Foto: Walace Gomes/Rede Amazônica AC
A veterinária e artista plástica Débora Cristina Barbosa Almeida, de 59 anos, encontrou na biodiversidade amazônica matéria-prima e inspiração para transformar elementos da floresta em arte. Há quatro anos, ela produz quadros e peças decorativas utilizando materiais como palha e sementes.
Natural do Amapá, Débora trouxe parte da Macunani Art & Décor ao Inova Amazônia Summit, que ocorre em Rio Branco até este sábado (19). As peças são vendidas por até R$ 600 e são apresentadas no evento que reúne empreendedores e iniciativas ligadas à bioeconomia e à inovação na Amazônia.
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A artista conta que a relação com a região amazônica é a principal inspiração para o trabalho. Débora explica que os quadros não apenas embelezam espaços, mas também contribuem para o estilo de vida sustentável.
“Minha inspiração vem justamente da biodiversidade, da Amazônia, da nossa ancestralidade, da nossa cultura e do nosso estado, nortista igual ao Acre. Fazer esse tipo de arte é aderir a um estilo e vida. Uma peça mais simples leva mais ou menos três a quatro dias. Uma mais complexa, dependendo do tamanho, leva em torno de duas semanas. O tempo varia conforme o tamanho e a complexidade de cada peça”, afirma a artista plástica.
O processo de produção é artesanal e pode levar até duas semanas. Chamado de arte eco-friendly, definida como a prática artística que usa materiais recicláveis para criar obras, Além dos quadros decorativos, Débora também produz letreiros e trabalha com desenhos inspirados em grafismos amazônicos e indígenas. A escolha dos materiais é uma das partes mais importantes do processo. A artista utiliza matérias-primas que não causam impactos ao meio ambiente.
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“Eu gosto de trabalhar com materiais sustentáveis como palha, cascas de coco, folhas secas e cascas de árvores. Hoje eu foco muito em procurar matéria-prima sustentável que não agrida a natureza e a nossa Amazônia”, destaca.
Além disso, algumas peças podem utilizar palhas de coqueiro e até buriti, fruta típica da região. Parte deles é comprada em Belém, estado onde mora, enquanto outros são adquiridos de colegas que trabalham com materiais semelhantes.
Débora também conta que coleta alguns materiais no Museu Sacaca, em Macapá. Segundo ela, o reaproveitamento está relacionado ao conceito de economia circular. “A gente trabalha sempre aproveitando uma coisa, inventando e pegando aquela situação de novo para refazer também”, afirma.
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Uso de materiais sustentáveis, uma mensagem ambiental
Para além da decoração, Débora procura utilizar as peças para chamar atenção a questões ambientais da Amazônia. Algumas das obras abordam as queimadas e espécies de animais ameaçadas de extinção.
A intenção, segundo ela, é fazer com que a arte seja também uma ferramenta de conscientização. Para a amapaense, a proposta é que o comprador não veja apenas um objeto bonito, mas também reconheça a relação daquela peça com a floresta e com a cultura amazônica.

“A nossa missão é levar o nosso trabalho para mais e mais pessoas. A gente trabalha com o objetivo de preservação ambiental e esse é uma arte para conscientizar. Não é só uma beleza. A nossa arte precisa se conectar com o ambiente de quem está adquirindo”, explica.
Débora chegou ao Acre com um grupo de empreendedores do Sebrae Amapá para participar do Inova Amazônia Summit. O evento começou nessa quinta-feira (17), no Centro de Convenções da Universidade Federal do Acre (Ufac), em Rio Branco. Mesmo após apenas o primeiro dia do encontro, ela diz já ter vendido algumas peças e avalia positivamente o movimento.
Para ela, além da possibilidade de comercializar os produtos, o evento permite apresentar o trabalho para pessoas interessadas em iniciativas relacionadas à Amazônia.
“Um evento dessa magnitude sempre traz cada vez mais pessoas interessadas em saber mais sobre a Amazônia, sobre as questões climáticas, a bioeconomia e as inovações. Que é o que une todo esse público em busca de um mundo sustentável”, completa.
*Por Walace Gomes, da Rede Amazônica AC
