Terras raras: Amapá mapeia minerais estratégicos e atrai atenção de gigantes globais

A presença de elementos tecnológicos no subsolo da Amazônia acende o alerta de potências mundiais e inicia o debate sobre a viabilidade da mineração sustentável e uso das terras raras.

Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP

As terras raras estão nos hospitais, nos carros do futuro e até nos mísseis de última geração. Os minerais são o combustível da tecnologia moderna e são essenciais para manutenção do mundo digital. No meio da maior floresta tropical do planeta, uma descoberta coloca o estado do Amapá no centro do tabuleiro estratégico global. 

Os municípios de Calçoene, Ferreira Gomes, Mazagão, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio e Vitória do Jari apresentam potencial para existência de três elementos predominantes da tabela periódica. Os dados oficiais foram compilados na plataforma Atlas Raro.

Leia também: Brasil tem cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras; veja onde estão na Amazônia

Mesmo em fase de testes, o monitoramento acendeu o radar de gigantes globais, como Alemanha, Bélgica, China, Estados Unidos e Japão. “E também de outros países que buscam dominar a tecnologia para, a partir do aperfeiçoamento, desenvolver equipamentos e tecnologias”, ressalta o fundador da plataforma Atlas Raro, Pedro Prestes.

Na prática, os minerais são a chave para transição energética global. São indispensáveis para a produção de baterias de carros elétricos, os geradores de energia eólica, bem como a fabricação de celulares, telas de notebook, televisão e drones. São a espinha dorsal da indústria aeroespacial.

“As terras raras são um conjunto de minerais formados a partir dos 15 elementos químicos da tabela periódica. Garantem a soberania nacional em termos de defesa. Mísseis, sistemas de radar e lasers utilizam terras raras na composição”, explica o doutor em Ciências Exatas e Tecnológicas, Franciolli Araújo.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Arte - Terras Raras Alexandre Oliveira Rede Amazônica ap
Arte: Alexandre Oliveira/Rede Amazônica AP

Potencial das terras raras

De acordo com o professor da Universidade de Relações Exteriores da China, Marcus Vinicius de Freitas, o país asiático domina o setor: detém cerca de 70% das reservas, refina 90% das terras raras do planeta e usa o mineral como moeda de negociação internacional. É uma liderança que os Estados Unidos tentam quebrar a todo custo. Com fortes indícios da presença dos elementos, o Amapá se torna um alvo estratégico nesta guerra comercial.

“O Brasil foi abençoado com grande quantidade de minérios de terras raras. Isso proporciona ao país uma oportunidade de tratar estrategicamente, e não como commodity, este bem que é necessário para o desenvolvimento da indústria tecnológica global. Eu acredito que muita gente vai bater na nossa porta, querendo comprar terra, minerar e deixar o problema ambiental para o Brasil. É um problema que precisa de regulamentação, mas não precisa ter uma regulamentação que impeça efetivamente a exploração”, enfatiza.

Mas o tamanho da oportunidade é proporcional ao tamanho da responsabilidade. O Amapá é o estado mais preservado do Brasil. Diante de tanta riqueza na superfície, a possibilidade de extrair o que está no subsolo levanta o mais sensível debate. Como minerar sem destruir o ambiente?

“Se aprovada a atividade exploradora no Amapá, que seja com a garantia de proteção ambiental, não contaminação das águas e solos da região, e o respeito sociocultural e econômico das comunidades tradicionais, particularmente das áreas em que se encontram as jazidas”, disse o economista Arthur Oscar Guimarães.

Para que o ganho econômico não se torne desastre ambiental, Arthur Oscar Guimarães garante que o caminho passa por fiscalização, contratos prévios bem esclarecidos e capacitação local. Uma resposta que é desenhada nas salas de aula.

O Instituto Federal do Amapá (Ifap) criou o curso de Engenharia de Minas, com foco na redução de impactos ambientais. A finalidade é criar uma barreira técnica para que a riqueza gere desenvolvimento à população e não apenas a evasão de divisas.

“Valeria muito a pena que o Brasil e a liderança política e governamental tivesse a possibilidade de buscar em outras partes do mundo, no caso a China, as melhores práticas empreendidas, importar a tecnologia, aprender como se faz para que os minerais sejam explorados de maneira estratégica e possam servir de fato para que a região dê um pulo importante no desenvolvimento”, finaliza Marcus Vinicius de Freitas.

Foto: Divulgação/Rede Amazônica AP

Com um dos tesouros mais cobiçados do século XXI, o Amapá está diante de uma encruzilhada histórica. A direção do estado depende da sabedoria das autoridades para equilibrar os olhos atentos do mercado internacional com a proteção do maior patrimônio: a vida que pulsa sobre a terra.

*Por Luiz Felype Santos, da Rede Amazônica AP 

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Com ruas coloridas e clima de mundial, primeira ação do Amapá em Campo acontece neste sábado

Primeira atividade do projeto Amapá em Campo será realizada na Ponte do Apertadinho, no bairro Fazendinha, em Macapá, reunindo arte urbana, integração comunitária e conscientização ambiental.

Leia também

Publicidade