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Funai conclui delimitação de duas novas terras indígenas no Amazonas 

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Foto: Mário Vilela/Funai

O Diário Oficial da União publicou os estudos de identificação e delimitação de duas novas terras indígenas no Amazonas: Capivara e Itânuri Pupỹkary, em benefício dos povos Mura e Apurinã. Com esses atos, agora são nove territórios delimitados pela gestão da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em 2025 e constituem a primeira etapa do processo de regularização fundiária. Outros seis estudos foram aprovados durante a COP30, em Belém (PA).

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Terra Indígena (TI) Capivara

O Resumo do Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena (TI) Capivara concluiu a ocupação tradicional do povo Mura desde a metade do século XIX, por volta de 1857. O território fica localizado no município de Autazes, em uma área de 27,4 mil hectares, onde vivem atualmente 870 indígenas. 

Funai conclui delimitação de novas terras indígenas
Indígenas do Povo Mura, beneficiados pela delimitação da Funai. Foto: Rede de Comunicadores Indígenas Mura (REDIM)

Leia também: Saiba quantas terras indígenas existem na Amazônia Legal

Os Mura são conhecidos por sua complexa organização social e mobilidade fluvial na região dos rios Madeira e Solimões. Desde o início do século XX, o antigo Serviço de Proteção ao Índio (SPI) já realizava registros de ocupação na área, mas a pressão de frentes de expansão econômica e o avanço de atividades de agricultura e pecuária ao longo das décadas tornaram a conclusão dos estudos técnicos uma demanda urgente para evitar o confinamento e a descaracterização cultural dos Mura.

Terra Indígena Itãnuri Pupỹkary

Ainda no Amazonas, a Terra Indígena Itãnuri Pupỹkary abrange os municípios de Lábrea e Pauini, com uma extensão aproximada de 176,7 mil hectares, tradicionalmente ocupada por indígenas do povo Apurinã, há pelo menos 120 anos.

Indígenas Apurinã, beneficiados pela delimitação da Funai. Foto: Reprodução/Facebook-@Povosindigenasdobrasil

A trajetória de luta por este território está diretamente ligada ao histórico de exploração da borracha na bacia do rio Purus, onde os Apurinã sofreram processos severos de expropriação. A delimitação atual é fruto de décadas de reivindicação por um espaço que permita a continuidade de seu modo de vida tradicional e o manejo sustentável dos recursos naturais, protegendo uma vasta área de floresta amazônica contra invasões e exploração ilegal.

Identificação e delimitação

A identificação e delimitação do território são as primeiras etapas do processo de demarcação de terras e consiste no estudo da área reivindicada por indígenas. Trata-se de um estudo multidisciplinar realizado por equipe composta por antropólogos, ambientalistas, historiadores, quando necessário, engenheiros agrônomos, entre outros.

São consideradas a história e a territorialidade dos povos indígenas, bem como sua ocupação para verificar se a área reivindicada atende à reprodução física e cultural daquele povo, conforme previsto na Constituição Federal.

Leia também: Terras Indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil, aponta estudo

Terra Indígena Pirititi no Sul de Roraima. Foto: Divulgação/Acervo/Ibama

Nessa primeira etapa, o Decreto nº 1775/96, que trata sobre o procedimento administrativo de demarcação das terras indígenas, garante a todos os interessados na área a possibilidade do contraditório desde o início do procedimento de regularização fundiária. E a Portaria nº 2.498/11-MJ determina não apenas a necessidade de informação, como também a participação dos entes federados em todo o processo, com destaque ao levantamento fundiário propriamente dito.

Depois que o relatório de identificação e delimitação é publicado nos Diários Oficiais da União e dos estados onde a terra indígena se encontra, mantém-se um prazo de 90 dias para a apresentação de contestações administrativas, assegurando o contraditório de interessados até a decisão de mérito do Ministro da Justiça quanto à declaração da terra indígena.

Etapas da demarcação

As fases do procedimento demarcatório das terras tradicionalmente ocupadas são definidas pelo decreto 1.775/1996. O processo só é finalizado com a homologação e registro da área em nome da União com usufruto exclusivo dos povos indígenas. 

Leia também: Entenda as etapas de demarcação de terras indígenas

Aldeia São Luiz, na Terra Indígena Vale do Javari, no Amazonas. Foto: Coordenação Regional da FUNAI – Vale do Javari

Confira as etapas:

Em estudo: fase na qual são realizados os estudos antropológicos, históricos, fundiários, cartográficos e ambientais, que fundamentam a identificação e a delimitação da área indígena.

Delimitadas: fase na qual há a conclusão dos estudos e que estes foram aprovados pela presidência da Funai através de publicação no Diário Oficial da União (DOU) e do Estado em que se localiza o objeto sob processo de demarcação.

Declaradas: fase em que o processo é submetido à apreciação do ministro da Justiça, que decidirá sobre o tema e, caso entenda cabível, declarará os limites e determinará a demarcação física da referida área objeto do procedimento demarcatório, mediante portaria publicada no DOU.

Homologadas: fase em que há a publicação dos limites materializados e georreferenciados da área por meio de Decreto Presidencial, passando a ser constituída como terra indígena.

Regularizadas: fase em que a Funai auxilia a Secretaria de Patrimônio da União (SPU), como órgão imobiliário da União, a fazer o registro cartorário da área homologada.

Além das fases mencionadas, pode haver, em alguns casos, o estabelecimento de restrições de uso e ingresso de terceiros para a proteção de indígenas isolados, mediante publicação de portaria pela presidência da Funai, ocasião em que há  a interdição de áreas nos termos do artigo 7º do Decreto 1.775/96.

*Com informações da Fundação Nacional dos Povos Indígenas.

Manaus é destaque em pesquisa global sobre tendências de viagem para 2026

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Foto: Chico Batata/Arquivo Secom AM

Manaus (AM) passou a integrar a relação dos dez destinos globais em alta para 2026, conforme levantamento divulgado pela plataforma de turismo Booking.com. A pesquisa anual avalia dados de buscas, reservas e escolhas de viajantes de diferentes países, evidenciando cidades que se destacam pelo interesse internacional, vivências culturais genuínas e práticas de turismo sustentável.

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O estudo consolida Manaus como principal acesso à Amazônia e como um destino conectado às tendências atuais do turismo mundial. A capital amazonense, segundo a publicação, combina estrutura urbana com proximidade direta da floresta, oferecendo ao visitante experiências que unem meio ambiente, cultura e identidade regional.

Cercada por extensas áreas de floresta tropical, Manaus é uma metrópole única, localizada no coração da Amazônia brasileira e considerada uma das maiores cidades mais remotas do mundo. Manaus abriga mais de 2 milhões de habitantes e pulsa com a energia urbana, além de ser o ponto de partida ideal para conhecer as belezas naturais da Amazônia. Os visitantes podem testemunhar o Encontro das águas, onde o Rio Negro, de águas escuras, e o Solimões, de águas claras, correm juntos sem se misturar, antes de embarcar em passeios de barco e aventuras pela floresta tropical”, descreve a publicação

“Na cidade, o viajante encontrará marcos emblemáticos como o Teatro Amazonas, mercados e uma gastronomia que valoriza os sabores nativos, desde o tucupi (caldo fermentado de mandioca) e o jambu (erva com leve efeito anestésico) até o peixe pirarucu e o açaí direto da fonte”, completam. 

Além dos atrativos naturais, Manaus ganha destaque pela pluralidade cultural e pela gastronomia regional. O conjunto de opções envolve desde expressões populares até grandes espaços culturais, atendendo a turistas que valorizam autenticidade e maior vínculo com o local visitado

Leia também: O que fazer em Manaus em um dia?

Promoções de turismo em Manaus

Para a Amazonastur, a citação na pesquisa contribui para fortalecer a imagem da capital do Amazonas no mercado nacional e internacional, ampliando a visibilidade do destino como cidade preparada para receber visitantes interessados em natureza, cultura e experiências diferenciadas.

Segundo o presidente da Amazonastur, Marcel Alexandre, o reconhecimento evidencia o potencial do destino no mercado internacional.

“A cidade reúne atributos únicos, como a integração entre uma capital estruturada e a maior floresta tropical do planeta, o que atende à demanda por experiências autênticas e contato com a natureza”, afirmou.

O diretor-presidente da ManausCult, Jender Lobato, destaca que o reconhecimento internacional da cidade é reflexo de um trabalho contínuo e planejado de valorização.

“Esse reconhecimento internacional que coloca Manaus entre os destinos tendência globais para 2026 é fruto de um trabalho consistente de promoção, valorização da nossa cultura, do nosso patrimônio e das experiências únicas que a cidade oferece. A capital amazonense está sendo apresentada ao mundo como um destino completo, que une natureza, história e identidade amazônica”, afirmou.

Leia também: Manaus é reconhecida como uma das melhores cidades para se visitar na América Latina

Ainda segundo Jender Lobato, esse modelo de turismo fortalece a imagem da cidade e gera benefícios diretos para a população. “Manaus não é apenas porta de entrada para a Amazônia, é um território de cultura viva, de comunidades, de saberes e de experiências autênticas. Investir em projetos como o ‘Vivências Amazônicas’ é fortalecer um turismo responsável, que gera desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental”, destacou.

Outras cidades destaques da pesquisa

Além de Manaus, a pesquisa da Booking.com também aponta outros destinos ao redor do mundo que se destacam por diferentes perfis de viagem:

  • Mũi Né, Vietnã
  • Bilbao, Espanha
  • Barranquilla, Colômbia
  • Filadélfia, EUA
  • Guangzhou, China
  • Sal, Cabo Verde
  • Münster, Alemanha
  • Kochi, Índia
  • Port Douglas, Austrália

*Com informações da Booking.com, Prefeitura de Manaus e Governo do Amazonas

Cacauicultura fortalece desenvolvimento rural sustentável e economia no Acre

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Plantio do cacau tem ganhado investimentos estratégicos por parte do governo estadual. Foto: Cleiton Lopes

A cacauicultura no Acre vive seu melhor momento, segundo o governo acreano, e tem se consolidado como uma importante estratégia de desenvolvimento rural, aliando geração de renda, preservação ambiental e fortalecimento das comunidades do campo.

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Por intermédio da Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri), o governo tem executado ações para fortalecer a cadeia produtiva do cacau, tanto o cultivado quanto o nativo.

Os investimentos abrangem, principalmente, o apoio técnico aos produtores, ampliando oportunidades econômicas e garantindo maior segurança da produção rural.

A iniciativa integra o Rota do Cacau, que se destaca por ações concretas voltadas ao atendimento das demandas de produtores rurais, povos indígenas, comunidades extrativistas e ribeirinhas. Com apoio técnico e estímulo à comercialização, a política pública fortalece a economia local e amplia o protagonismo do Acre no cenário da produção feita baseada nos pilares da sustentabilidade.

Leia também: Rota do cacau: Acre se torna promissor na produção do fruto nativo da região

Imagem: Divulgação/Seagri

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Ao longo de 2024, a Seagri avançou de forma significativa no fortalecimento da cadeia produtiva do cacau, por meio de ações integradas. Entre os destaques estão a realização do evento ‘Agricultura em Debate: Por que plantar cacau?’, que fortaleceu o diálogo com produtores e instituições, e a crescente participação em feiras, seminários e atividades técnicas durante a Expoacre, promovendo troca de experiências e difusão de conhecimento.

Além disso, a Seagri promoveu intercâmbio técnico no Pará, referência nacional na produção do fruto, além de desenvolver trabalho pioneiro com o povo indígena Manchineri, voltado ao manejo sustentável do cacau nativo.

Os avanços resultaram na ampliação das áreas de plantio e no aumento da produção, no âmbito da Rota do Cacau. Para consolidar o setor, o governo do Acre lançou chamada pública para aquisição de mudas e criou o Grupo de Trabalho da Cadeia Produtiva do Cacau, responsável por planejar e acompanhar as políticas públicas da área.

Leia também: Pará qualifica produção de chocolate na Rota do Cacau

Capacitação técnica impulsiona a produção do cacau

No âmbito das ações estruturantes da Rota do Cacau, a Secretaria de Agricultura, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), realizará um curso de capacitação técnica voltado aos sistemas de produção e à classificação de amêndoas de cacau.

A formação ocorrerá entre os dias 2 e 14 de fevereiro de 2026, em Belém, no Pará.

Da floresta, brota um recurso natural que vai movimentar a economia dentro das comunidade indígenas. Foto: Ingrid Kelly/Secom AC

A capacitação é com com foco em boas práticas de produção e manejo, controle fitossanitário, beneficiamento, classificação e comercialização do cacau e irá qualificar 27 técnicos das seguintes instituições:

  • Seagri,
  • Sebrae,
  • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa),
  • Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf),
  • Fundação de Tecnologia do Estado do Acre (Funtac)
  • e Universidade Federal do Acre (Ufac).

Segundo o titular da Seagri, José Luís Tchê, essas iniciativas refletem o empenho da gestão estadual com o fortalecimento da produção responsável e sustentável, além da valorização do homem do campo.

“Essa é mais uma ação que demonstra que o Acre acredita na cacauicultura como uma alternativa concreta de geração de renda, emprego e valorização do uso eficiente da terra, sempre respeitando a floresta e as pessoas que vivem dela”, afirma o gestor.

Leia também: Ensino técnico ajuda no combate ao êxodo rural no Acre

Secretário de Agricultura reforça importância do fruto para a economia do Acre. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

A parceria com o Sebrae também possibilitou a participação dessas instituições, reconhecidas como essenciais para o fortalecimento da cadeia produtiva, ampliando a troca de conhecimentos técnicos e a integração das políticas públicas voltadas ao setor.

O momento contará ainda com a presença do representante indígena Lázaro Manchineri, da Aldeia Extrema, localizada na Terra Indígena Mamoadate, dando ênfase na valorização dos saberes tradicionais e o incentivo ao manejo do cacau em territórios indígenas.

cacau nativo
Povo Manchineri ressignificou relação com o fruto e hoje alia sustentabilidade e economia, além de resgatar os jovens para dentro das aldeias. Foto: Ingrid Kelly/Secom AC

*Com informações da Agência de Notícias do Acre

Prospera Sociobio: webinar orienta interessados em promover ações focadas em povos indígenas

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Seminário online será promovido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realiza um webinar para apresentar e orientar as organizações interessadas no envio de propostas para o edital do Programa Nacional de Sociobioeconomia (Prospera Sociobio), nesta terça-feira (27), das 16h às 17h30 (horário de Brasília).

Lançado em 2025 durante a COP30, o programa traduz as diretrizes do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) em ações concretas nos territórios, com foco em povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares. 

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O encontro será promovido pelo MMA, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e o Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). O objetivo do edital é selecionar seis redes amazônicas para a criação de Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia, espaços estratégicos para fortalecer iniciativas locais, valorizar saberes tradicionais e impulsionar negócios comunitários sustentáveis. 

O webinar será aberto para organizações comunitárias, cooperativas, empreendimentos locais e instituições de apoio técnico e instituições de ciência, tecnologia e inovação. Representantes do MMA e da FAS apresentarão detalhes da proposta do edital, os objetivos dos núcleos, documentos necessários para submissão e realizarão esclarecimento de dúvidas. As inscrições para o webinar podem ser feitas AQUI.

Leia também: Amapá apresenta na COP30 plano que impulsiona a sociobioeconomia e o desenvolvimento do estado

Oficinas de Apresentação do Edital Prospera Sociobio em Altamira, no Pará. - Foto: Arquivo/FAS
Oficinas de Apresentação do Edital Prospera Sociobio em Altamira, no Pará. – Foto: Arquivo/FAS

O seminário online ocorre após as Oficinas de Apresentação do Edital Prospera Sociobio, realizadas entre 15 e 23 de janeiro de 2026, nos seis Territórios da Sociobioeconomia: Altamira, Macapá, Portel, Juruá-Tefé, Rio Branco-Brasileia e Salgado-Bragantino.

As inscrições para submissão das propostas seguem até 2 de fevereiro. Serão selecionadas organizações regionais diversas, com experiência e capacidade de oferecer um conjunto integrado de serviços para o fortalecimento do ecossistema local.

Acesse o edital de submissão no Prospera Sociobio AQUI

Leia também: Atlas da Bioeconomia Inclusiva revela panorama de dados das diversas regiões da Amazônia

Prospera Sociobio

O Prospera Sociobio integra a cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha para a implementação da Estratégia Nacional de Bioeconomia (ENBio), que estabelece como diretriz o estímulo a atividades econômicas sustentáveis que valorizem a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos da floresta.

O projeto é coordenado pela MMA, por meio da Secretaria Nacional de Bioeconomia (SBC), e implementado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS), com financiamento do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). Iniciativa transforma as orientações do Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia (PNDBio) em medidas práticas implementadas diretamente nos territórios tradicionais.

Saiba mais: Entenda como a falta de clareza do conceito de ‘bioeconomia’ pode prejudicar a Amazônia

O edital busca selecionar organizações regionais diversas, com experiência e capacidade de oferecer um conjunto integrado de serviços para o fortalecimento do ecossistema de negócios sustentáveis para a ativação de seis Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia na Amazônia.

São aproximadamente R$ 70 milhões nesse primeiro edital, sendo que cada núcleo poderá receber até R$ 11,5 milhões. Podem se candidatar redes formadas por organizações da sociedade civil, negócios da sociobioeconomia, institutos de pesquisa, ensino e extensão, institutos de ciência, tecnologia e inovação, entidades de assistência técnica e extensão rural, instituições financeiras, entre outros.

O que é sociobioeconomia?

A sociobioeconomia é um dos quatro eixos do PNDBio (junto com Bioindústria e Biomanufatura, Biomassa, e Ecossistemas Terrestres e Aquáticos). Ela se concentra em promover um modelo de desenvolvimento que:

  • Integra saberes tradicionais e conhecimentos científicos para a gestão sustentável da biodiversidade.
  • Garante que comunidades locais, especialmente povos indígenas, quilombolas, extrativistas e agricultores familiares, sejam protagonistas e beneficiários das atividades econômicas.
  • Promove a justiça social, reduzindo desigualdades e ampliando o acesso a mercados, tecnologias e oportunidades econômicas.

*Com informações do Ministério do Meio Ambiente e Mudança de Clima

Edital prorroga inscrições para restauração em terras indígenas

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O edital ‘Floresta Viva – Terras Indígenas’, que vai investir R$ 8,8 milhões em projetos de restauração ecológica em terras indígenas, foi prorrogado.

Agora, as organizações que queiram submeter propostas para esse edital poderão se inscrever até o dia 27 de fevereiro.

A chamada do edital é focada em projetos de recuperação ambiental que estejam aliadas ao fortalecimento econômico e social das comunidades indígenas e vai selecionar até quatro iniciativas que serão desenvolvidas nos estados de Mato Grosso, do Tocantins e Maranhão.

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Edital prorroga inscrições para restauração em terras indígenas
Povos indígenas na luta pelos direitos. Foto: Divulgação / Agência Pará

Os recursos são aportados pela Fundação Bunge, pela Agrícola Alvorada e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

As inscrições são feitas por meio do site do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), que é responsável pela gestão técnica e financeira do edital.

Dúvidas sobre o chamamento podem ser encaminhadas por meio desse link até o dia 7 de fevereiro.

*Com informações da Agência Brasil

Entenda o que é e como funciona uma rede de apoio

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Em momentos de dificuldade, ninguém precisa ficar sozinho. É nesse contexto que a rede de apoio se torna fundamental, reunindo pessoas, serviços e instituições que oferecem acolhimento, orientação e suporte emocional e social.

Muito se fala atualmente da importância de uma rede de apoio, mas nessas situações, é preciso entender e conhecer instituições e políticas públicas que auxiliem nas crises sociais das mais diversas causas.

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O projeto Bella Causa, realizado pela Fundação Rede Amazônica (FRAM), foi criado com o intuito de reforçar a importância de iniciativas que promovam informação, orientação e oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional para mulheres vítimas de violência.

A rede de apoio é uma das ferramentas que ajudam essas mulheres:

Entenda o que é e como funciona uma rede de apoio

Leia também: Projeto Bella Causa leva orientações para mulheres vítimas de violência em Roraima

Bella Causa

O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.

É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da LB Construções e Engenharia, PauBrasil RR – materiais para construção e Governo de Roraima.

Bella Causa: confira como foi o primeiro dia do projeto em Roraima

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Foto: Willame Sousa

O projeto Bella Causa deu o ponto de partida nesta segunda-feira (26) em Boa Vista (RR). Realizado na Casa da Mulher Brasileira, o evento segue até o fim de janeiro com palestras, atividades educativas e diversas ações com foco no combate à violência contra a mulher.

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Na abertura, autoridades do Estado e representantes de entidades que defendem a causa participaram e contribuíram para a construção do projeto. E o principal: um grupo de mulheres engajadas em aprender e contar suas histórias.

“Eu acredito que hoje, com destaque, o projeto Bella Causa é onde a gente sabe que vai ter uma transformação na vida cotidiana, através da conscientização, através da capacitação”, comenta Denis Carvalho, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), realizadora do Bella Causa.

Leia também: Projeto Bella Causa leva orientações para mulheres vítimas de violência em Roraima

Para ele, o encontro representa um ponto de partida que revelou a força das mulheres: “Nós tivemos alguns depoimentos de mulheres que venceram, mulheres que estão em processo de superação. Eu acredito que o projeto Bela Causa vem com esse impacto com a sociedade de dar minimamente o poder de soltar a voz, de dar o seu grito de liberdade, e pode até ser um grito tímido, mas é um grito que vai dar o passo para a sua transformação como pessoa, como cidadã, como mulher”, principalmente como mulher, como mãe, como filha. Então, eu acredito que o Bela Causa, ele vai ser transformador e um lugar de acolhimento para essas mulheres”.

Confira alguns momentos do primeiro dia de encontros:

projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa
projeto bella causa roraima
Foto: Willame Sousa

Bella Causa

O Projeto Bella Causa surgiu da necessidade de oferecer suporte a mulheres que enfrentam violência doméstica, proporcionando oportunidades para que resgatem sua dignidade e busquem crescimento pessoal e profissional.

É uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da LB Construções e Engenharia, PauBrasil RR – materiais para construção e Governo de Roraima.

Comunidade quilombola em Rondônia é um dos poucos povos do Brasil autorizados a comer tartarugas e tracajás

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Comunidade Quilombola Pedras Negras é um poucos povos do Brasil autorizados a comer tartarugas e tracajás. Foto: Divulgação/WCS

Na Comunidade Quilombola Pedras Negras, às margens do rio Guaporé, em Rondônia, a tradição alimentar resiste ao tempo: o consumo de tracajá e tartarugas-da-Amazônia segue como parte da identidade cultural local. Os quilombolas estão entre os poucos povos autorizados por lei a consumir esses animais silvestres para subsistência.

Reconhecida como uma das mais importantes populações tradicionais do estado, a comunidade integra a região de São Francisco do Guaporé (RO). Sua história se estende por mais de dois séculos e está ligada à formação do estado. De acordo com a professora e moradora da região, Erineide Rodrigues, o território é ocupado por descendentes de pessoas escravizadas.

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A legislação ambiental permite que comunidades tradicionais — como quilombolas, indígenas e ribeirinhos — consumam carne de alguns animais silvestres para subsistência. Mas há regras: o consumo deve ocorrer apenas dentro dos territórios e não pode haver comercialização. Os limites existem para evitar que a prática ameace a sobrevivência das espécies.

O tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa) são quelônios aquáticos muito populares na Amazônia. A segunda é considerada a maior espécie de água doce do mundo, podendo ultrapassar 50 quilos. Já o tracajá, de porte menor, se destaca pela resistência: pode alcançar até 90 anos de vida, sendo um dos quelônios de água doce mais longevos da Amazônia.

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

Tradição da comunidade resiste ao tempo

A Comunidade Pedras Negras é uma das sete quilombolas reconhecidas em Rondônia. Com aproximadamente 30 famílias, vive principalmente do extrativismo, da coleta de castanha, do turismo comunitário e da pesca.

Os moradores contam que, embora o tracajá e as tartarugas estejam bastante presentes na alimentação cotidiana, eles evitam consumir a carne desses animais quando recebem visitantes.

Segundo o presidente da associação de moradores, Francisco Edivaldo Mendes, a medida serve para evitar que pessoas que não pertencem às comunidades tradicionais consumam o animal. Isso porque o consumo dos animais silvestres é considerado crime ambiental para quem não depende dela.

Conunidade de Pedras Negras. Foto: Jonatas Boni/Acervo Rede Amazônica RO
Conunidade de Pedras Negras. Foto: Jonatas Boni/Acervo Rede Amazônica RO

Na culinária local, a tartaruga é preparada de diferentes formas: assada, cozida ou frita. Mas o aproveitamento do animal vai além da carne. Os moradores mais antigos utilizam também a banha. Ela é processada e transformada em um creme, usado de forma caseira para cuidados na pele.

Outro produto utilizado pela comunidade são os ovos. Eles servem para o preparo de gemada e bolos. Já o uso do casco, era tradicionalmente destinado à confecção de artesanato, mas práticas como essas vem sendo deixada de lado ao longo dos anos.

Fiscalização e mudança de comportamento

De acordo com o superintendente do Ibama, César Guimarães, a legislação ambiental permite o consumo de quelônios por comunidades tradicionais quando a prática ocorre de forma cultural, tradicional e para subsistência. No entanto, a prática tem diminuído muito.

Guimarães ressalta que, mesmo nos casos permitidos por lei, é fundamental respeitar limites, para que o consumo ocorra de forma ordenada, sem colocar a espécie em risco de extinção. “Não é porque a lei permite que a pessoa possa sair matando 100 tartarugas”, destacou.

Caso uma pessoa não autorizada seja flagrada com partes do animal, pode ser multada em R$ 5 mil por cada exemplar, além de responder criminalmente.

Segundo o superintendente, as ocorrências desse tipo vêm diminuindo ao longo dos anos. Por muito tempo, o consumo de tartarugas era comum no estado e chegou a ser considerado símbolo de status — cenário que, segundo ele, mudou com o avanço da fiscalização e conscientização ambiental.

Conservação e risco de extinção

Ao longo da vida, os quelônios enfrentam uma luta constante pela sobrevivência, principalmente na fase de filhote, quando sofrem ataques de aves, jacarés e grandes felinos. Segundo o biólogo Flávio Terassini, de centenas de ovos, apenas poucos indivíduos conseguem chegar à idade adulta.

Para contribuir com a conservação da espécie, foi criado em 1979 o Projeto Quelônios da Amazônia (PQA), coordenado pelo Ibama. A iniciativa atua na preservação das tartarugas de água doce da Amazônia por meio do manejo de ninhos, soltura de filhotes e ações de educação ambiental.

No sul de Rondônia, especialmente no Vale do Guaporé, na fronteira com a Bolívia, o projeto ganha destaque durante o período de desova, transformando a soltura de filhotes em um evento anual voltado à recuperação das populações ameaçadas e ao uso sustentável pelas comunidades locais.

No último balanço divulgado, referente a 2024, cerca de 1,5 milhão de tartarugas foram devolvidas à natureza. A estimativa é que, neste ano, o número seja semelhante.

Apesar do volume expressivo, levantamentos científicos apontam que, naturalmente, apenas cerca de 1,5% dos filhotes chegam à fase adulta. Com o manejo do projeto, essa taxa foi praticamente dobrada, alcançando aproximadamente 3% de indivíduos que atingem a idade reprodutiva.

Por Mateus Santos, da Rede Amazônica RO

Livro reúne décadas de história e pesquisas sobre o ecossistema de Várzea na Amazônia

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Um ecossistema que contribui para minimizar os impactos da crise climática, retém carbono e é fundamental para a subsistência das comunidades ribeirinhas. Assim é a várzea, ecossistema presente em toda a região amazônica.

O tema é a base do livro ‘Amazônia: as várzeas e as novas dialéticas’, lançado na quinta-feira (22) no auditório da biblioteca Lourenço José Tavares Vieira da Silva, na Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), campus Belém, no Pará. O livro está disponível na versão impressa e digital, para aquisição na Editora Paka-Tatu

Leia também: Três florestas em uma? Conheça os tipos de vegetação da Amazônia

A publicação é a junção de vários estudos desenvolvidos dentro do “Projeto Várzea”, fundado em 1994, ainda na antiga Faculdade de ciências agrárias do Pará (FCAP).

O projeto foi fundado pelo professor Manoel Malheiros Tourinho e desenvolvia estudos a partir do ecossistema de várzea, presente em toda a região amazônica. 

“A várzea é um ambiente inundado que abriga diversas espécies vegetais e animais , e que funciona como um berçário de muitas dessas espécies. É de lá que muitas comunidades ribeirinhas retiram seu sustento. É um ecossistema importantíssimo na contribuição para estoque de carbono e para enfrentamento da crise climática”, explica o pesquisador Silvio Roberto Miranda dos Santos, organizador do livro e membro do Projeto Várzea. 

A obra foi construída por meio de colaboração entre pesquisadores e antigos colaboradores que passaram pelo projeto desde a sua fundação, sendo dividido em três partes e com onze capítulos onde cada um dos parceiros descreve os conhecimentos das pesquisas desenvolvidas por eles. 

Imagem: Reprodução/Editora Paka-Tatu

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No livro é possível ter acesso a estudos sobre gênese da formação da várzeas; a importância da várzea para retenção de carbono na vegetação e solo; a importância na fauna silvestre na composição do carbono desse ecossistema entre outros. 

O pesquisador diz que a ideia do livro surgiu a partir da publicação de um artigo em uma revista científica.

“Percebemos que nosso material era muito mais do que apenas um artigo. De imediato pensamos que poderíamos fazer uma cartilha, mas ele era bastante diverso, havia tanta coisa que partimos para a ideia de publicar tudo isso em um livro”, disse o pesquisador. 

Leia também: Você sabe a diferença entre Igapó e Várzea?

O livro também é uma homenagem ao fundador e professor emérito da Ufra, professor Manoel Malheiros Tourinho. 

“Ele é o fundador do projeto Várzea, atravessou décadas à frente do projeto e, até o hoje, no auge dos seus 85 anos, sempre se faz presente. Ele sempre contribui muito nas pesquisas e nesse livro não foi diferente, ele se faz presente em três, quatro capítulos, inclusive no capítulo do final. Por isso o lançamento do livro vai ser um momento para muitos pesquisadores que estão aqui, muitos que foram formados a partir das orientações do professor Tourinho, de fazerem também uma homenagem ao grande mestre”, diz.

O Projeto Várzea

O projeto surgiu com inspiração nos estudos desenvolvidos pelo professor Rubens Rodrigues de Lima na Escola de Agronomia da Amazônia (EAA) sobre as várzeas amazônicas e a riqueza presente nesses territórios. Atualmente o projeto é formado por um grupo de pesquisadores que criam estudos sobre esse ecossistema na amazônia.

O projeto ainda se mantém ativo na produção de conhecimento científico sobre a região, agora como Grupo de Pesquisa, fortalecendo os estudos amazônicos e contribuindo para a compreensão da riqueza e complexidade desses territórios.

*Com informações da Ufra

A floresta não é rótulo

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Extrativismo na Amazônia: floresta em pé também é economia. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

Olímpio Guarany*

A COP passou e a bioeconomia virou palavra de ordem. No pós-COP, porém, a Amazônia precisa de resultados: dinheiro chegando na ponta, valor agregado no território e respeito ao conhecimento ancestral. Sem isso, repetiremos o velho modelo — matéria-prima barata saindo daqui e “Amazônia” vendida caro lá fora.

A palavra da vez — repetida em palcos, painéis e documentos — foi “bioeconomia”. Os holofotes se apagaram e a pergunta que realmente importa aqui no território é simples e direta: bioeconomia vai virar renda, dignidade e permanência para quem mora e vive da floresta — ou será apenas mais um slogan bem embalado?

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A floresta não é rótulo
Foto: Reprodução/Embrapa

Se a resposta for a segunda opção, estaremos diante de um velho roteiro com roupa nova: a Amazônia segue exportando matéria-prima barata e importando produto pronto caro; segue fornecendo insumos e recebendo migalhas; segue sendo celebrada como “salvação do planeta”, mas tratada como periferia econômica.

A bioeconomia que interessa à Amazônia não é a do discurso bonito. É a da vida real.

O pós-COP precisa dar nome ao risco mais antigo: a captura de valor fora do território. A cena é conhecida. Uma empresa chega, compra a andiroba barata, leva embora o valor — e depois devolve ao mundo um produto premium com uma história “amazônica” no rótulo. Um pingo no creme, uma gota no perfume, um selo verde na embalagem. E pronto: vende-se “Amazônia” em prateleiras distantes, enquanto quem produziu continua preso à instabilidade, ao atravessador e à falta de infraestrutura.

Isso não é bioeconomia. Isso é extrativismo comercial disfarçado.

Bioeconomia de verdade é quando a floresta em pé gera riqueza no território, com mais etapas da cadeia produtiva acontecendo aqui: beneficiamento, controle de qualidade, rastreabilidade, marca, logística, acesso a mercado, inovação e industrialização leve. E, acima de tudo, com regras claras de repartição de benefícios quando houver uso de patrimônio genético e conhecimento tradicional associado.

No pós-COP, duas Amazônias disputam espaço. A primeira é a do marketing: bonita, fotogênica. A segunda é a Amazônia real: a do produtor, do extrativista, do ribeirinho, do indígena, da comunidade tradicional — os donos de conhecimentos ancestrais e os guardiões do território, que sustentam, na prática, a floresta em pé. Quando esses atores ficam no fim da fila do financiamento e do mercado, a bioeconomia vira uma promessa vazia.

E é por isso que o pós-COP precisa cobrar uma mudança de rota: financiamento direto e desburocratizado para quem está na base, e não apenas para grandes estruturas que “representam” a Amazônia sem necessariamente viver dela.

Bioeconomia com gente no centro: mulheres fortalecendo cadeias extrativistas. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

O que precisa acontecer agora?

De forma objetiva, a Amazônia precisa ver pelo menos cinco movimentos:

1) Dinheiro chegando na ponta
Linhas de crédito e fundos voltados a organizações comunitárias, cooperativas e negócios da sociobiodiversidade, com assistência técnica e capacidade de elaboração de projetos — para que o recurso não fique concentrado.

2) Cadeias produtivas com valor agregado e mercado
Apoio real a cooperativas, beneficiamento local, rastreabilidade e acesso a compradores — para transformar o “produto da floresta” em produto competitivo.

3) Economia circular como regra, não exceção
Resíduo não pode ser lixo. Resíduo é matéria-prima. A bioeconomia moderna exige aproveitar subprodutos e reduzir perdas, aumentando renda e diminuindo impacto ambiental.

4) Proteção do conhecimento tradicional e repartição de benefícios
Sem isso, o discurso de bioeconomia pode virar uma nova forma de apropriação. É indispensável garantir respeito, consentimento e repartição justa de ganhos sempre que a biodiversidade e os saberes tradicionais entrarem em cadeias produtivas e inovação.

5) Governança com as pessoas no centro
A floresta não é cenário: é território habitado. Bioeconomia não pode ser construída “sobre” as comunidades; tem que ser construída “com” elas — com protagonismo, transparência e justiça.

A Amazônia não precisa de mais promessas; precisa de uma régua simples para medir o que está sendo feito. Se, nos próximos meses, não for possível responder “sim” a estas perguntas, algo está errado:

  • O extrativista e o produtor estão ganhando mais?
  • A comunidade está vendendo com menos atravessador e mais valor?
  • O beneficiamento está acontecendo aqui ou fora?
  • O conhecimento tradicional está protegido e remunerado?
  • O financiamento chegou direto na ponta?
  • A floresta em pé está valendo mais do que a floresta derrubada?
Manejo comunitário da andiroba: renda no território e valor agregado. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

Conclusão: o pós-COP começa na dignidade

A bioeconomia que o mundo diz querer da Amazônia só faz sentido se produzir um resultado básico: dignidade e renda para quem mora e vive na floresta e da floresta. Sem isso, a Amazônia vira apenas uma marca — e o território, um fornecedor barato de riqueza alheia.

A COP passou. Agora é a hora do essencial: menos palco, mais entrega.
Menos narrativa, mais cadeia produtiva.
Menos “pingo no creme”, mais valor no território.

Porque a Amazônia real não pode ser coadjuvante da própria riqueza.

Cadeias produtivas: o desafio é capturar valor aqui — não só exportar matéria-prima. Foto: Laura Lobato/Projeto Saúde & Alegria

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Sobre o autor

Olimpio Guarany é jornalista, documentarista e professor universitário. Realizou expedição histórica, navegando o rio Amazonas, desde a foz até o rio Napo (Peru), por onde atingiu o sopé da cordilheira dos Andes (Equador) no período 2020-2022 refazendo a saga de Pedro Teixeira, o conquistador da Amazônia (1637-1639). Atualmente é apresentador do programa Amazônia em Pauta no canal Amazon Sat.

*O conteúdo é responsabilidade do colunista