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Terça, 19 Outubro 2021

Devido ao desmatamento, Acre tem 17 municípios ameaçados de calor extremo

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Foto: Arquivo/BP-AC

Como consequência do desmatamento, queimadas, poluição e assoreamento dos rios, o Acre tem 17 municípios com risco de enfrentar situação de calor extremo até o final de século. É o que aponta um estudo realizado pela Fundação Oswaldo Cruz e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O estudo aponta que o calor extremo associado à baixa umidade e velocidade do vento, são fatores que contribuem para o processo de savanização da Amazônia que pode tornar a vida humana praticamente inviável até 2100.

Conforme o estudo, pelo menos 12 milhões de pessoas que vivem na Amazônia correm risco de morte por causa do calor. A pesquisadora da Fiocruz Beatriz Oliveira disse que o estudo chegou à conclusão de que pode ter aumento de até 3º C de temperatura. Sendo assim, de 30º C a 34º C é considerado alto risco para a saúde humana e acima disso é considerado de extremo risco.

"Quando a gente tem esse índice atingindo determinados valores, eles podem indicar extremo risco para a saúde humana porque ele não é mais seguro para alguns grupos como idosos, portadores de pré disposições clínicas e de algumas atividades laborais", disse durante entrevista à Rede Amazônica Acre.
Foto: Corpo de Bombeiros Acre

A pesquisadora explica que o corpo em condições extremas de calor por colapsar. O desmatamento em grande escala associado às mudanças climáticas aumentará o risco de exposição ao calor extremo. Esses níveis de calor serão fisiologicamente intoleráveis ao corpo humano e afetarão profundamente as regiões onde residem populações altamente vulneráveis.

Tarauacá é o município mais afetado, seguido de Feijó, Manuel Urbano e outras 14 cidades que terão a temperatura aumentada e passarão para o estado de Savana Amazônica, segundo o estudo.

"A nossa tendência é que a gente atinja esse valor no final do século. Estamos seguindo para esse caminho de atingir temperaturas que são extremas para a condição nossa", pontua a pesquisadora.

O Acre é um estado com uma projeção em termos de mudança climática e de ter o calor mais acentuado. Tem municípios com elevação de 2º C, Rio Branco teve aumento de 1º C, conforme explicou.

"É uma situação em que a gente precisa repensar em algumas estratégias em todos os setores para a gente reduzir os gases de efeito estufa. Hoje, o Brasil faz parte do acordo de Paris e uma das principais metas é justamente a redução do desmatamento. Uma das primeiras coisas que a gente precisa deixar claro isso como meta", pontua.

Além disso, fatores como aumento do número de incêndios florestais, expansão de áreas agrícolas e atividades de mineração, tendem a impulsionar o crescimento desordenado e um processo de urbanização não planejado, com falta de infraestrutura sanitária básica e trabalho informal mais frequente.

Foto: Arquivo/PF-AC

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