Aeronave ‘Twin Otter’ antes do primeiro voo no hangar, em Santarém. Foto: Lenne Santos/Ufopa
Uma aeronave ‘Twin Otter‘ do British Antarctic Survey (BAS) iniciou seus primeiros voos na Amazônia, em uma missão que busca coletar dados cruciais sobre o clima do planeta. O primeiro voo decolou no dia 26 de setembro, de um hangar particular localizado no aeroporto Internacional Wilson Fonseca, em Santarém (PA). A iniciativa faz parte do Projeto CarbonARA-Brazil, uma pesquisa internacional que foca no monitoramento do ciclo do carbono na região do Baixo Tapajós.
De acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e coordenador da parte aérea do Carbon-ARA, Dirceu Luiz Herdies, a aeronave irá efetuar cerca de 55 horas de voo, dividias em 15 etapas de 4 horas. Os voos ocorrerão entre setembro e outubro de 2025, sobrevoando a Floresta Nacional do Tapajós e a Fazenda Experimental da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
O avião, ideal para missões remotas, é equipado com instrumentos que medem concentrações de gases de efeito estufa, como CO² e metano, e aerossóis, como fuligem, poeira e fumaça oriundas de incêndios.
“Queremos entender melhor como funciona a Amazônia, a interação que ela tem com o globo como um todo”. Ele afirmou ainda que os dados coletados nessa campanha devem ser apresentados na COP 30 que será realizada em Belém, em novembro.
Representantes do projeto destacam a importância dessas medições. Ao sobrevoar áreas de interesse, a aeronave coleta dados atmosféricos em tempo real, que serão comparados com as informações dos satélites da Agência Espacial Europeia (ESA). A comparação permite verificar a precisão das medições orbitais e aprimorar os modelos climáticos, informou o controlador de operações da aeronave Daniel Beedon.
A Ufopa é a única instituição amazônica no consórcio do projeto, que é coordenado pelo King’s College London. A universidade é responsável por coordenar as atividades locais, reforçando a relevância da pesquisa científica conduzida na região. O projeto, que também utiliza torres, sensores e drones, integra esforços para entender o papel da Amazônia no balanço climático global, especialmente no que se refere aos impactos das queimadas. O projeto é localmente coordenado pelo pesquisador Júlio Tota, professor do curso de Ciências Atmosféricas da Ufopa.
Sobre o BAS
O British Antarctic Survey (BAS) é o centro nacional de pesquisa polar do Reino Unido, responsável por conduzir a ciência em regiões polares e manter a presença ativa do país na Antártica. Parte do Natural Environment Research Council (NERC), o BAS opera cinco estações de pesquisa, navios e aeronaves, realizando pesquisas sobre o clima, a camada de ozônio e a vida selvagem polar para gerar conhecimento global sobre o planeta.
Após a campanha em Santarém, a aeronave seguirá para a Antártida, sua base de operações para pesquisas polares.
Por que esse projeto é importante para a Ufopa?
A participação da Ufopa nesse projeto reforça seu papel como um centro de excelência em pesquisa na Amazônia. A universidade contribui com conhecimento local para uma iniciativa de alcance global, utilizando equipamentos e tecnologias de ponta. Essa colaboração não só aprimora nosso entendimento sobre o ecossistema amazônico, mas também fortalece a posição da Ufopa no cenário da pesquisa climática mundial.
Estudantes do Amapá desenvolvem tubete orgânico com resíduos de caroço de açaí e argila. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica AP
Estudantes da Escola Estadual Mário Quirino da Silva, na Zona Sul de Macapá (AP), criaram um tubete orgânico feito com caroço de açaí e argila para substituir os modelos de plástico usados na agricultura. A proposta surgiu durante aulas de biologia como alternativa mais barata e ecológica para o cultivo de mudas.
O projeto foi orientado pela professora Rose Trindade, que levou a ideia para os alunos após discutir os impactos do plástico no meio ambiente. O tubete orgânico pode ir direto para o solo com a muda, sem gerar resíduos.
“Propus que pensassem em uma estrutura orgânica para substituir os tubetes convencionais. O caroço de açaí é abundante no estado e seria uma boa base para reaproveitamento”, explicou.
Gustavo é um dos criadores do projeto. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica APRose é a professora orientadora do projeto. Foto: Mayra Carvalho/Rede Amazônica AP
Inicialmente, os testes usaram cacto palma como elemento colante, mas a planta viva dificultava o processo. A argila natural foi adotada no lugar e se mostrou mais eficiente.
Segundo Gustavo de Sousa, de 17 anos, um dos autores do projeto, o uso do açaí foi escolhido por ser comum na região.
“A gente vê caroço jogado no chão. Decidimos aproveitar esse resíduo para criar algo útil e que não polua”, contou.
Coleta dos caroços de açaí: Os estudantes recolhem os caroços descartados em batedeiras da cidade, onde o resíduo costuma ser jogado no chão ou acumulado sem reaproveitamento;
Torra dos caroços: Os caroços são levados para a escola e torrados em frigideiras comuns, até ficarem secos e prontos para trituração;
Trituração manual: Após a torra, os caroços são triturados com martelo, quebrando a estrutura rígida para facilitar o processamento;
Peneiramento do material: O pó resultante da trituração é peneirado para separar os grãos mais finos, que serão usados na mistura com a argila;
Mistura com argila natural: A argila é coletada de forma local e misturada ao pó de açaí até formar uma massa homogênea, com textura ideal para moldagem;
Moldagem dos tubetes: A massa é moldada manualmente em formato cilíndrico, semelhante aos tubetes de plástico usados na agricultura;
Secagem ao sol: Os tubetes são deixados para secar naturalmente ao sol. Em dias chuvosos, os alunos usam uma estufa improvisada com lâmpada amarela para manter a eficiência do processo;
Testes de germinação: As mudas são plantadas diretamente nos tubetes orgânicos e colocadas em vasos. Os estudantes observam o desenvolvimento da planta e a incorporação do tubete ao solo.
Tubete orgânico foi criado por estudantes do Amapá. Foto: DivulgaçãoEtapas de criação do tubete. Foto: Divulgação
Além dos benefícios ambientais, o projeto também apresenta vantagens econômicas. Um tubete de plástico pode custar até R$ 1,50 e não é reutilizável. Já o orgânico sai por cerca de R$ 0,30.
Nos testes realizados, os estudantes observaram que as mudas se desenvolveram melhor com o tubete orgânico.
“A germinação foi mais rápida. Enquanto o plástico demorou mais de uma semana, o nosso tubete levou de 7 a 9 dias”, explicou Gustavo.
A professora explicou ainda que o projeto está em fase de testes, mas os resultados apresentados já são positivos. A equipe pretende apresentar a proposta para agricultores da região.
“A ideia é levar esse produto para os pequenos produtores, mostrar que ele funciona e pode ser incorporado ao solo, nutrindo a planta”, concluiu Rose.
Com praias, igarapés e áreas de mata preservadas, a comunidade pode gerar renda de forma sustentável. Foto: Marilu Cruz/Acervo Pesquisadores
A comunidade pesqueira de Jubim, localizada no arquipélago do Marajó, no encontro entre o rio Amazonas e o oceano Atlântico, depende diretamente da pesca artesanal para sua subsistência. Mas pressões crescentes reduzem os estoques pesqueiros e ameaçam os modos de vida tradicionais – como a sobrepesca com presença constante de embarcações industriais, além da construção de portos e ferrovias, dos grandes projetos de exploração de petróleo e da especulação imobiliária, que restringem o acesso a áreas antes comuns.
A tudo isso se somam as mudanças climáticas, que afetam o período reprodutivo dos caranguejos e causam a erosão das margens de rios. É o que aponta pesquisa desenvolvida pelo Projeto Maretórios Amazônicos e publicada na segunda (29) na revista científica Marine Policy.
Por meio de entrevistas com 20 moradores de Jubim, oficinas e observação participante na comunidade, os cientistas mapearam forças, fraquezas, oportunidades e ameaças à gestão costeira local.
“O modelo atual de gestão costeira exclui e marginaliza milhares de comunidades tradicionais. Nosso estudo busca propor alternativas que garantam participação real e protagonismo às populações locais”, explica o ecólogo Vitor Renck, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e um dos autores do artigo.
Com base na experiência em Jubim, o estudo propõe cinco princípios de gestão costeira para tornar as políticas públicas mais justas e sustentáveis:
o empoderamento comunitário, voltado a ampliar a autossuficiência e a resiliência através do fortalecimento de laços;
a coprodução de conhecimento, com a valorização e integração dos saberes ecológicos tradicionais à pesquisa científica;
a negociação com atores externos em defesa de um desenvolvimento que respeite os direitos e os saberes da comunidade;
a continuidade cultural, de forma a garantir que as oportunidades econômicas não enfraqueçam as características locais;
e a responsabilidade ambiental, que enfatiza o papel da comunidade como guardiã do seu ambiente.
“O diferencial do estudo é a construção, a partir do território pesqueiro, de insumos para o desenvolvimento de um processo de gestão costeira decolonial. Propomos que os cinco princípios sejam implementados de forma conjunta, e não isolados”, reforça Renck.
Praia do Pesqueiro, no Marajó. Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará
Marajó também tem oportunidades
Apesar das ameaças, Jubim, no Marajó, apresenta oportunidades econômicas e sociais, como o desenvolvimento do ecoturismo comunitário. Com praias, igarapés e áreas de mata preservadas, a comunidade pode gerar renda de forma sustentável, mantendo seus modos de vida tradicionais e protegendo a biodiversidade local.
“Nosso objetivo é que os cinco princípios que propomos possam orientar a revisão da Política Nacional de Gerenciamento Costeiro, garantindo participação real das comunidades e promovendo justiça azul, ou seja, distribuição mais justa dos benefícios e impactos do desenvolvimento costeiro”, afirma a bióloga Leandra Gonçalves, professora do Instituto do Mar da Unifesp e supervisora do estudo.
A pesquisa foi financiada pelas Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Pará (FAPESPA), Fundação Araucária e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e envolveu mais de 40 pesquisadores de diversas universidades e áreas do conhecimento.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
A cidade de Belém pode se tornar a capital do Brasil durante a COP 30. Foto: Agência Pará
A cidade de Belém, no estado do Pará, será a capital do Brasil durante a COP 30. É o que determina um projeto de lei que será votado pelo Senado nos próximos dias. Apresentado pela deputada federal Duda Salabert (PDT-MG), o PL 358/2025 foi aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 25 de setembro.
De acordo com o texto, a capital da República Federativa do Brasil — papel que cabe à Brasília desde 1960 — será transferida, simbolicamente, para a cidade de Belém.
A medida valerá de 11 a 21 de novembro de 2025, durante a COP 30, que é a 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
De acordo com o texto, a capital da República Federativa do Brasil — papel que cabe à Brasília desde 1960 — será transferida, simbolicamente, para a cidade de Belém. Foto: Divulgação
Nestes dias, os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário poderão se instalar em Belém. Os atos e despachos do presidente da República e dos ministros de Estado, assinados no período, serão datados na cidade de Belém/PA. O Poder Executivo terá que regulamentar as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária da sede do governo federal.
O senador Beto Faro (PT-PA) está entusiasmado com a transferência. Para ele, o projeto será aprovado no Senado com ampla maioria por representar compromisso com a sustentabilidade, a justiça regional e o fortalecimento da imagem internacional do Brasil.
”Vejo nesta proposta um gesto de elevado simbolismo e de forte significado político. Mais que mudança provisória de endereço, trata-se de reafirmar a centralidade da Amazônia nas decisões nacionais e de projetar o Brasil, especialmente o Pará, no mapa global das discussões climáticas. A extensão territorial do nosso país exige esses sinais de atenção; ao colocar Belém como palco institucional momentâneo, reafirmamos que o Brasil não pode prescindir de aproximar decisões do coração da floresta”, afirmou Faro.
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) disse que achou interessante a ideia de transferir a capital do país para Belém. Ele lembrou que o mesmo ocorreu durante a ECO 92, no Rio de Janeiro. Zequinha disse à reportagem que a medida poderá ajudar o governo federal a enxergar os diversos problemas e necessidades da capital paraense.
O Poder Executivo terá que regulamentar as medidas administrativas, operacionais e logísticas necessárias à transferência temporária da sede do governo federal. Foto: Agência Pará
”Belém é uma cidade enorme. Uma cidade com problema de segurança, com crime organizado instalado. O comerciante e as pessoas têm que pagar pedágio para esse povo, mensalidade. É difícil a questão da segurança. Belém tem problemas de saúde seríssimos nos hospitais (…) A questão do saneamento básico, principalmente nas periferias (…). No Pará a gente tem dois estados, o estado virtual, aquele que aparece nas redes sociais na televisão, é maravilhoso, muito bom, agora o estado real onde o povo vive, onde nós vivemos, esse é duro na queda, falta tudo”, afirmou Zequinha.
Para a autora do projeto, a medida não será apenas um gesto simbólico, mas um compromisso do Brasil com a agenda climática e o desenvolvimento sustentável. “Transferir a capital para Belém é uma forma de colocar a região amazônica no centro das decisões políticas globais”, afirmou Duda Salabert, na aprovação do projeto na Câmara.
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Fundamental a busca de novos padrões tecnológicos, logísticos e operacionais capazes de harmonizar a Zona Franca de Manaus, como projeto de desenvolvimento, ao mundo da Revolução Industrial 4.0. Gigantescos mesmo ao se considerar os desafios resultantes da prorrogação de seu prazo de vigência até 2073. Neste momento de transição política por que atravessa o Brasil, urge repensar o modelo visando corrigir distorções e promover ajustes em sua dinâmica operacional. A hipótese é a diversificação do Polo Industrial de Manaus (PIM) via incorporação de matrizes econômicas derivadas dos recursos da economia verde empregados na produção de alimentos, do manejo florestal e exploração mineral sustentados, da bioeconomia e do ecoturismo.
O PIM apresenta hoje diminutas possibilidades de expansão face às dificuldades objetivas de aqui virem a se estabelecer no curto prazo novas cadeias produtivas dentro do contexto indústria 4.0. Entraves de ponta acentuam-se em escala diversificada. Vale salientar que até a década 1980 a SUDAM operava como órgão catalisador do processo de desenvolvimento da Amazônia; enquanto a SUFRAMA cumpria funções estratégicas na promoção do crescimento industrial. O setor primário mantém-se relativamente inerte, desafiante a sucessivos governos estaduais supostamente insensíveis à sua estratégica importância em relação ao crescimento da economia amazonense e da Amazônia Ocidental.
O Amazonas, é certo, deu grande passo com a prorrogação até 2073 da política de incentivos instituídos na ZFM pelo DL 288/67. Por mais relevante que seja a conquista, contudo, não pode servir de escudo de defesa à distorções estruturais do modelo hoje de larga e complexa abrangência. O incerto e imprevisível quadro conjuntural internacional está a exigir dose extra de responsabilidade política e coragem dos governantes no que tange ao reconhecimento da agropecuária (produção de alimentos), do campo agroindustrial e da bioeconomia como os futuros setores líderes do PIB amazonense. Somente por esse caminho será possível corrigir distorções arraigadas em décadas e impulsionar a economia estadual segundo dinâmica das tecnologias disruptivas inerentes à Revolução Industrial 4.0 associada aos setores da bioeconomia, a exploração sustentável dos recursos da biodiversidade amazônica, à matriz econômica do Amazonas e da ZFM.
Em primeiro plano, entendo fundamental reconfigurar, no curtíssimo prazo, que o processo deve avançar a partir de medidas governamentais destinadas a corrigir as graves distorções que se consolidaram desde a criação da Zona Franca de Manaus (ZFM), em 1967. Concebida, segundo modelo preconizado pelo DL 288/67, para desenvolver, na Amazônia Ocidental, polo industrial, agropecuário e de serviços, equívocos substantivos, todavia, foram cometidos ao longo percurso, até hoje não sanados. A começar pelo desprezo ao setor sobre o qual as economias historicamente derramam seu crescimento – o primário -, que levou a ZFM a estruturar-se de forma insustentável, posto que sobre um só pilar, o setor secundário. De tal sorte que, hoje, 95% do produto industrial advém do Polo Industrial de Manaus – PIM; assim como 92% do ICMS arrecadado e 77,5% do PIB estadual concentram-se perigosamente na capital amazonense.
Tamanha distorção, vale salientar, levou o modelo a fragilizar-se estruturalmente, tornando-se necessário proceder sua correção de uma vez por todas. Dentre os caminhos a serem trilhados nesse sentido, ao que penso, o ponto de partido consiste em ampliar a matriz econômica pela incorporação ao PIM do setor da bioeconomia, a exploração sustentável dos recursos da biodiversidade, incluindo o ecoturismos, e um polo de exportações, nas proporções do diagrama incluso ao final deste estudo. Impõe-se, coerente com essa dinâmica macroeconômica, que se corrija o modelo ZFM e se estabeleçam novos vetores destinados a impulsionar as potencialidades da economia local.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
Foto: Barbara Matoso/Ascom Basílica Santuário de Nazaré
Em um momento que Belém (PA) atrai os olhares do mundo, tanto pela grandiosidade da maior manifestação religiosa do Brasil, o Círio de Nazaré, quanto pelo protagonismo internacional na pauta ambiental com a COP 30, a Basílica Santuário de Nazaré realizará durante esses dois grandes eventos missas em inglês, espanhol, francês e em LIBRAS.
Para os turistas estrangeiros, participar das celebrações em seu próprio idioma permite uma vivência profunda da devoção mariana, o que promove um intercâmbio cultural rico e significativo.
No contexto da COP 30, onde líderes, ativistas e visitantes de diversas nacionalidades estarão reunidos para discutir o futuro do planeta, essa ação ganha ainda mais relevância e mostra que a espiritualidade, fé e a sustentabilidade podem caminhar juntas, com empatia e diálogo.
Missas serão realizadas em outros idiomas. Foto: Allan Bentes/Ascom Basílica Santuário de Nazaré
De acordo com a organização, “ao abrir suas portas em vários idiomas, a Basílica de Nazaré não apenas celebra a fé, mas também a união dos povos, fortalecendo o papel de Belém como um ponto de encontro entre tradição, devoção e um mundo mais acolhedor”.
Confira a programação das missas:
Missas em idiomas para o Círio de Nazaré
29/09: Missa em Português e Libras, às 19h30;
01/10: Missa em Francês, às 19:30;
02/10: Missa em Inglês, às 19:30;
03/10: Missa em Espanhol, às 19:30.
Missas em idiomas para a COP 30
03/11: Missa em Português e Libras, às 19h30;
10/11: Missa em Espanhol, às 19:30;
15/11: Missa em Inglês, às 19h;
21/11: Missa em Francês, às 19:30.
Além das celebrações, haverá também confissões e visitas guiadas no Memória de Nazaré nos respectivos idiomas.
Armazens Andresen na Rua Theodoreto Souto, em frente à praça Tenreiro Aranha, 1910. Foto: Valdenor de Souza/Coleção pessoal
Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br
Eles vieram do além-mar. De muito longe, deixando suas aldeias, freguesias, quintas, minifúndios e suas querências ao longo de toda a Portugal. Todos na sua maioria de pequenas cidades do norte, de onde se originava a maioria desses homens e mulheres que vieram estabelecer-se em Manaus e Belém. Alguns desses nomes muito familiares em nossa região, pois foram adotados por ocasião de fundação de vilas e cidades da região amazônica.
Esses imigrantes, quase todos jovens e pobres, eram filhos de agricultores e sitiantes, de numerosa família patriarcal, com rígida educação doméstica e obediente à tradição, valores familiares e principalmente devotos de N. S. de Fátima.
Portugal não tinha mais, ao findar do século dezenove, muito futuro. Sobretudo a região norte, terra de muitos minifúndios, pertencentes a proprietários de famílias numerosas, sem terem como encaminhar seus filhos para a lavoura, uma vez que as parcelas de terras, com a subdivisão de herança se tornaria tão pequena que eram incapazes de sustentar uma família.
Comendador José Cláudio Mesquita (à esquerda). O Comendador e Alberto Andresen. Fotografia: Fidanza no Pará, 1885 (Acervo da família)
Assim, a fina-flor de sua juventude migrava para essas regiões do Brasil, em busca de fortuna e de um futuro de dias melhores. Mais tarde, esses parentes e amigos tornavam-se sócios e parceiros no empreendimento em que trabalhavam. E dessa forma começava a sua ascensão social. Na região Amazônica, em especial Manaus e Belém, além desses estabelecimentos varejistas, como os portugueses dominavam as casas aviadoras e o comércio do látex e gêneros regionais, muitos deles vinham diretamente para aprender seu ofício como caixeiros, balconistas, viajantes e propostas dos patrões como gerente de confiança, aos quais eram entregues grandes responsabilidades comerciais.
Entre tantos portugueses que em Manaus deram uma importante contribuição na nossa economia está o Comendador José Cláudio de Mesquita. Nasceu em Setubal, Portugal no dia 7 de outubro de 1858, aonde viveu sua infância e uma parte da juventude.
Em 1883 viajou para Manaus com a incumbência de fundar uma filial da Casa J. H. Andresen, um importante estabelecimento comercial da cidade do Porto desde 1845.
Casamento de José Cláudio de Mesquita, cidade do Porto em Portugal. Foto: Acervo da família
Como cita o professor Agnello Bittencourt:
“De fato em 1885, estava fundado na capital da Província do Amazonas, o estabelecimento denominado Armazéns Andresen, cujos principais negócios era a venda de vinho, ferragem e a compra da borracha. Sua prosperidade foi notável sob o dinamismo e a sagacidade ou a visão mercantil do seu fundador e gerente, despertando a absoluta confiança e apoio. A Casa Matriz era proprietária de várias embarcações, das quais duas viajavam entre Lisboa e Manaus e denominavam-se Dona Maria e Dona Amélia. Além desses barcos havia o possante rebocador Jane que viajava para o interior do estado principalmente no Rio Solimões.”¹ Pág. 163
Relata o professor Samuel Benchimol em sua obra: Manaós – Do Amazonas-Memória Empresarial.
“José Cláudio de Mesquita deve ter emigrado numa dessas levas de patrícios por volta de 1883. Contava na época o Dr. Emílio Vaz de oliveira, decano dos diretores da Associação Comercial do Amazonas. José Cláudio de Mesquita chegou a Manaus muito jovem, trazido pelo patrício João Andresen, grande comerciante português, de origem dinamarquesa. Os Irmãos Andresen – Alberto, Guilherme e João- com grandes armazéns no Porto e Vila Nova de Gaia, onde comerciavam vinho do Porto para a Inglaterra e Europa, tendo estabelecido em Manaus uma filial e sucursal Sociedade Anônima Armazéns Andresen (a primeira S/A existente em Manaus), tendo como diretor João Andresen e como gerente Joaquim Rodrigues da Silva Dias.”² Pág.46
José Cláudio de Mesquita começou sua vida comercial como empregado dos Armazéns Andresen ou da firma Araújo e Rosas (antecessores de J. G. Araújo), pois sempre foi amigo do Comendador J. G. Araújo, de quem havia sido sócio na firma Mesquita e Araújo. O aprendizado foi rápido. Era um homem inteligente, sabendo bem ler, escrever e dominava a matemática foi trabalhador do escritório ou auxiliar de guarda-livros dessas organizações. “Possivelmente se aventurou, como era comum na época, como caixeiro viajante dos Andresen e de J. G. Araújo, na visita aos fregueses e seringalistas-aviados do interior, compra de borracha, fazer acertos das reclamações e tomar os pedidos de mercadorias.”
Dessa forma, cresceu na experiência do que muito lhe valeu, anos mais tarde, tendo amealhado seus primeiros contos de réis para montar o seu próprio negócio, passando a intermediar a compra e vende de gêneros regionais.
Mais tarde consegui compra um prédio na Praça Tamandaré, bem próximo dos Armazéns Andresen, no prolongamento da Guilherme Moreira, de onde passou a administrar o seu próprio negócio de comissões e consignações de látex e produtos extrativos. “Ainda segundo o professor Samuel Benchimol, o seu negócio prosperou tanto que, do vigésimo quarto lugar como recebedor de látex em 1909, com 225.203 quilos-chegou ao sétimo lugar, em 1910, com 535.027 quilos e ao terceiro lugar em 1916, quando foi consignado 814.219 quilos.”³ Pág.46
Projeto da ‘Faca Amazônica’ de propriedade de José Cláudio de Mesquita. Imagem: Acervo da família
Nesses dez anos de intensa atividade comercial, a firma Mesquita e Cia, de propriedade de José Cláudio de Mesquita, conseguiu formar grande lastro de capital, com média anual de vendas de 6,8 milhões de libras esterlinas, sendo que no auge de 1910 chegou a faturar 17,9 milhões de libras esterlinas. Sem dúvida foram anos difíceis, de muito trabalho para alcançar essa posição, como ocorria com a maioria dos seus patrícios e outros imigrantes daquela época. No dia 15 de junho de 1916, fundou a Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria de Manaus, sob a Presidência de J. G. de Araújo, Vice-Presidência de José Cláudio de Mesquita e Secretariado por Antonio Danilo Mattos Oreosa. Esta Instituição tinha por objetivo estreitar as relações comerciais luso-brasileira, desenvolver o intercâmbio entre dois países e promover a exportação dos produtos comerciais.
José Cláudio de Mesquita inventou a ‘faca amazônica’, que ele foi aperfeiçoando a ponto de fabricantes ingleses passarem a adotar seu modelo para produzi-la em série e exportar para os seringais amazônicos e asiáticos. A introdução desse novo tipo de faca veio salvar as seringueiras de destruição causada pelos golpes da machadinha, responsáveis pela destruição de muitos seringais. A (faca amazônica), sem dúvida foi o maior avanço em termos de desenvolvimento sustentado da economia gomífera, pois permitiu, com esse novo instrumento e com o novo corte, aumentar a produtividade das árvores sem danificar o seu lenho e seu caule, que a partir de então eram rapidamente cicatrizados, em substituição a antigas práticas destrutivas e predatórias.
José Cláudio de Mesquita presidiu a Associação Comercial do Estado do Amazonas no ano de 1899, em companhia de outros nomes importantes da vida comercial da cidade de Manaus, tais como: Bertino de Miranda Lima – 1º secretário, Alfredo Moura Alves – 2º secretário, José Rodrigues Cardoso – Tesoureiro e os diretores Nicolau Witt e Antônio Joaquim da Rocha.
Aspecto tomado durante aula de sangria da seringueira ministrada pelo técnico norte-americano Harold Gustin. Seringal Miry, 1943. Foto de Thomas D. McAvoy (acervo pessoal de Abrahim Baze)
Amparo aos Flagelados do Nordeste
Ainda na revista da Associação Comercial se destaca a solicitação para cooperar na prestação de assistência as populações nordestinas, castigadas pelo flagelo das secas, a diretoria da Associação Comercial do Amazonas, no exercício do ano 1900, se fez presente com dever o humanitário, prestando sua ajuda financeira a esses irmãos nordestinos, como destaca a Revista do Centenário dessa Instituição.
“Excelentíssimo senhor presidente e demais membros da Associação Comercial do Ceará. Em resposta ao vosso atencioso ofício de 10 de setembro último em foi solicitado para abrirmos subscrições em favor das vítimas da seca nesse Estado. Comunico-vos que nesta data remetemos a essa corporação por intermédio do Banco Comercial do Ceará, a quantia de 1:000 $ 000, angariada entre os membros desta diretoria. Lamentando não podermos anuir ao vosso pedido de promover e angariar por meios de subscrições, como era de nosso maior desejo, quantia mais avultada, visto já ter o comércio desta capital contribuído para tal fim. Apresentamos a vossa senhoria os protestos de nossa estima e consideração. Saúde e fraternidade. J. C. Mesquita – Presidente, J. J. R. Martins – 1º Secretário, Luís Eduardo Rodrigues – 2º Secretário.” 4 Pág. 55
Nomes que se projetaram
“Ainda na revista da Associação Comercial na década de 1891 a 1900 faz-se mister colocar em destaque, dentre outros já referidos anteriormente, dois nomes que se projetaram no cenário econômico local como figuras merecedoras da gratidão e do respeito de seus coevos, por sua incansável e esclarecida dedicação ao Amazonas, visando a solução dos problemas que mais profundamente afetavam ou viriam a comprometer a estabilidade de sua economia. São eles: José Cláudio de Mesquita, o Apóstolo da Heveicultura e Bertino de Miranda, que se exornariam de amplos conhecimentos, como economista, historiador e jornalista. Seus retratos se incluem neste documentário, como indispensável homenagem.”5 Pág. 56
Primeiro Campo Experimental para a Cultura da Seringueira
“Não se pode acusar a Associação Comercial do Amazonas de inércia ou alheamento, face ao avanço da produção asiática de borracha, resultante do desenvolvimento da plantação das seringueiras nos territórios coloniais de Ceylão (onde foi feita a primeira experiência de adaptação) Malásia, Java, Cingapura, Indo – China e outros.
Impulsionada pelo esclarecido idealismo de José Cláudio de Mesquita, iniciou seus próprios ensaios, fazendo plantar entre terreno situado o atual Boulevar Amazonas e a rua José Cláudio de Mesquita onde corriam outrora os trilhos dos bondes elétricos da antiga Manaus Tramways and Light Ltd., a plantação de mais de uma centena de seringueiras, cujos remanescentes ainda hoje enfeitam referido local. Era o exemplo em termos concretos, apontando o caminho a seguir por todos quantos, nos escalões da administração pública e no seio da iniciativa privada, deviam preservar nossa posição de grandes produtores de borracha, iniciando a heveicultura com recursos naturais e a força do trabalho de que poderíamos dispor para esse fim.
As advertências dos entendidos e a documentação prática da viabilidade da formação de seringais de cultura não foram ouvidas, acabando por gerar a catástrofe, que arruinou a Amazônia.
Ao mesmo tempo em que se iniciava a primeira plantação de seringueira, era instituído igualmente por sugestão do Comendador José Cláudio de Mesquita, “dia da seringueira”, a ser festejado juntamente com “dia da árvore”, a 24 de junho de cada ano.”6 Pág. 79
Projeto Experimental Seringal Miry
O Seringal Miry foi uma escola de campo experimental fundada pelo intelectual comendador José Cláudio de Mesquita em 1914. Com a morte de Mesquita em 1923, o seringal passou a ser administrado pela Associação Comercial do Amazonas. Foto: Thomas D. McAvoy.
José Cláudio de Mesquita não se limitou, no entanto, a escrever e apoiar importantes memórias e relatórios sobre a crise e as soluções para sair dela, ele partiu logo para o exemplo e a ação. Plantou, em 1911, em um terreno de sua propriedade, no Boulevard Amazonas, hoje esquina da Avenida Djalma Batista, o Seringal Miry, cujo objetivo era apresentar um projeto-piloto de plantação e campo de estudo, onde pudesse fazer experiências de sua (faca amazônica) e o estudo de novos cortes de sangria e coleta de látex. Nesse local, plantou noventa e três seringueiras em fileiras, numerando-as para observar o seu crescimento e comportamento perante as doenças e pragas, e depois quando crescidas para verificar o seu rendimento e produtividade.
Este seringal experimento, foi criado e financiado pelo próprio José Cláudio de Mesquita, tinha o objetivo de treinar a mão de obra no local e servir de exemplo para outros seringalistas grandes e pequenos. Neste local ele teve oportunidade de analisar o crescimento das árvores e sustentar a viabilidade desse empreendimento, pois em terras não apropriadas em ambiente urbano, as seringueiras tiveram bom desempenho sob a supervisão técnica do Dr. Angelino Bevilacqua. Ele não se limitou a ver, ainda em vida, o resultado do seu esforço com a introdução em larga escala a (faca amazônica), do corte, sangria e da plantação experimental Seringal Miry.
O seu objetivo era mais audacioso, pois desejava ver a heveicultura implantada em nosso Estado. Para tanto, criou o “Clube da Seringueira” que, conforme carta circular que foi divulgada em 30 de maio de 1916 tinha o objetivo de reunir produtores e industriais do látex. Através desse “Clube da Seringueira”, no dia 17 de junho de 1914, em plena crise do látex, ele comemorou, solenemente, pela primeira vez em Manaus, o “Dia Da Borracha”, com direito a discursos oficiais do Governador da época, Jonathas Pedrosa, do Superintendente Municipal Jorge de Morais e do Presidente da Associação Comercial, Raphael Benoliel, cujo discurso de profissão de fé e esperança no futuro do Amazonas através da Seringueira.
Seringal Miry, 1943. Aspecto tomado durante aula de sangria da seringueira, ministrada pelo técnico norte-americano Harold Gustin. Foi uma Escola de Campo Experimental fundada pelo intelectual Comendador José Cláudio de Mesquita, em 1914, o inventor da ‘Faca amazônica’. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Na sessão da Associação Comercial do Amazonas realizada no dia 6 de novembro de 1923, foi prestada uma significativa homenagem póstuma a uma das mais destacadas figuras do cenário empresarial amazonense da época que durante muito tempo exerceu cargos diretivos.
“A diretoria da Associação Comercial do Amazonas, profundamente penalizada pelo passamento do saudoso companheiro e amigo que foi José Cláudio de Mesquita lançam voto de pesar nesta ata, em homenagem a sua memória e paz a sua alma.”7 Pág. 98
Bento Carqueja professor e jornalista proprietário do Jornal “O Comércio do Porto”, procurou instituir uma reputação jornalística de isenção e de credibilidade introduzindo profundas mudanças. Pela primeira vez, usou correspondentes de grandes vultos da cultura nacional à época, criou bibliotecas e instituiu o jornal “O Lavrador” em 1903, folha mensal gratuita dedicada aos agricultores patrocinada a época por José Cláudio de Mesquita, que por sua vez se envolveu e patrocinou a Fundação de Escolas Agrícolas Móveis. José Cláudio de Mesquita embora vivendo no Amazonas preocupava-se com o desenvolvimento de sua terra.
Fontes:
BITTENCOURT, Agnello. Dicionário Amazonense de Biografias – Vultos do Passado. Rio de Janeiro. Editora Conquista 1973. ¹ Pág. 163
BENCHIMOL, Samuel. Manaós-do-Amazonas: Memória Empresarial. Manaus, 1994. Edição do Governo do Amazonas. ² ³ Pág. 46
REVISTA – Primeiro Centenário da Associação Comercial do Amazonas – 18 de Junho de 1971. Editora Umberto Calderaro Ltda. Manaus, 1971. Páginas 4, 5,6 e 7.
*Valiosas informações cedidas por Selma Vasquez de Mesquita Silva (Bisneta do Comendador José Cláudio de Mesquita).
Sobre o autor
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
A Missão Biomass visa também quantificar os estoques de carbono das florestas. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará
Belém (PA) será sede do primeiro evento no Brasil dedicado à Missão Biomass, da Agência Espacial Europeia (ESA), entre 30 de setembro a 2 de outubro. Intitulado ‘Cooperação Brasil e Agência Espacial Europeia em dados e aplicações de Observação da Terra da Missão Biomass’, o encontro ocorrerá no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) Amazônia – Coordenação Espacial da Amazônia, instalado no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, reunindo especialistas nacionais e internacionais.
Lançada em abril deste ano, a Missão Biomass visa mapear com precisão a biomassa florestal do planeta e quantificar os estoques de carbono das florestas. O satélite opera com o primeiro radar de banda P em órbita, tecnologia capaz de penetrar a cobertura de nuvens e a copa das árvores para captar informações inéditas sobre a estrutura tridimensional das florestas.
O evento em Belém é resultado de uma parceria entre a ESA, o Inpe e a Agência Espacial Brasileira (AEB), e conta com o apoio da Selper Brasil, do PCT Guamá e da Fundação Guamá – que administra o Parque.
A programação inclui sessões técnicas conduzidas por especialistas da ESA, painéis com pesquisadores da região amazônica e apresentações de estudos sobre sensoriamento remoto por radar e integração com sistemas nacionais de monitoramento florestal.
Voltado para pesquisadores, estudantes de pós-graduação, servidores de agências ambientais, representantes da indústria de geotecnologia e ONGs, o encontro em Belém busca capacitar usuários no uso dos dados gerados pela missão. A iniciativa pretende fortalecer redes de pesquisa e aplicações, que vão desde o combate ao desmatamento até o avanço científico sobre o ciclo do carbono na Amazônia e em outros biomas.
Segundo a coordenadora do Inpe Amazônia, Alessandra Gomes, o evento reforça o protagonismo da região em agendas globais sobre clima e sustentabilidade.
“Será o primeiro evento nacional sobre este satélite, e o Inpe Amazônia foi escolhido para sediar por conta de parcerias do Inpe com a ESA em acordos e experiências anteriores de capacitação realizadas em Belém. Trata-se de um evento pré-COP30 (conferência mundial sobre mudanças climáticas), que visa trazer para a Amazônia encontros de relevância para a floresta tropical e análises sobre biomassa e estoques de carbono, importantes para estudos das mudanças climáticas”, informou.
De Belém para o mundo: referência em inovação
O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá é uma iniciativa do Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), com as parcerias da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), e gestão da Fundação Guamá.
Localizado em Belém, é o primeiro parque tecnológico da região Norte do Brasil, e visa estimular a pesquisa aplicada e o empreendedorismo inovador e sustentável, a fim de melhorar a qualidade de vida da população.
Sede do Inpe Amazônia, no PCT Guamá. Foto: Sérgio Moraes/Fundação Guamá
Localizado às margens do Rio Guamá, que dá nome ao complexo, o PCT está situado entre os campi das duas universidades, e conta com um ecossistema rico em biodiversidade, estendendo-se por 72 hectares, destinados a edificações e à Área de Proteção Ambiental (APA) da Região Metropolitana de Belém.
O complexo conta com mais de 90 empresas entre residentes e associadas, 17 laboratórios com mais de 400 pesquisadores, 44 patentes e uma escola técnica.
O PCT Guamá integra a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec) e International Association of Science Parks and Areas of Innovation (Iasp), e faz parte do maior ecossistema de inovação do mundo.
Hotéis da Amazônia são procurados por quem busca relaxar ou até mesmo aventuras. Foto: Divulgação/Gavião Amazon Lodge
A Amazônia é um destino de encantos inesgotáveis. Viajar pela região não significa apenas contemplar sua natureza grandiosa, mas também viver experiências que unem conforto, autenticidade e contato direto com a floresta.
De lodges premiados a pousadas rústicas e hotéis de selva, a hospitalidade amazônica se traduz em projetos que valorizam a cultura local e a preservação ambiental.
Localizado a 180 km de Manaus, às margens do Rio Negro e em frente ao Parque Nacional de Anavilhanas, o Mirante do Gavião Amazon Lodge é uma joia da arquitetura amazônica. Concebido inicialmente como apoio para a Expedição Katerre, o lodge ganhou vida própria após seu projeto arquitetônico, assinado pelo Atelier O’Reilly, receber prêmios em 2014.
Com design inspirado na construção naval regional, o espaço oferece vistas panorâmicas, suítes confortáveis e o Restaurante Camu-Camu, comandado pela chef Debora Shornik. Experiências imersivas com comunidades ribeirinhas e passeios pela floresta completam o pacote.
Um refúgio verde dentro da capital paraense. O ReservAmazon é um dos hóteis que recria a sensação de estar no coração da floresta mesmo em área urbana. Chalés rústicos e modernos se misturam à mata, e atividades como o Banho de Floresta tornam a experiência revigorante.
Com piscina de água mineral, restaurante regional, espaço kids e área para motorhome, é um destino ideal para famílias e viajantes que buscam um contato mais leve e acessível com a natureza amazônica.
À beira da praia de Boa Vista, a Casa do Francês é uma hospedagem 3 estrelas que combina simplicidade, conforto e atividades ao ar livre. Oferece bicicletas gratuitas, jardim, salão compartilhado e quartos climatizados com Wi-Fi.
A localização privilegiada permite explorar pontos turísticos como a Matriz de Nossa Senhora do Carmo e a orla da cidade. É uma opção aconchegante para quem deseja unir lazer urbano e experiências naturais na Amazônia roraimense.
Dentro do Parque Nacional da Serra do Divisor, no Acre, a Pousada Caminho das Cachoeiras é puro charme amazônico. Seus chalés de madeira, erguidos sobre palafitas e conectados por passarelas suspensas, permitem aos hóspedes circular em harmonia com a floresta.
Cercada por áreas verdes, a pousada transmite simplicidade e tranquilidade, sendo perfeita para viajantes que buscam uma experiência autêntica no coração da selva.
Primeira pousada flutuante do Tocantins, o Acará Jungle Lodge está localizado sobre as águas do lago do Casé, formado pelo rio do Coco. Rodeado por três biomas, Cerrado, Amazônia e Pantanal, o espaço oferece atividades de ecoturismo, pesca esportiva, lazer e aventura.
É uma opção singular para quem deseja explorar uma Amazônia diferente, no encontro de ecossistemas únicos do Norte do Brasil.
Informações pelo telefone (63) 99251-5477.
Hóteis flutuantes também são uma boa pedida na Amazônia. Foto: Divulgação
Às margens do encontro dos rios Mamoré e Pacaás Novos, o Pakaas Palafitas Lodge é um espetáculo arquitetônico em meio à floresta rondoniense. Suas 28 cabanas ficam elevadas a 4 metros do solo, interligadas por passarelas suspensas que levam ao restaurante panorâmico e à piscina projetada sobre o rio.
Externamente rústicas e internamente luxuosas, as cabanas oferecem até 30 m² de varanda, permitindo uma imersão completa no ambiente natural sem abrir mão do conforto.
O Peixe-boi da Amazônia e o Peixe-boi Marinho foram declarados como patrimônios culturais naturais de natureza imaterial do Estado do Pará. Foto: Anselmo da Fonseca
O Peixe-boi da Amazônia(Trichechus inunguis) e o Peixe-boi Marinho (Trichechus manatus) foram declarados como patrimônios culturais naturais de natureza imaterial do Estado do Pará, em razão das importâncias ecológica, cultural e socioambiental. A lei nº 11.171/2025 foi publicada no DOE de terça-feira (23).
A partir de agora, os programas de conservação das duas espécies terão prioridade na alocação de investimentos governamentais, em parcerias e em acordos de cooperação. O governo também poderá firmar convênios com organizações da sociedade civil, universidades e órgãos nacionais e internacionais para o financiamento e a execução de ações voltadas à proteção e conservação dos peixes-boi.
A medida ainda prevê ações de fiscalização para coibir práticas que representem ameaças à preservação da espécie, reforçando a importância desses animais como parte da biodiversidade amazônica e da identidade cultural do Pará.
“A iniciativa do poder público estadual é de extrema importância para todos nós que trabalhamos pela preservação do peixe-boi no Pará. É um reconhecimento fundamental não apenas da importância das espécies, mas também do esforço de biólogos, veterinários, educadores e membros das comunidades locais, tradicionais e ribeirinhas, que lutam pela fauna amazônica e pela preservação, manejo e valorização da nossa biodiversidade”, destaca Renata Emin, bióloga e presidente do Instituto Bicho D’água.
“Esta é uma conquista que reforça a nossa esperança de que as futuras gerações possam ter a oportunidade de conhecer e conviver com o peixe-boi, um verdadeiro símbolo da cultura e da biodiversidade amazônica. Este é um momento histórico e transformador para a proteção e preservação do nosso gigante gentil “, comemora.
Em novembro, o Instituto Bicho D’água inaugurará, com apoio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS), um recinto de aclimatação para os animais em Soure, na Ilha de Marajó. Construída em uma área de 500 m², a unidade terá capacidade para atender até oito peixes-boi.
O recinto de aclimatação faz parte do Projeto de Conservação de Peixes-Boi no Estado do Pará, iniciativa da TGS, IBAMA e Instituto Bicho D’água com foco na preservação desta espécie emblemática da fauna amazônica, concebido partir da identificação, por parte do IBAMA, da necessidade de sistematizar e otimizar os resgates na região, cuja população já apresenta sinais de declínio.
Veja abaixo a lei nº 11.171/2025 publicada no DOE de 22 de setembro de 2025: