A aviação da Região Norte registrou crescimento de 37,3% em voos internacionais no primeiro trimestre deste ano. No período, 53.545 passageiros embarcaram a partir dos aeroportos da região, contra 38.988 no primeiro trimestre de 2025. Os dados são da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).
No mesmo período, o número de voos internacionais partindo da Região Norte passou de 607 em 2025 para 682 em 2026, um crescimento de 12,36%. Por aeroporto, Belém aumentou as decolagens de 210 em 2025 para 276 em 2026, alta de 31,43%. Já Manaus passou de 397 para 405 no período, registrando crescimento de 2,02%.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, ressaltou que o resultado confirma a expansão das conexões da região com o exterior e o fortalecimento de sua posição como ponto estratégico de entrada e saída de passageiros internacionais.
“Esse crescimento evidencia o potencial do Norte como porta de entrada para o Brasil e como destino cada vez mais conectado ao turismo global. Estamos ampliando a conectividade aérea regional e fortalecendo a infraestrutura para atrair mais visitantes e impulsionar a economia local”, destacou.
O avanço dos voos internacionais no Norte reflete o fortalecimento das conexões. Foto: Gabriel Magacho/Divulgação NOA Belém
O avanço dos voos internacionais no Norte reflete o fortalecimento das conexões, especialmente em rotas para a Europa, América do Sul e América Central. O movimento é impulsionado pela ampliação da oferta de voos, ligações internacionais a partir de capitais como Belém e Manaus e pelo aumento da demanda por viagens de turismo e negócios.
Em Belém, destacam-se as conexões com Lisboa, em Portugal, responsável por 28% dos voos internacionais da capital paraense, e com Zanderij, no Suriname, que representa 18,12% dessas operações.
Já em Manaus, as principais rotas internacionais são com Bogotá, na Colômbia, que concentra 30,8% dos voos, e com o Panamá, responsável por 22% das operações a partir da capital amazonense.
Audiência detalha estudos de impacto ambiental e medidas mitigadoras para pavimentação de trechos estratégicos da rodovia. Foto: Divulgação
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) participará de audiência pública no dia 12 de maio, às 18h (horário de Manaus/AM), no auditório da Câmara Municipal de Boca do Acre (AM), para apresentação e discussão do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) das obras de pavimentação da BR-317/AM. A oitiva integra a etapa de obtenção da Licença Prévia, primeiro dos três estágios do licenciamento ambiental federal.
O evento é uma iniciativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), com participação do DNIT, e visa discutir o impacto ambiental das obras nos segmentos entre km 452 e km 468,5; km 478,3 e km 496,2; e km 515,3 e 526 da rodovia. O traçado da rodovia existe desde 1956, porém, ainda há trechos sem asfalto.
“A pavimentação total da rodovia é esperada para melhorar significativamente a qualidade de vida da população, oferecendo maior segurança, redução do tempo de viagem e mais conforto, benefícios que não são possíveis atualmente devido ao estado precário da estrada existente”, afirma o coordenador-geral de Meio Ambiente do DNIT, João Felipe Lemos Cunha.
A população em geral é convidada a participar e contribuir com suas sugestões e questionamentos. O RIMA está disponível para consulta no site do IBAMA, nas Prefeituras Municipais e Câmaras Municipais das cidades de Porto Acre, Senador Guiomard, Boca do Acre e Lábrea.
O DNIT disponibilizará transporte coletivo de ida e volta, saindo de Rio Branco em direção a Boca do Acre às 16h e retornando às 22h. A audiência pública é uma oportunidade fundamental para garantir a transparência e a participação da sociedade no processo de licenciamento ambiental da obra.
Para garantir o amplo acesso à informação, o evento também contará com transmissão ao vivo pela internet, disponível no canal oficial do DNIT no youtube.
Investimento e sustentabilidade são debatidos na audiência
O projeto de pavimentação contempla 45,1 quilômetros de extensão, com um investimento previsto de aproximadamente R$143,5 milhões. Hoje em dia, a ausência de asfalto compromete a trafegabilidade, especialmente nos períodos chuvosos, isolando comunidades. Além disso, moradores de cidades próximas à rodovia relatam dificuldade de acesso a serviços de saúde e educação na capital Rio Branco (AC).
“Estamos comprometidos em realizar uma obra que atenda às necessidades de transporte da região, minimizando os impactos ambientais e sociais”, pontua o coordenador de Estudos e Projetos Ambientais do DNIT, Alberto Maeda.
Os estudos ambientais realizados pelo DNIT e consolidados no RIMA trazem um diagnóstico detalhado da região. Entre os principais destaques e pontos de atenção detalhados no relatório, destacam-se:
● Meio Biótico (fauna e flora): O monitoramento identificou a presença de espécies importantes da fauna amazônica, como a onça-pintada e o gavião-real. Para proteger a biodiversidade, o plano prevê a instalação de passagens de fauna e cercas-guia em pontos estratégicos.
● Povos Originários: O planejamento interage com as Terras Indígenas Apurinã e Boca do Acre, sendo objeto de estudos específicos junto à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para garantir o respeito aos territórios e tradições locais.
● Medidas Mitigadoras: Durante as obras, serão aplicados programas de resgate de fauna, controle de erosão e monitoramento da qualidade da água, visando minimizar o impacto no bioma amazônico.
Desenvolvimento regional
A BR-317 é um dos eixos logísticos vitais da Região Norte, servindo como a principal ligação terrestre entre os estados do Acre e do Amazonas, além de ocupar uma posição estratégica para o desenvolvimento socioeconômico da região fronteiriça entre Brasil, Peru e Bolívia.
A rodovia desempenha um papel importante no escoamento da produção agropecuária e extrativista de municípios como Boca do Acre (AM), facilitando o acesso desses produtos aos mercados regionais e aos portos do Oceano Pacífico, e também fomentar o turismo com visitas a fazendas de geoglifos e outras atividades culturais.
Atualmente, o DNIT trabalha para consolidar a pavimentação dos trechos remanescentes no sul do Amazonas, visando eliminar gargalos históricos que dificultam o tráfego, especialmente durante o inverno amazônico.
Plataforma busca auxiliar famílias de crianças com autismo. Foto: Divulgação/UEPA
A Universidade do Estado do Pará (Uepa) amplia sua atuação na transformação digital da saúde pública com projetos aprovados no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde): Informação e Saúde Digital, iniciativa do Ministério da Saúde (MS) em parceria com o Ministério da Educação (MEC).
Entre as propostas em andamento, o campus de Cametá se destaca ao desenvolver uma plataforma digital voltada ao acompanhamento de famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na região do Baixo Tocantins.
“Uma das propostas é desenvolver uma plataforma digital com Inteligência Artificial (IA), envolvendo o SUS para ajudar na identificação de padrões comportamentais precoces de autismo na região do Baixo Tocantins. Além do mais, o projeto possui ações extensionistas envolvendo crianças autistas, apoio emocional e psicológico aos cuidadores e capacitação para os profissionais da saúde”, explica Ivete Furtado, coordenadora do projeto desenvolvido no campus XVIII da Uepa, em Cametá.
O projeto reúne 86 integrantes, entre docentes, estudantes dos cursos de Biomedicina, Ciências Biológicas e Engenharia de Software, além de técnicos administrativos e profissionais da saúde. A iniciativa conta ainda com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde de Cametá, do Centro Especializado de Autismo de Cametá (CEAC – Casa Azul) e da Associação dos Autistas de Cametá (ASAC).
Uma das principais propostas é a criação de uma plataforma digital com uso de inteligência artificial, integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS), para auxiliar na identificação precoce de padrões comportamentais relacionados ao autismo. A ferramenta também deverá oferecer funcionalidades como geolocalização de comunidades ribeirinhas e rurais, interface acessível e inclusiva, além de um espaço virtual colaborativo, intitulado “Cuidar em Rede”, voltado ao compartilhamento de experiências entre cuidadores.
Para Ivete, a atuação de alunos de diferentes áreas “é sempre um grande desafio, porém com muitos ganhos no conhecimento para todos os envolvidos. Profissionais da saúde, por exemplo, pensam em protocolos, segurança do paciente e tomada de decisão clínica, enquanto desenvolvedores estão focados em código, prazos e funcionalidades. São universos diferentes, mas para o bem das famílias de crianças com TEA”.
Projeto na UEPA busca desenvolver uma plataforma digital voltada ao acompanhamento de famílias de crianças com autismo. Foto: Reprodução/UEPA
Atendimento focado em crianças com autismo
Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto inclui ações extensionistas com foco no atendimento a crianças autistas, apoio emocional e psicológico aos cuidadores e capacitação de profissionais da saúde. A expectativa é ampliar o número de famílias acompanhadas, fortalecer redes de apoio e contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficientes, a partir da criação de um banco de dados georreferenciado.
Entre as metas do projeto estão a formação de pelo menos 500 participantes para atuação qualificada no suporte a crianças com autismo e a melhoria da qualidade de vida das famílias atendidas, promovendo inclusão social e desenvolvimento infantil.
Outro destaque do PET-Saúde Digital na Uepa ocorre no município de Ananindeua, onde o projeto segue avançando com foco na transformação digital da Atenção Primária à Saúde (APS). Uma das etapas já concluídas foi a coleta de dados em Unidades Básicas de Saúde (UBS), com o objetivo de mapear o nível de maturidade digital dos serviços.
A análise dos dados será realizada de forma quantitativa e qualitativa pelos grupos participantes, considerando suas experiências nos territórios. Como próximo passo, será promovido o Fórum do PET-Saúde Digital Ananindeua, que reunirá os integrantes do programa para apresentação dos resultados, troca de experiências e definição das estratégias para a próxima fase das atividades.
Além de Cametá e Ananindeua, outros campi da Uepa também tiveram projetos aprovados no edital PET-Saúde Digital 2025, reforçando o papel da universidade na interiorização de ações estratégicas para o fortalecimento do SUS. Em Santarém, Marabá e Tucuruí, as iniciativas abordam desde a qualificação em saúde digital até o monitoramento epidemiológico de doenças tropicais, evidenciando o compromisso institucional com a inovação, a inclusão social e o desenvolvimento regional na Amazônia.
Ações focam no projeto de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia. Foto: Thales Figueiredo/MMA
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) realizaram, em Brasília (DF), no final de abril, uma reunião para estruturar as ações do projeto de Recuperação de Áreas Degradadas na Amazônia.
A iniciativa integra o Programa União com Municípios e prevê a recuperação de áreas degradadas em 3 mil imóveis rurais ocupados por agricultores familiares, localizados em glebas públicas federais não destinadas ou em assentamentos federais. Coordenada pelo MMA, a ação terá a Anater como agência implementadora.
O projeto abrangerá 48 municípios que aderiram ao União com Municípios em 2024. Os investimentos somam R$ 56 milhões, oriundos do programa Floresta+ Amazônia, realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), com recursos do Fundo Verde do Clima (GCF).
A reunião contou com a mediação da Agência Alemã GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit GmbH) e teve como foco a definição do arranjo institucional do projeto.
“É o momento de alinhar estratégias para garantir que os benefícios cheguem, de fato, às famílias na Amazônia”, ressaltou o diretor do Departamento de Ordenamento Ambiental e Territorial do MMA, Marcelo Trevisan.
Áreas degradadas são foco de recuperação do projeto nacional. Foto: Reprodução/Greenpeace
Recuperação de áreas degradas
A Anater já atua como parceira implementadora do União com Municípios em iniciativas voltadas à assistência técnica e à regularização ambiental e fundiária. Nesta nova frente de recuperação de áreas degradadas, o objetivo é promover a recomposição da vegetação nativa, contribuindo para o equilíbrio climático e a conservação da biodiversidade, ao mesmo tempo em que gera renda para as famílias beneficiadas.
“Essas ações apoiarão os agricultores familiares na implementação dos modelos de recuperação da vegetação no território. Estamos mudando o padrão de desenvolvimento socioeconômico regional ao elevar o nível de atuação e o compromisso coletivo de todos os envolvidos”, ressaltou o gerente extraordinário dos Programas para a Amazônia da Anater, Márcio Hirata.
Durante a reunião, também foram discutidas estratégias de sensibilização e engajamento de parceiros, como governos estaduais e municipais, entidades de assistência técnica e extensão rural e os próprios agricultores. A proposta é ampliar a participação local na construção de soluções para desafios recorrentes da recuperação ambiental.
“Há muitos entraves em iniciativas de recuperação, especialmente relacionados ao baixo engajamento dos produtores e à falta de manutenção dos sistemas. Ao garantir o pagamento da mão de obra e o monitoramento das ações, os resultados serão mais positivos para o agricultor e para o meio ambiente”, explicou a coordenadora-geral do Departamento de Ordenamento Ambiental Territorial do MMA, Nazaré Soares.
Programa União com Municípios
O União com Municípios (UcM) fortalece a cooperação federativa e incentiva o protagonismo dos gestores locais na implementação de ações voltadas à redução do desmatamento, dos incêndios e da degradação florestal em 70 municípios prioritários da Amazônia. A iniciativa é uma das principais estratégias do Governo Federal para alcançar a meta de zerar o desmatamento até 2030.
*Com informações do Ministério do Meio Ambiente (MMA)
O Senado aprovou, nesta terça-feira (5), o projeto de lei da Presidência da República que cria a Universidade Federal Indígena (PL 6.132/2025). Vinculada ao Ministério da Educação e com sede em Brasília, a instituição terá campi em várias regiões do Brasil para atender as necessidades dos povos indígenas.
Seus objetivos incluem oferecer ensino superior, promover pesquisa e extensão universitária, valorizar saberes tradicionais e incentivar a sustentabilidade socioambiental dos territórios indígenas.
A intenção é fortalecer a autonomia dos povos ao permitir que eles próprios produzam conhecimento voltado às suas realidades e ampliar o acesso ao ensino superior para indígenas com regras adaptadas às suas culturas e línguas.
O relator, senador Eduardo Braga (MDB-AM), ressaltou que até hoje não há no país uma universidade essencialmente voltada à realidade dos povos originários.
“Tão importante quanto o fortalecimento dessa representatividade numérica é a consecução dos objetivos da UNID de valorizar, preservar e difundir os saberes, as culturas, as histórias e as línguas desses povos. E conforme diretriz, de promover a sustentabilidade socioambiental dos respectivos territórios e fortalecer seus projetos de sociedade”, declarou.
Em cerimônia no Palácio do Planalto, em novembro de 2025, Governo Federal anunciou a primeira Universidade Indígena do Brasil. Foto: Washington Costa
O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que é historiador, salientou a importância da criação da universidade federal indígena: “é por isso que precisa de universidade federal dos indígenas, para que gerações futuras de brasileiros saibam que nós somos resultado dessa mistura, dessa miscigenação, mas sobretudo que nós construímos esse país sobre povos que aqui estavam muito antes e que aqui deixaram heranças culturais que estão marcadas em nossa vida e nossa trajetória como nação”.
O projeto determina ainda que os cargos de reitor e vice-reitor da instituição serão ocupados obrigatoriamente por docentes indígenas. Porém, o primeiro reitor será nomeado em caráter temporário pelo ministro da Educação até que a universidade tenha seu próprio estatuto e estabeleça as normas para a escolha.
Ilha das Icamiabas, como também é conhecida a cidade, fica no interior do Amazonas, na divisa como o Pará. Foto: Reprodução/Prefeitura de Nhamundá
Distante aproximadamente 380 quilômetros de Manaus, capital do Amazonas, o município de Nhamundá será palco do jogo de abertura da Copa da Floresta 2026, a maior competição não profissional de futebol da região Norte do Brasil.
Escolhida para sediar o início da Copa da Floresta, Nhamundá carrega uma história marcada por narrativas que remontam à mitologia grega, e que inclusive uma delas deu origem ao nome do estado do Amazonas. Ficou curioso? Então conheça essa e outras curiosidades sobre a cidade que une identidade, preservação histórica e pertencimento do povo amazônida:
Lenda das Ycamiabas
O município foi cenário de um dos contos mitológicos mais emblemáticos da Amazônia: o encontro histórico entre espanhóis e mulheres indígenas guerreiras. Segundo historiadores, o explorador Francisco Orellana, em sua expedição na região amazônica, se deparou com mulheres altas, musculosas, cabelos compridos e negros, que andavam a cavalo e manipulavam arco e flecha com notável habilidade.
Tais mulheres guerreiras eram da tribo das Icamiabas, e denominadas pela comunidade indígena como ‘mulheres sem marido’, pois se recusavam a viver com homens em suas terras, tornando-as símbolos de bravura e força feminina.
As amazonas em guerra. Gravura para o livro Singularidades da França Antártica (1558), de André Thevet. Foto: Reprodução/Seguindo Passos História
De acordo com relato, descrito pelo escrivão Frei Gaspar de Carvajal na expedição, tais mulheres foram comparadas às Amazonas narradas na mitologia grega como nação lendária de mulheres guerreiras ferozes, filhas de Ares (deus da guerra) e conhecidas por sua habilidade em combate, arco e flecha e montaria.
O termo tem origem ao conto de que as mulheres removiam um dos seios para melhor manusear o arco e a flecha ( a – ‘sem’, e mazos – ‘seio’). Essa lenda, inclusive, deu origem ao nome do estado do Amazonas.
Origem do nome Nhamundá
O nome Nhamundá origina-se do rio homônimo que banha o território a cidade, e surgiu da tribo Jamundá, um dos primeiros povos indígernas habitantes da região. A história conta que o nome é uma homenagem ao tuxaua Jamundá, que foi ícone da luta pela liberdade do seu povo na região. Além disso, o Rio Nhamundá teria sido o local do lendário encontro entre os colonizadores espanhóis e as Icamiabas.
Ilustração do Rio Nhamundá. Foto: Reprodução/Kandyru
Muiraquitã
Foto: Prefeitura Municipal de Nhamundá
Outra lenda associada à história de Nhamundá é sobre o Muiraquitã, que são pequenos amuletos trabalhados em forma de animal, geralmente representando sapos, feitos de pedra na cor verde.
Segundo a história, o muiraquitã era oferecido como presente pelas guerreiras Icamiabas aos homens que visitavam anualmente a sua taba, na região do Rio Nhamundá.
Pedras tinham formas variadas, desde sapo até outros animais. Foto: Reprodução/Prefeitura de Nhamundá
Uma vez por ano, durante a festa dedicada à lua, as Icamiabas recebiam os guerreiros Guacaris, com os quais se acasalavam como se fossem seus maridos. À meia-noite, elas mergulhavam nos rios e traziam às mãos um barro verde, ao qual davam formas variadas: de sapo, tartaruga e outros animais, e presenteavam seus amados.
Os objetos eram, então, enfiados em tranças de cabelos das noivas, e usados como amuleto pelos guerreiros. Até hoje, o Muiraquitã é considerado objeto sagrado, e acredita-se que traz felicidade, sorte e também cura a quase todas as doenças a quem o possui.
‘Nhamundá-Parintins’?
Com 70 anos de história, Nhamundá comemora aniversário desde 1956, quando a cidade passou a existir oficialmente no dia 31 de janeiro. No entanto, a cidade já foi integrante do município vizinho de Parintins.
Nhamundá passou a ser reconhecido como município independente em 31 de janeiro de 1956. Foto: Reprodução/Prefeitura de Nhamundá
Segundo fontes históricas, desde 1758 o município era elevado à categoria de vila, mas a partir de 1911 passou a aparecer na divisão administrativa do Brasil como integrante da Ilha da Magia. Em seguida, foi considerado distrito de Jamundá, até ser extinto em 1933. Também já foi reconhecida historicamente por nomes como Ilha das Cotias e Ilha Afonso de Carvalho.
Só em dezembro de 1955, Nhamundá foi desmembrada de Parintins e se transformou em município autônomo, e no ano seguinte se tornaria independente após decreto do então governador do Amazonas, doutor Plínio Ramos Coelho.
Nhamundá, a terra do Tucunaré
Tucunaré é o principal atrativo de turistas e adeptos da pesca esportiva em Nhamundá. Foto: Reprodução/Prefeitura de NhamundáFoto: Reprodução/Prefeitura de Nhamundá
O tucunaré é o principal peixe do município, responsável por movimentar a economia local e garantir o sustento de muitas famílias da região. O animal é o principal atrativo da pesca esportiva e atrai amantes da prática, incentivando o comércio, hospedagem, culinária e turismo.
Anualmente, a cidade realizada a tradicional Festa da Pesca ao Tucunaré, considerado o maior evento de praia do Baixo Amazonas, quando celebra a pesca esportiva e a cultura local, além de shows com atrações nacionais.
Farinha, a protagonista da culinária
A farinha de mandioca é um elemento essencial na rotina do cidadão nhamundaense. Uma das iguarias mais consumidas e procuradas por quem visita a região, o alimento é considerado o pilar da economia de subsistência de comunidades rurais, além de estar presente na mesa das famílias, acompanhando caldos e peixes.
Alimento é o principal produto gastronômico e pilar da economia de subsistência do município. Foto: Reprodução/Prefeitura de Nhamundá
Fé
A religiosidade é um dos pontos fortes de Nhamundá. O município tem como padroeira a Nossa Senhora de Assunção e Santo Antônio como co-padroeiro. Milhares de devotos respeitam a diversidade religiosa que há na cidade e mantém a tradição de geração em geração.
Acima, a Festa de Nossa Senhora de Assunção. Abaixo, procissão do Santo Antônio. Foto: Prefeitura Municipal de Nhamundá
Conexão Amazonas-Pará
Situado na margem esquerda do Rio Amazonas, Nhamundá se destaca por ser o último município do Amazonas na divisa com o Pará, estabelecendo uma fronteira direta entre os dois estados. O município também fica próximo de cidades paraenses como Faro e Juruti, representando uma forte conexão regional e cultural com o estado vizinho.
Cidade representa uma fronteira direta entre o Amazonas e o Pará. Foto:PMN
De acordo com a enciclopédia gastronômica TasteAtlas, o açaí e o guaraná se encontram, respectivamente, na 39ª e 79ª posições. Foto: Divulgação/Idam
Frutas tradicionais da Amazônia, o açaí e o guaraná entraram no ranking global das 100 melhores do mundo de acordo com a enciclopédia gastronômica TasteAtlas. Com uma produção de 73.236 mil toneladas em 2025 no Amazonas, o açaí se destaca na 39ª posição. Já o guaraná, com uma produção de 814,72 no estado, alcançou a 79ª colocação.
“Desde 2019, vem sendo executado o Projeto Prioritário (PP) do Açaí, que envolve 14 municípios mais produtivos Estado do Amazonas, os quais representam cerca de 67% da área plantada estadual”, destacou a engenheira agrônoma da Gerência de Produção Vegetal (GPV) do Idam, Anecilene Buzaglo.
Além dos municípios atendidos pelo PP do Açaí, foram distribuídas, por meio de uma parceria entre o Idam e a Secretaria do Estado de Produção Rural (Sepror), cerca de 5,6 toneladas de sementes de açaí da espécie Euterpe oleracea, das variedades BRS Pará e BRS Pai D’Égua, popularmente conhecidas como “açaí do Pará”.
Segundo Anecilene, a cultura do açaí, com o apoio do Idam por meio de ações de capacitação e assistência técnica, tem observado um crescimento significativo. Nos últimos anos, observou-se um crescimento superior a 150% na produção e um aumento de mais de 200% na área plantada no Estado.
Quanto à cultura do guaraná, os trabalhos do instituto têm se focado na aplicação de tecnologias baseadas no uso de materiais clonais de alto rendimento desenvolvidos pela pesquisa, como as cultivares BRS Maués e BRS Amazonas, amplamente utilizadas para aumento da produção e da produtividade.
“Além disso, em 2021 a Embrapa Amazônia Ocidental lançou a cultivar BRS Noçoquém, capaz de atingir produtividade de até 2,3 kg por planta ao ano. Essa cultivar apresenta resistência à antracnose e pode ser propagada por sementes, características que têm contribuído para sua maior aceitação entre agricultores tradicionais dos principais municípios”, ressaltou a engenheira agrônoma.
Segundo ela, o Idam tem incentivado a produção de mudas da cultivar BRS Noçoquém em viveiros comunitários nos municípios de Nova Olinda do Norte, Eirunepé, Novo Aripuanã e Borba, considerando sua maior facilidade de produção em nível de agricultura familiar.
“A BRS Noçoquém apresenta vantagens em relação às variedades clonais, como maior adaptação às condições de clima e solo, facilidade na produção de mudas e boa produtividade”.
Guaraná é u fruto muito cultivado no Amazonas. Foto: Divulgação/ Idam
Cenário atual
O reconhecimento a nível global das duas frutas amazônicas chega num contexto de crescimento. Na cultura do açaí, as ações continuam com foco no aumento da produção e da produtividade do cultivo, com destaque para a capacitação de agricultores familiares e técnicos envolvidos na cadeia produtiva.
Destaca-se também o trabalho voltado à qualificação dos batedores de açaí nos principais municípios produtores, com o objetivo de melhorar a qualidade sanitária da bebida ofertada à população, fornecendo um alimento de qualidade e seguro.
O guaraná, por sua vez, apresentou a partir de 2023 uma valorização significativa no mercado regional, chegando a dobrar o preço pago ao produtor. Esse cenário tem estimulado os agricultores a adotarem melhores técnicas de manejo nas áreas já implantadas e, também, a expandirem as áreas de cultivo, com foco no aumento da produção e da produtividade.
Estes desenvolvimentos vêm acompanhados, ainda, da expansão do cultivo para municípios da região metropolitana, como Iranduba, Manacapuru e Autazes, impulsionada pela atratividade econômica da cultura.
Turismo gastronômico em Belém. Foto: Bruna Brandão/MTUR
Entre ingredientes amazônicos e saberes tradicionais que atravessam gerações, a gastronomia de Belém (PA) vem conquistando cada vez mais espaço e reconhecimento no cenário nacional. Muito além do paladar, a culinária paraense se consolida como uma potente expressão cultural e um dos principais atrativos de turismo, reunindo história, identidade e inovação.
Esse protagonismo ganhou reconhecimento internacional em 2015, quando Belém recebeu da UNESCO o Selo de Cidade Criativa da Gastronomia.
Agora a cidade está entre as finalistas do Prêmio Melhores da Gastronomia 2026, promovido pela revista Prazeres da Mesa, e concorre ao título de Melhor Experiência de Turismo Gastronômico do Brasil.
A capital paraense é a única representante da região Norte na disputa, ao lado de destinos do eixo Sul-Sudeste. O resultado da premiação será divulgado no dia 9 de junho.
A participação da capital paraense na premiação conta com articulação da Prefeitura de Belém, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem), que atua na promoção do potencial econômico e turístico da cidade, incluindo a valorização da gastronomia como ativo estratégico.
A Prazeres da Mesa é uma revista especializada que existe desde 2003 e hoje é referência nacional em gastronomia. A presidente da Codem, Mariel Mello, explica que a premiação ocorre em duas etapas.
“Primeiro há uma curadoria técnica feita por especialistas da revista, que selecionam os destaques em todo o Brasil. Depois disso, os finalistas vão para a votação popular, que é aberta ao público e define o vencedor”, detalhou.
Segundo ela, estar nessa fase já demonstra o reconhecimento nacional da gastronomia paraense.
Mariel também ressaltou o impacto da indicação para a cidade. “Somos a única cidade do Norte entre os finalistas, o que reforça a força da nossa culinária e da nossa cultura. Essa visibilidade é estratégica, porque pode se transformar em conteúdos, reportagens e divulgação nacional, ajudando a atrair turistas e novos investimentos para Belém”, afirmou.
O destaque atual soma-se a outra conquista recente: Belém ficou em segundo lugar em um prêmio promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo, que reconheceu destinos gastronômicos do país.
A sequência de reconhecimentos consolida a capital paraense como um dos principais polos culinários do Brasil, valorizando ingredientes amazônicos, saberes tradicionais e a identidade cultural da região.
A cafeicultura em Roraima ganha força ao aproveitar o período de entressafra das principais regiões produtoras do país, o que pode garantir preços mais atrativos no mercado. O setor é impulsionado por pesquisa, tecnologia e pelo cultivo de variedades adaptadas ao clima quente do estado.
A aposta recai sobre o café da espécie Coffea canephora, especialmente orobusta amazônico, como principal alternativa de expansão.
O agricultor e produtor de mudas de café Davis Queiroz explicou que essa variedade, desenvolvida pela Embrapa, apresenta bons resultados em estados da região Norte e também se consolida em Roraima.
A expectativa é que a grande safra aconteça entre os meses de novembro e janeiro. Além do mercado interno, a localização geográfica do estado abre possibilidades de exportação para países vizinhos, como Guiana e Venezuela, considerados potenciais compradores da produção roraimense. A proximidade pode reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade na região.
“A nossa produção vai sair num momento em que vai estar em baixa no restante do Brasil. Então o preço aqui em Roraima vai ficar sempre bom pra gente”, explicou Davis Queiroz.
A produção em Roraima também deve seguir o perfil da cafeicultura mundial, baseada em pequenas propriedades e na agricultura familiar.
Segundo Davis, com avanço das áreas plantadas e o apoio técnico de instituições de pesquisa, a expectativa é de crescimento da cafeicultura em Roraima, que já é vista como uma nova fronteira para a produção na região Norte.
A escolha da variedade robusta amazônico está diretamente relacionada às condições climáticas do estado, que tem altas temperaturas e período de estiagem, especialmente nas áreas do lavrado, onde a vegetação é aberta e lembra o cerrado.
Nesse cenário, o cultivo exige manejo adequado, principalmente com o uso de irrigação, considerada essencial para garantir a produtividade.
“O café robusta, a grande característica dele é você precisar de uma irrigação. O nosso verão é muito forte”, destacou o produtor.
Apesar dos desafios iniciais, os testes realizados nos últimos anos indicam que a cultura tem boa adaptação na região, especialmente com o uso de clones de alta produtividade.
Em áreas experimentais, em Bonfim, produtores estão testando diferentes técnicas de cultivo, adubação e irrigação, transformando o estado em um campo de desenvolvimento para a cafeicultura.
Um dos principais diferenciais de Roraima está no calendário produtivo. Diferente das principais regiões produtoras do país, a colheita local ocorre em um período de menor oferta nacional, o que pode garantir preços mais atrativos.
O encontro dos bois de Parintins em Manaus. Fotos: Divulgação
A Arena da Amazônia recebe, no dia 30 de maio, a quinta edição do Arena Planeta Boi. Consolidado como a principal prévia do Festival de Parintins em Manaus, o evento reúne os itens oficiais dos bumbás em uma estrutura cênica que busca reproduzir a experiência do Bumbódromo na capital.
Segundo o idealizador Valdo Garcia, o projeto cresce a cada ano mantendo o padrão do espetáculo parintinense.
“O Brasil descobriu que pode viver um pouco do Festival de Parintins de forma mais acessível. É um evento consolidado, que entrega uma apresentação à altura da grandiosidade dos bois”, destaca.
Estrutura cênica e iluminação de ponta marcam a trajetória do Arena Planeta Boi em Manaus.Fotos: Divulgação
Setores e experiências
Os ingressos seguem disponíveis na Bilheteria Digital e em pontos físicos localizados nas centrais Oba Ingressos dos shoppings Millenium e Manauara, além das sedes da Amazon Best em Manaus e Parintins. Confira as opções:
Pista Dabacuri: Acesso às arquibancadas e ao gramado. Conta com bares, banheiros, feira criativa e praça de alimentação.
Cadeira Especial Amo do Boi: Área em arquibancada próxima ao palco, voltada para quem busca conforto e visão panorâmica.
Área VIP Cunhã Poranga: Setor próximo ao palco para acompanhar de perto a evolução dos itens oficiais e efeitos cênicos.
Camarote Amazon Best: Espaço exclusivo com lounges, acesso ao gramado, camisa exclusiva, open food regional e open bar premium (Whisky 12 anos, Vodka, Gin e Cerveja).
Programação Arena Planeta Boi 2026
21h00: Abertura com Amazonas Jazz Band, Márcia Siqueira, Julieta Câmara, Mara Lima e Paula Gomes 21h50: Abertura Cênica – Art Factory 22h00: Boi Caprichoso 00h00: Bumba Beat 00h40: Intervenção Cênica – Gandhicats 00h50: Boi Garantido 02h50: Sebastião Jr. e Prince do Boi 04h00: Encerramento
A presença de itens oficiais dos bumbás marca o espetáculo na Arena da Amazônia.Fotos: Divulgação
Sobre o evento
Idealizado por Valdo Garcia e Geyna Brelaz, o Arena Planeta Boi nasceu em 2022 e se consolidou no calendário cultural de Manaus. O evento reúne diferentes expressões da cultura dos bumbás em uma grande produção cênica na Arena da Amazônia.
A cada edição, o projeto amplia estrutura, público e alcance, reunindo artistas e equipes técnicas em um espetáculo que movimenta a cena cultural e o turismo na capital, além de gerar empregos e impulsionar a economia local.
A edição de 2026 reúne na equipe de direção Márcio Braz (artística), Neil Armstrong (musical), Bruno Athayde e Gandhi Tabosa (coreografia), além da produção de Loren Lunière.
Serviço
Evento: Arena Planeta Boi 2026 Data: 30 de maio Local: Arena da Amazônia Vendas: Bilheteria Digital, Oba Ingressos e sedes da Amazon Best (Manaus e Parintins) Informações: @planeta.boi | @amazon.best