A estiagem no Norte do Brasil continua intensa e agravando a crise hídrica a cada dia. No dia 5 de agosto, para se ter uma ideia, o nível do rio Madeira chegou a 2,08 metros, bem abaixo da média para este período do ano. Porém, conforme a Defesa Civil de Porto Velho, o rio Madeira pode subir cerca de 30 centímetros nos próximos dias, por causa das chuvas no Rio Beni.
“Considerando as previsões que indicam período de seca prolongado, recomendamos o uso essencial de água e que as pessoas evitem qualquer tipo de desperdício”, comentou o coordenador da Defesa Civil Municipal, Elias Ribeiro de Barros.
Ele acrescentou que equipes continuam realizando visitas nas comunidades ribeirinhas, verificando situações específicas em cada uma delas. Além disso, estão distribuindo hipoclorito de sódio para tratamento de poços, águas de nascentes ou de rios, tornando-as propícias ao consumo humano.
Água Mineral
Eles também já estão trabalhando para que seja executado a partir da segunda quinzena de agosto, o cronograma de distribuição de água mineral em algumas comunidades, cujos ‘poços amazônicos’ não resistem e secam no período mais crítico da seca.
Outras localidades estão sendo contempladas com poços artesianos. “O cronograma de perfuração de poços artesianos está sendo executado, em fase de perfuração ou em processo de contratação desse serviço, com objetivo de aumentar o quantitativo de poços a serem perfurados e reduzir a escassez de água potável para as famílias”, afirmou Ribeiro.
Foto: Reprodução/SMC
Navegação
Quanto às embarcações, o coordenador alerta que a navegação noturna no rio Madeira continua proibida e o transporte aquário segue com a capacidade reduzida, o que significa que o volume de carga transportada nesse período está sendo abaixo da média, para garantir a segurança na navegação.
Por outro lado, para a segurança das pessoas, a Defesa Civil Municipal não recomenda que banhistas frequentem as praias do Madeira, por causa do perigo de afogamentos e ataques de animais como jacarés, cobras e arraias, entre outros.
Diálogos
A Defesa Civil Municipal permanece unida e em constante diálogo com a Agência Nacional de Águas (ANA), Centro Gestor Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), Defesa Civil Estadual e o Serviço Geológico do Brasil (SGB), obtendo informações e sugestões de enfrentamento à crise hídrica, extremamente úteis para o planejamento estratégico da gestão municipal.
Os encontros entre esses entes federativos acontecem semanalmente e o próximo está agendado para sexta-feira (9), sob a coordenação da Defesa Civil Estadual de Rondônia.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Eneva anunciaram parceria para promover a recuperação florestal em quatro unidades de conservação (UCs) no estado do Amazonas, por meio da iniciativa Floresta Viva.
São dois projetos que envolvem o plantio de espécies nativas e a implantação de sistemas agroflorestais, combinando culturas agrícolas com espécies florestais nativas, e que também atuam para capacitar a população local e criar oportunidades de renda para as comunidades envolvidas, como a criação de uma rede de coletores de sementes de espécies nativas.
O esforço conjunto inclui a restauração ecológica de 400 hectares de áreas degradadas, o que equivale a 560 campos de futebol, com um investimento superior a R$ 10 milhões. As ações se concentram na Área de Proteção Ambiental (APA) Margem Esquerda do Rio Negro – Setor Tarumã Açu e Tarumã Mirim – e nas reservas de desenvolvimento sustentável (RDSs) do Uatumã, Puranga Conquista e Tupé.
Selecionados por edital, ambos têm prazo de execução de até 48 meses e estão alinhados com os objetivos de desenvolvimento sustentável (ODSs) das Nações Unidas.
A diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destaca que o banco já aprovou oito projetos do Floresta Viva para ações de recuperação em restingas e manguezais, com investimentos de mais de R$ 47 milhões.
“O BNDES vem reforçando sua participação na conservação e restauração ambiental e na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Nosso compromisso é atuar de forma socialmente justa e ambientalmente responsável”, ressaltou a diretora.
De acordo com a diretora-executiva de Estratégia e ESG da Eneva, Flavia Heller, os projetos selecionados se inserem no compromisso da empresa em contribuir para a conservação e recuperação do bioma da Amazônia em áreas degradadas, “sempre com um aspecto social muito importante: o de capacitação e criação de cadeias produtivas compatíveis com a floresta, que possam gerar renda e oportunidade de emprego para as comunidades locais”.
Projetos
Coordenado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), o projeto Restauração Ecológica Produtiva: Promovendo uma Paisagem Sustentável na Amazônia será desenvolvido em três UCs da região de Manaus e dos municípios de Itapiranga e São Sebastião do Uatumã e atuará na restauração da floresta por meio de sistemas agroflorestais, conciliando o plantio de espécies agrícolas e nativas em 200 hectares.
O projeto deverá produzir e plantar aproximadamente 66 mil mudas. Além de instalar viveiros comunitários, o projeto pretende aperfeiçoar viveiro existente e realizar cursos de capacitação nas comunidades. “O propósito é fomentar a cadeia da restauração como um instrumento de mudança do modelo de ocupação da terra, com geração de renda e valorização da alta biodiversidade existente na região”, destacou o diretor Técnico do Idesam e coordenador do projeto, André Viana.
O projeto Reflora, liderado pelo Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), vai implementar a restauração em 200 hectares na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista, no rio Negro, em Manaus. Na área, será criada a rede de coletores de sementes, bem como outras práticas de desenvolvimento de sistemas agroflorestais para diversificar produtos extraídos ou cultivados na floresta.
“O projeto busca impactar diretamente a segurança hídrica e a alimentação dos atores locais, fortalecendo as ações que aliam conservação e desenvolvimento regional”, ressalta o coordenador do projeto, Paulo Ferro, que é engenheiro florestal do IPÊ.
Iniciativa
Concebida pelo BNDES para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e promover a preservação da biodiversidade em diferentes biomas brasileiros, a iniciativa Floresta Viva tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Fuinbio) como responsável pela gestão operacional e pela condução da execução.
Seminário
Representantes do Banco apresentaram nesta terça-feira, 6 de agosto, durante seminário na sede do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, o projeto Floresta Viva Amazonas, fruto de edital da iniciativa Floresta Viva lançado em 2023. O projeto prevê investimento de R$ 250 milhões do BNDES, ao longo de quatro anos, em ações de restauração ecológica em territórios do bioma amazônico, começando pelo Estado do Amazonas.
Foto: Divulgação / Funbio
O projeto prevê a restauração ecológica de 400 hectares de ecossistemas degradados e enriquecimento de capoeiras de reservas extrativistas e áreas de proteção ambiental na região de Manaus e Presidente Figueiredo.
As ONGs Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável no Amazonas (Idesam) atuarão em cinco unidades de conservação: a Área de Proteção Ambiental (APA) Ufam-Acariquara, no caso do IPÊ, e as reservas de desenvolvimento sustentável (RDSs) Poranga Conquista, São João do Tupé e Uatumã, além da APA Tarumã Mirim e do Parque Estadual Samaúma, na área urbana de Manaus.
Uma decisão liminar da 7ª Vara Ambiental e Agrária do Amazonas anulou a licença prévia n° 672/2022 do trecho do meio da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO). A decisão foi deferida pela juíza Maria Elisa Andrade em resposta a uma ação civil pública movida pelo Observatório do Clima (OC). A organização argumentou que a licença, concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 2022, ignorava dados técnicos e científicos fundamentais.
A ação civil pública também destacou que a licença desconsiderava uma série de pareceres técnicos do próprio Ibama e a necessidade de governança ambiental para controlar o desmatamento antes do início das obras. A juíza Maria Elisa Andrade afirmou que a falta de políticas públicas eficazes para prevenção e repressão de crimes ambientais torna inviável a obra. Ela ressaltou que a reconstrução da BR-319 só poderia ser considerada se houvesse um fortalecimento significativo da governança ambiental e fundiária.
No despacho, a magistrada enfatizou que, sem políticas públicas de controle e prevenção ao desmatamento e a grilagem, a destruição da floresta amazônica é inevitável, tornando o empreendimento inviável. Além disso, a liminar aponta a necessidade de incluir estudos de impactos climáticos, mencionando que a falta de tais estudos compromete tanto o controle governamental quanto o público, enfraquecendo compromissos nacionais para mitigar a crise climática.
Em caso de descumprimento da decisão, a juíza estipulou uma multa de R$ 500 mil sobre o patrimônio do agente público responsável.
“Fez-se justiça. A importância dessa decisão é gigantesca. A licença prévia concedida pelo governo Bolsonaro para a reconstrução do trecho do meio da BR-319 é nula. A LP que foi suspensa atestou a viabilidade de uma obra que gerará muita degradação ambiental, e não há condicionantes nela que assegurem o controle da explosão do desmatamento que o asfaltamento da estrada vai causar”, declarou a coordenadora de políticas públicas do OC, Suely Araújo.
“A decisão da justiça federal demonstra que a política não pode se sobrepor à lei e à técnica. Não se pode dar seguimento ao processo visando à emissão da Licença de Instalação quando a Licença Prévia está eivada de nulidade. Não há governança na região capaz de controlar o desmatamento gerado pelo asfaltamento do trecho do meio da BR 319”, disse o especialista em litígio estratégico do OC e um dos autores da ação civil pública, Nauê Bernardo.
Uma pesquisa realizada no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Conservação (PPGBC) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) revela informações significativas sobre os estoques de carbono na Amazônia Maranhense, ressaltando a importância das florestas da região na mitigação das mudanças climáticas globais. A pesquisa foi conduzida pelo aluno Admo Silva e supervisionado pelo docente Celso Junior, ambos pertencentes ao programa, e publicada recentemente na Revista Brasileira de Geografia Física.
O estudo teve uma abordagem aprofundada para a quantificação e valorização dos estoques de carbono florestal na Amazônia Maranhense, utilizando dados de sensoriamento remoto para analisar a vegetação, que inclui as características das florestas de terra firme, vegetação secundária, manguezais e áreas protegidas. A pesquisa utilizou uma abordagem multidisciplinar, combinando dados de sensoriamento remoto, análise econômica e avaliação ecológica para fornecer uma visão abrangente do papel das florestas na Amazônia Maranhense.
As principais descobertas da pesquisa retrataram um levantamento da Amazônia Maranhense, demonstrando que a região armazena aproximadamente 279 milhões de toneladas de CO₂, avaliados em 6,70 bilhões de dólares (utilizando a abordagem do custo social do carbono). Foram destacadas as áreas com maior concentração de carbono, onde estão as florestas maduras e a vegetação secundária, particularmente, na Reserva Biológica do Gurupi e em terras indígenas.
A análise apontou que mais de 80% dos estoques de carbono de florestas secundárias estão fora de áreas protegidas. Também, foi identificada a questão da degradação florestal (incêndios florestais e extração seletiva de madeira) que tem impacto significativo na redução dos estoques de carbono de florestas maduras.
Imagem: Reprodução/UFMA
Admo Silva destacou a relevância da preservação dessas áreas. “Nossos resultados mostram que as florestas maduras e a vegetação secundária desempenham um papel vital no sequestro de carbono. Proteger essas áreas não só é essencial para a biodiversidade, mas também para mitigar o aquecimento global”, frisa.
O estudo tem o intuito de adotar estratégias integradas e sustentáveis que promovam a proteção ambiental, a fim de proporcionar a proteção do meio ambiente em evidência, a importância emergente na mitigação das mudanças climáticas, que envolve a implementação de políticas públicas com incentivos à conservação e à restauração das florestas secundárias e áreas protegidas.
O professor do PPGBC, Celso Henrique Leite Silva Junior, acrescenta a importância dos resultados do estudo que facilitou a identificação precisa dos níveis de carbono, além de proporcionar uma visão detalhada sobre a distribuição geográfica na região.
“O que mais me impressionou foi a magnitude do carbono armazenado nas florestas secundárias e o fato de mais de 80% desses estoques estarem fora de áreas legalmente protegidas. Esses resultados reforçam a necessidade urgente de políticas públicas voltadas para a conservação das florestas secundárias e escalonar a restauração florestal no Estado do Maranhão. Proteger essas áreas não é apenas uma questão ambiental, mas também um investimento no futuro econômico e social do Maranhão e do Brasil”, pontuou.
A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
O maior circuito off-road do mundo. Essa é a melhor maneira de definir o XTERRA. Há mais de 25 anos o evento esportivo reúne atletas que buscam desafios e o XTERRA Amazônia 2024 foi exatamente isso. A edição movimentou o município de Novo Airão, no Amazonas, com corridas de 5, 10, 21 e 50 km, além de disputas de thriatlon e ainda a Short track, um mega desafio dedicado a atletas de alta performance.
Com provas que combinaram corrida, natação e ciclismo em meio à floresta amazônica, o XTERRA possibilitou uma experiência única tanto para os quase mil participantes quanto para os espectadores. A programação iniciou no dia 19 de julho com uma palestra gratuita para os moradores e atletas inscritos na competição. E, no dia seguinte, os atletas acordaram cedo, competindo desde às 6h30.
No período da tarde foi a vez da prova especial: Short track. Os campeões e campeãs subiram ao pódio e comemoraram seus desempenhos e superação por terem competido em um cenário tão paradisíaco quando difícil.
A programação oficial do XTERRA Amazônia finalizou no dia 2 de agosto, quando foi realizado um plantio de 70 mudas de árvores nativas da Amazônia na comunidade São Francisco do Mainã, em Manaus (AM).
O plantio faz parte de uma ação socioambiental que visa minimizar os impactos de emissão de carbono resultantes da execução do evento.
O XTERRA Amazônia 2024 é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM) e tem o apoio da Braga Veículos; Secretaria Municipal de Inovação, Indústria, Comércio e Turismo da Prefeitura de Novo Airão; Secretaria de Estado do Desporto e Lazer, do Governo do Amazonas.
A startup amazonense AeroRiver foi contemplada com recursos de subvenção econômica para projetos inovadores, na temática de aeronáutica, para o projeto ‘Volitan’. Os recursos são oferecidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), através da Financiadora de Estudos e Projetos – Finep, com o intuito de fomentar o desenvolvimento tecnológico de iniciativas inovadoras que gerem impacto positivo nos contextos de mobilidade e sustentabilidade.
O projeto ‘Volitan’ consiste na concepção e fabricação do primeiro veículo de efeito solo do Brasil para transporte de passageiros e cargas, otimizado para o cenário amazônico, onde o setor logístico sofre por falta de alternativas mais ágeis e baratas de transporte.
A tecnologia do ‘Volitan’ é a junção de um barco e um avião. Isso permite que ele sobrevoe os rios com até 40% mais eficiência energética em consumo de combustível em relação a aeronaves de mesmo porte e capacidade, que não são otimizadas para o voo em efeito solo.
Imagem: Divulgação
A equipe, composta por engenheiros com especialização no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), enxerga no contexto amazônico o futuro da modalidade de transporte regional local. Além disso, o modelo de negócio prevê a expansão para outros cenários, onde fatores operacionais e altos custos são fatores limitantes.
Para Lucas Guimarães, co-fundador da Aeroriver, esta é uma grande conquista para o desenvolvimento da região amazônica, além de um grande passo em prol daqueles que penam pela falta de alternativas de transporte e escoamento na região:
“Como amazonenses, temos em nossa cultura que as viagens são, obrigatoriamente, longas ou caras, quando falamos de barcos e aviões. A AeroRiver veio para revolucionar essa realidade, sem desmatar a floresta e com maior eficiência energética. Essa é a nossa missão. Retribuir ao nosso povo uma nova forma de se conectar e prosperar”, salienta o atual diretor-executivo da AeroRiver.
Os recursos concedidos são da ordem de aproximadamente R$ 10 milhões e serão empregados nas fases de aperfeiçoamento do projeto e desenvolvimento do primeiro protótipo em escala real, a ser testado e otimizado nos rios da região amazônica.
A Praia do Atalaia, em Salinópolis, na região nordeste paraense, testemunhou o nascimento das primeiras tartarugas marinhas de 2024. No total, 52 filhotes de Lepidochelys olivacea (tartaruga-oliva) emergiram da areia e seguiram rumo ao oceano, marcando um momento significativo para a conservação dessas espécies ameaçadas de extinção, no litoral paraense.
O nascimento é resultado do trabalho dos pesquisadores do Projeto de Monitoramento de Desovas de Tartarugas Marinhas (PMDTM). Após as tartarugas adultas depositarem seus ovos na faixa de areia, o material é transferido para uma área segura nas proximidades da Unidade de Conservação (UC) do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) – Monumento Natural do Atalaia. Esse procedimento visa aumentar as chances de sobrevivência dos filhotes, protegendo de predadores e da ação humana.
500 filhotes em 2023
No ano passado, o local registrou uma taxa de natalidade de aproximadamente 90%, o que resultou no nascimento de cerca de 500 tartarugas, o que consolidou a Praia do Atalaia como um importante balneário de conservação marinha paraense. Para este ano, com o nascimento dos primeiros 52 filhotes, as expectativas são bastante otimistas.
O PMDTM, executado pela Mineral Engenharia e Meio Ambiente, é uma medida de mitigação exigida pelo licenciamento ambiental federal conduzido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O projeto abrange várias áreas de desova ao longo do litoral paraense, onde as tartarugas marinhas depositam seus ovos.
Fotos: Vinicius Leal/Ideflor-Bio
Ações
Desde o início de 2023, o Ideflor-Bio, em parceria com órgãos de segurança pública, bloqueia 3 km da faixa de areia da Praia do Atalaia para proteger cinco espécies de tartarugas marinhas que utilizam o local para desova e eclosão dos ovos. Entre elas, além da tartaruga oliva, estão a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).
O presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, enfatizou que o sucesso do trabalho reforça a importância da continuidade dessas ações. “O trabalho se tornará permanente, pois tem gerado bons resultados”, disse ele, ressaltando que as tartarugas marinhas desempenham um papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas marinhos.
O Ideflor-Bio destaca, ainda, que o Monumento Natural do Atalaia, criado em 2018, é uma UC de Proteção Integral que preserva ecossistemas vitais como manguezais, restingas e dunas. O local é uma das últimas áreas preservadas na região, abrigando diversas espécies de animais, incluindo mamíferos e uma rica avifauna, com especial atenção aos períodos de reprodução das tartarugas marinhas.
O “Harvard Amazon Rainforest Immersion” é um evento realizado pela Universidade de Harvard, com apoio da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), cujo objetivo é promover uma programação, além de explorar as complexidades da região e discutir os desafios do desenvolvimento sustentável na Amazônia. O grupo de participantes, formado por estudantes, docentes e pesquisadores de Harvard e do Brasil, terá acesso a experiências voltadas a diferentes conhecimentos.
O reitor da UEA, André Zogahib, reforça a importância do programa: “Estou muito agradecido. Esse evento fala sobre sustentabilidade. Não tem uma ação que essa universidade tenha feito nos seus 23 anos de existência, no seu curto espaço de vida, que não seja voltada à sustentabilidade”.
Dentre os temas apresentados, estão:
o desenvolvimento de pesquisas na Amazônia;
cases de sucesso reconhecidos como referências globais;
biodiversidade e seu potencial para o fortalecimento da ciência, tecnologia e recursos naturais no desenvolvimento socioeconômico sustentável;
culturas locais;
a relação entre cultura e políticas climáticas, entre outros.
A atividade é ofertada pela David Rockefeller Center for Latin American Studies Brazil Office e Salata Institute for Climate and Sustainability, em colaboração com a UEA, Academia Amazônia Ensina e o Instituto de Desenvolvimento da Amazônia (Idesam).
Na UEA, estão realizando a organização do evento o Prof. Dr. Sérgio Duvoisin Jr., Prof. Dr. Rodrigo Augusto Ferreira, Prof. Rafael Lopes de Oliveira e Prof. Dr. Adriano Nobre Arcos.
O evento começou no dia 7 e segue até 18 de agosto na Escola Superior de Tecnologia da UEA (EST), localizada na avenida Darcy Vargas, 1.200, Parque Dez de Novembro, em Manaus (AM).
O Observatório BR-319, rede de organizações que atua na área de influência da rodovia que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), lançou uma nova versão do mapa interativo sobre a área de influência da rodovia BR-319, com diversas funcionalidades que vão auxiliar a pesquisa e o monitoramento de informações da área.
A ferramenta, que pode ser acessada no site da rede, reúne dados sobre infraestrutura, áreas protegidas, incluindo Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs), assentamentos rurais, e monitoramento com indicadores sobre focos de calor, desmatamento, mineração e áreas de maior pressão, além de outras informações sobre o Interflúvio Madeira-Purus.
O Interflúvio Madeira-Purus é como é conhecida a região de terra entre os rios Madeira e Purus, que correm paralelamente sobre a maior parte do sudoeste da Amazônia, e é atravessada pela BR-319.
O mapa interativo permite visualizar a área de influência da rodovia, o que facilita a transparência e o acesso a informações oficiais sobre a região. A ferramenta é acessível a todo o público interessado, desde comunitários que vivem em territórios da região até cientistas que pesquisam sobre a BR-319.
Segundo Heitor Pinheiro, especialista em geoprocessamento e analista da Iniciativa Governança Territorial do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), a nova versão do mapa traz vantagens aos usuários, que poderão gerar mapas e exportar análises com diferentes critérios a partir de diferentes fontes.
Foto: Divulgação/Orlando K. Junior
“A nova plataforma é mais robusta, com a possibilidade de o usuário gerar mapas e exportar análises. Não é apenas um visualizador, é um SIG [Sistema de Informações Geográficas] on-line, que possibilita cálculo de área, análises espaciais e acesso a informações atualizadas sobre a área de influência da BR-319”, explicou Pinheiro.
O mapa traz dados oficiais de diversas fontes, incluindo plataformas como o Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), Sistema de Informação Geográfica da Mineração (SIGMine) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre outras.
Entre as novas informações que podem ser consultadas no mapa interativo da BR-319, estão as comunidades e localidades atualizadas da região a partir de dados do IBGE, mineração e terras indígenas que estão em estudo pela Fundação Nacional dos povos Indígenas (Funai), assim como pontos de atenção ao desmatamento na região.
Foto: Divulgação/Orlando K. Junior
“Com essa plataforma, buscamos o nivelamento de informações com as instituições parceiras, além da possibilidade de utilização destes dados para reconhecimento em solo, análises comparativas, de sobreposições, e um melhor entendimento da realidade do Interflúvio Madeira-Purus”, acrescentou Heitor Pinheiro.
Para Fernanda Meirelles, líder da Iniciativa de Governança Territorial do Idesam, organização membro do OBR-319, esse mapa é um dos maiores serviços que a rede presta à sociedade.
“O mapa traz informações muito úteis e reunidas em uma única ferramenta. Isso permite que as pessoas interessadas obtenham informações como desmatamento, ramais, degradação florestal, focos de calor, entre outras. Assim, moradores da região sob influência da BR-319 podem monitorar e compreender o que está acontecendo em seus territórios”, explicou Meirelles.
Foto: Divulgação/Orlando K. Junior
“Somado a outras seções como a Linha do Tempo e a Biblioteca, o novo Mapa Interativo deixa o site do OBR-319 ainda mais completo e robusto. Todo o site é constantemente atualizado e, sem sombra de dúvidas, é a fonte mais segura e rica de informações sobre a BR-319 atualmente”, concluiu.
Em breve, serão divulgados tutoriais para facilitar o acesso e a geração de informações a partir do mapa interativo. Todas os vídeos estarão disponíveis no canal do Observatório BR-319 no Youtube em uma playlist exclusiva.
O jovem escritor: Brasília, 1966. Foto: Divulgação
Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com
A Amazônia é uma grande lenda até em sua essência etimológica. O escritor Márcio Souza conseguiu transcender este paradigma e conferir uma descrição realística — mesmo quando escreveu romance e teatro — à odisseia da colonização da região.
Algumas vezes, o romancista, ensaísta e historiador negou a liberação de seus livros para projetos no cinema porque queriam transformá-los em enredos que fugiam de sua matéria-prima: a história. “Não trato de lendas, a menos que estejam no contexto histórico. Minhas obras são muito bem fundamentadas neste rumo, mesmo eu sendo, essencialmente, um romancista”, frisava.
De fato, ele era um grande e metódico pesquisador; toda a sua escrita — artística ou acadêmica — percorreu o caminho da análise crítica inerente à sociologia e ao jornalismo. Mas também tinha a graça da ironia, decerto uma influência literária herdada de seu autor favorito: Machado de Assis.
Márcio Souza morreu nesta segunda-feira, 12 de agosto, em Manaus, aos 78 anos. Deixou como um legado extraordinário o fato de ter rompido a fronteira do regionalismo com suas histórias bem contadas que transitaram da Argentina, passando pela Europa e os Estados Unidos e até o Japão. Chefes de estado de vários países o chamaram pelo nome — até Fidel Castro se declarou leitor do amazonense e fã da obra ‘Galvez, Imperador do Acre’ — e a elite da literatura brasileira o reconhecia como um autor de escol; grande amigo de Lygia Fagundes Telles e João Ubaldo Ribeiro. Com eles, participou de conferências em muitos países e sempre recebeu críticas predominantemente positivas da imprensa.
Vinte e poucos anos
Estudou sociologia na USP e seu primeiro livro — ‘O mostrador de sombras’ — foi publicado quando ele tinha 21 anos de idade. Na mesma época esteve preso por subversão política e frequentou os porões do Doi-Codi (Departamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo (SP).
Um pouco antes ainda, quando adolescente, o precoce intelectual já atuava como crítico de cinema em um jornal no Amazonas. Foi, também, teatrólogo, cineasta — aos 24 anos dirigiu ‘A Selva’ — e no governo de Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 2003, foi diretor da Funart (Fundação Nacional de Artes).
Márcio em Manaus onde nasceu e faleceu. Foto Divulgação
Uma promessa de criança
Além de peças de teatro e filmes, ele deixou 38 livros publicados. O trabalho literário mais conhecido de Souza refere-se à história de Rondônia. O livro de ficção ‘Mad Maria’, de 1980, relata a aventura da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré.
“Eu conheci a ferrovia ainda criança, viajando entre Porto Velho e Guajará-Mirim com o meu pai, que era sindicalista e vinha fazer contatos na região. Encantado com tudo aquilo, prometi: um dia escreverei a história da Madeira-Mamoré”, confidenciou Márcio em maio de 2024.
‘Mad Maria’ inspirou a minissérie homônima escrita por Benedito Ruy Barbosa que foi transmitida pela TV Globo em 2005. Trata-se de uma superprodução reexibida em dezenas de países, mostrando a loucura que consistiu a construção da ferrovia em plena selva entre 1907 e 1912, quando milhares de pessoas de vários países pereceram durante as obras.
Impacto
A morte de Márcio repercutiu no mundo literário. Várias academias de letras e instituições culturais ao redor do país manifestaram o pesar pela perda de um dos mais brilhantes intelectuais que personificou com toda a dignidade a Amazônia profunda, das raízes ameríndias às diversas fases da colonização da região, marcada por personagens fortes e atordoados. Ninguém conseguiu traduzir melhor a Amazônia do que Márcio Souza; ele, sim, uma lenda.
O presidente da Academia Rondoniense de Letras, Diogo Vasconcelos, emitiu uma Nota de Pesar, e lembrou: “Márcio Souza foi um dos maiores nomes da literatura da Amazônia e um dos escritores mais importantes para a história de Rondônia. Sua obra imortalizou a a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) no romance ‘Mad Maria’”.
Biografia inacabada
Primo em segundo grau do modernista Oswald de Andrade (a quem não conheceu) por parte de mãe e sobrinho-neto de Inglês de Souza (introdutor do naturalismo na literatura brasileira, no século 19), Márcio Souza sentiu, desde a primeira infância, que tinha o pendor para a escrita.
“Sou do tempo que saíamos do colégio, de fato, como leitores, porque nossos mestres nos orientavam neste rumo. Eu apreciava, ainda aos 14 anos, os livros de Jorge Amado. Também sempre tive curiosidade pelas línguas, e domino quatro idiomas. Tornar-se escritor não é resultado de vocação; é uma profissão; algo que você molda lendo, pesquisando, vivendo e observando”, analisou Márcio.
Repleto de memórias e casos interessantes como foram os diálogos com a ativista Patrícia Galvão, a Pagu, Márcio queria publicar um livro com sua biografia. Estava à procura de um autor para fazê-lo. “Eu não consigo falar sobre mim. Mas creio que minha trajetória pode resultar num livro desde que escrito na terceira pessoa”, disse, modesto.
Sobre o autor
Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.