Das 52 universidades brasileiras avaliadas, 45 perderam posições em relação à 2025. Universidade de São Paulo (USP) manteve a liderança nacional, ocupando a 119ª posição. Foto: Reprodução-Cecília Bastos/USP Imagens
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
O ranking CWUR 2026 (Center for World University Rankings), organização focada em consultoria de políticas públicas e estratégias educacionais para governos e instituições de ensino ao redor do mundo, avaliou mais de 21 mil instituições globalmente. No topo mundial, Harvard (1ª), MIT (2ª) e Stanford (3ª) dominam o pódio. No Brasil, a USP manteve a liderança nacional, ocupando a 119ª posição global, seguida da UFRJ (346ª posição) e Unicamp (361ª posição).
De acordo com estudos divulgados em junho pelo Centro, das 52 universidades brasileiras examinadas, 45 perderam posições em relação ao ano anterior, o equivalente a 87% das instituições do país presentes na lista. Apenas cinco avançaram e duas permaneceram estáveis. Os orçamentos das principais universidades líderes mundiais, movimentados por fundos patrimoniais (endowments) e receitas operacionais complexas, a Universidade Harvard (1º lugar) dispõe de fundo patrimonial avaliado em US$ 56,9 bilhões e um orçamento operacional de aproximadamente US$ 6,7 bilhões/ano.
Seguem a Universidade Yale (orçamento de receitas na faixa de US$ 6,37 bilhões/ano e um fundo patrimonial de US$ 44,1 bilhões), Universidade Stanford (receita operacional de US$ 10,3 bilhões e um fundo patrimonial de US$ 40,8 bilhões) e o MIT (Massachusetts Institute of Technology) com um fundo patrimonial de US$ 27,3 bilhões.
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Para uma breve ideia comparativa, a USP tem um orçamento previsto para 2026 de R$ 9,41 bilhões, em torno de US$ 1,8 bilhão (cota-parte do ICMS paulista + recursos próprios). UFRJ: o orçamento/2026 total é de aproximadamente R$ 4,6 bilhões. A Universidade Federal do Amazonas – UFAM conta com um orçamento discricionário projetado para custeio no exercício 2026 de cerca de R$ 32,1 milhões.
O Brasil registrou um dos piores desempenhos entre os grandes sistemas de ensino superior do mundo. A deterioração ocorre em um momento de forte competição internacional por pesquisa, inovação e formação de talentos. Enquanto universidades brasileiras recuam, países como a China, a Coreia do Sul e Singapura ampliam investimentos em ciência, tecnologia e desenvolvimento acadêmico, consolidando posições cada vez mais relevantes nos rankings globais.
Nesse contexto, chama a atenção a pobreza do orçamento anual da EMBRAPA (Central), previsto para 2026 em R$ 4,84 bilhões (mais ou menos 0,38% do PIB brasileiro) para custeio geral, com cerca de R$ 600 milhões destinados à pesquisa. A dotação orçamentária do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) para custeio, cobertos com recursos diretos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), gira em torno de R$ 38 milhões a R$ 41 milhões (valor sem representatividade em relação ao PIB Brasil).

Os investimentos do Brasil em C,T&I gira em torno de R$ 160 bilhões (US$ 800 milhões), próximo a 1,25% do PIB e aproximadamente 11,9% do orçamento anual de Harvard. Enquanto isso a China ultrapassou US$ 569 bilhões, cerca de 2,8% do PIB (chegou a 4% na fase inicial do arranque econômico do país) investidos em pesquisa e desenvolvimento.
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Em Inteligência Artificial (IA), tem gatos programados entre US$ 84 a US$ 98 bilhões/ano, consolidando-se entre as 10 economias mais inovadoras do mundo, destacadamente como maior polo global de pesquisa científica e patentes nos setores de nanotecnologia e biomedicina. O Japão manteve-se no topo dos investimentos globais em P&D da ordem de US$ 186 bilhões/ano. O país continua liderando investimentos corporativos voltados para a robótica, materiais avançados e inteligência artificial. A Coreia do Sul mantém investimentos em P&D da ordem de US$ 139 bilhões/ano. Anunciou recentemente um um super-pacote tecnológico que prevê investimentos em mega-projetos estatais de curto/médio prazo estimados em US$ 570 bilhões destinados a dobrar a produção nacional de semicondutores e expandir data centers voltados para inteligência artificial.
Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
