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Negócio do Acre aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal

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Além do Cacau trabalha com identidade amazônica e expõe produtos no Inova Amazônia Summit, em Rio Branco. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

Transformar um ingrediente tradicional do Acre em um produto capaz de chegar a diferentes mercados é a proposta de um empreendimento acreano que desenvolveu um chocolate artesanal com farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, do interior do estado.

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A iniciativa une gastronomia, identidade regional e inovação e se conecta à proposta do Inova Amazônia Summit, realizado entre os dias 17 e 19 de setembro, em Rio Branco, para discutir negócios baseados na biodiversidade e no potencial econômico da Amazônia.

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A farinha de Cruzeiro do Sul, que possui Indicação Geográfica (IG) desde 2017, foi escolhida para ser um dos elementos centrais da primeira barra de marca própria da empresa. O ingrediente é incorporado ao chocolate para garantir crocância e, ao mesmo tempo, levar para o produto uma referência direta à cultura acreana.

A sócia-proprietária da Além do Cacau, Halianne Peres, explica que a escolha do ingrediente une gastronomia, identidade regional e inovação e transformou uma matéria-prima tradicional em parte de um produto com circulação nacional e internacional.

Chocolates com farinha regional são feitos com 40% e 56% de cacau, acima do mínimo que é preciso para ser considerado chocolate. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

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“Nós queríamos traduzir os sabores do Acre através do chocolate e era necessário selecionar um ingrediente para isso. Nós escolhemos a farinha de mandioca de Cruzeiro do Sul, que tem essa identidade geográfica e, para além disso, é um ingrediente que representa a nossa cultura. Nós quisemos aproveitar, unir essa parte da nossa cultura com uma inovação para o chocolate”, explicou.

A escolha também interfere diretamente na experiência de quem prova o produto. Segundo Halianne, a farinha não é utilizada para alterar a estrutura da massa, mas para criar uma textura diferente.

A barra, batizada de ‘O Acre Existe’, tornou-se o carro-chefe da marca. A produção é feita por um parceiro da empresa, que recebe a farinha enviada para manter a receita e a produção exclusivas do negócio acreano. “Ela é uma farinha bem crocante. Quem não conhece, quando come o chocolate, pensa que é um amendoim ou uma castanha. […] Ela traz a crocância”, contou.

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal
Halianne Peres é socia-proprietaria do negócio ‘Além do Cacau’, que usa farinha de Cruzeiro do Sul na confecção de chocolates artesanais do Acre. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

A estratégia é transformar a identidade regional em parte do próprio produto. O nome da barra brinca com uma pergunta que, segundo Halianne, ainda aparece quando ela apresenta o Acre fora do estado.

“Quando as pessoas perguntam: ‘o Acre existe?’ quando a gente está viajando, eu falo: ‘existe e você pode provar através do chocolate'”, reforçou.

Negócio que vai além do chocolate

A barra com farinha é apenas um dos produtos dentro da estratégia da Além do Cacau. A empresa funciona como uma curadoria de chocolates artesanais brasileiros e reúne cerca de 50 sabores, além de café cultivado no Acre, nibs de cacau, pastas e um chá com sabor e aroma de chocolate.

A loja física foi inaugurada em dezembro de 2021, mas a atuação da empresa não ficou restrita ao espaço. A marca participa de feiras e eventos no Acre e em outros estados e mantém vendas para diferentes regiões do Brasil e também para o exterior.

Empresa também trabalha com outros produtos e expõe no Inova Amazônia Summit, em Rio Branco. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

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A trajetória começou a partir de uma mudança profissional de Halianne, que é administradora e passou quase duas décadas no setor financeiro. A relação com o empreendedorismo, porém, começou ainda na infância, acompanhando a mãe, com quem hoje divide a sociedade na empresa.

A transição para o setor de chocolates veio acompanhada da intenção de criar um negócio que tivesse, além do retorno financeiro, uma relação com pequenos produtores, sustentabilidade e valorização cultural.

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

A empresária também buscou trabalhar com chocolates com uma composição mais simples, sem aromatizantes e gordura hidrogenada, em uma proposta diferente da adotada pela indústria convencional.

“Nunca foi sobre vender chocolate, não foi só sobre vender produto. É sobre trazer e criar conexões, respeitando as nossas culturas, valores e a sustentabilidade”, afirmou.

Ingrediente que representa a região

É justamente a transformação de matérias-primas e conhecimentos amazônicos em produtos com maior valor agregado que aproxima a história da Além do Cacau da proposta do Inova Amazônia Summit.

Para o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a realização do encontro no Acre é uma oportunidade de apresentar produtos e negócios amazônicos a compradores e investidores do Brasil e de outros países.

“O Acre foi selecionado pelo destaque no programa Inova Amazonia, realmente demonstrando seu potencial da diversidade biológica que nós temos aqui, e isso foi o grande diferencial para o evento ser sediado aqui este ano. O melhor ainda é que estamos fazendo um evento internacional, então este ano realmente vai demonstrar a grandeza que é esse evento”, frisou Rosa Nakamura, gestora de Inovação do Sebrae no Acre.

Inova Amazônia Summit reúne bioeconomia e negócios no Acre. Foto: Renato Menezes/Rede Amazônica AC

Nesta edição, 90 pequenos negócios ligados à bioeconomia dos nove estados da Amazônia Legal participam do Summit. O evento também tem 20 representantes de Indicações Geográficas (IGs), além de rodadas de negócios nacionais e internacionais e rodadas de investimentos para startups e outros negócios inovadores.

Do Acre, são 30 startups, segundo o Sebrae, além de representantes de duas Indicações Geográficas: o açaí de Feijó e a farinha de Cruzeiro do Sul, justamente o ingrediente usado pela Além do Cacau na barra que se tornou o principal produto da marca.

Negócio do AC aposta na identidade amazônica e usa farinha regional em chocolate artesanal. Foto: Walace Gomes/Rede Amazônica AC

“Tudo é possível se transformar. Através da inovação, eles conseguem transformar aquele simples produto em um produto inovador para que possa, acelerado, se expandir até entrar no mercado, até internacional”, falou.

Da farinha ao mercado internacional

A história da Além do Cacau mostra, na prática, esse processo. Um ingrediente tradicional, associado à alimentação e à cultura de uma região específica do Acre, passou a fazer parte de um produto que é apresentado em feiras, eventos e mercados fora do estado.

A empresa também já participou de iniciativas apoiadas pelo Sebrae, incluindo uma loja colaborativa durante a COP30 e a ExpoAlimentaria, feira internacional realizada na América Latina. Durante a COP30, segundo Halianne, os produtos enviados para a loja colaborativa foram vendidos integralmente.

A participação em eventos também se tornou uma estratégia para ampliar o alcance da marca e criar contato direto com consumidores.

“A gente está sempre em eventos externos, fora da loja, para justamente criar essas conexões. Quando a pessoa já vem aberta para conhecer novos negócios, novos empreendimentos, a gente consegue fazer essas conexões”, explicou.

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Além do Cacau também trabalha com chá de cacau. Foto: Renato Menezes/g1

A proposta, no fim, é fazer com que a origem do produto seja parte de seu valor, e não apenas uma informação na embalagem. No caso da barra ‘O Acre Existe’, a farinha de Cruzeiro do Sul não aparece somente como ingrediente: ela é a conexão entre o chocolate, o território e a identidade que a empresa pretende levar para outros mercados.

“Tem quatro anos seguidos que a gente participa da Expoacre, então muita gente chega na loja através desses eventos externos, das feiras do Sebrae, outras feiras que a gente participa também. Aonde nos chamam, nós vamos e temos esse corpo a corpo com cliente, e aí a gente chega onde os nossos braços não estão conseguindo alcançar mais”, frisou.

*Por Renato Menezes, Rede Amazônica AC

Após seis meses na Guerra da Ucrânia, brasileiro volta e surpreende esposa em hospital de Rondônia

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Foto: Reprodução/Instagram-@myname_islm

Um vídeo de um reencontro familiar emocionante ganhou as redes sociais nos últimos dias. O registro mostra o momento em que Manrik Martins retorna ao Brasil e surpreende a esposa após passar seis meses na Ucrânia, onde serviu na guerra.

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Após 6 meses na Guerra da Ucrânia, brasileiro volta e surpreende esposa em hospital de RO: 'Fiquei em choque'
Manrik Martins passou nove meses longe do Brasil, sendo seis deles na Ucrânia. Foto: Reprodução/Instagram-@myname_islm

Manrik conta que deixou o Brasil sem a intenção de ir para o Leste Europeu. Antes de chegar à Ucrânia, ele passou três meses na Espanha e em Portugal e disse que decidiu seguir para o front ucraniano por impulso.

“Eu fiquei, ao todo, na Ucrânia por seis meses, mas longe do Brasil foram nove meses, né? Contando o período em que passei na Espanha e em Portugal”, detalhou.

Segundo Manrik, após concluir o treinamento militar, ele já havia decidido deixar a missão. No entanto, esperou resolver questões financeiras e bancárias antes de comunicar a decisão aos superiores, pois temia não receber o salário que havia sido prometido.

Leia também: Guerra na Ucrânia: conheça ex-militares que saíram do Amapá para lutar no conflito contra a Rússia

Depois de resolver as pendências, ele decidiu deixar o país. Manrik conta que, assim que comunicou a decisão aos superiores, passou a receber pressão para permanecer na Ucrânia.

De volta ao Brasil, o jovem disse que demorou a acreditar que havia chegado ao país. Enquanto isso, alguns familiares ajudavam a organizar a surpresa para a esposa.

“A maior dificuldade em manter o disfarce era o fato de que sempre fazíamos ligações de vídeo. Como ela queria saber onde eu estava e para onde ia, precisei inventar várias histórias, dizendo que estava indo para lugares diferentes para não estragar o plano”, relatou.

Foto: Reprodução/Instagram-@myname_islm

A surpresa aconteceu no hospital onde a esposa trabalha, em Chupinguaia (RO). Manrik explicou que o encontro ocorreu por coincidência, já que Rayane Barros estava de plantão naquele dia. No vídeo, ela aparece emocionada ao perceber que o marido havia retornado ao Brasil.

“Eu fiquei em choque. Não sabia se ria ou se chorava. Minhas pernas estavam tremendo e tive uma sensação de desmaio. Como eu iria chamar um médico, se eu era a própria médica de plantão?!”, brincou Rayane Barros, médica e esposa de Manrik.

Brasileiros na Ucrânia

Não é incomum ouvir português em áreas sob controle militar ucraniano. Agora, após uma reforma nos contratos e nos salários oferecidos a combatentes, as autoridades de Kiev esperam ampliar ainda mais a participação de estrangeiros na guerra contra a Rússia, inclusive de brasileiros.

Embora os números exatos sejam mantidos em sigilo por razões estratégicas, diferentes elementos apontam para uma presença significativa de brasileiros no conflito. Um deles é a existência de uma companhia militar formada majoritariamente por falantes de português e liderada por brasileiros.

Manrik Martins. Foto: Reprodução/Instagram-@myname_islm

Nas redes sociais, os canais oficiais de recrutamento de estrangeiros da Ucrânia publicam regularmente conteúdos em português, muitos deles convidando brasileiros a aderirem às forças ucranianas.

Outro indício são as contagens não oficiais de mortos e desaparecidos baseadas em anúncio públicos disponíveis na internet, que colocam o Brasil entre os países com maior número de combatentes estrangeiros mortos na guerra.

Durante a apuração desta reportagem, o país aparecia na terceira posição, com mais de 100 mortes, atrás de Estados Unidos e Colômbia.

Dados parecidos também são citados pelo Itamaraty, que confirmou 92 brasileiros desaparecidos e 35 óbitos. O número mais que dobrou desde dezembro do ano passado.

*Por Vallery Sena, da Rede Amazônica RO

Levantador de toadas do Boi Garantido, David Assayag será tema de escola de samba de São Paulo em 2027

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Levantador de toadas do Garantido, David Assayag, durante apresentação no Festival de Parintins 2026. Foto: Mauro Neto/Secom AM

O levantador de toadas do Boi Garantido, David Assayag, será tema de uma escola de samba de São Paulo no Carnaval de 2027. A Primeira da Cidade Líder anunciou no dia 19 de setembro, por meio das redes sociais, que levará para o Sambódromo do Anhembi o enredo “David Assayag, A Voz da Amazônia”.

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A escola, que será a 9ª a desfilar pelo Grupo de Acesso 2 de São Paulo, vai contar a trajetória do cantor amazonense e sua ligação com o Festival de Parintins. O enredo foi elaborado pelo carnavalesco Léo Del Pezzo, o Pai Léo, e aborda a ancestralidade, os povos da floresta, a religiosidade e a cultura popular amazônica.

“Nessa jornada simbólica, a floresta encontra o deserto, os maracás amazônicos encontram os tambores africanos e diferentes ancestralidades se unem através da música”, diz um trecho do anúncio do tema.

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Levantador de toadas do Garantido, David Assayag. Foto: Divulgação

No Sambódromo do Anhembi, a escola pretende apresentar a trajetória de David Assayag, conhecido pela atuação como levantador de toadas dos bois-bumbás Caprichoso e Garantido e por interpretar canções marcantes que potencializaram a voz da Amazônia.

O enredo também destaca a devoção do cantor à Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade de Parintins, no interior do Amazonas, e apresenta a música como elemento de ligação entre diferentes ancestralidades. A proposta é levar ao Anhembi uma homenagem à Amazônia a partir da história de uma de suas principais vozes.

‘Perreché tupinambá, auê auá’

Um trecho do samba-enredo divulgado pela escola neste domingo (20) destaca David Assayag como a “Voz de Parintins” e faz referências à cultura dos bois-bumbás e à “festa dos caboclos”. A letra também menciona as cores azul e vermelha, em referência ao Caprichoso e Garantido, e exalta a identidade amazônica ao apresentar a trajetória do cantor como símbolo da cultura popular da região.

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Levantador de toadas do Garantido, David Assayag
Levantador de toadas do Garantido, David Assayag. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica

Em outro momento, o samba destaca a expressão “Me chamam Menino David!” e faz referências à força e à identidade de David, em uma narrativa que relaciona o artista à cultura de Parintins e à Amazônia. A letra também menciona o levantador de toadas como “perreché tupinambá”.

Segundo a agremiação, o samba-enredo é assinado por Rafa Cria, Bruno Dallari, Junior Ary, Rafael Falanga, Rafael Moreira, Portuga, Vitor Gabriel, Gui Cruz, Luciano Rosa, Darlan Alves, Jorginho Milênio, Mala, Marçal, Reinaldo, Nikimba, Thiaguinho, Ratinho, Ivany Coelho, Imperial, Rodrigo Ressute, Pai Léo, Jacopeti, Willian Tadeu, Mário Presida, Rodolfo Minuetto e Rodrigo Minuetto.

*Por Jadson Lima, da Rede Amazônica Amazonas

Fumaça sobre Manaus acende alerta para cuidados que vão além da saúde respiratória

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Foto: Sérgio Andrade

O céu encoberto pela fumaça voltou a chamar a atenção dos moradores de Manaus (AM) em setembro e acende o alerta para cuidados com a saúde novamente. Além dos gases produzidos pela queima, a fumaça carrega micropartículas capazes de penetrar nas vias respiratórias e provocar efeitos até mesmo em pessoas sem histórico de doenças pulmonares.

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O pneumologista do Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e ao HU Brasil, Mário Sérgio Fonseca, explica que o contato com esses poluentes pode irritar diferentes regiões do organismo. Os primeiros efeitos podem aparecer nos olhos e no nariz e alcançar as vias respiratórias, incluindo traqueia e brônquios, provocando sintomas como tosse e desconforto respiratório.

“Ela é muito mais intensa e prejudicial para aqueles que já têm doenças pulmonares prévias. Indivíduos asmáticos, por exemplo, podem entrar em crise por causa dessa exposição”, destaca o pneumologista.

Mesmo quem não possui doença respiratória prévia pode sentir os efeitos. Irritação e vermelhidão nos olhos, coceira ocular, coriza, irritação na garganta e tosse estão entre as manifestações que podem surgir durante períodos de maior exposição, explica o médico.

Leia também: Fumaça de queimadas voltam encobrir céu de Manaus e qualidade do ar chega a nível ‘muito ruim’

Exposição contínua à fumaça exige maior atenção

Uma exposição pontual pode provocar desconfortos passageiros, mas o cenário merece maior atenção quando a pessoa permanece exposta à fumaça continuamente.

“Uma exposição contínua faz com que essas estruturas permaneçam comprometidas. Pode causar tosse, falta de ar e desconforto respiratório e, principalmente naqueles que já são doentes crônicos pulmonares, levar a uma exacerbação que pode culminar na necessidade de procurar um serviço de urgência”, afirma Mário Sérgio.

Os efeitos também não se restringem ao aparelho respiratório. O pneumologista chama atenção para pessoas com doenças cardiovasculares e para as gestantes. Componentes presentes na fumaça, como o material particulado e o monóxido de carbono, podem representar risco maior para esses grupos.

Imagem colorida mostra colunas de fumaça em Manaus causadas por queimadas
Fumaça também encobriu Manaus em 2024. Foto: Filipe Jazz/TCE-AM

Quando procurar atendimento?

É importante observar não apenas a presença dos sintomas, mas principalmente sua intensidade e a repercussão nas atividades cotidianas. Tosse eventual, irritação dos olhos e outros desconfortos podem ocorrer em decorrência da exposição. Alguns sinais, no entanto, precisam de maior atenção.

“Quando há uma falta de ar muito intensa, cansaço, dor torácica ou um desconforto respiratório importante que leva à limitação das atividades, são sinais de alerta que podem indicar a necessidade de procurar um serviço de urgência para uma avaliação adequada”, orienta.

Em dias de fumaça, é preciso mudar a rotina

Quando a qualidade do ar está comprometida, algumas atividades habituais também precisam ser reconsideradas. “Se tem muita fumaça no ar, fazer atividade física em ambiente aberto talvez não seja o ideal. A pessoa pode ficar extremamente desconfortável por causa disso”, explica o pneumologista.

Em casa, embora não seja possível eliminar completamente o contato com a poluição ambiental, permanecer em locais fechados e reduzir a entrada do ar externo durante os períodos de maior concentração de fumaça pode ajudar. Purificadores de ar também podem contribuir para diminuir a exposição.

Para quem precisa permanecer ao ar livre, como trabalhadores expostos durante a jornada, os cuidados devem ser reforçados. Manter uma boa hidratação, realizar pausas sempre que possível, evitar esforço físico excessivo e procurar locais com menor concentração de fumaça são algumas das medidas recomendadas pelo médico. O uso de máscaras também pode ajudar, principalmente, na proteção contra a fumaça.

*Com informações da Ufam

Cinco locais para observar aves e outros animais no Amazonas

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Parque Nacional do Jaú, em Novo Airão, é um dos locais onde é possível observar animais amazônicos. Foto: Josângela Jesus/ICMBio

O estado do Amazonas possui grande diversidade de áreas de floresta abertas para visitação, onde é possível conhecer parte da fauna amazônica em seu habitat natural. Entre unidades de conservação (UCs), reservas particulares e espaços construídos para fins de ecoturismo, atividades como trilhas, passeios ecológicos, caminhadas e atividades específicas de observação de animais ocorrem diariamente, principalmente durante o dia.

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Os passeios estão disponíveis tanto em Manaus quanto em outros municípios do estado. Confira cinco locais onde é possível conhecer a fauna amazônica e participar de atividades de ecoturismo disponíveis para os visitantes:

Museu da Amazônia (Musa) – Manaus

O Museu da Amazônia (Musa) ocupa uma área de 100 hectares dentro do Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus. Funciona como um museu a céu aberto, reunindo exposições com dados de pesquisas sobre a fauna e flora do local e sete trilhas abertas para passeio diariamente, entre 8h30 e 16h, exceto às quartas-feiras.

Um dos principais atrativos do Musa é a torre de observação de aves, com plataformas a 14, 28 e 42 metros de altura. Lá, visitantes podem levar seus binóculos e equipamentos de fotografia para registrar a fauna e a flora entre 9h às 17h, com visitas especiais para observar o nascer ou o pôr-do-sol mediante agendamento.

Cinco locais para observar aves e outros animais no Amazonas
Torre de observação do Museu da Amazônia. Foto: Rubenaldo Ferreira/Musa

Reserva Particular do Patrimônio Natural Daisaku Ikeda – Manaus

A Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN Daisaku Ikeda) é um espaço de 52 hectares de mata preservada em frente ao Encontro das Águas, onde as águas dos Rio Negro e Rio Solimões se encontram sem se misturar em um trecho de aproximadamente 6km.

O espaço pertence ao Instituto Soka Amazônia, que também promove atividades de turismo no local como caminhadas de observação de aves, passeios ecológicos e trilhas guiadas. Além dos passeios, a reserva também abriga exposições arqueológicas, um viveiro e um mirante com vista para o Encontro das Águas. As visitas devem ser agendadas, e o espaço funciona de segunda a sexta-feira, entre 8h30 e 15h30.

Observação de aves é um dos atrativos dos passeios na RPPN Daisaku Ikeda. Foto: Odette Gonçalves de Araujo/Instituto Soka

Floresta Nacional de Tefé – Tefé

A Floresta Nacional de Tefé é uma Unidade de Conservação (UC) de 865 mil hectares que existe desde 1989, mas passou a fazer parte do catálogo de destinos de turismo de base comunitária apenas nos últimos anos.

Somente na área da floresta, cerca de 1.300 espécies de aves estão catalogadas, além de répteis e mamíferos que podem ser observados e fotografados durante passeios.

Atividades como trilhas interpretativas, caminhadas de observação de aves e visitas a comunidades ribeirinhas são organizadas principalmente pela Associação de Produtores Agroextrativistas da Flona de Tefé e entorno (APAFE), e ocorrem sob agendamento.

Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas. Foto: Jucelino Costa/AmazonasTur

Caverna do Maroaga – Presidente Figueiredo

A Área de Proteção Ambiental (APA) Caverna do Maroaga em sua totalidade abriga uma área de 374.700 hectares de um conjunto de cavernas, grutas, cachoeiras e formações geológicas e trechos de floresta. O espaço conta com diversas trilhas que podem ser visitadas com o acompanhamento de guias credenciados todos os dias, entre 8h às 15h30.

Um dos maiores atrativos do local é o complexo de cavernas de formação arenítica onde se localiza a Caverna Refúgio do Maroaga, onde é possível observar diversas espécies de morcegos nativos. Além disso, aves como o Galo-da-serra, simbolo da região, podem ser observadas próximo aos paredões rochosos das cavernas.

APA Caverna do Maroaga reúne diversas grutas e cachoeiras, onde é possível observar aves, morcegos e peixes. Foto: Fabricio Ferreira Silva/Arquivo Pessoal

Parque Nacional do Jaú – Novo Airão

O Parque Nacional do Jaú é uma das maiores Unidades de Conservação de floresta tropical do Brasil, com cerca de 2,2 milhões de hectares em toda a sua área. Lá, são catalogados 445 espécies de aves, mas o número pode ser ainda maior. Também podem ser avistadas diferentes espécies de primatas, répteis e peixes, dependendo da época do ano.

O espaço possui trilhas terrestres e aquáticas, passeios e excursões específicas para observação e fotografia da fauna, tanto durante o dia quanto à noite. A permanência no Parque Nacional do Jaú é permitida 24h por dia, mas a entrada deve ser feita entre 7h e 20h.

Por sua grande extensão, os passeios são organizados por diferentes agências de turismo e podem partir de várias localidades, com acesso por barco ou pelas rodovias AM-070 e AM-352.

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A Praia da Velha, no Parna do Jaú, é um dos diversos pontos de observação da fauna na reserva. Foto: Josângela Jesus/ICMBio

*Por Marcela Orquiz, da Rede Amazônica AM

Pirarucu de manejo sustentável consolida presença na alimentação escolar pública do Amazonas

Foto: Francisca Lima/ASTRUJ

A cadeia do pirarucu tem transformado a realidade de comunidades tradicionais no interior do Amazonas. Resultado do manejo sustentável realizado por pescadores locais e comercializado pela marca coletiva Gosto da Amazônia, o pescado alia conservação da espécie, segurança alimentar, geração de renda e valorização da gastronomia regional, e já integra, desde 2017, a alimentação escolar da rede municipal de Manaus (AM).

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O manejo é feito por pescadores locais em 13 regiões do Amazonas. O processo envolve vigilância dos ambientes aquáticos, reuniões de planejamento e avaliação e contagem dos peixes nos lagos, além do cumprimento dos requisitos do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão responsável por autorizar a pesca e indicar a quantidade de peixes que pode ser retirada por região, a chamada “cota de pesca”.

Entre essas regiões está o Médio Juruá, onde a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), parceira da marca, trabalha para aproximar a produção manejada de diferentes mercados e ampliar as oportunidades de comercialização.

barriga de pirarucu crua
Foto: Rodrigo Azevedo

Inclusão do pirarucu na alimentação das escolas

Um dos principais mercados atendidos pela marca é a Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed). Há nove anos, a ASPROC participa de chamadas públicas por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Para atender à Semed, o pirarucu é comercializado em formato de filé, sem espinhas e em pedaços que variam de 1 a 1,5 kg. Isso facilita o preparo em grande quantidade, reduz desperdícios e proporciona maior segurança durante o consumo.

“É importante destacar a relevância da agricultura familiar na merenda escolar da rede municipal de Manaus. Ao adquirir alimentos de produtores locais, o município fortalece a economia regional, gera renda para as famílias do campo e garante alimentos mais frescos, nutritivos e de qualidade para os estudantes”, destaca Joseline de Almeida Araújo, nutricionista da Semed.

“Além de ser um peixe característico da Amazônia, rico em proteínas e nutrientes essenciais, sua apresentação sem espinhas oferece mais segurança para as crianças, reduzindo o risco de acidentes durante as refeições. Também proporciona mais praticidade para as equipes responsáveis pelo preparo da merenda, agilizando o processamento dos alimentos, diminuindo desperdícios e garantindo maior eficiência na produção das refeições”, complementa.

Leia também: Pirarucu de Casaca: um gigante da Amazônia na mesa e na economia do Brasil

A versatilidade do pescado também ganhou reconhecimento nacional. A receita “steak de pirarucu com banana-pacovã”, preparada no Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Manuel Bandeira, foi a vencedora estadual no 3º Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), do Ministério da Educação (MEC). A iniciativa reconheceu, a partir de votação popular, as melhores receitas de escolas públicas que acessam recursos do PNAE.

Expansão para novos mercados

A ASPROC também tem experiência com outros órgãos públicos. A primeira foi em 2014, quando a Secretaria de Educação do Estado do Amazonas (Seduc) lançou um edital com a espécie no âmbito do PNAE. Logo no ano seguinte, a iniciativa foi seguida pelo Exército Brasileiro. Atualmente, ambas as instituições são atendidas pela marca.

Outro fator marcante é o crescimento da produção manejada ao longo das temporadas, sobretudo no Médio Juruá. Em 2011, foram pescados 140 pirarucus em quatro ambientes aquáticos na região onde a ASPROC está sediada.

Já para este ano, a previsão é de que sejam pescados 7.700 peixes, cerca de 380 toneladas, em aproximadamente 170 áreas de pesca. Isso representa um aumento de mais de 1.800% na cota autorizada para pesca em cerca de 15 anos.

Embora fatores como distâncias geográficas, falta de estrutura e desafios de processamento, venda e distribuição estejam entre os principais gargalos, o crescimento da produção aumenta o potencial da marca para atender novos mercados institucionais.

A coordenadora de Comercialização da ASPROC, Ana Brito, analisa que compras institucionais por meio de políticas públicas, como PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), são uma oportunidade para fortalecer a comercialização da agricultura familiar amazônica.

“O pirarucu chegou no prato dos nossos alunos pra ficar. Com a demanda gerada por este mercado e o aumento da produção, se cria uma relação justa e equilibrada entre demanda e oferta. Com o controle da pesca, os volumes de pescado crescem a cada ano e com potencial pra atender todos os estados brasileiros que recebem recurso do PNAE e do PAA para compras públicas. O consumo do pirarucu manejado apoia as cadeias produtivas da Amazônia brasileira e a sociobiodiversidade”, afirma.

*Com informações da assessoria

BR-319 e a infraestrutura do agro

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Foto: Reprodução/DNIT

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

De acordo com estudo do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a deficiência de infraestrutura no agronegócio brasileiro gerou um impacto econômico da ordem de US$ 14 bilhões (R$ 72 bilhões) em 2025. O relatório identifica sérios gargalos, particularmente em armazenagem, transporte e escoamento, fatores altamente limitantes ao crescimento da produção agrícola brasileira até 2034. Segundo o USDA, o problema assume dimensões preocupantes, dentre as quais a incapacidade da infraestrutura não ter acompanhado a expansão das novas fronteiras agrícolas, especialmente no Norte e no Matopiba.

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Atualmente, a capacidade de armazenagem cobre apenas 60% a 70% da produção nacional (no Amazonas é praticamente zero), enquanto nos EUA ela equivale a cerca de 150% da produção anual. O déficit brasileiro é estimado em 134 milhões de toneladas. A eliminação do gap demanda cerca de R$ 140 bilhões em investimentos ajustados às idiossincrasias regionais. O estudo também destaca que a logística representa aproximadamente 30% dos custos de produção agropecuário, enquanto mais de 60% das rodovias, particularmente na Amazônia, encontram-se, no geral, em péssimas condições de tráfego, mesmo assim ameaçadas por xiitas ambientais apoiados pelo MMA.

Particularmente, no Amazonas a forte dependência do transporte rodoviário agrava o problema, sobretudo nos períodos de pico da estiagem, que tem se agravado nos últimos três anos. Para o USDA, a ampliação de ferrovias e hidrovias será fundamental para reduzir custos e sustentar o crescimento do agro brasileiro e da região. O transporte ferroviário pode reduzir o frete em até 25%, enquanto as hidrovias amazônicas vêm ganhando participação no escoamento da produção, mesmo enfrentando limitações estruturais e climáticas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou em Manaus aportes da ordem de R$ 235,8 milhões para ações de conservação, restauração ecológica e gestão territorial na Amazônia. Do total, R$ 180 milhões do Fundo Clima, destinados à restauração de mais de 10 mil hectares na Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará. Outros R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia, que se destinariam ao projeto Naturezas Quilombolas, voltado à gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal.

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APA Triunfo do Xingu. Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

Foi ainda anunciado o início da ativação dos seis primeiros Núcleos de Desenvolvimento da Sociobioeconomia (NDS), destinados “a reunir organizações locais, negócios comunitários e instituições públicas integrantes do programa Prospera Sociobio, criado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para fomentar negócios ligados ao segmento”. O investimento total é de R$ 70,2 milhões, sendo R$ 11,7 milhões por núcleo. Os recursos provêm do governo da Alemanha e serão geridos pelo banco alemão de desenvolvimento KfW. Um dos seis núcleos será implantado no território Juruá-Tefé, no Amazonas. Os demais ficam no Pará, Acre e Amapá. A previsão é de que os projetos sejam implementados ao longo de 48 meses.

Claramente, as iniciativas não passam de promessas oportunistas de campanhas eleitorais posto só comunicadas publicamente às vésperas do pleito de 4 de outubro. Por que não em 2023 ou 2024? Os anúncios, por outro lado, não apontam detalhamentos dos investimentos prometidos e as prioridades eleitas. Mais uma vez o Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), para o Amazonas, ficou para depois. Projeto há anos entocado na SEDECTI sem possibilidades de resolução. Por outro lado, o que exatamente significa NDS quando o Estado se depara com abissal deficiência no crédito especializado, na formação de técnicos agropecuários, zootecnistas, veterinários, no padrão da assistência técnica e extensão rural exercida pela Sepror/Idam, que se encontra na UTI, para dizer o mínimo?

Ante a ausência de política agrícola e de medidas voltadas a suprir o baixo nível tecnológico do setor, como acreditar na integração SUFRAMA/PIM/BIOECONOMIA, a matriz ideal para promover a diversificação e interiorização da economia amazonense na perspectiva 2073? A propósito, nenhum candidato ao governo do Amazonas se posicionou ou se posiciona a respeito. Não nesta campanha eleitoral, talvez na próxima, quem sabe. Os discursos, no geral, focam apenas em ganhos políticos de curto prazo, ignorando consequências fiscais resultantes de promessas eleitoreiras sem correspondência orçamentária e financeira.

Incansavelmente repetidas, simplistas sobre problemas econômicos complexos, além de absolutamente distantes do que realmente importa: respostas eficazes e responsáveis sobre os gargalos de nossa economia relacionados à crônica deficiência da infraestrutura social e econômica, ao saneamento básico, à saúde pública; ao ensino, pesquisa e extensão com vistas a integração da Zona Franca de Manaus e o estado do Amazonas ao mundo tecnológico 4.0. Até quando as classes política e empresarial, a sociedade continuará tolerando tal descalabro? Uma lástima republicana!

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Marca criada em Rondônia usa ativos da Amazônia em produtos para cabelos com curvatura

A marca rondoniense desenvolve produtos para cabelos ondulados, cacheados e crespos utilizando ativos da Amazônia, como óleos de cupuaçu, tucumã e buriti. Foto:

Uma marca de cosméticos criada em Rondônia aposta em ativos da Amazônia para desenvolver produtos voltados para cabelos ondulados, cacheados e crespos. A Gocca Cosméticos foi criada há dois anos pela empresária Taísa Arruda, que atua há 12 anos com cabelos com curvatura em Porto Velho.

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A experiência com clientes em um salão especializado nesse tipo de cabelo foi o que levou à criação da marca. Segundo a empresária, foram três anos de desenvolvimento até chegar às formulações dos produtos.

“Hoje, muitos produtos que as cacheadas consomem no Brasil tiveram o meu dedo, a minha participação na cocriação dessas marcas. Então, chegou o momento em que eu entendi que era a hora de lançar a minha própria marca”, explica Taísa.

A proposta da marca, segundo a empresária, é unir o cuidado com cabelos com curvatura ao uso de ingredientes da região amazônica. Todos os produtos possuem, de acordo com ela, pelo menos um ativo amazônico, que pode ser um óleo ou uma manteiga.

De acordo com a Taísa, o shampoo tem óleo de cupuaçu na composição, responsável por proporcionar um efeito aveludado, facilitar o desembaraço e evitar o ressecamento dos fios. Ela explica que marca também utiliza manteigas de tucumã e murumuru, que são altamente desembaraçantes e emulsificantes, além de apresentarem um bom rendimento.

Já os tratamentos profissionais têm um blend de óleos amazônicos, como babaçu, açaí e tucumã. O óleo de buriti também é utilizado em produtos da marca. Segundo a empresária, o ingrediente ajuda a formar uma película no fio, contribuindo para manter a água no cabelo e proporcionando maleabilidade, brilho e maciez.

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“Quando a gente fala de cabelo com curvatura, a gente precisa justamente de produtos que entreguem não só resultados, mas que sejam rentáveis, que a cliente consiga sentir, ter a sensação de que o cabelo está sendo envolvido por um produto. O desembaraço tem que ser assertivo, porque, se não você acaba demorando mais no banho para ter um resultado final”, diz Taísa.

Produto feito em Rondônia

Entre os produtos da Gocca está uma máscara sólida de nutrição produzida em parceria com uma comunidade de mulheres extrativistas de Ouro Preto do Oeste(RO).

Segundo a empresária, o óleo de buriti usado na máscara é extraído e beneficiado pelo próprio grupo de mulheres da comunidade. O produto também leva outras manteigas e óleos amazônicos e foi desenvolvido com a proposta de reduzir o uso de plástico e tornar a produção mais sustentável.

“A máscara não leva água na produção, a embalagem não leva plástico, e o plástico que envolve o produto é biodegradável. Até a caixinha de papel que embala a máscara foi produzida em Porto Velho. Então, ela é 100% Porto Velho”, comenta Taísa.

Marca criada em Rondônia usa ativos da Amazônia em produtos para cabelos com curvatura
Fotos: Reprodução/Instagram-goccacosmeticos

Segundo ela, a máscara sólida se tornou o produto mais vendido da marca, principalmente depois que os consumidores conhecem a origem do produto.

A marca já está em outros estados

Segundo a empresária, a Gocca já possui pontos de venda em salões de beleza e está presente nos 26 estados e no Distrito Federal. Os maiores públicos da marca estão na Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rondônia.

A venda para consumidores também é feita pelo site da empresa, enquanto a logística parte de São Paulo.

Em 2026, a marca participou de eventos no Paraguai e no Equador e também foi selecionada para participar da Beauty Fair, em São Paulo. A escolha ocorreu por meio de um edital do Sebrae Nacional que selecionou 20 empresas entre dezenas de concorrentes.

Para a empresária, a participação na feira representou a oportunidade de apresentar uma marca de Rondônia em um mercado nacional e internacional de cosméticos.

““Eu fiquei muito orgulhosa de estar nesse mar de marcas competentes, levando também uma marca de excelência do estado de Rondônia. Então, orgulho é a palavra que define esse momento. A partir de agora, a gente vai fortalecer ainda mais a marca em todo o território nacional. Nós já temos lançamentos previstos para este ano e para o ano que vem”, disse.

A empresária Taísa Arruda também afirma que a marca pretende ampliar a linha de produtos sólidos produzidos em Rondônia.

“Nosso principal objetivo hoje é criar uma fábrica de produtos sólidos dentro do estado de Rondônia, para fomentar não só a marca, mas o próprio estado, gerar novos empregos e utilizar as riquezas da nossa região de forma sustentável. A ideia é desenvolver produtos de excelência produzidos dentro do nosso estado, com possibilidade de exportação em um futuro próximo”, finaliza.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Indígenas retiram mais de 2 toneladas de tambaqui em primeira ‘despesca’ de projeto em Boa Vista

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A criação de tambaqui também ocorre em outras 5 comunidades indígenas da região. Foto: Francisco Sena/PMBV

Agricultores indígenas da comunidade Lago Grande, na zona rural de Boa Vista (RR), realizaram a primeira despesca de tambaqui (retirada de peixes dos tanques) após nove meses de criação. Ao todo, foram retiradas mais de duas toneladas de tambaqui. A comunidade fica localizada na região do Baixo São Marcos.

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A ação reúne cerca de 15 famílias e faz parte do projeto municipal Moro-Morí, criado em 2023. O tambaqui, espécie escolhida para a criação nos tanques, é o peixe mais consumido na Amazônia e o principal explorado no mercado de Roraima.

De acordo com o secretário municipal de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva, a produção tem dois destinos e busca dar autonomia aos moradores. “Uma parte desses peixes será destinada à comercialização e a outra consumida dentro da própria comunidade.

“Isso melhora a qualidade nutricional da alimentação, gera renda para as pessoas envolvidas e incentiva a continuidade do projeto. A comunidade, tendo condições, vai ampliando”, afirmou o secretário.

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Foto: Francisco Sena/PMBV

Tambaqui garante segurança alimentar

Para o coordenador do projeto na comunidade, Manoel Serafim, o trabalho garante segurança alimentar e incentiva o envolvimento dos moradores.

“Representa bastante na alimentação sustentável. Só tenho mesmo a agradecer e incentivar outras famílias, pois temos bastante para cuidar e tratar bem da nossa comunidade”, afirmou o coordenador.

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Desde o ano passado, a iniciativa já produziu cerca de 11 toneladas de peixes. Além da Lago Grande, a criação em tanques também ocorre nas comunidades indígenas da Ilha, Serra da Moça, Darôra, Campo Alegre e Vista Alegre.

*Por Lucas Almeida, da Rede Amazônica RR

Mudanças no boi Garantido: Lívia Christina assume como cunhã-poranga e Isabelle Alcântara é nova Rainha do Folclore

Lívia Christina performando no Festival Folclórico de Parintins em 2026. Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

O Boi-Bumbá Garantido anunciou, na noite de 19 de setembro, Lívia Christina como a nova cunhã-poranga da agremiação para o Festival Folclórico de Parintins de 2027. A parintinense, que ficou conhecida nacionalmente após participar da Casa de Vidro do BBB 26, assume o Item 9 no lugar de Isabelle Nogueira, que deixou o posto este ano. Para a vaga de rainha do folclore, ocupada por Lívia até o festival de 2026, o boi escolheu a jovem Isabelle Alcântara.

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As mudanças no quadro de itens femininos foram anunciadas nas redes sociais do Garantido. Segundo a agremiação, a escolha de Lívia e Isabelle foi recebida pela torcida como uma valorização de artistas formadas dentro do próprio boi.

Lívia ganhou projeção nacional ao participar da Casa de Vidro do BBB 26. A dinâmica reuniu participantes que disputavam uma vaga no reality show da Globo. No festival, terá como adversária a também ex-BBB e cunhã-poranga do Boi Caprichoso, Marciele Albuquerque.

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Nova função de Lívia no bumbá vermelho e branco

Lívia é natural de Parintins e começou a trajetória no grupo de dança Garantido Show. Antes de chegar ao posto de Rainha do Folclore, também defendeu o boi como porta-estandarte, função que assumiu em dezembro de 2022.

A nova função representa a mulher indígena e guerreira da Amazônia nas apresentações do bumbá no Bumbódromo.

Mudanças no boi Garantido: Lívia Christina é anunciada como cunhã-poranga e Isabelle Alcântara é nova Rainha do Folclore
Foto: Clarissa Bacellar/Portal Amazônia

A mudança também marca a sucessão de Isabelle Nogueira, que se aposentou do posto de cunhã-poranga do boi vermelho e branco depois de 9 anos. Ao longo da trajetória no Garantido, Isabelle também defendeu o posto de Rainha do Folclore entre 2015 e 2017.

Nas redes sociais, Lívia comemorou a escolha e agradeceu ao Boi Garantido, à torcida e ao novo presidente da agremiação, Marialvo Brandão.

“Meu coração transborda de emoção, meu povo!”, escreveu. Ela afirmou ainda que sente “gratidão, felicidade, responsabilidade e um amor que não cabe no peito”.

Isabelle Alcântara é a nova Rainha do Folclore

Para ocupar o posto deixado por Lívia, o Garantido anunciou Isabelle Alcântara como nova rainha do folclore para a temporada de 2027.

Também parintinense, Isabelle integrou o Garantido Show e tem trajetória ligada à dança. É acadêmica de enfermagem e também foi cunhã-poranga do Boi Tira Prosa, que disputa o Festival Folclórico do distrito de Nova Maracanã, em Faro, no Pará.

Isabelle tem 22 anos, nasceu e cresceu na Baixa do Xanda, tradicional reduto do Garantido em Parintins. Desde criança, esteve envolvida com a dança e com o Festival Folclórico.

A artista também foi rainha do Folclore do Boi Touro Branco, no Festival Folclórico do Mocambo, distrito localizado na zona rural de Parintins.

No Festival de Parintins, a rainha do Folclore é um dos itens individuais femininos avaliados pelos jurados. A personagem representa a beleza, a tradição e elementos da cultura popular amazônica nas apresentações do bumbá.

Ao anunciar Isabelle, o Garantido destacou a ligação da artista com a cultura popular e a trajetória construída dentro do próprio universo do boi.

“Nascida e criada na Baixa do Xanda, a cunhatã que sempre respirou o Festival de Parintins traz para a arena a graça, a beleza e a ancestralidade do nosso povo”, afirmou a agremiação.

A escolha também mantém uma característica destacada pelo Garantido ao anunciar as mudanças: a valorização de artistas formadas dentro do próprio boi e com experiência na cultura popular.

*Com informações da Rede Amazônica AM