé-de-Pincha é uma iniciativa de conservação voltada à proteção de quelônios na região amazônica.
O trabalho envolve comunidades ribeirinhas, instituições públicas e parceiros locais em ações de manejo e proteção de ninhos, acompanhamento da eclosão dos ovos e posterior soltura dos filhotes no ambiente natural.
A iniciativa tem como objetivo proteger espécies da região por meio do manejo de ovos, que inclui a coleta em áreas naturais, incubação em locais protegidos, monitoramento dos filhotes após a eclosão e, posteriormente, a soltura no habitat natural durante o período de cheia dos rios.
O trabalho contribui para a preservação de espécies como tracajás, tartarugas-da-amazônia, entre outras.
A atuação ocorre por meio de atividades de educação ambiental realizadas junto às comunidades. Entre as ações desenvolvidas estão a organização de atividades educativas, como jogos temáticos e distribuição de materiais informativos, contribuindo para ampliar a conscientização sobre a importância da preservação ambiental e do cuidado com as espécies nativas.
O trabalho conjunto entre universidade, comunidades e instituições parceiras reforça a importância da cooperação para a conservação da biodiversidade amazônica e para a proteção das espécies de quelônios da região.
Pontos turísticos de Macapá. Foto: Divulgação/Acervo Ministério do Turismo
As margens do imponente Rio Amazonas, no extremo norte do Brasil, Macapá (AP) é a única capital brasileira cortada pela Linha do Equador. A cidade é um território onde ciência, tradição, espiritualidade e cultura popular convivem em equilíbrio, criando uma experiência amazônica singular.
Fundada oficialmente em 1758, Macapá nasceu como um ponto estratégico de defesa do território amazônico durante o período colonial. Sua história está profundamente ligada à presença indígena, às populações negras trazidas para a região e às comunidades ribeirinhas que moldaram o modo de viver às margens do maior rio do mundo.
O nome Macapá tem origem tupi, derivado de macapaba, expressão associada à abundância da bacaba, palmeira típica da região. Antes da ocupação portuguesa, a área era habitada por povos indígenas como os tucujus, cuja herança cultural permanece viva nas manifestações artísticas, nos saberes tradicionais e na relação respeitosa com a natureza.
Símbolo máximo da cidade, a Fortaleza de São José de Macapá é uma das maiores construções militares do período colonial no Brasil. Erguida no século XVIII às margens do Amazonas, a fortaleza foi fundamental para garantir a soberania portuguesa na região e hoje é um patrimônio histórico que conecta passado e presente.
Foto: Divulgação
Marco Zero: onde o mundo se encontra
Outro cartão-postal é o Marco Zero do Equador, ponto turístico que marca a divisão simbólica entre os hemisférios Norte e Sul. A atração geográfica se tornou palco de eventos culturais, científicos e celebrações que reforçam a identidade única de Macapá no cenário nacional e internacional.
Durante os equinócios, quando o sol se posiciona exatamente sobre a linha imaginária, moradores e visitantes acompanham um espetáculo natural que conecta ciência e ancestralidade.
Marco zero do equador, em macapá. Foto: Gabriel Penha/GEA
Marabaixo: ritmo ancestral
O Marabaixo é uma das manifestações culturais mais tradicionais do Amapá, com origem nas comunidades afrodescendentes formadas por negros que foram trazidos à região durante o período colonial.
A celebração reúne música, dança, religiosidade e memória coletiva, marcada pelo som das caixas de marabaixo, tambores que conduzem os cantos chamados de “ladrões”, versos que narram histórias, sentimentos e acontecimentos da comunidade.
Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo
O Marabaixo é celebrado principalmente em bairros históricos de Macapá e em comunidades do interior, tornando-se um símbolo de resistência cultural, identidade e orgulho do povo amapaense. Durante o verão amazônico, as rodas de Marabaixo ganham ainda mais vida, convidando moradores e visitantes a vivenciar de perto essa herança cultural que atravessa gerações.
Verão Amazônico
No verão amazônico, que se inicia em junho e segue até setembro, Macapá revela outro encanto: as praias de água doce formadas pelo recuo das águas do Amazonas. A Praia da Fazendinha é a mais famosa delas, reunindo moradores e turistas em um cenário onde rio, sol e cultura se encontram.
Além da Fazendinha, áreas ribeirinhas e balneários urbanos se tornam pontos de lazer, convivência e celebração da vida amazônica, acompanhados de música, gastronomia local e o ritmo tranquilo da cidade.
Foto: Eude Rocha
Sabores do Amapá
A culinária macapaense é uma verdadeira experiência sensorial. Pratos à base de peixe fresco, camarão regional e tucupi dividem espaço com receitas tradicionais como o caldo de tucupi, a goma de mandioca, o açaí e a bacaba, símbolo da região.
O sabor mais emblemático, no entanto, é o do camarão no bafo, presença constante em feiras e encontros à beira do rio, acompanhado de farinha e vinagrete, em uma celebração profundamente cultural.
Imagem de São Bonifácio no Museu de Arte Sacra, em São Luis (MA). Foto: dossiê de tombamento/IPhan.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o tombamento da Imagem de São Bonifácio, em São Luís (MA), no dia 10 de março. O reconhecimento ocorreu durante a 112ª reunião do colegiado – responsável por deliberar sobre a proteção de bens culturais brasileiros – que ocorreu no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro (RJ).
A decisão reconhece oficialmente o valor histórico, artístico e simbólico da escultura religiosa, que passa a integrar os Livros do Tombo Histórico e de Belas Artes, instrumentos de proteção do patrimônio cultural brasileiro.
O presidente do Iphan, Leandro grass, destacou o caráter crítico e propositivo desse tombamento. “A patrimonialização de um bem também significa que ele pode aquirir outros significados para a sociedade, se tornando um ferramenta de educação patrimonial e de reparação histórica”.
A imagem de São Bonifácio
A peça, datada do século 18, por volta de 1652, é uma escultura em madeira entalhada e policromada, com cerca de 66 centímetros de altura, que guarda em seu peito um relicário em vidro contendo fragmentos de ossos atribuídos ao mártir São Bonifácio. Essa característica confere à obra um valor religioso e simbólico singular, além de reforçar sua importância histórica.
Conselheiro do Iphan-Maranhão em aprovação de tombamento. Foto: Mariana Alves/ Iphan- MA
Segundo os estudos técnicos que embasaram o processo de tombamento, a imagem está diretamente relacionada à presença da Companhia de Jesus no Maranhão, desempenhando papel simbólico na consolidação das missões jesuíticas na região a partir do século 17.
Nesse contexto, a peça é considerada um testemunho material do processo histórico de ocupação e formação cultural da América Portuguesa, marcado pela ação missionária e pela difusão do catolicismo.
Além do valor histórico, a escultura também possui grande relevância artística. Especialistas apontam que sua execução apresenta características próximas da chamada escola maranhense de imaginária religiosa, destacando-se pela qualidade do entalhe, pela expressividade da composição e pelo tratamento das vestes e ornamentos.
Atualmente, a imagem está sob guarda do Museu de Arte Sacra do Maranhão, localizado no Palácio Arquiepiscopal, no centro histórico de São Luís, onde permanece exposta ao público. É a primeira peça sob guarda da instituição que recebe tombamento em nível federal.
O processo de tombamento da obra teve início em 2007, a partir de solicitação de entidades culturais do Maranhão, e passou por diversas etapas técnicas e administrativas até chegar à deliberação final do Conselho Consultivo do Iphan.
Com a decisão, a Imagem de São Bonifácio passa a contar com proteção federal para proteger de um dos mais importantes testemunhos da arte sacra e da história religiosa do Maranhão e do Brasil.
Pesquisa da Unifap investiga a Praga do Coqueiro. Foto: Divulgação/Unifap
Pesquisadores da Universidade Federal do Amapá (Unifap) investigam o risco de chegada da praga conhecida como Lethal Yellowing, capaz de destruir plantações inteiras de coqueiros e deixar os frutos impróprios para consumo.
O estudo é conduzido por alunos do curso de Educação do Campo. Eles explicam que a doença nunca foi registrada no Brasil, mas já preocupa países da América Central. O alerta é para os possíveis vetores que podem trazer a praga.
A suspeita é que cigarrinhas possam transmitir a doença, que não tem cura. Os insetos são capturados em armadilhas e levados para o laboratório, onde passam por análises.
“No laboratório retiramos as cigarrinhas com cuidado para preservar sua estrutura e depois fazemos a análise molecular”, explicou a pesquisadora Ana Kássia de Oliveira.
Pesquisa da Unifap investiga a Praga do Coqueiro. Foto: Divulgação/Unifap
O professor Janivan Suassuna afirma que ainda não se sabe o causador direto da doença. Ele destaca que o monitoramento é essencial na Amazônia, já que a bactéria pode atingir também os açaízeiros.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Macapá
“Nos países onde a doença já foi registrada, os sintomas aparecem em coqueiros e outras palmeiras. No caso do açaí, como não há registros no Brasil, os sinais podem se manifestar de forma diferente”, explicou Suassuna.
Como identificar a praga do coqueiro
Queda de frutos: cocos caem antes do tempo, em qualquer tamanho
Escurecimento das flores: botões ainda fechados ficam pretos
Amarelamento progressivo: folhas começam a amarelar de baixo para cima
Estágio “poste”: em 3 a 6 meses, a copa cai e sobra apenas o tronco nu.
A educação ambiental é uma das ferramentas pedagógicas mais valiosas para o incentivo de práticas e atitudes voltadas para a preservação do meio ambiente e sustentabilidade. No estado do Acre, algumas leis vigentes norteiam a sociedade para a importância da conservação e uso sustentável da biodiversidade, visando garantir qualidade de vida para futuras gerações.
A legislação ambiental acreana dispõe de algumas normas importantes que visam a proteção e conservação do meio ambiente, bem como a adoção de medidas e ações para a sociedade. Tais regulamentações traduzem alguns feitos na região como, por exemplo, a preservação de 85% da cobertura original da floresta nativa.
Confira algumas das principais leis voltadas à educação ambiental e sustentabilidade no Acre:
Política Estadual de Meio Ambiente
Considerada a base da legislação ambiental do Acre, a Lei nº 1.117/1994 estabelece diretrizes para a proteção dos recursos naturais e orienta ações que garantem o uso sustentável da biodiversidade, sem comprometer as futuras gerações. A norma também incentiva a participação da sociedade e o fortalecimento da educação ambiental.
Outro marco importante é a Lei nº 1.426 de 2001, que trata da preservação das florestas acreanas. A medida reforça o controle sobre o uso dos recursos naturais e amplia a proteção da cobertura vegetal, considerada um dos maiores patrimônios do estado. O Acre, inclusive, mantém altos índices de áreas preservadas, resultado direto dessas políticas.
Acre possui cerca de 85% de sua cobertura vegetal nativa preservada. Foto: Pedro Devani/Secom Acre
Regulamentado em 2007, a Lei nº 1.904 visa a organização do planejamento territorial através da definição de quais áreas podem ser destinadas à produção, conservação ou recuperação ambiental. A norma é considerada um instrumento para o planejamento sustentável no estado.
Planejamento ZEE territorial e ambiental do Acre. Foto: Divulgação/Embrapa
Sistema de Meio Ambiente do Acre
Com intuito de integrar órgãos e fortalecer a fiscalização ambiental do Acre, o governo estadual criou em 2019 o SISMAF, por meio da Lei nº 3.595. A norma trouxe avanços na gestão, controle das políticas ambientais sobre as atividades que impactam o meio ambiente.
Para isso, foi criado o Conselho Estadual de Meio Ambiente e Floresta (Cemaf), órgão colegiado que reúne representantes do poder público e da sociedade civil para deliberar sobre políticas, diretrizes e regulamentações ambientais no Acre.
Programa Câmbio Verde
Criada recentemente, a Lei nº 4.622/2025 tem finalidade de promover a sustentabilidade ambiental por meio da troca de resíduos recicláveis por alimentos no estado. O programa prevê estimular pessoas em situação de vulnerabilidade social, a participar da coleta seletiva de resíduos, além de contribuir para a segurança alimentar da população.
Normais federais
Além das leis estaduais, o Acre também segue legislações nacionais como:
Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) – visa a organização da gestão de resíduos no Brasil;
Código Florestal Brasileiro (Lei nº 12.651/2012) – Rege a proteção da vegetação nativa, Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL);
Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) – que estabelece critérios e normas para a criação, implantação e gestão das Unidades de Conservação no país.
Professores e pesquisadores de instituições parceiras estiveram presentes no lançamento da plataforma que foca em créditos de carbono. Foto: Reprodução/Green Forest
A Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e as empresas Green Forest e Amazon Connection Carbon celebraram no dia 10 de março a assinatura simbólica do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para o lançamento oficial da plataforma digital Forestia.
A ferramenta integra dados públicos de biomas e informações georreferenciadas dos últimos 10 anos, estruturando uma base territorial continuamente atualizada.
Ao longo do processo, as empresas parceiras participaram de uma chamada de edital do CNPq, integrando o setor público/privado e a pesquisa científica produzida na Amazônia, base fundamental para a criação da plataforma. Na cerimônia, estiveram presentes pró-reitores, coordenadores de curso, investidores, pesquisadores da UFRA e de outras instituições, assim como alunos.
Com o apoio da inteligência artificial, a plataforma Forestia identifica áreas com alto potencial de restauração, transformando-as em projetos de carbono rastreáveis e de alto impacto socioambiental. O aplicativo é gratuito e pode ser baixado AQUI.
A proposta da Forestia é fruto da pesquisa científica conduzida pela doutoranda da UFRA e engenheira florestal Milena Peper, que também é CEO da Green Forest e da Amazon Connection Carbon. Após um período de investigação, campo e construção metodológica, o objetivo foi transformar dados ambientais em decisões de alto valor para o mercado de carbono.
“Nesta fase inicial, a Forestia foi desenvolvida para oferecer respostas rápidas, precisas e tecnicamente qualificadas sobre a elegibilidade e a viabilidade de áreas destinadas ao desenvolvimento de projetos de créditos de carbono. A plataforma analisa se um território apresenta as condições ambientais, legais e técnicas necessárias para a implementação de projetos de restauração florestal com foco na geração de créditos de alto padrão”, explica.
Empresas parceiras participaram de uma chamada de edital do CNPq, integrando o setor público/privado e a pesquisa científica produzida na Amazônia. Foto: Reprodução/Green Forest
Ela explica que o sistema consolida um conjunto de informações estratégicas, como tipo de solo, potencial produtivo, histórico de uso e cobertura da terra, presença de pastagens ou formações florestais, “integrando dados científicos e geoespaciais que orientam a tomada de decisão com velocidade, rigor e transparência”, destaca a pesquisadora.
Todo o processo segue os requisitos técnicos da metodologia VM0047, da Verra, a certificadora internacional mais reconhecida do mercado voluntário de carbono. Milena, que fez a graduação, mestrado e agora está finalizando o doutorado na Ufra, acredita que é importante ter a formação científica para liderar projetos como esse no mercado privado.
“É extremamente importante unir os dois setores, pois sem essa ligação e organização, a gente não consegue ter um produto assertivo que traga credibilidade, rastreabilidade e que traga para o mercado a transparência que o produto exige”, disse.
Segundo o professor Marcus Braga, vice-coordenador do Acordo de Cooperação Técnica firmado entre a Amazon Connection Carbon e a UFRA, uma das principais preocupações da universidade é a sustentabilidade digital.
Pesquisador na área de Ciência da Computação e líder do Núcleo de Pesquisas em Computação Aplicada (NPCA/CNPq), o professor destaca que a UFRA busca se diferenciar das grandes corporações globais de tecnologia ao priorizar o desenvolvimento de IAs locais.
Lançamento da plataforma Forestia. Foto: Reprodução/Green Forest
“Enquanto as chamadas Big Techs operam data centers que demandam um consumo excessivo de água e energia para resfriamento, as iniciativas da universidade utilizam computadores de alto desempenho instalados dentro do estado do Pará, o que torna o impacto ambiental praticamente nulo”, afirmou.
Segundo ele, essa estratégia de descentralização tecnológica é fundamental para o desenvolvimento de soluções voltadas a problemas regionais, aliando inovação, eficiência computacional e responsabilidade ecológica.
O que é o Crédito de Carbono?
O crédito de carbono pode ser entendido como uma espécie de “conta bancária” ambiental, como explica a professora Gracialda Ferreira, doutora em Botânica e coordenadora do Acordo de Cooperação Técnica entre a Green Forest e a Ufra. “O carbono está presente na atmosfera, principalmente na forma de gás carbônico (CO₂). As árvores, durante seu crescimento, absorvem esse gás do ar e armazenam o carbono em seus troncos, galhos, folhas e raízes”, diz.
Segundo ela, cerca de 50% da biomassa de uma árvore é formada por carbono. Assim, o carbono estocado em várias árvores quando somam uma tonelada de carbono, equivale a um crédito de carbono.
“Os estoques de carbono agregam valor às florestas e podem ser usados, tanto por empresas quanto por comunidades a gerirem este créditos no mercado de Carbono. Outra alternativa de geração de crédito é a partir do carbono estocado pelo processo de recuperação de áreas degradadas, durante o crescimento das árvores, fase em que a absorção de CO₂ ocorre de forma mais intensa gerando oportunidades de mercado e geração de renda”, diz.
A professora também destaca que florestas preservadas funcionam como grandes reservas de carbono. Quando essas áreas são desmatadas ou degradadas, o carbono que estava armazenado pode ser liberado novamente para a atmosfera, contribuindo para o aquecimento global e podendo intensificar os impactos das mudanças climáticas.
Salão de espetáculos do Teatro Amazonas, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet. Foto: Victor Vec/MinC
O Ministério da Cultura (MinC) realizou, no dia 6 de março, visitas técnicas a projetos culturais do Amazonas apoiados pela Lei Rouanet. A atividade, que encerra a 368ª reunião ordinária da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), visa aproximar a diversidade cultural da região aos comissários por meio das iniciativas beneficiadas pela lei de incentivo.
Para o secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, Thiago Rocha, a realização da itinerância no estado amazonense reforça a estratégia de nacionalização do fomento cultural no país.
“Trazer a CNIC para o Amazonas reafirma o compromisso do Ministério da Cultura com a nacionalização das linhas de incentivo à cultura por meio do fomento. É trazer informação e conhecimento sobre a Lei Rouanet e a Política Nacional Aldir Blanc, mas também é se aproximar daqueles que fazem a cultura acontecer e conferir de perto”, afirmou.
A atividade iniciou com a visita do colegiado ao Museu da Amazônia (Musa). Situado em um recorte de 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, ele opera como uma instituição de pesquisa e difusão científica da natureza.
A visitação ao espaço museal foi guiada pelo diretor-geral, Filippo Stampanoni, que apresentou à comissão espaços como a torre de observação em aço, com 42 metros de altura e que oferece acesso ao dossel das árvores da reserva, além de laboratórios de exposição de serpentes, borboletário, orquidário e trilhas interpretativas sobre solo e a flora local.
“O Musa funciona como um museu vivo dentro desta reserva. Nossa prioridade é a pesquisa e o contato direto com a natureza. Nossa missão central é a pesquisa científica e a observação da natureza em seu estado mais puro. Aqui, o visitante sobe na torre ou percorre as trilhas para entender a complexidade do bioma amazônico na prática. A Lei Rouanet entra como uma ferramenta muito importante nesse processo. É o recurso que nos permite traduzir os dados da ciência e os vestígios da arqueologia em uma linguagem que o público compreenda e valorize”, destacou Stampanoni.
Ao todo, o Musa já captou mais de R$ 3,79 milhões por meio da Lei Rouanet.
Museu da Amazônia, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet. Foto: Victor Vec/MinC
Na seção de arqueologia, o Museu exibe vestígios cerâmicos de ocupações pré-colombianas. Já a exposição permanente Peixe e Gente utiliza artefatos e narrativas para descrever os métodos de pesca e a cosmologia dos povos indígenas do Alto Rio Negro.
Centro Cultural Casarão de Ideias
A comitiva visitou também as obras da nova sede do Centro Cultural Casarão de Ideias. O espaço, com 15 anos de existência, é dedicado à promoção da cultura e à defesa do patrimônio histórico e artístico da cultura amazonense. Com uma programação diversa, o Casarão abriga um cinema, uma cafeteria, áreas para exposições e um salão cênico para apresentações culturais.
Além disso, o espaço físico também é amplamente utilizado para ações transitórias, como ensaios de outros grupos, exibições de fotografia, concertos, debates, reuniões, oficinas e espetáculos de teatro e dança.
“Este dia é de grande importância para a trajetória do Casarão de Ideias. Tivemos a honra de recepcionar a CNIC, instância responsável pela gestão da Lei Rouanet. Como executamos diversos projetos por meio deste mecanismo de fomento, a visita dos comissários e pareceristas de todo o país possui um valor estratégico. Eles puderam testemunhar a seriedade com que aplicamos os recursos e a solidez do nosso trabalho em Manaus. Reafirmo que o Casarão de Ideias mantém sua crença inabalável no poder transformador da cultura brasileira”, destacou o diretor-geral do Centro Cultural Casarão de Ideias, João Fernandes Neto.
Casarão de ideias, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei Rouanet Foto: Victor Vec/MinC
Atualmente, o Casarão já captou mais de R$ 855, 2 mil via Lei Rouanet.
A coordenadora-geral de Fomento da Fundação Nacional de Artes (Funarte) e membro da comissão, Luísa Hardman, celebrou a oportunidade de conhecer a iniciativa e reafirmou a relevância para a cidade de Manaus e para o território amazônico.
“Sinto imensa satisfação ao conhecer esta iniciativa vital para a cidade de Manaus e para todo o território amazônico. O Casarão estabelece uma relação direta com o cotidiano das ruas, com o comércio e com os agentes locais, fato que impulsiona o desenvolvimento da região de forma sustentável. É um privilégio observar o impacto positivo de um projeto que une arte e cidadania de maneira tão integrada”, afirmou.
As obras da nova sede, que estão previstas para serem concluídas em abril. O complexo da Saldanha Marinho ainda terá uma livraria, duas lojas colaborativas de parceiros, café, sala multiuso e galerias para exposições culturais.
A comissão itinerante encerrou as visitas técnicas em um dos mais icônicos símbolos culturais da região Norte: o teatro Amazonas. Localizado no Largo de São Sebastião, no Centro Histórico de Manaus, o edifício foi construído durante o ciclo da borracha, no final do século 19, período de expansão econômica da região amazonense. A inauguração ocorreu em 31 de dezembro de 1896, e o teatro recebeu o tombamento como Patrimônio Histórico Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1966.
A arquitetura do edifício apresenta elementos renascentistas no exterior e interiores ecléticos, com influência dos estilos Louis 15 e art nouveau.
“A cúpula é revestida por 36 mil escamas de cerâmica esmaltada nas cores verde, amarelo e azul. Materiais como mármore de Carrara, lustres de Murano e ferro de Glasgow foram importados do continente europeu para a construção”, explicou a guia do museu, Letícia Fraga.
O Salão Nobre possui pintura no teto do italiano Domenico de Angelis, intitulada A Glorificação das Bellas Artes na Amazônia. A sala de espetáculos tem capacidade para 701 pessoas e exibe quatro telas que homenageiam a música, a dança, a tragédia e o compositor Carlos Gomes.
Teatro Amazonas, um dos projetos culturais amazonenses incentivados pela Lei RouanetFoto: Victor Vec/MinC
Atualmente, o Teatro Amazonas abriga corpos artísticos estáveis, como a Amazonas Filarmônica e o Balé Folclórico do Amazonas. Desde 1997, sedia o Festival Amazonas de Ópera, um dos principais eventos de música erudita do país. A programação do espaço inclui espetáculos de dança, teatro e mostras culturais.
“O Teatro Amazonas é um patrimônio que pertence ao povo brasileiro. Para a equipe do Ministério da Cultura, é muito importante estar aqui e ver de perto como esse espaço funciona na prática. A gente percebe que não se trata apenas de preservar a construção histórica, mas de manter uma programação cultural durante o ano inteiro. Isso faz diferença para quem mora em Manaus e também para os turistas que visitam a cidade”, afirmou a coordenadora-geral de Articulação e Gestão do Pronac, Érika Freddi.
O Teatro Amazonas é administrado pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas.
Pico da Neblina tem exatos 2.995,30 metros de altitude e está localizado no estado do Amazonas, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela – Foto: Cassiano Gatto/ICMBio
Servidores do Parque Nacional do Pico da Neblina, a montanha mais alta do país com 2.995,30 metros de altitude, realizaram de 26 de janeiro a 6 de fevereiro, uma expedição técnica para avaliar melhorias na trilha e nas estruturas de acesso à montanha, localizada no Amazonas.
A iniciativa foi conduzida por servidores do Parque Nacional, com o apoio da Frente de Proteção e da Força-Tarefa Yanomami, ambas vinculadas à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além do Instituto Socioambiental (ISA), com o objetivo de identificar melhorias na trilha e nas infraestruturas de acesso ao Yaripo.
A equipe que escalou os 2,9 mil metros de altitude da montanha mais alta do país foi composta por 11 napë (os brancos) e 22 Yanomami, divididos entre condutores, carregadores e cozinheiros, conforme é estruturado no Plano de Visitação Yaripo Ecoturismo Yanomami, elaborado com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para ordenar a visitação à unidade de conservação federal.
A subida envolve aproximadamente seis a oito dias de trilha pela floresta até alcançar o cume. Foto: Leandro Eiró/ICMBio
Durante os 12 dias de jornada, entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro, os participantes da expedição enfrentaram o desafio de atingir o cume da montanha, lidando com condições de calor, frio, chuva, lama, fome, sede, desgaste físico e mental.
O trabalho, portanto, consistiu em fazer uma leitura técnica do percurso para que sejam propostas soluções que amenizem parte das dificuldades, com destaque para a infraestrutura dos acampamentos e para os pontos de maior risco de acidentes — concentrados sobretudo no trecho de ataque ao cume.
“Desta expedição, reunimos o conhecimento necessário para promover melhorias ao Plano de Visitação ao Pico da Neblina, relativo à nossa gestão da unidade e à melhoria das condições de trabalho dos profissionais Yanomami. É naturalmente um avanço difícil, dadas as condições geográficas de isolamento da localidade, mas esta iniciativa é um primeiro passo para a busca de soluções”, destacou o chefe do parque, Cassiano Gatto.
Após a conclusão da expedição técnica, a equipe de especialistas definiu os seguintes encaminhamentos:
Propostas para o acampamento Base: elaboração de três alternativas de estrutura para o acampamento “Base”, localizado no sopé do Pico da Neblina, contemplando diferentes níveis de recursos e infraestrutura.
Melhorias no trecho final da trilha: está prevista, para agosto de 2026, a instalação de 50 degraus no segmento de ataque ao cume, bem como a reestruturação do sistema de apoio — incluindo cordas e correntes — com o objetivo de elevar os níveis de segurança durante a subida.
Mapeamento ambiental: realização de mapeamento prévio, por meio de drone, das cicatrizes do garimpo e de seus efeitos sobre a vegetação endêmica da Bacia do Gelo – o platô situado a cerca de 2.000 metros de altitude que abriga o acampamento Base.
Validação de protocolos operacionais: atualização e validação de procedimentos segundo o Plano de Visitação Yaripo, incluindo a pesagem e a distribuição de cargas entre os profissionais Yanomami, a organização da estrutura de coordenação geral, o acompanhamento dos visitantes ao longo da trilha e a realização de visitas técnicas dos responsáveis pelo projeto no ICMBio e no ISA.
Pico da Neblina
No coração da Amazônia, onde a floresta encontra as nuvens, ergue-se o Yaripo — a Montanha dos Ventos, como os Yanomami chamam o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil.
Entre paredões cobertos por floresta e neblina quase permanente, esse lugar é mais do que um marco geográfico: guarda significados espirituais, histórias ancestrais e um dos cenários naturais mais preservados do país, sagrado para os povos indígenas e desafiador para montanhistas.