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Estireno em Manaus: HUGV orienta sobre cuidados imediatos após inalação do gás

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CIATox do HUGV registra aumento na procura por informações sobre o estireno e reforça quais medidas devem ser adotadas em caso de exposição. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM

O vazamento de estireno, registrado em Manaus (AM) no dia 15 de julho, elevou a procura da população por informações sobre os riscos da exposição à substância e as condutas adequadas diante da inalação do produto. Desde o episódio, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que funciona no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), da Rede HU Brasil, passou a registrar aumento no número de atendimentos por telefone.

O estireno é uma substância química utilizada na fabricação de plásticos e resinas. A inalação do produto pode causar irritação das vias respiratórias e dos olhos, além de provocar manifestações que variam conforme o tempo de exposição, a concentração no ambiente e as condições de saúde da pessoa.

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Segundo a chefe da Unidade de Farmácia Clínica do HUGV, Sangely Mendonça, responsável pelo atendimento do CIATox, a maior parte das ligações recebidas pelo serviço na quinta-feira (16) é de pessoas que buscam informações para terceiros.

“As pessoas ligam para saber como orientar a família, colegas de trabalho e moradores de áreas próximas. A demanda realmente está bastante alta”, afirma.

Entre os sintomas mais relatados por quem procurou o serviço nas últimas horas estão o desconforto respiratório, que costuma surgir logo após a exposição, além de irritação nos olhos, no nariz e na garganta.

Medidas imediatas em caso de exposição ao estireno

De acordo com Sangely Mendonça, a primeira providência é interromper imediatamente a exposição ao produto.

“Ao perceber que está em uma área contaminada, a pessoa deve sair imediatamente do local e procurar um ambiente aberto e ventilado, onde não haja contato com a substância. Se estiver dentro de casa e tiver condições de ir para outro ambiente seguro, essa também é uma orientação importante”, explica.

Caso haja irritação nos olhos ou na pele, a recomendação é lavar a região com água corrente em abundância. Se as roupas tiverem sido expostas ao produto, recomenda-se retirá-las assim que possível para reduzir o contato.

A especialista destaca que alguns sinais exigem avaliação médica imediata. “Dificuldade para respirar, sensação intensa de falta de ar, desmaio e dor importante no peito são situações que requerem atendimento de urgência”, alerta.

O que não fazer em caso de exposição

Uma das recomendações é não recorrer à automedicação para aliviar sintomas respiratórios ou outros desconfortos sem avaliação de um profissional de saúde. Também não é indicado permanecer na área contaminada pelo estireno acreditando que os sintomas desaparecerão espontaneamente, já que a continuidade da exposição pode agravar o quadro.

Sobre o uso de máscaras, a especialista ressalta que os modelos convencionais não oferecem proteção contra gases tóxicos. “Existem equipamentos específicos utilizados em ambientes industriais, mas eles não fazem parte da rotina da população. Mesmo em ambiente hospitalar, a recomendação é utilizar equipamentos de proteção adequados quando disponíveis”, salienta. Também é importante não ignorar sintomas persistentes e procurar atendimento médico imediatamente.

Leia também: Queimadas e clima seco: saiba como proteger a saúde das crianças nesse período 

Tratamento após a exposição

Pessoas que apresentarem sintomas após a exposição ao estireno devem procurar uma unidade de saúde ou, em situações de urgência, acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192). O tratamento é direcionado às manifestações apresentadas pelo paciente.

“Não existe antídoto para essa substância. O tratamento é sintomático e de suporte, ou seja, depende dos sintomas apresentados pelo paciente. Se houver falta de ar ou desconforto respiratório persistente, é fundamental procurar um serviço de pronto atendimento para avaliação e, se necessário, realização de oxigenoterapia e outras medidas de suporte”, enfatiza.

Enquanto houver risco de exposição ao estireno, a população também deve acompanhar as informações divulgadas pelos órgãos responsáveis pela ocorrência. “É importante acompanhar as notícias para verificar quais regiões podem estar sendo atingidas, porque esse produto pode se dispersar para outras áreas. Assim, as pessoas conseguem evitar permanecer em locais onde a concentração ainda seja maior”, pontua Sangely.

Estireno em Manaus: HUGV orienta sobre cuidados imediatos após inalação do gás
Centro divulga cuidados em caso de exposição ao estireno. Foto: Divulgação/HUGV-Ufam

CIATox

O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) funciona 24 horas por dia e presta atendimento à população e aos profissionais de saúde em casos de intoxicação e exposição a produtos químicos, medicamentos, animais peçonhentos e outras substâncias tóxicas.

Além do atendimento à população, o serviço oferece suporte técnico aos profissionais de saúde responsáveis pela condução desses casos. “Orientamos tanto a comunidade quanto os profissionais de saúde. Médicos que tenham dúvidas sobre o manejo desses pacientes também podem entrar em contato conosco para receber orientação técnica e acompanhamento”, finaliza a responsável pelo serviço.

O atendimento é realizado pelos telefones (92) 3305-4702 e 0800 722 6001.

Plano de Contingência

Na quinta, o Colegiado Executivo do HUGV-Uam reuniu-se para aprovar o plano de contingência para o enfrentamento a “Exposição Acidental a Gás Tóxico (Estireno)”. O documento visa estabelecer diretrizes para resposta rápida diante da escalada de contaminação ambiental por estireno, visando proteger pacientes, acompanhantes, trabalhadores e visitantes, assegurando a continuidade da assistência hospitalar e reduzindo os riscos decorrentes da exposição ao agente químico.

“A criação do Comitê de Crise e a aprovação do plano de contingência permitem que o hospital esteja preparado para responder de forma organizada e eficiente a eventuais situações de risco, garantindo a proteção dos nossos pacientes, acompanhantes, trabalhadores e demais usuários dos serviços do HUGV”, finalizou o superintendente em exercício do HUGV-Ufam, André Mourão.

*Com informações do HUGV-Ufam

Prefeitura amplia calçada e ciclovia entre João de Barro e Cidade Satélite

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Obras ampliam em 3 km a calçada e a ciclovia da Avenida Dom Aparecido. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

A Prefeitura de Boa Vista segue investindo na ampliação da mobilidade urbana. Desta vez, a Avenida Dom Aparecido, que liga os bairros João de Barro e Cidade Satélite recebe obras de construção de calçada e ciclovia, ampliando a infraestrutura do local em mais 3km de extensão.

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A intervenção busca garantir mais acessibilidade, segurança e conforto para quem utiliza a via diariamente, além de melhorar a integração entre os dois bairros e promover um deslocamento mais seguro e eficiente para pedestres, ciclistas e motoristas.

De acordo com o secretário municipal adjunto de Mobilidade Urbana, Gino Falcão, a previsão é que os serviços sejam concluídos em agosto e trará diversos benefícios à aos moradores da região.

Prefeitura amplia calçada e ciclovia entre João de Barro e Cidade Satélite
Intervenção garante mais acessibilidade, segurança e mobilidade entre os dois bairros. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

“Essa obra também fortalecerá a integração entre os bairros João de Barro e Cidade Satélite, facilitando o acesso da população a escolas, unidades de saúde, estabelecimentos comerciais e demais serviços públicos”, destacou o secretário.

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Desde 2021, a Prefeitura já implantou 164 km de calçadas, distribuídos em mais de 310 trechos da cidade. Com a conclusão da ciclovia da Avenida Dom Aparecido, Boa Vista passará a contar com 50 km de malha cicloviária.

“É a melhor coisa que a prefeitura está fazendo, porque vou ter um espaço seguro para andar”, disse a moradora, Ana Cristina. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV

Investimento fortalece acessibilidade e qualidade de vida da população

Ana Cristina Lira é moradora do bairro João de Barro. A bicicleta é o principal meio de transporte dela e da família. Por isso, ela comemora os investimentos em ciclovia, por onde passará a trafegar com mais segurança.

“Estou achando essa obra muito boa. Vai melhorar bastante o nosso deslocamento, porque eu e meu marido usamos a bicicleta todos os dias. Pela manhã, eu passo por esse trecho. É a melhor coisa que a prefeitura está fazendo, porque vou ter um espaço seguro para andar”, disse a moradora.

Animais domésticos também pedem atenção especial durante o verão amazônico

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Foto: Iqbal farooz via Pexels

Praia, piscina ou igarapé? Em julho, as férias escolares e o calor chamam para pelo menos um desses destinos e as famílias planejam passeios e viagens com todos seus integrantes, incluindo os pets. Se a sua opção é levá-los junto ou deixá-los sob outra supervisão, saiba que os animais domésticos precisam de cuidados específicos para manter a saúde e o bem-estar durante o verão amazônico.

Segundo o relatório sobre o Estado do Clima Global 2025, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história.

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Diante desse cenário, Adriano Braga Brasileiro de Alvarenga, docente da Faculdade de Medicina Veterinária do Instituto de Medicina Veterinária (IMV/UFPA Campus Castanhal) e especialista em Comportamento e Bem Estar Animal, explica que as temperaturas elevadas já atingem os animais, pois atrapalham a dissipação do calor corporal, causam desidratação, estresse térmico e insolação. Filhotes, idosos e obesos, os de pelagem escura ou densa, além daqueles com doenças cardíacas ou respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis.

Em caso de altas temperaturas, “o animal deve ser levado para um local fresco, receber resfriamento gradual com água fresca para permitir a termorregulação e ser encaminhado ao médico veterinário”, ressalta o professor.

Avaliar o consumo de nutrientes também é fundamental neste período. Adriano Alvarenga afirma que a alimentação não deve mudar, mas é essencial focar em alimentos frescos e evitar refeições pesadas nos horários mais quentes do dia. Certos animais podem reduzir o apetite durante o verão, desde que continuem bem hidratados e saudáveis.

Leia também: Verão amazônico exige cuidados redobrados com pele e olhos: especialistas dão dicas

Disponibilizar pontos de água limpa é útil para estimular a ingestão. O professor alerta que a hidratação reduz diversas patologias, entre elas, as urinárias. “Outra boa opção é implementar o enriquecimento sensorial com alimentos dentro de cubos de gelo, pois ocupa o tempo do animal e proporciona hidratação adicional ou indireta”, recomenda Adriano.

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Animais domésticos precisam de atenção redobrada no período de calor mais intenso. Foto: Pedro Bentes

Animais podem sofrer com estresse e ansiedade durante viagens

O calor também acende um alerta para maior proliferação de pulgas, carrapatos e mosquitos. “Também são comuns dermatites e problemas gastrointestinais relacionados ao calor. A alta umidade do ar amazônico também pode favorecer doenças causadas por fungos”, reforça o especialista. É importante manter os animais domésticos em locais bem preservados e buscar protetores solares específicos, sobretudo para aqueles de pouca pelagem ou de cor clara.

Caso prefira aproveitar o verão passeando com os pets, priorize o início da manhã ou fim da tarde, um tempo de duração curto e em locais arborizados, pois a temperatura amena protege as patas de queimaduras. Já, se você estiver planejando uma viagem, é necessário considerar as condições prévias do animal como saúde, idade e temperamento, visto que algumas espécies sofrem com maior ansiedade e estresse.

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Se esse for o caso do seu animal, talvez seja preferível deixá-lo com um cuidador de confiança ou hotel especializado. Para qualquer desses responsáveis, repasse informações como rotina, alimentação, medicamentos, comportamento, além de deixar seus contatos e do médico veterinário, além de orientações em caso de emergência.

Adriano Alvarenga destaca que o bem-estar animal é o fator decisivo. “Animais expostos pela primeira vez a um novo ambiente como o carro, podem apresentar comportamento aversivo, enjoo e até vômito. O ideal é expor o animal a pequenos passeios prévios para o organismo se adaptar”, recomenda o professor.

Por isso, destinos conhecidos como pet friendly, que possuam boa estrutura veterinária, com áreas de sombra ou que não exijam longos períodos de esforço e de exposição ao sol são as melhores opções.

Nos trajetos de carro, utilizar a caixa de transporte ou cinto de segurança apropriado é indispensável, além de paradas para hidratação e realização das necessidades fisiológicas, lembrando de nunca deixar seu pet sozinho no veículo. Já nas viagens em transportes maiores como aviões, o mais recomendado é seguir as normas da companhia e consultar o médico veterinário antes do embarque.

Mesmo com tantos detalhes, o professor enfatiza que esses cuidados são básicos para evitar desconfortos e tornar a experiência proveitosa para toda a família.

“Planeje a viagem com antecedência, mantenha a vacinação e controle de parasitas em dia, leve água, alimentação, medicamentos, documentos do animal e os objetos com os quais ele está acostumado, como pelúcias e bolas. O objetivo é garantir a segurança e uma experiência positiva para o pet, evitando que ele associe a viagem e a estímulos aversivos”, finaliza Alvarenga.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 178, escrito por Karina Moraes

Uso do cloro na água garante segurança da saúde pública mundial; entenda como

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Foto de capa: Reprodução/Águas do Pará

Considerada uma das etapas mais importantes do processo de tratamento da água, a presença do cloro faz parte dos procedimentos de controle e vigilância exigidos pela legislação brasileira para consumo humano. Conhecido por sua alta capacidade de descontaminação, a cloração consiste na aplicação do elemento no líquido após a captação nos lagos e mananciais até chegar de forma potável na casa dos consumidores.

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As Estações de Tratamento de Água (ETAs) são obrigadas a atender a Portaria nº 888/2021, do Ministério da Saúde, que determina que os sistemas públicos de abastecimento mantenham uma concentração mínima de cloro residual na água, justamente para preservar sua qualidade até o momento em que chega ao consumidor para consumo.

Para a engenheira química Rosilene Gomes Costa, o uso do cloro na rede de abastecimento é fundamental para garantir os padrões de potabilidade da água destinada à população.

“Nós, como consumidores, não temos a visão a olho nu do cloro na água, e sim a água tratada. A água só é considerada potável quando ela passa por vários sistemas de regularização para estar dentro dos padrões de potabilidade da legislação brasileira, são essas normas da engenharia sanitária que traz a segurança hídrica para o abastecimento público”, explica Rosilene, que é mestra em engenharia química pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

Critérios para uso do cloro

De acordo com os critérios da Portaria nº 888/2021, a norma estabelece uma quantidade concentrada mínima de 0,2 mg/L e máxima de 2 mg/L de cloro na água para assegurar uma proteção contínua durante todo o seu percurso na rede de abastecimento.

“A água tratada não pode ser só dentro da estação de água, por exemplo, daí a importância do gestor da água de cada localidade em fazer um estudo com alta precisão. A presença do cloro tem que ser calculada dentro de toda uma engenharia até chegar na sua casa da população com o mesmo padrão de qualidade exigido pela legislação”, ressalta Rosilene.

Uso do cloro começa no processo de captação das águas nas ETAs.
Processo de desinfecção começa no processo de captação da água de lagos e mananciais, nas Estações de Tratamento da Água (ETAs). Foto: Reprodução/Águas do Pará

Importância para saúde pública mundial

Rosilene destacou ainda que o uso do cloro é fundamental para a garantia da saúde pública mundial.

Foto: Reprodução/Arquivo Rede Amazônica AM

“O cloro é, na verdade, um grande avanço para o mundo. O uso do cloro permitiu, por exemplo, a diminuição da mortalidade infantil, pois quando se tem uma etapa de desinfecção e cuidado com as águas, reflete na saúde pública. A Organização Mundial da Saúde já fez essa estimativa que quando você investe em água e saneamento, está investindo em saúde pública porque evita que a população passe por doenças de intestino, de pele e até infecção por bactérias e vírus. Tivemos a cólera no passado, tudo isso é eliminado com uma água de qualidade”, pontua a engenheira.

Saiba mais: Entenda a importância da cloração da água

Gomes reforça, ainda, que o uso do cloro faz parte de uma série de etapas do processo de tratamento de água, que começa na captação dos lagos e mananciais até a distribuição para consumo final dos clientes.

“Só lembrando que não é só o processo de desinfecção, mas o conjunto de processos que fazem parte disso como coagulação, floculação, clarificação, filtração e fluoretação. Todas essas etapas garantem uma barreira de segurança para que a água, que é o produto final, chegue com qualidade na casa das pessoas, e quando todos essas etapas são rigorosamente respeitadas, nós temos uma população saudável”, frisa a doutora.

Por fim, a engenheira recomenda que os consumidores podem acompanhar as informações sobre o tratamento da água como, por exemplo, a informação média do pH da água.

“Assim como os rótulos das garrafinhas de água mineral, a conta de água tem uma parte em que você pode verificar todos os dados do tratamento daquela água como, por exemplo, a informação média do ph. Nós, como profissionais, temos a preocupação de todas essas particularidades, mas o consumidor final precisa entender que a água que chega até ele potável e boa para consumo”, concluiu.

Águas que transformam

A entrevista com Rosilene Gomes Costa faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 15 de julho.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Imagem: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Assista a entrevista completa (a partir de 1:14):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’ AQUI.

De Rondônia para o mundo: cooperativa ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado

Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado. Foto: Reprodução/LaCoop Amazônia

Durante muitos anos, o café robusta foi visto apenas como um grão comum, destinado principalmente à indústria. Em Rondônia, essa história começou a mudar quando agricultores familiares passaram a investir em qualidade, inovação e cooperativismo. Hoje, cafés produzidos por essas famílias conquistam prêmios, cruzam oceanos e chegam às xícaras de consumidores em países como Coreia do Sul, China, Alemanha e Espanha.

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No centro dessa transformação está a Cooperativa dos Agricultores Familiares da Amazônia (LaCoop Amazônia), criada em 2017, quando um grupo de produtores percebeu que o café produzido na região tinha características únicas, mas enfrentava um desafio: comercializar microlotes de cafés especiais.

“A dificuldade que se tinha em comercializar microlotes de café fez com que reunissem um grupo de produtores e começasse a ideia de se criar uma organização que pudesse fazer isso por eles. Daí nasceu a Lacoop”, explica o diretor-presidente da cooperativa, Nildo Pereira.

Leia também: Estudo mostra que café robusta de Rondônia captura mais carbono do que emite

Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado. Foto: Janderson Dalazen

A partir da criação da cooperativa, os produtores passaram a trabalhar de forma coletiva para elevar o padrão dos cafés produzidos nas propriedades familiares. O foco deixou de ser apenas a produtividade e passou a incluir qualidade, sustentabilidade e agregação de valor ao produto.

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Da lavoura à xícara

Segundo Nildo Pereira, o diferencial do café produzido em Rondônia começa nas próprias características da Amazônia. O clima, a umidade e a nebulosidade influenciam o desenvolvimento dos grãos e ajudam a formar um perfil sensorial próprio, que hoje distingue o robusta amazônico no mercado de cafés especiais.

“Os cafés especiais na Amazônia e em Rondônia surgiram justamente pelo diferencial que é produzir na região amazônica, pelas características que esse produto tem em função de tudo que cerca a Amazônia, clima, nebulosidade, umidade. Tudo isso faz com que o café da Amazônia, o café de Rondônia e, em especial, o café robusto amazônico, o Matas de Rondônia, tenha características únicas”, disse.

Café Robusta Amazônico conquistou prêmios e chegou a mercados internacionais. Foto: Reprodução/LaCoop Amazônia

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Além das condições naturais, a cooperativa passou a orientar os produtores sobre boas práticas de manejo, uso racional de agroquímicos e protocolos de produção voltados à qualidade e à sustentabilidade. A proposta, segundo o diretor, é buscar um equilíbrio entre produtividade, preservação ambiental e retorno financeiro para as famílias.

“A forma de produzir o que mudou foi, de fato, alguns cuidados culturais, alguns tratos culturais que vêm de encontro com a qualidade, o zelo pelo uso racional dos agroquímicos de forma que não viesse a interferir na qualidade do café”, explicou.

Qualidade que abriu mercados

O investimento na qualidade começou a refletir nos resultados. Ao longo dos últimos anos, cafés produzidos por cooperados passaram a conquistar espaço nos principais concursos de cafés especiais de Rondônia e abriram portas para novos mercados.

“Hoje 70% de todos os cafés premiados em Rondônia, de uma certa forma, são de pessoas diretamente envolvidas na Lacoop”, informou.

O reconhecimento também ajudou a ampliar a presença do robusta amazônico no mercado internacional. Os grãos produzidos pelos cooperados já foram exportados para países da Ásia e da Europa, enquanto o mercado brasileiro continua sendo o principal destino da produção.

“Os cafés da cooperativa já chegaram a mercados asiáticos, principalmente Coréia, China, além de países da Europa, Alemanha”, disse.

Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado
Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado. Foto: Reprodução/LaCoop Amazônia

Mais do que reconhecimento, os prêmios também mudaram a forma como muitos produtores comercializam o café. Em vez de vender apenas o grão cru, parte dos cooperados passou a investir em marcas próprias e em todas as etapas de beneficiamento, agregando valor ao produto.

“Grande parte dos produtores premiados criaram as suas próprias marcas, estão fazendo o ciclo completo, torrando, moendo, empacotando e colocando nas grandes cafeterias Brasil afora”, informou.

Para Nildo Pereira, essa transformação é resultado de um trabalho construído ao longo dos últimos anos para mostrar que o robusta amazônico poderia ser reconhecido não apenas pela produtividade, mas também pela qualidade e pela identidade.

“Caracterizar o café produzido aqui como único, criar uma característica para ele, foi um diferencial, foi o que de fato fez com que hoje estivesse no nível que nós estamos”, explicou.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Obras de terraplenagem contemplam vias do bairro Pedra Pintada

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Para Cesário Nascimento, as obras refletem o compromisso da prefeitura com a qualidade de vida da população. Foto: Fernando Teixeira/PMBV

A Prefeitura de Boa Vista deu continuidade, nesta semana, às obras de terraplenagem no bairro Pedra Pintada. A rua Turquesa recebeu os serviços das equipes, que também seguirão para outras vias, como Ametista, Castelita, Safira, Esmeralda, Quartzo e Cristal, entre outras.

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O serviço já contemplou vias como Topázio, Jade, Pérola, Olho de Tigre, Turmalina e Turquesa, correspondendo a cerca de 1.500 metros de obras executadas no bairro. Segundo o secretário-adjunto municipal de Mobilidade Urbana (SEMOB), Gino Falcão, o trabalho promove qualidade de vida para os moradores do bairro e melhora o trânsito.

“Esse serviço leva para a população conforto e dignidade. Melhoramos o cotidiano de todos os moradores que se deslocam pelas ruas e avenidas. Com as obras, a população pode trafegar com segurança e comodidade pelos bairros da capital”, disse.

Obras de terraplenagem contemplam vias do bairro Pedra Pintada
Terraplenagem segue em ritmo acelerado e beneficia diversas ruas do bairro Pedra Pintada. Foto: Richard Messias/PMBV

A terraplenagem faz parte do compromisso da gestão de investir na infraestrutura e garantir melhorias para a população do Pedra Pintada. Além do serviço, o bairro foi contemplado com outras entregas, como o Complexo da Primeira Infância Missionária Pauline Suellen da Silva Andrade, composto pela Praça José Francisco Gomes, pelo Jardim Filtrante e pela Escola Municipal Professor Fridman da Cunha Nascimento.

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Morador do bairro há mais de uma década, Cesário Nascimento da Silva, de 63 anos, afirma que sempre está atento aos avanços promovidos pela Prefeitura no Pedra Pintada. Para ele, os investimentos reforçam o comprometimento da gestão com o cuidado às pessoas.

“Eu aprovo essas obras. Vivo aqui há muitos anos, e ver a rua onde moro recebendo esse serviço é muito bom. É a prova de que o bairro evoluiu bastante e vai continuar melhorando. Nós não fomos esquecidos, e a Prefeitura está cumprindo, todos os dias, a promessa de cuidar da gente. Estão de parabéns pela obra”, disse.

Nove pontos turísticos que mostram a diversidade da Amazônia brasileira

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Foto: Reprodução/Youtube-Instituto Soka Amazônia

A Amazônia ocupa mais da metade do território nacional e se estende por nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Além da floresta, o bioma – o maior do mundo – reúne rios, serras, áreas alagadas, unidades de conservação e territórios indígenas que compõem uma das maiores ofertas de turismo de natureza do país.

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De parques nacionais e estaduais a experiências de turismo de base comunitária, os destinos amazônicos oferecem atividades como observação de fauna, trilhas, passeios de barco, montanhismo, banhos de cachoeira e vivências com comunidades tradicionais.

As paisagens e os roteiros variam conforme as características ambientais e culturais de cada estado, ampliando as possibilidades para visitantes interessados em conhecer a Amazônia.

Confira alguns atrativos e destinos separados por estados que permitem explorar a diversidade de ecossistemas e as formas de interação entre conservação ambiental, cultura local e turismo na Amazônia.

Acre

No Parque Nacional da Serra do Divisor, o ponto mais ocidental do Brasil, o turista encontra um verdadeiro refúgio de ecoturismo e biodiversidade amazônica.

Na região do Rio Moa, é possível explorar trilhas na floresta tropical, banhar-se em um circuito de cerca de sete cachoeiras e observar mais de 1.200 espécies de animais, incluindo pássaros como a choca-do-acre e macacos endêmicos.

O ponto alto da contemplação fica no mirante da Serra, a 500 metros de altitude, que oferece uma vista panorâmica única para assistir a um dos últimos pôr do sol observados no território brasileiro.

A experiência na região é enriquecida pelo contato direto com as comunidades ribeirinhas e os territórios das etnias indígenas Nawa e Nukini, onde o turista pode ouvir histórias e lendas locais e saborear a gastronomia típica da floresta, com pratos à base de peixes de água doce e frutas regionais que constroem o cenário da Amazônia.

Parque Nacional da Serra do Divisor é considerado o ponto mais ocidental do Brasil e um dos locais para conhecer a Amazônia. Foto: Pedro Devani/Secom Acre

Amapá

Um dos principais destinos que unem turismo e natureza no estado é o Parque Nacional do Cabo Orange, localizado no extremo norte do país, onde o visitante pode realizar passeios de barco pelos rios e canais da região para observar extensos manguezais, campos alagados e uma rica fauna composta por guarás, garças e outras aves costeiras.

Já no coração do estado, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, considerado uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical protegida do mundo, atrai visitantes interessados em expedições pela floresta amazônica, trilhas, cachoeiras, corredeiras e observação da fauna, incluindo espécies como a onça-pintada, a harpia e o macaco-aranha.

Outro destaque é a região de Ferreira Gomes e Porto Grande, banhada pelo Rio Araguari, onde o turista pode aproveitar balneários naturais, navegar por rios de águas cristalinas, praticar pesca esportiva de espécies como o tucunaré e contemplar paisagens típicas da Amazônia preservada.

Localizado no extremo norte do Brasil, Parque Nacional do Cabo Orange une o que há de mais bonito de manguezais e uma rica fauna. Foto: Reprodução/Entre Parques

Amazonas

O Parque Nacional de Anavilhanas, em Novo Airão, reúne um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo, com centenas de ilhas e canais do Rio Negro, onde o visitante pode navegar por paisagens da floresta preservada, percorrer trilhas e observar botos-cor-de-rosa.

Em Presidente Figueiredo, conhecida como a “Terra das Cachoeiras“, o destaque são as trilhas que levam às quedas d’água, corredeiras e grutas em meio à floresta. Outro atrativo são os passeios pelos rios Negro e Solimões, que incluem caminhadas guiadas, pesca recreativa e a contemplação do Encontro das Águas.

Próxima a Tefé, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é referência em ecoturismo e turismo de base comunitária, oferecendo passeios por igarapés e vivências com comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Em São Sebastião do Uatumã, a experiência combina pesca esportiva, turismo sustentável e imersão na floresta, com passeios pela reserva, trilhas, e navegação pelo rio Uatumã.

Durante a temporada do tucunaré, entre agosto e dezembro, o município recebe visitantes do Brasil e do exterior, que também encontram na culinária regional, marcada por pratos à base de peixes amazônicos e pelo tradicional tucumã, um dos destaques da viagem.

Leia também: 10 lugares incríveis na Amazônia – Parte 1

Um dos maiores arquipélados fluviais do mundo, Parque Nacional de Anavilhanas fica localizado no município de Novo Airão. Foto: Ivo Brasil

Maranhão

A Comunidade Tradicional Praia de São Pedro, em Carutapera, localizada na Reserva Extrativista Marinha Arapiranga-Tromaí, oferece um roteiro de turismo de base comunitária que integra natureza, cultura e experiências da Amazônia conduzidas pelos próprios moradores.

Entre os principais atrativos estão as vivências com a pesca artesanal, incluindo o tradicional arrasto de camarão e a confecção de redes de pesca, além de passeios de canoa pelos manguezais e estuários (onde a água doce de um ou mais rios se encontra e se mistura com a água salgada do oceano); observação de aves, como os guarás; e contemplação de praias preservadas, lagos naturais e pôr do sol.

A experiência também valoriza a gastronomia local, com destaque para o tradicional avoado, em que visitantes compartilham peixes e frutos do mar preparados pelos pescadores à beira da praia.

O roteiro ainda inclui manifestações culturais, como a Festividade de São Pedro e o Festival de Verão da Praia de São Pedro, fortalecendo a identidade das comunidades tradicionais e promovendo a conservação ambiental por meio do turismo sustentável.

Numa paisagem que integra natureza, cultura e experiências regionais, Comunidade Tradicional Praia de São Pedro fica em Carutapera, em MA. Foto: Reprodução/Facebook-Giovano Rangel

Mato Grosso

No extremo norte de Mato Grosso, a Amazônia e sua floresta ganham força e revelam cenários de mata nativa intocada em municípios como Alta Floresta e Paranaíta.

O grande destaque da região são as Torres de Observação do Cristalino, estruturas de aço com até 50 metros de altura que ultrapassam a copa das árvores, permitindo ao visitante observar centenas de espécies de aves e primatas, incluindo o raro macaco-aranha-de-cara-branca.

O roteiro inclui a navegação pelas águas calmas do Rio Cristalino, caminhadas guiadas na Trilha da Castanheira, que leva a uma árvore milenar, e passeios de caiaque para ver o pôr do sol.

Já em Paranaíta, o turista pode explorar as formações rochosas do Canyon do Indiscreto no Rio Teles Pires e conhecer sítios arqueológicos com petróglifos antigos gravados nas pedras, consolidando a região como um polo de ecoturismo e aventura na Amazônia mato-grossense.

Com 50 metros de altura, as Torres de Observação do Cristalino permitem que os visitantes possam observar a copa das árvores e centenas de aves e primatas sobrevoando o local. Foto: Marcos Amend/Cristalino Lodge

Pará

No Parque Estadual do Utinga, refúgio urbano de biodiversidade amazônica na região metropolitana de Belém, o visitante explora trilhas em meio à floresta, pratica atividades ao ar livre como caminhadas, ciclismo e caiaque, além de observar animais silvestres como bichos-preguiça, macacos e uma rica diversidade de aves amazônicas.

Para quem busca o “Caribe da Amazônia“, Alter do Chão, em Santarém, revela, durante a estação seca, praias sazonais de areia branca e águas cristalinas do Rio Tapajós, como a famosa Ilha do Amor.

O roteiro pode ser ampliado com passeios pelos igapós da Floresta Encantada, trilhas guiadas na Floresta Nacional do Tapajós para contemplar imponentes samaúmas e uma imersão na cultura tapajônica, na gastronomia regional e no carimbó, elementos que fazem parte do cenário nortista e da Amazônia.

Já a Ilha do Marajó, maior arquipélago fluviomarinho do planeta, reúne praias como a do Pesqueiro, experiências de ecoturismo em fazendas tradicionais, observação de guarás, jacarés e búfalos, além da riqueza da cerâmica marajoara e da gastronomia típica, marcada pelo queijo do Marajó, pela carne de búfalo e pelos peixes amazônicos.

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Parque Estadual do Utinga, em Belém, é considerado o refúgio urbano da biodiversidade amazônica na região metropolitana da capital paraense. Foto: Divulgação/Parque do Utinga

Rondônia

Localizada no município de Cacoal, em Rondônia, a Terra Indígena Sete de Setembro abriga o povo Paiter Suruí, cujo nome significa “gente de verdade”.

O território reúne diferentes formações vegetais, como floresta tropical aberta, floresta densa e áreas de transição ecológica, compondo um cenário de grande biodiversidade cortado por rios e igarapés.

Mais do que um destino de visitação, a comunidade oferece uma oportunidade de conhecer experiências de turismo de base comunitária que valorizam a cultura indígena e a conservação ambiental.

No Complexo Yabnaby, os visitantes podem vivenciar aspectos do cotidiano Paiter, participar de trilhas guiadas, conhecer a gastronomia tradicional e compreender como o manejo sustentável da floresta faz parte da identidade do povo.

Os Paiter Suruí também se destacam pela produção de café orgânico e pela coleta de castanhas e sementes destinadas à recuperação de áreas degradadas.

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Habitado pelo povo indígena Paiter Suruí, Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal-RO, possui a cultura indígena e a conservação ambiental como experiências turísticas únicas. Foto: Emily Costa/Rede Amazônica RO

Roraima

Roraima reúne uma ampla variedade de roteiros voltados ao turismo de natureza, com opções que vão desde trilhas em serras e montanhas até passeios por rios e cachoeiras.

Entre os destinos mais procurados está a Serra do Tepequém, um dos mais famosos do estado, localizado no município de Amajari, e conhecido por suas cachoeiras e trilhas de diferentes níveis de dificuldade.

A região abriga uma fauna diversificada, com tamanduás, jabutis, araras, gaviões, garças e diversas espécies de aves.

Também no estado, o Monte Roraima é referência para o montanhismo e trekking na América do Sul, famoso por seus imensos paredões rochosos.

Já o Parque Nacional do Viruá, localizado em Caracaraí, é uma unidade de conservação que concentra diferentes ecossistemas e oferece atividades como caminhadas, passeios embarcados e observação da vida silvestre. É um dos principais pontos do Brasil para a observação de aves (birdwatching).

Situado em Amajari, Roraima, Serra do Tepequém é um dos destinos mais procurados do país e reconhecido como destino do ecoturismo nacional. Foto: Reprodução/Viagens e Caminhos

Tocantins

A cerca de 260 km de Palmas, o Parque Estadual do Cantão é uma unidade de conservação de aproximadamente 90 mil hectares. Com cerca de 900 lagos, o destino muda com as estações.

Na cheia, barcos navegam entre as copas das árvores da floresta alagada; na seca, surgem praias de areia clara e trilhas. Essa dinâmica torna o Cantão um dos principais destinos de ecoturismo do Tocantins, onde a observação da fauna também é uma das grandes atrações.

Ao longo dos passeios é possível avistar aves de diferentes portes, mamíferos, jacarés e, dependendo da época do ano, botos do Araguaia e tartarugas-da-Amazônia. Navegar pelos lagos e canais, caminhar por praias desertas e percorrer trechos de floresta preservada permite ao visitante conhecer um dos mais importantes mosaicos naturais do Brasil.

Um dos principais destinos de ecoturismo de Tocantins, Parque Estadual do Cantão conta com aproximadamente 90 mil hectares e cerca de 900 lagos. Foto: Reprodução/Site Mirante Mão de Deus

*Com informações do Ministério do Turismo

Índice de Democracia Ambiental mostra que Amazônia Legal apresenta baixo nível de transparência

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Foto: Reprodução/ICV

Novo levantamento divulgado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e pela Transparência Internacional – Brasil mostra que os Estados da Amazônia Legal seguem com baixos níveis de transparência, participação social e proteção a defensores ambientais.

Segundo o Índice de Democracia Ambiental (IDA), apenas a União alcançou a classificação “bom” na classificação geral, com 70,7 pontos de um total de 100. Nenhum dos nove Estados amazônicos avaliados chegou a esse patamar, sendo que a média deles foi de 40,8 pontos, classificada como “regular”.

Entre os Estados, quatro tiveram classificação “regular” e cinco, “ruim”, numa escala que vai de “ótimo” a “péssimo”. Mato Grosso liderou o ranking estadual, com 56,7 pontos, seguido por Pará (55,3), Amazonas (43,8) e Maranhão (41,9) — os quatro únicos a obter avaliação “regular”. Na sequência vêm Tocantins (39,6), Rondônia (36,2), Amapá (35,8) e Acre (35,5), todos com classificação “ruim”. Roraima fechou o ranking com a pior nota entre os entes avaliados, 22,8 pontos, classificado como “ruim”.

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O IDA foi lançado pela primeira vez em 2025. Nesta segunda edição, a metodologia de avaliação foi revisada, de modo que os resultados de 2026 não são diretamente comparáveis aos do ano anterior, apesar de algumas relações poderem ser feitas.

O Índice de Democracia Ambiental é uma iniciativa criada pela Transparência Internacional – Brasil e pelo Instituto Centro de Vida que avalia como os Estados da Amazônia Legal e a União promovem direitos em quatro dimensões: acesso à informação, à participação, à justiça e a proteção de defensoras e defensores ambientais. O IDA analisou 120 indicadores, buscando saber se a União e os Estados garantem uma governança socioambiental efetiva, justa e inclusiva; e se contribuem com a proteção de direitos socioambientais.

Veja aqui análises individuais por Estado.

Quatro dimensões avaliadas na Amazônia Legal

A dimensão mais crítica do IDA 2026 é a de proteção de defensores ambientais, com média de 15,1 pontos entre os Estados da Amazônia Legal, resultado classificado como “péssimo”. Roraima registrou o pior desempenho, com apenas 0,8 pontos, seguido por Acre (2,9), Rondônia (5,4) e Tocantins (5,7).

Esses números escancaram a ausência quase total de mecanismos de proteção essenciais para garantir um ambiente seguro para que pessoas, grupos e organizações que atuam na defesa de causas ambientais e na proteção de territórios possam atuar livres de ameaças e outras formas de violência. Mesmo o mais bem colocado, Mato Grosso, alcançou apenas 36,4 pontos, evidenciando que nenhum Estado oferece um nível minimamente satisfatório de proteção.

Apenas três Estados possuem programas próprios de proteção (Mato Grosso, Maranhão e Pará), sendo que os demais são atendidos pelo governo federal.

Outro gargalo identificado está no preparo das forças de segurança para proteger defensores. Dentre todos os entes avaliados, apenas o Amapá possui protocolo específico de atuação em casos envolvendo defensores ambientais, somente o Mato Grosso realizou capacitação sobre o tema e apenas o Executivo federal e Rondônia possuem protocolos para o uso de câmeras corporais no contexto de conflitos fundiários e/ou ambientais.

O acesso à participação social também aparece como uma das dimensões com os indicadores mais frágeis, com média geral de 37,6 pontos, classificada como “ruim”.

Roraima possui o pior desempenho, com apenas 12,3 pontos (“péssimo”), enquanto Tocantins se destaca como o Estado mais bem avaliado nessa dimensão, com 49,4 pontos — ainda assim, com um desempenho “regular” e distante de uma nota que possa ser considerada satisfatória.

floresta amazõnica. Fundo Amazônia
Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Os resultados demonstram fragilidades nos três espaços de participação analisados: conselhos de meio ambiente, conselhos de unidade de conservação e audiências públicas de processos de licenciamento ambiental.

A dificuldade de garantir a efetividade da participação da sociedade nas decisões ambientais permanece um gargalo estrutural em praticamente todos os Estados avaliados, o que limita o controle social e enfraquece a legitimidade das decisões ambientais, em especial aquelas que afetam populações locais e seus territórios.

Já a dimensão de acesso à informação tem média de 44,7 pontos, classificação “regular”, com grande disparidade entre os Estados: Mato Grosso lidera com 74,3 pontos (“bom”), enquanto Maranhão aparece na lanterna, com apenas 27,2 pontos (“ruim”).

Foram identificadas lacunas importantes em categorias de informação como autorizações de supressão de vegetação, autorizações de queima controlada, requerimentos e processos de regularização fundiária, Cadastro Ambiental Rural (CAR) e Guia de Trânsito Animal (GTA).

Esse descompasso indica que a ausência de transparência de dados e informações ambientais enfraquece a capacidade de acompanhamento e monitoramento das políticas públicas pela sociedade e de identificação e denúncia de possíveis irregularidades — incluindo crimes ambientais e ilícitos associados, como fraude e corrupção.

Leia também: Acre segue como um dos estados com pior desempenho em democracia ambiental na Amazônia Legal

O acesso à Justiça é a dimensão com melhor desempenho médio (65,9 pontos), classificada como “boa”. Ainda assim, o resultado permanece distante do ideal para assegurar a pessoas e comunidades o pleno acesso à justiça em questões ambientais, especialmente no que se refere à proteção de direitos, à reparação de danos e à responsabilização por violações ambientais.

O Pará se destaca como o mais bem avaliado, com 84,8 pontos (único estado a obter a classificação “ótima” de desempenho em alguma das dimensões) enquanto Roraima apresenta o pior resultado, com 38,7 pontos, resultado este considerado “ruim”.

Apesar dos desafios, a dimensão de acesso à justiça evoluiu em relação à primeira edição do IDA, em razão, entre outros fatores, da criação de novas estruturas especializadas e de ações de capacitação em questões socioambientais e fundiárias, implementadas no último ano pelo Judiciário, Ministério Público e Defensorias Públicas.

No geral, a nota final do IDA 2026 foi de 40,8 pontos, classificada como “regular”, um resultado puxado especialmente pela fragilidade na proteção de defensores e no acesso à participação, que seguem como os principais gargalos da democracia ambiental na Amazônia Legal.

Órgãos federais registram resultados melhores

A União apresentou um desempenho consideravelmente superior ao dos Estados em todas as dimensões, com nota final de 70,7 pontos — a única classificação geral “bom” do índice. O destaque é o acesso à Justiça, com 92,5 pontos, o melhor resultado entre todos os entes avaliados, inclusive acima do Pará, líder estadual nesse quesito.

A avaliação de proteção de defensores ambientais do Executivo federal também aparece em patamar muito superior ao dos Estados, com 62,8 pontos, mais de 25 pontos acima da nota do Mato Grosso, mais bem colocado nessa dimensão entre os Estados. Já no acesso à informação (71,9) e no acesso à participação (55,5), a União mantém vantagem expressiva sobre a média estadual.

“Os resultados do IDA 2026 mostram que ainda estamos muito longe de garantir direitos essenciais em questões ambientais na Amazônia”, resumiu a Coordenadora do Programa de Integridade Socioambiental da Transparência Internacional – Brasil, Olívia Ainbinder.

Ainbinder enfatiza que o aspecto mais preocupante da avaliação é a proteção de defensores e defensoras ambientais: “São essas pessoas que, muitas vezes, atuam na linha de frente, denunciando graves crimes ambientais e esquemas de corrupção associados ao desmatamento, à grilagem e ao garimpo ilegal. Precisamos proteger essas pessoas, para garantir a proteção da floresta”.

Olívia também afirma que, ao escancarar falhas estruturais, o IDA quer possibilitar o diálogo com os entes avaliados e a melhoria das políticas e práticas adotadas por eles.

Para a analista socioambiental do Instituto Centro de Vida, Júlia Mariano, a promoção da democracia ambiental é uma necessidade cada vez mais urgente na Amazônia, especialmente considerando o cenário socioambiental e climático que vivemos hoje.

“Promover a democracia ambiental implica em garantir os meios para uma participação informada, segura e efetiva da sociedade. Os resultados do IDA desse ano mostram que os Estados da Amazônia Legal ainda estão muito distantes de um cenário adequado, e que proteger a floresta, proteger os defensores e garantir participação social ainda não são tratados como uma prioridade. O IDA aponta para os problemas, mas também entrega um mapa do que precisa mudar para que possamos ter um avanço real na agenda ambiental”, explica.

A democracia ambiental é um instrumento crucial no combate à corrupção e aos crimes ambientais. Sabe-se que hoje muitos crimes ambientais estão associados a práticas de corrupção, como fraudes em licenças e autorizações, pagamento de propinas e lavagem de ativos como ouro, madeira e animais silvestres.

Recomendações

A partir desse diagnóstico, o ICV e a Transparência Internacional – Brasil apresentam o seguinte conjunto de recomendações voltadas a fortalecer a democracia ambiental nos Estados da Amazônia Legal e na esfera da União, com foco especial nas dimensões mais frágeis identificadas pelo índice:

Aprovação do Acordo de Escazú pelo Senado Federal, tratado regional já aprovado pela Câmara dos Deputados em novembro passado, que visa fortalecer o acesso à informação, à participação e à Justiça em temas ambientais e a proteção dos defensores e das defensoras ambientais;

Fortalecimento dos programas de proteção a defensores e defensoras ambientais nos níveis federal e estadual na Amazônia, com recursos adequados, e garantia de participação social, capacitação e protocolos de atuação das forças de segurança;

Disponibilização de informações ambientais essenciais em temas como exploração florestal, licenciamento e fiscalização ambiental, regularização ambiental e fundiária, garantindo sua atualização, completude e formato reutilizável;

Criação e reforço de estruturas especializadas em meio ambiente, questões fundiárias e em povos indígenas e comunidades tradicionais no Judiciário, Ministério Público, Defensorias e polícias, com capacitação de seus membros e adoção de iniciativas de Justiça itinerante;

Aprimoramento de instrumentos de participação social em temas ambientais, como conselhos e audiências públicas, assegurando inclusão, paridade de representação e ampla divulgação das atividades.

*Com informações do ICV

Indígenas se adaptam à redução significativa da superfície de água em seus territórios em Mato Grosso

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Suyani Terena às margens do rio Buriti, na aldeia Serra Azul, na Terra Indígena Tirecatinga. Foto: André Dib/Mongabay/Ambiental Media

O Alto Rio Juruena vive há mais de duas décadas sob forte expansão da fronteira agrícola em Mato Grosso. De 1985 a 2025, 50% da vegetação foi convertida em agropecuária, enquanto a bacia hidrográfica perdeu 14% da superfície d’água, conforme análise da InfoAmazonia a partir de dados do MapBiomas.

O rio Juruena correm por 1.080 quilômetros ao norte, alimentado por afluentes como Papagaio, Arinos e Sangue. Ele conecta o Cerrado e a Amazônia e é responsável por 60% da água que chega ao Tapajós, sendo seu principal formador.

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No Alto Rio Juruena, as terras indígenas protegem 3,54 milhões de hectares de vegetação da Amazônia e do Cerrado. Mas tamanha conservação não as blindou da perda de 55% da superfície de água de 1985 a 2025.

A Terra Indígena Tirecatinga, banhada pelos cristalinos rios Buriti e Papagaio, perdeu 75% de seus corpos d’água em quatro décadas (283,4 hectares). Isso contribuiu para um contexto de insegurança hídrica e alimentar também enfrentado por outros territórios da bacia.

Indígenas da bacia do Alto Juruena se adaptam à redução da superfície de água na região
Entre 1985 e 2025, os territórios Tirecatinga, Utiariti e Paresi foram três dos cinco mais afetados pela redução da superfície d’água na bacia. Arte: MapBiomas

O verão na Terra Indígena (TI) Tirecatinga, no oeste de Mato Grosso, nos últimos cinco anos, é mais marcado por tempestades com ventos mais fortes e chuvas carregadas de raios, que podem provocar incêndios. Falta o sereno da alvorada e fica quente demais para caçar. A desova dos peixes atrasou, afetando a pesca. O calor também trouxe mais mosquitos e, por consequência, aumentaram os casos de dengue.

Já o inverno está mais seco, mais curto e sem geada. Com a falta de chuva nesse período, lagoas nas cabeceiras secaram e nascentes migraram. A estiagem adiou o plantio da roça de setembro para dezembro, além de atrasar a maturação de frutos silvestres, como jabuticaba e bacaba.

Em dezembro de 2024, ao final do ano mais quente já registrado no Brasil – e no mundo –, os povos Nambikwara, Terena, Manoki e Haliti, da TI Tirecatinga, reuniram-se para mapear os impactos climáticos e ambientais, identificar como afetam seus modos de vida e pensar em soluções.

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Cleide Terena, presidente da Thutalinãnsu. Foto: André Dib/Mongabay, Ambiental Media

O diagnóstico resultou no Calendário Ecológico de Tirecatinga, publicado em setembro passado e realizado pela Thutalinãnsu, a associação de mulheres do território, com apoio da Operação Amazônia Nativa (Opan) e da Rede Juruena Vivo. Ele servirá de base para a elaboração do novo Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da terra indígena e para a busca por políticas públicas de adaptação e mitigação.

“Quem sofre principalmente com a mudança climática? Somos nós. Quando vem aquela chuva forte, aquele vento forte arregaçando as casas, quem está aqui somos nós. Quando vem aquele sol quente queimando nossas plantas, nosso alimento, somos nós que estamos aqui. Quem está destruindo? Somos nós? Não somos, disse Cleide Terena, presidente da Thutalinãnsu, no lançamento do calendário na aldeia Serra Azul.

Tirecatinga é casa para 244 indígenas e protege 131 mil hectares no município de Sapezal, no Cerrado mato-grossense, em uma região de transição para o bioma Amazônia. O território fica na bacia do Alto Juruena, com cabeceiras e nascentes que alimentam esta importante sub-bacia do rio Tapajós.

“A gente observou como estão as ações que acontecem na natureza, como os animais estão vivendo, os rios, os peixes, os pássaros e como, através disso, a gente vai conseguir sobreviver”, conta Cleide. “A gente criou um instrumento para enfrentar esse grande momento das mudanças climáticas”.

Junto às terras indígenas Utiariti e Paresi, a Tirecatinga forma um corredor de 1 milhão de hectares de florestas, savanas e campos preservados na Chapada dos Parecis. O entorno, no entanto, é dominado por monoculturas de soja, milho, algodão e pastagens.

Vista aérea do rio Verde, na divisa da Terra Indígena Utiariti. Foto: André Dib/Mongabay, Ambiental Media

A agropecuária avançou sobre metade da vegetação nativa da bacia do Alto Juruena de 1985 a 2024, transformando 2,2 milhões de hectares em pastagens e áreas agrícolas, de acordo com análise da InfoAmazonia a partir de dados da plataforma MapBiomas. A combinação da crise climática com as mudanças na cobertura e no uso do solo contribui para um cenário de insegurança hídrica e alimentar.

Na beira do cristalino e veloz rio Buriti, na aldeia Serra Azul, Suyani Terena, filha de Cleide e vice-presidente da Thutalinãnsu, afirma que “o Cerrado é resistência”, “um bioma onde o fogo chega, pega, mas ele ressurge no outro ano, com muito mais flores, mais frutos”. Mas ela considera que essa resiliência está sendo colocada em xeque, diante de “muitos desafios e ameaças externas que vêm para o território”.

“As mudanças climáticas chegaram muito próximas da gente e o Cerrado vem se modificando aos poucos. Nossa preocupação é saber até quando vai continuar florescendo e sendo resistente, porque é onde nasce a água, a vida”, diz Suyani.

Vista aérea do rio Buriti e da vegetação do Cerrado na Terra Indígena Tirecatinga. Foto: André Dib/Mongabay, Ambiental Media

Rios sob pressão do clima e do agronegócio

O Alto Juruena perdeu 14% (3.193 hectares) da superfície d’água média de 1985 a 2025 – de 23.460 para 20.267 ha, conforme a análise da InfoAmazonia. O cenário é mais crítico dentro das terras indígenas da bacia hidrográfica: redução de 55% (3.932 hectares) da área de corpos hídricos no período, de 7.175 para 3.233 ha. A queda foi mais acentuada a partir de 2000, período que coincide com o boom das commodities e o avanço mais expressivo da soja em Mato Grosso desde meados dos anos 1990.

Com duas mil nascentes mapeadas, a bacia do Juruena se estende por 19 milhões de hectares. O rio principal percorre 1.080 quilômetros do Cerrado à Amazônia e contribui com mais de 60% da água que drena para o rio Tapajós, sendo seu principal formador. As terras indígenas, por sua vez, resguardam as maiores áreas de vegetação nativa na bacia, uma barreira ao avanço do agronegócio.

Rodrigo Marcelino, analista socioambiental do Instituto Centro de Vida (ICV), uma organização da sociedade civil que apoia povos indígenas no estado, observa que importantes rios da Bacia Amazônica, como Juruena, Teles Pires e Xingu, nascem no Cerrado mato-grossense e atravessam algumas das maiores áreas de produção de commodities do estado, onde são afetados pela irrigação, por barragens hidrelétricas e pelo uso de agrotóxicos. Assim, chegam aos territórios indígenas já impactados pela água.

“É onde se está jogando água para o espaço sem parar, tanto para as lavouras, que extraem muito dessa água, como para os processos de degradação do solo, em que a perda de umidade é gigantesca”, diz Marcelino. “No período da seca, que está ficando extremo, perdemos tanta umidade que o solo fica completamente exposto e as florestas totalmente suscetíveis aos grandes incêndios”.

Na TI Tirecatinga, houve redução de 75% da superfície d’água de 1985 a 2025, uma redução de 283 hectares. Foi a quinta terra indígena mais impactada na bacia do Alto Juruena, tanto em área absoluta como proporcional, atrás das TIs Paresi (-95%), Juininha (-93%), Utiariti (-86%) e Ponte de Pedra (-80%). Os rios Buriti e Papagaio nascem fora do território e atravessam áreas de monoculturas de soja, milho e algodão em Sapezal – o terceiro município com maior valor de produção agropecuária do Brasil (R$ 7,5 milhões), segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Natanael Nambikwara, morador da aldeia Cabeceira do Jabuti, na Terra Indígena Tirecatinga. Foto: André Dib/Mongabay, Ambiental Media

Natanael Nambikwara se mudou para a aldeia Cabeceira do Jabuti em junho de 2018, uma região da TI Tirecatinga com sete nascentes que alimentam o córrego que dá nome ao local e deságua no rio Buriti.

“Dizem os mais velhos que onde tem lagoa, tem sucuri. Ela é a guardiã do córrego, da nascente”, diz Natanael, enquanto caminhamos pela mata em direção à cabeceira principal. “Quando a sucuri muda de lugar, aquela lagoa vai secar. Eu não acreditava, mas realmente é verdade. Não vimos mais sucuri”, desabafa.

Com quatro anos de secas extremas desde 2020, as cabeceiras do córrego do Jabuti começaram a baixar, as lagoas secaram e não se recuperaram mais, enquanto algumas nascentes migraram centenas de metros abaixo. “Era água bem corrente mesmo. Pior que até na época da chuva não está mais [corrente]”, conta Natanael.

Segundo a medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), de junho a agosto de 2024 não choveu em Sapezal; em setembro, caiu apenas 1,8 mm. Nos 12 meses daquele ano, a precipitação total do município foi de 1.392,2 mm, abaixo da média de 2.000 mm observada em anos sem seca extrema (2018, 2019 e 2025). Ao longo de 2024, Sapezal registrou 281 dias com temperatura média acima de 30 ºC. A chuva “está vindo aos pedaços” e localizada. “Agora, chove só para baixar a poeira mesmo. Não vem mais aquela chuva que segura a umidade”, diz Natanael.

Com os cursos d’água mais secos, animais importantes na dieta dos indígenas afastaram-se da aldeia de 19 habitantes. “Porções, pombas, veados, emas, jaó – a gente via direto, e sumiram”, observa Natanael. “Faz falta, porque nós sobrevivíamos disso. Agora, tem que andar longe atrás de caça”, pontua.

O resgate dos alimentos tradicionais

Em meio às secas, durante a pandemia da Covid-19, os povos da TI Tirecatinga perceberam o quanto estavam dependentes da cidade de Sapezal, a 60 quilômetros da aldeia mais próxima, para adquirir alimentos. “Os mercados fecharam as portas e foi um grande desespero. Naquele momento, a gente sentou para discutir como desenvolver a agricultura familiar, para ter segurança alimentar aqui dentro”, lembra Cleide Terena.

O território Tirecatinga se formou quando, nos anos 1940, missionários jesuítas se instalaram na região e atraíram indígenas de diversos povos em Mato Grosso. Ao final da missão, no começo dos anos 1970, muitos não conseguiram retornar às terras originárias, pois já tinham sido ocupadas por colonos sulistas. A terra indígena foi delimitada em 1983, e o trabalho nas fazendas vizinhas se tornou a única fonte de renda para as famílias.

“Na época dos meus avós, todo mundo tinha sua roça. Depois, ninguém se interessou mais em plantar frutas, araruta, feijão-fava, cará-roxo, os feijões, o milho-fofo, inhame”, lembra Cleide. Ela também conta que as estações secas mais quentes e as chuvas irregulares prejudicam o cultivo: “Os nossos alimentos não estavam conseguindo sobreviver. Plantamos a mandioca, e ela cozinhou dentro da terra porque estava muito quente”, recorda.

Em 2024, a Thutalinãnsu integrou o projeto Ancestralidades, do ICV e da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), com o objetivo de resgatar os alimentos tradicionais por meio da agricultura familiar. Então, receberam mudas das principais espécies para a cultura dos povos e contaram com assistência técnica da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), vinculada ao governo estadual, para adaptar os plantios das roças coletivas e dos quintais ao novo calendário climático.

“A gente trouxe a araruta de volta para o território. Duas aldeias plantaram. Foi emocionante o dia em que conseguimos colher”, destaca Suyani, que até então só ouvira falar do tubérculo nas histórias que sua mãe, Cleide, contava sobre as roças tradicionais dos avós. “A gente traz batata e cana que eram dos nossos ancestrais. Agora, está atrás dos milhos tradicionais. Hoje em dia, a gente busca plantar esses alimentos bem perto das nossas aldeias, para cuidar, regar”, conta.

Rodrigo Marcelino, do ICV, observa que o resgate dos alimentos tradicionais é uma forma de adaptação climática, ao transformar roças em sistemas agroflorestais: “É um resgate das formas de pensar a roça coletiva ou individual, para que seja biodiversa, sustentável, gere renda e alimente a família que produz, mas também enriqueça o solo e cuide da água, frisa.

Atualmente, 13 das 17 aldeias do território trabalham com agricultura familiar, sendo nove no projeto Ancestralidades, segundo Cleide. Quinze mulheres estão no Cadastro da Agricultura Familiar, com acesso a crédito rural e aptas a comercializar a produção. Elas ainda não conseguiram um excedente para vender em grande quantidade, porque as condições climáticas ainda afetam a produção, mas foi o suficiente para escoar nas feiras da cidade e, principalmente, garantir a segurança alimentar.

“A agricultura familiar tem um equilíbrio muito bom com a natureza e temos uma base alimentar saudável. É um trabalho que não exige várias pessoas, máquinas grandes. Não exige produtos químicos que podem afetar o território”, considera Cleide.

Os povos de Tirecatinga também cultivam frutas silvestres que, por conta do clima mais quente e das chuvas irregulares, estão ficando mais escassas ou cuja maturação ficou desregulada.

Durante uma colheita em uma mata na beira da estrada, Cleide observa que o cajuzinho-do-cerrado deu em 2025, mas caiu muito rápido por causa do calor e da “chuva do caju” fora de época – era em agosto, mas só tem chegado em setembro. Frutas como o birici e a goiabinha desapareceram do território.

Cleide Terena coleta frutos de cajuzinho-do-cerrado, também conhecido como cajuí (Anacardium humile), na Terra Indígena Tirecatinga. Foto: André Dib/Mongabay, Ambiental Media

Os povos de Tirecatinga têm se queixado principalmente da escassez do pequi, um fruto nativo do Cerrado e “riquíssimo em diversas culinárias no território”, diz Suyani. É consumido principalmente com carne e arroz ou como chicha, uma bebida fermentada. “A gente saía em um grupo de mulheres para catar pequi. Só que cada ano tem uma diminuição muito grande. Alguns não estão florescendo, dando fruto. Ele não consegue segurar as flores. Quando cai a chuva, derruba tudo”, explica.

“Nesses últimos tempos, o Cerrado não está dando com muita força. A gente se preocupa em perder nossos alimentos tradicionais pelas mudanças climáticas e por muita degradação da natureza”, acrescenta Cleide. “Com essa preocupação, a gente está trabalhando os calendários e trazendo nossos alimentos para cuidar ao nosso redor.”

Em busca de políticas públicas

Desde setembro de 2025, Cleide e Suyani viajam pela Amazônia Legal para apresentar o calendário. Participaram, por exemplo, da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro passado em Belém (PA), e de uma oficina de gestão territorial e ambiental dos territórios em Cuiabá (MT), organizada pelo Ministério dos Povos Indígenas. A Thutalinãnsu, por sua vez, agora integra o Fórum de Mudanças Climáticas de Mato Grosso. Segundo elas, povos como os Kurâ-Bakairi, os Rikbaktsa e os Manoki já demonstraram interesse em adotar este instrumento nos próprios territórios.

“Trazer o eixo da adaptação climática para os planos de gestão é crucial, porque os impactos nos territórios estão latentes. Não é mais superficial. É uma percepção entre todos os povos, que querem encontrar soluções e colocar em prática”, observa Marcelino.

Andreia Fanzeres, da Opan, considera que o calendário ecológico de Tirecatinga é “vanguardista”: “o que elas conseguiram foi o desenvolvimento de um instrumento novo, que poucos povos têm, ainda mais no Cerrado, e que pode ser exemplo para outras iniciativas”.

Em sua tese de mestrado, Fanzeres estudou a presença do componente climático nos instrumentos de gestão territorial e ambiental de terras indígenas no Brasil. Para ela, uma importante estratégia de adaptação e mitigação dos impactos consiste em “identificar o que é papel do município, do estado, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e construir políticas públicas e incidir para que sejam implementadas”.

Em maio deste ano, a Thutalinãnsu apresentou o calendário em um evento na Câmara Municipal de Sapezal. Além de entregar o material a políticos locais e a professores de escolas não indígenas, apresentaram ao poder público as propostas prioritárias para o território.

Entre as demandas estão a construção de casas mais resistentes às tempestades e a perfuração de poços artesianos para garantir acesso à água potável, medida fundamental diante da projeção de mais um ano de seca extrema, devido ao El Niño. Por enquanto, conseguiram uma vaga de agente de saneamento básico para o território e desenvolvem uma parceria com universidades federais para analisar o valor nutricional das frutas silvestres.

“Se está muito quente, não vamos conseguir plantar nossa mandioca, mas a gente busca uma política pública para irrigar. Nossas casas não vão suportar [as tempestades], mas a gente busca melhorias”, observa Cleide. “A gente está aqui para buscar uma condição que vai fortalecer a cultura, mas também trazer uma adaptação ao que está ocorrendo ao nosso redor”, finalizou.


Esta reportagem foi produzida pela Unidade de Geojornalismo InfoAmazonia, com o apoio do Instituto Serrapilheira.


*O conteúdo foi originalmente publicado pela Infoamazonia, escrito por Kevin Damásio

Samaúma de 80 anos é tombada como patrimônio em Macapá

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O decreto de tombamento da samaúma atendeu a um pedido do Ministério Público estadual. Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

A samaúma de mais de 80 anos, localizada em frente à Procuradoria-Geral de Justiça, no bairro do Araxá, na Zona Sul de Macapá, foi tombada pelo governo do Amapá em 8 de julho. O decreto atende pedido do Ministério Público do Estado (MP-AP), que considera a árvore símbolo da sua história e das políticas de proteção à sociedade e ao meio ambiente.

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O tombamento garante proteção legal à Samaúma e impede corte ou exploração da árvore, com o objetivo de preservar a flora amazônica. O decreto proíbe supressão, exploração, poda abusiva, transplante ou qualquer intervenção sem autorização que comprometa a saúde da árvore.

Segundo o procurador-geral Alexandre Monteiro, o MP já cuidava da árvore, mas agora, com o decreto, a responsabilidade é maior.

“O Ministério Público se espelha nessa árvore para ser guardião dos direitos da população e dos bens do Estado. Já cuidávamos dela, mas agora temos obrigação legal de protegê-la com ainda mais carinho”, disse Monteiro.

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Foto: Mariana Ferreira/Rede Amazônica AP

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Samaúma já estava no local antes da construção da procuradoria

De acordo com o MP, um estudo aponta que a árvore tem mais de 80 anos e cerca de 30 metros de altura. Quando o terreno da Procuradoria foi comprado, a árvore já estava lá.

Desde então, o MP cuida da árvore. Hoje, além do simbolismo, ela dá nome à praça em frente ao órgão.

“O terreno foi comprado em 2005 e, em 2013, inauguramos a Praça da Samaúma. A árvore é de grande porte, com raízes profundas, e representa um bem ambiental de extrema relevância, oferecendo proteção às espécies e ao ecossistema ao redor”, disse Monteiro.

Com mais de 80 anos, a Samaúma acompanhou várias transformações do Amapá. Ela já existia desde o período do antigo território. Hoje, por causa do clima, a Samaúma está com folhas secas e aguarda o período de floração nos próximos meses. A árvore também dá nome ao tradicional Luau da Samaúma, evento do MP que reúne gastronomia e cultura ao redor da planta.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP