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Cloro é importante para manter qualidade da água e garantir saúde à população; saiba mais

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Foto de capa: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Desde a captação em lagos e mananciais até chegada nas torneiras, o processo de tratamento e distribuição de água potável à população inclui uma série de etapas. Uma delas é a desinfecção do líquido através da cloração, que consiste na adição de cloro para eliminar microrganismos causadores de doenças.

Conhecido por sua alta capacidade de descontaminação, o cloro é um elemento químico amplamente utilizado como desifetante potente para água potável e obrigatório nas Estações de Tratamento de Água (ETAs) para garantir a segurança microbiológica até a chegada da água ao consumidor.

Para a engenheira química Cristiane Costa, o cloro é essencial para a saúde pública. “Digo, sem exagero nenhum, que o cloro é uma elemento químico que salva e tem salvado vidas ao longo da história da humanidade. Não é nenhum medicamento de última geração, é simplesmente um vetor importante para o combate de doenças mortais e preservação da água que consumimos”, reforçou.

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A especialista destaca que a utilização do cloro durante o tratamento de água potável contribui para a eliminação de agentes patológicos causadores de doenças que já foram consideradas preocupantes pelas autoridades sanitárias nas últimas décadas.

“O cloro é tão fundamental no tratamento da água porque previne uma série de doenças como cólera, febre tifoide e hepatite A, que foi precursor de várias pandemias no passado. Mas graças à cloração sistemática da água, essas doenças foram praticamente extintas. Então, o cloro não é uma ameaça, e sim um escudo de proteção à nossa saúde”, destacou a especialista.

Cloro é importante para manter qualidade da água e garantir saúde à população
Foto: Reprodução/Quimitec

Critérios para uso do cloro na água

Segundo Cristiane, o uso do cloro na água atende à critérios estabelecidos na Portaria nº 888/2021 do Ministério da Saúde, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

A norma determina uma quantidade concentrada mínima e máxima de cloro na água para assegurar uma proteção contínua durante todo o seu percurso na rede de abastecimento.

“A regulamentação do Ministério da Saúde estabelece uma concentração mínima de cloro residual na saída do tratamento de água, que é em torno de 0,2 mg/l e no máximo 5 mg/l. A rede de distribuição de água tem que ter esse mínimo necessário, muitas das vezes a população fica receosa quando ela sente um pouco do cheiro de cloro, mas isso é chamado de residual. No entanto, esse cloro residual é sinônimo de que a água foi tratada e que ela apresenta qualidade para ser consumida”, explicou.

Segurança e saúde

A engenheira química destacou também a importância do profissional responsável pelo controle do cloro para a garantia da saúde pública.

“Se tem cloro insuficiente, a gente tem um risco biológico imediato que são as doenças infecciosas. Já o cloro em excesso tem o risco químico a longo prazo, então a segurança está na dosagem precisa do monitoramento técnico do cloro. Por isso a importância do profissional de química ligado diretamente a esse controle, não só da quantidade, mas sim dos parâmetros corretos como pH, alcalinidade, a própria turbidez da água, e por aí vai. É extremamente importante ter atenção a todos esses fatores”, alertou.

Águas que Transformam

A entrevista com Cristiane Costa faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 15 de abril.

Imagem: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:17):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’ AQUI.

Indígenas relatam que desmatamento impacta produção de cocares

Indígenas relatam que desmatamento impacta produção de cocares. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Com um cocar ancestral na cabeça, feito com penas de maritaca e de arara, o artesão Tapurumã Pataxó, de 32 anos, aproveitou o Acampamento Terra Livre, em Brasília (DF), para alertar que o cenário dos territórios indígenas tem sido de menos aves no céu. Com menos pássaros, a produção artesanal de cocares é impactada.

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A mudança de cenário tem relação com desmatamento, queimadas e agrotóxicos implementados por grileiros e invasores não-indígenas, segundo reclamam as lideranças indígenas.

Tapurumã recorda que aprendeu a produzir os cocares na infância com os avós.

“Os fazendeiros estão acabando não só com o nosso território, mas com o Brasil todo”, lamentou o artista que vive na Aldeia Barra Velha, em Porto Seguro (BA). 

Tapurumã Pataxó aprendeu a produzir cocares com os avós. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Leia também: O colorido dos ‘cocares emoldurados’ do artista parintinense Alessandro Oliveira

“Somos o primeiro povo que teve contato com os portugueses. E somos desmatados desde 1500”. Ele recorda que, na infância, via muito mais araras do que hoje, por exemplo. Tapurumã diz que a comunidade conta com projetos ambientais para reinserir as aves no ecossistema. 

O artista explica que os artesãos fazem os cocares a partir das penas que caem dos animais. “Há muitos animais da minha infância que já desapareceram porque tem muita queimada criminosa”.

Falta de consciência

Outra artesã pataxó, Ahnã, de 45 anos, que vive na Aldeia Velha, também em Porto Seguro (BA), diz que está sendo preciso recorrer até ao zoológico para buscar penas de animais.

“É uma tristeza muito grande você ver que os animais que eram livres estão hoje em uma área fechada por causa do desmatamento e da falta de consciência ambiental do ser humano”.

Leia também: Mãe e filha transformam sabores regionais em espaço inspirado nos povos indígenas

Ahnã Pataxó relata que tem que recorrer ao zoológico para recolher penas para os cocares. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

No dia a dia, ela sente falta do gavião real, da arara e até do papagaio. “Papagaio também está ficando bem escasso e a gente precisa promover mais ações de consciência ambiental.”.

Mudanças climáticas

O impacto ambiental é também sentido pelo artesão Keno Fulni-ô, de 40 anos, que vive na aldeia próxima à cidade de Águas Belas (PE). “Onde a gente mora, temos a presença do gavião, do caracará, da garça e do anu”.

 As mudanças climáticas têm feito as aves se comportarem de outras formas, explica.

Indígenas relatam que desmatamento impacta produção de cocares
Indígenas relatam que desmatamento impacta produção de cocares. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A artesã Ahnã Pataxó ressalta que em encontros, como o que ocorreu no Acampamento Terra Livre, os artesãos aproveitam para fazerem as trocas de materiais (as penas), em vista de que há aves típicas de cada habitat. Algumas mais e outras menos resilientes aos impactos ambientais.  

Símbolos

O artista Tapurumã Pataxó explica que o cocar simboliza a identidade e a proteção do povo.

“O cocar tem o sentido de nossa resistência. É o que nos protege e nos dá força pra lutar pelos nossos direitos, pela educação e pela demarcação do nosso território”.

Até pelo que significa, o artista pataxó entende que os não-indígenas que adquirem o cocar devem ter respeito e guardar num quadro, emoldurar e colocar em casa para protegê-la.

“Um não indígena comprar para ficar usando como se fosse um indígena não é legal”.

Leia também: Trançados indígenas são uma forma de transmissão de conhecimento na região amazônica

Aaloa Fulni-o se destaca pela habilidade com que produz os cocares. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Da mesma forma, Keno Fulni-ô pede que os não-indígenas tenham muito respeito pela simbologia do cocar. “Esperamos que uma pessoa não coloque um cocar na cabeça e vá beber, por exemplo. Ir para carnaval. Não é o que o nosso povo espera”.

Ahnã Pataxó explica que o cocar consiste em um símbolo de aliança.

“Quando nós vamos fazer nossos casamentos tradicionais, a gente não troca uma aliança de metal. A gente troca o cocar”. Inclusive, a costura por trás do objeto artístico, há costura das penas. “É como se a gente estivesse unindo todo o nosso povo”, compara.

Pena a pena

Foi a união do povo Fulni-ô que fez o jovem Aalôa, de 21 anos, que vive também em aldeia na cidade de Águas Belas aprender a fazer o cocar quando tinha 14 anos. Os amigos que o rodeavam no Acampamento Terra Livre disseram que a habilidade do rapaz na produção da arte chama atenção de todos. 

Ele costurava um cocar com penas de papagaio e esperava terminar a arte em menos de 30 minutos. Ele pendurava o cordão e costurava uma a uma, depois de limpar e tingir.

“Eu me sinto muito bem em fazer. Acaba com estresse, me relaxa. Somos a voz do nosso povo e uma só família”

*Por Luiz Cláudio Ferreira, Agência Brasil.

Nova lei prioriza a aquisição do café produzido no Amazonas nos órgãos da administração pública estadual

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Medida fortalece cadeia produtiva do Café Robusta Amazônico, oriundo dos produtores locais. Foto: Isaac Maia/Sepror

O Amazonas deu um passo estratégico para fortalecer o setor primário e valorizar a produção local com a sanção da Lei nº 8.139, de 18 de março de 2026. A medida, aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), foi sancionada pelo governador Wilson Lima e determina que órgãos e instituições públicas priorizem a aquisição do café do tipo Robusta Amazônico.

A medida garantiu que recursos antes destinados a fornecedores de outros estados passassem a circular dentro do próprio Amazonas, com potencial de reinjetar milhões de reais por ano na economia rural.

Robustas Amazônicos. Foto: Aliny Melo

Além de estimular a circulação interna de recursos, a nova lei criou um mercado consumidor estável e de grande escala para os produtores locais, oferecendo previsibilidade e segurança para investimentos na produção. A medida fortaleceu especialmente a agricultura familiar, principal base da cadeia produtiva do café no estado.

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A política também consolidou anos de investimentos públicos no setor primário desde 2019, início da gestão de Wilson Lima. Por meio da Secretaria de Produção Rural do Amazonas, o governo estadual intensificou o apoio técnico, logístico e institucional aos agricultores, com destaque para a expansão da cultura do café robusta amazônico como alternativa econômica sustentável.

A nova lei representou uma mudança estrutural na política de compras públicas, ao direcionar o consumo institucional para a produção regional, segundo o secretário de estado de Produção Rural, Daniel Borges.

Foto: Isaac Maia/Sepror

Outro pilar fundamental dessa evolução foi o trabalho do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), responsável pela assistência técnica no campo. Técnicos do instituto foram capacitados em parceria com a Embrapa Amazônia Ocidental, levando inovação, tecnologia e conhecimento diretamente aos produtores rurais.

Esse processo permitiu a adaptação e expansão do cultivo do robusta amazônico, uma variedade desenvolvida com alto desempenho produtivo e qualidade sensorial diferenciada.

Municípios como Apuí, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã, Rio Preto da Eva, Silves e Presidente Figueiredo já se destacam na produção do café robusta, consolidando uma nova fronteira agrícola no sul do estado. Nessas regiões, o café se mostrava uma alternativa viável de renda, com produtividade que podia ultrapassar em mais de 200% outras variedades tradicionais.

Leia também: A história do café adaptado à Amazônia

A legislação também reconheceu e valorizou esse esforço coletivo, premiando os investimentos em pesquisa da Embrapa e o trabalho contínuo de transferência de tecnologia realizado no campo. Ao mesmo tempo, chamou atenção para a qualidade crescente do café produzido pela agricultura familiar amazonense, que vinha ganhando espaço e reconhecimento.

Outro impacto relevante da lei foi o estímulo à organização produtiva. Para atender à demanda do setor público, associações, federações e cooperativas passaram a precisar estar devidamente regularizadas, o que impulsionou a formalização no campo. O destaque é a atuação do Núcleo de Apoio ao Cooperativismo e Associativismo do Setor Primário (Nucap), vinculado à Sepror, que tem sido fundamental na orientação documental e estrutural dessas organizações.

Foto: Isaac Maia/Sepror

Prioridade econômica

Para Daniel Borges, a lei representou um marco histórico. “O café robusta amazônico é uma das maiores potencialidades econômicas do nosso estado. Essa política pública garante mercado, valoriza o produtor e consolida um trabalho que vem sendo construído há anos, com ciência, tecnologia e dedicação no campo”, destacou.

A proposta contou, inclusive, com manifestação técnica favorável da própria Sepror durante sua tramitação, reforçando a viabilidade e os benefícios da medida para o desenvolvimento rural sustentável.

Com a sanção da lei, o Amazonas não apenas fortaleceu sua produção interna, mas também passou a se posicionar como referência nacional na valorização de cadeias produtivas regionais. A iniciativa passou a ser vista como modelo para outros estados brasileiros, ao demonstrar como políticas públicas bem estruturadas podem gerar desenvolvimento econômico, inclusão social e valorização da agricultura familiar.

*O texto foi publicado originalmente no site da Sepror-AM

Alunos de Barreirinha criam sabonete com borra de café

Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Karliany de Souza Lima

Utilizar a borra de café para criação de sabonete esfoliante foi a base de um projeto apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O estudo foi desenvolvido por estudantes do 3º ano do Ensino Médio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto do Amazonas, na Escola Estadual Profª. Maria Belém, em Barreirinha (a 331 quilômetros de Manaus).

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A pesquisa intitulada ‘Produção de sabonete esfoliante a partir do reaproveitamento da borra de café, realizada pelos alunos do 3º ano do Ensino Presencial com Mediação Tecnológica’ foi amparada por meio do Programa Ciência na Escola (PCE), edital n° 002/2024, e coordenada pela professora de Química Karliany de Souza Lima, da Secretaria de Educação.

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Alunos do Programa Ciência na Escola da Fapeam criam sabonete com borra de café, em Barreirinha
Alunos do Programa Ciência na Escola da Fapeam criam sabonete com borra de café. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Karliany de Souza Lima

O objetivo principal do projeto foi o reaproveitamento da borra de café na aplicação em cosméticos, devido à grande quantidade de componentes potencialmente valiosos, que trazem benefícios à pele, como os antioxidantes, anti-inflamatórios, antitumorais e capacidade de adsorção.

“Produzimos dois tipos de sabonetes esfoliantes em barra com composições diferentes, a fim de demonstrar que o reaproveitamento da borra pode ser realizado do modo mais simples para uso doméstico e para fins de comercialização”, explicou a coordenadora do projeto.

Produção do sabonete

Para a confecção do sabonete, os alunos realizaram trabalhos escritos e vídeos sobre como é feito a produção do sabonete, além disso realizados diversos experimentos, juntamente com o professor, até chegar na qualidade desejada do item de higiene pessoal.

O tempo de produção final do item de limpeza foi de 24 horas, e foram usados óleo de amêndoas, sabonete glicerinado, base de glicerina, glicerina líquida, álcool de cereais e lauril (sulfato de sódio), além da borra do café. Tantos os alunos quanto a comunidade escolar foram incentivados a investigar soluções para problemas socioambientais, e colocar em prática alternativas sustentáveis para preservação e conservação ambiental.

A avaliação do sabonete esfoliante foi realizada por 20 voluntários da comunidade, os quais observaram aspectos como: cremosidade de espuma, sedosidade durante o uso, cheiro, dureza e durabilidade.

Leia também: Estudantes reaproveitam caroços de açaí e transformam em sabonete esfoliante

Alunos do Programa Ciência na Escola da Fapeam criam sabonete com borra de café. Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Karliany de Souza Lima

E, em seguida, responderam a um questionário sobre o produto: muito boa; boa; indiferente e ruim. Sobre o uso do sabonete esfoliante: gostou muito; gostou e não gostou. E também sugestões durante o processo de produção. Ao fim do questionário 12 voluntários disseram que gostaram muito do produto.

Apoio da Fapeam

Para a coordenadora do projeto, o apoio da Fapeam é primordial para a formação dos alunos que desejarem ingressar nas carreiras ligadas às ciências.

“As bolsas fornecidas pela Fundação não só cobrem custos, mas também servem de incentivo aos alunos a participarem de projetos científicos, tornando-os protagonistas”, disse Karliany de Souza Lima.

Programa Ciência na Escola

O PCE é uma ação criada pela Fapeam, com o objetivo de apoiar a participação de professores e estudantes do 5º ao 9º ano do ensino fundamental, da 1ª à 3ª série do ensino médio e suas modalidades: educação de jovens e adultos, educação escolar indígena, atendimento educacional específico e Projeto Avançar, em projetos de pesquisa científica e de inovação tecnológica, a serem desenvolvidos em escolas públicas estaduais sediadas no Amazonas e municipais de Manaus, Coari, Manacapuru e Uarini (respectivamente, a 363, 68 e 565 quilômetros de Manaus).

*Com informações da Agência Amazonas.

Ipaam define novas regras para cadastro ambiental obrigatório no Amazonas

Foto: Divulgação/Ipaam

O Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) publicou a Instrução Normativa nº 003/2026, que estabelece regras para o cadastro obrigatório de pessoas físicas e jurídicas que exercem atividades com potencial de impacto ambiental no estado e disciplina a cobrança da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental (TCFA/AM).

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Na prática, a norma se aplica a quem desenvolve atividades que possam causar algum tipo de poluição ou utilizar recursos naturais, como produção, transporte, armazenamento ou comercialização de produtos potencialmente poluentes. A regulamentação consta na edição do Diário Oficial do Estado (DOE-AM) do dia 8 de abril.

De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, a medida fortalece o controle ambiental e facilita a regularização dos empreendimentos ao unificar procedimentos com o sistema federal.

“A medida traz mais clareza sobre as obrigações dos empreendimentos, simplifica procedimentos com a integração ao sistema do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] e amplia a capacidade de monitoramento do Estado. Com isso, conseguimos tornar a fiscalização mais eficiente e aumentar a conformidade ambiental no exercício das atividades econômicas”, afirmou o gestor.

Cadastro unificado e obrigatório

O registro passa a ser feito de forma integrada ao sistema do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio do Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras e Utilizadoras de Recursos Ambientais (CTF/APP). Com isso, as informações são reunidas em um único sistema, válido para os níveis estadual e federal.

Leia também: Cadastro Ambiental Rural facilita grilagem de terras públicas na Amazônia

Ipaam define novas regras para cadastro ambiental obrigatório no Amazonas. Foto: Divulgação/Ipaam

A inscrição deve ser realizada por estabelecimento e incluir todas as atividades desenvolvidas, mesmo aquelas que não constam no objeto social. A ausência de cadastro é considerada infração administrativa e pode resultar em multas e outras sanções previstas na legislação ambiental.

O cadastro é feito exclusivamente pela internet, no sistema do Ibama, por meio dos endereços: Serviços para pessoas jurídicas , e Serviços para pessoas físicas. Após o preenchimento, os dados são automaticamente integrados ao Cadastro Técnico Estadual.

Regras da taxa ambiental

A norma também estabelece as regras da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental do Estado do Amazonas. De acordo com a Instrução Normativa nº 003/2026, o valor da TCFA/AM corresponde a 60% da taxa federal cobrada pelo Ibama, sendo calculado conforme o porte do empreendimento e o potencial de impacto ambiental da atividade.

Ipaam define novas regras para cadastro ambiental obrigatório no Amazonas. Foto: Divulgação/Ipaam

Como referência, no âmbito federal, os valores da taxa variam, atualmente, de R$ 128,90 a R$ 5.796,73 por trimestre. No Amazonas, a cobrança segue esse parâmetro, com aplicação do percentual definido na legislação estadual.

O recolhimento é feito por meio da Guia de Recolhimento da União, emitida no sistema do Ibama, reunindo em um único documento a cobrança estadual e federal. A taxa é devida por estabelecimento e cobrada trimestralmente.

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Obrigações e isenções

A norma também determina a obrigatoriedade de envio anual do Relatório de Atividades Potencialmente Poluidoras, conforme regras estabelecidas na legislação ambiental.

Ipaam define novas regras para cadastro ambiental obrigatório no Amazonas
Ipaam define novas regras para cadastro ambiental obrigatório no Amazonas. Foto: Divulgação/Ipaam

Estão isentos do pagamento da taxa órgãos públicos, entidades filantrópicas, agricultores de subsistência e populações tradicionais.

O Ipaam orienta que os responsáveis mantenham os dados atualizados no sistema e acompanhem os prazos estabelecidos para evitar penalidades.

*Com informações da Agência Amazonas.

Pesquisadores lançam duas novas cultivares de abacaxi adaptadas a Mato Grosso

Willian Krause na Unidade Demonstrativa em Lucas de Rio Verde. Foto: Arquivo Pessoal

Após mais de uma década de pesquisas, a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), campus de Tangará da Serra, colocou no mercado duas novas cultivares de abacaxi desenvolvidas para as condições de cultivo de Mato Grosso: a Unemat Diamantina e a Unemat Rubi. O trabalho, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), priorizou resistência a doenças, desempenho agronômico e estabilidade produtiva para os produtores rurais.

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A iniciativa integra ações do Centro de Pesquisa, Estudos e Desenvolvimento Agroambientais (Cpeda) da Unemat e do programa de extensão MT Horticultura, voltado à difusão de tecnologias para o campo. A cultura do abacaxi tem grande importância no Brasil, tanto no consumo in natura quanto no potencial de exportação, colocando o país entre os quatro maiores produtores mundiais.

O principal gargalo da cadeia, porém, continua sendo a fusariose do abacaxizeiro, causada pelo fungo Fusarium guttiforme. A doença atinge especialmente cultivares tradicionais como Pérola e Jupi, altamente suscetíveis. A enfermidade compromete diferentes fases da planta e pode levar a perdas de até 80% da produção, com redução de crescimento, exsudação e apodrecimento dos tecidos. Nos frutos, o ataque resulta em polpa mole, pegajosa, escurecida, com mau cheiro e alteração de textura e sabor, inviabilizando o consumo.

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Pesquisadores da Unemat lançam duas novas cultivares de abacaxi adaptadas a Mato Grosso
Pesquisadores da Unemat lançam duas novas cultivares de abacaxi adaptadas a Mato Grosso. Foto: Davi Junghans/Embrapa

Frente a esse cenário, o melhoramento genético foi adotado como estratégia para reduzir perdas, diminuir o uso de fungicidas e melhorar o manejo da cultura. Em 2012, pesquisadores da Unemat implantaram um Banco Ativo de Germoplasma (BAG) de abacaxi, reunindo diferentes materiais genéticos para avaliação. A partir daí, foram conduzidas etapas de análise de incidência de doenças, avaliação de caracterização agronômica, estudos de diversidade genética, cruzamentos controlados, formação de populações e seleção de clones com uso de métodos estatísticos (REML/BLUP), além de testes de campo para resistência à fusariose. O processo culminou na seleção final de materiais promissores e no lançamento, em 2024, das cultivares Unemat Diamantina e Unemat Rubi.

Do ponto de vista agronômico e de qualidade de frutos, as duas cultivares apresentam características bem definidas. A Unemat Rubi se destaca pelo formato cilíndrico, polpa amarela, massa média de 1,4 kg e teor de sólidos solúveis de 14° Brix. Já a outra cultivar atinge massa média de 2,3 kg e 13,5° Brix, indicando maior doçura potencial. Ambas apresentam acidez titulável em torno de 0,4% e relação açúcar/acidez superior a 30, o que garante um bom equilíbrio entre doçura e acidez, atributo valorizado para o consumo in natura.

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Pesquisadores da Unemat lançam duas novas cultivares de abacaxi adaptadas a Mato Grosso. Foto: Luciano Gomes/Seaf-MT

No manejo, a recomendação é o uso de mudas tipo filhote, previamente classificadas por tamanho e submetidas à cura ao sol por cerca de sete dias. O plantio pode ser feito em sulcos ou covas, com organização em mudas para maior uniformidade do estande, em densidade entre 30 mil e 40 mil plantas por hectare. A adubação deve seguir análise de solo, com aplicações anuais e manutenção durante o ciclo. Além disso, recomenda-se o controle de plantas daninhas, que competem por nutrientes e luz, sobretudo nos estágios iniciais. A irrigação recomendada varia entre 60 e 120 mm mensais, de acordo com as condições climáticas e de solo.

Segundo o coordenador da pesquisa, professor doutor Willian Krause, as duas cultivares apresentam porte ereto e desenvolvimento vegetativo superior a um metro de altura.

“A Unemat Diamantina possui altura média de 1,02 m, enquanto a Rubi atinge cerca de 96,5 cm. Esse porte vertical favorece o fechamento do dossel de folhas e a proteção natural da muda de tipo filhote, o que influencia diretamente na propagação e no manejo da cultura”, explica.

Uma característica que chama a atenção é a ausência de espinhos nas folhas, fator que facilita os tratos culturais, a colheita e o manejo da lavoura, reduzindo o risco de acidentes e aumentando a eficiência operacional. As principais diferenças entre as cultivares estão na coloração das folhas: a Diamantina apresenta folhas verdes, enquanto a Rubi possui folhas com tonalidade arroxeada.

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Foto: Lucas Diego/Seaf-MT

No campo fitossanitário, Diamantina e Rubi se destacam pela resistência à fusariose, o que reduz a necessidade de defensivos químicos e contribui para maior estabilidade produtiva.

“O desenvolvimento das cultivares Diamantina e Rubi representa uma alternativa tecnológica para os produtores alcançarem resistência genética a doenças, melhoria no manejo, maior padronização da produção e redução de custos com insumos. Além disso, evidencia a importância da pesquisa pública na geração e difusão de tecnologia para o fortalecimento da agricultura em Mato Grosso”, ressalta Krause.

*Com informações da Universidade do Estado do Mato Grosso.

Mais de 10 mil tracajás são soltos no Amazonas, em ação do Instituto Claro e UFAM

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Mais de 10 mil filhotes de tracajás foram devolvidos à natureza. Foto: Divulgação Claro

Iniciando as celebrações dos 25 anos do Instituto Claro, ocorreu no último final de semana a segunda etapa das solturas dos filhotes de tracajás nas comunidades ribeirinhas do Amazonas, realizada pelo projeto Pé-de-Pincha. A iniciativa é desenvolvida pelo Programa de Pesquisa e Extensão da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e patrocinado pelo Instituto Claro desde 2014.

Nas solturas que tiveram início em fevereiro, foram devolvidos à natureza mais de 10 mil filhotes de tracajás nas comunidades Santo Antônio, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, São José e Lago Preto. E, durante o mês de março, as solturas foram realizadas nas comunidades Brasil 2, Pirainha, Tracajás e Tucunaré.

Leia também: Projeto realiza soltura de 228 mil filhotes de tartaruga-da-Amazônia em Rondônia

Além desta ação, a parceria com o Instituto Claro envolve a participação e apoio da população ribeirinha destas comunidades por meio da educação ambiental com palestras e treinamentos realizados por especialistas da Universidade Federal do Amazonas, Prefeituras e órgãos parceiros como IBAMA e Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Além do apoio de equipes técnicas da Claro e do Instituto Claro durante todo o processo.

Para a vice-presidente de Projetos do Instituto Claro, Daniely Gomieiro, a ação de soltura representa um momento significativo para a preservação ambiental e sustentabilidade das comunidades.

“Iniciar as comemorações dos 25 anos do Instituto Claro com uma ação como essa, que une Educação e Cidadania, torna esse momento ainda mais significativo. Cada soltura representa um novo passo para a preservação ambiental e a sustentabilidade das comunidades. Por isso, acreditamos tanto nesse projeto. Esse compromisso reflete a atuação contínua do Instituto Claro em apoiar iniciativas alinhadas à nossa missão de conectar pessoas para um futuro melhor”, afirmou Daniely, que também é diretora do DHO – Desenvolvimento Humano Organizacional, Cultura e Sustentabilidade na Claro.

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Soltura de tracajás faz parte de projeto

Criado em 2010, o projeto Pé-de-Pincha visa proteger os tracajás e o seu habitat, por meio da transferência dos ovos da espécie, que são colhidos por voluntários nas secas dos rios e levados para áreas protegidas, onde os filhotes são monitorados enquanto aguardam a época das cheias para a reintegração ao ecossistema local.

Leia também: Projeto Pé-de-Pincha devolve mais de 5 mil quelônios à natureza na região amazônica

soltura tracajás
Iniciativa é realizada pelo projeto Pé-de-Pincha, desenvolvida pelo Programa de Pesquisa e Extensão da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e patrocinado pelo Instituto Claro desde 2014.

Sobre o Instituto Claro

A Claro, maior grupo de Telecomunicações da América Latina e uma das maiores operadoras de multisserviços do Brasil, coordena suas ações de responsabilidade social corporativa por meio do Instituto Claro, que alia os serviços prestados pela operadora a investimentos sociais para criar impactos relevantes no país.

Com a missão de “Conectar pessoas para um futuro melhor”, há mais de duas décadas, o Instituto Claro já beneficiou mais de 80 mil alunos em projetos educacionais e contou com mais de 53 mil participações em ações voluntárias. Entre suas principais iniciativas, com foco nos pilares de Educação e Cidadania, apoia e realiza projetos de longo prazo, como Dupla Escola, Campus Mobile, Ação Social pela Música, entre outros.

O Instituto Claro é qualificado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) pelo Ministério da Justiça, e é reconhecido pelo Departamento Global de Comunicação das Nações Unidas (DGC/ONU) como uma organização não governamental corporativa que promove os ideais e princípios sustentados pela Carta das Nações Unidas.

Mais informações sobre outras iniciativas do Instituto Claro podem ser conferidas aqui.

Boa Vista volta a se destacar entre as capitais com maior liberdade para trabalhar

Estudo avalia critérios como burocracia, tempo de abertura de empresas e ambiente regulatório. Crédito: PMBV

Boa Vista ocupa, mais uma vez, posição de destaque no Ranking Nacional de Liberdade para Trabalhar das Capitais, figurando como uma das cidades brasileiras com melhores condições para empreender e exercer atividades econômicas. Elaborado pelo Instituto Liberal, em parceria com o Instituto Millenium, o estudo avalia critérios como burocracia, tempo de abertura de empresas e ambiente regulatório.

A capital roraimense ficou em 3º lugar no ranking, atrás apenas de Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS). O resultado reforça que Boa Vista vem consolidando políticas públicas voltadas à liberdade econômica e ao fortalecimento da atividade produtiva.

Ambiente favorável ao empreendedorismo

O ranking analisa indicadores que impactam diretamente o dia a dia de quem deseja empreender, como exigências legais, custos e agilidade nos processos. Nesse contexto, Boa Vista apresenta bom desempenho em iniciativas que reduzem entraves e facilitam a formalização de negócios.

A modernização dos serviços públicos, com a ampliação de plataformas digitais e a integração de sistemas, tem contribuído para tornar os processos mais rápidos e acessíveis.

Leia também: Agricultores entregam mais de 60 toneladas de alimentos em Boa Vista

Boa Vista avança com políticas que fortalecem a economia e o trabalho. Crédito: PMBV.

Gestão moderna e menos burocrática

A presença recorrente da capital no ranking é resultado de um trabalho contínuo de melhoria da gestão pública. Medidas voltadas à simplificação de procedimentos e à eficiência administrativa têm sido fundamentais para atrair investimentos e estimular o crescimento econômico local.

Para o secretário municipal de Economia, Planejamento, Orçamento, Finanças e Tecnologia da Informação, Márcio Vinícius, o reconhecimento nacional reflete um conjunto de ações estratégicas adotadas pela gestão municipal.

“Boa Vista tem avançado de forma consistente na desburocratização e na modernização dos serviços públicos. Nosso objetivo é garantir que o cidadão e o empreendedor encontrem um ambiente cada vez mais ágil, com menos barreiras e mais oportunidades para desenvolver seus negócios”, afirmou.

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Boa vista é terceira melhor cidade a empreender
“Estamos trabalhando para tornar os processos cada vez mais digitais e integrados”, disse o secretário Márcio Vinícius. Crédito: PMBV.

Impacto direto na geração de oportunidades

Segundo o secretário, a melhoria do ambiente econômico impacta diretamente a vida da população, especialmente na geração de emprego e renda. “Quando facilitamos o acesso à formalização e reduzimos o tempo de abertura de empresas, estamos estimulando a economia local. Isso gera mais oportunidades, fortalece o comércio e cria um ciclo positivo de desenvolvimento para a cidade”, destacou.

Márcio Vinícius também ressaltou que o município segue investindo em tecnologia e inovação como ferramentas para ampliar esses resultados. “Estamos trabalhando para tornar os processos cada vez mais digitais e integrados. Isso traz mais transparência, eficiência e segurança para quem quer investir e empreender em Boa Vista”, completou.

*Com informações da Prefeitura Municipal de Boa Vista

Conheça o 1º planetário do Amazonas que simula o universo e fenômenos astronômicos

Planetário do Médio Solimões fica no Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (ISB/Ufam), em Coari. Foto: Jefferson Santos

Em Coari, no interior do Amazonas, uma grande semiesfera azul abriga a lua, planetas, estrelas e fenômenos astrológicos. Por lá, os mistérios do universo começaram a ser simulados — ou melhor, explorados — em março deste ano, quando o Planetário do Médio Solimões começou a funcionar.

Instalado no Instituto de Saúde e Biotecnologia da Universidade Federal do Amazonas (ISB/Ufam), o local é o primeiro planetário permanente no Amazonas e o terceiro em toda a Região Norte. O espaço conta com uma cúpula de projeção onde são exibidas simulações do céu, do universo e de eventos astronômicos. O objetivo é proporcionar o acesso da população ao conhecimento científico na Amazônia.

Com capacidade para até 30 pessoas por sessão, o Planetário do Médio Solimões recebeu os primeiros visitantes no dia 10 de março, quando uma turma de estudantes do Ensino Fundamental participou das atividades. Desde então, o espaço vem atraindo os moradores do município. As sessões são guiadas e adaptadas para diferentes públicos. Além das visitas, o planetário também será utilizado em atividades de ensino, pesquisa e extensão, além da formação de professores e realização de eventos científicos.

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Planetário simula eventos astronômicos do Universo. Vídeo: Jefferson Santos

A criação do espaço nasceu dentro da própria universidade, a partir da iniciativa do professor Jefferson Ferreira dos Santos, coordenador do planetário. Segundo ele, o projeto enfrentou dificuldades no início, principalmente por causa dos custos e da estrutura necessária.

“Sempre quis criar um espaço para ampliar o ensino e a divulgação científica na região, especialmente em Astronomia, que tem um jeito especial de despertar a curiosidade dos estudantes. Tinha um desejo pessoal de ver isso acontecer, mas o planetário só virou realidade graças a todo mundo que embarcou junto nessa história”, revela Santos.

A inauguração oficial do Planetário do Médio Solimões está prevista para o dia 22 de maio. A expectativa é consolidar o local como um centro permanente de educação, ciência e cultura, aproximando a universidade da comunidade e despertando o interesse pelo estudo do universo. “Gerir um espaço como esse significa garantir que ele esteja sempre acessível, ativo e conectado com o que a sociedade precisa”, diz Santos.

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Planetário impressiona

Mesmo com pouco tempo de funcionamento, o planetário já mostra impacto na região. Mais de 500 pessoas visitaram o espaço nas primeiras semanas, incluindo estudantes de diferentes níveis de ensino e profissionais da educação.

Para o coordenador, o equipamento representa uma mudança importante no acesso à ciência no interior do Amazonas.

“Para a nossa comunidade, é um portal de acesso à ciência que, até então, estava distante da realidade do Médio Solimões. A Região Norte ainda carece profundamente de ações que popularizem o conhecimento científico, e este projeto é uma resposta concreta a essa lacuna”, pontua o coordenador.

Planetário do Médio Solimões
Planetário do Médio Solimões já recebeu mais de 500 visitantes. Foto: ISB/Coari

Ele também destaca que muitos visitantes têm a primeira experiência com esse tipo de atividade no local.

“Muita gente que vai visitar o planetário talvez nunca tivesse essa oportunidade de fazer isso em grandes centros urbanos”, finalizou Jefferson.

Para estruturar o atendimento ao público, a equipe coordenadora adotou uma grade semanal que reserva um dia para receber o público externo em geral e outro exclusivamente para visitas de escolas. O espaço também está aberto ao público interno da UFAM, que pode agendar atividades acadêmicas, de pesquisa ou de extensão.

Em breve, será entregue o site http://www.planetarioisb.com.br, ferramenta em estruturação e que permitirá o agendamento online e a disponibilização de ingressos para o público em geral.

*Material publicado originalmente pelo G1 Amazonas, com informações de Juan Gabriel e Patrick Marques.

Levantamento no Pará revela que apenas 20% das residências de comunidades tradicionais têm energia elétrica pública

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Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

Um inédito levantamento sobre a energia elétrica em comunidades tradicionais do Pará evidencia que, embora a maioria das moradias tenha algum acesso à eletricidade, a oferta é insuficiente para garantir condições adequadas de vida, produção e acesso a serviços públicos.

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Os dados mostram que 77% das moradias utilizam energia elétrica. Porém, esse número esconde desigualdades importantes: apenas 32% das casas estão conectadas à rede elétrica, e só 20% contam com serviço público formal. Essas informações estão disponíveis no estudo ‘Identificação de demandas para subsidiar políticas de bem viver voltadas às comunidades amazônicas‘, lançado no dia 30 de março, por organizações da sociedade civil. Ele busca contribuir com dados para o aprimoramento de políticas públicas voltadas à região.

O documento reúne dados de 24 comunidades em 13 municípios do Pará, incluindo territórios indígenas, quilombolas, reservas extrativistas e outras áreas protegidas. A proposta foi mapear, de forma participativa (moradores locais contribuíram na elaboração e na aplicação dos questionários), demandas reais das populações para subsidiar políticas públicas, especialmente no setor elétrico.

A maior parte das comunidades depende de soluções alternativas. A energia solar fotovoltaica está presente em 44% das residências com eletricidade, e o uso de geradores a diesel, os chamados ‘motores de luz’, ainda é comum em 16% dos domicílios. Neste caso, além da maior emissão de gases de efeito estufa (GEE) e da poluição sonora e do ar, o problema é o custo. Para as comunidades, o uso de geradores pode ser até cinco vezes mais caro que a rede elétrica e custar até dez vezes mais que sistemas solares.

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Levantamento no Pará revela que apenas 20% das residências de comunidades tradicionais têm energia elétrica pública
Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

O levantamento aponta ainda que 52% das comunidades entrevistadas relatam insatisfação com o fornecimento de energia elétrica, indicando desafios relacionados à qualidade e à continuidade do serviço.

Assim, o estudo mostra que o desafio da universalização da energia elétrica na Amazônia envolve não apenas a ampliação do acesso, mas também a garantia de um fornecimento adequado às necessidades locais. Nesse sentido, o mapeamento socioterritorial contínuo é apontado como ferramenta relevante para qualificar o planejamento público.

A iniciativa parte de uma constatação recorrente entre especialistas e comunidades: ‘onde têm povos da floresta, têm florestas em pé’, destacando o papel dessas populações na conservação ambiental.

Serviços básicos e conectividade

O uso de energia em espaços comunitários está concentrado, sobretudo, em sistemas de abastecimento de água. Mais da metade destes casos dependem de geradores comunitários. Em 66% das situações, os próprios moradores arcam com esse custo.

Nas comunidades analisadas, foram identificadas 34 escolas que atendem cerca de 1.500 alunos, embora cinco localidades não tenham unidades escolares. Apenas 20% das comunidades contam com ensino médio, e nenhuma dispõe de ensino técnico ou profissionalizante. Dessas todas, 72%  têm energia elétrica.

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Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

Já na área da saúde, 75% das comunidades registraram visitas de agentes de saúde, enquanto sete contam com postos de atendimento. Menos da metade dessas unidades conta com energia elétrica, em alguns casos proveniente de sistemas solares. 

O acesso à internet também aparece de forma significativa: 77% das comunidades estão conectadas, principalmente por meio de tecnologia via satélite. Em muitos casos, a energia solar contribui para viabilizar esse acesso.

Produção e uso da energia

As atividades produtivas mais frequentes nas comunidades são a pesca e a produção de farinha, presentes em 73% dos casos, seguidas por meliponicultura e extrativismo. O estudo indica que a energia elétrica é utilizada nessas atividades, principalmente por meio de geradores e sistemas solares próprios (não de programa público).

A maior parte das comunidades (75%) demanda energia ao longo de todo o ano para sustentar essas atividades. Ainda assim, 67% dos entrevistados avaliam que a oferta atual é insuficiente para atender plenamente às necessidades produtivas.

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Foto: Vandenilson dos Anjos/ Rede Energia e Comunidades

Essas informações produzidas podem subsidiar iniciativas como o Programa Luz para Todos, além de contribuir para o aprimoramento da atuação de instituições como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Sobre o estudo

Os dados foram coletados entre agosto e novembro de 2024, a partir de entrevistas com lideranças comunitárias dos municípios de: Abaetetuba, Breves, Cachoeira do Arari, Curralinho, Gurupá, Melgaço, Oeiras do Pará, Oriximiná, Ponta de Pedras, Prainha, Santarém, São Miguel do Guamá e Viseu.

Foto: Reprodução/Instituto de Energia e Meio Ambiente

A pesquisa reforça o papel das organizações da sociedade civil na produção de dados e no desenvolvimento de metodologias adaptadas a contextos locais. Em regiões onde há menor disponibilidade de informações sistematizadas, iniciativas desse tipo ajudam a ampliar o conhecimento sobre as condições de vida e as demandas das comunidades.

A expectativa é que os resultados possam contribuir para o aperfeiçoamento de políticas públicas e para o fortalecimento de estratégias voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Afinal, a universalização do acesso à energia elétrica deve assegurar não apenas a conexão física, mas condições efetivas para o exercício de direitos associados à saúde, educação, saneamento e desenvolvimento produtivo.

Os autores foram a Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu), representada por Maria Helena Cunha dos Santos e Carlene Patrícia Santos Printes Cabral; a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), por Avanilson Ijoraru Dias Aires Karajá; a International Energy Initiative Brasil (IEI Brasil), por Rodolfo Dourado Maia Gomes; o Fundo Mundial para a Natureza – Brasil (WWF-Brasil), por Alessandra Mathyas; o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), por Fabio Galdino dos Santos e Vinícius Oliveira da Silva; o Projeto Saúde e Alegria (PSA), por Jussara Salgado; a Universidade Estadual de Michigan (Michigan State University), por Rafael Lembi; e o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), por Alessandra Cardoso.

*Com informações do Instituto de Energia e Meio Ambiente.