Pico da Neblina tem exatos 2.995,30 metros de altitude e está localizado no estado do Amazonas, na Serra do Imeri, fronteira com a Venezuela – Foto: Cassiano Gatto/ICMBio
Servidores do Parque Nacional do Pico da Neblina, a montanha mais alta do país com 2.995,30 metros de altitude, realizaram de 26 de janeiro a 6 de fevereiro, uma expedição técnica para avaliar melhorias na trilha e nas estruturas de acesso à montanha, localizada no Amazonas.
A iniciativa foi conduzida por servidores do Parque Nacional, com o apoio da Frente de Proteção e da Força-Tarefa Yanomami, ambas vinculadas à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além do Instituto Socioambiental (ISA), com o objetivo de identificar melhorias na trilha e nas infraestruturas de acesso ao Yaripo.
A equipe que escalou os 2,9 mil metros de altitude da montanha mais alta do país foi composta por 11 napë (os brancos) e 22 Yanomami, divididos entre condutores, carregadores e cozinheiros, conforme é estruturado no Plano de Visitação Yaripo Ecoturismo Yanomami, elaborado com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para ordenar a visitação à unidade de conservação federal.
A subida envolve aproximadamente seis a oito dias de trilha pela floresta até alcançar o cume. Foto: Leandro Eiró/ICMBio
Durante os 12 dias de jornada, entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro, os participantes da expedição enfrentaram o desafio de atingir o cume da montanha, lidando com condições de calor, frio, chuva, lama, fome, sede, desgaste físico e mental.
O trabalho, portanto, consistiu em fazer uma leitura técnica do percurso para que sejam propostas soluções que amenizem parte das dificuldades, com destaque para a infraestrutura dos acampamentos e para os pontos de maior risco de acidentes — concentrados sobretudo no trecho de ataque ao cume.
“Desta expedição, reunimos o conhecimento necessário para promover melhorias ao Plano de Visitação ao Pico da Neblina, relativo à nossa gestão da unidade e à melhoria das condições de trabalho dos profissionais Yanomami. É naturalmente um avanço difícil, dadas as condições geográficas de isolamento da localidade, mas esta iniciativa é um primeiro passo para a busca de soluções”, destacou o chefe do parque, Cassiano Gatto.
Após a conclusão da expedição técnica, a equipe de especialistas definiu os seguintes encaminhamentos:
Propostas para o acampamento Base: elaboração de três alternativas de estrutura para o acampamento “Base”, localizado no sopé do Pico da Neblina, contemplando diferentes níveis de recursos e infraestrutura.
Melhorias no trecho final da trilha: está prevista, para agosto de 2026, a instalação de 50 degraus no segmento de ataque ao cume, bem como a reestruturação do sistema de apoio — incluindo cordas e correntes — com o objetivo de elevar os níveis de segurança durante a subida.
Mapeamento ambiental: realização de mapeamento prévio, por meio de drone, das cicatrizes do garimpo e de seus efeitos sobre a vegetação endêmica da Bacia do Gelo – o platô situado a cerca de 2.000 metros de altitude que abriga o acampamento Base.
Validação de protocolos operacionais: atualização e validação de procedimentos segundo o Plano de Visitação Yaripo, incluindo a pesagem e a distribuição de cargas entre os profissionais Yanomami, a organização da estrutura de coordenação geral, o acompanhamento dos visitantes ao longo da trilha e a realização de visitas técnicas dos responsáveis pelo projeto no ICMBio e no ISA.
Pico da Neblina
No coração da Amazônia, onde a floresta encontra as nuvens, ergue-se o Yaripo — a Montanha dos Ventos, como os Yanomami chamam o Pico da Neblina, o ponto mais alto do Brasil.
Entre paredões cobertos por floresta e neblina quase permanente, esse lugar é mais do que um marco geográfico: guarda significados espirituais, histórias ancestrais e um dos cenários naturais mais preservados do país, sagrado para os povos indígenas e desafiador para montanhistas.
Ações devem contribuir para ampliar a recuperação da vegetação nativa na Amazônia Legal. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
O Governo Federal anunciou no dia 11 de mrço, a seleção de 11 projetos voltados à restauração ecológica e ao fortalecimento da cadeia produtiva da recuperação florestal na Amazônia Legal. As iniciativas selecionadas somam R$ 69,5 milhões em investimentos e devem restaurar 2.877 hectares em Unidades de Conservação prioritárias da região.
Os projetos fazem parte do 4º ciclo de editais da iniciativa Restaura Amazônia, conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). As iniciativas serão implementadas nos estados do Acre, Rondônia, Tocantins, Mato Grosso, Pará e Maranhão. O edital contou com recursos adicionais da Petrobras.
O quarto ciclo de editais teve como foco Unidades de Conservação prioritárias e contou com três chamadas públicas organizadas pelo Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e Conservation International Brasil (CI-Brasil), que coordenaram as seleções em três macrorregiões da Amazônia Legal.
Foram escolhidas iniciativas apresentadas por organizações da sociedade civil, institutos de pesquisa e cooperativas:
SOS Amazônia
Itaipu Parquetec
Coopfish
Cooperxapuri
Associação Humana Povo para Povo Brasil
Instituto Perene
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)
Fundação Rio Verde
Wildlife Conservation Society Brasil (WCS)
Instituto Socioambiental (ISA)
Instituto Ibramar
Foto: Edson Vidal/Esalq-USP
Restauração
As ações devem contribuir para ampliar a recuperação da vegetação nativa na Amazônia Legal, fortalecer cadeias produtivas sustentáveis e gerar oportunidades de trabalho e renda para comunidades locais envolvidas na restauração florestal.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, destacou a importância de mecanismos como o Fundo Amazônia para a criação de um novo ciclo de prosperidade baseado em uma dinâmica econômica que preserve a floresta.
Marina Silva, ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Foto: Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
“Meio ambiente e desenvolvimento fazem parte da mesma equação. Quando temos políticas públicas bem desenhadas e com continuidade, conseguimos resultados como transformar o antigo arco do desmatamento no arco da restauração. Municípios que param de desmatar precisam de meios para restaurar e manter suas florestas em pé, gerando emprego e renda. Mas nada disso é possível sem combater o ilegal, porque tudo que queremos é que o desenvolvimento sustentável aconteça em todas as suas dimensões: econômica, social, ambiental, cultural, política, ética e estética. Um mundo mais preservado é também um mundo mais bonito”, afirmou a ministra.
“O Brasil tem uma oportunidade histórica de liderar o mercado global de restauração florestal. Ao apoiar iniciativas como o Restaura Amazônia, o governo do Brasil, por meio do BNDES, contribui para transformar áreas degradadas em novas florestas produtivas, gerando renda, empregos e soluções climáticas baseadas na natureza”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Apoio
A Petrobras vem apoiando iniciativas como o Restaura Amazônia, programa que estimula a utilização de soluções baseadas na natureza. São soluções que promovem a conservação da biodiversidade ao mesmo tempo que promovem transformações sociais positivas nas comunidades envolvidas, com geração de renda e oportunidades de mitigação das mudanças do clima, adaptação e aumento da resiliência climática.
Ao lado de ações como descarbonização da produção e novas fontes de energia, esses investimentos socioambientais fazem parte da estratégia da Petrobras no processo de transição energética justa, em linha com os desafios globais de sustentabilidade.
Com o anúncio do quarto ciclo, o Restaura Amazônia consolida um conjunto de 12 chamadas públicas voltadas a diferentes territórios prioritários da Amazônia. Os três primeiros contemplaram projetos em Unidades de Conservação, assentamentos da reforma agrária e terras indígenas, fortalecendo estratégias de restauração florestal com participação de comunidades locais e organizações socioambientais.
Com o 4º ciclo, o Restaura Amazônia alcança 17 Unidades de Conservação, 77 assentamentos, 35 Terras Indígenas por meio do apoio a 58 projetos de restauração ecológica e produtiva no chamado Arco do Desmatamento, onde serão recuperados quase 15 mil hectares pela iniciativa.
As chamadas fazem parte de uma estratégia mais ampla de mobilização de investimentos para restaurar áreas degradadas na Amazônia e desenvolver uma cadeia produtiva estruturada para a recuperação da vegetação nativa.
Com o objetivo de fortalecer a proteção das comunidades indígenas do povo Yanomami, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inaugurou a Base de Proteção Etnoambiental (Bape) Pakilapi, instalada na comunidade Palimiú, às margens do rio Uraricoera, em Roraima.
A ação reforça a presença permanente do Estado brasileiro na Terra Indígena Yanomami, com uma estrutura que amplia a capacidade de monitoramento territorial. A cerimônia de inauguração ocorreu no dia 8 de março.
A base passa a integrar a rede de pontos estratégicos de vigilância territorial mantidos pela Funai e deverá apoiar operações realizadas em conjunto com órgãos de segurança pública e instituições federais.
O evento contou com a presença de representantes da Funai, Casa de Governo, Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI-Yanomami), Exército Brasileiro, além de organizações indígenas como Hutukara Associação Yanomami, Associação Wanasseduume Ye’kwana (Seduume) e Urihi Associação Yanomami.
A presidenta da Funai, Joenia Wapichana, destacou que a Base irá fortalecer as ações de monitoramento e proteção territorial do povo Yanomami e reforça a importância do estado brasileiro dentro do território indígena, que já passou por diversas crises humanitárias.
“A estrutura reforça a segurança para que a Terra Indígena Yanomami se mantenha protegida, livre de invasões e com a presença permanente das equipes de fiscalização. É mais uma atividade de fortalecimento institucional da Funai”, enfatizou a presidenta.
O presidente da Hutukara Associação Yanomami, Davi Kopenawa Yanomami, destacou que a estrutura fortalece a vigilância territorial realizada pelas próprias comunidades.
“Essa casa é muito importante para a proteção da nossa terra. Sem presença permanente, não há como vigiar e proteger o território. Este lugar é histórico e será lembrado. Nossos jovens terão aqui um espaço para continuar defendendo o nosso território”, ressaltou.
A base também atuará como ponto permanente de controle logístico fluvial, e irá contribuir para bloquear rotas utilizadas no abastecimento de estruturas ilegais de mineração. Além disso, funcionará como plataforma de apoio às aeronaves de asa rotativa utilizadas em operações interinstitucionais de fiscalização e desintrusão.
Para a diretora de Proteção Territorial da Funai, Janete Carvalho, a localização da base é estratégica para impedir o avanço de atividades ilegais na região.
“Desde 2023, com a retomada das ações de proteção na Terra Indígena Yanomami, a Funai tem investido em estratégias para combater o garimpo e a proteção territorial. A Bape Pakilapi se torna um ponto central para proteger a entrada do garimpo pelo rio Uraricoera. Essa iniciativa, em conjunto com as forças de segurança e demais órgãos governamentais, demonstra o esforço coletivo do governo brasileiro na proteção das terras indígenas”, acrescentou.
Base
A base possui capacidade de alojamento para até 32 pessoas, entre servidores da Funai, equipes técnicas e agentes de órgãos parceiros, permitindo atuação contínua no território. A unidade também foi projetada para atender às necessidades operacionais em áreas remotas, com infraestrutura adequada para atividades de monitoramento, fiscalização e apoio logístico.
A base recebeu investimento de cerca de R$ 1,7 milhão e deverá abrigar equipes da Funai e de órgãos parceiros, como Polícia Federal, Força Nacional, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e outras instituições que atuam nas ações de fiscalização e monitoramento da Terra Indígena Yanomami.
O diretor da Casa de Governo em Roraima, Nilton Tubino, ressaltou que a base fortalece a estratégia de controle territorial e já contribui para a redução das atividades garimpeiras na região.
“A inauguração aqui da base Pakilapi na Funai tem um papel importante na estratégia de proteção do território Yanomami, além dela ter um lugar estratégico no rio Uraricoera ela vai permitir ações terrestres e também ações aéreas porque a gente vai trazer combustível aqui para utilizar aqui no local para fazer não só ação de repressão ao garimpo mas também ação de monitoramento e controle da região. Hoje já temos mais de 98% de redução do garimpo nas terras Yanomami”, pontuou.
O presidente da Urihi Associação Yanomami, Junior Hekurari, afirmou que a base representa um passo importante para garantir a presença do Estado no território.
“Essa inauguração é muito importante para a Terra Indígena Yanomami. Essa casa representa a presença do Estado brasileiro dentro do nosso território, garantindo segurança e bem-estar para o nosso povo. Hoje vemos a água do rio mais limpa e as comunidades retomando suas atividades. Isso é resultado do trabalho conjunto entre os órgãos do governo e os povos indígenas”, afirmou.
ADPFs 709 e 991
A implantação da Base de Proteção Etnoambiental Pakilapi também integra as ações adotadas pelo Governo Federal para cumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) voltadas à proteção de territórios indígenas, determinadas nas Arguições de Descumprimentos de Preceitos Fundamentais (ADPFs) nº 709 e nº 991.
A primeira, nº 709, ressalta o atendimento a população Yanomami, fortemente impactada pela atividade garimpeira nos anos anteriores, além de intensificar ações de desintrusão de garimpos ilegais em terras indígenas como Yanomami, Karipuna, Uru-Eu-Wau-Wau, Kayapó, Arariboia, Munduruku e Trincheira Bacajá.
Já a ADPF nº 991, prevê a adoção de medidas para garantir a proteção integral de territórios com presença de povos indígenas isolados e de recente contato, incluindo os Yanomami, por meio da implementação de um Plano de Ação específico.
Fotos: Diego Peres, Mauro Neto, Alex Pazuello e Thiago Corrêa/SECOM AM
Começa oficialmente a temporada do maior espetáculo folclórico à céu aberto do mundo. Nesta sexta-feira (13), o Teatro Amazonas, em Manaus (AM), foi palco do lançamento oficial do 59º Festival Folclórico de Parintins, a grande festa dos bois Caprichoso e Garantido.
A cerimônia marca a contagem regressiva de 105 dias para o evento bovino, que acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho em Parintins, a Ilha da Magia.
O evento contou com a participação dos itens oficiais e torcedores dos dois bois-bumbás, autoridades políticas e representantes do patrocinadores do festival.
Na ocasião, foi celebrado o contrato de patrocínio da festa tupinambarana, assinado pelo governador do Amazonas, Wilson Lima; o secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Caio André; o diretor de relações governamentais da Coca-Cola, Eduardo Dias; e os presidentes dos bois Caprichoso e Garantido, Rossy Amoêdo e Fred Góes, respectivamente.
O governador do Amazonas destacou que o festival deste ano será “o maior de todos os tempos” e enalteceu os números alcançados em 2025.
“Ano passado, foram 120 mil visitantes. Movimentamos algo em torno de R$ 185 milhões na Ilha. Isso representa quase 40% do orçamento anual da prefeitura de Parintins. Foram 30 mil empregos gerados no município, mas Parintins não se mede só pelos números, e sim pela emoção, pela importância que o festival tem, não só na economia, mas na vida de cada parintinense”, afirmou.
Uma das novidades anunciadas foi o patrocínio da marca de bebidas Coca-Cola aos bois, que a partir deste ano será bianual, em homenagem aos 30 anos da parceria envolvendo a empresa internacional e o Festival de Parintins. Até 2025, o contrato era anual.
No fim, a cerimônia foi encerrada com a apresentação dos bois-bumbás, protagonizado pelos principais itens das agremiações no palco do teatro.
Em Parintins, a festa de lançamento do festival será no dia 20 de março e contará as atrações nacionais Simone Mendes e Klessinha, conforme anunciado pelo governo estadual.
Temas do Festival 2026
Em 2026, o Boi Caprichoso vai defender o tema ‘Caprichoso: brinquedo que canta seu chão’. A proposta transforma o amor pelo Caprichoso em arte e cultura, além de celebrar o boi como símbolo da identidade amazônica e do orgulho de Parintins.
O Boi Garantido escolheu o tema ‘Parintins: Portal do Encantamento’. A agremiação promete levar o público em uma viagem mágica pela Ilha Encantada, celebrando ancestralidade, batuques e encantarias.
O lançamento foi transmitido pelo Governo do Amazonas. Assista:
Jovens estudantes acessando a página do Museu Goeldi no Google Arts & Culture. Foto: Woltaire Masaki/MPEG
O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) ganhou um espaço virtual no Google Arts & Culture. Apresentada como “centro pioneiro nos estudos científicos dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia” e como “um dos mais antigos, maiores e populares museus brasileiros”, a instituição estreou na plataforma com uma exposição virtual que reúne fotografias históricas do Parque Zoobotânico, em comemoração aos seus 130 anos.
Segundo o Museu, a página é mais uma ferramenta de divulgação da ciência e da cultura produzidas no local, agregando imagens e textos explicativos sobre seus acervos.
O coordenador de Museologia, Emanoel de Oliveira Junior, destaca a importância da inclusão do Museu Goeldi na plataforma que conta, segundo o próprio site, com mais de 3 mil museus de várias partes do mundo. Segundo ele, as tratativas para o ingresso da instituição no Google Arts & Culture começaram em 2023 e foram concretizadas ano passado.
“A instituição é um museu de história natural, mas também uma instituição cultural que salvaguarda objetos associados a diversas sociedades amazônicas. Nessa percepção, aderimos à plataforma”, relata.
O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), órgão ao qual o Museu está vinculado, já possuía um acordo com o Google, e isso contribuiu para viabilizar essa adesão.
De acordo com Emanoel Junior, inicialmente, a seção no Google Arts se concentrava nas florestas tropicais, mas como a instituição também atua em outras perspectivas, e tem como uma de suas bases o Parque Zoobotânico, localizado na área urbana central de Belém, optou-se por estrear com a exposição sobre “essa mostra viva da Amazônia”.
Para ele, o Parque do Museu representa uma memória viva da Amazônia e de Belém, e, com isso, traz às pessoas um pouco mais das florestas tropicais.
“Ele é esse espaço polissêmico, a base da instituição mais visitada, o local para onde as pessoas levam as suas famílias e, ao mesmo tempo, é uma área de preservação. Então, esse espaço tem muita história para contar e mexe muito com a imaginação das pessoas, com a memória delas”.
O site do Google destaca as três bases físicas do Museu (o Parque é a mais antiga e a mais conhecida): “Instituição de pesquisa fundada em 1866 na cidade de Belém (PA), onde mantém seu campus de pesquisa e o primeiro parque zoobotânico do país, o Museu Goeldi também conta com uma estação científica localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó (PA), que funciona como um laboratório avançado sobre o funcionamento das florestas tropicais”.
Foto: Reprodução/Google Arts
Criação e curadoria do Museu
A tecnologista Karol Gillet, coordenadora adjunta da Museologia, também traz sua perspectiva sobre o processo de criação do espaço virtual. Segundo ela, a curadoria das fotos que compõem a exposição foi feita de forma rigorosa. Foram disponibilizadas por curadores da exposição e também por meio do Serviço de Arquivo e Memória e da Coordenação de Museologia (Comus), com apoio do Arquivo Guilherme de La Penha.
As fotos mais recentes são dos arquivos da Comus e do Serviço de Comunicação Social (Secos). “O conteúdo passou pelas etapas de organização, seleção e revisão técnica para garantir a integridade das informações apresentadas na plataforma”, afirma.
O Google Arts & Culture é um projeto que utiliza a tecnologia como opção para tornar lugares e espaços acessíveis a pessoas em qualquer parte do mundo, mas, para Karol Gillet, também é uma ferramenta importante de divulgação da ciência.
“A plataforma amplia significativamente o acesso às informações e aos acervos da instituição, promovendo a democratização do conhecimento produzido pelo Museu. Ela também possibilita a criação de exposições digitais integradas a diferentes acervos, promovendo conexões entre museus de diversas partes do mundo. É uma ferramenta estratégica para fortalecer a presença institucional no ambiente digital e ampliar o alcance das ações de divulgação científica”, observa a tecnologista.
Memória e futuro
A primeira exposição do Museu Goeldi traz a história do seu Parque Zoobotânico, como ele se modificou ao longo dos últimos 130 anos.
“É interessante, inclusive, porque muita gente acaba acreditando que é um pedaço, um vestígio de floresta nativa. Na verdade, é um espaço totalmente antropizado, plantado e organizado como uma espécie de microcosmos, desde a sua criação. Então, podemos mostrar às pessoas que ele vai se transformando também, que é um espaço dinâmico, que não é o mesmo de quando foi inaugurado, que seu desenho foi se modificando, ao longo das décadas”, complementa Emanoel Fernandes.
Para ele, a exposição em homenagem aos 130 anos do Parque marca o início de um espaço que será utilizado para manter diversos acervos vivos.
“A ideia foi justamente convidar as pessoas a perceber como a própria instituição conta a sua história por meio de um acervo que ela salvaguarda. Nós estamos conversando e alinhando como é que a gente vai agora se apropriar cada vez mais desse espaço. Estamos estruturando duas novas exposições para constarem na plataforma, tentando dar um outro passo que é promover a digitalização de alguns acervos”.
No espaço do Museu Goeldi no Google Arts & Culture, o usuário pode acompanhar história e símbolos do Parque Zoobotânico, por meio de fotografias históricas e atuais, com legendas explicativas. O acesso pode ser feito diretamente neste link, ou a partir da página inicial artsandculture.google.com,buscando pelo nome ou ativando a localização do usuário.
Quem está em Belém ou na região, pode selecionar a opção “Por perto”, que está em uma das abas do menu horizontal. O resultado mostra cerca de 20 locais e exposições, entre os quais o Museu Goeldi. Ainda a partir da página inicial, outra forma de localizar o espaço é clicar na opção de lupa no menu “Explorar”, pesquisando pelo nome “Museu Goeldi”.
Trilhas interpretativas implementadas envolvem 14 comunidades e mais de 160 participantes
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) implementou um conjunto de trilhas interpretativas em unidades de conservação (UCs) do Amazonas, com apoio da LVMH – Moët Hennessy Louis Vuitton, grupo internacional líder no setor de moda.
A iniciativa promove experiências de educação ambiental, valoriza a biodiversidade amazônica e fortalece oportunidades de turismo sustentável conduzido pelas próprias comunidades da floresta.
O projeto foi realizado entre junho de 2024 e dezembro de 2025 e envolveu 14 comunidades em três unidades de conservação do estado:
a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uatumã,
a Área de Proteção Ambiental (APA) Rio Negro
e a RDS Rio Negro, cuja gestão é da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema).
Ao todo, mais de 160 pessoas participaram das atividades, incluindo jovens, comunitários, empreendedores locais e guias comunitários.
As trilhas interpretativas são percursos educativos realizados na floresta, nos quais visitantes e moradores percorrem caminhos guiados que apresentam espécies da fauna e da flora, além de conhecimentos tradicionais das comunidades locais. A metodologia utiliza a própria natureza como espaço de aprendizagem, estimulando a sensibilização ambiental e o entendimento sobre a importância da conservação da Amazônia.
Segundo Aldenor Sirico dos Santos, morador da comunidade Saracá, as trilhas possibilitam agregar valor econômico à comunidade:
“Para nós vai estar agregando muito valor, porque o jovem vai conseguir tirar o sustento da família deles numa trilha. Possibilita acima de tudo a oportunidade de melhorar a qualidade do turismo local, a qualidade da educação ambiental”.
Entre as comunidades participantes estão São Francisco do Caribi, Três Unidos, Tumbira, Saracá e comunidade do Inglês, que receberam atividades de capacitação e participaram da implantação das trilhas, incluindo mapeamento dos percursos, instalação de sinalização e atividades de educação ambiental.
Trilhas são educativas
Uma das trilhas implantadas na RDS Uatumã, por exemplo, possui aproximadamente 838 metros de extensão, com percurso de cerca de uma hora de duração, permitindo aos visitantes conhecer diferentes espécies da floresta e compreender aspectos ecológicos e culturais do território.
Além de promover educação ambiental, a iniciativa também contribui para fortalecer o turismo de base comunitária, criando oportunidades para que moradores atuem como guias locais e compartilhem seus conhecimentos sobre a floresta.
Foto: Rodolfo Pongelupe/FAS
Para Rafael Sales, coordenador de projetos da FAS, a iniciativa superou as expectativas e demonstrou o interesse das comunidades em fortalecer o turismo sustentável.
“No planejamento inicial, estavam previstas trilhas interpretativas nas comunidades Três Unidos, Tumbira e São Francisco do Caribi. No entanto, a pedido das próprias comunidades, ampliamos a iniciativa para Saracá e Inglês, na RDS Rio Negro. Como esses territórios já desenvolvem atividades ligadas ao turismo comunitário, as trilhas surgem como um novo atrativo e uma oportunidade de geração de renda para as famílias, além de fortalecer a escola e a comunidade como espaços de aprendizado sobre a floresta e seus conhecimentos tradicionais”.
Para os participantes, a experiência trouxe novos aprendizados e perspectivas. Um dos comunitários envolvidos no projeto destaca que a iniciativa fortalece o orgulho pelo território e abre novas oportunidades de trabalho.
“O curso, associado às trilhas, proporcionou estudos sobre legislação, bioeconomia, biodiversidade e abriu esse espaço para que pessoas como eu e outros alunos que têm a idade maior do que os jovens tivessem a possibilidade de partilhar o nosso conhecimento”, relata Izolena Garrido, da Comunidade do Tumbira.
As trilhas interpretativas contribuem para fortalecer a conexão entre pessoas e natureza, ao mesmo tempo em que incentivam a conservação da biodiversidade e valorizam os conhecimentos tradicionais das comunidades amazônicas. A parceria com a LVMH e a Sema reforça o papel de alianças entre organizações da sociedade civil, governos e o setor privado para apoiar iniciativas que conciliam conservação da floresta, geração de renda e valorização cultural na Amazônia.
O novo acesso garante mais segurança e comodidade. Foto: Francisco Sena/PMBV
A obra de interligação entre os bairros Murilo Teixeira e Equatorial avançou rapidamente e quem celebra a melhoria são os moradores. Os serviços de pavimentação foram executados pela Prefeitura de Boa Vista, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade (SMOB), ampliando a trafegabilidade, tanto de veículos como de pedestres.
Para garantir o escoamento da água e viabilizar a ligação entre as ruas Julieta Pereira de Melo com Antônio Reszka, uma galeria foi implantada no igarapé Caranã pela Secretaria Municipal de Obras (SMO). Em seguida, foram feitas a terraplanagem e a pavimentação, assegurando um serviço de qualidade. Os trabalhos serão finalizados com sinalização, calçadas, meio-fio e sarjetas. Todas as etapas foram executadas com recursos próprios da prefeitura.
Tempo de trafegabilidade reduziu em 10 minutos para o empresário Eduardo Nunes. Foto: Francisco Sena/PMBV
“Eu passo muito por aqui, pois trabalho no bairro Cidade Satélite. Essa obra me beneficia muito, porque eu gastava de 10 a 15 minutos para chegar ao trabalho e, agora, gasto 4. Está tudo muito mais rápido”, comentou Eduardo Nunes, empresário e morador do Alvorada.
A dona de casa Luzia Souza não escondeu a satisfação, já que agora consegue ter acesso direto a outros bairros. “Ver essa obra é uma maravilha, uma bênção para nós, porque tínhamos que dar uma volta muito grande e agora fica tudo mais perto. Eu estou indo a pé para a minha igreja, fazendo caminhada e indo aos supermercados, apenas atravessando a rua”, enfatizou.
Luzia Souza ficou muito contente com o novo acesso. Foto: Francisco Sena/PMBV
“A bicicleta é meu principal meio de transporte. Eu faço o trajeto do Centro para o Aparecida quatro vezes por dia. Acho que as ciclovias dão mais segurança, é mais tranquilo. Essa revitalização é positiva, estava meio apagado e agora, com a pintura, dá mais visibilidade”, comentou.
Infraestrutura é prioridade da Prefeitura de Boa Vista
Serviços são executados pelas secretarias de Mobilidade Urbana e de Obras. Foto: Rebeca Lima/PMBV
Em cinco anos, a Prefeitura de Boa Vista asfaltou mais de 74 km de ruas e avenidas e recapeou outros 86 km. O sistema de drenagem foi reforçado com a construção de 58 km de rede por toda a cidade. Nas áreas rural e indígena, a gestão recuperou 228 km de vicinais e pavimentou 77 km de estradas.
O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) concedeu, no dia 11 de março, Licença Ambiental Única (LAU nº 059/2026) para o funcionamento do primeiro criadouro científico de escorpiões autorizado pelo estado. O licenciamento foi emitido para a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), localizada na zona Centro-Oeste de Manaus.
A licença permite a manutenção de espécies de escorpiões em ambiente controlado para fins científicos, contribuindo com estudos voltados ao conhecimento da fauna amazônica e ao avanço de pesquisas na área da saúde. No criadouro, serão mantidas quatro espécies: Tityus metuendus, Tityus silvestris, Tityus dinizi e Brotheas amazonicus.
O diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, destacou que a concessão da licença representa um avanço para o fortalecimento da pesquisa científica no Amazonas, ao permitir que instituições desenvolvam estudos com espécies da fauna amazônica de forma regularizada e sob acompanhamento do órgão ambiental.
Diretor-presidente do Ipaam e pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical mostrando a licença. Foto: Henrique Almeida/Ipaam
“É uma honra fazer parte dessa estrutura, principalmente porque estamos abrindo uma alternativa que não atende apenas a um criadouro, mas contribui diretamente para a ciência e para a saúde. Quando falamos de pesquisa, as possibilidades são praticamente ilimitadas. Com mais pesquisa, podemos encontrar soluções e até caminhos para tratamentos e curas de diversas doenças”, afirmou Picanço.
A gerente de Fauna Silvestre do Ipaam, Sônia Canto, destacou que a autorização do primeiro criadouro científico de escorpiões no Amazonas representa um avanço para o conhecimento sobre essas espécies e para o desenvolvimento de pesquisas relacionadas aos efeitos da peçonha.
“Ainda existem muitas lacunas sobre a biologia desses animais, o comportamento e até sobre o próprio veneno. Esses estudos podem contribuir para a medicina, para o entendimento dos efeitos da peçonha no organismo humano e também para orientar melhor a população sobre como agir ao encontrar um escorpião. A partir dessa criação científica, será possível desenvolver pesquisas que tragam benefícios para a sociedade”, explicou Sônia.
A pesquisadora da FMT-HVD e professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Jacqueline Sachett, explicou que a licença ambiental permitirá ampliar o número de escorpiões mantidos em cativeiro, o que é essencial para a obtenção de veneno utilizado em estudos científicos.
“Para que a gente consiga uma quantidade significativa de veneno para pesquisa, é necessário manter um número maior de escorpiões em cativeiro. Até agora, nós não podíamos ir a campo coletar esses animais porque ainda não tínhamos a licença ambiental. Os exemplares que temos hoje foram levados por pacientes ao hospital ou encontrados em áreas urbanas. Com a licença, agora será possível realizar coletas de forma regularizada e ampliar a criação desses animais para avançar nas pesquisas”, afirmou a pesquisadora.
A Licença Ambiental Única tem validade de um ano e estabelece condicionantes que devem ser cumpridas pela fundação, incluindo a apresentação periódica de relatórios sobre o plantel mantido no criadouro e a observância das normas federais que regulamentam a criação de fauna silvestre para fins científicos.
O documento também determina que qualquer alteração na atividade ou no plantel deverá ser previamente comunicada e autorizada pelo órgão ambiental estadual.
Na comunidade Sacaí, o rio Branco é o protagonista — ele transporta os barcos, é a fonte de renda, de alimento e dita o estilo de vida dos250 ribeirinhos que ali vivem. Localizada em uma região conhecida como Baixo Rio Branco, em Roraima, crianças, pescadores e lideranças da comunidade passaram a atuar como aliados na preservação de uma espécie que também precisa do rio para sobreviver: as tartarugas-da-Amazônia.
A transformação começou a partir das ações de educação ambiental do Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que há 47 anosatua na proteção das áreas de desova da espécie na região. O Baixo Rio Branco tem 16 comunidades ribeirinhas.
Além do monitoramento dos ninhos e da soltura dos filhotes, o projeto investe em ações educativas dentro das próprias comunidades ribeirinhas, especialmente nas escolas. Em Sacaí, a iniciativa aproximou os moradores da conservação, transformou a relação antes marcada pela captura de quelônios e deu lugar a ações de proteção da espécie.
“O que a gente vê hoje é uma comunidade muito mais consciente do valor desses animais pro equilíbrio desse riozão”, explica o agricultor e pescador Josué Moreira, de 51 anos, presidente da associação comunitária de Sacaí.
Quelônio é todo réptil de casco, o que inclui jabutis, tracajás e cágados. O maior entre os que vivem fora da água salgada é a tartaruga-da-Amazônia, que na fase adulta pode chegar a 1 metro de comprimento e pesar até 65 kg. Além disso, vivem até 100 anos.
Este ano, graças à atuação do projeto, 150 mil tartarugas-da-Amazônia devem nascer até o fim de março nas praias do Baixo Rio Branco. O número de ovos registrados é considerado um recorde para Roraima.
A fiscal ambiental do município de Caracaraí, Jéssica Gois, que atua em parceria com o Ibama no projeto destacou que o trabalho de educação ambiental ajudou a mudar a forma como os moradores enxergavam as tartarugas na comunidade.
“A comunidade desconhecia o trabalho do PQA e a importância das tartarugas. Então, quando a gente traz essas informações, eles começam a enxergar de outra forma. Além disso, procuram preservar e proteger a espécie. Eles mesmos disseminam esse conhecimento que adquiriram aqui para outras comunidades próximas. É uma corrente do bem para proteger as tartarugas”, disse.
O projeto monitora ninhos em praias ao longo do Baixo Rio Branco — o acesso é feito apenas por horas navegando pelo rio. A iniciativa atua contra predadores e no combate à principal ameaça: o tráfico de tartarugas por criminosos conhecidos como “tartarugueiros”.
Comunidade na beira do rio
Casas em palafitas na comunidade Sacaí, no Baixo Rio Branco. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR
As casas em Sacaí são suspensas por palafitas de quase dois metros para a época de cheia do rio Branco. Não há ruas — as casas, todas de madeira, são alinhadas com o curso d’água. Não há carros nem motos, afinal, não tem ruas. Os moradores andam a pé, de bicicleta ou de canoas e barcos.
Para chegar a Sacaí, é necessário fazer uma viagem de barco que parte da sede do município de Caracaraí e dura cerca de 7 horas pelo rio.
A comunidade é formada principalmente por famílias que vivem da pesca e da agricultura voltada para o próprio sustento. Durante muito tempo, a captura de tartarugas e a coleta de ovos fizeram parte da cultura alimentar de muitas populações amazônicas. Mas nos últimos anos, essa realidade começou a mudar.
Josué Moreira, o presidente comunitário de Sacaí, afirma que o projeto do Ibama promoveu uma “mudança na mente” de todos ali. Ele explica que a comunidade, inclusive, deixou de ajudar os traficantes de tartaruga que tanto navegavam no rio Branco.
“Antes de conhecer o projeto, a comunidade era muito predatória. Hoje posso dizer que 99% das pessoas mudaram. Não tem mais aquela frequência de pescaria predatória de tartaruga como acontecia antes”.
Agricultor e pescador Josué Moreira, de 51 anos, presidente da associação comunitária de Sacaí. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR
Ação começa pelas crianças
Os cuidados com as tartaruguinhas na comunidade começam com as pessoinhas! Grande parte dessa transformação começa com os estudantes. As equipes do projeto passaram a visitar regularmente a escola municipal Oscar Batista dos Santos, que atende alunos de diferentes idades em Sacaí.
Durante as atividades, os estudantes aprendem sobre o ciclo de vida das tartarugas, o papel ecológico da espécie e os riscos enfrentados pelos animais na natureza.
Moradora da comunidade e secretária da escola, Nericiana de Moura, de 38 anos, afirma que as atividades despertaram curiosidade entre os alunos. Com isso, o aprendizado ultrapassa a sala de aula. Segundo ela, as crianças aprendem sobre a importância de proteger os quelônios e levam essas informações para casa, onde compartilham o conhecimento com os pais.
“Grande parte da comunidade vive da pesca. Então, quando as crianças aprendem sobre isso na escola, elas também ajudam a conscientizar os adultos”, explicou.
Para incentivar o engajamento de crianças e adolescentes, o projeto também promoveu atividades com estudantes da comunidade. Um dos momentos mais marcantes foi um concurso realizado entre alunos. A premiação foi uma experiência única: participar da soltura de filhotes nas praias onde os ninhos são monitorados.
“Tartarugas são importantes para a natureza”
Os estudantes vencedores puderam acompanhar de perto o trabalho das equipes do projeto e participar da devolução de cerca de 5 mil tartaruguinhas ao rio. Para a estudante Maria Isabela Sampaio, de 12 anos, foi uma experiência “mágica”.
Bruno de Souza, de 16 anos e Maria Isabela Sampaio, de 12 anos, crianças da comunidade Sacaí que participaram da soltura de tartarugas-da-Amazônia. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR
“Foi muita alegria e emoção, porque eu nunca tinha participado de algo assim. Aprendi que as tartarugas são importantes para a natureza”, disse.
O estudante Bruno de Souza, de 16 anos, também participou da soltura e destacou a importância da atividade para garantir a sobrevivência dos animais.
“Muitas tartarugas não conseguem chegar até o rio por causa dos predadores. Poder ajudar soltando os filhotes e dando uma nova chance de vida para elas é muito especial”, afirmou.
Mudança de mentalidade na comunidade
A presença constante do projeto e o diálogo com os moradores ajudaram a construir uma nova relação entre a comunidade e os animais. O pescador Mário Jorge Oliveira, de 47 anos, avalia que preservar as tartarugas significa também preservar a própria história da região.
“Antigamente, há uns 20 ou 25 anos, a gente via muito mais quelônios no rio. Hoje já não é assim. Por isso a gente entende a necessidade de proteger esses animais”.
Ele afirma que a conservação também é uma forma de garantir que as próximas gerações tenham contato com a natureza da mesma forma que os moradores mais antigos tiveram: “Se a gente não preservar, as novas gerações não vão ver o que a gente viu. Preservando, eles vão poder admirar a natureza como ela é linda”, afirma.
Segundo ela, no passado era comum a presença de pessoas de fora que vinham até o Baixo Rio Branco para capturar tartarugas ou retirar ovos das praias.
A dona de casa Maria Francisca Moura, de 63 anos, mora na comunidade há mais de duas décadas e diz que percebeu uma mudança significativa no comportamento dos moradores desde que o projeto começou a atuar na região.
“A comunidade se conscientizou muito mais. Não tem mais aquela caça predatória de tartaruga como tinha antes”, afirmou.
“Hoje a gente vê as placas do projeto e ninguém quer mexer. Pelo contrário, a gente apoia. Eu sou muito a favor disso”, disse.
Maria Francisca diz que os próprios moradores passaram a defender a preservação da espécie e a respeitar as regras de proteção nas áreas de reprodução.
O PQA tem uma história multifacetada com um foco central na conservação das tartarugas amazônicas. O projeto foi criado para proteger os ninhos e filhotes, garantindo a segurança durante a fase inicial de vida e salvou cerca de 100 milhões de filhotes no Brasil.
Projeto Quelônios da Amazônia
A região onde o PQA atua é considerada uma área protegida, com proibição da pesca, principalmente com redes do tipo malhador, durante o período reprodutivo.
O projeto é uma iniciativa do Ibama, mas tem parceria da Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Femarh), especialmente na região do Baixo Rio Branco, dentro das unidades de conservação estadual.
Em Roraima, as equipes em campo são compostas por servidores do Ibama, pilotos de barcos, policiais para a segurança dos servidores e colaboradores locais.
Um dos resultados mais significativos do PQA é que a tartaruga-da-Amazônia está saindo da lista de animais ameaçados de extinção.
O projeto tem com o apoio da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa), que monitora atividades ilegais e medeia conflitos com pescadores e ribeirinhos.
Ao todo, 348.732 unidades foram fabricadas entre janeiro e fevereiro no PIM, segundo a Abraciclo. Foto: Josney Benevuto/ Rede Amazônica AM
O Polo Industrial de Manaus (PIM) registrou a maior produção de motocicletas dos últimos 15 anos no primeiro bimestre de 2026. Ao todo, 348.732 unidades foram fabricadas entre janeiro e fevereiro, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo). O volume é 1,7% maior que o registrado no mesmo período de 2025.
“O desempenho do primeiro bimestre reforça o bom momento vivido pela indústria de motocicletas. O setor mantém um ritmo consistente de produção, alinhado ao planejamento das fabricantes e impulsionado pela demanda do mercado”, afirmou o presidente da Abraciclo, Marcos Bento.
Em fevereiro, foram produzidas 164.104 motocicletas. O número é 7,1% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado e 11,1% inferior ao de janeiro.
“A retração já era prevista, em razão do feriado de Carnaval, que reduziu o número de dias úteis do mês e impactou o ritmo de produção”, explicou Bento.
As motocicletas da categoria Street lideraram a produção no primeiro bimestre, com 180.488 unidades fabricadas. O volume representa 51,8% do total produzido no período.
Na sequência aparecem os modelos Trail, com 19,4% da produção, e as Motonetas, com 13,3%.
A maior parte da produção foi de motocicletas de baixa cilindrada, com 270.919 unidades fabricadas, o equivalente a 77,7% do total. Os modelos de média cilindrada representaram 19,5% da produção.
Já as motocicletas de alta cilindrada somaram 9.725 unidades no primeiro bimestre, o que corresponde a 2,8% da produção total. O volume é 22% maior que o registrado no mesmo período do ano passado.
Produção de motos no PIM. Foto: Reprodução/Acervo Rede Amazônica AM
Vendas
Os licenciamentos de motocicletas também registraram crescimento no início do ano. Entre janeiro e fevereiro, foram emplacadas 350.110 unidades no país, o maior volume já registrado para o período. O número representa alta de 13,7% na comparação com o mesmo bimestre de 2025.
Somente em fevereiro, as vendas no varejo somaram 171.548 unidades. O volume é 10% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado, mas 3,9% menor que o de janeiro.
Segundo a Abraciclo, a queda em relação ao mês anterior também está relacionada ao menor número de dias úteis, de 21 em janeiro contra 18 em fevereiro. A média diária de vendas foi de 9.530 motocicletas.
Exportações do PIM
As exportações de motocicletas produzidas no Polo Industrial de Manaus também cresceram no início de 2026.
Nos dois primeiros meses do ano, foram embarcadas 8.015 unidades para o mercado externo, alta de 43,1% na comparação com o mesmo período de 2025.
Somente em fevereiro, as associadas da Abraciclo exportaram 4.748 motocicletas, volume 70% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado e 45,3% superior ao de janeiro.