“Portovelhense” não existe: entenda por que o hífen é obrigatório

Sem o hífen, "portovelhense" resulta em uma aglutinação indevida. Os dois radicais, "porto" e "velhense", permanecem autônomos, e o hífen é o sinal que marca essa composição.

Porto Velho, capital de Rondônia. Foto: R. Machado

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

Não é raro encontrar, até em documentos oficiais e trabalhos acadêmicos, o gentílico de Porto Velho grafado como “portovelhense”, sem o hífen exigido pela norma culta.

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O correto é porto-velhense. A explicação está na regra do hífen para palavras compostas por justaposição. O Acordo Ortográfico (Base XV) determina o uso do hífen nos compostos formados sem elemento de ligação, quando os termos conservam autonomia fonética e gráfica e passam a formar uma unidade de sentido.

É exatamente o que ocorre com os gentílicos derivados de topônimos compostos: Porto Velho gera porto-velhense, assim como Porto Alegre gera porto-alegrense, Mato Grosso gera mato-grossense e Rio Branco gera rio-branquense.

Quem mora em Porto Velho é porto-velhense
Foto: Leandro Morais/Prefeitura de Porto Velho

Portovelhense, uso consagrado pelo erro

Sem o hífen, “portovelhense” resulta em uma aglutinação indevida. Os dois radicais, “porto” e “velhense”, permanecem autônomos, e o hífen é o sinal que marca essa composição.

Se a forma sem hífen ainda circula, inclusive em um documento antigo do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística], trata-se de um uso consagrado pelo erro. Não deixa de ser erro.

Leia também: Lévi-Strauss: uma obra planetária enraizada em Rondônia

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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