Amostra de petróleo do Amapá é levada ao Rio de Janeiro para análise de composição e qualidade

A amostra do petróleo amapaense passará por exames avançados para identificar potencial do combustível. Testes vão determinar a viabilidade da exploração na Bacia da Foz do Amazonas, segundo a Petrobras.

A Petrobras enviou ao Rio de Janeiro a primeira amostra de petróleo do poço de Morpho, no Amapá. O material será analisado para mapear seu ‘DNA’. Foto: Divulgação/Foresea

A Petrobras enviou ao Rio de Janeiro a primeira amostra de petróleo encontrada no poço de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá. O material passará por exames detalhados no Centro de Pesquisas da estatal (Cenpes) para mapear o “DNA” do combustível e determinar a composição do óleo descoberto na região, segundo apuração da Agência Reuters.

Por se tratar de um líquido considerado “ouro” para a companhia — uma vez que não há outra amostra disponível —, o transporte é feito de caminhão sob forte esquema de segurança e logística especial. O trajeto até a capital fluminense deve levar cerca de três semanas.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

“É uma carga delicada, mesmo em pequena quantidade, e demora mesmo porque tem uma logística especial. É uma amostra que não pode se perder porque vale ouro. Se perder essa, não tem outra”, afirmou o gerente-geral de águas ultraprofundas da Petrobras, Fábio Passarelli.

A descoberta do petróleo no poço de Morpho foi confirmada no dia 14 de agosto e gerou forte expectativa no governo e no setor energético. No Rio, a amostragem será analisada no laboratório de Pressão, Volume e Temperatura (PVT) do Cenpes, estrutura especializada no teste inicial de novas reservas.

“É um laboratório altamente tecnológico e toda primeira descoberta é feita nele. Lá se conhece o que é o fluido, quais contaminantes ele tem, o DNA do negócio, do óleo. Ali se fazem levantamentos termodinâmicos e se analisam pressão, volume e temperatura, que são informações básicas para entender o fluido”, explicou Passarelli.

A amostragem é peça-chave nos planos da Petrobras para a Margem Equatorial, área litorânea estratégica avaliada pela empresa para recompor suas reservas, cuja produção atual tem previsão de declínio a partir de 2034.

Leia também: Entenda o que é o ‘petróleo chique’ do Amapá, óleo leve que Lula comparou ao Pré-Sal

busca por petróleo segue no Amapá
Amostra de petróleo será analisada (imagem ilustrativa). Foto: Roberto Rosa/Agência Petrobras

Impasse socioambiental

Apesar do apelo econômico, o avanço na bacia da Foz do Amazonas gera um dos maiores impasses socioambientais do país. Cientistas, ONGs e órgãos ambientais alertam para os riscos à biodiversidade da Amazônia e o descumprimento de metas climáticas.

Os principais pontos de preocupação envolvem:

  • Exigências rigorosas do Ibama: O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) adota postura de cautela devido à complexidade da região.
  • Ameaça a recifes e manguezais: Entidades como o Greenpeace e a WWF-Brasil alertam para os impactos sobre o Grande Sistema de Recifes da Amazônia — ecossistema raro de corais e esponjas — e sobre a vasta faixa de manguezais contínuos do litoral amapaense.
  • Impacto em comunidades tradicionais: Líderes locais e ambientalistas apontam o risco que potenciais acidentes ou a poluição sonora de embarcações trazem para a pesca artesanal, territórios quilombolas e terras indígenas costeiras.
  • Transição energética: Grupos socioambientais sustentam que o aporte de bilhões de reais na expansão da infraestrutura de combustíveis fósseis desacelera a transição para fontes renováveis e prejudica as metas de redução de emissões do país.

A Petrobras afirma seguir rigorosamente todos os protocolos de segurança exigidos pela legislação ambiental.

Leia também: A dualidade da exploração de petróleo na Margem Equatorial: o que é e como afeta a Amazônia?

Busca por petróleo segue

Após a conclusão das análises do poço Morpho, a companhia prevê a perfuração de mais três poços em busca de petróleo no mesmo bloco e outros cinco em áreas adjacentes na costa do Amapá, que dependem de licenciamento ambiental.

Ainda não há prazo para determinar o volume da acumulação ou sua viabilidade comercial. Esses resultados precisarão ser integrados a outros dados geológicos e geofísicos.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Jovens vão pensar soluções para o futuro da Amazônia em encontro internacional em Manaus

Amazonian Youth Summit 2026 reúne 100 jovens, especialistas e lideranças para discutir sustentabilidade, educação e cidadania global

Leia também

Publicidade