Você conhece o ‘olho da floresta’ que nasceu entre os Sateré-Mawé? Símbolo da Amazônia e conhecido por seu valor energético, o guaraná não está só presente em refrigerantes e bebidas estimulantes.
Cultivado há séculos pelos povos indígenas, o guaraná se destaca devido suas propriedades medicinais, antioxidantes e nutricionais, que fazem dele uma riqueza natural da floresta.
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O fruto se destaca por sua aparência curiosa, uma vez que, quando amadurece, a casca ganha tons vermelho-alaranjados e se abre parcialmente, deixando a semente escura exposta, lembrando um olho humano. Essa característica marcante ajudou a construir lendas em torno da planta nas culturas amazônicas.
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De acordo com o livro ‘Guaraná- como cultivar’, publicado na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a colheita deve ocorrer justamente nesse estágio de maturação (amadurecimento e desenvolvimento), antes da abertura total dos frutos, evitando que as sementes caiam no solo.
Energia natural da Amazônia
Utilizado há séculos pelos indígenas, o fruto é considerado uma superfruta principalmente por suas propriedades estimulantes. O artigo ‘Divergência fitoquímica entre genótipos de guaraná em função de caracteres agroindustriais‘, aponta que o guaraná atua diretamente sobre o sistema nervoso central, sistema cardiovascular, músculos e rins, além de ajudar na redução da fadiga física e mental e contribuir para o funcionamento intestinal se consumido regularmente.
Ainda de acordo com o artigo, o fruto, considerado a maior fonte natural de cafeína conhecida, possui mais que o dobro presente no café, três vezes mais que o chá, cinco vezes mais que a cola, seis vezes mais que o mate e oito vezes mais que o cacau.
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Essa alta concentração acontece por causa das chamadas metilxantinas, grupo de compostos que inclui cafeína, teofilina e teobromina, substâncias que são conhecidas pelo efeito estimulante e utilizadas na composição de medicamentos para diferentes finalidades terapêuticas.
Além das metilxantinas, o estudo também destaca que o guaraná é rico em polifenóis, moléculas antioxidantes, responsáveis pelo combate aos radicais livres, compostos associados ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças.
Potencial antioxidante e benefícios à saúde
Além disso, a pesquisa também mostra que o guaraná apresenta altos índices de catequina e epicatequina, compostos antioxidantes também encontrados no chá e no cacau, mas que no guaraná são ainda maiores. Além disso, esses compostos bioativos são considerados biodisponíveis, ou seja, conseguem ser absorvidos e utilizados pelo organismo humano.
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Entre os efeitos associados ao consumo do guaraná, o artigo também aponta o potencial anticancerígeno, como controle da proliferação de células tumorais e no processo de metástase, propriedades antimicrobianas, atividade anti-envelhecimento, prevenção de trombose e auxílio no controle de doenças cardiovasculares.
E mais: o consumo da fruta também pode contribuir para a redução dos níveis de colesterol total e do LDL, conhecido popularmente como ‘colesterol ruim’.
Produção e utilização do fruto
Maués, município conhecido como a ‘terra do guaraná’, se tornou referência nacional na produção do fruto. Lá a cultura do guaraná movimenta a economia local e fortalece a agricultura familiar na região amazônica.
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Atualmente, aponta o estudo, o fruto é utilizado na produção de bebidas, xaropes, cápsulas, cosméticos e suplementos alimentares. E o fruto pode ser comercializado também em bastão, após uma defumação longa que o prepara para a venda, em rama, mais utilizados pelos agricultores, e em pó, forma mais comum encontrada no mercado.
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