Na mesma prateleira da frase “Quem come jaraqui, não sai mais daqui!”, quem visita Parintins para prestigiar o Festival Folclórico da ilha tupinambarana escolhe um caminho sem volta. Vivenciar a grande festa protagonizada pelos bois Caprichoso e Garantido acaba se tornando uma parada quase obrigatória na cidade localizada no interior do Amazonas.
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Seja no próprio estado ou em qualquer região do Brasil, a paixão dos torcedores dos bois, as ‘galeras’, é colocada à prova desde o início da temporada bovina, com os eventos tradicionais dos bois da estrela e do coração. É nesse período que é comum encontrar azulados e encarnados realizando atos de amor para ter a oportunidade de apoiar o boi favorito dentro do Bumbódromo.
É o caso do amazonense Giuliano Dino, mais conhecido como Giu Maué, que pisou pela quarta vez em Parintins para torcer pelo Garantido na arena do Bumbódromo. O artista saiu do Rio de Janeiro, onde mora atualmente, para retornar à Ilha depois de 17 anos desde a sua última visita, em 2009. Agora em terras parintinenses, o dançarino espera comemorar pela terceira vez a vitória do boi da Baixa.
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Relação umbilical com Garantido
Giu Maué conta que a relação dele com o Boi Garantido é umbilical. O artista de 41 anos afirma que se tornou torcedor encarnado ‘antes’ pelo seu finado pai.
“A paixão pelo garantido começou no ventre da minha mãe. Meu finado pai, Geraldo Adolfo Monteiro, era torcedor fanático, e minha mãe era pelo contrário. E desde quando eu ainda estava na barriga da minha mãe, ele já ficava perto de mim cantando as toadas. A minha mãe ali torcia pelo boi dela, mas o meu pai que me fez ser apaixonado pelo Garantido antes de chegar no mundo”, relembra Maué.
A ligação entre Giu e o Garantido foi tão verdadeira que o destino reservou uma oportunidade especial para essa relação de amor entre o torcedor e o seu boi. Em 1995, em seu segundo ano na Ilha da Magia, Maué agarrou a chance de dançar no Bumbódromo integrando o corpo de dança do Garantido.

“Naquele ano, realizei o sonho encarnado de me apresentar no festival pelo meu boi. No entanto, na segunda noite, caiu uma tempestade e o nosso boi foi impedido de se apresentar por completo. Entraram debaixo de muita chuva apenas o Amo, o Apresentador e o Levantador. Eu e o meu amigo, que estava responsável por mim, subimos para a arquibancada embaixo de muita chuva, frio, tudo isso para torcer pelo meu boi. Foi inesquecível, foi uma das minhas maiores loucuras. O Garantido permite o torcedor apaixonado a vivenciar episódios marcantes na vida como esse”, afirmou o artista.
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Retorno à Ilha
Pela quarta vez em Parintins, Giu conta que viveu experiências diferentes em todas as oportunidades, mas sempre movido pela paixão vermelha e branca. Além de 1995, quando também atuou como dançarino, o artista amazonense relembra que já foi sem nenhum centavo para Ilha da Magia.
“Em 1993, fui pela primeira vez e aos 13 anos de idade tive a experiência maravilhosa de ver de perto o Garantido. A minha memória afetiva de quando eu era criança é indescritível, ali só confirmou e aumentou a minha paixão pelo boi vermelho. Já em 2009, foi uma das minhas maiores loucuras, eu estava desempregado e era dançarino num grupo. Fui convidado e eu e um amigo fomos para Parintins sem nada no bolso, a gente se virou vendendo macaquinhas para arrecadar dinheiro. No fim, a experiência foi maravilhosa, até porque o Garantido foi campeão na ocasião, então valeu muito a pena”, recorda Giuliano.
Conexão Perreché MAO-RJ
Morando há 14 anos no Rio de Janeiro, Maué não deixou de ser Garantido na Cidade Maravilhosa e tampouco de brincar de boi bumbá. Há dois anos, o artista criou o RJ Encarnado, torcida organizada do Garantido na capital fluminense, em que divulga e expande a cultura popular do boi bumbá e, claro, a história do Boi de São José.
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“O RJ Encarnado é a torcida do Garantido no Rio de Janeiro, com intuito de divulgar a cultura do nosso boi e é um sucesso. Recentemente, fizemos um evento e não esperávamos tanta gente, mais de 200 pessoas estiveram presentes, isso mostra a força de Parintins e também do Garantido pelo Brasil afora”, frisa.
Longe da terra natal, o dançarino amazonense afirma que o Festival de Parintins é uma experiência única e reforça para quem ainda não conhece a grande festa da Ilha, que visite pelo menos uma vez.
“É algo indescritível, não existe em nenhum lugar do mundo. Eu moro no sudeste do Brasil desde 2012 e não tem nada igual, quem não conhece e escuta sobre o festival fica curioso, e quem vai pela primeira vez fica deslumbrado. Então, quem ainda não foi, vá, é algo único”, finalizou.
Parintins para todo mundo ver
O projeto Parintins para Todo Mundo Ver é uma realização do Grupo Rede Amazônica, com oferecimento de Mercado Livre, Neutrogena, Banco da Amazônia (Basa), Âmbar Energia e Sicredi.
