Equipamento inédito de monitoramento climático na Amazônia fortalece pesquisa ambiental

Nova tecnologia instalada no IGE da Unifesspa amplia a produção de dados ambientais na região e reforça o compromisso institucional com a pesquisa, a inovação e o desenvolvimento sustentável.

Tecnologia do equipamento instalado no Instituto de Geociências e Engenharias da Unifesspa. Foto: Reprodução/ Unifesspa

A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) deu um passo estratégico no fortalecimento de sua infraestrutura científica com a instalação de um equipamento avançado de monitoramento ambiental, voltado ao acompanhamento, em tempo real, de variáveis meteorológicas e da qualidade do ar na Amazônia.

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Instalado no Instituto de Geociências e Engenharias (IGE), o sensor — desenvolvido pela empresa indiana Aurassure, especializada em soluções tecnológicas para monitoramento climático — permite o acompanhamento contínuo de indicadores como temperatura do ar, umidade relativa, material particulado (PM₂,₅ e PM₁₀), dióxido de carbono (CO₂) e compostos orgânicos voláteis totais (TVOC).

A tecnologia do equipamento amplia a capacidade da universidade de produzir dados ambientais qualificados em uma região marcada por intensas transformações climáticas e urbanas.

Equipamento auxilia na pesquisa orientada às demandas da Amazônia

A iniciativa está vinculada ao projeto de pesquisa ‘Variabilidade climática e qualidade do ar em uma cidade da Amazônia Legal: um estudo de monitoramento ambiental’, coordenado pela professora Nuria Pérez Gallardo.

O estudo tem como foco a compreensão integrada das dinâmicas climáticas e da qualidade do ar no município de Marabá, contribuindo para a produção de conhecimento científico aplicado às realidades amazônicas.

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Nuria Pérez Gallardo, coordenadora do projeto. Foto: Reprodução/ Unifesspa

A consistência científica do projeto se ancora na trajetória da pesquisadora, cuja tese de doutorado investigou, em profundidade, a resposta térmica de edificações em clima tropical a partir da interação entre variáveis ambientais, materiais construtivos e dinâmicas atmosféricas. O estudo, de caráter experimental, analisou o desempenho térmico de estruturas com e sem cobertura vegetal, demonstrando como elementos como radiação solar, umidade e ventilação influenciam diretamente o microclima e o conforto térmico dos ambientes construídos.

Ao evidenciar que o uso de vegetação em fachadas e coberturas contribui para a redução de amplitudes térmicas, o aumento do atraso térmico e a melhoria das condições internas das edificações, a pesquisa não apenas dialoga com princípios da climatologia aplicada, mas também aponta caminhos concretos para soluções sustentáveis em contextos urbanos tropicais. Trata-se, portanto, de uma abordagem que articula clima, cidade e sustentabilidade — eixo que se projeta diretamente no escopo do monitoramento ambiental agora desenvolvido na Amazônia.

O projeto conta com a colaboração dos professores Lygia Policarpio Ferreira, Adriane Marques de Souza Franco e Alan Monteiro Borges, consolidando uma abordagem interdisciplinar voltada à análise ambiental.

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Mulheres, ciência e Amazônia: um posicionamento institucional

Um dos aspectos mais significativos da iniciativa é o protagonismo feminino em sua condução. A maior parte da equipe de pesquisa é composta por mulheres, incluindo sua coordenação, liderada por uma pesquisadora estrangeira que desenvolve investigação científica na Amazônia.

Mais do que um dado circunstancial, essa configuração expressa um posicionamento que dialoga com a necessidade de fortalecimento da equidade de gênero na ciência — especialmente em áreas estratégicas como as ciências ambientais, historicamente marcadas por assimetrias de participação e reconhecimento.

Ao evidenciar mulheres na liderança e na produção de conhecimento de alta complexidade, a iniciativa reafirma o papel da universidade pública como espaço de transformação social, de ampliação de oportunidades e de enfrentamento das desigualdades estruturais.

Foto: Reprodução/ Unifesspa

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Além disso, a presença de uma pesquisadora estrangeira atuando na região amazônica reforça a dimensão internacional da ciência produzida na Unifesspa e contribui para a construção de olhares múltiplos sobre a Amazônia, ampliando a capacidade de interpretação dos desafios climáticos contemporâneos a partir de perspectivas diversas e complementares.

“Fazer ciência na Amazônia, sendo mulher e estrangeira, é também um gesto de compromisso com a diversidade de olhares que a própria região exige. A produção de conhecimento precisa ser plural, sensível às especificidades locais e aberta ao diálogo. Quando mulheres ocupam esses espaços, ampliamos não apenas a representação, mas também as formas de compreender e enfrentar os desafios ambientais contemporâneos”, destaca a professora Nuria Pérez Gallardo.

Infraestrutura, formação e produção de conhecimento

A incorporação do equipamento representa um avanço significativo na infraestrutura de pesquisa da Unifesspa, ampliando as condições institucionais para o desenvolvimento de estudos científicos e tecnológicos. Os dados gerados poderão subsidiar pesquisas, políticas públicas e estratégias de planejamento urbano sustentável na região.

A iniciativa também fortalece a formação acadêmica, ao possibilitar a participação de estudantes em projetos de iniciação científica e trabalhos de conclusão de curso baseados em dados produzidos localmente, articulando ensino, pesquisa e extensão.

Esse movimento está em consonância com o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da Unifesspa, que estabelece como missão institucional a produção, sistematização e difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos voltados à melhoria da qualidade de vida e à construção de uma sociedade mais justa e democrática. No mesmo sentido, o documento reafirma o papel da universidade como vetor de desenvolvimento regional sustentável, com forte inserção na realidade amazônica.

Ciência, inovação e compromisso regional

A instalação do equipamento foi viabilizada a partir da atuação da professora Nuria Pérez Gallardo, com apoio do diretor do IGE, professor José Elisandro de Andrade, e da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Inovação Tecnológica (PROPIT), por meio de incentivo à pesquisa.

Equipamento inédito de monitoramento climático na Amazônia fortalece pesquisa ambiental
Tecnologia instalada no Instituto de Geociências e Engenharias da Unifesspa, que amplia a produção de dados ambientais no Pará. Foto: Reprodução/ Unifesspa

Alinhada às diretrizes institucionais, a iniciativa reforça a estratégia da Unifesspa de investir na ampliação de sua infraestrutura científica e tecnológica, na consolidação da pesquisa e na produção de conhecimento orientado às demandas sociais e ambientais da região.

Em um cenário marcado pelos desafios das mudanças climáticas, a produção de dados confiáveis e contínuos sobre o ambiente amazônico torna-se essencial. Ao investir em tecnologia e pesquisa aplicada, a Unifesspa reafirma seu papel como instituição pública comprometida com a ciência, a inovação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

*Com informações da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

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