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Amapá registra primeira Unidade de Conservação subnacional do Brasil na Lista Verde Internacional

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RDS do Rio Iratapuru recebe certificação Internacional do Lista Verde. Foto: Israel Cardoso/GEA

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Iratapuru, localizada no município de Laranjal do Jari, no Sul do Amapá, conquistou um marco inédito para o estado e para o país ao ser certificada no Programa Lista Verde da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O Governo do Estado destaca que esta é a primeira unidade de conservação de gestão estadual do Brasil a integrar a lista internacional, reconhecida por elevados padrões de qualidade socioambiental e governança participativa.

Leia também: Governo do Amapá busca certificação da RDS do Rio Iratapuru em programa de conservação internacional

O reconhecimento celebra a excelência da gestão da RDS, que alia conservação da biodiversidade, transparência, participação comunitária e geração de benefícios socioeconômicos. Para receber a certificação, a unidade passou por uma rigorosa avaliação de indicadores, análise de evidências e validação por um grupo independente de especialistas.

No Amapá, o processo foi conduzido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), por meio da Coordenadoria de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade (CGUCBio), em parceria com comunidades locais, organizações sociais, como a Comaru e a Bio-Rio e instituições públicas e privadas. O percurso envolveu sistematização de documentos, visitas técnicas e diálogo permanente com o Grupo de Especialistas EAGL Brasil e com a UICN.

A secretária de Estado de Meio Ambiente, Taisa Mendonça, destaca que a certificação é um reconhecimento valoroso que enaltece o potencial do estado em sustentabilidade.

“Este reconhecimento nos coloca num patamar de alto nível, o Amapá está na vitrine global de modelo econômico sustentável, que alia desenvolvimento e proteção ambiental com uso responsável dos recursos naturais. Encerramos o ano de 2025 com mais uma grande conquista para o nosso estado”, comemorou Taisa.

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Reconhecimento internacional

A conquista posiciona o Amapá como referência internacional em conservação da Amazônia, destacando o modelo estadual que combina proteção da floresta, uso sustentável dos recursos naturais e valorização da sociobiodiversidade. Também amplia o potencial de atrair investimentos, parcerias e cooperações técnicas, além de orientar outras áreas protegidas do país a buscar a certificação.

Amapá registra primeira Unidade de Conservação subnacional do Brasil na Lista Verde Internacional
Foto: Israel Cardoso/GEA

Reconhecida pela forte integração entre conservação ambiental e economia local, a RDS tem no manejo da castanha-do-Brasil sua principal atividade produtiva e um exemplo de desenvolvimento sustentável. A certificação reforça essa trajetória, ao valorizar o protagonismo das comunidades, fortalecer a governança interna e ampliar a capacidade de enfrentar desafios como mudanças climáticas, pressões territoriais e necessidades de infraestrutura.

Para o coordenador de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade da Sema, Euryandro Costa, o processo de certificação foi também um momento de aprimoramento técnico e político.

“O processo da Lista Verde foi uma oportunidade de olhar com mais profundidade para a gestão da RDS, reconhecendo fortalezas e organizando melhor desafios. O principal ganho é o fortalecimento da governança com as comunidades, valorizando o protagonismo local na proteção de um território que é referência em manejo da castanha-do-Brasil e em resistência da sociobiodiversidade amazônica”, destacou Costa.

A certificação inaugura uma nova etapa para a RDS do Rio Iratapuru, marcada pelo compromisso de manter e avançar nos padrões reconhecidos. Para o Amapá, reafirma a liderança ambiental do Estado; para a Amazônia, demonstra que é possível conciliar conservação, justiça social e desenvolvimento sustentável.

RDS do Rio Iratapuru no Amapá

Amapá registra primeira Unidade de Conservação subnacional do Brasil na Lista Verde Internacional
Foto: Israel Cardoso/GEA

Criada em 1997, a RDS do Rio Iratapuru possui cerca de 806 mil hectares e abrange os municípios de Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari e Mazagão. Gerida pela Sema e por um conselho gestor paritário, a unidade tem como missão conservar a biodiversidade e promover o uso sustentável dos recursos naturais, com orientação de seu Plano de Manejo.

Localizada no sudoeste do Amapá, integra um mosaico de áreas protegidas que inclui a FLOTA do Amapá, a ESEC do Jari e a Terra Indígena Wajãpi. É uma área de forte tradição extrativista, com destaque para a castanha-do-Brasil e o breu-branco, este último, envolvido em um contrato pioneiro de repartição de benefícios com a empresa Natura.

Desde 2012, faz parte do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e, desde 2019, realiza monitoramento da fauna e da flora por meio do Programa Monitora, acompanhando borboletas frugívoras, mamíferos de médio e grande porte, aves cinegéticas e espécies arbóreas, integrando ciência e participação comunitária na gestão da biodiversidade.

*Com informações da SEMA AP

Trilha das Preguiças e Jardim de Vitórias-Régias: atrativos de Turismo de Base Comunitária em Santarém

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Turismo de base comunitária marca os locais. Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

Entre casas de palafitas, vegetação exuberante e o canto constante dos pássaros, o Canal do Jari revela um modo de vida que transforma a floresta de várzea em oportunidade para experiências amazônicas autênticas. A Trilha das Preguiças, na comunidade Jari do Socorro, conduzida por Rosângela Siqueira, e o Jardim de Vitórias-Régias, no Alto Jari, liderado por Dulce Oliveira, expressam a força do turismo comunitário e vêm atraindo visitantes de diferentes partes do Brasil e do exterior para Santarém (PA).

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Com o objetivo de dialogar com os empreendedores, conhecer de perto as vivências oferecidas e desenvolver estratégias para reduzir os impactos da sazonalidade, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur), realiza visitas técnicas dentro do projeto ‘Santarém: Turismo o Ano Inteiro’.

A iniciativa busca manter o fluxo de visitantes, fortalecendo o destino em todas as estações, com produção de conteúdo digital, divulgação promocional e capacitações por meio do FormaTur.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Trilha das Preguiças: imersão na floresta de várzea

A cerca de 35 minutos de lancha do centro de urbano, no distrito de Arapixuna, a comunidade Jari do Socorro guarda um refúgio onde a natureza dita o tempo. É ali que Dona Rosângela Siqueira Pinto, há mais de 30 anos recebe visitantes com o mesmo cuidado de quem acolhe amigos antigos. O acesso é apenas pelo rio e já na chegada o som da mata e o balanço das águas anunciam a experiência.

A casa de palafita, simples e cheia de personalidade, revela detalhes que contam histórias: placas e pinturas rústicas, ornamentos feitos à mão e, na sala, a imponente cabeça de jacaré que desperta curiosidade. Ao lado, a loja de artesanato expõe talentos locais. Na cozinha, entre café passado na hora e boas risadas, a equipe de visitantes se prepara para aventura: a Trilha das Preguiças.

Trilha das Preguiças e Jardim de Vitórias-Régias: atrativos de Turismo de Base Comunitária em Santarém
Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

Depois da acolhida, a trilha se inicia. São 20 a 30 minutos de imersão na várzea, em um percurso que muda conforme o ciclo do rio. Na cheia, a canoa desliza entre árvores alagadas. Na seca, a caminhada em terra firme permite observar com calma cada detalhe da floresta. A recomendação é simples: roupas confortáveis, sapatos fechados e disposição para desacelerar.

Pelo caminho, surgem árvores centenárias, como a imponente castanheira-sapucaia, com cerca de 400 anos. As preguiças nem sempre se mostram de imediato e isso faz parte do encanto. Já os macacos-de-mão-amarela costumam aparecer em grupos, agitando os galhos e arrancando sorrisos. Dependendo do clima, biguatingas, garças, socós, urutaus, gaviões, coruja-jacurutu, ciganas, canarinhos, andorinhas e até jacarés completam o cenário.

“Eu amo estar aqui, cercada pelos animais. Abro a janela e tenho a vista mais bela possível. Sou rica, e não é de dinheiro. Faço amigos e compartilho experiências. É muito prazeroso trabalhar com turismo”, afirma Dona Rosângela.

Entre março e julho, com o rio cheio, o passeio ganha contornos ainda mais marcantes. A trilha sai no valor de 30 reais por pessoa. A comunidade também oferece café da manhã, almoço e café da tarde mediante agendamento prévio pelo WhatsApp (93) 99141-1729 ou pelo Instagram @rosangela_trilha_das_preguicas.

Jardim de Vitórias-Régias: inovação e gastronomia sustentável

Seguindo pelo rio Amazonas, chega-se à comunidade do Alto Jari, onde Dulcecléia Oliveira cultiva vitórias-régias. O trabalho pioneiro começou como um jardim ornamental, mas logo ganhou novos contornos e chegou à cozinha. A planta aquática deixou de ser apenas um símbolo da Amazônia para se transformar em ingrediente, uma Planta Alimentícia Não Convencional (PANC) reinventada pelas mãos da anfitriã.

Flor, folha, caule e semente são utilizados de forma criativa em preparações que surpreendem o paladar: vinagrete, picles, batatinha-régia, tempurá, geleia, conserva, pizza, brownie, espaguete, paçoca, rabanada, quiche, moqueca, salada de flores, tapioca, licor, bombons, pudim, gelatina, pão e até pipoca. Ao todo, são 21 receitas desenvolvidas com foco no aproveitamento  integral, unindo sabor, inovação e sustentabilidade.

Dulce trabalha com turismo há 12 anos e  recebe cada visitante com brilho nos olhos, explica o cultivo, conta sua trajetória e abre espaço para fotos e memórias.

“Aqui acontece de tudo, porque eu moro no tudo”, diz, sorrindo. Essa frase resume o espírito do lugar.

Foto: Divulgação/Prefeitura de Santarém

O espaço funciona com energia solar e dispõe de três quartos para hospedagem. A diária para casal é de R$ 300, com jantar e café da manhã inclusos. Passeios extras podem ser contratados à parte.

Foi a busca por qualidade de vida que trouxe Dulce ao Canal do Jari. Após se afastar da Marinha do Brasil por questões de saúde, mudou-se para a comunidade em 2013. No ano seguinte, começou a cultivar as vitórias-régias e a construir a casa que hoje recebe visitantes do Brasil e do exterior. Desde o início do projeto, mais de 10 mil pessoas já passaram pelo jardim.

A alta temporada vai de maio ao início de outubro, quando o nível do rio permite receber até 120 visitantes por dia. O passeio pode incluir ainda observação de aves e jacarés.

Em 2024, a maior seca dos últimos 50 anos afetou o cultivo. Atualmente, Dulce já trabalha na germinação das sementes e no replantio, determinada a ver o jardim florescer novamente.

As visitas acontecem de terça a sábado, das 10h às 14h, com duração média de uma hora por grupo. A taxa de visitação é de R$ 40, destinada à sustentabilidade e à manutenção do espaço, e inclui chá e degustação dos “belisquetes”. O agendamento pode ser feito pelo WhatsApp (93) 99182-9492 ou pelo Instagram @dulce_jardimvitoriaregia.

*Com informações da Prefeitura de Santarém

Água parada e lixo ampliam risco de doenças após chuvas; veja dicas de como se proteger

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Alagamentos podem provocar contaminação e transmissão de doenças. Foto: Dalton Pacheco

As chuvas intensas e os alagamentos em Macapá (AP) e outras cidades aumentam o risco de doenças como leptospirose e hepatite A. A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Amapá orienta a população sobre medidas de prevenção e informa que a rede pública está preparada para atender casos suspeitos.

Os alagamentos registrados nos últimos dias provocaram acúmulo de água e lixo em vários pontos da capital, o que eleva a possibilidade de contaminação. Equipes de saúde, assistência social e defesa civil foram mobilizadas para apoiar as famílias atingidas.

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Crianças e idosos estão entre os mais vulneráveis neste período. O contato com água contaminada pode transmitir doenças graves que, sem tratamento rápido, podem levar à morte.

Segundo o médico Rinaldo Júnior, coordenador do Núcleo de Epidemiologia do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), o maior risco está no que não é visível.

“Toda atenção com a saúde nesse período de alagamentos é importante para evitar, por exemplo, a leptospirose, transmitida pela urina de ratos presente em água suja. A doença causa febre, dor no corpo, dor de cabeça, vômitos e, em casos graves, pode afetar rins e fígado. O tratamento é feito com antibióticos prescritos por médico e, nos casos graves, é necessária internação”, explica o especialista.

Leia também: Autoridades reforçam cuidados para prevenir doenças típicas do inverno amazônico

alamentos podem causar doenças no inverno amazonico
Foto: Odair Leal/Acervo Secom AC

Sintomas de doenças que exigem atenção durante as chuvas

O acúmulo de água e a umidade aumentam o risco de várias doenças. Segundo autoridades de saúde, a população deve observar:

  • Diarreia e vômitos: podem indicar doenças transmitidas por água ou alimentos contaminados.
  • Hepatite A: provoca cansaço, náuseas e pele amarelada. A vacinação é a principal forma de prevenção.
  • Leptospirose: transmitida pela urina de ratos presente em água contaminada. Os sintomas incluem febre, dor no corpo, dor de cabeça e vômitos. Em casos graves, pode afetar rins e fígado.
  • Dengue, Zika e Chikungunya: causam febre, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas. Nunca se automedique.
  • Infecções de pele: contato com água suja pode gerar feridas e coceira.
  • Problemas respiratórios: frio e umidade favorecem gripes e pneumonias.

Como se proteger em casa

A Secretaria de Saúde recomenda cuidados simples para reduzir os riscos: Evite contato direto com água de alagamento. Use botas ou luvas.

  • Beba apenas água tratada, filtrada ou fervida.
  • Lave bem os alimentos e mantenha a casa arejada.
  • Elimine recipientes que possam acumular água e virar criadouros do mosquito da dengue.

As dicas podem ser aplicadas em outras regiões que também sofrem com alagamentos neste período.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Fofão: personagem fortalece tradição carnavalesca maranhense

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Foto: Dalton Chagas

Uma tradição carnavalesca no Maranhão é a máscara de Fofão. A personagem emblemática é representada por uma máscara artesanal, macacão em chitão colorido, guizos e vareta, com traços e cores vibrantes, símbolos de alegria e irreverência.

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A inspiração nasceu do Carnaval europeu e se mistura à tradições como a dos Clovis, no carnaval carioca, e também ao colorido do Bumba Meu Boi. Mas, apesar da tradição na época mais animada do ano, a personagem também é capaz de assustar.

Isso porque as máscaras feitas à mão tradicionalmente são consideradas “feias”, feitas das mais variadas formas, como a técnica de ‘papel machê’.

Leia também: Saiba quantos e quais municípios do Maranhão compõem a Amazônia Legal

fofão do maranhão
Foto: Emanuely Luz

Fofão como manifestação cultural

No trabalho de conclusão de curso (TCC) de Dalton Chagas, ‘A dinâmica do fofão maranhense: historicidade, celebrações e composições estéticas’ (UFMA, 2022), a tradição do fofão na cultura popular maranhense “é imprescindível como identificação artístico-cultural”.

“A sua trajetória artística-social requer reflexões a partir de um universo simbólico que vai desde as influências da Antiguidade por meio de atuações e encenações do encanto mágico do teatro de rua, de rituais com o uso de máscaras e das inovações que ocorrem no seu figurino a partir de tecnologias resultantes de uma indústria transnacional que busca por outras matérias-primas como consumo alienado desses produtos”, destaca o autor.

Chagas aponta essa relação uma vez que o fofão, “na condição de símbolo emblemático do carnaval maranhense”, possui “recursos de interpretação e improvisação com uma parentela artística semelhante de um bufão medieval ou de um bobo das pantomímicas das comédias do passado”.

Ainda segundo o autor, o fofão é uma forma divertida de expressão cultural, uma vez que aquele que se propõe a se tornar um deles durante o carnaval, transforma-se em uma manifestação viva da história.

“Por entre ritos e celebrações envolvem-se agentes, atores e personagens míticos, fantasiosos, fantasiados, mascarados, desmistificados, personificados, espirituosos. Nessa perspectiva, de realidade embaraçosa, de contrapontos entre seres reais, sociais ou misteriosos, podemos concentrar essa mítica sociológica em pessoas que se relacionam com o fofão, ou que se camuflam com as vestes deste personagem, o que elas fazem por trás do seu figurino multifacetado de planos e formas, e o porquê de se fantasiar dessa forma toda colorida e mascarada”, frisa.

Dalton Chagas faz uma análise extensa sobre a ação histórica, formas e uso do fofão como expressão maranhense. Confira o trabalho completo AQUI.

Em 2025, o fofão ganhou uma exposição especial em São Luís. Confira os detalhes:

Desmatamento no Amazonas cai 56% em janeiro de 2026, aponta Inpe

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Foto: Reprodução/Imazon

área desmatada no Amazonas caiu 56,4% em janeiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O número de alertas de desmatamento também diminuiu 42,8% no período.

De acordo com o sistema Deter, do Inpe, foram registrados 722 hectares desmatados em janeiro deste ano, contra 1.656 hectares no mesmo mês de 2025. Já os alertas passaram de 77 para 44.

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Segundo a série histórica recente, é um dos menores índices para o mês de janeiro. A última vez que o estado registrou área inferior a 722 hectares foi em 2021, quando somou 586 hectares. Em relação aos alertas, o número foi menor em 2023, com 30 registros.

Em janeiro de 2026, Humaitá, no sul do estado, concentrou a maior área, com 265 hectares. Em seguida aparecem Canutama, com 79 hectares, e Apuí, com 69.

No número de alertas, Borba liderou com seis registros. Canutama e Humaitá tiveram cinco alertas cada.

Leia também: Amazonas concentra 18% das áreas sob risco de desmatamento na Amazônia previsto para 2026, aponta PrevisIA

Desmatamento Amazônia Greenpeace
Foto: Reprodução/Greenpeace

Deter monitora desmatamento

O Deter é um sistema de monitoramento criado pelo Inpe em 2004 para identificar, quase em tempo real, áreas com indícios de desmatamento e degradação na Amazônia. As informações são obtidas por meio de imagens de satélite e servem de base para ações de fiscalização ambiental.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Comercialização de borracha de Unidades de Conservação impulsiona extrativismo sustentável em Rondônia

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Foto: Divulgação/Arquivo Sedam RO

Com o objetivo de fortalecer o extrativismo sustentável e assegurar maior transparência e valorização dos trabalhos executados pelos extrativistas, o governo de Rondônia acompanhou, no dia 6 de fevereiro, a primeira pesagem referente ao processo de compra de borracha natural oriunda das Unidades de Conservação dos municípios de Machadinho d’Oeste e Vale do Anari, obedecendo os parâmetros ambientais e legais.

A ação foi acompanhada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), através do Escritório Regional de Gestão Ambiental (ERGA) de Machadinho d’Oeste, em conjunto com a Gestão Integrada do Machado, vinculada à Coordenadoria de Unidades de Conservação (CUC). A comercialização foi viabilizada por meio da intermediação da WWF-Brasil junto à empresa compradora. 

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O procedimento ocorreu na sede da Associação dos Seringueiros de Machadinho d’Oeste (ASM) e contou com a participação da Associação dos Extrativistas do Vale do Anari (Aseva), além de representante da Organização dos Seringueiros de Rondônia (OSR).

A iniciativa representa um avanço para a valorização do trabalho tradicional das famílias seringueiras inseridas nas Unidades de Conservação da região, contribuindo para a geração de renda, o fortalecimento da economia local e a permanência dessas comunidades na floresta, de forma sustentável e alinhada à conservação ambiental.

Para o governador de Rondônia, Marcos Rocha, o fortalecimento do extrativismo sustentável é fundamental e reforça o compromisso da gestão com a preservação das Unidades de Conservação e com a economia da floresta em pé.

“A ação alia preservação ambiental, desenvolvimento econômico e justiça social, iniciativas que valorizam o trabalho das famílias seringueiras e garantem renda no campo”, enfatizou. 

Comercialização de borracha de Unidades de Conservação impulsiona extrativismo sustentável em Rondônia
A iniciativa contribui para a geração de renda e o fortalecimento da economia local. Foto: Divulgação/Arquivo Sedam RO

Leia também: Cadeia da borracha impulsiona geração de renda na área de influência da BR-319

Extrativismo sustentável de borracha em Rondônia

Segundo o coordenador da CUC, Daniel Santos de Souza, as parcerias são fundamentais para o fortalecimento da cadeia produtiva da borracha natural.

“Esse acompanhamento é estratégico para o fomento da cadeia produtiva da borracha natural, pois fortalece a atuação das associações e organizações envolvidas, amplia a segurança nos processos de comercialização e contribui diretamente para a permanência das famílias nesses espaços territoriais protegidos. Além disso, a iniciativa proporciona maior rentabilidade à comunidade extrativista, valorizando o trabalho tradicional e consolidando um modelo de desenvolvimento sustentável baseado na floresta em pé”, destacou. 

O secretário adjunto da Sedam, Gilmar Oliveira de Souza, avaliou como positiva a iniciativa realizada.

“A comercialização direta da borracha natural com a indústria, realizada com transparência e conformidade, demonstra que é possível promover o desenvolvimento sustentável a partir do uso responsável dos recursos naturais. Essa ação reconhece o conhecimento tradicional das comunidades extrativistas, fortalece a organização social e contribui para a proteção das Unidades de Conservação, gerando benefícios ambientais, sociais e econômicos para a região”, salientou. 

Já para a gerente do Erga, Michele da Silva, além dos impactos econômicos e sociais, a ação reafirma o compromisso com o uso sustentável dos recursos naturais.

“Ao incentivar práticas que conciliam conservação ambiental, desenvolvimento social e valorização dos conhecimentos tradicionais, estamos fortalecendo aspectos fundamentais para a proteção das Unidades de Conservação e para o desenvolvimento sustentável de Rondônia”, afirmou. 

*Com informações da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia

Mestre Sacaca, ervas medicinais e ancestralidade do Amapá marcam desfile da Mangueira

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O enredo da Mangueira este ano foi ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra’. Foto: Leo Franco/AgNews

A Estação Primeira de Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles do grupo especial do Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda-feira (16), com um enredo sobre ervas medicinais e ancestralidade. A escola homenageou Mestre Sacaca, ícone da cultura afro-amapaense 

O enredo deste ano foi ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra‘. A proposta foi mostrar a cultura afro-amapaense, com seus costumes, plantas e rituais do extremo Norte do Brasil.

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O desfile destacou desde as garrafadas criadas pelo mestre até práticas afro-indígenas. A comissão de frente representou os pretos velhos como guardiões dos saberes amazônicos. A escola também encenou a dança Turé, ritual sagrado dos povos indígenas do Amapá, como Galibi-Marworno, Karipuna e Palikur, evocando a memória de Sacaca.

A União dos Negros do Amapá (UNA) também foi destaque no desfile. O ‘doutor da floresta’ foi um dos fundadores da instituição, que atua em políticas públicas no Amapá.

Leia também: Doutor da floresta: saiba qual é o legado do Mestre Sacaca para a cultura amapaense

Marabaixo na Sapucaí

Um dos destaques foi a mistura do samba com o batuque do Marabaixo, dança reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2018.

Uma ala representou o ritmo que relembra os povos escravizados trazidos ao Brasil nos navios negreiros. Com saias rodadas e flores no cabelo, as marabaixeiras percorreram a avenida cantando a resistência negra do Amapá.

Leia também: Dica de filme: Mangueira recomenda obra sobre o amapaense ‘mestre Sacaca’

Músicos do Amapá reforçaram a bateria da Mangueira com caixas de Marabaixo. Os instrumentos deram ritmo ao tambor negro na avenida.

Entre os músicos estavam Arthur e Eloisa Sacaca, netos do homenageado. A cantora amapaense Patrícia Bastos deu voz ao esquenta da Mangueira.

Mestre Sacaca, ervas medicinais e ancestralidade do Amapá marcam desfile da Mangueira
Foto: Reprodução/TV Globo

Salve Sacaca

Em um dos carros alegóricos, a imagem de Sacaca apareceu sorridente, abrindo os caminhos para a celebração de seu centenário.

Madalena Sacaca, viúva do mestre, foi destaque na alegoria. Com sorriso no rosto, reforçou a importância da homenagem.

“Muita alegria! Aqui estão meus netos, bisnetos, parentes e vizinhos. Ele sempre gostou de carnaval e iria gostar desta homenagem”, disse emocionada.

De acordo com a comissão da Mangueira, cerca de 50 familiares de Sacaca viajaram ao Rio para participar do desfile.

Essa é a segunda vez que o Amapá é destaque na Sapucaí: em 2008 a Beija-flor de Nilópolis levou o enredo ‘Macapaba: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas do Meio do Mundo’ para a Avenida. Com o enredo deste ano, a escola busca o 21° título do grupo especial do Rio de Janeiro.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Clones de batata-doce são desenvolvidos com maior qualidade nutricional em Roraima

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Batata-doce biofortificada pela Embrapa em Boa Vista. Foto: Cássia Pedroza/Embrapa

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) testa 15 variedades de batatas-doces clonadas da comum em Boa Vista (RR). O tubérculo é cultivado em um campo experimental na zona Rural da capital.

As batatas-doces clonadas foram biofortificadas para terem maior valor nutricional. Na prática, são variedades desenvolvidas com melhor genética, resultando em alimentos mais ricos em vitaminas e minerais.

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A biofortificação é a técnica de melhorar plantas por meio de cruzamentos naturais e seleção das mais nutritivas. No caso da batata‑doce, pesquisadores cruzam diferentes variedades e escolhem as “filhas” que apresentam maior concentração de nutrientes importantes.

O trabalho integra um programa nacional de melhoramento do tubérculo. A iniciativa busca oferecer aos produtores variedades mais produtivas, adaptadas ao clima local e com maior valor nutricional, como os materiais biofortificados de polpa alaranjada, que têm altos níveis de betacaroteno (que dá cor aos frutos amarelos e vermelhos), responsável pela produção de vitamina A no organismo.

Uma das pesquisadoras a frente do experimento, Cássia Pedroza, da Embrapa, explicou que das 15 batatas clonadas, três foram validadas e podem ser comercializadas. Ela disse ainda que a batata-doce é considerada uma cultura que se adapta a diferentes condições de clima e solo.

O plantio não é exigente e pode ser realizado até mesmo em áreas com pouca fertilidade e baixa incidência de chuvas, embora apresente maior produtividade quando recebe irrigação adequada e adubação equilibrada.

“A gente também tem os clones biofortificados. Então o que são esses clones? São materiais genéticos que tem um diferencial nutricional em vitaminas e antioxidantes. Então, a gente tem aqui a batata de polpa alaranjada, por exemplo. Que tem um alto teor de betacaroteno, que dentro do nosso organismo se converte em vitamina A”, explicou a pesquisadora.

Batata-doce, com polpa creme, e a biofortificada com polpa laranja — Foto: Cássia Pedroza/Embrapa/Divulgação
Batata-doce, com polpa creme, e a biofortificada com polpa laranja. Foto: Cássia Pedroza/Embrapa

O processo de cruzamento e clonagem é realizado na Embrapa Hortaliças, no Distrito Federal. Depois, os materiais são distribuídos para outras regiões do país para avaliação em campo.

Em Roraima, o estudo está em fase final de desenvolvimento. Os resultados foram apresentados a produtores rurais durante uma visita técnica ao campo experimental em Boa Vista.

Um dos produtores que que participou do encontrado foi Adir de Brito. Ele cultiva batata-doce há 10 anos e planeja trabalha com os clones da Embrapa.

“Agora nós temos conhecimentos aqui que são relevantes a essa área técnica e está com uma variedade ótima. Quando for liberado a licença para plantarmos dela, vamos ter uma boa produtividade”, afirmou.

Leia também: Ariá: tubérculo é alternativa de alimento e renda durante a seca da Amazônia

Cenário do comércio de batata-doce

No estado, a batata-doce está presente principalmente em áreas de agricultura familiar. Apenas na zona rural de Boa Vista, a produção chegou a 40 hectares em 2025, segundo dados do município. A média é de 50 toneladas por hectares, com duas safras ao ano.

O cultivo tem atraído cada vez mais produtores profissionais. É o caso de Mohamed Hamdy, que se mudou do Egito para o Brasil há um ano e trabalha na fazenda que cultiva batata-doce há oito anos. Ele afirma que, apesar das oportunidades, ainda existem desafios no manejo.

“Nós queremos entregar a batata entre 110 e 120 dias, como o clima aqui é mais quente, ele não ajuda a entregar a batata mais cedo. Outra coisa, é que, quando cai muita chuva, ela influencia muito na produção de batata”, destacou o produtor. Mesmo assim, ele demonstra otimismo com os resultados do plantio experimental desenvolvido pela Embrapa.

*Por Paulo Henrique Rangel, da Rede Amazônica RR

Homenageados do Carnailha 2026: Gabriela Guarani, a guerreira da diversidade

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Segunda maior festa cultural de Parintins, no Amazonas, o Carnailha é marcado pela irreverência e diversão dos blocos carnavalescos na avenida. Além da alegria que contagia o público com diversos temas levados para a avenida, homenagens também fazem parte dos enredos do evento carnavalesco.

Na edição de 2026, três personalidades da cultura popular da Amazônia são homenageados por blocos do grupo Irreverente: David Assayag, Wanderley Andrade e Gabriela Guarani.

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As trajetórias de cada homenageado são marcadas pela representatividade. Uma das personalidades escolhidas é Gabriela Guarani, cuja trajetória é marcada não só pela representatividade, mas por referência e diversidade, sendo vista como um símbolo de luta, resistência e afirmação social.

Trans e indígena, a história da artista foi agraciada com uma homenagem do bloco Pantera Cor de Rosa, do grupo Irreverente, na avenida do Circuito Carnailha.

Gabriella Jacaúna é vista como o símbolo de coragem na causa trans em Parintins. Foto: Allan Leão/DPE-AM

Quem é Gabriela Guarani?

Guarani é dançarina do Boi Caprichoso. Foto: Instagram-gabriellaguarani

Conhecida como a ‘Guerreira da Diversidade’, Gabriela Guarani Jacaúna é uma personalidade referência LGBTQIAPN+ em Parintins. Ativista da causa trans, a jovem de 23 anos possui uma trajetória marcada por desafios, mas também de muitas conquistas e afirmação social.

Indígena da etnia Guarani Mbya, Gabi é dançarina do Boi Caprichoso há mais de 10 anos e foi da brincadeira do boi-bumbá que a artista deu os seus primeiros passos no mundo artístico e hoje é uma das figuras de destaque do cenário cultural parintinense.

No entanto, a luta para consolidar seu nome e espaço na sociedade não foi fácil.

Desde jovem, exerceu várias profissões em busca do seu sonho: trabalhou de vendedora de flau (dindin, geladinho ou sacolé) à catadora de papelão. O sacrifício rendeu frutos e, hoje, além de artista reconhecida, Gabriela é comunicadora.

Homenagem no Carnailha 2026

A presidente do bloco Pantera Cor de Rosa, Vanessa Aguiar, destacou que a história de luta e vitória de Gabi Guarani precisa ser contada, por isso que o intuito do enredo este ano é destacar a trajetória da artista.

Ao centro, Gabriella Guarani virou enredo do bloco Pantera Cor de Rosa no Carnailha 2026. Foto: Júlio Butel

“A Gabi Guarani tem uma história muito bonita, de luta e vitória. Chegou o momento dela brilhar no Carnailha,vamos levar muita alegria, irreverência e um desfile grandioso”, afirmou a presidente.

O que diz a homenageada

Fiquei muito feliz com a escolha do Pantera Cor de Rosa em contar a minha história. Mais uma vez, o bloco acerta porque ele não leva para avenida o formato caricato, ele leva a luta, o orgulho e a respeito pela diversidade. Uma combinação que deu certo porque eles me respeitaram pelo fato de eu ser uma mulher trans, indígena, de mulher batalhadora, então, estou muito grata”, agradeceu.

Foto: Reprodução/Instagram-gabriellaguarani

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O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

Três mulheres com trajetórias de destaque para entender a importância da ciência

Fotos: Divulgação/Inpa

O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado no dia 11 de fevereiro, é uma data criada pela Assembleia das Nações Unidas em 2015 para promover a equidade de gênero na ciência e tecnologia.

Para incentivar e reconhecer o papel fundamental das mulheres na excelência da produção científica, conheça a trajetória de três mulheres do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em distintas fases da vida, da carreira e das áreas de estudo.

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Elizabeth Gusmão e a produção aquícola

Pesquisadora há mais de 40 anos do Inpa com estudos sobre sistema de produção aquícola com espécies amazônicas, Elizabeth Gusmão é líder do grupo de pesquisa aquicultura na Amazônia Ocidental onde desenvolve estudos e tecnologias para a produção de peixes nativos, como tambaqui, matrinxã e pirarucu.

mulheres na ciência do INPA
Pesquisadora Elizabeth Gusmão. Foto Anne Karoline Menezes/Ascom Inpa

A amazonense é coordenadora do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins em ampla associação com o Inpa. 

A pesquisadora lembra dos primeiros passos no Inpa quando acadêmica de Farmácia-Bioquímica, e o sonho de ingressar na instituição como pesquisadora a acompanhava desde menina.

Gusmão também contou sobre as dificuldades pelas quais passou para se tornar pesquisadora e obter a sua independência profissional, principalmente, a  competição com o gênero oposto no ambiente científico, e as dificuldades para conciliar o papel de mãe com o de profissional.

“Sempre tive como meta aprimorar meus conhecimentos científicos para contribuir com a educação e a pesquisa e, principalmente, para  a melhoria e a qualidade de vida do homem da Amazônia e da nossa sociedade amazonense. Não foi uma tarefa fácil conciliar maternidade e trabalho, mas com dedicação e perseverança estou aqui e me tornei pesquisadora”, relembra Gusmão.

A pesquisadora reforça a importância de se valorizar e fortalecer a presença das mulheres na ciência. “Neste dia tão importante em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, nós queremos homenagear todas as mulheres, fortalecendo essa mão de obra tão importante e essencial para a melhoria da nossa sociedade”, enfatizou. 

Jeane Marcelle Cavalcante e os insetos aquáticos

Egressa da pós-graduação do Inpa, a especialista em sistemática de insetos aquáticos, Jeane Marcelle Cavalcante, ingressou no último concurso do instituto (2025) para a carreira de pesquisadora. Mulher negra, sergipana e estudante de escolas públicas, também é exemplo de superação e perseverança quando o assunto é mulher na ciência. 

Pesquisadora Jeane MArcelle Cavalcante. Foto Igor Souza/ Ascom Inpa

Cavalcante conta que desde a infância tinha interesse em ser pesquisadora e o sonho começou a ganhar forma com a aprovação em Biologia, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), campus de São Mateus. Em 2012, a bióloga ingressou no mestrado em Entomologia do Inpa, e, em 2014, deu continuidade à sua formação no doutorado pelo mesmo programa.

Sua trajetória no Inpa estendeu-se até 2022, antes de retornar definitivamente ao instituto, desenvolvendo pesquisas, atuando em ações de popularização da ciência e participando de diferentes comissões e atividades vinculadas à pós-graduação.

A pesquisadora conta que, desde a faculdade, já atuava na pesquisa e, com o incentivo de professores, veio aprofundar seus conhecimentos na Amazônia. No Inpa, ser orientada pela pesquisadora Neusa Hamada, pesquisadora A do CNPq (nível mais alto de produtividade científica do país), e referência nos estudos com insetos aquáticos, foi decisivo para a escolha da carreira científica da jovem pesquisadora.

“Eu vi a atuação dessa mulher pesquisadora e decidi seguir na pesquisa científica, inspirando-me nela e aprofundando meus estudos sobre insetos aquáticos. E, claro, busquei incentivar outras meninas a seguirem a carreira científica”, ressaltou Cavalcante, destacando o protagonismo das mulheres na ciência, como, por exemplo, no desenvolvimento de vacinas e no sequenciamento do genoma do coronavírus.  

Instigada a dar um conselho para futuras cientistas, a pesquisadora do Inpa é enfática: “Persistam e não desistam dos seus sonhos. Obstáculos vão existir, mas servirão para tornar seus objetivos ainda mais fortes”.

Rebeca Sousa e a patologia da madeira

Bolsista de IC Rebeca Sousa. Foto Igor Souza/ Ascom Inpa

Bolsista de Iniciação Científica e vinculada ao Laboratório de Patologia da Madeira do Inpa, a estudante de Biologia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rebeca Sousa, estuda fungos do gênero Penicillium.

A jovem conta que se identificou com a pesquisa ainda na fase escolar e que a disciplina de biologia era a sua preferida. A decisão pelo curso, no entanto, foi tomada em 2020, quando cursava o Ensino Médio. 

“Escolhi cursar Biologia durante a pandemia. Eu acompanhei pelos noticiários a questão da pesquisa, da descoberta da vacina, e isso foi decisivo para mim”, conta a estudante, descrevendo seu fascínio pela pesquisa.

“A ciência é fantástica porque não é algo estático, ela é cheia de perguntas, respostas e a busca pelo novo. A ciência exige persistência, aperfeiçoamento e adaptação, porque nem sempre aquelas técnicas que são utilizadas vão dar certo, então, às vezes, tem que mudar as estratégias ao longo do processo”, contou.

Participação de mulheres no Inpa em números 

A força de trabalho do Instituto é composta por 452 servidores e empregados públicos, dos quais 57,5% (260) são homens e 42,5% (192) mulheres.

Para o cargo de pesquisador/a, a relação permanece parecida. São 163 pesquisadores/as, com 55,2% (90) homens e 44,8% (73) mulheres.

No cargo de gestão de coordenadores/ras, a quantidade de  mulheres supera a de homens numa relação de 52,4% (11) e 47,6% (10), respectivamente. 

Na pós-graduação do Inpa, a situação se inverte e elas são a maioria. São 540 alunos matriculados em cursos de mestrado e doutorado dos nove programas próprios do instituto, dos quais 56,1% (303) são mulheres e 43,9% (237) são homens.

O único curso em que eles são a maioria é no Mestrado Profissional de Gestão de Áreas Protegidas (MPGAP), com 60% (18) homens e 40% (12) mulheres.

*Com informações do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia