Foto: Divulgação/Amazonastur
Viajar pela Amazônia também é uma oportunidade de conhecer sabores, ingredientes e tradições que fazem parte da identidade de cada estado. Da carne seca com arroz às receitas preparadas com peixes amazônicos, a gastronomia da região reúne influências indígenas, africanas, portuguesas e de outros povos que ajudaam a formar a cultura local.
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Para quem pretende conhecer algum dos estados da Amazônia Legal, o turismo gastronômico pode ser uma maneira de descobrir os costumes de cada território, afinal, além das paisagens, rios, florestas e cidades, a Amazônia Legal também pode ser descoberta à mesa. Confira um prato tradicional de cada um dos nove estados que compõem a região – que você deve experimentar:
Acre: Baixaria
No Acre, um dos pratos que mais representam a culinária local é a baixaria. Com um nome curioso, a receita é bastante conhecida entre os acreanos e pode ser encontrada principalmente em mercados populares e lanchonetes de Rio Branco.
A base é feita com cuscuz de milho, geralmente acompanhado de carne moída bem temperada, ovo frito e vinagrete, e dependendo do local, podem aparecer outros ingredientes, como banana-da-terra frita, queijo coalho e pimenta.

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Além disso, a baixaria é conhecida por ser uma refeição reforçada e costuma aparecer no café da manhã. A origem exata do nome não é unânime, e entre as histórias populares está a ideia de que a palavra faria referência à mistura de vários ingredientes no mesmo prato, resultando em uma aparência considerada “bagunçada”.
Amapá: Caldeirada de gurijuba
No Amapá, o turista pode experimentar a caldeirada de gurijuba, preparada com um peixe bastante conhecido na culinária do estado. A gurijuba é um peixe de couro, conhecido como o “peixe ouro” do Amapá, valorizado tanto pela carne quanto pela bexiga natatória, conhecida como grude.

Na caldeirada, o peixe aparece em postas e é acompanhado por ingredientes como tomate, cebola, pimentão, batata, pimenta-de-cheiro, cheiro-verde e chicória.
Dependendo da receita, também podem ser acrescentados leite de coco, azeite de dendê, camarão e ovos cozidos.
Amazonas: Pirarucu de casaca
No Amazonas, um dos grandes representantes da gastronomia regional é o pirarucu de casaca. O prato tem como ingrediente principal o pirarucu, um dos maiores peixes de água doce do mundo.
O peixe é tradicionalmente salgado ou seco, depois dessalgado, desfiado e refogado com temperos. Na montagem, ele é combinado com ingredientes como farinha de mandioca, banana-da-terra frita, ovos cozidos, azeitonas e cheiro-verde.

O nome ‘casaca’ está relacionado à montagem em camadas, que reúne os diferentes ingredientes em uma única preparação. É uma receita bastante associada a almoços, jantares e ocasiões especiais.
Mato Grosso: Maria Isabel
Em Mato Grosso, o destaque gastronômico vai para a Maria Isabel, prato preparado principalmente com arroz e carne seca ou carne de sol.
A receita combina arroz com pedaços de carne, além de ingredientes como alho, cebola e cheiro-verde. A preparação faz parte da culinária tradicional mato-grossense e está relacionada aos hábitos alimentares do interior do estado.

Acredita-se que a origem e o nome do prato seja uma homenagem à Imperatriz Maria Isabel, esposa do Imperador D. Pedro II. Segundo a história, durante uma visita à Província de Mato Grosso no século XIX, a Imperatriz teria sido recebida com um banquete especial, onde foi servido um prato que combinava a carne de sol com o arroz. A receita agradou tanto Maria Isabel que o prato foi batizado em sua homenagem.
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Pará: Maniçoba
No Pará, um dos pratos mais emblemáticos é a maniçoba, muitas vezes chamada de “feijoada paraense”, embora não leve feijão.
A receita é preparada com a maniva, folha da mandioca-brava moída, que precisa passar por um longo processo de cozimento antes de ser consumida. Isso ocorre porque a folha fresca contém compostos que podem liberar cianeto de hidrogênio e, por isso, o preparo tradicional exige cozimento por no mínimo sete dias.

Depois desse processo, a maniva é preparada com carnes e embutidos de porco, resultando em um prato de sabor marcante.
Sua origem é tema de diferentes interpretações, já que há pesquisadores que relacionam a receita a tradições indígenas, enquanto outras interpretações destacam influências africanas na utilização das carnes e no desenvolvimento do prato.
Rondônia: Pirarucu Rondon
Em Rondônia, o Pirarucu Rondon é uma opção para quem deseja experimentar uma receita criada a partir de ingredientes característicos da Amazônia. O prato é preparado com pirarucu e reúne acompanhamentos como jambu, macaxeira, batata-doce e tucupi.

A receita foi criada pelo chef Manoel de Jesus Evangelista e recebeu reconhecimento oficial como prato culinário de Porto Velho. O nome faz referência ao Marechal Cândido Rondon, personagem histórico ligado à ocupação e às expedições pelo interior do Brasil.
Roraima: Damurida
Em Roraima, o destaque é a damurida, um ensopado tradicional de origem indígena, associado aos povos Macuxi, Wapichana e Taurepang. O prato pode ser preparado com peixe fresco ou carne de caça e tem como características o uso de tucupi e uma quantidade generosa de pimentas.

Entre os ingredientes também aparecem tomate, cebola, chicória e cheiro-verde. Além disso, a receita é conhecida pelo sabor intenso e picante e costuma ser acompanhada de beiju de mandioca.
Tocantins: Chambari
No Tocantins, o chambari é uma das receitas mais conhecidas. O prato é preparado com o músculo da perna do boi, cortado com o osso, semelhante ao ossobuco.
A carne é cozida lentamente com temperos como alho, cebola, tomate, pimentão e cheiro-verde. O longo cozimento deixa a carne macia e permite que o tutano presente no osso contribua para o sabor e a textura do caldo.

Tradicionalmente, o chambari pode ser acompanhado de arroz branco, farinha de mandioca e pimenta-de-cheiro, e em algumas regiões do Tocantins, o prato é consumido inclusive no café da manhã. A importância cultural da receita é tão grande que o chambari foi reconhecido como Patrimônio Cultural e Gastronômico do Tocantins em 2017, ao lado da buchada e da paçoca de carne seca.
Maranhão: Arroz de cuxá
Fechando o roteiro gastronômico, o Maranhão apresenta o arroz de cuxá, um dos principais símbolos da culinária maranhense.
A receita é preparada com arroz e o tradicional cuxá, feito a partir da vinagreira, planta de sabor ácido bastante utilizada na culinária do estado. Também entram na preparação ingredientes como camarão seco, gergelim torrado, alho, cebola e pimenta-de-cheiro.
O prato pode ser servido como acompanhamento de peixes, frutos do mar e outras preparações típicas.

